sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Leonardo Corrêa

 Grande Léo!! Mais um belíssimo texto! 👏👊


Quando o Golpe Vem com Selo de Aprovação

Leonardo Corrêa*


O Estadão, em editorial publicado nesta sexta-feira, resolveu dar um salto mortal sem rede: acusou de “golpistas” os parlamentares que ousaram — vejam só — usar instrumentos regimentais para se opor à omissão cúmplice das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. Segundo o jornal, obstruir sessões, protestar contra a blindagem permanente de ministros do STF e exigir o funcionamento das regras constitucionais é “sequestrar o Congresso”. Golpismo explícito, diz o título. Pois bem: vamos chamar de explícito o que realmente está escancarado ali — o duplo padrão moral de quem aceita o golpe, desde que venha embalado em toga ou gravata institucional.


O editorial, travestido de defesa da democracia, é um exemplo de como o conceito foi sequestrado pelo arbítrio semântico: obstruir votações virou “crime”, mas impedir que o Senado delibere — mesmo que todos os 81 senadores queiram — é, pasmem, sinal de maturidade institucional. A coragem virou subversão. A covardia virou prudência. O silêncio virou virtude.


Se um parlamentar eleito, no uso legítimo de suas prerrogativas, protesta contra a paralisia seletiva da República, é golpista. Mas se o presidente do Senado declara publicamente que não permitirá, sob nenhuma hipótese, que o Senado aprecie um pedido de impeachment de ministro do STF — ainda que assinado por todos os senadores da Casa — aí temos um herói da estabilidade democrática.


Ora, sejamos honestos: quem subverte a Constituição? Quem rasga o regimento? Quem tranca as instituições por dentro? O parlamentar que luta para que elas funcionem, ou o dirigente que anuncia, de antemão, que elas não funcionarão — “nem com 81 assinaturas”?


O Estadão quer que aplaudamos o fechamento do debate sob a justificativa de conter os perigos de quem quer abrir o debate. Quer que aceitemos como guardiões da democracia os que se recusam a deixá-la operar. Essa é a lógica invertida dos novos tempos: a democracia virou uma estátua de vitrine — bonita de se olhar, intocável, sem uso.


Chamam de golpismo a tentativa de fazer valer a separação de Poderes. Chamam de golpe o esforço de restaurar a função do Senado como instância de controle. Chamam de sequestro institucional o clamor pela aplicação da lei — desde que esse clamor venha das pessoas erradas, segundo o tribunal da virtude editorial.


Mas o que realmente está sendo sequestrado — com a ajuda luxuosa dos editoriais de circunstância — é o sentido da própria democracia representativa. Uma democracia em que a maioria do Senado não pode deliberar, mas o presidente da Casa pode vetar tudo de ofício, não é um regime de pesos e contrapesos. É um teatro com cadeados nos bastidores.


A diferença entre protesto legítimo e golpe não está no desconforto que provoca, mas na fidelidade às regras do jogo. E quem rasga as regras não é quem exige que o Senado funcione — é quem anuncia que, com ou sem maioria, o Senado não funcionará. Isso, sim, é golpismo explícito. E o mais perigoso de todos: o golpismo elegante, assinado, chancelado pela respeitabilidade das colunas de opinião.


Esse simulacro de legalidade, que transforma o zelo institucional em transgressão e a paralisia cúmplice em virtude republicana, não é senão mais uma manifestação do velho estamento burocrático descrito por Raymundo Faoro em Os Donos do Poder — burocrático nas suas expansões e nos seus longos dedos, que vela sobre a política e dela se apropria para manter o jogo sob seu controle.


Herdeiro da tradição patrimonial ibérica e senhor do aparelho de Estado, esse estamento não teme a ruptura aberta, mas sim a devolução do poder à nação representada. Por isso, dissimula sua hegemonia sob a toga, esconde seu veto nas formalidades e convoca a democracia como ornamento de uma estrutura que, na realidade, recusa-se a operá-la. O que se aplaude, nesse teatro com cadeado, é a persistência da forma sem conteúdo, da regra sem eficácia, da ordem sem legitimidade. E quem aponta o dedo à disfunção torna-se, por definição editorial, o subversivo.


O mais estarrecedor é que esse cerco ao funcionamento do Senado já nem se esconde mais nas entrelinhas. Em postagem publicada na rede X, a jornalista Basília Rodrigues informou que ministros do STF ameaçam “levantar o mercúrio” contra o Congresso caso um processo de impeachment avance. Fala-se abertamente em represálias judiciais contra parlamentares, como forma de dissuasão institucional — não jurídica, mas política. A toga passa a ser não mais símbolo de imparcialidade, mas de poder preventivo, intimidatório, disciplinador. Eis o novo pacto: o Senado não toca no Supremo, e o Supremo não toca nos senadores. Mas isso não é separação de Poderes — é pacto de silêncio mútuo.


Assim funciona a democracia quando quem governa é o veto — e quando a imprensa, inclusive por um jornal que sempre respeitei, aplaude, defende e faz a advocacia de um ato tão abertamente antidemocrático.


*Leonardo Corrêa – Advogado, LL.M pela University of Pennsylvania, sócio de 3C LAW | Corrêa & Conforti Advogados, um dos Fundadores e Presidente da Lexum.

O que a Polônia entendeu...

 O que a Polônia entendeu — e o Brasil finge não saber

Texto de Alex Pipkin, PhD


“Nos meus quase 60 anos, que completo em dezembro, nunca imaginei escrever um texto como este. Nunca imaginei ver, em todos esses anos, a esquerda brasileira pregar, abertamente, censura, perseguição política, controle de redes sociais e o uso sistemático do Judiciário como trincheira ideológica. Nunca imaginei ver a esquerda pedir de volta a mordaça, e ainda chamar isso de progresso.


Escrevo porque é preciso estudar, conhecer a história, ler de verdade. Não dá mais para opinar a partir de narrativas embaladas em vitimismo e servidas como virtude. O que está em jogo não é uma eleição, tampouco um partido. É a sanidade institucional do país, que se esvai diante dos nossos olhos.


Enquanto isso, a retórica segue intacta. Justiça social, redistribuição, luta de classes, ou seja, os mesmos slogans de sempre. Mas o que foi feito com tudo isso? O PT, partido que retornou à cena do crime, já esteve no poder por mais de 15 anos. Teve tempo, apoio popular, recursos históricos. E o que fez? Loteou o Estado, aparelhou instituições, consolidou castas estatais e manteve a pobreza sob controle político. Claramente, jamais como prioridade real.


A verdade é incômoda: a ideia nunca foi emancipar. Sempre foi manter os cidadãos em posição de servidão “consciente”, como beneficiários submissos de um Estado protetor, mas controlador. O discurso da inclusão serviu apenas como biombo para o autoritarismo.


A Polônia trilhou outro caminho. Após décadas de socialismo soviético, mergulhada em escassez, vigilância e repressão, viu surgir uma revolução real, o movimento Solidarność, liderado por Lech Wałęsa, um operário católico, anticomunista, genuíno. Eles não queriam controle. Ansiavam por liberdade. E quando ela chegou, o país rejeitou o socialismo não por ideologia, mas por vivência concreta. Naquele país a lição foi clara. Quando o Estado se torna gestor absoluto da economia, da moral e da vida cotidiana, a liberdade desaparece. O que se vende como justiça social se revela, cedo ou tarde, uma forma de dominação.


No Brasil, o socialismo nunca foi vivido, apenas encenado. Por isso muitos ainda fantasiam com a ideia de um Estado salvador, guiado por um “pai dos pobres” que nunca viveu a pobreza, mas aprendeu a explorá-la politicamente. Não há qualquer inocência nesse projeto. Ele não é bem-intencionado, como alguns preferem crer. É sofisticado, cínico e funcional, e dependente da miséria para justificar o poder, e do poder para perpetuar a miséria.


Friedrich Hayek já alertava, com precisão: mesmo quando nasce das melhores intenções, o planejamento centralizado exige o controle de tudo. E onde tudo é controlado, não resta liberdade possível. No nosso caso, nem é preciso discutir as intenções. Pragmaticamente, os resultados falam por si.


A Polônia escolheu a liberdade, mesmo com seus riscos e imperfeições. O Brasil parece disposto a aprender tudo da pior maneira, procrastinando e apostando que o autoritarismo, desta vez, virá com feição humana.


Este texto não é desabafo, é sim advertência.

De quem já viu muito, leu bastante e nunca imaginou viver em um país onde a esquerda voltaria ao poder pregando, como solução, a perseguição institucionalizada.


É também uma afirmação de convicção pessoal. É sempre preferível buscar, mesmo que imperfeita, a liberdade, a se render a um projeto de poder que, mesmo que fosse bem-intencionado (e não é), impõe ao indivíduo a servidão como destino — funesto.”

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Dia fraco tem Rússia e Petrobras*


Ainda na agenda, Guillen participa de evento do JOTA, às 9h


… Vence hoje o ultimato de Trump para Putin encerrar o conflito na Ucrânia, embora o próprio republicano já tenha minimizado o prazo. Em outra frente de interesse ao mercado, o presidente americano confirmou a escolha do chefe do conselho de assessores econômicos da Casa Branca, Stephen Miran, para um mandato-tampão no Fed até janeiro, enquanto Christopher Waller, que votou por corte de juro na última reunião, desponta como favorito para o lugar de Powell. Já é de quase 100% a chance de o ciclo dovish começar em setembro, ampliando a queda global do dólar. É mais fraca a agenda econômica aqui e lá fora hoje. Guillen participa de evento do JOTA, às 9h e Petrobras promove teleconferência aos investidores, às 11h15, para comentar o balanço trimestral divulgado na noite de ontem, em que reverteu o prejuízo de um ano antes e anunciou a distribuição de dividendos para os acionistas. 


DEMORÔ – A empresa soltou o resultado tão tarde, depois das 21h30, que o ADR já não estava mais funcionando.


… Em linha com as projeções no Broadcast, a companhia registrou lucro líquido de R$ 26,6 bilhões (US$ 4,7 bilhões) no segundo trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 2,6 bilhões de abril a junho/25, diante do aumento na produção.


… O Ebitda ajustado da companhia ficou em US$ 9,2 bilhões, 4% abaixo do que um ano antes, enquanto a receita líquida atingiu US$ 21 bilhões, queda de 10,4% na mesma comparação, mas dentro do esperado pelos analistas.


… Junto com o balanço, a Petrobras anunciou que pagará R$ 8,6 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), abaixo do esperado. O mercado esperava em torno de R$ 12 bilhões (ou US$ 2 bilhões no câmbio atual).


… Nos três meses anteriores, a distribuição foi de R$ 11,72 bilhões. Os desembolsos serão feitos em duas parcelas: novembro e dezembro, com R$ 0,3359 de cada vez. As ações passam a ser negociadas ex-direitos no próximo dia 22.


PETRÓLEO RUSSO – Na véspera de expirar o deadline para Moscou encerrar a guerra na Ucrânia, Trump desconversou sobre o que pode ocorrer depois do término desse prazo. “Vai depender de Putin”, respondeu.


… Questionado sobre uma conversa com o líder russo, o republicano disse que Putin não precisa ter reunião prévia com Zelensky para se encontrar com ele (Trump), contrariando informação de um funcionário da Casa Branca.


… Já Putin disse que pode se encontrar com o presidente americano nos Emirados Árabes Unidos nos próximos dias.


… O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que, “em algum momento”, o governo de Washington está considerando tarifas contra a China por conta da compra de petróleo russo por Pequim.


… Aqui, importadores brasileiros de diesel da Rússia reativam contato com fornecedores americanos e procuram alternativas, caso Trump embargue as vendas russas ou amplie as sanções contra o Brasil por comprar o combustível.


… A Rússia e a Índia conversam sobre “parceria estratégica” após Trump aumentar tarifas. Na Reuters, Nova Déli afirma que comprará petróleo russo mesmo após ameaça do presidente dos EUA de impor tarifa adicional de 25%.


… Também o Brasil estreita os laços com a Índia. Em conversa telefônica que durou cerca de 1 hora ontem, Lula e o premiê indiano, Narendra Modi, debateram o tarifaço e defenderam maior cooperação econômica mútua.


… A meta é ampliar o comércio bilateral para mais de US$ 20 bilhões até 2030.


… Lula confirmou que visitará a Índia no início de 2026. Alckmin irá antes, em outubro, em etapa preparatória.


PLANO DE CONTINGÊNCIA – Alckmin afirmou que as medidas já foram apresentadas ao presidente Lula e devem ser anunciadas nos próximos dias, no mais tardar, até a próxima terça-feira, para mitigar os efeitos negativos do tarifaço.


… Em reunião do vice-presidente com a Abicalçados, ontem, foram discutidas linhas de crédito, flexibilização trabalhista, ampliação do programa Reintegra, além de um crédito tributário pago para as empresas exportadoras.


… Alckmin disse que “foi boa” a reunião que teve, também nesta quinta-feira, com o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar. Semana que vem, Haddad se encontra com Bessent.


… O governo brasileiro ainda tenta articular uma redução da alíquota de 50% imposta por Trump.


EUA E CHINA – O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, disse ser provável que o governo Trump estenda por mais 90 dias a trégua tarifária com os chineses, que vence na próxima terça-feira, dia 12.


ISRAEL E PALESTINA – Marcando mais uma escalada da ofensiva, o gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, aprovou um plano para tomar e ocupar a Cidade de Gaza, com o objetivo de “derrotar o Hamas”.


TOMA LÁ, DÁ CÁ – A pacificação do motim na Câmara teve por trás um acordo para limitar a prisão em flagrante de parlamentares, segundo a manchete do Estadão. A “PEC da blindagem” pode ser pautada na semana que vem.


… Segundo os deputados, a proposta de emenda à Constituição tem o objetivo de fortalecer a imunidade do Congresso contra o que os parlamentares consideram abusos cometidos pelo STF, em meio à disputa com Moraes.


… Motta negou ontem qualquer acordo negociado em torno de uma pauta específica para reassumir a cadeira de comando da Casa, mas reconheceu que existe um descontentamento do Congresso com medidas do Supremo.


… Em entrevista ao Metrópoles, ele admitiu que, se a maioria dos líderes partidários quiser pautar o projeto da anistia aos golpistas do dia 8/1, irá respeitar a vontade do colegiado. “Não há preconceito com nenhuma pauta.”


… O presidente da Câmara observou que, “acima da Presidência há um plenário”, e que “gostando ou não da matéria”, se houver ambiente político e apoio da maioria, o presidente precisa ter a capacidade de ouvir.


… Já no Senado, Alcolumbre aprovou de forma simbólica o projeto que isenta de Imposto de Renda quem ganha até dois salários mínimos e que substitui uma medida provisória sobre o tema que caducaria na próxima segunda-feira.


… Em derrota aos bolsonaristas, ele se negou a pautar o impeachment de Moraes, apesar das assinaturas da  oposição. Alcolumbre defende que a prerrogativa de iniciar processo contra um ministro do Supremo é apenas dele.


MAIS AGENDA – Além de Guillen, também o secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello, e as ministras Simone Tebet e Gleisi Hoffmann participam de evento do JOTA nesta manhã, às 9h.


… Entre os indicadores, o dia fraco começa com a primeira prévia de agosto do IPC-S (8h). Em seguida (9h), o IBGE divulga a produção industrial regional de junho. Depois do fechamento do mercado, sai o balanço da M.Dias Branco.


LÁ FORA – Com um corte do juro em setembro amplamente precificado, o mercado financeiro acompanha hoje a participação do presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, em evento sobre crédito bancário, às 11h20.  


… Às 14h, a Baker Hughes solta os dados de petróleo. À noite (22h30), sai a inflação de julho (CPI e PPI) na China.


A PANELINHA DE TRUMP – O diz-que-me-diz em torno de quem vai ser o chefe do Fed ganhou novos contornos ontem com a indicação de Stephen Miran como novo diretor no lugar de Adriana Kugler, que renunciou.


… O dirigente terá um mandato-tampão e ficará até 31 de janeiro de 2026, data em que Adriana deveria sair, e a expectativa é que Miran tenha uma postura mais dovish, ampliando o coro de Fed boys a favor de cortes de juros.


… Presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Miran, 41 anos, é uma das pessoas mais consultadas por Trump em assuntos de economia, segundo a Dow Jones.


… Ele já expressou apoio à pressão de Trump para que o Fed corte juros imediatamente. Ocupou cargos no primeiro mandato do republicano e foi assessor do então secretário do Tesouro, Steve Mnuchin.


… Miran conquistou espaço no círculo mais próximo do presidente depois de escrever um estudo influente entre conservadores, conhecido como ‘Acordo de Mar-a-Lago”, que defende medidas para enfraquecer o dólar.


… A Capital Economics considerou que o nome é uma boa escolha e deve passar fácil pelo Senado.


… Na Reuters, Jay Hatfield, CEO da Infrastructure Capital, disse que a escolha é incomum para o cargo, ainda mais depois de comentários controversos “sobre forçar as pessoas a comprare títulos do Tesouro”.


… Mas foi uma decisão prática de Trump. “Não se pode recrutar alguém do setor privado por um período tão curto.”


… Para o comando do Fed, no lugar de Powell, o nome de Christopher Waller ganha protagonismo.


… Assessores de Trump estão “impressionados” com a disposição de Waller em adotar políticas com base em previsões, em vez de dados. Waller já disse há algumas semanas que aceitaria um convite para presidir o Fed.


MUITA CALMA – Destoando da onda dovish, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic admitiu que, de fato, os riscos para o mercado de trabalho aumentaram, mas ainda é muito cedo para se comprometer com cortes no juro.


… Há expectativa que a inflação suba nos próximos meses e ainda não dá para saber se o impacto das tarifas nos preços será apenas pontual, disse Bostic. Para ele, apenas um corte de 25 pontos neste ano estará de bom tamanho.


… Não é o que boa parte do mercado pensa. Depois da indicação de Miran, a aposta para um corte total de 75 pontos este ano virou majoritária: 53,2%, segundo a ferramenta CME FedWatch. Antes da indicação, era de 47,8%.


… Para setembro, a chance de um corte de 25 pontos nos juros é quase unânime: passou de 91,4% para 93,2%.


… Quanto a Waller, que saiu de falcão para pombo, sua figura é muito respeitada nos mercados financeiros e nos círculos do BC. Por esse motivo, sua indicação seria positiva para o dólar, disse Karl Schamotta, da Corpay.


… “Ele é visto como alguém com uma inclinação para flexibilização monetária, mas tem a credibilidade necessária para manter os rendimentos dos Treasuries de longo prazo ancorados e os fluxos para o dólar bem sustentados.”


… A moeda se acomodou perto da estabilidade ontem (-0,07%), aos 98,106 pontos.


… O euro ficou no zero a zero (+0,05%), a US$ 1,1661 e a libra avançou bem: 0,67%, a US$ 1,3447, diante do “corte hawkish” de juros do BoE. O BC inglês reduziu a taxa de juros em 25pb, mas por um placar apertado de 5 a 4.


… Aqui, o real teve mais um dia de valorização, levando o dólar a fechar em baixa de 0,74%, a R$ 5,4227.


… Num dia marcado pela maior disposição dos investidores em tomar risco, com o alívio no câmbio, as taxas dos DIs queimaram prêmios, o que também beneficiou a bolsa.


… O DI Jan/26 caiu a 14,895% (de 14,904% no ajuste anterior); Jan/27, a 14,100% (14,143%); Jan/29, a 13,260% (13,364%); Jan/31, a 13,460% (13,592%); e Jan/33, a 13,590% (13,707%). 


… Os juros dos Treasuries oscilaram em torno dos ajustes anteriores. O da note de 2 anos foi a 3,726%, de 3,720%; o da T-Note de 10 anos subiu a 4,242%, de 4,232%, e o do T-bond de 30 anos ficou em 4,825%, de 4,824%.


… Em Wall Street, o Nasdaq subiu pouco (+0,35%), mas bateu recorde de fechamento, em 21.242,70 pontos. O Dow Jones caiu 0,51%, para 43.968,70 pontos, e o S&P 500 ficou estável (-0,08%), aos 6.340,00 pontos.


BOTANDO PRA QUEBRAR – Os bons balanços corporativos influenciaram mais um dia estelar no Ibovespa, que chegou a bater nos 137 mil pontos na máxima do dia, deixando NY em segundo plano.


… Eletrobras PNB (+9,6%; R$ 46,03) e ON (+9,47%; R$ 42,77), SmartFit (+7,80%; R$ 23,23) e Cogna (+5,31%; R$ 2,97) foram alguns dos destaques da sessão em que o Ibov subiu 1,48%, aos 136.527,61 pontos. O giro foi de R$ 23,9 bi.


… Eletrobras, além de divulgar balanço que superou com folga as projeções, surpreendeu com o anúncio de R$ 4 bilhões em dividendos.


… Itaú PN (+1,77%; R$ 36,78) foi mais uma vez destaque e as blue chips de commodities subiram, contrariando as cotações de suas respectivas matérias-primas.


… Vale (+0,63%; R$ 54,11) foi na contramão da queda de 0,25% do minério de ferro em Dalian. Petrobras (PN +0,56%; R$ 32,53; e ON +0,71%; R$ 35,61) ignorou a baixa de 0,69% do petróleo Brent, a US$ 66,43 por barril.


… Minerva liderou as quedas com -5,14% (R$ 4,98). O conselho da empresa aprovou uma redução de capital de R$ 577,3 milhões para absorver prejuízos.


CIAS ABERTAS – B3 registrou lucro líquido recorrente de R$ 1,28 bilhão no segundo trimestre, aumento anual de 4,2%; Ebitda recorrente somou R$ 1,72 bilhão, recuo de 2,7% em relação ao mesmo período de 2024.


EMBRAER aprovou a distribuição de R$ 66,9 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0911 por ação; data de pagamento e data-base ainda serão definidas pelo Conselho de Administração.


BRF. S&P Global elevou rating da empresa de BB para BB+, com perspectiva estável, após aprovação da fusão com Marfrig pelos acionistas na AGE do dia 5…


… Agência também removeu rating de crédito de emissor da BRF da listagem CreditWatch com implicações positivas e elevou ratings de emissão das notas senior sem garantia de BB para BB+…


… S&P ainda reafirmou rating brAAA da BRF na escala nacional.


MAGAZINE LUIZA registrou prejuízo líquido de R$ 24,4 milhões, revertendo lucro de R$ 23,6 mi apresentado um ano antes; Ebitda somou R$ 687,1 milhões, alta anual de 4,9%.


LOJAS RENNER teve lucro líquido de R$ 404,5 milhões no segundo trimestre, alta de 28,4% na comparação anual; receita líquida cresceu 18,4%, para R$ 4,167 bilhões; Ebitda ajustado aumentou 32,9%, para R$ 891 milhões.


AZZAS registrou lucro líquido recorrente de R$ 283,7 milhões no segundo trimestre, alta anual de 81,7%; Ebitda recorrente somou R$ 535,6 milhões, 9% maior do que o apresentado um ano antes…


… Rafael Sachete da Silva deixará cargos de diretor financeiro e de RI para assumir divisão de sapatos e bolsas; executivo será substituído por Eric Alencar.


GRENDENE registrou lucro líquido de R$ 143,6 milhões no segundo trimestre, avanço de 244,7% na comparação anual; Ebitda somou R$ 71 milhões, alta de 66,1% em relação ao mesmo período de 2024.


ALPARGATAS registrou lucro líquido consolidado de R$ 87 milhões no segundo trimestre, alta anual de 271,1%; Ebitda ajustado somou R$ 192,6 milhões, avanço de 176,6% em relação ao mesmo período de 2024.


VIVARA registrou lucro líquido de R$ 151 milhões no segundo trimestre, queda de 28,4% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 204,6 milhões, alta de 24,7% ante o mesmo período do ano passado.


ASSAÍ registrou lucro líquido de R$ 219 milhões no segundo trimestre, alta de 78% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 1,07 bilhão, avanço de 11,8% em relação ao mesmo período de 2024.


PETZ registrou lucro líquido ajustado de R$ 18,4 milhões no segundo trimestre, alta anual de 81,8%; Ebitda ajustado somou R$ 83,5 milhões, avanço de 39,5% em relação ao mesmo período de 2024.


FLEURY registrou lucro líquido de R$ 152,3 milhões no segundo trimestre, queda de 12,3% na comparação anual; Ebitda somou R$ 523,1 milhões, alta de 1,9% em relação ao mesmo período de 2024…


… Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 169 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,3100 por ação, com pagamento em 3 de outubro; ex em 13 de agosto.


BRASKEM. BB Investimentos cortou preço-alvo da ação de R$ 16 para R$ 14, mantendo recomendação de venda, mas com potencial de revisão…


… Companhia reportou números negativos no 2TRI, impactados, entre outros fatores, por custos elevados de matérias-primas adquiridas em períodos anteriores, diz o banco.


STONE teve lucro líquido ajustado de R$ 630,9 milhões no segundo trimestre, alta de 26,9% sobre um ano antes; receita cresceu 20,2%, para R$ 3,5 bilhões; volume de pagamentos processados (TPV) subiu 8,1%, a R$ 136,3 bi….


… Carteira de crédito aumentou 154% na comparação anual, para R$ 1,8 bilhão; provisões saltaram 354,9%, para R$ 82,3 milhões…


… Companhia revisou guidance de lucro bruto ajustado em 2025 de R$ 7,05 bilhões para R$ 6,37 bilhões; guidance de lucro ajustado por ação passou de R$ 8,60 para R$ 9,60.


ENGIE BRASIL registrou lucro líquido ajustado de R$ 564 milhões no segundo trimestre, queda anual de 34%; Ebitda ajustado somou R$ 1,9 bilhão, baixa de 4,4% em relação ao mesmo período de 2024.


ENERGISA registrou lucro líquido consolidado de R$ 489,8 milhões no segundo trimestre, queda de 25,2% na comparação anual; Ebitda somou R$ 2,17 bilhões, alta de 22,6% em relação ao mesmo período de 2024…


… Companhia aprovou a distribuição de R$ 457,1 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 1,0 por unit e R$ 0,20 por ação ON e PN, com pagamento em 26 de setembro; ex em 13 de agosto.


AUREN ENERGIA registrou prejuízo líquido de R$ 562,9 milhões, frente à perda de R$ 17,6 milhões registrada um ano antes; Ebitda ajustado somou R$ 980,6 milhões, alta anual de 18%.


PETRORECÔNCAVO registrou lucro líquido de R$ 238,13 milhões no segundo trimestre, alta de 5% na comparação anual; Ebitda somou R$ 373,77 milhões, queda de 12% em relação ao mesmo período de 2024…


… Companhia registrou produção média de óleo e gás de 26.862 boed em julho, número estável em relação a junho.


TENDA registrou lucro líquido consolidado de R$ 203,9 milhões no segundo trimestre, ante os R$ 4,5 milhões reportados no mesmo período de 2024; Ebitda somou R$ 133,4 milhões, crescimento anual de 79,6%.


EZTEC registrou lucro líquido de R$ 139,9 milhões no segundo trimestre, alta de 57,8% na comparação anual; receita líquida cresceu 8% no mesmo período, para R$ 449,2 milhões…


… Empresa aprovou a distribuição de dividendos no valor de R$ 66,455 milhões, o equivalente a R$ 0,3046 por ação, com pagamento em 29 de agosto; ex em 15 de agosto.


PLANO&PLANO registrou lucro líquido de R$ 83,5 milhões no segundo trimestre, queda de 12,3% na comparação anual; Ebitda somou R$ 135,6 milhões, crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.


UNIPAR registrou lucro líquido de R$ 232 milhões no segundo trimestre, salto de 161% na comparação anual; Ebitda somou R$ 389 milhões, mais de três vezes superior ao registrado um ano antes.


RUMO registrou lucro líquido atribuído aos controladores de R$ 329 milhões no segundo trimestre, revertendo prejuízo; Ebitda somou R$ 1,9 bilhão, revertendo resultado negativo de R$ 264 milhões de um ano antes.


SANEPAR teve lucro líquido de R$ 263,8 milhões no segundo trimestre, queda de 29,7% na comparação anual; receita líquida cresceu 2,5%, para R$ 1,705 bilhão; Ebitda recuou 16,8%, para R$ 536 milhões.


ÂNIMA teve lucro líquido ajustado de R$ 29,2 milhões no segundo trimestre, alta de 18,9% na comparação anual; receita líquida cresceu 2,9%, para R$ 1,005 bilhão; Ebitda ajustado aumentou 4,4%, para R$ 352,2 milhões.


ALUPAR registrou lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 144,8 milhões no segundo trimestre, recuo de 39% na comparação anual; Ebitda consolidado somou R$ 680 milhões, alta de 5,5%.


MOVIDA registrou lucro líquido de R$ 67,6 milhões no segundo trimestre, avanço de 59,1% na comparação anual; Ebitda somou R$ 1,38 bilhão, aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2024.


BR PARTNERS registrou lucro líquido de R$ 45,2 milhões no segundo trimestre, queda de 13% na comparação anual; receita total recuou 1,9%, para R$ 139,3 milhões; ROAE passou de 24,9% para 22,6%.


BOA SAFRA SEMENTES registrou lucro líquido de R$ 24,8 milhões no segundo trimestre, avanço de 37% na comparação anual; Ebitda somou R$ 19,1 milhões, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2024.


KEPLER WEBER registrou lucro líquido de R$ 14,4 milhões no segundo trimestre, queda de 61,1% na comparação anual; Ebitda somou R$ 37,9 milhões, recuo de 19,3% em relação ao mesmo período de 2024.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: Tom misto numas bolsas que, de momento, não perdem nem intensidade nem energia. Wall St. fecha plana, com a exceção de tecnologia, após um leilão fraco de obrigações a 30 anos. Mas, em geral, os índices mantêm as subidas, impulsionadas pela força da tecnologia americana (avaliação de OpenIA alcança recorde de 500kM$ vs. 300kM$ na sua última ronda de financiamento), bons resultados empresariais e expetativa de cortes de taxas de juros nos EUA. A entrada em vigor dos recentes impostos alfandegários (25% adicional à Índia até 50%, 39% à Suíça, etc.) não faz danos. As negociações continuam e, em alguns casos, como o Japão, esperava-se uma descida dos níveis atuais. Os semis avaliam com alívio (SOX +1,5%) a isenção de 100% se investirem nos EUA, como já anunciou Apple (+8,5% em 2 sessões). O anunciado encontro Trump/Putin gera esperanças de uma desescalada das tensões. O patinho feio é o Reino Unido, que reflete com quedas a descida esperada de -25 p.b. por parte do BoE, até 4,0%, mas muito renhida e com tom duro que arrefece a expetativa de novos cortes.


A Produtividade não Agrícola nos EUA melhora mais do que o esperado no 2T25, confirmando as recentes afirmações de Powell de que os aumentos salariais já não são fonte de pressões inflacionistas, porque são superadas pela produção/funcionário e hora. E as Petições Semanais de Desemprego continuam a apontar para um arrefecimento gradual do mercado laboral. Reafirmam a perspetiva de um próximo corte da Fed na sua reunião de 17 de setembro, apesar da Fed de Nova Iorque apontar, no seu relatório mensal, que as expetativas de inflação a curto prazo aumentam. Bostic (Fed de Atlanta) mantém a sua opinião de apenas um corte este ano, porque vê com ceticismo que o impacto dos impostos alfandegários seja apenas temporário. 


Continuando com a Fed, Waller (dovish) emerge como favorito para subsituir Powell no término do seu mandato, em maio de 2026, e Stephen Miran, atual Chefe do Conselho de Assessores Económicos da Casa Branca, substituirá a recém-demitida Adriana Kugler até janeiro, o final do seu mandato.


E hoje deveremos ver alguma consolidação de níveis numa sessão sem incentivos macro e/ou micro. Japão avalia em alta (+1,8%) e os futuros vêm com ligeiras subidas (+0,2% nos EUA e Europa), mas não temos macro nem resultados de empresas importantes. A única referência de interesse é a conferência de Musalem (Fed de San Luis, às 15:20 h), caso diga algo sobre a política monetária após os fracos dados de emprego de julho. Até agora, manteve um tom hawkish/duro: considera que ainda é cedo para avaliar o impacto dos impostos alfandegários na inflação e teme um aumento de preços em junho/setembro. Provavelmente, não teremos pistas até à reunião de banqueiros centrais em Jackson Hole (21/23 de agosto). 


Em suma, esperamos uma sessão de transição, -0,1%/+0,3%? À espera de referências macro importantes nos EUA na próxima semana: IPC (terça-feira), Produção Industrial (quinta-feira) e Confiança do Consumidor da U. de Michigan (sexta-feira).


S&P500 -0,1% NQ100 +0,3% SOX +1,5% ES-50 +1,3% VIX 16,6% BUND 2,63%. T-NOTE 4,24%. SPREAD 2A-10A USA=+51PB B10A: ESP 3,20% ITA 3,42%. EURIBOR 12M 2,12% (FUT. EURIBOR 12M 2,1%). USD 1,164. JPY 171,6. OURO 3.392$. BRENT 66,2$. WTI 63,6$. BITCOIN -0,6% (116.595$). ETHER +0,8% (3.905$).


FIM

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...