terça-feira, 15 de abril de 2025

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Se a suspensão temporária e/ou isenções (PCs, telemóveis, semicondutores…) das tarifas anunciadas por Trump desde quarta-feira e durante o fim de semana tivesse uma credibilidade média ou razoável para o mercado, Nova Iorque deveria ter recuperado ontem de forma mais expressiva (+2%/+3%?), e não apenas um tímido +0,8%. Por isso, a conclusão prática é que o mercado e a economia já estão fragilizados, sobretudo no plano da confiança, que é a pedra angular. Assim, Trump pode adiar ou excluir o que quiser daqui em diante (como fez seletivamente com os automóveis nas últimas horas), que isso já não terá credibilidade nem impacto positivo significativo. Este era precisamente o cenário que temíamos e a razão pela qual temos vindo a insistir na redução de riscos por um período indeterminado, por agora.


Dimon, do JPMorgan, atribui uma probabilidade de 50/50 à entrada dos EUA em recessão — semelhante ao que outras gestoras internacionais nos têm vindo a transmitir gradualmente. Salomon, do Goldman Sachs, afirma acreditar que Trump irá suavizar a sua posição e que a situação não será tão grave — declarações que devem ser interpretadas como uma tentativa de apelo direto ao próprio Trump para que reconsidere e ajuste a sua postura.


Mas os indicadores de sentimento são teimosos e transparentes. Insistimos neste ponto. O Índice de Confiança da Universidade de Michigan, divulgado na sexta-feira, foi devastador (50,8 face aos 57,0 anteriores, com o componente de expectativas de inflação a 1 ano nos +6,7%, máximo desde 1981), entre outros. E hoje, pelas 10h, será divulgado o índice ZEW alemão, que deverá literalmente colapsar para 10 face aos 51,6 anteriores. Às 12h30, sairá o índice Empire State ou NY Fed Manufacturing, que deverá manter-se em níveis miseravelmente negativos (-14,5 vs -20,0). Em paralelo, a OPEP reviu em baixa as suas estimativas de procura final de petróleo para 2025/26, e a LVMH anunciou esta manhã uma queda nas vendas orgânicas do 1T25 de -3% face a um esperado +1%, com o seu ADR a cair cerca de -6%. Os futuros americanos estão a recuar ligeiramente (-0,2%), mas tudo indica que o cenário deverá agravar-se ao longo da sessão.


CONCLUSÃO: Os indicadores avançados confirmam o agravamento do ciclo, independentemente de quaisquer adiamentos. Os resultados empresariais do 1T poderão vir como vierem (LPA esperado +6,7%), mas os guidances/projeções deverão ser suspensos, retirados ou completamente revistos — e esse será o próximo choque. Ninguém se atreve a retomar posições em ações, exceto perante um novo abalo e em níveis ainda mais baixos. Os investidores estão a comprar obrigações seguindo o padrão clássico — o que é sinal de agravamento, não de melhoria. O agravamento das expetativas de inflação está a levar à compra de ouro como proteção. E o modelo de dólar forte está, para já, esgotado. Continuamos a recomendar redução/proteção e desconfiança face a eventuais recuperações. Mesmo depois de o BCE cortar novamente as taxas de juro, o que acontecerá depois de amanhã.


S&P500 +0,8% Nq-100 +0,6% SOX +0,3% ES-50 +2,6% IBEX +2,6% VIX 30,9% Bund 2,51% T-Note 4,36% Spread 2A-10A USA=+49pb O10A: ESP 3,21% PT 3,08% FRA 3,28% ITA 3,68% Euribor 12m 2,126% (fut.1,988%) USD 1,135 JPY 162,4 Ouro 3.225$ Brent 65,0$ WTI 61,6$ Bitcoin +0,8% (85.574$) Ether +0,3% (1.640$). 


FIM

Ex diretor

 “Não estou muito animado com a Bolsa”, diz ex-BC e chairman da JiveMauá


Ex-diretor do BC recomenda Tesouro IPCA+ e debêntures isentas diante de juros altos e risco fiscal


Leo Guimarães


Para Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de política monetária do Banco Central e atual presidente do conselho da JiveMauá, não há dúvidas de que o BC faz um trabalho de credibilidade no combate à inflação, mas esbarra na limitação do governo no sentido oposto, que amplia crédito e aquece a economia. Se esse cenário persistir, avalia, pode ser que o BC não consiga reduzir os juros até o final do ano.


O corte da taxa Selic é um cenário considerado possível, devido aos últimos sinais de desaceleração da economia. Mesmo assim, o juro real brasileiro (Selic descontada da inflação) ainda será “altíssimo por muito tempo”, diz o executivo em entrevista ao E-Investidor.


Por isso, Figueiredo acredita que ativos ligados à economia real deveriam ser evitados pelos investidores e que a oportunidade está na renda fixa vinculada à inflação (Tesouro IPCA+ de longo prazo), hoje com prêmios muito elevados. Debêntures isentas de longo prazo emitidas por empresas grandes, de baixo risco e em projetos de infraestrutura sólidos, também seriam um caminho a ser trilhado para não tomar riscos excessivos neste cenário de incertezas.


E-Investidor – Como o Sr. avalia o momento de mercado para a renda variável?


Luiz Fernando Figueiredo – Os ativos brasileiros sofreram muito no ano passado. A virada do ano acabou trazendo uma pequena recuperação diante da enorme piora que veio do pacote fiscal. De lá para cá, um novo governo nos Estados Unidos acabou trazendo muita incerteza e houve uma certa “fuga do dinheiro” para outros países. Houve, portanto, uma redução de posições negativas contra o Brasil, o que acabou gerando um certo alívio. É o que estamos vendo, tanto na parte de câmbio, que está depreciando quase 10% esse ano, quanto na Bolsa em dólar que está subindo mais de 15%.


Como o investidor deveria posicionar o seu portfólio no atual cenário de incerteza?


Gosto muito dos títulos que são indexados à inflação, principalmente os de médio e longo prazo, que pagam taxas mais altas. Para dar uma ideia, os títulos mais longos, o NTN 2050 (Tesouro IPCA + com vencimento em 2050) paga inflação mais 7,40%, o NTN 2032, paga 7,65%. São taxas muito altas acima da inflação. Por mais que paire todo esse risco fiscal, esses ativos estão em nível de oportunidade.


A renda variável é arriscada demais neste momento?


A Bolsa recuperou bastante esse ano, mas tenho uma certa dificuldade em comprar ações hoje porque vamos ficar com o juros altos por muito tempo. Mesmo que o Banco Central comece a reduzir no final do ano, o juro real ainda será altíssimo. O segundo ponto é que o Brasil, que cresceu nos últimos anos 3%, 3,5%, vai crescer menos de 2% nos próximos dois anos, provavelmente. Isso para ativos mais ligados à economia real, como ações, não é bom. Não estou muito entusiasmado com a Bolsa.


No fim do ano passado, havia uma discussão maior sobre o risco de dominância fiscal. Hoje, o dólar mais fraco tem ajudado o Brasil. Ainda há risco de o BC perder credibilidade da política monetária?


Eu não vejo o Banco Central na linha de decisões que reduzam a sua credibilidade. O BC está tomando decisões na linha de quem está realmente fazendo o seu trabalho. Esse é um aspecto. O segundo é, se o governo acelerar demais no fiscal, no parafiscal, soltando muito crédito e uma série de coisas nessa direção, pode atrapalhar muito. Dessa forma, os juros vão ter que ser muito altos durante muito tempo. Mas a política monetária tem os seus limites. É como tomar um antibiótico, vai até um certo ponto. Dependendo do que for, você precisa tomar outras coisas muito mais fortes. O Banco Central não está perdendo credibilidade, mas a política monetária está menos eficaz. Vejo que a política fiscal tem sido incompatível com a política monetária.


Mas tem um limite? Qual seria o ponto de não retorno?


Os últimos dados que saíram são bons (desaceleração da economia). Eles vão na direção de mais controle e não de menos controle (da inflação). Mas vai depender do que o governo vier a fazer daqui para frente. Dá um certo receio aos agentes econômicos quando o presidente fala que a economia vai crescer mais de 3% este ano. Todos sabem que, se isso acontecer, a inflação vai subir muito e o juro vai ter que ficar muito mais alto. Enquanto isso é só um discurso, vamos aguardando com o tempo. Por enquanto, existe uma série de medidas na direção oposta ao que o Banco Central está tentando fazer, mas ainda não têm uma dimensão de jogar todo o trabalho do BC por terra.



https://einvestidor.estadao.com.br/investimentos/luiz-fernando-figueiredo-nao-estou-animado-com-bolsa-ex-bc/

BDM Matinal Riscala 1504

 Terça-Feira, 15 de Abril de 2025.


*TRUMP CONFUNDE MERCADO*

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*



… Inflação de março e índice ZEW de abril na Alemanha abrem o dia dos mercados, junto com a produção industrial na zona do euro (6h), seguidos pelo índice Empire State de atividade industrial de abril nos EUA (9h30). Ainda na agenda internacional, a expectativa com o PIB/1Tri da China no final da noite pode movimentar as commodities. Pequim também divulga produção industrial e vendas no varejo em março. Aqui, o IGP-10 de abril (8h) é o único indicador, com as atenções voltadas para o Orçamento de 2026, que será enviado hoje ao Congresso, com a meta de superávit primário de 0,25%. Mas como todos os dias, Trump e suas tarifas é que vão dar o rumo dos negócios, confundindo o mercado com tantas informações jogadas ao vento e que, a cada hora, apontam para um lado.


… Já ontem à noite, os futuros de NY voltavam a cair, mesmo as ações das techs e montadoras, após o pregão de ganhos, repercutindo o recuo nas tarifas para produtos de tecnologia e o aceno de isenção temporária para o setor automotivo.


… Os eletrônicos foram excluídos da tarifa de 125% sobre produtos chineses e dos 10% sobre importações de outros parceiros comerciais, em um anúncio sem explicações, feito pela Alfândega dos EUA na véspera do fim de semana, que surpreendeu positivamente.


… Foi claramente um recuo. Mas como Trump não seria Trump se admitisse um recuo, avisou logo que a isenção era temporária e que já estava analisando os semicondutores e toda a cadeia de suprimentos de eletrônicos para um enquadramento nas próximas tarifas.


… O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, antecipou que um novo pacote de taxas aos semicondutores sairia esta semana.


… Trump também colocou outro tema na roda, afirmando que a investigação avaliará o impacto de produtos e ingredientes farmacêuticos (incluindo medicamentos), numa sinalização de que está abrindo uma nova frente da guerra comercial.


… Na Bloomberg, as medidas ameaçam ampliar a guerra comercial, já que essas taxas atingiriam a indústria de chips, que movimentou mais de US$ 600 bilhões em vendas globais, e seria um golpe aos maiores fabricantes de medicamentos, incluindo Merck e Eli Lilly.


… Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos disse que está considerando isenções temporárias para as tarifas sobre veículos e peças importadas, para dar tempo às montadoras de estabelecer a fabricação em solo americano.


… “Elas estão mudando para peças feitas no Canadá, México, e em outros lugares, e precisam de um tempo, porque passarão a fabricar aqui” disse ele aos repórteres no Salão Oval da Casa Branca, nesta 2ªF.


… Não deu mais detalhes, mas suas declarações impulsionaram as empresas do setor automotivo, como Ford e GM.


… Trump admitiu que, embora as tarifas sejam necessárias para reconstruir a indústria americana, podem acarretar aumento de preços para os consumidores e o colapso da produção. Ele impôs 25% sobre peças e automóveis importados, a partir de 3/5.


… Até o início do pregão desta 2ªF, Ford e GM acumulavam quedas de 12% e 19%, respectivamente, desde a eleição de Trump.


… Desde o anúncio de tarifas, no dia 2 de abril, o preço-alvo médio para a Ford caiu para cerca de US$ 9,40, segundo a FactSet, de quase US$ 10 e quase US$ 14, um ano atrás. O preço-alvo médio para a GM caiu para cerca de US$ 56, ante quase US$ 61.


OS CENÁRIOS DE WALLER – Dizendo que a nova política tarifária da Casa Branca é “um dos maiores choques que já afetaram a economia dos Estados Unidos em muitas décadas”, o Fed boy enfatizou que o ambiente para os negócios ainda é bastante incerto.


… Admitindo que as alíquotas são “dramaticamente maiores do que eu antecipava”, Waller disse que podem afetar significativamente a economia e o esforço que o Fed tem feito para alcançar os objetivos de levar a inflação à meta de 2% e garantir emprego máximo.


… Voz influente no Fomc, ele traçou dois cenários possíveis: 1) um de manutenção dos níveis atuais de tarifa média efetiva, em torno de 25%, que exigiria uma resposta acelerada da política monetária, e 2) outro com uma tarifa média mais branda, de 10%.


… No primeiro cenário, mais agressivo, projeta um pico da inflação próximo de 5% (anualizado), mas acredita em um efeito temporário, prevendo uma desaceleração significativa da economia no fim deste ano e um ritmo que continuaria lento no próximo ano.


… “Os preços mais altos das tarifas reduziriam os gastos e a incerteza desencorajaria os investimentos das empresas.”


… Ao esperar efeitos temporários da inflação e mais duradouros para o emprego e a produção, Waller apontou que, se a houver ameaça de recessão, “então espero defender uma redução da taxa de juros mais cedo e com maior intensidade”.


… Para ele, com uma economia em rápida desaceleração, mesmo com a inflação bem acima de 2%, o risco de recessão supera o risco de uma inflação descontrolada, “especialmente se os efeitos inflacionários das tarifas forem de curta duração”.


… No segundo cenário traçado por Waller, a tarifa de 10% para todos os produtos seria a base da tarifa média ponderada pelo comércio. Nesse caso, o efeito inflacionário seria “significativamente menor” e o pico da inflação poderia ficar em torno de 3% (anualizado).


… “Ao mesmo tempo, o fato de ainda haver aumento tarifário significa que o cenário de tarifas menores teria, sim, um efeito negativo sobre o crescimento da produção e do emprego, mas menor do que no cenário de tarifas mais altas.”


… Ou seja, a pressão para cortar os juros com base na queda da demanda diminuiria e a resposta do Fed permitiria mais paciência.


DEUTSCHE BANK – Waller adota um tom menos conservador do que a maioria dos Fed boys tem adotado, inclusive Jerome Powell, que já não acredita mais no caráter “transitório” da inflação e insiste que não é preciso pressa para mexer nos juros.


… Da mesma forma, o Deutsche Bank projeta que o Fed irá cortar os juros apenas em dezembro, com uma única redução de 25pbs. Isso porque os analistas do banco acreditam que o Fomc se preocupará mais com seu mandato sobre o mercado de trabalho.


… “Esperamos que o Fed inicie cortes de juros em dezembro, seguidos de mais dois cortes de 25pbs no 1Tri de 2026, o que levará a taxa dos Fed Funds para a faixa de 3,5%–3,75%, consistente com nossa visão de taxa neutra”, disseram em relatório.


… É uma visão mais pessimista do que a de Waller e da maioria do mercado, considerando que a ferramenta FedWatch do CME mostra uma chance de 32,7% de três cortes do juro até dezembro, enquanto 29,1% apontam para a probabilidade de quatro cortes.


INFLAÇÃO NOS EUA – As expectativas de inflação nos EUA para daqui a um ano subiram para 3,6% em março, contra 3,1% em fevereiro, segundo pesquisa do Fed/NY, divulgada nesta 2ªF. Para três anos, as expectativas permanecem em 3% e, para cinco anos, em 2,9%.


… O sentimento dos consumidores sobre a situação financeira para os próximos 12 meses piorou em março; a proporção de famílias que esperam estar em uma condição pior daqui a um ano subiu para 30%, o nível mais alto desde outubro de 2023.


… Já a probabilidade média de perder o emprego nos próximos 12 meses subiu 4,6pps, para 44,4%, maior valor desde abril de 2020.


PRECATÓRIOS – O governo Lula terá que desembolsar cerca de R$ 115 bilhões com precatórios no Orçamento/2026, segundo estimativas preliminares da equipe econômica. O número oficial só será conhecido no final do mês.


… O tema dos precatórios voltou ao radar do governo, já que a partir de 2027 todo o gasto com sentenças judiciais passa a ser computado de forma integral como despesa primária. Como as estimativas estão em alta, essa é uma das maiores preocupações fiscais.


… O valor dos R$ 115 bilhões foi antecipado nesta 2ªF pela Folha e confirmado pelo Valor.


… Para este ano, está previsto o pagamento de R$ 102,3 bilhões em sentenças judiciais (precatórios e requisições de pequeno valor), dos quais R$ 52,7 bilhões estão fora dos limites de despesa e da meta fiscal a partir da decisão do STF.


… A equipe econômica já discute alternativas e não descarta voltar ao Supremo Tribunal para pedir mais prazo e manter uma parte desses gastos fora dos limites de despesa e da meta fiscal. O último ano deste “waiver” dado pelo STF é 2026.


ISENÇÃO DO IR –A compensação fiscal referente à atualização da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física realizada nesta 2ªF já está prevista no projeto de lei que isenta quem ganha até R$ 5 mil mensais, informou o Ministério da Fazenda.


… A atualização terá impacto de R$ 3,29 bilhões em 2025, R$ 5,34 bilhões em 2026 e R$ 5,73 bilhões em 2027.


… A Fazenda afirmou que, apesar de a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) “não exigir medida compensatória quando se trata da tabela” do IRPF, a compensação será feita “globalmente” para os três anos por meio do PL 1087/2025.


… A MP, publicada no Diário Oficial da União (DOU), elevou de R$ 2.259,20 para R$ 2.428,80 o limite mensal para a isenção do IRPF, além de mudanças nas outras faixas, o que garante que nenhum rendimento até dois salários mínimos seja tributado a partir de maio.


MAIS AGENDA – Galípolo terá reuniões com os CEOs do Nubank (9h) e do Santander (13h30). Lá fora, o Fed boy Thomas Barkin fala às 12h35. Logo cedinho (5h), a AIE divulga relatório mensal sobre o mercado de petróleo.


CARPE DIEM – Antes que seja tarde e Trump volte a esticar a corda, os mercados globais se apressam a aproveitar os recuos temporários na guerra comercial, enquanto o Fed tenta manter os negócios funcionais.


… O investidor gostou ontem dos comentários de Christopher Waller, que cogitou a chance de um ciclo de corte de juros mais intenso e de antecipar um relaxamento, caso Trump se torne ainda mais agressivo do que já está.


… Para Waller, ao contrário de outros Fed boys, o risco de recessão supera o de inflação crescente. Na sua visão, os cortes seriam justificados, mesmo que os impostos sobre importações causem alta repentina na inflação.


… A segurança de que o Fed está a postos, combinada ao passo atrás de Trump, com a retirada temporária dos smartphones, computadores e autopeças da lista de tarifas recíprocas contra a China, animou o mundo.


… O Ibovespa recobrou os 129 mil pontos junto com o ânimo nas bolsas de NY, o dólar voltou à faixa de R$ 5,85 e os juros futuros acompanharam o alívio no câmbio e o movimento de queda dos rendimentos dos Treasuries.


… Em ganho firme de 1,39%, o índice à vista da bolsa doméstica chegou aos 129.453,91 pontos, com giro de R$ 21,5 bilhões. Vale (ON, +1,30%, a R$ 54,36) subiu bem mais do que o minério de ferro na China (+0,28%).


… Os papéis dos bancos também foram bem. Itaú registrou valorização de 1,63% (R$ 32,33); Bradesco ON, +1,61% (R$ 11,36); Santander, +1,24% (R$ 26,95); BB, +0,97% (R$ 28,07); e Bradesco PN, +0,87% (R$ 12,73).


… A falta de força da Petrobras (ON, +0,21%, a R$ 33,99; e PN, -0,38%, a R$ 31,73) não abalou a bolsa. O Brent fechou de lado (+0,18%, a US$ 64,88), dividido entre alívio de Trump e projeção de menor demanda pela Opep.


… A maior valorização do dia no Ibovespa foi das ações da Azul (+12,33%), depois de a companhia ter anunciado que vai realizar uma oferta de ações que pode movimentar até R$ 4,1 bilhões.


… Sem desperdiçar a janela do menor protecionismo americano, as bolsas em NY emplacaram nova rodada de alta: Dow Jones, +0,78% (40.524,79 pontos); S&P 500, +0,79% (5.405,97 pontos); e Nasdaq, +0,64%, (16.831,48).


… A Apple, que produz entre 80% e 90% dos iPhones na China, escalou 2,21% com a reviravolta de Trump.


… Os rendimentos dos Treasuries acentuaram o ritmo de queda à tarde, quando Waller (Fed) melhorou ainda mais o clima entre os investidores e derrubou a taxa da Note de 10 anos para 4,384%, contra 4,494% na véspera.


… A nova mudança de rota de Trump também foi refletida em queima de prêmio de risco na curva do DI.


… O contrato de juro para Jan/26 caiu a 14,695% (contra 14,725% na sessão anterior); Jan/27, a 14,165% (de 14,310%); Jan/29, a 14,025% (14,225%); Jan/31, a 14,310% (14,500%); e Jan/33, a 14,410% (de 14,590%).


… O boletim Focus não trouxe mudanças nas projeções de inflação ou para Selic. A expectativa de crescimento do PIB melhorou ligeiramente, de 1,97% para 1,98% em 2025, e de 1,60% para 1,61% em 2026.


… Confiantes, economistas da XP acreditam que os novos empréstimos consignados privados devem adicionar 0,6pp ao PIB doméstico e fornecer um “amortecedor significativo” contra a desaceleração econômica.


… Como os demais mercados, o câmbio relaxou com a decisão da Casa Branca de ceder em parte do protecionismo tarifário contra a China. O dólar à vista fechou em baixa de 0,33%, cotado a R$ 5,8512.


… No noticiário doméstico, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,60 bilhão na segunda semana de abril. No mês, o saldo está positivo em US$ 3,19 bilhões e, no acumulado do ano, totaliza US$ 13,17 bilhões.


… As turbulências de Trump têm posto em xeque a dominância do dólar. “Já não é exagero afirmar que o status de moeda americana está, ao menos em parte, sob questionamento”, observa profissional da Capital Economics.


… Ele chama a atenção para a “incerteza extrema” em torno da política econômica de Washington, para as “distorções contínuas” no mercado de Treasuries dos EUA e “erosão da confiança” nos mercados americanos.


… No contexto da verdadeira montanha-russa de emoções nos negócios, o dólar vem num jogo de perde-perde. Cai quando tudo vai mal e cai também quando o investidor reduz o apelo defensivo, como aconteceu nesta 2ªF.


… O índice DXY, termômetro do dólar contra outras seis moedas fortes, recuou 0,46%, para 99,640 pontos. O iene (143,00/US$), o euro (US$ 1,1370) e a libra esterlina (+0,73%, a US$ 1,3198) levaram a melhor.


… No primeiro dia de flexibilização das medidas cambiais pelo governo Milei, o peso argentino disparou 6,55% e fechou negociado a 1.285,00/US$. O novo regime cambial eliminou restrições para compra de dólares no país.


EM TEMPO… PETROBRAS informou que acionistas que detêm, em conjunto, mais de 5% do capital da companhia solicitaram que a eleição do Conselho de Administração seja feita por voto múltiplo; pleito será realizado em AGO amanhã.


CARREFOUR BRASIL informou que a acionista Península vendeu toda sua fatia de 4,9%, poucos dias antes da assembleia geral que votará proposta para fechar o capital da subsidiária brasileira.


ASSAÍ. Vice-presidente de Finanças e de RI, Vitor Fagá, apresentou pedido de renúncia ao posto…


… Aymar Giglio Jr., diretor de Tesouraria, assumirá as funções de vice-presidente de Finanças não estatutário até o fim do processo de seleção do novo executivo…


… Conselho de Administração elegeu o atual diretor-presidente da varejista, Belmiro Gomes, para a posição estatutária de diretor de RI interinamente.


ITAÚ lançou pagamento recorrente com Pix, se antecipando ao prazo estabelecido pelo BC (junho); neste primeiro momento, solução estará disponível só para empresas e pessoas físicas que são clientes do banco.

Paulo Cursino

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