segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Federalização do BRB

 *Federalização do BRB começa a ser discutida entre banqueiros*


Opção não está no topo das alternativas para crise, mas saída não está descartada


14.fev.2026 às 9h00


Embora distante do cenário desejado pelo governo do Distrito Federal, a possibilidade de federalização do BRB (Banco de Brasília) passou a ser aventada nas conversas de banqueiros e executivos do setor como um possível desfecho para a instituição estatal.


A opção não está no topo da lista das alternativas para a crise do BRB, mas uma saída em que o BRB seja absorvido por um banco público federal, como o Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal, não está descartada. O movimento já aconteceu no passado, em casos como o do banco Votorantim.


A medida, no entanto, não tem apoio da classe política, que prefere a permanência do banco nas mãos do governo do Distrito Federal.


Uma pessoa que participa das negociações admite que a alternativa mais simpática ao mercado bancário é a privatização do BRB. A instituição distrital precisa de uma injeção de capital que, a depender do que ficar decidido, pode chegar a R$ 6 bilhões.


A primeira opção na mesa é um empréstimo a ser concedido em partes e condições financeiras iguais pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e um consórcio dos maiores bancos do Brasil, como mostrou a Folha.


O empréstimo seria feito pelo governo do Distrito Federal para capitalizar o BRB com garantias dadas pela gestão Ibaneis Rocha (MDB). A operação e as garantias precisam ser aprovadas pela Câmara Legislativa do DF. A legislação permite esse tipo de ação.


A compra de letras financeiras subordinadas (títulos de renda fixa emitidos por bancos para compor capital) do BRB pelos grandes bancos também é uma possibilidade, de acordo com pessoas que participam das negociações ouvidas pela Folha. Essa alternativa, no entanto, é considerada mais difícil de ser aceita pelos grandes bancos.


Uma oferta de aumento de capital, operação em que a instituição emite novas ações para captar recursos, que chegou a ser cogitada, também é vista com ressalvas. Isso porque o BRB está com a credibilidade em baixa pelo envolvimento com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central. Não é conhecido o tamanho do estrago das operações feitas com o banco de Daniel Vorcaro, além da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro.


Uma das dificuldades é que os dois maiores bancos públicos, BB e Caixa, não estão autorizados pelo controlador, a União, a olhar os ativos e as possibilidades de ajuda ao BRB. Os dois gigantes estatais do governo federal não compraram até agora nenhuma carteira de crédito, como outros bancos privados, para ajudar a injetar recursos no banco nessa fase de dificuldade de baixa liquidez do BRB.


Procurado pela reportagem, Ibaneis Rocha disse que a imprensa "especula muito". "Sobre o banco quem fala é o Nelson", escreveu ele em referência ao presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza.


Parte dos envolvidos com conhecimento interno do BRB vê a federalização como uma hipótese remota no cenário atual, que seria diferente do observado semanas atrás. Apesar disso, essas pessoas reconhecem que a federalização pode vir a acontecer caso o BRB entre em algum tipo de regime especial imposto pelo Banco Central, o que não ocorreu.


A Folha procurou a assessoria do BRB, que afirmou que "qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados" pelo Master.


"Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados com apoio técnico da Kroll. Após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas", diz o banco.


O BRB afirma que, entre as alternativas em estudo, estão a venda das carteiras oriundas do Master; a criação de fundo com imóveis do controlador; a contratação de empréstimo junto ao FGC ou um consórcio de bancos e aporte dos controladores. "O BRB reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança de seus clientes, a manutenção da solidez e a continuidade de suas operações", acrescentou o banco.



https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/federalizacao-do-brb-comeca-a-ser-discutida-entre-banqueiros.shtml 

BRB e suas falcatruas

 *BRB: Conselheiros fiscais renunciam por desconhecer indicação atribuída ao "Fundo Borneo"*


Por Amélia Alves


São Paulo, 13/02/2026 - O Banco de Brasília (BRB) recebeu os pedidos de renúncia de Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa aos cargos de membro titular e membro suplente, respectivamente, do conselho fiscal da companhia. As renúncias produziram efeitos imediatos.


Lima de Sousa formalizou sua saída após tomar ciência, no dia 11, de que sua indicação ao cargo teria sido atribuída ao denominado "Fundo Borneo". Em sua manifestação, ele declarou desconhecer integralmente tal indicação pelo referido fundo e afirmou não possuir qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca da entidade, tampouco de seus representantes ou administradores.


Vasconcelos também apresentou renúncia após ter ciência, na mesma data, de que sua indicação teria sido atribuída ao "Fundo Borneo". Ele igualmente declarou desconhecer a indicação e afirmou não manter qualquer vínculo, relação ou conhecimento sobre o fundo, seus representantes ou administradores.


Contato: amelia.alves@estadao.com


Broadcast+

Agronegócio e o quarto mandato

 *Leitura de Sábado:agronegócio não precisa ter receio de quarto mandato de Lula, diz Favaro*


Por Isadora Duarte


Brasília, 13/02/2026 - De saída do Ministério da Agricultura, o qual deve deixar até o início de abril e retornar ao Senado pelo PSD de Mato Grosso, o ministro Carlos Fávaro avalia que o distanciamento entre agronegócio e o governo Lula diminuiu ao longo dos últimos três anos da gestão. "Tenho convicção que muitas pontes foram reconstruídas e teremos menos radicalismo na eleição deste ano. Todos aqueles que racionalmente avaliam o governo, percebem que houve uma ponte reconstruída", disse Fávaro, em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro. "A resistência (do setor) diminuiu. Nada resiste ao trabalho", afirmou o ministro em relação às políticas públicas adotadas no governo atual.


Para Fávaro, a mesma tônica deve ser repetida em eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O setor não precisa ter receio de um quarto mandato do presidente Lula, porque ele vai estar ao lado do setor", afirmou.


O ministro considera que essa reaproximação entre setor e governo Lula era uma de suas missões à frente da pasta. "Fazia parte da missão desmistificar que o presidente Lula faria mal ao agronegócio brasileiro ou que seria um governo de incertezas e perseguição, o que não se concretizou", apontou. "As políticas públicas dos governos Lula foram fundamentais para a grande virada da agropecuária brasileira, como financiamento para armazéns e biocombustíveis. Mostrou-se, mais uma vez, um governo ao lado do produtor, que investiu em biocombustíveis, que fez Planos Safras sucessivamente maiores, que abriu mercados", acrescentou o ministro.


Como legado da gestão, ele citou ainda modernizações feitas na estrutura do Ministério da Agricultura, o que inclui a digitalização de estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a adoção de certificados sanitários eletrônicos, e desburocratização de processos.


Agora, o ministro espera que seu sucessor dê continuidade ao trabalho feito à frente da pasta. "O posicionamento do presidente Lula é de que não haja interrupção das políticas públicas, do direcionamento das ações que estão sendo feitas. A única mudança será o nome que executará as políticas públicas que já estão estabelecidas", analisou. "A palavra de ordem é continuidade e que a pessoa escolhida tenha compromisso de seguir com as políticas públicas que estão sendo implementadas", acrescentou.


Fávaro discutiu a sucessão da pasta ontem em reunião com o presidente Lula. O ministro tem dito a interlocutores que o sucessor será escolhido pelo presidente.


Contato: isadora.duarte@estadao.com


Broadcast+

Teresa Cristina e o PP

 *Tereza Cristina diz que nota da Federação União Progressista não representa senadores do PP*


Por Karla Spotorno e Cícero Cotrim


São Paulo e Brasília, 14/02/2026 - A senadora Tereza Cristina (PP-MS) publicou em uma rede social no fim da noite de ontem que a "bancada do Progressistas no Senado Federal informa que a posição expressa em nota divulgada pela Federação União Progressista não foi previamente debatida nem contou com a anuência desta bancada".


"Portanto, a nota não pode ser interpretada como representativa dos senadores do PP", diz o post de Tereza Cristina. No post, ela menciona como signatários do esclarecimento os parlamentares Dr. Hiran (RR), Esperidião Amin (SC), Luis Carlos Heinze (RS) e Margareth Buzetti (MT).


No texto, Tereza Cristina não cita o tema da nota da Federação União Progressista. Mas, horas antes do post da senadora, a federação, que reúne os partidos União Brasil e PP, publicou uma nota em que manifesta "confiança" no ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a troca da relatoria no caso Banco Master.


No texto, a Federação União Progressista demonstra preocupação com as "narrativas que querem colocar a opinião pública contra o ministro Dias Toffoli".


"É preciso ponderar que as injustiças acontecem quando se tem apenas um lado de uma versão repetida inúmeras vezes sem base sólida", continua a nota. A federação acrescenta: "Uma versão caluniosa, que passa a ser verdadeira justamente pela repetição".


Contato: karla.spotorno@estadao.com



Broadcast+

ASA: enquanto isso no Fed

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/02/asa-descarta-novos-cortes-de-juros-nos-eua-em-2026-e-aposta-em-dolar-mais-forte.ghtml


*ASA descarta novos cortes de juros nos EUA em 2026 e aposta em dólar mais forte*


_Para a economista Andressa Durão, Kevin Warsh não deve encontrar apoio suficiente no colegiado do Fed para alterar a política monetária de forma significativa no curto prazo_


Por Cristiana Euclydes e Luana Reis, Valor — São Paulo


Na contramão do consenso do mercado, o ASA avalia que não há mais espaço para cortes de juros nos Estados Unidos neste ano e aposta em um dólar mais forte. A visão é defendida pela economista Andressa Durão, que, em conversa com o Valor, diz esperar forte crescimento na economia americana neste ano e acredita que Kevin Warsh, indicado para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed), não deve encontrar apoio suficiente no comitê para alterar a política monetária ou o balanço de ativos de maneira significativa.


O banco central americano realizou uma pausa no ciclo de afrouxamento em janeiro, após realizar três cortes consecutivos no final do ano passado, levando as taxas de referência para o intervalo entre 3,50% e 3,75%. Com uma expectativa de que o Fed deve manter os juros inalterados ao longo de 2026, Durão acredita que as movimentações políticas de Donald Trump e as eleições de meio de mandato nos EUA devem gerar mais volatilidade nos mercados do que a política monetária.


“O Fed deve ficar parado o ano inteiro”, diz a economista. “E, talvez, o próximo movimento seja de alta, algo que ninguém ainda está falando, mas a gente acha que a economia tá muito forte. Então, não tem porque continuar cortando”, enfatiza a economista, ao esperar, ainda, um crescimento de 3% nos EUA neste ano.


Durão espera que 2026 também seja um ano de volatilidade nos mercados americanos, com os investidores reagindo às mudanças nas políticas americanas, especialmente com as eleições de meio de mandato, que devem começar a chamar a atenção dos investidores a partir da metade do ano. A economista acredita que Trump pode apostar em novas medidas de estímulo econômico para tentar aumentar a popularidade de seu partido nas eleições. “Acho que, ao longo do ano, vai ter mais um foco para isso do que para o que o Fed vai fazer", avalia.


Embora Durão reconheça que ainda existem riscos de alta para a inflação, ela ressalta que eles diminuíram. A economista vê a inflação americana medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) mais perto de 2,5% do que de 3% ao ano. Na avaliação dela, a maior parte dos riscos não se materializou, com impacto das tarifas bem menor que o esperado, e os preços de bens e imóveis desacelerando. “O que fica de risco é a inflação de serviços por conta de uma atividade econômica forte.”


O Fed, assim, deve mudar um pouco o peso para a questão do mercado de trabalho, embora o presidente do banco central, Jerome Powell, tenha dito após a decisão de janeiro que o emprego tem se estabilizado. Em janeiro, dados do “payroll” mostraram criação de 130 mil postos de trabalho, acima das expectativas dos agentes.


Ao ser questionada sobre a fraqueza de dados de trabalhos recentes, divulgados na semana passada, Durão afirma que, embora o relatório Job Openings and Labor Turnover Survey (Jolts) tenha mostrado um esfriamento no número de abertura de vagas, não indicou um aumento nas demissões. Na visão dela, a taxa de desemprego deve se manter baixa ao longo deste ano, em linha com a forte atividade econômica sugerida pelos dados do Produto Interno Bruto (PIB).


A perspectiva do ASA é bem mais “hawkish” (propensa ao aperto monetário) do que o consenso dos investidores, que ainda vê dois cortes nos juros ao longo do ano, em linha com o que foi sinalizado pelo Fed em seu último Sumário de Projeções Econômicas (SEP), em dezembro. Para Durão, a visão do mercado também reflete a expectativa de que Warsh deve ceder às pressões políticas de Trump e apoiar cortes nas taxas de juros. A próxima revisão no “gráfico de pontos” será na decisão de política monetária de março e, na visão dela, deve refletir uma visão mais “hawkish” por parte dos dirigentes.


Durão acredita que Warsh deve apoiar um corte em sua primeira reunião do Fomc, em junho, caso o cenário se mantenha igual, para “chegar mostrando serviço” a Trump, mas ele não deve construir maioria para isso, nem para alterar o balanço de ativos do

Fed, ainda que discussões sobre alterações em sua composição possam ser intensificadas. Na visão da economista, embora a pressão política por juros mais baixos exista, a maioria do comitê ainda é “hawkish” e deve formar maioria nas votações.


“Eu não acho que todo mundo se deixaria levar pelo novo presidente ou por questão política”, comenta a economista, ressaltando que boa parte do comitê tem defendido a manutenção dos níveis atuais dos juros, sem realizar novos ajustes tão cedo. “Claro que Warsh deve influenciar, mas não deve ser um grande problema. Pensando em uma votação, ainda vencem os mais ‘hawk’.”


As ameaças ao Fed, no entanto, não estão precificadas no mercado, porque se tratam de riscos de cauda, na visão da profissional. Para ela, caso realmente houvesse a percepção de que a independência e a credibilidade do banco central americano estão sob ameaça, a reação vista até o momento teria sido bem pior nos mercados de Treasuries, de câmbio, e de inflação “implícita”, avalia. Durão aponta que, caso a diretora do Fed Lisa Cook seja destituída de seu cargo — o que não é o cenário-base —, o mercado reagiria muito mal.


Warsh foi visto como um nome menos propenso a apoiar cortes rápidos de juros do que os outros candidatos cotados para assumir a liderança do Fed, o que levou a uma firme recuperação do dólar no exterior. No entanto, Durão acredita que o movimento se tratou mais de uma correção, já que a moeda vinha se enfraquecendo de maneira expressiva no começo do ano.


A indicação de Warsh também levou a uma alta na ponta longa dos juros dos Treasuries e a uma derrocada histórica nos preços de metais preciosos.


Para este ano, o ASA aposta em um dólar mais forte no exterior, apoiado pelo crescimento econômico robusto dos EUA. “Temos um cenário de economia muito mais forte do que em outros países”, ela afirma. “Não consigo imaginar um cenário de dólar fraco.”


Ela também destaca que o mercado de ações dos Estados Unidos continua a ser o mais forte globalmente e pode continuar batendo recordes, ainda que não seja possível afirmar se já chegou às máximas. “Não tem muito como apostar contra.”

Corte da Selic e os DI curtos

 *Leitura de Sábado: Proximidade de corte da Selic incentiva posições aplicadas em DI curto*


Por Arícia Martins


São Paulo, 10/02/2026 - Após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e janeiro ter referendado as perspectivas do mercado de que o primeiro corte na Selic será de 0,5 ponto porcentual, em seguida ao comunicado que abriu a porta para uma redução em março, instituições estrangeiras e grandes gestoras de recursos passaram a ampliar apostas na queda dos juros futuros.


Em um primeiro momento, profissionais ouvidos pela Broadcast apontaram que os trechos curto e intermediário foram os escolhidos para abrir e/ou aumentar posições aplicadas, sendo o vértice mais longo neste trade o de janeiro de 2029, como é de se esperar às vésperas de um afrouxamento do juro. Já os trechos mais distantes, apesar de acumularem prêmios de risco relevantes, ainda não estão sendo considerados interessantes para posição vendidas, devido às incertezas que ainda pairam sobre o cenário eleitoral e ao quadro fiscal pressionado.


Na expectativa de que o aguardado ciclo de cortes do juro básico leve a uma nova rodada de alívio de prêmios na curva futura, o banco americano Citi e o francês BNP Paribas informaram em relatório, no fim de janeiro, que voltaram a ficar aplicados em juros no Brasil. Ambas as instituições iniciaram posições em contratos com vencimento em janeiro de 2029 - horizonte que, por aqui, dada a estrutura mais curta da curva de DIs em relação a outros países, é considerado intermediário.


Em relatório assinado pela economista-chefe do banco, Fernanda Guardado, e pelo estrategista de renda fixa e câmbio para América Latina, Mario Castro, o BNP Paribas afirma que o ajuste da linguagem do Banco Central, sugerindo que o ciclo de flexibilização do juro básico está próximo, "aponta para um novo rali nas curvas locais".


A instituição manteve, por ora, a expectativa de redução de 25 pontos-base da Selic em março, com taxa terminal em 12% ao final de 2026, mas pondera que a decisão do colegiado entre um ajuste de 25 ou 50 pontos-base na próxima reunião pode ser apertada.


"Embora o mercado já estivesse descontando março como o ponto de partida do ciclo, o BC validando as expectativas atua como um catalisador para que os participantes retomem posições de recebedores. A mudança de tom do BC coincide com uma tendência contínua de fraqueza do dólar, que continuará a exercer pressão descendente nas curvas locais", observa o BNP, explicando a combinação que levou a instituição a abrir posição aplicada no DI de janeiro de 2029.


Essa é a mesma estratégia adotada pelo Citi, que observa que as taxas de curto prazo costumam aumentar após o primeiro afrouxamento no juro básico, conforme o ocorrido nos ciclos de cortes de 2016 e 2023, por exemplo. O banco pontua que dois riscos para a operação são uma inflação mais alta do que o esperado no Brasil e uma postura mais 'hawkish' da autoridade monetária.


Na sua carta mensal de fevereiro, a Kinea Investimentos informa que a estratégia segue a mesma do mês anterior, com posição ainda aplicada em juros. Mas o cenário eleitoral, que pode trazer volatilidade, reduz a visibilidade e comprime o espaço para apostas direcionais grandes.


Gestor de renda fixa da Kinea, Guilherme Rodrigues diz que a gestora que faz parte do grupo Itaú "encurtou" as posições de um mês para outro, com prazos que, agora, vão até um ano, no máximo. "Hoje estou bem aplicado, mas agora está tudo no 'curtinho'. Já chegamos a ter posição aplicada nos [vencimentos] de dois a três anos; agora estou sendo mais tático", afirmou Rodrigues à Broadcast.


A estratégia está alinhada à tendência de que a curva de juros fica mais inclinada em momentos que antecedem ciclos de corte, disse o gestor, para quem há espaço para, no mínimo, 300 pontos-base de ajuste para baixo do juro básico no ciclo atual. "Em um primeiro momento há uma inclinação da curva nominal, e isso está acontecendo. O pessoal tende a 'se esconder' nos curtos e médios".


A Bradesco Asset, por sua vez, afirma que identificou melhor relação risco retorno na parte intermediária da curva nominal, onde os prêmios ainda incorporam assimetria favorável em um ambiente de transição de política monetária. "Além disso, preservamos uma estratégia de inclinação, com posições aplicadas no segmento intermediário e tomadas na parte longa, visando capturar a tendência de normalização da estrutura a termo em um ciclo de relaxamento monetário", explica a instituição na carta mensal deste mês.


Em sua carta mensal de fevereiro, a Santander Asset aponta que, no primeiro mês do ano, manteve a visão otimista para a renda fixa local, aumentando o posicionamento aplicado em juros prefixados e vendido em inflação implícita, e reduzindo a alocação em ativos atrelados à inflação, com resultado positivo. "Apesar da evolução menos favorável dos ativos atrelados à inflação no período, a forte queda da curva de juros nominal contribuiu de forma positiva para o nosso resultado", diz a gestora de recursos do Santander.


E para fevereiro, a asset do banco espanhol segue aplicada em juros nominais, destacando, além do iminente ciclo de redução da Selic, que a atividade e a inflação estão em rota de moderação. "Diante da precificação atual, enxergamos prêmios atrativos nas curvas de juros", diz a instituição.


Contato: aricia.martins@estadao.com


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Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Leilão para venda da fatia bilionária da Oi na V.tal pode 'dar branco'*


Por Circe Bonatelli


São Paulo, 12/02/2026 - O BTG Pactual, através de seus veículos de investimentos, se apresentou para ficar com a participação detida pela Oi na V.tal, grupo que atua com redes de fibra ótica, banda larga e data centers, no qual esses veículos já são os controladores. O ativo será levado a leilão no próximo mês. O futuro dessa transação, entretanto, ainda é incerto. A Coluna apurou que, embora o banco tenha pedido habilitação para participar do certame, ainda não decidiu se fará uma proposta de compra de fato. Por ora, a instituição financeira está se preparando para entrar na disputa só caso surja um concorrente, dizem fontes a par do processo. Enquanto isso, mais ninguém se manifestou para participar do leilão até o começo da noite desta quinta-feira, 12, quando vence o prazo para os interessados se credenciarem. Ou seja: no fim das contas, pode "dar branco" no leilão.


PAGAMENTO. A fatia da Oi corresponde a 27,5% da V.tal e foi colocada à venda por meio de leilão a ser realizado no dia 5 de março, com lance mínimo de R$ 12,3 bilhões, pagamento em dinheiro, à vista. A venda do ativo é uma peça-chave dentro do plano de recuperação judicial da Oi, de modo que os recursos da venda serão usados para abater sua dívida.


FUNDOS. O BTG Pactual encaminhou a documentação para se habilitar por meio de um conjunto de quatro veículos de investimento: os fundos BTG Pactual Economia Real Master, BTG Pactual Infraco Master e BTG Pactual Infraco Co-Investors Fund LP, e uma sociedade anônima chamada Stans 13, que foi aberta em setembro de 2025. Por trás desses veículos estão os mesmos acionistas que já controlam a V.tal, que incluem o próprio banco, o fundo de pensão canadense CPPIB, o fundo soberano de Cingapura GIC e clientes do segmento de grandes fortunas, entre outros cotistas.


TROCA. A participação na V.tal também é almejada pelos credores da Oi, mas eles não estão dispostos a colocar dinheiro na jogada. O interesse aí é ficar com esse ativo em troca do abatimento de dívidas, o chamado credit bid. A petição foi protocolada pelo UMB Bank, que atua como um administrador (trustee) dos valores a serem recebidos pelos credores. Neste grupo, estão gestoras de recursos estrangeiras, como Pimco, Vontobel, Arkaim e Bracebridge, cujo saldo a receber é de cerca de R$ 10 bilhões.


MENOS. Fontes que acompanham o processo ponderaram que essas dívidas no mercado secundário estão avaliadas em pouco mais de R$ 2 bilhões - tamanha a descrença de que a Oi irá conseguir saldar essa dívida algum dia. Nesse sentido, uma crítica é que os credores estariam manobrando para trocar algo que vale pouco por algo que vale muito, enquanto a Oi tem necessidade urgente de uma injeção de dinheiro no caixa. Já o argumento contrário é que uma redução das dívidas da Oi na ordem de R$ 10 bilhões daria um grande alívio para as despesas com juros da empresa, além de liberar garantias que permitiriam a empresa buscar novos financiamentos.


CONTRA. O desfecho é incerto. A Oi e o gestor judicial que comanda a empresa desde o afastamento da sua diretoria se posicionaram contra uma troca de ações pelo abatimento de dívidas. Eles reiteraram que o plano de recuperação judicial estabelece que a alienação da sua participação na V.tal deve ocorrer por pagamento em dinheiro. Só em caso de isso não ocorrer é que outras formas de pagamento poderiam vir a ser analisadas e submetidas à deliberação dos credores para aprovação ou rejeição.


Contato: circe.bonatelli@estadao.com


Broadcast+

Federalização do BRB

 *Federalização do BRB começa a ser discutida entre banqueiros* Opção não está no topo das alternativas para crise, mas saída não está desca...