sexta-feira, 27 de março de 2026

A morte do livreiro

 Uma despedida sentimental: a morte de um livreiro. Vivam todos os livreiros! _RA


A morte do livreiro

Ruy Castro 

Folha de S. Paulo, 27/-3/2026


O melhor amigo de um leitor é um bom livreiro. Aquele que não só conhece o livro que você procura, mas, na falta deste, sabe indicar alternativas do mesmo autor ou de outro. Não que tenha lido esses livros, mas o convívio com tantos deles faz com que, pelos títulos, capas ou editoras, se torne um profissional à altura do produto com que trabalha. Entre esses profissionais, há um que admiro mais: o livreiro de sebo.

O livreiro comum conhece os livros que estão saindo. O de sebo conhece livros de todas as épocas, que costuma receber aos milhares de uma vez, do filho ou viúva de um colecionador. Aceita todos, não escolhe, e, no dia seguinte, já recebe outro lote igual. Catalogá-los, dar-lhes preço e botá-los nos escaninhos deveria ser o trabalho de uma equipe. Quase sempre ele o faz sozinho.

Tenho amigos entre esses livreiros por toda parte. Mas, nos últimos dez anos, um foi especial: Luiz Carlos Araújo, do sebo Mar de Histórias, em Copacabana. Para escrever meu livro "Metrópole à Beira-Mar", sobre o Rio moderno dos anos 1920, decidi que precisava ler a obra completa dos autores daquele tempo que, em minha opinião, já eram modernos — ou seja, escreviam de forma clara, adulta, objetiva, sem as firulas parnasianas ou os maneirismos modernistas. O problema é que, exceto por João do Rio e Manuel Bandeira, todos eram autores perdidos: Theo-Filho. Ronald de Carvalho, Carmen Dolores, Chrisanthème, Orestes Barbosa, Adelino Magalhães, Elysio de Carvalho, Agrippino Grieco. Pois, nos quatro anos que o trabalho me tomou, até 2019, Luiz Carlos encontrou-os um a um. Fez o mesmo com o material dos anos 1940 sobre a Segunda Guerra no Rio, que resultou em meu livro "Trincheira Tropical", de 2025.

Nesta segunda-feira (23), um enfarte levou Luiz Carlos, aos 66 anos. Não fomos apenas nós, seus clientes e amigos, que o perdemos. Quando morre um livreiro, são os livros os que mais perdem.

Na sexta, eu lhe escrevera desculpando-me por estar alugando-o a respeito de mais um livro impossível. Ele respondeu: "Deixa comigo, Ruy. Estamos juntos. Estamos vivos".


Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras

Auditoria do BRB

 *Análise do BRB nos créditos do Master encontrou _cliente de 124 anos_ e e-mail falso: ‘naotem@hotmail’*

_Relatório de auditoria interna foi produzido em 4 de abril de 2025, mas banco continuou comprando carteiras mesmo depois disso; ex-presidente diz que só tomou conhecimento no fim de maio e avisou ao BC_

ESTADÃO

Por Aguirre Talento

27/03/2026 | 05h30


BRASÍLIA - Um relatório de auditoria interna produzido pelo Banco Regional de Brasília (BRB) já havia detectado, em 4 de abril de 2025, diversos indícios de que as carteiras de créditos consignado comprados do Banco Master eram falsas. Ainda assim, o BRB continuou comprando essas carteiras até o mês de maio. 

Procurado, o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, afirmou que apenas tomou conhecimento desse relatório no fim de maio e enviou as informações ao Banco Central para verificação das irregularidades (leia nota na íntegra abaixo).

Nesta quinta-feira, 26, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou, por sua vez, que em janeiro de 2025 a venda de carteiras já havia despertado a atenção da diretoria de fiscalização e, em fevereiro, foi constituído um grupo para começar a analisá-las.

No total, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões de falsos créditos consignados do banco de Daniel Vorcaro. Após o BC iniciar uma fiscalização e apontar irregularidades, o BRB substituiu essas carteiras por outros ativos também suspeitos de serem fictícios. 

O rombo ao BRB ainda está sendo calculado, mas pode passar de R$ 8 bilhões, segundo a nova gestão do banco. O número seria apresentado em um balanço a ser divulgado até o final desse mês, mas o banco tenta obter o adiamento desse prazo.

O Estadão teve acesso a detalhes inéditos desse documento, produzido por um grupo de trabalho do BRB formado para analisar os créditos. Chamou a atenção dos auditores que a base de dados entregue pelo Master ao BRB consistia em uma simples planilha com nomes, CPFs e dados dos contratantes dos créditos, completamente vulnerável a manipulações, em vez de fazer parte de um sistema de informática organizado para gerir esses créditos.

Ao verificar os dados, o relatório indicou que as planilhas estavam preenchidas com e-mails falsos e data de nascimento fictícia, de 1º de janeiro de 1901, o que significaria que o contratante do crédito consignado teria 124 anos.

“Preenchimento de dados inverídicos, realizados para evitar campos em branco, incluindo inserções manuais como a data de nascimento em 01 de janeiro de 1901 ou o endereço de email fictício ‘naotem@hotmail.com’. Este procedimento compromete a integridade e precisão dos dados coletados”, diz o relatório.

As planilhas também continham clientes homônimos e contratos iguais de crédito consignado, o que indicou uma fabricação de dados somente para a captação de recursos do BRB.

Como parte desse trabalho, os auditores do BRB procuraram o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para realizar um trabalho de checagem nos dados dos créditos consignados. Quando o Serpro verificou os CPFs da base de dados, descobriu que muitos deles não correspondiam a nenhum contrato de crédito consignado existente, o que reforçou o indício de falsidade.

Um último fator de risco detectado no relatório foi a existência de uma “alta incidência de reclamações” dos clientes que apareciam na base de dados de créditos consignados e que diziam nunca terem contratado o produto.


*Relatório não foi enviado a conselho*

Esse relatório foi entregue ao Comitê de Auditoria do BRB, à época presidido por Marcelo Talarico, considerado homem de confiança de Paulo Henrique Costa.

De acordo com integrantes do banco, o relatório foi encaminhado apenas à Presidência e nunca foi submetido ao Conselho de Administração do BRB. Nas atas do conselho, não consta nenhum debate sobre esse documento. Questionado, Talarico não se manifestou.

O relatório também não foi enviado aos órgãos de investigação na época. Ele foi entregue à Polícia Federal apenas no final do ano passado, após a deflagração da Operação Compliance Zero.

Posteriormente, análises da Polícia Federal e do Ministério Público Federal também apontaram as suspeitas de falsificação nas carteiras de crédito consignado compradas pelo BRB. Esse foi o principal fato sob investigação na primeira fase da operação, que resultou na primeira prisão de Daniel Vorcaro. O banqueiro foi preso novamente e agora negocia um acordo de delação premiada.

Após a operação da PF, o BRB trocou a presidência e contratou uma auditoria externa para fazer uma análise desses investimento e da situação das contas do banco. O relatório final deve ser apresentado nas próximas semanas.

Em nota divulgada por sua defesa, Paulo Henrique Costa disse que enviou as informações ao BC e negou irregularidades. Leia a íntegra da nota:

“O relatório do grupo de trabalho constituído pelo BRB em 2025 foi apresentado ao Comitê de Auditoria em 22/05/2025, momento em que as compras de carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master e originadas pela Tirreno já haviam sido suspensas desde 15/05/2025.

Ao tomar conhecimento da existência das dúvidas sobre a integridade dessas carteiras, o ex-presidente Paulo Henrique Costa deu conhecimento ao Banco Central do Brasil em 25/05/2025, exigiu a ampliação das verificações nessas carteiras, a contratação de uma auditoria independente, a apresentação de garantias adicionais pelo Banco Master e a substituição dessas carteiras. 

A atuação do ex-presidente em conjunto com a equipe do BRB, sob supervisão do Banco Central, fez com que a maior parte desses ativos fosse substituída por outros ativos, sendo que, no momento do seu afastamento, permaneciam pendentes de substituição aproximadamente R$ 2,5 bilhões, que contavam com garantias adicionais de R$ 10,5 bilhões. Além disso, as operações de cessão de crédito haviam gerado receitas de R$ 6,0 bilhões ao BRB até aquele momento.

O Conselho de Administração do BRB tinha pleno conhecimento das aquisições das carteiras de crédito, das discussões sobre substituições de carteiras e da estratégia de atuação, conforme pode ser verificado em suas atas.“


https://www.estadao.com.br/economia/analise-interna-brb-creditos-master-dados-falsos/

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Sexta Feira,27 de Março de 2.026.


*O novo recuo de Trump*


Deadline para Irã responder sobre cessar-fogo é adiado para 6 de abril


… Encurralado pelo jogo duro do Irã, Trump adiou pela segunda vez o deadline para que o regime dos aiatolás dê uma resposta a Washington sobre o cessar-fogo ou enfrente ataques mais violentos. O prazo inicial era 23 de março, depois passou para hoje e agora virou 6 de abril. A concessão passa recibo de desespero e coincide com a falta de progressos nas negociações, que despertaram nova piora nos mercados ontem, com as bolsas de NY nas mínimas em seis meses. O presidente americano diz que a pausa de 10 dias veio a pedido do Irã, que nega, na guerra sem fim de narrativas. Segundo Trump, uma reunião com Teerã está marcada para hoje à noite. Em véspera de final de semana, os negócios podem se manter retraídos. Aqui, a Pnad (9h) é destaque, após alertas do BC sobre a força do emprego.


QUEM FALA A VERDADE? – Trump continua insistindo que as negociações com o Irã estão indo “muito bem”, que o Irã está “implorando” por um acordo, que as notícias sobre a resistência de Teerã são “falsas”. Mas, uma a uma, suas declarações são negadas pelos aiatolás.


… No final de mais um dia de aversão ao risco, ao anunciar que estava prorrogando para 6 de abril a trégua nos ataques à infraestrutura de energia iraniana, o presidente disse que atendeu a um pedido do Irã. “Eles vieram até mim pedir sete dias, eu dei 10” – na Fox News.


… O Irã desmentiu mais essa informação, enquanto Trump esnobava o Estreito de Ormuz, afirmando que os Estados Unidos não precisam dele para abastecer sua energia. “Estamos lá pelos nossos aliados. Hoje produzimos mais petróleo do que Rússia e Arábia Saudita juntos.”


… Para os representantes iranianos, a proposta de cessar-fogo apresentada por Washington, com 15 pontos de negociações, é “enganosa” e apenas um meio para conter os preços do petróleo e ganhar tempo para uma ação militar no sul do país.


… A resposta oficial de Teerã foi enviada por meio de intermediários, segundo a Tasnim News, com exigências como o fim das “agressões e assassinatos”, garantias para evitar nova guerra, indenizações e o fim do conflito em todas as frentes.


… Ao mesmo tempo, surgem relatos de que o Irã poderia fechar também o Estreito de Bab el-Mandeb, que tem o segundo maior fluxo de petróleo do mundo e é uma entrada vital para o Canal de Suez, por onde passam de 10% a 12% do comércio marítimo internacional.


… As narrativas conflitantes colocam em dúvida quais devem ser os próximos passos de Trump, em meio a especulações na mídia de que ele estuda a possibilidade de autorizar uma invasão terrestre ao Irã para tomar o controle do Estreito de Ormuz.


… A questão é saber como o presidente dos Estados Unidos escapará dessa armadilha, armada por ele próprio, sem que pareça uma derrota.


… Provavelmente por isso, mantém uma retórica agressiva e continua lançando ameaças, como o alerta de que o Irã deve levar as conversas com Washington “a sério”, caso contrário “não haverá volta e não será nada bonito”. Do outro lado, eles não deixam por menos. 


… Elogiando o Hezbollah, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou para “uma série de surpresas a caminho”.


… Os impactos econômicos da guerra ainda são imensuráveis, mas relatório divulgado pela OCDE projetou que a inflação nos países do G20 deve acelerar para 4% em 2026, enquanto a Fitch afirma que a alta nos preços de petróleo pode reduzir o PIB global em 0,8%.


A CRISE DO DIESEL – Reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) hoje, em SP, discute a proposta do governo de subvenção do diesel, após governadores rejeitarem zerar a incidência do ICMS sobre o combustível.


… A alternativa prevê subvenção de R$ 1,20 por litro importado, metade paga pela União e metade pelos Estados.


… O Broadcast apurou que os secretários de Fazenda estaduais estão longe de chegarem a um consenso. A medida enfrenta resistência especialmente da gestão Tarcísio, que não admite a possibilidade de renúncia de receita.


… O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Dutra, descartou ontem risco de desabastecimento de diesel e assegurou estoque suficiente para atender março e abril.


… Segundo ele, os relatos de falta do produto são pontuais e devem ser investigadas caso a caso.


… A Petrobras informou nesta quinta-feira ter aumentado a oferta de diesel e gasolina, depois de distribuidores terem alertado para as ameaças de fornecimento, em meio à disparada dos preços do petróleo com a guerra no Irã.


… A companhia vai adicionar 70 milhões de litros de diesel S10 e 95 milhões de litros de gasolina em abril.


… A decisão de ampliar as entregas via contratos ocorre após a ANP ter notificado a companhia semana passada para ofertar “imediatamente” volumes referentes a leilões de combustíveis da estatal que haviam sido cancelados.


… A oferta via contratos existentes permitirá que os preços cobrados sejam mais baixos do que se de fato fossem levados a leilões, disseram fontes à Reuters, em medida que ajuda a atenuar os efeitos da alta nas bombas.


O LAG DO EMPREGO – Na véspera dos dados de emprego do IBGE, a situação do mercado de trabalho mereceu comentários cautelosos de Galípolo e Picchetti, durante a entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária.


… O presidente do BC disse que a mão de obra “mais apertada” potencializa os riscos de inflação e pontuou que a atividade resiliente e a pressão no setor de serviços exigem monitoramento contínuo para a convergência à meta.


… Também o diretor Paulo Picchetti reconheceu que o mercado de trabalho resistente demanda atenção e que o rendimento médio real do trabalhador medido pela Pnad ou pelos dados do Caged mostra elevação na ponta.


… Seja como for, depois de uma sequência de resultados positivos, com mínimas históricas do desemprego, os dados mais recentes podem indicar perda de ritmo, sob o efeito defasado da política monetária contracionista do BC.


… Para a Pnad de hoje, a mediana no Projeções Broadcast indica avanço da taxa de desemprego para 5,7% no trimestre móvel encerrado em fevereiro, de 5,4% no trimestre móvel até janeiro. As apostas variam de 5,4% a 5,9%.


… Segundo economistas, o período costuma ser mais desfavorável para contratações. Além disso, a esperança do BC é que a Selic em nível elevado comece a surtir o efeito de desaquecer o emprego e, por tabela, a inflação.


… Ainda a agenda desta sexta-feira, o câmbio tem para conferir os dados em conta corrente de fevereiro, às 8h30. A previsão é de déficit de US$ 5,500 bilhões em fevereiro, depois do saldo negativo de US$ 8,360 bilhões em janeiro.


… A melhora do saldo comercial em fevereiro deve levar à moderação do déficit em transações correntes. O intervalo das estimativas varia de um rombo de US$ 8,27 bilhões a um resultado negativo de US$ 4,50 bilhões.


… Para o Investimento Direto no País (IDP), a mediana indica entrada líquida de US$ 7,6 bilhões em fevereiro, contra um saldo positivo de US$ 8,168 bilhões em janeiro. As expectativas vão de US$ 6,5 bilhões a US$ 12,810 bilhões.


… No final da tarde, a Aneel define a cor da bandeira tarifária de energia elétrica para o mês de abril.


BALANÇOS – Bradespar e Azul soltam resultados antes da abertura. Fertilizantes Heringer vêm após o fechamento.


CPMI DO INSS – O STF derrubou, por 8 votos a 2, a decisão do ministro André Mendonça que prorrogou os trabalhos da Comissão. A maioria do Supremo rejeitou a invasão às prerrogativas do Congresso e competências de Alcolumbre.


… Com a derrubada, a leitura do relatório final do colegiado deve ser feita hoje para votação até amanhã.


TUDO PELO SOCIAL – Na tentativa de reverter o desgaste na popularidade apontado pelas pesquisas eleitorais para presidente, Lula confirmou os relatos na imprensa de que estuda saídas para melhorar o endividamento familiar.  


… “Temos um problema: a economia está bem, mas temos a sociedade brasileira um pouco endividada”, disse. A elaboração de propostas para facilitar o pagamento de dívidas de pessoas físicas está a cargo da Fazenda, afirmou.


BOLSONARO – Deve ter alta hoje, depois do quadro de broncopneumonia, e ir para a prisão domiciliar.


NOS EUA – A leitura final de março do sentimento do consumidor, medido pela Univ. de Michigan (11h), deve piorar para 54,2, contra 56,6 em fevereiro. No dado, vêm embutidas as expectativas de inflação para 1 ano e 5 anos.


… Às 14h, saem os números da Baker Hughes sobre os poços e plataformas em operação.


… Três dirigentes do Fed participam de eventos hoje: Tom Barkin (12h) e Mary Daly e Anna Paulson (14h).


NA DEFENSIVA – As incertezas voltaram a impulsionar os preços do petróleo, que subiram mais de 5% nesta quinta-feira, ampliando a pressão sobre as bolsas de Nova York, o dólar e os juros dos Treasuries, com riscos para a inflação e a política monetária dos principais BCs.


… Para a Bannockburn Capital Markets, o sentimento deverá permanecer hoje, às vésperas do fim de semana, já que ninguém parece disposto a apostar se o conflito está à beira de uma escalada significativa ou de uma resolução.


… Na falta de avanços concretos, o petróleo Brent encerrou acima dos US$ 100, com o contrato para junho em alta de 4,61%, a US$ 101,89, na ICE londrina. Só em março, a commodity acumula ganhos de mais de 40% e, no ano, alta de quase 80%.


… Em Wall Street, o Nasdaq (que caiu 2,38%, aos 21.408,08 pontos) fechou em território de correção técnica, com baixa de mais de 10% desde máxima recente de 29 outubro de 2025, e destaque para o tombo de quase 8% da Meta e de 4% da Nvidia.


… O Dow Jones fechou em queda de 1,01%, aos 45.960,11 pontos, e o S&P 500, com perda de 1,74%, aos 6.477,16 pontos.


… Acompanhando a piora em Nova York, o Ibovespa aprofundou as perdas à tarde e falhou em defender os 183 mil pontos, após bater máxima de 185 mil no início do dia. Fechou em baixa de 1,45%, aos 182.732,67 pontos, com giro de R$ 26,5 bilhões.


… As ações de Petrobras (ON +2,16%, a R$ 53,37, PN +1,09%, a R$ 48,02) subiram com o petróleo, mas o índice foi contido pelas quedas dos bancos: BB, -3,35%; Itaú PN, -2,69%, na mínima. O dia também foi negativo para Vale ON, que cedeu 0,80%, a R$ 78,91.


… Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY voltou a tocar os 100,000 pontos, com alta de 0,30% (99,90 pontos) na altura do fechamento em Nova York, refletindo os riscos da guerra no Oriente Médio.


… O dólar subia a 159,82 ienes, o euro recuava a US$ 1,1525 e a libra tinha queda a US$ 1,3318, enquanto a taxa da Note-2 anos avançava para 3,998%; da Note-10, a 4,426%; e do T-Bond 30, a 4,941%, diante dos temores inflacionários sobre as expectativas da política monetária.


… Frente ao real, o dólar à vista avançou 0,69%, a R$ 5,2562, após máxima de R$ 5,2632. Em março, acumula alta de 2,38%.


… Uma oferta não programada de US$ 1 bilhão em dois leilões de linha (venda de dólar com compromisso de recompra) foi totalmente absorvida pelo mercado. Segundo especialistas, o BC atua para controlar o cupom cambial, em quadro de liquidez mais escassa.


CONSERVADORISMO PERMITIU QUEDA – Os juros futuros fecharam em firme alta, impulsionados pelo mau humor geral com os conflitos no Oriente Médio, embora Gabriel Galípolo tenha demonstrado relativa tranquilidade ao falar sobre o tema, nesta quinta-feira.


… Em entrevista para comentar o RPM, ele justificou a queda de 25pbs da Selic afirmando que o conservadorismo do Copom no ano passado manteve o nível do juro contracionista, e isso é que teria dado ao BC margem para iniciar o afrouxamento, mesmo em meio à guerra.


… Os outros BCs, disse, agiram mais rápido porque estão mais próximos da taxa neutra.


… Para Galípolo, temos “tempo para entender” como essa crise vai evoluir. Ele, inclusive, ainda não vê um choque de oferta do petróleo.


… Na sua avaliação, o quadro só se tornará mais grave se a produção for atingida pela destruição da infraestrutura de energia. Na hipótese menos complicada, os preços de energia tendem a devolver o prêmio da guerra se o Estreito de Ormuz for liberado.


… “A função do BC é botar a bola no chão, tirar o ruído e ver o que fica”, disse ele, numa rara demonstração de confiança, que pode ser entendida como o desejo de prosseguir com os cortes da Selic em abril. A não ser que as coisas piorem e fiquem muito mais feias.


… Apesar disso, a curva futura apontava no fechamento do dia um corte total de apenas 0,75 ponto do juro este ano, para 14,25%, segundo cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, ao Broadcast. As taxas curtas e intermediárias chegaram a subir 30 pontos.


… Após os ajustes, o DI para janeiro de 2027 projetava 14,33% (de 14,088% no ajuste da véspera). O DI para janeiro de 2029 tinha juro de 14,08%, ante 13,794% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2031 subiu de 13,943% para 14,15%.


… Já o IPCA-15 de março, que subiu 0,44%, perto do teto das projeções (0,48%) e bem acima da mediana (0,29%), foi relativizado pelo diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, que participou da entrevista ao lado do presidente do BC.


… Para ele, o IPCA-15 “reforçou, de certa forma, a visão de algum arrefecimento da inflação”, quando se olham os dados abertos e os núcleos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – ITAÚ emitiu R$ 3,3 bilhões em letras financeiras subordinadas nível 2, com vencimento em 2036 e impacto de 0,22 pp. no índice de capitalização.


B3 aprovou R$ 372,5 milhões em JCP, a R$ 0,074 por ação, com pagamento em 13/04. Ex em 01/04.


PETROBRAS informou que não há fato novo sobre eventual recompra da Refinaria de Mataripe, destacando que qualquer decisão seguirá sua governança interna.


HYPERA aprovou pagamento de R$ 185 milhões em JCP, a R$ 0,263 por ação, com pagamento até o fim de 2027. Ex em 1/04.


DASA. Prejuízo líquido piorou 13,9% na comparação anual, para R$ 948 milhões no 4TRI25. A receita líquida somou R$ 1,828 bilhão (+2,5%) e o Ebitda foi negativo em R$ 111 mi, ante resultado positivo de R$ 403 mi um ano antes…


… A companhia transferiu ativos hospitalares (Hospital Santa Lúcia e Clínica Vitória) para a Amil, em ajuste de portfólio da joint venture Ímpar.


ONCOCLÍNICAS convocou assembleia para deliberar sobre waiver de covenants, visando evitar inadimplência e viabilizar entrada de novos investidores.


YDUQS aprovou programa de recompra de até R$ 100 milhões em ações, com prazo de 18 meses.


AZUL aprovou programa de recompra de até 2,5% das ações ON em circulação, com prazo de até 18 meses.


GOL informou que suas ações deixaram de ser negociadas hoje na B3, depois de ter sido incorporada pela Gol Linhas Aéreas S.A., no contexto da reorganização do grupo.


PORTOS. Governo cogita realizar leilão do Tecon 10 só em 2027, diante de impasse sobre formato do edital; projeto prevê investimento de cerca de R$ 5 bilhões no Porto de Santos, que deve dobrar a capacidade até 2028. (Broadcast)


PETZ registrou prejuízo de R$ 8,7 milhões no 4TRI25, redução de 79,7% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 951,5 milhões (+8,3%) e o Ebitda ajustado foi de R$ 88,7 milhões (+6,5%).


CASAS BAHIA instaurou comitê independente para investigar suposta irregularidade envolvendo créditos de ICMS, após notícias sobre o tema.


ZAMP aprovou a 12ª emissão de debêntures no valor de R$ 500 milhões, podendo chegar a R$ 600 milhões.


MARISA informou a renúncia da presidente do conselho, Andrea Maria Meirelles de Menezes, e da conselheira Maria Laura Peixoto Santos Tarnow, com indicação de Ivan Luiz Murias dos Santos e Adriana Caetano como substitutos.


MAHLE METAL LEVE encaminhou sucessão da presidência, com Eduardo Luiz Spilla indicado para CEO e o atual presidente, Sergio Pancini de Sá, indicado ao conselho de administração.


3TENTOS aprovou aumento de capital de R$ 3,1 milhões via exercício de opções, com diluição de cerca de 0,25%.


GAFISA reverteu lucro e reportou prejuízo líquido de R$ 480,4 milhões no 4TRI25. A receita líquida somou R$ 359,6 milhões (-69,5%) e o Ebitda foi negativo em R$ 363,3 milhões, ante resultado positivo de R$ 75,2 milhões no 4TRI24.

A morte do livreiro

 Uma despedida sentimental: a morte de um livreiro. Vivam todos os livreiros! _RA A morte do livreiro Ruy Castro  Folha de S. Paulo, 27/-3/2...