sexta-feira, 29 de maio de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: PIB no Brasil e esperança de acordo na guerra*


… O mercado inicia a sexta-feira tentando sustentar a expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã, após relatos de um memorando provisório para estender por 60 dias o cessar-fogo e permitir a reabertura “sem restrições” do Estreito de Ormuz. O avanço diplomático, contudo, continua cercado de incertezas, já que Trump ainda não endossou os termos e novos ataques voltaram a ser registrados na região ao longo da noite. Em paralelo, investidores acompanham uma agenda importante no Brasil, com PIB do primeiro trimestre e resultado fiscal do setor público. No exterior, o dia é mais fraco. Em Wall Street, a Dell disparou no after hours e reforçou o entusiasmo com inteligência artificial.


ESPERANDO O ACORDO – O mercado oscila entre esperança e cautela, diante das negociações para um possível memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, enquanto novos ataques na região reforçaram a percepção de que o cessar-fogo ainda é incerto.


… No final do dia, relatos de novos confrontos no Estreito de Ormuz voltaram a adicionar tensão.


… A mídia iraniana informou que forças do país lançaram mísseis a partir do sul do território persa, enquanto os Estados Unidos afirmaram ter abatido drones iranianos próximos ao Estreito. A TV iraniana ainda afirmou que uma aeronave americana teria sido abatida perto de Bushehr.


… Nesta quinta-feira, injetou otimismo a notícia da Axios, segundo a qual, americanos e iranianos chegaram a um acordo preliminar para renovar por 60 dias o cessar-fogo, iniciar negociações sobre o programa nuclear de Teerã e permitir a reabertura “irrestrita” de Ormuz.


… O texto, contudo, ainda dependeria do aval de Donald Trump e também do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei.


… Apesar do avanço diplomático parcial, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reforçou que qualquer acordo dependerá da reabertura plena de Ormuz, da entrega do urânio enriquecido pelo Irã e do encerramento do programa nuclear iraniano.


… O mercado também segue atento à normalização da navegação na região.


… A Guarda Revolucionária informou que navios continuam precisando de autorização para transitar pelo Estreito, enquanto Washington acusa Teerã de tentar “monetizar” a crise ao impor cobranças e restrições para passagem de embarcações.


… Mesmo com rumores de acordo, o petróleo encerrou o dia em leve alta, refletindo a percepção de que uma eventual reabertura de Ormuz não elimina automaticamente o prêmio geopolítico acumulado desde o início da guerra. O Brent avançou 0,49%, a US$ 92,70 o barril.


AFTER HOURS – Em outra notícia de ontem à noite, a Dell disparou mais de 39% no pós-mercado em Nova York após divulgar resultados muito acima das expectativas e reforçar a percepção de que a demanda ligada à inteligência artificial segue extremamente aquecida.


… A fabricante de servidores e computadores reportou lucro ajustado de US$ 4,86 por ação no primeiro trimestre fiscal, sobre uma receita de US$ 43,8 bilhões, superando com folga as projeções de analistas, que esperavam lucro de US$ 2,96/ação e receita de US$ 35,7 bilhões.


… A receita da divisão de servidores otimizados para IA saltou 757% na comparação anual, para US$ 16,1 bilhões, reforçando a leitura de que a corrida por infraestrutura ligada à inteligência artificial continua impulsionando o setor de tecnologia.


… A empresa ainda elevou suas projeções para o ano fiscal de 2027 e afirmou esperar receita de US$ 60 bilhões com servidores de IA, em sinal de que o ciclo de investimentos no segmento segue longe de desacelerar.


… Antes do balanço, a Dell já avançava após o anúncio de um novo contrato multibilionário com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos.


SOBROU TEMPO – Em meio às negociações sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã, o governo Trump achou espaço para mexer no tabuleiro político brasileiro e anunciou que irá classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas a partir de 5 de junho.


… A decisão, também no início da noite, pegou o Planalto de surpresa e abre nova frente de tensão diplomática entre Brasília e Washington.


… O governo Lula vinha atuando nos bastidores para evitar a medida e defender ampliação da cooperação policial e de inteligência entre os dois países no combate ao crime organizado transnacional, sem enquadramento formal das facções como grupos terroristas.


… A principal preocupação do Planalto agora é calibrar a reação à investida do presidente Trump sem passar a imagem de que está defendendo criminosos, justamente no momento em que Lula tenta endurecer o discurso na área de segurança pública.


… Integrantes do governo avaliam que a classificação pode gerar consequências jurídicas e diplomáticas imprevisíveis, além de abrir espaço para questionamentos sobre soberania nacional e eventual ampliação da atuação americana em temas de segurança no Brasil.


… Celso Amorim, primeiro a comentar, afirmou que a “cooperação internacional é bem-vinda, mas pretexto para intervenção é inaceitável”.


… O anúncio ocorreu dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com Donald Trump, J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio nos Estados Unidos justamente reforçando a narrativa de interferência externa para combater a criminalidade brasileira.


… Flávio não demorou a festejar a decisão e correu às redes para agradecer Trump: “Grande dia.”


CURTAS DA POLÍTICA – A sexta-feira traz novas pesquisas eleitorais no radar. O PoderData e o Instituto Veritá divulgam levantamentos hoje, enquanto a Vox Brasil publica pesquisa nacional no domingo e um levantamento específico para São Paulo no sábado.


… Nesta quinta, pesquisa Meio/Ideia mostrou Lula com 46,5% das intenções de voto contra 41,4% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno presidencial, ampliando a vantagem do petista após o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o senador.


REUNIÃO DO GABINETE. O presidente Lula convocou uma reunião ministerial para a próxima quarta-feira, em meio à avaliação do governo de que o cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar tração mais cedo do que o esperado.


6X1. O Senado já começou a discutir os próximos passos da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas, enquanto governo e oposição tentam transformar o tema em plataforma eleitoral para 2026.


… Entre os nomes cotados para relatar a proposta estão Rodrigo Pacheco, Omar Aziz, Camilo Santana e Efraim Filho, em escolha vista como estratégica por poder sinalizar aproximação do governo com o centro ou tentativa de diálogo com a oposição.


… Davi Alcolumbre também despachou para a CCJ a PEC alternativa defendida pelo PL e coordenada por Rogério Marinho que propõe um modelo de jornada flexível com prevalência de acordos individuais e pagamento por hora trabalhada.


… A oposição tenta transformar a proposta em contraponto à PEC aprovada pela Câmara, enquanto pré-candidatos como Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema passaram a defender publicamente modelos alternativos à redução fixa da jornada semanal.


BRB. O acordo para socorrer o Banco de Brasília ganhou nova dimensão política e fiscal após a confirmação de que Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander devem participar da estrutura de resgate articulada com o Fundo Garantidor de Créditos.


… O pacote prevê empréstimo de cerca de R$ 6,5 bilhões ao governo do DF após o rombo com a compra de créditos ligados ao Banco Master.


… O acordo homologado pelo STF permite que o DF utilize receitas futuras e flexibilize limites de endividamento para bancar a operação, em movimento que críticos classificam como transferência do risco de insolvência do BRB para as contas públicas do Distrito Federal.


MAIS AGENDA – A sexta-feira concentra uma agenda importante no Brasil e mais esvaziada no exterior, em sessão que deve continuar sensível às manchetes sobre o Oriente Médio e às apostas para juros globais na véspera do fim de semana.


… Aqui, às 8h30, o Banco Central divulga o resultado primário do setor público consolidado de abril. A mediana das projeções Broadcast aponta superávit de R$ 23,2 bilhões, após déficit de R$ 80,7 bilhões em março.


… Economistas destacam que o resultado deve refletir o forte desempenho das receitas do Governo Central, impulsionadas pela arrecadação ligada à atividade doméstica, contribuições previdenciárias e receitas associadas ao petróleo.


… Apesar da melhora no curto prazo, analistas seguem alertando para a trajetória da dívida pública e para a deterioração estrutural das contas dos governos regionais em meio ao avanço do ciclo eleitoral.


… Já as 9h, o IBGE divulga o PIB do primeiro trimestre, com a mediana das estimativas apontando para crescimento de 1,1% na margem, após alta de apenas 0,1% no quarto trimestre do ano passado.


… O mercado espera uma reaceleração relevante da atividade, sustentada pelo avanço da renda, mercado de trabalho ainda resiliente, crédito mais forte e medidas de estímulo adotadas pelo governo.


… Além da agropecuária, que continua contribuindo positivamente, economistas destacam melhora mais disseminada da economia, incluindo indústria e serviços, em movimento que pode manter o BC cauteloso em relação ao ritmo de cortes da Selic.


… No exterior, o destaque fica para a inflação preliminar da Alemanha e para o PMI de Chicago nos Estados Unidos, às 10h45, enquanto investidores continuam monitorando qualquer sinal sobre os próximos passos do Fed em meio à pressão do petróleo.


LULA E OS COMBUSTÍVEIS – Ainda no radar doméstico, o presidente e Magda Chambriard anunciam investimentos de R$ 72,5 bilhões da Petrobras em Sergipe, incluindo recursos para o projeto Sergipe Águas Profundas e retomada da Fafen-SE.


… O mercado também acompanha os desdobramentos do reajuste da gasolina anunciado pela Petrobras, que elevou o preço nas refinarias em R$ 0,48 por litro a partir de hoje, mas com impacto reduzido para distribuidoras e consumidores após a subvenção do governo.


… O reajuste é menos da metade da defasagem dos preços da Petrobras em relação ao mercado internacional, que estava em 55% até quarta, 27, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).


DEMOROU, MAS CHEGOU – Diferente da inflação, que ainda está demorando para sentir o impacto da Selic contracionista, os dados do emprego deram ontem sinais mais convincentes de que estão respondendo ao juro alto.


… O Caged de abril mostrou a criação de 85,9 mil empregos, abaixo da piso das estimativas do Projeções Broadcast, de 130 mil vagas, e bem inferior à mediana de 211 mil, indicando desaceleração importante do mercado de trabalho.


… Foi a menor abertura de postos para o mês em quase uma década, desde 2017, sinalizando possível movimento inicial de desaquecimento na geração de empregos. O mercado ainda vai precisar de um tira-teima sobre o dado.


… Economistas disseram ao Valor que a validação da perda de fôlego do quadro da mão de obra ainda terá de ser confirmada a partir da análise dos próximos dados para atestar se o cenário reflete uma tendência estrutural.


… Mesmo porque o emprego veio forte nos três primeiros meses do ano. Ou seja, o investidor precisa ter maior segurança se o resultado mais fraco de abril é isolado ou se marca o começo de uma desaceleração sustentada.


… Seja como for, o Caged em um patamar mais bem controlado reduz o desconforto do BC e “fica mais agradável falar em algum grau de confiança na desaceleração da atividade”, avalia o economista do Santander Henrique Danyi.


… O fato de o setor de serviços ter apresentado uma perda de impulso muito forte na geração de postos de trabalho desperta a esperança de que, em algum momento, isso se reflita em menor pressão inflacionária no segmento.


… O BC não esconde que a inflação no setor de serviços se mantém como ponto de atenção e cautela.


… Em evento do Pine, ontem, o diretor do BC Nilton David disse que a guerra “come a gordura” da Selic para lidar com choques, mas que o BC não permitirá que as altas expectativas de inflação se traduzam em inflação real.


… Segundo ele, os impactos de oferta decorrentes da ofensiva militar no Irã devem afetar apenas os horizontes de projeção mais curtos. “Tudo ainda pode ser feito em relação à inflação em 2028, que saltou aos olhos no Focus.”


… Quanto ao reajuste da gasolina anunciado ontem pela Petrobras, cálculos no mercado indicam que o reflexo deve ser desprezível, de só 2 pontos-base no IPCA de junho, segundo a Warren, porque será atenuado pela subvenção.  


… Os juros futuros chegaram a bater mínimas na tarde de ontem, coincidindo com os sinais mais claros de perda de dinamismo do Caged em abril. Mas os comentários duros de Nilton David ajudaram a zerar as quedas na curva.


… Também um leilão pesado de títulos prefixados de Tesouro influenciou para as taxas terminarem em alta.


… No fechamento, o DI com vencimento em janeiro de 2027 marcava 14,100% (de 14,057% no ajuste anterior); Jan/28, 13,905% (13,848%); Jan/29, 13,885% (13,818%); Jan/31, 13,960% (13,909%); e Jan/33, 14,050% (14,002%).


DO CONTRA – A rigor, os juros futuros teriam caído, se dependesse só queda do dólar e das taxas dos Treasuries.


… O real recuperou terreno, de carona na alta modesta de 0,49% do petróleo Brent para agosto, a US$ 92,70, que não botou muita firmeza no fim próximo da guerra, com os desmentidos de que já haveria um consenso.


… Apesar de o dólar ter registrado ontem um alívio de 0,57% e devolvido boa parte da alta acumulada na semana, seguiu acima de R$ 5, a R$ 5,0318. Hoje, no último pregão do mês, o câmbio será influenciado pela definição da ptax.


… Lá fora, a surpresa com o PCE mais leve que o esperado animou. O índice de inflação olhado mais de perto pelo Fed subiu 0,4% em abril, abaixo da previsão de 0,5%. Na base anualizada, veio em linha com o esperado (3,8%).


… Mas ainda continua rodando bem acima da meta de 2%. O mercado não descarta o risco de alta do juro em dezembro ou janeiro, segundo a ferramenta de apostas do CME, e os Fed boys não desqualificam esta hipótese.


… A possibilidade de um aperto monetário “é maior do que zero”, disse Alberto Musalem. “Se não observarmos desinflação nos próximos seis meses, isso me preocuparia e pode ser necessário subir as taxas de juros”, avisou.


… Já John Williams disse que o Fed ainda está bem posicionado para avaliar os efeitos da ofensiva militar, antes de precisar tomar uma decisão. “A política monetária está onde queremos que esteja”, avaliou em conferência.


… Além de o PCE não ter assustado, a segunda leitura do PIB dos Estados Unidos também aliviou. O indicador apontou crescimento de 1,6% no primeiro trimestre, em base anualizada, abaixo da estimativa de alta de 2%.


… O dólar enfraqueceu globalmente, com o índice DXY em queda de 0,19%, a 99,020 pontos. O euro subiu 0,18%, a US$ 1,1647. O suporte veio do tom conservador assumido pela ata do BCE, que reconheceu a chance de alta no juro.


… Segundo o documento, vários membros não teriam se oposto a um aumento, já que ficou evidente que o choque da energia não só foi grande, como mais persistente, com risco de se propagar à dinâmica inflacionária em geral.


… “É cada vez mais improvável que uma abordagem de acompanhamento sem qualquer ação de política monetária seja apropriada; até junho, mais informações sobre o impacto do choque energético estarão disponíveis”, disse a ata.


… Em evento, o economista-chefe do BCE, Philip Lane, endossou a abordagem hawkish e alertou que, mesmo que haja uma solução rápida para a guerra, “os efeitos da segunda onda permanecerão conosco por algum tempo”.


… A libra esterlina registrou leve alta de 0,10%, a US$ 1,3441, e o iene subiu para 159,23 por dólar.


ABAFA O CASO – Além de acalmar o câmbio, o PCE comportado derrubou os juros dos Treasuries e sustentou as bolsas em Nova York. O dado não encerra o debate de aperto do Fed. Mas só de não piorar o ambiente, já foi bom.


… O rendimento da Note de 2 anos caiu a 4,022% (contra 4,034% na véspera), o de 10 anos, a 4,451% (de 4,480%), e o do T-Bond de 30 anos voltou a ser negociado abaixo de 5%, em 4,980%, contra 5,010% no ajuste anterior.


… Em Wall Street, teve ainda o otimismo com as gigantes de tecnologia, em meio ao boom da inteligência artificial, para garantir mais uma rodada de recordes históricos para os três principais índices de ações americanos.


… O Nasdaq avançou 0,91%, aos 26.917,47 pontos, o S&P 500 registou ganho de 0,58%, para 7.563,63 pontos, e o índice Dow Jones encerrou perto da estabilidade, em alta marginal de 0,05%, aos 50.668,97 pontos.


… Nem a performance positiva de Nova York e tampouco o alívio do Caged conseguiram embalar o Ibovespa, que fechou em baixa moderada de 0,39%, aos 175.063,41 pontos, com volume financeiro de R$ 20,7 bilhões.


… Petrobras caiu apesar do anúncio do reajuste da gasolina, talvez porque o aumento já estivesse precificado desde que o governo editou a MP que subsidia o combustível. O papel ON caiu 1,16%, a R$ 47,54, e PN, -0,72%, a R$ 42,51.


… Os bancos também recuaram. BB (-2,18%) e BTG unit (-1,25%) terminaram nas mínimas de R$ 20,61 e R$ 54,30, respectivamente. Santander unit caiu 0,91% (R$ 27,22); Itaú, -0,79% (R$ 40,00); e Bradesco PN, -0,56% (R$ 17,90).


… A ação da Vale avançou 0,61% (R$ 83,96), apesar do minério de ferro praticamente estável (-0,06%). Copasa ficou no topo do Ibovespa, com +4,32% (R$ 52,94), após divulgar novo prospecto de oferta de ações para a privatização.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Conselho do ITAÚ aprovou a distribuição de R$ 3,99 bilhões em JCP, equivalentes a R$ 0,36188 bruto por ação. Os papéis ficam ex em 19/6 e o pagamento ocorrerá até 31/8.


SANTANDER. O banco submeterá à AGE de 30 de junho a incorporação da Esfera Fidelidade, com transferência integral do patrimônio da subsidiária.


PETROBRAS. O Carf cancelou autuação fiscal de R$ 1,08 bilhão contra a companhia relacionada à cobrança de PIS/Cofins sobre contratos de transporte de gás.


BRAVA. Debenturistas da 4ª emissão aprovaram consentimento prévio para eventual aquisição de controle pela Ecopetrol, no âmbito da OPA. Se a oferta for bem-sucedida, a estatal colombiana passará a deter 51% do capital.


RUMO. A companhia inaugura em 19 de junho o novo terminal da BR-070 e o primeiro trecho da Ferrovia do Mato Grosso. O projeto tem capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.


SIMPAR. A companhia pagará R$ 100 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,17130 por ação, em 15 de junho.


SMARTFIT. Conselho aprovou distribuição de R$ 40 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,06516 por ação. As ações ficam ex em 05/06.


OI. A companhia adiou a divulgação do formulário de referência de 2025 em razão dos atrasos na publicação das demonstrações financeiras e ITRs.


FERBASA. A companhia renovou programa de recompra de até 3,2 milhões de ações preferenciais até maio de 2027.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

6x1: por https://www.linkedin.com/in/jronaldosouza/?locale=pt&lipi=urn%3Ali%3Apage%3Ad_flagship3_profile_view_base%3BwXsNiGwrR1uuch19LBkXFg%3D%3D

 



Acompanho a tramitação da PEC que reduz a jornada para 40 horas e proíbe a escala 6x1. O problema dessa proposta não está no objetivo. Trabalhar menos é uma aspiração razoável. Está na forma escolhida para chegar lá: atalho constitucional, transição quase simbólica e desconsideração da heterogeneidade da economia brasileira.


A jornada média efetivamente praticada no Brasil já é de cerca de 38 horas semanais, e chegamos aí pela negociação coletiva, setor a setor. A maior parte dos acordos coletivos cuida de jornada sem maiores ruídos. Setores têm naturezas distintas: turnos contínuos, sazonalidade, intensidade de mão de obra, margens. Aplicar a mesma régua a toda a economia ignora o que vinha funcionando.

Vale a comparação internacional. Mesmo a França, com regras trabalhistas das mais rígidas do mundo, não proíbe a 6x1: a jornada padrão é de 35 horas, mas trabalhar até seis dias por semana segue permitido, garantido o descanso semanal mínimo. Se nem o sistema mais rígido vetou, fazê-lo aqui por canetada constitucional é difícil de defender.

Há ainda um agravante regional: o ônus vai recair justamente nas regiões mais dinâmicas, onde o mercado de trabalho está mais apertado. Quem vai cobrir as horas descobertas no cinturão agroindustrial do Centro-Oeste, no interior catarinense ou no Noroeste paulista? A conta é simples: custos sobem, parte vira preço, parte vira informalidade, parte vira fechamento de vaga. As pequenas empresas, sem folga de margem, sofrem mais. E os trabalhadores que se quer proteger acabam expostos ao oposto. Tiro pela culatra.

Outro ponto: não se ganha produtividade por restrição determinada por lei. Onde a redução de jornada deu certo, ela veio depois dos ganhos de produtividade, não antes. Inverter essa ordem num país que há mais de uma década roda com produtividade estagnada é apostar contra a aritmética.

O que mais me preocupa é o padrão. Decisões com impacto sistêmico sobre a economia estão sendo tomadas sem a devida atenção a seus efeitos completos. A evidência já está à mesa: para amortecer o choque, negocia-se em paralelo a ampliação do MEI, com teto de faturamento maior e autorização para contratar até dois empregados. Pela conta da própria Fazenda, são cerca de R$ 50 bilhões por ano em arrecadação e mais pressão sobre a Previdência, cuja alíquota de 5% do salário mínimo não cobre os benefícios futuros. Cria-se um problema fiscal e atuarial para consertar outro que não precisava existir.

Trabalhar menos é agenda válida. Para dar certo, precisa ser construída por setor, com prazos realistas e via negociação, como já vinha acontecendo. Atalho constitucional, com prazo simbólico, não é reforma: é populismo. E populismo, na economia, raramente paga a própria conta. Quem paga, no fim, costuma ser quem se queria proteger.

Falei mais sobre isso em entrevistas ao Estadão (Eduardo Laguna) ao Valor Econômico (Marcelo Osakabe) desta semana.

Minerva fechando capital

 https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2026/05/com-acoes-em-queda-minerva-foods-volta-a-avaliar-fechar-capital-na-bolsa.ghtml


*Com ações em queda, Minerva Foods volta a avaliar fechar capital na Bolsa*


Capital - Por Rennan Setti


Com as ações acumulando queda de quase 28% no ano, a Minerva Foods voltou a avaliar internamente o fechamento de seu capital na Bolsa, apurou a coluna junto a fontes a par das conversas. Segundo avaliações preliminares, eventual oferta movimentaria cifra bilionária para ser inteiramente bem-sucedida, com o capital do frigorífico passando a ficar até 100% nas mãos dos atuais controladores — a família Vilela de Queiroz e a gestora saudita Salic.


Não está claro se as intenções já foram apresentadas ao conselho da Minerva ou se alguma medida concreta para colocá-las de pé já foi tomada. Procurada pela coluna na tarde de quarta-feira, a Minerva não respondeu aos pedidos de comentários até o momento.


O desenho da operação que vem sendo discutida preliminarmente prevê que os Vilela de Queiroz fiquem com mais de 54% da companhia, enquanto a Salic teria o restante do capital. Hoje, as duas possuem, juntas, mais de 53% da Minerva.


*Desafio*


O desafio da transação está no fato de o free float — as ações que circulam nas mãos de investidores da Bolsa — responder por mais de 45% do capital do frigorífico, aumentando o cheque que teria que ser pago pelos controladores para retirar a empresa da Bolsa. Em momento de juros altos, isso pode representar um obstáculo relevante para que o plano seja concretizado.


Um dos objetivos da OPA seria ganhar a adesão de pelo menos 90% dos investidores do free float, percentual que permitiria aos controladores realizar o chamado “squeeze-out” — ou seja, a compra compulsória das ações de minoritários que não concordem com o negócio.


Em uma simulação hipotética que leva em consideração a cotação atual da Minerva e um prêmio de 30% sobre o preço de tela dos papéis, os controladores teriam que desembolsar cerca de R$ 2,3 bilhões para comprar todo o free float. Mas, como a regulação exige quórum mínimo de dois terços para cancelamento de registro, os controladores conseguiriam retirar a Minerva da Bolsa com um cheque da ordem de R$ 1,5 bilhão.


*Razões*


A transação seria financiada por emissão de dívida, que depois seria incorporada pela Minerva. O acordo de acionistas entre Vilela de Queiroz e Salic seguiria valendo após a eventual operação — que, se de fato vier a mercado, levaria de quatro a seis meses para ser concretizada.


Os controladores estariam avaliando fechar o capital da Minerva porque acreditam que a companhia está excessivamente descontada na Bolsa, sendo negociada a múltiplos inferiores aos de seus pares. Eles também entendem que o mercado não está precificando adequadamente as sinergias da aquisição das operações de abate e desossa da Marfrig na América do Sul, transação de R$ 7,5 bilhões concluída há dois anos.


No longo prazo, os acionistas entenderiam que a OPA abriria a porta para a companhia fazer, eventualmente, um re-IPO na Bolsa da Arábia Saudita, com o objetivo de acessar investidores internacionais com maior facilidade e, consequentemente, atingir múltiplos maiores. (Enquanto a Minerva cai quase 30% na B3, a JBS, que está listada em Nova York, recuou menos de 7% este ano.)


*De novo*


Não há qualquer garantia, porém, de que o plano será concretizado. Há cinco anos, a Minerva também estava estudando sair da Bolsa, como publicou o Pipeline, site de negócios do Valor Econômico, na ocasião. Mas nada aconteceu.


O plano volta à mesa em momento de pressão para as ações da Minerva. Mesmo com a queda acumulada este ano, o Itaú BBA retirou, nos últimos dias, sua recomendação de “compra” para os papéis do frigorífico. Os analistas atribuíram a decisão a uma virada no ciclo pecuário no Brasil, com gado mais caro e queda nos volumes de abate. Dúvidas sobre a demanda chinesa também pesaram.

 *Bom Dia Mercado*


Quinta Feira,28 de Maio de 2.026.


*Superquinta testa apostas de juros*


… O mercado inicia esta quinta-feira absorvendo a nova escalada militar no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos contra instalações iranianas próximas ao Estreito de Ormuz voltarem a impulsionar o petróleo no after market. A reação reforça a percepção de que investidores continuam extremamente sensíveis às manchetes da guerra, mesmo após a forte queda do Brent na véspera. Em paralelo, a agenda ganha peso decisivo hoje, com uma “superquinta” de indicadores no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo PCE, PIB americano, dois dados de emprego, com Caged e Pnad, resultado fiscal e fala de integrante do BC, em mais um teste para as apostas de juros aqui e lá fora.


VOLATILIDADE – O petróleo voltou a subir na abertura desta quinta-feira, após novos ataques dos Estados Unidos contra instalações militares iranianas próximas ao Estreito de Ormuz reacenderem temores sobre a segurança da principal rota global de petróleo.


… Explosões também foram ouvidas no sul do Irã, perto da região de Bandar Abbas.


… Segundo relatos da Reuters e Fox News, militares americanos teriam destruído embarcações iranianas supostamente envolvidas na instalação de minas em Ormuz e atacado baterias de mísseis próximas ao porto de Bandar Abbas.


… Após as investidas, o Brent voltou para cima de US$ 97 no after market, enquanto os juros dos Treasuries retomaram a alta, em mais um sinal de que o mercado continua extremamente sensível às manchetes envolvendo o conflito.


… O movimento ocorre após a forte queda do petróleo na véspera, quando bastou a divulgação de um suposto rascunho de entendimento pela mídia iraniana para manter o Brent abaixo dos US$ 100 e reacender apostas de cortes de juros pelo Fed.


… A reação, porém, já havia perdido força ao longo do dia, diante de contradições entre Washington e Teerã.


… A Casa Branca desmentiu as informações, enquanto Donald Trump afirmou que “não está satisfeito” com as negociações e voltou a endurecer o discurso, dizendo que não aceitará um “mau acordo” nem aliviará sanções ao Irã em troca do abandono do urânio enriquecido.


… Em paralelo, Israel ampliou ataques contra alvos ligados ao Hezbollah no sul do Líbano, enquanto os investidores continuam tentando entender se existe, de fato, espaço político para um acordo duradouro na região.


SUPERQUINTA – Em meio ao mercado ainda sensível à volatilidade do petróleo e aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, o dia concentra uma bateria de indicadores capazes de recalibrar expectativas para juros no Brasil e nos Estados Unidos.


… No Brasil, o IGP-M de maio abre a agenda, às 8h, com a mediana das projeções Broadcast apontando alta de 0,82%, após avanço de 2,73% em abril, em meio à acomodação parcial do choque recente nos preços industriais provocado pela guerra.


… Às 8h30, o Banco Central divulga a nota de crédito de abril. Às 10h15, o diretor de política monetária da instituição, Nilton David, participa do “Pine Macro Day”, em São Paulo.


… O emprego, forte preocupação do Copom, vem em dose dupla.


… Às 9h, o IBGE divulga a taxa de desemprego do trimestre encerrado em abril. A mediana das estimativas para a Pnad Contínua aponta recuo da desocupação para 5,9%, de 6,1% no trimestre anterior, mantendo a percepção de um mercado de trabalho ainda aquecido.


… Já as 14h30, o Ministério do Trabalho divulga o Caged de abril, cuja publicação foi antecipada e elevou especulações sobre um resultado mais forte. A mediana do mercado aponta criação líquida de 211,1 mil vagas formais, com liderança do setor de serviços.


… Ainda pela manhã, às 10h, o Tesouro divulga o resultado primário do governo central de abril. A mediana das projeções aponta superávit de R$ 24,7 bilhões, impulsionado por arrecadação forte, especialmente em receitas previdenciárias, IOF, PIS/Cofins e receitas ligadas ao petróleo.


… No fim da tarde, às 17h, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista ao Estadão.


MAIS AGENDA – No exterior, as atenções se concentram nos Estados Unidos, onde investidores tentam entender até que ponto o choque recente do petróleo contaminou inflação, atividade e expectativas para a política monetária.


… Às 9h30, saem a segunda leitura do PIB americano do primeiro trimestre, com expectativa de crescimento anualizado de 2%, após alta de 0,5% no trimestre anterior, além do índice de inflação PCE de abril, principal referência do Fed.


… A mediana aponta alta de 0,5% para o PCE na margem, após avanço de 0,7% em março; a taxa anual deve acelerar de 3,5% para 3,9%.


… No mesmo horário, também serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego e os dados de encomendas de bens duráveis.


… No início da tarde, às 13h, o Departamento de Energia divulga os estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, em mais um teste para o mercado da commodity após a forte volatilidade recente ligada às negociações entre Washington e Teerã.


AFTER HOURS – A Salesforce superou as estimativas de lucro e receita no primeiro trimestre, em meio ao avanço das ferramentas de inteligência artificial da companhia. Ainda assim, a ação caiu 1,25% no pós-mercado.


… O lucro ajustado por ação ficou em US$ 3,88, acima da previsão de US$ 3,13, enquanto a receita cresceu 13%, para US$ 11,13 bilhões.


… A companhia afirmou que a Agentforce e a Data 360 já somam quase US$ 3,4 bilhões em receita recorrente anual, reforçando a aposta da empresa em IA como principal vetor de crescimento.


… A Salesforce também elevou levemente a projeção de receita para o ano, em linha com as expectativas.


O ALERTA DO BC – O Banco Central afirmou nesta quarta-feira que o ambiente de juros elevados, o aumento da inadimplência e o maior comprometimento de renda das famílias exige “cautela e diligência adicionais” na concessão de crédito no País.


… Após reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), a autoridade monetária destacou que o cenário atual requer atenção tanto à qualidade dos empréstimos quanto ao apetite ao risco das instituições financeiras.


… O BC também citou o maior endividamento das empresas como fator adicional de preocupação para o sistema financeiro.


… Apesar do alerta, o Comef manteve em 0% o adicional contracíclico de capital e avaliou que o sistema financeiro nacional segue preparado para enfrentar eventual deterioração do crédito.


… Segundo o BC, os bancos continuam operando com níveis adequados de provisão, liquidez e capital, além de manterem exposição considerada baixa a choques externos e volatilidade cambial.


MAIS BC – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pode sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação de duas mulheres para as próximas vagas abertas na diretoria da instituição, segundo apuração da Reuters.


… De acordo com a reportagem, Cecília Machado, economista-chefe do Bocom BBM, é cotada para assumir a diretoria de Política Econômica do BC. Já Marina Copola, atual diretora da CVM, aparece como nome forte para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro.


CASO MASTER – Associações do setor financeiro criticaram a proposta apresentada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) para permitir o uso de recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na cobertura de rombos de regimes de previdência, em reportagem do Valor.


… Em nota, a Febraban afirmou que o projeto incorreria em uma “distorção conceitual”, argumentando que fundos de pensão não captam depósitos, mas recursos de quotistas voltados para investimentos de longo prazo.


… Segundo a entidade, investimentos de fundos de pensão não se enquadram na lógica de proteção da poupança popular nem justificariam cobertura por mecanismos de garantia de depósitos.


… A Febraban também ressaltou que os fundos garantidores têm como objetivo preservar a estabilidade financeira e proteger pequenos poupadores, especialmente famílias de menor renda e menor acesso à informação.


… Em meio às discussões sobre o uso de recursos do FGC, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao Estadão que uma eventual liquidação do BRB geraria um rombo de R$ 17 bilhões ao fundo, valor que teria de ser arcado pelos bancos associados.


… Segundo o ministro, o governo federal propôs que o empréstimo de R$ 5 bilhões a ser contratado pelo Governo do Distrito Federal para capitalizar o BRB tenha garantia de um sindicato de instituições financeiras públicas e privadas.


… Para Durigan, o FGC teria “interesse econômico” em apoiar a operação, já que o custo de uma eventual liquidação do banco seria significativamente maior para o sistema financeiro.


FIM DA ESCALA 6 X 1 – A Câmara aprovou na noite passada a PEC que acaba com a escala 6×1, reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de folga, em uma das votações de maior impacto político e eleitoral deste ano.


 … O placar foi amplo: 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários no primeiro turno e 461 contra 19 no segundo turno.


 … O texto segue para o Senado e não há definição se Alcolumbre colocará em pauta agora ou se vai segurar para depois das eleições.


 … Apenas os partidos Novo e Missão orientaram voto contrário.


 … Maior bancada de oposição, o PL acabou orientando apoio à redução da jornada, depois de tentar constranger o governo defendendo uma proposta ainda mais ampla, com adoção da escala 4×3, em vez do modelo 5×2 negociado entre Hugo Motta, Lula e o relator Leo Prates.


 … O parecer aprovado prevê transição em duas etapas: redução de 44 para 42 horas semanais ainda neste ano, 60 dias após a promulgação, e depois queda para 40 horas ao longo de 12 meses. Sem redução salarial.


 … Nos bastidores, integrantes do Centrão e representantes do setor produtivo seguem alertando para aumento de custos trabalhistas.


CURTAS DA POLÍTICA – A Câmara também aprovou ontem à noite o projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), considerado estratégico pelo agronegócio para reduzir a dependência brasileira de insumos importados.


… Atualmente, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no País vêm do exterior, deixando o setor mais exposto a choques geopolíticos, volatilidade de preços e problemas logísticos.


… O texto aprovado substitui a proposta original baseada em desonerações tributárias por mecanismos de crédito fiscal, financiamento e estímulo à produção doméstica, após as mudanças trazidas pela Reforma Tributária.


COMBUSTÍVEIS. Por outro lado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, adiou mais uma vez a votação do PLP dos combustíveis, que converte arrecadação extraordinária em redução proporcional de tributos federais sobre diesel e gasolina.


… O texto não avançou após a ausência da relatora Marussa Boldrin (Republicanos-GO), levando Motta a retirar a proposta da pauta.


… Ao Valor, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo deve anunciar já na próxima semana uma subvenção ao diesel, diante do atraso na aprovação do projeto. A subvenção pode chegar a R$ 0,35 por litro, dependendo da variação do Brent.


DÍVIDA RURAL. No Senado, Davi Alcolumbre afirmou que ainda tenta construir um entendimento antes de levar ao plenário o projeto de renegociação das dívidas rurais com recursos do Fundo Social do Pré-Sal.


… Pediu uma a duas semanas para novas negociações envolvendo governo, bancada do agro e parlamentares, antes de eventual votação.


CAIADO E ZEMA. Na corrida presidencial, Ronaldo Caiado confirmou que existe o “sentimento” para uma possível aliança com Romeu Zema em 2026, embora ambos tenham decidido adiar definições sobre eventual composição de chapa.


… Segundo interlocutores, os dois avaliam que a centro-direita precisará se unir no segundo turno para enfrentar Lula, especialmente após o desgaste recente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, como resultado de sua ligação com Daniel Vorcaro.


FLÁVIO. Em Washington, voltou à Casa Branca nesta quarta e se reuniu com JD Vance, Marco Rubio e integrantes do Departamento de Estado.


… De acordo com Paulo Figueiredo, as conversas abordaram cooperação entre Brasil e Estados Unidos em caso de eventual vitória do senador em 2026, além da proposta de classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.


PESQUISA. Nesta quinta-feira será divulgado o levantamento Meio/Ideia, que inclui Michelle Bolsonaro, Tereza Cristina e Fernando Haddad.


… Ontem, na pesquisa Indexa, Lula confirmou a liderança, abrindo cinco pontos sobre Flávio Bolsonaro, com 39% a 30% no primeiro turno. Em eventual segundo turno, a diferença diminui, com o placar de 46% para o petista e 41% para o senador do PL.


INFLAÇÃO NÃO TIRA FOLGA – De nada adiantou para os juros futuros o petróleo ter furado os US$ 95. A curva não comprou o alívio, porque nem a queda do barril é confiável e tampouco o quadro doméstico é confortável.


… A inflação continua rodando alta e o mercado ainda tem muitas dúvidas se a atividade econômica e o emprego estão desaquecendo rápido o suficiente para consolidar um ciclo consistente de relaxamento da política monetária.


… O próprio BC fala em “calibração” e não propriamente em um processo sustentado de queda da taxa Selic. Um novo corte de 0,25 ponto do juro está garantido em junho, mas o orçamento total da flexibilização pode ser menor.


… Apesar de o IPCA-15 ter desacelerado de 0,89% em abril para 0,62% em maio, superou o consenso de 0,56%. No acumulado em 12 meses, a prévia da inflação oficial do IBGE atingiu 4,64% e estourou o teto da meta (4,5%).


… A leitura qualitativa do indicador apontou a continuidade da pressão nos núcleos e nos serviços, que se mantêm como um ponto de atenção do BC. Os preços no setor de serviços aceleraram para 0,48%, após 0,03% em abril.


… Ainda serviços subjacentes ganharam fôlego: 0,45% para 0,53%, em linha com o mercado de trabalho resiliente.


… A média dos principais núcleos monitorados pelo BC subiu de 0,47% para 0,49% de um mês para o outro, segundo cálculos da 4intelligence. No acumulado em 12 meses, avançou para 4,42% em maio, contra 4,33% em abril.


… Entre as nove categorias pesquisadas, Transportes foi a única a registrar queda, de 0,33%, com a redução dos preços do etanol, diesel e gasolina. Alimentos e bebidas registraram o maior aumento, de 1,38% em maio.


… Os custos de moradia subiram 1,03%, principalmente devido ao aumento de 2,16% na energia elétrica residencial após o retorno da tarifa amarela. Saúde e cuidados pessoais avançaram 1,05%, com reajuste dos remédios.


… O Inter antecipou ao Broadcast a revisão em alta das projeção para o IPCA deste ano, de 4,9% para 5,1%, e da Selic, de 12,75% para 13,25%. A instituição destacou que persistência da inflação de serviços em nível elevado.


… Segundo o banco, a esperada desaceleração da demanda está sendo ofuscada por maiores gastos fiscais e linhas de crédito subsidiadas pelo governo, o que impede queda mais rápida da inflação, mesmo em meio à Selic restritiva.


… Hoje, se a mão de obra exibir força no Caged, deve acentuar a percepção sobre as pressões inflacionárias, que já levaram os juros futuros a zerarem as quedas ontem, para fecharem com viés de alta, apesar do petróleo em queda.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,065% (de 14,055% no ajuste anterior); Jan/28, 13,865% (contra 13,819% na véspera); Jan/29, 13,830% (13,798%); Jan/31, 13,915% (13,907%); e Jan/33, 14,000% (13,990%).


PERDENDO UM ALIADO? – No último Copom, em maio, o dólar oscilava na menor cotação em mais de dois anos, perto de R$ 4,91. Ontem, encerrou na faixa de R$ 5,06, em uma mudança de patamar que vem sendo monitorada.


… Entra para o debate o questionamento se o câmbio continuará exercendo um efeito desinflacionário, neste momento em que a dinâmica de desvalorização do petróleo tira suporte do real, com as negociações de paz no Irã.


… A moeda americana subiu 0,67%, a R$ 5,0609, em semana de volatilidade redobrada pela briga da ptax.


… O real perdeu terreno junto com o petróleo, que embarcou em uma nova onda de alívio, apesar das versões conflitantes sobre um acordo para encerrar a guerra. O contrato do Brent para julho despencou 5,31%, a US$ 94,29.


… O tombo da commodity, que pesou sobre a Petrobras, e a pressão do IPCA-15 no radar levou o Ibovespa a fechar em queda de 0,48%, aos 175.744,37 pontos, com volume financeiro modesto, de apenas R$ 22,6 bilhões.


… O papel ON da Petrobras registrou desvalorização de 1,62%, cotado a R$ 48,10, e PN perdeu 1,43%, a R$ 42,82. Vale fechou com ganho moderado de 0,46% (R$ 83,45), na contramão da queda de 0,32% do minério de ferro.


… Os bancos tiveram desempenho majoritariamente positivo: Bradesco PN ganhou 0,90% (R$ 18,00); Itaú PN, +0,65% (RT$ 40,32); e Santander unit, +0,55% (R$ 27,47). Já BB fechou em leve queda de 0,19%, mínima de R$ 21,07.


… Copasa entrou em queda livre de 4,71%, a R$ 50,75. O governo de Minas Gerais decidiu rever o processo de privatização, depois de as propostas de investidores ficarem abaixo do preço mínimo fixado para a operação.


… A companhia informou mudanças nas condições da oferta e, antes mesmo da abertura dos negócios na bolsa, adiou a divulgação do nome do investidor de referência, que deveria ter sido conhecido nesta quarta-feira.


… Em Wall Street, os índices de ações tiveram ganhos modestos e renovaram recordes com o petróleo afundando.  


… Com oscilações marginais, o S&P 500 teve leve ganho de 0,02%, aos 7.520,36 pontos, e o Nasdaq avançou 0,07%, para 26.674,73 pontos, ambos nas máximas históricas. O Dow Jones subiu 0,36%, para 50.644,28 pontos.


… O mergulho do petróleo derrubou as taxas dos Treasuries. O juro da Note de 2 anos caiu para 4,034% (de 4,042%), o rendimento da Note de 10 anos recuou para 4,480% (de 4,493%) e o do T-Bond de 30 anos, a 5,010% (de 5,026%).


MAS O PERIGO MORA AO LADO – Participantes do mercado notam que o yield da Note de 2 anos acima do nível dos juros dos Fed funds (entre 3,50% e 3,75%) reforça a sensação de que um aperto ainda pode vir no curto prazo.


… Com a guerra demorando tanto para acabar, Kevin Warsh estreia no comando do BC americano sem tanto espaço para defender sua vocação dovish, enquanto outros dirigentes não têm descartado um maior conservadorismo.


… Lisa Cook disse ontem que prefere manter a política monetária inalterada nos Estados Unidos, mas acredita que a inflação está caminhando na direção errada e afirma estar preparada para elevar os juros caso isso persista.


… Esta semana, Neel Kashkari alertou sobre a possibilidade de “uma série” de altas de juros pelo Fed. Dias atrás, até Christopher Waller, que não costuma se alinhar ao viés hawkish, disse ser “loucura” contar com um corte este ano.


… A chance de juro estável em dezembro voltou ontem a ser a aposta principal do mercado, segundo o CME. Mas esta precificação será testada hoje pelo PCE, que pode assustar se continuar se distanciando da meta de 2%.


… Quanto ao BCE, o presidente do BC de Portugal, Álvaro Santos Pereira, disse ontem que a reunião de política monetária de junho levará em conta efeitos secundários da guerra e que o choque de energia já afeta vários setores.  


… O euro fechou de lado (-0,01%), a US$ 1,1629, a libra caiu 0,12%, a US$ 1,3427, o iene recuou para 159,53 por dólar, nível mais fraco em quase quatro semanas, aproximando-se da faixa que chamou intervenção recente do BoJ.


… O índice DXY oscilou em leve alta de 0,04%, a 99,206 pontos, em compasso de espera pela agenda forte de hoje.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Cade instaurou processo administrativo contra o ITAÚ por suposta criação de barreiras em transações de carteiras digitais…


… O banco afirmou que atua em conformidade com a regulação e que suas políticas seguem critérios técnicos e de gestão de risco.


PETROBRAS. Lula anunciará amanhã, ao lado de Magda Chambriard, investimentos de R$ 72,5 bilhões da companhia em Sergipe, que já constam no Plano de Negócios 2026-2030. O evento será realizado na Fafen-SE.


RAÍZEN. A companhia detalhou proposta preliminar de reestruturação financeira. O plano prevê conversão de 45% da dívida em ações a R$ 0,25 por papel, aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e reorganização societária.


SABESP. A OPA lançada pela companhia por ações da Emae terminou sem adesões.


ISA ENERGIA. A companhia obteve licença de instalação para o bloco 2 do projeto Serra Dourada. Empreendimento prevê 1.093 quilômetros de linhas de transmissão e investimento de R$ 3,157 bilhões.


ECORODOVIAS. A companhia fechou acordo global para encerrar disputas judiciais ligadas às antigas concessões rodoviárias do Paraná. O acordo prevê desembolso de R$ 45,7 milhões.


KLABIN. A BlackRock passou a deter 9,997% das ações preferenciais da companhia, contra 10,003% anteriormente.


NEOGRID. A Dalpe arrematou o controle da companhia por R$ 167 milhões e dará sequência ao processo de saída do Novo Mercado.


UNIFIQUE. A companhia assinou contrato para aquisição da carteira de clientes e ativos da G9 Telecomunicações por R$ 6,3 milhões.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,0% US tech -0,1% US semis -1,4% UEM +0,1% España +0,5% VIX 16,3% Bund 2,98% T-Note 4,51% Spread 2A-10A USA=+45pb B10A: ESP 3,40% PT 3,35% FRA 3,60% ITA 3,70% Euribor 12m 2,72% (fut.2,87%) USD 1,159 JPY 185,1 Ouro 4.391$ Brent 97,3$ WTI 91,7$ Bitcoin -3,0% (72.891$) Ether -4,3% (1.977$)


:: SESSÃO: Amanhecemos com um ataque aéreo dos EUA a uma base militar iraniana onde decolavam drones com destino a Ormuz, Kuwait ativa as suas defesas contra mísseis e drones lançados supostamente do Irão, e o Tesouro americano anuncia novas sanções para impedir Teerão de monetizar a passagem de navios pelo Estreito. Tudo isso depois de Trump desmentir estar tão perto de alcançar um acordo como algumas fontes estimavam. A reação no mercado é imediata e lógica. O petróleo sobe (Brent +3,7% até 97,7 $), o dólar aprecia-se (+0,3% até 1,159) e as bolsas asiáticas caem (-1,3% Japão, -1,1% China, -2,0% Coreia...). 


Contribui para o movimento o receio de um aumento maior do que o estimado do Deflator do Consumo americano (hoje, 13:30 h). Em princípio, poderá avançar até +3,8% em abril desde +3,5% com a subjacente a aumentar até +3,3% desde +3,2%. Nas últimas horas, vários membros da Fed lançaram mensagens um pouco contraditórias, que evidenciam as divergências no seio do banco central. Jefferson aponta para uma suavização dos preços mais para o final do ano graças a um menor impacto dos impostos alfandegários e moderação dos preços do petróleo, mas Cook afirma que a inflação se move em alta e aponta para subidas de taxas de juros se essa tendência continuar. O resto da macro, apesar de ser relevante, passará para segundo plano. Destaca a primeira revisão do Pib do 1T, que será continuista (+2,0% t/t anualizado, em linha com o dado preliminar e vs. +0,5% anterior), e os Pedidos de Bens Duráveis (+4,0% estimado desde +0,8%, mas excluindo transporte +0,5% desde +0,9%).


Como se não bastasse, a guia de Receitas para o próximo trimestre de Salesforça dececiona e o valor cai -1,2% no mercado fora de hora…


CONCLUSÃO: Impõe-se a cautela e o lógico é esperar uma sessão de realização de lucros nas bolsas. Especialmente após os avanços resistentes. Convém recordar que os índices americanos encadeiam 8 semanas consecutivas de subidas e avaliam perto de máximos históricos. Uma consolidação de níveis, e até uma correção, continua a parecer-nos um cenário prudente que daria oportunidade de assumir posições a melhores preços.


FIM

quarta-feira, 27 de maio de 2026

A lição coreana q o Brasil ignora

 A lição coreana que o Brasil ignora


O economista Nilson Teixeira argumenta que o sucesso econômico da Coreia do Sul não nasceu principalmente de política industrial, subsídios ou grandes conglomerados, mas de um investimento consistente e prioritário em educação básica de qualidade. Nos anos 1950, a Coreia era tão pobre quanto o Brasil. Hoje possui renda per capita quase três vezes maior, forte presença tecnológica global e produtividade muito superior.

O artigo destaca que o Brasil passou décadas observando o modelo coreano, mas frequentemente concentrou atenção em seus grandes grupos industriais e políticas de exportação, ignorando o fundamento que sustentou todo o crescimento: alfabetização, ensino fundamental sólido, formação rigorosa de professores e avaliação permanente dos resultados educacionais.

Segundo o autor, a Coreia seguiu uma sequência clara:

1. Educação infantil e fundamental.
2. Ensino médio.
3. Ensino superior.

O Brasil fez o contrário em muitos momentos, expandindo universidades e programas de acesso ao ensino superior sem resolver os problemas estruturais da educação básica. O resultado é que apenas cerca de metade dos jovens brasileiros alcança níveis mínimos de proficiência em leitura, enquanto a Coreia se aproxima da universalização dessas competências.

O texto aponta seis prioridades para o Brasil:

* Universalizar a educação infantil e fortalecer o ensino fundamental.
* Melhorar a qualidade do aprendizado, não apenas o acesso.
* Profissionalizar e valorizar a carreira docente.
* Avaliar continuamente os resultados e corrigir desvios.
* Criar incentivos baseados em mérito e desempenho.
* Separar a carreira de gestor escolar da carreira de professor, profissionalizando a gestão.

Principal conclusão

A Coreia estruturou primeiro a base, depois o meio e só então o topo do sistema educacional. O Brasil inverteu essa lógica. Para o autor, sem uma revolução na educação básica, qualquer plano de desenvolvimento econômico, industrial ou tecnológico terá alcance limitado. O verdadeiro diferencial coreano não foi apenas fabricar carros, navios ou semicondutores, mas formar capital humano capaz de criar, operar e aprimorar essas indústrias ao longo de décadas.

A década da volatilidade tática

 A Década da Volatilidade Tática: O Raio-X da Indústria de Fundos no Brasil (2016–2026)

A indústria de fundos de investimento no Brasil encerra um ciclo de dez anos (2016–2026) marcada por uma profunda transformação estrutural. O que assistimos não foi apenas o crescimento nominal do ecossistema, mas uma migração tectônica de patrimônio ditada por ciclos agressivos da taxa Selic e por um redesenho regulatório sem precedentes.

Para quem gerencia, aloca ou distribui capital, os números dessa década desenham um retrato claro da maturidade — e dos desafios estruturais — do mercado financeiro doméstico.

 1. O Crescimento Nominal vs. A Dança das Cadeiras do Market Share

Em 2016, a indústria de fundos operava com um Patrimônio Líquido (PL) consolidado na casa dos R$ 3,4 trilhões. Dez anos depois, em 2026, o bolo total quase triplicou, consolidando-se entre R$ 8,5 trilhões e R$ 9,0 trilhões.

No entanto, o dado mais relevante não é o crescimento do bolo, mas como as fatias foram redistribuídas:

📊 O Comparativo de Market Share (% do PL Total)

• Renda Fixa & Crédito Privado: Saltou de ~50% a 53% em 2016 para dominantes ~60% a 65% em 2026.

• Multimercados: Representava ~22% a 24% em 2016, viveu um pico de quase 26% no auge do juro baixo (2019/2020), e recuou para ~18% a 20% em 2026.

• Ações (Equities): Oscilava entre ~8% a 10% em 2016 e encolheu para a faixa de ~5% a 7% em 2026, após um ciclo crônico de resgates.

• Previdência Privada (FIEs): Avançou de ~12% a 14% para ~15% a 17% do PL total da indústria, consolidando-se como o grande veículo de blindagem patrimonial.

 2. O Fenômeno dos Isentos, o Cerco do CMN e a Matemática do Gross-Up

Se existe um segmento que roubou a cena na segunda metade desta década, foi o de ativos e fundos isentos de Imposto de Renda para pessoa física. O apetite do investidor por rentabilidade líquida transformou o mercado de capitais. No entanto, a verdadeira disrupção estrutural ocorreu no início de 2024, quando o Conselho Monetário Nacional publicou duas normas implacáveis: as Resoluções CMN nº 5.118 e nº 5.119.

• CMN 5.118 (O veto aos lastros "cosméticos"): Barrou a farra dos CRIs e CRAs estruturados por empresas de fora dos setores imobiliário e do agronegócio (como redes de varejo ou companhias de telefonia que usavam recebíveis de aluguéis ou contratos comerciais para captar com isenção). O estoque de novos papéis corporativos isentos simplesmente secou.

• CMN 5.119 (O freio bancário): Restringiu o uso de recursos de LCIs e LCAs e, crucialmente, estendeu os prazos mínimos de carência desses títulos para o investidor de varejo (as LCIs saltaram de 90 dias para 9 meses de prazo mínimo), reduzindo drasticamente a liquidez desse ecossistema.

Com a escassez desses títulos de crédito direto nas plataformas, os Fundos de Debêntures Incentivadas (Lei 12.431) tornaram-se os grandes herdeiros desse fluxo bilionário de capital, mantendo o benefício fiscal na cota do fundo focado em infraestrutura nacional.

🧮 A Força Gravitacional do Gross-Up na Alta Renda

Nas mesas de alocação de Wealth Management, a análise de fundos e títulos isentos é inteiramente pautada pelo cálculo do gross-up (a taxa equivalente que um produto tributado precisaria render para igualar o retorno do ativo isento).

Quando traduzimos essa assimetria fiscal para a régua preferida do mercado brasileiro, o prêmio regulatório revela distorções impressionantes tanto em termos relativos (% do CDI) quanto em spread real absoluto (CDI + %):

Para ilustrar o tamanho dessa distorção competitiva, consideremos um cenário onde a taxa DI de mercado está estabelecida em 14,4% ao ano e um fundo de debêntures incentivadas consegue entregar um retorno líquido equivalente a exatamente 100% do CDI (14,4%).

Assumindo o horizonte de longo prazo, onde incide a alíquota marginal mínima de 15% de Imposto de Renda sobre os fundos tradicionais, o cálculo do rendimento equivalente bruto nominal é:

Taxa Equivalente Bruta = 14,4% / (1 - 0,15) = 14,4% / 0,85 = 16,94% ao ano

A partir desta taxa bruta de 16,94%, derivamos duas métricas de comparação direta para os fundos tributados concorrentes:

 1. Gross-Up Relativo (% do CDI): Dividindo o retorno bruto nominal pela taxa DI de mercado (14,4%), chegamos a 117,64% do CDI.

 2. Gross-Up Absoluto (Spread sobre o CDI): Subtraindo a taxa DI base (14,4%) do retorno bruto nominal (16,94%), o prêmio se traduz em um spread linear exato de CDI + 2,54% ao ano.

O Impacto no Portfólio: Para competir com um ativo isento de 100% do CDI sob uma taxa base de 14,4%, um fundo de crédito privado tradicional (tributado) precisa entregar 117,64% do CDI ou, em termos absolutos, CDI + 2,54%. Para capturar esse nível de spread no mercado tributado, o gestor é obrigado a assumir um risco de crédito de qualidade muito inferior (High Yield agressivo), enquanto o fundo isento entrega a mesma eficiência real alocado em grandes emissores High Grade de infraestrutura.

 3. A Anatomia das Demais Classes de Ativos

💼 Renda Fixa Tradicional: O Motor de Liquidez

O crescimento da Renda Fixa além dos isentos esconde uma mudança qualitativa. Em 2016, o volume estava massivamente alocado em fundos DI soberanos de grandes bancos comerciais. Mesmo com os choques de volatilidade — como o Credit Crunch do início de 2023 (evento Americanas e Light) que travou o mercado secundário —, a classe provou sua resiliência. O retorno da Selic aos dois dígitos capturou o fluxo de fuga de risco (flight to quality), mantendo a renda fixa tradicional como o colchão de liquidez compulsório do mercado.

🔮 Multimercados: Do Auge à Busca por Sobrevivência Global

Os fundos Multimercados Macro, historicamente a "joia da coroa" da gestão independente brasileira, viveram duas metades muito distintas nesta década.

• A Era de Ouro (2016-2020): Capturaram com precisão o fechamento da curva de juros doméstica e o rali de ativos locais, atraindo volumes gigantescos de captação líquida.

• A Ressaca Macro (2021-2024): A velocidade do aperto monetário global (Fed) e do Banco Central do Brasil impôs perdas severas aos maiores players do mercado. Entre 2022 e 2024, a classe registrou saídas líquidas acumuladas superiores a R$ 290 bilhões.

A resposta da indústria tem sido a especialização: para estancar os resgates, o volume remanescente migrou internamente para estratégias quantitativas (sistemáticos), arbitragem e mandatos Global Macro puramente descorrelacionados do risco Brasil.

📈 Ações: O Ciclo de "Financial Deepening" que Virou Fumaça

O movimento de sofisticação e popularização da Bolsa (2018–2021), que levou o Ibovespa à máxima histórica e multiplicou o PL de gestoras focadas em Stock Picking por fatores de até 5x, enfrentou a dura realidade do custo de oportunidade. Com o juro real rodando consistentemente elevado na metade final da década, manter capital em estratégias Long Only de crescimento (growth) tornou-se proibitivo para o investidor. O resultado foi o mais longo ciclo de resgates da história da classe, mitigado em volume financeiro apenas pela resiliência de fundos focados em Value Investing e dividendos.

 4. O Redesenho Regulatório das Estruturas de Alta Renda

Além do cerco do CMN aos isentos, o mapa do grande capital foi redesenhado por outras duas forças normativas marcantes do período:

• A Lei dos Fundos Exclusivos (Lei 14.754/2023): O fim do diferimento tributário para fundos fechados de alta renda e a introdução do come-cotas semestral (maio e novembro) retiraram o apelo puramente fiscal dessas estruturas. Bilhões de reais migraram para fundos de Previdência e carteiras administradas diretas.

• A Consolidação da Resolução CVM 175: O novo marco regulatório simplificou a engrenagem operacional das gestoras através da criação de classes e subclasses sob o mesmo CNPJ. Mais importante ainda: a introdução da responsabilidade limitada do cotista blindou o patrimônio dos investidores em casos de PL negativo, pavimentando o caminho para o crescimento de volumes em ativos alternativos e estruturados (FIDCs e FIPs).

Conclusão: A Ditadura do CDI e a Maturidade da Indústria

A análise consolidada dos últimos 10 anos deixa uma lição clara: no Brasil, o CDI continua exercendo uma força de gravidade quase irresistível sobre a alocação de ativos. O ensaio de diversificação estrutural em direção ao risco (ações e multimercados) visto na virada da década passada mostrou-se cíclico.

No entanto, a indústria que opera o PL de quase R$ 9 trilhões é incomparavelmente mais madura, transparente e flexível do que aquela de R$ 3,4 trilhões de 2016. A sobrevivência e o crescimento no mercado brasileiro passaram a exigir dos gestores uma combinação milimétrica de três fatores: geração de alfa, eficiência tributária e gestão rigorosa de liquidez.

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