sábado, 23 de maio de 2026

Jairo José da Silva

 Na chamada síndrome de Estocolmo, o prisioneiro desenvolve uma ligação emocional com seu algoz, ele passa a ama-lo.

Nós, brasileiros, temos uma forte síndrome de Estocolmo em relação a nosso pior algoz, o Estado.

Quando algo vai mal no país, ou seja, sempre, e por quase tudo, as soluções que imaginamos sempre convocam o Estado. Pobreza? Problema do Estado. Saúde da população? Estado. Segurança pública? Estado. Péssimo nível educacional? Mais Estado. O trânsito está ruim? Faltam leis e punições. Ainda mais Estado. É como se não existisse sociedade fora do Estado. O que lembra a máxima fascista: tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado (Benito Mussolini, 1922).


O Estado retira um terço dos nossos salários via imposto de renda e joga sobre o que sobra uma penca de outros impostos. Para desencorajar a atividade econômica privada, fora do Estado, ele afoga o investidor em impostos, taxas e tributos e o enreda numa teia bizantina de leis e regulamentos.

E para quê? Principalmente para o seu próprio benefício. Privilégios principescos aos marajás do Estado, que vão de salários astronômicos (a unidade mais rica da Federação é de longe o DF, o ninho da burocracia estatal), a benesses que empalidecem príncipes orientais.

Uma juíza afastada por corrupção continua a receber salários que passam do milhão, um ministro pode requisitar um jato da Força Aérea para ir para casa no final de semana, o STF exige que seus vinhos tenham pelo menos dois prêmios internacionais. O presidente e sua mulher, em suas viagens “oficiais”, que são quase mensais, esnobam as dependências já nababescas das nossas embaixadas para se hospedarem em hotéis que cobram milhares de dólares o pernoite. Para o Estado tudo e sempre às nossas custas. Para o povo, nada ou migalhas.


O Estado, qualquer Estado, é intrinsecamente fascista e nossa fascinação com o Estado é uma fascinação com o fascismo. E quanto mais pobre é o indivíduo, mais fascistamente fascinado com o Estado ele é. O Estado o mantém acorrentado, mas impede que ele morra de fome, como um domador de circo o seu animal. E por isso ele ama o Estado, frequentemente encarnado num líder carismático que o incorpora, Hitler, Mussolini, Stálin ou Lula. Ele vê o flagelo que o Estado impõe aos “ricos” com satisfação, como se fosse uma vingança pessoal. Não lhe ocorre que substituir o Estado pelos ricos, ou melhor, por uma sociedade livre capaz de produzir riqueza, gerando assim mais e melhores empregos, bons salários e mais amplas oportunidades, não apenas roubar a riqueza de quem a produz, seria para ele bem melhor negócio.


A senhora que faz a faxina semanal em meu apartamento me contou hoje, feliz, que finalmente recebeu os R$3.000 da ação judicial que moveu contra o Estado pelo golpe financeiro promovido pelo governo Collor, o confisco da poupança, mais uma ação violenta do Estado. Lembro que esse confisco se deu em março de 1990. 36 anos para recuperar parte do dinheirinho roubado!


Em Cuba, toda a atividade econômica está concentrada numa entidade cuja função precípua é colocar a parca riqueza produzida em mãos dos barões do Estado, os Castro e seus capangas, bilionários num país de esfomeados.

Trump disse que vai enviar 100 milhões de dólares em ajuda a Cuba, mas através de entidades não estatais, como a Igreja, para que o dinheiro chegue efetivamente ao povo e não seja roubado pelos comunistas.

E o que fez o Estado cubano? Baixou hoje uma lei que o permite confiscar bens e propriedades privadas sem aviso prévio. Tudo no Estado, nada contra o Estado.


No Brasil, o lulopetismo controla completamente o Estado. O parlamento, os tribunais, as forças armadas, colocados todos a seu serviço. Para continuar assim, ainda que haja formalmente eleições, ele controla todo o processo eleitoral através de cortes aparelhadas e imprensa de cabresto. Ontem, instalou a censura oficial às redes que relutam em se submeter aos seus desígnios. Para ele, o Estado é sinônimo de democracia. A voz rouca do povo não conta, só a sua própria voz ecoada nos aparelhos do Estado.


O Estado é um cancro e o lastro que nos mantém escravos e pobres.

Temos que aprender a pensar e a agir fora do Estado.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

EUA: o paradoxo dos benefícios sociais — mito, realidade e distorções de percepção, Renan Silva

 22 de maio de 2026

Segundo apurei ao longo de minha análise das estruturas institucionais americanas, há um paradoxo recorrente no debate público: afirma-se que os Estados Unidos seriam um país “sem políticas sociais”, ou que adotariam uma lógica exclusivamente liberal, avessa ao amparo estatal. Não obstante, quando examinamos tecnicamente o arranjo norte‑americano, encontramos um arcabouço robusto, diversificado e frequentemente mais amplo do que o observado em economias de bem‑estar europeias tradicionais.

Em minha opinião, esta contradição aparente emerge não da ausência de políticas sociais, mas da forma distinta com que elas são organizadas, financiadas e comunicadas — fatores que moldam percepções equivocadas fora do território americano.


1. O fundamento do paradoxo: um Estado Social que não se declara como tal

Ao contrário de países onde o welfare state é centralizado, universal e explicitamente reconhecido — como Alemanha, França ou os países nórdicos —, o modelo dos EUA foi construído em torno de três pilares estruturais: (i) Descentralização total (estados e condados possuem autonomia sobre saúde, educação e assistência); (ii) Forte componente fiscal via créditos tributários, e não transferências diretas e, (iii) Programas focalizados, não universais, criados para grupos específicos: idosos, baixa renda, crianças, trabalhadores com baixa remuneração, etc.

O resultado é que, apesar de existir um mosaico amplo de políticas públicas, o consumidor mediano não percebe esse sistema como um “direito universal”, mas como um conjunto de benefícios condicionados — o que reforça a imagem de um país supostamente avesso ao social.


2. A Arquitetura Social Americana: vasta, complexa e frequentemente subestimada

2.1 Saúde e Assistência Médica

Embora o país não possua um SUS, a estrutura de saúde pública é extensa: (i) Medicare (idosos e pessoas com deficiência); (ii) Medicaid (baixa renda) e (iii) CHIP (crianças de famílias que não se qualificam ao Medicaid, mas não podem pagar seguro privado).

Esses programas, somados, atendem mais de 150 milhões de pessoas — quase metade da população. Em termos macroeconômicos, equivalem a aproximadamente 8% do PIB, similar à soma de saúde pública de países com sistemas universais.

2.2 Previdência Social e Renda

A Social Security Administration opera uma das maiores redes de proteção do mundo com a Aposentadoria (Retirement Benefits), a Disability (SSDI), a Supplemental Security Income (SSI) e a TANF (transferência direta para famílias vulneráveis). A Social Security, isoladamente, é responsável por tirar 22 milhões de americanos da pobreza todos os anos.

2.3 Alimentação e Nutrição

Programas como SNAP e WIC garantem segurança alimentar para dezenas de milhões de famílias. O SNAP, por exemplo, atende cerca de 42 milhões de beneficiários — o maior programa de combate à fome do Ocidente.

2.4 Moradia e Energia

  • Section_8 subsidia parte o aluguel de famílias de baixa renda.
  • LIHEAP apoia despesas de energia e calefação.

Ambos são fundamentais em estados de clima extremo, onde o custo energético é elevado.

2.5 Trabalho, renda e incentivos fiscais

A política social americana se apoia fortemente em mecanismos tributários, como:

  • EITC (Earned Income Tax Credit) — um dos programas mais eficazes de redução da pobreza nos EUA.
  • Child Tax Credit — complementa a renda de famílias com filhos.
  • Unemployment Insurance — seguro-desemprego estadual.

Do ponto de vista macroeconômico, esse conjunto de créditos fiscais funciona como um sistema de transferência de renda indireta, porém altamente eficiente.


3. Educação: um modelo público, gratuito e descentralizado

A percepção brasileira de que “o ensino público americano é ruim” decorre, em minha opinião, de um desconhecimento sobre o funcionamento dos distritos escolares.

Ensino K-12

  • Gratuito e obrigatório.
  • Financiado majoritariamente por impostos prediais locais.
  • Complementado por verbas estaduais e federais.

A descentralização cria disparidades regionais, mas também produz alguns dos melhores high schools do mundo — especialmente em distritos de alta arrecadação.

Universidades Públicas

Embora pagas, são substancialmente subsidiadas via: In-state tuition, Pell Grants, Need-based scholarships, Programas federais como Work-Study e Fundos filantrópicos bilionários. Em universidades de elite “need-blind”, estudantes de baixa renda podem estudar com custo zero, algo extremamente raro em países de modelo estatal universal.


4. Por que, então, o Brasil acredita que os EUA não cuidam do social?

Em minha análise, há quatro fatores centrais:

4.1 O modelo não é universal, mas fragmentado

Ao contrário do Brasil, que possui sistemas unificados (SUS, INSS, ensino federalizado em parte), os EUA operam: Programas separados, Regras distintas por estado e Critérios específicos para cada benefício. A falta de um “guarda-chuva” único oculta a dimensão do sistema.

4.2 O financiamento é indireto e tributário

Grande parte dos benefícios ocorre via créditos no imposto de renda, o que não é intuitivo para sociedades acostumadas a transferências diretas.

4.3 A narrativa política americana valoriza o individualismo

Há uma aversão cultural a rotular políticas públicas como “assistencialistas”, entretanto os programas existem, mas o discurso enfatiza mérito, trabalho e autonomia.

4.4 A mídia brasileira foca nos custos da saúde privada

A saúde de mercado é, de fato, cara. Isso domina a percepção brasileira, obscurecendo o papel gigante de programas como Medicare, Medicaid e CHIP.


5. O que isso significa do ponto de vista macroeconômico global

Como observador, o sistema social americano é menos visível, mas fiscalmente gigantesco e funciona como um estabilizador automático fundamental em crises. O EITC e o SNAP, por exemplo, são anticíclicos: expandem-se em recessões, sustentando consumo — crucial para um país onde 70% do PIB vem da demanda doméstica. Já a descentralização reduz rigidez fiscal federal, permitindo maior dinamismo econômico. Assim, na prática, os EUA possuem um welfare state grande, funcional, mas conceitualmente diferente do europeu ou latino-americano.


Conclusão: desmontando o mito com técnica

Em minha opinião, a ideia de que os Estados Unidos “não cuidam do social” é mais mito cultural do que realidade econômica. O país opera um sistema social robusto, ainda que fragmentado, com forte foco em grupos vulneráveis, idosos, crianças e trabalhadores de baixa renda. O que existe não é ausência de Estado, mas um Estado social silencioso, distribuído, fiscalmente criativo e politicamente menos assumido.

Para o observador brasileiro, compreender essa arquitetura é fundamental não apenas para evitar comparações equivocadas, mas também para reconhecer que existem múltiplos caminhos para a proteção social — alguns universais e explícitos, como o brasileiro; outros descentralizados e tributários, como o americano.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,2% US tech +0,1% US Semis +1,3% UEM -0,2% España -0,4% VIX 16,8% Bund 3,10%. T-Note 4,56%. Spread 2A-10A USA=+53pb B10A: ESP 3,52% PT 3,52% ITA 3,86% FRA 3,91% Euribor 12m 2,82%. USD 1,162 JPY 184,8/€. Ouro 4.534 $. Brent 104,6$. WTI 97,7$. Bitcoin -0,11% (77.575$). Ether -0,07% (2.130$).


SESSÃO: Sessão de consolidação, que se foi movendo ao compasso das notícias que nos iam chegando do Médio Oriente. De manhã, Reuters publicava que o líder supremo do Irão tinha emitido uma ordem para proibir o envio de urânio enriquecido para fora do país. Isto arrefecia as expetativas para um acordo de paz, fazia aumentar o petróleo e cair as bolsas. Embora pouco depois houvesse um funcionário iraniano de alto cargo a negar essas afirmações, qualificando-as como “propaganda inimiga”. E com o mercado europeu já fechado, meios estatais iranianos publicaram que se tinha chegado a um projeto final de acordo entre os EUA e o Irão, com a mediação do Paquistão, fazendo o petróleo cair até 104 $ Brent e 97 $ WTI. Com tudo isto, a Europa acabou por ceder -0,2% enquanto Nova Iorque subiu +0,2%.


Na frente convencional tivemos um conjunto de PMIs que mostraram alguma resiliência apesar de um contexto geopolítico complicado. Na zona euro, o PMI Industrial moderou-se, mas continua em zona de expansão (51,4 vs. 52,2 ant.), enquanto no Reino Unido se manteve (53,7) e nos EUA aumentou acima do esperado (55,3 vs. 54,5 ant.). O ponto negativo foi o Índice Industrial da Fed de Filadélfia, que surpreendeu ao cair para zona de contração (-0,4 vs. 18 est.).


Na frente micro, os resultados de Nvidia confirmaram o bom momento no setor, com os semis a aumentarem +1,3%, acumulando +69% até ao momento do ano. Por outro lado, Walmart (-7,3%) apresentou resultados em linha, mas dececionou com as guias.


Para hoje teremos poucas referências, com a temporada de resultados praticamente terminada (EPS EUA +25,5% vs. +14,4% esperado) e com o IFO alemão como único dado macro relevante (84,2 vs. 84,4 ant.), mas não terá demasiada importância.


Em suma, hoje a Europa poderá replicar parte das subidas que vimos ontem em Nova Iorque após os rumores de que já há projeto final do acordo de paz, embora tudo dependa das notícias que nos cheguem. É provável que em Nova Iorque vejamos um pouco mais de cautela devido a ser feriado na segunda-feira, Memorial Day.

BDM MAtinal Riscala

 Wishful thinking move mercados

Mas falta de novidades sobre um acordo definitivo pode esvaziar otimismo


22/05/2026


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato


… O mercado inicia a sexta-feira tentando calibrar o quanto há de avanço real nas negociações entre Estados Unidos e Irã e o quanto foi apenas wishful thinking. Depois de um pregão marcado por forte volatilidade e pela queda do petróleo, o Brent voltou a subir no início dos negócios na Ásia, refletindo a falta de novidades sobre um acordo definitivo. Os impasses envolvendo o urânio enriquecido iraniano e o controle sobre o Ormuz seguem sem solução. Em paralelo, o mercado acompanha a posse de Kevin Warsh no comando do Fed e o Relatório Bimestral no Brasil, em sessão mais curta para os Treasuries, que encerram negociações às 15h, antes do feriado do Memorial Day, na segunda-feira.


GUERRA & DIPLOMACIA – O mercado voltou a operar a esperança de distensão no Oriente Médio após relatos de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão, mas sem qualquer confirmação de acordo definitivo.


… O pregão desta quinta-feira foi marcado por forte volatilidade, com investidores alternando momentos de aversão e apetite por risco.


… Pela manhã, o petróleo chegou a superar os US$ 109 após relatos de que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, teria barrado a retirada do urânio enriquecido do país, uma das principais exigências americanas para encerrar a guerra.


… O humor virou à tarde, após sinais de redução parcial das divergências entre os dois países e de relatos sobre um entendimento preliminar envolvendo cessar-fogo imediato, compromisso de evitar ataques contra infraestrutura e garantia de livre navegação no Estreito de Ormuz.


… Em troca, as sanções dos Estados Unidos contra o Irã poderiam ser gradualmente suspensas.


… Apesar do alívio, quase uma torcida do mercado, os principais pontos de impasse continuam abertos, especialmente o destino do urânio enriquecido iraniano e o controle sobre Ormuz.


… Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos querem receber o urânio iraniano e rejeitou qualquer hipótese de cobrança de pedágios na rota marítima, enquanto Teerã insiste na suspensão das sanções, no desbloqueio de ativos e em garantias de cessar-fogo também no Líbano.


… O petróleo inverteu o sinal ao longo da tarde e fechou em queda superior a 2%, mas ainda acima de US$ 100, num ambiente marcado por estoques globais apertados e temor persistente de inflação.


… O movimento tirou pressão dos Treasuries, do dólar e dos ativos de risco, mas perdeu força no fim do pregão, à medida que investidores voltaram a ponderar que o histórico recente de frustrações nas negociações ainda recomenda cautela.


… A própria dinâmica das negociações ajudou a esfriar parte da euforia. A Al Arabiya negou informações de que um acordo preliminar já teria sido fechado, enquanto fontes ouvidas pela Reuters afirmaram apenas que as divergências diminuíram.


… O adiamento da viagem do marechal paquistanês Asim Munir a Teerã – comentada mais cedo pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, como um sinal importante – reforçou a percepção de que as conversas avançaram, mas ainda não chegaram a um acordo definitivo.


A POSSE DE WARSH – O mercado acompanha nesta sexta-feira a cerimônia de posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve, marcada para o meio-dia de Brasília e com participação de Donald Trump na Casa Branca.


… A transição encerra oficialmente a gestão de Jerome Powell no comando do BC americano.


… Indicado por Trump e aprovado pelo Senado neste mês, Warsh assume o Fed em meio ao debate sobre independência da autoridade monetária e pressão da Casa Branca por juros mais baixos, num ambiente marcado pelos efeitos da guerra e temor persistente de inflação.


RELATÓRIO BIMESTRAL – Aqui, o mercado acompanha nesta sexta-feira a divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre, às 15h, em meio à expectativa de novo bloqueio orçamentário para acomodar o avanço das despesas obrigatórias.


… Em entrevista ontem à noite para a CNN, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que o governo anunciará aumento do bloqueio atual de R$ 1,6 bilhão, embora tenha descartado, por ora, a necessidade de contingenciamento.


… Segundo ele, as receitas seguem em linha com o previsto e o principal foco de pressão continua sendo a Previdência.


… Segundo fontes ouvidas pela Broadcast, o relatório deve trazer aumento de cerca de R$ 11 bilhões nas despesas previdenciárias no último bimestre, refletindo tanto a concessão de novos benefícios quanto a redução da fila do INSS.


… Integrantes do governo dizem que a alta decorre do esforço para acelerar análises represadas e não de deterioração estrutural das contas.


… O tema ganha ainda mais sensibilidade diante do discurso da equipe econômica sobre controle de gastos obrigatórios e sustentabilidade do arcabouço fiscal. Durigan afirmou que o governo está “cortando na própria carne”.


… E defendeu uma regra em que o crescimento das despesas fique abaixo da expansão das receitas, permitindo a geração gradual de superávits.


… Ao mesmo tempo, o ministro voltou a minimizar a relação entre política fiscal e juros elevados, afirmando que a pressão inflacionária atual decorre principalmente do choque provocado pela guerra no Oriente Médio e da alta do petróleo.


… A fala ocorre em meio ao debate crescente sobre o impacto da escalada geopolítica sobre inflação, dívida pública e trajetória da Selic.


NOVO DATAFOLHA – Pode sair hoje, ou amanhã (sábado), a primeira pesquisa do Datafolha que captará o efeito Vorcaro na candidatura de Flávio Bolsonaro, com uma novidade – incluirá cenário com Michelle Bolsonaro.


… No último levantamento, Lula tinha 38% das intenções de voto no 1º turno e Flávio, 35%. No 2º turno, empatavam com 45% cada.


NO, I DIDN’T –Aliados afirmam que Flávio foi convidado para visitar a Casa Branca na próxima semana. O senador negou ter solicitado encontro com Trump e respondeu em inglês aos jornalistas: “No, I didn’t ask anything”.


… Questionado sobre a campanha, limitou-se a dizer: “Um dia de cada vez”.


… Segundo CNN Brasil, Flávio deve se reunir com Trump em Washington no próximo dia 25. Lideranças do PL negam qualquer discussão sobre substituição do senador na disputa presidencial após o caso envolvendo Daniel Vorcaro.


CURTAS DA POLÍTICA – O Congresso derrubou vetos de Lula à LDO e liberou doações de bens, benefícios e transferências da União para Estados e municípios durante o período eleitoral, desde que haja contrapartida dos entes beneficiados.


… O governo alegava risco de afronta à legislação eleitoral e ao interesse público.


… Parlamentares também pressionaram Davi Alcolumbre pela leitura do pedido de criação da CPMI do Banco Master, mas o presidente do Congresso voltou a adiar a decisão, afirmando que a prioridade da sessão era destravar recursos para municípios e obras públicas.


ESCALA 6X1.O relator da PEC do fim da escala 6×1, deputado Léo Prates, afirmou que pretende apresentar o parecer na próxima segunda-feira e defendeu implementação já em 2026, sem transição para os dois dias de folga semanais.


… A redução da jornada de 44 para 40 horas segue em discussão.


… Hugo Motta apoia implementação gradual em dois ou três anos, enquanto parlamentares contrários à proposta defendem prazo ainda maior.


… Em paralelo, cresce a resistência de economistas à proposta.


… Reportagem do Estadão traz alerta de analistas sustentando que o fim da escala 6×1 pode reduzir a capacidade de crescimento do País ao elevar o custo da hora trabalhada, estimular informalidade e pressionar setores de baixa produtividade.


… O receio é que a redução da jornada sem corte salarial anule parte dos ganhos obtidos após a reforma trabalhista de 2017, especialmente num ambiente de envelhecimento populacional, baixa qualificação da mão de obra e estagnação da produtividade.


MAIS AGENDA – No Brasil, além do Relatório Bimestral, o foco da manhã fica para a reunião trimestral do Banco Central com economistas do mercado financeiro, em meio à consolidação das apostas de corte de 0,25 ponto da Selic em junho.


… Participam dos encontros os diretores Nilton David e Paulo Picchetti, em meio ao debate sobre petróleo, inflação e o ciclo de flexibilização.


… No exterior, além da posse de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve, o mercado acompanha os dados finais de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan (11h), em busca de sinais sobre atividade e inflação nos Estados Unidos.


… Também entram no radar indicadores de confiança na Alemanha, vendas no varejo no Reino Unido e discurso de Christopher Waller (11h).


… A agenda ainda traz dados semanais da Baker Hughes sobre plataformas de petróleo em operação nos Estados Unidos (14h), em sessão que deve seguir altamente sensível a qualquer nova sinalização envolvendo as negociações entre Washington e Teerã e o futuro de Ormuz.


JAPÃO HOJE – A inflação ao consumidor perdeu força em abril: subiu 1,4% na comparação anual, desacelerando em relação à alta de 1,8% registrada em março. O resultado ficou abaixo da expectativa de alta de 1,7%.


CONFIA DESCONFIANDO – Hesitantes em seguir manchetes otimistas após decepções anteriores, como resumiu o ING, os mercados globais adotaram otimismo cauteloso com o aceno do acordo de paz mediado pelo Paquistão.


… Tanto o investidor não quis embarcar de cabeça, que manteve as apostas de que o Fed antecipe uma alta do juro para este ano ainda, até porque, mesmo que a guerra acabe, vai demorar para normalizar o fluxo de petróleo.


… O estrago sobre as expectativas de inflação já está feito e o vaivém de escalada e desescalada das tensões no Oriente Médio não dá muito segurança para os negócios operarem convictos sobre um desfecho definitivo.


… O suposto avanço nas negociações diplomáticas não impediu que o mercado ampliasse as apostas de um aperto monetário do Fed em dezembro para 57%, contra 45% um dia antes. A chance de manutenção é de 38,8%.


… Com o investidor desconfiado de que a alta no juro pode se tornar inevitável, não deu para os ativos relaxarem ontem tanto quanto desejavam com o alívio de que um acordo preliminar com o Irã possa estar a caminho.


… Ainda reverberando o tom hawkish assumido pela ata do Fed, a taxa dos Treasuries de 2 anos e o dólar avançaram lá fora. Aqui, a moeda norte-americana fechou estável contra o real e permaneceu acima da marca dos R$ 5.


… O petróleo, como se viu, virou e se distanciou das máximas pela manhã, quando superou US$ 109. Mas ainda não foi desta vez que furou US$ 100. São sinais de prudência, de quem está vacinado contra as reviravoltas da guerra.


… O contrato do Brent para julho encerrou em baixa de 2,32%, cotado a US$ 102,58. A Reuters informou que a Opep+ deve concordar com um aumento modesto na produção, de 188 mil barris por dia, na reunião de 7 de junho.


… Pouco convencido de que o Fed conseguirá driblar o impacto do choque energético, o juro da Note-2 anos subiu a 4,059%, de 4,046% na véspera. Já os yields dos bônus longos deram um voto de confiança à diplomacia e caíram.


… O retorno da Note de 10 anos recuou para 4,555% (de 4,574%) e o do T-bond de 30 anos, a 5,082% (de 5,114%).


GATO ESCALDADO – Na primeira reação instintiva às notícias de que a ofensiva militar estaria com os dias contados, os juros futuros domésticos e o dólar chegaram a cair com mais intensidade, para depois corrigirem os exageros.


… Trump é o rei do blefe e não deu ontem para sair apostando todas as fichas de que desta vez será diferente e vai realmente dar tudo certo. Na dúvida, os ativos preferiram se precaver de excessos de otimismo e ir mais devagar.


… Na curva do DI, os contratos se afastaram das mínimas do dia e recuaram de forma moderada.


… No fechamento, o vencimento para janeiro de 2027 marcava 14,040% (de 14,057% no ajuste anterior); Jan/28, 13,815% (de 13,862%); Jan/29, 13,845% (de 13,912%); Jan/31, 14,020% (de 14,076%); e Jan/33, 14,130% (14,173%).


… Considerando o cenário hipotético de que um acordo de paz saia do papel, o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, ouvido pelo Broadcast, consegue ver o dólar voltando ao patamar de R$ 4,80.


… Parece um nível razoável de ser alcançado, na medida em que o câmbio tem sentido menos do que outros mercados o estresse da guerra, blindado em boa medida pela Selic ainda alta e atrativa às operações de carry trade.


… Na mínima ontem, o dólar bateu R$ 4,9833, mas com o noticiário confuso sobre as negociações com o Irã, achou melhor terminar de lado, praticamente estável (-0,04%), a R$ 5,0012, à espera das cenas dos próximos capítulos.


… Lá fora, ainda com o tom duro da ata do Fed preso à memória, o índice DXY avançou 0,16%, a 99,257 pontos, deixando em segundo plano os relatos sobre a versão preliminar do acordo para encerrar o conflito no Oriente.


… Está todo mundo torcendo pelo melhor desfecho, mas sem dispensar cautela, para não cair no canto da sereia. As moedas europeias fecharam estáveis: euro a US$ 1,1621 e libra a US$ 1,3436. O iene recuou para 158,94 por dólar.


… Para analistas do ING, apesar do aparente alívio na tensão geopolítica, está difícil de apostar agressivamente contra a moeda americana, diante do risco apontado pelas apostas do CME de alta do juro pelo Fed em dezembro.


… O dirigente Austan Goolsbee acha que a inflação está piorando e que virou um problema “bastante significativo”.


PIQUE NO LUGAR – Sem total segurança sobre os progressos da guerra, as bolsas em Nova York não foram longe. No caso do Nasdaq, que fechou no zero a zero (+0,09%), a 26.293,10 pontos, a Nvidia ainda esvaziou os ganhos.


… O papel da gigante de tecnologia caiu 1,77%, porque estava superalta a barra das expectativas para o balanço.  


… O desempenho do S&P 500 também foi tímido: +0,17%, aos 7.445,72 pontos. Só mesmo o Dow Jones subiu de forma mais convincente (+0,55%) e renovou o seu recorde histórico de fechamento, aos 50.285,66 pontos.


… Aqui, sem confirmação oficial se vai sair um trato entre os Estados Unidos e o Irã, o Ibovespa desacelerou de quase 0,70% na máxima, para menos de 0,20% no fechamento: +0,17%, aos 177.650 pontos, com giro de R$ 23,5 bilhões.


… Petrobras contrariou a queda firme do petróleo: ON subiu 1,25%, a R$ 50,30, e PN, +0,78%, a R$ 44,95. Vale também foi na contramão da queda de 1% do minério de ferro e registrou valorização de 0,77%, para R$ 82,63.


… Entre os bancos, que avançaram em bloco, Itaú PN puxou a fila, com alta de 1,13%, a R$ 40,12. BB ganhou 0,58% (R$ 20,82); Santander unit, +0,51% (R$ 27,59); BTG unit, +0,31% (R$ 54,37); e Bradesco PN, +0,22% (R$ 17,90).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS informou que GQG Partners elevou participação na companhia para 5,03%.


PETRORECONCAVO. A companhia ajustou marginalmente o valor do JCP por ação, de R$ 0,340750 para R$ 0,340748, sem alteração no montante total distribuído.


EMBRAER. A companhia fará o resgate integral das notas com vencimento em 2030 e taxa de 7,000%.


AZUL. A companhia emitirá até 6,9 milhões de bônus adicionais ligados à reestruturação sob Chapter 11 nos EUA.


SABESP. A companhia afirmou que avalia oportunidades de mercado com “cuidado e responsabilidade”, mas disse que o foco segue no plano de investimentos em São Paulo…


… A manifestação ocorreu após reportagem do Broadcast mostrar que a Equatorial avalia disputar sozinha a posição de acionista de referência na privatização da Copasa.


IGUÁ SANEAMENTO. Acionistas aprovaram aumento de capital de R$ 700 milhões para acelerar investimentos.


COPEL. Conselho aprovou renovação do programa de recompra de ações por mais 18 meses.


AXIA ENERGIA. O fundo GQG Partners passou a deter 5,02% das ações ordinárias.


ACELEN RENOVÁVEIS. A companhia iniciou a implantação de biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão na Bahia, com capacidade para produzir SAF e diesel verde.


JSL. BNDESPar passou a deter 5% do capital da companhia após exercer opção de compra de 14,3 milhões de ações.


UNIPAR. A companhia converteu 178 ações preferenciais classe A em classe B.


MITRE. O bloco de controle, composto pela Mitre Partners, Star Mitre, Fabrício Mitre e Jorge Mitre, reduziu a participação para 37,86% do capital social, contra 40,19% anteriormente.


NEOGRID. O conselho emitiu parecer favorável à OPA para aquisição de controle e fechamento de capital. O leilão será realizado em 27 de maio.


ESPAÇOLASER. A companhia pagará R$ 223 mil em dividendos, o equivalente a R$ 0,00062 por ação ordinária, em 29 de maio. A composição acionária usada como base será a do dia 4 de maio.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Relações na família BOLSO

 *Escândalo do Master trava pacificação entre Michelle e Flávio Bolsonaro*

A divulgação dos áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobrando dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse”, não abalou apenas o QG da pré-campanha à Presidência da República mas produziu também um efeito colateral no clã Bolsonaro: interrompeu o ensaio de “pacificação” entre o “filho zero um” do ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle.


Os dois estão rompidos desde que Michelle criticou publicamente, em novembro do ano passado, a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e foi desautorizada pelo enteado. Em reação, Flávio chamou Michelle de “autoritária” e disse que ela “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”, que havia autorizado a aliança. Depois ele pediu desculpas em privado. Ela queria uma retratação pública.


Após uma articulação nos bastidores que envolveu interlocutores dos dois lados, Michelle fez um aceno ao enteado ao lhe desejar “feliz aniversário” em suas redes em 30 de abril, quando Flávio comemorou 45 anos.


O roteiro de reaproximação previa uma manifestação de Michelle declarando apoio explícito à candidatura do senador ao Palácio do Planalto, mas o movimento foi abortado com a divulgação dos áudios em que Flávio cobra de Vorcaro dinheiro para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Depois disso, ele acabou reconhecendo ter recebido R$ 61 milhões por um fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.


Na terça-feira (19), a ex-primeira-dama foi questionada pela imprensa sobre as suspeitas em torno de Flávio no caso Master, ao comparecer ao lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia, vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal. Na ocasião, tentou sair pela tangente.


“[Sobre] Flávio, você tem que perguntar para ele”, respondeu, sorrindo. “Estou cuidando do meu marido e, quando consigo conciliar a agenda, eu participo de eventos como esse.”


Considerando o que a ex-primeira-dama tem dito nos bastidores sobre o episódio, foi uma reação branda. A aliados, ela tem demonstrado bastante irritação e afirmado que nem ela nem o ex-presidente sabiam do envolvimento de Flávio com Daniel Vorcaro.


“Flávio virou um candidato tóxico, radioativo”, disse um interlocutor de Michelle ouvido pelo blog em caráter reservado.


A relação de Michelle com os filhos de Bolsonaro sempre foi marcada por tensão, rancor e desconfiança mútua. Segundo uma influente liderança evangélica, Michelle tem mágoa até hoje por não ter sido escolhida vice numa eventual chapa presidencial encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que acabou decidindo disputar a reeleição — o que ela frequentemente nega até para os mais próximos.


Depois do abalo na campanha de Flávio com o caso Master, lideranças do Centrão passaram a ventilar nos bastidores uma dobradinha da senadora Tereza Cristina (PP-MS), com a ex-primeira dama na vice, o que serviria para manter o sobrenome “Bolsonaro” na chapa presidencial, ainda que num papel secundário.


A falta de engajamento de Michelle na pré-campanha de Flávio se tornou um foco permanente de discussão no entorno bolsonarista, que precisa da presença da ex-primeira-dama para reduzir a rejeição do senador no eleitorado feminino.


A mais recente pesquisa Quaest/Genial, divulgada em 13 de maio, mostra o senador do Rio com 36% das intenções de voto no eleitorado feminino, ante 45% de Lula. Entre os homens, a situação se inverte: Flávio tem 47%, contra 39% do petista.


Mas Michelle não parece muito disposta a entrar em campo por Flávio – nem sair em sua defesa.



https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/escandalo-do-master-trava-pacificacao-entre-michelle-e-flavio-bolsonaro.ghtml

News XPRESS

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XP Política & Macro Strategy



Brasil

 

O governo apresenta nesta sexta-feira o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre de 2026 – a coletiva de imprensa para detalhamento dos números está prevista para começar às 15h. Ontem o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo ampliará o bloqueio de gastos para respeitar o ‌limite de despesas deste ano – atualmente, R$ 1,6 bilhão em recursos estão congelados no Orçamento. Durigan não antecipou o montante a ser bloqueado, se limitando a dizer que o governo irá “cortar na carne" (https://tinyurl.com/ynv7vbsh). Já o Estadão reporta que o Ministério da Previdência registrou um aumento de R$ 11 bilhões nas despesas previdenciárias no último bimestre. A alta, segundo a nota, se deve aos benefícios concedidos e à redução da fila do INSS (https://tinyurl.com/ynzwupxk). Pelo lado das receitas, Durigan disse que não deve haver contingenciamento, já que arrecadação está “vindo em linha com o esperado” (https://tinyurl.com/ytbj3rwr). Em abril, a arrecadação federal somou R$ 278,8 bilhões, um aumento de 20,8% em relação a 2025. O resultado somado dos primeiros quatro meses do ano também é o melhor da história, alcançando R$ 735 bilhões (https://tinyurl.com/yrmfcjqr). 

 

Passando para a seara eleitoral, a Folha afirma que nova pesquisa Datafolha será divulgada nesta sexta-feira, a primeira realizada integralmente após as conversas reveladas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro (https://tinyurl.com/yovpsxdr) – os últimos levantamentos do instituto foram apresentados apenas no sábado, apesar de terem divulgação autorizada um dia antes. Na sondagem da semana passada, Lula e Flávio apareciam empatados com 45% das intenções de voto em cenário de segundo turno (app: https://bit.ly/3ReUixK | desktop: https://tinyurl.com/4fpp5rjx). 

 

O jornal O Globo registra que integrantes das campanhas dos dois pré-candidatos avaliam que a rejeição da delação de Vorcaro pela Polícia Federal reduz os impactos do caso Master na corrida eleitoral, embora acreditem que o escândalo continuará fazendo barulho. A expectativa de ambos os lados é que a PGR também rejeite o acordo com o ex-banqueiro, o que estaria sendo visto por aliados de Flávio como uma oportunidade de "virar a página" (https://tinyurl.com/yva823q4). 

 

Também com o intuito de recuperar a iniciativa política após o recente desgaste, os jornais destacam que o filho de Jair Bolsonaro deve viajar aos Estados Unidos na próxima semana, na tentativa de viabilizar um encontro com o presidente Donald Trump – agenda que estaria sendo articulada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, com participação de Eduardo Bolsonaro (https://tinyurl.com/ylmcplxf). De acordo com as informações, aliados do senador acreditam que ele poderá ser recebido pelo mandatário americano na terça-feira (https://tinyurl.com/ymr32lav). A Casa Branca, contudo, ainda não confirmou o encontro (https://tinyurl.com/ypbz9yvl). O Metrópoles acrescenta que Flávio pretende conversar com Trump a respeito dos decretos editados por Lula que fixaram novas regras para as big techs no Brasil. A avaliação é que o tema tem potencial para mexer com a relação entre os dois presidentes, que se reuníram em Washington no começo do mês (https://tinyurl.com/ynwkr6pf). 

 

Antes disso, Flávio deve ir ao Rio de Janeiro neste final de semana para participar da Marcha para Jesus, evento que reúne milhares de fiéis e lideranças evangélicas – no momento em que aliados passam a enxergar o segmento religioso como uma das principais frentes para a contenção de danos do pré-candidato (https://tinyurl.com/yuuxoc7d). Integrantes da cúpula do PL também estariam tratando como prioridade garantir palanques estaduais competitivos, com o objetivo de eleger grandes bancadas na Câmara e no Senado (https://tinyurl.com/ynlu4utb), enquanto bolsonaristas já estariam expressando preocupação com os impactos que a imagem de Flávio poderia provocar sobre a força institucional do partido nas eleições deste ano (https://tinyurl.com/yka6q4pp). 

 

Os recentes episódios também interromperam, segundo o jornal O Globo, o ensaio de pacificação na relação entre o filho do ex-presidente e Michelle Bolsonaro (https://tinyurl.com/yndpbpf4). Ainda assim, o Valor sustenta que fontes bem informadas da cúpula do PL descartam qualquer chance de a ex-primeira-dama substituir Flávio na corrida presidencial. A leitura destes interlocutores é que “Bolsonaro não confia em Michelle” (https://tinyurl.com/ynoequcj). 

 

Monitor de pesquisas: Pesquisa Datafolha deve ser divulgada hoje (https://tinyurl.com/yovpsxdr). Na próxima segunda pode ser apresentado novo levantamento do instituto Nexus.

 

Agenda BCB: Nilton David e Paulo Picchetti participam de reuniões trimestrais com economistas às 9h30 e às 11h. 

 

Agendas de Lula e Durigan: Lula participa de reunião de coordenação sobre a Aliança Global Contra a Fome, às 10h, ao lado de Durigan e outros ministros. Mais tarde, às 16h, concede entrevista ao programa Sem Censura. 

 

Agenda local de dados: Sem dados relevantes hoje.

 

Internacional

 

O noticiário dessa sexta-feira começa sem maiores novidades sobre o conflito no Oriente Médio. 

 

Agenda internacional de dados: No Japão, tanto o headline quando o núcleo do CPI subiram 1,4% a/a em abril, frente à expectativa de alta de 1,6% do headline e 1,7% do núcleo. Na Alemanha, a leitura final do PIB do primeiro trimestre apontou alta de 0,3% t/t e 0,5% a/a, em linha com a prévia. O IFO subiu 0,5 ponto para 84,9 em maio, enquanto o mercado esperava que ele caísse para 84,2. No Reino Unido, as vendas no varejo ficaram estáveis a/a em abril, frente a expectativa de alta de 1,3% a/a. Nos EUA, às 11h teremos os dados finais de maio da confiança do consumidor da Universidade de Michigan.

 

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Bons negócios!

 

XP Política & Macro Strategy

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Gustavo Gomes Maia

 Mandei este conto para uma revista, mas ele foi recusado. Que pena. Resolvi, então, publicar a peça neste espaço, onde o editor (guardados certos limites), sou eu. Minha esperança é que, pelo menos, Helga Hoffmann, Mozart Foschetti Silva e Carmen Lícia Palazzo o leiam.


OS CURDOS SÃO SURDOS?

Gustavo Maia Gomes


Com Antônio Ferreira, depois que ele parou de vagar pelo mundo com Raimundo, tudo andou mal, como os trens da Central e os rios de Blumenau. Mas, isso passou e a castanha assou. Ele tornou-se um adulto culto, que detesta tumulto e não engole insulto, um militar militante e vigilante do Forte da Morte, localizado no ponto mais alto do Monte Alto, entre a entrada da estrada e a saída de Aída.


Nessa nova vida sem fatia parida, o sonho de Tonho era levar o almirante ao mirante. Por um fio, ele venceu o desafio. Para comemorar, ao fim e ao cabo, segurou pelo cabo o fuzil do cabo que servia no Cabo. Não no Cabo Frio, que lhe causava arrepio, nem no Cabo das Tormentas Violentas. No Cabo de Santo Agostinho, o irmão do Julhinho e do Setembrinho.


Pelo bom serviço prestado e com dinheiro emprestado, a Deus temente, Antônio virou tenente. Tomou-se de uma fé dentina, tridentina, sem se alertar de que fé demais fede mais.


– “Os curdos são surdos?”, perguntou-lhe o coronel Joel, dono do quartel.

– “Não, não são surdos nem absurdos, os curdos”, disse o tenente temente.


Isso que ele disse não é doidice nem tolice, pois Tonho teve muitos amores e vários rumores, mas as suas namoradas curdas não eram surdas.


A primeira foi Lia, a que não lia porque não sabia. (A tia de Lia, Maria, sofria de azia e era mãe de Sofia.) Houve também a Bina. “Minha cara Bina”, ele escrevia na latrina ou na cantina tomando penicilina. A namorada seguinte, Graças, só lhe trouxe desgraças. Numa reunião da igreja, Antônio não a despiu, a despediu. Enquanto os fiéis diziam “graças a Deus”, ele disse: “Graças, adeus”.


Depois disso, o militar militante virou amante de Nancy Cidade, urbanista famosa, com uma sobrinha de nome Dora, por quem ele enlouqueceu na hora. A tia entrou em pânico britânico, tirânico. Deixou de trabalhar, virou indigente, como tanta gente. Desde então, Nancy Cidade passa necessidade. Tonho, por sua vez, detesta a Dora, mas adora a prima da Dora, que se chama Glostora.


Ele pensava nisso quando acordou atordoado. Ou, melhor, foi acordado.

– “Tira a bota e bota a tira”, ordenou-lhe o coronel Joel Pimentel.

Estava disforme o uniforme do tenente. Repelente, de fato. Ele obedeceu no ato. O outro não atenuou, continuou:

– Trate sem descaso deste caso de sumiço hortaliço.

– “O que houve com a couve?”, quis saber Tonho, risonho.

– “Houve o que se ouve: mataram o arquivo morto”, disse Joel, o coronel.


Disso, Antônio sabia, mas não sabia que o outro sabia que ele sabia, mesmo porque não era sábio que o soubesse. Perguntou:

– Quais são as suas impressões digitais sobre assuntos tais?

O coronel tapeou-o, estapeou-o, imobilizou-o e reverteu a ordem:

– Tira a tira e bota a bota.


Tonho obedeceu, não esmoreceu. Depois de um mês, chegou a vez de ele dizer o que havia feito pra consertar o malfeito:

– Pelo seu jeito suspeito, o perigoso criminoso é o vigário Sicário.

– “É o cúmulo!”, disse o coveiro, sentado no túmulo.

Ele curava padecimentos com pás de cimento.


Também discordou, sentada lá atrás, a atriz Stella Artoás, que tinha um long neck, no futebol era beque, usava leque e passava o cheque:

– “Foi a Vanja quem tomou a canja”, ela afirmou.

Stella tem hepatite de sobra e apetite de cobra.


Enquanto isso, no quartel do coronel Joel, estava tudo ao léu. O capitão Tinhorão exibia como butim do crime um pudim de creme. O gramático, dramático, ameaçava tomar medidas drásticas e providências gástricas. O varredor vereador disse que o deficiente da fala havia mentido em desmentido.

– “Eu mudo, eu mudo”, defendeu-se o mudo – e foi tudo.


Nesse momento, Tonho soube que sua namorada Bartira partira. “Cafetina”, esbravejou Cristina, que sofria da retina e era amiga de Corina. Ela aconselhou, com seu jeito morno, ao provável corno:

– Procure com Vicente uma explicação convincente.

Vicente era um vidente que nada via, nem sabia.


E assim o caso chegou ao fim. Esquecido e escondido, um dia, Tonho, tristonho, refletia em frente ao espelho, coçando o joelho e roçando os coelhos:

– Como meu talento tá lento, prefiro morar mal na zona rural.


Desde então, ele acha comoventes os semoventes; sonoras como violas as graviolas; poética, se não ética, a pata puta a quem imputa a disputa entre os irmãos Cravinhos e os bebedores de vinhos.


Dias depois, outro crime aconteceu pelos lados do quartel do Joel Pimentel, perturbando o descanso do ganso e os sonhos de Tonho: jogado do nono andar, sem saber voar, João Nascimento virou João no cimento.


O coronel que mandava no quartel deu ordem ao tenente Antônio para prender os radicais livres. Era ilegal, pegaria mal, mas, com efeito, teria de ser feito.

– “A Casa Branca me deu carta branca”, justificou-se Joel.

Disse mais: uma sujeita suspeita fora vista na Bela Vista comendo marmelada e saindo do mar melada.


Antônio declinou em latim, mas sem latir. Ao quartel não quer voltar, nem ser de novo militar. Gostou de deixar o asfalto e ir morar no planalto. É feliz com o seu concriz. Só lhe faz falta uma xícara na chácara.


Ele agora namora a Tina, a argentina. Seus amigos a acham feia e confusa, obtusa. Ou uma coisa pior, que rima com Tina. Nem vou dizer o quê, nem por quê. Tonho discorda. Da feiura, não, mas lhe enaltece a inteligência, cultivada com paciência. Não sei se é sincero, nem saber quero.


Disto eu sei: toda vez que Tina fala, com as mãos juntas, Tonho pergunta:

– Qué que tu cré, Tina?

Jairo José da Silva

 Na chamada síndrome de Estocolmo, o prisioneiro desenvolve uma ligação emocional com seu algoz, ele passa a ama-lo. Nós, brasileiros, temos...