sábado, 1 de novembro de 2025

André Lara Resende

 O brilhante economista André Lara Rezende traz, em seu artigo hoje no Valor, uma reflexão contundente sobre a questão do endividamento público. Vale muito a pena ler.


Minha humilde visão, na ótica do financiador do estado, cito alguns fatores que determinam os limites de endividamento, público e privado, de uma economia:

a. O relevante para endividamento não é o tamanho. Mas sim os custos de se financiá-lo no longo prazo e a sua taxa de crescimento.
b. A análise de solvência baseada apenas no tamanho da dívida é míope, pois não aborda outras questões como a taxa de crescimento de longo prazo da economia, muito ligada ao aumento da produtividade e à tendência da evolução do estoque de capital humano.
c. A microestrutura de financiamento da dívida também é extremamente relevante neste contexto. Questões como dimensão e sofisticação do mercado de capitais e financeiro, participação de capital estrangeiro e adequação do apetite de risco dos financiadores domésticos no processo de financiamento de longo prazo e o papel dos bancos neste processo são muito importantes.
d. Há também a questão da ligação íntima entre a política monetária, cambial e financiamento público. Por exemplo: o percentual do financiamento público feito através do BC, o tamanho das reservas cambiais necessárias e seu custo e forma de financiamento, o impacto das estratégias do Tesouro na curva de juros e o caráter de quase moeda dado à dívida pública quando os seus prêmios de liquidez são baixos.
e. A capacidade de poupança interna de uma economia. Economias com elevado estoque de poupança, diversificado em várias classes de ativos externos e internos ou com taxas elevadas de poupança interna, podem ter endividamento maior.
f. Qual é a natureza do gasto público sendo financiado por dívida? Seria este direcionado para despesas correntes ou para investimentos em infraestrutura econômica e social visando aumentos futuros de produtividade? E qual é a sua efetividade?
g. O contexto político no qual se decide o tamanho do endividamento. A sociedade está alinhada com o endividamento atual à luz da qualidade dos gastos do Estado e da sua dimensão?
h. O nível de conversibilidade da moeda local. Economias com baixa conversibilidade e controles de capital podem conviver com endividamento elevado por maior tempo. Economias mais abertas estão mais sujeitas à avaliação relativa quanto ao tamanho e crescimento das suas dívidas em relação a seus pares.

Considerando-se tudo isso, eu concordo com o autor.

https://lnkd.in/dh__XfV8

Guerra Civil no Rio

 guerra civil no Rio

Especial

 

1.         No Brasil, tudo parou depois da incursão das forças de segurança pelo Complexo do Alemão, um aglomerado de favelas, mais de 120 mil pessoas lá vivendo nas piores condições. Em verdade, foi a justiça a autorizar esta mega operação, em conjunto com a Polícia Militar e a Civil, mais de 71 mandatos de prisão contra o Comando Vermelho (CV).

 

2.        Objetivo aqui foi frear a expansão territorial dos marginais, a extorquirem a população da região. Ao fim, foram 121 mortes, com 4 policiais indo a óbito. Não acho que tenha sido um massacre, nem que dê para criticar a operação, já que o CV vinha atuando neste complexo explorando as pessoas, cobrando variadas taxas (gaz, net, proteção, aluguéis), aproveitando a ausência de governo nestas regiões.

 

3.         Numa ação bem coordenadas entre as polícias, foram cerca de 2,5 mil homens a ingressarem na reigão, uma junção entre o Complexo do Alemão e da Penha. Eram cerca de 1,o mil “soldados” do tráfico. A percepção é q são um bando de moleques sem noção, sem maturidade, sem saber ao certo as consequências dos seus atos. Se acham “guerrilheiros”. Um bando de garotos irresponsáveis, saindo da adolescência. Por isso, ter sido o estrago q foi. No “bota para quebrar”, contra homens do Bope, do Core, Polícia Civil e militar, profissionais e bem treinados, fugiram em bando para a mata. Foi só cercar no chamado muro do Bope.

 

4.        As comunidades do Rio estão coagidas, sob o julgo do tráfico e das milicias. A moça q trabalha na minha mãe, mora lá na Rio das Pedras. A lógica por lá é das milícias, na qual o tráfico usa a mesma estratégia, do domínio territorial. O tráfico, além de vender droga (cocaína, maconha, etc) cobra taxas dos moradores das comunidades. Coleta de lixo, depois das barreiras, não entra mais, nem o serviço de luz, o Samu. Posto de saúde do SUS só vai até certo ponto. Butijão de Gás, tem q ser dos milicianos ou do tráfico. O mesmo para “gatonet”. Enfim, é o Estado dentro do Estsdo. Até aluguéis são eles q definem onde e como cobrar. Se o aparelho repressivo do Estado não enfrentar isso, acabou.

 

5.        E o governo carioca resolveu agir. Na operação, até a tática de "jogar" os traficantes no tal "muro do Bope" foi brilhante, a evitar q inocentes fossem mortos. O tráfico tem esta preocupação? Claro q não. Até pq usa a população como "escudo". É guerra civil. A impressão é q o PT quer manter este julgo, já q faz o mesmo com os detentores dos "vales" da vida. E claro! Só serve se for da autoria de algum político das esquerdas.

 

6.        Não nos livramos, porém, da polarização. A esquerda acha que a operação foi mal planejada, a direita nega. Em verdade, as diversas pesquisas de opinão são favoráveis à operação (acachapantes até, com mais de 80% de apoio na Atlas, e a Paraná Pesquisa nos 65%). São tantos apoios, q fica até chato criticar. Vida que segue.

 

Bom fim de semana a todos!

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...