terça-feira, 22 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 2204

 Trump aumenta pressão sobre o Fed

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[22/04/25]


… Começou mal a semana em Wall Street, com quedas fortes das bolsas e dos ativos brasileiros negociados em NY, que pedem um ajuste na abertura dos mercados domésticos, fechados no feriado desta 2ªF. Novas críticas de Trump a Powell e pressões para a redução dos juros acentuam os receios de perda da independência do Fed, em meio às incertezas das tarifas, e colocam em xeque o dólar como reserva de valor e os Treasuries como porto seguro. A agenda dos próximos dias prevê índices da atividade global, expectativas de inflação e o sentimento do consumidor americano, além do Livro Bege e Fed boys. Ainda nos EUA, saem os balanços de Tesla, hoje à noite, e Alphabet (5ªF), enquanto a B3 estreia sua temporada com Vale e Usiminas (5ªF). O único destaque entre os indicadores é o IPCA-15.


… Os ataques de Trump a Powell se intensificaram depois que o presidente do Fed disse no Clube Econômico de Chicago que as tarifas do governo republicano vão desacelerar a economia (“embora não chegue a uma recessão”) e elevar os preços da economia dos EUA.


… A sinalização de que o Fomc deverá manter os juros estáveis no intervalo entre 4,25% e 4,50% até que o impacto das políticas de Trump fique mais claro provocou não só a decepção dos investidores como também a ira do presidente americano.


… Powell explicou que o Fed precisa entender qual dos dois mandatos – estabilidade de preços e criação de emprego – será o enfoque da política monetária nos próximos meses. Não apenas descartou cortes iminentes como admitiu que os juros podem subir.


… Nesta 2ªF, Trump disse que “praticamente não há inflação”, com os custos de energia e alimentos em baixa. Em sua rede Truth Social, exigiu “cortes preventivos”. “A menos que o atrasado [Powell] reduza os juros, pode haver uma desaceleração da economia.”


… A pressão de Trump para a queda dos juros inclui especulações sobre uma demissão de Powell, que tem mandato assegurado até o ano que vem, e receios da perda de independência do Fed, que levaria a danos muito profundos, como muitos estão alertando.


… “Os duros questionamentos ao Fed e a Powell representam uma ameaça maior até mesmo do que os regimes tarifários mais agressivos impostos por Trump”, disse, nesta 2ªF, o CEO da CIO Capital Partners, David Bailin, em carta enviada aos clientes.


… Na sua avaliação, a quebra da independência do Federal Reserve poderia minar a confiança na liderança econômica dos EUA, levando os investidores globais a realocar capital para fora dos ativos americanos. “Seriam danos mais profundos e duradouros.”


… Além disso, Bailin adverte que cortes de juros com motivação política para lidar com a volatilidade do mercado de ações ou estimular o crescimento impulsionariam a inflação, forçando a eventuais aumentos acentuados das taxas para restaurar a estabilidade.


… Em outro alerta, o HSBC afirmou que o caos em que está imersa a política comercial dos EUA já prejudicou a “marca” do dólar.


… De acordo com os estrategistas de câmbio do banco, a moeda passou de uma situação de força para uma posição de fraqueza, afetada pelas incertezas das políticas e perda da atratividade como porto seguro. “O dólar perdeu seu fascínio de ativo de proteção.”


… O HSBC espera que a fraqueza do dólar frente ao euro e ao iene japonês persista e tem posição comprada em franco suíço.


… Também a Pimco já questiona o status de reserva do dólar em meio à guerra comercial, com aumento das expectativas de inflação e o enfraquecimento da economia, e recomenda aos investidores reduzir a exposição na moeda americana.


… “Os EUA desfrutaram por muito tempo de uma posição privilegiada, com o dólar servindo como moeda de reserva global e Treasuries como o principal ativo de proteção. No entanto, esse status não é [mais] garantido”, disseram os economistas da gestora.


… A Pimco também sugere operações que se beneficiam com o aumento da inclinação da curva de juros, além de aumentar a exposição aos mercados de renda fixa global, como Europa, mercados emergentes, Japão e Reino Unido.


… A BlackRock está com recomendação de compra apenas para os Treasuries mais curtos, que funcionariam como “caixa”. Já os títulos de prazos mais longos estão com recomendação de venda (“underweight”).


… Para a gestora, as pressões de Trump para reduzir rapidamente o déficit comercial dos EUA poderão elevar os yields dos Treasuries.


… “Os Estados Unidos terão mais dificuldade para financiar sua dívida se as negociações tarifárias imprevisíveis prejudicarem a confiança dos investidores estrangeiros”, ressaltam os especialistas da BackRock, em relatório a clientes.


… Para a Charles Schwab na Dow Jones, os investidores estrangeiros estariam se afastando não só das ações americanas, mas do mercado de câmbio e dos títulos do Tesouro americano em meio às incertezas da política tarifária do presidente Trump.


… A liquidação das ações, do dólar e dos Treasuries em Wall Street, nesta 2ªF, parece confirmar que o movimento já não é mais só um dia de volatilidade, mas reflete a desconfiança dos investidores sobre os ativos americanos (leia abaixo).


GUERRA FRIA – Enquanto a China alertava os países contra acordos comerciais que prejudicassem os seus interesses no fim de semana, fundos estatais chineses interrompiam novos investimentos em private equity dos EUA, informou o Financial Times.


… Pressionados por Pequim, investidores chineses pararam de comprometer capital para fundos geridos por empresas americanas.


… Em alguns casos, eles estão pedindo para serem excluídos de negócios nos EUA por completo. Entre as instituições que estão recuando está a China Investment Corporation (CIC). Outros fundos apoiados pelo Estado também teriam adotado posições semelhantes.


… Nos últimos 30 anos, investidores estatais chineses como CIC e a Administração Estatal de Câmbio (SAFE) desempenharam um papel importante no crescimento do private equity americano, um setor que administra US$ 4,7 trilhões.


… A mudança de postura ocorre enquanto as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo continuam a aumentar.


TESLA – Em meio à guerra tarifária, a temporada de balanços nos Estados Unidos deve mobilizar a atenção dos investidores, a partir desta semana, com duas das chamadas “Sete Magníficas”, Tesla (hoje) e Alphabet (5ªF, 24), a empresa controladora do Google.


… Nos últimos três meses, a Tesla vem sendo alvo de protestos e as ações já perderam quase metade do valor. A expectativa é de que a montadora de veículos elétricos informe lucro menor no 1Tri e vendas mais fracas.


… A empresa deve registrar lucro de US$ 1,44 bilhão, ou US$ 0,33 por ação, segundo analistas consultados pela FactSet. No mesmo trimestre do ano passado, havia reportado lucro de US$ 1,54 bilhão, ou US$ 0,34 por papel.


… O lucro ajustado deve ficar em US$ 0,41 por ação, em comparação a US$ 0,45 na base anualizada. A receita deve subir ligeiramente, para US$ 21,34 bilhões, contra US$ 21,30 bilhões um ano antes, segundo os analistas.


MAIS BALANÇOS – Além de Tesla e Alphabet, mais de 100 empresas do S&P 500 (22% do índice) divulgarão resultados nesta semana.


… Hoje, além da Tesla, tem SAP, Novartis, GE Aerospace, Verizon, Intuitive Surgical, RTX, Danaher, Chubb, Lockheed Martin, Elevance Health, Moody´s, Northrop Grumman, 3M, Capital One, Kimberly-Clark, MSCI, Baker Hughes, EQT, Equifax, NVR, PulteGroup…


… Quest Diagnostics, Synchrony Financial, Steel Dynamics, Halliburton, Northern Trust, Enphase, Mattel e JetBlue Airways.


… Amanhã (4ªF), Philip Morris International, IBM, AT&T, ServiceNow, Thermo Fisher Scientific, Texas Instruments, NextEra Energy, Boston Scientific, Boeing, CME Group, GE Vernova, Lam Research, O’Reilly Automotive, General Dynamics, Chipotle, Newmont…


… Waste Connections, Norfolk Southern, Vertiv Holdings, FirstEnergy, Teradyne, Alaska Air, Meritage Homes e Whirlpool.


… Na 5ªF, Procter & Gamble, T-Mobile US, Pepsico, Merck, Caterpillar, Union Pacific, Comcast, Gilead, Sanofi, Fiserv, Bristol-Myers Squibb, Intel, Arthur J. Gallagher, Republic Services, Equinor, Southern Copper, Royal Caribbean, Carrier Global, PG&E, Digital Realty…


… Trust, Keurig Dr. Pepper, Freeport-McMoran, Deutsche Bank, Nasdaq, L3Harris Technologies, Hess, Valero Energy, Nokia, Dow, Juniper Networks, Western Digital, Mobileye Global, Roku, Hasbro, American Airlines Group, Harley-Davidson e Hertz.


… Encerrando a semana, na 6ªF: AbbVie, Colgate-Palmolive, HCA Healthcare, Aon, Charter Communications, Schlumberger, Phillips 66, AutoNation, LyondellBasell e Centene devem anunciar seus resultados.


B3 – Além dos resultados de Vale e Usiminas, previstos para 5ªF, Multiplan divulga balanço no mesmo dia.


… Hoje saem os números de Agrogalaxy e, na 4ªF, de Hypera.


MAIS AGENDA – Índices de atividade industrial e de serviços de abril, medido pelo Fed/Richmond, serão divulgados hoje às 11h nos EUA, no mesmo horário em que sai na Zona do Euro a prévia do consumidor de abril.


… Ainda nos EUA, dois Fed boys falam hoje: Phillip Jefferson (10h) e Patrick Harker (10h30).


… Amanhã (4ªF), uma bateria de índices PMI dão o ritmo da atividade global, com dados na França, Alemanha, Zona do Euro, Reino Unido e EUA (10h45), onde também será divulgado o Livro Bege do Fed, que servirá de base para a próxima reunião do Fomc (07/05).


… Ainda nesta 4ªF, falam Austan Goolsbee, do Fed/Chicago (10h), e o diretor do Fed Christopher Waller (10h30). Neste domingo, em entrevista à televisão CBS, Goolsbee disse que quebrar a independência do Fed “minaria a sua credibilidade”.


… Na 5ªF, são destaques internacionais o índice Ifo da Alemanha, a atividade do Fed/Chicago, pedidos de seguro-desemprego, pedidos de bens duráveis e vendas de casas usadas nos Estados Unidos. À noite, sai inflação de abril no Japão.


… Finalmente na 6ªF, é importante o sentimento do consumidor americano de Michigan com as expectativas de inflação.


CHINA – Seguindo o script, no fim de semana, a taxa de empréstimo para 1 ano foi mantida em 3,1% e a de 5 anos seguiu em 3,6%. O PBoC aguarda os desdobramentos da guerra comercial antes de tomar novas medidas de estímulo.


… Contudo, muitos economistas preveem cortes este ano, à medida que as tarifas dos EUA comecem a pesar.


FMI – Reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial têm agendas extensas nesta semana, em Washington.


… O Brasil será representado pela secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, e por Gabriel Galípolo, que, antes de viajar esta noite, participa de audiência pública na CAE do Senado hoje, das 10h às 13h.


IPCA-15 – No Brasil, além da prévia da inflação de abril (6ªF), sai hoje a pesquisa Focus (8h25). Na 5ªF, tem reunião do CMN.


… O presidente Lula e a primeira-dama Rosângela Janja da Silva viajam para o funeral do Papa Francisco, em Roma.


ISENÇÃO DO IR – Em entrevista à TV Brasil, na semana passada, Fernando Haddad disse que a proposta sobre a reforma do Imposto de Renda começaria a ser debatida no Congresso depois do feriado da Páscoa. A ver.


GAP DE CAUTELA – A queda do fundo de índice da bolsa brasileira EWZ (-0,12%, a US$ 25,19) e dos ADRs da Petrobras nesta 2ªF em que NY operou normalmente contrata uma abertura cautelosa aqui na volta do feriadão.


… Os recibos da Petrobras fecharam em queda de 1,11% (PN) e de 0,95% (ON), os da Embraer ostentaram o pior desempenho (-3,38%), seguidos por BRF (-2,48%), diante de mais uma rodada de estresse com Trump.


… A insistência do presidente americano em pedir a cabeça de Powell reforça a instabilidade e põe em xeque a autonomia do Fed contra ataques políticos, quando tudo o que o mercado quer é uma âncora para se segurar.


… Em NY, as bolsas partiram ontem para mais um tombo, diante da ofensiva renovada de Trump contra a resistência do Fed de cortar os juros. Além disso, o nervosismo antes do balanço da Tesla (-5,73%) se espalhou.


… Não foi pequeno o estrago em Wall Street: o Nasdaq afundou 2,55%, aos 15.870,90 pontos, acompanhado nas perdas intensas pelo S&P 500 (-2,36%, a 5.158,20 pontos) e Dow Jones (-2,48%, a 38.170,41 pontos).


… Em meio à fuga de capital, o selo dos EUA de ativos mais seguros do mundo é posto à prova. A supremacia histórica dos Treasuries e do dólar vem sendo questionada, diante da crise fabricada por Trump.


… A taxa da Note-10 anos subiu a 4,416%, de 4,330% no pregão antes da Páscoa, e o índice DXY, termômetro do dólar contra outras moedas fortes, caiu 1,04% (98,35 pontos), cada vez mais longe da linha dos 100 pontos.


… Ampliando o risk-off, o investidor voltou a correr para o franco suíço (+1,2%, a 1,241/US$) e o ouro (+2,91%), que rompeu US$ 3.400 por onça-troy e estabeleceu novo recorde: US$ 3.425,30.


… A guerra comercial, os receios de desaceleração econômica, a batalha aberta contra o Fed e a ameaça de maior oferta de petróleo com as negociações dos EUA e do Irã para um acordo nuclear derrubaram os preços do barril.


… O Brent para junho perdeu 2,50%, a US$ 66,26 o barril, prejudicando os ADRs da Petrobras, como se viu.


… Fica a expectativa para a abertura do Ibovespa, que testou uma recuperação antes de sair para a Páscoa e subiu 1,04% na última 5ªF, aos 129.650,03 pontos, em dia de game na bolsa (exercício de opções sobre ações).


… O Ibov resistiu às provocações de Trump, que já naquele dia começou a puxar briga com Powell e despertou novo enfraquecimento do dólar em escala global. Aqui, caiu 1,05% e voltou à faixa de R$ 5,80 (R$ 5,8037).


… No DI, o “miolo” e a ponta longa da curva acompanharam o alívio no câmbio, enquanto os contratos curtos fecharam perto da estabilidade, diante da convicção de que o Copom vai elevar a Selic em meio ponto em maio.


… No fechamento, o DI Janeiro de 2026 marcava 14,775% (de 14,740% na sessão anterior); Jan/27, 14,235% (contra 14,235%); Jan/29, 14,060% (de 14,125%); Jan/31, 14,300% (de 14,380%); e Jan/33, 14,360% (14,440%).


EM TEMPO… BANCO MASTER enviou carta ao FGC para avaliar eventual auxílio do fundo; liquidação privada é uma possibilidade em discussão, segundo apurou o Valor…


… Nessa operação, seria criado um fundo para ficar com a parte dos ativos e passivos do Master que não seriam comprados pelo BRB e, desta forma, o Master conseguiria pagar gradualmente, e até de maneira antecipada, seus CDBs.


NEOENERGIA aprovou distribuição de R$ 424,9 milhões em dividendos: R$ 0,35/ação, com pagamento em dezembro; ex a partir de 22/4.


AUREN PARTICIPAÇÕES encerrou oferta de R$ 2 bilhões em debêntures incentivadas com vencimento em 2035.


CURY encerrou programa de recompra de ações que havia sido aprovado em 18/12/24 pelo Conselho de Administração; programa tinha vigência de 18 meses, para aquisição de até 11.720.002 de ON em circulação.


IGUATEMI aprovou a distribuição de R$ 200 milhões em dividendos relativos ao exercício de 2024, sendo que R$ 50 milhões já foram pagos em 6/3, de forma antecipada…


… Os R$ 150 milhões remanescentes serão pagos em 3 parcelas iguais (em 30/4, 30/7 e 30/10); a cada parcela, o valor a ser pago por ação será de R$ 0,0241 por papel ON, R$ 0,07238 por ação PN e R$ 0,1688 por unit.


CARREFOUR BRASIL reapresentou proposta que será discutida na assembleia geral extraordinária marcada para 25 de abril, na qual os acionistas vão deliberar sobre o fechamento do capital da empresa no País.


GRUPO PÃO DE AÇÚCAR informou que iria protocolar na 6ªF o formulário para cancelar seu registro junto à SEC.


HYPERA. Lírio Parisotto voltou a confirmar desistência de se candidatar a uma vaga como membro do Conselho de Administração.


BRF. Anunciou que construirá uma fábrica de alimentos processados de frango em Jeddah, na Arábia Saudita, para a qual serão investidos US$ 160 milhões junto com a Halal Products Development Company (HPDC)…


… A BRF vai arcar com 70% do aporte, enquanto a HPDC entrará com os 30% restantes, proporção de cada uma na joint venture.


JBS. Gestora Capital Research Global Investors comunicou a venda de ações ordinárias, passando a deter 4,96% do total (5,04% antes).


SEQUOIA. Empresa de Logística e Transportes adiou a divulgação do balanço do trimestre findo em 31/03/2025 de 22/04 para 30/04.


BTG. Negocia com a Investimentos e Participações em Infraestrutura (Invepar), pertencente aos maiores fundos de pensão estatais, a aquisição da concessão do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (Lauro Jardim/Globo).


PETROBRAS. Um incêndio foi registrado na manhã de 2ªF (21) na plataforma PCH-1, localizada no campo de Cherne, na Bacia de Campos…


… Segundo o G1, o incêndio foi seguido de explosão e a Petrobras ainda apura as causas do incidente; 14 trabalhadores ficaram feriados.


BOEING. Companhia pode direcionar aviões destinados à China, cujas entregas foram suspensas pelo governo de Pequim, para a Índia…


… A empresa americana ainda teria 130 jatos para entregar às companhias aéreas chinesas, entre eles, 96 unidades do 737 MAX.


FORD. WSJ informou que a montadora parou de enviar picapes de luxo, SUVs e carros esportivos para a China para evitar tarifas.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

China x EUA

 🔵 *CHINA ANUNCIA RETALIAÇÃO CONTRA PAÍSES QUE COOPERAREM COM OS EUA* 🚨 e ainda Entrevista com *Thiago de Aragão da Arko Advice* sobre embate EUAxChina 


O Ministério do Comércio da China declarou que tomará *contramedidas recíprocas* *CONTRA QUALQUER PAÍS QUE COLABORE COM OS EUA DE MANEIRA QUE PREJUDIQUE OS INTERESSES CHINESES*. Em comunicado oficial, o governo chinês reforçou sua posição:  


> “A China se opõe firmemente a qualquer parte que alcance um *acordo à custa dos interesses chineses.* 

Se isso acontecer, *a China não aceitará e tomará contramedidas recíprocas de forma resoluta.”*  

(https://macroai.com.br)  


✳ **PRINCIPAIS NÚMEROS E IMPACTOS**  

- 📊 *TARIFAS RETALIATÓRIAS*: A China impôs uma tarifa de *125%* sobre todas as importações dos EUA, válida a partir de *12 DE ABRIL DE 2025*.  

- 🔄 *LISTA DE CONTROLE DE EXPORTAÇÃO*: O governo chinês adicionou *12 EMPRESAS AMERICANAS* à lista de entidades restritas, proibindo a exportação de itens de uso dual para essas companhias.  

- 🌍 *IMPACTO GLOBAL*: A escalada tarifária pode afetar cadeias de suprimentos internacionais e pressionar mercados emergentes.  

- 🔬 *DEPENDÊNCIA CRÍTICA DOS EUA*:

 Cerca de *50% DOS ANTIBIÓTICOS* utilizados nos EUA dependem de importações diretas da China. Além disso, o país asiático controla *MAIS DE 90% DA PRODUÇÃO GLOBAL DE GÁLIO E GERMÂNIO*, minerais essenciais para a fabricação de semicondutores – incluindo chips da Nvidia, recentemente proibidos de serem exportados para a China.  

(https://macroai.com.br)  

✳ **CENÁRIO MAIS AMPLO E DESAFIOS**  

- 🏛 *RESPOSTA DOS EUA*: O governo Trump aumentou as tarifas sobre produtos chineses de *34% PARA 84%*, e posteriormente para *125%*, tornando as exportações americanas para a China praticamente inviáveis.  

- 📉 *REAÇÃO DOS MERCADOS*: Bolsas de valores nos EUA e na Europa registraram quedas significativas após o anúncio das tarifas.  

- 📌 *DISPUTA NA OMC*: A China formalizou uma queixa contra os EUA na Organização Mundial do Comércio, alegando que as tarifas violam regras internacionais.  

(https://macroai.com.br)  

✳ **IMPACTO GEOPOLÍTICO E ESTRATÉGIA DE TRUMP** 🚀 Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice 💼 

(https://macroai.com.br)   

Thiago de Aragão analisou o embate comercial e destacou:  

> *“Quando ele aplica essas tarifas em relação à China, ele tem que sempre levar em consideração que a China tem um poder de retaliação tão grande ou talvez até maior.”*  


Ele também ressaltou a dependência dos EUA em relação à China:  

> *“50% de todos os antibióticos nos Estados Unidos dependem da China de uma forma pura e simplesmente. Além disso, a China controla mais de 90% da produção global de gálio e germânio, minerais críticos para a fabricação de semicondutores.”*  


Aragão questiona a estratégia de Trump:  

> *“Isso mostra que ou o Trump não está bem posicionado em relação à sua estratégia e que, de fato, ele vai avançando dia após dia, ou ele sabe algo que nós não sabemos.”*  


📌 **FONTES**: Confira mais detalhes [AQUI](http://english.scio.gov.cn/pressroom/2025-04/14/content_117821896.html), [AQUI](https://www.cnbc.com/2025/04/11/china-strikes-back-with-125percent-tariffs-on-us-goods-starting-april-12.html), e na análise de Thiago de Aragão na [CNN BRASIL](https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-deveria-considerar-poder-de-retaliacao-da-china-diz-thiago-de-aragao/).  


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Bankinter Portugal Matinal 2204

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Outro golpe por incompetência: insistir em atacar Powell (Fed). Ontem, a Europa esteve ainda fechada, mas Nova Iorque permaneceu aberta, retrocedendo apreciavelmente (-2,4%) graças a Trump culpar o mensageiro dos maus resultados das suas políticas: insiste em culpar Powell de não baixar taxas de juros para ajudar a contrastar a provável involução do ciclo económico que ele mesmo provocou; ontem foi Hassett, o principal assessor económico do seu governo, que afirmou estar a estudar se “livrar-se” de Powell é uma opção realista (o seu mandato expira em maio de 2026). 


Naturalmente, considerar seriamente a possibilidade de terminar a independência do Fed aterroriza o mercado e a única coisa que consegue é que Wall St. retroceda com força, depreciar o USD (1,154/€) e que se procure (ainda mais) refúgio no ouro (+2%; já apreciado perante umas perspetivas de aumento da inflação preocupantes, visto que é um ativo de cobertura de inflação) e no franco suíço (CHF; 0,932/€). Agora, a Fed é o refúgio da independência para o mercado e se isso for retirado (altamente improvável que consiga) apenas restam ativos como o ouro e o franco suíço, numa situação semelhante à crise dos mísseis em Cuba, em 1962. Por isso, esta reação é lógica. E, por isso, porque continuamos a pensar que Trump irá testar todos os seus limites antes de ver-se obrigado a corrigir a situação quando ficar sozinho, quanto até os seus o abandonarem, insistirmos em adotar uma estratégia defensiva. Mesmo que ele corrigisse imediatamente, grande parte do dano está feito (o Leading Indicator de ontem foi outra prova: -0,7% vs. -0,5% esperado vs. -0,2% anterior). Apenas há que ter paciência, em posições defensivas, até que chegue o momento da oportunidade de voltar a assumir riscos a preços razoáveis. Quando? A evolução dos acontecimentos marcará os tempos, mas ainda é cedo. Talvez pensar no verão (julho/agosto) faça sentido.


O relevante HOJE são os resultados e guidances: GE (ca.12 h), SAP, Tesla, Intuitive Surgical (as 3 após o fecho americano). O mais importante são os guidances, mais do que os resultados. Como até agora, as empresas dirão muito seriamente que os irão ajustando em função do que aconteça com os impostos alfandegários e restantes medidas do governo americano; sem se atreverem a retirá-los para não sofrer um descalabro, mas sem os confirmarem porque sabem que já não podem comprometer-se. E AMANHÃ será dia dos PMIs em todo o mundo, que são indicadores intermédios de atividade: irão piorar em maior ou menor medida, colocando todos os Industriais (até o americano) em zona de contração (<50). Isso, embora não seja uma surpresa, tampouco será gratuito para o mercado.


CONCLUSÃO: Wall St. poderá subir um pouco esta tarde e, assim, reduzir os retrocessos europeus da manhã, mas será apenas uma contrarreação inercial clássica após quedas fortes como as de ontem, portanto, não se pode confiar. Nada muda enquanto Trump continuar a testar os seus próprios limites, caso os tenha. As yields das obrigações continuarão a aumentar, o USD a debilitar-se, o ouro a subir, o CHF a apreciar-se e o petróleo, pouco a pouco (não hoje), para níveis inferiores a 60$/b. como consequência do final do ciclo económico expansivo global e do aumento de produção (reconhecido ou não) por parte de países que precisam de equilibrar as suas contas públicas, tornando impossível abaixo de 80$/b. O fundo do mercado não mudará enquanto o governo americano insistir em cavar, pensando que assim sairá do buraco.


S&P500 -2,4% Nq-100 -2,5% SOX -2,1% Europa cerrada. VIX 33,8% Bund 2,47% T-Note 4,42% Spread 2A-10A USA=+65pb B10A: ESP 3,18% PT 3,06% FRA 3,25% ITA 3,65% Euribor 12m 2,104% (fut.1,889%) USD 1,153 JPY 161,6 Ouro 3.489$ Brent 66,7$ WTI 63,5$ Bitcoin +0,9% (88.081$) Ether 0% (1.577$). 


FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...