quinta-feira, 17 de setembro de 2026

CALL MATINAL

17/09/2026

Julio Hegedus Netto, economista


O Ibovespa fechou ontem, 16, em baixa de 0,51%, aos 185.547,66 pontos, com giro de R$ 21,8 bilhões. Já o dólar à vista fechou praticamente estável, em leve baixa de 0,07%, cotado a R$ 5,1514, mesmo com o comunicado de que o Copom não descarta um ciclo estendido de corte da Selic.

Principais índices de bolsa operam em alta nesta quinta-feira (17), enquanto os preços do petróleo recuam, aumentando as esperanças de que a inflação possa ser mantida sob controle depois que o Fed elevou as taxas de juros e sinalizou um maior aperto monetário no futuro.


Passada a “superquarta”, passamos a acompanhar as eleições e os vários imbroglios pendentes no STF depois daquele lamentável dia de plenária para enquadrar o ministro Alexandre de Moraes. Incrível que o cidadão usou e abusou da traficância com o banqueiro playboy Daniel Vorcaro, é suspeito, quase réu, e no fim, numa inversão vergonhosa, os culpados passaram a ser Edson Fachin e André Mendonça. Tem que expulsar todos e refazer tudo.


No mercado, os debates giram em torno dos próximos passos no ciclo de cortes, ou não, do BCB. O Copom reduziu os juros para 13,75% e reconheceu sinais mais claros de melhora da inflação e desaceleração da atividade, dividindo as apostas entre pausa e novas reduções. Nos EUA, o movimento foi inverso: o Fed elevou os juros e endureceu o tom, ampliando as expectativas de novos apertos. A guerra e o petróleo acima de US$ 100 seguem como risco comum, enquanto a maratona de decisões dos bancos centrais continua hoje com o BoE e amanhã com o BoJ. O Banco de Inglaterra (BoE) anunciará hoje a sua decisão de política monetária e é provável que mantenha taxas de juros em 3,75% . A última será a reunião do Banco do Japão, prevista para amanhã, na qual provavelmente teremos uma subida de +25 p.b. até 1,25%.

Carta ao jovem docente

Andrei C. Sposito, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UnicampHá uma percepção sobre a docência que talvez somente o tempo seja capaz de ensinar. No início da vida acadêmica, tendemos a medir nosso trabalho pela escala imediata: a aula ministrada, a disciplina concluída, o aluno orientado, o artigo publicado, o projeto realizado. São referências necessárias e, durante muitos anos, parecem constituir a medida natural da atividade universitária. Mais tarde, entretanto, a perspectiva se amplia. Começamos a perceber que os resultados mais importantes do que fazemos talvez não pertençam ao nosso tempo.

A verdadeira unidade temporal da docência não é o semestre, nem o curso. É a geração.

O professor trabalha no presente com pessoas que atuarão em um futuro que ele conhece apenas parcialmente. Forma médicos que cuidarão de milhares de pacientes, pesquisadores que formularão perguntas ainda inexistentes, professores que ensinarão estudantes que provavelmente jamais conheceremos. Nesse sentido, ensinar é participar de uma cadeia intergeracional que nos antecede e continuará depois de nós. Recebemos de nossos mestres um patrimônio intelectual e humano, acrescentamos a ele aquilo que conseguimos construir e o confiamos à geração seguinte. Essa perspectiva confere à docência uma dimensão muito maior que a transmissão do conhecimento.

Talvez por isso, à medida que os anos passam, também mude nossa compreensão sobre o que significa ser professor. O conteúdo permanece indispensável, assim como o rigor científico e a competência técnica. Mas percebemos progressivamente que parte substancial daquilo que deixamos em nossos discípulos não pode ser registrada em um currículo.

É o que poderia ser chamado de legado invisível.

Ele está certamente na forma como um antigo aluno conduz uma pesquisa, trata um paciente ou orienta uma nova geração. Mas acredito que exista nele outra dimensão, igualmente importante: a construção de um espaço de confiança. O verdadeiro mestre pode tornar-se, ao longo da vida de seus discípulos, uma espécie de porto seguro intelectual e afetivo – alguém a quem se pode retornar para discutir uma dúvida, compartilhar um fracasso, confrontar uma ideia ou simplesmente reencontrar a segurança necessária para seguir adiante.

Esse porto seguro, entretanto, não deve aprisionar. Sua finalidade é justamente permitir a partida.

Talvez esteja aí um dos maiores desafios da formação acadêmica: construir confiança sem produzir dependência; oferecer acolhimento sem reduzir a exigência; conceder autonomia sem abdicar da responsabilidade. Confiança, autonomia e a capacidade de responder pelas próprias escolhas e decisões precisam amadurecer juntas. A confiança não diminui a exigência; ela lhe dá sentido. O mestre não forma seguidores. Forma pessoas capazes de pensar por si mesmas e, idealmente, de ir além dele.

Essa relação torna-se particularmente importante diante do erro.

Na universidade, aprendemos certamente com os acertos, mas talvez sejamos formados ainda mais profundamente pela maneira como nossos mestres lidam com os erros – inclusive com os próprios. A ciência é construída por hipóteses que fracassam, experimentos que não confirmam nossas expectativas, interpretações que precisam ser revistas e caminhos que terminam onde não imaginávamos. O insucesso científico e técnico não constitui uma anormalidade da vida acadêmica. É parte dela.

Um ambiente no qual o erro possa ser reconhecido, discutido e corrigido sem humilhação, mas também sem complacência, é essencial para a formação científica. O estudante precisa aprender que reconhecer um erro não diminui sua dignidade e que modificar uma conclusão diante de novas evidências não representa fraqueza, mas maturidade intelectual. Talvez essa seja também uma das proteções mais importantes contra a fraude e as más práticas científicas: construir uma cultura na qual não seja necessário esconder o fracasso para preservar a própria identidade acadêmica.

Por isso, acima de hierarquias, disciplinas, departamentos ou gerações, a verdade precisa ser o elo de união da comunidade universitária.

Não a verdade como propriedade de alguém ou como coleção de certezas definitivas. Ao contrário, a verdade como compromisso comum de procurá-la; como disposição para submeter nossas convicções à evidência, ao contraditório e à possibilidade de revisão. A Universidade descrita nestas páginas não existe porque detém a verdade, mas porque preserva as condições para continuar buscando-a. Sua grandeza está também em ensinar cada geração a formular perguntas melhores.

E talvez poucas tarefas intelectuais sejam tão prazerosas quanto gerar uma boa pergunta.

O ambiente universitário alcança uma de suas expressões mais ricas quando a segurança para pensar permite que a curiosidade floresça. Quando não precisamos gastar nossa energia protegendo posições, ocultando dúvidas ou evitando o erro, podemos utilizá-la para aquilo que verdadeiramente impulsiona a vida intelectual: descobrir novos horizontes, construir novas leituras sobre o mundo sob nossos pés e formular perguntas que antes não sabíamos fazer. O diálogo entre inteligências livres, no rigor e humildade intelectual, é fundamental para que o conhecimento amadureça.

Com o passar dos anos, essa experiência também modifica a maneira como avaliamos nossa própria trajetória.

Publicações, descobertas, títulos e reconhecimento acadêmico importam. Representam parte objetiva daquilo que construímos. Mas gradualmente dividem espaço com outra medida, menos quantificável: aquilo que aconteceu com as pessoas que ajudamos a formar.

O sucesso de um discípulo passa a produzir uma satisfação diferente daquela proporcionada pelo sucesso individual. O afeto acumulado ao longo de décadas adquire um significado que dificilmente poderia ser antecipado no início da carreira. E começamos a compreender que uma parte essencial da nossa produção acadêmica jamais estará registrada em qualquer base bibliométrica. Estará incorporada à maneira como outras pessoas pensam, trabalham, ensinam e se relacionam.
Há nisso uma forma peculiar de permanência.

Não se trata da pretensão de ser lembrado. Talvez seja algo mais interessante: continuar participando da tarefa de pensar quando outros já estiverem pensando sem nós. Uma pergunta que ensinamos alguém a fazer pode gerar outra pergunta; uma atitude diante da dúvida pode ser reproduzida diante de novos alunos; uma maneira de enfrentar o erro pode tornar-se parte da cultura de outro laboratório; um gesto de generosidade recebido pode reaparecer, décadas depois, oferecido por nosso discípulo a alguém que jamais conheceremos. É dessa maneira silenciosa que a influência de um mestre atravessa gerações.

Essa reflexão torna-se particularmente atual diante das transformações tecnológicas que estamos vivendo.

A inteligência artificial provavelmente tornará obsoletas algumas funções tradicionalmente atribuídas ao professor. A simples transmissão de informações já deixou de ser uma prerrogativa humana. O acesso ao conhecimento, sua organização e mesmo sua elaboração tornam-se progressivamente mediados por sistemas de extraordinária capacidade.

Isso, porém, não reduz necessariamente a importância do mestre. Pode fazer exatamente o contrário.

Quanto mais abundante se torna a informação, mais importante se torna aprender a julgá-la. Quanto maior nossa capacidade tecnológica, maior a responsabilidade pelas escolhas que fazemos com ela. Informação não é compreensão; compreensão não é sabedoria; e nenhuma delas, isoladamente, garante responsabilidade. A formação humana exige integrar conhecimento, pensamento crítico, sensibilidade, discernimento ético e compromisso com a sociedade.

Talvez, portanto, a tecnologia torne algumas funções do professor dispensáveis justamente para revelar com maior clareza aquilo que nele é insubstituível.

Ao final de uma longa trajetória, um mestre provavelmente permanecerá cada vez menos pelos conteúdos específicos que transmitiu. Muitos terão sido corrigidos, atualizados ou substituídos. Permanecerá pela maneira como ensinou seus discípulos a pensar. Pela liberdade que lhes concedeu. Pela responsabilidade que deles exigiu. Pela maneira como enfrentou seus próprios erros. Pelo respeito à verdade que demonstrou quando ela contrariava suas convicções. E também pelo acolhimento, pela confiança e pelo afeto que permitiram que outros encontrassem segurança suficiente para seguir seus próprios caminhos.

O professor transmite conhecimento; o mestre ajuda a construir pessoas. E, quando essa missão é cumprida, algo de seu modo de interrogar o mundo continua vivo muito depois que sua última aula terminou.

O professor deixa a sala de aula. O mestre permanece em seus discípulos.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Mercado sai da Superquarta dividido sobre a Selic*

… Depois da Superquarta, o mercado começa a quinta-feira discutindo até onde vai o ciclo de cortes da Selic. O Copom reduziu os juros para 13,75% e reconheceu sinais mais claros de melhora da inflação e desaceleração da atividade, dividindo as apostas entre pausa e novas reduções. Nos Estados Unidos, o movimento é inverso: o Fed elevou os juros e endureceu o tom, ampliando as expectativas de novos apertos. A guerra e o petróleo acima de US$ 100 seguem como risco comum, enquanto a maratona de decisões dos bancos centrais continua hoje com o BoE e amanhã com o BoJ. No Brasil, a crise no STF segue repercutindo na campanha eleitoral e divide espaço com quatro novas pesquisas hoje.

CAUTELOSO, MAS INCLINADO A DOVISH – Após confirmar o novo corte de 25pbs da Selic, para 13,75%, o comunicado do Copom veio muito parecido com o anterior, quase um “copia e cola”, mas com três ajustes sutis que revelam sinais de alívio na atividade e na inflação.

… Em agosto, o texto dizia que o conjunto dos indicadores “sugere” uma moderação gradual da atividade econômica; agora, o conjunto dos indicadores “mostra” uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos.

… O Copom reconhece melhora também na inflação: no comunicado anterior, a inflação cheia estava “acima do limite superior da meta”; agora, tanto o índice cheio quanto a média das medidas subjacentes estão “abaixo desse limite”, embora permaneçam acima da meta.


… Uma terceira mudança foi nas expectativas de inflação, uma preocupação central do BC: em agosto, o texto dizia monitorar a desancoragem “adicional” para prazos mais longos; agora, retirou a palavra “adicional”, enquanto manteve a estimativa para o 1TRI/28 em 3,2%.


… As revisões no comunicado foram suficientes para reforçar entre parte dos economistas a percepção de que o ciclo de cortes pode continuar, embora o Banco Central tenha evitado qualquer compromisso com novembro, deixando todas as opções sobre a mesa.


… Assim, o Copom não formou consenso e manteve a divisão que já havia no mercado sobre os próximos passos.


… Em levantamento do Broadcast com economistas logo após a reunião, eles se dividiram entre mais um corte, mais dois cortes e uma pausa.


… A favor de novas reduções estão justamente os sinais destacados pelo Copom: a desaceleração ficou mais evidente nos setores cíclicos, a inflação corrente e os núcleos melhoraram e a projeção para o horizonte relevante permaneceu em 3,2%, apesar do dólar mais alto.


… Na direção contrária, o balanço de riscos continua assimétrico para cima, as expectativas permanecem desancoradas e o petróleo acima de US$ 100 mantém o risco de novas pressões sobre a inflação.


… Entram nessa conta ainda a alta dos juros pelo Fed, as incertezas fiscais e, principalmente, o comportamento do câmbio.


… Itaú, Santander, Citi, BV, C6 e SulAmérica estão entre os mais conservadores e ainda mantêm 13,75% como cenário-base para o fim do ano, embora alguns já admitam a possibilidade de juros menores.


… O Santander diz que “não é uma comunicação que reforça 13,75%”, enquanto a SulAmérica reconhece viés de baixa para sua projeção.


… Bradesco, Inter, ASA e Eytse estão do outro lado e esperam mais dois cortes de 25pbs, em novembro e dezembro, levando a Selic a fechar 2026 em 13,25%. Já o ABC Brasil projeta mais um corte em novembro e admite outro em dezembro se câmbio e El Niño permitirem.


… Antes da decisão, o mercado estava praticamente meio a meio entre manutenção e novo corte de 25pbs em novembro. Nas projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis para o Focus, a mediana indica pausa em novembro e corte apenas em dezembro.


… A ata do Copom, na próxima semana, será o próximo teste para essa discussão. Para Sergio Goldenstein, da Eytse Estratégia, será importante observar se a fraqueza da demanda doméstica e a transmissão do aperto dos juros pelo crédito ganharam peso na avaliação do BC.


… Embora o comunicado isoladamente deva ter impacto limitado na curva, o mercado ainda terá de digerir nesta quinta-feira a combinação de Copom mais dovish e Fed mais hawkish, com petróleo elevado e redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.


… A discussão passa a ser até onde vai o ciclo, com atividade, inflação, câmbio e petróleo no radar até a reunião de 4/11, já depois da eleição.


FED APERTA O TOM – Em decisão unânime, o que foi uma surpresa, o Fed elevou os juros em 25pbs, para 3,75% a 4,00%, na primeira alta desde 2023, mas a grande notícia veio nas sinalizações para os próximos passos.


… Dos 18 dirigentes que apresentaram projeções, 16 esperam pelo menos mais uma alta neste ano e quatro deles esperam mais dois aumentos. A mediana para os juros no fim de 2026 subiu de 3,8% em junho para 4,1% e permaneceu nesse nível para 2027.


… O Fed também revisou para cima as projeções para inflação e crescimento.


… Kevin Warsh reforçou o tom duro na coletiva, ao afirmar que a inflação está “muito alta e segue assim há muito tempo”, enquanto a economia continua resiliente e o mercado de trabalho permanece próximo do pleno emprego.


… Para ele, os dados recentes não mostram melhora significativa das tendências subjacentes da inflação.


… A guerra no Oriente Médio também entrou diretamente nas preocupações. Warsh afirmou que o Fed irá garantir que as alterações de preços provocadas pelo conflito não se espalhem pela economia, apesar do alívio de ontem no petróleo, que caiu cerca de 3%.


… Embora tenha evitado antecipar as próximas decisões e criticado a dependência do mercado em relação ao gráfico de pontos, Warsh deixou claro que o combate à inflação continuará predominando.


… Após a decisão e a coletiva, o mercado atribuía 87,3% de probabilidade a um novo aperto dos juros americanos até dezembro, enquanto as apostas para outubro estavam praticamente divididas entre manutenção e nova alta de 25pbs.


… A sinalização hawkish de Warsh pressionou os mercados, com alta do dólar e dos juros dos Treasuries, enquanto o juro de 10 anos voltou a superar 5% e as bolsas caíram em Nova York. O movimento teve efeito pontual nos ativos domésticos, à espera do Copom (leia abaixo).


BOE NA CONTRAMÃO – Depois das altas de juros do BCE e do Fed, o Banco da Inglaterra deve manter a taxa em 3,75% nesta quinta-feira, com resultado previsto para ser anunciado às 8h, apesar da inflação acima da meta e dos riscos da guerra.


… O CPI britânico acelerou de 2,9% para 3,1% em agosto, mas Andrew Bailey avalia que os efeitos de segunda ordem do choque de energia permanecem praticamente nulos. A decisão pode não ser unânime. O Deutsche Bank projeta três votos dissidentes pela alta de 25pbs.


E AINDA FALTA O BOJ – Já o Banco do Japão deve elevar os juros em 25pbs, para 1,25%, na madrugada de amanhã, sexta-feira, e a atenção estará concentrada nas sinalizações de Kazuo Ueda sobre a velocidade dos próximos apertos.


… A inflação, os salários e agora a alta do petróleo reforçam a expectativa de continuidade do ciclo. BofA e Capital Economics projetam juros em 2% em meados de 2027, enquanto o ING prevê mais duas altas de 25pbs, em janeiro e abril, até 1,75%.


… A alta do BoJ já está praticamente precificada, desde a intervenção conjunta dos Estados Unidos e Japão para conter a desvalorização do iene.


DEU UMA FOLGA – Depois do salto na véspera, o petróleo recuou ontem, reagindo à informação de que autoridades dos Estados Unidos se reuniram com os houthis em Omã e os rebeldes disseram que não pretendem atacar navios americanos.


… Também pesaram os estoques do DoE, com queda do petróleo menor que a esperada e alta de gasolina e dos destilados. O contrato futuro do Brent para novembro fechou a US$ 105,83 (-2,69%) e o WTI para outubro, a US$ 102,43 (-3,21%).


… O alívio ganhou reforço com o Centcom, que afirmou que o tráfego por Ormuz continua fluindo e que mais de 900 milhões de barris de petróleo passaram pelo estreito desde maio com ajuda das forças americanas.


… Trump deve se reunir na próxima terça-feira com líderes do Golfo, à margem da Assembleia Geral da ONU, para discutir os próximos passos da guerra e uma estratégia para o pós-conflito.


… Mas a trégua ainda é frágil. Os houthis afirmaram ter atacado uma base aérea e instalações da Saudi Aramco, enquanto a Arábia Saudita tenta recuperar parte da capacidade do oleoduto danificado na semana passada.


RESSACA MORAL – No dia seguinte ao pedido de vista de Flávio Dino, a condução do julgamento no STF por Edson Fachin passou a ser criticada tanto por ministros próximos a Alexandre de Moraes quanto por integrantes da ala de André Mendonça.


… As críticas vão desde a decisão de levar o caso ao plenário, a quase duas semanas da eleição, até a falta de regras mais claras para a condução da sessão, que acabou levando para diante das câmeras conflitos que circulavam havia meses nos bastidores.


… O pedido de vista de Dino abriu ainda uma nova incerteza sobre Mendonça.


… Ministros avaliam que não faria sentido julgar sua conduta na próxima semana antes de o Supremo decidir se os casos dele e de Moraes devem tramitar juntos ou separadamente – o que abre caminho para o adiamento da sessão do dia 23.


… Como Dino tem até 90 dias para devolver o processo, a definição tende a ficar para depois da eleição.


… A crise entrou de vez na campanha.


… Em entrevista ao podcast Desce a Letra Show, Lula afirmou que Fachin tem a responsabilidade de não permitir que o caso Master “atrapalhe o processo eleitoral”, defendeu a apuração das suspeitas e criticou a sessão de terça-feira.


MAIS PESQUISAS – A corrida eleitoral volta ao radar nesta quinta-feira, com quatro pesquisas nacionais: AtlasIntel, Datafolha, Gerp e PoderData divulgam novas rodadas de intenção de voto para presidente.


… Ontem, a Ipsos-Ipec mostrou piora na avaliação do governo Lula. A parcela que considera a administração ruim ou péssima subiu de 38% para 43% desde junho, enquanto ótimo ou bom oscilou de 32% para 33%. A desaprovação ao modo de governar avançou de 50% para 53%.


MAIS AGENDA – A reunião do BoE é o principal destaque para os mercados nesta quinta-feira, que tem poucos indicadores relevantes.


… Lá fora, às 6h, sai o CPI final de agosto da zona do euro, com previsão de 3,3% em 12 meses e núcleo de 2,4%.


… Nos Estados Unidos, às 9h30, os pedidos semanais de auxílio-desemprego devem subir de 206 mil para 207,5 mil, no mesmo horário das construções de moradias iniciadas de agosto, com previsão de alta de 7,3%.


… No Brasil, a Fipe divulga às 5h a segunda quadrissemana do IPC de setembro e, às 8h, a FGV informa a segunda quadrissemana do IPC-S Capitais.


… Às 11h30, o Tesouro realiza leilão de títulos e o BC oferta até US$ 2,5 bilhões em swaps cambiais para rolagem.


GALÍPOLO –O presidente do Banco Central recebe hoje, às 16h30, Armínio Fraga, na sede do BC em Brasília.


RECATADO E DO LAR – O dólar disparou no exterior após o Fed, mas ficou estável diante do real, porque o câmbio esteve inclinado a compensar a piora externa com o trade eleitoral, na véspera da nova rodada de pesquisas.


… Apesar de o STF ter prolongado a grave crise de credibilidade, o investidor parece estar confiante de que a estratégia de Flávio Bolsonaro de colar sua imagem no “fora Moraes” possa garantir capital eleitoral extra.


… A resistência do petróleo nos três dígitos, mesmo com a correção de ontem, também blindou a moeda brasileira da pressão de Warsh, na medida em que o País é exportador líquido da commodity, o que favorece a balança.


… O dólar à vista fechou praticamente estável, em leve baixa de 0,07%, cotado a R$ 5,1514, mesmo com a possibilidade (confirmada após o fechamento) de que o Copom não descartasse um ciclo estendido de corte da Selic.


… Copom com viés dovish e Fed hawkish não são a melhor equação para o carry trade, mas o que o mercado parece estar dizendo é que o diferencial dos juros, apesar de mais estreito agora, ainda continua vantajoso ao fluxo.


… Outro ativo doméstico que surpreendeu ontem foi a curva do DI, na medida em que conseguiu se proteger da persistência da taxa dos Treasuries de dez anos acima da marca de 5%. O quadro eleitoral falou mais alto que o Fed.


… Só mesmo o contrato curto dos juros futuros é que esboçou uma alta tímida, com o Janeiro de 2027 marcando 13,580% (de 13,579% no ajuste anterior). Já os demais vencimentos desprezaram o exterior e focaram na eleição.


… Otimistas com a promessa de mudança na agenda fiscal se a chapa de oposição sair vencedora, o Jan/28 caiu a 13,625% (de 13,654%); Jan/29, a 13,865% (de 13,923%); Jan/31, a 14,070% (14,201%); e Jan/33, 14,190% (14,346%).


NA MOSCA – Horas antes do Copom, em entrevista ao BDM Live, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, previu que o comunicado deixaria tudo em aberto, sem sinalizar pausa ou continuidade automática dos cortes.


… Ela disse que a inflação em desaceleração e a atividade mais fraca não justificavam pausa no ciclo de calibração da Selic e projetou mais dois cortes este ano (novembro e dezembro), apesar da incerteza eleitoral e fiscal.


… Segundo Rafaela Vitória, a queda do IBC-Br de julho reforça o cenário de desaquecimento da atividade econômica e não há, neste momento, qualquer gatilho específico para a reaceleração do ritmo de crescimento do Brasil.


… O enfraquecimento da atividade, disse, limita neste momento o repasse do choque do petróleo para o IPCA. O principal risco para o País, advertiu, ainda é o câmbio, via juros mais altos nos Estados Unidos e dólar forte.


… As doses de cortes de 0,25 ponto porcentual da Selic parecem adequadas no contexto atual, em sua avaliação, já que as expectativas de inflação de prazo mais longo seguem desancoradas e limitam quedas maiores da taxa básica.


… Os subsídios aos combustíveis não são sustentáveis e podem pressionar as expectativas fiscais e de inflação, disse.


… Para ela, há espaço para o Copom seguir cortando a Selic mesmo com Fed conservador, mas os juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos são um limitador principalmente para a continuidade do recuo da Selic em 2027.


… Além disso, a incerteza fiscal para o ano que vem entra como fator relevante para trajetória da política monetária.


… A economista calcula que o juro neutro real pode ficar perto de 3% e, combinado à inflação de longo prazo entre 3,5% e 4%, a Selic alcançaria em torno de 7% a 8%. “Mas é preciso confiança de que trajetória fiscal será contida.”


… Sobre medidas concretas que poderiam melhorar a trajetória fiscal e abrir espaço para juros estruturalmente menores, citou a desvinculação de pisos de saúde e educação como importante para conter o crescimento de gastos.


… A desvinculação permitiria crescimento da economia e da receita sem repasse obrigatório para despesas.


… A revisão de programas sociais e da Previdência também seria relevante para o ajuste fiscal, observou. “A política de reajuste do salário mínimo não é compatível com tamanho atual dos programas vinculados a ele”, afirmou.


AMORTECEU O CHOQUE – Para um dia em que o presidente do Fed se vestiu de falcão, em que o petróleo em queda afundou os papéis da Petrobras e em que a Vale também foi mal, dá para dizer que o Ibovespa até que caiu pouco.


… Fechou em baixa de 0,51%, aos 185.547,66 pontos, com giro de R$ 21,8 bilhões. Representante do kit eleitoral, BB ON subiu 3,04%, a R$ 22,71. Bradesco PN (+0,05%, a R$ 18,21) e Itaú PN -0,12% (R$ 42,62) esperaram pelo Copom.


… Chamou a atenção o volume negociado pela Vale, de R$ 3,8 bilhões, bem mais do que o triplo da média recente, de R$ 1,5 bilhão. Segundo fontes do Valor, há indícios de que investidores estrangeiros estejam liquidando posições.


… A ação da mineradora registrou desvalorização expressiva, de -2,14% (R$ 73,00), apesar da apatia do minério (+0,14%). Já Petrobras afundou com o petróleo: ON, -4,27%, na mínima de R$ 53,83; e PN, -3,53%, a R$ 48,65.


TOO LATE 2 – Se um dia o mercado desconfiou que Kevin Warsh se dobraria fácil às pressões de Trump, não é isso o que se tem observado neste início de mandato do presidente do Fed, que vai se provando intolerante à inflação alta.


… O tom hawkish na entrevista coletiva, o placar unânime do Fomc e o gráfico de pontos super inclinado a apertos adicionais levaram o índice DXY a ultrapassar os 100 pontos e preservaram a taxa da Note de dez anos acima de 5%.


… Desde a decisão de política monetária anterior, em julho, os rendimentos dos Treasuries, sobretudo os de longo prazo, atingiram máximas de décadas. O de dez anos, por exemplo, chegou ao pico em quase vinte anos.


… No Valor, profissionais dizem que grande parte desse avanço se deu pela incerteza sobre o rumo da política monetária, riscos fiscais e atuações do Tesouro, percebidas como uma tentativa de Bessent de “domar” o mercado.


… No final de julho, em atuação conjunta com o Japão, os Estados Unidos socorreram o iene, com compras em grande escala da moeda, para evitar que o governo de Tóquio promovesse vendas em massa dos Treasuries.


… O Tesouro americano informou ontem que as participações estrangeiras em Treasuries caíram em agosto para o nível mais baixo desde outubro de 2025, lideradas por baixas nos estoques da França e do Canadá.


… Sensível ao risco de que o Fed continue aumentando o juro, especialmente se o choque do petróleo persistir, a taxa da Note de dez anos continuou subindo, para 5,015% (de 5,001%), e a de dois anos foi a 4,731% (de 4,669%).


… Em dia de Fed, o DXY ganhou força (+0,64%), para 100,252 pontos, com o dólar desbancando o iene (-0,68%, a 156,17/US$), o euro, que caiu 0,60%, a US$ 1,147, e a libra, que perdeu a 0,65%, a US$ 1,3387, na véspera do BoE.


… A impressão de que o juro vai subir pelo menos mais uma vez este ano derrubou as bolsas em Nova York, apesar do alívio do petróleo. O Dow Jones caiu 1,21%, a 51.461,90 pontos; e o S&P 500 recuou 0,45%, a 7.551,81 pontos.


… O Nasdaq fechou estável (-0,01%), aos 25.978,42 pontos, porque o setor de tecnologia (+0,10%) parou de cair, depois dos alertas recentes dos CEOs das gigantes de tecnologia sobre a segurança da Inteligência Artificial.


… No final da noite de ontem, os futuros das bolsas em Wall Street avançavam com a recuperação das big techs.


CIAS ABERTAS NO AFTER – A presidente da PETROBRAS, Magda Chambriard, afirmou que a companhia irá assinar nesta semana contrato para exploração de oito blocos em águas ultraprofundas na Costa do Marfim…


… O Tribunal de Contas da União (TCU) informou que julgará a política de preços da Petrobras em sessão reservada marcada para a próxima quarta-feira, dia 23…


… Petrobras informou na noite de ontem que manterá inalterado o preço efetivo do diesel às distribuidoras, com o aumento de R$ 1 por litro hoje compensado por igual desconto da subvenção federal.


BRAVA ENERGIA encerrou contrato para venda dos polos Porto Carão e Barrinha à Azevedo & Travassos e Petro-Victory, alegando vencimento do prazo para cumprimento das condições.


SABESP. Acionistas da Emae aprovaram incorporação das ações ainda não detidas pela companhia. Relação de troca será de 1,3195 ação da Sabesp para cada ação da Emae.


TAESA elegeu Andrea Marques de Almeida como presidente do conselho de administração. Executiva já passou pela Cemig, Santander Brasil e Petrobras.


BRADESCO levantou R$ 6,54 bilhões na primeira etapa do aumento de capital de até R$ 10 bilhões, com subscrição de 66,54% das ações. Sobras serão rateadas entre os próximos dias 21 e 25.


BANCO DO BRASIL. JPMorgan reduziu preço-alvo de R$ 25 para R$ 22 e manteve recomendação neutra, após cortar projeções de lucro para 2026 e 2027.


NUBANK. Itaú BBA rebaixou recomendação de compra para neutra e cortou preço-alvo de US$ 20 para US$ 18, diante de maior incerteza para o crescimento em 2027.


INTER&CO inicia nesta quinta-feira período para investidores escolherem entre ações na Nasdaq ou BDRs não patrocinados após o fim do programa de BDRs Nível II.


BRB. Em comício de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal, Lula afirmou que o governo não dará recursos para resgatar o banco e atribuiu a crise à gestão da atual governadora, Celina Leão, e à relação com o Banco Master.


BRADSAÚDE adquiriu ativos imobiliários para construção de hospital em Jundiaí por meio da parceria Atlântica D’Or. Rede D’Or ficará responsável pela gestão da unidade.


CASAS BAHIA negou ter feito novos aportes no primeiro semestre em fundo que aparece como credor na recuperação judicial e disse que os saldos questionados já haviam sido divulgados…


… A empresa terá até 1º/3/2027 para reenquadrar a cotação das ações acima de R$ 1, após notificação da B3.


AMERICANAS publicou editais de alienação judicial de imóveis no Rio de Janeiro por valor mínimo de R$ 129,9 milhões. Recursos reforçarão a liquidez e financiarão o plano de transformação.


OCEANPACT concluiu a incorporação da CBO, com emissão de 274,6 milhões de novas ações. Capital social passou a R$ 1,48 bilhão e CBO deixou de existir como sociedade independente.


INTELBRAS pagará R$ 20 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,06112 por ação. Pagamento está previsto para março.

Bankinter Matinal Portugal

Análise Bankinter Portugal

NY -0,4% US tech -0,1% US Semis +0,6% UE +0,5% Espanha +0,4% VIX 17,7% Bund 3,51%. T-Note 5,02%. Spread 2A-10A USA=+28pb B10A: ESP 3,97% PT 3,86% ITA 4,36% FRA 4,51% Euribor 12m 3,37% USD 1,147 JPY 179,2/€. Ouro 4.264$. Brent 105,8$. WTI 102,4$. Bitcoin +0,3% (76.103$). Ether +0,1% (2.409$).

SESSÃO: Ontem a Fed subiu taxas de juros até 3,75%/4,00%, numa decisão tomada por unanimidade (12-0). O tom foi claramente hawkish/duro: o diagrama de pontos aponta para mais uma subida de +25 p.b. em 2026 e, diferente do que contemplava anteriormente, já não prevê cortes em 2027. Com este movimento, a Fed confirma o seu compromisso de controlar a inflação que, segundo Warsh, “é demasiado alta e tem sido durante demasiado tempo”. De facto, o quadro macro reflete que não espera alcançar o objetivo de inflação +2% até 2029. Tudo isso num contexto em que a atividade economia é “robusta” e o seu mercado laboral forte.

A nossa previsão é que a Fed irá subir mais uma vez em 2026, até 4,00%/4,25%. O calendário é incerto, mas a direção parece clara. A Fed poderia optar por esperar na reunião de 27/28 de outubro, para não interferir nas eleições de 3 de novembro, e manter-se à espera da evolução na frente geopolítica até à reunião de 8/9 de dezembro. Historicamente, a Fed não fez subidas isoladas de um só movimento de taxas de juros. Não obstante, desta vez não descartamos um ciclo agressivo de subidas de perante um choque de oferta que não se combate com taxas de juros mais elevadas e, de momento, sem indícios de efeitos de segunda ronda.

Por outro lado, ontem, o Banco Central do Brasil baixou taxas de juros em -25 p.b. até 13,75%, e o mais provável é que continue com a série de redução nas próximas reuniões. O Banco de Inglaterra (BoE) anunciará hoje a sua decisão de política monetária e é provável que mantenha taxas de juros em 3,75%, embora após a subida da Fed possa adotar um tom mais duro para apoiar a estabilidade da libra, aumentando as probabilidades de subidas no futuro. A última será a reunião do Banco do Japão, prevista para amanhã, na qual provavelmente teremos uma subida de +25 p.b. até 1,25%.

Com tudo isto, estimamos que o mercado irá reagir positivamente, como adiantam os futuros, porque a Fed aumentou a sua credibilidade, reduz uma incerteza e deixa claro que pode subir taxas de juros num contexto de força da economia. Além disso, embora o petróleo avalia acima da barreira psicológica dos 100 $, moderou-se após se saber que a Arábia Saudita estava a aumentar as suas exportações de petróleo através de Omã. Se a geopolítica o permitir, este alívio também deverá ajudar a sessão.

Call Matinal

Call Matinal, by Julio Hegedus 1) Ontem, dia 17, o Ibovespa subiu 0,24%, aos 185.992 pontos, e o dólar recuou a R$ 5,139, em sessão volátil....