Já se perguntou como a economia realmente começou? Antes dos gráficos, antes das equações... Houve ideias poderosas que moldaram o mundo em que vivemos hoje. De Adam Smith explicando como o interesse próprio impulsiona os mercados... até David Ricardo provando por que os países trocam de comércio... para Thomas Robert Malthus alertando sobre explosão populacional... e Karl Marx expondo a desigualdade no capitalismo... Essas não eram apenas teorias — elas moldaram políticas, economias e história. 💡 O que você precisa entender: • Por que os mercados podem funcionar sozinhos • Por que eles também podem falhar • Como a desigualdade se tornou um debate central 📌 Se você é estudante: Esta é sua base 📌 Se você é professor: Este é seu ponto de partida Guarde isso — porque tudo na economia começa aqui. ✍️ Explicado por :- Punit Vishal Singh (Mentor de Economia) 📌 Conhecimento compartilhado é conhecimento multiplicado.
Papo de Economista
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Aydano Ribeiro Leite
A Macroeconomia perde um dos seus maiores expoentes da história. O Prof. Edmund Phelps faleceu nesta madrugada, aos 92 anos de idade, deixando um dos legados intelectuais mais relevantes da teoria macroeconômica moderna. Suas contribuições sobre inflação, desemprego, expectativas e crescimento econômico, influenciaram gerações de economistas e a formulação das políticas econômicas em todo o mundo. Entre suas principais contribuições está a formulação da hipótese da taxa natural de desemprego, desenvolvida no final da década de 1960. Phelps demonstrou que não existiria um trade-off permanente entre inflação e desemprego, contrariando a interpretação tradicional da Curva de Phillips. Ao incorporar o papel das expectativas , mostrou que políticas expansionistas poderiam reduzir o desemprego apenas temporariamente, mas ao custo de inflação crescente no longo prazo. Essa contribuição foi fundamental para o desenvolvimento da Macroeconomia moderna e para a consolidação da chamada revolução das expectativas. Além disso, Phelps teve papel central no estudo dos fundamentos microeconômicos da Macroeconomia, contribuindo para a compreensão da rigidez de preços e salários, das imperfeições de mercado e da dinâmica do desemprego. Seus trabalhos também avançaram o debate sobre crescimento econômico, inovação, capital humano e prosperidade das nações, destacando a importância do dinamismo econômico e da criatividade para o desenvolvimento de longo prazo. Em reconhecimento à magnitude de suas contribuições, recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2006, especialmente por suas análises sobre os trade-offs intertemporais da política econômica. Sua obra permanece como referência indispensável para pesquisadores e formuladores de política Macroeconomia em todo o mundo.
Call Matinal 0106
Call Matinal
01/06/2026
Julio
Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
FECHAMENTO (2905)
MERCADOS
Ibovespa terminou maio em baixa de
0,73%, a 173.787 pts. No mês inteiro, queda foi de 7,22%, pelo fluxo
estrangeiro menor, perspectiva de juros mais altos e temporada de balanços. No
ano, porém, ainda registra alta de 7,86%. No mercado cambial, o dólar à vista fechou a sessão em alta de 0,21% R$ 5,042, no mês,
avançando 1,25%. Já os juros
futuros terminaram mistos na sexta-feira, com curtos em alta e longos perto da
estabilidade, com investidores avaliando os números do PIB do 1º trimestre,
melhores que o esperado. Os sinais de reaquecimento da economia levaram o
mercado a acredita que o Copom pode encurtar o ciclo de afrouxamento da Selic.
PRINCIPAIS MERCADOS
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MERCADOS 5h30 |
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Índices |
Comentários |
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EUA |
Dow Jones Futuro: +0,16% S&P 500 Futuro: +0,19% Nasdaq Futuro: +0,25 |
O noticiário sobre a guerra é monitorado, mas sem maiores novidades
concretas em relação a uma possível prorrogação do cessar-fogo ou reabertura
do Estreito de Ormuz. |
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Ásia-Pacífico |
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Shanghai SE (China), -0,27% Nikkei (Japão): +0,91% Hang Seng Index (Hong Kong): +0,95% Nifty 50 (Índia): -0,37% ASX 200 (Austrália): -0,03% |
As
bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira. |
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Europa |
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STOXX 600: -0,21% DAX (Alemanha): +0,13% FTSE 100 (Reino Unido): -0,24% CAC 40 (França): +0,05% FTSE MIB (Itália): -0,02% |
As bolsas europeias operam com sinais mistos. |
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Commodities |
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Petróleo WTI, +3,94%, a US$ 90,80 o barril Petróleo Brent, +3,46%, a US$ 94,29 o barril Minério de ferro negociado na bolsa de
Dalian, -0,19%, a 781,00 iuanes (US$ 115,42) |
Petróleo acelera alta em função das
indefiniçõe no estreito de Ozmur, após um fim de semana de nova escalada
militar, sem acordo fechado entre Estados Unidos e Irã. |
NO DIA, 0106
Numa semana mais curta pelo feriado de Corpus Christi na quinta-feira, observemos
o mercado doméstico operando “carregado” de novos eventos e em meio à dúvidas
sobre o imbróglio do estrito de Ozmur. Na agenda de indicadores, o destaque é o
payroll americano de maio, em mais um teste para as apostas de juros do Fed. Por
aqui, mercado
acompanha a produção industrial de abril, após o PIB forte do 1TRI, a balança
comercial e novos ruídos envolvendo a relação entre Brasília e Washington. No
Oriente Médio, as tratativas entre EUA e Irã seguem acontecendo, mas o impasse com
os aiatolás do Irã pertuba os mercados. Cresce a tese de que a forma como
eclodiu esta guerra foi um erro, e que o principal objetivo deveria ter sido
derrubar o regime islâmico e abrir espaço para a abertura democrática no país
persa. Como foi feito, nada muda. Neste cenário, as bolsas de NY operaram
instáveis em maio, assim como as moedas, com o juro futuro pressionado, como
podemos observar no gráfico a seguir.
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Segunda-feira,
01 de junho |
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Brasil |
IPC Semanal Pesquisa Focus Confiança do Consumidor (FGV) Balança Comercial Semanal |
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Boa segunda-feira para todos!
BDM Matinal Riscala
*Bom Dia Mercado*
Segunda Feira, 1.o de Junho de 2.026.
*Guerra e payroll mobilizam o mercado*
O principal foco da semana será o payroll americano de maio, em mais um teste para as apostas de juros do Fed
… Com feriado de Corpus Christi na quinta-feira, o mercado inicia uma semana mais curta no Brasil, mas ainda carregada de temas importantes, em meio às dúvidas sobre se investidores desmontaram rápido demais o prêmio geopolítico do petróleo. Após um fim de semana de nova escalada militar no Oriente Médio, sem acordo fechado entre Estados Unidos e Irã, o Brent reage na abertura dos negócios. Entre os indicadores, o principal foco será o payroll americano de maio, em mais um teste para as apostas de juros do Fed. Aqui, investidores acompanham a produção industrial de abril, após o PIB forte do 1TRI, a balança comercial e novos ruídos envolvendo a relação entre Brasília e Washington.
GUERRA AINDA SEM DESFECHO – Após um fim de semana de nova escalada militar no Oriente Médio e sem qualquer anúncio de acordo entre Estados Unidos e Irã, o mercado tenta entender se foi precipitado ao derrubar o petróleo ou se pode continuar otimista.
… Apesar do forte rali de risco dos últimos dias, o presidente Trump ainda não bateu o martelo sobre o memorando de entendimento com Teerã, embora as negociações continuem, em meio aos sinais contraditórios vindos da Casa Branca e do governo iraniano.
… O próprio chanceler do Irã afirmou que as trocas de mensagens seguem em andamento, mas alertou que conclusões precipitadas não devem ser tiradas, enquanto a agência Tasnim informou que Teerã também pretende apresentar mudanças relevantes no texto do acordo.
… Mais do que isso, assim como os Estados Unidos, o Irã também afirma que está preparado para um eventual fracasso das negociações.
… Ao mesmo tempo, Israel ampliou de forma significativa sua ofensiva no sul do Líbano, cruzou novamente o rio Litani e tomou o Castelo de Beaufort, em sua incursão mais profunda no país em mais de duas décadas.
… Netanyahu não apenas elevou a pressão sobre o Hezbollah, como abriu nova frente de desgaste para as tentativas de mediação diplomática.
… O avanço israelense ocorre justamente quando o Irã passou a defender que qualquer entendimento definitivo com Washington inclua também o fim da guerra no Líbano, adicionando novas camadas de complexidade ao acordo que vinha sendo tratado como relativamente próximo.
… A ofensiva israelense também aumenta o risco de prolongamento estrutural do conflito regional.
… O Hezbollah voltou a intensificar ataques contra tropas israelenses e comunidades no norte de Israel, enquanto milhares de moradores deixaram o sul do Líbano após novas ordens de evacuação emitidas pelas Forças de Defesa de Israel.
… Outro ponto que chamou atenção no fim de semana foi o endurecimento dos Estados Unidos em relação ao Estreito de Ormuz.
… Washington proibiu acordos de navegação mediados pelo governo iraniano e ampliou o risco de sanções para empresas e embarcações que mantenham relações com a autoridade criada por Teerã para controlar o tráfego na região.
… Ao mesmo tempo, o Parlamento iraniano avançou com um projeto para formalizar a gestão permanente de Ormuz, enquanto a Guarda Revolucionária voltou a afirmar que exerce controle total sobre o estreito e ameaçou reagir a qualquer tentativa de interferência.
… Na prática, porém, o tráfego marítimo segue longe da normalização.
… Segundo o Wall Street Journal, navios mercantes passaram a cruzar Ormuz em modo “dark”, desligando luzes e sistemas de identificação para reduzir o risco de ataques iranianos, enquanto militares americanos seguem monitorando discretamente as travessias.
… Mesmo com alguns grupos de petroleiros conseguindo atravessar o estreito, o fluxo permanece muito abaixo do padrão anterior à guerra, reforçando a percepção de que o prêmio geopolítico do petróleo pode ter sido desmontado cedo demais pelo mercado.
… O pano de fundo é especialmente delicado para os ativos globais porque maio terminou justamente com forte queda do petróleo, bolsas americanas renovando recordes e investidores operando uma normalização gradual de Ormuz (leia abaixo).
… Esse cenário, no entanto, pode voltar a ser colocado em dúvida diante do impasse diplomático, da escalada militar e do risco crescente de uma guerra mais longa. Na abertura do pregão asiático, o petróleo Brent subia para US$ 93,33 (US$ 91,12 no fechamento de sexta-feira).
… No noite de domingo, Trump foi às redes sociais para dizer que o acordo de paz com o Irã aponta “muito claramente” que Teerã não terá uma arma nucelar. “Na verdade, é sobre isso que a maior parte do acordo trata”, escreveu o presidente na Truth Social.
… Hoje, o Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião de emergência para tratar da ampliação da ofensiva de Israel no Líbano.
NOVA RETALIAÇÃO? – Empresários brasileiros estão na expectativa de um possível anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos contra o País já nesta segunda-feira, dentro da investigação da Seção 301 conduzida pelo governo Trump, segundo apuração do Estadão.
… A decisão deverá vir como resultado da investigação comercial contra o Brasil sobre supostas “práticas desleais” em comércio digital, Pix, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.
… O resultado poderá ensejar tarifas sobre produtos importados brasileiros, bem como demais medidas retaliatórias.
… “O momento é de definição da 301 e o resultado dela pode ser mais estrutural que aplicação de tarifas”, afirmou uma fonte do governo brasileiro. Outra fonte disse que “a investigação [conduzida pelo USTR] é ampla e pode ser uma bomba do ponto de vista comercial”.
… Integrantes do governo admitem que há sensação de que novas medidas por parte dos Estados Unidos “estão por vir”, mas há incerteza quanto ao que seriam as novas ações, após a Casa Branca ter enquadrado as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
… O tema está no escopo das tratativas recentes conduzidas pelo presidente Lula com Donald Trump, em 7 de maio, quando concordaram em prorrogar por 30 dias as negociações comerciais, para que o Brasil fizesse uma última defesa no âmbito da investigação.
… Mas antecipado um movimento, o setor privado acredita que o Escritório do Representante Comercial dos EUA anunciará tarifas elevadas e deverá abrir um prazo de 30 dias para comentários públicos.
… No fim de semana, o presidente Lula elevou o tom, afirmando que os Estados Unidos não podem “brincar com a soberania brasileira” e acusou integrantes da família Bolsonaro de incentivarem interferência estrangeira no País.
… Em entrevista ao jornal, a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, afirmou que a decisão de classificar PCC e CV como organizações terroristas vinha sendo discutida havia meses dentro do governo Trump.
… Ela negou influência direta de pedidos feitos por políticos do Brasil.
… Ainda assim, a medida aprofundou a contaminação política do tema no Brasil, e governistas acionaram a PGR para investigar a atuação de Flávio Bolsonaro, alegando violação da soberania nacional e tentativa de influência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
O GARGALO DO FISCAL – Com as contas públicas cada vez mais comprimidas, o governo Lula ampliou para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de gastos do Orçamento de 2026 para acomodar a forte alta das despesas obrigatórias, especialmente com os benefícios previdenciários.
… O governo estima gasto de R$ 1,1 trilhão com essas despesas este ano, cerca de 14 vezes superior ao total previsto para investimentos federais.
… Só o BPC deve consumir R$ 148 bilhões, quase o dobro de todos os investimentos planejados pela União, reforçando a percepção de que o crescimento das despesas sociais vem comprimindo progressivamente a capacidade de investimento público.
… O decreto também determinou uma espécie de “freio operacional” sobre despesas desbloqueadas, o que eleva a contenção prática de gastos para mais de R$ 80 bilhões até julho, ampliando o desconforto de parte do mercado com a execução orçamentária em ano eleitoral.
… O Ministério da Defesa foi o mais afetado pelo congelamento decidido na sexta-feira, com R$ 4,4 bilhões bloqueados, seguido por Cidades, Educação, Integração e Transportes. O governo também travou quase R$ 9 bilhões do Novo PAC.
… Apesar do bloqueio, o governo segue projetando déficit primário nas contas públicas em 2026 e continua dependendo de receitas extraordinárias, exclusões do arcabouço e flexibilizações fiscais para sustentar a meta formal de resultado.
BANDEIRA AMARELA – Ainda no final da sexta-feira, a Aneel manteve a bandeira tarifária amarela para junho, repetindo o mesmo patamar de maio e evitando, ao menos por enquanto, uma migração para a bandeira vermelha que vinha sendo esperada por parte do mercado.
… Com isso, os consumidores seguirão pagando custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, em um cenário ainda marcado pela piora das condições hidrológicas e redução das chuvas em diferentes regiões do País.
… A decisão ajudou a aliviar parcialmente as projeções de inflação de curto prazo.
… Citados pelo Broadcast, Terra, Bmg e Warren reduziram suas estimativas para o IPCA de junho após a manutenção da bandeira amarela, em movimento que reforçou a percepção de alívio temporário para a inflação de energia.
… O mercado, porém, continua vendo um cenário mais desafiador para a energia elétrica ao longo do segundo semestre, especialmente diante do risco de El Niño, da redução do nível dos reservatórios e da possibilidade de acionamento mais intenso de termelétricas.
COMBUSTÍVEIS – O governo federal também estendeu o alívio e ampliou o pacote de medidas para tentar conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia e a inflação doméstica, com desconto de R$ 0,3515/litro na venda do diesel A.
… Com o desconto, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,65 por litro para R$ 3,30 por litro.
… Além da nova subvenção de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores de diesel, foi prorrogada até o fim de julho a redução de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e mantidas zeradas as contribuições federais incidentes sobre o biodiesel.
… O novo programa do diesel unifica os subsídios concedidos ao combustível nacional e importado, com vigência até 31 de dezembro. Pela nova regra, produtores e importadores precisam comprovar que o benefício foi repassado ao preço final para terem acesso aos recursos.
… O Ministério da Fazenda manteve a possibilidade de revisão periódica da política. A cada dois meses, o governo poderá alterar os valores da subvenção ou até interromper o programa, dependendo do comportamento do mercado internacional de petróleo.
… Dados divulgados pela ANP na sexta-feira mostraram nova queda nos preços dos combustíveis no País. O diesel S-10 recuou 0,97% na semana, acumulando cinco semanas seguidas de baixa, enquanto a gasolina caiu 0,60% após semanas consecutivas de alta.
CURTAS DA POLÍTICA – O presidente Lula afirmou que pretende indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF, mesmo após a rejeição inédita sofrida pelo nome no Senado em abril.
… O movimento reabre tensão entre Planalto e Congresso e volta a expor o desgaste político na relação com o Centrão e a cúpula do Senado.
ALCOLUMBRE. Apesar disso, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou ao jornal O Globo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, estaria disposto a recompor a relação com Lula…
… Segundo ele, o governo trabalha para evitar novos atritos e acelerar pautas consideradas prioritárias, como a PEC do fim da escala 6×1.
BANDEIRA ELEITORAL. Guimarães também indicou que o governo pretende transformar a redução da jornada de trabalho em uma das principais bandeiras da campanha eleitoral, avaliando que o tema impôs derrota política importante ao bolsonarismo na Câmara.
CAIADO-KASSAB. No campo da centro-direita, o PSD voltou a alimentar especulações sobre uma candidatura presidencial própria…
… O presidente do Conselho Político do partido, Heráclito Fortes, afirmou que a chapa Ronaldo Caiado-Gilberto Kassab “está lançada”. Kassab, porém, adotou tom mais cauteloso e afirmou que ainda existem muitas etapas e negociações internas antes de qualquer definição.
FLÁVIO. Já no campo bolsonarista, relatório da AP Exata obtido pelo Estadão apontou que a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas ajudou Flávio Bolsonaro a recuperar parte do terreno perdido nas redes sociais.
… O levantamento, porém, mostra que o desgaste de imagem do senador continua elevado e que a melhora recente ainda não foi suficiente para restaurar os níveis anteriores de confiança da militância e do eleitorado bolsonarista.
AGENDA DA SEMANA – A primeira semana de junho será marcada por uma agenda internacional carregada, com foco absoluto nos dados de atividade e, principalmente, no payroll americano de maio, em meio às dúvidas sobre o espaço para cortes de juros pelo Fed.
… No Brasil, o feriado de Corpus Christi, na quinta-feira (4 de Junho) reduz parcialmente o ritmo dos negócios, mas investidores acompanham a produção industrial e a balança comercial (ambos na quarta-feira), além da pesquisa Focus hoje (8h25).
… O BC também segue no radar. O diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, participa hoje de reuniões trimestrais com economistas em São Paulo, em meio à recalibragem das apostas para a Selic após o PIB resiliente do primeiro trimestre.
… Amanhã, terça-feira, será publicada a ata da última reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) e, na quarta, o fluxo cambial referente à semana anterior, e o IC-BR de maio, que mede o impacto dos preços das principais commodities na inflação do país.
… Outro tema relevante da semana será a entrada em vigor das novas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a partir de hoje, que endurecem exigências prudenciais para bancos médios e tendem a reduzir a oferta de CDBs com remunerações muito acima do CDI.
… Na política, o Legislativo e o Judiciário devem ter uma semana mais esvaziada, mas o Senado deve iniciar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, aprovada pela Câmara. Alcolumbre ainda não definiu quem será o relator da proposta.
… Na Câmara, o ministro Alexandre Silveira comparece à Comissão de Minas e Energia na terça-feira e o plenário pode votar o Projeto de Lei Complementar (PLP) que diminui a tributação sobre combustíveis.
… Já no Planalto, o presidente Lula deve realizar reunião ministerial na quarta-feira.
… Nos Estados Unidos, a semana começa com PMIs industriais e ISM manufatureiro nesta segunda-feira, enquanto o mercado monitora também o relatório Jolts de vagas de emprego na terça-feira, a pesquisa ADP na quarta e os pedidos semanais de auxílio-desemprego na quinta.
… O principal evento, porém, será o payroll de sexta-feira. O mercado tentará entender se a economia americana continua forte o suficiente para sustentar a postura mais cautelosa e hawkish que voltou a ganhar espaço entre dirigentes do Fed nas últimas semanas.
… Ao longo da semana, investidores também acompanharão diversos discursos de membros do Federal Reserve, além da divulgação do Livro Bege na quarta-feira, em busca de novos sinais sobre atividade, mercado de trabalho e inflação.
… A agenda internacional ainda traz dados importantes de inflação na Zona do Euro, incluindo o CPI preliminar de maio na terça-feira e o PPI na quarta, em meio às expectativas para a próxima reunião do BCE, além de PMIs na Ásia.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – A semana também será marcada pela Computex, em Taiwan, onde a Nvidia e a Microsoft devem apresentar novos computadores voltados para inteligência artificial com chips próprios e recursos embarcados de IA.
CHINA HOJE –Divulgado nesta segunda-feira, o PMI industrial da China/Caixin caiu para 51,8 pontos em maio, de 52,2 pontos em maio.
… No fim de semana, Pequim informou que a atividade industrial do país permaneceu estável em maio após expandir por dois meses consecutivos, refletindo a pressão dos crescentes custos de energia desde que o conflito no Oriente Médio começou.
… O PMI do setor industrial caiu para 50,0 no mês, de 50,3 em abril, de acordo com dados divulgados no domingo, e o PMI composto subiu de 50,1 em abril para 50,5 em maio, enquanto o de serviços avançou de 49,4 para 50,1 na mesma comparação, entrando em expansão.
JAPÃO – Ainda na Ásia, o PMI industrial divulgado nesta segunda-feira caiu de 55,1 em abril para 54,5 em maio.
SURFANDO NA IA – Wall Street jogou a guerra para escanteio e resolveu aproveitar a onda favorável de notícias sobre a inteligência artificial, com o balanço da Dell mostrando que os investimentos na tecnologia seguem firme.
… As ações dispararam 32,76% na sexta-feira e embalaram outras companhias do segmento, como IBM (+12,71%), HP (+12,64%) e Oracle (+10,84%). O resultado foi mais uma sessão de fechamentos recordes em NY.
… O Dow Jones subiu 0,72%, aos 51.032,46 pontos. O S&P 500 avançou 0,22%, aos 7.580,06 pontos. E o Nasdaq teve alta de 0,20%, aos 26.972,62 pontos. Em maio, os índices ganharam 3,10%, 4,84% e 7,40%, respectivamente.
… No front da guerra, um alto funcionário do governo americano informou ao The New York Times na tarde de sexta-feira que Donald Trump ainda não tinha chegado a uma decisão sobre um novo acordo com o Irã.
… Ao longo da sessão, porém, a expectativa era de uma decisão final seria anunciada antes do fim de semana, o que não se confirmou.
… De olho em uma possível reabertura do Estrareito de Ormuz e na prorrogação do cessar-fogo entre EUA e Irã, o petróleo seguiu ladeira abaixo.
… O Brent para agosto devolveu 1,70% na sexta, a US$ 91,12, enquanto o WTI para julho recuou 1,73%, a US$ 87,36. As quedas acumuladas da commodity foram de 12% e 9,56% na semana, e de 17,4% e 16,8% em maio, respectivamente.
… O Brent teve maior queda mensal desde março/2020, na pandemia de Covid-19, enquanto o WTI levou o maior tombo desde novembro/2021.
PAGOU O PATO – A derrocada do petróleo e a saída do gringo do mercado brasileiro estão no cenário de fundo para a queda de 7,22% do Ibovespa em maio, no pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023.
… Cerca de R$ 14 bilhões de capital estrangeiro deixaram a B3 em maio até dia 27, reduzindo o saldo positivo no ano a pouco mais de R$ 42 bi.
… Petrobras foi uma das “culpadas” pelo desempenho ruim da B3 no mês passado. O papel ON perdeu 14,62%, enquanto o ON recuou 14,43%. Grandes bancos também pesaram em maio: Itaú PN (-7,27%) e Bradesco PN (-8,29%).
… Apenas na sexta-feira, o Ibovespa perdeu 0,73%, encerrando aos 173.787,49 pontos, numa sessão marcada pela alta de 1,1% do PIB do 1TRI26, com a atividade econômica aquecida colocando dúvidas sobre o ciclo de cortes da Selic.
… O giro na sessão foi forte, de R$ 46,7 bilhões, por conta da combinação do tradicional ajuste de carteiras de fim de mês com a revisão dos índices MSCI, com destaque para a saída de Totvs e a entrada de Itaú no MSCI Brazil.
… O papel PN do banco foi uma única alta (+0,10%; R$ 40,04) entre as blue chips, com volume expressivo. Petrobras caiu firme (ON -1,70%, na mínima de R$ 46,73; e PN -1,20%, a R$ 42,00), na esteira do recuo do petróleo.
… Vale ON (-1,36%; R$ 82,82) foi na contramão do minério (+0,45%). Os demais grandes bancos caíram: BB (-1,50%, a R$ 20,30), Bradesco PN (-1,12%, a R$ 17,70), BTG unit (-1,01%, a R$ 53,75) e Santander unit (-0,22%, a R$ 27,16).
… Totvs ON ficou no topo (+4,16%, a R$ 33,07), junto com Usiminas PNA (+4,04%, a R$ 11,08) e Eneva ON (+2,52%; R$ 25,63). Minerva ON (-7,05%, a R$ 3,69) liderou as perdas, com Braskem PNA (-6,02%, a R$ 10,46) e Magazine Luiza ON (-5,83%, a R$ 5,98).
RUÍDO ELEITORAL – A revelação das conversas entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro pesou sobre o câmbio no mês de maio, com o dólar à vista avançando 1,82% diante do real, de novo na faixa dos R$ 5.
… O episódio teve reflexos sobre as intenções de voto para a disputa presidencial e colocou em dúvida a viabilidade da campanha do senador.
… Na sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,22%, a R$ 5,0429, com os investidores avaliando a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas – o que pode complicar as relações comerciais entre os dois países.
… No ano, o dólar ainda recua 8,13%, com o real apresentando melhor desempenho no período entre as principais divisas globais, com a Selic ainda elevada garantindo um belo “carry trade”.
… No mercado de juros futuros, as taxas curtas se consolidaram na faixa dos 14%, com investidores apostando em um ciclo mais curto de afrouxamento pelo Copom, em meio ao risco inflacionário vindo do petróleo ainda presente.
… Na sexta-feira, o PIB do primeiro trimestre acima do esperado reforçou a percepção de que o BC ainda manterá os juros em patamar elevado, com o cenário externo também justificando cautela na condução da política monetária.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 terminou maio em 14,090% (de 14,053% no ajuste anterior); Jan/28 a 13,910% (13,824%); Jan/29 a 13,860% (13,805%); Jan/31 a 13,885% (13,895%); e Jan/33 a 13,965% (13,992%).
CIAS ABERTAS NO AFTER – COSAN iniciou conversas para venda da RUMO. Ultra, Grupo México, Inpasa, Bunge, Opportunity, GIC, Votorantim, Itaúsa e Suzano/Feffer estariam interessados, informa Lauro Jardim/O Globo.
JBS. China suspendeu a importação de carne bovina do frigorífico da Friboi em Vilhena (RO), alegando presença de resíduos de progesterona em cargas enviadas pela unidade, segundo apuração da Globo Rural e do Broadcast Agro.
SABESP concluiu a compra de fatia de 70% que a Iguá Saneamento detinha na Águas de Castilho por R$ 30,7 milhões e passou a controlar integralmente a concessionária.
BRAVA convocou para 08/6 assembleias de debenturistas da 3ª emissão da 3R Petroleum e da 3ª emissão da Enauta para aprovar anuência prévia à aquisição do controle da companhia pela Ecopetrol.
C&A. Norges Bank elevou sua participação de 4,97% para 5,05% do capital, passando a deter 15.315.100 ações ON.
FLEURY concluiu a compra de 100% das ações da GIP Medicina Diagnóstica, que opera a marca “Femme – Laboratório da Mulher” em SP, por R$ 207,5 milhões.
JHSF inaugurou shopping CJ Boa Vista Village, no complexo Boa Vista, em Porto Feliz (SP), com cerca de 15 mil m² de área bruta locável (ABL).
CAMIL aprovou aumento de capital de R$ 1,392 bilhão por meio da capitalização da reserva de incentivos fiscais, sem emissão de novas ações.
RAÍZEN. B3 prorrogou até 08/7 prazo para a companhia apresentar plano de reenquadramento da cotação de suas ações PN, que estão sendo negociadas abaixo de R$ 1,00.
domingo, 31 de maio de 2026
Leitura de domingo 2
*Leitura de Domingo: Economia experimenta espiral negativa forte, diz Ricardo Lacerda/BR Partners*
Por Cynthia Decloedt
São Paulo, 28/05/2026 - Há um risco altíssimo para a sobrevivência de várias empresas no Brasil e de uma crise mais ampla no crédito, no cenário precificado pelo mercado de juro elevado por período indefinido de tempo. "Isso está matando as empresas agora, tirando margem de manobra nas negociações de seus passivos, a capacidade de alavancagem e de investimento. Há uma espiral negativa na economia muito forte", diz o empresário e sócio fundador do banco de investimento BR Partners, Ricardo Lacerda.
Ele destaca que essa é uma nuance da atual crise que vem passando despercebida, mas que tem obrigado companhias a refazer contas, reprecificar seus ativos e renegociar dívidas com uma visão de que o ciclo de corte de juro será curto e manterá o custo do dinheiro alto. Segundo o Lacerda, empresas com endividamento por volta de duas vezes seu fluxo de caixa, que eram consideradas saudáveis, têm dificuldade de honrar seus compromissos atualmente dado o patamar da Selic.
Para o banqueiro, não há outra saída que não seja o ajuste fiscal, para que a economia fique menos dependente da política monetária em momentos como o atual, em que o cenário externo tem limitado a capacidade de ação do Banco Central. Lacerda acredita que seja qual for o próximo governo, a questão do ajuste fiscal terá que ser enfrentada. "Precisamos de um plano de política fiscal que permita ao Brasil ter um juro nominal e um juro real de um dígito. Ninguém tem bola de cristal para saber o que seria o gatilho de uma crise de crédito mais severa. Mas eu acho que talvez a gente não esteja longe dela, e caminhando para um cenário mais crítico", afirma.
De toda a forma, mesmo com a sinalização de ajuste, o banqueiro estima que seu reflexo não será imediato e o mercado poderá presenciar números recorde de reestruturações por mais 24 meses.
*Leia a seguir os principais trechos da entrevista:*
*Broadcast: Por que vivemos tantas reestruturações de empresas nesse momento?*
Ricardo Lacerda: Estamos saindo de um ambiente de juros muito baixos na pandemia, quando muitas empresas fizeram aquisições, muitas vezes por valores altos, financiadas com uma lógica de custo de capital que mudou radicalmente. O juro saiu daqueles 2% para perto de 15%, onerando demais. Havia expectativa de redução, mas por questões fiscais do Brasil e pelo cenário internacional, com guerra no Oriente Médio, petróleo e inflação, o mercado passou a entender que vamos conviver com juros altos por um período prolongado. Quando você olha a curva futura, até vencimentos longos, o juro nominal e o real estão muito altos, e isso dificulta planejamento. Some a isso mudanças estruturais pós-pandemia - varejo, cadeia produtiva, custo de mão de obra - e você tem um volume recorde de reestruturações.
*Broadcast: O senhor acredita que, não fosse a guerra pressionando o petróleo e limitando o corte de juros, o número de reestruturações seria menor?*
Lacerda: O mercado antecipa tudo. No fim do terceiro trimestre e início do quarto trimestre do ano passado, houve algum alento: entrou mais recurso no Brasil e havia perspectiva de queda mais significativa, talvez para 12%, 11% ou "dez e poucos". Com a guerra, isso foi reprecificado. A perspectiva virou algo como cair de 15% para 13%, na melhor das hipóteses - talvez nem isso. O que está se materializando é um ciclo de corte muito mais raso e curto. Todo mundo está tendo que se posicionar e reprecificar seus ativos para um ambiente de juros altos por um período muito prolongado.
*Broadcast: Quão prolongado será esse período?*
Lacerda: Temos hoje um cenário em que há o impacto na curva de juro, de curtíssimo prazo, da guerra e do preço de petróleo, mas muito pior do que isso, há um impacto de longo prazo. As empresas estão refazendo as contas. Aquelas empresas que historicamente tinham um nível de alavancagem de três, quatro vezes, digamos considerados normais e que poderiam se endividar, ainda que temporariamente, ficaram inviáveis. Hoje vemos boas empresas, com alavancagem relativamente baixa, com o endividamento por volta de duas vezes seu fluxo de caixa, com dificuldade de honrar seus compromissos. Isso tirou a capacidade de investimento do sistema e a capacidade de alavancagem, e o custo vai ser muito alto para as empresas e também para o País. Se não houver mudança na política fiscal, se não houver perspectiva de redução de juros para um patamar de um dígito, vamos ter de conviver com uma situação muito mais negativa.
*Broadcast: E com quais consequências?*
Lacerda: A consequência é continuar a quebradeira que estamos vendo e uma redução significativa do poder de investimento das companhias. Empresas acima de duas, duas vezes e meia de alavancagem, já não conseguem reduzir endividamento com geração de caixa; trabalham para servir a dívida. Isso é insustentável e reduz completamente a capacidade de alavancagem do sistema como um todo. A gente precisa de um plano de política fiscal que permita juro nominal e juro real de um dígito. Ninguém tem bola de cristal para dizer qual seria o gatilho de uma crise de crédito mais severa, mas talvez não estejamos longe de um cenário mais crítico.
*Broadcast: De uma crise de crédito mais ampla, que atinja o sistema como um todo?*
Lacerda: Exatamente. Uma retração do crédito mais ampla em função dos problemas, de aumento de inadimplência, de tal maneira que tudo fique paralisado. Existe um risco de isso acontecer, já que há aumento de inadimplência tanto na pessoa física, quanto no setor corporativo. Mas acho que o impacto mais nefasto é a limitação da capacidade de investimento. Então aquele nível de juros excessivos, tanto nominal quanto real, que parecia transitório, pode tomar um caráter permanente. E aí é preciso reprecificar toda a capacidade de investimento e de alavancagem do sistema.
*Broadcast: Ou seja, há necessidade de um ajuste fiscal para que o juro recue, já que as empresas e o País não aguentam ficar dependentes dos bons ventos externos?*
Lacerda: Exato. Temos de analisar a situação com frieza. Acho que, certo ou errado, esse governo conseguiu manter um crescimento positivo ao longo dos quatro anos, manter a inflação sob controle e a taxa de desemprego em um nível muito baixo. Há indicadores econômicos positivos, quando se olha o quadro geral. Mas parte disso foi conquistado com um estímulo fiscal muito forte e que está claro que o País não tem condições de manter. É preciso, independente do resultado da eleição (presidencial de outubro), que se tenha uma política fiscal que permita um patamar de juro nominal e de juros reais no Brasil na casa de um dígito. Porque isso é o que vai trazer a capacidade de investimento das empresas, que vai poder gerar mais crescimento. Não dá mais para tapar o sol com a peneira, achando que a gente vai conseguir indefinidamente manter esses indicadores econômicos positivos à custa desse estímulo fiscal. Esse é o grande nó da economia brasileira hoje.
*Broadcast: O senhor acha que o ajuste será endereçado pelo próximo governo, independente de legenda partidária?*
Lacerda: Necessariamente terá de ser endereçado, caso contrário poderá haver uma situação de hiperinflação ou de calote na dívida, que são coisas que a gente já viveu no passado e que, obviamente, estamos muito distantes. Acho importante que essa solução venha proativamente e não reativamente, porque reativamente será preciso corrigir uma série de coisas, uma recessão, uma hiperinflação, problema de insolvência ou pode ter uma combinação de todas essas coisas.
*Broadcast: O que o senhor acha que vai acontecer este ano, especificamente, em relação a essa onda de reestruturações, continua aumentando?*
Lacerda: Eu acho que no curto prazo, sem dúvida alguma, e para além das grandes que estamos presenciando neste momento. Há uma série de empresas menores, que estão fora do radar dos grandes investidores, que estão com muita dificuldade. Vivemos um recorde nos pedidos de recuperação judicial e nos pedidos de recuperação extrajudicial. Temos visto inclusive negociações amigáveis também batendo recordes. No horizonte nos próximos 18 a 24 meses, acredito que o patamar de reestruturações de dívida vai aumentar muito.
*Broadcast: Qual deve ser o impacto, portanto, para as empresas, o País e para o sistema financeiro?*
Lacerda: O sistema financeiro, obviamente, sofre um pouco com isso, mas ainda tem um nível de rentabilidade muito forte e uma solidez muito grande, consegue absorver. O mercado de capitais para crédito privado, que cresceu muito a partir de 2017 e 2018, está machucado. Muitas pessoas físicas que compraram créditos privado estão perdendo dinheiro e vão pensar duas vezes para investir novamente. Isso é ruim e está dado. Mas o principal impacto é a diminuição da capacidade de alavancagem do sistema. Reduz a capacidade de investimento da economia como um todo.
*Broadcast: Há alguma particularidade nesse ciclo de reestruturações e crise entre as empresas que a difere das anteriores, como Lava Jato ou Covid?*
Lacerda: Estamos vendo uma onda mais generalizada porque não há perspectiva de redução de juros no curto prazo. Com endividamento excessivo, as companhias perderam margem de manobra: não conseguem refinanciar a custos menores para reorganizar passivos e ganhar eficiência. Por isso tende a se ampliar. Quem não conseguiu se desalavancar até agora dificilmente vai conseguir daqui para frente, dado o patamar de juros. E acho que o Banco Central talvez tenha esperado demais para iniciar o ciclo de corte e acabou sendo pego pela guerra, um evento exógeno que impede uma redução mais longa e profunda. Vamos conviver com juros altos por um período prolongado; é preciso mudar essa equação para as empresas se replanejarem.
*Broadcast: Por que os grandes conglomerados estão em crise?*
Lacerda: Não são só as gigantes que estão em crise. Mas muitas empresas gigantes tiveram mais condições de se alavancar em um determinado momento da economia e buscar grandes projetos. Era um cenário de juro muito baixo e de potencial de crescimento econômico. Foi uma mudança para pior nessa equação muito grande.
*Broadcast: Mas as grandes empresas não conseguiram ver essa mudança antecipadamente, não aproveitaram bem as oportunidades?*
Lacerda: É caso a caso. Muitas vezes dava para ter planejado melhor e há erros de gestão. Mas ninguém esperava uma mudança tão drástica para um cenário pior. A subida de 2% para 15% foi relevante, mas o principal é que a perspectiva de cair de forma consistente ficou muito baixa. Podemos estar fadados a ficar nesse patamar altíssimo por um período indefinido. Nenhuma política monetária eficiente deveria manter juros reais nesses níveis por tanto tempo, mas a dinâmica fiscal aponta para juros permanentemente altos. É isso que está matando agora: o mercado e a curva de juros estão precificando um período indefinido de juros muito altos, colocando muitas empresas em altíssimo risco de sobrevivência.
Contato: cynthia.decloedt@estadao.com
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UBS e o risco fiscal
https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/05/ubs-wealth-ve-duvidas-fiscais-por-tras-do-nivel-de-estresse-do-juro-longo-no-brasil.ghtml
🔹 *UBS VÊ RISCO FISCAL COMO PRINCIPAL FATOR POR TRÁS DOS JUROS LONGOS ELEVADOS NO BRASIL*
A *UBS Global Wealth Management* avalia que a manutenção dos juros de longo prazo em níveis próximos de *14%* no Brasil não pode ser explicada apenas pelo movimento dos juros americanos. Segundo a instituição, a principal razão para o estresse da curva doméstica é o aumento do *prêmio de risco fiscal* exigido pelos investidores.
De acordo com o estudo, as dúvidas sobre a *trajetória da dívida pública*, a expansão dos gastos do governo e a dificuldade de implementação de ajustes fiscais mais robustos continuam pressionando os custos de financiamento do país.
A UBS destaca que os juros longos brasileiros permanecem elevados desde o final de *2024*, quando o anúncio da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda veio acompanhado de medidas de contenção de gastos consideradas insuficientes pelo mercado.
Segundo a análise, o diferencial entre o prêmio de risco dos títulos brasileiros e dos títulos americanos voltou a subir significativamente. Esse spread, que havia recuado para cerca de *150 pontos-base* ao longo de 2024, atualmente gira em torno de *300 pontos-base*.
Para a equipe liderada por *Solange Srour*, esse comportamento indica uma deterioração predominantemente doméstica da percepção de risco, mais relacionada à política fiscal brasileira do que ao ambiente global de juros elevados.
A UBS também observa que, embora os *Treasuries* tenham sofrido pressão recente, o aumento dos rendimentos nos Estados Unidos está ligado principalmente à resiliência da economia americana e não a preocupações relevantes com a situação fiscal do país.
📌 Na visão da UBS, uma melhora consistente dos juros de longo prazo no Brasil dependerá menos de ajustes fiscais pontuais e mais de mudanças estruturais que convençam os investidores sobre a sustentabilidade da dívida pública e a credibilidade do regime fiscal no longo prazo.
Leitura de domingo 1
*Leitura de Domingo: PEC da 6x1 afasta-se de padrão internacional por rigidez e transição curta*
Por Mateus Maia
Brasília, 27/05/2026 - O relatório da Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 se distancia do padrão internacional de regulação da jornada de trabalho, segundo estudo do Centro de Liderança Pública (CLP). De acordo com a análise, a proposta levaria o Brasil a adotar uma regra mais rígida - com dois dias obrigatórios de folga por semana - e um prazo de transição considerado curto para adaptação. A PEC deve ir à votação nesta semana na Câmara dos Deputados.
Na avaliação do CLP, o texto tem dois efeitos centrais: reduz a jornada e, ao mesmo tempo, endurece a forma de distribuir as horas trabalhadas ao exigir duas folgas semanais. Segundo a entidade, o impacto ainda não foi plenamente mensurado, principalmente em setores que exigem operação contínua ou ampla cobertura de turnos, como comércio, alimentação, hotelaria, saúde, segurança, transporte e serviços pessoais. Nesses segmentos, o desafio não seria apenas o aumento do custo da hora trabalhada, mas também a reorganização de escalas, a negociação de turnos e a cobertura de horários de pico com menor flexibilidade.
A nota técnica do CLP comparou o texto com a experiência de 22 países e concluiu que o modelo mais comum no exterior combina limites diário e semanal de horas com a exigência de descanso mínimo semanal - geralmente ao menos um dia -, sem impor dois dias fixos de folga para todos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a União Europeia adotam parâmetros de descanso mínimo, mas não determinam dois dias obrigatórios por semana.
Mesmo em países com jornadas menores, a distribuição dos dias de trabalho tende a preservar flexibilidade. A França, por exemplo, tem jornada legal de 35 horas, mas permite até seis dias de trabalho por semana, desde que respeitados limites diários e semanais e o descanso mínimo. Japão, China e México seguem lógicas semelhantes.
O estudo também aponta que a rigidez pode afetar parte dos trabalhadores que a medida busca beneficiar. Para muitas pessoas - especialmente mulheres - a questão não é apenas o total de horas, mas a forma como elas se organizam ao longo da semana. Em alguns casos, cinco dias com oito horas integrais pode ser menos conveniente do que seis dias com turnos mais curtos. Quem precisa buscar filhos na escola, cuidar de familiares ou conciliar dois empregos pode preferir jornadas menores em mais dias. A obrigatoriedade de duas folgas semanais reduziria a margem para esses arranjos.
Do lado das empresas, o CLP avalia que a proposta combina maior custo e menor flexibilidade. Companhias maiores tenderiam a absorver parte do impacto com tecnologia e reorganização, enquanto pequenos negócios - como restaurantes e comércios de bairro, frequentemente com margens mais baixas - podem enfrentar mais dificuldade. O estudo menciona riscos como informalização, pejotização, redução de contratações e aumento de rotatividade. Levantamento do CLP indica ainda que comércio, construção, agropecuária e parte dos serviços estariam entre os mais expostos.
O prazo de transição, de 14 meses, é considerado insuficiente para uma mudança constitucional com efeitos sobre a maior parte da economia. O CLP argumenta que uma implementação ampla e simultânea também dificulta a avaliação dos resultados ao longo do tempo.
Como alternativa, o CLP defende transição gradual - por setor ou porte de empresa -, permitindo monitorar impactos sobre emprego, salários, informalidade e preços antes da adoção integral. A sugestão é iniciar por setores menos dependentes da escala 6x1 e avançar progressivamente para os mais sensíveis.
A conclusão do estudo é que, ao combinar redução de horas com a proibição ampla da escala em seis dias, a PEC pode encarecer o trabalho formal, reduzir a flexibilidade para trabalhadores e empresas e ampliar a informalidade. Para o CLP, o debate deveria priorizar um desenho de transição que melhore a qualidade de vida do trabalhador sem comprometer a proteção do emprego formal.
Contato: mateus.maia@broadcast.com.br
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