sexta-feira, 19 de junho de 2026

Vida acadêmica 2

 Ingressei num duro e desafiador projeto de obter um Doutorado em Política Econômica, na Universidade de Évora, no coração do Alentejo, em Portugal, a partir de 2019.


Tinha já uma boa bagagem e uma carreira já consolidada. Foi uma iniciativa pessoal, de valor íntimo.

Era desafiador para mim, já q a lúgubre ciência, a velha Ciência Econômica, atravessou uma profunda transformação nestes mais de 25 anos de q eu completei os dois mestrados (muito mais se for o acadêmico, nos anos 90).

Foram profundas mudanças metodológicas, já que um "framework" de modelos quantitativos passaram a ser usados (a partir dos anos 2000), e eu, fora da academia, não acompanhei.

Emergiram os modelos derivados do DGSE, Dinamic General Economic Stochastic, de caráter macro, q resumiam em poucas equações a leitura da macro, em determinados fenômenos.

Eu era da época da macro descritiva, mais historicista, descritiva, narrativa, dos pós keynesianos, baluarte do saudoso economista Fernando Cardim de Carvalho, UFF.

Era mais das grandes narrativas dos heterodoxos, mas predominantes pediam passagem dos modelos matemáticos.

Tentei me adaptar a estes modelos. Não foi um ciclo fácil. Em vero, precisaria fazer as cadeiras de macro, na licenciatura, no mestrado e no doutorado, para me inteirar deste novo mundo dos modelos.

Estou agora em fase de readequacão. Por problemas particulares pesados parei por dois anos. Agora, estou retornando. Em vero, zero de objetivos outros na consecução deste projeto. É apenas uma meta particular a coroar a minha carreira.

Fui macroeconomista por 32 anos da minha vida profissional. Seria o "coroar" de uma carreira. Está, grande parte, na minha biografia do LinkedIn.

Tudo isso apenas para dizer q na Europa, no mundo, o q predomina são modelos quantitativos e evidências empíricas.

Juízo de valor? Esquece.

Foi o longo de uma carreira focada.

Que assim seja.

O sentido do doutoramento

 

Pensei bastante e até relutei antes de escrever esta publicação, mas resolvi arriscar. Ela é, acima de tudo, um desabafo. Ainda assim, espero que os que decidiram dedicar um tempinho à leitura possam compreender o que existe por trás de um doutorado. E que aqueles que já passaram por experiências semelhantes possam se reconhecer aqui.

O que um doutorado tem a ver com o mundo corporativo?

Essa é, provavelmente, a pergunta que mais escuto quando as pessoas descobrem que tenho um doutorado. Geralmente, ela vem de quem não conhece ou de pessoas que acham que conhecem a experiência acadêmica em profundidade.

Se analisarmos o que faz uma operação corporativa funcionar bem, veremos que o método científico deveria estar na base de tudo. Processos e fluxos precisam ter começo, meio e fim. Problemas surgem o tempo todo, e resolvê-los exige análise, formulação de hipóteses, criatividade, testes, métricas, implementação...

Não é exatamente isso que um pesquisador faz?

Parte-se de uma pergunta, constrói-se uma ou mais hipóteses, definem-se objetivos, coletam-se dados e, por fim, chegam-se a conclusões. Trata-se de um ciclo estruturado de tomada de decisão que, a meu ver, é extremamente valioso em qualquer organização.

“Ah, mas falta experiência com a burocracia corporativa…”

Será mesmo? Quem já participou de projetos de pesquisa financiados sabe muito bem o que isso significa. Gestão de orçamento, cumprimento de cronogramas, prestação de contas, editais, coleta de documentação, relatórios, apresentações… tudo isso faz parte do dia a dia acadêmico.

A verdade é que o mestrado e, principalmente, o doutorado quando vividos de forma ativa desenvolvem uma bagagem riquíssima, aplicável a diversas áreas. Além do conhecimento técnico, que de fato é mais específico, fortalecem habilidades que aparecem constantemente nas descrições de vagas: pensamento analítico, autonomia, organização, proatividade, inteligência emocional, criatividade, colaboração e aprendizagem rápida.

“Ah, mas se você é pesquisador, por que foi para o mundo corporativo?”

A primeira resposta é simples: uma vez pesquisador, sempre pesquisador.
Idealmente, o pensamento científico deveria ser algo cultivado desde a escola. Assim, formaríamos adultos mais críticos, funcionais e capazes de transitar bem entre diferentes contextos. Na prática, porém, a resposta é outra: infelizmente, nasci em um país onde a pesquisa não recebe o devido valor. Não tive oportunidade de seguir na carreira, pois os salários, em geral, não são atrativos, e são raros os casos de pesquisadores financeiramente bem-sucedidos no Brasil e aqui vale esclarecer que “bem-sucedido” não significa milionário.

Enfim… este é um pequeno desabafo.

Seria extremamente valioso se o mundo corporativo passasse a enxergar essa trajetória com outros olhos. A experiência acadêmica não é apenas “teórica”: ela é, sim, uma experiência profissional completa, estruturada e altamente relevante.

Vida acadêmica

 



Discorri por estes dias sobre o desafio que foi tentar retornar à academia, por ocasião do meu esforço de fazer o Doutoramento em Economia depois de décadas no mercado corporativo, bem entendido, na Lopes Filho & Associados e em breve interregnos na Corretora Interbolsa e na Fecomércio RJ.


Nada contra, mas eu me deparei com uma nova forma de abordar a carreira, agora calcada, ou não, dependendo talvez da cátedra, em modelos matemáticos, não entrando em discussão, se de precisão ou não.

Minha formação, entre espantos e decepções, no entanto, foi totalmente sustentada em Economia Política, para não dizer em debates teóricos, hoje totalmente estemporâneos. Sim, porque as principais instituições de ensino não se utilizam mais da retórica, do Fla x Flu ideológico, PARA evoluírem enquanto ciência.

No doutoramento, em Portugal, não li nenhum texto, nenhum, para discutir estes embates entre ortodoxos e heterodoxos. Simplesmente, me jogaram na construção destes modelos, a partir do DGSE, e se vire.

Mas como se eu não tinha a base da licenciatura, do mestrado, de cursos pregressos?

Chega-se então à dura constatação.

As faculdades de economia, em especial, as públicas, estão ultrapassadas, encasteladas em uma forma de fazer ciência, de ensinar aos alunos, que não mais existe nas principais escolas de economia pelo mundo.

Corremos o risco de formar economistas que só olham para os seus umbigos e, lamentavelmente, para as suas panelas ideológicas. Aliás, isso é algo que muito me aflige. As pessoas lutam, batalham, pelo pertencimento, pela aceitação, por fazerem parte de algo.

Neste aspecto, os que pouco se lixam para esta bobagem, que são independentes, por não acreditarem nisso, acabam um pouco colocados à margem.

Vejamos o caso do querido e educado presidente do BCB, sim, porque o acho isso tudo, embora equivocado em alguns posicionados passados.

Bem, falemos do Gabriel Galípolo, hoje presidente do BCB.

Sua luta vem sendo hercúlea, no sentindo de clarear a cabeça dos petistas mais imperdenidos, mais arrogantes.

É um cara lúcido, que possui sentido de responsabilidade, sabedor de que se ele derrapar na sua retórica de presidente do BCB, acabará por abalar a sua reputação e a da instituição.

Por isso, não ter jeito, ter colocado suas convicções no bolso ou no lixo. Mas que deve estar sendo duro, não tenho dúvida...o mundo muda a todo momento e tem gente que não acompanha. Fazer o que?

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: O dovish virou hawkish e o hawkish virou dovish*


… O feriado de Juneteenth fecha Nova York hoje, reduzindo a liquidez nos pregões domésticos. Na agenda esvaziada, investidores seguem monitorando o petróleo, o tráfego marítimo em Ormuz e a implementação do acordo entre Estados Unidos e Irã. Mas o principal assunto continua sendo a surpreendente inversão de leituras provocada pelas decisões de política monetária desta semana. Enquanto o Fed entregou um pacote considerado hawkish e viu crescer as apostas de aumento do juro, o Copom reduziu a Selic e acabou acusado de complacência com a inflação, especialmente após o comunicado antecipar o horizonte relevante de 1TRI/28 para viabilizar a possibilidade de novos cortes.


VIROU PISO? – Embora parte do mercado já defendesse a manutenção da Selic em junho, o corte de 0,25 ponto não foi uma surpresa, porque o BC não teria preparado o mercado para uma pausa agora. Mas, junto com o corte, a sinalização de pausa em agosto era consenso.


… Em vez da pausa, porém, o comunicado inovou e deixou em aberto a chance de prosseguir com as quedas, recorrendo ao horizonte relevante do 1TRI/28 – que só estará vigente na próxima reunião – para contornar a alta da inflação do 4TRI/27, de 3,5% para 3,7%.


… O trecho mais polêmico aponta que projeções abaixo de 3% seriam possíveis no horizonte relevante da próxima reunião, argumentando que trajetórias alternativas levariam a inflação à meta no 1TRI/28 e seriam compatíveis com uma suavização dos impactos sobre a atividade.


… A leitura predominante foi de que o Copom alongou antecipadamente o horizonte relevante para preservar espaço para novos cortes da Selic. E assim, enquanto os ruídos proliferavam, a curva de juros ganhou inclinação, com alta de até 20 pontos nos contratos longos (abaixo).


… O Copom abriu uma discussão que passou a questionar a própria condução da política monetária, inclusive pela mensagem contraditória. Boa parte dos economistas apontou a incoerência entre o diagnóstico e a prescrição desenhada no comunicado.


… O texto reconheceu atividade econômica forte, inflação acima da meta, expectativas desancoradas, acrescentou mais um risco de alta ao balanço inflacionário e, ainda assim, deixou aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de flexibilização monetária.


… Para Luis Otavio Leal, da G5 Partners, a impressão é de que o BC buscou uma justificativa para reduzir a Selic quando o próprio cenário descrito pelo comunicado apontava para cautela maior. A opinião dele é compartilhada por muitos outros economistas.


… Em entrevista ao Broadcast, o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, classificou o texto como “desastroso”. Para ele, alongar o horizonte relevante poderia ser defensável diante das incertezas, mas não acompanhado de um novo corte de juros.


… O debate ganhou dimensão ainda maior após a interpretação de que o BC estaria tratando a meta de inflação de 3% mais como um piso do que como um centro, como comentou Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management.


… Caso essa percepção se consolide, alerta a economista, as expectativas podem deixar de se ancorar no centro da meta.


… Houve também quem defendesse uma leitura menos dramática. O ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo avaliou que o Copom apenas acomodou o horizonte diante das incertezas e não sinalizou mudança de mandato ou abandono do compromisso com a meta.


… Mas, mesmo aqueles que esperam novos cortes, avaliam que a comunicação foi confusa e exigirá esclarecimentos adicionais.


… O BC terá duas oportunidades na próxima semana para acalmar as especulações.


… Na terça-feira, a própria ata do Copom deve detalhar os cenários alternativos utilizados e explicar por que o comitê optou por estender o horizonte relevante. Na quinta, Galípolo e Paulo Picchetti darão entrevista ao vivo para a apresentação do Relatório de Política Monetária.


… O que está em jogo é a credibilidade do BC, conquistada com uma política monetária técnica, por vezes mais conservadora do que o mercado esperava. O risco é que o ruídos alimentem dúvidas sobre a independência da autoridade monetária em meio ao calendário eleitoral.


ACORDO À PROVA – No pano de fundo, os mercados globais continuam a reagir ao acordo entre Estados Unidos e Irã, mas a euforia inicial deu lugar a uma fase mais pragmática: a implementação dos compromissos assumidos por Washington e Teerã.


… Com o memorando já em vigor, navios voltaram a cruzar o Estreito de Ormuz e o petróleo encerrou o dia próximo da estabilidade (abaixo).


… Segundo o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, o período de 60 dias para negociar um acordo definitivo começou nesta quinta-feira.


… Ele afirmou que o Irã vem cumprindo os compromissos assumidos até agora e que cerca de 12,5 milhões de barris de petróleo já atravessaram Ormuz desde a assinatura do memorando, reforçando que não haverá acordo final caso a hidrovia volte a ser fechada.


… O Irã também procurou transmitir uma mensagem de normalização, com a confirmação do líder supremo, Mojtaba Khamenei, de ter autorizado pessoalmente a assinatura do memorando, embora tenha admitido resistência inicial à iniciativa.


… Ao mesmo tempo, Teerã deixou claro que não considera o entendimento uma mudança de posição estratégica em relação aos Estados Unidos e afirmou que futuras negociações não significam a aceitação das posições americanas.


… Apesar da reabertura, o retorno à normalidade está longe de ser imediato. O governo iraniano informou que os navios continuarão sujeitos a horários e rotas previamente autorizados pelas autoridades locais, enquanto as operações de desminagem seguem em andamento.


… Bancos e consultorias alertam que a retomada plena dos fluxos de energia pode levar meses e que os mercados podem estar excessivamente otimistas em relação à velocidade desse processo. As dúvidas também aumentam do lado político.


… Nos Estados Unidos, o acordo passou a enfrentar críticas de republicanos e da própria imprensa americana, que questionam o volume de concessões oferecidas ao Irã antes da definição de compromissos mais rigorosos para o programa nuclear do país.


… Reportagens do New York Times, Washington Post, Financial Times e Fox News destacaram preocupações com o alívio de sanções, a liberação gradual de recursos financeiros e a ausência de definições concretas sobre o futuro da infraestrutura nuclear iraniana.


… Em Israel, as resistências também permanecem.


… Autoridades do governo Netanyahu seguem defendendo a manutenção da liberdade de ação militar contra o Irã e continuam negociando com Washington a permanência de tropas israelenses no sul do Líbano, apesar da previsão de cessar-fogo em todas as frentes.


… Para o holandês ING, o mercado não deve confundir a reabertura de Ormuz com o desaparecimento dos riscos geopolíticos. Segundo o banco, o memorando representa apenas o início das negociações e não um acordo definitivo.


… Em outras palavras: o risco diminuiu, mas ainda não desapareceu.


CADA UM POR SI –A reação do Palácio do Planalto à operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner deixou claro que o governo pretende evitar que o escândalo do Banco Master atinja Lula em pleno ano eleitoral.


… Embora o presidente tenha telefonado para prestar solidariedade ao aliado histórico, auxiliares fizeram questão de ressaltar que a permanência de Wagner na liderança do governo no Senado dependerá do andamento das investigações.


… Amigo de Lula há quatro décadas, Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero.


… A Polícia Federal suspeita que ele tenha recebido um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de R$ 3,5 milhões por meio de empresa ligada a familiares para defender interesses do Banco Master no Congresso. O senador nega irregularidades.


… Em entrevistas ao longo do dia todo, afirmou nunca ter recebido recursos do Banco Master, disse que sua relação com Daniel Vorcaro é “praticamente zero” e sustentou que o imóvel citado na investigação jamais integrou seu patrimônio.


… Wagner também afirmou que permanecerá na liderança do governo e manteve a candidatura à reeleição para o Senado.


… Nos bastidores, porém, a avaliação é diferente. Integrantes do governo relataram desconforto com a estratégia adotada pelo senador de citar o apoio de Lula como demonstração de força política.


… O presidente de fato prestou solidariedade ao aliado, mas espera que Wagner faça sua própria defesa pública e esclareça as acusações. O receio no Planalto é que a operação transfira parte do desgaste político do caso para Lula.


… Até agora, o escândalo atingia principalmente a oposição por causa da ligação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, aliados do senador festejaram a operação que ajuda a dividir o custo político do escândalo do Master com o PT.


CURTAS DA POLÍTICA –Pesquisa Times Brasil/CNBC mostrou Lula com 45% das intenções de voto contra 40% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. Em um cenário contra Ronaldo Caiado, o petista aparece com 45%, ante 39% do governador de Goiás.


… No primeiro turno, Lula tem 38%, Flávio Bolsonaro 30%, enquanto Caiado registra 4%.


AGRO. Hugo Motta indicou que deve manter o deputado Afonso Hamm (PP-RS) na relatoria do projeto de renegociação das dívidas rurais, apesar da pressão da bancada do agronegócio por uma mudança.


… O governo tenta frear a proposta por considerá-la uma potencial “pauta-bomba” fiscal, enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária trabalha para acelerar a votação antes do lançamento do próximo Plano Safra, em 1º de julho.


TARIFAS. Integrantes do governo passaram a demonstrar pessimismo em relação à possibilidade de reverter a recomendação dos Estados Unidos de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.


… Segundo auxiliares de Lula, as negociações avançam lentamente e Washington ainda não sinalizou quais concessões poderiam abrir caminho para um acordo. Apesar disso, o Planalto pretende usar o tema para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional.


AGENDA FRACA – A sexta-feira tem poucos eventos relevantes e deve ser marcada por liquidez reduzida, com os mercados fechados nos Estados Unidos pelo feriado de Juneteenth e na China pelo Festival do Barco do Dragão.


… No Brasil, a agenda de indicadores está vazia. O BC realiza leilões de rolagem de swaps cambiais e operações compromissadas.


… No exterior, os destaques ficam para os preços ao produtor da Alemanha e as vendas no varejo do Reino Unido – ambos de madrugada – e a decisão de juros do Banco da Rússia, que será anunciada às 7h30 (de Brasília).


O TIRO SAIU PELA CULATRA – O comunicado confuso do Copom e a falta de uma sinalização clara dos próximos passos fizeram a curva de juros inclinar no day after da decisão. Taxas curtas caíram, enquanto as longas dispararam.


… A mensagem foi interpretada pelo mercado como dovish, com o BC deixando uma “fresta” aberta para novos cortes da Selic, contrariando a expectativa dos agentes, de que viesse um recado claro de pausa no afrouxamento.


… “As taxas subiram pela leitura de que o Copom está cometendo um erro e terá de corrigir isso mais adiante”, comentou operador ao Broadcast.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,235% (de 14,302% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,700% (14,562%); Jan/29 a 14,765% (14,594%); Jan/31 a 14,690% (14,486%); Jan/33 a 14,605% (14,423%).


SAIU EM DISPARADA – A postura dura do Fed na quarta-feira continuou reverberando no câmbio ontem, se somando às decisões dos BCs inglês (BoE) e suíço (SNB) de manterem as respectivas taxas, fortalecendo o dólar globalmente.


… Na contramão do resto do mundo, o Copom cortou juros e ainda passou uma mensagem dovish, mesmo com inflação alta e expectativas desancoradas, o que gerou desconfiança e levou o real a sofrer mais que os pares.


… O dólar avançou 1,32%, para R$ 5,1752. Lá fora, o índice DXY ganhou 0,73%, aos 100,824 pontos. O euro caiu 0,38%, para US$ 1,1460. A libra perdeu 0,69%, a US$ 1,3204. O franco suíço recuou 0,61%, a US$ 1,2430. E o dólar subiu 0,52%, a 161,39 ienes.


ANDOU COMO CARANGUEJO – A bolsa brasileira não conseguiu acompanhar o clima positivo de Wall Street após a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã. O ruído provocado pela decisão do Copom tirou o apetite por risco doméstico.


… Após uma sessão de poucas oscilações, o Ibovespa fechou em leve queda de 0,10%, aos 168.277,55 pontos, com giro de apenas R$ 25,9 bilhões. As blue chips tiveram desempenho tímido.


… Vale subiu apenas 0,20% (R$ 79,94), descolada do minério de ferro (-1,13%). Já Petrobras (PN +0,73%, a R$ 38,85; e ON +0,14%, a R$ 43,13) refletiu um petróleo quase estável.


… Os principais bancos não definiram tendência: Santander unit caiu 1,33% (R$ 26,72), junto com Itaú PN (-0,76%; R$ 40,49) e Bradesco PN (-0,46%; R$ 17,47). Já BTG unit subiu 0,91% (R$ 50,85), seguido por BB (+0,62%; R$ 19,53).


… Braskem PNA desabou 10,27% (R$ 7,51) e liderou as perdas do índice, após a Bloomberg noticiar que a empresa estaria com dificuldades para obter apoio para a proposta de recuperação extrajudicial.


… Na sequência, ficaram CSN (-7,99%; R$ 5,18) e RD Saúde (-5,48%; R$ 16,55). Na outra ponta, Weg (+4,59%; R$ 45,81) liderou as altas, acompanhada por Copel ON (+3,36%; R$ 14,78) e Suzano ON (+3,20%; R$ 43,58).


PARTIU PRAIA – Wall Street respirou aliviada com a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã, deixou o recado hawkish do Fed em segundo plano e ainda comemorou a gasolina mais barata na véspera do feriadão de Juneteenth.


… Em dia de vencimento triplo de contratos de derivativos, o Dow Jones subiu 0,14%, para 51.564,70 pontos. O S&P 500 ganhou 1,08%, aos 7.500,58 pontos. E o Nasdaq avançou 1,91%, aos 26.517,93 pontos.


… As ações de tecnologia voltaram a brilhar, após a forte correção na quarta-feira, provocada pela disparada dos rendimentos dos Treasuries, devido à sinalização do Fed de que os juros ainda podem subir neste ano.


… Intel (+10,64%) puxou a fila das maiores altas, após Donald Trump afirmar que a companhia havia fechado um acordo com a Apple (+0,70%).


… Por sua vez, o presidente da fabricante do iPhone, Tim Cook, disse que a empresa terá que aumentar os preços para compensar o aumento dos custos de chips de memória.


… Na esteira da Intel vieram Sandisk (+11,54%), Super Micro Computer (+10,37%), Micron (+8,70%), AMD (+4,86%) e ARM (+4,91%). Na contramão ficaram IBM (-5,05%), JP Morgan (-2,47%) e Chevron (-2,22%).


PAZ DE CRIANÇA DORMINDO – Depois de passar semanas na montanha russa, disparando 10% em um dia e caindo 5% no outro, o petróleo teve uma quinta-feira tranquila. Chegou a recuar 2% pela manhã, mas fechou quase estável.


… O mercado mostrou alívio com a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã, o fim do bloqueio naval aos portos iranianos e o relato de JD Vance de que petroleiros com mais de 12 milhões de barris cruzaram Ormuz ontem.


… “Os iranianos, pela segunda noite consecutiva, não atiraram em nenhum navio no Estreito de Ormuz”, disse o vice-presidente americano.


… Apesar do clima positivo, a possibilidade de os iranianos estabelecerem um pedágio permanente para os navios, após o período acordado de 60 dias sem cobrança, gera apreensão nos investidores.


… Questionado, JD Vance deixou o tema em aberto, dizendo apenas as negociações finais definirão os termos da passagem. Em sua rede social, Trump comemorou o acordo e ressaltou que o petróleo “está fluindo”.


… O Brent para agosto subiu 0,38%, a US$ 79,85 por barril na ICE, enquanto o WTI para julho caiu 0,25%, a US$ 76,60 por barril na Nymex.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Conselho da B3 aprovou distribuição de juros sobre capital próprio de R$ 1,1 bilhão, equivalentes a R$ 0,208 por ação. O pagamento será feito em 07/7. Ações ficam ex-JCP no dia 25/6.


… Companhia também reconheceu formalmente a renúncia do atual diretor-presidente, Gilson Finkelsztain, com efeito a partir de 30/6. Em 06/7, ocorrerá a posse de Christian George Egan ao cargo.


JBS pagará na próxima segunda-feira (22) dividendos aos detentores de BDRs na B3, pelo valor líquido R$ 4,27635785 por BDR. Pagamento refere-se aos dividendos anunciados em 25 de março, no montante de US$ 1,00 por ação.


BANRISUL concluiu renegociação com governo do Rio Grande do Sul e vai desembolsar R$ 1,264 bilhão pelo serviço de processamento da folha de pagamento do Estado durante 5 anos. O valor é equivalente a R$ 70 por CPF por mês.


EMBRAER. Conselho aprovou distribuição de R$ 200 milhões em juros sobre capital, equivalentes a R$ 0,280964 por ação. Pagamento será em 24/05/2027. Ações ficam ex-JCP em 24/06.


LOJAS RENNER. Conselho aprovou distribuição de R$ 220,4 milhões em juros sobre capital, equivalentes a R$ 0,2292 por ação. Pagamento será em 14/07. Ação fica ex-JCP em 24/06.


CEMIG distribuirá R$ 630,5 milhões em juros sobre capital, equivalentes a R$ 0,220405 por ação. Pagamento será em duas parcelas iguais, a primeira até 30/6, e a segunda, até 30/12/27. Ações ficam ex-JCP em 24/6.


COPASA distribuirá R$ 142,5 milhões em juros sobre capital, ou R$ 0,3758 por ação. Pagamento será em 17/8. Ações ficam ex-JCP em 24/6.


NEOENERGIA. Conselho aprovou distribuição de R$ 262 milhões em juros sobre capital. Valor por ação não foi informado. Pagamento será feito até 31/12. Ações ficam ex-JCP hoje (19).


ONCOCLÍNICAS deve protocolar pedido de recuperação extrajudicial em duas semanas, segundo apurou o Valor. A empresa está em negociações avançadas com seus credores sobre a dívida de cerca de R$ 4 bilhões.


… Segundo fontes ouvidas pela reportagem, as negociações com os credores financeiros preveem um abatimento (“haircut”) de 40% a 50%.


SANEPAR. Conselho elegeu Ozires Kloster para cargo de diretor financeiro e RI, em substituição a Abel Demetrio, após fim de mandato. Os demais membros da diretoria foram reconduzidos aos cargos.


… Conselho também autorizou a execução do projeto do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (Sainp), sob a modalidade de locação de ativos (built to suit).


AURA MINERALS. Conselho aprova recompra de até US$ 200 milhões em ações e BDRs pelo período de um ano.

Call Matinal 1906

 Call Matinal

19/06/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (1806)

MERCADOS

Na quinta-feira (18), o Ibovespa encerrou praticamente estável, com queda de  0,10%, a 168.277,55 pontos, após o BCB reduzir a Selic para 14,25% e deixar em aberto os próximos movimentos da política monetária. O mercado também acompanhou a alta de 1,32% do dólar à vista, que fechou a R$ 5,1752.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta sexta-feira (19), à medida que o alívio inicial com um acordo de paz provisório entre os EUA e o Irã perde força diante de crescentes incertezas sobre a sustentabilidade do entendimento. As negociações sobre um acordo de paz, a ocorrer na Suíça nesta sexta, acabaram adiadas.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,07%

S&P 500 Futuro: -0,21%

Nasdaq Futuro: -0,28%

Bolsas operando em queda, diante das indefinições do acordo de paz no Oriente Médio.     

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), fechado por feriado

Nikkei (Japão): +0,28%

Hang Seng Index (Hong Kong): fechado por feriado

Nifty 50 (Índia): -0,90%

ASX 200 (Austrália): -0,92%n

Ações asiáticas fecharam mistas, mas repercute decisão do Fed.

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,17%

DAX (Alemanha): +0,55%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,08%

CAC 40 (França): +0,29%

FTSE MIB (Itália): +0,80%

Bolsas europeias em alta mesmo diante das indefinições do acordo de paz no Oriente Médio.     

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, +2,02%, a US$ 78,15 o barril

Petróleo Brent, -0,25%, a US$ 79,65 o barril

Bitcoin, -0,36%, a US$ 62.578,21

Petróleo instável diante da indefinição do acordo de Paz no Oriente Médio.  

 

NO DIA, 1906

Tudo reverteu nesta quinta-feira, com a assinatura do acordo de Paz na Suíça adiada, depois que a Guarda Revolucionária resolveu apoiar as escaramuças do Hezbollah no Líbano. Acordo frágil, pouco consistente, porque os próceres do regime dos aiatolás, uma teocracia de loucos e fanáticos, ainda continuam por aí ditando normas, e Israel, o maior ameaçado, não pretende baixar a guarda. Uma teocracia “medieval”, inquisitora, que massacra as mulheres, persegue os gays e as minorias. Esta teocracia, inclusive, que é apoiada pelo governo do Brasil, do PT, como sempre, na contramão da história. No Brasil, o corte de juro em 0,25 pp, a 14,25%, levantou o debate sobre até aonde vai a independência da autoridade monetária contra os apupos e críticas deste mesmo PT à taxa ainda elevada. Pergunta que não quer calar…se a situação fiscal não se equaciona, se um programa consistente de ajuste não é levado adiante, como pensar em juro baixo? Mesmo num contexto de inadimplência e recuperação judicial estourando?

Malu Gaspar

 



https://www.google.com/amp/s/oglobo.globo.com/google/amp/blogs/malu-gaspar/coluna/2026/06/embate-entre-gilmar-e-mendonca-sobre-os-vorcaro-escancara-roteiro-para-melar-caso-master.ghtml


Malu Gaspar revela que o voto de Gilmar expõe todo o cinismo e o desprezo pelo Estado de Direito da quadrilha que hoje domina o STF.


" OS VORCAROS E A TRAGÉDIA DO STF 


Malu Gaspar O GLOBO  18/06/2026


O embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça durante o julgamento das prisões de Henrique e Felipe Vorcaro, na terça-feira passada, não expôs apenas a guerra de nervos que dominou o Supremo Tribunal Federal (STF) em virtude do caso do Banco Master. Deixou patente, também, até onde alguns ministros estão dispostos a ir para salvar a pele de fraudadores, milicianos, parlamentares, servidores públicos corruptos e, em última instância, as próprias peles, já que alguns se misturaram a essa gangue em troca de contratos milionários e mordomias variadas.


O objeto da sessão era avaliar se o pai de Daniel Vorcaro, Henrique, e o primo, Felipe, deveriam continuar presos. Na cadeia desde meados de maio, os dois são acusados de tentar obstruir a Justiça coagindo e comprando testemunhas e de continuar lavando o dinheiro da quadrilha mesmo depois do início das investigações.


Os relatos que constam da decisão, divulgada no dia da prisão, e da representação policial, tornada pública na própria terça-feira, são escabrosos. De acordo com a Polícia Federal (PF), Henrique Vorcaro comandava os grupos de milicianos, bicheiros e hackers remunerados com R$ 1 milhão mensais. Os diálogos capturados pela PF mostraram ainda que, até a véspera da prisão, ele negociava o silêncio de Joana, irmã de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, que se suicidou na cadeia logo depois de preso.


Numa das mensagens, ela diz ter informações que podem acabar com toda a família Vorcaro. Noutra, cita “ameaças de cadeia”, “golpes” e “vídeos com fuzil que iam matar a mim e a minha mãe”. Felipe, preso em maio por ter organizado os pagamentos da mesada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), continuou lavando dinheiro do ecossistema do Master até abril de 2026. Segundo o Coaf, movimentou mais de R$ 18 bilhões em pagamentos a 1.199 pessoas físicas e jurídicas e pode ter ajudado a esconder recursos mundo afora.


Gilmar ignorou tudo isso. Mas gastou um terço do voto de quase uma hora e 20 minutos listando episódios da época da Operação Lava-Jato, seu bode expiatório preferido, para justificar uma comparação com a Compliance Zero.


Em sua opinião, a operação comete os mesmos abusos, entre eles prender parentes para obter delações, ou o juiz atuar em conluio com os investigadores. Quem conhece o histórico de Gilmar, porém, está cansado de saber que sua preocupação com o devido processo legal é tão seletiva quanto a delação proposta por Daniel Vorcaro.


O ministro nunca se incomodou com o tenente-coronel Mauro Cid ter sido preso preventivamente por quatro meses, no caso da trama golpista, até decidir fazer uma delação, num acordo fechado apenas com a PF e contra a opinião da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas autorizado por Alexandre de Moraes.


Tampouco questionou o fato de Cid ter mudado de versão pelo menos cinco vezes, nem o teor de áudios vazados para a imprensa em que ele diz ter sido obrigado a mudar seus depoimentos para atender à “narrativa pronta” do juiz-investigador. E nunca disse palavra sobre a decisão de mandar prender o general Walter Braga Netto por tentar mandar recados a Cid na prisão por meio do pai dele, general Lourena Cid. Henrique Vorcaro fez muito pior, mas, para Gilmar, é um injustiçado.


Não faz dois meses que o ministro disse a Renata Lo Prete, na TV Globo, que o inquérito das fake news se estenderá “pelo menos até o final das eleições de 2026”. Por quê? Ele não explicou, mas está claro que a razão nada tem a ver com a Constituição ou com o combate à criminalidade organizada.


No fundo, Gilmar é apenas o porta-voz de uma facção do STF para quem vale a máxima brasiliense segundo a qual “Estado de Direito é aquele que pune meu inimigo; quando pune meu amigo, é Estado policialesco”.


No julgamento, que acabou mantendo a prisão dos Vorcaros por 3 votos a 1, Mendonça acusou o golpe: “Parece que certos setores atuam para criar um vício. Tudo o que querem é criar um vício. Há um sistema articulado para isso. Eu não sou cego. Eu estou acompanhando. Estou assistindo os movimentos”.


Nem era preciso estar dentro do tribunal para vislumbrar o roteiro que está posto: primeiro, espalham-se questionamentos que possam se prestar a uma alegação de nulidade processual formal, já que os crimes em si são incontestáveis. Depois, arranja-se um fato para lançar suspeitas sobre a isenção de todos os investigadores. Em seguida, derrubam-se sentenças e multas, até que todos estejam livres e desimpedidos.


Para quem acompanha o derretimento do Supremo em praça pública, tudo isso é uma tragédia para a democracia. Pior ainda é constatar que quem deveria zelar pela imagem da instituição é quem mais contribui para enxovalhá-la. Aparentemente, para determinados ministros, nada disso importa. Desde que o sistema continue intocado.

Vida acadêmica 2

  Ingressei num duro e desafiador projeto de obter um Doutorado em Política Econômica, na Universidade de Évora, no coração do Alentejo, em ...