Papo de Economista
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
CALL MATINAL
08/09/2026
Julio Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
No fechamento de sexta-feira, dia 05, o Ibovespa fechou de lado (-0,02%), aos 185.147,15 pontos, com giro fraco de R$ 17,7 bi. Já o dólar, por aqui, acompanhou a pressão externa e subiu 0,52%, cotada a R$ 5,1308.
O mercado volta do feriado com uma combinação que exige atenção: petróleo perto dos US$ 100, juros pressionados e aumento do risco geopolítico. O comportamento do Brent será determinante. Uma permanência acima dos US$ 100 pode reforçar as expectativas de inflação e dificultar o trabalho dos bancos centrais. No Brasil, além do cenário externo, IPCA e eleições começam a ganhar peso crescente na formação dos preços dos ativos.
Foram acachapantes as manifestações ocorridas pelo Brasil, em especial, na Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio de Janeiro. Isso muito me intriga sobre o potencial competitivo do lulo-petismo. Não conseguem encher uma praça. Como pode? Em paralelo, a situação do ministro do STF envolvido é insuportável, tendo até surgido um abaixo assinado de 13 ex-ministros condenando o ato em si. O que falta para ele pedir para sair? Cinicamente, continua se comportando como se fosse o “imperador do Buçaco”. Diante deste desgaste, a oposição a este governo cresce, por saber sim que o ministro “presta” serviços ao governo e seus asseclas. Isso desgasta, desgasta e desgasta.
Em pesquisas recentes, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno, no primeiro empate numérico entre os dois (41%). Se Lula continuar querendo passar pano para esta constrangedora situação, não será surpresa se o candidato bolsonarista o ultrapassar nas pesquisas.
Nos mercados, o retorno do feriado no Brasil e em NY trás mais pressão sobre os juros e o petróleo perto dos US$ 100. O payroll forte virou novamente as apostas para o Fed, com mais de 60% de chance de alta em setembro, enquanto a escalada dos ataques entre EUA e Irã e a redução do tráfego por Ormuz ampliam os riscos para a inflação. O CPI na sexta-feira será o próximo grande teste, numa semana em que o BCE também deve elevar os juros. Aqui, o destaque é o IPCA, também na sexta.
Absurdos...
Eu não voto, anulo sempre. Mas como negar os fatos do poder de mobilização da direita, contra zero da esquerda? Isso se define pelo "anti-petismo", pelo sentimento de cansaço, de querer se livrar desta corja. E nada tem a ver com bolsonarismo, mas sim com a mobilização da sociedade contra esta canalhada, ineficiente ao extremo na manutenção da máquina pública, na gestão governamental, só servindo para se locupletar. As manifestações de 7 de setembro são a demonstração cabal de que existe safadeza no transcurso das apurações eleitorais, das pesquisas como um todo. O PT não consegue encher uma praça!!! E aí me vêm estas pesquisas mostrando Lula na frente??? A quem querem enganar ???
BDM Matinal Riscala
*Rosa Riscala: Brent perto de US$ 100 e Quaest na volta do feriado*
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno, no primeiro empate numérico entre os dois
… Os mercados voltam do feriado no Brasil e em Nova York com mais pressão sobre os juros e o petróleo perto dos US$ 100. O payroll forte virou novamente as apostas para o Fed, com mais de 60% de chance de alta em setembro, enquanto a escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e a redução do tráfego por Ormuz ampliam os riscos para a inflação. O CPI na sexta-feira será o próximo grande teste, numa semana em que o BCE também deve elevar os juros. Aqui, o destaque é o IPCA, também na sexta, enquanto nova pesquisa Quaest esquenta a campanha eleitoral, com empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro, em meio à crise no STF, que ganhou força como tema dos candidatos.
QUAEST EMPATA – Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% cada em eventual segundo turno na nova Quaest, no primeiro empate numérico entre os dois. A vantagem de Lula, que chegou a oito pontos em julho e havia caído para apenas um na rodada anterior, desapareceu.
… No primeiro turno, Lula oscilou de 37% para 36%, Flávio permaneceu em 29% e Augusto Cury (Avante) recuou de 10% para 8%. Já Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcaram 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%.
… A pesquisa, divulgada no feriado, deve manter vivo o trade eleitoral que levou os ativos brasileiros a um forte rali na semana passada.
… Este é o primeiro levantamento inteiramente realizado após a escalada da crise no STF, que, segundo analistas políticos, estaria prejudicando mais a campanha petista, com as revelações de mensagens inéditas ligando Alexandre de Moraes a Daniel Vorcaro.
… A pesquisa da Quaest trouxe ainda uma piora na avaliação do governo.
… A aprovação de Lula caiu de 45% para 43%, enquanto a desaprovação subiu de 48% para 50%. Embora as oscilações estejam dentro da margem de erro, o saldo negativo, que chegou a um ponto no início de agosto, agora é de sete pontos.
… A rejeição aos dois principais candidatos segue elevada: 55% dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro e 53% rejeitam Lula, porcentuais estáveis em relação à rodada anterior. Já Cury perdeu força como opção de terceira via entre os independentes.
FORA LULA, FORA MORAES – A crise no Supremo dominou o ato de 7 de Setembro organizado pela campanha de Flávio na Avenida Paulista. Manifestantes levaram faixas com “Fora Moraes” e “Fora Lula” e bonecos infláveis de Donald Trump e André Mendonça.
… Flávio Bolsonaro associou diretamente Lula a Alexandre de Moraes, disse que quem vota no presidente também vota no ministro – que é o inimigo nº 1 do bolsonarismo – e prometeu acabar, caso seja eleito, com o que chamou de “consórcio” entre os dois.
… Em tom de confronto, afirmou que indicará cinco ministros ao STF porque Moraes “cairá” e prometeu “resgatar a credibilidade” do Judiciário.
… O candidato comparou-se ao pai, Jair Bolsonaro, afirmou que eventuais tentativas de interferência na eleição “não vão dar certo”, disse temer uma “terceira facada” contra ele e aliados e contou que faz campanha usando colete à prova de balas.
… Flávio participou da manifestação ao lado do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, o ato reuniu cerca de 28,5 mil pessoas, 32,5% menos do que no 7 de Setembro do ano passado.
UNIÃO NA FOTO – Já Lula tentou transformar o 7 de Setembro numa demonstração de união institucional em meio à escalada da crise no STF. A pedido do presidente, Edson Fachin e Davi Alcolumbre compareceram ao desfile em Brasília e dividiram a tribuna de honra com Hugo Motta.
… O esforço de Lula, porém, não apagou o constrangimento. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro da AGU, Jorge Messias, que vêm se desentendendo desde as novas revelações do caso Master, ficaram na mesma tribuna, mas nem se cumprimentaram.
… Dos ministros do STF, apenas o presidente, Edson Fachin, compareceu.
… Na véspera, Messias havia reagido a comentários de Andrei nos bastidores de que a AGU evitava contestar determinações “absurdas” de André Mendonça por causa da amizade entre os dois, afirmando que a função pública não pode se orientar por “circunstâncias pessoais”.
… A Secom estimou em 70 mil pessoas o público na Esplanada, onde apoiadores entoaram “fim da 6×1”.
SOBERANIA – O slogan oficial das comemorações foi “Soberania, a força que une o Brasil”, destacado no pronunciamento do presidente em rede nacional para mandar recados aos Estados Unidos e reforçar um dos eixos de sua campanha à reeleição.
… “Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”, afirmou, em reação às pressões do governo Trump.
… Lula incluiu na defesa da soberania as terras raras, os minerais críticos, o petróleo da Margem Equatorial e as reservas de água doce, dizendo que essas riquezas devem servir para produzir tecnologia, riqueza e empregos no Brasil.
… Defendeu o livre comércio e afirmou que nenhum governante estrangeiro pode determinar de quem o País compra ou para quem vende.
STF LEVA CRISE AO PLENÁRIO – André Mendonça liberou para julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal o caso do relatório da PF que revelou as mensagens de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes.
… O presidente Edson Fachin ainda não marcou a data, mas a iniciativa abre caminho para que a maior crise recente da Corte deixe de ser administrada apenas nos bastidores e obrigue os ministros a se posicionarem.
… Fachin havia tentado enquadrar a guerra na sexta-feira, ao impedir Moraes de usar o inquérito das fake news para investigar Mendonça e reunir no mesmo procedimento as suspeitas contra os dois ministros.
… Pediu explicações a Moraes, Mendonça, PGR e PF e sinalizou que pretende dar tratamento conjunto aos casos.
… A trégua, porém, não veio. Flávio Dino criticou publicamente a possibilidade de encerrar o inquérito das fake news, uma das bandeiras de Fachin para desescalar a crise, enquanto relatos indicam que Mendonça está praticamente isolado entre os colegas.
… Gilmar Mendes e Flávio Dino estariam entre os mais distantes do ministro; Luís Fux e Nunes Marques permanecem mais próximos.
… Também aumentaram os questionamentos sobre o material usado por Moraes para pedir a investigação de Mendonça.
… A associação dos delegados da PF classificou como “totalmente irregular” o uso de um relatório produzido para consumo interno e sem valor probatório, enquanto a inteligência da Abin afirmou que o documento não segue os parâmetros metodológicos da atividade.
… A tensão aumentou com a revelação de que Andrei entregou a Moraes seis relatórios de inteligência produzidos sobre André Mendonça.
… A associação dos delegados também pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido nas apurações relacionadas ao material de Daniel Vorcaro, já que o próprio PGR aparece nas mensagens que tiveram o sigilo levantado por Mendonça.
… A crise começa ainda a mobilizar o setor privado. Empresários e executivos de grandes companhias e do mercado financeiro se reúnem na quarta-feira com juristas para discutir propostas de uma reforma institucional. São esperados de 50 a 60 participantes.
PETRÓLEO COMPLICA O FED – O petróleo voltou a se aproximar dos US$ 100 durante o feriado, em meio à retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e aos sinais de que a crise no Estreito de Ormuz começa a atingir efetivamente o fluxo de cargas.
… O Brent chegou a US$ 98,06 pela manhã, maior nível desde 3 de junho, e fechou em Londres a US$ 97,00. A pressão aumentou também com relatos de um novo ataque às instalações da Saudi Aramco em Jizan, perto da fronteira da Arábia Saudita com o Iêmen.
… No fim de semana, os Estados Unidos atingiram três petroleiros iranianos em resposta ao lançamento de mísseis contra navios da Marinha americana. Teerã afirmou depois ter atacado uma embarcação militar não tripulada dos EUA em Ormuz.
… A versão foi negada pelo Comando Central americano, mas o Irã prometeu respostas “mais rápidas, pesadas e dolorosas” a novas ofensivas.
… O maior risco continua concentrado em Ormuz. O Irã anunciou que criará uma nova zona restrita nas proximidades do estreito e advertiu que embarcações que utilizarem o corredor apoiado pelos Estados Unidos estarão sujeitas a ataques.
… Teerã também ameaçou países que participarem militarmente de operações na região.
… Os efeitos já aparecem no tráfego. As travessias por Ormuz caíram 28% na última semana, para 77, enquanto os carregamentos recuaram de 45 para 33. Entre os dias 4 e 6, 21 das 28 travessias utilizaram o esquema de navegação imposto unilateralmente pelo Irã.
… No domingo, a Opep+ manteve inalterada a produção em outubro, mas a guerra reduz a capacidade do cartel de influenciar os preços.
MAIS HAWKISH – A nova pressão do petróleo chega quando o payroll forte de agosto virou novamente as apostas para o Fed deste mês.
… Divulgado na sexta-feira, o relatório apontou que os Estados Unidos criaram 162 mil vagas, acima do teto das projeções do Broadcast, de 125 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1% e o salário médio por hora trabalhada avançou 0,3%.
… Durante o feriado, as apostas em alta de 25 pontos-base em setembro foram ampliadas para 60,4%, contra 39,6% de chance de manutenção. O movimento praticamente desfez a reviravolta provocada na véspera pelas declarações de Christopher Waller.
… Beth Hammack, do Fed de Cleveland, reforçou a ala hawkish ao afirmar que a política monetária não está restritiva e que a inflação continua alta demais. Em sentido contrário, Trump e integrantes do governo voltaram a pressionar por juros menores.
… O ING avalia que o payroll reforçou o argumento a favor de uma alta, mas que a decisão ainda depende da inflação.
… E é justamente aí que petróleo e Fed voltam a se encontrar.
… O BofA espera a primeira alta dos preços de energia no CPI em três meses, enquanto o diesel nos Estados Unidos atingiu US$ 5,85 por galão. A virada levou a UBS a rever a projeção de juros estáveis até o fim do ano. O banco agora prevê duas altas de 25pbs, em setembro e dezembro.
CPI – A expectativa agora é para o CPI de agosto, principal indicador da semana, que sai na sexta-feira e será o último teste antes da decisão do Fed, nos dias 15 e 16. Em julho, o índice subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% e 2,5%, respectivamente.
… Antes, na quinta-feira, o PPI deve mostrar nova aceleração da inflação ao produtor. A mediana das projeções é de alta de 0,4% no mês e 5,4% em 12 meses, ante estabilidade e 4,7% em julho. Para o núcleo, são esperados 0,3% e 4,6%, respectivamente.
… Ainda na sexta-feira, junto com o CPI, também são importantes a leitura preliminar de setembro da confiança do consumidor e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan. A mediana para o índice é de 52,5, ante 51,7 em agosto.
BCE – A decisão do Banco Central Europeu é outro destaque da semana internacional, na quinta-feira, com ampla expectativa de alta de 25pbs, para 2,50%, diante do avanço da inflação e das pressões provocadas pela energia.
… Pesquisa da Reuters com 65 economistas aponta que este deve ser o segundo e último aumento dos juros neste ciclo, mas o Deutsche Bank passou a prever mais uma alta de 25pbs em dezembro, levando a taxa a 2,75%.
… Christine Lagarde concede entrevista coletiva após a decisão, quando as atenções estarão voltadas às sinalizações sobre os próximos passos.
… A agenda de bancos centrais inclui ainda decisões no Chile, na terça-feira, Turquia e Peru, na quinta, e Rússia, na sexta-feira.
CHINA – As exportações tiveram alta anualizada de 25% em agosto, abaixo da expectativa de 27,3%. Já as importações avançaram 28,2% e frustraram o consenso de 29%.
… A balança acumulou superávit comercial de US$ 119,1 bilhões, menor do que a projeção de US$ 127,1 bilhões.
… Hoje à noite, saem o CPI e PPI. As projeções apontam para inflação ao consumidor de 0,8% em 12 meses e alta de 3,2% nos preços ao produtor.
JAPÃO – A economia japonesa cresceu 0,4% no segundo trimestre contra os três meses anteriores, acima da estimativa preliminar (0,5%). Em ritmo anualizado, o PIB real avançou 1,4%, em linha com a leitura preliminar.
NO BRASIL – O destaque da semana também é a inflação, com o IPCA de agosto, na sexta-feira. Em julho, a inflação subiu 0,07% no mês e acumulou alta de 4,44% em 12 meses. Já hoje (8h) sai o IGP-DI de agosto, que deve voltar ao campo positivo com a alta dos agropecuários.
… A mediana do Broadcast é de alta de 0,03%, após queda de 0,86% em julho. Em 12 meses, o IGP-DI deve desacelerar de 2,77% para 2,59%.
… Também na agenda doméstica, o IBGE divulga na quinta-feira o volume de serviços de julho, após estabilidade em junho.
NY NO FERIADO – A estrela foi o iene, que subiu para 154,38 por dólar, superando o pico cravado desde a atuação conjunta dos governos do Japão e Estados Unidos. O gatilho de alta vem da perspectiva de que o BoJ acelere o passo.
… Na noite de ontem, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que a ação coordenada terá continuidade, em um momento em que a moeda japonesa se valoriza, após um longo período de fraqueza.
… O euro subiu para US$ 1,1623, em contagem regressiva para um aumento do juro pelo BCE esta semana, e a libra avançou a US$ 1,3541. O índice DXY exibiu queda de 0,25%, a 98,926 pontos, na sessão limitada pelo feriado.
… O dólar devolveu o que havia subido na sexta-feira do payroll quase três vezes maior do que o esperado. Naquele pregão, por aqui, a moeda norte-americana acompanhou a pressão externa e subiu 0,52%, cotada a R$ 5,1308.
… Apesar da alta no dia, o dólar acumulou queda de 1,26% na semana passada, refletindo o maior apetite por risco dos investidores com o trade eleitoral, após as últimas pesquisas mostrarem acirramento da disputa à Presidência.
… Embalados pelo otimismo com o quadro de empate técnico, os juros futuros recuaram, ainda que o alívio tenha sido limitado pela alta do dólar e dos rendimentos dos Treasuries com o payroll que pegou todo mundo de surpresa.
… Mais sensível às decisões de política monetária, a taxa da Note de dois anos subiu 4,372%, de 4,342%, com o emprego reacendendo a chance de alta dos juros pelo Fed neste mês e agitando a expectativa para a inflação.
… O aperto monetário de volta à mesa roubou fôlego das bolsas em Nova York. O Dow Jones caiu 0,51%, para 53.414,25 pontos; o S&P 500 recuou 0,38%, para 7.718,60 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,29%, a 26.506,99 pontos.
… A cautela em Nova York zerou os ganhos do Ibovespa, que ainda preferiu assumir uma postura defensiva antes do final de semana prolongado, especialmente diante das potenciais novidades eleitorais e das incertezas geopolíticas.
… O índice à vista da bolsa doméstica fechou de lado (-0,02%), aos 185.147,15 pontos, com giro fraco de R$ 17,7 bi.
… Petrobras ignorou a leve alta do petróleo e a notícia sobre a licença recebida do Ibama para a companhia perfurar mais três poços em bloco da Margem Equatorial. ON caiu 1,08%, a R$ 52,01, e PN recuou 0,95%, para R$ 74,11.
… Vale ganhou só 0,22% (R$ 78,62), bem menos do que o minério (+1,04%). Entre os bancos, Itaú PN (R$ 41,92) e Santander unit (-0,03%, R$ 30,43) fecharam estáveis. Bradesco PN subiu 0,62% (R$ 17,90) e BB, +0,31% (R$ 22,52).
… A gestora Verde Asset, de Luis Stuhlberger, informou na carta mensal de agosto, divulgada na sexta-feira, que aumentou a exposição à renda variável no Brasil, diante das evidências de uma disputa eleitoral mais competitiva.
CIAS ABERTAS NO AFTER – VIBRA aprovou a 11ª emissão de debêntures, de R$ 1,4 bilhão. Parte da operação servirá para troca de dívidas e parte para reforço de capital de giro e fins corporativos gerais.
SANTANDER BRASIL. Ativa retomou cobertura com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 33 por unit, potencial de valorização de 8,4% sobre o fechamento de sexta-feira.
AZZAS 2154. S&P rebaixou rating de brAA+ para brAA e colocou a nota em CreditWatch negativo, após anúncio da separação de Arezzo&Co, Soma e Farm.
CVC aprovou a sétima emissão de debêntures, de até R$ 450 milhões. Operação será feita por troca de títulos já existentes, sem entrada de novos recursos no caixa da companhia.
MOVIDA. Moody’s Local reafirmou rating AA+br e manteve perspectiva estável, citando posição competitiva, rentabilidade e controle da alavancagem, apesar do fluxo de caixa livre ainda negativo.
ENEL SP voltou a pedir à Aneel a nulidade do processo sobre a caducidade da concessão e defendeu seu arquivamento. Agência mantém avaliação favorável à recomendação de caducidade.
GPS concluiu a aquisição de 100% da Uniflex, empresa de catering, após o cumprimento das condições precedentes previstas para a operação anunciada em junho.
Bankinter Matinal Portugal
NY -0,4% US tech +0,2% US Semis +3,4% UEM +0,2% España -0,1% VIX 15,3% Bund 3,38%. T-Note 4,78%. Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,82% PT 3,72% ITA 4,21% FRA 4,24% Euribor 12m 3,116% USD 1,163 JPY 178,4/€ 153,5/$. Ouro 4.469$. Brent 97,9$. WTI 93,3$. Bitcoin -1,2% (78.834$). Ether -1,1% (2.477$).
:: SESSÃO. Ontem, sessão tranquila nas bolsas, sem referências desde os EUA, que estiveram fechados devido ao Dia do Trabalho. As principais bolsas europeias fecharam com sinal misto, entre +/-0,3%.
A pressão em alta no preço do petróleo, que voltava a aumentar +1,2% até 97 $/barril, contrastava os bons dados macro que conhecemos na zona euro: (i) o Sentix de Confiança investidora subiu (+5,1%), muito acima do esperado, situando-se em níveis não vistos desde setembro de 2022. (ii) O PIB europeu do 2T 2026 foi revisto duas décimas em alta, até +1,2% a/a (vs. 0,6% no 1T 2026), embora seja certo que a melhoria se deveu principalmente à Irlanda.
No mercado das divisas, destaque para a forte apreciação do yen (+4,5% na semana, até 153,5 $), pelas expetativas de endurecimento monetário por parte do Banco do Japão. Espera-se que suba +25 p.b. até 1,25%, a 18 de setembro. Também pode ter sido o caso do governo japonês aproveitar o feriado norte-americano para intervir na divisa. Em qualquer caso, a forte apreciação da divisa acelera o desmantelamento do famoso carry trade, o que pode gerar volatilidade no mercado.
Para hoje esperamos uma sessão parecida à de ontem, sem um rumo claro, embora com um pouco mais de volume com a reabertura dos EUA. Na frente geoestratégica, o Irão afirmou estar perto de um acordo com Omã para estabelecer uma rota segura pelo Estreito de Ormuz, mas mantém-se a tensão com os EUA e o preço do Brent continua perto dos 97 $/barril. Na frente alfandegária, hoje entra em vigor a subida de impostos alfandegários recíprocos do Canadá (de 50%) a vários produtos dos EUA, após o fracasso das negociações.
O resto da sessão não terá referências, à espera dos dois grandes eventos da semana: (i) BCE (quinta-feira), onde esperamos a segunda subida do ano (+25 p.b., até 2,50% / 2,65% Taxas Depósito e Crédito, respetivamente) e; (ii) o dado de inflação dos EUA (sexta-feira) que será determinante para a decisão da Fed (16 de setembro, atual 3,50% / 3,75%), após o bom dado de Criação de Emprego na semana passada.
Em suma, esperamos uma nova sessão de transição com ligeiras realizações de lucros perante a tensão nos preços do petróleo bruto e incerteza inflacionista.
Carlos Alberto Sardemberg

Carlos Alberto Sardemberg

“Muitos analistas sugeriram que Alexandre de Moraes deveria renunciar ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) diante da revelação dos fortes indícios de relações impróprias com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Afastado, Moraes contrataria um bom advogado e se dedicaria a sua defesa. Seria, de fato, uma atitude republicana, levando em conta os interesses do país — dado o tamanho do caso — e preservando o próprio STF.
Se fizesse isso, Moraes se despiria da couraça que o protege — o poder do cargo — e perderia o foro privilegiado. Voltaria a ser um brasileiro comum, embora rico. Especulando: que condições deveriam estar presentes para que Moraes tomasse tal decisão? Duas: a convicção pessoal de que é inocente e a certeza de que teria um julgamento justo.
Tire o leitor suas próprias conclusões — mas Moraes não apenas permaneceu no cargo, como usou seus poderes para atacar, não para se defender. Atacou o ministro André Mendonça, que havia tornado público o relatório da Polícia Federal (PF) em que aparecem fortes indícios de que Moraes mantinha as tais relações impróprias com Vorcaro. Aliás, “relações impróprias” é a expressão mais leve que se pode aplicar ao caso. Pelos três grandes jornais brasileiros, muitos se referiram a Moraes como advogado, conselheiro ou funcionário do banqueiro que praticou a maior fraude financeira da História brasileira. (…)
Muitos juristas opinaram sobre o caso. Alguns disseram que a atitude de Mendonça pode ter atropelado o devido processo legal. Outros afirmaram que o ministro relator tem a prerrogativa de mandar investigar. Aliás, no inquérito das fake news, Alexandre de Moraes fez isso diversas vezes — e logo determinando mandados de prisão, busca, apreensão e censura. Mendonça não fez nada parecido. Não pediu a apreensão para perícia dos celulares de Moraes, onde podem estar as respostas a Vorcaro. De todo modo, depois do formal, resta o conteúdo — não contestado nem por Moraes, nem por Gonet. E o conteúdo é devastador.
De maneira que ficamos assim: de um lado, Mendonça recomenda a investigação de Moraes, com base no relatório (oficial) da PF que apanhou as 51 conversas entre o ex-banqueiro e o ministro. Os crimes apontados são advocacia administrativa, corrupção, prevaricação e exploração de prestígio. Dá cadeia. De outro, Moraes pede a investigação de Mendonça, por vícios formais no processo.
O presidente do STF, Edson Fachin, chamou os dois processos para seu gabinete. E deu prazo de cinco dias úteis para que todos os envolvidos se manifestem. O pessoal do abafa, a longa fileira de autoridades que se beneficiaram do dinheiro de Vorcaro, já está em campo. A tese: um caso anula o outro, um empate. Assim, segue o argumento, ou os dois ministros estão inocentados ou os dois devem ser punidos.
Não poderia haver ofensa maior ao povo brasileiro. Não há empate. Um ministro aparece como interlocutor e consultor de um fraudador do sistema financeiro. Esse é o conteúdo. Outro ministro talvez tenha ido além de sua autoridade formal. Parece claro, mas já ofenderam o povo tantas vezes.”
Amilton de Aquino
Como meus amigos devem ter percebido, quase não posto mais nas redes sociais. A razão é a desesperança. Mas hoje estou saindo um pouco da abstinência para falar algumas coisas que estão entaladas. Então, vou direto ao ponto: o que fazer para resolver a crise institucional que nos arrasta para o abismo?
Primeiro, vamos imaginar uma vitória de Lula. Ele indicará mais quatro ministros para o STF. Ou seja, se hoje está tudo quase dominado (pois nos resta a esperança de que a pressão da opinião pública leve Cármen Lúcia a pender a balança contra a ala lulista, que vai tentar de tudo para manter Moraes e Toffoli), uma continuidade de Lula tende a consolidar, de forma escancarada (e talvez irreversível), a ditadura de toga no Brasil. Ora, se nem mesmo a comprovação de que ministros do STF ganharam centenas de milhões para proteger o maior gângster do país é suficiente para destituí-los do poder, nada mais será.
Do ponto de vista econômico, o cenário também se agrava, pois Lula, em vez de acenar para algum controle de gastos, faz justamente o contrário: agora promete estender o Pé-de-Meia também aos alunos do Ensino Fundamental. Ou seja, a dívida pública segue estourando, continuamos pagando mais de um trilhão em juros e estamos agora mais endividados do que nunca — governo e população. É crise certa.
Agora, vamos imaginar uma vitória de Flávio Bolsonaro. Certamente não seria o Bolsonaro do início do governo, incentivando protestos contra o STF. Seria o Bolsonaro pós-pandemia, sentado no colo do Centrão. Aliás, neste momento já está de conchavo com Gilmar Mendes, tendo orientado seu líder no Congresso, Rogério Marinho, a não assinar o pedido de impeachment de Moraes no Senado. Tudo em nome da “institucionalidade”, explicou Marinho!
Do ponto de vista econômico, o país ganharia um fôlego para baixar a curva de juros futura, o que se refletiria positivamente nos demais indicadores. Mas não seria suficiente para nos livrar da crise já contratada por Lula, exigindo cortes de gastos impopulares. O PT, claro, surfaria na onda da impopularidade do governo Flávio, já preparando a narrativa para voltar em 2030.
Do ponto de vista moral, em ambos os casos, Vorcaro terá amigos no poder. Ou seja, continuaremos sendo o país da corrupção institucionalizada.
Até aqui, nenhuma novidade. Eu já esperava por esse cenário desde que Flávio foi escolhido em detrimento de Tarcísio de Freitas. Por isso, parei de postar.
Mas eu ainda tinha uma vaga esperança de que Renan Santos despontasse como uma opção viável, pelo menos para 2030. Até a ascensão de Cury, tudo se encaminhava para isso. Em terceiro nas pesquisas, ele estava pautando os debates, tocando nas feridas, falando o que precisava ser falado — seja sobre os remédios amargos para a economia, seja no combate às narrativas politicamente corretas dominantes que dão sustentação ao PT no poder.
Mas eis que surgiu mais um coach pelo caminho.
Cury não tem a menor chance nem energia para chegar ao segundo turno, nem de almejar qualquer coisa para o futuro, mas já conseguiu estancar o crescimento de Renan Santos. A grana investida pelo Avante em bots indianos na madrugada pós-debate da Band e em influenciadores — inclusive Pablo Marçal — surtiu efeito. Parte do eleitorado de centro, cansado do PT e do bolsonarismo, apostou suas fichas em um pastel de vento.
Após sua vergonhosa participação na sabatina do JN, achei que Cury iria murchar e Renan recuperaria sua trajetória de crescimento, especialmente depois de ter vencido Toffoli em sua desastrada tentativa de impedir sua campanha.
Ao que as pesquisas apontam até aqui, nenhum sinal disso acontecer.
Ou seja, o Brasil não merece Renan Santos: um candidato sem rabo preso, inteligentíssimo, com experiência política e administrativa, preparado para debater qualquer assunto e com coragem de colocar a própria vida em risco em nome de uma causa perdida como o Brasil.
Então, volto à questão inicial deste post: como dar um basta na ditadura de toga?
Renan Santos mostrou que é possível. Desde a primeira sabatina, deu a fórmula: decisão ilegal não se cumpre.
“E quem decide o que é legal?”, perguntou a jornalista global.
“A Constituição”, respondeu Renan.
Dias depois, Renan teve a oportunidade de colocar à prova sua afirmação. E venceu.
Toffoli teve que voltar atrás porque percebeu que, do outro lado, havia alguém disposto a ir para a cadeia em nome do que acredita — algo que poderia escancarar ainda mais para o mundo o absurdo a que chegamos. E então, voltou atrás.
Enfim, registro aqui meu desabafo para fazer justiça a Renan e ao partido Missão — um esforço hercúleo de uma juventude que lutou anos e anos para fundar um partido com um projeto de país.
Que essa nova geração consiga dar um rumo ao Brasil, pois, a depender do nosso eleitorado atual, nosso país, na melhor das hipóteses, continuará sendo a eterna promessa do país do futuro que nunca chega. Da minha parte, ciente que não vou ver o país que Renan sonha, vou cuidar da minha vida. Boa sorte para as novas gerações.
sábado, 5 de setembro de 2026
Gente implicante, por Eduardo Affonso
É questão de humanidade acudir quem teme ser preso ou ter de fugir, quiçá cometer uma loucura, como um de seus sicários
05/09/2026 00h05
Era só o que faltava: já começou o Rock in Rio, a filha da Luana Piovani pegou piolho, mas a imprensa — sabe-se lá com que segundas intenções — só quer saber de fazer ilações em torno de mensagens privadas de celular.
Então um marido não pode ajudar a esposa na redação de um contrato? Ele não estava ali na condição de magistrado, mas de companheiro, honrando a promessa de apoiá-la na riqueza e na pobreza (esta, uma possibilidade um tanto remota diante dos R$ 130 milhões contratados, mas voto nupcial é coisa séria). E que pai recusaria um cartão de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos, ainda mais se o mimo viesse da pessoa de quem recebe mensagens afetuosas, do tipo “Seu legado pro Brasil será eterno”, “Tenho muito orgulho e tenho certeza que cada vez mais se consolidará como a pessoa mais importante do país”? Seria uma desfeita.
Por que um ministro não pode interferir junto a um procurador, a um diretor-geral, para amparar o amigo que pergunta, num momento de infortúnio, se ele “conseguiu bloquear a maldade e a sacanagem”? É anacrônica essa concepção do juiz numa torre de marfim, impedido de socorrer um investigado que deposita o próprio destino em suas mãos (“Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo”). É questão de humanidade acudir quem teme ser preso ou ter de fugir — quiçá cometer uma loucura, como um de seus sicários. Está na Bíblia: uma mão lava a outra, e as duas se enxaguam. E não é uma mão qualquer, mas a que digita “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”. Seria uma ingratidão.
A lei até prevê a possibilidade de processar ministro do STF. Mas pense comigo: será que vale a pena quebrar uma tradição quase milenar de 135 anos, por uma bobagem dessas? E você faz ideia do que seja morar em Brasília, com um salário de R$ 46.366,19, ter de usar capa preta naquele calor e ainda passar o dia ouvindo relator ler voto de 80 páginas? A pessoa salvou a democracia, caramba! E a democracia não tem preço.
Aí falam que não sei quem mandou mensagem perguntando se podia incluir o filho na viagem a Londres e exclamando “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan (sic)”. Crucificam um pai que só quer a companhia do filho e, modestamente, nem exige que os charutos sejam um Cohiba ou um Montecristo. O que há de errado em essa pessoa depois querer anular todas as provas? Provas não provam nada.
As “medidas cabíveis e necessárias” são esquecer isso, sacudir a poeira e dar a volta por cima, como mandam as boas práticas republicanas. O Brasil precisa mirar o futuro, não ficar investigando suspeição, conflito de interesses, relações promíscuas, prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça, corrupção passiva, essas minudências.
Ha tanta coisa mais séria com que nos ocupar, como o combate à desinformação, a regulação da mídia, a exigência de diploma para exercício do jornalismo. E ficamos discutindo picuinha de ministro não poder assessorar investigado, presidente não conhecer lobista (ninguém conhece ninguém, nem a si mesmo. A alma humana é um abismo. Só porque a pessoa aparece com você em dezenas de fotos e frequenta a cozinha da sua casa, não quer dizer que você a conheça). Daqui a pouco não vai poder nem mais linchar estudante em universidade pública, com apoio do reitor e dos professores.
Por isso que o Brasil não vai pra frente: só tem gente implicante, cheia de mimimi.
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