domingo, 5 de julho de 2026

Rubens Barbosa

 O fim dos diplomatas 

Rubens Barbosa 

Interesse Nacional, 3/07/2026


Sem um governo que proponha um novo caminho, pensando em um projeto para o país, dificilmente será restabelecido o papel do Itamaraty como o principal formulador e executor da diplomacia.


A influência partidária e ideológica na política externa chegou ao seu limite máximo no final do governo do PT.


Estava previsto para 2 de julho o lançamento oficial pelo governo do primeiro conselho permanente para a participação da sociedade civil na política externa, o Conselho Nacional de Política Externa (Conpeb). O anúncio foi feito pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante a Segunda Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC, em junho.


Para dar uma ideia da partidarização e ideologização da política externa, transcrevo, sem comentários, o pronunciamento da Presidência da República.


“Agora, mais do que nunca, mesmo pela postura de entreguismo e traição à pátria dos bolsonaristas, esse tema da soberania nacional e da política externa está sendo debatido pelo povo. Não é mais tema só de colóquios ou da conferência de política externa. É um tema que cada vez mais está sendo debatido no boteco, nos pontos de ônibus, nos movimentos sociais. É um tema decisivo para a disputa que o Brasil vai ter este ano. Por isso, tenho o prazer de retomar essa proposta. Ou seja, criar um espaço para que a sociedade civil, a partir de suas distintas manifestações, possa participar do debate de política externa no Brasil. Junto ao ministro Mauro Vieira, no Itamaraty, vamos ter a honra de ter a primeira reunião do Conpeb. Este será um marco na inclusão e democratização da política externa brasileira.”


A Secretaria-Geral da Presidência da República deu mais detalhes da iniciativa.


“Será um colegiado de caráter consultivo e permanente. As reuniões serão realizadas semestralmente, com a possibilidade de criação de até seis sub-colegiados. As deliberações vão ser adotadas por consenso e o financiamento será público, garantindo acesso a todas e todos. Vão integrar o Conpeb representantes do Ministério das Relações Exteriores, da Secretaria-Geral da Presidência e da Assessoria Especial da Presidência da República, além de, eventualmente, outras autoridades convidadas.”


“Da sociedade, teremos a participação de 23 setores: centros de pesquisa em relações internacionais (RI) de caráter privado, centros de pesquisa em RI de caráter público, redes de professores e pesquisadores em RI, representações de estudantes. Outra cadeira será do setor empresarial de indústria, o de comércio e serviços, de comércio exterior, de ciência, tecnologia e inovação.”


“Entidades dedicadas à integração regional ou a outros fóruns regionais, comunidades brasileiras no exterior, os cerca de 5 milhões de brasileiros que vivem fora do país. O setor sindical de trabalhadores, movimentos sociais urbanos, movimentos sociais rurais, entidades de promoção de segurança alimentar e nutricional, de defesa de direitos humanos, da democracia, do meio ambiente, de promoção da igualdade de gênero, racial, entidades de defesa de equidade e inclusão, representação de povos indígenas, de advogados e de jornalistas” também estarão representados”.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), elogiou a inclusão da sociedade civil no debate sobre nossa política externa e disse “esperar que estes possam ajudar a formular a inserção internacional do Brasil. Ressaltou a necessidade de aproximar decisões diplomáticas das necessidades reais do povo brasileiro, para opinar sobre temas como as situações de Cuba, Venezuela e Palestina, por exemplo, e acordos comerciais/tecnológicos, como o Acordo UE-Mercosul.”


A decisão do PT, caso efetivada, ampliaria a tendência de esvaziamento do Itamaraty.


Felizmente, prevaleceu o bom senso e a iniciativa ideológica foi adiada. Essa é mais uma razão para a sociedade brasileira sair da polarização ideológica e partidária que tanto prejuízo está causando ao país.


Sem um governo que proponha um novo caminho, pensando em um projeto para o país, dificilmente será restabelecido o papel do Itamaraty como o principal formulador e executor da diplomacia.


Política externa deve ser política de Estado e não de governo de turno.


Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.

José Fucs, ignorância é algo terrível

 Luana Piovani, o sindicato e a campanha contra a autonomia do BC


Em vídeo postado no Instagram, a atriz diz que a independência financeira do BC pode ameaçar a gratuidade do Pix.


José Fucs para o UOL:


O vídeo publicado pela atriz Luana Piovani no Instagram —pelo qual ela recebeu um cachê de R$ 300 mil do sindicato dos servidores do Banco Central no Distrito Federal (Sinal-DF), para falar mal da proposta que dá autonomia administrativa e financeira à instituição— diz muito a respeito do aparelhamento da entidade e do nível pedestre que marca o debate sobre a questão.


Revela muito também sobre a "licença" que líderes políticos, autoridades e celebridades alinhados ao consórcio Lula-STF parecem ter hoje no Brasil para dizer as maiores barbaridades, muitas vezes ancorados em informações falsas e em generalizações discriminatórias de todos os tipos, sem sofrer qualquer questionamento judicial por suas falas.


No vídeo, postado no início de junho, Luana semeia pânico ideológico ao falar sobre os efeitos negativos que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 terá caso seja aprovada pelo Congresso. Repete a narrativa surrada do PT e de seus satélites sobre o tema, encampada pelo Sinal e propagada por aí com o dinheiro das contribuições de seus associados.


Com a bênção polpuda da entidade e sem qualquer fundamento na realidade, ela afirma que a eventual aprovação da medida pelo Congresso colocará em risco a gratuidade do Pix e poderá gerar punições ao BC. Afirma ainda que a proposta é uma invenção tupiniquim e que sua implementação vai ameaçar a segurança das nossas reservas internacionais e prejudicar a atuação da instituição, ao colocá-la a serviço da banca.


"Aqui no Brasil, resolveram criar a roda. Querem colocar o Banco Central independente do governo e sujeito a sofrer sanções externas. Gente, isso não tem cheiro de perigo? Me parece um risco gigantesco", diz Luana, recorrendo aos economistas Luiz Carlos Bresser-Pereira e Luiz Gonzaga Beluzzo, que assinaram um manifesto contra a proposta, para ampará-la.


"Nenhum dos principais bancos centrais do mundo possui a combinação de autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar, que é o que a PEC 65 está querendo criar. A única garantia que a gente tem de manter a gratuidade do Pix, a segurança das reservas internacionais e do nosso sistema financeiro é manter o Banco Central como autarquia de direito público. Colocar o Banco Central numa lógica privada, (...) apartada do Estado brasileiro, vai enfraquecer a autonomia técnica dele e também a regulamentação do sistema financeiro. O Banco Central deve atender às necessidades do povo brasileiro e não aos interesses do mercado e dos bancos", acrescentou.


Se qualquer representante da oposição ou da direita falasse algo do gênero, provavelmente já estaria sendo investigado pela Polícia Federal e enquadrado no famigerado inquérito das fake news do STF, tocado pelo ministro Alexandre de Moraes, no qual parece caber tudo o que venha de seus críticos.


Mas, como as afirmações vieram de uma voz amiga —patrocinada por uma entidade comandada por dirigentes alinhados com as ideias do governo e do PT, que se opõem até à autonomia operacional do BC, aprovada pelo Congresso em 2021— elas são "normalizadas". O Ministério Público, tão diligente quando os envolvidos em problemas até de menor gravidade fazem parte da oposição, não moveu até agora uma palha para questioná-las.


Fala espontânea


É certo que Luana tem todo o direito de ter a sua opinião, mesmo sem entender nada do assunto, como ela própria diz no vídeo, e mesmo alimentando a percepção de que se tratava de uma fala espontânea e não de uma peça pela qual foi regiamente remunerada. No fim, ela acabou publicando um novo vídeo para tentar explicar a questão, que gerou muito tititi nas redes, no qual diz, em tom de cumplicidade com o conteúdo que divulgou: "Eu só vendo o que consumo".


Aliás, o próprio Sinal negou que tivesse remunerado a atriz, e a questão só veio à tona na semana passada por obra das repórteres Nathalia Garcia e Idiana Tomazelli, da Folha de S.Paulo, que tiveram acesso à ata da reunião do conselho regional da entidade, que aprovou o aporte.


Agora, o que não dá para entubar são as informações que Luana propaga de forma inconsequente, a mando do sindicato dos servidores do BC, que deveriam zelar pelo fortalecimento da instituição e pela independência de seu custeio. É a única forma de a instituição poder levar a cabo a autonomia operacional que conquistou e praticar a política monetária necessária para manter a inflação sob controle, sem ficar à mercê das dotações orçamentárias feitas pelo governo da hora.


Na realidade, não há nada, absolutamente nada, na PEC 65, já aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguardando votação em plenário, que sugira qualquer impacto na gratuidade do Pix. A medida tampouco deverá gerar punições externas ou colocar em risco nossas reservas internacionais. Isso é o que muitos analistas chamariam, pura e simplesmente, de fake news. Ou de "terrorismo psicológico", como talvez prefiram alguns, para dourar a pílula.


A PEC 65 também não desvincula o BC do Estado brasileiro. Com a aprovação da proposta, a instituição continuará a ser 100% estatal e prestará contas ao Congresso Nacional. Ao dar autonomia orçamentária ao BC, a medida apenas reforçará sua blindagem contra interferências e contingenciamentos do governo, que possam afetar sua administração e a gestão diligente da política monetária.


Ao contrário do que Luana sugere no vídeo, em nome do Sinal, a autonomia financeira do BC está longe de representar a "reinvenção de roda" e de promover a privatização da instituição. Os bancos centrais mais respeitados do planeta, como o Fed (Federal Reserve), dos Estados Unidos, o BCE (Banco Central Europeu) e o Banco da Inglaterra, operam não apenas com autonomia operacional, mas com total independência financeira. Geram suas próprias receitas e definem seu custeio sem depender de repasses de ministérios ou de barganhas orçamentárias com o governo de plantão.


Jabuticabas


O próprio presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicado por Lula para o cargo, afirmou recentemente que a autossuficiência orçamentária alinha o Brasil às melhores práticas internacionais. "Acho que eu já fui bastante vocal sobre a urgência de a gente ter as condições que nos equiparem ao que são os bancos centrais de outros países. Quando eu olho a maior parte dos bancos centrais do mundo, eles vão ter essa condição que a gente está dizendo que seria muito importante a gente ter", disse Galípolo, durante apresentação do Relatório de Política Monetária da instituição, reproduzido no Instagram pela ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil) —entidade que se opõe à posição do Sinal e apoia a proposta que tramita no Senado.


"Tem gente que eu respeito demais e que acho excelente como analista, mas que diz 'não, aqui é Brasil'. Eu sempre fico com receio de a gente empilhar jabuticabas aqui. A gente gosta de achar que existe algo muito específico e muito particular nosso, que só nós temos e que por causa disso não podemos fazer o que deu certo no resto do mundo. Eu não gosto dessas análises. Eu acho que seria um grande avanço."


A medida é apoiada também por ex-presidentes do BC do calibre dos economistas Armínio Fraga, Gustavo Franco e Ilan Goldfajn, hoje presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), embora Lula tenha feito gestões antes mesmo de tomar posse para evitar que ele assumisse o posto, em dezembro de 2022. Conta também com o aval de Roberto Campos Neto, que antecedeu Galípolo no cargo.


Eles sabem melhor do que ninguém que autonomia operacional sem independência financeira pode deixar o BC exposto a estrangulamentos orçamentários movidos por razões políticas. Talvez eles pudessem também dar umas aulinhas pro bono sobre o tema para Luana, como fizeram os "universitários" que ela menciona no vídeo, e para seus patrocinadores.


Bresser e Beluzzo merecem todo o respeito por suas trajetórias profissionais, mas não é de estranhar que eles tenham engrossado as críticas do Sinal à proposta. Há tempos eles parecem ter deixado de lado a lógica e a racionalidade econômicas e passado a apoiar qualquer bruxaria heterodoxa defendida por Lula, pelo PT e por sua tropa de choque.


A medida não muda a destinação dos resultados obtidos pelo BC. Mesmo com a independência, o "lucro" obtido pela instituição em suas operações financeiras continuará sendo incorporado como "reserva de resultado", para cobrir eventuais prejuízos futuros, sem depender de aportes do Tesouro, como já acontece hoje.


Quando essa reserva ficar positiva no balanço, o excedente irá integralmente para o Tesouro, para amortizar a dívida pública, embora isso não tenha efeito nas metas fiscais. Agora, quando a reserva for negativa, ou seja, quando houver prejuízo do BC nessa conta, caberá ao Tesouro cobrir o rombo com a emissão de títulos públicos, como também já ocorre atualmente.


Deita na BR'


O que a proposta prevê é que o BC use suas próprias receitas operacionais, como as taxas de supervisão e de serviços que arrecada, para gerenciar suas despesas administrativas, em vez de depender de dotações orçamentárias do governo. Com a aprovação da medida, o BC pagará com seus próprios recursos o custeio da máquina, os funcionários e os investimentos em tecnologia, para gestão do sistema financeiro e o desenvolvimento de ferramentas como o Pix.


Como costuma acontecer quando a ideologia, os interesses políticos imediatos e o corporativismo dão o tom do debate, porém, isso tudo pouco importa. O que interessa mesmo é marcar posição. Já foi assim quando essa turma se colocou contra a Constituição de 1988, contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e até contra a Lei das Estatais —e agora não é diferente. É como disse Luana Piovani no vídeo em que rebateu as críticas à sua participação na campanha do Sinal contra a PEC: "Não gostou? Deita na BR".

sábado, 4 de julho de 2026

Semana que vem

 TERMÔMETRO BROADCAST BOLSA: MAIORIA DO MERCADO APOSTA EM QUEDA DO IBOVESPA NA SEMANA QUE VEM [Termômetro]


São Paulo, 03/07/2026 - O mercado ampliou o pessimismo em relação ao desempenho do Ibovespa na próxima semana, segundo o Termômetro Broadcast Bolsa. Na pesquisa desta sexta-feira, 57,14% dos participantes projetam queda do principal índice da B3, ante 50% no levantamento anterior. As apostas em estabilidade recuaram de 33,33% para 28,57%, enquanto as projeções de alta diminuíram de 16,67% para 14,29%. Até as 14h30, horário limite para envio das respostas, o Ibovespa acumulava avanço de 0,68% na semana.


Na semana que vem, a agenda doméstica terá como destaque a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, na sexta-feira, 10. Antes disso, os investidores acompanharão, na terça-feira, 7, o IGP-DI de junho, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), além do leilão de títulos públicos do Tesouro e dos dados de produção de veículos da Anfavea. Na quarta-feira, 8, o Banco Central divulgará o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), enquanto a quinta-feira, 9, reserva a primeira prévia do IGP-M de julho e o novo leilão do Tesouro.


Nos Estados Unidos, o principal evento da semana será a divulgação da ata da reunião de junho do Fomc, na quarta-feira, que poderá oferecer novas pistas sobre a avaliação dos dirigentes do Federal Reserve (Fed) em relação à inflação, à atividade econômica e aos próximos passos da política monetária americana. Antes disso, na segunda-feira, 6, serão divulgados o PMI de serviços da S&P Global e o ISM de serviços, acompanhados de discurso do diretor do Fed Christopher Waller. Na terça-feira, o mercado conhecerá a balança comercial de maio. Ao longo da semana, também estarão no radar os pedidos semanais de auxílio-desemprego, discursos de dirigentes do Fed, incluindo John Williams e Lorie Logan, além dos leilões de títulos do Tesouro americano de 10 e 30 anos.


No cenário internacional, a atenção também deverá estar voltada aos índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) de junho da China, e aos desdobramentos para o fim das tensões entre Irã e Estados Unidos.


O Termômetro Broadcast Bolsa tem por objetivo captar o sentimento de operadores, analistas e gestores para o comportamento do Ibovespa na semana seguinte. A ideia é mostrar para o leitor a percepção dos profissionais - e não das instituições financeiras - a partir da resposta para pergunta: Qual o sentimento para o Ibovespa na próxima semana? As alternativas apresentadas são de variação positiva, negativa ou neutra.


A pergunta é enviada às quintas-feiras e as respostas devem ser encaminhadas até as 14h30 da sexta-feira. Após o encerramento do período, o departamento de Dados da Broadcast calcula o porcentual obtido a partir de cada uma das opções apresentadas pelo Termômetro. As respostas individuais dos participantes ficam em sigilo e os jornalistas não têm acesso a elas. A publicação dos resultados é feita nos serviços em tempo real da Broadcast às sextas-feiras.

Brasil - Destaque da Semana - Desaceleração da Atividade By Dan Kawa 0407

 Os indicadores de atividade finalmente começam a sinalizar uma desaceleração mais clara da economia brasileira. O CAGED, a PNAD e a produção industrial (divulgada hoje) de maio vieram abaixo do esperado, indicando perda de fôlego no mercado de trabalho, no consumo e nos investimentos após um primeiro trimestre bastante forte. Ainda existem sinais pontuais de melhora na confiança e na indústria, possivelmente impulsionados pelos estímulos recentes, mas, por enquanto, esse não parece ser o cenário predominante.


Esse ambiente abre espaço para o BCB conduzir um novo corte de 25bps na reunião de agosto com uma base de dados mais consistente. Diferentemente da decisão anterior, agora a combinação de atividade mais fraca, mercado de trabalho menos aquecido e inflação em desaceleração tende a dar maior respaldo à flexibilização da política monetária.

O mercado de juros já começou a refletir essa mudança de cenário, revertendo parte da abertura observada após o último Copom. Ainda assim, o movimento dependerá da continuidade dessa dinâmica, em um ambiente que segue cercado por riscos relevantes, como uma eventual reaceleração da atividade impulsionada pelos estímulos, o quadro fiscal desafiador e o aumento da influência do calendário eleitoral sobre os ativos brasileiros.

Caso este movimento se confirme, pode vir a ser um vetor de sustentação a ativos de duration (leia-se, sensíveis a juros) no Brasil.






sexta-feira, 3 de julho de 2026

Call Matinal 0307

 Call Matinal

03/07/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0207)

MERCADOS

Na quarta-feira (03), o Ibovespa fechou em alta de 0,64%, aos 172.787 pontos, após atingir a máxima intradiária de 174.425,69 pontos, impulsionado pela repercussão do payroll mais fraco dos EUA, que reduziu as expectativas de alta dos juros pelo Fed. O dólar à vista encerrou praticamente estável, com queda de 0,04%, a R$ 5,2083, após oscilar entre R$ 5,1593 e R$ 5,2197.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Mercados globais operam de forma cautelosa após dados mais fracos do mercado de trabalho dos EUA reforçarem a percepção de desaceleração econômica e reduzirem a pressão por novas altas de juros

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: +0,07%

S&P 500 Futuro: +0,33%

Nasdaq Futuro: +0,97%

Os índices futuros de Nova York operam em alta nesta sexta-feira (03), em uma sessão de liquidez reduzida por conta do feriado da Independência dos EUA, que mantém os mercados à vista fechados.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), +0,37%

Nikkei (Japão): +1,47%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,26%

Nifty 50 (Índia): +0,44%

ASX 200 (Austrália): +1,37%

 

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,23%

DAX (Alemanha): +0,44%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,02%

CAC 40 (França): -0,02%

FTSE MIB (Itália): +0,47%

 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, +0,04%, a US$ 68,72 o barril

Petróleo Brent, +0,24%, a US$ 71,97 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -1,74%, a 734 iuanes (US$ 108,11)

Bitcoin, +0,24%, a US$ 61.567,60

Petróleo apresenta leve recuperação, sustentado pelo otimismo cauteloso em torno das negociações entre EUA e Irã e pela normalização gradual do tráfego no Estreito de Ormuz.

 

NO DIA, 0307

No Brasil, seguimos acompanhando o “bate boca” sobre as eleições, envoltos nesta terrível polarização de dois candidatos lamentáveis. Lula, envolto em corrupção pesada na Lava Jato, “blindado”, e toda a cúpula, pelo STF. Ainda temos o caso Master e o dos aposentados do INSS, a envolverem também o candidato bolsonarista, Flavio. Este, agora tentando apagar o incêndio da tensa relação com a madrasta Michelle. Aliás, ambas as madrastas aí envolvidas, Janja e Michelle, são a expressão lamentável de dois candidatos populistas, ou movimentos, que já eram para estar enterrados. Nos EUA, uma forte desaceleração no mercado de trabalho impulsionou os ganhos da maioria das ações em Wall Street na quinta-feira, em meio a especulações de que o Fed não será forçado a aumentar as taxas de juros tão cedo. Foram criados 57.000 empregos em junho, número inferior ao de maio e aproximadamente metade dos 115.000 empregos previstos pelos economistas.  Os rendimentos dos títulos de curto prazo caíram, à medida que os operadores de swaps reduziram as expectativas de um aumento da taxa de juros pelo Fed nos próximos meses. O dólar se desvalorizou em relação a todas as moedas de países desenvolvidos.

 

Agenda 29 de junho a 03 de julho

 

Sexta-feira, 03/07

 

9hoo - o IBGE divulga a produção industrial de maio.

10h00 - a S&P Global reporta os PMIs composto e de serviços do Brasil.

15h00 - balança comercial de junho pelo MDIC.

Feriado antecipado do Dia da Independência nos EUA mantendo os mercados fechados em NY.

Na Europa, PMIs finais da Alemanha (4h55), da zona do euro (5h) e do Reino Unido (5h30).

BDM Matinal Riscala

*Rosa Riscala: Feriado nos EUA reduz liquidez*


… O feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos, antecipado para esta sexta-feira, deixa os mercados fechados em Nova York, com impacto sobre a liquidez nos pregões domésticos. Depois que o payroll aliviou a pressão sobre o Fed, reduzindo as chances de uma alta dos juros, mas sem alterar significativamente as perspectivas para a política monetária americana, os investidores acompanham hoje a produção industrial de maio e a balança comercial de junho no Brasil, enquanto permanecem atentos aos desdobramentos dos novos impasses comerciais entre Brasília e Washington, que passaram a incorporar também a disputa eleitoral entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro.


MENOS PRESSÃO SOBRE O FED – O payroll não foi fraco apenas na manchete. A economia americana criou 57 mil vagas em junho, praticamente metade da mediana de 110 mil esperada pelo mercado, e os números de abril e maio ainda foram revisados para baixo em 74 mil postos.


… Com isso, a média móvel de três meses recuou para 111 mil vagas, mostrando que a perda de fôlego do mercado de trabalho já vinha ocorrendo e não se limitou a um único mês. A composição do relatório reforçou essa leitura.


… Segundo a Capital Economics, 47 mil das 57 mil vagas criadas em junho ficaram concentradas em saúde e assistência social, enquanto os empregos mais sensíveis ao ciclo econômico avançaram apenas 2 mil.


… A queda de 55 mil postos em hospedagem e alimentação também pesou no resultado.


… Ou seja, a geração de empregos continuou positiva, mas muito concentrada em setores menos cíclicos, enfraquecendo a tese de uma retomada mais disseminada da demanda por trabalho.


… Ainda assim, o payroll não foi suficientemente fraco para provocar uma mudança radical na leitura sobre a política monetária americana.


… A taxa de desemprego recuou de 4,3% para 4,2%, principalmente por causa da queda da taxa de participação, enquanto os salários avançaram 0,3% no mês e 3,5% em 12 meses, ritmo ainda compatível com alguma resiliência da inflação de serviços.


… Esses fatores impediram uma leitura inequivocamente dovish do relatório.


… O resultado foi uma mudança importante de percepção, mas não de direção. O mercado não passou a apostar em cortes de juros pelo Fed. Apenas reduziu a probabilidade de que o banco central americano ainda precise promover uma nova alta de juros neste ano.


… Essa mudança apareceu imediatamente nas apostas para o Fed.


… Segundo a plataforma FedWatch, do CME Group, a probabilidade de alta dos juros em setembro caiu de 64,3% antes da divulgação para 50,6% depois do payroll. Em outubro, recuou de 72,2% para 60,5%; e, em dezembro, passou de 83,3% para 74,9%.


… Ainda assim, o relatório foi suficiente para desencadear uma reprecificação das curvas globais de juros, ao mudar a avaliação dos investidores sobre a função de reação do banco central americano.


… Na B3, essa reprecificação encontrou uma curva já vulnerável e acabou amplificada por fatores domésticos.


… O payroll reduziu a pressão externa, mas o alívio foi limitado pelo leilão robusto de prefixados do Tesouro, pelo aumento do prêmio político e fiscal e pelos novos ruídos na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.


… Os contratos de DI não incorporaram integralmente a leitura mais benigna do relatório e a curva a termo ganhou inclinação, enquanto o dólar praticamente zerou a queda e o Ibovespa sustentou alta, mas longe das máximas do dia (leia abaixo).


TRUMP – No dia em que o payroll reduziu as chances de uma nova alta de juros pelo Fed, o presidente afirmou que Kevin Warsh enfrenta um conselho “hostil”, anunciando em entrevista à CNBC que iniciará um processo para tentar remover a diretora Lisa Cook.


… Na mesma entrevista, Donald Trump disse que acredita que o Irã aceitou “tudo o que precisávamos” no acordo e reafirmou que não busca uma mudança de regime em Teerã. Mas a retórica ainda está longe de convergir.


… O comando militar iraniano advertiu que petroleiros deverão seguir as rotas aprovadas por Teerã em Ormuz ou enfrentarão “resposta imediata e enérgica”. Também afirmou que qualquer intervenção dos Estados Unidos no Estreito será recebida com reação “rápida e decisiva”.


… Apesar das novas ameaças iranianas e das incertezas sobre o futuro de Ormuz, o mercado continua privilegiando os sinais de normalização do abastecimento. A Arábia Saudita mais que dobrou os embarques de petróleo pelo estreito desde o acordo entre Estados Unidos e Irã.


… Nesta quinta-feira, os contratos futuros fecharam em leve alta, mas ainda próximos dos níveis pré-conflito. O WTI avançou 0,16%, para US$ 68,69 o barril, enquanto o Brent subiu 0,32%, para US$ 71,80. As projeções também seguem apontando para preços mais baixos.


… O Morgan Stanley estima o Brent em US$ 75 no quarto trimestre de 2026 e em US$ 70 no fim de 2027, enquanto o MUFG avalia que os preços devem continuar pressionados pela normalização da oferta e pela redução dos prêmios de risco geopolítico.


BRASIL X EUA – Enquanto o governo brasileiro tenta ganhar tempo e manter aberta a negociação com os Estados Unidos, a disputa em torno do tarifaço começa a migrar para o campo eleitoral, contaminando os esforços diplomáticos para um acordo.


… Nesta quinta-feira, o Itamaraty apresentou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) uma resposta de 29 páginas rebatendo as acusações de práticas comerciais desleais e defendendo que a tarifa de 25% não encontra amparo na legislação americana.


… O governo argumentou que o Pix é uma infraestrutura pública aberta e não discriminatória, destacou a participação de empresas americanas no sistema, contestou as críticas sobre propriedade intelectual e desmatamento e defendeu uma negociação sobre o etanol.


… Paralelamente, o MDIC informou que Brasil e USTR reconheceram a necessidade de mais tempo para detalhar propostas. As equipes técnicas voltarão a se reunir no início da próxima semana e em um segundo encontro antes do prazo final da negociação, em 15 de julho.


… Enquanto a frente diplomática tenta preservar o diálogo, a disputa comercial passou a ser incorporada à campanha presidencial.


… O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro enviou carta ao USTR pedindo a suspensão do tarifaço, argumentando que a medida acabaria fortalecendo politicamente o presidente Lula ao transformar a sobretaxa em instrumento de mobilização eleitoral.


… Também defendeu o Pix e sugeriu que uma eventual implementação das tarifas fosse adiada para depois das eleições.


… Lula reagiu imediatamente. Em publicação nas redes sociais, acusou a família Bolsonaro de “entreguismo”, classificou a iniciativa como “mais uma atitude de traidores da Pátria” e afirmou que a soberania brasileira “não está à venda”.


CURTAS DA POLÍTICA – Presidente Lula anuncia entregas do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em evento no Palácio do Planalto, às 10h.


CVM. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, homologou o plano de reestruturação da CVM apresentado pela União, afirmando que a medida permitirá retirar a autarquia da “paralisia”.


… O plano prevê recomposição de pessoal, aceleração do julgamento de processos e reforço da fiscalização do mercado de capitais.


CRÉDITO RURAL. A inadimplência de produtores rurais pessoa física voltou a subir em maio, alcançando 7,6% da carteira direcionada, perto do recorde histórico, refletindo o aumento do endividamento do setor e a expectativa por uma renegociação mais ampla dos financiamentos.


ESTATAIS. As estatais federais registraram lucro líquido de R$ 169,4 bilhões em 2025, alta de 45,4% sobre 2024, impulsionadas principalmente por Petrobras, Banco do Brasil e BNDES, que responderam por mais de 90% do resultado.


INDÚSTRIA. Pesquisa da CNI mostra que 46% das indústrias revisariam seus planos de investimento caso seja aprovada a redução da jornada de trabalho ou o fim da escala 6×1, diante da expectativa de aumento de custos e perda de competitividade.


DURIGAN. Em evento do Valor, o ministro confirmou que o governo começará na próxima semana a retirar o subsídio à gasolina, aproveitando a queda do petróleo, e reiterou que a intenção é eliminar gradualmente os incentivos aos combustíveis nos próximos meses.


… Também afirmou que o governo deve zerar grande parte do IPI, encaminhar ao Congresso o projeto do Imposto Seletivo para vigorar em 2027, classificou como “grave problema” um adiamento da reforma tributária e disse esperar que o FMI revise para cima o PIB do Brasil este ano.


AGENDA – Depois de um dia dominado pelo payroll americano, a sexta-feira devolve o foco aos indicadores domésticos.


… Às 9h, o IBGE divulga a produção industrial de maio, com expectativa de alta de 0,2% (mediana Broadcast), após avanço de 0,7% em abril. Às 10h, a S&P Global reporta os PMIs composto e de serviços do Brasil e, às 15h, sai a balança comercial de junho pelo MDIC.


… No exterior, o feriado antecipado do Dia da Independência nos Estados Unidos manterá os mercados fechados em Nova York.


… Na Europa, os destaques ficam para os PMIs finais da Alemanha (4h55), da zona do euro (5h) e do Reino Unido (5h30).


… Participam de eventos na França a presidente do BCE, Christine Lagarde (5h), e o presidente do BoE, Andrew Bailey (12h).


CHINA HOJE – O PMI/S&P Global de serviços caiu para 54,1 em junho, de 54,4 em maio. Apesar do recuo, o indicador veio acima da projeção de 53 de analistas. O PMI composto recuou de 54 para 53,6, mas ainda sinaliza expansão.


JAPÃO HOJE – O PMI/S&P Global de serviços avançou de 50 pontos em maio para 52,2 pontos em junho, acima da leitura preliminar do mês, de 51,8 pontos, mas abaixo da previsão de 53 pontos dos analistas de mercado financeiro.


… Já o PMI composto (engloba serviços e indústria) subiu de 51,1 pontos para 52,8 pontos, em território expansivo.


BOLA PERDIDA – Acabou desperdiçada pelo câmbio e pelos juros futuros a chance de faturar o payroll fraco.


… Pelo segundo pregão consecutivo, o que pegou na curva do DI foram as incertezas eleitorais e fiscais, que no final das contas andam juntas, segundo a percepção de boa parte do mercado. O desgaste político de Flávio preocupa.


… Além disso, um leilão expressivo de títulos prefixados do Tesouro contribuiu para estressar ontem o investidor, assim como a instabilidade comercial com os EUA, às vésperas da audiência pública sobre o novo tarifaço (segunda).


… Fora tudo isso, ainda tem que ser precificado o fato de que os juros futuros queimaram bastante prêmio na semana passada, quando esvaziaram a tensão inflacionária, e agora parecem estar atravessando uma realização.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcou 14,035% (de 14,025% no ajuste anterior); Jan/28 subiu para 14,230% (de 14,123%); Jan/29 foi a 14,385% (de 14,260%); Jan/31, 14,490% (14,349%); e Jan/33, 14,505% (14,378%).


… Na reação imediata ao payroll, o dólar chegou a acompanhar o alívio externo e caiu forte, voltando até a faixa de R$ 5,15 na mínima intraday. Mas esgotou a reação e passou a subir à tarde, para fechar estável, a R$ 5,2083 (-0,04%).


… O que se comentou é que a virada de humor no mercado cambial parece ter tido como gatilho a perda gradual de esperança em uma alternância de poder na corrida eleitoral, com efeitos potenciais sobre a política fiscal doméstica.


… Outro fator que tem prejudicado o fôlego do real é a acomodação do petróleo nos níveis pré-guerra, o que rouba a atratividade de moedas de países produtores da commodity. Assim, o câmbio pouco capitalizou ontem o carry trade.


… Não conseguiu se valer da possibilidade de que o Fed opte por uma pausa do juro no curto prazo.


… A urgência de um aperto já vinha sendo reduzida desde que o PCE e outros relatórios do emprego (ADP e Jolts) não assustaram. O próximo indicador na fila é o da inflação ao consumidor nos EUA em junho, no próximo dia 14.


… Em entrevista à CNBC nesta quinta-feira, Trump disse que a economia norte-americana está nos “anos dourados” e poderia estar crescendo muito acima dos 4%, atingindo até mesmo altas mais expressivas de 12% ou 13%.


SONHAR NÃO CUSTA NADA – Quem sabe o interesse dos investidores estrangeiros pelo Brasil seja retomado dentro do novo contexto de menor chance de alta do juro pelo Fed, neste momento em que a B3 sente a rotação de fluxo.


… Profissionais ouvidos pelo Broadcast explicam que a perspectiva de fim da guerra reacendeu a atração pelos mercados asiáticos (especialmente Coreia do Sul e Taiwan), com forte apelo por ativos relacionados à tecnologia e IA.


… A migração de recursos estrangeiros para a Ásia foi identificada pelos informes de saída de capital externo.


… Junho marcou o segundo mês consecutivo de fuga, com a retirada de R$ 7,785 bilhões da B3. O saldo no ano, de R$ 33,847 bilhões, agora está reduzido à metade do recorde de R$ 69 bilhões registrado no mês de abril.


… Ainda assim, o volume é 26% superior ao registrado um ano antes, no primeiro semestre do ano passado.


… Olhando para a segunda metade de 2026, que tem as eleições presidenciais como o grande desafio para quem opera no mercado, não se espera uma volta consistente do capital estrangeiro para os melhores níveis do ano.


… Mas analistas cogitam que possa haver sim uma retomada do fluxo para o Brasil, ainda que em ritmo gradual.


… Enfraquecido pela liquidez menor em Nova York, onde parte dos investidores saiu mais cedo mais o feriado de Independence Day, o volume de negócios no Ibovespa nesta quinta-feira não chegou aos R$ 20 bilhões.


… No auge do entusiasmo com o payroll, o índice à vista da bolsa doméstica engatou alta expressiva, de 1,5%, mas moderou o apetite por risco até o fechamento, quando registrava valorização de 0,64%, aos 172.787,62 pontos.


… Entre as blue chips, destaque para a alta dos bancos. BB avançou 1,37% (R$ 20,00), BTG unit, +1,00% (R$ 54,54); Santander unit, +0,41% (R$ 26,77); Bradesco PN, +0,33% (R$ 18,16); e Itaú PN, +0,07% (R$ 42,47).


… A Vale apresentou ganho de 0,35% (R$ 78,24), em linha com o minério de ferro (+0,48%). As ações da Petrobras também subiram (ON, +1,27%, a R$ 42,10; e PN, +0,34%, a R$ 37,96), frente à valorização moderada do petróleo.


DORMIU VENDIDO – Em Nova York, o setor de tecnologia saiu para o feriado ampliando o movimento de liquidação recente, o que roubou as forças do Nasdaq (-0,80%, aos 25.832,67 pontos) e do S&P 500 (estável; 7.483,19 pontos).


… A Capital Economics afirma que os lucros relacionados à inteligência artificial podem começar a ficar aquém das expectativas, enfraquecendo o boom. A consultoria prevê queda do S&P 500 para 6.500 pontos até o fim de 2027.


… Ontem, as ações da Tesla despencaram 7,49%, mesmo após a companhia registrar vendas de veículos elétricos bem acima do esperado na China no segundo trimestre: 480.126 carros, contra expectativa de cerca de 406 mil.


… Os investidores podem ter aproveitado para realizar lucro depois de quatro sessões consecutivas de alta.


… Só o Dow Jones conseguiu ganhar impulso com o payroll fraco. Avançou 1,14%, aos 52.900,07 pontos.


… A menor chance de o Fed subir o juro em setembro levou o DXY a cair 0,53%, de volta à linha dos 100 pontos (100,857). O euro avançou 0,47%, a US$ 1,1429, a libra ganhou 0,50%, a US$ 1,3343, e o iene subiu a 161,17/US$.


… Apesar de menos gente apostar agora em um aperto monetário, as taxas dos Treasuries registraram alta marginal: a da Note de dois anos subiu para 4,172% (contra 4,168% na véspera) e a de 10 anos foi a 4,485% (de 4,478%).


CIAS ABERTAS NO FOCO – VALE divulgará o relatório de produção e vendas do segundo trimestre no próximo dia 21, após o fechamento. O balanço será publicado no dia 30, também à noite, com teleconferência no dia seguinte.


USIMINAS. Moody´s reafirmou o rating Ba2, com perspectiva estável, citando posição sólida no mercado brasileiro de aços planos e liquidez robusta.


EMBRAER entregou 65 aeronaves no 2º trimestre, alta de 46% ante o 1º trimestre; foram 45 jatos executivos e 20 comerciais. No 1º semestre, as entregas somaram 109 aeronaves.


BRADESCO. Conselho aprovou JCP de R$ 3,5 bilhões, equivalentes a R$ 0,315359 por ação ON e R$ 0,346895 por ação PN, com pagamento até 29/01/2027. Ações ficam ex em 06/07.


BANRISUL formalizou contrato de cinco anos com o governo do Rio Grande do Sul para processar a folha de pagamento dos servidores; banco pagará R$ 1,234 bilhão ao Estado.


PRIO produziu, em média, 178 mil barris de óleo equivalente por dia em junho, alta de 8% ante maio; no segundo trimestre, a média ficou em 172 mil barris por dia.


NATURA. Conselho aprovou novo programa de recompra de até 28,6 milhões de ações ON, com duração de, no máximo, 12 meses…


… Fitch reafirmou rating BB+, com perspectiva estável, citando recuperação operacional mais lenta que o esperado.


GPA concluiu a venda de sua participação de 66,7% na Stix para a RD Saúde por R$ 23 milhões.


FRIGORÍFICOS. Ministério da Agricultura definiu novos procedimentos para controle do uso de antimicrobianos em produtos destinados à União Europeia e ao Reino Unido…


… As novas regras foram publicadas em meio aos esforços do governo para reverter a retirada do Brasil da lista de fornecedores de carnes ao bloco europeu a partir de 3 de setembro.


SMARTFIT. Norges Bank reduziu a participação de 5,10% para 4,99% do capital.


JSL convocou AGE para o próximo dia 24 para ampliar o conselho de administração de cinco para sete membros e eleger Ramon Peres Martinez Garcia de Alcaraz e Rodolfo Torres dos Santos.


QUALICORP concluiu a compra das participações minoritárias na Plural e na Oxcorp e passou a deter 100% do capital das duas empresas.


CASA DOS VENTOS avalia participar do leilão de baterias com até 1 GW em projetos em desenvolvimento e planeja investir em mais 1,5 GW de projetos eólicos, com decisão prevista até o fim do ano e entrada em operação em 2028.

Sunrise Market

 🌅 *SUNRISE MAIN NEWS RT – 03/07/2026 (CLIPPING GLOBAL)* 


🌎 DASHBOARD GLOBAL


Mercados globais operam de forma cautelosa após dados mais fracos do mercado de trabalho dos EUA reforçarem a percepção de desaceleração econômica e reduzirem a pressão por novas altas de juros. �

Reuters

Petróleo apresenta leve recuperação, sustentado pelo otimismo cauteloso em torno das negociações entre EUA e Irã e pela normalização gradual do tráfego no Estreito de Ormuz. �

Reuters · 1

Dólar perdeu força após os dados de emprego, enquanto os mercados revisam as expectativas para o Federal Reserve. �

Reuters

Treasuries permanecem como principal referência para a precificação do risco global.


🇺🇸 ESTADOS UNIDOS

Principais Manchetes


Dados de emprego mais fracos reduzem expectativas de aperto monetário adicional pelo Fed. �

Reuters

Bolsas encerraram a sessão mistas, pressionadas pela queda das empresas de semicondutores. �

Reuters

Mercado acompanha os efeitos da desaceleração do emprego sobre inflação e crescimento. �

Reuters

Mercados americanos permanecem fechados hoje devido ao feriado da Independência dos EUA. �

Reuters


Agenda Econômica


Feriado nos mercados americanos.

Monitoramento das expectativas para o Fed.

Preparação para os próximos indicadores de atividade.


Agenda Política


Política fiscal.

Relações comerciais.

Oriente Médio.


Principais Riscos


Juros elevados.

Déficit fiscal.

Polarização política.


🇪🇺 EUROPA

Principais Manchetes


Mercados acompanham os reflexos do Payroll americano.

BCE continua dependente dos próximos dados de inflação.

Guerra na Ucrânia permanece pressionando energia e gastos públicos.

Economia segue em ritmo de crescimento moderado.

Agenda Econômica

PMI.

Inflação.

Energia.


Agenda Política


Ucrânia.

Política energética.

Orçamento europeu.


Principais Riscos


Crescimento fraco.

Pressões fiscais.

Guerra.


🌏 ÁSIA

Principais Manchetes


Bolsas asiáticas acompanham o alívio na perspectiva de juros americanos. �

Reuters

China continua enfrentando recuperação gradual.

Japão mantém atenção sobre a volatilidade do iene. �

Reuters

Taiwan segue como foco estratégico.


Agenda Econômica


Exportações.

Produção industrial.

Japão.


Agenda Política


China × Taiwan.

Relações EUA × China.

Segurança regional.


Principais Riscos


Desaceleração chinesa.

Instabilidade cambial.

Escalada militar.


🌍 ORIENTE MÉDIO

Principais Manchetes


Avanços diplomáticos entre EUA e Irã mantêm o mercado de petróleo relativamente estável. �

Reuters · 1

Fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz continua aumentando. �

The Guardian

Países do Golfo ampliam exportações de petróleo. �

Reuters

OPEP+ continua monitorando a evolução da oferta mundial.


Agenda Econômica


Brent.

WTI.

GNL.

Agenda Política

Negociações EUA–Irã.

Segurança marítima.

OPEP+.


Principais Riscos


Reversão das negociações diplomáticas.

Choque de petróleo.

Nova escalada militar.


🌎 AMÉRICA DO SUL

Principais Manchetes


Fluxo para emergentes depende da trajetória dos juros americanos.

Commodities continuam determinando o desempenho regional.

Brasil permanece como principal mercado da região.

Investidores acompanham o cenário fiscal.


Agenda Econômica


Inflação.

Política monetária.

Commodities.


Agenda Política


Reformas fiscais.

Ambiente institucional.

Integração regional.


Principais Riscos


Fragilidade fiscal.

Dependência de commodities.

Volatilidade cambial.


🇧🇷 BRASIL


TIMES BRASIL CNBC


Repercussão dos dados de emprego dos EUA.

Mercado acompanha petróleo.

Debate fiscal permanece dominante.


INFOMONEY


Ibovespa acompanha o ambiente externo.

Fluxo estrangeiro segue seletivo.

Commodities continuam no foco.


BLOOMBERG LÍNEA BRASIL


Risco fiscal permanece como principal variável doméstica.

Mercado monitora juros americanos.

Câmbio segue sensível ao cenário internacional.


📊 AGENDA ECONÔMICA GLOBAL


🇺🇸 EUA

Mercados fechados (Independência).


🇪🇺 Europa

PMI.

Energia.


🌏 ÁSIA

Indicadores chineses.

Japão.


🌎 América do Sul

Política fiscal.

Commodities.


⚠️ RISCOS GLOBAIS (RADAR ESTRUTURAL)


🔴 Geopolítico

Rússia × Ucrânia.

Oriente Médio.

China × Taiwan.


🟠 Econômico

Juros elevados.

Crescimento europeu.

Recuperação chinesa.


🟡 Financeiro

Dívida soberana.

Liquidez global.

Commodities.


🧭 CONCLUSÃO ESTRATÉGICA


O foco dos mercados mudou da geopolítica para os fundamentos macroeconômicos. Os dados mais fracos do mercado de trabalho dos EUA reduziram as expectativas de aperto monetário adicional, enquanto o avanço das negociações entre EUA e Irã diminuiu temporariamente o risco de um choque no petróleo. �

Reuters · 1


No Modelo Piovesan (MPCP), o cenário global permanece em regime de crescimento moderado, com melhora no componente Energia, porém ainda limitado por Dívida elevada, juros restritivos e um ambiente geopolítico que continua exigindo cautela.

Rubens Barbosa

 O fim dos diplomatas  Rubens Barbosa  Interesse Nacional, 3/07/2026 Sem um governo que proponha um novo caminho, pensando em um projeto par...