segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Gabriel Cesar

 Opinião impopular (com números):


1- Não houve fraude.

2- A campanha do Flávio foi muito bem.


Classes C, D e E foram diariamente aterrorizadas com:

-fim do bolsa família,

-congelamento de salários e aposentadorias,

-revogação do fim da escala 6x1,

-corte de R$ 200bi de programas sociais,


O brasileiro mais vulnerável quer mais gastos sociais e confia que Lula é o nome para fazer isso. Não adianta Flávio dizer que vai triplicar o Bolsa Família… Numa disputa pra ver quem dá mais benefícios, esse eleitor confia que Lula dará mais mais a ele. Vamos aos números.


Em Carnaubeira da Penha (PE), 83% da população municipal é beneficiária do Bolsa Família. Foi a cidade com maior votação proporcional do Lula, 88,33% no 1° turno e 92,34% no 2°.


Quando a campanha de ameaça de corte de programas sociais convence o eleitor indeciso, isso vira rejeição a Flávio. Ou seja, aquele eleitor está disposto a votar em qualquer um, menos no Flávio. O voto por rejeição também explica o erro das pesquisas, que têm dificuldade de captar esse voto enrustido.


O voto enrustido é justamente parte do voto desses 10 milhões que não votaram no 1° turno em Lula - mas foram convencidos a ter mais medo do Flávio. Essa parcela foi convencida de que Lula seria o “mal menor”. Ela ainda achava Lula ruim o suficiente para ter vergonha de respondê-lo na pesquisa, mas no escurinho da urna votaram 13 contra os “cortes”.


Não vou nem adentrar na teoria da fraude, pois a redução da abstenção total (3M) foi menor que a diferença total da eleição (4.4M). Ou seja, mesmo se 100% dos votos de redução de abstenção tiverem sidos roubados pelo mesário (o que é impossível), isso não mudaria o resultado.


O erro da teoria da fraude é achar que todos os votos adicionais de Lula precisam vir dos 14 milhões que não votaram nem Lula e nem Flávio no 1° turno. Essa premissa é que força a conclusão de que Lula precisaria levar 70% dos votos em disputa. Isso é muito difícil.


O mais provável? Mais votos estavam em disputa do que estes 14M: parte dos votos de Flávio virou, em especial os das classes C, D e E, bombardeadas pela campanha de cortes/congelamentos de programas sociais. Enquanto Flávio falava de proposta, Lula falava do risco do eleitor perder o sustento. Prevaleceu o medo. E é aqui que acho que Flávio foi bem.


Lula ganhou 10 milhões de votos a mais, mas terminou só 4.4 na frente. Como?


Flavio manteve a vantagem de 2.2M no saldo de votos do 1° turno.


E ainda agregou mais 3.4M.


Vocês acham que isso é pouca coisa? Que a campanha de Lula não fariam essa mesma campanha de terrorismo eleitoral contra Tarcísio, Cury, Caiado? É só olhar pro passado: Flavio perdeu por 3,6%. José Serra e Alckmin perderam de 19% e 12% de diferença pro PT mesmo com Mensalão. Aécio perdeu por margem de 3,2% mesmo no meio do Petrolão. Nenhum deles tinha Bolsonaro no sobrenome e isso não os impediu de sofrer o terrorismo eleitoral do PT.


O que fica de lição?


Lula herdará um déficit gigantesco do seu próprio governo, ele contratou a própria crise.


A oposição precisa decidir se cai na armadilha de brigar com o resultado ou se aproveita essa oportunidade para salvar o Brasil. O Lula de 2026 é muito parecido com a Dilma de 2014: assume com vitória apertada, sem maioria no Congresso e com crise contratada. Todos sabemos como terminou aquele governo.


Com uma boa gestão de oposição, temos uma oportunidade de mostrar um caminho diferente ao Brasil: defesa de reformas (PEC não vai à sanção ou veto), impeachment de ministros que cometeram crime de responsabilidade (outra que não passa pelo presidente), um Congresso de fato atuante.


Precisaremos de uma oposição forte e ativa. Dobrar a aposta na teoria da fraude é algo que tem tudo para censurar a oposição com zero ou pouca chance de retorno concreto.


Entendo os indignados, eu trabalhei muito por um resultado diferente... Por isso, digo que precisamos de SABEDORIA para superar as turbulências e aproveitar as oportunidades que virão. Ao trabalho. Haverá muito.

Thomas Conti

Autópsia da defunta campanha da direita, baseada na mais pura opinião pessoal:

- Jair nomear Flávio como sucessor para garantir alguém que o tirasse da cadeia foi o erro maior da campanha. Arriscou que o sobrenome carregaria um nome fraco, sob pena de ficar sem presidente algum. Era evidente que Tarcísio era um candidato mais forte e que conseguiria montar uma coalizão maior, mas precisaria da benção de Jair mobilizando o eleitorado cativo dele. Deu no que deu.

- Flávio começou sua campanha corrigindo os erros maiores que a campanha derrotada de Jair cometeu em 22. Não criticou as urnas, não criticou vacina, não insistiu em falar de armas de fogo. São três temas que não tem apoio da maioria dos brasileiros, mas que o pai não conseguia largar. Mais que isso, evitou até usar demais da imagem do pai. Provavelmente sabia que quem se importava com isso já era voto no bolso dele, e não queria trazer para ele a rejeição mais alta que o pai tem.

- Resultado do 1º turno mostrando um resultado para Flávio muito melhor que as pesquisas indicavam, e elegendo toda a direita para o legislativo, subiu à cabeça. Ficaram extremamente confiantes na vitória. Não dá para culpá-los tanto por isso, afinal uma virada eleitoral entre 1º e 2º turno nunca tinha acontecido. Mas prudência é bom.

- Após o 1º turno essa confiança mudou parte do tom da campanha. Marçal ganhou mais espaço. Aparece hostilizando indecisos, dispensando e ofendendo eleitores de Renan Santos. Muito, muito ruim. Isso é clima de "já ganhou" total. Estão concorrendo com alguém que já foi presidente três vezes e acham que podem dispensar 3 milhões de votos??? Isso é puro ego e burrice. E não ofende só o pessoal do Missão, não, porque muitos indecisos também viram isso. Se fazem pouco caso de 3 milhões de pessoas imagina o espectador independente que só tem 1 voto para depositar?

- Nem uma semana depois do 1º turno, Flávio grava vídeo prometendo que quem passará a faixa presidencial para ele será o próprio pai. Aqui fica claro o clima de "já ganhou", e que o poder subiu à cabeça. Quem deveria passar a faixa é o atual presidente, não o pai - que, aliás, fugiu do país e não se dignou a passar a faixa. Até as tradições do país estão abaixo  dos interesses particulares da família?

- O primeiro debate presidencial focado em atacar sem parar com ofensas. Vestiu a roupa, o estilo e a profundidade de conteúdo de Marçal. Como não participou de debates no 1º turno, aquela foi a primeira impressão de muita gente sobre quem era Flávio Bolsonaro. E não foi boa.

- Mudanças de pauta. Flávio passou o 2º turno copiando ideias e pautas ruins de Lula, ou criando novas ideias ruins dele, como o calote nas dívidas bancárias. Em parte, faz sentido essa estratégia. Se as propostas forem muito parecidas a eleição vira sobre quem você gostaria que tocasse aquelas propostas, e Flávio estava confiante que ele ganharia nesse embate. De novo, ego. Talvez para alguns eleitores ele tenha passado a imagem de falso e seria melhor bancar alguma das decisões históricas dele, para marcar uma mudança com a situação atual.

- Vídeo do Nikolas sobre o nordeste. Não me parece que tenha pego bem. Reforçou estereótipos diversos, especialmente o de se julgarem salvadores da região mesmo sem terem nada a mostrar nesse sentido. Os vazamentos da gravação depois pegaram muito mal.

- Crimes, mais crimes, e ainda mais suspeitas de crimes. A quantidade de esqueletos no armário que apareceram sobre Flávio nessas poucas semanas foi muito impressionante. Praticamente todo dia aparecia um novo vínculo suspeito, uma transação não-explicada. Ser o candidato novo e que deveria passar a imagem de mudança, mas não conseguir peitar de frente o PT no quesito corrupção, é um fracasso incrível. Mas 100% previsível para quem sabia um pouquinho que seja do histórico dele. Obs: TODOS os políticos com nome grande na direita sabiam desde o começo desse histórico sujo do Flávio, para eles não foi surpresa alguma.

- Histórico pouco presidenciável. Difícil pensar que um candidato à presidente vai ter que se explicar por que votou contra licença maternidade. Ou por que foi a favor de tirar a marcação de munições. No contexto dessa eleição, ele também começou falando contra o fim da escala 6x1 e terminou apoiando no discurso. Começa com cortar R$200 bi e termina sem conseguir dizer nada que vai cortar de fato, só gastos a serem ampliados. A imagem que passa é de um oportunista.

- O 2º debate e o caráter pessoal. Usar os 9 dedos de Lula como ofensa foi algo muito natural para o Flávio, esse tipo de piada é refresco nos círculos da direita. Ele só esqueceu que não está falando com sua claque que votaria nele não importa o que ele faça. Para um eleitor indeciso, ver um homem adulto fazer ofensa baixa a um idoso de 80 anos que já foi presidente três vezes é uma demonstração muito ruim de caráter. Depois ele pediu desculpas e as pesquisas mostraram que esse foi o ponto mais alto de Flávio no debate, agradou os indecisos (e foi o que mais desagradou os bolsonaristas). Em seguida, chamou a mãe de Ana Clara pelo nome da filha assassinada, de novo uma demonstração muito ruim de caráter. 

Em resumo, me parece que os erros da campanha da direita começaram no ego de Jair. Flávio começou sabendo bem os temas que precisava evitar para se diferenciar do pai, e foi muito acima do esperado no primeiro turno. O ego inflou e ele mostrou mais de quem ele é. 

A maioria dos brasileiros indecisos não gostou do que viu. Dos 14 milhões de votos totais a mais depositados no 2º turno, 10 milhões foram para Lula.

Considerando que agora Flávio quer contestar o resultado das urnas, a visão negativa que a maioria dos brasileiros formou dele se mostrou correta em tempo recorde.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Um possível governo Flávio Bolsonaro

 PREVISÕES SOBRE O (PROVAVEL) 

GOVERNO FLÁVIO BOLSONARO


Por Hugo Studart

O imperador romano Marco Aurélio registrou em seus Pensamentos que o poder não alteraria a natureza dos homens, mas apenas revelaria a matéria bruta de que seriam feitos. Na política, a transição de poder operaria como o desnudamento das ilusões retóricas em favor da crueza das forças institucionais. 


Isto posto, extraindo-se os discursos e narrativas eleitorais, os indícios apontam que a provável gestão de Flávio Bolsonaro não deve repetir as comoções ideológicas do mandato do pai Jair Messias. Todos os sinais apontam para um governo muito parecido com o de Michel Temer. A prioridade seria consertar a economia, fazendo uso da maioria no Congresso para implementar reformas necessárias, a começar pela do Judiciário, em um modelo fisiológico e liberal de governabilidade. Examinemos os principais pontos do debate:


SUPREMO - A pressão sobre o Poder Judiciário figura como o nó cego da governabilidade, com a composição de forças no Senado a projetar a abertura de processos de impeachment contra integrantes do Supremo por impulso da base 

política do presidente eleito. As movimentações apontam prioritariamente para a cassação dos ministros Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques, em um desenho de liquidação bilateral de passivos, enquanto a base aliada exigiria ainda as inclusões de Flávio Dino e Gilmar Mendes. Por sua vez, a tentativa de mediação patrocinada por Gilmar sob a premissa da "estabilidade institucional" encontraria forte resistência na base partidária, a restringir a margem de conciliação do Executivo a um ponto intermediário.


DEMOCRACIA OU GOLPE? - Flávio nasceu e cresceu na política da negociação, e se até o pai jogou "dentro das quatro linhas" quase todo seu mandato, não haveria razão para dar golpe de Estado sob a vigilância dos EUA de Donald Trump, como tanto aponta as esquerdas e o PT do presidente Lula. Ora, Exército brasileiro não aceitou as propostas de Dilma Rousseff de implementar o Estado de Emergência; não aceitou nem mesmo a proposta de Jair Bolsonaro. Ademais, a 8 de janeiro o Exército saiu dos quartéis para prender os manisfestantes, não para dar um golpe. Não haveria razão para esse mesmo Exército, nos quartéis há 40 anos, desde 

1985, patrocinar um golpe de Flávio. Golpe por qual razão, se ele tem cerca de 75% do Congresso e, se implementar o impeachment de alguns ministros do Supremo, consegue restaurar o Estado Democrático de Direito que vem sendo 

vilipendiado por Suas Supremas Sapiências. Essa história de golpe é exatamente isso, história, narrativa eleitoral.


PRIVATIZAÇÕES - Uma das peças de campanha de Lula acusa Flávio de querer privatizar tudo e mais alguma coisa, incluindo instituições estratégicas como Banco do Brasil e Petrobras. De fato, há um debate interno entre os formuladores do Programa de Governo. Um dos membros da equipe que elabora o Plano Econômico, Marcelo Kayat, defende uma privatização radical, inspirado no 

modelo que Paulo Guedes gostaria de ter implementado. Contudo, os dois maestros da equipe, Adolfo Sachsida e Daniella Marques, defendem vender as estatais desnecessárias, "cabides de emprego", como já acusou Flávio, e valorizar as estatais estratégicas, como a Caixa Econômica Federal. Um modelo de gestão 

liberal moderada semelhante à de Henrique Meirelles no governo Temer. As declarações públicas de Flávio apontam que já se decidiu por Danielle e Sachsida.


RELAÇÕES EXTERIORES - Tudo indica que o Itamaraty foi entregue à senadora Tereza Cristina, que já anunciou que pretende priorizar a diplomacia comercial. Ela também se lançou candidata à Presidencia do Senado; nesse caso, indicaria um embaixador de sua confiança para o cargo. Eduardo Bolsonaro ja foi informado que descartado da formulação direta. Descartado até mesmo como embaixador na América de Trump, seu sonho de consumo.


ALINHAMENTO COM TRUMP - Sim, tudo indica que vai acontecer. Mas qual o real entrave? A gestão Lula alinhou o Brasil ao regime imperialista e predatório da China, entregando nossos recursos naturais aos chineses como faziam as velhas repúblicas de bananas com os americanos. O Brasil republicano nasceu sob inspiração do primo rico do Norte; nossas instituições foram espelhadas na maior democracia do mundo e há dois séculos orbitamos sob a zona de influência 

econômica e cultural norte-americana. Trocar esse eixo pela China não tem lógica. Argumentam que Trump é de direita, histriônico e inconsequente — verdade, mas é passageiro. Houve sobrenatural incômodo na aliança histórica com os Estados Unidos sob Carter, Clinton, Obama ou Biden? Suportem Trump por mais dois anos e o sobressalto passa. Mas o alinhamento de Estado permanece.


CÉREBRO PENSANTE - No governo do pai Jair, o epicentro das decisões era ocupado pelos três filhos: Flávio 01, Carlos 02 e Eduardo 03. Muitos militares e alguns políticos tentavam influir; Paulo Guedes até conseguia nas questões econômicas. Contudo, ao fim e ao cabo, tudo passava por eles. Já na futura gestão de Flávio, o centro pensante passa a ser o senador Rogério Marinho, coordenador geral da campanha presidencial. Racional, pragmático e executivo, há duas opções para Marinho: a Casa Civil ou a Presidência do Senado, opçãomais provável. Afinal, no início do mandato, boa parte do poder deve se deslocar 

para o Senado, onde vão ocorrer os impedimentos e de onde vão sair as reformas, como a do Judiciário. Na Câmara, a articulação aponta para o retorno de Arthur Lira.


EDUCAÇÃO, CULTURA, MEIO AMBIENTE - No governo do pai Jair, as três pastas foram entregues a gestões ideológicas. No caso da Educação e da Cultura, cada pasta acumulou a marca impressionante de cinco ministros em quatro anos. Sob a provável gestão de Flávio, contudo, a Educação deve ser exigida pelo Centrão. A grande novidade é a provável transferência das universidades federais para a 

estrutura do Ministério da Ciência e Tecnologia. Já a Cultura permanece como uma incógnita: existe a hipótese de o irmão Carlos Bolsonaro, senador eleito, reivindicar a área para implementar seu próprio projeto ideológico. Por fim, no Meio Ambiente — outro setor turbulento sob o pai —, ganha força a entrega da pauta ao ex-comunista Aldo Rebelo, mantendo distância tanto do negacionismo de Jair quanto da devastação observada no governo Lula.


SEGURANÇA PÚBLICA - Uma de suas promessas prioritárias de campanha. A tendência é a de que Flávio inicie seu governo com uma gestão de impacto, recriando o Ministério da Segurança Pública e colocando um homem forte no comando, como Ronaldo Caiado. Deltan Dallagnol, símbolo da Lava Jato, deve ganhar ministério se não conquistar o mandato de senador.


DINASTIA BOLSONARO - Se dependesse do exilado Eduardo Bolsonaro, haveria monarquia autocrática com dinastia — filho sucedendo pai, irmão passando o bastão para outro irmão. Mas essa hipótese está descartada. Flávio já negociou com a Faria Lima apoiar Tarcísio de Freitas na próxima eleição presidencial. Nesta, Tarcísio cumpre a sua parte. As dúvidas recaem sobre a extensão do mandato de Flávio: se de quatro ou oito anos, ou se ele vai mesmo propor uma PEC alterando o sistema para mandato único de cinco anos.


MILÍCIAS - Uma das grandes restrições a Flávio é seu passado de amizades com políticos e policiais acusados de ligações com as milícias do Rio de Janeiro. Nesse ponto, não difere muito das suspeitas de ligações entre o PCC e alguns deputados do PT de São Paulo. É bem possível que aliados do Rio ligados às milícias ganhem 

cargos em Brasília na área de segurança. Será péssimo. Mas as nomeações não devem resistir a três dias de noticiário.


PODER DO PRAGMATISMO - A história das instituições republicanas demonstra que a euforia das urnas se dobra à rigidez dos orçamentos e à aritmética do Congresso. O governo Flávio Bolsonaro se desenha não como revolução ideológica, mas como um exercício de sobrevivência política centrado na recomposição das contas públicas. O poder cobra o seu preço em pragmatismo.

Um cidadão indignado

 Visto e lido por aí....


"Sou brasileira e como estou cansada de dizer, vivo em Portugal há 20 anos e, ao longo desse tempo, aprendi que viver num país diferente daquele onde nascemos exige adaptação, respeito pelas leis, pelos costumes e pela maneira como aquela sociedade funciona.


Ao acompanhar as notícias sobre as manifestações pela habitação em Lisboa, especialmente a participação de uma brasileira como porta-voz de um movimento que acabou com acampamentos desmontados, dezenas de detenções e atos de vandalismo, confesso que fiquei bastante incomodada.


Não sou contra manifestações, muito menos contra o direito à habitação. Sei que Portugal atravessa uma crise habitacional grave, que os salários não acompanham o custo de vida e que muitas famílias enfrentam enormes dificuldades. São problemas reais que precisam de soluções sérias.


Mas uma coisa é reivindicar melhores condições de vida, outra é transformar um protesto numa situação de desordem. E quando vejo notícias de vandalização de monumentos históricos, como aconteceu com a estátua de D. Pedro IV, no Rossio, a minha indignação é ainda maior. Estamos a falar de património histórico e cultural português, que pertence a todos e merece ser preservado. Não consigo compreender como alguém pretende defender uma causa legítima desrespeitando aquilo que faz parte da história de um país.


O que também me incomoda é ver uma imigrante brasileira assumir uma posição de destaque num protesto com estas características. Não por ser brasileira, porque eu também sou, mas porque acredito que, quando escolhemos viver noutro país, precisamos de compreender e respeitar a sociedade que nos acolhe. Isso não significa aceitar injustiças em silêncio, mas também não significa querer fazer tudo à nossa maneira.


O Brasil vive há anos uma polarização política que, na minha opinião, se tornou insuportável. Ou se é de direita ou se é de esquerda, e parece que já não existe espaço para o bom senso. Tudo vira uma guerra ideológica. E sinceramente, não gostaria de ver essa mesma mentalidade transportada para Portugal. Saímos do Brasil, mas parece que, em alguns casos, o Brasil não sai de nós.


Nestes 20 anos, procurei adaptar-me à vida portuguesa sem deixar de ser brasileira. Nunca senti necessidade de impor os meus costumes ou a minha maneira de pensar. E tenho uma opinião que pode não agradar a todos: quem decide emigrar precisa de estar preparado para enfrentar dificuldades. Se não consegue manter-se ou não se identifica com a realidade do país que escolheu, regressar ao país de origem também é uma opção. Não podemos esperar que o país de acolhimento se transforme naquilo que gostaríamos que fosse.


Quanto à intervenção policial, se houve excessos, devem ser investigados. Mas também não podemos assumir automaticamente que toda a ação da polícia perante uma manifestação seja repressão, principalmente quando existem situações de desobediência e danos ao património público.


Portugal tem os seus problemas, muitos deles graves, e precisa de soluções. Mas não acredito que importar a radicalização e os confrontos políticos que tanto desgastaram o Brasil seja o caminho.


Até alguns anos atrás, tinha orgulho de ser brasileira, mas acho que o brasileiro de hoje deixa - e não é pouco - á desejar. Também tenho um enorme respeito pelo país onde escolhi construir a minha vida. Para mim, adaptar-me a Portugal nunca significou perder as minhas raízes, mas compreender que viver aqui não é tentar transformar este país numa cópia daquele que deixei para trás.


Reivindicar direitos é legítimo. Desrespeitar a história, as leis e o património de um país não deveria fazer parte de nenhuma reivindicação.


Ser Imigrante Também É Saber Respeitar O País Que Nos Acolhe"

Hugo Studart

 COMO BRIZOLA FORJOU LEONEL 

Poucos sabem, mas o líder político Leonel Brizola não se chamava Leonel. Nasceu Itagiba. Em 1923, quando tinha 1 ano, seu pai morreu degolado em uma daquelas revoltas armadas que sempre assolaram os pampas. Fazia parte das tropas de um caudilho maragato, o general Leonel Rocha. Itagiba passou a infância brincando de peleias; ele sempre era, com muito orgulho, o general Leonel. Aos 13 anos, quando foi para a cidade aprender a ler e escrever, teve que se registrar. Quando o escrivão lhe perguntou o nome, não tergiversou: Leonel de Moura Brizola. 


Acabo de ler a primeira referência a Leonel, o ídolo de Itagiba. A história se passa no conturbado governo de Artur Bernardes (1922-1926), quando explodiram revoltas armadas contra as oligarquias da Velha República para todo lado: Rio de Janeiro, com os 18 do Forte, Rio Grande do Sul e São Paulo, desencadeando a coluna de "revoltosos" liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, chefiada pelo major Miguel Costa e tendo como seu adjunto o capitão Luiz Carlos Prestes (movimento este que restou registrado pela História como Coluna Prestes)


A revolta dos pampas foi a pior, uma verdadeira guerra civil, desencadeada quando o caudilho Borges de Medeiros consegue se reeleger, na esteira de Bernardes,  para o sexto mandato como presidente do Rio Grande. A guerra civil, iniciada em janeiro de 1923, espalha-se pelo Estado, da Serra Gaúcha até a fronteira com a Argentina. Foram 13 batalhas, quase todas lideradas pelo general Honório Lemes. Leonel Rocha  era um dos comandantes "revolucionários", que liderou uma batalha na região de Carazinho, onde nasceu Brizola.


Em dezembro de 1923 o presidente Bernardes conseguiu negociar um acordo, com armistício e anistia, no qual a Constituição gaúcha fora alterada para impedir a reeleição de Borges de Medeiros (com a vitória politica dos rebelados, abriu-se caminho para que em 1927, em conluio oligarquico e fraude nas urnas, escolhessem governador o jovem ministro da Fazenda, um tal de Getúlio Vargas).


Mas muitos já haviam sucumbido com a revolução de 1923, dentre eles Brizola-pai. Contudo, naquela "revolução" seria forjada, ainda criança, um dos mais relevantes líderes políticos da história brasileira.


Votei em Brizola, sempre no primeiro turno, em 1989 e 1994. Hoje lamento o legado de caos que deixou em sua passagem pelo Rio de Janeiro. Foi ele quem permitiu que o tráfico tomasse conta dos morros cariocas. Um mal até hoje não consertado.


Hugo Studart


Das lembranças de há 6 anos)

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Boi de piranha

 *CNN BRASIL: Roberta Luchsinger afirma que Lula será o culpado se algo acontecer com ela ou com suas filhas*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger afirma que teve que se defender após Lula chamá-la de pilantra*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger diz à CNN Brasil que está sendo ameaçada de morte*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger: Quando tive conhecimento de esquema do INSS, rompi contrato com Antonio Camilo*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger, quando tive conhecimento de esquema do INSS, rompi contrato com Antonio Camilo*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Sei, pela mídia, que Antonio Camilo e Lulinha ficaram amigos e viajaram*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Vi Lulinha sentado com ministros de governo inúmeras vezes*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lulinha viajou para casa do ministro Camilo Santana no Ceará*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lulinha já participou, ouviu e esteve em pautas relativas a políticas públicas*

 *CNN BRASIL: Luchsinger: Presidente que não sabe o que está ocorrendo na antessala dele é mentiroso ou senil*

 *CNN BRASIL: Luchsinger cita reunião com inúmeros ministros, como Frederico de Siqueira Filho (Comunicações)*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Vou fazer delação premiada; se o que eu fiz for crime, vou responder*

 *CNN BRASIL: Luchsinger desmente Lula e afirma que Lulinha já se reuniu com o ministros*

*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que ministros do governo Lula pediram favores a ela*


*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que teve que se defender após Lula chamá-la de pilantra*

*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que não poupará ninguém em sua delação, nem o presidente nem o filho do presidente*

*CNN BRASIL: O filho dele vivia comigo pra cima e pra baixo. Acho que ele está esclerosado.*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Em delação premiada, posso trazer detalhes que não estão em whatsapp*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lula tem que conversar melhor com o filho.

 *CNN BRASIL: Luchsinger: diz que Lula precisa perguntar a Lulinha com o que ele trabalha*

*CNN BRASIL: Luchsinger cita relação de Lulinha com construtora portuguesa, Lula sabia*

*CNN BRASIL: Luchsinger diz que Lula está a coagindo por dizer que ela é pilantra*

*BREAKING - Lulinha esteve com ministros e Lula mentiu, diz Luchsinger*

*FOLHA: Amiga de Lulinha afirma que quer fazer delação premiada e chama presidente de mentiroso*

*CNN BRASIL: Luchsinger diz que Lula não pode continuar na presidência do Brasil*

*CNN BRASIL: Lula me colocou como "boi de piranha", diz Luchsinger.*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Em delação premiada, há como colaborar com o que assisti, sem ter participado*

Sergio Bulgacov

 Desde minha incursão pela esquerda, quando jovem, pude conhecer mais de perto suas práticas, contradições e a realidade de suas entranhas, tornei-me liberal e de direita por convicção. Essa mudança não ocorreu por acaso, mas pela observação de suas práticas e ideais ao longo da história, bem como pelas experiências em diferentes países.


A direita também tem suas contradições, mas considero seus princípios e propostas mais realistas e próximos dos desafios concretos da sociedade.


Para esta eleição, meu candidato era Tarcísio. Não foi possível.


Resta-me, agora, a esperança de uma alternância de poder que traga mudanças efetivas, especialmente naquilo que, a meu ver, nunca recebeu da esquerda a atenção e a prioridade necessárias, no Brasil e em outras partes do mundo.


Refiro-me a questões fundamentais:


- Educação e universidades que realmente façam a diferença na formação das pessoas e no desenvolvimento do país.

- Fortalecimento das instituições, com respeito às leis, à democracia e à responsabilidade pública.

- Investimento em ciência, tecnologia e produtividade, tanto no setor público quanto no empresarial.

- Segurança pública, para que o cidadão possa exercer o direito elementar de andar livremente pelas ruas, sem medo.

- Combate efetivo ao narcotráfico e ao avanço do crime organizado.

- Aprimoramento do SUS, reconhecendo suas virtudes, mas enfrentando suas deficiências.

- Presidente e ministros que saibam o que está acontecendo e compreendam os problemas do país, e assumam a responsabilidade por elas.

- Valorização do mérito no serviço público, com competência e qualificação como critérios fundamentais de seleção e ascensão profissional.


Não há transformações instantâneas. Mas estou convencido de que, se conseguirmos melhorar apenas 10% em cada uma dessas áreas, o Brasil será o melhor país do mundo.


Mais um aspecto que considero fundamental: causa-me estranheza e até constrangimento observar colegas professores que convivem diariamente com os graves problemas de suas universidades, comportando-se como se eles simplesmente não existissem.


Jamais consegui aceitar essa postura de indiferença, muito menos a conivência com o descaso institucional e o acobertamento sistemático de problemas que deveriam ser reconhecidos, discutidos e enfrentados com responsabilidade.


A universidade não pode exigir espírito crítico da sociedade enquanto se recusa a exercê-lo sobre si mesma.


Tornar a crítica mais contundente reduz as repetições e ganha fluidez e competencias.

Gabriel Cesar

 Opinião impopular (com números): 1- Não houve fraude. 2- A campanha do Flávio foi muito bem. Classes C, D e E foram diariamente aterrorizad...