sexta-feira, 17 de abril de 2026

Leblon Equities

 📈 *Para a Leblon Equities, alta até agora é ‘recuperaçãozinha’ perto do que está por vir-Valor*


_Para Pedro Rudge, sócio-fundador da casa, o fluxo estrangeiro não deixou as ‘large caps’ caras; apenas diminuiu a gordura que havia nas ações_


Por Bruna Furlani e Maria Fernanda Salinet


Depois de o Ibovespa bater recordes em abril e acumular alta de mais de 22% no ano, a avaliação da equipe de gestão da Leblon Equities que a disparada do índice não foi um “exagero” e que o movimento foi reflexo de uma “recuperaçãozinha” no tamanho da alocação em açõ brasileiras dentro dos portfólios globais, segundo o sócio-fundador da casa, Pedro Rudge.


Em entrevista ao Valor, o executivo diz que o Brasil “saiu de moda” das carteiras dos investidores internacionais nos últimos anos, mas que necessidade de diversificação e a guerra fizeram o país voltou a chamar atenção, sendo reconhecido como um “polo” capaz de atrair recursos. Embora a maior parte dos fluxos de alocadores estrangeiros tenha ido para “large caps”, as empresas de maior valor de mercado, Rudge avalia que esse tipo de papel segue atrativo.


*Valor*: _A alta recente da bolsa tem um pouco de exagero ou há fundamento?_


*Pedro Rudge*: Acho que não tem exagero. O movimento do Ibovespa foi muito concentrado nos nomes mais líquidos, como Vale, Petrobrás e bancos, e achamos que o índice não representa bem a economia. Quando olhamos, ainda tem várias oportunidades na bolsa; tem muita co que continua barata. Por exemplo, empresas menores mais sensíveis a juros ainda não tiveram esse impacto do fluxo inicial do estrangeiro podem se favorecer em uma segunda onda [de alocação de capital]. Temos Priner, Mills, Brisanet, Lojas Renner e BeMobi como exemplos empresas que vemos grande potencial.


*Valor*: _Mesmo em meio à guerra, o que fez a bolsa local continuar a subir?_


*Rudge*: Boa parte do fluxo dos investidores nesses últimos anos foi muito canalizado para as empresas de tecnologia, para a economia americana. De alguma maneira, todos esses movimentos mais recentes, seja de imposição de tarifas comerciais, seja dessa postura um po mais belicosa do governo americano com os parceiros, fez com que os investidores tivessem uma sensação de um risco e de uma incertez um pouco maior, fazendo com que economias emergentes que estavam um pouco esquecidas ganhassem atenção, principalmente entre o de 2025 e início deste ano.


*Valor*: _O que favoreceu essa procura por investidores estrangeiros?_


*Rudge*: Nesses primeiros quatro meses do ano, o Brasil foi bem beneficiado por esse fluxo estrangeiro. O ‘valuation’, ou seja, o preço dos ativos brasileiros, estava bastante descontado em relação aos últimos três ou quatro anos, o que ajudou. O país também é um produtor de commodities e aqui, principalmente com a guerra, entendeu-se que nós poderíamos ser beneficiados. Nós exportamos petróleo e o agronegócio é muito forte. Tem ainda o fato de estarmos com um patamar de juros muito elevado. O movimento de queda da Selic, que começou recentemente, também pode continuar, e ainda tem a possibilidade de mudança de governo. Juntando tudo isso, o Brasil acaba sendo um polo que atrai fluxo.


*Valor*: _O Brasil virou um “porto seguro” enquanto a América Latina virou um “óasis” de segurança com a guerra?_


*Rudge*: Não dá para usar esses adjetivos tão fortes. O investidor estrangeiro sabe que somos um país e uma região voláteis. Porém, dada conjuntura, alguns países da América Latina acabaram sendo reconhecidos como um polo atrator de recursos. Talvez o Brasil esteja sendo beneficiado um pouco mais entre os emergentes por causa dos últimos anos de queda do mercado, além de uma visão positiva sobre a eleição, que pode mudar a percepção de risco. Quando o investidor coloca isso nas contas, o Brasil se torna um mercado interessante para aumentar exposição. É bom lembrarmos que o Brasil ‘saiu de moda’ desde 2021. O país já foi muito mais relevante no portfólio do investido global do que está agora, mesmo com essa ‘recuperaçãozinha’. A exposição dos investidores estrangeiros estava e ainda está muito peque em ações brasileiras e esse aumento da posição ainda é muito inicial.


*Valor*: _Esse fluxo estrangeiro para o país é mais tático ou estrutural?_


*Rudge*: Para ser estrutural, é preciso mais tempo. É um movimento oportunístico. Se o fluxo estrangeiro vai continuar ou não, um pouco da resposta está no contexto global; a outra parte está aqui se fizermos o dever de casa, se os juros caírem, se o governo ‘endereçar’ a questã fiscal. Tem fatores externos que não controlamos que podem ajudar ou dificultar um pouco, mas tem também o nosso dever de casa para tornar esse movimento mais estrutural.


*Valor*: _As ‘large cap’s estão caras agora?_


*Rudge*: ‘Large caps’ não estão caras. Acho que diminuiu a gordura que tinha nelas, mas ainda encontramos empresas interessantes. Falo considerando a média, porque você pode ver uma ou outra ação que já esteja bem precificada. O Ibovespa sobe perto de 22% no ano, poré tem empresa que está crescendo, então o preço delas devia realmente estar subindo. Não acho que dá para falar que o mercado está caro. Acho que são cenários. Se os juros continuarem em um patamar alto por muito tempo e as empresas ficarem mais endividadas, algumas d ficarão caras, assumindo uma manutenção do cenário atual. Porém, se imaginarmos que os juros vão cair e que as empresas continuarão performar bem operacionalmente, ganhando ‘market share’ [participação de mercado] e margem, penso que as ações têm espaço para continuar apreciando. Acho que a Vale e algumas companhias elétricas podem ter ficado mais caras. Em algumas empresa é preciso assum premissas mais positivas para que elas continuem atrativas.


*Valor*: _A gestão ainda vê oportunidade nas ações de estatais?_


*Rudge*: Continuamos a ter posição em Banco do Brasil e Petrobras, mas acho que não dá para entender as duas de forma igual. A Petrobras, apesar de ser estatal, andou muito porque o petróleo está acima de US$ 100 e o governo precisa dos seus dividendos, então, de uma certa maneira, o risco de ser uma estatal diminui um pouquinho. Acho difícil essa afirmativa de que as estatais estão mais bem precificadas do que já foram no passado. A Petrobras está muito valorizada por que o petróleo saiu de US$ 60 e foi para US$ 100. Já o papel de Banco do Brasil continua com bastante desconto. Uma parte dele justificável pelo desempenho sofrível da carteira de crédito do agro. Tem também o componente político. Se houver alguma mudança, esse risco poderia diminuir, mas não é por isso que temos a ação. Gostamos porque está barata e o mercado precifica que vai demorar muito tempo para o banco se recuperar, o que não achamos.


*Valor*: _Como está o portfólio?_


*Rudge*: Um terço do fundo está em empresas, como Netflix, Uber, TSMC, Micron, Google, que carregamos no longo prazo, porque envolvem movimentos transformacionais. Outro terço está em ‘large caps’: Petrobras, B3, BTG Pactual, Rede D'Or e um pouco de Vibra. Já a última parte está em empresas menores, como Priner.


*Valor*: _O investidor local pode voltar para a bolsa se houver mais clareza com as eleições?_


*Rudge*: Mesmo que haja uma melhor clareza em relação à eleição, os juros seguem altos. É claro que atrairia algum fluxo, mas a eleição é incerta. Está muito polarizado e, se continuar assim a definição será próxima de outubro.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Sexta Feira,17 de Abril de 2.026.


*Trégua não resolve e mercado volta ao ceticismo*

Sinalização dos EUA de novo encontro com Irã no fim de semana não foi confirmada pelo Paquistão


… O cenário de guerra segue sem desfecho claro, embora Trump tenha tentado animar o mercado com o acordo entre Israel e Líbano e a sinalização de um novo encontro com o Irã já no fim de semana — hipótese que não foi confirmada pelo Paquistão. Com a agenda fraca de indicadores, o noticiário corporativo ganha protagonismo. Em Nova York, a Netflix caiu 8% após decepcionar no guidance, apesar de resultados acima do esperado. Aqui, os investidores repercutem o relatório de produção e vendas da Vale, divulgado ontem à noite, além da eleição de Guilherme Mello para a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, em AGO realizada nesta quinta-feira.


TÁTICA DE GUERRA – O anúncio de um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano – que já está em vigor desde o final desta quinta-feira – trouxe algum alívio pontual no cenário geopolítico, no entanto, está longe de representar uma virada no conflito.


… A trégua, mediada pelos Estados Unidos e inserida no acordo mais amplo com o Irã via Paquistão, abre espaço para negociação, mas analistas observam que tem validade curta e está cheia de condicionantes. Na prática, o movimento é mais tático do que estrutural.


… O próprio acordo prevê possibilidade de extensão, enquanto Washington já admite que as negociações podem se arrastar por meses.


… Ao mesmo tempo, Israel mantém o direito de reagir a ameaças, e o Hezbollah deixou claro que não aceita liberdade de ação israelense no território libanês — o que mantém o risco de ruptura elevado. Do lado do Irã, o tom segue ambíguo.


… Embora tenha celebrado o cessar-fogo como parte do entendimento com os Estados Unidos, Teerã voltou a cobrar concessões prévias de Washington e sinalizou desconfiança sobre a condução das negociações.


… A ausência de data para uma nova rodada de conversas mostra que o processo diplomático está em estágio inicial e longe de um desfecho.


… As falas de Donald Trump, aliás, passaram a ter impacto cada vez mais limitado sobre os preços.


… Apesar de reiterar que há “muito progresso” e até sugerir um acordo próximo, o mercado reagiu com ceticismo — em parte porque o próprio presidente mantém o discurso contraditório, admitindo que os combates podem ser retomados a qualquer momento.


… Com isso, o investidor já não opera mais no headline das notícias, mas na falta de confirmação concreta: sem avanço verificável, o tom otimista perde força e dá lugar a uma leitura mais cautelosa sobre uma solução do conflito.


… Nesse contexto, cresce a percepção de que o conflito saiu da fase de choque e entrou em um impasse prolongado.


… A possibilidade de uma trégua estendida mantém a incerteza elevada sobre a oferta global de energia e a reabertura do Estreito de Ormuz. O resultado é um mercado mais cético: mesmo com avanços pontuais no campo diplomático, o petróleo segue pressionado.


APOIO ÀS EXPORTAÇÕES –Aqui, ogoverno avançou com uma resposta direta aos efeitos da guerra sobre o comércio global.


… O Conselho Monetário Nacional regulamentou, em reunião extraordinária, nesta quinta-feira, novas linhas de crédito no âmbito do Plano Brasil Soberano, com foco em sustentar exportações em meio à instabilidade externa.


… O pacote envolve R$ 15 bilhões e será operado pelo BNDES, mirando empresas afetadas por tarifas dos Estados Unidos, setores industriais considerados estratégicos e exportadores com exposição ao Oriente Médio.


… A iniciativa busca ampliar o acesso ao crédito e sustentar investimentos e produção, em um momento em que o choque geopolítico ameaça cadeias de comércio e competitividade. Na prática, o governo tenta evitar que a volatilidade externa contamine a atividade doméstica.


… As condições financeiras são relativamente favorecidas, com taxas entre 2% e 8% ao ano, prazos de até cinco anos para capital de giro e até vinte anos para investimentos, incluindo períodos de carência mais longos.


… O desenho reforça o uso de instrumentos de crédito público como amortecedor de choques externos — especialmente em um ambiente de juros ainda elevados e maior seletividade do crédito privado. As linhas devem começar a operar em até 30 dias.


CRÍTICAS AO PLDO – O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso na véspera pelo governo Lula, já nasceu sob desconfiança no mercado, com avaliações de economistas ouvidos por Valor e Estadão.


… Para Marcos Mendes (Insper), a meta de superávit primário de 0,5% do PIB — equivalente a R$ 73,2 bilhões — só poderá ser atingida com a ajuda de exclusões permitidas pelo arcabouço, como precatórios e parte dos gastos sociais.


… Na prática, isso reduz o esforço fiscal real e limita o impacto sobre a trajetória da dívida. Há estimativas de que seria necessário um superávit bem mais robusto — na casa de 1,5% a 4% do PIB — para iniciar um ajuste consistente, o que está longe do cenário projetado.


… Já Renan Martins (4intelligence) até reconhece que a meta é factível dentro das regras atuais — justamente porque há espaço para acomodação via exceções. Mas alerta que o risco, nesse caso, não está no ponto de partida, mas no caminho.


… Sendo 2026 um ano eleitoral, cresce a preocupação com a inclusão de novas despesas e “pacotes de bondade” no Orçamento.


… Há sinais positivos, como a previsão de acionamento de gatilhos fiscais e maior inclusão de precatórios no cálculo da meta, mas o conjunto ainda depende de premissas exigentes — especialmente em relação ao comportamento dos gastos e à manutenção do arcabouço.


… No horizonte mais longo, as projeções para a dívida também são vistas como otimistas.


… A estimativa de pico em 2030 e queda a partir daí pressupõe disciplina fiscal contínua e ausência de novos estímulos — um cenário que, historicamente, tem baixa probabilidade de se concretizar. O resultado é um diagnóstico conhecido.


… A meta pode até fechar no papel, mas com pouco efeito prático sobre o ajuste fiscal e a dinâmica da dívida.


CALIBRANDO O CONSUMO E O DESGASTE –Em meio à crescente preocupação com o endividamento das famílias e o impacto político sobre o consumo, o governo foca em duas frentes sensíveis: o aperto sobre as apostas esportivas e a revisão da chamada “taxa das blusinhas”.


… Enquanto o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, antecipou que a sobretaxa de importações até US$ 50 poderá cair, o vice Geraldo Alckmin defendeu a medida como necessária para proteger a indústria nacional e preservar empregos.


… A divergência expõe o conflito entre duas agendas e a tentativa de aliviar o bolso das famílias num ambiente de maior sensibilidade eleitoral.


… Já o endurecimento do discurso contra as bets, também sinalizado por Guimarães, reforça esse movimento do governo de atuar contra pressões no orçamento das famílias. Os temas tendem a ganhar tração nas próximas semanas.


ESCALA 6X1 – Guimarães se reúne com Hugo Motta, nesta sexta-feira (9h), em um movimento de articulação para alinhar a tramitação das propostas do Executivo e do Legislativo, na disputa pelo protagonismo do tema.


… O presidente da Câmara indicou que não pretende designar relator para o projeto de lei enviado pelo governo, concentrando os esforços na PEC, que segue o rito legislativo próprio no Congresso e já está em análise na Comissão de Constituição e Justiça.


… A expectativa é de que a CCJ avance na análise da PEC na próxima semana.


AUTONOMIA DO BC – O relator da PEC que amplia a autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério, apresentou uma nova versão do parecer, com ajustes pontuais e poucas mudanças de mérito em relação ao texto anterior.


… Apesar do avanço formal, a proposta segue sem previsão de votação na CCJ, o que mantém o tema no campo das negociações políticas.


NETFLIX –Entregou um resultado forte no primeiro trimestre, com lucro e receita acima das expectativas, mas o guidance mais fraco para o segundo trimestre acabou dominando a leitura do mercado e levou as ações a caírem mais de 8% no after hours.


… O lucro por ação ficou em US$ 1,23, bem acima das projeções, enquanto a receita atingiu US$ 12,25 bilhões, também superando as estimativas.


… Parte relevante do resultado, no entanto, foi impulsionada por um efeito não recorrente — a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões ligada à negociação com a Warner. Sem esse impacto, o desempenho seria mais modesto, o que também ajuda a explicar a reação negativa.


… O ponto central, porém, está no guidance. Para o segundo trimestre, a empresa projeta lucro e receita abaixo do esperado por Wall Street, citando uma concentração maior de amortização de conteúdo neste período.


… A Netflix afirma que as margens devem se recuperar na segunda metade do ano, mas a sinalização de menor rentabilidade pesou mais. O movimento reforça a lógica do mercado: mais do que o resultado corrente, é a trajetória à frente que define o preço dos ativos.


VALE –Divulgou uma prévia operacional sólida para o primeiro trimestre, com avanço na produção e vendas e recordes em metais básicos, mas já com os primeiros — ainda que limitados — impactos do cenário de guerra.


… A produção de minério de ferro cresceu 3% na comparação anual, sustentada pelo ramp-up de novos ativos, como Capanema e VGR1, enquanto as vendas avançaram 3,9%, atingindo o maior nível para um primeiro trimestre desde 2018.


… Em metais básicos, o desempenho foi ainda mais forte.


… O cobre e o níquel registraram crescimento de dois dígitos, com recordes históricos para um primeiro trimestre. No caso do níquel, parte da produção foi direcionada à formação de estoques para atender vendas durante paradas programadas, enquanto o preço avançou.


… No segmento de pelotas, houve recuperação da produção e melhora de preços, refletindo prêmios mais elevados e maior flexibilidade no mix de produtos. O ponto de atenção veio da guerra no Oriente Médio.


… A Vale reportou restrições logísticas em suas unidades de Omã, o que deve manter as operações paradas até o terceiro trimestre. Ainda assim, a companhia afirma que o impacto será mitigado pelo redirecionamento da produção, sem alteração no guidance.


… No after hours em Nova York, a reação foi contida, com leve alta dos ADRs.


PETROBRAS –Em Assembleia Geral Ordinária, a companhia renovou parte do Conselho de Administração e elegeu Guilherme Mello como presidente do colegiado, em movimento que ocorre em meio à volta da estatal ao centro do debate político.


… A União manteve seis das 11 cadeiras, preservando o controle sobre o órgão, enquanto os minoritários ficaram com quatro assentos.


… A mudança acontece após episódios recentes de maior intervenção, incluindo críticas do presidente Lula à empresa, troca de diretoria e revisão de decisões comerciais, como no caso do leilão de GLP.


… O pano de fundo é desafiador. A alta do petróleo beneficia a geração de caixa da empresa, mas aumenta a pressão para controle de preços dos combustíveis no mercado doméstico, mantendo no radar o risco de interferência na política comercial.


… Na assembleia, também foram aprovados o orçamento de capital para 2026, com investimentos de R$ 114 bilhões concentrados em exploração e produção, e a distribuição de dividendos referentes a 2025, no total de R$ 41,2 bilhões, correspondendo a R$ 3,20/PN e ON.


… No after hours em Nova York, os ADRs operavam em baixas de 0,14% (ON) e de 0,21% (PN).


DIA ESVAZIADO –A agenda desta sexta-feira é mais leve, com poucos indicadores relevantes no radar, tanto no Brasil quanto no exterior.


… Na Zona do Euro, sai a balança comercial, enquanto, nos Estados Unidos, membros do Fed participam de eventos ao longo do dia, incluindo falas de Mary Daly, Tom Barkin e Christopher Waller.


… No Brasil, o destaque é a segunda prévia do IGP-M de abril (8h).


ALFREDO MENEZES – Em live do Bom Dia Mercado, nesta quinta-feira, que você ainda pode assistir no canal do BDM no Youtube, o sócio fundador da Armor Capital traçou suas projeções para juros e câmbio, considerando os impactos da guerra para o Brasil.


… O gestor não acredita que o petróleo voltará aos níveis pré-conflito (US$ 65/barril) neste ano, mas espera uma acomodação dos preços em torno de US$ 80/US$ 85 em dois meses, tempo em que a demanda estará mais aquecida para a reposição dos estoques dos países.


… Alfredo Menezes disse estar preocupado com os efeitos da crise sobre a inflação, não só pela pressão dos combustíveis, mas, em especial, dos fertilizantes e alimentos. A Armor ajustou sua previsão para o IPCA deste ano para 4,60%, com viés para cima, e, em 2027, para 4%.


… Com isso, ele aposta em um corte conservador no Copom do fim de abril, de 25pbs, e Selic terminal mais elevada, de 13%.


… Sobre o dólar, não acredita que tenha força para vir abaixo de R$ 4,90, comentando que o movimento de rotação de ativos que trouxe grande fluxo para o Brasil neste início de ano pode estar terminando. Prevê a volta do dólar para R$ 5,20.


… O economista reconhece que o carry trade continuará sendo muito atrativo, mas alerta para a volatilidade do cenário eleitoral, a partir de junho e julho, que poderá pressionar o câmbio nos próximos meses – coincidindo com as remessas sazonais do final de ano.


… Também nesta quinta, em Washington, o diretor de Assuntos Internacionais e diretor de Política Econômica do BC, Paullo Picchetti, assumiu discurso cauteloso para os juros, afirmando que as coisas “definitivamente não melhoraram desde o Copom de março” (leia abaixo).


EQUILÍBRIO INSTÁVEL – Nem o Ibovespa testou ainda os 200 mil pontos e tampouco o dólar se consolidou até agora abaixo dos R$ 5. O câmbio e a bolsa continuam orbitando estas regiões, mas vão vivendo em uma espécie de limbo.


… O mercado abandonou o choque inicial da guerra, mas ainda não embarcou na resolução, preso nos últimos dois pregões à falta de novidades. O deadline do cessar-fogo se aproxima e os próximos dias podem ser decisivos.


… Assim, ainda não dá para saber se o Ibovespa vai morrer na praia, sem alcançar no curtíssimo prazo a marca tão sonhada dos 200 mil. Ontem, engatou o segundo dia seguido de realização de lucro e entregou os 197 mil pontos.


… Vindo de uma sequência de recordes, o índice à vista foi incapaz de driblar nesta quinta-feira uma nova correção, mesmo com a alta do petróleo favorecendo Petrobras. Caiu 0,46%, a 196.818,59 pontos, com giro de R$ 30,3 bilhões.


… Mas o investidor estrangeiro segue entrando com força na B3. Pelo último informe, na terça (dia 14), chegou mais R$ 1,2 bilhão em capital externo. O fluxo acumulado chega a R$ 15,7 bilhões em abril e a R$ 69 bilhões no ano.


… Em véspera de exercício de opções sobre ações, Vale teve queda firme de 1,13%, a R$ 87,44, ignorando o rali de 3,10% do minério. Mas a ação ainda acumula alta superior a 20% no ano, indicando um ajuste natural e saudável.


… Petrobras (ON +4,19%, a R$ 53,66; e PN +3,60%, R$ 48,58) colou no petróleo, que ficou muito perto de voltar aos US$ 100, porque o barril já anda cansado de promessas e cobra um acordo concreto de paz entre Trump e o Irã.  


… O contrato do Brent para junho saltou 4,69%, para US$ 99,39, e o WTI para maio avançou 3,72%, a US$ 94,69.


… Entre os papéis dos bancos, com exceção de Bradesco PN, que subiu 0,24%, a R$ 20,85, faltou fôlego para o setor. Itaú PN caiu 0,13% (R$ 46,98), Santander unit recuou 0,73% (R$ 31,45) e BB ON perdeu 0,49%, a R$ 24,28.


… A B3 divulgou a segunda prévia da carteira teórica do Ibovespa para o período de maio a agosto deste ano. Assim como na primeira versão, a lista mostrou a exclusão de IRB, Cyrela, Localiza e Axia. Nenhuma nova ação foi incluída.


NEM VAI NEM VOLTA – A tese de que o real chegou ao limite com a perda de força da rotação de ativos e que, daqui para frente, o espaço para continuar melhorando é cada vez menor, ainda terá de ser submetida ao rumo da guerra.


… Mas é verdade que, apesar de o dólar ter furado recentemente o suporte psicológico dos R$ 5, ainda não conseguiu ir a fundo na queda, a ponto de se posicionar com convicção em um novo patamar abaixo desta marca.


… Faz três pregões seguidos que a moeda americana não sai de perto da estabilidade, sem avanços no Irã para servir de gatilho. Com alta marginal de 0,01% ontem, quebrou uma sequência de seis quedas e fechou cotada a R$ 4,9929.


… O diferencial de juros elevado entre o Brasil e Estados Unidos continua vantajoso, mas o câmbio parece ter piso.


… O real não se empolgou ontem nem com a retomada da alta do petróleo e nem com os comentários de Picchetti, na mesma direção de Nilton David na véspera, sinalizando que o Copom não vai acelerar o ritmo de corte da Selic.


… Durante o evento Itaú Latam Day, em Washington, o que pegou, como se viu, foi a declaração de Picchetti de que a situação “certamente não melhorou” desde a última reunião de política monetária no mês passado.


… Ele tomou o cuidado de esclarecer que a avaliação é de caráter pessoal, não discutida previamente com o Copom.


… Mas alertou sobre a desancoragem das expectativas de inflação, que já estouravam a meta de 3% antes da guerra, e disse que, se ficar evidente que os riscos se concentram no lado negativo, o tamanho do ciclo de juro será afetado.


… No mercado, diante do choque energético e da surpresa com o IPCA elevado de março, já faz algum tempo que as apostas em Selic abaixo de 12% este ano viraram passado. A curva a termo aponta atualmente taxa de 13,5%.


… Sob o “efeito Picchetti”, traders voltaram a correr ontem para a precificação amplamente majoritária (92% segundo o Broadcast) de um corte menor da Selic este mês, de só 0,25 ponto. A chance de 0,50 ponto é isolada (8%).


… Sensível às expectativas de política monetária e ao leilão de prefixados do Tesouro, os vértices curtos dos juros futuros voltaram a operar acima de 14%, com o DI para Janeiro de 2027 a 14,045% (de 13,953% no ajuste anterior).


… O contrato para Jan/28 subiu a 13,490% (contra 13,340% na véspera); o Jan/29 avançou para 13,335% (de 13,212%); e também operaram sob pressão o Jan/31, a 13,415% (de 13,344%); e o Jan/33, a 13,515% (de 13,476%).


TUDO CERTO, NADA RESOLVIDO – Enquanto Trump diz que as negociações com o Irã estão progredindo e que “tudo indica” que um acordo será firmado em breve, os Treasuries e o câmbio em NY desconfiam do clima de já ganhou.


… Na última terça-feira, o presidente americano havia dito que as tratativas em Islamabad recomeçariam em “um ou dois dias”, ou seja, até ontem. O atraso no cronograma sugere que o sentimento positivo pode estar exagerado.


… Sem uma data marcada para outra rodada de conversas, apesar da proximidade do fim do acordo de cessar-fogo, as taxas da Note de dois anos avançaram para 3,777% (de 3,761% um dia antes) e de 10 anos, a 4,310% (de 4,279%).


… Também o dólar preferiu não encampar o otimismo fabricado por Trump e o índice DXY avançou 0,16%, a 98,215 pontos. O euro caiu 0,16%, a US$ 1,1786, a libra perdeu 0,24%, a US$ 1,3532, e o iene recuou para 159,15 por dólar.


… O diretor do Fed Stephen Miran voltou a imprimir a sua digital dovish, assegurando que tem espaço para três ou quatro cortes de juros ainda neste ano, embora o mercado só projete uma queda para a segunda metade de 2027.


… Apesar da guerra, Miran disse que ainda não vê um motivo convincente para o Fed adiar um relaxamento monetário e projetou que, daqui a um ano, a inflação do PCE de 12 meses poderá estar em torno da meta de 2%.


… O colega John Williams não compartilhou da mesma convicção, disse que a inflação ficará “bem acima” de 3% nos próximos meses, diante do cenário “altamente incerto”, e que o momento não é bom para o Fed fornecer guidance.


… No BC inglês (BoE), o presidente Andrew Bailey afirmou à BBC News que o banco “não vai se precipitar em decisões” sobre aumento nas taxas de juros, apesar dos reflexos sobre a inflação dos preços do petróleo e do gás.


… Entre os mercados em Wall Street, só mesmo as bolsas compraram a hipótese de contenção rápida do choque.


… O S&P 500 (+0,26%, a 7.041,28 pontos) e o Nasdaq (+0,36%, a 24.102,70 pontos) tiveram altas tímidas, mas renovaram as máximas históricas pelo segundo dia consecutivo. O Dow Jones avançou 0,24%, a 48.578,72 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Refinaria de Mataripe, da ACELEN (controlada pelo fundo Mubadala, dos Emirados Árabes), reduziu preços do diesel S-10 (-3,5%) e da gasolina (-4,3%), acompanhando a queda do preço do petróleo.


VALE aprovou continuidade das negociações para otimizar concessões ferroviárias das linhas EFC e EFVM.


CSN confirmou avanço no processo de venda de ativos, incluindo a CSN Cimentos, com recebimento de propostas não vinculantes, mas mantém confidencialidade sobre as partes interessadas.


CSN MINERAÇÃO pagará R$ 768,6 milhões em dividendos (R$ 0,14 por ação). Ex hoje.


GERDAU fez oferta de R$ 150 milhões por participação de 23% da Celesc na usina Dona Francisca.


BB captou US$ 500 milhões em “nature bonds” com prazo de 5 anos; demanda chegou a US$ 2,5 bilhões.


BTG. Questionado pelo CVM sobre informação de que teria comprado R$ 1,1 bilhão em carteiras do Master, o banco afirmou que a compra de carteiras de crédito é atividade corriqueira, sem necessidade de comunicação ao mercado.


VIBRA receberá cerca de R$ 258 milhões pela venda de participação na Evolua à Copersucar.


ENGIE BRASIL aderiu à repactuação de UBP de hidrelétricas, com saldo de R$ 2,37 bilhões e efeitos contábeis no 2TRI.


ENEVA registrou geração de 3.942 GWh no 1TRI26, mais que triplicando na comparação anual.


CEMIG prevê concluir investimento de R$ 100 milhões em sistema de gerenciamento de distribuição neste ano.


TIM antecipou de 30/4 para 22/4 o pagamento de R$ 880 milhões em JCP (R$ 0,1632 e R$ 0,2024 por ação).


TELEFONIA. Oito operadoras apresentaram propostas para o leilão de 700 MHz da Anatel, que acontecerá no dia 30 de abril: Telefônica, Tim, Claro, Brisanet, Unifique, MHNet, IEZ! e Amazônia Serviços Digitais.


COPASA teve autorização do TCE-MG para continuidade de potencial oferta pública de ações.


CEDAE elegeu Rafael Rolim de Minto como novo diretor-presidente.


HYPERA teve preço-alvo elevado para R$ 26 pelo Citi, com recomendação neutra/alto risco.


MBRF teve participação do Citi reduzida para 14,79% do capital.


ONCOCLÍNICAS obteve medida cautelar na Justiça para suspender execuções por 60 dias; dívida soma cerca de R$ 3,2 bilhões. (Valor/O Globo)


GPA anunciou três novos membros na diretoria executiva: José Rafael Vasquez comandará a área comercial, digital e marketing; Jonas Laurindvicius ficará à frente do segmento de “supply chain” (cadeia de suprimentos)…


… E Jorge Jubilato assumirá funções em recursos humanos e sustentabilidade.


TRISUL lançou R$ 436 milhões (-4,4%) e teve vendas de R$ 392,6 milhões (+34,4%) no 1TRI26.


AZEVEDO & TRAVASSOS vendeu participação de 10% na Sanessol por cerca de R$ 9,9 milhões.

Leblon Equities

 📈 *Para a Leblon Equities, alta até agora é ‘recuperaçãozinha’ perto do que está por vir-Valor* _Para Pedro Rudge, sócio-fundador da casa,...