sexta-feira, 12 de junho de 2026

A História da Economia em Uma Visão Simples

 


A História da Economia em Uma Visão Simples

A economia não se desenvolveu da noite para o dia. Ela evoluiu por diferentes escolas de pensamento, com cada geração de economistas tentando responder a uma pergunta importante:
👉 Como as sociedades podem usar recursos limitados para melhorar a vida das pessoas?
Este infográfico simplifica mais de 250 anos de pensamento econômico em cinco grandes etapas:
🔹 A Economia Clássica focava em mercados livres e especialização.
🔹 A Economia Neoclássica explicou como as escolhas individuais influenciam preços e mercados.
🔹 A economia keynesiana destacou o papel dos gastos governamentais durante crises econômicas.
🔹 A Economia Neo-Keynesiana combinava forças de mercado com ferramentas de políticas para promover estabilidade e crescimento.
🔹 A Economia Moderna expandiu o campo ao estudar tecnologia, globalização, comportamento, sustentabilidade e bem-estar humano.
O que torna a economia fascinante é que cada escola não substituiu completamente a anterior. Em vez disso, novas ideias foram construídas sobre bases antigas para resolver os desafios de sua época.
Compreender essa evolução nos ajuda a entender por que economistas frequentemente têm visões diferentes sobre inflação, desemprego, crescimento econômico, intervenção governamental e políticas públicas.
Economia é mais do que teorias e gráficos — é uma forma de entender como o mundo funciona e como as decisões afetam nossas vidas cotidianas.
💡 Quanto melhor entendemos ideias econômicas, melhor entendemos o mundo ao nosso redor.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,8% US tech +3,3% US Semis +7,9% UEM +0,8% España +0,8% VIX 19,4% Bund 3,08%. T-Note 4,47%. Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,47% PT 3,41% ITA 3,80% FRA 3,80% Euribor 12m 2,84% (fut.12m 2,94%) USD 1,157 JPY 185,4/€ 160,3/$. Ouro 4.187$. Brent 88,5$. WTI 86,0$. Bitcoin +0,1% (63.381$). Ether -0,3% (1.667$).


SESSÃO: Trump anuncia um iminente acordo com o Irão. O petróleo bruto cai até <90 $ (-5% desde quarta-feira), as obrigações relaxam e as bolsas americanas e asiáticas sobem com força. A tecnologia volta a liderar (semis +8%, Coreia +6%). SpaceX estreia-se hoje na bolsa após ter captado 75.000 M$.


Horas depois de novas ameaças, Trump anuncia negociações com o Irão que, afirma, poderão levar a um acordo este fim de semana. O otimismo extende-se a bolsas e obrigações e a volatilidade relaxa. Devolve o protagonismo aos fundamentos e lucros. E aí brilha a tecnologia e, principalmente, os semis. O EPS dos componentes do índice continua a ser revisto em alta. Números atualizados: 2026 +81,5%, 2027 +46,2%, 2028 +18,5%. 


A tecnologia está no foco perante a estreia de SpaceX na bolsa. Grande marco pelo volume da operação, a maior da história, e o seu impacto nos índices americanos e na liquidez disponível para outras tecnológicas americanas. O preço de saída marcado, 135 $/ação, avalia a empresa em 1,77 Bn$. Derivados e futuros numa plataforma online apontam para uma subida inicial de +35%. Veremos. Irá introduzir volatilidade, sem dúvida, e quiçá rotação de ativos. O mercado irá querer ver se os fundamentos justificam a avaliação. Será fundamental na sessão americana e provavelmente também nas próximas semanas.


Na frente macro, ontem o BCE cumpriu o esperado: subiu +25 p.b. até 2,25%/2,40%. Trata-se de um movimento com o qual pretende ressaltar o seu compromisso com o objetivo de inflação (2%), apesar de não ver “ainda efeitos de segunda ronda”, mas não pensamos, de forma alguma, que seja o início de um novo ciclo de endurecimento monetário. Reviu em baixa o crescimento (+0,8% a/a e +1,2% a/a 2027) e a inflação em alta (+3% a/a 2026, +2,3% a/a 2027) no cenário base (e também os cenários adverso e severo), mas criou um novo cenário “mais suave”. Descontado este movimento, as yields das obrigações europeias enfraqueceram ~-4/-5 p.b. de forma geral.


Hoje, a macro foca-se no Indicador de Confiança da Univ. de Michigan, que poderá melhorar ligeiramente, tanto na componente de sentimento como de preços. Aqui não será um obstáculo para uma sessão que estará dirigida por SpaceX e de que forma o mercado dirige a sua avaliação e captação de liquidez. De momento, Ásia com alguma euforia, Europa também com força, EUA dependerão de SpaceX, mas a tendência é positiva.


FIM

BDM Matinal Riscala

 Bom dia


*Rosa Riscala: Mercado volta a apostas em corte da Selic*


… Era o início da tarde quando Donald Trump declarou que “acabamos de fazer um ótimo acordo para encerrar a guerra com o Irã”. Pouco antes, já causava alívio, suspendendo os novos ataques prometidos para a noite. Mesmo com Teerã dizendo que ainda não havia tomado uma decisão final, ele garantia que “o acordo será assinado provavelmente no fim de semana”. Os mercados passaram a queimar prêmios de risco. O petróleo aprofundou a queda no pregão eletrônico, as bolsas foram às máximas, juros e dólar renovaram mínimas. Às vésperas do Fed e Copom, a notícia esvaziou as chances de alta do juro americano, enquanto aqui o mercado não esperou pelo IPCA para voltar a apostar em corte da Selic.


FALTAM OS DETALHES – O mercado passou a apostar em uma solução diplomática para a guerra no Oriente Médio após Donald Trump cancelar os ataques que prometia realizar nesta quinta-feira e afirmar que um acordo com o Irã está praticamente concluído.


… Segundo o presidente americano, a assinatura pode ocorrer nos próximos dias, provavelmente “já no fim de semana”, e permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo da região. A mudança de tom foi significativa.


… Ao longo da manhã, Trump ainda ameaçava atingir o Irã “muito duramente”, falava em novos bombardeios para a noite e chegou a mencionar a possibilidade de assumir o controle da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano.


… Poucas horas depois, porém, anunciou a suspensão da operação militar, alegando avanços nas negociações e afirmando que os pontos finais do entendimento já teriam sido aprovados pelas partes envolvidas. A sequência de notícias alimentou rapidamente o apetite por risco.


… Reportagens da Axios indicaram que as principais divergências já teriam sido resolvidas, incluindo questões relacionadas à reabertura de Ormuz, à liberação de ativos iranianos congelados e ao formato das futuras negociações sobre o programa nuclear.


… Ao mesmo tempo, o gabinete de Benjamin Netanyahu confirmou que o premiê israelense discutiu com Trump um memorando em formação.


… Segundo o comunicado, Israel espera que um eventual acordo inclua a retirada do material enriquecido do Irã, restrições à produção de mísseis, o desmantelamento da infraestrutura nuclear e o fim do apoio de Teerã a grupos aliados na região.


… Apesar da melhora do ambiente, o noticiário permaneceu repleto de lacunas.


… Autoridades iranianas afirmaram que ainda não foi tomada uma decisão final sobre o texto, enquanto fontes ligadas às negociações disseram que Teerã sequer aprovou formalmente qualquer acordo. Israel também disse que não concluiu um entendimento com os Estados Unidos.


… Além disso, explosões voltaram a ser registradas nas proximidades do Estreito de Ormuz no fim da tarde.


… Outro ponto que mantém dúvidas sobre o desfecho das negociações é a falta de detalhes sobre os termos do eventual acordo. Nem Washington nem Teerã divulgaram oficialmente o texto em discussão.


… Até o momento, as informações disponíveis se baseiam em declarações de Trump, vazamentos para a imprensa e relatos de fontes envolvidas nas conversas. Na prática, os mercados negociaram menos um acordo assinado e mais a esperança de que há um acordo na mesa.


… Mas esse acordo ainda precisa ser validado por todas as partes envolvidas, principalmente pelo Irã.


BATEU NOS JUROS – A perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã e a forte queda do petróleo levaram investidores a reduzir apostas de aperto monetário nos Estados Unidos e a voltar a discutir cortes de juros no Brasil.


… Segundo a ferramenta CME FedWatch, no final da tarde o mercado havia reduzido as chances de alta pelo Federal Reserve em outubro e passou a concentrar a maior probabilidade de aperto apenas em dezembro. No B3, a reação foi ainda mais intensa.


… Na curva de juros, a probabilidade de corte de 0,25 ponto da Selic na reunião da próxima semana voltou a ser majoritária, passando de cerca de 30% para 60%, segundo cálculos do Bmg. Ao mesmo tempo, a Selic terminal projetada para 2026 caiu de 15,05% para 14,80%.


… O movimento chama atenção porque ocorreu apesar de novos sinais de atividade aquecida. A Pesquisa Mensal de Serviços ontem mostrou alta de 1,2% em abril, o dobro da expectativa do mercado, reforçando a percepção de que a economia brasileira continua resiliente.


… Nos Estados Unidos, o PPI também trouxe sinais menos benignos para a inflação do que o CPI divulgado na véspera.


… Para a Capital Economics, os componentes do PPI que alimentam o cálculo do núcleo do PCE vieram mais fortes do que o esperado e podem levar a inflação preferida do Fed para perto de 3,5% em termos anuais.


… A consultoria mantém a avaliação de que o banco central americano ainda poderá elevar os juros mais adiante. Mesmo assim, investidores preferiram concentrar suas atenções no recuo do petróleo e na possibilidade de uma solução diplomática para o conflito.


AINDA FALTA O IPCA – Após o mercado voltar a apostar majoritariamente em um corte da taxa Selic na próxima semana, o IPCA de maio, que será divulgado às 9h, ganha importância adicional nesta sexta-feira por ajudar a validar – ou não – essa reprecificação.


… A mediana das projeções do Broadcast aponta alta de 0,55% para o índice cheio, após avanço de 0,67% em abril, refletindo principalmente o alívio esperado nos combustíveis e uma descompressão gradual dos alimentos.


… A desaceleração tende a reforçar a percepção de que parte das pressões inflacionárias provocadas pela guerra no Oriente Médio pode ser temporária, especialmente diante da forte queda recente do petróleo.


… No acumulado em 12 meses, porém, a inflação deve acelerar de 4,39% para 4,68%, permanecendo acima do teto da meta.


… A atenção do mercado, porém, continua concentrada nas medidas qualitativas. A média dos núcleos deve desacelerar apenas marginalmente, de 0,50% para 0,45%, enquanto os serviços subjacentes seguem em patamar elevado.


… Economistas avaliam que os indicadores recomendam cautela, já que continuam refletindo uma economia aquecida, sustentada pelo mercado de trabalho forte, crescimento da renda e estímulos fiscais.


… O contraste entre um índice cheio mais benigno e núcleos ainda pressionados ajuda a explicar por que parte relevante do mercado continua cética em relação a um corte imediato da Selic, apesar da mudança de humor observada nos ativos nesta quinta-feira.


… Em outras palavras, o IPCA pode ajudar a consolidar a melhora das expectativas para a inflação de curto prazo, mas os núcleos e os serviços seguem longe de um nível confortável para o BC. A queda do petróleo ajuda, mas sozinha pode não resolver tudo.


A CONTA NÃO FECHA – Enquanto o mercado reduzia os prêmios associados à guerra e voltava a discutir cortes de juros, a equipe econômica elevou o tom de alerta sobre o avanço das chamadas “pautas-bomba” no Congresso.


… Em entrevista ao SBT News, o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o governo foi surpreendido pelo conjunto de matérias aprovadas pelo Senado nesta semana e disse que o impacto potencial ultrapassa R$ 200 bilhões, mais de 2% do PIB.


… Segundo ele, o problema vai muito além das contas públicas. “O País não suporta um impacto dessa magnitude”, afirmou, acrescentando que as propostas colocam em risco não apenas a política fiscal, mas também a política monetária, o câmbio e a inflação.


… Fazenda e Planejamento divulgaram nota conjunta estimando impacto de R$ 111 bilhões por ano para nove propostas em tramitação no Congresso. Entre elas, dívidas rurais, a ampliação dos limites do Simples Nacional e MEI, novos pisos salariais e mudanças previdenciárias.


… A preocupação ganhou força após a aprovação do projeto de renegociação das dívidas rurais pelo Senado.


… Segundo apuração do Estadão, o governo trabalha para evitar uma tramitação acelerada na Câmara e já discute alternativas que vão desde mudanças no texto até veto presidencial e eventual questionamento no STF.


… Parte das medidas cria despesas incompatíveis com a Lei de Responsabilidade Fiscal e impõe um custo que as contas públicas não suportam.


… O Supremo tem jurisprudência consolidada contra a criação de despesas ou renúncias fiscais sem indicação de fonte de custeio. O ministro Gilmar Mendes alertou que o Congresso não pode criar despesas para Estados e municípios sem apontar como elas serão financiadas.


… Assim, o avanço dessas propostas ajuda a explicar por que parte do mercado continua cautelosa com o cenário doméstico. A queda do petróleo reduz pressões de curto prazo, mas não elimina os desafios fiscais que seguem no radar do Banco Central e dos investidores.


PAUTA TRAVADA – A Câmara continua com a pauta bloqueada por causa da urgência do governo para regulamentar o fim da escala 6×1.


… Nos bastidores, governistas admitem que a estratégia tem como objetivo manter pressão sobre o Senado para acelerar a tramitação da PEC que trata do tema. O impasse já começa a produzir efeitos práticos.


… Nesta semana, a Câmara deixou de votar o PLP dos Combustíveis, proposta apoiada pela equipe econômica que autoriza o uso de receitas extraordinárias do petróleo para reduzir impostos. A situação tem provocado incômodo no Congresso.


… O relator da proposta, Leo Prates, argumentou que o Senado é livre para definir seu próprio cronograma de votação. Na mesma linha, Hugo Motta já defendeu que o governo retire a urgência e negocie com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sem manter a Casa paralisada.


… Apesar das críticas, o Planalto resiste a retirar a urgência, porque tem nessa PEC uma de suas principais bandeiras eleitorais.


… Nos bastidores, uma alternativa discutida é uma negociação direta entre Lula e Alcolumbre antes da viagem do presidente para a reunião do G7. Até lá, o impasse deve continuar afetando a tramitação de projetos considerados relevantes tanto pelo governo quanto pelo mercado.


CURTAS DA POLÍTICA – O presidente Lula lança hoje (11h) o programa Move Brasil – Entregadores e Moto Apps, nova linha de crédito avalizada pelo Fundo de Garantia de Operações (FGO) para facilitar o financiamento de motocicletas por trabalhadores de aplicativos.


… À tarde (15h), o presidente também participa do anúncio de novas unidades do Minha Casa Minha Vida Rural e Entidades.


PESQUISA. Alfa Inteligência mostrou Lula com 44% das intenções de voto contra 41% do senador Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, em cenário de empate técnico. O levantamento também apontou aumento da desaprovação do governo, de 53% para 56%.


MASTER. A Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo investigadores, o material não trouxe fatos inéditos nem elementos de prova suficientes para justificar um acordo de colaboração.


BIG TECHS. O STF formou maioria para conceder prazo de 60 dias para que as plataformas digitais implementem as obrigações decorrentes do julgamento do Marco Civil da Internet.


… Entre as medidas estão mecanismos de combate à circulação massiva de conteúdos ilícitos graves, novas exigências de transparência e a criação de canais específicos de atendimento aos usuários.


MAIS AGENDA – Além do IPCA, a sexta-feira traz dados da produção de veículos da Anfavea e o índice de sentimento do consumidor americano da Universidade de Michigan, indicador acompanhado de perto por investidores por incluir as expectativas de inflação.


… Às 11h, a Anfavea divulga os números de produção de veículos de maio. Às 11h30, o BC realiza leilão de até 50 mil contratos de swap cambial para rolagem e, ao meio-dia, oferta até R$ 5 bilhões em operações compromissadas de seis meses.


… No exterior, o índice preliminar de sentimento do consumidor de junho será divulgado às 11h. A expectativa é de alta para 47,8 pontos, após 44,8 em maio. O relatório também traz as projeções de inflação para um e cinco anos, acompanhadas de perto pelo Fed.


MAIS INTERNACIONAL – Ainda nos Estados Unidos, repercute a decisão de um tribunal federal de apelações, que autorizou o governo Trump a manter temporariamente a tarifa global de 10% sobre importações enquanto prossegue a disputa judicial sobre a legalidade da medida.


… A sobretaxa está prevista para expirar em julho, caso não seja prorrogada pelo Congresso.


AO INFINITO E ALÉM – As ações da SpaceX estreiam hoje na Nasdaq, sob o código SPCX. No Brasil, será possível investir na empresa por meio de BDRs listados na B3, sob o código SPCX34. Cada BDR valerá 1/15 do preço da ação.


… A oferta inicial da SpaceX saiu ao preço de US$ 135 por ação, conforme a empresa aeroespacial de Elon Musk já tinha definido no lançamento da operação.


… Foram vendidas 555,56 milhões de ações, totalizando quase US$ 75 bilhões. A demanda chegou aos US$ 250 bilhões, segundo apurou a Reuters.


… Foi o maior IPO da história, superando os US$ 25,6 bilhões obtidos pela Saudi Aramco em 2019 e os US$ 21,8 bilhões do Alibaba em 2014.


… A operação implicou em um valor de mercado para a SpaceX de US$ 1,77 trilhão, o que a coloca entre as sete maiores empresas listadas nos Estados Unidos.


PROMESSA É DÍVIDA – A decisão de Donald Trump de cancelar os ataques ao Irã e ainda afirmar que um acordo tinha sido aprovado pelo “mais alto nível da liderança do país” e seria assinado nos próximos dias animou Wall Street.


… A declaração do presidente americano em sua rede social no começo da tarde se juntou à confirmação do sucesso do IPO da SpaceX algumas horas depois, deixando os investidores em polvorosa.


… O Irã deixou claro que ainda não tomou uma decisão final sobre o acordo, mas ninguém deu bola. Nem o PPI de maio (+1,1%) acima do esperado (+0,7%), na maior alta mensal desde novembro de 2022, estragou o clima de festa.


… O Dow Jones subiu 1,86%, aos 50.848,75 pontos. O S&P 500 ganhou 1,75%, aos 7.394,30 pontos. E o Nasdaq avançou 2,54%, aos 25.809,66 pontos.


… As techs mais uma vez foram destaque, desta vez de alta: SanDisk (+14,5%), Micron (+11,7%), Intel (+9,3%) e Nvidia (+2,2%). Na contramão do setor, Oracle caiu 8,5% após o balanço, que trouxe gastos maiores do que o previsto.


… No setor aeroespacial, as ações dispararam na esteira do IPO da SpaceX: Redwire (+14,9%), Firefly (+17,8%) e Virgin Galactic (+22,4%).


POÇO SEM FUNDO – O Brent chegou a superar os US$ 95 na manhã de ontem, com Donald Trump prometendo novos ataques ao Irã e a ocupação da ilha de Kharg, importante centro iraniano de embarque de petróleo.


… Mas a commodity virou o jogo de tarde e afundou por obra e graça do mesmo Trump. Além de cancelar os ataques, o presidente americano sinalizou que o fim da guerra estaria próximo ao afirmar que o Irã teria aceitado um acordo.


… O mercado mal deu atenção ao relatório mensal da Opep, que reduziu a previsão de crescimento da demanda global de petróleo neste ano, para 970 mil bpd, de 1,17 milhão bpd no documento anterior.


… O Brent para agosto fechou em baixa de 2,92%, a US$ 90,38 na ICE, enquanto o WTI para julho recuou 2,58%, a US$ 87,71 na Nymex.


NO BANCO DO CARONA – A bolsa brasileira seguiu o otimismo global com a possível assinatura em breve de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, e também a euforia de Wall Street com o IPO da SpaceX.


… O Ibovespa fechou em alta de 1,71%, aos 171.497,24 pontos, com giro expressivo, de R$ 30,5 bilhões. O tombo do petróleo não prejudicou Petrobras, que ficou de lado: PN +0,26%, a R$ 41,76; e ON -0,02%, a R$ 46,80.


… Os bancos avançaram: Itaú PN (+2,90%, a R$ 40,50), BTG unit (+2,60%, a R$ 50,48), Bradesco PN (+2,43%, a R$ 17,68), BB ON (+2,16%, a R$ 19,41) e Santander unit (+0,63%, a R$ 27,17). E Vale (+1,42%, a R$ 78,80) contrariou o minério de ferro (-0,46%).


… No topo do índice ficaram Vamos (+6,52%, a R$ 2,94), PetroRecôncavo (+5,91%, a R$ 11,11) e Direcional (+5,78%, a R$ 13,55). Natura (-1,96%, a R$ 8,51) foi a que mais caiu, seguida de SLC Agrícola (-1,41%, a R$ 14,68) e Prio (-1,32%, a R$ 62,05).


DA DEFESA PARA O ATAQUE – A melhora na percepção de risco em relação à guerra provocou intenso desmonte de posições defensivas no câmbio à tarde, levando o real a ter o melhor desempenho entre as divisas emergentes.


… O dólar fechou em baixa de 1,37%, a R$ 5,1016, depois de fazer mínima em R$ 5,0921. Lá fora, o índice DXY recuou 0,28%, para 99,669 pontos. A libra ganhou 0,38%, a US$ 1,3420. E o euro subiu 0,40%, a US$ 1,1582, em dia de BCE.


DO ATAQUE PARA A DEFESA – O BC europeu subiu o juro em 0,25 pp, para 2,25%, deixando os próximos passos em aberto. Christine Lagarde previu que a inflação deve voltar à meta só no segundo semestre de 2027.


… “Monitoraremos de perto a dimensão e a persistência do aumento dos preços da energia”, afirmou a presidente do BCE, ao comentar das pressões inflacionárias decorrentes da guerra.


… Lagarde também deixou claro a preocupação da autoridade monetária com a fraqueza da economia europeia. “Os riscos para as perspectivas de crescimento são negativos”, declarou em entrevista coletiva após a decisão.


QUEIMA DE ESTOQUE – Os juros futuros devolveram prêmios, aproveitando a melhora na percepção de risco global provocada por Donald Trump, ao falar em acordo com o Irã e suspender novos ataques contra o país.


… Antes mesmo da publicação do presidente americano nas redes sociais, os DIs já mostravam queda expressiva pela manhã, com investidores corrigindo os excessos das últimas sessões, quando as taxas encostaram nos 15%.


… O fechamento da curva trouxe de volta a chance de um corte de 0,25 pp na próxima semana, com o cenário de manutenção da Selic pelo Copom perdendo força.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,310% (de 14,481% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,495% (14,907%); Jan/29 a 14,505% (14,968%); Jan/31 a 14,405% (14,841%); Jan/33 a 14,385% (14,788%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE recebeu carta da PREVI pedindo a convocação de assembleia para destituir o presidente do conselho de administração da mineradora, Daniel André Stieler.


… A Previ também pede a indicação de José Mauricio Pereira Coelho para a vaga no conselho e a eleição de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira para o cargo de presidente do colegiado.


… A Vale afirmou que o conselho está avaliando as medidas necessárias para a convocação da assembleia.


PETROBRAS informou ao Ibama que estima concluir a perfuração do Poço Morpho, na Foz do Amazonas (Margem Equatorial) no dia 7 de agosto, segundo apurou o Valor.


NUBANK concluiu oferta pública de letras financeiras no montante de R$ 1,59 bilhão. Segundo o banco, a demanda superou R$ 3 bilhões.


… As letras foram emitidas em duas séries, a primeira, de R$ 1,066 bilhão, com prazo de dois anos e taxa de CDI + 0,39%. E a segunda série, de R$ 522 milhões, com prazo de três anos e taxa de CDI + 0,49%.


EZTEC. Conselho aprovou cancelamento de 3,640 milhões de ações mantidas em tesouraria e abertura de novo programa de recompra de até 12 milhões de papéis pelo prazo de 18 meses.


CYRELA. Absolute Gestão eleva participação de 5,3% para 10,1% das ações PN.


OI. Justiça prorrogou prazo de suspensão da exigibilidade das obrigações extraconcursais, que são dívidas e compromissos assumidos depois do início da recuperação judicial e que não entram no plano geral de credores.


… Foi designado o gestor judicial para dar continuidade à liquidação ordenada dos ativos até o julgamento de mérito dos agravos de instrumento. A decisão ocorreu no âmbito dos recursos apresentados pelo Itaú Unibanco e Bradesco.


CAIXA SEGURIDADE. Conselho elege Dermeval Bicalho Carvalho para o cargo de Diretor de Governança e Riscos. Vanessa Regina Gobi Cattinne dos Santos assumirá o cargo de Diretora Comercial e de Produtos.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Do Gilmarpalooza ao caso Master, um festival de cinismo assola o país

 Por Malu Gaspar, 11/6/2026

Junho já entrou para o calendário nacional como o mês em que o Festival de Cinismo que Assola o País — ou Feciapá, na sigla que acabo de inventar — vive seu ápice. Como se fosse a coisa mais normal do mundo, o Congresso para, e o Judiciário entra em operação padrão para que políticos, autoridades, empresários, advogados, lobistas e jornalistas migrem para Lisboa por uma semana para integrar e cobrir o maior evento de lobby judicial do mundo, o Gilmarpalooza, promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e seus braços acadêmicos, IDP e FGV.
Como reação a quem aponta o atentado à ética e à independência judicial que o evento representa, virou moda entre os frequentadores propagar a qualidade das palestras — ainda que não se tenha produzido um texto de repercussão sobre seu conteúdo, nem se consiga explicar por que precisam todos ir para a Europa, muitos à custa do contribuinte, para discutir temas que poderiam perfeitamente ser debatidos no Brasil.
Talvez porque ficaria chato ter de dar satisfação sobre um painel montado só para representantes de bets se defenderem da dura perseguição que sofrem, coitados — ou os planos de saúde, os cartórios, as mineradoras —, enquanto na programação paralela o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) debate alegremente a “evolução regulatória” de “ativos tokenizados” com um dos advogados do Banco Master perante a própria CVM.
Master que, aliás, foi o sujeito oculto do Fórum Jurídico de Lisboa — para quem não sabe, nome oficial do convescote. A sombra do escândalo fez minguar a plateia de políticos e autoridades, de ministros do governo Lula aos integrantes de Cortes superiores. Não adiantou Gilmar ter procurado vários deles para cobrar presença. O único do STF a comparecer foi Alexandre de Moraes, que, além de protagonista do caso Master, foi também estrela do evento.
Um dos momentos mais comentados foi o encontro em que ele e o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, se reuniram para acertar os ponteiros. Como Esteves sempre foi o maior adversário de Vorcaro na Faria Lima, Moraes passou a responsabilizá-lo por reportagens sobre sua ligação com o dono do Master. Agora que o foco se voltou para o Centrão e para o dark horse Flávio Bolsonaro, parece ter se aberto uma brecha para a pacificação.
Nos cafés, jantares e festas onde o Gilmarpalooza realmente acontece, a guerra de que mais se falava é travada entre os dois polos do Supremo: André Mendonça, que comanda o caso Master, e os anfitriões de Lisboa, que buscam jogar uma boia de salvação a Daniel Vorcaro.
Dez dias antes, Gilmar pediu vista no julgamento da Segunda Turma do STF sobre a prisão preventiva de Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo do dono do Master. Segundo a Polícia Federal (PF), o primeiro dirigia uma milícia privada que espionava e ameaçava pessoas. O primo, Felipe, punha em operação o pagamento da mesada de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Quando Gilmar parou o julgamento, já havia dois votos pela manutenção da prisão de Henrique e um pela de Felipe. Como só votam nesse caso quatro dos cinco ministros da Turma (Dias Toffoli, o quinto elemento, sempre se declara impedido), com dois votos pela soltura eles já poderiam ser liberados. O jogo nada secreto aí é convencer o quarto ministro, Kassio Nunes Marques, a acompanhar Gilmar, derrubando a ordem de Mendonça.
Da cela na PF, Vorcaro vem sendo informado de tudo o que se passa. Isso ajuda a explicar por que sua segunda negociação para uma delação premiada está prestes a fracassar sem que ele entregue informações novas, nem confesse crimes. Vorcaro ainda acredita ser possível que seus amigos em Brasília deem um jeito de resgatá-lo. Com os brasileiros ligados na Copa do Mundo e depois na campanha eleitoral, vai que se abre uma brecha?
Embora pareça uma ideia absurda, convém dar uma olhada nos dados trazidos pela pesquisa Genial/Quaest que acaba de ser divulgada. O grupo dos que acreditam que o Master não é problema específico de uma força política, mas de todas, é o maior entre os entrevistados, com 44%. Mesmo com 65% considerando que Flávio Bolsonaro não deveria ter pedido dinheiro para o filme sobre o pai e 60% afirmando ver suspeita de ilegalidade, 76% dizem que não mudaram de voto por causa do episódio.
O recado aí é claro: num país em que anomalias como o Gilmarpalooza passam a integrar o calendário político do país sem que ninguém mais se incomode, faz sentido esperar que a maior fraude financeira de nossa História com o tempo também seja incorporada a uma paisagem repleta de casos de pilhagem e corrupção. Seria apenas mais um episódio a abrilhantar o Feciapá, a única coisa que nunca falha no Brasil.

Call Matinal 1106

 Call Matinal

11/06/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (1006)

MERCADOS

Na quarta-feira (10), o Ibovespa fechou em queda de 0,70%, indo a 268.619 pontos. Volume diário foi a R$ 26 bilhões. No mercado cambial, apesar do susto, o dólar à vista fechou em leve baixa de 0,09%, a R$ 5,1726, após oscilar entre R$ 5,1596 e R$ 5,1976. Os investidores monitoraram o noticiário sobre a guerra e os dados da economia americana. Lá fora, a moeda americana também mostrava estabilidade frente aos pares, mesmo Trump afirmando que fosse atacar o Irã “com muita força”.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta quinta-feira (11), após Washington anunciar a conclusão dos ataques contra o Irã, aumentando as expectativas de que as negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz sejam retomadas.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: +0,59%

S&P 500 Futuro: +0,72%

Nasdaq Futuro: +1,21%

Bolsas operando em alta na expectativa do acordo de paz, mesmo com a troca de ataques ontem.  

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), -0,16%

Nikkei (Japão): +0,06%

Hang Seng Index (Hong Kong): -0,65%

Nifty 50 (Índia): +0,01%

ASX 200 (Austrália): -0,23%

Bolsas asiáticas mistas, diante da indefinição da guerra do Oriente Médio.

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,59%

DAX (Alemanha): +0,22%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,60%

CAC 40 (França): +0,56%

FTSE MIB (Itália): +1,08%

Bolsas europeias em alta na expectativa de uma definições da guerra.

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -0,89%, a US$ 89,23 o barril

Petróleo Brent, -0,98%, a US$ 92,19 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,46%, a 764 iuanes (US$ 112,80)

Bitcoin, +1,64%, a US$ 62.869,81

Petróleo em queda, na expectativa do fim da guerra do Oriente Médio.

 

NO DIA, 1106

Há alguns dias vivemos entre recuos e avanços em relação à guerra com o Irã. Os aiatolás seguem bradando aos quatro ventos os dítames do Alcorão, como ditadura teocrática que são. Os EUA tentam dourar a pilula, até porque começa hoje a Copa do Mundo e eles não querem estragar a festa. No Israel nada muda,com os ataques ao Libano na ordem do dia. Retornando aos EUA, a inflação veio dentro do esperado, a 0,5% mensais e 4,2% em 12 meses, embora bem acima da meta do Fed. Em paralelo, Trump cumpriu a promessa feita ao longo do dia e voltou a atacar o Irã, aprofundando a escalada militar no Oriente Médio. O Brent voltou a se aproximar de US$ 95 e os futuros de Nova York abriram em queda. Na agenda de hoje, reunião do BCE, que deve subir o juro, PPI nos Estados Unidos e Serviços no Brasil, na contagem regressiva para o Fed e o Copom na próxima semana.

 

Agenda macro 08 a 12 de junho

 

Quinta-feira, 11 de junho

Opep: relatório do mercado de petróleo

Brasil: Volume de serviços de abril
Zona do euro: Decisão de juros do BCE
EUA: PPI de maio e auxílio-desemprego
Zona do euro: Coletiva de Lagarde

Sexta-feira, 12 de junho

Brasil: IPCA de maio
EUA: Confiança do consumidor de Michigan

 

 

Boa semana e quinta-feira para todos!

Alvaro Gribel

 *COMENTÁRIO:SOCORRO AO BRB OFENDE LÓGICA E BANCO PERDEU RAZÃO DE EXISTIR APÓS PREJUÍZOS COM MASTER*


20:52 10/06/2026 

Por Alvaro Gribel, do Estadão


Brasília, 10/06/2026 - O Banco de Brasília (BRB) perdeu a razão de existir, se é que já a teve um dia. O plano para socorrer o banco significa que a população do Distrito Federal irá assumir um financiamento de R$ 6,6 bilhões, que será pago com juros e correção monetária por 15 anos, além de abrir mão de R$ 2,2 bilhões em receitas da securitização de sua dívida que ajudariam a melhorar as finanças do Governo do DF (GDF).


No total, uma conta de R$ 8,8 bilhões, que será injetada em um banco quebrado e que demonstrou falhas grosseiras - para não dizer criminosas - em sua administração nos últimos anos. Como mostrou o Estadão, a estimativa da consultoria legislativa do GDF é de que isso possa drenar até R$ 1 bilhão por ano do Orçamento do GDF.


Na prática, haverá menos recursos para saúde, educação e segurança na capital federal - que já vive problemas nas três áreas depois da desastrosa gestão Ibaneis Rocha - apenas para cobrir o rombo dos prejuízos que o BRB teve nas suas relações com o

Banco Master.


A conta, na verdade, pode ser maior, porque a proposta de empréstimo deve prever juros de IPCA+4,5% ao ano, uma taxa de pai para filho - menor do que a Selic - e que certamente será recusada pelos bancos privados.


Para pagar a conta, o DF se comprometeu a congelar reajustes salariais de servidores, não abrir concursos e não contratar despesas obrigatórias. Essas regras, porém, já começaram a ser flexibilizadas: na Câmara Legislativa do DF, deputados distritais autorizaram o governo a recompor o salário de servidores.


O pior é que não há garantias de que esse valor bilionário irá reequilibrar o banco, já que ele vive uma "corrida por liquidez", como admitiu o presidente Nelson Antônio de Souza, e provavelmente está vendendo ativos a preços mais baixos do que consta em seu balanço. O buraco, portanto, já poder ser muito maior, mas ninguém sabe ao certo o número, já que o BRB vem se recusando a divulgar o seu balanço.


O acordo de socorro foi homologado pelo STF, e em entrevista ao Estadão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou o motivo: o ministro Luiz Fux está preocupado com os R$ 30 bilhões de cinco Tribunais de Justiça que foram depositados no BRB. É sempre revelador das prioridades do Judiciário em resolver problemas quando recursos do próprio Poder estão em risco.


A pergunta que a população do GDF deve se fazer é: vale a pena arcar com o custo do socorro apenas para continuar tendo banco estadual que tem histórico de agir sob pressões políticas? A resposta pura e simples é não. Desde o Proes, nos anos 90, a imensa maioria dos bancos estaduais foi fechada. A atuação do BRB no caso do Master deixa claro o porquê.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: A inflação passou no teste. A guerra não*


… O mercado amanhece diante de um cenário que parecia improvável há apenas algumas semanas. A inflação americana passou no teste, mas a guerra não. O CPI de maio veio em linha com as expectativas e, embora bem acima da meta do Fed, afastou o risco imediato de uma alta do juro. Mas o alívio durou pouco. Trump cumpriu a promessa feita ao longo do dia e voltou a atacar o Irã, aprofundando a escalada militar no Oriente Médio. O Brent voltou a se aproximar de US$ 95 e os futuros de Nova York abriram em queda. Na agenda de hoje, reunião do BCE, que deve subir o juro, PPI nos Estados Unidos e Serviços no Brasil, na contagem regressiva para o Fed e o Copom na próxima semana.


GUERRA SEM TRÉGUA – Os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã na noite de ontem, aprofundando a escalada militar no Oriente Médio e reduzindo ainda mais as expectativas de uma trégua duradoura no curto prazo.


… A ofensiva ocorreu após um dia inteiro de ameaças públicas de Donald Trump, que acusou Teerã de prolongar as negociações e afirmou que o país teria de “pagar o preço” pela demora em aceitar um acordo.


… Ao longo de toda a quarta-feira, diplomatas do Catar ainda tentaram construir uma saída negociada para o conflito.


… Houve contatos indiretos entre americanos e iranianos em Doha, mas Teerã se recusou a participar de uma reunião trilateral e voltou a afirmar que não negociará sob pressão militar.


… A tensão aumentou no fim da tarde, quando o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou que novos ataques seriam realizados. “Atacaremos o Irã com força, negociaremos com bombas se for necessário”, afirmou.


… O Irã colocou suas Forças Armadas em prontidão máxima, prometeu atingir novos interesses americanos na região em caso de agressão e voltou a acusar Washington de comprometer qualquer esforço diplomático.


… Horas depois, os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra múltiplos alvos iranianos. Segundo a imprensa americana, a operação teve como foco sistemas de defesa aérea, radares e estruturas militares ligadas ao comando de drones.


… Trump afirmou que os bombardeios continuarão (“Voltarei a atacar amanhã também”) caso o Irã não assine um acordo. Disse que autoridades iranianas teriam pedido a interrupção dos ataques. Teerã, porém, negou conversas diretas com Washington.


… A nova ofensiva reforça a percepção de que a estratégia americana passou a combinar pressão militar e negociação simultaneamente, aumentando os riscos para o mercado de energia e para a estabilidade da região.


… Com o cessar-fogo firmado em abril praticamente esvaziado e o Estreito de Ormuz permanecendo no centro da disputa, investidores voltam a monitorar a possibilidade de uma interrupção mais prolongada do fluxo global de petróleo.


COMPRANDO A GUERRA – Os novos ataques americanos contra o Irã voltaram a colocar a geopolítica no centro das atenções dos investidores, reduzindo o impacto positivo provocado pelo CPI americano divulgado ontem.


… O petróleo avançava mais de 2% no início dos negócios asiáticos, com o Brent se aproximando de US$ 95 por barril, enquanto bolsas da região operavam em queda e os futuros de Nova York também recuavam.


… O movimento reforça a percepção de que a guerra voltou a dominar a formação de preços dos mercados, em um momento em que investidores já enfrentam uma realização importante nas ações ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores.


… “Os investidores continuam cautelosos, apesar do alívio proporcionado pelos dados da inflação”, afirmou Chris Beauchamp, analista-chefe de mercado da IG, à Bloomberg. Segundo ele, ninguém está disposto a voltar às compras enquanto persistirem as incertezas geopolíticas.


… Mesmo após a inflação americana ter vindo em linha com as expectativas, os juros dos Treasuries voltaram a subir ao longo da sessão de ontem, acompanhando a alta do petróleo e as preocupações com seus potenciais efeitos sobre a inflação global.


… O resultado é que a boa notícia da inflação acabou ofuscada pela guerra. O CPI passou no teste. O conflito no Oriente Médio, não.


PETRÓLEO TESTA NOVO PATAMAR – Analistas avaliam que um prolongamento da guerra, com o Estreito de Ormuz fechado, pode levar o barril a patamares significativamente mais elevados.


… Em cenários extremos, algumas estimativas apontam preços entre US$ 150 e US$ 180 por barril, embora projeções mais conservadoras trabalhem com uma faixa entre US$ 90 e US$ 120 caso o conflito persista sem uma solução rápida.


… Mesmo quem aposta em uma normalização gradual do mercado, como a economista Laura Pitta (Itaú), avalia que a guerra passou a incorporar um prêmio de risco estrutural às cotações, que continuará embutido nos preços mesmo com a redução das tensões.


… O banco trabalha com o preço do barril de petróleo de US$ 85 até o fim do ano de 2026 e a US$ 75 até o fim do próximo ano. Antes do conflito, as previsões estavam em cerca de US$ 50 a US$ 60 por barril, dado o cenário de excesso de oferta.


… Na sessão de ontem, o Brent fechou em alta de 1,8%, a US$ 93,10, enquanto o WTI avançou 2,1%, a US$ 90,03, refletindo as ameaças do presidente Donald Trump, que passou o dia inteiro avisando que iria atacar o Irã “hoje à noite”.


… Além da escalada da guerra, os preços foram impulsionados pela queda de 7,227 milhões de barris nos estoques americanos do DoE na semana passada, que vieram bem acima da expectativa de um recuo de 2,9 milhões.


… O dado reforçou a percepção de aperto no mercado físico justamente em um momento de crescente preocupação com a oferta global.


… Após o fechamento dos mercados, os contratos já aceleravam os ganhos no pregão eletrônico, à medida que investidores passaram a precificar a possibilidade de novos ataques e uma ampliação do conflito no Oriente Médio.


… Hoje, a atenção se volta para o relatório mensal da Opep, que será divulgado à primeira hora do dia na Áustria e poderá trazer novas indicações sobre oferta, demanda e capacidade de compensação do choque provocado pela guerra.


VAI SER COM EMOÇÃO – O CPI de maio veio em linha com as expectativas nos Estado Unidos e não confirmou as apostas de nova alta de juros, embora o mercado continue esperando manutenção e um tom mais cauteloso no primeiro Fomc sob o comando de Kevin Warsh.


… O fato de a inflação americana não ter surpreendido, porém, trouxe apenas um alívio relativo para a curva de juros no Brasil.


… Após devolver parte dos prêmios ao longo da tarde de ontem, os contratos de DI seguem próximos dos maiores níveis do ano, refletindo as preocupações com a guerra no Oriente Médio, a alta do petróleo e seus potenciais impactos sobre a inflação.


… A cautela também se explica pela divulgação do IPCA de maio na sexta-feira, último indicador relevante antes do Copom. Nesse ambiente de grande expectativa, cresce a distância entre a precificação do mercado e as projeções dos economistas.


… Enquanto a curva precifica como majoritária a manutenção da Selic, levantamento do Projeções Broadcast mostra que 40 das 49 instituições consultadas ainda esperam um corte de 0,25 ponto porcentual na semana que vem. Só nove apostam na estabilidade em 14,50%.


… Apesar disso, os economistas admitem que o cenário ficou significativamente mais desafiador desde a última reunião do BC.


… A avaliação predominante entre eles é que o Copom deve entregar mais um corte de 25 pontos-base porque esse movimento foi amplamente sinalizado pela comunicação recente da autoridade monetária, mas acreditam que depois disso vem uma pausa.


… Cresce a percepção de que o ciclo de flexibilização está perto do fim e que a Selic terminal será mais elevada do que o imaginado antes.


… A pesquisa mostrou ainda nova alta nas projeções para os juros ao final de 2026 e 2027, com a mediana das estimativas subindo de 13,25% para 14% no fim do próximo ano e de 11,25% para 12% no encerramento de 2027.


… O fato é que, em um ambiente de inflação persistente, petróleo em alta e crescente incerteza no cenário internacional, com a guerra que não termina, a próxima Superquarta – com as reuniões do Fed e do Copom – será com emoção.


MAIS REVISÕES – Novas revisões de cenário continuam apontando para uma inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo.


… Nesta quarta-feira, o Daycoval elevou sua projeção para o IPCA de 2026 de 4,7% para 5,1% e para o de 2027 de 3,7% para 3,9%, citando os riscos associados à guerra no Oriente Médio, ao possível Super El Niño e ao cenário eleitoral.


… Embora mantenha a expectativa de cortes graduais da Selic, o banco admite que cresce a probabilidade de uma interrupção do ciclo diante da piora das expectativas de inflação e do ambiente cambial mais desafiador.


… Já o ASA elevou sua projeção para a Selic terminal de 2026 de 13,25% para 14,25%, embora continue esperando um último corte de 0,25 ponto na próxima semana. Em comum, as revisões refletem menor espaço para a flexibilização monetária nos próximos meses.


PAUTA-BOMBA – O Senado aprovou no início da noite de ontem o projeto de lei que cria mecanismos para a renegociação de dívidas rurais e que pode gerar um impacto fiscal de R$ 120 bilhões até 2027, segundo cálculos da Fazenda, em mais uma derrota para a equipe econômica.


… O governo tentou construir um acordo até os minutos finais da votação, mas não conseguiu impedir o avanço da proposta.


… O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entrou pessoalmente nas negociações e chegou a afirmar que aguardaria “até meia-noite” por um entendimento entre os parlamentares e o ministro da Fazenda, Dario Durigan.


… Ao longo do dia, Durigan se reuniu com o relator, Renan Calheiros, e a senadora Tereza Cristina, uma das principais articuladoras do projeto, mas não houve consenso. O texto foi concebido para atender produtores atingidos por calamidades climáticas, mas teve o alcance ampliado.


… A proposta prevê o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes para financiar operações de renegociação de débitos rurais.


… O agronegócio pressionava pela aprovação antes do lançamento do Plano Safra 2026/27, em 1º de julho, argumentando que a medida pode dar fôlego financeiro a produtores afetados por sucessivas perdas de safra e por custos mais elevados de produção.


… A equipe econômica, por sua vez, tentou restringir o alcance do programa e limitar o benefício a produtores efetivamente atingidos por eventos climáticos ou dificuldades econômicas específicas. O principal argumento é fiscal, mas não sensibilizou.


… A Fazenda calcula que o impacto potencial pode alcançar R$ 817 bilhões ao longo de treze anos, dependendo da adesão ao programa.


… Como sofreu alterações no Senado, o projeto retorna agora para análise da Câmara dos Deputados.


… O governo pretende continuar tentando mudanças durante a nova fase de tramitação. Após a votação, Durigan afirmou que o Planalto avalia vetar trechos da proposta e não descartou recorrer ao STF caso o texto final desrespeite regras da Lei de Responsabilidade Fiscal.


… A aprovação reforça a percepção de que o Congresso segue disposto a avançar em medidas com elevado custo fiscal.


CURTAS DA POLÍTICA – Novas pesquisas consolidadas pelo agregador Rali, do Globo em parceria com o Instituto Locomotiva, reforçaram a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.


… O presidente aparece com 45% das intenções de voto, contra 40,6% do senador, após a divulgação das últimas rodadas de Datafolha, Quaest e Meio/Ideia. Em maio, Flávio chegou a liderar o levantamento agregado.


EM CAMPANHA. Lula voltou a subir o tom contra os Estados Unidos e afirmou que o Brasil não aceitará as novas tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros.


… Em discurso no Conselhão, nesta quarta, o presidente defendeu os trabalhadores brasileiros e questionou argumentos americanos relacionados a questões trabalhistas e ambientais, reforçando uma agenda que deve ganhar espaço na campanha de 2026.


6X1 NO CENTRO DA DISPUTA. Enquanto Dario Durigan defendeu no Conselhão o avanço imediato do fim da escala 6×1, o governo indicou que pretende manter a urgência constitucional do projeto que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais.


… Decisão mantém a pauta da Câmara travada e amplia a pressão sobre Alcolumbre para acelerar a tramitação da PEC no Senado.


BC FORTE. Ainda na reunião do Conselhão, em meio ao debate sobre a autonomia financeira do Banco Central, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, defendeu um BC “forte, técnico e independente”.


… Segundo ele, a combinação de tensões geopolíticas, inflação mais alta e menor previsibilidade global exige instituições mais robustas e capacidade permanente de coordenação entre setor público e privado.


VACINA. Em recado dado em meio ao avanço das pautas-bomba no Congresso, o ministro Gilmar Mendes lembrou que propostas que criem despesas obrigatórias ou renúncia de receitas precisam apresentar previamente estimativas de impacto fiscal.


… Segundo ele, a ausência desses estudos pode levar à inconstitucionalidade das medidas.


BIG TECHS. Também no STF, o ministro Dias Toffoli propôs prazo de 60 dias para que grandes plataformas digitais implementem as obrigações definidas pela Corte no julgamento do Marco Civil da Internet.


… Entre elas estão mecanismos para combate a conteúdos ilícitos, relatórios de transparência e canais específicos de atendimento aos usuários.


AGENDA – A quinta-feira traz como destaques a atividade do setor de serviços no Brasil, a reunião do BCE, o índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos e o relatório mensal da Opep, em mais um dia de atenção redobrada para os efeitos da guerra sobre inflação e juros.


… Às 9h, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de abril, que tem a mediana das estimativas do Projeções Broadcast apontando para alta de 0,6%, após a queda de 1,2% registrada em março.


… Economistas atribuem a recuperação esperada principalmente à resiliência do mercado de trabalho, ao avanço da massa salarial e aos efeitos das medidas de estímulo à demanda.


… Se confirmado, o resultado reforça a percepção de uma atividade ainda aquecida e de menor espaço para cortes adicionais da Selic.


… A agenda doméstica ainda traz o primeiro IGP-M de junho, às 8h.


… No exterior, o principal evento do dia será a decisão de política monetária do BCE (9h15). O mercado espera uma alta de 25 pontos-base nos juros, que seria a primeira elevação em quase três anos, em resposta ao choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio.


… Apesar da expectativa de aperto monetário, investidores acreditam que o BCE terá pouco espaço para continuar elevando os juros diante da desaceleração da economia europeia. Na entrevista (9h45), Lagarde deve destacar a inflação mais alta e o crescimento mais fraco.


… Às 9h30, os Estados Unidos divulgam o PPI de maio e os pedidos semanais de auxílio-desemprego.


… Depois de o CPI ter vindo em linha com as expectativas, ontem, investidores buscam novos sinais sobre o comportamento da inflação e seus impactos sobre os próximos passos do Federal Reserve.


… Também o BC da Turquia decide hoje sobre juros, com resultado às 8h.


… Ainda durante a madrugada, a Opep publica seu relatório mensal de petróleo, acompanhado de perto em meio às preocupações com oferta, estoques e os riscos associados ao conflito entre Estados Unidos e Irã.


GALÍPOLO – Presidente do BC retorna hoje da viagem à China e desembarca em São Paulo a poucos dias da reunião do Copom.


SPACEX – Encerrados os pedidos de reserva para o IPO da SpaceX, a definição do preço da ação está prevista para hoje e o início das negociações marcado para amanhã, sexta-feira. A operação mobiliza máxima atenção de Wall Street.


… Segundo a Reuters, a empresa de Elon Mask pretende vender cerca de US$ 75 bilhões em ações, mas a demanda superou US$ 250 bilhões, o equivalente a mais de três vezes o volume ofertado.


… A procura continua crescendo e inclui fundos soberanos do Golfo, como o PIF da Arábia Saudita e a Autoridade de Investimento do Kuwait, que teriam registrado pedidos bilionários para participar.


… A expectativa é que a SpaceX estreie no mercado avaliada em cerca de US$ 1,8 trilhão, tornando-se uma das maiores empresas listadas do mundo e superando o valor de mercado combinado de diversas companhias tradicionais do setor aeroespacial e de defesa.


… O tamanho da oferta e o forte apetite dos investidores alimentam a percepção de que parte do mercado vem direcionando recursos para a operação, movimento citado como um dos fatores por trás da realização observada recentemente em bolsas ao redor do mundo.


ORACLE – Superou as expectativas de lucro no quarto trimestre fiscal, com ganho ajustado de US$ 2,11 por ação, acima da projeção de US$ 1,96, enquanto a receita ficou praticamente em linha com o esperado pelo mercado.


… O destaque continuou sendo a divisão de nuvem, cuja receita avançou 47% na comparação anual, impulsionada pelo crescimento de 93% da infraestrutura voltada para inteligência artificial.


… A empresa manteve a previsão de receita de US$ 90 bilhões para o ano fiscal de 2027 e projetou crescimento entre 27% e 29% no 2TRI.


… No after hours em Nova York, as ações chegaram a recuar mais de 4%, mas fecharam em baixa de 2,2%, em um movimento de realização após a forte valorização acumulada pelo setor de tecnologia e inteligência artificial.


QUER PAGAR QUANTO? – As bolsas americanas foram novamente pressionadas pelas perdas das ações de tecnologia, especialmente do segmento de chips. O setor industrial também foi penalizado, com o CPI no foco.


… Dow Jones terminou em forte queda de 1,87% (49.918,78 pontos). S&P 500 perdeu 1,62% (7.266,99). E o Nasdaq recuou 1,98%, (25.169,50).


… Além de monitorar os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, após Trump renovar as ameaças de ataques ao Irã, investidores reagiram ao CPI, que avançou 4,2% na comparação anual – em linha com o esperado, mas bem acima da meta de 2% do Fed.


… Entre as techs, Super Micro Computer levou um tombo de 28%, após anunciar que pretende levantar US$ 7 bilhões por meio de oferta de ações para dar conta do aumento da demanda por servidores.


… Outros destaques negativos do setor foram Qualcomm (-6,92%), Arm (-5,37%), AMD (-4,86%), Micron (-4,70%), Marvell (-5,35%), Broadcom (-5,12%) e Nvidia (-3,73%).


… Na indústria, a expectativa de que o Fed suba os juros neste ano bateu em cheio na Caterpillar (-6,40%), Mosaic (-6,86%) e Boeing (-2,57%).


… Entre os poucos destaques positivos do dia ficaram as petroleiras Devon Energy (+5,74%), Chevron (+1,63%) e ExxonMobil (+1,15%), em linha com a alta no preço da commodity.


NEM TUDO ESTÁ PERDIDO – Apesar do pessimismo de Wall Street nos últimos dias, especialmente após o payroll, que reprecificou os juros globais, a Pantheon Macroeconomics ainda acredita que os cortes podem voltar ao radar do Fed.


… A consultoria não vê sinais de efeitos de segunda ordem na alta dos preços da energia que justifiquem um aperto da política monetária. E a melhora do mercado de trabalho permite ao Fed se concentrar apenas na inflação.


… Após o CPI de maio não ter surpreendido com um resultado ainda maior, a Pantheon acha que o afrouxamento voltará rapidamente à agenda do Fed se a alta dos salários desacelerar, o emprego perder força e os aluguéis puxarem a inflação para baixo.


… “O aumento de 7% nos preços da gasolina em maio representou quase metade da alta do CPI geral. Mas, fora isso, o núcleo está relativamente calmo”, diz a consultoria em relatório.


… A Pantheon estima que o deflator do núcleo do PCE subiu 0,32% em maio, elevando a taxa de inflação para 3,4%, de 3,3% em abril.


CONTRA FLUXO NÃO HÁ ARGUMENTO – Operadores citaram a abertura de capital da SpaceX como fator negativo para a bolsa brasileira, já que players globais estariam liquidando posições em ativos mundo afora para entrar no IPO.


… A fuga não é culpa somente da captação gigantesca da empresa de Elon Musk, estimada em US$ 75 bilhões. O fato é que o capital especulativo virou a mão há algumas semanas, deixando os mercados emergentes.


… Relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) mostrou que o fluxo total de portfólios registrou saída de US$ 26,6 bilhões dos emergentes em maio, após entrada de US$ 70,6 bilhões em abril.


… Considerando apenas o fluxo de investimentos em ações, os emergentes tiveram saída de US$ 37 bilhões no mês passado, frente à entrada de US$ 18,6 bilhões de abril. Índia e Coreia do Sul foram os mercados mais penalizados.


SEM ESCOLHA – Depois da alta modesta de terça-feira, a bolsa brasileira voltou a cair ontem, em meio ao cenário geopolítico incerto, a preocupação com a inflação dos Estados Unidos, os juros mais altos por lá, além da saída de capital estrangeiro.


… O Ibovespa recuou 0,70%, aos 168.619,26 pontos, com volume financeiro fraco, de R$ 25,8 bilhões, bem distante da média diária de R$ 37 bilhões vista nos pregões de abril, quando o fluxo gringo estava bombando.


… Petrobras (ON +1,50%, a R$ 46,81; e PN +1,17%, a R$ 41,65) foi na contramão do índice, ajudada pelo avanço firme do petróleo. Vale caiu 1,02% (R$ 77,70), ignorando a forte alta do minério de ferro (+1,51%).


… Os principais bancos terminaram majoritariamente em baixa: BTG unit (-3,24%, a R$ 49,20), Bradesco PN (-0,98%, a R$ 17,26), Santander unit (-0,63%, a R$ 27,00) e BB (-0,58%, a R$ 19,00). Já Itaú PN subiu 0,36% (R$ 39,36).


… Totvs (-7,02%, a R$ 28,63), liderou as perdas do índice, com Magazine Luiza (-6,74%; R$ 5,12) e Natura (-5,65%; R$ 8,68). Do lado positivo, MBRF (+2,71%, a R$ 15,90) puxou a fila, seguida por SLC Agrícola (+2,27%; R$ 14,89) e Caixa Seguridade (+2,17%; R$ 18,35).


APOSTA NEUTRA – O BofA cortou sua exposição às ações brasileiras de “overweight” (equivalente a compra) para marketweight (neutra) dentro de sua carteira para a América Latina.


… O banco cita a perspectiva mais desafiadora para os juros e expectativas mais fracas de lucros para as empresas brasileiras. Apesar do rebaixamento, o País ainda responde pela maior parte (55%) da carteira do banco na região.


… Para o México, a recomendação segue neutra, com postura mais cautelosa diante da desaceleração econômica, das incertezas políticas e dos riscos relacionados ao acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá.


PERDIDO NO BAILE – O dólar ficou sem rumo pela segunda sessão seguida, tanto aqui como no exterior. Depois da disparada na semana passada e no início desta, com o payroll e a guerra como pano de fundo, o câmbio estacionou.


… Mesmo os eventos recentes, com Donald Trump renovando os ataques ao Irã, e o CPI bem acima da meta do Fed, têm causado apenas volatilidade pontual, com a moeda americana praticamente voltando ao preço de abertura.


… O dólar fechou em leve baixa de 0,09%, a R$ 5,1726. Lá fora, o índice DXY subiu 0,09%, para 100,003 pontos. O euro ficou estável (US$ 1,1538), assim como a libra (US$ 1,3369).


… O BC informou ontem que o fluxo cambial total ficou positivo em US$ 2,588 bilhões na semana passada (01 a 05/06), com entrada tanto pela conta financeira (US$ 515 milhões) como pela via comercial (US$ 2,074 bilhões).


… No acumulado ao ano, o fluxo segue positivo, em US$ 16,640 bilhões, e a posição cambial líquida está em US$ 259,495 bilhões até dia 5.


PAUSA PARA OS COMERCIAIS – A volatilidade continuou presente nos juros futuros, mas as taxas encontraram algum espaço para uma leve devolução de prêmios, após a disparada vista desde a semana passada.


… O mercado absorveu bem o CPI americano, dentro do esperado, ficou preocupado com a alta do petróleo após novos conflitos no Oriente Médio, mas a avaliação é de que as taxas já incorporam as principais fontes de tensão.


… Depois de a curva flertar com os 15%, o investidor aguarda o IPCA nesta sexta-feira para fazer o ajuste fino do Copom da próxima semana.


… Prevalece a aposta de que o BC vai manter a Selic em 14,5%, mas a chance de um corte de 0,25 ponto ainda não está descartada.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,495% (de 14,511% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,890% (14,934%); Jan/29 a 14,940% (14,968%); Jan/31 a 14,820% (14,809%); e Jan/33 a 14,755% (14,762%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – AMAZON fechou um empréstimo de US$ 17,5 bilhões para reforçar suas reservas financeiras em meio a um aumento histórico dos investimentos, impulsionados pela inteligência artificial.


… O acordo, estruturado como um empréstimo a prazo com saque diferido, foi liderado pela Citigroup Global Markets e envolve um consórcio de credores internacionais, incluindo Bank of America, JPMorgan Chase, HSBC e Wells Fargo.


… Pelos termos da operação, a companhia poderá utilizar a linha de dívida de forma incremental ao longo do tempo, em vez de tomar o valor total de uma vez, oferecendo alavancagem financeira com maior flexibilidade.


ITAÚ emitiu Letras Financeiras Subordinadas Perpétuas no montante de R$ 3 bilhões. As Letras têm opção de recompra a partir de 2031 sujeita à autorização prévia do Banco Central.


… Os títulos, segundo o banco, contribuirão para o Capital Complementar do Patrimônio de Referência, com impacto estimado de 0,19 pp no seu índice de capitalização Nível 1.


ENGIE BRASIL. Conselho aprovou a realização de uma oferta pública primária de ações ordinárias. Além de captar recursos para pagamento de dívidas e investimentos, operação deve permitir a incorporação da Jirau Energia.


… A oferta prevê a controladora Engie Brasil Participações (EBP) poderá subscrever ações por meio da transferência de 40% do capital da Jirau Energia, avaliadas em R$ 5,74 bilhões.


… A operação depende da aprovação dos acionistas, em assembleia marcada para 2 de julho, quando será deliberada a contratação da Apsis Consultoria para elaboração do laudo de avaliação, bem como a aprovação do mesmo.


… O Itaú BBA e o Santander Brasil serão os coordenadores da oferta.


AXIA ENERGIA concluiu a cessão dos créditos que possuía contra a Amazonas Energia, no total de R$ 554,1 milhões. Operação prevê opção de compra de fatia minoritária na distribuidora, que poderá ser exercida ou cedida a terceiros.


CEMIG pagará no dia 30 a primeira parcela de proventos relativos a 2025, que totalizam R$ 1,548 bilhão, ou R$ 0,5411 por ação.


REDE D’OR encerrou terceiro programa de recompra, com aquisição de 14,725 milhões de ações, ao custo médio de R$ 36,64. Conselho aprovou um novo programa de recompra, de até 30 milhões de ações, pelo período de um ano.


… Companhia também cancelou 49 milhões de ações mantidas em tesouraria, sem alteração do valor do capital social.


MOTIVA registrou tráfego, em termos comparáveis, de 86,9 milhões de veículos em maio, aumento de 2,6% sobre maio do ano passado.


… Nas operações de mobilidade urbana, foram transportados 65,9 milhões de passageiros em maio, alta de 0,6% em relação ao mesmo mês de 2025.


ÂNIMA. Conselho aprovou quarta emissão de notas comerciais, no montante de R$ 250 milhões, em série única, com prazo de 1.812 dias, e correção pelo IPCA mais juros de 8,92% ao ano.


C&A: Norges Bank, o Banco Central da Noruega, elevou fatia de 4,97% para 5,05% do capital.

A História da Economia em Uma Visão Simples

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