Papo de Economista
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
sábado, 26 de setembro de 2026
Papo de Economista Semanal
Atravessamos esta semana de olho nas pesquisas para a eleição majoritária do dia 4 e também atento ao comportamento do conflito no Oriente Médio.
Vejamos o que foi destaque.
1) No Oriente, a grande dúvida é saber quanto EUA e Irã cederam para ambas as partes no “liberar” do estreito de Ormuz. Nesta semana, algum avanço houve nas tratativas e com isso o barril de petróleo recuou 6%.
O Brent encerrou a sexta-feira (25) em queda de 2,8%, a US$ 97,44 o barril, acumulando recuo de 6,2% na semana — o maior em meses.
2) A contribuir, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, apresentando aos EUA uma proposta com prazo de sete dias para reabrir o Estreito de Ormuz e retomar negociações.
3) Na sexta-feira(25), por aqui, saiu a prévia do IPCA de setembro, que subiu 0,70% — bem acima da deflação de 0,40% em agosto. Maior impacto individual veio da energia elétrica residencial, que disparou 7,42% com o fim do bônus de Itaipu. Em 12 meses, o IPCA-15 avançou de 4,24% para 4,47%.
4) Este resultado, talvez, reforce a percepção de que o Copom deve ser mais cauteloso no ciclo de cortes da Selic. A leitura oficial do IPCA de setembro, prevista para outubro, será determinante para o Copom na reunião de novembro.
5) Neste cenário, o Ibovespa operou sem rumo, “de lado”, fechando a 183.476,86 pontos, queda de 0,96% — a segunda perda semanal consecutiva. Já o dólar fechou a R$ 5,18, com alta de 0,72% na semana.
6) No “front político”, a disputa segue apertada entre Lula da Silva e Flavio Bolsonaro. No entanto, percebe-se alguma perda de tração do primeiro e reação do segundo. E tudo piorou para o primeiro diante de novas gravações de personagens do STF e do entorno do governo Lula. Realmente. Daniel Vorcaro é um “arquivo vivo”.
Boa Semana a todos!
Millor sobre Lula
“”Millôr Fernandes sobre Lula:
“A ignorância subiu-lhe à cabeça. Ele acha que sabe tudo, mas não sabe nada".
"Lula chegou ao limite extremo da soberba. E ultrapassou-o".
"O Brasil é o único país em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo".
"Lula, um líder aspirando cada vez mais pompa tropeçando cada vez mais nas circunstâncias".
Esse negócio da bebedeira dele foi ridiculo. Ele disse que decidiu expulsar jornalista como exemplo. Para quê? Para que todo mundo fique com medo de escrever coisas negativas sobre ele?"
"Lula é um túnel no fim da luz".
"Freud ficaria besta com Lula; é o ego maior do mundo".
"Lula tem um grande passado pela frente".”
- da TL do Isaac Averbuch / via Alessandro Gagnor Galvão
Micro x Macro
São todos “educados” sob a égide da heterodoxia keynesiana e suas vertentes. Nesta, o debate gira em torno de grandes temas, como os desafios do desenvolvimento, o hiato do produto, as flutuações de demanda “efetiva”, o multiplicador, a demanda por moeda, as formas de atuação do Bacen, etc.
Falar de eficiência alocativa, na produtividade de fatores, são mais uma abordagem ortodoxa. Como tornar os setores produtivos (ou não) mais eficientes? São abordagens neoclássicas, mais micro. A macro keynesiana gosta mais de aborda a economia pelo lado da demanda, enquanto que o neo-clássicos focam mais no setor produtivo, na oferta de fatores, bens e serviços.
Os “policymakers”, em maioria, macro keynesianos, não alcançam. Perdem com isso. Não a toa, as pesquisas da Universidade de Chicago são muito mais focadas na micro, na racionalidade dos agentes, portanto, um celeiro de Prêmios Nobel.
Paramos no tempo no debate econômico, e poucos se convencem disso. Um amigo bem define, “paramos no tempo e andamos em círculo… essas escolas heterodoxas Campinas, por exemplo, insistem no “Keynesianismo bastardo”… aplicando receitas de curto prazo à problemas estruturais e de longo prazo… insistem no erro na esperança de um dia, quem sabe, dar certo…”
Certa feita, o brilhante Gustavo Franco, seguindo Pedro Malan, Bacha, todos economistas da PUC RJ, argumentaram que, pouco a pouco, estaríamos superando os temas macro, como o problema inflacionario, o gerenciamento da demanda agregada, ingressando mais em temas do “dia a dia”, de eficiência aplicativa, ou alocativa, como a questão do crédito, nas suas variadas possibilidades, os setores da economia, etc.
O "empacamento", o impasse, q representa o debate fiscal no país, por culpa do PT, é um ponto a ser salientado. A definição de regras, a disciplina e responsabilidade fiscal, já deveriam ter sido definidos como consensos consolidados. Mas o PT cisma em não considerar estes pontos relevantes. Mas são!
Piora fiscal contribui, nas expectativas, para a deterioração das condições de financiamento, na rolagem da dívida pública. O aumento dos custos financeiros no “carrego” destes títulos públicos é puro sintoma desta piora. Mas vai convencer um petista, apoiado na MMT, de que isso é uma realidade, um fato concreto…
Todos os países, que optaram pela disciplina fiscal, estão melhores que o Brasil.
Se nós formos ver o q a MIT, Princeton, Chicago, Berkeley, etc, produzem de pesquisa aplicada, veremos que são pouquíssimas as pesquisas macros.
Sabem por que? Pq a “fronteira da ciência”, do conhecimento, o “estado da arte”, está no produzir "modelos quantitativos" bem calibrados, e estes só possíveis em situações mais isoladas, no velho "céteris paribus", vendo os efeitos causais entre poucos agentes, mto complicado na macro dinâmica.
São aplicaveis mais na microeconomia. Na macro, ainda tenhamos os modelos DGSE.
No mundo acadêmico, no exterior, quem não adere aos modelos macrométricos, aos poucos, vai ficando para trás.
Lava Jato
Relembrando trecho do depoimento do Renato Duque para o então juiz Moro em maio/2017:
"É, eu tive, após a saída da Petrobras, três encontros com o Lula: um em 2012, um em 2013 e o último em 2014.
Nesse encontro de 2012, para mim ficou muito evidente, e fiquei surpreendido, com o conhecimento que ele tinha sobre esse projeto de sondas. Ele me questionou — eu já só relembrando, que eu já estava fora da Petrobras desde abril. Nós estamos falando isso aí já é julho. Esse encontro, esse primeiro encontro, se deu em julho de 2012, a meu pedido. Eu conversei com [o] Vacari, que eu queria agradecer pelo período que eu passei na Petrobras. E ele começou a fazer algumas perguntas sobre a questão das sondas. Uma delas, por exemplo, é: por que que não tinha sido assinado o contrato ainda, já que tinha sido aprovado lá em abril? Falei: 'Presidente, eu nem sabia que não tinha sido. Tô fora da empresa, não sei responder.'
Então eu fiquei surpreendido, porque naquela hora - eu, o presidente Lula... né, e Vacari - ficou claro para mim que pelo nível de informação, ele conhecia tudo, e falando esse tipo de coisa na frente do Vacari e na minha frente. Poxa, é, ele tá comandando tudo. O Vacari realmente era um braço que atuava para o Lula, né?
Aí teve um segundo encontro que, da mesma maneira, ele fez perguntas sobre sondas, é, porque não tava recebendo. Até então, em 2013, ele perguntou se eu sabia por que as empresas não estavam pagando. Eu não soube responder também, porque não acompanhava isso.
E por fim, no último encontro, 2013/2014, já com a Lava Jato em andamento, ele me chama em São Paulo. Eu tenho uma reunião no hangar da TAM, no aeroporto de Congonhas. E ele me pergunta se eu tinha uma conta na Suíça com recebimentos da empresa SBM, dizendo que a então presidente Dilma tinha recebido a informação de que um ex-diretor da Petrobras teria recebido dinheiro numa conta na Suíça da SBM. Eu falei: 'Não, não tenho dinheiro da SBM nenhum, nunca recebi dinheiro da SBM.' Aí ele vira para mim e fala assim: 'Olha, e das sondas tem alguma coisa?' Falei ( e tinha né ) - Eu falei: “Não, também não tem.” Ele falou assim: “Olha, presta atenção no que eu vou te dizer. Se tiver alguma coisa, não pode ter, entendeu? Não pode ter nada no teu nome, entendeu?” Eu entendi. Mas o que que eu ia fazer? Não tinha mais o que fazer. Aí ele foi, falou que ia conversar com a Dilma, que ela tava preocupada com esse assunto e queria tranquilizá-la.
Mas nessas três vezes ficou claro, muito claro para mim, que ele tinha pleno conhecimento de tudo e tinha o comando."
Desindustrialização...
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
The Economist
Artigo no The Economist: .
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*Brasil dá as costas ao futuro*
“O Brasil é abençoado. Suas reservas comprovadas de petróleo são enormes e estão crescendo. Dentro de suas fronteiras, o maior rio do mundo, o Amazonas, flui através de sua maior floresta tropical. Mais da metade da eletricidade do Brasil vem da energia hidrelétrica. Suas terras agrícolas estão entre as mais produtivas do planeta; em breve se tornará o maior exportador de alimentos, ultrapassando a América. Sob seus solos estão vastos depósitos de minerais de terras raras. Seus 220 milhões de habitantes são empreendedores, criativos e diversos. O vasto potencial do Brasil é aparente há muito tempo. Quando a capital, Brasília, foi construída na década de 1950, suas ruas foram dispostas em forma de avião, simbolizando um país pronto para decolar.
No entanto, ainda está parado na pista. Durante o último meio século, em vez de tomar asas, a economia do Brasil estagnou em relação aos seus pares e ao crescimento global médio. A eleição geral de 4 de outubro oferece pouca esperança de uma reviravolta. A escolha diante dos brasileiros é sombria.
O atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula, enfrenta Flávio Bolsonaro, o filho mais velho de seu antecessor populista de direita, Jair. Lula está prestes a fazer 81 anos, a mesma idade que Joe Biden tinha quando abandonou sua candidatura à reeleição em 2024. Ele é um democrata e a favor do meio ambiente. Mas ele fez muito pouco para desencadear o crescimento ou conter os gastos. Ele não conseguiu impulsionar reformas econômicas, proibiu uma simplificação do imposto sobre vendas e chama a disciplina fiscal de “babaquice”. Seu governo está a caminho de encerrar o mandato com o maior projeto de lei de juros da dívida pública em um quarto de século.
O júnior Bolsonaro, que tem apenas 45 anos, nega que os humanos estejam causando mudanças climáticas, questiona a integridade das máquinas de votação e sugere que não honrará o resultado se Lula vencer. Ele foi investigado por supostos laços com criminosos violentos, o que ele nega. Sua principal política é perdoar seu pai, que em setembro de 2025 recebeu uma sentença de 27 anos por planejar um golpe - incluindo um plano para assassinar Lula - depois de perder sua candidatura à reeleição em 2022.
A dupla está empatada nas pesquisas, com Flávio em ascensão. Nenhum dos homens é confiável quando se trata de enfrentar os dois maiores problemas do Brasil: a corrupção arraigada e a expansão implacável dos gastos públicos. Sem um plano sólido para reduzir a dívida pública em relação ao PIB, o risco de uma espiral de juros da dívida manterá os custos de empréstimos altos, matando a economia do capital necessário para aumentar a produtividade e o crescimento. Os gastos governamentais em expansão cada vez maior impulsionam a inflação, forçando o banco central a manter as taxas de juros altas. Reduzir essa dívida e reduzir as taxas exigirá cortes profundos nos gastos do governo, 92% dos quais são exigidos por lei ou pela constituição absurdamente prescritiva do Brasil.
Na ausência de um crescimento mais forte, o jogo das elites políticas para controlar os recursos públicos faz com que muitos brasileiros comuns se sintam desesperados, uma vantagem para os políticos que operam nos extremos. A corrupção também prejudica as instituições que fornecem os freios e contrapesos do Brasil. Algumas semanas após a condenação de Jair, um escândalo conhecido como Banco Master irrompeu e rapidamente envolveu a Suprema Corte. As investigações policiais até agora mostraram que cinco dos 11 juízes do tribunal tinham conexões com Daniel Vorcaro, o mentor playboy por trás do banco. Isso alimenta o cinismo público, tornando mais fácil para os brasileiros ignorar a convicção de Jair por conspirar um golpe e apoiar seu filho.
O candidato cujas ideias combinam mais de perto com o momento é Renan Santos, um libertário que se esforça. Ele quer promulgar uma reforma estrutural profunda e cortes de gastos para transformar o Brasil em uma grande potência. Mas nem ele nem qualquer outro estranho fizeram progressos contra as máquinas políticas opostas de Lula e do Sr. Bolsonaro. O país está se movendo em direção a uma crise previsível, mas a maioria de sua elite política está muito confortável com a maneira como as coisas estão para mudar de rumo.
E assim o futuro brilhante do Brasil ficará em espera por pelo menos mais quatro anos. Não está totalmente morto. Apesar da corrupção e do pensamento insular dos políticos rastaqueras, muitas das instituições vitais do país ainda funcionam. A polícia federal atuou bem para investigar a fraude de Vorcaro e a trama do golpe antes disso; a imprensa permanece feroz, independente e relativamente bem financiada; o corpo diplomático é respeitado em todo o mundo. Até mesmo a Suprema Corte, apesar de suas abundantes falhas, conseguiu enviar um golpista para a prisão.
O gatilho mais provável para uma crise seria uma aceleração acentuada no nível de dívida e custos de empréstimos, levando a um agravamento da economia. Esse é um círculo vicioso, familiar dos brasileiros mais velhos, que pode levar a quedas no valor do real, mais inflação e uma recessão dolorosa. Talvez só então os brasileiros se voltassem para alguém preparado para fazer uma política impopular onde sacrifícios serão necessários para um futuro em que um país abençoado nunca mais seja condenado a escolher entre dois candidatos tão sombrios.”
BDM Matinal Riscala
… A escalada do petróleo volta a ditar o humor dos mercados nesta 6ªF, depois de o Brent superar US$ 106 com o impasse entre Estados Unidos e Irã e novos sinais de tensão no Oriente Médio. O choque de energia já endurece o discurso dos BCs e levou os Treasuries a máximas de décadas, enquanto emergentes sentem a saída de capital. No Brasil, o IPCA-15 testa hoje as apostas em novos cortes da Selic, com previsão de aceleração a 0,53%, enquanto repercute o Datafolha, que mostrou Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, mas empate técnico no 2º turno. Na reta final da campanha, Lula anuncia ainda medidas contra as bets e um programa para dívidas das famílias.
A PRESSÃO DO PETRÓLEO – Sem horizonte para o fim da guerra no Oriente Médio, o petróleo retomou a trajetória de alta e reforçou os temores de inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e na Europa.
… O Brent/dezembro subiu 3,41% nesta quinta-feira, a US$ 106,60, acumulando quase 4% na semana. O WTI avançou 2,65%, a US$ 94,61.
… O petróleo chegou a se afastar das máximas após a agência Reuters informar que negociadores americanos e iranianos discutem em Nova York um acordo em etapas para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz. Mas o alívio não se sustentou.
… Pelo desenho em negociação, Teerã permitiria gradualmente a retomada da navegação por Ormuz em troca do fim do bloqueio econômico americano e de possível acesso a ativos congelados. O principal obstáculo é que nenhum dos lados quer fazer a primeira concessão.
… O impasse se aprofundou após Donald Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, endurecerem o tom na Assembleia Geral da ONU e mais uma rodada de negociações em Nova York terminar sem acordo nesta semana.
… Já à noite, Pezeshkian adotou tom mais conciliador. Em entrevista à Fox News, disse que o Irã não deseja prolongar a guerra e está disposto a fechar um acordo com Trump, afirmando que cabe aos Estados Unidos decidir se querem fazer o mesmo.
… Enquanto a diplomacia tenta avançar, aumentaram os sinais de escalada em outra frente importante para a oferta de energia.
… Os houthis afirmaram ter lançado mísseis e drones contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu, no Mar Vermelho, e contra um “alvo sensível” em Riad. Mais cedo, a coalizão liderada pelos sauditas informou ter interceptado seis mísseis balísticos disparados contra Yanbu e Taif.
… A pressão da energia ajudou a levar os rendimentos dos Treasuries a máximas de décadas e reforçou as apostas em nova alta dos juros pelo Fed, enquanto o dólar ganhou força e a aversão ao risco voltou a contagiar os ativos no Brasil (leia abaixo).
XI E TRUMP – A guerra no Oriente Médio também esteve no centro do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca. O presidente americano classificou a reunião como “ótima”, mas não detalhou os resultados.
… Mais tarde, durante jantar de gala, Xi afirmou que os dois países alcançaram “amplo acordo sobre diversas questões” e disse que a relação bilateral atingiu um “novo marco histórico”, também sem anunciar medidas concretas.
… Segundo a agência Xinhua, Xi defendeu a retomada das negociações entre Washington e Teerã e pediu prudência na questão de Taiwan. IA, segurança e comércio também estiveram na pauta, após a trégua comercial entre os dois países ter sido novamente prorrogada (até 10/1).
… Os magnatas da tecnologia americana compareceram ao jantar. Entre os convidados, estiveram Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (X e SpaceX), Jensen Huang (Nvidia), Tim Cook (Apple) e Sam Altman (OpenAI).
BCS EM ALERTA – O risco de um choque de energia mais prolongado preocupa não só os dirigentes do Fed, como também do BCE. Isabel Schnabel afirmou que os efeitos da guerra estão se mostrando mais persistentes que o esperado e já atingem, além do petróleo, diesel e gás.
… No BoE, Clare Lombardelli manifestou preocupação, dizendo que, quanto mais prolongado o choque de energia, maior o risco de efeitos secundários sobre a inflação e a necessidade de responder com alta dos juros.
… Já a Capital Economics alertou que a disparada dos juros dos Treasuries começa a provocar saída de capital dos mercados emergentes. A estimativa de fluxo líquido passou de entrada de US$ 1 bilhão no fim de agosto para saída de US$ 20 bilhões, na soma móvel de um mês.
… A consultoria também alertou para a escassez de diesel e avalia como provável alguma restrição às exportações americanas do derivado antes das eleições de meio de mandato, em novembro, o que poderia agravar o choque.
BRASIL – Aqui, estão consolidadas as apostas em pelo menos mais um corte da Selic. O RPM divulgado ontem reforçou a percepção de que o BC ainda vê espaço para dar continuidade ao ciclo de afrouxamento, embora condicionado à evolução dos dados.
… Das 32 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 26 esperam corte de 0,25 ponto em novembro, para 13,50%, enquanto seis projetam manutenção. A mediana prevê ainda outro corte de 0,25 ponto em dezembro, levando a Selic a 13,25% no fim do ano.
… Mas petróleo, câmbio e eleições podem interferir nesse roteiro. Economistas destacaram que o Relatório de Política Monetária deu peso relevante aos choques de oferta e aos riscos de efeitos mais persistentes sobre a inflação.
… Na entrevista para comentar o RPM, Galípolo reforçou que o BC segue dependente dos dados e disse que a precificação dos cortes da Selic vem mudando gradualmente, à medida que os indicadores apontam desaceleração da economia.
… Disse ainda que o Banco Central prepara medidas para limitar a oferta “predatória” de crédito, especialmente de linhas mais caras oferecidas a consumidores que poderiam ter acesso a modalidades mais adequadas.
… Segundo Galípolo, as mudanças não ficarão restritas ao cartão de crédito e serão implementadas de forma progressiva, com medidas de prevenção, transparência e maior rigor na contratação dessas operações.
FISCAL – Já o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, divulgado também nesta quinta, trouxe pela primeira vez no ano projeção de superávit das estatais federais em 2026, de R$ 2 bilhões. No relatório anterior, a estimativa era de déficit de R$ 95 milhões.
… O resultado, porém, considera R$ 10 bilhões relacionados ao plano de reestruturação dos Correios e R$ 5 bilhões em investimentos do PAC excluídos da meta. Sem essas exceções, a projeção indica déficit de R$ 11,1 bilhões.
… Para os Correios, a estimativa de déficit neste ano melhorou de R$ 7,45 bilhões para R$ 6,79 bilhões.
ELEIÇÃO PESA – Além do estresse externo, o cenário eleitoral voltou a pressionar os ativos brasileiros nesta quinta-feira, em meio a novas informações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
… O dólar chegou às máximas, na casa de R$ 5,20, e os juros futuros acentuaram a alta após o Estadão revelar que Flávio tentou contato telefônico com Vorcaro quatro dias antes da prisão do ex-controlador do Banco Master, em novembro do ano passado.
… Também veio à tona que o candidato do PL viajou da Flórida a Brasília, em 2025, em um avião que tinha Vorcaro entre os cotistas.
MAIS UM – Ontem à noite, o caso Vorcaro ganhou mais uma frente. Segundo a Veja, mensagens encontradas pela PF no celular do ex-banqueiro indicam uma relação de proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
… As conversas entre os dois incluem referências a encontros privados e articulações políticas. A Veja relata ainda que Vorcaro ofereceu delação mencionando supostos pagamentos a Alcolumbre, que nega as acusações.
DATAFOLHA – Após o fechamento, a nova pesquisa mostrou o presidente Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, o presidente tinha 39% e o candidato do PL, 36%.
… No segundo turno, Lula aparece com 47% e Flávio, com 45%. Há uma semana, os placares eram de 46% e 44%, respectivamente.
… A rejeição dos dois candidatos oscilou de 47% para 45%, mantendo o empate nesse quesito. Já a avaliação ruim/péssima do governo Lula recuou de 42% para 40%, enquanto a ótima/boa permaneceu em 34%. O Datafolha ouviu 2.002 eleitores.
… Outra pesquisa divulgada nesta quinta-feira, a Futura/100% Cidades mostrou Flávio com 49,4% contra 43,7% de Lula em eventual segundo turno. No primeiro turno, Flávio aparece com 40,4% e Lula, com 38,4%, em empate técnico.
VOTO ÚTIL, BETS E MERCADO – Na reta final da campanha, os dois principais candidatos intensificam suas estratégias para tentar ampliar votos já no primeiro turno. Flávio prega o voto útil entre eleitores da direita, mirando principalmente os apoiadores de Caiado e Zema.
… Já Lula deve assinar em São Paulo uma MP proibindo apostas esportivas online e cassinos digitais no País, em anúncio previsto para as 17h. A medida entra na agenda após pesquisa Atlas/Bloomberg indicar que 75% dos entrevistados apoiam a proibição das bets.
… À noite, o presidente participa de jantar com empresários e banqueiros. Entre os convidados estão executivos de Vale, Itaú, BTG Pactual, Petrobras, JBS, Banco do Brasil, Bradesco e Santander, além de representantes de grandes grupos empresariais.
LEILÃO DE DÍVIDAS – O presidente Lula também deve anunciar nesta sexta-feira um novo programa para limpar o nome de famílias inadimplentes, por meio da compra de dívidas antigas com recursos do Tesouro Nacional.
… O programa funcionaria como um leilão, no qual o governo assumiria débitos que podem chegar a cinco anos de atraso e já são considerados irrecuperáveis pelas instituições financeiras, com deságio de 95% ou mais.
… O desenho e os prazos ainda não estão definidos. A proposta, que até a semana passada estava em estágio inicial e era prevista apenas para 2027, teve sua elaboração acelerada nos últimos dias.
… Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida será executada dentro do Orçamento, sem comprometer a trajetória fiscal.
IPCA-15 – Principal indicador do dia (9h), a inflação preliminar de setembro é mais um teste importante para as apostas na Selic.
… A mediana do Projeções Broadcast aponta alta de 0,53%, após queda de 0,40% em agosto, com estimativas entre 0,45% e 0,66%. Em 12 meses, a inflação deve acelerar de 4,24% para 4,31%.
… Boa parte da virada deve refletir a saída do efeito do bônus de Itaipu sobre as tarifas de energia. Também são esperadas pressões em alimentação, com altas de arroz, feijão, leite e carnes, e em transportes, puxados pelas passagens aéreas.
… A média dos núcleos deve acelerar de 0,23% para 0,28%, enquanto os serviços passam de 0,07% para 0,27%. Já os serviços subjacentes devem aliviar de 0,50% para 0,27%.
… Os combustíveis ainda devem mostrar leve queda nesta leitura, mas economistas já alertam para pressão nos índices seguintes, em meio à nova escalada do petróleo.
MAIS AGENDA – Além do IPCA-15, saem o terceiro IPC-Fipe de setembro e dois indicadores da FGV, INCC-M e Confiança da Construção (8h).
… Nos Estados Unidos, a agenda volta a testar a combinação de atividade e inflação que vem pressionando os Treasuries. Às 9h30, as encomendas de bens duráveis de setembro devem cair 0,3%, após alta de 1,1% em agosto.
… Às 11h, sai a leitura final de setembro do sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, com previsão de queda a 47,8, de 51,7 em agosto. Atenção também às expectativas de inflação, que estavam em 4% para um ano e 3,3% para cinco anos.
… A agenda de BCs começa cedo. Às 6h15, John Williams, do Fed de NY, e Andrew Bailey, do BoE, participam de conferência em Oxford. Às 15h, Beth Hammack, do Fed de Cleveland, e Boris Vujcic, do BCE, participam de evento sobre inflação.
… Os mercados financeiros ficaram fechados na China continental, em Taiwan e na Coreia do Sul por feriado.
OMC – Brasil e Estados Unidos iniciam nesta sexta-feira, em Genebra, consultas formais na OMC sobre o novo tarifaço de até 37,5% imposto pelo governo Trump às exportações brasileiras.
… A reunião abre o prazo de 60 dias para uma tentativa de acordo antes que o Brasil possa pedir a instalação de um painel. A primeira rodada será técnica e não terá a participação da China, que pediu para integrar as consultas, mas teve a solicitação recusada pelos Estados Unidos.
CENÁRIO DE PERDE-PERDE – Emparedado de um lado pela fuga do risco global, com o rali do petróleo e a inflação persistente, e de outro pelas novas revelações do caso Master, o mercado doméstico operou sem válvula de escape.
… O estouro das novidades de Vorcaro é particularmente sensível aos negócios, quando parte dos investidores teme que a candidatura de Flávio tenha atingido um platô nas intenções de voto, estagnado no empate técnico.
… Operando no susto, o Ibovespa queimou quase 2 mil pontos e entregou os 184 mil pontos, o miolo e a ponta longa do DI chegaram a disparar 15 pontos no auge do nervosismo e o dólar virou para alta no acumulado de setembro.
… Dá para dizer que o câmbio continua comportado para um período em que se espera maior efervescência eleitoral. Só não dá para negar que o fato de o real ter zerado os ganhos no mês é um indicativo de cautela.
… O Citi manteve a recomendação “overweight” (exposição acima da média do mercado) para a moeda brasileira nesta reta final para o primeiro turno da eleição, mesmo concordando que a campanha é o principal fator de risco.
… Segundo o relatório de estratégia para mercados emergentes divulgado nesta quinta-feira pela instituição financeira, os dados de fluxo continuam indicando entradas nas últimas semanas, apesar da incerteza política.
… Seja como for, o dólar à vista passou a subir ligeiramente (+0,26%) em setembro. Ontem, registrou alta de 0,49%, embora não tenha ultrapassado R$ 5,20 no fechamento, negociado a R$ 5,1937, na maior cotação em quase um mês.
… O envolvimento de Flávio no círculo do Master potencializou o impacto da pressão externa nos juros futuros.
… No fechamento, o DI para Janeiro de 2026 marcava 13,565% (contra 13,541% no ajuste anterior); Jan/28, 13,675% (de 13,573%); Jan/29, 13,880% (de 13,787%); Jan/31, 14,045% (de 13,965%); e Jan/33, 14,105% (de 14,044%).
BALA NA AGULHA – Na rotina hawkish, os Fed boys têm falado a mesma língua e o que se interpreta é que está praticamente contratado pelo menos mais um aperto dos juros antes de o ano acabar, com a inflação que não alivia.
… John Williams não endossa um novo aumento já em outubro, mas vê expectativa “razoável” de outra alta de juros em 2026 e reconhece que o grande desafio do Fed é levar a inflação de volta à meta de 2% “em tempo hábil”.
… Em defesa de um aperto monetário, Anna Paulson diz que a inflação subjacente segue “teimosamente alta”, diante da economia resiliente e do impacto da expansão da Inteligência Artificial nas pressões inflacionárias.
… Para Beth Hammack, os choques de oferta representam um risco relevante para a política monetária.
… O discurso conservador dos dirigentes do Fed é compatível com o petróleo a US$ 106 e com a força da atividade econômica, que têm mantido os rendimentos dos Treasuries esta semana nas máximas em duas décadas.
… A taxa da Note de 10 anos raspou em 5,20% ontem. Tocou em 5,199% na máxima intraday e não fechou longe desta marca, a 5,195% (contra 5,105% na véspera), no nível mais elevado em quase vinte anos, desde julho de 2007.
… No pico da sessão, o rendimento do T-Bond de 30 anos atingiu 5,484%, maior nível desde 2004, para fechar a 5,479% (de 5,395% no pregão anterior). O retorno da Note de 2 anos subiu para 4,920%, contra 4,891% no ajuste.
… Contaminado pela tensão, no câmbio, o índice DXY superou o maior nível em oito semanas. Ampliou os ganhos (+0,18%) para 101,285 pontos, com os Fed boys não deixando a menor dúvida sobre a extensão do ciclo de aperto.
… O euro fechou de lado (-0,07%), a US$ 1,1381, a libra perdeu 0,18%, a US$ 1,3221, e o iene caiu a 158,86 por dólar.
O RINGUE DO IBOVESPA – Durante evento da Monte Bravo Experience, ontem, o CEO da Verde Asset, Luis Stuhlberger, projetou chance de 60% de vitória de Flávio e previu uma “porrada insana” na bolsa se isso acontecer.
… Pegou mal, no entanto, a intimidade revelada entre o senador e Vorcaro. A novidade terá seu impacto eleitoral medido pelas próximas pesquisas e conturbou o ambiente no Ibovespa, que caiu 1%, aos 183.965,91 pontos.
… As blue chips financeiras, que já sofriam os efeitos colaterais da pressão do petróleo nos juros futuros, tiveram que administrar o estresse adicional de que a candidatura da chapa da direita possa sofrer um abalo com o caso Master.
… BB ON recuou 2,84% (R$ 21,54), BTG unit perdeu 1,49% (R$ 62,70), Bradesco PN caiu 1,39% (R$ 17,78) e Itaú PN, -1,18% (R$ 41,87). A exceção no segmento foi Santander unit, que registrou valorização de 0,51%, para R$ 29,60.
… Petrobras subia em torno de 1% antes de piscar a notícia sobre o contato de Flávio com Vorcaro, que virou os papéis da estatal para queda, na contramão do petróleo: ON -0,86%, na mínima de R$ 54,12; e PN -0,69% (R$ 49,26).
… Vale caiu firme (-1,15%; R$ 70,66), ampliando a desvalorização de ontem, apesar do minério de ferro estável.
… RD Saúde amargou a segunda pior queda entre as ações que compõem a carteira do Ibovespa, depois de o Mercado Livre anunciar a entrada na venda de remédios com receita e entregas ultrarrápidas, em até uma hora.
… Em Nova York, as bolsas driblaram bem a escalada do petróleo e dos juros dos Treasuries. O Dow Jones caiu só 0,31%, a 51.349,98 pontos. S&P 500 (-0,02%; 7.704,13 pontos) e Nasdaq (+0,01%; 26.939,37 pontos) ficaram de lado.
CIAS ABERTAS NO AFTER – Justiça congelou o envio de recursos da BRASKEM para a subsidiária no México (Idesa), em decisão que pode tirar subsidiárias da empresa da proteção contra credores, segundo fontes do Broadcast.
AXIA captou R$ 1,4 bilhão em debêntures incentivadas, com prazo de 20 anos e taxa de 7,8934% ao ano. Recursos financiarão parques eólicos do Complexo Coxilha Negra.
LIGHT realizará emissão de R$ 1 bilhão em notas comerciais, com vencimento em setembro de 2029 e remuneração de DI + 4,75% ao ano. Recursos serão destinados à concessão de distribuição de energia.
ENEVA. Aneel afirmou que rejeitou acordo sobre térmicas por não ter segurança quanto aos benefícios apresentados. Companhia retomará conversas em busca de nova solução.
RENOVA ENERGIA elegeu Alexandre Marcelo Marques Cruz como presidente do conselho de administração e conselheiro independente.
AZEVEDO & TRAVASSOS ENERGIA produziu 133 boe/d em agosto, ante 154 boe/d em julho. Barrinha e Porto Carão deixarão de constar nos boletins após encerramento do acordo com a Brava.
MAGAZINE LUIZA. S&P reafirmou rating brAA-, com perspectiva estável, citando expectativa de melhora operacional e redução gradual da alavancagem.
AZZAS 2154. Farm Rio planeja ampliar presença na América Latina em 2027, com franquias e parceiros locais, segundo a Bloomberg Línea. Marca abriu recentemente sua primeira loja na Colômbia.
MOVIDA emitiu R$ 1,275 bilhão em debêntures, com prazo de seis anos e taxa de DI + 2,50%. Recursos serão usados para fins corporativos e gestão de passivos.
BLAU pagará R$ 17,5 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,07576 por ação. Pagamento será em 8/10, considerando posição acionária de 29/9.
ROMI pagará R$ 26 milhões em JCP, equivalentes ao valor líquido de R$ 0,231 por ação. Pagamento será feito até dezembro de 2027, com papéis “ex” em 30/9.
BTG PACTUAL lançou carteira de reserva de valor que combina bitcoin e ouro tokenizado, com rebalanceamento trimestral conforme a volatilidade dos ativos.
Papo de Economista Semanal
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