quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Um ato terrorista q não se consumou

 *Pela primeira vez em mais de 20 anos, alguém tentou sequestrar um avião com destino a Israel.* 


_Milagrosamente, o agressor, um piloto de Omã, foi dominado antes de conseguir concluir sua missão._


A região inteira prendeu a respiração quando o voo matinal da Flydubai, de Dubai para Tel Aviv, emitiu um sinal de emergência, acionou o código de sequestro e pareceu desviar de sua rota sobre o espaço aéreo saudita. A tensão na região se dissipou, quase dando lugar a um riso aliviado, quando os primeiros relatos atribuíram o incidente a uma briga entre os dois pilotos. Esse riso, porém, logo desapareceu à medida que avaliações de segurança e depoimentos de passageiros revelaram que o copiloto havia esfaqueado o comandante repetidas vezes. 


O terrorista então assumiu os controles e direcionou a aeronave para o solo, perdendo quase 20.000 pés de altitude em pouco mais de um minuto, até que vários tripulantes e passageiros forçaram a entrada na cabine de comando e o imobilizaram. 


Muitas pessoas ficaram feridas durante a ação. 


O avião fez um pouso de emergência em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde os passageiros agora aguardam que Israel os leve de volta para casa.


A motivação específica e a afiliação do agressor ainda não foram confirmadas, mas Israel trata o incidente como um ato de terrorismo.


Ao contrário de muitos sequestros na longa história de Israel, o de hoje teve um final feliz. 


O episódio ocorreu, além disso, poucas semanas após o 25º aniversário do sequestro mais letal da história.


Muitas perguntas permanecem. Como esse homem obteve autorização para pilotar a aeronave? O que exatamente o motivou? E o que isso significa para o futuro das viagens aéreas no corredor de voo mais movimentado de Israel?


A El Al suspendeu seus voos regulares para os Emirados Árabes Unidos em março de 2026 devido a ameaças à segurança e não os retomou desde então. É possível que o agressor pretendesse criar uma ruptura nessa aliança crucial. Apenas ontem, Benjamin Netanyahu alertou, em um discurso na principal base aérea das Forças de Defesa de Israel (FDI), que "nossos inimigos tentarão nos atacar". "Não mexam conosco", advertiu ele. "Nosso braço longo os alcançará em qualquer lugar e a qualquer momento."


No entanto, não foi o punho vingador da Força Aérea de Israel nem um resgate heroico realizado por forças especiais que frustrou a ameaça de hoje.  Foi a coragem de israelenses comuns. Havia uma possibilidade muito real e trágica de que eu estivesse escrevendo um artigo completamente diferente hoje. Com o capitão lutando para sobreviver, o sistema de direção avariado e uma asa danificada, foi graças à bravura de um pequeno grupo de passageiros e tripulantes que quase 180 vidas foram salvas. Hoje, no quinto dia de Sucot, recitaremos as palavras do Hallel com fervor redobrado: “Este é o dia que o Senhor fez; alegremo-nos e regozijemo-nos nele.” – Amit Segal


https://x.com/AmitSegal/status/2105250626040926320


Pesquisa, tradução, adaptação, legendas e comentários: **By@Krok**

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Obrigado 🙏🏻

Os fatos chegam sempre atrasados

 Os fatos chegam atrasados

Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial 


Primeiro escolhemos. O candidato chega depois.

Entre os eleitores de menor escolaridade, Lula tem 49%, Flávio Bolsonaro, 29%.

Seria a prova definitiva da superioridade política do diploma, não fosse um detalhe devastador. 

Conheço, e como conheço, doutores capazes de defender disparates com bibliografia, nota de rodapé e absoluta convicção.

Diploma aumenta repertório, não vacina contra estupidez.

A explicação é bem menos confortável.

Ninguém chega sozinho à urna. Leva os pais, a renda, o bairro, o medo, a religião, o emprego que teve, o dinheiro que faltou, a ajuda que recebeu, a raiva que guardou e a turma à qual aprendeu a pertencer.

O candidato chega por último. Para milhões, Lula não é um político. É uma biografia emprestada. Emprego, consumo, proteção, a lembrança de uma época em que a vida pareceu melhorar. Para outros, é também a memória da corrupção, das condenações depois anuladas e de uma história judicial que o país ainda interpreta de maneiras opostas.

Memória não gosta de auditor.

A rejeição trabalha no mesmo escritório.

Flávio carrega um sobrenome que entra na sala antes dele, junto com a pecha do autoritarismo bolsonarista. Lula carrega uma biografia que fecha a porta depois. Há quem rejeite antes de ouvir e quem absolva antes de julgar.

Os argumentos chegam depois. Advogados contratados pela sentença.

O Datafolha desta semana cometeu uma pequena indecência estatística: Lula e Flávio com os mesmos 45% de rejeição.

Iguais no número, diferentes na bagagem. Em Flávio, o sobrenome chega primeiro. Em Lula, uma longa biografia já está sentada à mesa. Não é equivalência. É simetria de trincheiras.

Faço parte da estatística, sem qualquer pretensão de neutralidade.

Entre os dois, minha rejeição a Lula decide meu voto. Flávio não precisa me entusiasmar.

Também carrego uma biografia para a urna.

Chamamos isso de escolha porque reconhecimento tribal ficaria feio na urna.

O grande engano é imaginar que um fato novo encontra uma cabeça disponível. Não encontra. O imóvel já tem inquilino.

Se favorece meu candidato, é prova. Se o desmente, é perseguição, contexto, sabotagem, imprensa, juiz, mercado, sistema. Para o adversário, evidentemente, contexto não existe. Embora a biografia política de Lula dispense apresentações.

Não é burrice. Seria fácil demais.

Um fato não disputa com outro fato. Disputa com uma biografia. Biografias são péssimas perdedoras.

A democracia fez uma aposta: diante dos fatos, revisaríamos nossas escolhas. A aposta não envelheceu bem.

Fizemos o contrário. A escolha vem pronta. Depois contratamos os fatos para defendê-la.


Alex Pipkin

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Diário




 Em recesso amigos. Aparecerei esporadicamente. Viajando hoje para a formatura do filho. Fechando um ciclo, dar de melhor ao nosso filhote, sem exacerbar, sem irresponsabilidade. Educação top pq eu sabia q ele ia usufruir. Valores, princípios e condutas. 

Colocarei aqui um Diário de viagem. 

Vamos em frente.

domingo, 27 de setembro de 2026

Elio Gaspari



A íntegra: Elio Gaspari

Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"




Lula errou em 2023

Quando derrotou Jair Bolsonaro por uma margem pequena de votos, Lula leu mal o resultado

Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu




Em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro por uma margem pequena de votos, Lula leu mal o resultado. O que era uma vitória apertada vinda de um arco democrático, o PT e Lula tomaram como uma consagração.




Consagração foi, afinal o sujeito passou quase dois anos na cadeia acusado de corrupção e se elegeu presidente pela terceira vez. É vitória para ninguém botar defeito, mas não é suficiente. Lula 3.0 não cultivou o arco democrático que o elegeu. A diferença entre o arco democrático e a coligação governista pode ser testada pelo lugar onde fica o ex-ministro Pedro Malan. Ele pertence ao arco, mas não pertence ao bloco que poderia ser chamado de governista.




O PT desperdiçou a oportunidade de governar com uma coligação mais inteligente e criativa do que a pobre polarização em que se caiu.




Faltando dez dias para o primeiro turno, ele acordou. O eleitor também acordou. Se não é ele, é Bolsonaro. O antipetismo que elegeu o ex-capitão em 2018 encolheu em 2026, até porque surgiram fatos que alimentam um antibolsonarismo. No início de outubro de 2018, Bolsonaro tinha 32% das preferências, segundo o Datafolha. O petista Fernando Haddad tinha 21%. Aquele Brasil bolsonarista desmanchou-se, mas não acabou.




Lula vive um paradoxo, é o candidato que vai melhor nas pesquisas, mas seu governo é mal avaliado por 40% contra e 34% a favor, segundo o último Datafolha.




Lula revelou um certo cansaço com a campanha. Não era fadiga física, era cansaço do modo campanha. Um sinal desse cansaço é o bordão desafiador: "É esse país que vocês querem?". O eleitor sabe que é ele quem manda, não é preciso ser desafiado.




De certa maneira, Lula foi capturado pela polarização bolsonarista. Podendo ampliar sua base, estreitou-a ou engordou-a, recorrendo ao centrão.




Faltou criatividade ao petismo, mas ele teve a sorte de ganhar um adversário incapaz de formular uma ideia nova ou de buscar um novo aliado.




Tarcísio no 1º turno

Uma eventual vitória do governador Tarcísio de Freitas no primeiro turno pode atrapalhar a vida de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Sobretudo se, no dia 25 de outubro, der praia.




A carta das apostas

As casas de apostas que compraram outorgas ao governo por R$ 2,5 bilhões vão brigar na Justiça para recuperar a franquia ou receber o dinheiro de volta.




Os deuses do jogo maltrataram as casas de apostas. Jogaram no colo da justiça a proteção às casas de tavolagem.




Era tudo o que a magistratura não precisava.

sábado, 26 de setembro de 2026

Papo de Economista Semanal

Papo de Economista Semanal


Atravessamos esta semana de olho nas pesquisas para a eleição majoritária do dia 4 e também atento ao comportamento do conflito no Oriente Médio.


Vejamos o que foi destaque.


1) No Oriente, a grande dúvida é saber quanto EUA e Irã cederam para ambas as partes no “liberar” do estreito de Ormuz. Nesta semana, algum avanço houve nas tratativas e com isso o barril de petróleo recuou 6%.


O Brent encerrou a sexta-feira (25) em queda de 2,8%, a US$ 97,44 o barril, acumulando recuo de 6,2% na semana — o maior em meses.


2) A contribuir, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, apresentando aos EUA uma proposta com prazo de sete dias para reabrir o Estreito de Ormuz e retomar negociações.


3) Na sexta-feira(25), por aqui, saiu a prévia do IPCA de setembro, que subiu 0,70% — bem acima da deflação de 0,40% em agosto. Maior impacto individual veio da energia elétrica residencial, que disparou 7,42% com o fim do bônus de Itaipu. Em 12 meses, o IPCA-15 avançou de 4,24% para 4,47%.


4) Este resultado, talvez, reforce a percepção de que o Copom deve ser mais cauteloso no ciclo de cortes da Selic. A leitura oficial do IPCA de setembro, prevista para outubro, será determinante para o Copom na reunião de novembro.


5) Neste cenário, o Ibovespa operou sem rumo, “de lado”, fechando a 183.476,86 pontos, queda de 0,96% — a segunda perda semanal consecutiva. Já o dólar fechou a R$ 5,18, com alta de 0,72% na semana.




6) No “front político”, a disputa segue apertada entre Lula da Silva e Flavio Bolsonaro. No entanto, percebe-se alguma perda de tração do primeiro e reação do segundo. E tudo piorou para o primeiro diante de novas gravações de personagens do STF e do entorno do governo Lula. Realmente. Daniel Vorcaro é um “arquivo vivo”.




Boa Semana a todos!

Millor sobre Lula



“”Millôr Fernandes sobre Lula:




“A ignorância subiu-lhe à cabeça. Ele acha que sabe tudo, mas não sabe nada".




"Lula chegou ao limite extremo da soberba. E ultrapassou-o".




"O Brasil é o único país em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo".




"Lula, um líder aspirando cada vez mais pompa tropeçando cada vez mais nas circunstâncias".




Esse negócio da bebedeira dele foi ridiculo. Ele disse que decidiu expulsar jornalista como exemplo. Para quê? Para que todo mundo fique com medo de escrever coisas negativas sobre ele?"




"Lula é um túnel no fim da luz".




"Freud ficaria besta com Lula; é o ego maior do mundo".




"Lula tem um grande passado pela frente".”




- da TL do Isaac Averbuch / via Alessandro Gagnor Galvão

Micro x Macro

A discussão sobre a questão da baixa produtividade dos fatores de produção, na economia brasileira, nos remete ao fato de que parte do meio acadêmico gosta de trabalhar com a macro keynesiana pelo lado da demanda.

São todos “educados” sob a égide da heterodoxia keynesiana e suas vertentes. Nesta, o debate gira em torno de grandes temas, como os desafios do desenvolvimento, o hiato do produto, as flutuações de demanda “efetiva”, o multiplicador, a demanda por moeda, as formas de atuação do Bacen, etc.

Falar de eficiência alocativa, na produtividade de fatores, são mais uma abordagem ortodoxa. Como tornar os setores produtivos (ou não) mais eficientes? São abordagens neoclássicas, mais micro. A macro keynesiana gosta mais de aborda a economia pelo lado da demanda, enquanto que o neo-clássicos focam mais no setor produtivo, na oferta de fatores, bens e serviços.

Os “policymakers”, em maioria, macro keynesianos, não alcançam. Perdem com isso. Não a toa, as pesquisas da Universidade de Chicago são muito mais focadas na micro, na racionalidade dos agentes, portanto, um celeiro de Prêmios Nobel.

Paramos no tempo no debate econômico, e poucos se convencem disso. Um amigo bem define, “paramos no tempo e andamos em círculo… essas escolas heterodoxas Campinas, por exemplo, insistem no “Keynesianismo bastardo”… aplicando receitas de curto prazo à problemas estruturais e de longo prazo… insistem no erro na esperança de um dia, quem sabe, dar certo…”

Certa feita, o brilhante Gustavo Franco, seguindo Pedro Malan, Bacha, todos economistas da PUC RJ, argumentaram que, pouco a pouco, estaríamos superando os temas macro, como o problema inflacionario, o gerenciamento da demanda agregada, ingressando mais em temas do “dia a dia”, de eficiência aplicativa, ou alocativa, como a questão do crédito, nas suas variadas possibilidades, os setores da economia, etc.

O "empacamento", o impasse, q representa o debate fiscal no país, por culpa do PT, é um ponto a ser salientado. A definição de regras, a disciplina e responsabilidade fiscal, já deveriam ter sido definidos como consensos consolidados. Mas o PT cisma em não considerar estes pontos relevantes. Mas são!

Piora fiscal contribui, nas expectativas, para a deterioração das condições de financiamento, na rolagem da dívida pública. O aumento dos custos financeiros no “carrego” destes títulos públicos é puro sintoma desta piora. Mas vai convencer um petista, apoiado na MMT, de que isso é uma realidade, um fato concreto…

Todos os países, que optaram pela disciplina fiscal, estão melhores que o Brasil.

Se nós formos ver o q a MIT, Princeton, Chicago, Berkeley, etc, produzem de pesquisa aplicada, veremos que são pouquíssimas as pesquisas macros.

Sabem por que? Pq a “fronteira da ciência”, do conhecimento, o “estado da arte”, está no produzir "modelos quantitativos" bem calibrados, e estes só possíveis em situações mais isoladas, no velho "céteris paribus", vendo os efeitos causais entre poucos agentes, mto complicado na macro dinâmica.

São aplicaveis mais na microeconomia. Na macro, ainda tenhamos os modelos DGSE.

No mundo acadêmico, no exterior, quem não adere aos modelos macrométricos, aos poucos, vai ficando para trás.

Lava Jato



Relembrando trecho do depoimento do Renato Duque para o então juiz Moro em maio/2017:




"É, eu tive, após a saída da Petrobras, três encontros com o Lula: um em 2012, um em 2013 e o último em 2014.




Nesse encontro de 2012, para mim ficou muito evidente, e fiquei surpreendido, com o conhecimento que ele tinha sobre esse projeto de sondas. Ele me questionou — eu já só relembrando, que eu já estava fora da Petrobras desde abril. Nós estamos falando isso aí já é julho. Esse encontro, esse primeiro encontro, se deu em julho de 2012, a meu pedido. Eu conversei com [o] Vacari, que eu queria agradecer pelo período que eu passei na Petrobras. E ele começou a fazer algumas perguntas sobre a questão das sondas. Uma delas, por exemplo, é: por que que não tinha sido assinado o contrato ainda, já que tinha sido aprovado lá em abril? Falei: 'Presidente, eu nem sabia que não tinha sido. Tô fora da empresa, não sei responder.'




Então eu fiquei surpreendido, porque naquela hora - eu, o presidente Lula... né, e Vacari - ficou claro para mim que pelo nível de informação, ele conhecia tudo, e falando esse tipo de coisa na frente do Vacari e na minha frente. Poxa, é, ele tá comandando tudo. O Vacari realmente era um braço que atuava para o Lula, né?




Aí teve um segundo encontro que, da mesma maneira, ele fez perguntas sobre sondas, é, porque não tava recebendo. Até então, em 2013, ele perguntou se eu sabia por que as empresas não estavam pagando. Eu não soube responder também, porque não acompanhava isso.




E por fim, no último encontro, 2013/2014, já com a Lava Jato em andamento, ele me chama em São Paulo. Eu tenho uma reunião no hangar da TAM, no aeroporto de Congonhas. E ele me pergunta se eu tinha uma conta na Suíça com recebimentos da empresa SBM, dizendo que a então presidente Dilma tinha recebido a informação de que um ex-diretor da Petrobras teria recebido dinheiro numa conta na Suíça da SBM. Eu falei: 'Não, não tenho dinheiro da SBM nenhum, nunca recebi dinheiro da SBM.' Aí ele vira para mim e fala assim: 'Olha, e das sondas tem alguma coisa?' Falei ( e tinha né ) - Eu falei: “Não, também não tem.” Ele falou assim: “Olha, presta atenção no que eu vou te dizer. Se tiver alguma coisa, não pode ter, entendeu? Não pode ter nada no teu nome, entendeu?” Eu entendi. Mas o que que eu ia fazer? Não tinha mais o que fazer. Aí ele foi, falou que ia conversar com a Dilma, que ela tava preocupada com esse assunto e queria tranquilizá-la.




Mas nessas três vezes ficou claro, muito claro para mim, que ele tinha pleno conhecimento de tudo e tinha o comando."

Desindustrialização...

 


Uma série de fatores poderiam ser destacados, mas eu pensaria em insegurança jurídica e institucional, carga fiscal exagerada, péssimo ambiente de negócios, custo trabalhista elevado, crises contínuas, perda de renda e emprego, etc. É este mix de fatores que nos ajuda a pensar nesta desindutrialização. Devemos ressaltar também em estratégias das matrizes, montando plantas em países asiáticos e com custos trabalhistas baixos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

The Economist

 Artigo no The Economist: .

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 *Brasil dá as costas ao futuro* 

“O Brasil é abençoado. Suas reservas comprovadas de petróleo são enormes e estão crescendo. Dentro de suas fronteiras, o maior rio do mundo, o Amazonas, flui através de sua maior floresta tropical. Mais da metade da eletricidade do Brasil vem da energia hidrelétrica. Suas terras agrícolas estão entre as mais produtivas do planeta; em breve se tornará o maior exportador de alimentos, ultrapassando a América. Sob seus solos estão vastos depósitos de minerais de terras raras. Seus  220 milhões de habitantes são empreendedores, criativos e diversos. O vasto potencial do Brasil é aparente há muito tempo. Quando a capital, Brasília, foi construída na década de 1950, suas ruas foram dispostas em forma de avião, simbolizando um país pronto para decolar.


No entanto, ainda está parado na pista. Durante o último meio século, em vez de tomar asas, a economia do Brasil estagnou em relação aos seus pares e ao crescimento global médio. A eleição geral de 4 de outubro oferece pouca esperança de uma reviravolta. A escolha diante dos brasileiros é sombria.


O atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula, enfrenta Flávio Bolsonaro, o filho mais velho de seu antecessor populista de direita, Jair. Lula está prestes a fazer 81 anos, a mesma idade que Joe Biden tinha quando abandonou sua candidatura à reeleição em 2024. Ele é um democrata e a favor do meio ambiente. Mas ele fez muito pouco para desencadear o crescimento ou conter os gastos. Ele não conseguiu impulsionar reformas econômicas, proibiu uma simplificação do imposto sobre vendas e chama a disciplina fiscal de “babaquice”. Seu governo está a caminho de encerrar o mandato com o maior projeto de lei de juros da dívida pública em um quarto de século.


O júnior Bolsonaro, que tem apenas 45 anos, nega que os humanos estejam causando mudanças climáticas, questiona a integridade das máquinas de votação e sugere que não honrará o resultado se Lula vencer. Ele foi investigado por supostos laços com criminosos violentos, o que ele nega. Sua principal política é perdoar seu pai, que em setembro de 2025 recebeu uma sentença de 27 anos por planejar um golpe - incluindo um plano para assassinar Lula - depois de perder sua candidatura à reeleição em 2022.


A dupla está empatada nas pesquisas, com Flávio em ascensão. Nenhum dos homens é confiável quando se trata de enfrentar os dois maiores problemas do Brasil: a corrupção arraigada e a expansão implacável dos gastos públicos. Sem um plano sólido para reduzir a dívida pública em relação ao PIB, o risco de uma espiral de juros da dívida manterá os custos de empréstimos altos, matando a economia do capital necessário para aumentar a produtividade e o crescimento. Os gastos governamentais em expansão cada vez maior impulsionam a inflação, forçando o banco central a manter as taxas de juros altas. Reduzir essa dívida e reduzir as taxas exigirá cortes profundos nos gastos do governo, 92% dos quais são exigidos por lei ou pela constituição absurdamente prescritiva do Brasil.


Na ausência de um crescimento mais forte, o jogo das elites políticas para controlar os recursos públicos faz com que muitos brasileiros comuns se sintam desesperados, uma vantagem para os políticos que operam nos extremos. A corrupção também prejudica as instituições que fornecem os freios e contrapesos do Brasil. Algumas semanas após a condenação de Jair, um escândalo conhecido como Banco Master irrompeu e rapidamente envolveu a Suprema Corte. As investigações policiais até agora mostraram que cinco dos 11 juízes do tribunal tinham conexões com Daniel Vorcaro, o mentor playboy por trás do banco. Isso alimenta o cinismo público, tornando mais fácil para os brasileiros ignorar a convicção de Jair por conspirar um golpe e apoiar seu filho.


O candidato cujas ideias combinam mais de perto com o momento é Renan Santos, um libertário que se esforça. Ele quer promulgar uma reforma estrutural profunda e cortes de gastos para transformar o Brasil em uma grande potência. Mas nem ele nem qualquer outro estranho fizeram progressos contra as máquinas políticas opostas de Lula e do Sr. Bolsonaro. O país está se movendo em direção a uma crise previsível, mas a maioria de sua elite política está muito confortável com a maneira como as coisas estão para mudar de rumo.


E assim o futuro brilhante do Brasil ficará em espera por pelo menos mais quatro anos. Não está totalmente morto. Apesar da corrupção e do pensamento insular dos políticos rastaqueras, muitas das instituições vitais do país ainda funcionam. A polícia federal atuou bem para investigar a fraude de Vorcaro e a trama do golpe antes disso; a imprensa permanece feroz, independente e relativamente bem financiada; o corpo diplomático é respeitado em todo o mundo. Até mesmo a Suprema Corte, apesar de suas abundantes falhas, conseguiu enviar um golpista para a prisão.


O gatilho mais provável para uma crise seria uma aceleração acentuada no nível de dívida e custos de empréstimos, levando a um agravamento da economia. Esse é um círculo vicioso, familiar dos brasileiros mais velhos, que pode levar a quedas no valor do real, mais inflação e uma recessão dolorosa. Talvez só então os brasileiros se voltassem para alguém preparado para fazer uma política impopular onde sacrifícios serão necessários para um futuro em que um país abençoado nunca mais seja condenado a escolher entre dois candidatos tão sombrios.”

BDM Matinal Riscala

*Rosa Riscala: Petróleo reacende pressão sobre juros globais*

… A escalada do petróleo volta a ditar o humor dos mercados nesta 6ªF, depois de o Brent superar US$ 106 com o impasse entre Estados Unidos e Irã e novos sinais de tensão no Oriente Médio. O choque de energia já endurece o discurso dos BCs e levou os Treasuries a máximas de décadas, enquanto emergentes sentem a saída de capital. No Brasil, o IPCA-15 testa hoje as apostas em novos cortes da Selic, com previsão de aceleração a 0,53%, enquanto repercute o Datafolha, que mostrou Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, mas empate técnico no 2º turno. Na reta final da campanha, Lula anuncia ainda medidas contra as bets e um programa para dívidas das famílias.

A PRESSÃO DO PETRÓLEO – Sem horizonte para o fim da guerra no Oriente Médio, o petróleo retomou a trajetória de alta e reforçou os temores de inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e na Europa.

… O Brent/dezembro subiu 3,41% nesta quinta-feira, a US$ 106,60, acumulando quase 4% na semana. O WTI avançou 2,65%, a US$ 94,61.

… O petróleo chegou a se afastar das máximas após a agência Reuters informar que negociadores americanos e iranianos discutem em Nova York um acordo em etapas para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz. Mas o alívio não se sustentou.




… Pelo desenho em negociação, Teerã permitiria gradualmente a retomada da navegação por Ormuz em troca do fim do bloqueio econômico americano e de possível acesso a ativos congelados. O principal obstáculo é que nenhum dos lados quer fazer a primeira concessão.




… O impasse se aprofundou após Donald Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, endurecerem o tom na Assembleia Geral da ONU e mais uma rodada de negociações em Nova York terminar sem acordo nesta semana.




… Já à noite, Pezeshkian adotou tom mais conciliador. Em entrevista à Fox News, disse que o Irã não deseja prolongar a guerra e está disposto a fechar um acordo com Trump, afirmando que cabe aos Estados Unidos decidir se querem fazer o mesmo.




… Enquanto a diplomacia tenta avançar, aumentaram os sinais de escalada em outra frente importante para a oferta de energia.




… Os houthis afirmaram ter lançado mísseis e drones contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu, no Mar Vermelho, e contra um “alvo sensível” em Riad. Mais cedo, a coalizão liderada pelos sauditas informou ter interceptado seis mísseis balísticos disparados contra Yanbu e Taif.




… A pressão da energia ajudou a levar os rendimentos dos Treasuries a máximas de décadas e reforçou as apostas em nova alta dos juros pelo Fed, enquanto o dólar ganhou força e a aversão ao risco voltou a contagiar os ativos no Brasil (leia abaixo).




XI E TRUMP – A guerra no Oriente Médio também esteve no centro do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca. O presidente americano classificou a reunião como “ótima”, mas não detalhou os resultados.




… Mais tarde, durante jantar de gala, Xi afirmou que os dois países alcançaram “amplo acordo sobre diversas questões” e disse que a relação bilateral atingiu um “novo marco histórico”, também sem anunciar medidas concretas.




… Segundo a agência Xinhua, Xi defendeu a retomada das negociações entre Washington e Teerã e pediu prudência na questão de Taiwan. IA, segurança e comércio também estiveram na pauta, após a trégua comercial entre os dois países ter sido novamente prorrogada (até 10/1).




… Os magnatas da tecnologia americana compareceram ao jantar. Entre os convidados, estiveram Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (X e SpaceX), Jensen Huang (Nvidia), Tim Cook (Apple) e Sam Altman (OpenAI).




BCS EM ALERTA – O risco de um choque de energia mais prolongado preocupa não só os dirigentes do Fed, como também do BCE. Isabel Schnabel afirmou que os efeitos da guerra estão se mostrando mais persistentes que o esperado e já atingem, além do petróleo, diesel e gás.




… No BoE, Clare Lombardelli manifestou preocupação, dizendo que, quanto mais prolongado o choque de energia, maior o risco de efeitos secundários sobre a inflação e a necessidade de responder com alta dos juros.




… Já a Capital Economics alertou que a disparada dos juros dos Treasuries começa a provocar saída de capital dos mercados emergentes. A estimativa de fluxo líquido passou de entrada de US$ 1 bilhão no fim de agosto para saída de US$ 20 bilhões, na soma móvel de um mês.




… A consultoria também alertou para a escassez de diesel e avalia como provável alguma restrição às exportações americanas do derivado antes das eleições de meio de mandato, em novembro, o que poderia agravar o choque.




BRASIL – Aqui, estão consolidadas as apostas em pelo menos mais um corte da Selic. O RPM divulgado ontem reforçou a percepção de que o BC ainda vê espaço para dar continuidade ao ciclo de afrouxamento, embora condicionado à evolução dos dados.




… Das 32 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 26 esperam corte de 0,25 ponto em novembro, para 13,50%, enquanto seis projetam manutenção. A mediana prevê ainda outro corte de 0,25 ponto em dezembro, levando a Selic a 13,25% no fim do ano.




… Mas petróleo, câmbio e eleições podem interferir nesse roteiro. Economistas destacaram que o Relatório de Política Monetária deu peso relevante aos choques de oferta e aos riscos de efeitos mais persistentes sobre a inflação.




… Na entrevista para comentar o RPM, Galípolo reforçou que o BC segue dependente dos dados e disse que a precificação dos cortes da Selic vem mudando gradualmente, à medida que os indicadores apontam desaceleração da economia.




… Disse ainda que o Banco Central prepara medidas para limitar a oferta “predatória” de crédito, especialmente de linhas mais caras oferecidas a consumidores que poderiam ter acesso a modalidades mais adequadas.




… Segundo Galípolo, as mudanças não ficarão restritas ao cartão de crédito e serão implementadas de forma progressiva, com medidas de prevenção, transparência e maior rigor na contratação dessas operações.




FISCAL – Já o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, divulgado também nesta quinta, trouxe pela primeira vez no ano projeção de superávit das estatais federais em 2026, de R$ 2 bilhões. No relatório anterior, a estimativa era de déficit de R$ 95 milhões.




… O resultado, porém, considera R$ 10 bilhões relacionados ao plano de reestruturação dos Correios e R$ 5 bilhões em investimentos do PAC excluídos da meta. Sem essas exceções, a projeção indica déficit de R$ 11,1 bilhões.




… Para os Correios, a estimativa de déficit neste ano melhorou de R$ 7,45 bilhões para R$ 6,79 bilhões.




ELEIÇÃO PESA – Além do estresse externo, o cenário eleitoral voltou a pressionar os ativos brasileiros nesta quinta-feira, em meio a novas informações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.




… O dólar chegou às máximas, na casa de R$ 5,20, e os juros futuros acentuaram a alta após o Estadão revelar que Flávio tentou contato telefônico com Vorcaro quatro dias antes da prisão do ex-controlador do Banco Master, em novembro do ano passado.




… Também veio à tona que o candidato do PL viajou da Flórida a Brasília, em 2025, em um avião que tinha Vorcaro entre os cotistas.




MAIS UM – Ontem à noite, o caso Vorcaro ganhou mais uma frente. Segundo a Veja, mensagens encontradas pela PF no celular do ex-banqueiro indicam uma relação de proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.




… As conversas entre os dois incluem referências a encontros privados e articulações políticas. A Veja relata ainda que Vorcaro ofereceu delação mencionando supostos pagamentos a Alcolumbre, que nega as acusações.




DATAFOLHA – Após o fechamento, a nova pesquisa mostrou o presidente Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, o presidente tinha 39% e o candidato do PL, 36%.




… No segundo turno, Lula aparece com 47% e Flávio, com 45%. Há uma semana, os placares eram de 46% e 44%, respectivamente.




… A rejeição dos dois candidatos oscilou de 47% para 45%, mantendo o empate nesse quesito. Já a avaliação ruim/péssima do governo Lula recuou de 42% para 40%, enquanto a ótima/boa permaneceu em 34%. O Datafolha ouviu 2.002 eleitores.




… Outra pesquisa divulgada nesta quinta-feira, a Futura/100% Cidades mostrou Flávio com 49,4% contra 43,7% de Lula em eventual segundo turno. No primeiro turno, Flávio aparece com 40,4% e Lula, com 38,4%, em empate técnico.




VOTO ÚTIL, BETS E MERCADO – Na reta final da campanha, os dois principais candidatos intensificam suas estratégias para tentar ampliar votos já no primeiro turno. Flávio prega o voto útil entre eleitores da direita, mirando principalmente os apoiadores de Caiado e Zema.




… Já Lula deve assinar em São Paulo uma MP proibindo apostas esportivas online e cassinos digitais no País, em anúncio previsto para as 17h. A medida entra na agenda após pesquisa Atlas/Bloomberg indicar que 75% dos entrevistados apoiam a proibição das bets.




… À noite, o presidente participa de jantar com empresários e banqueiros. Entre os convidados estão executivos de Vale, Itaú, BTG Pactual, Petrobras, JBS, Banco do Brasil, Bradesco e Santander, além de representantes de grandes grupos empresariais.




LEILÃO DE DÍVIDAS – O presidente Lula também deve anunciar nesta sexta-feira um novo programa para limpar o nome de famílias inadimplentes, por meio da compra de dívidas antigas com recursos do Tesouro Nacional.




… O programa funcionaria como um leilão, no qual o governo assumiria débitos que podem chegar a cinco anos de atraso e já são considerados irrecuperáveis pelas instituições financeiras, com deságio de 95% ou mais.




… O desenho e os prazos ainda não estão definidos. A proposta, que até a semana passada estava em estágio inicial e era prevista apenas para 2027, teve sua elaboração acelerada nos últimos dias.




… Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida será executada dentro do Orçamento, sem comprometer a trajetória fiscal.




IPCA-15 – Principal indicador do dia (9h), a inflação preliminar de setembro é mais um teste importante para as apostas na Selic.




… A mediana do Projeções Broadcast aponta alta de 0,53%, após queda de 0,40% em agosto, com estimativas entre 0,45% e 0,66%. Em 12 meses, a inflação deve acelerar de 4,24% para 4,31%.




… Boa parte da virada deve refletir a saída do efeito do bônus de Itaipu sobre as tarifas de energia. Também são esperadas pressões em alimentação, com altas de arroz, feijão, leite e carnes, e em transportes, puxados pelas passagens aéreas.




… A média dos núcleos deve acelerar de 0,23% para 0,28%, enquanto os serviços passam de 0,07% para 0,27%. Já os serviços subjacentes devem aliviar de 0,50% para 0,27%.




… Os combustíveis ainda devem mostrar leve queda nesta leitura, mas economistas já alertam para pressão nos índices seguintes, em meio à nova escalada do petróleo.




MAIS AGENDA – Além do IPCA-15, saem o terceiro IPC-Fipe de setembro e dois indicadores da FGV, INCC-M e Confiança da Construção (8h).




… Nos Estados Unidos, a agenda volta a testar a combinação de atividade e inflação que vem pressionando os Treasuries. Às 9h30, as encomendas de bens duráveis de setembro devem cair 0,3%, após alta de 1,1% em agosto.




… Às 11h, sai a leitura final de setembro do sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, com previsão de queda a 47,8, de 51,7 em agosto. Atenção também às expectativas de inflação, que estavam em 4% para um ano e 3,3% para cinco anos.




… A agenda de BCs começa cedo. Às 6h15, John Williams, do Fed de NY, e Andrew Bailey, do BoE, participam de conferência em Oxford. Às 15h, Beth Hammack, do Fed de Cleveland, e Boris Vujcic, do BCE, participam de evento sobre inflação.




… Os mercados financeiros ficaram fechados na China continental, em Taiwan e na Coreia do Sul por feriado.




OMC – Brasil e Estados Unidos iniciam nesta sexta-feira, em Genebra, consultas formais na OMC sobre o novo tarifaço de até 37,5% imposto pelo governo Trump às exportações brasileiras.




… A reunião abre o prazo de 60 dias para uma tentativa de acordo antes que o Brasil possa pedir a instalação de um painel. A primeira rodada será técnica e não terá a participação da China, que pediu para integrar as consultas, mas teve a solicitação recusada pelos Estados Unidos.




CENÁRIO DE PERDE-PERDE – Emparedado de um lado pela fuga do risco global, com o rali do petróleo e a inflação persistente, e de outro pelas novas revelações do caso Master, o mercado doméstico operou sem válvula de escape.




… O estouro das novidades de Vorcaro é particularmente sensível aos negócios, quando parte dos investidores teme que a candidatura de Flávio tenha atingido um platô nas intenções de voto, estagnado no empate técnico.




… Operando no susto, o Ibovespa queimou quase 2 mil pontos e entregou os 184 mil pontos, o miolo e a ponta longa do DI chegaram a disparar 15 pontos no auge do nervosismo e o dólar virou para alta no acumulado de setembro.




… Dá para dizer que o câmbio continua comportado para um período em que se espera maior efervescência eleitoral. Só não dá para negar que o fato de o real ter zerado os ganhos no mês é um indicativo de cautela.




… O Citi manteve a recomendação “overweight” (exposição acima da média do mercado) para a moeda brasileira nesta reta final para o primeiro turno da eleição, mesmo concordando que a campanha é o principal fator de risco.




… Segundo o relatório de estratégia para mercados emergentes divulgado nesta quinta-feira pela instituição financeira, os dados de fluxo continuam indicando entradas nas últimas semanas, apesar da incerteza política.




… Seja como for, o dólar à vista passou a subir ligeiramente (+0,26%) em setembro. Ontem, registrou alta de 0,49%, embora não tenha ultrapassado R$ 5,20 no fechamento, negociado a R$ 5,1937, na maior cotação em quase um mês.




… O envolvimento de Flávio no círculo do Master potencializou o impacto da pressão externa nos juros futuros.




… No fechamento, o DI para Janeiro de 2026 marcava 13,565% (contra 13,541% no ajuste anterior); Jan/28, 13,675% (de 13,573%); Jan/29, 13,880% (de 13,787%); Jan/31, 14,045% (de 13,965%); e Jan/33, 14,105% (de 14,044%).




BALA NA AGULHA – Na rotina hawkish, os Fed boys têm falado a mesma língua e o que se interpreta é que está praticamente contratado pelo menos mais um aperto dos juros antes de o ano acabar, com a inflação que não alivia.




… John Williams não endossa um novo aumento já em outubro, mas vê expectativa “razoável” de outra alta de juros em 2026 e reconhece que o grande desafio do Fed é levar a inflação de volta à meta de 2% “em tempo hábil”.




… Em defesa de um aperto monetário, Anna Paulson diz que a inflação subjacente segue “teimosamente alta”, diante da economia resiliente e do impacto da expansão da Inteligência Artificial nas pressões inflacionárias.




… Para Beth Hammack, os choques de oferta representam um risco relevante para a política monetária.




… O discurso conservador dos dirigentes do Fed é compatível com o petróleo a US$ 106 e com a força da atividade econômica, que têm mantido os rendimentos dos Treasuries esta semana nas máximas em duas décadas.




… A taxa da Note de 10 anos raspou em 5,20% ontem. Tocou em 5,199% na máxima intraday e não fechou longe desta marca, a 5,195% (contra 5,105% na véspera), no nível mais elevado em quase vinte anos, desde julho de 2007.




… No pico da sessão, o rendimento do T-Bond de 30 anos atingiu 5,484%, maior nível desde 2004, para fechar a 5,479% (de 5,395% no pregão anterior). O retorno da Note de 2 anos subiu para 4,920%, contra 4,891% no ajuste.




… Contaminado pela tensão, no câmbio, o índice DXY superou o maior nível em oito semanas. Ampliou os ganhos (+0,18%) para 101,285 pontos, com os Fed boys não deixando a menor dúvida sobre a extensão do ciclo de aperto.




… O euro fechou de lado (-0,07%), a US$ 1,1381, a libra perdeu 0,18%, a US$ 1,3221, e o iene caiu a 158,86 por dólar.




O RINGUE DO IBOVESPA – Durante evento da Monte Bravo Experience, ontem, o CEO da Verde Asset, Luis Stuhlberger, projetou chance de 60% de vitória de Flávio e previu uma “porrada insana” na bolsa se isso acontecer.




… Pegou mal, no entanto, a intimidade revelada entre o senador e Vorcaro. A novidade terá seu impacto eleitoral medido pelas próximas pesquisas e conturbou o ambiente no Ibovespa, que caiu 1%, aos 183.965,91 pontos.




… As blue chips financeiras, que já sofriam os efeitos colaterais da pressão do petróleo nos juros futuros, tiveram que administrar o estresse adicional de que a candidatura da chapa da direita possa sofrer um abalo com o caso Master.




… BB ON recuou 2,84% (R$ 21,54), BTG unit perdeu 1,49% (R$ 62,70), Bradesco PN caiu 1,39% (R$ 17,78) e Itaú PN, -1,18% (R$ 41,87). A exceção no segmento foi Santander unit, que registrou valorização de 0,51%, para R$ 29,60.




… Petrobras subia em torno de 1% antes de piscar a notícia sobre o contato de Flávio com Vorcaro, que virou os papéis da estatal para queda, na contramão do petróleo: ON -0,86%, na mínima de R$ 54,12; e PN -0,69% (R$ 49,26).




… Vale caiu firme (-1,15%; R$ 70,66), ampliando a desvalorização de ontem, apesar do minério de ferro estável.




… RD Saúde amargou a segunda pior queda entre as ações que compõem a carteira do Ibovespa, depois de o Mercado Livre anunciar a entrada na venda de remédios com receita e entregas ultrarrápidas, em até uma hora.




… Em Nova York, as bolsas driblaram bem a escalada do petróleo e dos juros dos Treasuries. O Dow Jones caiu só 0,31%, a 51.349,98 pontos. S&P 500 (-0,02%; 7.704,13 pontos) e Nasdaq (+0,01%; 26.939,37 pontos) ficaram de lado.




CIAS ABERTAS NO AFTER – Justiça congelou o envio de recursos da BRASKEM para a subsidiária no México (Idesa), em decisão que pode tirar subsidiárias da empresa da proteção contra credores, segundo fontes do Broadcast.




AXIA captou R$ 1,4 bilhão em debêntures incentivadas, com prazo de 20 anos e taxa de 7,8934% ao ano. Recursos financiarão parques eólicos do Complexo Coxilha Negra.




LIGHT realizará emissão de R$ 1 bilhão em notas comerciais, com vencimento em setembro de 2029 e remuneração de DI + 4,75% ao ano. Recursos serão destinados à concessão de distribuição de energia.




ENEVA. Aneel afirmou que rejeitou acordo sobre térmicas por não ter segurança quanto aos benefícios apresentados. Companhia retomará conversas em busca de nova solução.




RENOVA ENERGIA elegeu Alexandre Marcelo Marques Cruz como presidente do conselho de administração e conselheiro independente.




AZEVEDO & TRAVASSOS ENERGIA produziu 133 boe/d em agosto, ante 154 boe/d em julho. Barrinha e Porto Carão deixarão de constar nos boletins após encerramento do acordo com a Brava.




MAGAZINE LUIZA. S&P reafirmou rating brAA-, com perspectiva estável, citando expectativa de melhora operacional e redução gradual da alavancagem.




AZZAS 2154. Farm Rio planeja ampliar presença na América Latina em 2027, com franquias e parceiros locais, segundo a Bloomberg Línea. Marca abriu recentemente sua primeira loja na Colômbia.




MOVIDA emitiu R$ 1,275 bilhão em debêntures, com prazo de seis anos e taxa de DI + 2,50%. Recursos serão usados para fins corporativos e gestão de passivos.




BLAU pagará R$ 17,5 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,07576 por ação. Pagamento será em 8/10, considerando posição acionária de 29/9.




ROMI pagará R$ 26 milhões em JCP, equivalentes ao valor líquido de R$ 0,231 por ação. Pagamento será feito até dezembro de 2027, com papéis “ex” em 30/9.




BTG PACTUAL lançou carteira de reserva de valor que combina bitcoin e ouro tokenizado, com rebalanceamento trimestral conforme a volatilidade dos ativos.

Bankinter Matinal Portugal

Análise Bankinter Portugal

NY 0,0% US tech -0,1% US Semis -0,3% UEM -0,5% España -0,4% VIX 15,7% Bund 3,60% T-Note 5,20%. Spread 2A/10A USA=+28pb B10A: ESP 4,08% PT 3,98% ITA 4,54% FRA 4,71% Euribor 12m 3,31% USD 1,138 JPY 180,8/€ 158,2/$. Ouro 4.275$ Brent 106,6$ WTI 94,6$. Bitcoin +0,1% (84.343$) Ether +0,6% (2.687$).

SESSÃO: Sessão previsivelmente de mais a menos nas bolsas… Os futuros vêm em alta (Europa +0,6%, Nova Iorque plano), embora com o petróleo em 105 $/barril, as yields das obrigações em máximos e um calendário macro intenso na próxima semana, é difícil que vejamos fortes avanços na sessão.

Ontem, o mais relevante foi novamente a geoestratégia. Petróleo +3,4% até 107 $/barril, depois dos novos ataques dos huthies a bases militares sauditas. Como consequência, as yields aumentaram de forma geral: T-Note +8 p.b. até 5,20%, obrigação 30A americano 5,48% (nível mais alto desde 2004), Bund +5 p.b. até 3,60%...

Na frente geopolítica, o encontro Trump/Xi ocorreu mais ou menos como o esperado: tom construtivo, mas sem novidades nos principais pontos de conflito (IA, Taiwan, terras raras, Irão). Foi uma espécie de “bola para a frente” após prolongar a trégua comercial em dois meses, até 10 de janeiro de 2027.

Para a sessão de hoje, quase não há referências na frente macro. Apenas os Pedidos de Bens Duráveis nos EUA, às 13:30 h (-0,3% m/m vs. +1,1% ant.), que dificilmente serão capazes de dirigir o mercado. Portanto, o foco do mercado está já na próxima semana, em que a intensidade no plano macro será elevada. Inflações na Europa (+3,5% vs. +3,2% ant. com a subjacente +2,6% vs. +2,4%...), Deflator Consumo Privado PCE (leitura subjacente +3,4% vs. +3,3%) e resultados de emprego (Payrolls 104k vs. 162k)…

CONCLUSÃO: Sessão de menos a mais e à espera de novidades no M. Oriente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Pai de uma criança de 7 anos



Carta aberta à Direção do Colégio Santa Cruz




Sobre um livro e uma criança de sete anos

São Paulo, 23 de setembro de 2026.




À Direção do Colégio Santa Cruz,




Escrevo como pai de uma aluna da Educação Infantil do Santa Cruz, e em nome próprio. No dia 22 de setembro, um aluno de sete anos do 1º ano voltou para casa com uma leitura indicada pela professora: Che Guevara para meninas e meninos, da Coleção Anti-heróis, com texto de Nadia Fink e ilustrações de Pitu Saá, edição brasileira da Sur Livro.




O livro apresenta Che como um libertador que conquistou um mundo mais justo e ensina à criança que "Che Guevara era um homem muito corajoso, sonhador e de alma livre". A Cuba que ele ajudou a construir aparece como um lugar onde ninguém passa fome, porque tudo é dividido. A autora disse ao jornal La Capital, de Rosário, que o livro fala claro com as crianças e não distorce a história. Sobre o restante, o livro não diz nada.




O restante está documentado, e boa parte foi escrita por ele. Na Sierra Maestra, em fevereiro de 1957, Che matou com um tiro na cabeça Eutimio Guerra, um guia camponês acusado de traição, e descreveu a execução no próprio diário. De janeiro a junho de 1959, comandou a fortaleza de La Cabaña e decidiu os recursos dos condenados pelos tribunais revolucionários, que julgavam sem devido processo. Foram fuziladas sob a sua jurisdição 55 pessoas, segundo Jon Lee Anderson, autor da biografia de referência, e 105, segundo o Cuba Archive. Na Assembleia Geral da ONU, em dezembro de 1964, disse: "Fusilamientos, sí, hemos fusilado, fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario." Na mensagem à Tricontinental, de 1967, defendeu o ódio intransigente ao inimigo como fator de luta, capaz de transformar o combatente em uma "máquina de matar".




Nas notas de viagem de 1952, que deram origem a Diários de motocicleta, escreveu que os negros de Caracas haviam conservado a pureza racial graças ao pouco apego ao banho, e opôs "el negro indolente y soñador" ao europeu, com sua tradição de trabalho e poupança. O filme deixou a passagem de fora. Em 1963, na embaixada cubana em Argel, encontrou sobre uma mesa o Teatro completo de Virgilio Piñera, dramaturgo cubano e homossexual, atirou o livro longe e quis saber quem lia aquele maricón. Juan Goytisolo estava presente e contou o episódio em suas memórias. Régis Debray, que conviveu com ele, escreveu que Che, como Fidel, nunca tolerou homossexuais por perto.




Confrontei esse registro com o que o Santa Cruz escreve sobre si. O Plano Diretor de 2019 diz que a escola quer formar cidadãos capazes de reconhecer e fazer valer os direitos humanos, de se abrir à diversidade racial e de gênero e de repudiar qualquer tipo de discriminação [pp. 4–5]. Diz também que, ao tratar de temas complexos, a escola não se exime de transmitir valores humanos e cristãos, entre eles o respeito ao próximo e a tolerância. Desde 2021, o programa Santa Plural reserva vagas e bolsas para crianças negras e indígenas a partir do G4 e declara como objetivo a educação antirracista. Em 2025, a escola suspendeu 34 alunos do ensino médio por mensagens racistas e homofóbicas em um grupo de WhatsApp — e fez bem. Neste ano, indicou a um aluno de sete anos a biografia elogiosa de um facínora que escreveu que os negros eram indolentes e que desprezava homossexuais. Penso nas famílias que o Santa Plural trouxe para a escola. Se uma delas perguntar o que o homem do livro do 1º ano escreveu sobre os negros de Caracas, o que a escola responderá?




Não peço que Che desapareça do Santa Cruz. No ensino médio, com o registro completo diante dos alunos, estudá-lo é coerente com o livre-pensar e com a diversidade de ideias que a escola defende. Quase ninguém chega às próprias crenças pela lógica, e quase ninguém sai delas por ela. Aos sete anos, a admiração chega antes de qualquer argumento; quando os fatos vierem, no ensino médio, encontrarão a crença já defendida. O Plano Diretor, quando fala em formar pensamento autônomo, pressupõe um leitor capaz de discordar do que lê.




Em casa, minhas filhas aprendem a medir as pessoas pelo que fizeram. O livro mede Che pelo que ele sonhou. E ignora o que fez, falou, escreveu e quem foi. Sei também o que é escolher o que uma criança dessa idade pode ler. Adaptei para as duas um livro de histórias de filósofos: na versão da mais nova, de seis anos, a morte de Sócrates fica de fora; na da mais velha, de treze, ele bebe a cicuta. Nessa idade, pode-se omitir. O que um livro para crianças não pode é afirmar o que as fontes negam — e este afirma que em Cuba ninguém passa fome, em um país que distribui comida por caderneta de racionamento desde 1962.




Proponho um teste. A escola indicaria a uma criança de sete anos uma biografia ilustrada e elogiosa de Augusto Pinochet, ou de um general da ditadura brasileira, que o apresentasse como herói de alma livre? Imagino que não, e com razão. Qual é, então, o critério que admite Che Guevara? O padre Paul-Eugène Charbonneau, que a própria escola trata como formador da sua identidade pedagógica, aplicava a mesma régua à esquerda e à direita. Em Cristianismo, sociedade e revolução, dizia estar à esquerda no que ela tem de justiça social e recusava a esquerda que troca a democracia por uma ditadura de tipo soviético, com um aparato policial que destrói as liberdades.




Em junho de 1961, o regime que Che ajudou a construir nacionalizou o ensino em Cuba e tomou cerca de 350 escolas católicas. Três meses depois, deportou 131 padres no navio Covadonga, entre eles canadenses, como os fundadores do Santa Cruz. Em Cuba, escolas como esta não passaram de 1961.




Sei qual será a resposta: ele lutou contra uma ditadura, e era uma guerra. O argumento prova demais. Se a guerra justifica os fuzilamentos de La Cabaña, justifica também os crimes pelos quais os policiais e militares de Batista foram fuzilados. E o projeto do Santa Cruz, lido nos seus próprios documentos, recusa que os fins autorizem os meios.




Peço à Direção quatro providências:




i. que explique por qual critério pedagógico o livro foi indicado a um aluno do 1º ano e se a indicação passou pela coordenação;

ii. que retire o título das leituras dessa faixa etária;

iii. que torne público o critério para biografias de figuras políticas na Educação Infantil e no Ensino Fundamental 1; e,

iv. que responda às famílias por escrito.




Minha filha continua no Santa Cruz porque confio na escola que o Plano Diretor descreve, e é a essa escola que escrevo. Um aluno de sete anos levou para casa um livro que diz que Che Guevara era corajoso, sonhador e de alma livre. Quem o indicou tinha a obrigação de conhecer o resto.




Atenciosamente,




Daniel Caldeira

Pai de uma aluna da Educação Infantil do Colégio Santa Cruz

Augusto de Franco

Democracia não é só haver eleições.

Augusto de Franco estuda há anos e escreveu Como Nascem as Democracias, postou:
"Há um razoável consenso (entre os democratas liberais) sobre quais são os critérios que se aplicam à democracia como regime político ou modo político de administração do Estado, no caso atual, do Estado-nação moderno.

Pode-se listar dez critérios para caracterizar um regime democrático em sua plenitude (liberal):

1 - Liberdade de associação, liberdade de expressão e liberdade de imprensa (existência de fontes alternativas de informação).
2 - Proteção dos direitos individuais e das minorias contra a tirania do Estado e a tirania da maioria (recusa ao majoritarismo e ao hegemonismo).
3 - Eleições limpas e periódicas, sufrágio universal, governos e parlamentos eleitos.
4 - Rotatividade ou alternância no governo (não apenas de pessoas, mas também de partidos ou forças políticas).
5 - Cultura política pluralista, oposições políticas democráticas reconhecidas e valorizadas como players legítimos e fundamentais para o bom funcionamento do regime.
6 - Publicidade ou transparência nos atos do governo (capaz de ensejar uma efetiva accountability).
7 - Instituições estáveis, equilíbrio entre os poderes e sistemas atuantes e efetivos de freios e contrapesos.
8 - Império da lei e judiciário independente (e autocontido em suas atribuições).
9 - Forças armadas subordinadas ao poder civil.
10 – A sociedade controla o governo e não o contrário (a qualidade da democracia é medida pelos limites e condicionamentos impostos pela sociedade às instituições do Estado - o que pressupõe recusa ao estatismo)."

José Pastore


José Pastore resume a tese do livro de Joaquim Falcão: a crise da democracia brasileira nasce também dentro do Estado, quando autoridades dos três Poderes passam a servir a interesses próprios e de seus aliados. Para o autor, essa captura forma uma oligarquia capaz de se proteger mutuamente.

Pastore descreve um equilíbrio de ameaças: parlamentares têm pedidos de impeachment contra magistrados, enquanto magistrados têm ações contra parlamentares. Na sua leitura, essa dependência favorece a autoproteção e dificulta a responsabilização. Ele atribui a esse ambiente um custo econômico: a imprevisibilidade afasta investimentos, reduz o crescimento e limita a criação de bons empregos.

A distinção central do artigo é entre legalidade e legitimidade. Uma autoridade pode ocupar legalmente o cargo, mas, segundo Pastore, só conquista legitimidade quando sua atuação produz benefícios para a população. Daí sua crítica à frase “as instituições funcionam”: ele argumenta que, hoje, elas funcionam sobretudo para quem integra a rede de poder que chama de “lobbycracia”.

O título, “O Estado sou eu”, sintetiza a denúncia do autor: agentes públicos agiriam como donos das instituições que deveriam servir ao país. Sua conclusão é pessimista — enquanto prevalecer essa lógica de autoproteção, o Brasil terá dificuldade de progredir.

Grande Zu

 


Crédito oculto



*🚨🚨🚨Ação contra crime organizado atinge Banco Genial e grupo envolvido com dinheiro do filme Dark Horse*




Operação Crédito Oculto ataca esquema de lavagem de dinheiro para a compra de usinas e ocultação de imóveis da máfia dos combustíveis; defesa não foi encontrada




Promotores, policiais e auditores fiscais estão vasculhando na manhã desta quinta-feira, 24, um total de 32 locais em onze cidades de seis estados e no Distrito Federal para desbaratar o esquema de lavagem de dinheiro da máfia dos combustíveis acusada de manter ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os 40 alvos da Operação Crédito Oculto estão o sócio proprietário do Banco Genial Humberto Tupinambá, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, delator do Banco Master, e o Grupo Entre, usado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões para financiar o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.




A reportagem procurou a defesa dos investigados, mas não conseguiu localizá-los. O espaço segue aberto.




As buscas foram pedidas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2.ª Vara Criminal de Catanduva, e ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.




A ação está fundamentada em provas obtidas na primeira fase da Operação Carbono Oculto, como contratos, documentos, mensagens e áudios apreendidos em celulares e computadores dos investigados. Eles demonstrariam o esquema que teria permitido dissimular a fortuna dos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, para a compra da distribuidora de combustíveis Terrana.




A empresa é do Rio de Janeiro e chegou a figurar entre as dez maiores distribuidoras do País. A aquisição pode ter custado até R$ 153 milhões, de acordo com as investigações. Beto Louco e Mohamad tentaram esconder das autoridades que eles estavam por trás da operação. Os dois estão foragidos desde a deflagração da primeira fase da Operação Carbono Oculto, em 28 de agosto de 2025, quando tiveram a prisão decretada no Paraná.




O Gaeco aprofundou as investigações sobre como a dupla de empresários usou fundos de investimentos para também esconder que são os verdadeiros proprietários de imóveis de valores multimilionários. Eles teriam continuado o esquema que já tinham com a Reag Investimentos, que geria e administrava fundos suspeitos.




A empresa do mercado financeiro foi liquidada pelo Banco Central após ser alvo da Polícia Federal na Carbono Oculto. Seu dono, João Carlos Mansur, fechou no começo do mês um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A reportagem procurou a defesa de Mansur, mas não conseguiu localizá-lo. O espaço segue aberto.




De acordo com os investigadores, ”o projeto criminoso” demonstra “um intrincado esquema de lavagem de capitais com a articulação dolosa entre múltiplos agentes” – nove fundos de investimentos e 27 empresas, 16 das quais tiveram seus bens tornados indisponíveis pela decisão da 2.ª Vara de Catanduva. A Terrana teve suas atividades suspensas pela Justiça do Rio em 9 de julho. Ela é o nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, uma das maiores empresas do setor, que opera nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.




Na época em que foi adquirida, em 2024, ela tinha um faturamento mensal de R$ 445 milhões e um capital social de R$ 245 milhões. Beto Louco e Primo já enfrentavam, então, as consequências da Operação Cassiopéia, que investigou as fraudes em combustíveis praticadas pela Copape, que teve sua autorização de funcionamento revogada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).




Apontados como líderes da organização criminosa, Beto Louco e Primo teriam adquirido a Terrana por meio de uma sofisticada “arquitetura de lavagem de capitais”, de acordo com os investigadores, construída pelo banqueiro Humberto Tupinambá e sócio e fundador da administradora de fundos Altinvest, o advogado Rogério Garcia Peres, apontado como “operador criminoso de lavagem de capitais” da máfia dos combustíveis. Os dois teriam procurado um executivo do mercado Paulo Narcélio Simões do Amaral, que teria concordado em emprestar seu nome para duas empresas que seriam usadas na compra da distribuidora e na ocultação dos imóveis.




Procurados, Garcia Peres e Narcélio não responderam à reportagem. O espaço segue aberto.




De acordo com os promotores, o Banco Genial “se ofereceu como estrutura financeira fraudulenta para mascarar a ocultação dos valores que financiaram a compra, bem como ocultar os seus reais proprietários e em contraprestação seria remunerado pelos instrumentos contratuais dissimulados constituídos formalmente para financiar o negócio jurídico”. E o empresário Paulo Narcélio “emprestaria a sua imagem à negociação para garantir perante os vendedores e terceiros a legitimidade do negócio jurídico”.




*Mensagens no celular*




Mensagens encontradas no telefone celular de Narcélio revelam que o objetivo da fraude era impedir que grupo americano Tramp Oil, proprietário da Terrana, e a ANP soubessem que Beto Louco e Primo estavam comprando a distribuidora para manter em funcionamento as centenas de postos de gasolina abastecidos pela organização, inclusive aqueles onde integrantes do PCC lavavam o dinheiro do tráfico de drogas. Em troca, o executivo receberia 0,75% do total da operação e R$ 100 mil mensais durante os três meses que devia permanecer à frente das holdings Branson e Berna, que teriam sido idealizadas por Garcia Peres.




De acordo com as investigações, os acusados montaram três estruturas de empresas para esconder os verdadeiros donos do dinheiro. A primeira delas tinha o Fundo Celebration, administrado pela Reag. Ele possuía um único cotista, a empresa Insight participações, que estava em nome de um primo de Mohamad, Himad Mourad. A segunda era formada pelo Radford Fundo de Investimentos Multimercado, que teria sido montado e administrado pela Altinvest e, posteriormente, transferido para administração e custódia do Banco Genial, permanecendo a Altinvest como cogestora.




A Altinvest teria reestruturado os fundos de investimento da dupla Beto Louco e Primo depois que eles deixaram a Reag, em 2024. O fundo Radford tinha como cotista a usina sucroalcooleira Itajobi, no interior paulista, uma das cinco controladas pelos empresários. A usina teria sido financiada pelo Grupo Aster, de postos de gasolina, que pertencia aos dois empresários. Por meio do grupo, eles enviaram R$ 100 milhões à usina, passando antes pelas contas de duas outras empresas. A Usina recebeu ainda R$ 20 milhões da Entre Investimentos, empresa de Freixo, o delator do Banco Master.




O passo seguinte foi o “empréstimo” do dinheiro da Usina Itajobi, por meio do fundo Radford, ao banco por meio de Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV). O Genial, por sua vez, emprestou o mesmo dinheiro à Berna e à Branson por meio de um Cédula de Crédito Bancário (CCB), ocultando assim a origem do dinheiro usado para a compra da Terrana. Em tese, o banco seria pago por meio de depósitos semestrais de R$ 18,7 milhões, totalizando R$ 150 milhões. As duas empresas usaram ainda o dinheiro para comprar 100% das cotas do Fundo Derby 44 – atual Fundo Wels – e apresentaram como garantia da dívida os imóveis de outro Fundo, o Los Angeles 01, atual Lucerna.




Os promotores ainda notaram que o dinheiro recebido pela holding Branson e usado para a compra da Terrana equivalia apenas a metade do capital social da distribuidora. As provas de toda operação foram obtidas durante buscas feitas na Usina Itajobi, em Marapoama (SP), e em empresas ligadas a Mohamad e Primo em Senador Canedo (GO), Duque de Caxias (RJ) e em Iguatemi (MS), que demonstraram ainda ligação delas com empresas do Grupo Refit, do empresário Ricardo Magro.




Ao ser questionado pelo Gaeco a respeito da administração do Fundo Radford, o Banco Genial respondeu que ele foi constituído em sua origem sob a forma de “condomínio fechado, por tempo indeterminado de duração, com uma classe única de cotas e políticas de investimentos voltadas majoritariamente ao investimentos em créditos privados, destinados a receber aplicações de um único investidor“.




O banco informou ainda que as cotas do fundo somavam cerca de R$ 169,7 milhões no momento da deflagração da Operação Carbono Oculto. E informou que sua área de crédito deu o aval ao empréstimo às empresas Berna e Branson em razão da boa fama de Narcélio no mercado, mas não teria prestado atenção que as empresas foram constituídas um mês antes da operação com capital social de apenas R$ 1 mil e tinham como sede o mesmo endereço usado pelo grupo de Mohamad Mourad, o Primo, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.




Com a Carbono Oculto, o banco informou aos promotores que havia renunciado à administração do Radford e liquidado o CDBV, cedendo sua posição no CCB ao fundo. Mas os promotores acreditam que toda a operação era uma forma de encobrir a participação dos acusados na fraude. O Gaeco obteve mensagens do advogado Garcia Peres e de João Eduardo Gomes Santiago, ligado à corretora Banvoxx e sócio da Altinvest, para Paulo Narcélio. Elas demonstrariam o vínculo entre os acusados.




Em uma delas, Santiago questiona se o patrimônio declarado de Narcélio seria suficiente para demonstrar sua capacidade econômica para ser sócio da empresa. Em outra mensagem, Narcélio diz a uma advogada que é Garcia Peres quem detém o token para movimentar as contas da holding Branson.




As mensagens demonstrariam ainda participação de Humberto Tupinambá e de seus irmãos André e Bruno, que também foram alvos de buscas nesta quinta-feira, na montagem da estrutura de ocultação de patrimônio. Em uma delas, Narcélio diz a Paulo Tupinambá que a proposta inicial pela Terrana seria de R$ 93 milhões, mas que poderia chegar até a R$ 153 milhões. Mais tarde diz que seria preciso conversar com Primo para saber como ele “gostaria de conduzir a aquisição”. Paulo sugere reuniões com Primo e com Beto Louco.




É com André ainda que Paulo Narcélio acerta sua comissão e pagamento no negócio em 2024. No começo de 2025, ele procura André e faz um pedido: queria deixar as holdings, pois já teria cumprido sua missão. Mas é convencido a ficar enquanto os irmãos Tupinambá cuidavam da reestruturação da Terrana. “Torna-se nítido que o papel do Banco Genial não se restringiu à operação financeira”, escreveram os promotores. André e Bruno foram, além disso, segundo o Gaeco, remunerados pela Aster, empresa da máfia do combustíveis.




Em outra mensagem, Narcélio deixa claro que quem tomava as decisões na Terrana era Primo, cujo telefone em sua agenda era identificado como “João Chefão”. Por meio do PIX foi possível ver que o número de telefone de Mohamad Mourad era a chave associada a uma conta bancária em nome de um ladrão condenado a oito anos de prisão por roubo.




Nas conversas, Narcélio se mostra preocupado com uma reportagem sobre Primo e Beto Louco serem os novos donos da Terrana. O texto levantava a suspeita de ligações dos dois com o PCC. “O Primo está mais nervoso do que eu”, escreveu.




Em 30 de abril de 2025, Humberto lhe diz que havia conversado com Primo sobre o plano de negócios da empresa, que Paulo Narcélio queria que fosse transferida para a Rede Sol Fuel, ligado aos empresários. Os dois também discutem como burlar a fiscalização da Secretaria da Fazenda de São Paulo, caso ela solicitasse a quitação dos “empréstimos”.




Narcélio então orienta que o dinheiro deve vir diretamente para sua conta ou fazer algum outro movimento. E diz que vai se queixar diretamente com o “Beto”. Humberto responde e apaga as mensagens do diálogo. Só não esperava que tudo ficasse registrado no celular de seu interlocutor. Por fim, no dia da Operação carbono oculto, Paulo Narcélio manda a Humberto uma mensagem afirmando que estava “aumentando os preços”. Tudo devidamente documento em laudo da perícia.




https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-macedo/acao-contra-crime-organizado-atinge-banco-genial-e-grupo-envolvido-com-dinheiro-do-filme-dark-horse/

Call Matinal

1) Ibovespa fechou, no dia 23, em baixa de 0,86%, aos 185.814,09 pontos, após oscilar entre 185.676,38 e 188.772,33. Volume financeiro somou R$ 20,8 bi. Já o dólar à vista fechou em alta de 1,28%, a R$ 5,1682, após oscilar entre R$ 5,1215 e R$ 5,1760.


2) Os mercados, em NY, na Europa e em grande parte da Ásia, operam em baixa nesta quinta-feira (24), pressionados pela alta dos rendimentos dos Treasuries, próximos dos maiores níveis em duas décadas, acima de 5%. A recuperação dos preços do petróleo também reduz o apetite dos investidores por ativos de risco.


3) Amanhecemos nesta quinta-feira bem mais cautelosos, diante do “banzo geral” com os impasses nas negociações entre EUA e Irã. Diante disso, o Barril de petróleo volta a escalar nesta virada de quarta para quinta-feira. Nos mercados, os futuros de NY operam em queda, a Europa recua e boa parte da Ásia fechou no vermelho. Nesta manhã, o Brent avançava quase 3% e negociado acima de US$ 106, em meio às tensões do Oriente Médio.


 4) Ao mesmo tempo, o mercado acompanha o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Washington, com comércio, Irã, Taiwan e inteligência artificial entre os principais temas. A extensão da trégua comercial entre EUA e China também está no radar. Por outro lado, este encontro acontece sob pressão: como já dito, o petróleo voltou a subir, reacendendo temores inflacionários e apostas em novas altas do juro pelo Fed (treasuries bem acima de 5%).


5) No Brasil, atenção redobrada para o Relatório de Política Monetária (RPM) do BCB, a coletiva de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti, com projeções atualizadas de inflação e atividade, e o Relatório Bimestral, com piora esperada do resultado fiscal.   No radar político, a expectativa é por mais uma pesquisa Datafolha, após o fechamento.

Mercado de capitais



https://www.instagram.com/p/DdoYVZ_u7yS/?stkn=MTNrdmFoaXNhYzh2aQ==




📈 O MERCADO DE CAPITAIS PRECISA DE PREVISIBILIDADE




Os números da B3 mostram uma mudança importante no ritmo de abertura de capital das empresas brasileiras.




Depois de anos com poucos IPOs, o mercado ganhou força a partir de 2017 e atingiu 46 IPOs em 2021. A própria B3 registra 28 IPOs em 2020 e 46 em 2021.




É claro que não se pode atribuir esse movimento a um único governo. Decisões empresariais, juros, liquidez internacional, condições de mercado, reformas, regulação e apetite dos investidores influenciam simultaneamente esse processo.




Mas existe uma lição que permanece:




capital gosta de previsibilidade.




Empresários precisam saber quais serão as regras do jogo.

Investidores precisam confiar nos contratos.

Empresas precisam conseguir planejar investimentos de longo prazo.

E o mercado precisa de segurança jurídica e estabilidade regulatória.




Quando o ambiente permite que uma empresa faça planos para os próximos 5, 10 ou 20 anos, o mercado de capitais ganha espaço como fonte de financiamento da economia real.




E quando as regras mudam constantemente, aumentam a incerteza, o prêmio de risco e o custo de capital.




Para nós, do AIs Livres, essa discussão é especialmente importante.




Acreditamos em um mercado de capitais mais livre, competitivo, transparente e previsível, no qual empresas tenham alternativas de financiamento e investidores tenham acesso a mais opções.




Foi justamente essa lógica que orientou nossa atuação na modernização da regulamentação dos Assessores de Investimentos: a Resolução CVM 178 trouxe mudanças que ampliaram a liberdade de atuação e a concorrência no setor, algo que o AIs Livres reconheceu positivamente à época. AIs Livres ABR25.pdf




Mais concorrência.

Mais liberdade.

Mais segurança jurídica.

Mais capital para financiar empresas.




No fim, não existe mercado de capitais forte sem confiança nas regras do jogo.




AIs Livres — liberdade, independência e mercado de capitais.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

José Paulo Kupfer

Muitos reverenciando, com absoluta razão, o jornalista Zuenir Ventura, que fez passagem nesta terça-feira (22), depois de bem vividos 95 anos. Quase unânimidade sobre a generosidade do profissional que acolhia e transmitia ensinamentos aos jovens que chegavam às redações em que ele dava expediente.




Acho que não cheguei a ser "acolhido" pelo Zuenir, de quem fui amigo e colega de redação - ele no Rio, eu em São Paulo -, anos 80, na Veja e na Istoé.




Conheci Zuenir nas aulas que deu num curso para jovens candidatos a jornalistas de um novo jornal em que bambas do Rio na profissão iriam se reunir, numa experiência tão empolgante quanto efêmera.




Eu estava nesse grupo, em 1967, aos 18 anos, e o jornal em formação era "O Sol", um vespertino (sim,o projeto do jornal era circular a partir do meio dia, acompanhando leitores na volta do trabalho para casa), aquele mesmo que Caetano canta em "Alegria, alegria", bancado pelo "Jornal dos Sports", se não me engano ainda então propriedade da familia de Mário e Nelson Rodrigues.




"O Sol", criação do designer Reinaldo Jardim, tinha Zuenir, Ana Callado, Martha Alencar e outros de que não lembro, na equipe. O conjunto era composto pelos melhores, mais modernos e mais progressistas jornalistas do Rio naquele ano já de ditadura, mas pré-AI 5.




Reinaldo bolou um negócio curioso. As páginas eram dividas em quatro partes dentro de um quadrante. A ideia era que as matérias não ocupassem mais do que um quadrado, no máximo dois, para que o jornal pudesse ser dobrado em quatro com o leitor pendurado no estribo do ônibus.




Mas Reinaldo e os jornalistas que bolaram "O Sol" parece que se esqueceram dos anúncios (ou não ligaram para esse "detalhe"), que não se adaptaram ao quarto de página em que deveriam se conter. Acho que o jornal não durou seis meses...




Zuenir fazia parte da resistência à ditadura nas redações, e do movimento pela retomada do sindicato dos jornalistas do Rio, então em mãos de pelegos. Foi nesse movimento que ficamos amigos, amizade que depois, quando trabalhamos nas mesmas revistas (Veja e Istoé) se estenderam às nossas companheiras - Mary Ventura e Cristina Kupfer.




Sempre soube que Zuenir era fluminense de Friburgo, mas lendo agora seus necrológios vi que era mineiro de Além Paraíba, na zona da mata, só chegou em Friburgo aos 11 anos. Mas, para mim, Zuenir sempre um carioca de caricatura, "apesar" (meus conterrâneos vão me matar...) da formação sólida e das preocupações sérias.




Mas essas virtudes, combinadas com honestidade e ética sem retoques, cada vez mais raras, conviviam como uma capa de carioca de caricatura. Aquele sujeito alegre, otimista, com um olhar e um jeito meio malandro. Sabe aquele carioca ultra-simpático que ao se despedir quanto conhece alguém manda aquela "passe lá em casa", mas não dá o endereço?




Neste momento de tristeza e saudade, me lembro de dois episódios com Zuenir, a quem conheci antes de ele passar a ser chamado, com justiça, de "mestre Zu".




O primeiro foi em março de 1972, quando Zuenir chefiava a redação carioca da então importante revista "Visão". Eu queria me transferir para São Paulo, depois que, numa viagem de férias do "Correio da Manhã" pelo Rio Francisco, tinha conhecido uma mocinha paulistana, estudante de psicologia na USP, com quem divido travesseiro, alegrias, perrengues, dois filhos e quatro netas, já lá vão fazer 54 anos.




Perguntei ao Zuenir se a "Visão" não tinha alguma vaga em São Paulo. "Rapaz, você caiu do céu!", respondeu ele, com o entusiasmo característico. "O Pimenta (Pimenta Neves, aquele mesmo, assassinado da namorada Sandra Gomide, era o diretor de redação), me pediu um jovem jornalista estudante de economia...". Mas Pimenta saiu da Visão na semana seguinte, e a transferência morreu ali.




Além de generoso e com o dom de professor, Zuenir também era craque nas pautas. Suas pautas que resultaram nas reportagens em livros pelos quais ele está sendo lembrado são prova disso.




No meu caso, a pauta que ninguém pensou e era um grande achado ocorreu numa reunião política de empresários, a IV Conclap - Conferência das Classes Produtoras - em fins de 1977. Em 1978, haveria eleição indireta para presidente.




Eu fui enviado ao Rio para cobrir a Conclap, sob as ordens de Zuenir. Zuenir inventou uma enquete com os participantes, centenas, talvez perto de mil, empresários de todo o país.




Apareceu como vitorioso um nome meio desconhecido, o general Euler Bentes. Bentes acabou sendo o candidato do partido de oposição permitido, o MDB, na eleição do ano seguinte. Perdeu para o general Figueiredo, candidato do Arena, o partido do governo militar.




Foi, afinal, um grande furo da Veja, fruto de uma pauta de um jornalista genial.




Meu abraço sentido à Mary, filhos, netos e legião de amigos e afilhados profissionais.

Marcelo Guterman



A tática de quem está na lama é puxar quem esteja por perto para a lama também, de modo a semear confusão e escapar do juízo da opinião pública ao nivelar todos indiscriminadamente por baixo.
No caso Moraes-Master, basta a menção a um contrato de centenas de milhões de reais para que o caso seja equiparado ao da Xandona com o banco de Daniel Vorcaro. No Brasil, quando todos são culpados, ninguém é culpado.

Em poucas linhas, o caso é o seguinte: 1) o desembargador do TRF-1, Newton Pereira Ramos, votou duas vezes a favor de um caso envolvendo precatórios que interessava ao Banco Master. Nas duas votações, a decisão não foi monocrática, foi unânime da turma de desembargadores que julgou o caso; 2) Ramos é casado com a advogada Camila Ramos, sócia do escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos; 3) O Master contratou o escritório da Ramos seis meses após o voto do marido. O contrato previa pagamentos de até R$ 427 milhões em caso de sucesso nas demandas do contratante; 4) O desembargador é amigo de Kassio Nunes Marques desde os tempos em que o ministro era desembargador no TRF-1.

Essa é a história. Agora me digam: como essa situação se compara com o caso do contrato com o escritório da Xandona, em que se pagou milhões de reais por um manual de compliance? Em que, a se provarem verdadeiros os indícios, o próprio ministro atuou como advogado do banqueiro? Não há comparação intelectualmente honesta possível.

Tendo dito isso, quero aumentar o escopo deste post. Não é porque as situações não sejam comparáveis que devemos normalizar esse escândalo que é o entrelaçamento de interesses privados com os públicos no relacionamento entre bancas de advocacia e juízes. O desembargador Newton Ramos pode ser o mais puro dos juízes, mas sua esposa, neste caso, não poderia passar perto, quanto mais ser sócia, de uma banca de advocacia com interesses no tribunal. Há tantos outros escritórios de advocacia no Brasil, porque escolher justo um que litiga na corte onde o marido bate ponto?
Esse caso veio à tona porque envolve o Master e, indiretamente, o ministro Kassio Nunes. Caso contrário, permaneceria nas sombras, como ocorre certamente com tantos outros. A coisa está tão normalizada, que até o ministro “limpinho” Édson Fachin cunhou o termo “filhofobia” ao referir-se a esse sentimento estranho de repulsa que temos ao ver parentes de ministros advogando em causas nas cortes dos pais e maridos. O tal “código de ética” defendido por Fachin certamente deixaria uma brecha para que sua filha continuasse a exercer a advocacia em Brasília sem ser incomodada.
Aumentando ainda mais o escopo do post, é interessante observar como funcionam, de maneira geral, as relações de amizade em Brasília. Kassio Nunes foi indicado por Bolsonaro por ser chapa de Ciro Nogueira. O juiz Newton Ramos virou desembargador com um empurrãozinho do amigo Kassio Nunes. E assim vamos, na República dos Amigos. O Poder Judiciário, ao invés de ser a instância imparcial de resolução de conflitos, com juízes nomeados pela sua competência, se transformou em uma grande confraria de ajuda mútua. É a captura do Estado por interesses privados, conforme descrito pelo economista Daron Acemoglu. A receita do subdesenvolvimento.

Call Matinal

Call Matinal, by Julio Hegedus Netto

1) Depois muita volatilidade pela manhã (no dia 22), o alívio do petróleo serviu de norte para uma melhora dos mercados domésticos. O Ibovespa rompeu os 187 mil pontos e o dólar e juros futuros viraram, passando a cair. Diante disso, o Ibovespa marcou alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos, com giro de R$ 22,5 bilhões, e o dólar em leve queda de 0,11%, a R$ 5,1029.

2) Os índices futuros de NY operam em leve alta nesta quarta-feira (23), enquanto o petróleo recua pelo sexto dia consecutivo, em meio às expectativas de uma possível trégua da guerra entre os EUA e o Irã.

3) Mercados acordam cautelosos, diante do recuo do barril de petróleo e da retomada do diálogo entre EUA e Irã. Continuamos, no entanto, atentos ao olhar do Fed.

4) Nos EUA, declarações mais duras de dirigentes do Fed mantêm o mercado atento à possibilidade de novo aperto monetário, o que pode sustentar os Treasuries e o dólar e limitar o fluxo para mercados emergentes.

5) No Brasil, o movimento é diferente. A ata do Copom reconheceu com maior clareza a desaceleração da atividade e da inflação, fortalecendo as expectativas de continuidade dos cortes da Selic — embora o BCB deva se manter cauteloso.

6) O mercado doméstico começa o dia dividido entre dois movimentos opostos. De um lado, a perspectiva de novos cortes da Selic tende a favorecer ações mais sensíveis aos juros, especialmente varejo, construção, consumo e empresas com maior endividamento. Do outro, se o Fed mantiver ou ampliar o aperto monetário nos EUA, o diferencial de juros entre Brasil e EUA diminui mais rapidamente.

Isso pode significar maior volatilidade para o dólar e para os juros futuros brasileiros.

7) No circo político, o discurso de Lula da Silva repercutiu para os seus apoiadores, mas sem grandes impactos eleitorais. Incrível que quando “engessado”, até que sai alguma coisa. A questão é que Donald Trump não parece ter dado muita atenção. Foi o discurso de sempre, falando de soberania, importância da democracia, relação com os EUA, guerras, etc.

 

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Petróleo cai, mas Fed mantém mercado sob pressão*


Em Nova York, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, discursa na ONU, sob expectativa de mais sinais sobre as negociações com Washington


… O petróleo abaixo de US$ 100 e a retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã aliviam os temores de inflação, mas não tiram o Fed do modo hawkish. O mercado já virou a aposta para nova alta dos juros em outubro, após dirigentes reforçarem a preocupação com os preços. No Brasil, o movimento é inverso: a ata do Copom ampliou as expectativas de novos cortes da Selic, enquanto a Fazenda reduziu as projeções para PIB e inflação. A 12 dias da eleição, a política segue no radar, com nova pesquisa AtlasIntel prevista para hoje. Em Nova York, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, discursa na ONU, sob expectativa de mais sinais sobre as negociações com Washington.


ABAIXO DE US$ 100 – A retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã derrubou o petróleo pela quinta sessão seguida e levou o Brent a fechar abaixo dos três dígitos pela primeira vez desde 9 de setembro, a US$ 99,25, em queda de 1,09%. O WTI caiu 2%, a US$ 90,52.


… O movimento ganhou força depois que Donald Trump revelou que Steve Witkoff e Jared Kushner haviam se reunido por três horas com representantes iranianos, à margem da Assembleia Geral da ONU, e classificou as conversas como “muito produtivas”.


… O chanceler Abbas Araghchi participou do encontro, mediado pelo Catar, que teve a reabertura do Estreito de Ormuz no topo da pauta.


… Trump falou em “muitas” sinalizações positivas e disse que uma nova rodada deve ocorrer em breve.


… O tom do presidente contrastou com o discurso feito poucas horas antes na ONU, quando Trump voltou a ameaçar “aniquilar” a República Islâmica caso não haja acordo e afirmou que jamais permitirá que o Irã tenha uma arma nuclear.


… Mesmo após a reunião, manteve o estilo morde e assopra. De um lado, disse acreditar que o Irã fará “algo de bom” e que a guerra pode acabar antes das eleições de novembro. De outro, não descartou atacar Pickaxe, local ligado ao programa nuclear iraniano, se detectar movimentação.


… Embora Trump tenha afirmado que o fluxo de petróleo no Golfo está no maior nível desde o início da guerra, os riscos de oferta permanecem.


… Um comitê do Parlamento iraniano aprovou dispositivos que permitem a apreensão de 20% das cargas de navios que descumprirem as regras de Teerã para Ormuz, enquanto o G7 voltou a pressionar o Irã a cortar o apoio aos Houthis.


… Na Líbia, protestos já reduziram a produção em cerca de 130 mil barris por dia e a estatal ameaça declarar força maior. Já o Iraque tenta ampliar rotas alternativas, com transporte por caminhões e negociações para elevar as exportações via Turquia.


… Nesta 4ªF, as atenções se voltam ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que discursa na Assembleia Geral da ONU, enquanto o mercado aguarda sinais sobre a próxima rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã.


FED – A quinta queda seguida do petróleo e a perspectiva de descompressão da inflação global não tiraram o Federal Reserve do modo hawkish. Dirigentes voltaram a reforçar a preocupação com a inflação e o mercado já virou a aposta para nova alta em outubro.


… No CME, a probabilidade de aumento de 25 pontos-base na próxima reunião subiu para 54,2%, contra 45,8% de manutenção. Há uma semana, o quadro era inverso: 53% apostavam em estabilidade e 43,5% em alta.


… Para dezembro, apenas 10,8% ainda projetam manutenção dos juros no nível atual. As apostas se dividem entre uma alta acumulada de 25 pontos-base, com 47,8%, e de 50 pontos-base, com 41,4%.


… Thomas Barkin (Richmond) disse que a inflação é hoje o lado mais problemático do duplo mandato e que os riscos para a estabilidade de preços superam os riscos para o emprego, justificando a alta de 25 pontos-base promovida pelo Fed na semana passada.


… Barkin lembrou que a inflação está acima da meta de 2% há mais de cinco anos e destacou que mais de 60% dos componentes do PCE avançam acima de 3% em 12 meses.


… Susan Collins (Boston) também apoiou a alta da semana passada e vê maior probabilidade de cenários em que a inflação permaneça “notavelmente acima de 2%”. Para ela, juros “um pouco mais restritivos” ajudarão a garantir o retorno sustentável à meta.


… O tom duro prevaleceu nos mercados apesar do alívio do petróleo. Os Treasuries longos terminaram em alta, o dólar ganhou força e as bolsas de Nova York fecharam sem direção única (leia mais abaixo).


COPOM – Na contramão do Fed, a ata do Copom reforçou as apostas em novos cortes da Selic e ajudou a derrubar os juros futuros nesta 3ªF. A mediana do Projeções Broadcast para o fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25% após a divulgação do documento.


… Das 33 instituições consultadas, 19 esperam agora mais dois cortes de 0,25 ponto porcentual, em novembro e dezembro, levando a Selic a 13,25%. Seis projetam apenas mais uma redução, para 13,50%, e oito esperam manutenção nos atuais 13,75%.


… A ata trouxe poucas novidades em relação ao comunicado, mas o mercado enxergou sinais que favorecem a continuidade da flexibilização. O principal foi o maior grau de convicção do BC sobre a desaceleração da atividade e a transmissão dos juros altos para a economia.


… Pela primeira vez, o Copom dedicou um parágrafo ao crédito bancário, destacando a desaceleração das linhas com recursos livres, especialmente as de prazo mais longo e mais sensíveis à política monetária.


… O Comitê manteve a sinalização de que a magnitude do ciclo será ajustada à evolução do cenário, sem indicar que 13,75% seja o ponto de parada ou estabelecer um gatilho para interromper os cortes.


… O Santander considerou a ata marginalmente dovish e destacou justamente a ausência de uma sinalização de pausa. O banco entende que o Copom preservou a opção de um novo corte, embora ele não esteja contratado.


… O Bradesco também viu poucas novidades, mas avaliou que as adições favorecem a continuidade da flexibilização. A casa prevê mais dois cortes de 0,25 ponto, com Selic a 13,25% no fim do ano.


… Para a XP, o fato de os trechos sobre o balanço de riscos e a estratégia de política monetária terem sido mantidos reforça que a continuidade do ciclo permanece como cenário-base do BC. A casa também projeta Selic de 13,25% no fim do ano.


… Já o Itaú considerou a ata praticamente inalterada e entende que o BC manteve os próximos passos em aberto, sem oferecer sinais mais claros sobre a trajetória futura dos juros.


… O C6 mantém cenário de Selic estável em 13,75% até dezembro, diante das expectativas desancoradas, da assimetria altista dos riscos e da inflação ainda pressionada, embora não descarte novos cortes.


… Na 5ªF, o BC divulga o Relatório de Política Monetária do 3º trimestre, com novas projeções e atualização do cenário para a atividade.


FAZENDA – Também nesta terça-feira, o Ministério da Fazenda trouxe a atualização dos dados macroeconômicos, com reduções de 2,3% para 2% da projeção do PIB em 2026 e de 5,1% para 4,9% na estimativa para o IPCA, ainda acima do teto da meta, de 4,5%.


… Para 2027, a previsão do PIB caiu de 2,5% para 2,3% e a de inflação subiu de 3,6% para 3,8%, diante dos efeitos do El Niño sobre os alimentos.


… A Fazenda vê perda de fôlego da atividade no segundo semestre e avalia que os efeitos defasados dos juros altos já aparecem principalmente na indústria, nos serviços e no crédito – cujo impulso está negativo há dez meses, consistente com uma política monetária restritiva.


… Segundo a secretária Débora Freire, o aperto das famílias decorre mais do custo do crédito do que do nível de endividamento.


… A projeção de 4,9% para o IPCA ainda não incorpora as recentes desonerações de gasolina e etanol, que, nos cálculos da Fazenda, podem retirar cerca de 0,15 ponto porcentual da inflação.


… No cenário externo, a Pasta passou a tratar o choque do petróleo como persistente e elevou de cerca de US$ 79 para US$ 87 a premissa média para o Brent em 2026. A Fazenda ressalva, porém, que não considera os preços atuais um “novo normal” para a commodity.


… A grade foi fechada em 4 de setembro e também não incorpora o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que deve ter impacto em 2027.


LULA NA ONU – A 12 dias da eleição, o presidente Lula aproveitou o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU para defender bandeiras do governo e da campanha à reeleição e mandar recados aos Estados Unidos.


… Sem citar Trump, criticou a interferência externa em processos eleitorais e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Também afirmou que o Brasil não terceirizará o combate ao crime organizado e disse que o País não precisa de porta-aviões vigiando suas águas.


… Lula voltou a atacar as bets, que “transformam vício em lucro”, defendeu o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso semanal, e afirmou que o Brasil não cederá a pressões de multinacionais contra o Pix. Defendeu ainda a regulação das big techs e da inteligência artificial.


… Sobre minerais críticos e terras raras, disse que o acesso às reservas brasileiras terá como contrapartida geração de valor no País, transferência de tecnologia e atendimento a setores estratégicos nacionais. Na agenda ambiental, destacou a redução do desmatamento na Amazônia.


… Com duras críticas à ONU, cuja “credibilidade nunca esteve tão baixa”, Lula voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança.


JANTAR COM EMPRESÁRIOS – Na sexta-feira, Lula terá um jantar com cerca de 200 empresários e banqueiros no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo, numa tentativa de reduzir o mal-estar do mercado com as recentes sinalizações do presidente na área fiscal.


… A reação negativa veio depois que Lula afirmou, em comício no dia 12, que era preciso “parar com essa babaquice de fazer superávit”, e foi reforçada pelo reajuste de 15,04% do Bolsa Família e pela preparação de um novo programa para reduzir o endividamento das famílias.


… O encontro terá a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de Fernando Haddad. A reunião ocorre a poucos dias da eleição e em meio ao empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas de segundo turno.


AGENDA DOS MERCADOS – Sem horário definido, a AtlasIntel divulga nova pesquisa eleitoral de abrangência nacional, principal destaque desta quarta-feira, que tem agenda esvaziada de indicadores e apenas o IPC-S da terceira quadrissemana de setembro (8h).


… Em Brasília, Gabriel Galípolo recebe às 10h executivos do Banco da China Brasil e, às 14h30, o BC informa o fluxo cambial semanal.


… Lá fora, a bateria de PMIs preliminares de setembro começa de madrugada com a Alemanha, zona do euro e Reino Unido. Às 10h45, saem os dados dos Estados Unidos, com previsão de leve desaceleração da indústria, de 53,9 para 53,8, e dos serviços, de 56,5 para 56.


… Às 11h05, o diretor do Fed Michael Barr participa de evento em Chicago. Às 11h30, o DoE divulga os estoques semanais de petróleo.


… A Assembleia Geral da ONU entra no segundo dia de debates em Nova York, com discurso do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sob atenção após a retomada das negociações entre Washington e Teerã.


FESTA DO K AQUI – Entrou bastante dinheiro estrangeiro na B3 no pregão da última sexta-feira: R$ 3,6 bilhões, ampliando as entradas no mês para R$ 9,2 bilhões, enquanto o saldo no ano está positivo em R$ 27,5 bilhões.


… Sinais de ingresso de capital externo também foram identificados ontem na bolsa, segundo o Broadcast, no apetite que coincide com a melhora da percepção de risco, com o petróleo abaixo de US$ 100 e o trade eleitoral promissor.


… Por mais que o desfecho da guerra seja imprevisível, o mercado resolveu dar o benefício da dívida sobre o diálogo com o Irã, na esperança de que, quem sabe desta vez, as coisas caminhem para um acordo sobre o fim do conflito.


… Depois de ondas de volatilidade pela manhã, o alívio do petróleo serviu de gancho à tarde para uma melhora dos mercados domésticos. O Ibovespa rompeu os 187 mil pontos e o dólar e juros futuros viraram, passando a cair.


… Em teoria, o petróleo em queda seria desvantajoso para as ações da Petrobras. Mas, na prática, a leitura foi positiva, porque acionou o sentimento de risk on. Petrobras PN subiu 0,73%, a R$ 48,35, e ON, +0,61%, a R$ 53,20.


… Os papéis da Vale recobraram parcialmente as perdas recentes e subiram 0,39%, a R$ 72,83, apesar de o minério de ferro ter perdido 1%. O Ibovespa marcou alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos, com giro de R$ 22,5 bilhões.


… Entre as blue chips financeiras, Santander unit registrou desvalorização de 0,60%, para R$ 29,74, apesar da notícia de que a matriz espanhola está avançando com a oferta de permuta de papéis. BB ON recuou 1,39%, a R$ 22,67.


… Já Bradesco PN subiu 1,49%, para R$ 18,43; Itaú PN ganhou 0,23%, a R$ 43,18; e BTG unit, +0,71% (R$ 63,95).


… Parte do setor financeiro operou embalada pela virada da curva do DI, garantida pela melhora no exterior.


… Apesar de a ata do Copom não ter descartado novos cortes da Selic, os juros futuros passaram boa parte do pregão subindo e só inverteram a mão à tarde, quando o petróleo passou a dominar a cena dos mercados globais.


… O investidor sabe que o barril ainda tem que cair com muito mais convicção para enfrentar o sentimento hawkish dominante no Fed. Ainda assim, parece que o mercado estava só esperando um pretexto para ensaiar uma melhora.


… Neste contexto, a esperança de paz no Oriente Médio veio a calhar para os contratos dos juros futuros e o dólar interromperem a correção em alta e voltarem a devolver prêmios de risco, ainda que de forma limitada.


… Os sinais de desaquecimento da atividade doméstica apontados pela ata do Copom foram também reconhecidos pela 4intelligence na arrecadação federal de agosto, de R$ 235,566 bilhões, abaixo da mediana de R$ 239 bilhões.


… Para a casa, os indicadores de atividade ainda indicam expansão, porém em ritmo mais moderado.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,525% (de 13,547% no ajuste anterior); Jan/28, 13,495% (contra 13,528%); Jan/29, 13,680% (de 13,712%); Jan/31, 13,870% (de 13,912%); e Jan/33, 13,960% (de 14,028%).


NÃO SEGUIU A CARTILHA – Seria até razoável supor que, com o petróleo em queda há cinco pregões consecutivos, o real também estivesse caindo, já que o Brasil é exportador líquido da commodity, o que deteriora os termos de troca.


… Mas, pelo contrário, o câmbio até mudou de faixa neste período, de R$ 5,15 para 5,10, em parte, provavelmente, porque está lendo com bons olhos o ajuste em queda do petróleo, que esvazia um fator de estresse nos negócios.


… O câmbio tem desafiado também outros gatilhos que poderiam estar trazendo pressão, como a perspectiva de o Fed continuar subindo o juro e de o Copom continuar cortando o juro, o que pode reduzir o apelo do carry trade.


… Operadores ouvidos pelo Valor entendem que o sentimento construtivo com o câmbio tem predominado, independentemente da narrativa externa, por causa da expectativa de alternância na condução da política fiscal.


… Isso pode estar ajudando a manter o mercado local mais estável, ainda que haja dúvidas sobre uma nova pernada de valorização do real antes do resultado eleitoral. Ontem, o dólar fechou em leve queda de 0,11%, a R$ 5,1029.


… Lá fora, a moeda americana não tem desprezado os alertas conservadores dos Fed boys e, no acumulado deste mês, o índice DXY já subiu mais de 1%, voltando a superar a marca dos 100,000 pontos agora em setembro.


… Ontem, marcou alta de 0,17%, a 100,601 pontos, com o dólar se sobressaindo na comparação com o euro, que caiu 0,14%, para US$ 1,1456, e a libra, que perdeu 0,22%, a US$ 1,3348. Já o iene subiu para 157,35 por dólar.


… O ING projeta novo aperto do BCE neste ano, mas acredita que a postura mais agressiva do Fed deixa o euro mais vulnerável a testar US$ 1,140 ou até as mínimas de junho, em US$ 1,132, se o juro americano subir em outubro.


… Com pelo menos mais uma alta no radar, não teve petróleo que conseguisse derrubar as taxas dos Treasuries mais longos, ainda que o retorno da Note-10 anos tenha permanecido abaixo de 5%, em 4,953% (de 4,951% na véspera).


… O rendimento do T-bond de 30 anos avançou para 5,292%, contra 5,284% no pregão anterior.


… Desbancando os sinais de diplomacia com o Irã, o índice Dow Jones fechou em queda de 0,36%, aos 51.863,69 pontos, e o S&P 500 ficou estável, aos 7.764,64 pontos, porque a rigidez dos Fed boys não está para brincadeira.


… Único a operar blindado foi o Nasdaq, que subiu 0,45% e foi impulsionado para um novo recorde de fechamento, aos 27.244,28 pontos, refletindo o avanço do setor de tecnologia (Intel, +1,69%; AMD, +1,38%; e Sandisk, +6,82%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS resgatará antecipadamente US$ 1,08 bilhão em títulos globais com vencimento em 2028. Liquidação financeira será em 25/9…


… TCU analisa hoje, em sessão extraordinária e reservada, a política de preços da estatal, com foco na sustentabilidade econômico-financeira e nas regras de governança.


PPSA. O primeiro leilão de gás natural do pré-sal que é destinado à União deve ser realizado no dia 22 de outubro e deve ter os preços atrelados ao Henry Hub, de acordo com Luis Fernando Paroli, presidente da Pré-Sal Petróleo…


… O MME definiu oferta de 1,1 milhão de metro quadrados por dia de gás da União neste primeiro leilão da estatal gestora dos contratos de partilha.


SUZANO reajustará preços da celulose em todos os mercados, segundo o Valor. Alta será de US$ 50 por tonelada nas Américas e Europa e de US$ 20 na Ásia.


AXIA aprovou resgate compulsório de ações PNC em até R$ 3,9 bilhões. Operação envolve até 70,7 milhões de ações, equivalentes a 15,46% da classe PNC.


ENEVA. Proposta para alterar contratos de termelétricas deve ser encerrada no TCU após rejeição da Aneel, segundo o Valor. Agência decidiu manter inalterados os contratos.


AUREN ENERGIA. Cesp pediu à CVM conversão do registro de emissor da categoria B para A, como parte da reorganização societária do grupo.


EMBRAER. Instabilidade global no GPS da frota E2 afetou mais de 70 voos da Azul e 15 mil passageiros, segundo fontes do Valor. Fabricante afirmou que os aviões dispõem de sistemas e procedimentos para operar com segurança.


ANAC informou que a tarifa aérea média doméstica subiu 14,5% em termos reais em agosto contra um ano antes, para R$ 776,87. O preço do QAV avançou 31,8% no período.


BMG fará emissão de R$ 350 milhões em letras financeiras, podendo chegar a R$ 500 milhões. Recursos serão usados para alongar dívida, reforçar caixa e financiar atividades do banco.


ONCOCLÍNICAS concluiu venda da espanhola Medsir por 1 euro e encerrou arbitragem. Acordo elimina obrigações futuras relacionadas ao investimento, que poderiam chegar a 52 milhões de euros.


LOCALIZA pagará R$ 614,9 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,5565 por ação. Pagamento será em 18/11, com papéis “ex” em 28/9.


LOJAS RENNER. Jefferies cortou preço-alvo de R$ 20 para R$ 16, mas manteve a recomendação de compra, citando balanço robusto e potencial de valorização com eventual queda dos juros.


YDUQS. Fourth Sail Capital elevou participação para 6,16% do capital, equivalente a 16,9 milhões de ações.


ROMI poderá recuperar cerca de R$ 47 milhões em créditos tributários após decisão judicial definitiva. Impacto líquido estimado nos resultados é de R$ 37 milhões

Xico Graziano

 "Acordei nesse domingo pensando em Lilia Schwacz e sua fake news sobre o Pix. O que leva uma personalidade a fazer uma besteira dessas...