terça-feira, 18 de novembro de 2025

Bastidores

 *BASTIDORES: Tentativas de venda do Master escondiam fraude bilionária*


Alex Ribeiro

São Paulo


As tentativas de vender o Banco Master, primeiro para o BRB e depois para um consórcio liderado pela Fictor, foram uma cortina de fumaça para tentar encobrir as supostas fraudes na instituição, segundo apurou o Valor.


Em fevereiro, a fiscalização do Banco Central identificou operações de crédito fantasma do Master para o BRB — ou seja, empréstimos forjados, incluindo crédito consignado.


As operações foram comunicadas à Polícia Federal e aos órgãos de combate à lavagem de dinheiro, que, desde então, iniciaram o trabalho de apuração dos supostos crimes e o rastreamento dos recursos — com o objetivo de identificar o beneficiário final e recuperar valores.


O Banco Central exigiu, então, um reforço de capital do BRB e a recomposição dos índices de liquidez — medidas que já foram realizadas, recuperando a saúde financeira do banco.


Diante do avanço das apurações, o Banco Master e o BRB apresentaram ao Banco Central, para análise e aprovação, a operação de compra do controle da instituição.


Se fosse levada adiante, a operação integraria, numa só instituição, todas as supostas operações fraudulentas, dificultando a apuração de todo o seu alcance.


A análise da compra do Master pelo BRB avançou durante meses — enquanto o Banco Central avaliava a consistência do negócio, seguiram as apurações dentro do próprio Banco Central sobre a extensão das supostas fraudes no balanço do Master, além do trabalho na PF e órgãos de lavagem de dinheiro.


Depois da negativa da operação, há dois meses, os controladores do Banco Master procuraram outras alternativas para tentar salvar a instituição da liquidação.


O banco tinha problemas sérios de liquidez, que já permitiam a liquidação, e deficiência patrimonial — tanto que o controlador, Daniel Vorcaro, vendeu ativos para fazer aportes no banco.


O objetivo das investigações era identificar todas as ramificações do Master, que tinha aliados poderosos no governo do Distrito Federal e no Congresso — que, inclusive, chegou a reunir assinaturas para acabar com a independência do BC e demitir os diretores diretamente envolvidos na análise da venda do Master.


Ontem foi a segunda tentativa de criar uma cortina de fumaça. Vorcaro, que vinha sendo monitorado pela Polícia Federal, tomou conhecimento de que haveria uma operação contra ele e os demais executivos do Master e BRB. 


Foi nesse contexto que a proposta de compra do Master por um consórcio liderado pelo Grupo Fictor, incluindo desconhecidos investidores árabes, foi vazada para a imprensa.


As informações prestadas pelas partes envolvidas eram de que o Banco Central já estava analisando a operação, quando, na verdade, a autoridade monetária não tinha sequer sido notificada.


A Polícia Federal se antecipou, então, ao movimento de fuga de Vorcaro, com sua prisão. Nesta manhã, o Banco Central decretou a liquidação das instituições do conglomerado, com exceção do Banco Master Holding, que será submetido a um Regime de Administração Especial Temporário (RAET) para tentar recuperar valores no banco.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Wall Street em modo aversão com techs*


Bolha em IA e virada nas apostas para o Fed de dezembro elevam mau humor


… Home Depot divulga resultados antes da abertura, em um ambiente de nervosismo em Nova York às vésperas do balanço da Nvidia, que pode sinalizar com seu guidance os riscos de uma bolha em IA. A virada nas apostas para o Fed de dezembro, com chances majoritárias de uma pausa nos cortes do juro, contribuiu para o mau humor, que contagiou os ativos domésticos – inclusive a curva de juros, que tinha motivos para cair. A expectativa agora é para o payroll de setembro, nesta quinta-feira, e para o PCE de outubro e o PIB/3Tri, dia 26, que podem mudar tudo de novo. Aqui, duas prévias da inflação de novembro, da Fipe e do IGP-M, são os únicos indicadores de hoje.


RUÍDOS À VISTA – É difícil saber como os dados de setembro, que serão divulgados com dois meses de atraso, serão recebidos pelo mercado e se, de fato, terão influência sobre a decisão dos membros do Fomc na reunião dos dias 9 e 10 de dezembro.


… A julgar pelos comentários da maioria dos Fed boys, que estão alinhados a Powell, o relatório do emprego não deve ser suficiente para suprimir o conservadorismo da política monetária. Mas, se vier feio como os anteriores, pode causar muito ruído.


… Na última reunião do Fomc, quando o mercado em peso contava com mais uma queda do juro em dezembro, Powell desestimulou as apostas em corte, corrigindo as expectativas que, aos poucos, foram se adequando à mensagem de cautela.


… No final da tarde em Nova York, as chances de manutenção do juro, entre 3,75% e 4%, eram de 57%, contra 43% de queda de 25 pontos-base.


… O ajuste não só derrubou as bolsas, ampliando a aversão com o receio de uma bolha das techs, mas também pressionou o dólar e deu o start para a correção do câmbio e dos juros no Brasil, em dia de nova queda das expectativas inflacionárias e da atividade.


… No boletim Focus, a estimativa para o IPCA de 2025 recuou de 4,55% para 4,46%, ficando pela primeira vez abaixo do teto da meta do Banco Central, que é de 4,50%. Os consensos para 2026 (4,20%), 2027 (3,80%) e 2028 (3,50%) foram mantidos.


… Já o IBC-Br mostrou uma queda de 0,24% na atividade econômica em setembro contra agosto, pior que o esperado (-0,10%).


… Os dois dados, no entanto, embora reforcem os sinais de que o momento de cortar a Selic está próximo, não fizeram preço na curva de juros, diante da tensão do mercado externo. A agenda nos Estados Unidos pesou e prevaleceu como driver desta segunda-feira (abaixo).


RISCO DE CORREÇÃO – Reportagem na Bloomberg ouviu analistas que temem que a recente queda no mercado de ações dos Estados Unidos possa se transformar em uma correção completa, citando indicadores técnicos “preocupantes”.


… O índice S&P 500 fechou nesta segunda-feira abaixo de sua média móvel de 50 dias pela primeira vez em 139 sessões e acendeu o alerta.


… Alguns estrategistas têm previsões de um declínio de 5% a 10% para o S&P 500 e de 8% para o Nasdaq.


… A queda no S&P 500 ampliou o declínio desde seu último recorde em 28 de outubro para 3,2%, a pior desvalorização desde a máxima histórica entre fevereiro e abril. O índice rompeu a segunda maior sequência acima da linha de tendência.


… “Há muitos danos acontecendo sob a superfície do mercado”, disse Dan Russo (Potomac Fund), afirmando que uma quebra abaixo da média móvel de 50 dias será ainda mais preocupante se coincidir com uma queda sustentada e mais ações atingindo novas mínimas.


… Também o índice Nasdaq estaria apresentando alguns sinais “preocupantes”, segundo John Roque (22V Research), com mais empresas dos 3.300 componentes do índice sendo negociadas em mínimas de 52 semanas do que em máximas, um sinal de fraqueza do mercado.


… Para ele, se não estava óbvio na primeira semana de novembro, deveria estar agora: “uma correção está ocorrendo”.


… Na opinião de Dan Wantrobski (Janney Montgomery Scott), a quebra da sequência histórica do S&P 500 acima de sua média móvel de 50 dias sinaliza que mais turbulências podem estar a caminho. Ele também concorda que uma correção já está acontecendo.


… E torce: “É melhor que o S&P 500 sofra uma correção leve agora, caso contrário, ela será mais severa no início do próximo ano.”


BIG TECHS – A recente fraqueza do mercado de ações foi sustentada pelas ações de tecnologia de alto desempenho, que impulsionaram alta de 38% no S&P 500 desde sua mínima em abril até sua máxima em outubro. Seu avanço, porém, estagnou.


… As sete maiores empresas de tecnologia, responsáveis por praticamente todo o ganho do mercado neste ano caíram quase 4,5% neste mês.


… O mercado de inteligência artificial passou da euforia para sinais de ceticismo, à medida que os investidores analisam os enormes volumes de empréstimos necessários para financiar seu desenvolvimento.


… Roque (22V) considera a Meta, a dona do Facebook, como o “indicador desta correção”, pois começou a cair antes de seus concorrentes e já está 24% abaixo de seu pico em agosto. Ontem, a ação perdeu 1,2%.


… A Nvidia será a última das grandes empresas de tecnologia a divulgar seus resultados, amanhã, em meio à apreensão com as altas avaliações da empresa de inteligência artificial, embora a expectativa seja de que a fabricante de chips supere as expectativas outra vez.


… Mais do que os lucros, porém, os investidores devem reagir ao guidance da Nvidia.


AGENDA FRACA – A prévia do IPC-Fipe abre o dia (5h) e será seguida da parcial do IGP-M, às 8h.


LEI ANTIFACÇÃO – Deve ser votada hoje no Plenário da Câmara, após Hugo Motta defender o projeto relatado pelo deputado Guilherme Derrite como “a resposta mais dura da história do Parlamento no enfrentamento do crime organizado”. O texto está na quinta versão.


… Mas todos os ajustes não foram suficientes para um acordo com o governo, que deve perder o protagonismo da segurança pública.


… Após se reunir na noite de ontem com Motta, a ministra Gleisi Hoffmann disse os governistas tentarão influenciar o máximo possível.


… “Nós viemos trazer nossas preocupações sobre o texto, como a questão do tipo penal facção criminosa, do perdimento extraordinário, dos fundos federais da polícia, e Motta me disse que conversou muito com o relator e teve avanços em muitos pontos.”


LULA – Nesta segunda, o presidente convocou uma reunião com ministros para discutir a segurança pública, apurou o Valor. O encontro ocorre em meio à crescente pressão para que o governo se envolva mais ativamente no debate sobre o tema.


… A megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro no início do mês deu espaço à oposição para avançar, após a pesquisa Genial/Quaest mostrar que a aprovação do governo interrompeu a tendência de alta.


… O percentual dos que desaprovam o governo chegou a 50% (49% em outubro). Já a aprovação passou de 48% para 47%.


BANCO MASTER – Causou surpresa no mercado o anúncio no fim da tarde da venda de parte do banco ao Grupo Fictor, em conjunto com investidores árabes, com aporte imediato de R$ 3 bi para reforçar a estrutura de capital.


… É a segunda tentativa em menos de 8 meses do Master de mudar de dono, após o BC ter barrado em março a venda de parte dos ativos ao Banco de Brasília (BRB). No Estadão, o BC deve seguir criterioso e pode negar de novo.


… Terá 360 dias para analisar a operação, prazo que começará a contar a partir da entrega de todos os documentos.


LÁ FORA – Em meio à inclinação hawkish para o Fed, Michael Barr tem evento às 12h30 e Thomas Barkin, às 11h.


… Entre os dados, saem nos Estados Unidos o relatório semanal ADP de emprego no setor privado, às 10h15, além das encomendas à indústria em agosto e confiança das construtoras de novembro, ambas ao meio-dia.   


… O Chile (8h30) e a Colômbia (13h) divulgam os resultados do PIB do terceiro trimestre.


FAIXA DE GAZA – O Conselho de Segurança da ONU aprovou na noite de ontem o plano de Trump que autoriza uma força internacional de paz e a administração provisória da região por um comitê de estrangeiros.


… Na Folha, a resolução legitima o plano de paz da Casa Branca e consolida a ideia de retirada gradual de Israel. Mas gerou críticas de opositores, que enxergam no plano um potencial caminho para transformar Gaza em protetorado.


IMPORTOU O ESTRESSE – Sofrendo por antecipação, antes do payroll e do balanço da Nvidia, o mercado externo elevou a guarda e a onda bateu por aqui: o Ibovespa perdeu os 157 mil pontos, o dólar superou R$ 5,30 e o DI saltou.


… Os sinais de esfriamento do IBC-Br e a esperança de que o IPCA termine o ano dentro da meta poderiam ter servido de motores para as apostas de que o Copom, em algum momento, vai ser sensibilizado a amolecer a Selic.


… Mas, como se viu, os juros futuros ignoraram os fatores de alívio e incorporaram o risk-off de Nova York.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcou 13,665%, na máxima do dia (de 13,614% no ajuste anterior); Jan/29 disparou a 12,920% (de 12,826% na véspera); Jan/31, a 13,240% (13,167%); e Jan/33, a 13,435% (13,379%).


… A pressão aumentou ontem, à medida que o câmbio foi atingido mais fortemente pelo que vinha de fora.


… O dólar, que vinha se mantendo comportado e abaixo de R$ 5,30 por quatro pregões seguidos, quebrou a sequência de alívio e fechou em alta de 0,66%, cotado a R$ 5,3314, depois das mínimas recentes desde o Plano Real.


… Nesta reta final do ano, a pressão sazonal da saída de dólares para o exterior já pode estar facilitando uma correção na moeda americana. Mas, em primeiro plano, ontem foi o exterior que redobrou a cautela por aqui.


… A percepção de que o Fed pode não cortar juros em dezembro ganhou corpo e sustentou alta de 0,29% do índice DXY, a 99,588 pontos. O euro caiu 0,32%, a US$ 1,1591, e a libra esterlina perdeu 0,19%, cotada a US$ 1,3156.


… O iene recuou para 155,23 por dólar, enfraquecido pela primeira contração do PIB japonês em seis trimestres, que praticamente anula (ou pelo menos esvazia) as expectativas de um aperto monetário pelo BoJ ainda este ano.


… No Fed, o número 2 na hierarquia, Philip Jefferson, reconheceu que o shutdown já deixou marcas na atividade econômica e que o progresso rumo à meta de inflação de 2% parece ter “estagnado”. Ou seja, veio hawkish.


… Já Christopher Waller bancou seu perfil dovish, disse que não está preocupado com um efeito duradouro do tarifaço sobre a inflação e defendeu um corte adicional do juro para aliviar um mercado de trabalho mais fraco.


… Segundo ele, o Fed não está “voando às cegas” por causa do shutdown e é improvável que o payroll de setembro ou quaisquer outros indicadores nas próximas semanas “mudem minha opinião de que outro corte é necessário”.


… A divergência pública reforça a sensação de incerteza antes da agenda importante que vem por aí.


A PERGUNTA INCÔMODA – Teria o mercado exagerado no otimismo com cortes rápidos dos juros pelo Fed e o frenesi da IA? Ainda não dá para saber, mas o que se sabe é que o mundo girou bastante nestas últimas semanas.


… A conversa da bolha no setor de tecnologia e a virada nas apostas para manutenção do juro em dezembro têm deixado o mercado de sobreaviso e servido de gatilho para uma realização de lucros mais ampla em ativos de risco.


… Houve ontem uma nova rodada de vendas em tecnologia, que derrubou as bolsas americanas em torno de 1%.


… O Dow Jones fechou em queda de 1,18%, aos 46.590,24 pontos; o S&P 500 recuou 0,91%, para 6.672,41 pontos; e o Nasdaq caiu 0,84%, aos 22.708,07 pontos. Em compasso de espera pelo seu balanço, a Nvidia perdeu 1,83%.


… Ainda foram mal a Salesforce (-2,72%), Oracle (-1,34%), Intel (-2,28%), IBM (-2,79%) e Micron Technology (-1,9%).  A exceção foi a Alphabet (+3,1%), que renovou máxima histórica, contagiada pela entrada da Berkshire Hathaway.


… O apelo por ativos defensivos sustentou os Treasuries e derrubou as taxas da Note de 2 anos, a 3,607%, contra 3,610% antes do final de semana, e o rendimento da Note de 10 anos, a 4,134%, de 4,147% no pregão anterior.


… Por aqui, o Ibovespa bem que tentou driblar o barulho externo, mas foi acentuando a piora, até que entregou os 157 mil pontos. Fechou em queda de 0,47%, aos 156.992,93 pontos, com volume financeiro de R$ 26,8 bilhões.


… Apesar do ajuste, o índice à vista ainda acumula alta próxima de 5% no mês e de mais de 30% no ano. O Morgan Stanley projeta o Ibov a 200 mil pontos no fim do ano que vem e mantém recomendação overweight para as ações.


… Entre as blue chips, destaque para a queda dos bancos: Itaú -0,74% (R$ 40,30), Bradesco PN -0,77% (R$ 19,32), BTG Pactual -0,77% (R$ 52,98) e Santander -0,86% (R$ 33,49). BB foi exceção, com leve alta de 0,27% (R$ 22,50).


… Em meio à turbulência externa, Vale ON perdeu fôlego na reta final e fechou estável (-0,08%), a R$ 65,22. Também no zero a zero, Petrobras ON (+0,06%) encerrou a R$ 34,95. Já PN subiu 0,55%, a R$ 32,88, apesar do petróleo.


… A empresa anunciou novas descobertas de óleo no pós-sal da Bacia de Campos (bloco Tartaruga Verde), que estão sendo consideradas um sucesso exploratório, segundo fontes do Broadcast, e deverão ter a produção acelerada.


… Lá fora, o petróleo Brent caiu pouco (-0,29%), a US$ 64,20, depois de o porto russo atacado por drones da Ucrânia  


semana passada ter retomado o carregamento da commodity, reduzindo o temor inicial de corte no fornecimento.


COMPANHIAS ABERTAS – SABESP oficializou liquidação de uma debênture corporativa no montante de R$ 5 bilhões, na maior emissão da sua história. Com essa captação, a empresa ultrapassa R$ 18 bilhões movimentados no ano…


… A operação, que visa otimizar dívidas, contou com a coordenação do Itaú BBA, BTG Pactual e XP Investimentos.


XP registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,33 bilhão no terceiro trimestre, alta anual de 12%. Receita bruta somou R$ 4,9 bilhões, avanço de 9% em relação ao mesmo período de 2024.


AZZAS aprovou a distribuição de R$ 180 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,8921 por ação ordinária, com pagamento em 1º de dezembro; ex em 24 de novembro.


COPEL anunciou que, em assembleia especial, acionistas preferencialistas aprovaram a conversão obrigatória de todas as ações preferenciais da empresa. Assim, a companhia avança para a migração ao Novo Mercado da B3.


ISA ENERGIA iniciou operação comercial do Bloco 1 do projeto Piraquê, com antecipação de 22 meses em relação ao prazo estabelecido pela Aneel.


OI. Pimco reduziu participação na companhia de 36,54% para 29,97% do capital social, passando a deter 98.489.904 de ações ordinárias da empresa.

Call Matinal 1811

 

Call Matinal

18/11/2025

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (17/11)

MERCADOS E AGENDA

Por aqui, o Ibovespa sentiu os ruídos externos ontem (17) e fechou em queda de 0,47%, a 156.992,93 pontos, com giro de R$ 26,8 bilhões. Já a moeda norte-americana fechou em alta de 0,66%, cotada a R$ 5,3314. Em paralelo, a percepção dos gestores vai se adequando. Depois do forte rally das últimas semanas, o sentimento dos gestores é de CAUTELA. Cerca de 48% seguem otimistas com o Ibovespa, enquanto 42% consideram o índice “justamente precificado”. A maioria dos gestores relata fluxo estável de recursos (77%) nos fundos, demonstrando que a classe de ações segue pouco atrativa. Hoje é dia de agenda fraca, com a prévia do IPC-Fipe, seguida da parcial do IGP-M. Nos EUA, entre os dados, o relatório semanal ADP de emprego no setor privado, além das encomendas à indústria em agosto e a confiança das construtoras de novembro.  

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta terça-feira (18), com investidores se afastando de ativos mais arriscados, às vésperas da divulgação dos resultados da Nvidia e do relatório de emprego. Pesquisas de mercado indicam temor que a recente queda no mercado de ações nos EUA possa se transformar em uma correção completa, citando indicadores técnicos “preocupantes”. O índice S&P 500 fechou ontem abaixo de sua média móvel de 50 dias pela primeira vez em 139 sessões. Previsões são de um declínio de 5% a 10% para o S&P 500 e de 8% para o Nasdaq. Em paralelo, não parece que o Fed esteja “voando às cegas” por causa do shutdown e é improvável que qualquer indicador nas próximas semanas “mude a opinião de que outro corte é necessário”. Vamos monitorando.

 

 

MERCADOS 5h30

EUA

 

 

Dow Jones Futuro: -0,38%

S&P 500 Futuro: -0,47%

Nasdaq Futuro: -0,54%

Ásia-Pacífico

 

 

Shanghai SE (China), -0,81%

Nikkei (Japão): -3,22%

Hang Seng Index (Hong Kong): -1,72%

Nifty 50 (Índia): -0,17%

ASX 200 (Austrália): -1,94%

Europa

 

 

STOXX 600: -1,29%

DAX (Alemanha): -1,40%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,98%

CAC 40 (França): -1,54%

* FTSE MIB (Itália): -1,63%

Commodities

 

 

Petróleo WTI, -0,62%, a US$ 59,54 o barril

Petróleo Brent, -0,55%, a US$ 63,85 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +1,41%, a 792 iuanes (US$ 111,43)

 

NO DIA, 1811

No Brasil, agenda bem fraco, a não ser pelo PL antifacção em discussão no Congresso. O que capitaliza as atençõe são os movimentos do mercado norte-americano, este sim a impactar os ativos do Brasil e de vários emergentes. Em NY, toda expectativa para a divulgação do balanço da Nvidia, que pode sinalizar com seu guidance os riscos de uma bolha em IA. Sobre o Fed de dezembro, há chances majoritárias de uma pausa nos cortes do juro. Na agenda defasada dos EUA, expectativa para o payroll de setembro, nesta quinta-feira, e o PCE de outubro e o PIB/3Tri, dia 26. A maioria dos diretores regionais do Fed, alinhados a Powell, acha que o relatório do emprego não deve ser suficiente para suprimir o conservadorismo da política monetária. Ao fim do dia de ontem em Nova York, as chances de manutenção do juro, entre 3,75% e 4%, eram de 57%, contra 43% de queda de 25 pontos-base.

 

Agenda Macroeconômica Brasil – Destaque para PAYROLL americano de setembro na quinta-feira (20), dia de feriado da Consciência Negra no Brasil.

 

Segunda-feira, 17 de novembro 

 

 

Feriado: México, Colômbia e Argentina

Japão: Produção industrial e PIB preliminar (3º tri)

Europa: Suíça e Itália – CPI (out); Itália – PIB preliminar

Brasil: FGV IPC-S (semanal), Relatório Focus, IBC-Br (set), Balança comercial (semanal).

EUA: Índice Empire State (Fed NY)

Canadá: CPI (out)

 

 

Terça-feira, 18 de novembro 

Hong Kong: Taxa de desemprego (out)

EUA: Produção industrial (out), Índice NAHB (nov), API semanal

Chile e Colômbia: PIB (3º tri)

 

 

Quarta-feira, 19 de novembro 

Europa: CPI do Reino Unido e da Zona do Euro

EUA: Licenças de construção (set), DoE semanal, Ata do FOMC

Brasil: Fluxo Cambial (semanal)

China: PBoC – LPRs (1 ano e 5 anos – nov)

 

Quinta-feira, 20 de novembro 

Feriado nacional: Brasil

Hong Kong: CPI

Europa: Confiança do consumidor – Turquia e Zona do Euro

EUA: Fed Filadélfia (atividade industrial – nov), Vendas de Casas Usadas (out)

Japão: PMI composto preliminar (nov)

 

 

Sexta-feira, 21 de novembro 

Europa: Reino Unido – Vendas no varejo (out); França, Alemanha, Reino Unido e Zona do Euro – PMI composto preliminar (nov)

México: PIB (3º tri)

EUA: PMI industrial, PMI de serviços e PMI composto (nov, preliminar); Sentimento da Universidade de Michigan (nov, final)

Brasil: B3 – Vencimento de opções sobre ações (nov)

 

 

 

 

 

Boa terça-feira a todos!

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,9% US tech -0,9% US semis -1,5% UEM -0,9% España -1,1% VIX 22,4% Bund 2,71% T-Note 4,11% Spread 2A-10A USA=+53pb B10A: ESP 3,21% PT 3,04% FRA 3,45% ITA 3,45% Euribor 12m 2,24% (fut. 2,26%) USD 1,160 JPY 179,8 Ouro 4.001$ Brent 63,7$ WTI 59,4$ Bitcoin -1,7% (90.254$) Ether +0,5% (3.022$)


SESSÃO: Início de semana fraco na en bolsa (-1%), ouro (-1%) e criptos (-3%), embora com melhor tom nas obrigações (T-Note 4,11% -3 p.b.; Bund 2,71% -1 p.b.). Pesou mais a cautela sobre os resultados de Nvidia e o regresso da publicação de dados macro importantes nos EUA do que as referências conhecidas ontem. As previsões da Comissão Europeia mostram até 2027 uma economia com crescimentos no intervalo +1,2%/+1,4% e uma inflação a situar-se perto de +2%. E o Empire Manufacturing nos EUA aprofundou em zona de expansão (>0) por surpresa, com os indicadores de preços a moderarem-se.


Hoje, a sessão tampouco parece que será muito estimulante. Temos um reinício de publicação de indicadores macro americanos por parte de organismos estatais um pouco fraco. E não conheceremos a Produção Industrial devido ao atraso da sua publicação, só teremos Pedidos à Fábrica a melhorar (+1,4% m/m esp. vs. -1,3% ant.), mas que acrescentam poucas novidades ao ser um registo de agosto. 


Estamos perante uma calma tensa nestes dois primeiros dias da semana. O mercado prefere cautela enquanto espera os principais marcos que virão amanhã (Atas da Fed, publicação de Nvidia e Palo Alto) e na quinta-feira (dados oficiais de emprego americano de setembro, publicação de Walmart). Referências importantes para a Fed na sua tomada de decisões para a sua próxima reunião (10/12) e para o mercado sobre a evolução da IA e do consumo. 


Com um saldo de bolsas aceitáveis para o momento em que estamos no ano (Europa +16%; EUA +13%; tech +18%) e depois do rally visto nas últimas semanas, especialmente em tecnologia, certo descanso é saudável para ganhar impulso para 2026. Cabe recordar que um reajuste de preços devido a uma velocidade excessiva não é o mesmo que uma correção séria devido às avaliações não se justificarem. Este último não acontece, nem consideramos provável que aconteça por agora. Exceto informação nova em contrário, interpretaríamos qualquer correção relevante como uma oportunidade. 


CONCLUSÃO: A falta de referências importantes levará a uma sessão fraca na bolsa, à espera de conhecer os primeiros marcos da semana amanhã: Nvidia (21:20 h; 1,25 $; +55%), Palo Alto (no fecho; 0,89 $; +15%) e atas da Fed (19 h).


FIM

Transição verde

 NÃO BASTA PARAR DE DESMATAR; É PRECISO REFLORESTAR

“O custo disso é tempo perdido – e tempo, em transição tecnológica, é vantagem competitiva.”
A frase acima, que pincei do artigo, serve bem para o caso do reflorestamento; árvore leva tempo para crescer, mas é a melhor solução para o sequestro de carbono. O Brasil já pratica sequestro de carbono pela agricultura de grande escala (soja e cana-de-açúcar são os campeões), mas, na direção contrária, continua a desmatar em proporções amazônicas, com perdão do trocadilho. Os autores focam na transição energética, mas acho primordial dar a devida atenção ao manejo de nossas florestas (vejam o exemplo dado por Sebastião Salgado, que deveria ser mais conhecido por sua obra na fazenda da família, que resultou no Instituto Terra, em Aimorés, MG).
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Transição verde: revolução econômica inadiável
O Estado de S. Paulo.
18 de nov. de 2025
A idade da pedra não terminou por falta de pedras, mas porque surgiram tecnologias superiores. De modo análogo, a transição para uma economia de baixo carbono avança não por imposição de ambientalistas, mas porque novas soluções já se mostram mais eficientes e competitivas. Trata-se de um movimento que abre portas para oportunidades econômicas que antes não existiam, e convida países e empresas a planejar o futuro com pragmatismo e visão de longo prazo.
O debate reacendido pelo editorial deste jornal (O problema da utopia climática, 3/11, A3) e pela carta de Bill Gates ( Three tough truths about climate) oferece a chance de olhar para esse movimento não como um campo de disputa ideológica, mas como parte das transformações concretas do século 21. A partir desse enfoque construtivo, apresentamos três reflexões centrais.
Primeiro, é preciso superar a inércia do pensamento. Persiste a crença de que o modelo extrativista do século 20 permanece viável. O desafio agora é desacoplar desenvolvimento do uso intensivo de recursos finitos. Não se defende pobreza nem baixo crescimento, e sim bem-estar e expansão econômica com menos desperdício, mais eficiência e melhor uso de solo, água e energia. A escassez e volatilidade desses recursos já pressionam custos e fragilizam cadeias produtivas. Boa política econômica preserva capital natural para sustentar produtividade, renda e qualidade de vida no longo prazo.
A visão de que a agenda climática seria “entrave” ignora que a transição cria oportunidades econômicas. Em vários mercados, solar e eólica já são as fontes mais baratas para a nova geração elétrica. Projeções apontam mais de 40 milhões de empregos em renováveis e eficiência energética até 2050, superando as perdas de vagas no setor fóssil. Investidores já incorporam risco climático às suas análises e deslocam capital para ativos compatíveis com metas de descarbonização. O Brasil reúne vantagens únicas e soluções exportáveis para ajudar o mundo a reduzir emissões, da agricultura aos biocombustíveis, passando por florestas, minerais críticos e manufatura limpa – temas centrais da COP em Belém.
Segundo, é preciso ajustar a lente do debate sobre prioridades de gasto. Não há evidência de que soluções climáticas estejam desviando recursos de outras áreas urgentes. A filantropia climática representa apenas 2% das doações globais, muito aquém das necessidades de financiamento. Já o gasto bélico e militar é o maior em 40 anos; o investimento em combustíveis fósseis cresceu 28% desde 2020; e aportes em inteligência artificial duplicaram em três anos para US$ 130 bilhões em 2024. Não tem amparo nos fatos a ideia de que o clima drena dinheiro de outras questões urgentes.
Terceiro, há o risco da procrastinação tecnológica. Apostar que “o futuro resolverá” serve, na prática, para postergar soluções já maduras. Décadas após as primeiras evidências científicas ligando carbono ao aquecimento, ainda não existem, em escala comercial e custo viável, tecnologias de sequestro de CO2 na magnitude necessária. Geoengenharia e captura direta podem eventualmente ter papel complementar, mas ainda são caros e de difícil implantação. Não substituem renováveis, eficiência, reflorestamento e melhor gestão do uso da terra.
Ao minimizar a urgência climática, declarações públicas podem produzir efeitos contraproducentes: empresas adiam a descarbonização aguardando “soluções mágicas”, e governos recuam de políticas pró-competitividade. O custo disso é tempo perdido – e tempo, em transição tecnológica, é vantagem competitiva.
O tema aqui não é “fim do mundo”, mas qualidade de vida, segurança econômica e resiliência das cidades e cadeias produtivas. Precisaremos de energia, água, saneamento, conectividade e materiais mais resistentes, melhor gestão de estoques e reservas energéticas e sistemas capazes de enfrentar eventos extremos. Quebras de safra pressionam a inflação de alimentos; poluição do ar onera o sistema de saúde; eventos climáticos extremos geram perdas humanas e fiscais – como no Rio Grande do Sul e no Pantanal. Esses impactos afetam justamente o que se classifica como “mais urgente”. Mitigação e adaptação são partes da política de crescimento, não seus antagonistas.
Não se trata de empurrar o ônus para o Estado ou ao setor privado. Esta é uma agenda de coalizão, como, aliás, há um ano nós defendemos publicamente: Executivo, Legislativo, Judiciário, empresas e sociedade alinhados por metas claras de mitigação e adaptação, com efeitos de curto prazo (emprego, saúde, contas de luz) e benefícios estruturais (produtividade e segurança energética). O momento exige mais engenharia e menos desculpas; mais inovação e menos inércia. Assim, não “salvaremos o planeta” em abstrato: melhoraremos a vida das pessoas e colocaremos o Brasil na fronteira do crescimento inclusivo. Suavizar a urgência climática e ignorar as oportunidades econômicas, especialmente num país com nossas desigualdades e vantagens competitivas, tem um custo invisível: atrasa decisões e encarece o futuro. •
CANDIDO BRACHER, FABIO BARBOSA, HORÁCIO PIVA, JAYME GARFINKEL, PEDRO BUENO, PEDRO DE CAMARGO NETO, ROBERTO KLABIN E WALTER SCHALKA SÃO EMPRESÁRIOS

Quem é a Fictor

 *Quem é a Fictor, que acertou a compra do Master com aporte de R$ 3 bi*


Grupo nasceu como startup de tecnologia, cresceu com aquisições no agro e na indústria de alimentos, entrou na B3 por IPO reverso e agora avança no setor financeiro


O Grupo Fictor que, ao lado de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, acertou a compra do Banco Master é uma holding brasileira fundada em 2007, em São Paulo, e comandada por seu sócio-fundador e CEO, Rafael Góis. Criada originalmente como uma startup de tecnologia, a empresa passou por um reposicionamento em 2020 e se transformou em uma companhia de investimentos e gestão de ativos (private equity), com foco em setores considerados estratégicos da economia.


Com escritórios em São Paulo, Miami e Lisboa, o Grupo Fictor abrange dez negócios diferentes, segundo seu site, atuando nos setores de alimentos, financeiro, agronegócio e infraestrutura. Sua expansão ganhou ímpeto com atividades no agronegócio, especialmente na comercialização de commodities, o que gerou capital para financiar uma estratégia intensa de fusões e aquisições a partir de 2018. O foco principal desse movimento foi consolidar mercados fragmentados, sobretudo na cadeia de proteína animal.


Na indústria alimentícia, adquiriu frigoríficos e marcas como Vensa, Dr. Foods, Fredini e a UPI da Mellore Alimentos. Em infraestrutura e energia, criou a Fictor Energia e a Fictor Real Estate, focadas em geração distribuída, energia solar e logística. Nos serviços financeiros, desenvolveu a gestora Fictor Asset e a fintech FictorPay, com plataforma de pagamentos.


Em dezembro de 2024, a Fictor realizou um IPO reverso: adquiriu 76% da Atom Participações (empresa de trading e educação financeira), mudou seu objeto social para agronegócio e renomeou a companhia para Fictor Alimentos, que passou a negociar na B3 sob o ticker FICT3. A companhia vale hoje R$ 142 milhões na Bolsa. Segundo entrevistas à época da operação, o objetivo era comprar ativos “estressados” e em recuperação judicial que atuam no setor de alimentos.


Em outubro de 2025, a FictorPay sofreu um ataque cibernético: R$ 26 milhões foram desviados via Pix após vulnerabilidade numa empresa terceirizada, a Dilleta Solutions. As credenciais vazadas permitiram 282 transações para cerca de 271 “contas-laranja”. As investigações apontam que a falha ocorreu fora da infraestrutura direta da FictorPay, envolvendo prestadores de serviço.


Adicionalmente, a FictorPay lançou em 2025 um cartão B2B (business-to-business) com a bandeira American Express, com a expectativa de movimentar até R$ 1,8 bilhão em transações ainda no mesmo ano.


Segundo relatórios da Fictor Alimentos (ITR), em meados de 2025 a empresa adquiriu a Unidade Produtiva Isolada da Mellore em Betim (MG) com capacidade mensal de cerca de 1.691 toneladas, e aprovou um aumento de capital de R$ 60 a 70 milhões para financiar essa integração.


https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/11/17/quem-e-a-fictor-que-acertou-a-compra-do-master-com-aporte-de-r-3-bi.ghtml

Master e Fictor

 *COMENTÁRIO: SEM CONVENCER O BC, COMPRA DO MASTER POR FICTOR PODE TER MESMO DESTINO DA VENDA A BRB*


Por Alvaro Gribel, do Estadão


Brasília, 17/11/2025 - O anúncio da compra do Banco Master pela holding financeira Fictor pode repetir o mesmo roteiro da venda para o banco estatal de Brasília (BRB): ser recusado pelo Banco Central. O anúncio ainda é uma etapa anterior ao processo de análise e sequer houve assinatura de compra e venda entre as partes envolvidas, segundo apurou o Estadão.


O BC agora terá 360 dias para analisar a operação, prazo que começará a contar a partir da entrega de todos os documentos. Nesse meio tempo, caberá ao dono do Master, o CEO Daniel Vorcaro, continuar honrando com os CDBs que vencem, para evitar um calote e o risco de intervenção ou liquidação do banco por parte do Banco Central.


Desde o processo de análise da oferta do BRB, a possibilidade de venda de ativos do banco para um fundo árabe vinha sendo ventilada por Vorcaro, segundo pessoas próximas ao banqueiro. Por isso, ele vinha sempre alegando que os ativos do banco eram sólidos - ao contrário da percepção majoritária da Faria Lima - e que a operação era um bom negócio para o banco estatal.


No Banco Central, o diretor responsável pela análise do caso, Renato Gomes, que encaminhou voto contrário à venda ao BRB e foi seguido pela diretoria, deixará o cargo em dezembro. E ficará a dúvida se ele terá tempo para fazer uma nova análise da venda ou se isso ficará para o próximo indicado.


O ideal era que desse tempo para a análise por Gomes, que já conhece os fundamentos do Master, e para que o novo diretor não assumisse o cargo pressionado - já que sua indicação é feita pelo presidente Lula, mas depende de aprovação pelo Senado. E o Master é um banco com fortes relações com políticos em Brasília.


O anúncio também deixa o BC em posição delicada. Caso precise decretar uma liquidação do Master, o banco privado poderá alegar que tem uma proposta de compra por um fundo árabe na mesa, ainda que ninguém saiba os detalhes do negócio.


A intenção de venda também pode ser uma forma de pressionar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a conceder linhas de financiamento ao banco, sob argumento de que há uma saída à frente que reduzirá custos para o sistema financeiro.


No caso do BRB, o negócio não teve fundamento, pela visão técnica do Banco Central. Nada sugere que desta vez será diferente.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...