Papo de Economista
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Jean Paul Veiga
"Um belo video institucional do Banco Central do Brasil sobre os 30 anos de criação do Comitê de Política Monetária (COPOM) -- elegante, suprapartidário, impecável. A arte dos bancos centrais experimentou o que Alan Blinder (ex-VP Fed e Professor Princeton) chamou de "revolução silenciosa": maior colegialidade e transparência nas decisões.
No Brasil, o COPOM expressou muito bem essa evolução, inclusive publicando os votos vencidos de suas sessões. O atual debate sobre eventuais falhas na supervisão bancária não pode ser confundido com gestão macroeconômica, nem pode ofuscar esse importante processo de statecrafting da autoridade monetária. Entretanto, independentemente do arcabouço institucional, falta sim ao País uma revisão profunda das ideias e métodos -- os cânones macroeconômicos que foram desacreditados pelas crises do subprime e da Covid. "
A vida é um sopro
Diário de um economista de mercado
1. Chegamos a metade do ano de 2026. Dá para fazer um balanço? Se formos analisar o momento atual, no Brasil e no mundo, veremos que a figura histriônica de Donald Trump deu uma chacoalhada no mundo, nesta postura sempre desafiante sobre a mobilidade de fatores.
2. No Brasil, por outro lado, temos um governo gastador, com a máquina da economia turbinada por medidas fiscais e parafiscais. E isso tudo piora porque temos uma eleição pela frente e este governo, populista que é, não poupará esforços para continuar se mantendo no poder, gastando, prometendo, alimentando ilusões...
3. Em família, chegamos ao bom porto seguro do meu filho se formando no mestrado de Delft, Holanda, em Engenharia Aeroespacial, depois de uma longa caminhada. Tentaremos ir a formatura. Missão mais do que cumprida.
4. Em paralelo, vivenciamento uma fase de espera, desafios, coisas que não estão no meu controle. Gostaria muito de um Brasil melhor, menos corrupto, menos "relativista", mais objetivo e menos picareta, mas este até existe entre os cidadãos, mas não ao alcance em Brasília, "cidade de fantasias e faz de conta". Cidade, ao meu ver, de burocratas que se locupletam das mordomias e esquemas do poder público.
5. Sempre considero que não elejo ou voto para presidente desde quando da reeleição de FHC, em 1999. Me recuso a votar no panorama que se vê. Minto. Em algumas ocasiões até votei em primeiro turno, mas nem nesta etapa tem sido fácil. Como sou carioca, vivo neste limbo permanente de negar minha cidadania. Me recuso. O nível é muito baixo e só predomina o populismo, a mentira, a ignorância.
6. Temos tanta gente boa por aí, mas, difícil furar o bloqueio pesado dos esquemas de poder...do STF corrupto e em conluio, do Executivo, nem me fale, do Legislativo das emendas impositivas (dinheiro simplesmente some...instituiram os esquemas de corrupção, oficializaram...).
7. Quando fui para Portugal, em 2018/19, meu pensamento era não mais retornar. Não que Portugal fosse uma beleza. Eles, na sua austeridade e dureza, são muito mais limitados financeiramente do que o Brasil, mas sempre digo que lá se atingiu um marco civilizatório, uma forma de levar a vida, que nós, pelos tantos pecados venais, não conseguimos.
8. Os "tugas", embora mais pobres, são muito mais civilizados e educados do que por aqui, este país continente cercado de contradições. Sempre afirmo. Não somos pobres, mas muito injustos. Legislamos em causa própria, sempre em defesa de grupos de pressão, não a favor da coletividade ou da sociedade como um todo. Os grupos de pressão vencem suas demandas, e o restante da sociedade fica na margem. Não pode dar certo.
9. Enfim, termino dizendo que isso aqui não pode dar certo enquanto mantida a composição de poder em Brasília.
10. Fim de papo. Fui...
BDM Matinal Riscala
*Bom Dia Mercado*
Segunda Feira, 29 de Junho de 2.026.
*Ormuz abre espaço para o payroll*
… Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques no fim de semana, mas o cessar-fogo aparentemente continua valendo. Com o petróleo perto dos níveis anteriores ao conflito e o fluxo pelo Estreito de Ormuz caminhando para a normalização, investidores passam a concentrar a atenção nos fundamentos da economia americana. Na agenda, depois de o PCE confirmar uma inflação relativamente comportada, o payroll – antecipado para quinta-feira por causa do feriado de 4 de Julho – é o principal teste para as expectativas de juro do Fed. No Brasil, o alívio com o petróleo, somado ao IPCA-15 e à comunicação mais flexível do BC, mantém vivo o debate sobre novo corte da Selic, enquanto o investidor espera pelo Caged e pela produção industrial.
A OUTRA GUERRA – O fim de semana confirmou que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã continua extremamente frágil.
Os preços do petróleo subiram no domingo, enquanto os futuros dos índices de ações dos EUA avançaram, depois que os EUA e o Irã supostamente concordaram em cessar os ataques após repetidas trocas de tiros no Golfo Pérsico durante o fim de semana.
a atuação do Banco Central pode ser interpretada como parte da estratégia de redução do estoque de swaps cambiais tradicionais, que permanece acima de US$ 90 bilhões.
… Washington voltou a bombardear instalações militares iranianas em resposta a novos ataques contra embarcações que cruzavam o Estreito de Ormuz, enquanto Teerã retaliou com mísseis e drones contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein.
… Em paralelo, Israel manteve ataques no Líbano e o Hezbollah rejeitou o acordo negociado pelos Estados Unidos para encerrar o conflito.
… A escalada, porém, não recolocou o mercado no mesmo ponto de algumas semanas atrás.
… Se, no auge da guerra, a principal preocupação era um eventual fechamento de Ormuz, agora a discussão passou a ser outra: quem controlará o estreito e em que ritmo o fluxo de petróleo voltará à normalidade.
… A diferença é relevante porque muda completamente a forma de precificar o risco geopolítico.
… Mais do que uma rota estratégica, Ormuz passou a representar a principal moeda de barganha das negociações entre Washington e Teerã, ajudando a explicar por que o controle da navegação se tornou o centro da disputa.
… Os Estados Unidos ampliaram a rota marítima pelo lado de Omã para facilitar o tráfego comercial enquanto o Irã insiste que qualquer operação deve permanecer sob sua supervisão e afirma que o estreito poderá recuperar sua capacidade pré-crise em 30 dias.
… Apesar da troca de ataques e das versões divergentes sobre as negociações, Washington e Teerã mantêm abertos os canais diplomáticos para discutir o memorando que prevê a normalização do transporte marítimo e a ampliação das exportações iranianas de petróleo.
… Essa talvez seja a principal mudança de percepção dos investidores. A guerra continua produzindo ataques, ameaças e violações do cessar-fogo, mas o mercado passou a avaliar o conflito pela capacidade de manter Ormuz funcionando.
… Depois de o Brent devolver praticamente todo o prêmio incorporado durante a guerra, a expectativa de aumento da oferta de petróleo passou a pesar tanto quanto — ou até mais do que — a própria escalada militar.
… A Bloomberg mostrou neste fim de semana que o governo Trump já trabalha para desmontar décadas de sanções contra o Irã como parte do acordo firmado entre os dois países.
… O processo ainda enfrenta obstáculo, mas revela que a estratégia americana deixou de mirar apenas o encerramento da guerra.
… O objetivo passou a incluir a reintegração do petróleo iraniano ao mercado internacional, reduzindo os preços da energia e ajudando a conter as pressões inflacionárias globais.
… Se essa leitura prevalecer, a geopolítica deixa de ditar sozinha o comportamento dos mercados e volta a influenciar os preços principalmente por meio do petróleo.
… Com o Brent novamente próximo dos níveis anteriores ao conflito, investidores entram na semana concentrando atenção nos indicadores econômicos, que retomam o protagonismo na formação das expectativas para os juros do Fed.
VEM AÍ O PAYROLL – Resolvida, ao menos por enquanto, a preocupação mais imediata com o petróleo, o mercado volta a fazer a pergunta que realmente interessa ao Fed: a economia americana continua forte o suficiente para manter os juros elevados por mais tempo?
… A resposta começa a ser construída ao longo da semana, mas terá seu principal teste no relatório mensal de empregos (payroll), antecipado para quinta-feira por causa do feriado da Independência nos Estados Unidos, que fecha os mercados na sexta-feira, dia 3.
… Se o índice de preços de gastos com consumo (PCE) já confirmou que a inflação segue relativamente comportada, a principal dúvida agora é se a atividade e o mercado de trabalho continuarão justificando a postura cautelosa do Federal Reserve.
… Nesse contexto, o payroll será o principal evento da semana.
… Antes dele, investidores acompanham a pesquisa Jolts sobre abertura de vagas, o relatório ADP de emprego no setor privado, os PMIs e o ISM industrial, além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, em busca de sinais sobre o ritmo da economia.
MAIS AGENDA – A semana também será marcada pelo fórum anual do BCE, em Sintra, que reúne o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, a presidente do BCE, Christine Lagarde, além de outros dirigentes de bancos centrais.
… Hoje, investidores acompanham o índice de sentimento econômico da zona do euro e os PMIs da China, no final da noite. Amanhã, a confiança do consumidor americano. Na quarta, o ISM industrial nos Estados Unidos. E na quinta, auxílio-desemprego e encomendas à indústria.
… Depois da queda do petróleo reduzir parte da pressão sobre as expectativas de inflação, qualquer indicação sobre os próximos passos da política monetária pelo Fed deve ganhar ainda mais peso para os mercados globais.
NO BRASIL – Aqui, o emprego também será destaque, com o Caged de maio amanhã, terça-feira, que deve mostrar abertura líquida de cerca de 120 mil vagas formais, segundo a mediana das estimativas do Projeções Broadcast, após 85 mil vagas em abril.
… Embora o resultado ainda deva confirmar a resiliência do mercado de trabalho, economistas já esperam uma desaceleração gradual das contratações nos próximos meses, em linha com a perda de fôlego da economia.
… Além do Caged, a semana também traz hoje o IGP-M de junho (8h), o Boletim Focus (8h25) e o resultado primário do Governo Central (9h30), com projeção de um déficit de R$ 53,2 bilhões, além da produção industrial de maio, na quinta-feira.
… Depois do IPCA-15 abaixo do esperado, do Relatório de Política Monetária e da queda do petróleo reforçarem apostas de novo corte da Selic, o mercado avalia se os indicadores confirmam um cenário de desaceleração compatível com a continuidade do ciclo de afrouxamento.
GALÍPOLO – O presidente do Banco Central entra em férias nesta segunda-feira, depois de participar, ao lado do diretor Paulo Picchetti, da reunião anual do Banco de Compensações Internacionais (BIS), realizada neste fim de semana em Basileia, na Suíça.
COPA DO MUNDO – Enquanto a seleção brasileira disputa o mata-mata contra o Japão, às 14h, a B3 manterá o funcionamento regular dos mercados de ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs, além de derivativos e de renda fixa privada nesta segunda-feira (29).
… O giro, no entanto, tende a cair em cerca de 20%, segundo dados históricos levantados pela Nelogica em dias de jogo do Brasil.
CURTAS DA POLÍTICA – O presidente Lula lança nesta hoje (9h30) o programa voltado a consumidores com dívidas em dia, batizado de Desenrola Adimplentes, que busca ampliar o acesso ao crédito para quem mantém bom histórico de pagamentos.
PLANO SAFRA. O governo deve anunciar nesta semana o Plano Safra 2026/27 sem medidas para reforçar o seguro rural ou criar um programa de renegociação das dívidas do setor, já que a equipe econômica resiste a iniciativas com impacto fiscal adicional.
BOLSONARO. O prazo da prisão domiciliar humanitária do ex-presidente terminou na sexta-feira sem definição do ministro Alexandre de Moraes sobre a eventual dele para o regime fechado, em meio às disputas internas no PL e ao embate entre Michelle e Flávio Bolsonaro.
PROFECIA DOVISH – Demorou para os ruídos de comunicação despertados pelo comunicado do Copom serem neutralizados, mas a semana terminou com as críticas esvaziadas de complacência do Banco Central com a inflação alta.
… Se por um lado a ata falhou em desfazer os mal-entendidos, teve sucesso a estratégia do RPM e de Galípolo e Picchetti de esclarecer a linguagem, sinalizando que vale tanto a alternativa de corte do juro quanto de pausa.
… De última hora, a surpresa com o IPCA-15 de junho abaixo do esperado e o tombo de dois dígitos (10,6%) acumulado pelo petróleo no curto intervalo de tempo da semana passada conspiram a favor da aposta dovish.
… Apesar dos novos episódios de instabilidade no Oriente Médio, o petróleo desponta como gatilho desinflacionário importante.
… O Itaú mantém a estimativa de 5,4% para o IPCA do ano, mas admite viés de baixa com a afundada do petróleo. Em meio ao progresso diplomático com o Irã, o banco reduziu a projeção do barril de US$ 85 para US$ 80 em 2026.
… Apesar do ajuste em baixa da previsão da commodity, o Itaú revisou para cima a projeção do juro terminal, de 13,75% para 14,00%, apostando que o Copom terá espaço para cortar a Selic só mais uma vez, na reunião de agosto.
… A instituição financeira está posicionada na ponta mais conservadora, enquanto outra parte do mercado se arrisca na percepção de que podem vir mais cortes, ainda que dentro do sistema “stop and go”, entrecortado por pausas.
… No ambiente de risk-on, os juros futuros de curto e médio prazo caíram aos menores níveis em cerca de um mês.
… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,050% (de 14,091% no ajuste anterior); Jan/28, 14,180% (contra 14,246%); Jan/29, 14,255% (de 14,339%); Jan/31, 14,370% (de 14,396%); e Jan/33, 14,415% (de 14,381%).
… No pano de fundo, o dólar abaixo de R$ 5,20, em leve queda de 0,20%, a R$ 5,1676, colaborou para queimar prêmios de risco. O real só não subiu mais, porque o petróleo mais barato prejudica moedas de países produtores.
… A Warren observou que, entre as mudanças efetuadas pelo Tesouro no cronograma de emissões para o terceiro trimestre, o Tesouro surpreendeu ao passar a emitir a LTN jan/28 como vértice de 12 meses.
… Historicamente os vértices de 12 meses têm vencimentos em abril e outubro”, afirma Vital, em nota.
… No câmbio, segundo o Broadcast, a atuação do BC com casadões (à vista conjugado com swap reverso) pode ser interpretada como estratégia de redução do estoque de swaps tradicionais, que permanece acima de US$ 90 bilhões.
NAVEGAR É PRECISO – À medida que a retomada do fluxo no Estreito de Ormuz vai aliviando as preocupações com o abastecimento global, o petróleo embarca na espiral de queda que administra as expectativas de política monetária.
… Apesar de Trump ter acusado o Irã de violar o cessar-fogo, o barril do Brent para agosto testou os patamares anteriores ao estouro da guerra e furou os US$ 72, negociado a US$ 71,99, depois de ter derretido 4,34%.
… Além de a oferta da commodity estar sendo recomposta, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou que Israel e o Líbano estruturam um acordo para encerrar o conflito, após nova rodada de conversas.
… O petróleo cai rápido e levanta a lebre sobre a chance de o Fed desistir de subir o juro em setembro, mesmo depois de Kevin Warsh ter entrado na pele dos falcões, assumindo o discurso de combate à inflação como prioridade.
… A chance de um aperto monetário em setembro, que rondava os 70%, ainda é a aposta principal do mercado, mas caiu para menos de 50% na sexta-feira, no day after do PCE comportado e com o petróleo nos níveis pré-guerra.
… A convicção hawkish do mercado vai sendo colocada à prova, apesar do tom duro dos Fed boys. Neel Kashkari, que em março projetava corte do juro até o fim do ano, abandonou esta aposta na sexta-feira e passou a projetar alta.
… O colega John Williams afirmou que a inflação americana está “indiscutivelmente elevada”. Depois do PCE, as expectativas de política monetária serão operadas pelo payroll, esta semana, e pelo CPI, que sai no próximo dia 14.
… Diante do alívio inflacionário do petróleo, o dólar e os juros dos Treasuries desanuviaram a pressão na sexta-feira. A taxa da Note de 2 anos caiu para 4,086%, contra 4,126% na véspera, e a de 10 anos recuou a 4,372%, de 4,395%.
… No câmbio, o DXY completou mais um pregão sem subir (-0,07%), a 101,357 pontos, com a falta de fôlego do dólar. O euro avançou 0,12%, a US$ 1,1389, a libra (+0,03%) fechou a US$ 1,3199 e o iene avançou a 161,74/US$.
RESSIGNIFICANDO – Vira e mexe, a percepção de que os investimentos em inteligência artificial podem estar exagerados domina o noticiário e promove uma onda de correção nos papéis das gigantes de tecnologia.
… Ao que tudo indica, Wall Street parece estar atravessando agora mais um destes momentos.
… Na sexta-feira, reportagem do NYT informou que a OpenAI, dona do ChatGPT, estuda adiar seu IPO para 2027, diante do fraco desempenho da SpaceX desde sua estreia na bolsa e a recente volatilidade de empresas ligadas à IA.
… As techs se destacaram entre as maiores perdas em Nova York, em especial, as fabricantes de chips, como a Sandisk (-10,46%), a Qualcomm (-7,57%), Marvell Technology (-5,15%), Micron Technology (-6,69%) e Intel (-3,42%).
… Cauteloso, o Nasdaq caiu 0,24%, aos 25.297,618 pontos, enquanto os outros dois principais índices de ações fecharam em queda marginal: Dow Jones, -0,09%, aos 51.876,11 pontos, e S&P 500, -0,05%, aos 7.353,47 pontos.
… Mas aqui a coisa foi muito diferente para o Ibovespa, que até abriu em queda, mas logo se descolou do peso externo e esteve muito perto de tocar os 174 mil pontos na máxima do dia, de olho em um potencial corte da Selic.
… O índice à vista fechou em alta de 0,79%, aos 173.295,14 pontos, e acumulou ganho de quase 3% na semana, diante do clima mais favorável criado pela derrocada do petróleo. O giro continuou fraco na sexta-feira: R$ 23,9 bilhões.
… Entre as blue chips, destaque positivo para os papéis do setor financeiro: Bradesco PN, +1,70% (R$ 17,92); BB ON, +1,45% (R$ 20,34); Itaú PN, +1,29% (R$ 42,24); BTG unit, +0,66% (R$ 54,66); e Santander unit +0,57% (R$ 26,35).
… As ações da Petrobras caíram firme com o petróleo (ON, -1,17%, a R$ 42,25; e PN, -1,01%, a R$ 38,06), mas o investidor está concentrando a atenção no efeito desinflacionário da commodity, que alivia a barra para o Copom.
… Em ajustes de final de mês e semestre, Vale recuou 0,65% (R$ 78,15), no sentido oposto ao minério de ferro.
… As ações PNA da Braskem desabaram 8,36%, para R$ 6,25, apesar da decisão que permite a suspensão por 60 dias de execuções judiciais por parte de credores, que, segundo a companhia, têm adotado “condutas agressivas”.
… Em documento obtido pelo Broadcast, a empresa citou tentativa do Banco Safra de buscar a “cobrança acelerada” de R$ 348,1 milhões em pedido de proteção, “antes mesmo da configuração de qualquer inadimplemento”.
CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS recebeu R$ 170 milhões da segunda parcela do programa de subsídio ao diesel, criado pelo governo federal para compensar os custos relacionados à comercialização do combustível.
ANP divulgou a lista de empresas habilitadas para os leilões de petróleo e gás previstos para 7 de outubro…
… Na Oferta Permanente de Partilha, quatro empresas passaram a integrar a lista de inscritas durante o atual ciclo: Galp Energia Brasil, Kufpec E&P Brasil, Repsol Exploração Brasil e Repsol Sinopec Brasil.
JBS foi oficialmente incluída no índice Russell 3000 da FTSE Russell, com vigência a partir da abertura do pregão hoje.
BB informou que o TCU não se opôs à repactuação do cronograma de devolução de dívida de R$ 4,1 bilhões do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD) contratado com o Tesouro.
BMG transferiu carteira de R$ 750 milhões em direitos creditórios para o FIDC Consig Premium I.
LOCALIZA. Conselho aprovou JCP de R$ 591,1 milhões, equivalentes a R$ 0,5351 por ação, com pagamento previsto para 20/08. Ações ficam ex hoje.
GPA. Família Coelho Diniz ampliou participação de 24,6% para 25,1% do capital.
CEMIG. UBS ampliou participação em derivativos referenciados em ações PN para 10,17%, contra 9,96% antes.
ISA ENERGIA. Fitch reafirmou o rating AAA (bra), com perspectiva estável.
AXIA ENERGIA SUL fará a 6ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,4 bilhão.
BANDEIRA AMARELA. Aneel manteve a bandeira tarifária amarela nas contas de energia em julho…
… Aneel formalizou repactuação de R$ 5,6 bilhões para reduzir reajustes tarifários de 21 distribuidoras; operação foi aprovada pelo Congresso no ano passado.
EMAE. OPA lançada pela Sabesp para compra de ações da companhia foi encerrada sem adesão de investidores.
COGNA ampliou participação na Educbank de 43% para 90% após adquirir fatia de 47% por R$ 46,3 milhões.
YDUQS. Amundi passou a deter 5,06% do capital social da companhia.
GAFISA homologou aumento parcial de capital de R$ 200,9 milhões por meio da conversão de créditos em ações.
WEG assinou contrato para fornecer motores elétricos ao projeto de lítio Thacker Pass, nos EUA, considerado o maior do país.
RUMO. Grupo Ultra desistiu de comprar a operadora privada de ferrovias controlada pela Cosan, segundo Lauro Jardim/O Globo.
Call Matinal 2906
Call Matinal
29/06/2026
Julio
Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
FECHAMENTO (2606)
MERCADOS
Na sexta-feira (26), o Ibovespa fechou em alta de 0,76%, aos 173.295,14
pontos, após oscilar entre 171.123,94 e 173.964,44. Volume somou R$ 23,7 bilhões. Na semana,
índice subiu 2,95%.
PRINCIPAIS MERCADOS
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MERCADOS 5h30 |
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Índices |
Comentários |
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EUA |
Dow Jones Futuro: +0,42% S&P 500 Futuro: +0,78% Nasdaq Futuro: +1,19% |
Índices futuros de NY sobem após relatos de que os EUA e o Irã recuaram
de uma nova escalada que ameaçava o frágil cessar-fogo que sustentava as
negociações de paz. |
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Ásia-Pacífico |
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Shanghai SE (China), +1,16% Nikkei (Japão): +0,15% Hang Seng Index (Hong Kong): +1,57% Nifty 50 (Índia): -0,52% ASX 200 (Austrália): +0,68% |
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Europa |
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STOXX 600: +0,08% DAX (Alemanha): +0,17% FTSE 100 (Reino Unido): +0,01% CAC 40 (França): -0,55% FTSE MIB (Itália): +0,49% |
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Commodities |
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Petróleo WTI, +1,18%, a US$ 70,05 o barril Petróleo Brent, +0,79%, a US$ 72,56 o barril Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,67%, a
746 iuanes (US$ 109,74) Bitcoin, +0,72%, a US$ 59.803,80 |
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NO DIA, 2906
Abrindo
a semana ainda de olho nas estocadas entre Israel e Hezbolah, com ambos
anunciando que não irão recuar sob a retirada ou não do Líbano. No cenário doméstico, a semana começa cheia de indicadores, com destaque para o
IGP-M de junho e o Relatório Focus, que ajudam a calibrar as apostas para
inflação e Selic. Também saem a Nota de Política Monetária e Operações de
Crédito do BC e o resultado primário do Governo Central de maio, enquanto Lula
lança o programa "Desenrola Adimplentes" e Galípolo participa de
evento do BIS, na Suíça. No Cenário
Internacional), o foco se divide entre dados de atividade e falas de dirigentes
de bancos centrais, em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã,
que recoloca o petróleo no centro das atenções. Na Europa, saem a confiança do
consumidor da zona do euro e a inflação da Espanha, além de discurso de
Christine Lagarde (BCE) e fala de Huw Pill (BoE). Nos EUA, o índice de
manufatura do Fed de Dallas e leilões de Treasuries ajudam a medir o humor com
a economia americana, enquanto à noite Japão e China divulgam dados de
desemprego, produção industrial e PMI composto.
Boa semana a todos!
Segunda-feira, 29/06
Indicadores
06h00 – Zona do euro: Comissão Europeia – Sentimento
econômico (jun)
08h00 – Brasil: FGV – IGP-M (jun)
08h25 – Brasil: BC – Relatório Focus
08h30 – Brasil: BC – Nota de política monetária e
crédito (mai)
09h30 – Brasil: Tesouro – Resultado primário do
Governo Central (mai)
09h30 – Brasil:
Lula lança Desenrola Adimplentes
22h30 – China: PMI composto oficial (jun)
Leitura de fim de semana
*Leitura de Domingo: FGC avalia se melhor opção econômica para Digimais é resgate ou liquidação*
Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior
São Paulo, 23/06/2026 - O resgate financeiro do Banco Digimais, envolvendo um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao potencial comprador, voltou aos holofotes após a operação da Polícia Federal que apura fraudes contra o sistema financeiro e determinou a busca e apreensão de até R$ 670 milhões do bispo Edir Macedo, dono do banco. A Broadcast apurou que o FGC segue com estudos em torno da viabilidade econômica de tal transação, os quais estão em estágio inicial.
Por outro lado, fontes afirmam que o BTG Pactual, que assinou um acordo de intenção de compra do Digimais no início de abril, pode desistir de ficar com a instituição, em razão de as condições precedentes à aquisição não terem sido cumpridas. A venda do Digimais seguiria novas regras do FGC, publicadas em janeiro deste ano, prevendo a realização de um leilão de venda de instituições em dificuldades financeiras. Além do leilão, o FGC deveria fazer um empréstimo para viabilizar a troca de controle. Em 2010, a venda do Banco Panamericano, que pertencia ao empresário Silvio Santos, foi viabilizada por um empréstimo do FGC.
Segundo fontes, os estudos do FGC estão sendo feitos por consultores independentes, para avaliar se o empréstimo seria mais barato ao fundo do que a cobertura de garantias a depositantes em caso de uma eventual liquidação. Até dezembro do ano passado, o Digimais tinha R$ 9,2 bilhões em depósitos a prazo, dos quais a grande maioria - R$ 8,6 bilhões - estavam em CDBs. O FGC dá cobertura de até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado, até o teto de R$ 1 milhão. No balanço de 2025, o Digimais cita que seus parceiros de distribuição são Nubank, XP, BTG, Ágora, Itaú Corretora e Inter.
Ao anunciar o acordo, no começo de abril, o BTG comunicou que a conclusão da operação estava condicionada ao lançamento do processo, à declaração da proposta do BTG como vencedora e à obtenção de aprovações regulatórias, incluindo o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Este leilão para venda de bancos passou a ser permitido por mudanças feitas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nas regras de funcionamento do FGC. As medidas publicadas em janeiro deste ano ampliam o escopo de atuação do FGC em situações de "dificuldade financeira relevante" de instituições financeiras. Isso inclui o suporte a operações de mudança de controle societário da instituição em crise para evitar sua quebra.
*Aporte de Edir Macedo*
Em 2025, o Digimais teve lucro de R$ 31 milhões, com retorno patrimonial (ROE) de apenas 4,2%, um dos menores do mercado financeiro.
O índice de Basileia, que mede a capitalização do banco e sua capacidade de empresas, *fechou 2025 em 12,08%, acima do mínimo de 11% exigido pelo Banco Central. O indicador era projetado para aumentar para 13,5%, por conta de um aporte feito por Edir Macedo, de R$ 250 milhões, em dezembro, mas só aprovado pelo BC em março de 2026.*
A taxa de inadimplência do banco de Edir Macedo estava bem acima da média do mercado, em 12,37%, considerando atrasos acima de 90 dias. O banco teve uma série de problemas em carteiras como financiamento de veículos, que fez a inadimplência disparar, chegando a 43% ao final de 2022.
*Alerta*
Um dia antes da operação da Polícia Federal a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou as notas do banco e ao mesmo tempo retirou todas as classificações, por falta de "informações financeiras suficientes, confiáveis e verificáveis", de acordo com comunicado.
Para justificar o rebaixamento, a agência cita o default do banco de Edir Macedo como uma "possibilidade real", impulsionado por "incertezas consideráveis em relação ao perfil financeiro do Digimais".
Procurado, o BTG não se pronunciou. O Digimais não retornou até o fechamento desta reportagem.
Contato: cynthia.decloedt@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com
Broadcast+
Juro alto: causas e consequencias
Juros altos asfixiam a economia. A solução não está apenas no Banco Central, mas principalmente na política fiscal.
O Brasil continua convivendo com uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Mesmo com a Selic iniciando um ciclo de queda, empresas e famílias seguem pagando uma conta pesada: crédito caro, consumo reprimido, investimentos adiados e aumento da inadimplência. Os gastos com juros já ultrapassam R$ 1 trilhão por ano, drenando recursos que poderiam estar financiando crescimento, infraestrutura e geração de empregos.
O problema é que juros estruturalmente baixos não são decretados pelo Banco Central. Eles são consequência de credibilidade fiscal. Enquanto o governo amplia despesas obrigatórias, subsídios e déficits recorrentes, o mercado exige um prêmio de risco maior para financiar a dívida pública. O resultado é um círculo vicioso: mais gastos, mais dívida, mais juros e menos crescimento.
Os sinais já aparecem por toda parte. O endividamento das famílias atingiu níveis recordes, as recuperações judiciais de empresas continuam avançando e o setor produtivo perde competitividade. O Brasil chegou a gastar mais de 8% do PIB apenas com juros da dívida, percentual muito superior ao observado em economias emergentes comparáveis. É um custo silencioso que reduz a capacidade de investimento de toda a sociedade.
A discussão central para as eleições não deveria ser quem promete gastar mais, mas quem apresenta um plano crível para controlar o crescimento das despesas públicas, melhorar a qualidade do gasto e recuperar a confiança na trajetória fiscal do país. Sem responsabilidade fiscal, não existem juros baixos sustentáveis. E sem juros baixos, o crescimento econômico continuará sendo apenas uma promessa adiada.
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