terça-feira, 2 de setembro de 2025

Bradesco Asset

 📉 *Bradesco Asset antecipa corte da Selic para janeiro de 2026 e reduz taxa básica*  


A *Bradesco Asset* antecipou a projeção do primeiro corte da *Selic* pelo Copom para *janeiro de 2026*, revisando a estimativa da taxa básica ao final de 2026 de *12,75% para 12% ao ano*. A desinflação tem ocorrido mais rápido que o esperado, com os núcleos de inflação caindo de quase *6% para abaixo de 4,5%* (média anualizada em três meses).  


A gestora também reduziu a estimativa de alta do *IPCA* para *4,8%* em 2025 (ante 5%) e para *4,3%* em 2026, graças a fatores como queda dos preços de bens industrializados, alimentos no domicílio e redução do IPVA no Paraná. O real tem se valorizado mais por fatores internos, com projeção da cotação do dólar em *R$ 5,50 para 2025* e *R$ 5,60 para 2026*.  


Para o *PIB*, a previsão para 2025 foi ajustada para *2,1%* (antes 2,2%), enquanto para 2026 permanece em *1,8%*. A Bradesco Asset destaca que revisões baixistas no cenário econômico podem levar a ajustes benignos na inflação para 2026.

Paulo Baía

 O eco sombrio de Viagem ao Fim da Noite no presente


               * Paulo Baía 


Publicado em 1932, Viagem ao Fim da Noite, de Louis-Ferdinand Céline, é uma dessas obras que atravessam as décadas como ferida aberta. Não se trata apenas de um romance monumental, inovador em sua forma e radical em sua visão de mundo. É também um testemunho que, apesar de nascido em um contexto específico, continua a se projetar sobre a atualidade com uma potência inquietante. Seu impacto não está apenas na literatura, mas no modo como revela as engrenagens de um mundo em colapso, expondo a falência da civilização ocidental diante da guerra, da exploração e da miséria. E é precisamente por isso que a leitura desse livro, hoje, adquire uma dimensão ainda mais urgente, quando as ideias neofascistas voltam a ocupar o primeiro plano da política no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.


A narrativa segue Ferdinand Bardamu, alter ego do autor, por uma trajetória que percorre os cenários mais devastadores da modernidade. Na Primeira Guerra Mundial, não há glória nem heroísmo, mas apenas carnificina absurda e desprovida de sentido. Nas colônias africanas, não se encontra o mito civilizador europeu, mas a brutalidade nua do colonialismo: terras saqueadas, populações reduzidas a instrumentos, vidas esmagadas pelo lucro. Nos Estados Unidos, Céline observa o capitalismo industrial com olhar ácido, revelando a mecanização da existência, a frieza de um sistema que transforma tudo em mercadoria, inclusive o humano. O retorno a Paris não traz alívio, apenas confirma a miséria das periferias, a precariedade do trabalho, a doença e o abandono social. O livro é um mapa da ruína, uma geografia do desespero humano.


A importância dessa narrativa está no fato de que ela não é apenas um registro histórico. Os horrores descritos por Céline permanecem reconhecíveis no presente. A guerra, em suas novas formas, continua a devastar populações inteiras, seja na Ucrânia, seja no Oriente Médio, seja nas periferias urbanas onde a violência policial e a criminalidade armada assumem contornos de guerra civil. O colonialismo, formalmente encerrado, renasce em novas roupagens: neocolonialismo econômico, exploração de recursos naturais por corporações globais, submissão de povos inteiros a dívidas impagáveis. O capitalismo, em sua versão digital e financeira, ampliou a desumanização, reduzindo a vida a algoritmos, estatísticas e descartabilidade. A miséria urbana, que Céline descreveu em Paris, ecoa hoje nas favelas brasileiras, nas periferias americanas, nos guetos europeus.


O estilo do romance reforça essa atualidade. Céline escreve como quem fala, em frases curtas, quebradas, com ritmo irregular que imita o fluxo oral. Essa prosa nervosa e cortante aproxima o texto da realidade, conferindo-lhe uma força visceral. Não há embelezamento, mas brutalidade. Não há idealização, mas ironia cruel. Essa estética influencia profundamente a literatura do século XX, abrindo caminhos para Sartre, Beckett, Miller e tantos outros. E permanece viva, porque captura algo essencial da experiência moderna: a sensação de fragmentação, de descontinuidade, de desesperança que também define o século XXI.


A biografia do autor, porém, não pode ser ignorada. Céline, além de médico atento à vulnerabilidade humana, foi também um homem que abraçou ideologias de ódio. Seus panfletos antissemitas e sua colaboração com o nazismo são manchas que o acompanham para sempre. Essa contradição entre a obra e a vida levanta questões éticas inevitáveis. Como ler um escritor que, em sua prática política, apoiou a barbárie? Como conciliar a genialidade literária com o abismo moral? Não há resposta simples, mas talvez seja justamente essa tensão que torna Viagem ao Fim da Noite ainda mais importante. O livro mostra o que a literatura pode revelar e, ao mesmo tempo, o que não consegue impedir: a adesão de seu autor àquilo que denunciava indiretamente em sua prosa.


Esse paradoxo ganha relevância em um tempo em que o neofascismo avança. No Brasil, vimos multidões seduzidas pelo discurso do ódio, pela promessa de ordem fundada na violência, pela negação das instituições democráticas. Nos Estados Unidos, Donald Trump e seu movimento político normalizaram a intolerância, o racismo e o desprezo pelas regras constitucionais. Na Europa, partidos de extrema-direita crescem em diferentes países, alimentando-se do medo da imigração, do ressentimento social e da nostalgia de um passado autoritário. O mundo parece reviver, sob novas formas, as condições que permitiram o fascismo nos anos 1930.


Nesse cenário, a advertência do escritor comunista Paul Nizan volta a soar atualíssima. Ao analisar Viagem ao Fim da Noite em 1932, ele observou que a revolta pura de Céline poderia levá-lo a qualquer lado: até os comunistas, contra os comunistas ou a lugar nenhum. E de fato, a trajetória do autor mostrou como essa rebeldia absoluta desembocou em adesão ao pior. Hoje, vemos esse movimento repetir-se. O desencanto de milhões com a política, a desesperança diante das crises econômicas, a sensação de abandono em sociedades desiguais transformam-se em terreno fértil para o fascismo. O niilismo político, longe de ser resistência, pode ser a porta de entrada para o autoritarismo.


Ler Céline hoje é um exercício de vigilância. O romance revela que a simples denúncia da ruína não basta. É preciso construir horizontes, alternativas, projetos que não se deixem capturar pelo vazio. O fascismo se alimenta da desesperança, da descrença, do cansaço com a democracia. É nesse ponto que Viagem ao Fim da Noite se torna um alerta: mostra como a literatura pode expor o horror, mas também como o horror pode ser absorvido, normalizado e até celebrado.


O presente confirma essa dinâmica. As descrições de corpos devastados pela miséria, pela doença e pela violência encontram eco nas imagens contemporâneas de migrantes rejeitados nas fronteiras da Europa, de famílias separadas nas fronteiras americanas, de jovens negros mortos em favelas brasileiras. A crítica à engrenagem capitalista ecoa na precarização do trabalho digital, na uberização que transforma pessoas em números de aplicativo, na lógica financeira que decide o destino de países inteiros. O que Céline viu como escuridão da modernidade continua a ser parte integrante de nosso cotidiano.


Mas é importante destacar também a dimensão literária. Viagem ao Fim da Noite não é apenas denúncia política ou testemunho histórico. É arte. Sua prosa tem força estética inigualável, capaz de capturar em palavras o que muitas vezes escapa à análise sociológica ou filosófica. Essa dimensão artística é o que mantém o livro vivo, mesmo diante da condenação ao autor. Ler Céline é sentir o impacto da literatura em sua capacidade de traduzir a experiência humana em sua forma mais brutal.


No entanto, essa mesma arte não nos permite ingenuidade. Precisamos lê-la com consciência crítica, reconhecendo que a desesperança absoluta pode abrir caminho para a barbárie. O romance não nos oferece saídas, não aponta para utopias, não constrói alternativas. Ele se fixa no vazio, no ceticismo, no sarcasmo. E justamente por isso, em um tempo em que a desesperança é explorada politicamente pelos neofascismos, é necessário ler Céline como advertência: não podemos parar na denúncia. É preciso resistir, construir, propor.


Viagem ao Fim da Noite é um clássico incômodo, e talvez seja essa sua maior virtude. É inesquecível pela força estética, perturbador pelas contradições que encarna, atual pela maneira como ilumina os riscos de nosso tempo. Ler esse livro hoje é reconhecer que a literatura não salva, mas alerta. É constatar que o horror descrito por Céline permanece vivo, que a barbárie pode voltar a qualquer momento, que a noite continua à espreita.


No fim das contas, a importância contemporânea de Viagem ao Fim da Noite reside em sua capacidade de nos colocar diante de nossas próprias contradições. Ele nos mostra que a desesperança pode corroer a dignidade, que a revolta sem horizonte pode se transformar em fascínio pelo autoritarismo, que a miséria pode ser normalizada. Mas também nos lembra que a literatura, mesmo quando escrita por mãos manchadas, pode iluminar verdades que precisamos enfrentar. Ao ler Céline, somos obrigados a nos perguntar: o que fazemos com o horror que nos é revelado? Aceitamos sua lógica ou buscamos resistir a ela?


Em um mundo marcado pela ascensão das ideias neofascistas, Viagem ao Fim da Noite é mais do que um romance sombrio do passado. É um espelho incômodo, que reflete as trevas do presente e nos desafia a recusar sua sedução. É um livro que exige leitura atenta, lúcida e crítica, porque só assim poderemos atravessar a noite sem nos perder em seu fascínio destrutivo.


             * Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ

Roberto Cepeda

 A Inversão de Papéis


 A revista The Economist, na sua capa,  aponta o Brasil como exemplo a ser seguido pelos Estados Unidos.  

Não é pouca coisa e nem vinda de uma publicação qualquer.

A revista, considerada por muitos a bíblia liberal da economia e leitura obrigatória para investidores de todo o mundo, tem um peso incontestável.


Em sua análise, condena a atuaçâo externa do governo e também faz criticas ao STF mas, apesar disso, a revista reconhece que o Tribunal tem atuado como uma barreira contra o autoritarismo. Surpreendentemente, o Brasil está sendo visto como referência na defesa da democracia, sendo esta inegociável.


Quem imaginaria que veriamos isso?

O Brasil afirmando sua defesa do sistema democrático, enquanto os Estados Unidos parecem rumar em direção contrária, com avanço do autoritarismo, protecionismo, perseguição a adversários políticos e crescente desrespeito às instituições.


Lá teve a invasão do Capitólio, que foi um ataque direto ao coração da democracia americana, estimulado por alegações infundadas de fraude eleitoral pelo então presidente, não aceitando o resultado com a vitória do adversário.

Dois anos e dois dias depois, extremistas daqui copiaram o roteiro, invadindo as sedes dos Três Poderes.  A grande diferença entre os dois casos está na resposta institucional.


Aqui existe uma Justiça Eleitoral e centralizada que torna inelegível quem comete crime contra a democracia, e o STF pune os responsáveis por ataques ao Estado Democrático de Direito. Lá, Trump não apenas pôde concorrer novamente à Presidência, foi eleito e perdoou criminosos envolvidos na invasão, a qual teve até mortes.


Essa divergência expõe uma surpreendente fragilidade naquilo que se imaginava ser a democracia mais sólida do mundo. 

Eu mesmo supunha que as instituições americanas fossem fortes e imunes a interferências, protegidas por um sistema de freios e contrapesos capaz de impedir abusos de poder. A realidade mostra Trump fazendo e desfazendo o que quer, enquanto o Congresso e o Judiciário de lá parecem incapazes ou sem vontade para contê-lo.   E onde estão a força da opinião pública, a reação da imprensa e a cobrança do empresariado que não concordam com estes métodos?


A Constituição brasileira de 1988 guardava uma memória recente da ditadura, que junto com a Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito, criaram instrumentos específicas para punir ataques às instituições, como golpe de Estado e interrupção do processo eleitoral.  Já nos Estados Unidos as leis são vagas e antigas, de difícil aplicação no cenário atual, se mostrando menos ágeis e mais vulneráveis a manobras políticas.


De tudo que vemos, a lição que fica é de que nenhuma democracia é uma fortaleza inabalável mas sim uma construção diária que exige vigilância e defesa permanentes.


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E já sei,  vai chover reclamações da ditadura do STF  🙄

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: ONTEM, Europa conseguiu subir milimetricamente apesar de Nova Iorque ter estado fechada, mas apostou porque os retrocessos de sexta-feira (fecho de agosto) foram um pouco excessivos. Obrigações débeis, com elevação suave de yield e ganho de inclinação na curva americana (2-10A 61p.b.). França continua a aguentar abaixo de Itália (3,54% vs. 3,64%), apesar de a 8 de setembro cair o governo. A tutela do BCE, com um balanço gigante e 30% da dívida europeia nele, estará um pouco relacionado.


É provável que Wall St, cujos futuros estão um pouco débeis à primeira hora (-0,1%-0,2%), termine por mudar ligeiramente para melhor, alinhando-se com a reação europeia de ontem. Principalmente se o ISM Industrial (15 h) aumenta um pouco (48,8/49,0 esperado desde 48,0) e transmite a sensação de que poderá dirigir-se para a zona de expansão (>50) onde esteve em fevereiro/março. Antes disso, às 10 h, sairá a inflação da UE, provavelmente a repetir em +2,0%, mas a Subjacente poderá melhorar 1 décima, até +2,3%. Isso também ajudaria que o tom melhorasse.


Japão. Himino (BoJ) afirma que continuarão a subir taxas de juros (agora em 0,50% e estimamos +25 p.b. na reunião de 19 de dezembro), mas insinua não ter pressa perante as incertezas globais. Sabem que os EUA/Trump querem um USD depreciado (no seu anterior mandato, Trump arrastou-o até ca.1,23/€) e que para favorecer isso, quer que o Japão continue a subir taxas de juros, mas receia a perda de competitividade japonesa via divisa, como é lógico, portanto irão resistir à subida enquanto possam (que não será muito).


Lembrete: as 2 chaves semanas não chegarão até sexta-feira, porque Broadcom publicará (EPS 1,67 $; +34,5%) na quinta-feira, no fecho de Nova Iorque (21 h), que consideramos pouco provável que dececione. O Emprego americano na sexta-feira (Payrolls 75k/78k vs. 73k; Desemprego 4,3% vs. 4,2%), que será muito difícil de interpretar devido à recente correção em baixa dos dados publicados, por isso, Trump despediu a responsável das estatísticas de emprego. 


CONCLUSÃO: Setembro é um mês tradicionalmente em baixa, portanto não nos deveremos preocupar se estas primeiras sessões forem fracas. Se se desviasse em alguma direção seria melhor, como a Europa, ontem. Vejamos a inflação europeia das 10 h e o ISM Industrial americano das 15 h, porque talvez consigam animar um pouco o tom. Não esqueçamos que nem sequer a delicada situação política na França está a ter consequências sérias no mercado. É provável que estejam a subestimar as consequências sérias no mercado e a credibilidade da Fed com as intromissões agressivas de Trump, mas o mercado agora vive apenas o curto prazo. O FOMO (Fear Of Missing Out) pesa muito.


Wall St fechado. UE +0,3% Espanha +0,02% VIX 16,1% Bund 2,75% T-Note 4,26% Spread 2A-10A USA=+62pb B10A: ESP 3,35% PT 3,19% FRA 3,54% ITA 3,64% Euribor 12m 2,148% (fut.2,208%) USD 1,170 JPY 173,0 Ouro 3.495$ Brent 68,5$ WTI 65,0$ Bitcoin +2,1% (110.229$) Ether -0,4% (4.387$). 


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Julgamento de Bolsonaro e PIB em foco*


Na volta do feriado, estão previstos nos Estados Unidos os índices PMI industrial da S&P Global e do ISM


… NY volta do feriado à espera de uma agenda forte esta semana, que tem como maior expectativa o payroll de agosto – decisivo para o ritmo de queda do juro americano. Para hoje, estão previstos nos Estados Unidos os índices PMI industrial da S&P Global e do ISM. Aqui, o PIB/2Tri é destaque, com previsão de desacelerar para 0,3% nas pesquisas do Broadcast e do Valor Data, como efeito da política restritiva do Banco Central. O resultado pode animar as apostas para a Selic, que já reagem à melhora das expectativas inflacionárias. As incertezas se concentram no cenário fiscal, após o Orçamento/2026 ter sido recebido com desconfiança, e no julgamento de Bolsonaro.


… A sessão na Primeira Turma do STF está marcada para começar às 9h, com a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes.


… O receio dos investidores é que, no caso de uma provável condenação, novas medidas sejam anunciadas por Trump, que justificou as tarifas contra o Brasil ao que chamou de “execução política” do ex-presidente, exigindo o fim do processo judicial.


… Uma das possibilidades é de novas aplicações da Lei Magnitsky contra outros membros do STF, após já ter atingido Alexandre de Moraes.


… No Valor, o ministro Edson Fachin, próximo presidente da Corte, recebeu ontem representantes do Itaú Unibanco, entre os quais, Milton Maluhy Filho (CEO), José Virgílio Vita (diretor jurídico) e o advogado Juliano Breda para discutir o tema.


… Outros banqueiros estiveram no STF para conversas com Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, após a decisão do ministro Flávio Dino, que determinou que leis, atos administrativos e ordens judiciais e executivas estrangeiras não têm validade imediata no Brasil.


… Segundo Lourival Sant’Ana (CNN Brasil), o presidente Trump prepara novas medidas contra o Brasil, que devem atingir o Banco do Brasil, além de restrições a importações da Rússia e contestação dos argumentos do governo e empresas brasileiras contrários ao tarifaço.


… O BB seria punido por ter oferecido a Moraes um cartão da bandeira Elo, após o ministro ter um cartão de empresa americana cancelado.


… Bolsonaro não deve ir ao STF para o julgamento. Aliados gostariam de sua presença, mas médicos, familiares e os próprios advogados preferem que ele fique em casa, por causa das crises de soluços e vômitos nos últimos dias.


… Bolsonaro será o primeiro presidente a ser julgado por tramar um golpe de Estado. Junto dele, estarão outros sete réus do núcleo principal da ação, incluindo oficiais de alta patente das Forças Armadas, em um fato histórico desde a redemocratização do País.


… Nesta 2ªF, o ex-presidente recebeu em sua casa, com autorização de Moraes, o deputado Arthur Lira, a quem pediu ajuda na articulação para aprovar a Lei de Anistia no Congresso. A proposta é defendida pelo PL e parte do Centrão, mas tem poucas chances de prosperar.


… Em meio às resistências, o governador Tarcísio, mais cogitado para ser o candidato em lugar de Bolsonaro em 2026, trabalha pela Anistia e tenta um contato com Hugo Motta para os próximos dias. Já conversou com os presidentes do PP, União Brasil e Republicanos.


… Praticamente assumindo sua candidatura, Tarcísio disse que, se for eleito, seu primeiro ato será o indulto a Bolsonaro.


REPERCUTE NO MUNDO – O julgamento atraiu a atenção da mídia internacional com reportagens no New York Times e Washington Post.


… No Post, “o Brasil confronta seu passado autoritário e também o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump com o julgamento”. Já o NYT disse que o julgamento é um momento histórico para a democracia brasileira e que Bolsonaro poderá ficar “décadas” na prisão.


… A britânica The Economist fez um podcast sobre Bolsonaro, chamado por eles de Trump dos Trópicos. “À medida que os Estados Unidos se tornam mais corruptos e autoritários, o Brasil busca responsabilizar seu ex-presidente golpista”, disse a revista na apresentação do áudio.


… E o The Guardian entrevistou o trompetista que foi atrás de Bolsonaro para tocar a Marcha Fúnebre de Chopin.


… O julgamento foi notícia, ainda, no jornal espanhol El País e no El Universal, do México.


PROJEÇÕES PARA O PIB – A dissipação dos efeitos positivos da safra agropecuária deve levar a um crescimento mais modesto do PIB no segundo trimestre, mas o setor de serviços, o consumo das famílias e a indústria extrativa devem manter a economia em expansão.


… Sob a ótica da demanda, porém, o PIB deverá mostrar contração na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), com os investimentos impactados negativamente pelo nível alto dos juros, segundo economistas ouvidos em pesquisa do Broadcast.


… A mediana do mercado indica crescimento de 0,3% para o PIB do segundo trimestre, após alta de 1,4% nos primeiros três meses do ano. As projeções para esta leitura vão de variação zero a alta de 0,5%. O dado será divulgado às 9h pelo IBGE.


… Na comparação interanual, a mediana indica crescimento de 2,2%, também desacelerando sobre a expansão de 2,9% no primeiro trimestre.


… Também no levantamento do Valor Data, a mediana das estimativas é de crescimento de 0,3% do PIB no segundo trimestre, com a medida anual confirmando alta de 2,2% – a mesma projeção para 2025. Já para 2026, a previsão é de um PIB de 1,8%.


… Para Flávio Serrano (banco Bmg), o resumo é: “agro para baixo, indústria meio de lado e serviços ainda com alguma resiliência”.


IPC-FIPE – Ainda na agenda de hoje, a mediana das estimativas do mercado indica alta de 0,11% no Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas de agosto, desacelerando contra alta de 0,28% em julho. Sai à primeira hora do dia.


DEVEDOR CONTUMAZ – Deve ser pautado hoje no plenário do Senado um novo relatório do senador Efraim Filho (União Brasil) sobre o projeto para definir e punir devedores contumazes. O texto foi apresentado nesta segunda-feira.


… O projeto cria regras gerais para a identificação e o controle de contribuintes que não pagam seus débitos de forma intencional e reiterada.


… O objetivo principal é combater o crime organizado; o texto ganhou novo impulso após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a maior já feita para combater a infiltração do crime organizado na economia formal do País.


… As principais mudanças no relatório são a criação de capital social mínimo para empresas interessadas em atuar no setor de óleo e gás e a proibição do fim da extinção automática da punibilidade pelo pagamento do tributo.


FICHA LIMPA – Mesmo com o início do julgamento de Bolsonaro, o Congresso vai tentar manter a votação de projetos polêmicos, como o que enfraquece a Lei da Ficha Limpa, que já passou pela Câmara e está no Senado.


… O texto prevê que a contagem dos oito anos de inelegibilidade comece a partir da data da condenação ou cassação, e não após o fim da pena ou mandato. Na prática, o projeto favorece políticos condenados.


LDO – Presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), o senador Efraim afirmou que a chance de se votar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) hoje é de 50%. Segundo ele, a análise depende da finalização do relatório pelo deputado Gervásio Maia (PSB).


… “Há expectativa de apresentar o relatório amanhã, mas há um trabalho braçal de analisar 2.500 emendas. […] Se não apresentar amanhã, não vou dar um prazo maior do que uma semana, ou na quinta ou na terça-feira”, disse Efraim aos jornalistas.


PEC 66 – Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), interromperá a sua licença médica para relatar a Proposta de Emenda à Constituição que estabelece limites para o pagamento de precatórios e abre novo prazo de parcelamento de débitos dos municípios.


LÁ FORA – Índices de gerentes de compra (PMI) do setor industrial de agosto estão em destaque nos Estados Unidos nesta terça-feira, na volta do feriado do Labor Day. Às 10h45, sai o PMI da S&P Global e, às 11h, o PMI do ISM, que deve melhorar de 48,0 em julho para 49,1.


… Na zona do euro, sai a preliminar da inflação ao consumidor (CPI) de agosto, às 6h.


BESSENT – Em entrevista à Fox News, o secretário do Tesouro americano afirmou que espera que a Suprema Corte confirme a legalidade das tarifas de Trump, mas que se não for assim, o governo tem um plano B – sem antecipar detalhes.


… Segundo fontes revelaram à agência Reuters, uma alternativa seria recorrer à Lei de Tarifas Smoot-Hawley, que permite ao presidente impor tarifas de até 50% por cinco meses contra importações de países que discriminam o comércio dos Estados Unidos.


… Bessent também defendeu o direito do presidente Trump de demitir a diretora do Fed Lisa Cook, dizendo que ela não negou as acusações de fraude hipotecária. Reconheceu que o Fed deve ser independente, “e é”, mas “cometeu muitos erros”.


… O secretário ainda disse que “há boa chance” de Stephen Miran ser indicado ao Fed antes da reunião de setembro.


RÚSSIA – Na mesma entrevista, Scott Bessent comentou a possibilidade de sanções a Moscou, afirmando que “todas as opções estão sobre a mesa”, em meio à continuação dos bombardeios contra a Ucrânia, e que Trump poderá decidir ainda nesta semana.


… “O presidente Vladimir Putin, desde o telefonema, quando os líderes europeus e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, estiveram na Casa Branca, fez o oposto do que havia indicado que queria fazer. Na verdade, ele aumentou de maneira desprezível os bombardeios.”


… Já o presidente da França, Emmanuel Macron, prepara reunião da chamada “Coalizão dos Dispostos”, nesta quinta-feira, em Paris.


… Em postagem no X, o francês disse que, junto com os parceiros e a Otan, “trabalharemos para definir garantias de segurança robustas para a Ucrânia e revisaremos a posição da Rússia, que persiste em sua guerra de agressão e continua rejeitando a paz”.


BRICS – O governo brasileiro convocou para a próxima segunda-feira (dia 8) uma reunião virtual de líderes do grupo. O encontro foi articulado pelo presidente Lula, em meio ao tarifaço de 50% imposto por Donald Trump.


INCERTEZAS NÃO TIRAM FOLGA – O feriado em NY descontou ontem o risco externo, mas a semana turbulenta que vem aí inviabilizou a chance de os negócios domésticos relaxarem. Setembro ainda começou com o fiscal no radar.


… Não foi das melhores a repercussão ao PLOA de 2026, que pouco convenceu o mercado a apostar em melhora da percepção com as contas públicas, diante da leitura de que o governo continua superotimista quanto às receitas.


… Além deste fator de desconforto, o investidor exibiu cautela antes dos indicadores importantes (payroll lá fora e PIB aqui) e sob o risco de Trump dobrar a aposta contra o Brasil, como vingança pelo julgamento de Bolsonaro.


… Em alta moderada de 0,33%, o dólar à vista voltou a se afastar do piso informal de R$ 5,40, que está difícil de ser furado, e se reaproximou do patamar de R$ 5,45, negociado no fechamento dos negócios a R$ 5,4401.


… Mas o real ainda segue bem posicionado, vindo de valorização superior a 3% em agosto, diante do carry trade atraente e da onda de desvalorização do dólar lá fora, com o Fed já com o dedo no gatilho para cortar o juro.  


… Um payroll fraco na sexta-feira deverá consolidar a expectativa de que este mês de setembro marcará a virada dovish da política monetária que Trump tanto tem pressionado e manobrado para acontecer o quanto antes.


… O ING calcula que, se o relatório de emprego confirmar o esfriamento de ritmo, o índice DXY pode cair abaixo dos 97,500 pontos e, futuramente, buscar a mínima do ano (96,380 pontos). Ontem, caiu 0,10%, para 97,670 pontos.


… O euro subiu 0,24%, a US$ 1,1715, e a libra ganhou 0,33%, a US$ 1,3550, à véspera do CPI da zona do euro.


PEÇA DE FICÇÃO – No DI, os juros de longo prazo operaram sob pressão, com economistas dizendo que o Orçamento/26 não é factível e que, em algum momento, o governo não vai escapar de uma revisão da meta fiscal.


… As taxas também embutiram prêmio de risco com o anúncio do Tesouro de que fará um leilão amanhã de NTN-B fora do calendário regular de emissões (“off the run”) com vencimento em agosto de 2040, 2050 e 2055.


… Já a ponta curta do DI operou flat, com o Focus que não passa uma semana sem apontar alívio nas expectativas de inflação: IPCA/25 (4,86% para 4,855), IPCA/2026 (4,33% para 4,31%) e IPCA/2027 (3,97% para 3,94%).


… Mas ainda está faltando combinar com o BC o otimismo sobre a ancoragem dos preços. Galípolo, como se viu  semana passada, ainda não se mostra seguro de que o processo de desinflação esteja ocorrendo em ritmo ideal.


… Ignorando o conservadorismo, a Bradesco Asset antecipou de maio para janeiro do ano que vem a projeção para o primeiro corte da Selic pelo Copom e reduziu a estimativa para o juro básico ao final de 2026 de 12,75% para 12,00%.


… Segundo a asset, além da taxa de câmbio mais favorável, a média dos núcleos de inflação acompanhados pelo BC passou de um pico de quase 6% no primeiro trimestre (em termos anualizados) para algo abaixo de 4,5%.


… A gestora diminuiu a estimativa para o IPCA deste ano em 0,2 ponto, a 4,8%, e para 2026, de 4,4% para 4,3%.


… Ainda ontem, também a Porto Asset reduziu a aposta da inflação de 2025 para baixo de 5%, de 5,4% para 4,8%, enquanto a de 2026 foi de 4,2% para 4,1%. Mas manteve o cenário para a Selic em 15% (2025) e 11,50% (2026).


… No fim do dia, o DI Jan/26 marcou 14,890% (de 14,889% no ajuste anterior); Jan/27 caiu a 13,920% (de 13,962%); já o Jan/29 subiu a 13,200%, de 13,199% na sexta; Jan/31, a 13,530% (13,499%); e Jan/33, a 13,715% (13,671%).


ALVO FÁCIL – Na lista negra de Trump pela oferta do cartão Elo a Moraes, BB ON cedeu 1,40% na véspera do julgamento de Bolsonaro, para R$ 21,09. Entre os bancos, só Itaú se salvou ontem: +0,81%, cotado a R$ 38,78.


… Bradesco PN perdeu 0,65% (R$ 16,72), Bradesco ON caiu 0,69%, a R$ 14,34, e Santander unit, -0,04%, a R$ 28,21.


… Vindo dos recordes históricos da sexta-feira, o Ibovespa estreou setembro praticamente estável, com leve queda de 0,10%, aos 141.283,01 pontos. Sem Nova York, o giro foi de só R$ 12 bi, cerca de metade de uma sessão normal.


… Vale conseguiu driblar o tombo de quase 3% do minério de ferro para fechar no zero a zero (+0,07%), mas na máxima do dia, a R$ 55,60. Petrobras ON recuou 0,44% (R$ 33,60), ao passo que a PN subiu 0,23% (R$ 31,17).


… A estatal anunciou que reduziu o preço do querosene para aviação (QAV) em 3,7% a partir de ontem. O reajuste para baixo corresponde a uma diminuição de R$ 0,13 por litro, segundo os cálculos divulgados pela empresa.


… Lá fora, o petróleo Brent para novembro subiu 0,99%, a US$ 68,15 por barril, acompanhando as tensões entre Índia e EUA, após Trump dizer que Nova Délhi ofereceu zerar as tarifas aos americanos, mas que é “tarde demais”.


CIAS ABERTAS – AZUL apresentou uma manifestação ao Cade em que sustenta que o acordo de codeshare com a GOL não guarda “qualquer relação” com uma eventual fusão das duas aéreas…


… Ainda ontem, a Azul informou que aumentará as suas operações em 34 destinos de todas as regiões do País com foco na alta temporada do verão 2025/2026…


… Segundo a empresa, serão 3,6 mil voos extras com cerca de 520 mil assentos adicionais, no período entre 13 de dezembro e 1º de fevereiro.


REDE D’OR. Hospital Glória D’Or, no Rio de Janeiro, passou a fazer parte da rede Atlântica D’Or, joint-venture entre Bradesco Seguros e a empresa no segmento hospitalar.


ULTRAPAR contratou Itaú Corretora para a prestação de serviços de formador de mercado por prazo indeterminado.


LOJAS RENNER. BB Investimentos elevou preço-alvo da ação de R$ 18,50 para R$ 19,00, mantendo recomendação neutra; revisão incorporou resultados do 1º semestre, bem como o atual cenário macroeconômico.

Editorial El País

 Editorial do diário espanhol de “El País” de 2 de setembro de 2025

"Xi aproveita os erros de Trump

China tira partido da cimeira de Tianjin da hostilidade comercial e diplomática destacada pelo presidente dos EUA

O presidente chinês, Xi Jinping, vem anunciando desde há anos mudanças na ordem mundial como não tinham sido vistas no último século, mas agora conseguiu sintetizar numa única fotografia o mais espetacular de todos: ser ele mesmo quem reuniu mais de 20 países que ultrapassam, no seu conjunto, 40% da população e 20% do PIB mundial em torno da ideia de desbancar os EUA da liderança internacional. O quadro da cimeira, realizada na cidade chinesa de Tianjin, foi a Organização de Cooperação de Xangai, uma das instituições criadas por Pequim há quase um quarto de século como alternativa ao domínio de Washington das organizações surgidas após a Segunda Guerra Mundial e, acima de tudo, perante a incapacidade de as reformar e acomodar às mudanças demográficas e económicas globais.


A foto de Tianjin certifica uma aproximação incomum entre a Índia e a China, ao mesmo tempo que bloqueia a estratégia americana de usar Delhi como contrapeso à influência chinesa. Também dá oxigênio a Putin, com maior margem para dar longas a Trump nas suas pretensões de pacificador da guerra da Ucrânia. Para o líder republicano é uma derrota auto-infligida com duas decisões próprias: as tarifas de punição à Índia de 50% pela compra de petróleo à Rússia e a sua falsa mediação na trégua entre a Índia e o Paquistão, que o presidente reivindicou obscenamente perante Modi para obter o seu apoio para o Nobel da Paz.


A cimeira de Tianjin ofusca o carácter histórico que Trump reivindicou para o seu encontro com Putin no Alasca em 15 de agosto, de onde nada saiu senão prazos vazios para a paz. Também neutraliza a cerimónia de rendição apaziguadora oficializada na Sala Oval de 18 de agosto, quando sete mandatários europeus evitaram uma nova humilhação do presidente da Ucrânia perante as câmaras. Finalmente, exprime uma mudança de atmosfera perante as guerras pautais trumpistas, as suas exigências de vassalagem e extorsões e ameaças que só são válidas para os aliados. A centralidade da China expressa pela cimeira corresponde ao sucesso da sua resistência à agressividade comercial e diplomática de Trump.


O presidente dos EUA está facilitando as coisas para a China de um ponto inimaginável. Desmontou o poder mole do seu país. Ele desmantelou sua diplomacia e seus organismos de cooperação. Puniu países amigos e vizinhos com ameaças anexionistas e tarifas arbitrárias. E já agora, está destruindo as instituições multilaterais que tinham servido a hegemonia de Washington, deixando um vazio geopolítico que Pequim está preenchendo agora. A principal vítima de uma estratégia tão desagradável é o próprio EUA, mas os danos transbordam a sua geografia. O mundo multipolar que a China oferece como alternativa é igualmente hostil à primazia do direito internacional, à protecção dos direitos humanos e ao pluralismo. Perante a agressividade russa e as pretensões hegemônicas chinesas, a resposta trumpista paradoxal é o questionamento das alianças ocidentais e a punição aos seus aliados. E os beneficiários são Putin e Xi Jinping. " 

Call Matinal 0801

  Call Matinal 08/01/2026 Julio Hegedus Netto, economista   Pensatas: “ Caso Master. Com certeza, pensando em se blindar, na velha ...