segunda-feira, 22 de junho de 2026

 *Rosa Riscala: Entre a Suíça e o Copom*


… O mercado inicia a semana acompanhando dois temas: a guerra e o Copom. Na Suíça, as negociações entre os Estados Unidos e o Irã avançaram pela madrugada e os dois países concordaram com a criação de um mecanismo para garantir o encerramento das operações militares no Líbano, aliviando o petróleo. Aqui, a atenção se volta para a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária, vistos como a chance de esclarecer a comunicação que gerou forte reação nos juros. Enquanto investidores acompanham os desdobramentos diplomáticos que seguem influenciando o petróleo, também tentam entender se há ou não exagero na leitura dovish sobre o BC.


SUÍÇA NO CENTRO DO JOGO – O mercado inicia a semana acompanhando as negociações entre Estados Unidos e Irã.


… As conversas em Bürgenstock, na Suíça, acontecem poucos dias depois da assinatura do memorando de entendimento que interrompeu a guerra iniciada em fevereiro e estabeleceu um prazo de 60 dias para a construção de um acordo definitivo.


… A expectativa inicial era que a nova rodada de negociações se concentrasse principalmente no programa nuclear iraniano, na normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz, na retomada das exportações de petróleo do Irã e na liberação de ativos iranianos congelados no exterior.


… As discussões, porém, foram desviadas para se concentrar nos combates entre o Hezbollah e Israel, que colocaram em risco o acordo de paz assinado por Trump na semana passada.


… No final da noite deste domingo, o Irã e os Estados Unidos concordaram com a criação de um mecanismo para garantir o encerramento das operações militares no Líbano, informaram os mediadores Paquistão e Catar.


… O anúncio surge depois que o Trump voltou a ameaçar o Irã, afirmando que os Estados Unidos poderiam atacar “com ainda mais força” caso aliados iranianos no Líbano continuassem promovendo ataques contra Israel.


… As declarações provocaram forte irritação em Teerã. Embora os iranianos tenham reiterado que não pretendiam abandonar o processo diplomático, passaram a adotar uma postura mais rígida durante as negociações.


… Segundo relatos da imprensa iraniana, a delegação do país retirou-se das conversas, deixou de participar do formato presencial e passou a negociar por meio dos mediadores do Catar e do Paquistão.


… Apesar da deterioração do ambiente político, nenhuma das partes abandonou formalmente as negociações.


… As conversas seguiram, enquanto diplomatas tentavam avançar em mecanismos para manter o Estreito de Ormuz aberto, consolidar o cessar-fogo regional e definir os próximos passos para a implementação do memorando.


… Em comunicado, o Catar e o Paquistão disseram que foi estabelecido um canal de comunicação entre Irã e Estados Unidos para evitar incidentes e permitir passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz.


… Na reação imediata, o petróleo zerou a pressão e passou a cair quase 2% no início da madrugada.


… Embora o risco de ruptura imediata tenha diminuído, os acontecimentos do fim de semana reforçaram a percepção de que a implementação do acordo deverá ser mais lenta e mais difícil do que parecia logo após a assinatura do memorando na semana passada.


COPOM AINDA NÃO ACABOU – No Brasil os investidores começam a semana tentando entender os sinais enviados pelo Banco Central na última quarta-feira.


… A ata do Copom amanhã, terça-feira, e o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta, podem ter o efeito de uma segunda etapa da decisão que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, se conseguirem colocar os pontos nos is.


… Embora o corte já fosse amplamente esperado, a comunicação do Banco Central provocou forte desconforto entre investidores e economistas.


… Boa parte do mercado interpretou que o BC deixou aberta a possibilidade de novos cortes de juros, questionando se a mensagem foi compatível com um cenário de inflação ainda acima da meta, expectativas desancoradas e atividade econômica resiliente.


… Desde então, os juros futuros acumularam quatro sessões consecutivas de alta, com alguns vencimentos voltando a flertar com a marca de 15%, enquanto aumentaram as dúvidas sobre qual será a estratégia da autoridade monetária para os próximos meses.


… A principal expectativa agora é que a ata e o RPM ajudem a esclarecer os fundamentos da decisão e apresentem com mais clareza os cenários considerados pelo Copom para a trajetória futura da Selic.


… O mercado também aguarda a coletiva ao vivo de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti, na quinta-feira, para comentar o Relatório de Política Monetária em busca de sinais adicionais sobre os próximos passos para os juros.


… Para o economista Sérgio Goldenstein (Eytse Estratégia), a forte abertura de prêmios observada nos últimos dias decorreu mais de problemas de comunicação do que de uma mudança efetiva na estratégia do Banco Central.


… Segundo ele, a reação dos ativos foi amplificada por uma comunicação pouco clara e os documentos desta semana poderão ajudar o mercado a compreender melhor os cenários alternativos considerados pelo Copom.


… Já o ex-diretor do BC José Júlio Senna disse em entrevista ao Estadão que o comunicado deixou dúvidas importantes sobre a estratégia futura da política monetária e acabou transferindo para agosto uma definição mais clara sobre o ritmo e a extensão do ciclo de flexibilização.


… O tema ganhou ainda mais relevância, porque a reunião do Copom ocorreu no mesmo dia em que o Fed reforçou um discurso mais duro.


… O contraste entre um Fed percebido como mais hawkish e um Copom interpretado por parte do mercado como mais dovish contribuiu para pressionar os ativos domésticos ao longo da semana.


… Na prática, a decisão anunciada na última quarta-feira ainda não terminou.


… A ata, o RPM e a coletiva do Banco Central serão decisivos para determinar se o mercado continuará ampliando as apostas em juros mais altos à frente ou se parte dos prêmios acumulados desde a Superquarta foi exagerada e poderá ser devolvida.


RUÍDO ELEITORAL – Em paralelo, o tema eleitoral começou a aparecer no radar dos investidores na reta final da semana, contribuindo para o mau humor da curva de juros em um mercado já sensível à comunicação do Copom.


… Na sexta-feira, declarações de Flávio Bolsonaro foram recebidas com desconforto por parte dos agentes financeiros.


… Em entrevista ao SBT News, o senador afirmou que não pretende acabar com os pisos constitucionais da saúde e da educação, nem promover mudanças na vinculação do salário mínimo ou realizar uma reforma da Previdência.


… As propostas se aproximam mais de uma agenda voltada à disputa eleitoral do que de um programa de ajuste fiscal para 2027. O tema ganhou relevância, porque muitos investidores enxergam a oposição como um contraponto ao expansionismo fiscal associado ao atual governo.


… O assunto ganhou novo capítulo no sábado com a divulgação da pesquisa Datafolha.


… O levantamento mostrou Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno, ante 31% de Flávio Bolsonaro, e manteve a vantagem do presidente em eventual segundo turno, por 47% a 43%. Nos índices de rejeição, Flávio tem 48%, ligeiramente acima dos 46% de Lula.


CURTAS DA POLÍTICA – Lula participa hoje às 10h, no Palácio Guanabara, da cerimônia de adesão do Rio de Janeiro ao Propag. O presidente permanece no Estado até terça-feira, com agendas ligadas ao BNDES, infraestrutura e programas voltados para periferias e favelas.


MASTER NO RADAR. A Operação Compliance Zero continuou produzindo desdobramentos no fim de semana.


… A PF afirmou que a compra de um apartamento para o senador Jaques Wagner seguiu estrutura semelhante identificada em outros casos do Banco Master. Já o Globo apontou novos encontros entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ao longo de 2025.


DURIGAN NA CHINA. O ministro da Fazenda embarca hoje para a China, onde participa do Fórum Brasil-China sobre Finanças Verdes e se reúne com a presidente do NDB, Dilma Rousseff, na quarta-feira.


… Na quinta-feira, terá encontro com o presidente do Banco Popular da China (PBoC), Pan Gongsheng, em meio às negociações para emissão dos chamados Panda Bonds e à divulgação de novas etapas do Eco Invest.


PAUTA-BOMBA. No Senado, Alcolumbre pode levar ao plenário a PEC que cria aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde.


… Na Folha, com o Congresso esvaziado pelas festas juninas, o governo aposta em uma proposta de súmula vinculante em discussão no STF para tentar limitar a aprovação de medidas com impacto fiscal.


ETANOL 32%. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve aprovar na quarta-feira, 24, o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%, para ampliar o consumo de biocombustíveis e ajudar a reduzir o preço final dos combustíveis.


MAIS AGENDA – A ata do Copom amanhã e o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta-feira, serão os principais destaques da semana no Brasil, depois da forte reação do mercado ao comunicado da semana passada.


… Os investidores também acompanham com especial atenção a coletiva de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti.


… No calendário de indicadores, o destaque fica para o IPCA-15 na quarta-feira, principal prévia da inflação oficial do mês. Na sexta-feira, o Banco Central divulga os dados do setor externo, com transações correntes e investimento direto no País (IDP), além da Pnad Contínua.


… Hoje, além da pesquisa Focus (8h25), o Banco Central realiza uma operação simultânea de venda de dólares à vista e leilão de swap cambial reverso (9h20), em movimento que será acompanhado pelo mercado, em meio à recente valorização da moeda americana.


… No exterior, as atenções se concentram nos índices preliminares de atividade (PMIs) divulgados ao longo da semana nos Estados Unidos, Europa e Ásia, além de uma série de discursos de dirigentes do Federal Reserve, Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra.


… O principal evento da agenda internacional acontece na quinta-feira, com a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos, indicador de inflação preferido do Federal Reserve.


… O dado ganha relevância adicional após a postura mais dura adotada pelo Fed na reunião da semana passada.


… Também estarão no calendário os pedidos semanais de auxílio-desemprego, encomendas de bens duráveis, renda e gastos dos consumidores americanos, além dos indicadores de confiança empresarial na Europa e dos sinais sobre a atividade econômica chinesa.


… Em paralelo, os mercados continuam monitorando os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã na Suíça, que seguem como principal variável para o comportamento do petróleo e dos ativos globais nesta semana.


RENÚNCIA NO REINO UNIDO – O mercado também acompanha a situação política britânica após reportagens indicarem que o primeiro-ministro Keir Starmer pode anunciar nesta segunda-feira um cronograma para sua saída do cargo.


… A possibilidade ganhou força no fim de semana em meio ao aumento das pressões dentro do Partido Trabalhista e às críticas de Donald Trump.


ELEIÇÃO NA COLÔMBIA – Na votação mais acirrada da história do país para a sucessão presidencial, o representante da direita radical Aberlado de la Espriella, apoiado por Trump, venceu o progressista Iván Cepeda.


CHINA HOJE – O PBoC manteve as principais taxas de juros inalteradas: a de referência para empréstimos (LPR) de 1 ano foi mantida em 3% ao ano e a de 5 anos permaneceu em 3,5%. Os juros seguem no mesmo nível desde maio/25.


TECLA SAP – Enquanto o mercado seguia tentando desvendar na sexta-feira o porquê de a comunicação do Copom ter vindo tão dovish e destoado do balanço de riscos, a ordem nas mesas foi continuar abrindo a curva de juros.


… O medo de desancoragem das expectativas de inflação e de que a inclinação do BC para novos cortes da Selic cobre o seu preço lá na frente voltou a trazer pressão às taxas futuras, principalmente para a ponta mais longa.


… Parte dos economistas passou o dia criticando a estratégia do Copom de “alongar” o horizonte relevante, e o comunicado foi considerado confuso e soou contraditório em um ambiente de inflação elevada e atividade resiliente.


… O DI para Jan/33 escalou para 14,810% (contra 14,687% no pregão da véspera); Jan/31, a 14,885% (de 14,762%); Jan/29, a 14,940% (de 14,843%); Jan/28, a 14,820% (de 14,737%); e Jan/27 marcou 14,255% (de 14,246%).


… Diante dos novos cortes da Selic no radar, contrariando a expectativa de pausa em agosto, o mercado aciona a contagem regressiva para a ata do Copom e os comentários de Galípolo durante a apresentação do RPM.


… O BC terá estas duas oportunidades para corrigir sua linguagem, se eventualmente tiver julgado que foi mal interpretado em suas palavras e que há ajustes para tornar a sua abordagem mais clara para o mercado financeiro.


… Quanto ao Fed, depois da surpresa com o tom bem mais hawkish do que o imaginado adotado pelo statement, a aposta mais provável passou a ser de um aperto monetário em setembro, segundo a ferramenta de apostas do CME.


… Além da evolução dos indicadores americanos, os investidores monitoram as negociações de paz para ver se a guerra contra o Irã acaba de uma vez por todas e se o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz se normaliza.


… Na sexta-feira marcada pelo adiamento das negociações para um acordo de paz permanente entre os Estados Unidos e Irã devido à intensificação dos combates no sul do Líbano, o petróleo Brent subiu 0,90%, a US$ 80,57.


… Durante o dia, a notícia de que um cessar-fogo foi acordado entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, com ambos os lados se comprometendo com a trégua se não forem atacados, reduziu parte da pressão do barril.


… Perto do fechamento, porém, as cotações voltaram a subir, com os sinais de fragilidade no campo diplomático.


… A consultoria Capital Economics duvida de uma queda acentuada do petróleo no curto prazo, já que os fluxos de energia devem se recuperar “apenas gradualmente”. O UBS destaca as incertezas sobre o custo do tráfego marítimo.


… O vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, disse que, após o período de 60 dias sem pedágio em Ormuz, um novo mecanismo para a gestão será introduzido e apresentado aos países da região.


MODERADOR DE APETITE – Bem que o dólar quis devolver com maior força o salto de 1,32% do pregão anterior. No melhor momento do dia, chegou a cair em torno de 0,80%, mas reduziu a queda no fechamento para apenas 0,20%.


… Fechou cotado a R$ 5,1648, após ter operado na faixa e R$ 5,13 na mínima intraday. Acabou intimidado pelo avanço dos juros futuros, diante do mal estar com a aparente complacência do Copom com a inflação elevada.


… Lá fora, na sessão esvaziada pela ausência do investidor estrangeiro, devido ao feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, o índice DXY caiu 0,12%, aos 100,728 pontos, apesar da percepção hawkish sobre o Fed no statement.


… O iene avançou para 161,30 por dólar, o euro subiu 0,11%, a US$ 1,1478, e a libra ganhou 0,22%, a US$ 1,3236, enquanto cresce a pressão para a renúncia do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.


… No pregão morno, sem o parâmetro de Nova York, o Ibovespa fechou estável (+0,03%), aos 168.333,61 pontos. O giro de R$ 27,5 bilhões foi fortalecido pelo vencimento de opções sobre ações, que redobrou a volatilidade.


… Garantida pelos interesses dos comprados, Vale operou em alta de 1,01%, a R$ 80,75, sem a referência do minério de ferro na China, fechada para feriado. Petrobras operou sem direção única, apesar de o petróleo ter subido.


 … ON avançou 0,49%, a R$ 43,34, mas PN operou em leve queda de 0,13%, a R$ 38,80, no dia de exercício na bolsa.


… A maioria dos bancos ficou no vermelho: Itaú, -0,80% (R$ 39,87), BB, -0,56% (mínima de R$ 19,42), e BTG unit, -0,41% (mínima de R$ 50,64). Bradesco PN fechou estável (R$ 17,47). Já Santander subiu 0,60% (máxima de R$ 26,88).


… Azzas saltou 8,33%, animada pela notícia de que contratou o Morgan Stanley para conduzir a venda da Farm.


CIAS ABERTAS NO AFTER – O conselho da VALE aprovou convocação de AGE para 22 de julho, atendendo a pedido da Previ, que detém 7,01% do capital da companhia…


… A assembleia deve apreciar a destituição do presidente do colegiado, Daniel Stieler, apurou o Valor.


ALIANÇA ENERGIA, controlada pela Vale, incorporou o complexo eólico Caetité e ampliou sua capacidade instalada em 9%.


PETROBRAS. Conselho aprovou investimento de US$ 1,2 bilhão em planta de BioQAV e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), com operação prevista para 2030…


… A Justiça Federal julgou improcedente pedido de afastamento de Raoni Santos do Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras.


TRANSPETRO assinou contrato de US$ 427 milhões com o Estaleiro Rio Grande para construção de quatro navios de transporte de petróleo.


VIBRA. Conselho aprovou distribuição de R$ 558 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,47 por ação. Os papéis ficam ex-JCP amanhã.


COSAN. A companhia antecipou R$ 2,8 bilhões em dívidas e totalizou R$ 8,8 bilhões em pré-pagamentos desde o início de 2026.


BRASKEM. Credores externos defendem pagamento de juros de bonds com vencimento em julho e agosto, enquanto a companhia avalia buscar proteção judicial durante as negociações de reestruturação.


MULTIPLAN distribuirá R$ 120 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,24562576235 por ação.


AZZAS. Alexandre Birman pediu o encerramento de uma das arbitragens contra Roberto Jatahy para concentrar toda a disputa societária em um único processo.


BRB. Bancos privados questionam as garantias oferecidas pelo Distrito Federal e podem ficar fora da operação de fiança para socorro ao banco, segundo fontes do Valor.


UNIDAS. A companhia fará sua 23ª emissão de debêntures, no valor de R$ 900 milhões.

Leitura de fim de semana

 *Leitura de Sábado: governo prega calma e avalia o comportamento do brent para decidir subvenções*


Por Mateus Maia


Brasília, 16/06/2026 - A equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prega calma e avalia comportamento do brent após anúncio de acordo de paz provisório entre Estados Unidos e Irã para decidir sobre subvenções e outras medidas tomadas para conter os preços dos combustíveis durante o conflito.


De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a ideia é ter cautela e ver como o mercado reage ao anúncio feito pelos países, se ele se confirmará e qual será o novo patamar do petróleo internacional.


Ainda não foi decidido em qual patamar de brent o governo começará a retirar as medidas adotadas para controlar a alta de preços - será uma avaliação mais ampla e cenário. O governo lembra que, antes da guerra, o barril estava em US$ 65, mas avalia que o preço dificilmente atingirá esse valor no curto prazo.


A ideia é que seria difícil de prever o comportamento da commodity, mas que é possível que ele se mantenha acima do valor pré-guerra por um tempo mesmo depois do fim do conflito. Por isso seria complicado cravar em que patamar as medidas do Executivo não seriam mais necessárias usando somente esse parâmetro.


Segundo mostrou a Broadcast, até maio, o governo mobilizou R$ 36,4 bilhões entre subvenções, garantias de crédito para exportadores e cortes de impostos. O valor era cerca de 53% do usado por Jair Bolsonaro. O ex-presidente, em 2022, usou um leque mais amplo de medidas e a transferência direta de recursos a setores afetados pela alta dos combustíveis, com um gasto de R$ 68 bilhões, valor corrigido pela inflação do período.


Contato: mateus.maia@broadcast.com.br


Broadcast+

Leitura de fim de semana

 *Leitura de Sábado: Além de IG4, Makalu, Geribá, Laplace e Mapa querem assumir dívidas da Raízen*


Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 17/06/2026 - Gestoras especializadas em ativos problemáticos estão se posicionando para concorrer com o grupo IG4 Capital pelos créditos da Raízen, que tem R$ 65 bilhões em dívidas. A Broadcast apurou que Makalu, Geribá, Laplace e Mapa estruturam propostas para assumir dívida de credores da Raízen.


Um dos fundamentos da disputa pelos créditos está na proposta do plano de recuperação extrajudicial, homologado na semana passada, de conversão de 45% das dívidas em ações, as quais têm um valor de mercado extremamente baixo neste momento. Com a conversão, os credores passarão a ter 80% do capital da Raízen. A depender do valor e do modelo de aquisição dos créditos, aqueles que emprestaram dinheiro para a joint venture da Cosan e da Shell poderiam recuperar um valor maior de recursos e reduzir o "haircut" (desconto) implícito nessa troca.


A visão é também de que dada a diversidade de credores - bancos, debenturistas e detentores de certificados de depósitos agrícolas (CRAs) - a conversão resultará em uma corporação sem controle definido, potencialmente, trazendo implicações em sua governança e gestão. Uma das fontes afirmou que os bancos, em tal conversão, são potencialmente o grupo que poderá restar com um volume maior de ações da Raízen, implicando ainda mais cadeiras no conselho de administração. "Bancos geralmente não querem ter responsabilidade fiduciária sobre empresas", disse.


Segundo fontes, a Makalu pretende avançar sobre os créditos concedidos às operações de açúcar e etanol da Raízen, dada a experiência com reestruturações no segmento, como do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), Grupo Safras e da Usina Caeté.


A Geribá Investimentos, por sua vez, estaria olhando para os créditos relacionados às operações de combustíveis. Em abril, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da subsidiária no Acre da Brasil Biofuels (BBF) para a Japaratinga Participações, ligada à gestora Geribá Investimentos. A gestora Laplace têm mantido conversas essencialmente com bancos credores para dar saída a eles em diferentes estruturas, entre as quais, a criação de um veículo para gestão das ações, em modelo semelhante ao da IG4 na Braskem.


A Mapa Capital já tem a experiência de ter assumido a dívida da Casas Bahia, ao ficar com debêntures que eram do Bradesco e do Banco do Brasil. A gestora então converteu esses papéis em ações e passou a ter 85% da Casas Bahia, assumindo seu controle. O objetivo agora é reestruturar financeiramente e sanear a companhia, o que pode fazer as ações voltarem a subir na B3 e recuperar o valor da varejista.


Procuradas, as gestoras não comentaram.


Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com


Broadcast+

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque fechada na sexta-feira. UE -0,5% Espanha -0,3% VIX 16,8% Bund 2,98%. T-Note 4,48%. Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,46% PT 3,34% ITA 3,70% FRA 3,74% Euribor 12m 2,789% (fut.12m 2,974%) USD 1,146 JPY 185,3/€ 161,7/$. Ouro 4.191$. Brent 78,9$. WTI 76,2$. Bitcoin +2,4% (64.165$). Ether +2,5% (1.736$).

 

:: SESSÃO. Vem neutra ou um pouco fraca depois de Nova Iorque ter encerrado na sexta-feira. 90% de probabilidade de Starmer se demitir hoje, mas a libra só se debilita um pouco (aprox. desde 0,864 até 0,867) porque isto já se previa há semanas e, além disso, não é novo: o R. Unido teve 7 PM nos últimos 10 anos. Oxalá consolide esta semana, mas é improvável, porque a inércia em alta de longo prazo é muito sólida e Micron poderá animar na quinta/sexta-feira com resultados excelentes, que serão publicados na quarta-feira, no fecho de Nova Iorque.

 

Esta semana, digestão e deixar-se levar por um contexto carente de obstáculos relevantes. Se nos últimos dias retiramos, pelo menos por agora, as principais incertezas (Irão, SpaceX e 10 bancos centrais), agora deveremos desfrutar de uma etapa de relaxamento inercial e suave em alta graças à ausência de obstáculos (previsíveis, pelo menos) e um fluxo de indicadores macro de relevância média que, no seu desenvolvimento mais provável, deverá acrescentar um pouco mais de autoconfiança a um mercado muito tranquilo. Hoje, segunda-feira, não sairá nada realmente capaz de mover o mercado; amanhã teremos PMIs em quase todo o mundo que deverão permanecer na zona de expansão; na quarta-feira, IFO (Clima Empresarial) na Alemanha, que estimamos que irá surpreender positivamente, a julgar pelo bom ZEW (Sentimento Económico) publicado na quarta-feira passada (+10,5 vs. -5,5 esperado vs. -10,2 anterior); e na quinta-feira, tudo nos EUA, confirmação do PIB 1T’26 em +1,6% preliminar, mais um Deflator de Consumo Privado (PCE) a aumentar até +4,1% desde +3,8% com o qual o mercado já conta, porque a inflação publicada a 10 de junho saiu a +4,2% e, para terminar, mais uns Pedidos de Bens Duráveis decentes que talvez batam expetativas (excluindo – Transporte +0,5% vs. +1,1%). Nada do anterior deverá ter capacidade para mudar as coisas, para deteriorar um mercado que continua a ser inercialmente em alta, porque se libertou das suas principais inquietudes, não enfrenta problemas especiais e sente-se apoiado por excelentes resultados corporativos, cujas expetativas estão em processo de revisão em alta. Neste sentido, Micron – uma das escassas empresas americanas que ainda não publicou – oferecerá números muito sólidos na quarta-feira, no fecho de Nova Iorque. Oxalá perca ritmo e consolide!

 

:: CONCLUSÃO. A recente superação de incertezas e a ausência de obstáculos previsíveis deverá resultar numa semana sem tensões especiais, com bolsas a consolidarem ou a subirem de forma inercial e suave.

 

FIM

 *Rosa Riscala: Entre a Suíça e o Copom* … O mercado inicia a semana acompanhando dois temas: a guerra e o Copom. Na Suíça, as negociações e...