Papo de Economista
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Holding Patrimonial
Holding patrimonial: a reforma tributária exige mais estratégia do que nunca
A reforma tributária trouxe um alerta importante para quem utiliza holdings patrimoniais. A cessão gratuita de um imóvel da empresa para uso de sócios ou familiares poderá, em determinadas situações, ser considerada uma operação tributável. A incidência de IBS e CBS dependerá da forma como o imóvel foi adquirido, da apropriação de créditos e da finalidade do bem dentro da holding.
Além dos novos tributos sobre o consumo, a operação também pode produzir efeitos no IRPJ e na CSLL, conforme o regime tributário, a escrituração contábil e a existência (ou não) de contraprestação. O consenso entre especialistas é que não existe uma regra única: cada caso deve ser analisado considerando a origem do imóvel, o histórico de créditos, a documentação e o efetivo uso do patrimônio.
Outro ponto relevante é o fortalecimento da fiscalização. Com o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), a Receita Federal passará a contar com uma base nacional integrada de informações sobre imóveis, aumentando significativamente sua capacidade de cruzamento de dados.
A mensagem para investidores e famílias é clara: estruturas patrimoniais continuam sendo instrumentos importantes de planejamento, mas exigirão governança, documentação e revisão periódica. Na nova realidade tributária, decisões que antes pareciam simples podem gerar impactos fiscais relevantes. Antecipar essa análise pode evitar custos e riscos no futuro.
BDM Matinal Riscala
Segunda-feira, 27 de Julho de 2026.
*PETRÓLEO AMPLIA QUEDA NA SEMANA DO FED*
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
Aqui, o IPCA-15 de julho e os dados de emprego são os destaques…
que devem consolidar as apostas em corte de 0,25 ponto da Selic no Copom do dia 5
… Depois de quase duas semanas em que a guerra entre Estados Unidos e Irã dominou completamente os mercados, a nova queda do petróleo nesta segunda-feira permite que a agenda econômica – que está bastante carregada – volte a disputar o protagonismo. Com o Brent recuando 4% no eletrônico, investidores têm a chance de recalibrar as expectativas para inflação e juros às vésperas da reunião do Fed, nesta quarta-feira. Aqui, o IPCA-15 de julho e os dados de emprego são os destaques, que devem consolidar as apostas em corte de 0,25 ponto da Selic no Copom do dia 5. Em paralelo, a temporada de balanços acelera com as big techs em Nova York e pesos pesados na B3, incluindo Vale.
PAUSA NOS ATAQUES – O fim de semana confirmou a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã, reacendendo as expectativas de uma solução diplomática para o conflito, que, na sexta-feira, já reduziu parte do prêmio de risco incorporado ao petróleo.
… Depois de 13 dias consecutivos de bombardeios, Washington suspendeu as ofensivas no Oriente Médio para abrir espaço às negociações, numa decisão atribuída ao comandante das forças americanas na região, para quem a campanha atingiu o limite de sua eficácia.
… Ao mesmo tempo, Omã retomou os esforços de mediação, enquanto Paquistão e China passaram a articular uma nova tentativa de negociação entre os dois países. Teerã sinalizou que também interromperá seus ataques, enquanto os Estados Unidos mantiverem essa estratégia.
… A decisão foi reforçada por declarações do governo americano de que o objetivo é ampliar o espaço para a diplomacia, embora o presidente Donald Trump tenha reiterado que “todas as opções continuam sobre a mesa”.
… O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, porém, permanece em vigor no Estreito de Ormuz, e os houthis continuam pressionando o tráfego no Mar Vermelho, indicando que os riscos para a oferta global de petróleo ainda estão longe de desaparecer.
… Depois de acumular alta de 10% na semana passada, o Brent deixou o nível de US$ 100 e fechou em US$ 96,78 o barril, queda de 3%. No início do pregão eletrônico, nesta segunda-feira, o preço do barril ampliava a queda, negociado a US$ 93,04 (-3,86%).
… Os investidores iniciam a semana tentando avaliar se essa descompressão representa o início de uma solução mais duradoura ou apenas uma pausa temporária em um conflito que continua capaz de alterar rapidamente as expectativas para inflação, juros e crescimento.
… Nesse ambiente, a agenda econômica volta a ganhar protagonismo, com a reunião do Fed, os balanços das big techs americanas e a temporada de resultados no Brasil disputando espaço com os desdobramentos da guerra.
FED VEM ANTES DO COPOM – Desta vez não tem superquarta, a reunião do Fomc nesta semana deve manter os juros americanos inalterados, mas será importante para sinalizar as chances de um aumento este ano. Muitos investidores apostam em setembro.
… A pausa nos ataques dos Estados Unidos contra o Irã veio a calhar para aliviar um pouco o ambiente para o Fed, mas a mensagem de Kevin Warsh e da maioria dos dirigentes do Comitê sugere que a mensagem conservadora deve ser preservada.
… Principal destaque da agenda, o Fed tem alto potencial de influência sobre os ativos globais e sobre as expectativas para o Copom, que faz sua reunião na próxima semana, dias 4 e 5 de agosto, com a maioria apostando em um novo corte de 0,25pp da Selic.
… No caso do BC do Brasil, o que os investidores querem saber é se depois dessa queda haverá uma pausa no ciclo de calibração. Em sua participação na Expert XP, na sexta-feira, Gabriel Galípolo evitou dar qualquer pista sobre o que poderá vir por aí.
… Além do Fed, também o BoE inglês (quinta-feira) e BoJ japonês (sexta-feira) fazem reuniões de política monetária.
MAIS AGENDA LÁ FORA – A semana internacional reserva outros testes importantes para as expectativas de juros, sendo os dois principais o PCE de junho e a primeira leitura do PIB do segundo trimestre dos Estados Unidos – ambos após o Fed, na quinta-feira.
… No mesmo dia, serão divulgados ainda os PIBs preliminares da Alemanha e zona do euro e, à noite, os PMIs de julho na China.
… Já na sexta-feira, os Estados Unidos voltam ao foco, com o PMI industrial (ISM) e o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, com as expectativas inflacionárias. Amanhã, terça, sai a confiança do consumidor americano do Conference Board.
… Hoje, a agenda inclui o índice de sentimento das empresas (IFO) na Alemanha e as encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos (9h30).
NETANYAHU… – No campo político, o primeiro-ministro de Israel viaja amanhã a Washington para encontros com o presidente Donald Trump e outras autoridades americanas, em meio às tentativas de retomada das negociações no Oriente Médio.
… E ZELENSKY – Também está prevista para terça-feira uma reunião entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, quando deverá ser discutida uma nova proposta de cessar-fogo aéreo para o conflito com a Rússia.
IPCA-15 – Aqui, a agenda da semana também é importante, com a prévia da inflação de julho, além de dados do emprego e do setor externo e fiscal. O IPCA-15 de julho, antes do Copom, será divulgado amanhã, terça-feira, a uma semana do Copom.
… Após leituras benignas nos números de inflação de junho, a expectativa para o índice preliminar é de desaceleração para 0,21% em julho, segundo a mediana das estimativas do mercado apurada em pesquisa do Broadcast. Em junho, o IPCA-15 teve alta de 0,41%.
… A Pnad Contínua, com a taxa de desemprego, e o Caged – ambos referentes a junho – serão divulgados na quinta-feira (30), como indicadores importantes para atestar a desaceleração da economia brasileira, que deixa o BC mais confortável para reduzir a Selic.
… Na mesma quinta, o Conselho Monetário Nacional se reúne, enquanto o Banco Central divulga a nota de crédito de junho.
… Ainda referente a junho, saem as contas do setor externo amanhã, terça-feira, e na sexta-feira, os dados fiscais.
HOJE – O BC divulga o Boletim Focus (8h25), enquanto Gabriel Galípolo recebe o presidente do BRB, Nelson Antônio de Sousa às 16h.
BALANÇOS PESOS-PESADOS – A temporada de balanços ganha força nesta semana, com resultados de algumas das maiores empresas do mundo e do Brasil, que devem testar o apetite por risco, calibrando as expectativas para a atividade e os lucros corporativos no segundo semestre.
… Nos Estados Unidos, o destaque fica para as gigantes de tecnologia. A Meta e a Microsoft divulgam resultados na quarta-feira (29), enquanto Amazon e Apple apresentam seus números na quinta-feira (30), em uma semana decisiva para Wall Street.
… Também entram no radar empresas como Visa, Mastercard, Coca-Cola, Boeing, Ford, Procter & Gamble, Qualcomm, Chevron e Shell.
… Na Europa, a agenda inclui balanços de bancos como Barclays, Deutsche Bank, Intesa Sanpaolo, Lloyds, ING e NatWest, além de companhias como Anglo American, Airbus, Telefónica, Enel, AB InBev e Renault.
B3 – Aqui, a temporada também acelera, já com Vivo e TIM hoje, após o fechamento do mercado.
… Na quarta-feira (29), o foco se volta para o Santander, e, na quinta (30), para a Vale e a Ambev, dois dos balanços mais aguardados da semana por seu peso no Ibovespa. Também divulgam resultados Multiplan e EcoRodovias (quinta), Usiminas e AgroGalaxy (sexta-feira).
LULA X TRUMP – A escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos deve continuar no radar nesta semana.
… Em artigo publicado neste domingo no Washington Post, o presidente Lula voltou a rebater as justificativas do governo Trump para o tarifaço sobre produtos brasileiros, defendeu o Pix e reafirmou que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade.
… O texto reafirma a disposição de manter o diálogo, mas sem aceitar “interferência externa” no processo eleitoral brasileiro.
… Em um trecho duro, o artigo de Lula referiu-se a Marco Rubio, afirmando que “nunca antes” um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. “Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, escreveu o presidente.
… O embate diplomático ganhou novos capítulos após o governo brasileiro negar vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam visitar o País para discutir temas relacionados às eleições.
… Segundo o Estadão, o Planalto interpretou a iniciativa como tentativa de disseminação de dúvidas sobre o sistema de votação brasileiro.
… Paralelamente, o governo também prepara uma nova contestação das tarifas americanas na Organização Mundial do Comércio (OMC).
CURTAS DA POLÍTICA – O PL oficializou no sábado a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
… A convenção em São Paulo foi marcada por um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz de Jair Bolsonaro, mensagens de apoio de Michelle e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, além de um discurso do presidente argentino, Javier Milei.
… O governador Tarcísio de Freitas lamentou a ausência do ex-presidente e afirmou que “dói” não ter Bolsonaro presente no evento.
… O governo brasileiro chamou o embaixador em Buenos Aires para consultas após os ataques feitos por Milei ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes durante a convenção do PL. Já o PT acionou o TSE e o STF contra a exibição do vídeo de IA com Bolsonaro.
… Ainda sem vice na chapa de Flávio, o nome do senador Astronauta Marcos Pontes passou a ser cogitado pelo PL nos últimos dias.
CAIADO. O PSD oficializou a chapa pura formada por Ronaldo Caiado para presidente e Gilberto Kassab para vice, em convenção no domingo.
… Em entrevista à CNN, Caiado reafirmou que pretende dar um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro no 1º dia de seu governo.
ZEMA. Nesta segunda-feira, o Novo oficializa a candidatura de Romeu Zema.
HADDAD. Convenção estadual do PT que sacramentou a escolha de Fernando Haddad como candidato a governador, no sábado, em Campinas, teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que falou sobre soberania nacional em seu discurso.
ALCKMIN. Lula deve estar presente na convenção do PSB, que confirmará Geraldo Alckmin como seu vice, na quarta-feira.
… O PT oficializará a candidatura do presidente Lula no próximo domingo (2).
PESQUISAS. AtlasIntel divulga amanhã, terça-feira, o primeiro levantamento após o tarifaço dos Estados Unidos, medindo os efeitos eleitorais da medida e testando cenários com Michelle Bolsonaro.
… A pesquisa Datafolha divulgada na noite de sexta-feira mostrou Lula com 48% contra 43% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno.
PLANALTO. Acordo comercial entre Mercosul e Coreia do Sul é o tema de hoje da visita do presidente Lee Jae-myung ao presidente Lula.
VEIO A CALHAR – Menos por convicção e mais por uma correção técnica, o petróleo testou uma acomodação no pregão da sexta-feira e devolveu os US$ 100, com os esforços de diplomacia na guerra de volta às manchetes.
… Um dia depois do salto de 7%, o Brent estava no jeito para uma realização, ainda que parcial.
… A notícia de que o Paquistão tenta fazer o meio de campo e explora um caminho para retomar as negociações, após uma iniciativa liderada pela China, caiu como uma luva para a commodity corrigir parte do estresse.
… Mesmo assim, o Brent não caiu tudo o que havia subido na véspera, à espera do fim de semana.
… O petróleo ainda terminou a semana com rali acumulado de 9,85%, para dar a medida dos riscos, e continua despontando como driver muito importante a ser administrado nas próximas decisões de política monetária.
… Faltando pouco mais de uma semana para a reunião do Copom, Galípolo frustrou a expectativa do mercado de sinalização sobre a Selic. Durante a sua participação no evento Expert XP, só reafirmou a comunicação recente do BC.
… Disse que o cenário atual demanda juro em um patamar restritivo por um período mais longo. Segundo o Broadcast, a taxa implícita na curva do DI para o segundo semestre de 2028 precifica Selic de volta ao nível dos 15%.
… Nos últimos dias, cresceu entre os traders a percepção de que um corte do juro na semana que vem pode ser o último do ciclo. Apesar disso, a curva do DI se aproveitou na sexta-feira do alívio do petróleo para desarmar pressão.
… No fechamento, o contrato de juro para Janeiro de 2027 marcava 13,96% (de 14,045% no ajuste anterior); Jan/29, 14,445% (contra 14,675% na quinta-feira); Jan/31, 14,625% (de 14,850%); e Jan/33, 14,69% (de 14,880%).
… As taxas operaram em sintonia com os rendimentos dos Treasuries, que também colaram na queda do petróleo. O yield da Note de dois anos caiu para 4,330% (de 4,349% na véspera) e o de 10 anos recuou para 4,678% (de 4,699%).
… O de 30 anos voltou a 5,161% (de 5,167%). Analistas comentam que o rendimento da ponta longa segue próximo de 5,20%, perto do pico atingido em maio, e que é o trecho que mais tem refletido a perspectiva de gastos com a IA.
… Vira e mexe, o investidor alterna os sentimentos sobre este tema e migra da euforia à cautela com a inteligência artificial, na volatilidade que responde às incertezas sobre o medo de perder este trem e o medo de pegar este trem.
… Voltou à cena na sexta-feira o receio da bolha da IA, levando o Nasdaq a ignorar a acomodação do petróleo e cair 0,64%, aos 24.975,82 pontos. O S&P 500 também não quis arriscar. Fechou estável (+0,05%), a 7.411,99 pontos.
… “As preocupações quanto à capacidade de monetizar os enormes investimentos em IA podem continuar a pesar sobre o S&P 500, assim como a nova escalada das hostilidades no Oriente Médio”, aponta a Capital Economics.
… Só o Dow Jones ensaiou ganho mais consistente na sexta-feira (+0,46%) e terminou o dia aos 51.947,25 pontos.
OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS? – Durante dois meses seguidos (maio e junho), analistas observaram a fuga do capital estrangeiro da B3, migrando para países emergentes mais expostos à IA, como Taiwan e Coreia do Sul.
… Julho, porém, quebrou esta tendência negativa e o fluxo gringo voltou a dar sinal de apetite pelo Brasil, com saldo mensal positivo de R$ 4,6 bilhões até aqui, levantando especulações sobre as razões para este interesse renovado.
… A BB asset avalia que os investimentos em ações ligadas à inteligência artificial no exterior podem estar saturados e que o investidor volta a enxergar a bolsa doméstica como uma janela de oportunidade.
… Poucos dias atrás, o Citi já havia notado o fluxo atraído pelo Brasil, que estaria funcionando como uma espécie de “hedge de IA”, com a “velha economia” contrabalançando os altos riscos assumidos nas apostas em tecnologia.
… Nem todo mundo, porém, confia que o volume desaplicado na IA possa sobrar para nós. “Se o aspirador virar um ventilador, não necessariamente esse dinheiro volta para o Brasil”, advertiu Thiago Salomão (Market Makers) à AE.
… Um ponto de atenção é a eleição presidencial em outubro e seus riscos sobre os desafios fiscais domésticos.
… Apesar de a curva do DI ter queimado prêmio na sexta-feira, o Ibovespa não desfrutou do alívio. Caiu 1,52% e, por muito pouco, não perdeu os 174 mil pontos. Fechou na mínima, aos 174.042 pontos, com giro de R$ 16,5 bilhões.
… Os papéis da Petrobras (ON, -2,36%, a R$ 47,55; e PN, -1,72%, a R$ 42,21) caíram junto com o petróleo.
… Vale recuou 0,58% (R$ 75,24), aproveitando para devolver parte do otimismo com os dados de produção e vendas do segundo trimestre e já acionando as expectativas para o balanço agendado para a próxima quinta-feira.
… As ações dos bancos caíram em bloco: Bradesco PN registrou desvalorização de 1,28%, a R$ 18,48; Bradesco ON perdeu 1,47% (R$ 16,09); Itaú, -1,08% (R$ 42,10); BB ON, -2,77% (R$ 20,35); e Santander, -1,09% (R$ 26,34).
QUANTO MELHOR, PIOR – Em termos de percepção de risco, o ajuste em queda do petróleo é muito bem-vindo. Só que nem tanto para o real, que se beneficia dos termos de troca na balança comercial do preço do barril mais caro.
… Desde que a guerra contra o Irã começou, no final do mês de fevereiro, a moeda brasileira acumula ganhos superiores a 1,5%, faturando em cima do fato de o Brasil ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo.
… Com a commodity mais barata na sexta-feira, o real perdeu fôlego e o dólar fechou estável (-0,06%), a R$ 5,0809.
… Se houver uma normalização gradual do mercado de petróleo, com o barril retornando para níveis próximos de US$ 80, a 4intelligence projeta câmbio a R$ 5,30 por dólar no fim de 2026, embutindo ainda o fator eleição.
… Em relatório a clientes, a casa observa que, até aqui, mesmo após a redução acumulada de 0,75 ponto da Selic no ano, a remuneração relativa dos ativos domésticos permaneceu elevada em comparação aos padrões internacionais.
… Como resultado, o Brasil ofereceu atratividade aos estrangeiros e preservou um importante suporte ao câmbio.
… Lá fora, um dia depois de o BCE ter mantido os juros estáveis, dirigentes do Banco Central Europeu reforçaram o sentimento que a evolução dos preços da energia será decisiva para a reunião de política monetária de setembro.
… Martin Kocher (Áustria) disse que a autoridade monetária está pronta para agir caso as perspectivas de inflação se deteriorem, enquanto Gabriel Makhlouf (Irlanda) afirmou que as pressões inflacionárias persistem.
… O economista-chefe do BCE, Philip Lane, considerou que o atual choque inflacionário é de magnitude média, que exige alguma atuação, mas não medidas agressivas, e que a inflação voltará à meta de 2% em 2027 “mais ou menos”.
… O euro operou de lado (-0,08%) na sexta-feira, cotado a US$ 1,1369, assim como a libra esterlina (+0,05%), a US$ 1,3320, e o iene (+0,03%), a 163,852 por dólar, justificando a apatia do índice DXY (+0,03%), aos 101,476 pontos.
CIAS ABERTAS NO AFTER – EMBRAER atingiu carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 16% ante um ano antes. As entregas cresceram 7%, para 65 aeronaves.
PETROBRAS. O conselho de administração elegeu William Vella Nozaki como diretor executivo de Transição Energética, em caráter interino, a partir de 1º de agosto.
BRAVA. O conselho de administração aprovou a OPA para a aquisição do controle da companhia lançada pela Ecopetrol…
… Citi reduziu o preço-alvo das ações da Brava de R$ 25 para R$ 23, mantendo recomendação de compra…
… A Brava informou que a campanha de perfuração de cerca de 100 poços no Rio Grande do Norte e na Bahia faz parte do curso normal dos negócios e não terá impacto material sobre os resultados.
ISA ENERGIA precificou o follow-on em R$ 27 por ação e levantará R$ 1,2 bilhão com a emissão de 44,4 milhões de ações preferenciais.
LOCALIZA. Dynamo elevou participação para 25,01% das ações preferenciais.
Call Matinal 2707
27/07/2026
Julio
Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
FECHAMENTO (2407)
MERCADOS
Na sexta-feira (24), o Ibovespa encerrou em queda de 1,52% aos
174.041,91pontos, pressionado principalmente pelas perdas de ações de grande
peso, como bancos e Petrobras, após a forte retração do petróleo no mercado
internacional. O índice acumulou alta de 0,27% na semana. No câmbio, o dólar praticamente
eliminou as perdas do dia e fechou em R$ 5,0809, com leve baixa de 0,06%,
movimento atribuído à queda do petróleo.
PRINCIPAIS
MERCADOS
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MERCADOS 5h30 |
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Índices |
Comentários |
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EUA |
Dow Jones Futuro: +0,88% S&P 500 Futuro: +0,92% Nasdaq Futuro: +1,54% |
Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta segunda-feira (27),
enquanto as cotações do petróleo desabam após uma trégua nas hostilidades no
Oriente Médio. |
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Ásia-Pacífico |
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* Shanghai SE (China), +1,15% * Nikkei (Japão): +0,50% * Hang Seng Index (Hong Kong): +0,98% * Nifty 50 (Índia): +0,82% * ASX 200 (Austrália): +1,39% |
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Europa |
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STOXX 600: +0,53% DAX (Alemanha): +1,37% FTSE 100 (Reino Unido): +0,31% CAC 40 (França): +0,47% FTSE MIB (Itália): +0,34% |
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Commodities |
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Petróleo WTI, -6,39%, a US$ 83,63 o barril Petróleo Brent, -7,04%, a US$ 89,98 o barril Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,27%, a
741,00 iuanes (US$ 109,42) Bitcoin, +0,70%, a US$ 65.107,80 |
Petróleo cede bastante diante da perspectiva
de trégua no Oriente Médio. Brent está a US$ 89, caindo -7%. |
Dia 2707
Abrimos a semana observando as cotações de petróleo
derretendo nos mercados, diante do cessar de ataques retaliatórios entre EUA e
Ira. Lembremos que na semana passada o barril WTI subiu 9,2e o Brent (setembro),
+9,85%, se aproximando de US$ 100. Agora, ambos caem fortes, o Brent, 7,4%,
para menos de US$ 90 o barril, antes de reduzir as perdas com a suspensão,
pelos EUA, de uma série de ataques contra o Irã que durava quase duas semanas. Esta
pausa ocorre, enquanto autoridades iranianas e Omanitas negociavam a passagem
de navios pelo Estreito de Ormuz, aumentando as esperanças de que a importante
rota de trânsito de petróleo não sofra novas interrupções.
Para a semana de 27 a 31 de julho, temos alguns dos
eventos mais relevantes para os mercados globais, com destaque para as decisões
de política monetária do Federal Reserve (Fed), Banco da Inglaterra (BoE) e
Banco do Japão (BoJ). Nos Estados Unidos, investidores também acompanham a
divulgação do PIB do segundo trimestre, do PCE (inflação preferida do Fed) e a
continuidade da temporada de balanços, com quatro das gigantes da tecnologia
entre os principais destaques: Microsoft e Meta na quarta-feira, além de Apple
e Amazon na quinta-feira.
Agenda
Segunda-feira, 27/07
Brasil: Boletim Focus
EUA: Prévia das Encomendas de Bens Duráveis de junho
Estratégia para equity
🇧🇷 *Resumo da Entrevista — Rafael Figueiredo* (XP Investimentos) sobre Cenário da Bolsa Brasileira
Rafael "Rafi" Figueiredo, estrategista de renda variável da XP, analisa o momento da bolsa brasileira em meio a um cenário de guerra, inflação alta e eleições. Aqui estão os principais pontos:
1. Evite Extremos
A principal recomendação é **não tomar decisões nos extremos** — nem zerar tudo, nem comprar tudo. Em momentos de incerteza binária (como eleições), decisões extremas historicamente trazem maus resultados.
2. Macroeconomia vs. Microeconomia
O cenário macro brasileiro se deteriorou: o PIB cresce ~2%, mas a inflação esperada subiu de **3,1% para 5,2%**. Isso pressiona os juros futuros, o que é negativo para renda variável. Porém, na prática, as classes de ativos **não estão se comportando de forma óbvia** — o dólar segue forte e a bolsa tem performance relativa boa contra emergentes.
1. Fluxo Estrangeiro é o Motor
O principal driver da bolsa brasileira é o **fluxo de capital estrangeiro**.
O Brasil já recebeu cerca de **R$ 38 bilhões** em entrada líquida (chegou a R$ 70 bilhões). O mundo está monotemático em **Inteligência Artificial**, e o Brasil — com sua bolsa concentrada em **commodities, energia e alimentos** — funciona como uma alternativa descorrelacionada a essa tese. Quando a IA é questionada, o "mundo não-IA" ganha performance relativa.
1. Bolsa Brasileira está Descontada
- **84% dos setores** têm prêmio abaixo dos emergentes
- Múltiplos estão **abaixo da média histórica de 10 anos**
- Comparado a empresas globais (MSCI ACWI), há um**desconto de 61%**
### 5. Investidor Local vs. Estrangeiro
Enquanto o investidor estrangeiro enxerga valor e continua comprando, o **investidor local está travado** em dois fatores: **juros e eleição**. Enquanto esses dois pontos não se esclarecerem, o mercado doméstico não anda.
1. Setores Preferidos
Para 2027, Rafi destaca **dois setores** como oportunidades:
- **Setor financeiro**: Itaú, BTG — empresas com resultados previsíveis e consistentes
- **Utilidade pública**: Sabesp (desestatizada), Eletrobras, Copel — saneamento e energia
São empresas de **qualidade, alta previsibilidade, geradoras de caixa e pagadoras de dividendos** — algumas pagando mais que a renda fixa.
7. Renda Variável como Alocação, não Especulação
A mensagem final: encare a renda variável como **forma de alocar capital**, não de especular. Com juros altos, buscar o "foguete da vez" é arriscado. O caminho é investir em empresas recorrentes e de qualidade, que independem do resultado das eleições ou da extensão do conflito. O espaço para especulação virá quando o **ambiente de juros baixos** retornar — o que não é o momento atual.
**Resumindo:** O cenário é incerto, mas a bolsa brasileira está barata, atrai fluxo externo como alternativa à IA global, e as melhores oportunidades estão em **financeiras e utilidades públicas** — com disciplina, diversificação e foco em valor de longo prazo.
sábado, 25 de julho de 2026
2027 é logo ali
*_COMENTÁRIO: SEM UM SINAL CRÍVEL DE AJUSTE FISCAL EM 2027, BC E TESOURO VÃO CONTINUAR SANGRANDO_*
Por Cícero Cotrim
Brasília, 24/07/2026 - O período oficial de campanha ainda nem começou, mas, hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado o mais cotado para vencer a eleição presidencial. Isso se expressa não só nas pesquisas, mas também nos preços de ativos e nas expectativas do mercado, que têm refletido o temor de descontrole fiscal na próxima gestão do petista.
O impacto é mais evidente nas expectativas e nos juros longos, livres dos efeitos dos choques de oferta que têm atingido a economia brasileira. Não há razão, por exemplo, para a projeção de IPCA de 2028 incorporar efeitos do choque de petróleo causado pelo conflito no Oriente Médio, nem do El Niño.
Esses choques levaram a uma disparada das medianas do Focus para o IPCA de 2026 (4,06% no início do ano para 5,15% agora) e 2027 (3,80% para 4,20%). Mas a projeção para 2028 também subiu significativamente no mesmo período, de 3,50% para 3,78%.
A alta das expectativas foi acompanhada por um aumento nas projeções para a taxa Selic no fim deste ano (12,25% para 14%) e do próximo (10,50% para 12%). Ou seja: as projeções de inflação sobem a despeito de uma alta dos juros, e não por causa de leniência na política monetária.
Sem falar da política fiscal, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tratou da alta simultânea das projeções de inflação e Selic nesta sexta-feira, durante palestra em um evento da XP Investimentos, destacando a necessidade de que um terceiro fator explique o movimento do IPCA.
"Existe algum outro tipo de fator e que é isso que está proporcionando o andar - ou seja, se a taxa de juros se moveu para cima, não foi a taxa de juros que provocou essas expectativas se moverem ainda mais distantes da meta", disse o banqueiro central.
Pelo lado dos ativos, a NTN-B de cinco anos pagava juros reais já elevados de 7,8% ao ano em março de 2026. Hoje, a taxa está ao redor de 8,3%. O Tesouro Nacional chegou a cancelar leilões de NTN-B em março e a intervir no mercado com a recompra de títulos. Em junho, mais um leilão acabou abortado.
Esses números já têm um custo presente, tanto na capacidade do Tesouro de rolar a dívida quanto na dose de juros que o Banco Central precisa aplicar para controlar a inflação corrente e as expectativas. Ao mesmo tempo, eles refletem um cenário incerto em várias frentes, desde a vitória de Lula até a política fiscal do próximo governo.
Lula e o PT até podem acusar o mercado de estar especulando, mas qualquer ação considerando o futuro sempre vai exigir algum grau de especulação. E, se o mercado e as empresas esperam uma inflação mais alta lá na frente, ela se torna verdade, já que os preços são reajustados com base nessas expectativas.
O histórico recente não está do lado do petista, que presidiu um aumento de quase 10 pontos na dívida pública de janeiro de 2023 até maio de 2026. As falas de membros do governo, como aquelas em defesa de um ajuste fiscal que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, fez hoje, também não fazem preço no mercado. Seja porque há dúvidas sobre a permanência dele no cargo, seja porque as declarações não são acompanhadas de ações efetivas.
A única solução é que Lula sinalize a disposição de fazer um ajuste fiscal mínimo a partir de 2027, que pode incluir medidas como a desvinculação dos pisos de saúde e educação, a desvinculação dos reajustes de aposentadorias do salário mínimo e revisões de benefícios. Sem isso, o mercado vai continuar dobrando a aposta ao longo do próximo governo.
As portas se fecham...
AS PORTAS SE FECHAM PARA OS BRASILEIROS
Stephen Kanitz
“Quem tem muito dinheiro já foi embora. Quem ficou, ficará — para sempre.
Os últimos a saírem ainda conseguiram um visto italiano, português, americano.
Os que zombaram da política, que votaram “no que fala pouco”, agora vão entender o preço da omissão.
No Brasil do futuro — que já começou — você somente obedecerá. Obedecerá calado.
Pagará impostos cada vez mais pesados, aceitará uma saúde pública em colapso, verá seus filhos estudarem em escolas sucateadas. E ainda agradecerá, pois reclamar será crime.
Desde o fim do regime militar, único período de crescimento sustentado, nossa renda per capita foi cortada pela metade. Dado escondido pelo IBGE, abafado pela imprensa.
Caímos do 40º onde hoje está a Grécia, para o 81º lugar no ranking global de renda.
Sim, caímos — e acreditamos todo este tempo estar subindo. Foram 40 anos de doutrinação.
Nossos jornalistas, intelectuais e professores venceram: conseguiram fazer o país regredir em nome de justiça social — uma justiça que só distribui miséria.
Como ex-professor universitário, afirmo: nunca ouvi na USP uma conversa séria sobre crescimento. Só sobre distribuição.
Nunca discutimos eficiência. Só aumento de gastos.
Nunca produtividade. Só aumento de salários do funcionalismo.
Agora, quando o Brasil se tornar verdadeiramente inviável, Flórida e Portugal não estarão com os braços abertos para nos receber. Estarão com os portões trancados. E com razão.
A esperança de que Tarcísio, Caiado, ou Ratinho, poderão mudar tudo isso sozinhos, é uma ingenuidade atroz.
Como se trocar o piloto mudasse o avião em queda.
A verdade é amarga: 1,5 milhão de brasileiros irresponsáveis, somados aos 12 milhões que anularam o voto, colocaram no poder um condenado em três instâncias. Mesmo que a primeira instância fosse falha, a segunda e a terceira confirmaram e isso ainda não foi contestado.
Prepare-se. O Brasil caminha para mais 50 anos de estagnação, comandado por políticos e economistas que vivem do que você produz, sem entregar nada em troca.
Mas ainda há tempo para reagir. Comece se educando, politicamente e economicamente.
Exija reformas, desmascare as mentiras, confronte o discurso único.
Ensine seus filhos a pensar — e não a repetir slogans.
Denuncie o populismo, o aparelhamento, a corrupção sistêmica. Vote com coragem, com lucidez, com memória.
O futuro do Brasil não será diferente enquanto os brasileiros forem os mesmos. Mude. Agora.
Ou se conforme em assistir o país definhar — por sua culpa.”
(STEPHEN KANITZ é Consultor de empresas e Conferencista brasileiro, Professor na USP, Mestre em Administração de Empresas da Harvard Business School e Bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo)
Texto 👆 indispensável. Leia. Desse texto, destaco esse trecho 👇
A verdade é amarga: 1,5 milhão de brasileiros irresponsáveis, somados aos 12 milhões que anularam o voto, colocaram no poder um condenado em três instâncias.
A Hora chegou meus amigos, não tem mais volta. Salve-se que puder e Deus o ajude!
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