segunda-feira, 14 de abril de 2025

Pedro Malan

 Faltam quase 200 semanas: é assustador

Pedro Malan


O Estado de S. Paulo.

13 de abr. de 2025


O futuro tornou-se muito mais incerto e perigoso com a chegada de Donald Trump ao poder


Este é mais um artigo neste espaço com a palavra assustador no título. As primeiras 12 semanas do governo Trump – e as quase duas centenas de semanas adicionais que o mundo e o Brasil têm pela frente – justificam a retomada da série. O futuro tornou-se muito mais incerto e perigoso com a chegada de Trump ao poder – como mostraram suas primeiras semanas no cargo.


Um dos artigos da série É assustador citava Adam Przeworski: “Não acredito que a sobrevivência da democracia esteja em jogo na maioria dos países, mas não vejo nada que possa acabar com o nosso descontentamento atual. (...) A crise não é apenas política; tem raízes profundas na economia e na sociedade. É o que me parece mais assustador”.


Outro artigo da série mencionava Amos Tversky: “É assustador imaginar que não sabemos algo, mas mais assustador ainda é imaginar que, em geral, o mundo é dirigido por pessoas que acreditam saber exatamente o que está acontecendo”. Notei que a frase deveria ser estendida para incluir as pessoas que acreditam saber também exatamente o que fazer; e dedicam-se a convencer os demais a acreditar nisso – como forma de chegar ao poder, nele continuar ou a ele voltar.


Um terceiro artigo lembrava Anne Applebaum: “Os freios, filtros e contrapesos das democracias constitucionais ocidentais jamais garantiram estabilidade. Eles sempre exigiram certa tolerância pela cacofonia e pelo caos, assim como certa disposição em reagir às pessoas que criam cacofonia e caos”. Assim como – notei à época – disposição para reagir às pessoas que, em democracias, procuram solapá-las com suas ações, como vimos nos EUA e no Brasil, em dois janeiros assustadores.


Os EUA foram, desde meados dos anos 40 do século passado, o principal ator de um processo de criação de instituições multilaterais como ONU, FMI, Banco Mundial, Gatt (embrião da OMC, criada décadas depois), OCDE (criada para cooperação com países europeus, após o lançamento do Plano Marshall). Foram uma força para a expansão do comércio internacional, através da redução de barreiras tarifárias e não tarifárias, e da adoção do sistema de regras que permitissem a resolução de controvérsias comerciais através da OMC.


O dólar norte-americano foi ao longo de todo esse período a moeda dominante no sistema internacional, em razão do peso da economia dos EUA, de seu vasto mercado financeiro, e da segurança dos ativos denominados em dólar e dos títulos do Tesouro norte-americano. E, não menos importante, em razão de sua aliança geopolítica, baseada em relações de reciprocidade e confiança.


Donald Trump precisou de menos de três meses para abalar, e muito seriamente, essas relações e reciprocidade. A ponto de o novo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmar que os EUA, sob a presidência Trump, haviam deixado de ser “um parceiro confiável”. Trump e seus secretários questionam os valores e arranjos nos quais estiveram baseados os últimos 80 anos. Trata-se de fascinante paradoxo: esses arranjos e valores foram em larga medida construídos com a liderança dos EUA.


É verdade que alguns países consideraram o papel dominante do dólar americano como um “exorbitante privilégio” conferido aos EUA. A criação da União Europeia e a posterior decisão da mesma em criar o euro foram um projeto de ter também uma confiável moeda de livre curso internacional. É imperdível para os interessados no tema o artigo de Barry Eichengreen, publicado no Financial Times (22/3), intitulado Can the dollar remain king of currencies?.


A chegada de Trump à presidência norte-americana representou uma extraordinária e abrupta transformação na medida em que, segundo seu discurso, não haveria nenhum privilégio exorbitante, mas, ao contrário, um fardo exorbitante que “inimigos” e aliados (inclusive os europeus) haviam imposto aos EUA. Esse fardo seria expresso pelos déficits na balança comercial dos EUA a serem “resolvidos”, na visão simplória de Trump, através de tarifas e ameaças de elevações tarifárias.


Trump foi longe demais nesse processo e na semana passada teve de recuar – o que jamais admitirá – e declarar uma “trégua de 90 dias” na imposição de tarifas (exceto os 10%) para os “países que não retaliaram”, o que exclui a China, que decidiu responder à altura. Trump, como sempre, declara e declarará vitória e não reconhecerá erros, mas o fato é que pesaram e pesarão os efeitos da forma atabalhoada com que as medidas tarifárias foram anunciadas. Sabemos que a economia reage a excessos de incertezas, imprevisibilidades e perdas de confiança e credibilidade de um governo. E como notou Warren Buffett: “Em economia é sempre preciso perguntar: e depois?”.


Não é por acaso que as previsões de aumento da inflação e redução do crescimento da economia norte-americana estão se consolidando. E que os mercados financeiros estão cada vez mais atentos às implicações de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Que representam, juntas, quase 45% da economia global.


Concluo com a pertinente observação de Kenneth Arrow: “A maior parte dos indivíduos subestima a incerteza. Enormes danos têm se seguido à crença na certeza, seja em inevitabilidades históricas, seja em posições extremas sobre política econômica”.

Guilherme Arantes

 O Épico e o Macunaíma


Resolvi escrever uma reflexão sobre o estado contemporâneo do “espírito de brasilidade”, inspirado numa pesquisa que eu andei fazendo sobre o compositor Carlos Gomes. 

Tornou-se um tema muito importante para mim, compositor, num momento em que eu compunha um “poderoso” tema instrumental para a abertura do novo show que pretendemos produzir em breve. Ouvindo esse novo tema, não pude deixar de intuir as possíveis, prováveis impressões depreciativas em discussões críticas... devido ao “tom épico” que eu coloquei nas quintas e diminutas da harmonia.

Sou mesmo assumidíssimamente, irremediavelmente épico. 

Seria isso a antítese do "pós moderno" ? 

Me ajudem, pois não consigo entender bem se o épico é um grave defeito ...

Não tenho culpa, mas carrego esse “fardo” ...num mundo minimalista, cínico, crítico feroz, relativista e destruidor de utopias, um mundo desagregador e anti-estruturalista, e pior, numa distante Taba, a gloriosa Pátria de Macunaíma, o Herói sem Caráter.

Não é pouca a minha Saga.

Fui criado assim, enfurnado no escuro do meu quarto, entre Bach, Beethoven, Tchaikowski, Handel, Wagner, Fauré, Euclides, Guimarães Rosa, Michelangelo, Cervantes e Camões, Arthur Clarke e Orwell, Garcia Marquez e Llosa, Borges e Proust, Julio Verne e Baudelaire, Faulkner, Maiakowski, Rachmaninoff e Stravinsky, Villa-Lobos e Jobim, todos épicos. Como eu amo !

Sou o Guilherme de sempre, o incorrigível épico de Amanhã, de Planeta Água, de Raça de Heróis, de Nosso Fim nosso Começo, Um Dia um Adeus, de Oceano, de Fio da Navalha, de Brincar de Viver, Xixi nas Estrelas, de Taça de Veneno, Sob o Efeito de um Olhar, Muito Diferente, Baile de Máscaras, Toda vã Filosofia para Roberto, Aconteceu Você para Fafá, Labirinto para MPB4, Lindo Balão Azul para o Pirlimpimpim, o épico-sereno de Êxtase,  e muitos outros temas, Sonho Latino, Babel, Semente da Maré e Desordem dos Templários. Tudo épico até o talo. Até mesmo Perdidos na Selva foi um épico de uma geração.

O “mundo crítico” de hoje desdenha, por inveja total e incompetencia, e tenta menosprezar e caricaturizar o Épico. Isso é claríssimo.

A lembrança de Carlos Gomes me veio involuntária, porque é Praça em inúmeras cidades brasileiras, e não muito além disso, é o som incômodo e compulsório da Hora do Brasil. É nisso em que se transformou o maior compositor romantico da nossa etnia. Conseguiram ( por aqui )  destruir várias vezes o Carlos Gomes.

A primeira vez, com a proclamação da República, estigmatizado pelas suas relações com a Coroa do Brasil, já consagrado na Europa, inclusive chamado de “talento assombroso” pelo próprio Giuseppe Verdi (inacreditável) .

Carlos Gomes foi viver na Itália, bancado parcialmente por D. Pedro II ( aliás, Pedro II era um rei cultissimo e sensível, um visionário muito à frente de seu tempo, foi outro massacrado pela Roda Ignorante da História... mas esse é outro tema para outras elocubrações ) .

O fato é que Carlos Gomes ficou cristalizado como uma estátua de uma Era a ser demolida pela “modernidade”.

Mais tarde, já na São Paulo Industrial, veio a Semana de 22.

Ah! Essa Semana de 22 ! ... 

O Carlos Gomes foi alçado à categoria de Simbolo Máximo da Velha Ordem a ser Iconoclastizada, demolida e moída para o pó da História.

Em seu lugar, uma nova Estátua Egrégia precisava ser erigida, a de Macunaíma, o Herói Sem Caráter.

Não quero aqui polemizar com o genial Mario de Andrade, até porque Macunaíma, uma obra-prima, embora não pareça, embora também seja uma obra iconoclasta e mordaz, TAMBÉM É UM ÉPICO. 

O Brasil, como eu, é um Épico incorrigível, e todas as tentativas de demolição dessa essência restarão infrutíferas.

O Brasil é um conceito épico. Muitas vezes se enxerga como anti-herói, mau caráter e gozador, transgressor ao extremo, mas o Brasil é o Brasil, uma Utopia.

Olha o Carnaval, as Escolas de Samba, o arrepio da Grandeza. 

Olha Parintins, olha o São João . 

Eu nem queria chegar tão longe, mas até o Agro se pretenderia um épico ( controverso ).

Talvez essa seja a chave para entender a complexidade paradoxal que é e sempre será o Brasil.

Mais tarde, e já pegando em cheio a minha geração, viria o Tropicalismo como movimento, muito inspirado em 22, se atribuindo ( de novo, seria outra mania nacional ? ) uma nova quebra das estruturas , contra toda e qualquer Pompa e Circunstância Nobiliárquico-Burguesa... mas... vejam bem ... “Tropicália” é um épico. “Domingo no Parque”, “Alegria, Alegria”, “É Proibido Proibir” , “Divino, Maravilhoso” , tudo épico . Aliás , toda a Era dos Festivais foi épica.

Beto Bom de Bola ? Épico !  “Arrastão”, “Disparada”, “Ponteio”, “BR3”, “Travessia”, “Sabiá”, Vandré, Tom Zé, Mutantes, Taiguara, Elis, Clara, Gal, tudo isso é épico . 

E não adiantou o Walter Silva dizer na Folha que a minha Planeta Água era o Hino da Sabesp. Alguém se lembra desse humor ácido ?  

Quiseram me desqualificar inumeras vezes por conta da grandiloquencia e pretensão das minhas vidências épicas.

Sou praticamente excluido da chamada Musica Popular do Brasil, ninguém me convida para nada, é horrível, para premio nenhum, troféu nenhum, sou um perfil secundário no Brasil "inclusivo" de hoje ... talvez por outro motivo...  também porque os Progressivos e até a Nação Metaleira me respeita e acolhe : sou visto como uma espécie de "estrangeiro" , por minhas raízes no "bailismo" dos anos 60, 70, também por eu posar de virtuose nos teclados... e isso não é o Brasil de Macunaíma... 

Sou jogado na "gaveta conveniente" dos "progressivos" ... "não é MPB". 

Mas eu sou brasileiro, sim. 

E o Brasil também é Guilherme Arantes , sim . 

Não serei minimalista e nem desestruturalista jamais, nem que eu quisesse.

Mas o que posso fazer, se Brasília é um épico ? Glauber é um épico. Águas de Março é um épico . Chico Buarque então... até hoje faz suas Caravanas, suas Construções, suas Rodas-Vivas.

O Rei da Vela é um épico.

Racionais também .

O Oficina, Zé Celso, são épicos onde a Alma do Brasil sangra, viva. 

Agora deixa eu voltar para os meus temas épicos e grandiloquentes, porque agora, depois deste textão, eu me sinto em muito boa companhia ! 

Bacio.

Banco Master, um balanço

 *Banco Master: entenda, em 25 reportagens, para onde caminha a venda bilionária ao BRB*


Banco de Brasília anunciou a compra de fatia relevante da instituição em um negócio estimado em R$ 2 bi, mas acordo levantou dúvidas e tem sido discutido por todo o sistema financeiro


*Master levanta preocupação por fortes emissões de CDBs com juros acima da média*


No último dia 28 de março, uma sexta-feira, um anúncio feito no final da tarde pegou o mundo financeiro de surpresa. O Banco de Brasília (BRB), uma instituição estatal ligada ao governo do Distrito Federal, anunciou uma oferta de compra de uma fatia relevante do Banco Master, em um negócio então avaliado em cerca de R$ 2 bilhões. Pouco mais de duas semanas depois, muitas dúvidas ainda cercam o negócio – que nem todo mundo tem certeza de que será realmente fechado.


O Master, um banco de médio porte, teve um crescimento exponencial nos últimos anos, mas sempre cercado por polêmicas. Parte importante do patrimônio que garantia a solidez do banco era composto por precatórios (títulos de disputas judiciais contra governos), que são de recebimento incerto.


Além disso, um dos motores do crescimento do banco foi a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDB) que pagavam aos investidores taxas muito acima dos concorrentes, de até 140% do CDI (o Certificado de Depósito Interbancário, uma taxa de referência nas operações entre bancos que é próxima à Selic), usando como estratégia na venda desses produtos o fato de estarem garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC, uma instituição privada mantida por aportes de todos os bancos).


Entenda, nas reportagens a seguir publicadas desde 28 de março, os problemas envolvendo o Banco Master e para onde caminha o acordo de venda:


*BRB anuncia compra de fatia do Banco Master, em negócio estimado em R$ 2 bi*


O Banco de Brasília (BRB) anunciou em 28 de março a compra de uma fatia relevante do Banco Master, em um negócio estimado em cerca de R$ 2 bilhões. A operação foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração do BRB. De acordo com as informações divulgadas pelo banco público, controlado pelo governo do Distrito Federal, o acordo envolve 49% das ações ordinárias (com direito a voto) do Master e 100% das ações preferenciais (sem direito a voto).


Nessa configuração, o controlador do Master ficaria com 51% das ações ordinárias (com direito a voto). Ou seja, manteria o controle da operação. De acordo com a informação divulgada pelo BRB, os dois bancos continuariam operando separados, mas a marca seria apenas a do BRB, que teria direito ao voto decisivo em determinadas matérias.


Segundo o BRB, a operação seria fechada após o cumprimento de algumas condições, como a conclusão de uma diligência dos ativos e passivos do Master. “A Operação será precedida por uma reorganização societária do Banco Master, de modo que certos ativos e passivos não estratégicos, incluindo participações societárias em controladas, serão segregados do Banco Master”, disse o BRB, na nota divulgada na época. Leia mais aqui.


*Presidente do BRB: ‘Estamos comprando um Master diferente do que o mercado conhece’*


O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, negou, em entrevista ao Estadão, que a compra de parte do Banco Master, comunicada no dia 28 de março, seja resultado de interferências políticas na instituição financeira. Costa afirmou que o trabalho de análise para a proposta foi técnico, com o início de compras de carteiras do Master em meados de 2024 e dentro da lógica de expansão do BRB para outras localidades do País.


Ele disse que R$ 23 bilhões em ativos do Master ficaram excluídos do negócio, como a carteira de precatórios, de direitos creditórios, de ações judiciais, de fundos de investimento em ações de empresas. Por outro lado, despertaram interesse o cartão de crédito consignado, segmento corporativo, serviços de mercado de capitais, câmbio e banco digital. Leia mais aqui.


*Daniel Vorcaro, do Banco Master, ostenta mais do que outros banqueiros*


Ao contrário da maioria dos banqueiros que preferem manter a discrição sobre seus investimentos e sua vida pessoal, Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, não tem problemas com a exposição pública. O banqueiro já afirmou ter comprado o Fasano Itaim como pessoa física, é sócio do Clube Atlético Mineiro e fez uma festa de debutante estimada em R$ 15 milhões para sua filha, que viralizou nas redes sociais.


Investidor da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Galo desde que a estrutura foi estabelecida, por meio do fundo Galo Forte FIP, ele pagou R$ 100 milhões por 8,2% de participação, em 2023. No ano passado, colocou mais R$ 200 milhões e se tornou dono de 26,9% da Galo Holding. Em termos de participação, perde apenas para Rubens e Rafael Menin (donos da construtora MRV, com uma fatia de 55,7%). Leia mais aqui.


*Como Vorcaro criou conexões que vão de ministros de Lula a aliados de Bolsonaro*


O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, possui uma cartilha com sete princípios para guiar seus negócios. Um deles é se arriscar sempre — “não tomar risco já é um risco” — e outro é escolher as pessoas “com quem se conectar nessa jornada”. No mundo político, Vorcaro seguiu à risca a cartilha que ensina em palestras. Começou a fazer parte dos principais círculos, patrocinou eventos com ministros e banqueiros e hoje coleciona uma rede que inclui petistas e bolsonaristas.


Mais recentemente, as conexões no mercado financeiro e no mundo político levaram o BRB, o Banco de Brasília, estatal do Distrito Federal, a comprar uma fatia do banco de Vorcaro. A negociação, que ainda precisa passar pela aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), chamou atenção da Faria Lima e de Brasília e tem sido questionada. Procurado pela reportagem, Daniel Vorcaro não quis se manifestar. Leia mais aqui.


*BC foi alertado sobre operações do Master fora do padrão e tentou apertar regras*


O Banco Central foi alertado sobre as operações fora do padrão feitas pelo banco Master e chegou a apertar regras para frear um comportamento ousado na comparação com os concorrentes. Segundo dois banqueiros ouvidos sob reserva pelo Estadão, o órgão regulador foi provocado, ainda na gestão de Roberto Campos Neto, sobre a discrepância em relação às práticas tradicionais das instituições financeiras assumida pelo banco Master — que teve uma parcela comprada pelo banco estatal BRB anunciada nesta sexta-feira, 28.


O uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como isca para a venda de produtos financeiros mais arriscados provocou um dos alertas. Líder nesse tipo de oferta, o banco Master e suas controladas ultrapassaram a marca de R$ 45 bilhões em depósitos bancários a prazo lançados no mercado (a maioria em CDBs). A quantia é mais de oito vezes superior à posição de junho de 2021, quando o banco trocou de nome para Master — antes, ele tinha outro controlador e se chamava banco Máxima. Leia mais aqui.


*CDB, principal produto do Master, consumiria quase metade do fundo que protege os clientes de bancos*


O principal produto do Banco Master, os CDBs lançados a juros bem acima do que o mercado oferece para captar recursos, consumiria 42% do patrimônio líquido do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que funciona como um seguro do sistema financeiro para socorrer clientes de bancos, em caso de quebra.


Segundo dados do Banco Central, o Master e suas controladas tinham R$ 45,6 bilhões em depósitos a prazo em junho de 2024, a grande maioria deles CDBs, enquanto o balanço do FGC mostra que o fundo tem R$ 107,8 bilhões para socorrer os correntistas. Leia mais aqui.


*Compra do Master pelo BRB adapta cartilha do Proer, que salvou bancos há 30 anos*


Prédio do BRB em Brasília Foto: Rafael de Matos Carvalho/Adobe Stock

O banco estatal de Brasília BRB está seguro de que fez uma auditoria técnica e embasada para fechar a operação de compra de 58% do capital total do Banco Master. Dentro da instituição, a operação é comparada ao Proer, programa oficial de socorro a bancos nos anos 90. Isso significa que o BRB vai incorporar os ativos do Master que têm valor, deixando para trás as operações consideradas problemáticas, que terão outro fim. Com esse desenho, na visão do BRB, um risco potencial para o sistema financeiro ficaria menor.


Parte importante do patrimônio do Banco Master é composto por precatórios (títulos de disputas judiciais contra governos), que são de recebimento incerto. O banco multiplicou por dez seu patrimônio e quintuplicou sua carteira de crédito desde 2021. Um dos motores desse crescimento foi a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDB) que pagam ao investidor taxas muito acima dos concorrentes, de até 140% do CDI. Leia mais aqui.


*Além do BRB, BTG também pode comprar fatia do Banco Master*


Apesar do anúncio de compra do Master pelo BRB, pessoas envolvidas na negociação não descartam que o BTG Pactual ainda possa entrar no negócio. O banco, que é liderado por André Esteves, chegou a analisar os ativos do Master, mas não levou a oferta adiante. Procurado, o Master não se manifestou.


O BTG disse, em comunicado ao mercado publicado na manhã de terça-feira, 1, que “sempre analisa oportunidades de consolidação no mercado financeiro que possam trazer valor aos seus acionistas e tenham o suporte dos reguladores, dentro do curso normal de seus negócios” e continuará a mantê-los informados sobre qualquer operação.


Quem acompanha de perto o desenho do negócio diz que carteira de precatórios (dívidas judiciais do governo) do Master ainda pode interessar ao BTG Pactual, pois esse era o interesse central de Esteves ao analisar as contas do Master. O BTG é um banco que atua fortemente nesse segmento. Leia mais aqui.


*CDBs do Master serão honrados nas condições em que foram emitidos, diz presidente do BRB*


O presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou que os termos dos CDBs emitidos pelo Banco Master serão mantidos e honrados se a operação entre as duas instituições financeiras for adiante. “Todos os CDBs que já estão emitidos serão honrados pelas condições e pelas taxas de juros em que eles foram adquiridos”, garantiu em entrevista à GloboNews.


O Banco Master é conhecido por emitir CDBs com taxas superiores à média do mercado. O BRB pretende comprar 58% das ações da instituição por aproximadamente R$ 2 bilhões. Dos papéis, 49% serão ações ordinárias, com direito a voto, e 100%, preferenciais.


Segundo o executivo, uma vez que a operação entre o BRB e o Master seja aprovada pelas autoridades, os novos CDBs emitidos tenderão a ter taxas menores. Leia mais aqui.


*Acionistas do Master vão ter de colocar R$ 2 bi para fechar operação com BRB*


Uma das principais condicionantes apresentadas pelo BRB, o banco estatal do Distrito Federal, para comprar metade do Banco Master é que os atuais sócios façam uma injeção de R$ 2 bilhões no banco. A exigência está descrita no comunicado divulgado pelo BRB na noite de sexta-feira, 28, quando o negócio foi fechado, mas o valor não era conhecido até agora.


Os R$ 2 bilhões são um compromisso acertado pelos controladores do Banco Master com o Banco Central para capitalizar o próprio banco.


Segundo fontes a par das negociações, essa injeção de capital reduz o risco para o BRB, já que significa um aumento do patrimônio líquido do banco, de R$ 4,1 bilhões, de acordo com o balanço do banco divulgado em junho do ano passado, para R$ 6,1 bilhões. Em outras palavras, caso o BRB encontre inconsistências de R$ 2 bilhões nos ativos do Master, esses recursos dos sócios seriam usados para cobrir o rombo. Leia mais aqui.


*Banco Master tem R$ 7,6 bilhões para honrar em CDBs com vencimento até junho, mostra balanço*


O Banco Master, que na sexta-feira, 28, formalizou acordo para vender uma fatia de seu patrimônio ao Banco de Brasília (BRB), numa transação estimada em cerca de R$ 2 bilhões, tem alguns bilhões de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) a vencer no curto prazo, apesar de focar suas captações em pessoas físicas com prazos que chegaram a variar entre cinco anos e oito anos.


Os números do balanço de 2024, publicado ao anoitecer desta terça-feira, 1º, informam que o patrimônio líquido do Master encerrou o ano em R$ 4,7 bilhões, alta de 104% no ano, e que os ativos totais terminaram dezembro em R$ 63 bilhões, expansão de 75%. Porém, mostram também a existência de R$ 7,6 bilhões em papéis vencendo apenas de janeiro a junho de 2025. Ao todo, neste ano, os compromissos chegam a R$ 12,4 bilhões. Leia mais aqui.


*Master ‘esconde’ investimentos de risco em fundos; valor pode ser o dobro do que aparece no balanço*


Balanço do Master foi publicado no dia 1º  Foto: Banco Master

O Banco Master tem pelo menos R$ 16 bilhões em precatórios e pré-precatórios, de acordo com pessoas a par dos números da instituição. O valor é quase o dobro da cifra desses ativos que consta em seu balanço, uma vez que parte deles está alocada em fundos de investimento.


Tanto os precatórios – dívidas que os governos são obrigados a pagar por decisões da Justiça – quanto os direitos creditórios – uma espécie de pré-precatório, porque ainda não há sentença de pagamento – são ativos considerados de risco mais alto para os bancos porque têm baixa liquidez – ou seja, são difíceis de vender no curto prazo caso as instituição financeiras necessitem de recursos para honrar dívidas. Leia mais aqui.


*CDBs do Master bombam no mercado secundário e oferecem 160% do CDI*


Um Certificado de Depósito Bancário (CDB) pós-fixado a 160% do CDI na Rico, outro prefixado a 19,50% ao ano na XP, e mais um indexado à inflação de IPCA + 10% no BTG. Os títulos emitidos pelo Banco Master estão pipocando no mercado secundário, que é o ambiente onde investidores negociam os ativos entre si e não mais com a companhia emissora. O movimento é observado nas principais corretoras do País depois que a compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB) foi anunciada.


As taxas mais altas nos CDBs do Master – que já eram expressivas – podem ser um indicativo de investidores desmontando posições em meio à discussão sobre a saúde financeira do banco que se estendeu ao longo da semana. O movimento destoa do mercado primário, onde algumas corretoras já vinham reduzindo as ofertas de títulos emitidos pela instituição e as taxas caíram, segundo especialistas. Leia mais aqui.


Master recebeu injeção de recursos e vendeu ativos para manter índice que indica solidez


Apesar de ter vendido carteiras de crédito e ter recebido aporte de seus sócios no ano passado, o Banco Master manteve o mesmo patamar no índice de Basileia, que garante a solidez do banco. Caso a carteira da instituição estivesse gerando resultados mais consistentes, a tendência seria de que o indicador subisse com a nova entrada de recursos.


O balanço divulgado no dia 1º mostrou que o Master registrou Basileia de 11,51%, em 2024, contra 11,52% no ano anterior. Isso mesmo após os sócios terem feito um aporte de R$ 1,6 bilhão.


Por outro lado, os valores a receber por vendas de ativos saltaram entre um ano e outro. Em 2023, o Master tinha a receber R$ 1,2 bilhão nessa rubrica. No ano passado, o valor havia saltado para R$ 3,7 bilhões, com alta de três vezes no número. Isso significa que a instituição tem se desfeito de ativos. Leia mais aqui.


*Ao menos 5 fundos de pensão de Estados e municípios investiram mais de R$ 1 bi no Banco Master*


Pelo menos cinco fundos de pensão de funcionários públicos de prefeituras e Estados, do chamado Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), investiram cerca de R$ 1,1 bilhão em títulos emitidos pelo Banco Master, nas chamadas letras financeiras. O Rioprevidência, do Estado do Rio de Janeiro, é o maior deles, com R$ 970 milhões investidos, aproximadamente 8% do patrimônio da entidade no fim do ano passado.


Não há informações precisas sobre quem seria o responsável por honrar esses compromissos na nova configuração do banco, se autorizada pelo Banco Central a aquisição de 58% do capital do Master pelo BRB. Procurado, o Master não se pronunciou. Leia mais aqui. Leia mais aqui.


*Compras de títulos do Banco Master por fundos de pensão são contestadas e viram alvo de auditorias*


Pressionado por regras mais rígidas para captações − instituídas pelo BC, a partir de 2024 −, o Banco Master encontrou nos fundos de pensão de servidores de Estados e municípios uma alternativa para buscar novos recursos. Em pouco mais de um ano, levantou cerca de R$ 1,7 bilhão, mas deixou um rastro de resistências e questionamentos pelo caminho. Em pelo menos quatro instituições, as operações viraram alvo de apurações e auditorias ou estão sendo contestadas pelos beneficiários.


Antes mesmo de o Master entrar nos holofotes pelo anúncio da compra de uma fatia de 58% pelo BRB, no final de março, já havia entidades de previdência pública querendo se desfazer do negócio.


As letras financeiras adquiridas pelos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Trata-se do mesmo tipo de ativo que havia sido rejeitado pela gestora da Caixa ao avaliar uma proposta de investimento de R$ 500 milhões no fundo Master, em julho do ano passado. Esse processo foi o primeiro a ser transformado em auditoria pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Leia mais aqui.


*Fundo de pensão do Amapá investiu R$ 400 milhões em letras do Banco Master*


O fundo de pensão dos servidores públicos do Estado do Amapá (Amprev) aplicou R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master em meados do ano passado. A compra se deu próximo da data em que gerentes da Caixa Asset, gestora do banco público, perderam o cargo depois de barrar um investimento do mesmo tipo, por considerar a operação muito arriscada para a carteira. O caso virou alvo de uma apuração no Tribunal de Contas da União (TCU).


Diferentemente dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), as letras financeiras não têm proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e podem gerar perdas ao investidor se a instituição emissora passar por dificuldades. Por isso, a recomendação é de que entidades de previdência estatais, responsáveis por pagar aposentadorias e pensões de servidores com recursos públicos, avaliem com cuidado os investimentos nesses títulos. Leia mais aqui.


*Ganhos atípicos do Master chamam atenção de auditoria e turbinam lucro do banco em 2024*


O lucro apresentado no balanço do Banco Master, na noite desta terça-feira, 1º, foi obtido por meio de efeitos atípicos, que ajudaram a turbinar o resultado e são alvo de desconfiança de agentes do mercado bancário, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão que analisaram os números. Alguns desses elementos foram apontados como uma fonte de incerteza pela KPMG, que assinou e aprovou a auditoria do balanço.


O banco está nos holofotes do mercado financeiro após receber uma oferta de compra pelo Banco de Brasília (BRB), banco estatal do Distrito Federal (DF), na última sexta-feira, 28. O negócio, que consiste na aquisição de 58% do capital total do Master, é estimado em R$ 2 bilhões e ainda precisa ser aprovado pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Leia mais aqui.


*Captações de CDBs do Banco Master financiaram empresas com problemas financeiros*


Ao longo dos últimos anos, o banqueiro Daniel Vorcaro investiu, tanto por meio do Banco Master, seus fundos e na pessoa física, em diversas empresas − muitas delas de capital fechado e baixa liquidez, além de algumas listadas em bolsa com dificuldades financeiras. Entre os casos que vieram a público, já é possível identificar apostas com baixa perspectiva de retorno, enquanto outras ainda dependem de tempo e aportes adicionais para se concretizarem.


A Veste, ex-Restoque, que entrou em recuperação extrajudicial, foi salva por uma conversão de dívida em ações que deu ao Master e a Vorcaro uma fatia de 56% na varejista. Houve ainda o compromisso de um aporte de R$ 100 milhões na empresa. A estratégia foi conduzida pela WNT, gestora especializada em ativos em situação de estresse financeiro, por meio de um fundo no qual Vorcaro e Master eram os maiores cotistas.


Passados quase três anos, as ações da Veste perderam valor, saindo de cerca de R$ 12,00 para R$ 6,70 na cotação de segunda-feira,7. Antes da pandemia, operavam em torno de R$ 145,00. Procurada, a companhia não comentou. Leia mais aqui.


*Caso Master: Grandes bancos privados pedem ao Banco Central mudanças nas regras do FGC*


Os grandes bancos privados querem apertar as regras de contribuição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – uma espécie de seguro para socorrer clientes de bancos em caso de quebra – por instituições mais expostas. A proposta foi formulada antes da oferta de compra do Banco Master pelo BRB, vista nos bastidores do setor como um resgate da instituição comandada por Daniel Vorcaro pelo banco estatal do DF.


Segundo apurou a reportagem junto a interlocutores que falaram reservadamente, os grandes bancos solicitam ao Banco Central que caia de 75% para 50% o volume de captação garantida pelo FGC que obriga uma instituição a fazer contribuições adicionais ao Fundo. Leia mais aqui.


*Norma do BC sob Campos Neto abriu brecha para que Banco Master omitisse riscos em balanço*


Uma norma editada pelo Banco Central (BC) em outubro de 2023, ainda sob a gestão de Roberto Campos Neto, abriu uma brecha para que o Banco Master e outras instituições financeiras não fossem obrigadas a contabilizar o risco de carregar precatórios e direitos creditórios em seu balanço. Com isso, o Master, que tem forte participação desses papéis entre os seus ativos, pôde continuar operando sem a necessidade de receber mais aportes por parte dos sócios ou ser obrigado a vender ativos.


Tanto os precatórios — dívidas que os governos são obrigados a pagar por decisões da Justiça — quanto os direitos creditórios – uma espécie de “pré-precatório”, porque ainda não há sentença — são ativos considerados de risco mais alto para os bancos porque têm baixa liquidez — ou seja, são difíceis de vender no curto prazo caso as instituição financeiras necessitem de recursos para honrar dívidas. Leia mais aqui.


*BC cochilou na supervisão do Banco Master, que se tornou problema de múltiplas dimensões*


O Banco Master é um problema de múltiplas dimensões, e o Banco Central falhou na supervisão do banco. As incertezas sobre o Master envolvem tanto os seus passivos (as suas dívidas), que têm custos elevadíssimos, quanto os seus ativos (os seus investimentos), que não demonstram solidez. Na prática, o Master já está desenquadrado dos índices de Basileia, o que o forçaria a receber uma forte injeção de capital, vender ativos ou a sofrer uma intervenção do BC.


Sob o lado dos passivos, o banco toma empréstimos pagando 140% do CDI e até mais. Para bom entendedor, era como se ele convidasse as pessoas físicas para se tornarem agiotas do banco, recebendo juros altíssimos em troca. Quase uma completa inversão de papéis.


Já sob o lado dos ativos, há fumaça por todos os lados, mas uma só já seria suficiente para o banco ser motivo de forte diligência por parte do Banco Central. Carregar R$ 8,5 bilhões em direitos creditórios, um ativo que, sob a visão do próprio BC, tem ponderação de risco de 1250%, é uma irresponsabilidade com quem emprestou dinheiro ao banco e com o próprio sistema financeiro. Leia mais aqui.


*Esteves, do BTG, tenta convencer grandes bancos a usar fundo para reduzir perdas com Master*


Principal acionista do BTG, André Esteves articula apoio dos três maiores bancos privados do País — Itaú, Bradesco e Santander — para viabilizar uma solução envolvendo o Banco Master. A proposta prevê o uso de uma linha emergencial do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que protege os clientes em caso de quebra de instituições financeiras. O instrumento daria ao comprador do Master o fôlego necessário para que a instituição conseguisse honrar suas obrigações de curto prazo.


Apesar da proposta de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada no dia 28 de março, o Banco Central ainda discute com os bancos soluções para evitar que o Master termine em uma eventual liquidação. Leia mais aqui.


*TCU abre processo para investigar atuação do Banco Central no caso Master*


O Tribunal de Contas da União (TCU) acolheu representação feita por deputados da oposição e decidiu abrir um processo para apurar a conduta do Banco Central no caso Master. O relator, definido nesta terça-feira, 8, será o ministro Jhonatan de Jesus.


Na representação, entregue na segunda-feira, 7, ao TCU, os deputados Caroline de Toni (PL-SC) e Carlos Jordy (PL-RJ) defendem que é preciso apurar se houve omissão do BC no dever de supervisão prudencial sobre a instituição e potenciais riscos aos bancos públicos, associados ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), em caso de perdas para bancar indenizações a investidores. O FGC é uma espécie de seguro para investidores e correntistas até o limite de R$ 250 mil por CPF. Leia mais aqui.


*BRB está fora de seu mandato ao fazer proposta pelo Master, diz Sergio Lazzarini*


Autor de “Capitalismo de Laços”, “Reinventando o Capitalismo de Estado” e “A Privatização Certa”, Sergio Lazzarini é o principal pesquisador do País sobre as relações entre o setor público e o privado. Para ele, que ocupa a cadeira de vice-presidente acadêmico do Insper, as emendas parlamentares criaram um novo momento nesse vínculo, no qual os controles do uso dos recursos públicos tornaram-se muito mais frágeis.


A solução, afirma, é reforçar a agenda de transparência e avançar no rastreamento dos recursos. Também fazer valer a Lei das Estatais que determina, entre seus princípios, que empresas públicas se atenham aos mandatos para os quais foram criadas. “Quando há um sistema estatal que não é ancorado no mandato e na lei que norteou sua criação, vale tudo”, diz ele. “É perigosíssimo.”


O caso da compra do Master pelo BRB é exatamente o de desancoragem de mandato. “O estatuto do banco determina que seu foco deveria ser o desenvolvimento regional do Distrito Federal e regiões no entorno, e chega a citar o micro desenvolvimento regional”, diz Lazzarini. “As declarações públicas do presidente do banco justificam o negócio como busca de crescimento e ampliação da atuação do BRB pelo território brasileiro.” Em outras palavras, o oposto do que diz o estatuto. Leia mais aqui.


*Master levanta preocupação por fortes emissões de CDBs com juros acima da média*


No último dia 28 de março, uma sexta-feira, um anúncio feito no final da tarde pegou o mundo financeiro de surpresa. O Banco de Brasília (BRB), uma instituição estatal ligada ao governo do Distrito Federal, anunciou uma oferta de compra de uma fatia relevante do Banco Master, em um negócio então avaliado em cerca de R$ 2 bilhões. Pouco mais de duas semanas depois, muitas dúvidas ainda cercam o negócio – que nem todo mundo tem certeza de que será realmente fechado.


O Master, um banco de médio porte, teve um crescimento exponencial nos últimos anos, mas sempre cercado por polêmicas. Parte importante do patrimônio que garantia a solidez do banco era composto por precatórios (títulos de disputas judiciais contra governos), que são de recebimento incerto.


Além disso, um dos motores do crescimento do banco foi a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDB) que pagavam aos investidores taxas muito acima dos concorrentes, de até 140% do CDI (o Certificado de Depósito Interbancário, uma taxa de referência nas operações entre bancos que é próxima à Selic), usando como estratégia na venda desses produtos o fato de estarem garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC, uma instituição privada mantida por aportes de todos os bancos).


Entenda, nas reportagens a seguir publicadas desde 28 de março, os problemas envolvendo o Banco Master e para onde caminha o acordo de venda:


*BRB anuncia compra de fatia do Banco Master, em negócio estimado em R$ 2 bi*


O Banco de Brasília (BRB) anunciou em 28 de março a compra de uma fatia relevante do Banco Master, em um negócio estimado em cerca de R$ 2 bilhões. A operação foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração do BRB. De acordo com as informações divulgadas pelo banco público, controlado pelo governo do Distrito Federal, o acordo envolve 49% das ações ordinárias (com direito a voto) do Master e 100% das ações preferenciais (sem direito a voto).


Nessa configuração, o controlador do Master ficaria com 51% das ações ordinárias (com direito a voto). Ou seja, manteria o controle da operação. De acordo com a informação divulgada pelo BRB, os dois bancos continuariam operando separados, mas a marca seria apenas a do BRB, que teria direito ao voto decisivo em determinadas matérias.


Segundo o BRB, a operação seria fechada após o cumprimento de algumas condições, como a conclusão de uma diligência dos ativos e passivos do Master. “A Operação será precedida por uma reorganização societária do Banco Master, de modo que certos ativos e passivos não estratégicos, incluindo participações societárias em controladas, serão segregados do Banco Master”, disse o BRB, na nota divulgada na época. Leia mais aqui.


*Presidente do BRB: ‘Estamos comprando um Master diferente do que o mercado conhece’*


O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, negou, em entrevista ao Estadão, que a compra de parte do Banco Master, comunicada no dia 28 de março, seja resultado de interferências políticas na instituição financeira. Costa afirmou que o trabalho de análise para a proposta foi técnico, com o início de compras de carteiras do Master em meados de 2024 e dentro da lógica de expansão do BRB para outras localidades do País.


Ele disse que R$ 23 bilhões em ativos do Master ficaram excluídos do negócio, como a carteira de precatórios, de direitos creditórios, de ações judiciais, de fundos de investimento em ações de empresas. Por outro lado, despertaram interesse o cartão de crédito consignado, segmento corporativo, serviços de mercado de capitais, câmbio e banco digital. Leia mais aqui.


*Daniel Vorcaro, do Banco Master, ostenta mais do que outros banqueiros*


Ao contrário da maioria dos banqueiros que preferem manter a discrição sobre seus investimentos e sua vida pessoal, Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, não tem problemas com a exposição pública. O banqueiro já afirmou ter comprado o Fasano Itaim como pessoa física, é sócio do Clube Atlético Mineiro e fez uma festa de debutante estimada em R$ 15 milhões para sua filha, que viralizou nas redes sociais.


Investidor da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Galo desde que a estrutura foi estabelecida, por meio do fundo Galo Forte FIP, ele pagou R$ 100 milhões por 8,2% de participação, em 2023. No ano passado, colocou mais R$ 200 milhões e se tornou dono de 26,9% da Galo Holding. Em termos de participação, perde apenas para Rubens e Rafael Menin (donos da construtora MRV, com uma fatia de 55,7%). Leia mais aqui.


*Como Vorcaro criou conexões que vão de ministros de Lula a aliados de Bolsonaro*


O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, possui uma cartilha com sete princípios para guiar seus negócios. Um deles é se arriscar sempre — “não tomar risco já é um risco” — e outro é escolher as pessoas “com quem se conectar nessa jornada”. No mundo político, Vorcaro seguiu à risca a cartilha que ensina em palestras. Começou a fazer parte dos principais círculos, patrocinou eventos com ministros e banqueiros e hoje coleciona uma rede que inclui petistas e bolsonaristas.


Mais recentemente, as conexões no mercado financeiro e no mundo político levaram o BRB, o Banco de Brasília, estatal do Distrito Federal, a comprar uma fatia do banco de Vorcaro. A negociação, que ainda precisa passar pela aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), chamou atenção da Faria Lima e de Brasília e tem sido questionada. Procurado pela reportagem, Daniel Vorcaro não quis se manifestar. Leia mais aqui.


*BC foi alertado sobre operações do Master fora do padrão e tentou apertar regras*


O Banco Central foi alertado sobre as operações fora do padrão feitas pelo banco Master e chegou a apertar regras para frear um comportamento ousado na comparação com os concorrentes. Segundo dois banqueiros ouvidos sob reserva pelo Estadão, o órgão regulador foi provocado, ainda na gestão de Roberto Campos Neto, sobre a discrepância em relação às práticas tradicionais das instituições financeiras assumida pelo banco Master — que teve uma parcela comprada pelo banco estatal BRB anunciada nesta sexta-feira, 28.


O uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como isca para a venda de produtos financeiros mais arriscados provocou um dos alertas. Líder nesse tipo de oferta, o banco Master e suas controladas ultrapassaram a marca de R$ 45 bilhões em depósitos bancários a prazo lançados no mercado (a maioria em CDBs). A quantia é mais de oito vezes superior à posição de junho de 2021, quando o banco trocou de nome para Master — antes, ele tinha outro controlador e se chamava banco Máxima. Leia mais aqui.


CDB, principal produto do Master, consumiria quase metade do fundo que protege os clientes de bancos


O principal produto do Banco Master, os CDBs lançados a juros bem acima do que o mercado oferece para captar recursos, consumiria 42% do patrimônio líquido do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que funciona como um seguro do sistema financeiro para socorrer clientes de bancos, em caso de quebra.


Segundo dados do Banco Central, o Master e suas controladas tinham R$ 45,6 bilhões em depósitos a prazo em junho de 2024, a grande maioria deles CDBs, enquanto o balanço do FGC mostra que o fundo tem R$ 107,8 bilhões para socorrer os correntistas. Leia mais aqui.


*Compra do Master pelo BRB adapta cartilha do Proer, que salvou bancos há 30 anos*


O banco estatal de Brasília BRB está seguro de que fez uma auditoria técnica e embasada para fechar a operação de compra de 58% do capital total do Banco Master. Dentro da instituição, a operação é comparada ao Proer, programa oficial de socorro a bancos nos anos 90. Isso significa que o BRB vai incorporar os ativos do Master que têm valor, deixando para trás as operações consideradas problemáticas, que terão outro fim. Com esse desenho, na visão do BRB, um risco potencial para o sistema financeiro ficaria menor.


Parte importante do patrimônio do Banco Master é composto por precatórios (títulos de disputas judiciais contra governos), que são de recebimento incerto. O banco multiplicou por dez seu patrimônio e quintuplicou sua carteira de crédito desde 2021. Um dos motores desse crescimento foi a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDB) que pagam ao investidor taxas muito acima dos concorrentes, de até 140% do CDI. Leia mais aqui.


Além do BRB, BTG também pode comprar fatia do Banco Master


Apesar do anúncio de compra do Master pelo BRB, pessoas envolvidas na negociação não descartam que o BTG Pactual ainda possa entrar no negócio. O banco, que é liderado por André Esteves, chegou a analisar os ativos do Master, mas não levou a oferta adiante. Procurado, o Master não se manifestou.


O BTG disse, em comunicado ao mercado publicado na manhã de terça-feira, 1, que “sempre analisa oportunidades de consolidação no mercado financeiro que possam trazer valor aos seus acionistas e tenham o suporte dos reguladores, dentro do curso normal de seus negócios” e continuará a mantê-los informados sobre qualquer operação.


Quem acompanha de perto o desenho do negócio diz que carteira de precatórios (dívidas judiciais do governo) do Master ainda pode interessar ao BTG Pactual, pois esse era o interesse central de Esteves ao analisar as contas do Master. O BTG é um banco que atua fortemente nesse segmento. Leia mais aqui.


*CDBs do Master serão honrados nas condições em que foram emitidos, diz presidente do BRB*


O presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou que os termos dos CDBs emitidos pelo Banco Master serão mantidos e honrados se a operação entre as duas instituições financeiras for adiante. “Todos os CDBs que já estão emitidos serão honrados pelas condições e pelas taxas de juros em que eles foram adquiridos”, garantiu em entrevista à GloboNews.


O Banco Master é conhecido por emitir CDBs com taxas superiores à média do mercado. O BRB pretende comprar 58% das ações da instituição por aproximadamente R$ 2 bilhões. Dos papéis, 49% serão ações ordinárias, com direito a voto, e 100%, preferenciais.


Segundo o executivo, uma vez que a operação entre o BRB e o Master seja aprovada pelas autoridades, os novos CDBs emitidos tenderão a ter taxas menores. Leia mais aqui.


Acionistas do Master vão ter de colocar R$ 2 bi para fechar operação com BRB


Uma das principais condicionantes apresentadas pelo BRB, o banco estatal do Distrito Federal, para comprar metade do Banco Master é que os atuais sócios façam uma injeção de R$ 2 bilhões no banco. A exigência está descrita no comunicado divulgado pelo BRB na noite de sexta-feira, 28, quando o negócio foi fechado, mas o valor não era conhecido até agora.


Os R$ 2 bilhões são um compromisso acertado pelos controladores do Banco Master com o Banco Central para capitalizar o próprio banco.


Segundo fontes a par das negociações, essa injeção de capital reduz o risco para o BRB, já que significa um aumento do patrimônio líquido do banco, de R$ 4,1 bilhões, de acordo com o balanço do banco divulgado em junho do ano passado, para R$ 6,1 bilhões. Em outras palavras, caso o BRB encontre inconsistências de R$ 2 bilhões nos ativos do Master, esses recursos dos sócios seriam usados para cobrir o rombo. Leia mais aqui.


Banco Master tem R$ 7,6 bilhões para honrar em CDBs com vencimento até junho, mostra balanço


O Banco Master, que na sexta-feira, 28, formalizou acordo para vender uma fatia de seu patrimônio ao Banco de Brasília (BRB), numa transação estimada em cerca de R$ 2 bilhões, tem alguns bilhões de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) a vencer no curto prazo, apesar de focar suas captações em pessoas físicas com prazos que chegaram a variar entre cinco anos e oito anos.


Os números do balanço de 2024, publicado ao anoitecer desta terça-feira, 1º, informam que o patrimônio líquido do Master encerrou o ano em R$ 4,7 bilhões, alta de 104% no ano, e que os ativos totais terminaram dezembro em R$ 63 bilhões, expansão de 75%. Porém, mostram também a existência de R$ 7,6 bilhões em papéis vencendo apenas de janeiro a junho de 2025. Ao todo, neste ano, os compromissos chegam a R$ 12,4 bilhões. Leia mais aqui.


Master ‘esconde’ investimentos de risco em fundos; valor pode ser o dobro do que aparece no balanço


Balanço do Master foi publicado no dia 1º  Foto: Banco Master

O Banco Master tem pelo menos R$ 16 bilhões em precatórios e pré-precatórios, de acordo com pessoas a par dos números da instituição. O valor é quase o dobro da cifra desses ativos que consta em seu balanço, uma vez que parte deles está alocada em fundos de investimento.


Tanto os precatórios – dívidas que os governos são obrigados a pagar por decisões da Justiça – quanto os direitos creditórios – uma espécie de pré-precatório, porque ainda não há sentença de pagamento – são ativos considerados de risco mais alto para os bancos porque têm baixa liquidez – ou seja, são difíceis de vender no curto prazo caso as instituição financeiras necessitem de recursos para honrar dívidas. Leia mais aqui.


CDBs do Master bombam no mercado secundário e oferecem 160% do CDI


Um Certificado de Depósito Bancário (CDB) pós-fixado a 160% do CDI na Rico, outro prefixado a 19,50% ao ano na XP, e mais um indexado à inflação de IPCA + 10% no BTG. Os títulos emitidos pelo Banco Master estão pipocando no mercado secundário, que é o ambiente onde investidores negociam os ativos entre si e não mais com a companhia emissora. O movimento é observado nas principais corretoras do País depois que a compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB) foi anunciada.


As taxas mais altas nos CDBs do Master – que já eram expressivas – podem ser um indicativo de investidores desmontando posições em meio à discussão sobre a saúde financeira do banco que se estendeu ao longo da semana. O movimento destoa do mercado primário, onde algumas corretoras já vinham reduzindo as ofertas de títulos emitidos pela instituição e as taxas caíram, segundo especialistas. Leia mais aqui.


Master recebeu injeção de recursos e vendeu ativos para manter índice que indica solidez


Apesar de ter vendido carteiras de crédito e ter recebido aporte de seus sócios no ano passado, o Banco Master manteve o mesmo patamar no índice de Basileia, que garante a solidez do banco. Caso a carteira da instituição estivesse gerando resultados mais consistentes, a tendência seria de que o indicador subisse com a nova entrada de recursos.


O balanço divulgado no dia 1º mostrou que o Master registrou Basileia de 11,51%, em 2024, contra 11,52% no ano anterior. Isso mesmo após os sócios terem feito um aporte de R$ 1,6 bilhão.


Por outro lado, os valores a receber por vendas de ativos saltaram entre um ano e outro. Em 2023, o Master tinha a receber R$ 1,2 bilhão nessa rubrica. No ano passado, o valor havia saltado para R$ 3,7 bilhões, com alta de três vezes no número. Isso significa que a instituição tem se desfeito de ativos. Leia mais aqui.


*Ao menos 5 fundos de pensão de Estados e municípios investiram mais de R$ 1 bi no Banco Master*


Pelo menos cinco fundos de pensão de funcionários públicos de prefeituras e Estados, do chamado Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), investiram cerca de R$ 1,1 bilhão em títulos emitidos pelo Banco Master, nas chamadas letras financeiras. O Rioprevidência, do Estado do Rio de Janeiro, é o maior deles, com R$ 970 milhões investidos, aproximadamente 8% do patrimônio da entidade no fim do ano passado.


Não há informações precisas sobre quem seria o responsável por honrar esses compromissos na nova configuração do banco, se autorizada pelo Banco Central a aquisição de 58% do capital do Master pelo BRB. Procurado, o Master não se pronunciou. Leia mais aqui. Leia mais aqui.


*Compras de títulos do Banco Master por fundos de pensão são contestadas e viram alvo de auditorias*


Pressionado por regras mais rígidas para captações − instituídas pelo BC, a partir de 2024 −, o Banco Master encontrou nos fundos de pensão de servidores de Estados e municípios uma alternativa para buscar novos recursos. Em pouco mais de um ano, levantou cerca de R$ 1,7 bilhão, mas deixou um rastro de resistências e questionamentos pelo caminho. Em pelo menos quatro instituições, as operações viraram alvo de apurações e auditorias ou estão sendo contestadas pelos beneficiários.


Antes mesmo de o Master entrar nos holofotes pelo anúncio da compra de uma fatia de 58% pelo BRB, no final de março, já havia entidades de previdência pública querendo se desfazer do negócio.


As letras financeiras adquiridas pelos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Trata-se do mesmo tipo de ativo que havia sido rejeitado pela gestora da Caixa ao avaliar uma proposta de investimento de R$ 500 milhões no fundo Master, em julho do ano passado. Esse processo foi o primeiro a ser transformado em auditoria pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Leia mais aqui.


*Fundo de pensão do Amapá investiu R$ 400 milhões em letras do Banco Master*


O fundo de pensão dos servidores públicos do Estado do Amapá (Amprev) aplicou R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master em meados do ano passado. A compra se deu próximo da data em que gerentes da Caixa Asset, gestora do banco público, perderam o cargo depois de barrar um investimento do mesmo tipo, por considerar a operação muito arriscada para a carteira. O caso virou alvo de uma apuração no Tribunal de Contas da União (TCU).


Diferentemente dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), as letras financeiras não têm proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e podem gerar perdas ao investidor se a instituição emissora passar por dificuldades. Por isso, a recomendação é de que entidades de previdência estatais, responsáveis por pagar aposentadorias e pensões de servidores com recursos públicos, avaliem com cuidado os investimentos nesses títulos. Leia mais aqui.


*Ganhos atípicos do Master chamam atenção de auditoria e turbinam lucro do banco em 2024*


O lucro apresentado no balanço do Banco Master, na noite desta terça-feira, 1º, foi obtido por meio de efeitos atípicos, que ajudaram a turbinar o resultado e são alvo de desconfiança de agentes do mercado bancário, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão que analisaram os números. Alguns desses elementos foram apontados como uma fonte de incerteza pela KPMG, que assinou e aprovou a auditoria do balanço.


O banco está nos holofotes do mercado financeiro após receber uma oferta de compra pelo Banco de Brasília (BRB), banco estatal do Distrito Federal (DF), na última sexta-feira, 28. O negócio, que consiste na aquisição de 58% do capital total do Master, é estimado em R$ 2 bilhões e ainda precisa ser aprovado pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Leia mais aqui.


*Captações de CDBs do Banco Master financiaram empresas com problemas financeiros*


Ao longo dos últimos anos, o banqueiro Daniel Vorcaro investiu, tanto por meio do Banco Master, seus fundos e na pessoa física, em diversas empresas − muitas delas de capital fechado e baixa liquidez, além de algumas listadas em bolsa com dificuldades financeiras. Entre os casos que vieram a público, já é possível identificar apostas com baixa perspectiva de retorno, enquanto outras ainda dependem de tempo e aportes adicionais para se concretizarem.


Veste, ex-Restoque, é uma das empresas em que o Master investiu   Foto: André Lessa/Estadão

A Veste, ex-Restoque, que entrou em recuperação extrajudicial, foi salva por uma conversão de dívida em ações que deu ao Master e a Vorcaro uma fatia de 56% na varejista. Houve ainda o compromisso de um aporte de R$ 100 milhões na empresa. A estratégia foi conduzida pela WNT, gestora especializada em ativos em situação de estresse financeiro, por meio de um fundo no qual Vorcaro e Master eram os maiores cotistas.


Passados quase três anos, as ações da Veste perderam valor, saindo de cerca de R$ 12,00 para R$ 6,70 na cotação de segunda-feira,7. Antes da pandemia, operavam em torno de R$ 145,00. Procurada, a companhia não comentou. Leia mais aqui.


*Caso Master: Grandes bancos privados pedem ao Banco Central mudanças nas regras do FGC*


Os grandes bancos privados querem apertar as regras de contribuição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – uma espécie de seguro para socorrer clientes de bancos em caso de quebra – por instituições mais expostas. A proposta foi formulada antes da oferta de compra do Banco Master pelo BRB, vista nos bastidores do setor como um resgate da instituição comandada por Daniel Vorcaro pelo banco estatal do DF.


Segundo apurou a reportagem junto a interlocutores que falaram reservadamente, os grandes bancos solicitam ao Banco Central que caia de 75% para 50% o volume de captação garantida pelo FGC que obriga uma instituição a fazer contribuições adicionais ao Fundo. Leia mais aqui.


*Norma do BC sob Campos Neto abriu brecha para que Banco Master omitisse riscos em balanço*


Uma norma editada pelo Banco Central (BC) em outubro de 2023, ainda sob a gestão de Roberto Campos Neto, abriu uma brecha para que o Banco Master e outras instituições financeiras não fossem obrigadas a contabilizar o risco de carregar precatórios e direitos creditórios em seu balanço. Com isso, o Master, que tem forte participação desses papéis entre os seus ativos, pôde continuar operando sem a necessidade de receber mais aportes por parte dos sócios ou ser obrigado a vender ativos.


Tanto os precatórios — dívidas que os governos são obrigados a pagar por decisões da Justiça — quanto os direitos creditórios – uma espécie de “pré-precatório”, porque ainda não há sentença — são ativos considerados de risco mais alto para os bancos porque têm baixa liquidez — ou seja, são difíceis de vender no curto prazo caso as instituição financeiras necessitem de recursos para honrar dívidas. Leia mais aqui.


*BC cochilou na supervisão do Banco Master, que se tornou problema de múltiplas dimensões*


O Banco Master é um problema de múltiplas dimensões, e o Banco Central falhou na supervisão do banco. As incertezas sobre o Master envolvem tanto os seus passivos (as suas dívidas), que têm custos elevadíssimos, quanto os seus ativos (os seus investimentos), que não demonstram solidez. Na prática, o Master já está desenquadrado dos índices de Basileia, o que o forçaria a receber uma forte injeção de capital, vender ativos ou a sofrer uma intervenção do BC.


Sob o lado dos passivos, o banco toma empréstimos pagando 140% do CDI e até mais. Para bom entendedor, era como se ele convidasse as pessoas físicas para se tornarem agiotas do banco, recebendo juros altíssimos em troca. Quase uma completa inversão de papéis.


Já sob o lado dos ativos, há fumaça por todos os lados, mas uma só já seria suficiente para o banco ser motivo de forte diligência por parte do Banco Central. Carregar R$ 8,5 bilhões em direitos creditórios, um ativo que, sob a visão do próprio BC, tem ponderação de risco de 1250%, é uma irresponsabilidade com quem emprestou dinheiro ao banco e com o próprio sistema financeiro. Leia mais aqui.


*Esteves, do BTG, tenta convencer grandes bancos a usar fundo para reduzir perdas com Master*


Principal acionista do BTG, André Esteves articula apoio dos três maiores bancos privados do País — Itaú, Bradesco e Santander — para viabilizar uma solução envolvendo o Banco Master. A proposta prevê o uso de uma linha emergencial do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que protege os clientes em caso de quebra de instituições financeiras. O instrumento daria ao comprador do Master o fôlego necessário para que a instituição conseguisse honrar suas obrigações de curto prazo.


Apesar da proposta de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada no dia 28 de março, o Banco Central ainda discute com os bancos soluções para evitar que o Master termine em uma eventual liquidação. Leia mais aqui.


*TCU abre processo para investigar atuação do Banco Central no caso Master*


O Tribunal de Contas da União (TCU) acolheu representação feita por deputados da oposição e decidiu abrir um processo para apurar a conduta do Banco Central no caso Master. O relator, definido nesta terça-feira, 8, será o ministro Jhonatan de Jesus.


Na representação, entregue na segunda-feira, 7, ao TCU, os deputados Caroline de Toni (PL-SC) e Carlos Jordy (PL-RJ) defendem que é preciso apurar se houve omissão do BC no dever de supervisão prudencial sobre a instituição e potenciais riscos aos bancos públicos, associados ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), em caso de perdas para bancar indenizações a investidores. O FGC é uma espécie de seguro para investidores e correntistas até o limite de R$ 250 mil por CPF. Leia mais aqui.


*BRB está fora de seu mandato ao fazer proposta pelo Master, diz Sergio Lazzarini*


Autor de “Capitalismo de Laços”, “Reinventando o Capitalismo de Estado” e “A Privatização Certa”, Sergio Lazzarini é o principal pesquisador do País sobre as relações entre o setor público e o privado. Para ele, que ocupa a cadeira de vice-presidente acadêmico do Insper, as emendas parlamentares criaram um novo momento nesse vínculo, no qual os controles do uso dos recursos públicos tornaram-se muito mais frágeis.


Sérgio Lazzarini, do Insper Foto: Rafael Arbex/Estadão

A solução, afirma, é reforçar a agenda de transparência e avançar no rastreamento dos recursos. Também fazer valer a Lei das Estatais que determina, entre seus princípios, que empresas públicas se atenham aos mandatos para os quais foram criadas. “Quando há um sistema estatal que não é ancorado no mandato e na lei que norteou sua criação, vale tudo”, diz ele. “É perigosíssimo.”


O caso da compra do Master pelo BRB é exatamente o de desancoragem de mandato. “O estatuto do banco determina que seu foco deveria ser o desenvolvimento regional do Distrito Federal e regiões no entorno, e chega a citar o micro desenvolvimento regional”, diz Lazzarini. “As declarações públicas do presidente do banco justificam o negócio como busca de crescimento e ampliação da atuação do BRB pelo território brasileiro.” Em outras palavras, o oposto do que diz o estatuto. Leia mais aqui.



https://www.estadao.com.br/amp/economia/banco-master-entenda-venda-bilionaria-brb/

Bankinter Portugal Matinal 1404

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Continua o vaivém de notícias em torno das tarifas de Trump. Hoje com um tom positivo para as bolsas, depois de ter anunciado durante o fim de semana que isentará temporariamente de tarifas produtos como telefones, computadores e chips. Por isso, é provável que os mercados subam hoje, liderados especialmente pelo setor de tecnologia, numa sessão sem grandes referências. Os futuros vêm com altas entre +1% e +2% nos EUA e na Europa.


Mas... vamos ver quanto tempo dura essa alegria! Mesmo com o adiamento das tarifas, o dano já foi feito na confiança, e isso acabará por afetar inevitavelmente o ciclo económico global — algo que já está refletido nos indicadores antecipados e intermediários de atividade. Esta semana teremos novas evidências, com a deterioração do índice ZEW alemão, o Empire Manufacturing e o Índice de Atividade da Fed da Filadélfia nos EUA. Essa provável desaceleração económica pode levar o BCE a cortar os juros na quinta-feira, de forma preventiva, em -25 pontos-base, para 2,25%/2,40% (Depósito/Crédito).

Por fim, no campo empresarial, a temporada de resultados começará a ganhar tração. Os resultados do 1º trimestre continuarão a crescer (+6,7% anual esperado vs +14,3% do trimestre anterior), embora o mais importante sejam as projeções — que, em sua maioria, ficarão em “stand by” devido ao elevado nível de incerteza…

Essa é a tónica dominante, e por isso não devemos deixar-nos levar por subidas pontuais. A prioridade neste momento é proteger o património, com níveis de exposição à renda variável entre 0% e 40%.


S&P500 +1,8% Nq-100 +2,1% SOX +2,5% ES-50 -0,7% IBEX -0,2% VIX 37,6 Bund 2,57% T-Note 4,49% Spread 2A-10A USA=+53pb O10A: ESP 3,30% PT 3,19% FRA 3,32% ITA 3,81% Euribor 12m 2,17% USD 1,136 JPY 163,0 Ouro 3.238$ Brent 65,8$ WTI 61,5$ Bitcoin +1,1% (84.377$) Ether +1,9% (1.621$).

BDM Matinal Riscala 1404

 Trump recua em tarifas para techs | BDM

www.bomdiamercado.com.br

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[14/04/25]


… A semana é mais curta com a Sexta-Feira Santa, que fecha os mercados também na Europa e nos EUA. Aqui, o investidor emenda com o feriado da 2ªF, 21 de abril. A agenda doméstica é esvaziada, com destaque apenas para a proposta do Orçamento de 2026, que será enviada ao Congresso nesta 3ªF. Lá fora, o BCE anuncia decisão sobre juros (5ªF) e a China divulga o PIB, amanhã à noite. Em NY, a 4ªF é o dia mais importante, com vendas no varejo e uma fala de Powell, que concentrará as atenções em meio às idas e vindas de Donald Trump sobre as tarifas. Em Wall Street, Goldman Sachs divulga balanço antes da abertura e, na Argentina, o peso enfrenta sua prova de fogo.


… No fim da tarde de 6ªF, o ministro da Economia argentino, Luís Caputo, anunciou o fim do limite para que as pessoas físicas comprem dólares pela cotação oficial, que flutuará dentro da banda que tem como piso 1.000 pesos e como teto 1.400 pesos por US$ 1.


… As empresas também poderão transferir dividendos para o exterior sem limites no exercício 2025 com o novo sistema cambial.


… A banda do dólar oficial será reajustada à taxa de 1% ao mês e o relaxamento nos estritos controles cambiais da Argentina, que datam de 2019, era uma exigência para o governo obter um novo empréstimo de US$ 20 bilhões do FMI.


… Na primeira reação, os investidores comemoraram a eliminação da maior parte dos controles como um grande passo para o país voltar aos mercados internacionais de dívida. O ETF Global X MSCI Argentina subiu mais de 5% no pós-mercado.


… Ao anunciar a remoção dos controles cambiais, Caputo insistiu que “não se tratava de uma desvalorização”, mas há um consenso entre os analistas de que haverá uma desvalorização do peso, que pode cair em direção à cotação da taxa do câmbio paralelo.


… Na 6ªF, essa taxa era de 1.375 pesos por dólar, em comparação com a taxa oficial de 1.097 pesos. Alguns especialistas esperam uma desvalorização inicial em torno de 20% a 25%, e já levantam questionamentos sobre um choque da inflação no 2Tri.


… Ao Valor, uma fonte do mercado disse que, “se o efeito dos anúncios for uma corrida à segurança do dólar, os créditos do FMI ficarão longe de serem suficientes”. O FMI desembolsa nesta 2ªF uma parcela inicial de US$ 12 bilhões à Argentina.


… Nos EUA, Trump promete (mais) novidades para hoje, após ter surpreendido na 6ªF à noite com a decisão de suspender as tarifas para smartphones, PCs, servidores e outros produtos de tecnologia, a maioria deles montados na China.


… Na verdade, nem foi o presidente quem fez o anúncio, e, sim, a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos que divulgou uma lista de produtos isentos da última rodada de tarifas sobre as importações do país.


… Entre os favorecidos estão Apple, Nvidia, Dell e HP, entre outras big techs, que vinham pressionando a Casa Branca, e que agora não terão mais que pagar 145% para os produtos chineses, mas apenas a primeira taxa de 20% aplicados contra o fentanil.


… As exceções abrangem um valor de US$ 385 bilhões em importações de 2024 – ou 12% do total – e incluem US$ 100 bilhões da China, ou 23% das importações em 2024. Para esses eletrônicos, a alíquota média do imposto passou de 45% para 5%.


… A maior isenção global é a categoria que inclui PCs e servidores, com US$ 140 bilhões em importações em 2024, 26% da China. A maior categoria isenta de produtos chineses é a de smartphones, com US$ 41 bilhões em importações em 2024, 81% do total.


… O recuo de Trump com as techs bateu em Xi Jinping, que não perdeu a chance de faturar.


… “Esse é um pequeno passo dos Estados Unidos para corrigir sua ação equivocada de ‘tarifas recíprocas’ unilaterais”, disse o Ministério do Comércio da China em um comunicado publicado em sua conta oficial do WeChat no domingo.


… A nota continua, instando os EUA a “darem um grande passo para abolir completamente a ação errônea e retornar ao caminho correto de resolver as diferenças por meio do diálogo igualitário baseado no respeito mútuo”.


… Coube ao secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, dar as explicações, afirmando que as novas tarifas de smartphones e computadores são “temporárias” e que “esses produtos serão incluídos no setor de semicondutores, em um ou dois meses”.


… Sem dar mais detalhes, afirmou que um aviso será publicado no registro federal ainda esta semana.


… Já Trump saiu falando grosso em sua plataforma de mídia social, dizendo que “NINGUÉM está fora de risco”, que está analisando os semicondutores e “TODA A CADEIA DE SUPRIMENTOS DE ELETRÔNICOS e não seremos reféns de nações hostis como a China”.


… No sábado, ele já havia dito a repórteres no Air Force One que “vamos ser muito específicos na 2ªF”.


OS PREÇOS VÃO SUBIR – O recuo para a importações das techs não alivia a pressão de outros preços do varejo americano, que já estão alertando para uma torrente de aumentos e para a falta de produtos já neste mês, segundo reportagem do Financial Times.


… De acordo com o centro de pesquisa de políticas Budget Lab, da Yale University, algumas lojas se preparam para reajustar seus preços nas próximas duas semanas, diante das tarifas de até 145% para a China, que elevarão seus custos.


… A expectativa é de que esse movimento agravará a inflação persistente que já obrigou muitos consumidores a limitarem seus gastos.


… As primeiras mudanças devem ser sentidas nos corredores de hortifrutigranjeiros dos mercados. Os EUA importam 59% das frutas frescas e 35% dos vegetais que os americanos consomem, de acordo com o Departamento de Agricultura.


… Os varejistas ampliaram seus estoques de roupas e brinquedos e é possível que o consumidor só sinta algum impacto nas prateleiras desses produtos na volta às aulas, no outono. Mas se o consumidor antecipar as compras isso pode levar a aumentos mais rápidos.


EM WALL STREET – Ainda no Financial Times, as tarifas de Trump estão atingindo a confiança dos investidores no ativos americanos pela primeira vez, buscando ações em outros mercados e deixando de acreditar nos títulos do Tesouro e no dólar.


… “Eles estão perdendo o brilho do domínio hegemônico global de que desfrutam há décadas. A confiança desapareceu, ou pelo menos enfraqueceu significativamente, e é difícil imaginar o que poderá trazê-la de volta enquanto Trump estiver na Casa Branca.”


… Segundo a reportagem, o mercado de ações americano carrega risco político pela primeira vez. Os títulos da dívida dos EUA não agem mais como se fossem verdadeiramente isentos de risco. O dólar não está se comportando como um ímã durante períodos de estresse.


… O FT encerra com uma sombria conclusão: “Aconteça o que acontecer, os mercados americanos carregarão uma cicatriz duradoura”.


AGENDA – É bem fraca a pauta dos indicadores no Brasil, prevendo apenas o IGP-10 de abril amanhã (3ªF), além dos dados semanais do fluxo cambial (4ªF) e, hoje, a pesquisa Focus hoje (8h25) e os números semanais da balança comercial (15h).


… Os diretores do BC Diogo Guillen e Nilton David têm reunião trimestral com economistas do mercado (9h30).


… Em Brasília, os feriados da Páscoa e de Tiradentes esvazia o Congresso, com os parlamentares em suas bases eleitorais. Na Câmara, as sessões plenárias serão virtuais, mas sem votações de impacto. No Senado, não haverá sessões de plenário.


… Está confirmado, no entanto, o encaminhamento ao Legislativo da proposta do governo para o Orçamento de 2026 amanhã (15), que deve prever o retorno do superávit primário no ano que vem, com uma meta de 0,25% (ante 0% deste ano).


… Também não há previsão de julgamentos em plenário no Supremo Tribunal Federal.


… O presidente Lula viaja hoje para o Rio de Janeiro, onde participa da inauguração do novo Campus da Universidade Federal Fluminense, em Campos dos Goytacazes. Amanhã estará em Paracambi e em Rezende (RJ), para uma agenda com a montadora Nissan.


LÁ FORA – A reunião do BCE (5ªF) ocorre em meio a um cenário de grandes incertezas com a política tarifária de Trump. Em meio à tensão comercial, diversos dirigentes da instituição mostraram sinais divergentes em seus pronunciamentos públicos.


… Parte deles defende uma nova queda dos juros, enquanto outros são favoráveis a uma pausa no ciclo de flexibilização monetária.


… Nos EUA, os investidores esperam a fala de Powell (4ªF), como uma oportunidade para ajustarem suas apostas aos juros americanos. O mercado está sendo avisado que não há pressa e o mais apropriado é esperar até que o cenário das tarifas fique mais claro.


… Além de Powell, vários Fed boys têm falas previstas nesta semana, a começar de quatro dirigentes hoje: Tom Barkin/Richmond (13h), Christopher Waller (14h), Patrick Harker/Philadelphia (19h) e Raphael Bostic/Atlanta (20h40).


… Entre os indicadores, os destaques são os dados da atividade econômica, sobretudo as vendas no varejo de março (4ªF), uma vez que a confiança e o sentimento do consumidor americano têm renovado mínimas. No mesmo dia, sai a produção industrial nos EUA.


… Na China (3ªF à noite), os dados de atividade de março, com a produção industrial e as vendas no varejo, além do PIB do 1Tri deste ano serão acompanhados com muita expectativa, diante da piora nas perspectivas de crescimento com o início da guerra comercial.


… Ainda hoje (8h), sai o relatório mensal da Opep e as expectativas de inflação ao consumidor do Fed/NY de março (12h).


EUA VS IRÃ – Os dois países concordaram em prosseguir as negociações sobre o programa nuclear de Teerã, após a primeira reunião de alto nível sobre o tema em muitos anos, ocorrida no sábado, sob mediação do governo de Omã.


… Segundo escreveu no X o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, que liderou a delegação iraniana, as partes concordaram em se reunir novamente esta semana. Os Estados Unidos foram representados por Steve Witkoff, negociador preferido de Trump.


OLHO POR OLHO – As bolsas em Wall Street viveram uma gangorra na 6ªF até o início da tarde, quando sinais de que Donald Trump voltaria atrás com a China em algum grau – o que foi confirmado horas depois – animaram os investidores.


…Pela manhã, Xi Jinping tinha anunciado tarifas de 125% sobre produtos dos EUA em retaliação aos 145% do presidente americano.


… Segundo a Casa Branca, Trump estaria “otimista” com a possibilidade de a China buscar um acordo com os EUA.


… Quando saiu a entrevista de Susan Collins (Fed/Boston) ao Financial Times, dizendo que o BC dos Estados Unidos estaria “preparado para estabilizar o mercado”, se necessário, as ações firmaram alta de vez.


… Se as condições se tornarem desordenadas, o Fed “estará absolutamente preparado” para ajudar a estabilizar os mercados financeiros, disse Collins. Por enquanto, observou que os mercados continuam funcionando bem, sem preocupações gerais com liquidez.


… O Nasdaq liderou os ganhos, com +2,06% (16.724,46). O S&P 500 subiu 1,81% (5,363,36) e o Dow Jones avançou 1,56% (40.212,71). Na semana, o Dow Jones subiu 4,95%, o S&P 500 ganhou 5,7% e o Nasdaq avançou 7,29%.


… Collins trouxe uma mensagem de tranquilidade, mas alertou sobre o risco de desaceleração econômica e inflação com as tarifas.


… Por isso, a cautela fez os yields dos Treasuries, no centro da preocupação sobre a atratividade e a segurança dos ativos americanos, fecharem em alta. O da note de 2 anos foi a 3,975% (de 3,883%) e o retorno do título de 30 anos subiu a 4,870% (4,864%).


… Na semana, o rendimento da note de 10 anos, que chegou a ficar acima de 4,5% na sessão, teve a maior alta em duas décadas, com a liquidação dos papéis que se mostra incessante. Na 6ªF, o juro de 10 anos fechou em 4,484% (de 4,436%).


… “Os mercados continuam carregados de preocupação”, disse Mark Hackett, da Nationwide. “Ainda se busca estabilidade em meio às tensões comerciais e incertezas quanto aos lucros das empresas. Os ganhos nas ações não são um ponto de virada”, afirmou.


… Quanto aos lucros do 1Tri, BlackRock, JPMorgan, Wells Fargo e Morgan Stanley apresentaram bons balanços, com resultados acima do esperado, mas variações de “incertezas”, “desconhecidos” e “turbulência” surgiram em seus comunicados.


… Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, disse esperar “uma confusão” nos títulos do Tesouro que leve a uma intervenção do Fed.


… Outro dirigente do Federal Reserve a falar no dia, Neel Kashkari (de Minneapolis), lembrou que, se os Estados Unidos não fizerem novos acordos comerciais, “vai levar tempo para o mercado financeiro e a inflação se acalmarem”.


… As tarifas já estão mexendo com os ânimos dos consumidores americanos, conforme mostrou a pesquisa da Universidade de Michigan. A preliminar de abril confirmou que a expectativa de inflação para o longo prazo disparou de 5,0% para 6,7%, maior nível desde 1981.


… Para o curto prazo, a expectativa de inflação também subiu, de 4,1% para 4,4%.


… A confiança do consumidor levou um tombo, de 57 em março, para 50,8 em abril, abaixo dos 54,6 esperados. “Os números mostrados por Michigan acendem mais sinais de alerta sobre os gastos do consumidor nas próximas semanas”, disse Carl B. Weinberg (HFE).


… Assim como o mercado de Treasuries, o câmbio não embarcou na animação que tomou conta das bolsas na 6ªF. O dólar continuou caindo em escala global, contra pares e emergentes, diante do temor de recessão provocado pela política tarifária de Trump.


… O índice DXY recuou 0,99%, a 99,871 pontos, com o euro em forte alta de 1,36%, a US$ 1,1348 e a libra esterlina avançando 0,80%, para US$ 1,3074. O iene japonês subiu 0,69%, a 143,525/US$. Contra o real, o dólar caiu 0,47%, a R$ 5,8708.


… Por aqui, os juros foram na contramão dos Treasuries com a ajuda do câmbio apreciado e do IPCA de março (+0,56%), quase em linha com o esperado (+0,54%), depois de um resultado muito forte em fevereiro (+1,31%).


… Por outro lado, o IBC-Br desacelerou de 0,92% em janeiro para 0,40% em fevereiro, mas bem acima do esperado (0,20%) mostrando que a atividade continuava robusta no início do ano.


… Apesar dos indicadores de atividade, o movimento de revisões para baixo na Selic continua. Na 6ªF foi a vez de o JPMorgan dizer que espera apenas mais um aumento de 50pb na taxa básica de juros, para 14,75%.


… O banco espera que a Selic feche 2025 em 13,75%, contra 15,25% antes. Para o fim de 2026, cortou a taxa de 12,50% para 9,75%. As projeções do IPCA foram mantidas em 5,5% e 3,2% em 2025 e 2026, quando a desaceleração da economia deve ficar mais evidente.


… O DI para janeiro de 2026 caiu a 14,725% (de 14,805% na véspera); o Jan/27 cedeu a 14,310% (de 14,520%); o Jan/29, a 14,225% (de 14,470%); o Jan/31, a 14,500% (de 14,790%); e o Jan/33, a 14,590% (de 14,900%).


 … Como NY, o Ibovespa, teve um dia volátil, com o índice fechando em alta de 1,05%, aos 127.683,40 pontos, puxado por suas blue chips de commodities. Vale registrou +1,67% (R$ 53,66), seguindo a alta do minério de ferro em Dalian (+0,71%).


… Petrobras ON, +1,98% (R$ 33,92) e PN, +1,99% (R$ 31,85), acompanharam o Brent/jun (+2,26%), que subiu a US$ 64,76, na ICE.


… Bancos também avançaram: Bradesco PN (+1,37%; R$ 12,62), Santander (+1,02%; R$ 26,62), Banco do Brasil (+0,87%; R$ 27,80), Bradesco ON (+0,81%; R$ 11,18) e Itaú Unibanco (+0,51%; R$ 31,81).


… Vamos liderou as altas, com +12,73% (R$ 4,87), seguida por SLC Agrícola, 6,01% (R$ 20,12). Na outra ponta, IRB (-6,65%; R$ 44,63); Natura, com -1,16% (R$ 9,37), e CPFL Energia, com -1,15% (R$ 37,71), tiveram as maiores perdas.


EM TEMPO… Conselho de Administração da PETROBRAS elegeu Ricardo Wagner de Araujo para o cargo de Diretor Executivo de Governança e Conformidade (DGC).


TELEFÔNICA informou a alteração sobre o valor de JCP a ser pago por ação anunciado pela companhia em 1º de abril; o recálculo se deve ao programa de recompra de papéis realizado pela empresa…


… Valor líquido recalculado é de R$ 0,1259 por ação ON; inicialmente, valor informado era de R$ 0,1258 por papel.


EZTEC. Lançamentos cresceram 32% no 1TRI, na comparação anual, para R$ 616 milhões.


CARREFOUR. Venda bruta consolidada cresceu 3,6% no 1Tri25, a R$ 28,8 bilhões, sobre 1Tri24. Vendas mesmas lojas subiram 6,9% no Atacadão, e 2,6% nas unidades de varejo…


… No Sam’s Club, as vendas mesmas lojas caíram 3,8%, segundo a prévia operacional divulgada ontem.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!


*com a colaboração da equipe do BDM Online

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...