José Pastore resume a tese do livro de Joaquim Falcão: a crise da democracia brasileira nasce também dentro do Estado, quando autoridades dos três Poderes passam a servir a interesses próprios e de seus aliados. Para o autor, essa captura forma uma oligarquia capaz de se proteger mutuamente.
Pastore descreve um equilíbrio de ameaças: parlamentares têm pedidos de impeachment contra magistrados, enquanto magistrados têm ações contra parlamentares. Na sua leitura, essa dependência favorece a autoproteção e dificulta a responsabilização. Ele atribui a esse ambiente um custo econômico: a imprevisibilidade afasta investimentos, reduz o crescimento e limita a criação de bons empregos.
A distinção central do artigo é entre legalidade e legitimidade. Uma autoridade pode ocupar legalmente o cargo, mas, segundo Pastore, só conquista legitimidade quando sua atuação produz benefícios para a população. Daí sua crítica à frase “as instituições funcionam”: ele argumenta que, hoje, elas funcionam sobretudo para quem integra a rede de poder que chama de “lobbycracia”.
O título, “O Estado sou eu”, sintetiza a denúncia do autor: agentes públicos agiriam como donos das instituições que deveriam servir ao país. Sua conclusão é pessimista — enquanto prevalecer essa lógica de autoproteção, o Brasil terá dificuldade de progredir.
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