sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Militantes petistas

 Lula sofre golpe, sem armas, para não cumprir seu programa, diz Rui Falcão / Ex-presidente do PT diz que arcabouço é camisa de força imposta pelo capital- Folha SP 9/1

Mônica Bergamo / Catia Seabra

São Paulo e Brasília

Um dos coordenadores da campanha do presidente Lula, o ex-presidente do PT Rui Falcão afirma que o novo teto de gastos "nos meteu numa camisa de força, uma espécie de corda no próprio pescoço". Segundo ele, é urgente darmos outro sentido à política econômica conduzida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Nesta entrevista, realizada no fim do ano passado, Rui afirma ainda que o programa de governo do presidente Lula vem sendo adulterado por pressão do capital. Para ele, "o pior dos golpes".

VOCAÇÃO DO PT

O senhor foi coordenador da campanha de Lula em 2022. O presidente cumpriu nestes dois anos o programa de governo e as promessas de campanha?

Quero deixar claro o meu total apoio ao presidente Lula e ao governo por ele liderado. Mas acho que nós estamos sofrendo, nesse momento, uma espécie de duplo sequestro. O Brasil, desde a proclamação da República, tem uma tradição de golpes sucessivos, como o de 1964, o impeachment da [ex-presidente] Dilma Rousseff e a prisão do Lula.

Depois da eleição de 2022, houve o 12 de dezembro [em que bolsonaristas depredaram e incendiaram prédios de Brasília no dia da diplomação de Lula como presidente] e o 8/1. E, finalmente, o tal Punhal Verde e Amarelo [plano de golpe investigado pela Polícia Federal] em que se pretendia matar o presidente, o vice [Geraldo Alckmin] e o ministro [do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes.

Esse golpe continuado não cessou. E hoje temos o golpe que quer nos fazer cumprir um programa de governo que não é o nosso. É o pior de todos os golpes, porque não requer arma, não requer força militar, não requer medidas jurídicas.

É um duplo sequestro, do parlamento e do grande capital financeiro. Não podemos entregar nossa identidade e nosso projeto, mas sim fortalecê-los. Já aprendemos no passado que só a governabilidade institucional não é suficiente para lutar contra isso. Precisamos de força social mobilizada. O presidente Lula é o único líder possível neste processo de informação, educação e mobilização para pressionar o Congresso em defesa desse projeto.

Em uma confraternização no Palácio da Alvorada, Lula agradeceu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e aos líderes pela aprovação do ajuste fiscal, se comparou a um pai trabalhador que nega R$ 5 a um filho porque tem outras contas a pagar e disse que aprendeu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a não brigar com o mercado. Tudo isso é condizente com o que o senhor defende?

Não sou avaliador dos pronunciamentos do presidente Lula. Estranho seria se o presidente falasse mal deles em uma celebração. Não gosto de personificar. Estou falando do conjunto do governo.

Primeiro: acho um equívoco ministros e outras autoridades compararem as contas nacionais à economia doméstica. Segundo: uma diferença de R$ 10 de salário mínimo [cujo reajuste agora está limitado ao teto do arcabouço fiscal] parece muito pouco para nós, da classe média. Com esse valor você paga um café expresso em um restaurante. Mas, para quem está na faixa [de rendimentos] de dois salários mínimos, são dois litros de leite. O que significa que você vai bater na porta de cada um e falar "me dê R$ 130, no ano, para ajudar a pagar a dívida [pública]".

Como avalia a interlocução com os movimentos sociais?

O diálogo não deve ser feito só pelo governo, mas também pelo PT, que precisa se reconectar com as classes trabalhadoras. A presidenta [da legenda] Gleisi [Hoffmann] está fazendo um mandato combativo, altivo, trazendo os movimentos sociais para participarem da disputa do programa [do governo Lula], que está sendo adulterado pela pressão do grande capital.

Lula está adulterando o programa de governo?

O programa está sendo reduzido em sua pretensão. O PT precisa recuperar sua vocação histórica e apresentar um projeto imediatamente. Nosso projeto não pode ser só reeleger o Lula em 2026. Ele deve ser um projeto civilizatório, anticapitalista, com as devidas atualizações de experiências anteriores. Isso é essencial para que a gente possa ser realmente antissistema, apontando um rumo que se contraponha ao próprio sistema e à extrema-direita. A extrema-direita está fazendo uma disputa política permanente. Ao contrário da esquerda e do nosso governo.

Lula ensaiou fazer esse confronto, e o dólar disparou, com o risco de a inflação explodir no bolso dos mais pobres. Sendo realista: há força política para fazer essa disputa?

Todos dizem que [o pacote de ajuste fiscal] seria algo muito pior, e que o presidente Lula conteve um pouco essa rendição ao mercado. Em vez de estar tão fixado no mercado, a gente deveria estar mais preocupado com o supermercado.

Mas o dólar passou dos R$ 6,40.

Sim, mas tem especulação. Aliás, sempre achei que tem um movimento especulativo claro, demonstrado. Mas aí o Galípolo desmente o Haddad dizendo que não há movimento especulativo. Isso desnorteia, confunde a nossa base social e eleitoral. É por isso que, com tantas realizações, a popularidade do presidente Lula continua estável. Era para estar bem elevada porque, mesmo comparando com o governo Bolsonaro —o que seria baixar muito o sarrafo–, nós já fizemos muitas coisas mais. Retomamos projetos importantíssimos. Reduzimos o desemprego, reduzimos a fome e a miséria. Entretanto, qual é a nossa marca? Precisamos de marcas.

TROCA NOS MINISTÉRIOS

Acha que a troca do ministro Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira na Comunicação pode melhorar isso?

A chegada do Sidônio é importante, pois pode ajudar o governo a ter uma comunicação mais integrada, menos fragmentada e mais politizada. Ele tem talento, criatividade, postura democrática e corajosa. Trabalhei com ele na campanha de 2022 e, mais que um 'marqueteiro', é um quadro politico de muito valor. Mas o problema não é pessoal. Parece a história do time de futebol. Quando o conjunto não joga bem, o técnico vai embora. Acho que Pimenta foi injustiçado.

FALHAS DE COMUNICAÇÃO

O técnico é o Lula, no caso.

O problema é a comunicação do conjunto. Nós tivemos [como marcas], no governo Getúlio Vargas, a industrialização do país. Juscelino [Kubitschek], 50 anos em cinco. O governo militar, Brasil grande potência. O João Goulart, reformas de base. O Fernando Henrique [Cardoso], o fim da inflação com o plano real. O primeiro governo Lula, tirar o Brasil da fome. O governo Dilma, transformar o Brasil num país de classe média. O [Michel] Temer, ponte para o futuro —não importa o resultado disso, mas tinha um projeto.

Poderíamos estar conectando mais [com a vida real da população]. Por exemplo, o [projeto de lei que altera a escala de trabalho] 6x1. Por que o nosso governo não abraçou essa proposta?

Os níveis de abstenção nas eleições foram estratosféricos. A população está ficando descrente da política porque não se sente influenciando em nada.

Por que não convidar o povo a influir sobre o orçamento, com inteligência artificial, com a internet? Com referendos, plebiscitos, iniciativa popular legislativa, como prevê a Constituição? São coisas que o governo poderia abraçar, que ajudariam também na sua governabilidade, para não depender só dos acordos parlamentares, do toma lá dá cá, dos ministros e das emendas.

E, por último, o governo deveria acelerar a segunda fase da reforma tributária. O Haddad ia mandar para o Congresso a proposta de isenção de IR até R$ 5.000. Até hoje ela não chegou [no parlamento].

São medidas que ajudariam muito a romper esse cerco e também a mudar a correlação de forças. Quando o pessoal me fala que não dá para fazer as coisas por causa da correlação de forças, eu falo que lá na Amazon tem um estoque grande de correlação. Se não dá para mudar a correlação, vamos embora para casa. Vamos entregar o governo para eles, porque o governo do Lula era para mudar estruturalmente [o país]. E ele está tentando fazer isso. Precisa de mais apoio, inclusive de um apoio crítico. Porque, como diz o apóstolo Lucas —e eu sou discípulo do Lula—, se os discípulos não falam, até as pedras clamarão.

TETO DE GASTOS

Acha que o seu voto contrário ao ajuste surpreendeu o Lula?

Eu e mais 22 deputados votamos a favor do novo teto de gastos [em 2022], com voto em separado, e o tempo mostrou que infelizmente a gente tinha razão. Hoje, somos prisioneiros do novo teto de gastos. E uma das coisas que a gente precisa fazer é tentar romper esse torniquete. Depois de dois anos, tudo o que está sendo feito é para tentar consertar essa corda que nós pusemos no próprio pescoço, sem necessidade. Nada de pessoal contra o ministro e companheiro Haddad. No PT, lutamos para conservar direitos e alcançar novas conquistas; nunca reduzi-los. O novo teto de gastos, conhecido como arcabouço fiscal, nos meteu numa camisa de força, uma espécie de corda no próprio pescoço. É urgente darmos outro sentido à atual política econômica, marcadamente austera e contracionista.

 

O presidente Lula está desanimado? Concorda que não é o mesmo dos governos anteriores?

 

O próprio presidente Lula já disse várias vezes que é uma metamorfose ambulante. É possível que, neste momento, ele esteja com a disposição mais retraída. E que, ao ver as coisas se agravarem, mude de atitude. Nós dependemos muito dessa atitude dele, porque ele é quem tem condição de... Quero dar um exemplo. Quando o plano de matá-lo foi descoberto, se o presidente tivesse ido para a televisão, denunciando, ele daria muito mais força para o avanço dos processos em curso [no STF], inclusive para que não tenha anistia.

ETARISMO

Mas ele tem o mesmo entusiasmo de antes?

Não posso saber o que passa pela cabeça do Lula, mas ele está ativo e com disposição. Tem reiterado isso. Agora, preste atenção: a direita e certos setores da mídia comercial estão entrando na história do etarismo. Começam a comparar o presidente Lula com [o presidente norte-americano Joe] Biden, a calcular com quantos anos ele vai concluir um eventual futuro mandato. Eu não vou entrar nessa lenga-lenga. Lula está com toda a disposição de liderar a nossa futura campanha [presidencial].

Vamos precisar de alianças, mas o PT e a esquerda não podem se diluir em uma eventual frente ampla. Temos que apresentar um programa avançado, de transformação, inclusive para tentar criar condições para a convocação de uma nova Assembleia Constituinte que enterre a Sexta República e construa uma Sétima República, sem os vícios a que estamos submetidos. Sem eleitoralismo, sem farra de emendas, sem bloqueio do grande capital que não permite que o país avance. Lula está em plenas condições de fazer isso.

Não é legítimo que as pessoas se preocupem com a idade e as condições do presidente? Falar sobre o assunto vai virar um tabu?

Acho lícito e muito bom que as pessoas se preocupem com a saúde dele. Significa carinho, preocupação. Há pessoas que rezam por ele, como quando nos preocupamos com tio, pai.

Mas o que ocorre não é isso, e sim utilizar a idade dele para, por vias transversas, tentar enfraquecê-lo como candidato. É a isso que estou me referindo. É evidente que, embora ele fale que tem energia de 20 anos, 30 anos, e tal, nenhum de nós vai ser eterno. Nem ele vai viver 120 anos. Eu gostaria até que isso acontecesse. Mas são tipos diferentes de preocupação.

Há uma preocupação sobre como será a política brasileira sem a figura do Lula. Ela não é legítima?

O Lula é o maior líder popular que o Brasil já construiu; uma construção coletiva, fruto de uma conjuntura de lutas sociais, sindicais, que permitiram que as qualidades dele avultassem. É por isso que eu digo que a gente precisa fomentar o povo na rua, a luta social, para que a lideranças não surjam só em gabinetes e escritórios. O PT tem que fazer essa política nos seus diretórios, nos territórios que ocupa, porque daí surge muita gente. Não pode fazer política nos anos pares [de eleições]. Aí a gente fica reclamando, "porque os evangélicos, a direita, o bolsonarismo"...Não há espaço vazio na política. Ou você ocupa o território, se integra ao cotidiano da população, ou não só você perde a eleição como também o seu projeto vai sendo diluído, e o partido vai sendo esvaziado com o tempo. Não há partidos eternos. Isso vai ser discutido agora, quando o PT prepara a sucessão da presidente Gleisi.

IPCA de 2024

 


Saindo das ações

 


Call Matinal ConfianceTec 1001

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

10/01/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUINTA-FEIRA (09/01)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na quinta-feira (09), fechou em alta, 0,13 %, a 119.780 pontos. Volume negociado foi baixo, R$ 13 bi.


Já o dólar à vista operou em queda de 1,10%, a R$ 6,0418.


PRINCIPAIS MERCADOS, 07h00


Índices futuros dos EUA operam em baixa, com todas as atenções voltadas para divulgação do emprego (payroll)* de dezembro.


EUA🇺🇸:

Dow Jones Futuro, -0,03%

S&P 500 Futuro, -0,18%

Nasdaq Futuro, -0,34%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), -1,33%

Nikkei (Japão🇯🇵), -1,05%

Hang Seng Index (Hong Kong): -0,92%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), -0,24%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), -0,42%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,02%

DAX (Alemanha🇩🇪), +0,03%

CAC 40 (França🇫🇷), +0,10%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,22%

STOXX 600🇪🇺, -0,05%


Commodities:

Petróleo WTI, +1,04%, a US$ 74,69 o barril

Petróleo Brent, +1,05%, a US$ 77,73 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,41%, a 753,50 iuanes (US$ 102,76).


NO DIA, 10/01


Dia de IPCA por aqui e payroll nos EUA, ambos de dezembro. Aqui, a expectativa é de IPCA a 0,43%, no ano rompendo a meta de 4,50%, a 4,80%.


Nos EUA, deve vir um payroll maus fraco, a 150 mil, depois de forte em novembro.


Esta perda de dinamismo no mercado de trabalho americano, pode baixar a pressão da moeda americana e dos juros dos Treasuries com o "efeito Trump" e desencadear por aqui, uma rodada de alívio no câmbio. Ao que parece, o "pico" de R$ 6,30 ficou para trás e a moeda americana já ronda os R$ 6,00.


AGENDA, 10/01:

Indicadores:

09h00. Brasil🇧🇷/IBGE: IPCA de dezembro e acumulado de 2024

10h00. Brasil🇧🇷/ABCR: Fluxo de estradas pedagiadas – dez

10h30. EUA🇺🇸/Deptº do Trabalho: Payroll de dezembro

12h00. EUA🇺🇸/Universidade de Michigan: Índice de Sentimento do Consumidor (prelim) – Jan

15h00. EUA🇺🇸/Baker Hughes: Poços e plataformas em operação

Eventos

10h00. Lula discute Facebook com o novo Secom, Sidônio Palmeira.

                               

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa sexta-feira, bons negócios e feliz 2025!🥳👏🎄

Uma nova Argentina

 https://www.seudinheiro.com/2025/internacional/uma-nova-argentina-vem-ai-milei-faz-o-maior-pagamento-de-divida-desde-2020-e-outras-tres-noticias-positivas-para-os-hermanos-ccgg/?xpromo=XD-ME-SD-SITE-MNT-X-X-X-X-X&utm_source=SD&utm_medium=MT&utm_campaign=XV-MI-SD-SITE-MNT-X-X-X-X-X&_gl=1*13w5dji*_ga*OTI5MDg3NTkxLjE3MDQzMTc0NjY.*_ga_BT4VXC4PQ6*MTczNjQ2OTUyMC4xOTUxLjEuMTczNjQ2OTU0OC4zMi4wLjA.

Prensa

 📰  *Manchetes de 6ªF, 10/01/2025* 

 

▪️ *VALOR*: Sem melhora fiscal à vista, gestoras locais entram em 2025 pessimistas com o Brasil       

▪️ *GLOBO*: Mundo excede pela 1ª vez limite crítico do aquecimento global    

▪️ *FOLHA*: Repressão do regime de Maduro cresce, e oposição diz que Corina foi detida  

▪️ *ESTADÃO*: Oposição denuncia intimidação a líder antes da posse de Maduro.

BDM Matinal Riscala 1001

 Bom dia


Payroll e IPCA calibram alívio no câmbio | BDM

www.bomdiamercado.com.br

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[10/01/25]


… Os piores dias, atravessados em dezembro, de dólar no pico de quase R$ 6,30 vão ficando para trás e a moeda americana flerta agora com uma volta para os R$ 6,00. A melhor combinação nesta 6ªF para um real mais apreciado seria um IPCA forte + payroll fraco. A aceleração esperada para o dado oficial de inflação do IBGE em dezembro (9h), com estouro do teto em 2024, pode turbinar as apostas de Selic terminal de 15% ou mais, favorecendo o carry trade. Nos EUA, a perda de fôlego projetada para o mercado de trabalho, depois dos dados muitos fortes em novembro, poderia baixar a pressão da moeda americana e dos juros dos Treasuries com o efeito Trump e desencadear por aqui uma nova rodada de alívio no câmbio, na volta das bolsas de NY do feriado de luto pela morte de Jimmy Carter.


… O payroll deve apontar 150 mil empregos em dezembro, na acomodação natural contra o boom de 227 mil vagas em novembro, quando o relatório compensou o impacto negativo dos furacões e greves nos dados de outubro.


… A taxa de desemprego deve seguir em 4,2% e o salário médio pago por hora, que serve de termômetro da inflação, deve avançar 0,3% na base mensal (contra 0,37% em novembro) e 4% na comparação anual (de 4,03%).


… Dois dias atrás, a ata do Fed observou que, no geral, as condições do mercado de trabalho americano melhoraram no ano passado e que, apesar de a taxa de desemprego ter aumentado, ainda permanece em patamar baixo.


… A percepção entre os investidores também parece ser de arrefecimento gradual, sem qualquer perda de fôlego repentina e que assuste, no cenário ainda sólido, favorável a menos cortes das taxas do juros pelo Fed este ano.


… Apenas um número muito abaixo de 100 mil empregos criados ou uma taxa de desemprego acima de 4,3% levaria o BC americano a voltar a derrubar o juro no curto prazo, avalia Andrew Husby (BNP Paribas Securities) na BBG.


… De qualquer forma, quanto mais fraco o payroll, maior a chance de o dólar e taxas dos Treasuries testarem queda.


… Por aqui, a alta nos preços dos alimentos deve pressionar o IPCA em dezembro para 0,53%, após alta de 0,39% em novembro. As projeções para esta leitura, todas de alta, variam de 0,29% a 0,62%, segundo levantamento Broadcast.


… Para o acumulado do ano passado, todas as casas que responderam à pesquisa projetam IPCA acima do teto da meta (4,5%), entre 4,59% e 4,94%, com mediana de 4,84%, após 4,62% em 2023, quanto a tolerância era de 4,75%.


… Na última ata do Copom, o BC já havia indicado o descumprimento da meta, ao estimar que a inflação somará 4,9% neste ano. No RTI, admitiu oficialmente que o limite superior do intervalo tolerado não será respeitado.


… Considerando os últimos quatro anos, essa será a terceira vez que a meta de inflação será descumprida.


… O IPCA ficou acima do intervalo das metas em 2021, 2022 e em 2024. Em 2023, ficou dentro da banda, levando o BC a escapar do constrangimento que terá novamente de escrever carta aberta à Fazenda para explicar o estouro.


REFORMA MINISTERIAL – Em entrevista à Globonews, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, admitiu que as mudanças pretendidas por Lula na Esplanada devem ocorrer antes de uma reunião ministerial marcada para o próximo dia 21.


… O consenso em Brasília é de que a reforma nos ministérios será pontual e pouco ampla. Cotado para assumir o Ministério da Defesa, Alckmin defendeu ontem que o atual titular da pasta, José Múcio, continue no cargo.


VALE TUDO – Lula discute com ministros às 10h o fim da checagem de fatos nas redes sociais controladas pela Meta (Facebook, Instagram e Whatsapp). O presidente considerou “extremamente grave” a decisão de Zuckerberg.


… Na noite de ontem, Haddad desmentiu pelo Instagram da Fazenda um vídeo falso que circulou horas antes na internet, manipulado por inteligência artificial, em que o ministro dizia que o plano do governo é “taxar tudo”.


… “Imposto sobre Pix? Mentira. Imposto sobre quem compra dólar? Mentira. Imposto sobre animal de estimação? Mentira. A única coisa verdadeira desse vídeo é que as bets, que lucram montanhas de dinheiro, vão pagar imposto.”


… Segundo Haddad, o conteúdo adulterado das fake news prejudica o debate público, a política e a democracia”.


… A AGU enviou ao Facebook notificação extrajudicial para que a plataforma remova, em 24 horas, o vídeo falso.


… Segundo os advogados da União, o caráter enganoso e fraudulento do conteúdo contraria as próprias regras do Facebook, que vedam a utilização da plataforma para finalidades ilegais e recomendam a remoção de fake news.


MAIS AGENDA – Além do IPCA, sai hoje o fluxo de dezembro nas estradas pedagiadas, às 10h.


… Nos EUA, após o payroll, vem a leitura preliminar de janeiro do sentimento do consumidor medido pela Univ. de Michigan (12h), com as expectativas de inflação de 1 e 5 anos. Às 15h, saem os dados da Baker Hughes.


LAVA A ALMA – Pode nem durar tanto a trégua no câmbio, mas a volta ontem do dólar para a cotação mais barata em um mês dá tempo para o investidor pegar fôlego para enfrentar as pressões que não se esgotam (fiscal e Trump).


… Depois do salto de mais de 25% acumulado no ano passado, a moeda americana tem queda superior a 2% neste início de 2025. Caiu com firmeza ontem (1,10%), para R$ 6,0418 no fechamento, perto da mínima (R$ 6,0383).


… Contou com a queda das commodities como maior aliada. Além disso, traders relataram ao Broadcast impacto de entrada de recursos estrangeiros, que estariam recompondo o apetite por posições em renda fixa no mercado.


… A liquidez esvaziada pelo fechamento das bolsas em NY ajudou a potencializar a recuperação consistente do real, que reinou sozinho entre as principais moedas latinas, contrariando as perdas do peso mexicano e chileno.


… Além disso, ostentou a segunda melhor colocação entre as grandes divisas globais. Só perdeu para o rublo russo.


… Fica a torcida para que a retomada do interesse do k externo tenha continuidade, apesar de todos os desafios.


… A melhora no câmbio serviu de gatilho ontem para os juros futuros recuarem de forma moderada.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 14,965% (de 14,970% no fechamento anterior); Jan/27, 15,315% (de 15,365%); Jan/29, 15,140% (15,235%); Jan/31, 14,950% (de 15,030%); e Jan/33, 14,780% (14,840%).


DEIXOU A DESEJAR – Não houve maior empolgação dos papéis dos bancos na bolsa doméstica com o aumento do teto de juros no consignado para beneficiários do INSS de 1,66% para 1,80% ao mês. O setor queria mais: 1,99%.


… A Febraban não demorou para se queixar da “falta de racionalidade econômica” da alta, considerada “economicamente inviável” e insuficiente para absorver os custos de despesas relacionadas à concessão dessa linha.


… O custo de captação, segundo a entidade, subiu de forma expressiva com a alta da Selic e a forte abertura do DI, e o ajuste no teto do consignado não permitirá que as instituições financeiras atendam a toda a demanda de crédito.


… Em recepção morna à medida, Banco do Brasil registrou +0,46% (R$ 24,27); Itaú, +0,26% (R$ 31,07); e Bradesco ON, +0,19% (R$ 10,42). Santander ficou estável, a R$ 24,05. Já Bradesco PN caiu 0,70% (R$ 11,32).


… Em uma sessão volátil e de baixa liquidez, sem a referência de NY, devido ao meio feriado pelo funeral do ex-presidente americano Jimmy Carter, o Ibov fechou em leve alta de 0,13%, abaixo dos 120 mil pontos (119.780,56).


… O volume financeiro foi de apenas R$ 13 bilhões, bem abaixo da média recente.


… As blue chips de commodities foram em direções opostas. Vale cedeu 0,62%, a R$ 51,23, na contramão do minério de ferro, que subiu 0,53% em Dalian.


… Petrobras PN subiu 0,44%, a R$ 36,84, acompanhando a alta de 1% no Brent/março, a US$ 76,92/barril. Petrobras ON ficou estável (-0,02%), em R$ 40,72.


… Investidores acreditam que o inverno rigoroso no Hemisfério Norte elevará a demanda por combustíveis nas próximas semanas. Além disso, o mercado aguarda anúncio por Biden de novas sanções ao petróleo russo.


… Gerdau PN (-2,14%; R$ 9,58) e Usiminas PNA (-1,84%; R$ 4,79) recuaram após o Bradesco BBI rebaixar a recomendação das ações para neutro.


… A maior valorização do dia foi da Minerva (+5,79%, a R$ 5,12). Carrefour ganhou 2,41%, a R$ 5,53. As maiores perdas do pregão foram de CSN (-3,99%; R$ 7,45), Hapvida (-3,83%; R$ 2,26) e Braskem (-3,08%; R$ 11,03).


PAUSA PARA O PAYROLL – Os rendimentos de boa parte dos Treasuries tiveram queda tímida na sessão de ontem, encurtada pelo dia nacional de luto por Carter.


… De certa forma, o mercado de títulos ficou em modo de espera pelo payroll, que sai hoje e deve ajudar a moldar a expectativa para as próximas decisões do Fed.


… Referência do mercado, o juro da note de 10 anos caiu a 4,690% (de 4,701%) e deu aos investidores um pouco de alívio, já que o yield desse título, referência do mercado, vem anotando máximas sessão após sessão.


… O rendimento da note-2 anos caiu a 4,266% (de 4,289%), mas o do T-Bond-30 anos subiu a 4,935% (de 4,905%).


… Preocupações com a inflação, chances mais reduzidas de queda nos juros e a incerteza sobre como Donald Trump conduzirá a economia americana vêm disparando os rendimentos dos títulos soberanos nos EUA e no mundo.


… No Reino Unido, que vem chamando atenção recentemente, as taxas dos Gilts de 10 anos continuaram a escalar ontem com a dificuldade do governo do Partido Trabalhista em manter o déficit sob controle.


… “Essa derrocada dos preços dos títulos não é um fenômeno só do Reino Unido, mas global. A dívida soberana é o elefante na sala”, comentou Russ Mould (AJ Bell), na Reuters.


… Thomas Barkin, do Fed de Richmond, ponderou ontem que o recente aumento nos juros de longo prazo reflete prêmios de risco mais altos em oposição a preocupações com a inflação.


… “Não tenho dúvidas de que, à medida que mais dívida federal entra no mercado, às vezes ela sobrecarrega a demanda, e isso aumenta os rendimentos”, disse.


… As falas de diversos dirigentes do Fed nos últimos dias têm ressaltado o caráter incerto das próximas decisões, para as quais todos receitam cautela.


… Ontem, além de Barkin, quatro diretores falaram. Como de hábito, a “falcoa” Michelle Bowman foi a mais incisiva.


… Ela chamou atenção para o núcleo do CPI ainda elevado e disse que continua a ver riscos de alta na inflação com o mercado de trabalho próximo do pleno emprego.


… Mais uma vez, Bowman levantou a bola de que a política monetária pode não estar tão restritiva quanto se pensa.


… Susan Collins (Boston) disse que as incertezas apontam para menos cortes de juros à frente e pediu “paciência”. Jeffrey Schmid (Kansas City) se disse a favor de ajustar a política monetária de forma gradual.


… Patrick Harker (Filadélfia) considerou apropriado que o Fed faça uma pausa nos cortes dos juros, em meio às incertezas e observou que o retorno da inflação à meta de 2% está demorando mais do que inicialmente previsto.


… No câmbio, a libra estendeu a forte desvalorização da véspera, com queda de 0,41%, a US$ 1,2314, em meio à crescente preocupação com cenário fiscal britânico. Na mínima (US$ 1,2305), desceu ao menor nível de um ano.


… O ING descartou fraqueza adicional importante na libra, com o argumento de que esta não é uma crise soberana.


… O euro recuou 0,16%, a US$ 1,0304. O iene ficou estável (+0,07%), a 158,165/US$. Na média contra seis moedas pares, o dólar (DXY) também ficou perto da estabilidade (+0,08%), a 109,179 pontos.


EM TEMPO… PETROBRAS fechou acordo com União por débitos com ANP e Ibama. Multas de R$ 360,2 milhões foram reduzidas a R$ 177, milhões.


PETRORECONCAVO. Produção consolidada somou 25.978 boe/dia em dezembro, queda de 0,54% ante novembro e aumento de 1,4% ante o mesmo período em 2023.


CAMIL ALIMENTOS teve lucro de R$ 44,4 milhões no 3Tri fiscal, queda de 69% ante o mesmo período do ano passado. Ebitda recuou 31,3%, para R$ 171,3 milhões; receita líquida subiu 3,4%, para R$ 3,1 bilhões…


… Volume de vendas caiu 6,8% no período, para 540,3 mil toneladas, ante o mesmo período do ano anterior.


M. DIAS BRANCO fechou fábrica em Lençóis Paulista (SP) e demitiu quase 500 pessoas. Em nota, o grupo diz que a produção da cidade será transferida para outras unidades do grupo, que tem, agora, 21 plantas.


OI concluiu negociações para venda de ativos da operação de TV por assinatura com a Mileto Tecnologia.


KLABIN obteve a aprovação da Science Based Targets Iniciative (SBTi) para as suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE)…


… A empresa renovou compromisso de reduzir emissões de escopo 1 e 2 em 42% até 2030, tendo 2022 como ano-base, e assumiu compromisso de reduzir as emissões absolutas de GEE de escopo 3 em 42% no mesmo prazo.

Bankinter Portugal 1001

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: ONTEM, Nova Iorque fechada e Europa subiu um pouco, inocentemente, como se pudesse seguir o seu próprio rumo. Saíram Vendas a Retalho na UE fracas: +1,2% vs. +1,7% esperado vs. +2,1% anterior (acima, revisto desde +1,9%). USD fortalecido além de 1,03/€ (1,029/€), como afirmamos ontem que muito provavelmente aconteceria. As yields continuaram a elevar-se um pouco mais: ESP já em 3,20% e PT rompeu a fronteira psicológica de 3%. Mau para as bolsas, claro. 

 

Para rematar esta sensação de insegurança, temos um assunto especialmente original: Financial Times afirma que Musk procura uma forma para que Starmer (Primeiro-Ministro do Reino Unido, trabalhista) deixe de governar antes das próximas eleições. Sem comentários. 

 

ONTEM à noite, 2 conselheiros da Fed em tom hawkish/duro com receio de baixar mais taxas de juros a curto prazo: Harker (Fed Filadélfia) expressou-se a favor de mais descidas, mas não vê necessidade de as aplicar de imediato; e Schmid (Fed Kansas) simplesmente mostrou-se relutante a mais descidas, porque considera que já podem estar perto de taxas neutras. Já expressamos na nossa Estratégia de Investimento 2025 que os níveis neutros de taxas diretoras estão sujeitos a debate, porque estamos num contexto diferente em relação ao binómio inflação/taxas de juros, principalmente nos EUA (em 2022, estimava-se no intervalo 2,3%/3,0%, e agora estão em 4,25/4,50%), mas também na Europa (idem ca. 1,00% ou, alternativamente, no intervalo 1%/2%, segundo modelos). Porque ninguém sabe exatamente onde as situar num contexto diferente. Nós estimamos que a Fed volte a baixar taxas de juros na sua reunião de 17 de setembro (e talvez novamente a 10 de dezembro, até 3,75/4,00%)… o que antes parecia muito hawkish/duro e parecíamos uns outsiders, mas agora parece mais lógico.  

 

O BOM das últimas horas é que TSMC publicou vendas do 4T que batem expetativas: 26.360M$ (+34,4%) vs. 25.900M$ esperados, embora esteja no intervalo estimado pela própria empresa em outubro (26.100/26.900M$). O mais importante é que as Vendas apenas de dezembro são +57,8%. Dará detalhes e guidance 2025 na quinta-feira, 16, mas estas vendas são um bom input para a tecnologia para a sessão de hoje. 

 

HOJE, às 13:30 h, saem os dados formais de emprego americanos, que decidirão se as yields das obrigações continuam a subir ou não. E isso depende se as bolsas se estabilizem em positivo ou negativo, porque agora estão fracas e sem direção. Esperam-se Payrolls ou Criação de Emprego Não-Agrícola de apenas 160k vs. 227k anterior, Emprego Privado 135k vs. 194k, Taxa de Desemprego a repetir em 4,2% e Salários também a repetir em +4,0%. Esses resultados, bastante fracos, seriam bons para que as bolsas se estabilizassem e tentassem subir um pouco, porque as yields relaxariam um pouco. Mas convém não se fiar, porque seria estranho que o emprego no mês de dezembro, habitualmente bom por sazonalidade, saísse fraco. USD e ouro apreciam-se simultaneamente, o que não é de todo indicativo de um mercado feliz, mas de procura de refúgio; o padrão clássico estabelece uma correlação inversa entre ambos os ativos. Continuamos cautelosos e à espera de uma maior definição do mercado. 

 

NY cerrado ayer. ES-50 +0,4% IBEX +0,9% VIX 18,1 Bund 2,54% T-Note 4,70% Spread 2A-10A USA=+42pb B10A: ESP 3,20% PT 3,00% FRA 3,38% ITA 3,71% Euribor 12m 2,553% (fut.2,340%) USD 1,0295 JPY 162,8 Ouro 2.678$ Brent 77,4$ WTI 74,4$ Bitcoin 0% (94.309$) Ether -1,3% (3.279$). 

 

FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...