quarta-feira, 14 de abril de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 14/04/2021 - CPI DA COVID, ORÇAMENTO E INFLAÇÃO AMERICANA

Seguem os mercados de olho nos imbróglios domésticos da CPI da Covid e do Orçamento. Nos EUA, a inflação veio acima do esperado, mas dentro do “raio de controle” do Fed, ainda achando-a temporária e mantendo a “política acomodatícia”.

Retornando, foi aprovada a CPI da Covid nesta tarde-noite de terça-feira (dia 13), depois da leitura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, recomendando a investigação da conduta do presidente Bolsonaro durante a pandemia, destinando recursos para estados e municípios. Estes não serão investigados diretamente, cabendo isso às Assembléias estaduais e municipais. Agora, os líderes devem indicar seus representantes, sendo 11 titulares e 7 suplentes.

O que achamos. Claro que a conduta do presidente, negacionista, rejeitando as vacinas num momento inicial, atrasando inclusive, a encomenda delas, deve sim passar por uma avaliação, mas discordamos com o momento, já que as energias deveriam estar “transferidas” para o combate à pandemia. O problema é que como tudo no Brasil, quanto mais se adiam as decisões mais chances existem de não dar em nada. Aqui o “ganhar tempo” tem sua serventia.

Sobre o imbróglio do Orçamento, seguem as batalhas de pareceres, com os assessores do Legislativo “defendendo” a aprovação integral da peça orçamentária, cheia de emendas (R$ 31,3 bilhões) e com a esdrúxula tese de corte de despesas obrigatórias”. Na leitura dos parlamentares, “depois, ao longo do ano, vamos ajustando”. Já os técnicos da equipe econômica, sabedores dos riscos aí embutidos, cheia de ilegalidades e acomodações contra a “Lei do teto de gastos”, já recomendam o veto integral, sob o risco do governo incorrer em crime de responsabilidade. Uma solução intermediária é a criação de uma PEC alternativa para “destravar os programas emergenciais fora do teto”, no total de R$ 18 bilhões em emendas.

Como sabemos, o presidente tem até o dia 22 para sancionar este Orçamento e até recomendação de se ausentar neste dia, para que o ônus da assinatura recaia sobre o terceiro da sucessão, Arthur Lira, já foi aventada. O especialista em Finanças Públicas, Felipe Salto, inclusive, se espanta com a situação, dada a profusão de contabilidade criativa, criada nesta “peça orçamentária”.

O que achamos. Dá para se tentar um consenso no veto parcial das emendas e a retirada do corte das despesas obrigatórias. Não dá para criar moeda. Se as emendas não cabem no Orçamento, a solução não é acabar com a lei do teto, como querem os parlamentares, mas tentar uma negociação emenda por emenda. Aliás, seria de bom grado sabermos isso. Para onde irá cada emenda?
Neste clima, e ainda influenciados pela forte queda dos treasuries longos nos EUA, desvalorizando o dólar frente às moedas dos emergentes, os mercados fecharam o dia desta terça-feira (dia 13) “meio de lado”.

No mercado. O Ibovespa avançou 0,41%, a 119.297 pontos, recorde desde fevereiro, acumulando 2,28% no mês e 0,24% no ano. O giro financeiro seguiu fraco, em torno de R$ 29,3 bilhões. A impressão é que o mercado continua na expectativa do desenlace destes eventos citados acima, não querendo assumir nenhuma posição. Momento é de espera. Isso se refletiu na curva de juros, “imbicada para cima”, com os futuros para janeiro de 2027 a 9,0%. Já o dólar fechou a R$ 5,7176, quase estável, recuando apenas 0,08%%, pesando o cenário interno conturbado e de olho nos EUA, depois do CPI de março.

Este veio um pouco acima das expectativas, mas dentro do esperado pelo Fed, que considera não haver sustentação para novos picos inflacionários nos próximos meses. Para o presidente Jerome Powell nada muda na estratégia atual acomodatícia, já que os “efeitos dos choques de preço são considerados temporários”. Decorrente disso, os Treasuries registraram a menor taxa em três semanas, ainda mais depois do Tesouro americano oferecer US$ 24 bi no mercado em Treasuries de 30 anos, derrubando os rendimentos no mercado. Com isso, os Treasuries de 10 anos recuaram a 1,619%.

Nos EUA. Em resposta, os mercados de ações em NY fecharam sem “sinal único, mistos”, indicando um momento ainda cheio de armadilhas e desafios, na pandemia e na retomada da economia e da inflação. A Nasdaq avançou 1,0%, a 13.996 pontos, impulsionada pela Tesla (+8,6%), a S&P +0,3%, a 4.141 pontos, e o DJ recuando 0,2%, derrubado pelas incertezas com a vacina da Jansen, Johnson & Johnson (-1,29%), suspendida a produção depois da FDA descobrir que pessoas que tomaram tiveram trombose.

No mercado de commodities, seguimos atentos ao super ciclo de alta, dada a retomada do crescimento da alguns países, como EUA e China. No petróleo, a Opep revisou sua demanda, o que elevou as cotações do Brent a US$ 63,67 e do WTI a US$ 60,18. No mercado de minério o dia também foi de alta, ainda mais depois da China aumentar a importação de minério de ferro em 19%.

Aguardemos nesta quarta-feira o início da temporada de balanços corporativos nos EUA, com destaque para os grandes bancos, devendo registrar resultados sólidos, com projeções de mercado indicando avanço de 24,5% nos lucros. Devemos estar atentos também ao ritmo de vacinação na Europa, devendo se acelerar, e também os novos capítulos no debate americano sobre os riscos inflacionários no horizonte.

No Brasil, aguardemos a “montagem” da CPI da Covid e como o presidente deve responder a isso. No Orçamento seguimos com a batalha de pareceres. Achamos por cautela, como já dito, o veto parcial do que o Congresso enviou ao presidente. Nem tão radical, como os técnicos do governo, nem tão frouxo, como os assessores do Parlamento

Editorial do Estadão (17/02)

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