Lula deu ontem sua última cartada. Às favas com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com a legislação eleitoral, que proíbe tudo o que está sendo feito agora, na cara dura, sem qualquer freio — nem do Congresso, nem do Judiciário. Tudo virou um oba oba. Ninguém quer fazer o papel de adulto na sala. Então, vamo que vamo, depois a gente resolve!
Sim, o pacote de bondades aprovado ontem (estimado na casa dos R$ 250 bilhões, fora o que já foi empenhado até aqui) certamente terá impacto eleitoral. Não sei se o suficiente para Lula virar o jogo, mas certamente vai transformar o próximo mandatário num refém das circunstâncias.
Não estamos escolhendo um presidente, mas um estelionatário eleitoral que, seja ele qual for, terá de mudar a rota atual, promovendo algum tipo de ajuste: recessivo, via corte de gastos; inflacionário; ou uma combinação dos dois (o mais provável), que nos colocará num quadro de estagflação.
E por que a situação é insustentável? Ora, quando Lula assumiu, o governo Bolsonaro havia pago, em 2022, escandalosos R$ 586 bilhões em juros da dívida pública. Sabe quanto o governo já pagou até aqui em 2026? R$ 1,18 trilhão! Não acredita? Dá uma googlada.
Não é por acaso que, mesmo promovendo seu festival de populismo, Lula já não encanta metade da população — ou mais da metade, como veremos no próximo dia 28 — com seus pacotes de bondades. Existe um mal-estar tão generalizado que estamos próximos de eleger não apenas um corrupto qualquer, mas justamente o cara que levou seu pai a rifar todo o espírito de combate à corrupção que o conduziu ao poder, em troca de blindagem contra investigações envolvendo seu filho rachador.
Pelo menos nesse quesito, Lula foi mais honesto, afirmando, mais uma vez, a respeito do próprio filho, flagrado em mais um episódio de corrupção: “Se ele dever, que pague”.
Mas, afinal, o tal pacote de bondades aprovado ontem será capaz de virar o jogo?
Acho difícil. Como já disse aqui, quem vai decidir essa eleição é a turma do meio, que rejeita ambos. Essa turma entende um pouco mais do que está acontecendo do que a média da população e sabe que a situação econômica é insustentável e que eleger Lula significa dar ao PT pelo menos mais 30 anos de domínio absoluto no STF.
Vai tapar o nariz e tacar 22 na urna. Essa é a minha aposta.
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Correção: “Honesto” é uma palavra que não se aplica a Lula. Na verdade, ele age com o próprio filho como age com qualquer um: sacrifica-o para se safar.