terça-feira, 14 de janeiro de 2025

OESP

"O  governo enfrenta dificuldades para vender títulos da dívida pública, em meio a uma disparada das taxas, que atingiram níveis recordes. 

Para analistas financeiros, a desconfiança dos investidores no País e uma cobrança por medidas efetivas de controle de gastos ajudam a explicar o cenário. O Tesouro Nacional, porém, nega crise de confiança e afirma que a demanda tem sido "consistente", apesar do estresse no mercado.

O que acontece na prática é que, gastando mais do que arrecada, o governo recorre à venda dos títulos - pegando dinheiro no mercado financeiro - para sustentar suas ações. No entanto, precisa pagar o investimento no futuro, com juros, aumentando o endividamento público. Com déficit nas contas, a pressão é maior e os investidores cobram taxas mais altas para aplicar o dinheiro." (Estadão, 14/01/2025)

Responsabilidade compartilhada

 Responsabilidade compartilhada

Marcos Lisboa

Folha de S. Paulo, domingo, 12 de janeiro de 2025

Desequilíbrio fiscal é obra de muitas mãos

 

Tornou-se lugar-comum criticar o governo federal pelo desequilíbrio fiscal.

O Executivo tem a sua parcela de responsabilidade, mas o problema é bem mais complexo, e distinto, do que afirma o contraponto "a direita que não quer pagar imposto, e a esquerda não quer cortar despesa".

Existem muitas regras que tornam a despesa do Estado brasileiro mais rígida do que em outros países, assim como diversos privilégios tributários. Elas contam com amplo apoio da esquerda e da direita, e refletem o sucesso de diversos grupos de pressão da sociedade.

A reforma tributária foi abalroada por diversos setores, cada um justificando que seu caso era particular, e que não poderia pagar a alíquota padrão a ser cobrada do restante da sociedade.

Empresas de profissionais liberais, como médicos, economistas e advogados, faturando milhões de reais por ano, conseguiram alíquotas reduzidas.

Vale mencionar que já existe um benefício tributário para empresas que faturam até R$ 78 milhões por ano. Os regimes especiais permitem pagar uma alíquota menor de imposto sobre o lucro do que as empresas no regime geral.

Os dados mostravam que a desigualdade de renda cairia bem mais com o aumento bem focalizado do Bolsa Família do que com a desoneração da cesta básica. Contudo, prevaleceram os interesses dos produtores em detrimento das famílias mais pobres. Com apoio da esquerda e da direita.

A reforma concedeu benefícios tributários para o setor de aviação regional e o transporte coletivo, entre várias outras atividades.

A desoneração da folha salarial foi criada há mais de uma década por um governo de esquerda como uma medida temporária, para beneficiar algumas empresas. Ela continua em vigor e pode ter custado mais de R$ 20 bilhões em 2024, segundo técnicos do governo.

A concessão de tratamento diferenciado é prática usual no Brasil. As regras permitem privilégios tributários e crédito subsidiado para empresas privadas, ou remuneração acima do teto constitucional para servidores do Judiciário.

Esses benefícios são custeados pelo restante da sociedade, às vezes por mecanismos criativos.

O FGTS é uma poupança forçada do trabalhador com carteira que recebe uma remuneração menor do que se fosse investida em títulos públicos. Os recursos subsidiam empréstimos para empresas privadas.

A contribuição para o Sistema S incide, economicamente, sobre o trabalhador formal. E parte dos recursos é destinada aos sindicatos patronais, como as federações e confederações da indústria, do comércio ou dos serviços.

Às vezes, pode surpreender quem apoiou algumas medidas.

Há alguns anos, João Doria, então governador de São Paulo, tentou reduzir os privilégios tributários para empresas do setor privado. A reação foi avassaladora e a medida não prosperou.

Recentemente, Tarcísio de Freitas, um governador ainda mais identificado com a direita, finalmente conseguiu uma redução desses privilégios.

O setor de energia tem sido inundado por regras que estabelecem benefícios para algumas empresas em detrimento dos demais, desde a capitalização da Eletrobras. Os muitos subsídios cruzados acabam caindo na conta de energia.

Por vezes, o processo de captura do Estado decorre de uma iniciativa temporária que promete desenvolvimento de um setor. Os benefícios tributários para a Zona Franca de Manaus tinham prazo para terminar. Décadas depois, seguem sendo renovados.

Outras vezes, a motivação seria uma crise excepcional que justificaria uma intervenção pública momentânea, como ocorreu durante a pandemia.

Um exemplo é o Perse, que beneficiou o setor de eventos. Segundo relatório da Receita Federal, há empresas beneficiadas em alojamento e alimentação; atividades administrativas; indústria de transformação, entre muitas outras. A conta passou de R$ 7 bilhões entre abril e outubro de 2024.

Vale ressaltar: além de menor cobrança de tributos indiretos, foi igualmente reduzida a tributação sobre o lucro, não exatamente um caso de crise.

Marcos Mendes e eu sistematizamos 42 medidas de concessão de benefícios aprovadas na segunda metade do governo anterior, em 6 outubro de 2022, no Brazil Journal.

As propostas seguiram um padrão usual: auxílios com impacto social, como a ampliação do Bolsa Família, lideravam uma extensa lista de benefícios para grupos organizados.

Eram muitos os caronas: taxistas, caminhoneiros, templos religiosos, transferências para estados e municípios e novos benefícios para empresas do setor privado, do etanol a semicondutores e automóveis, de equipamentos de biogás ao setor de portos. A lista segue...

Com duas exceções, as principais medidas tiveram a aprovação da maioria dos congressistas, à direita e à esquerda.

Desde a pandemia, foram transferidos R$ 69 bilhões de recursos do Tesouro a fundos garantidores de empréstimos subsidiados para empresas, como registrou Marcos Mendes. O atual governo contou com o apoio do Congresso para aumentar os gastos públicos em cerca de R$ 245 bilhões desde a transição em 2022.

O Executivo tem sua parcela de responsabilidade. Mas o mesmo ocorre com as demais instâncias do setor público, assim como com os grupos privados que obtêm favores oficiais.

A criatividade de tribunais do Judiciário parece não ter limite para ampliar a remuneração dos juízes. O Legislativo defende as emendas parlamentares, já na casa dos R$ 40 bilhões por ano.

Fica o contraste. Muitos grupos denunciam com indignação as regras que favorecem os demais. Ao mesmo tempo, defendem com virulência os seus próprios privilégios.

A imprensa se beneficia da desoneração da folha de pagamentos. Mas critica duramente as emendas parlamentares.

Empresários reclamam da carga tributária. Por outro lado, defendem vigorosamente os privilégios que recebem do poder público, como regimes tributários especiais ou acesso a créditos subsidiados.

Associações de profissionais liberais vão na linha de frente na defesa da República, mas se recusam a pagar tributos como os que oneram as demais empresas.

A retórica "esquerda versus direita" por vezes encobre os truques do nosso Estado patrimonialista.

Escola austríaca

 O humanismo intrínseco da Escola Austríaca 


O ser humano é soberano nas suas preferências subjectivas, nenhuma força externa deve coarctar a acção humana. Não se deve imprimir na sociedade elementos que distorcem a capacidade dos seres humanos tomarem as decisões que sustentam as suas vidas. O ser humano deve ter máxima liberdade e mínima pressão burocrática. Até porque o ser humano é criativo, forja o seu destino, tem potência criativa para criar valor do nada. Não deve haver um poder centralizado que distorce os incentivos da população ou exerce poder coercivo nos seus cidadãos. Quem discorda destas ideias? O mundo contemporâneo fala de organizações pesadas e sem alma, fala do abandono da solidariedade natural, fala da quebra da fraternidade entre seres humanos. Quem pode discordar da desumanização da nossa sociedade? O que parece que ninguém concorda é a causa da desumanização. Essa causa parece oculta ou misteriosa. Mas todos estes problemas, desde a distorção da estrutura de incentivos ou o afastamento do direito natural tem uma causa à vista de todos. São organizações burocráticas, que criam distorções, falsos e desconexos incentivos, e pior de tudo o definhamento da criatividade humana. Estas organizações podem ser propriedade privada, mas qual será a maior organização de todas? Qual é a organização que absorve mais recursos? Qual é a organização que exerce maior pressão burocrática? Qual a organização que exerce maior poder? Sim, o leitor sabe a resposta. No fundo, até sabe a verdade. Mas não quer a afirmar em viva voz. A máquina de propaganda é forte. As narrativas exercem forte influência. Essa organização até faz sentido, existem bens públicos e serviços públicos. Sabemos que seria até melhor haver concorrência no fornecimento desses bens e serviços. O leitor sabe a realidade e conhece a verdade. Só que não a diz. Nem direi eu próprio. Todos sabemos que o estatismo é uma força praticamente imparável. Estamos a todos a ver as consequências do estatismo, na economia, na sociedade e nos valores dos cidadãos. Poucos porém querem ir à causa destes problemas. A principal causa de todos estes problemas todos sabemos qual é. É daqui que nasce o título desta crónica: o estatismo por muito forte que seja jamais quebrará o espírito humano. E é esta crença inabalável no espírito humano a principal força da Escola Austríaca.

Diário de um economista (9)

 Eu vivi 5 anos na terrinha. Cheguei com certa facilidade, na proposta de ir para Évora. Não foi fácil achar um imóvel, para não dizer impossível. Varri a cidadela inteira.

 Me recordo q vi uma oportunidade num beco, "colado" ao aqueduto. Um casarão daqueles, em dois pisos. O segundo já estava ocupado. Não sei se o senhorio era dono da casa toda ou só do primeiro piso. Gostei muito da cozinha, geladeira e Cooktop bosh e máquinas de lavar roupa e louça LG. O senhorio, um estudante da UÉVORA, de Beja, filho de uma senhora muito solícita, governanta dos casarões da Filadélfia. Depois, os fatos foram nos surpreendendo. 

Em Lisboa, fomos para Almada. Nos dois imóveis paguei mais do q o valor real do imóvel. Não tinha escolha. Imóveis em sua maioria velhos, em Almada sem elevador...mas ok. Ao lado de Lisboa, bastando a Cacília. 

A crise habitacional é uma realidade. Ainda bem q eu não comprei. Não valia a pena. Agora, tudo piorou e muito.

Portugal é um belo país. Abriram as fronteiras pois precisam alterar a pirâmide etária. E esta garotada q está indo, paga aos q estão se "reformando". Este, o objetivo real.

O problema concreto é q a social democracia está vazando água para todos os lados. Abriram aos imigrantes a cobertura social dos tugas. Qualidade da saúde pública caiu muito. O mesmo tentam com a educação, nas universidades com um plus para o pgto de matrícula e um valor mensal, simbólico q seja.

A social democracia é a expressão de um ativismo fiscal, sem limites, surgido do keynesismo nos anos 30 e 40. As bem sucedidas políticas públicas daqueles anos, considerados dourados até os 60, chegavam ao paradoxismo de q seria "proibido" haver desemprego, pois o Estado sempre estaria atento.

Os anos 70 e 80, até os dias de hje, nos jogaram no conto da carochinha e hje, sim, eu vejo as crises do welfare state pipocando por toda "euroesclerose". Sim, este lado da Europa está em decadência.

Call Matinal ConfianceTec 1401

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

14/01/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE SEGUNDA-FEIRA (13/01)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na segunda-feira (13), fechou em alta de 0,13%, aos 119.006 pontos.


Já o dólar à vista operou em queda de 0,07%, a R$ 6,098.


PRINCIPAIS MERCADOS, 7H00


Índices futuros dos EUA operam em alta nesta terça-feira (14), com atenção para os dados do IPP de dezembro.


🇺🇸EUA:

Dow Jones Futuro, +0,34%

S&P 500 Futuro, +0,52%

Nasdaq Futuro, +0,73%.


Ásia-Pacífico:

Shangai(China🇨🇳), +2,54%

Nikkei (Japão🇯🇵), -1,83%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,83%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), +0,31%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), +0,48%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,06%

DAX (Alemanha🇩🇪), +0,73%

CAC 40 (França🇫🇷), +1,12%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,71%

STOXX 600🇪🇺, +0,64%


Commodities:

Petróleo WTI, -0,37%, a US$ 78,53 o barril

Petróleo Brent, -0,47%, a US$ 80,62 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +2,22%, a 783 iuanes (US$ 106,81).


NO DIA, 1401


Depois dos embargos dos EUA à petroleiras da Rússia, o barril de petróleo ingressou numa escalada, agora acima de US$ 80, pressionando os juros dos Treasuries, perto de 5%. 


É neste clima que deve sair o PPI de dezembro, no aguardo do CPI amanhã, indicador mais esperado da semana.


Estes indicadores mais fortes, na sequência do payroll, devem reforçar a expectativa de menos cortes do Fed no ano (ou nenhuma flexibilização ou aperto).


Soma-se a isso tudo, o medo do tarifaço de Trump, embora ninguém ainda esteja seguro que será adotado. Vamos monitorando.


AGENDA DO DIA, 14/01

Indicadores:

10h00. Brasil🇧🇷/Anfavea: Produção e vendas de veículos em dezembro e total 2024

10h30. EUA🇺🇸/Deptº do Trabalho: PPI de dezembro

11h00. Brasil🇧🇷/Abraciclo: Dados de dezembro e 2024

16h00. Argentina🇦🇷/Indec: Inflação de dezembro e 2024


Eventos:

11h00. Posse de Sidônio Palmeira, novo ministro da Secom

12h00. Jeffrey Schmid (Fed de Kansas City) discursa

17h00. John Williams (Fed de NY) discursa

                               

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa terça-feira e bons negócios!

Câmbio e inflação 1401

 📈 Dólar a R$ 6,30 Pressiona Inflação, Avalia BNP Paribas


A economista-chefe do BNP Paribas para América Latina, Fernanda Guardado, projeta aceleração da inflação no Brasil para 5,6% em 2025, frente aos 4,83% de 2024. O dólar, estimado em R$ 6,30 devido a riscos fiscais e externos, é o principal fator de pressão. Mesmo com a previsão de desaceleração do PIB para 2,1%, Guardado afirma que uma apreciação significativa do real seria necessária para aliviar os preços, algo improvável sem melhorias no cenário fiscal.  


A alta do IPCA reflete também um mercado de trabalho aquecido e a economia operando acima do potencial, com serviços mostrando aceleração. O BNP revisou sua projeção de inflação para 2026 de 3,6% para 4,2% e espera Selic em 15% ao fim do ciclo de aperto monetário. A incerteza sobre medidas tarifárias nos EUA amplia o intervalo das expectativas.

Tarifas gradativas

 📈 Equipe de Trump Considera Tarifas Gradativas sobre Importações  


A equipe econômica de Donald Trump avalia implementar aumentos graduais de tarifas sobre importações, segundo apuração da Bloomberg. A estratégia prevê elevações mensais de 2% a 5%, buscando fortalecer a posição dos EUA em negociações e mitigar riscos inflacionários.  


A medida seria executada por autoridades sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. O objetivo é equilibrar impactos econômicos internos com pressão estratégica sobre parceiros comerciais. A abordagem reflete a postura protecionista defendida por Trump e pode intensificar debates sobre comércio global e inflação em 2025.

Bankinter Portugal Matinal 1401

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Bolsas e obrigações continuam a digerir o forte dado de emprego americano de sexta-feira. As expetativas de cortes de taxas de juros da Fed continuam a reduzir-se. Ontem, em algum momento, chegaram a ser <-25 p.b., situando agora o consenso em -27 p.b. vs. -43 p.b. antes do dado de emprego. O lógico é que o mercado se coloque em modo “risk-off”, à espera do dado de IPC nos EUA, na quarta-feira (que se espera que aumente desde +2,7% até +2,9% em dezembro) e a realização da tomada de posse de Trump, na próxima segunda-feira, quando começaremos a ver até onde chegam as suas medidas anunciadas/ameaças. Neste contexto, é difícil ver as yields das obrigações a relaxarem e as bolsas a avançar sem hesitação, embora ontem Wall St. tenha subido, com a exceção da tecnologia. 

 

Lane (economista-chefe do BCE) advertiu que, se as taxas de juros na Europa permanecerem excessivamente altas, corremos o risco de que a inflação caia abaixo do objetivo de 2%. À primeira hora, Rehn (Finlândia) insiste que o BCE deve baixar taxas de juros independentemente do que a Fed fizer. Estas declarações poderão ajudar a estabilizar as yields na Europa, mas contribuem para ampliar o diferencial de taxas de juros com os EUA, e pressionam o euro. 

 

Hoje arranque misto na frente asiática. Por um lado, rumores de que a Administração Trump adotará uma abordagem gradual para os impostos alfandegários impulsionam as bolsas asiáticas, especialmente China, com a exceção de Nikkei, que ontem esteve fechado e reflete os cortes das restantes bolsas. Por outro, a possibilidade de novas restrições de exportações de chips para a IA pressiona o SOX (-0,35%) e especialmente Nvidia, que cai -2% e acumula uma queda de -17% nas últimas 4 sessões.  

 

Durante o resto do dia, quase não há referências macro. A única relevante são os Preços Industriais dos EUA (13:30 h), que se espera que aumentem desde +3,0% até +3,5% em dezembro (Subjacente desde +3,4% até +3,8%). Não é um preâmbulo muito bom para o IPC de amanhã, embora provavelmente já descontado. Na França, Bayrou deverá convencer a Assembleia sobre a sua reforma das pensões e conseguir apoios para aprovar o orçamento. Isto afetará a yield da obrigação francesa, cujo prémio se situa em 84 p.b.  

 

Portanto, hoje poderemos ver uma sessão de recuperação, após a expetativa de uma abordagem americana mais moderada nos impostos alfandegários e os comentários dovish de Lane e Rehn.  

 

S&P500 -0,2% Nq100 -0,3% ES-50 -0,5% VIX 19,19% (+1,47pb). Bund 2,61%. T-Note 4,76%. Spread 2A-10A USA=38,4pb B10A: ESP 3,30% ITA 3,82%. Euribor 12m 2,58% (fut.12m 2,38%). USD 1,026. JPY 161,5. Ouro 2.670$. Brent 80,5$. WTI 78,3$. Bitcoin +1,0% 95.133$). Ether +2,2% (3.183$). 

 

FIM

BDM Matinal Riscala 1401

 Bom dia


PPI serve como primeiro teste | BDM

www.bomdiamercado.com.br

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[13/01/25]


… A escalada do petróleo acima de US$ 80 e os juros dos Treasuries perto de 5% mantêm dois focos de pressão nos negócios globais. Dentro de um ambiente inflacionário, o índice de preços ao produtor (PPI) nos EUA em dezembro ganha atenção redobrada hoje (10h30), na véspera do CPI, indicador econômico mais importante da semana. Dados fortes, na sequência do payroll, devem reforçar a expectativa de menos cortes do Fed no ano ou mesmo de nenhuma flexibilização ou quem sabe até de um aperto, nas especulações mais agressivas. A atividade e inflação aquecidas nos EUA coincidem com o medo do tarifaço de Trump, embora ninguém ainda esteja seguro do que virá.


… NY já estava fechada ontem, quando reportagem da Bloomberg apontou que integrantes da equipe econômica do presidente americano eleito discutem promover um aumento gradual das tarifas sobre as importações, mês a mês.


… Uma abordagem gradativa fortaleceria a posição dos EUA nas negociações e, ao mesmo tempo, ajudaria a evitar um repique na inflação, de acordo com as fontes. Pelo cronograma, as tarifas subiriam cerca de 2% a 5% ao mês.


… Também dependeriam de autoridades executivas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.


… As informações não chegam a ser novidade. Pouco mais de uma semana atrás, matéria do Washington Post havia indicado que as tarifas comerciais serão mais “seletivas e brandas” que o esperado, com foco em setor específicos.


… Naquele dia, Trump se apressou a fazer postagem em rede social dizendo que tudo não passa de fake news da imprensa. O mercado está acostumado às bravatas, mas continua inseguro sobre a concretização das ameaças.


… Quanto menos pesado o novo governo de Washington pegar em sua política tarifária e tanto menor forem as extravagâncias fiscais, melhor, para não deflagrar um horizonte ainda mais carregado de pressões para o Fed.


… A dinâmica exterior continua sendo observada muito de perto pelos mercados domésticos, que ainda têm que administrar os seus próprios dilemas. Ontem, porém, houve espaço de alívio (abaixo), com Guillen e Durigan.


… Entrevistado pelo jornal O Globo, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, afirmou que o governo “naturalmente” cogita novas medidas de cortes de despesas este ano para garantir a preservação do arcabouço.


… Segundo ele, a equipe econômica deve voltar a insistir em impor limites aos “supersalários”, porque a revisão de gastos deve atingir “o andar de cima”. Também a questão da idade mínima para militares voltará à agenda.


… Durigan disse que as novas propostas podem diminuir as frustrações dos investidores com o pacote aprovado em 2024 e devem começar a ser debatidas após a aprovação pelo Congresso do Orçamento/25, prevista para fevereiro.


… Nos bastidores de Brasília, o Palácio do Planalto rejeita um novo ajuste fiscal antes de abril.


… Auxiliares próximos ao presidente Lula ouvidos pelo Valor não admitem medidas extras tão cedo, defendendo ser preciso esperar pelo menos três meses para avaliar se a situação das contas públicas registrou uma melhora.


… O governo, que em março fará um pente-fino no relatório de receitas e despesas, vai tentando ganhar tempo.


… Em evento da Bradesco Asset, ontem, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, disse que a meta fiscal do ano tende a ser cumprida, considerando o limite inferior estabelecido, mas o quadro ainda demanda atenção.


… Agradaram as suas declarações de que, “dada a política fiscal, vamos atuar para trazer a inflação para a meta” e de que “meta só existe uma: não é nem centro da meta, é a meta”, de 3% como alvo a ser perseguido pelo BC.


DÍVIDAS DOS ESTADOS – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), indicou apoio aos vetos que o presidente Lula deve fazer no projeto de renegociação da dívida dos Estados, segundo o Broadcast.


… Semana passada, Haddad disse que o governo deve vetar todos os pontos do PL que afetem o resultado primário. Pacheco se reuniu ontem com Haddad, Rui Costa (Casa Civil) e Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso.


… Na conversa, os integrantes do governo disseram que o essencial do projeto aprovado na Casa no ano passado será mantido, como a redução dos juros, alongamento da dívida e uso dos ativos para o abatimento da dívida.


MAIS AGENDA – A Anfavea divulga às 10h os dados de produção e venda de veículos em dezembro. Às 11h, o publicitário Sidônio Palmeira toma posse como novo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom).


NOS EUA – A aposta para a inflação ao produtor (PPI) é de desaceleração para 0,3% em dezembro, contra 0,4% em novembro. O núcleo deve permanecer em 0,2%. Na base anual, o dado cheio deve vir em 3% e o núcleo, em 3,8%.


… Dois integrantes do Fed participam hoje de eventos públicos: Jeffrey Schmid, ao meio-dia, e John Williams, às 17h.


JAPÃO HOJE – O BoJ elevará o juro semana que vem se a inflação se comportar segundo as previsões, disse o vice-presidente do BC japonês, Ryozo Himino. Ele afirmou que os preços estão no caminho certo para a meta.


… No mercado, a perspectiva é de que o BoJ aperte as taxas em um futuro próximo, mas o momento ainda não está claro, porque as tendências salariais no Japão e as políticas econômicas de Trump têm de ser avaliadas.


… Alguns economistas esperam que o BoJ tome medidas neste mês e outros acham que pode esperar até março.


SENTIU FIRMEZA – Os comentários de Guillen sobre o esforço do BC para mirar o alvo do IPCA, combinados à sinalização de Durigan sobre novos de cortes de despesas no ano, descolaram o DI do rali dos juros dos Treasuries.


… A curva aqui também conseguiu descontar a piora na Focus. O documento mostrou que a mediana para a inflação suavizada dos próximos 12 meses subiu de 4,96% para 5,01%, desgarrando-se cada vez mais do centro da meta (3%).


… Para a taxa Selic, o boletim trouxe manutenção da mediana de 2025 em 15% e também para 2026, em 12%.


… Os contratos futuros dos juros conseguiram corrigir parte da pressão desencadeada na última 6ªF pelo payroll e IPCA de dezembro. Mas os longos fecharam perto da estabilidade, com a queda limitada pelas taxas dos Treasuries.


… O DI para janeiro de 2026 caiu a 14,955% (de 15,095% na sessão anterior); Jan/27 recuou para 15,315% (de 15,465%); e Jan/29, a 15,340% (de 15,400%). Já o Jan/31 pagou 15,240% (de 15,230%); e Jan/33, 15,100% (15,070%).


… No câmbio, a força das commodities, diante das novas sanções dos EUA contra Rússia e a balança comercial chinesa melhor que o esperada, blindou o real do impacto da valorização externa do dólar com Trump e o Fed.


… Mas, se não subiu, tampouco a moeda americana efetivamente conseguiu cair, fechando estável (-0,06%, a R$ 6,0985). O viés contratado ainda é de alta, com o investidor na contagem regressiva para a inflação nos EUA.


… Além disso, o alívio cauteloso responde à proximidade da posse de Trump (2ªF), que promete chegar chegando na Casa Branca, com decretos de impacto logo que assumir, contratando pressões nas expectativas inflacionárias.  


EM CÓRNER – Acima de US$ 80, o petróleo redobra a pressão para a Petrobras reajustar os combustíveis e reduzir a defasagem contra os preços praticados lá fora, que já chega a 22% no caso do diesel e em 13% na gasolina (Abicom).


… O preço do diesel não sofre alteração há 383 dias nas refinarias da estatal e a gasolina está estável há 188 dias.


… Em resposta a questionamento do Broadcast sobre o impacto da alta do Brent, a empresa informou que evita o repasse da volatilidade externa para os preços internos, conferindo assim períodos de estabilidade para os clientes.


… No fim/24, Magda Chambriard descartou intenção de mexer na tabela, já que a Petrobras estava ganhando dinheiro mesmo com os preços “abrasileirados”. O diretor Fernando Melgarejo rejeitou uma “correria” para reajuste.


… A diferença de lá para cá é que o petróleo ainda não havia batido os US$ 80, o que pode fechar o cerco. Em agosto de 2023, quando o Brent bateu no patamar atual, a companhia reajustou o diesel em 25% e a gasolina em 16%.


… Sérgio Rodrigues, presidente da Abicom, diz que a Petrobras não precisa trabalhar com uma defasagem de preços tão grande. “Prejudica não só importadores como produtores de etanol”, disse.


… Segundo ele, se a petroleira praticar um preço “só um pouco abaixo da defasagem já ganha muito dinheiro”.


… Para André Braz, coordenador do IPC-S na FGV, o reajuste deve vir em breve, o que vai pesar no IPCA de janeiro e, principalmente, fevereiro. Só a gasolina compromete 5% do orçamento familiar no país, afirmou.


… Ontem, Petrobras acompanhou de longe a alta do Brent (+1,56%; US$ 81,01), mas ajudou a amparar a pequena alta de 0,13% do Ibov, que voltou aos 109 mil pontos (119.006,93), novamente com giro muito baixo, de R$ 16,7 bi.


… O papel PN subiu 0,35% (R$ 37,07) e ON ficou estável (+0,07%), em R$ 40,95. O Brent voltou a repercutir as sanções dos EUA ao petróleo da Rússia, que devem afetar radicalmente o fornecimento do país para China e Índia.


… Vale ficou estável (-0,02%), em R$ 51,51, mesmo com a forte alta de 1,92% do minério de ferro em Dalian.


… Entre os bancos, Bradesco chegou a recuar, pressionado pelo rebaixamento da recomendação de compra para neutra pelo Itaú BBA. Mas reagiu com a notícia de que iniciou conversas com investidores para emissão externa.


… O banco pode emitir ao menos US$ 500 milhões em bonds de 5 anos. Na bolsa, o papel PN subiu 0,36% (R$ 11,22) e o ON avançou 0,19% (R$ 10,33).


… Itaú teve alta de 0,72% (R$ 30,86), Santander subiu 0,29% (R$ 23,88) e Banco do Brasil ficou estável, em R$ 24,21.


… Os destaques positivos do Ibov foram IRB (+4,60%; R$ 48,20), Eneva (+3,46%; R$ 11,06) e BTG (+2,13%; R$ 28,32).


… Minerva liderou o ranking negativo, com -5,31% (R$ 4,81). Grupo Pão de Açúcar, que teve recomendação e preço-alvo rebaixados pelo BofA, recuou 4,71% (R$ 2,63) e Carrefour perdeu 4,37% (R$ 5,25).


ROTINA DE ALTA – O juro da note-10 anos avançou um pouco mais e bateu em 4,8% pela primeira vez desde nov/23, em meio à economia que mostra força nos EUA, o suspense com o CPI e a cautela com as políticas de Trump 2.


… A taxa do título fechou um pouco abaixo da máxima do dia, em 4,79% (de 4,764% na sessão anterior). A marcha em direção aos 5% pesou sobre as ações de tecnologia. O Nasdaq cedeu 0,38%, aos 19.088,10 pontos.


… Na note de 2 anos, o juro subiu a 4,394% (de 4,379%) e, no T-bond de 30 anos, a 4,965% (de 4,944%).


… O noticiário também pressionou as techs. Nvidia (-1,97%) e Micron Tech (-4,31%) cederam após o governo dos EUA dizer que vai restringir ainda mais as exportações de chips e tecnologia de IA.


… S&P 500 chegou a cair à mínima de dois meses durante a sessão (5.773 pontos), mas fechou com leve alta de 0,16% (5.836,22), sustentado pelo setor de energia (acompanhando o petróleo) e bancos (à espera dos balanços).


… Dow Jones se beneficiou da rotação de posições para fora das techs em direção ao setor financeiro, como JPMorgan, e outros papéis, como Caterpillar e UnitedHealth. Subiu 0,86% (42.297,12 pontos).


… A perspectiva de um Fed menos dovish seguiu pressionando o dólar e o índice DXY subiu 0,28%, a 109,956 pontos.


… Ninguém quer apostar contra o dólar forte às vésperas da posse de Trump, diz o ING, mesmo com a taxa de câmbio ajustada à inflação no maior nível desde 1985, segundo cálculo do banco.


… O próximo presidente americano, lembra o ING, promete tarifas, controles de imigração, estímulo fiscal e flexibilização regulatória, o que, além de uma economia forte dos EUA, pode pressionar ainda mais a inflação.


… Enquanto isso, a libra se enfraquece em meio à preocupação com o Orçamento no Reino Unido. Ontem, a moeda caiu 0,25%, a US$ 1,2177. O euro cedeu 0,24%, a US$ 1,0219. Na contramão, o iene subiu 0,29% (157,26/US$).


EM TEMPO… PETROBRAS informou não ter sido notificada pelo TCU e que não tem conhecimento dos termos da apuração sigilosa sobre o procedimento licitatório para construção e afretamento de 12 embarcações do tipo PSV…


… O posicionamento atendeu à solicitação de esclarecimentos da CVM. A concorrência foi vencida pela Bram Offshore e Starnav e contestada pela Associação Brasileira dos Usuários dos Portos, de Transportes e da Logística.


B3 encerrou programa de recompra de ações, após atingir a quantidade máxima de 340 milhões de papéis recomprados, equivalentes a 6% do capital social.


SABESP. Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) obteve liminar que impede a empresa de saneamento de rescindir os contratos com os associados da entidade, que garantem condições de tarifa mais favoráveis…


… No fim de outubro, a Sabesp anunciou a grandes consumidores que rescindiria os contratos com os clientes de maior porte. A empresa rompeu 555 contratos.


MRV. Lançamentos somaram R$ 2,935 bilhões no 4Tri24, alta de 50,8% sobre o 4Tri23. O Valor Geral de Vendas cresceu 19,2%, para R$ 2,611 bilhões, na comparação anual.


AZUL elegeu Daniel Tkacz para o cargo de diretor vice-presidente de operações da companhia…


… Também foram reeleitos o diretor-presidente, John Peter Rodgerson, o diretor de RI, Alexandre Wagner Malfitan, e o diretor vice-presidente de receitas, Abhi Manoj Shah.


CCR. Bradesco BBI, um dos principais credores do grupo Mover, tenta assumir as ações da companhia no grupo CCR, que informou ter recebido uma cópia de notificação do banco…


… O Bradesco diz que pediu para consolidar a propriedade fiduciária sobre 281,5 milhões ações da CCR, praticamente toda a participação da antiga empreiteira, dadas em garantia de dívidas do grupo Mover.


ELETROBRAS iniciará 2ª fase do plano de gestão de provisões relativas ao empréstimo compulsório criado em 1960, com o objetivo de reduzir a carteira de processos, focando nas ações judiciais de valor menor do que na 1ª fase…


… Em dois anos, a companhia reduziu em 55,8% o estoque de provisões, caindo de R$ 25,8 bilhões em setembro de 2022 para R$ 14,4 bilhões em setembro de 2024.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...