domingo, 17 de maio de 2026

Paulo Roberto de Almeida

 Oskar Schindler caiu desfalecido no meio da rua em 9 de outubro de 1974, na cidade alemã de Hildesheim. Morreu ali mesmo, vítima de insuficiência cardíaca, aos 66 anos. Quando abriram seu pequeno apartamento em Frankfurt, descobriram uma verdade silenciosa sobre seus últimos anos: ele não tinha nada. Não havia fortuna, nem propriedades, nem sequer móveis de valor. Apenas contas atrasadas… e cartas vindas de Israel, sempre com pequenas quantias de dinheiro enviadas escondidas entre papéis dobrados.


Eram os judeus que ele tinha salvado — os Schindlerjuden — que mantinham aquele homem vivo. Por quinze anos, eles pagaram seu aluguel, garantiram sua comida e não permitiram que terminasse seus dias no completo abandono. Porque aquele industrial que um dia fora rico havia gasto tudo, absolutamente tudo, para salvar outras vidas.


Mas Schindler não começou como herói. No início da Segunda Guerra Mundial, ele era membro do partido nazista, um oportunista carismático, apaixonado por luxo, festas, dinheiro fácil e influência. Viu na guerra uma oportunidade. Quando a Polônia foi invadida em 1939, recebeu a fábrica judaica de esmaltes Deutsche Emailwarenfabrik — hoje preservada como museu em Cracóvia — e passou a empregar judeus simplesmente porque eram mão de obra barata. Frequentava festas com oficiais da SS e parecia apenas mais um beneficiário do sistema.


Tudo mudou em 1943.


Da colina de Cracóvia, Schindler testemunhou a liquidação do gueto — um episódio brutal no qual famílias inteiras foram exterminadas pelas tropas n4zis. Viu crianças arrancadas dos braços das mães, idosos executados nas ruas, vidas tratadas como lixo. Ele, o homem que sempre viveu para si mesmo, sentiu algo quebrar por dentro. Ali, nasce o Schindler que o mundo conheceria.


Com a ajuda de seu contador judeu, Itzhak Stern, Schindler começou a agir. Silenciosa e perigosamente. Usou sua fortuna para subornar oficiais da SS, comprou comida no mercado negro e montou, ao lado de sua fábrica, um campo “mais seguro”, onde seus trabalhadores ficariam longe das execuções arbitrárias. Cada vida que permanecia sob sua proteção custava-lhe dinheiro, influência e risco.


Quando os n4zis começaram a mandar judeus para Auschwitz-Birkenau, Schindler fez algo audacioso: elaborou uma lista com cerca de 1.200 nomes — homens, mulheres e crianças que ele declarou serem "trabalhadores essenciais". Era mentira. Mas foi essa mentira que salvou 1.200 pessoas da morte.


As mulheres da lista chegaram a ser enviadas para Auschwitz por engano. Schindler não apenas reclamou: ele foi até o campo, enfrentou oficiais, subornou comandantes, pagou tudo o que tinha… e trouxe aquelas mulheres de volta vivas.


Quando a guerra terminou, Schindler estava arruinado. Perdeu tudo: fábrica, fortuna, segurança. Todas as tentativas de reconstruir a vida fracassaram — na Alemanha, na Argentina, em qualquer lugar. Viveu pobre, esquecido, carregando o peso de tudo o que fez e de tudo o que viu.


Mas aqueles que ele salvou não o esqueceram. Nunca.


Os sobreviventes enviavam dinheiro mensalmente para que ele pudesse comer, pagar o aluguel, sobreviver. Em Israel, ele era recebido como um pai. Em 1962, foi reconhecido como Justo Entre as Nações, a mais alta honra concedida pelo memorial do Holocausto Yad Vashem — uma homenagem rara e profundamente simbólica.


Quando Oskar Schindler morreu em 1974, centenas de sobreviventes seguiram seu caixão pelas ruas de Jerusalém. Lá, no Monte Sião, ele foi enterrado — o único membro do partido nazista a receber esse privilégio em Israel. Sobre sua sepultura, deixaram pedras, flores, bilhetes, lágrimas.


E palavras simples, para um homem complexo:

“Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro.”


Schindler foi um homem de falhas, contradições, erros, exageros. Mas, no momento decisivo, quando muitos escolheram fechar os olhos, ele decidiu gastar cada centavo, cada influência, cada pedaço de sua vida… para impedir que 1.200 nomes se transformassem em poeira.


E por isso, mesmo pobre, esquecido e quebrado, ele jamais morreu sozinho. Ele partiu sustentado — literalmente — por aqueles que só estavam vivos porque, um dia, o homem menos provável fez a única escolha que realmente importa:


Salvar.

Mauad e Schüler

 Já se vão mais de 10 anos que escrevi um artigo intitulado 'Pobreza não é virtude', em que destacava essa dupla moral tupiniquim de que fala o Fernando Schüler no excelente artigo desta semana para a Veja.  Na época, descrevi como a cultura popular estava impregnada do que chamei de 'pobrismo'.  


De fato, não há um só dia em que a TV deixe de nos brindar com programas, novelas e documentários cuja proposta é a exaltação (às vezes ostensiva, outras vezes de forma subliminar) da pobreza.  No cinema, o processo não é muito diferente.  Para a maior parte dos produtores, especialmente aqueles agraciados com gordas verbas de patrocínio estatal, que não precisam se preocupar com coisas prosaicas como retorno do investimento, a estética da miséria é bela, é “tudo de bom”.  Na música, desde Michael Jackson, a gravação de clipes em favelas sempre rende bom ibope.


O problema é que este culto à pobreza, muitas vezes aliado ao ódio ostensivo à riqueza, não é algo apenas estético.  Como bem resumiu o Schüler em seu artigo, o 'pobrismo' mantém o país numa espécie de inércia gratificante, incapaz de encontrar e operar soluções que nos afastem da miséria e nos impulsionem rumo ao progresso e à prosperidade.


Uma dupla moral brasileira

Por Fernando Schüler


"A glamorização do crime e da favela correm em linhas paralelas no Brasil. Ainda me lembro do clipe do Michael Jackson no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, nos anos 90. Cobertura no Jornal Nacional, um segredo de orgulho de mostrar a “nossa favela” para o mundo. Lembro, anos depois, da ideia genial dos roteiros turísticos na favela. Em meio a um mundo cada vez mais padronizado, uma favela surgia como fonte de exotismo e estranhamento. O pitoresco, o casebre, a criança quase nua, solta na ruela, o samba meio ensaiado, aqui e ali.


A glamorização é um tipo de dupla moral: elogiamos algo que só topamos a uma distância segura. Achamos legal, mas para os outros. Isso me lembra do dualismo da “ética da casa e da rua”, de Roberto DaMatta, só que no plano da retórica: para os outros acho um charme aquele colorido todo da “comunidade”, aquela vibração “única”, como li num texto delirante. Mas não para mim, nem para os meus. Aqui em casa prefiro a ordem e o silêncio. Polícia na rua, recolhido na hora certa, guarda na portaria e tudo funcionando direitinho.


O dualismo retórico é um traço da nossa cultura pública. Quando o tema é saúde, não conheço político que não encha a boca para elogiar nosso “sistema público de saúde”. Na pandemia, uma coisa virou a moda também na internet. O cara se emociona lá elogiando o modelo estatal, mas no terceiro espirro vai na emergência particular. O discurso público é um, a verdade da vida privada é outra.


Pesquisa global da Ipsos, em 2018, questionou a avaliação sobre a “qualidade do atendimento” de saúde a que as pessoas têm acesso, em cada país. O Brasil ficou em último lugar entre as nações pesquisadas, com avaliação negativa por parte de 57% dos usuários. É a posição quando se pergunta sobre a facilidade de marcar uma consulta médica. É um curioso paradoxo. A retórica pública diz que o “sistema público” é ótimo, mas a avaliação real dos usuários aponta precisamente na direção contrária.


Durante uma pandemia, o Projeto UTIs Brasileiras divulgou uma pesquisa incômoda mostrando que a mortalidade nas UTIs estatais era de 52,9%, ante 29,7% nas privadas. É evidente que existem fatores sociais e econômicos que afetam essa realidade, e esse é exatamente o problema. Pessoas mais pobres, tendo acesso às condições de atendimento, com rapidez, sem filas, que têm a classe média e os mais ricos. Ou não?


Um levantamento do Conselho Federal de Medicina revelou que 45% dos pacientes estão esperando uma consulta há mais de seis meses, e 29% estão há mais de um ano em fila. Não passa de uma fina e macabra ironia responsabilizar a “condição social” das pessoas por sua própria taxa de mortalidade nas UTIs do setor público. E não é difícil de entender por que ter um plano de saúde é o sonho de 73% dos brasileiros, o terceiro maior, segundo o Ibope, à frente do automóvel e logo atrás da casa própria.


A verdade é que todos sabemos que o sistema é estruturalmente falho, mas vamos levando. Apostamos no dualismo moral: elogio fácil do sistema estatal, de um lado, e a proteção no mercado privado (para quem pode), do outro. Muitos dirão que não há problema nisso, que é apenas uma marca de um país desigual, que é perigoso desagradar as corporações públicas. E que as coisas estão melhorando, devagar, e que é preciso ter paciência. (...)


Essa atitude vem do fundo da tradição brasileira. Da aceitação passiva de um tipo de subcidadania, tão presente na ideia de que “a saúde é ruim, mas é melhor que nada”, ou “a escola não funciona, mas ao menos tem onde deixar as crianças”. No fundo é a longa memória de um país que aprendeu a esperar muito pouco de si mesmo. Dizemos abominar nossa desigualdade, mas nos habituamos a ela. É um pouco do que ocorreu com a pregação do isolamento social na pandemia. Muita gente surpresa com as estações lotadas, cedo de manhã, mas uma arara se o porteiro chega atrasado ao serviço. Vem do fundo de nossa história, mas não significa que seja um destino.


Digo isso porque há muita coisa mudando no Brasil. Na saúde, por exemplo, é só dar uma olhada em uma experiência como um hospital regional de Jundiaí, no interior de São Paulo, gerenciado pelo Instituto Sírio-Libanês, ou a do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch, em São Paulo, gerido em parceria com o Albert Einstein, ou ainda a do Hospital do Subúrbio, em Salvador, premiado internacionalmente e gerenciado por meio de uma PPP. O ponto básico dessas iniciativas: rompe-se com a iniciação. O Estado reposiciona o seu papel, se põe como regulador e delega a gestão ao setor privado. E com isso quebra o apartheid. Permite aos cidadãos, com maior ou menor renda, o acesso à mesma qualidade, ou ao menos a uma qualidade similar de serviços.


Não acho que tudo isso seja muito difícil de aprender ou de fazer. O ponto é que não se trata apenas de uma questão de técnica de gestão. Esse, o fundo, é o menor dos problemas. A questão é romper com o substrato cultural que mantém boa parte do país na inércia e que ainda faz jus ao “assim é porque sempre foi”, na frase lapidar de Raymundo Faoro definindo nosso tradicionalismo político. O problema ainda está na nossa cabeça, e é por aí que precisa começar a mudar."


Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper

sábado, 16 de maio de 2026

Mercado global: ruído politico

 *Ruído político coincide com piora global e liga alerta nos mercados*


Mercados Juros globais têm forte dinâmica de alta com guerra no Irã; volatilidade eleitoral chega aos mercados locais e expõe fragilidade


A despeito da guerra do Irã e do choque de petróleo, os ativos domésticos vinham desfrutando um ambiente externo de maior tolerância a fragilidades idiossincráticas e de bom apetite a risco por parte dos investidores estrangeiros. Nos últimos dias, no entanto, os mercados globais deram sinais de fadiga com a persistência do impasse geopolítico, justamente em um momento que o ambiente local também passou a ser contaminado pela volatilidade do noticiário eleitoral. O resultado foi uma rápida depreciação do real, que saiu da faixa dos R$ 4,90 para perto dos R$ 5,10 e uma elevação forte nas taxas de juros de longo prazo, que passaram a operar nos piores níveis do ano.


O pregão da sexta-feira foi um bom exemplo da rápida deterioração do ambiente para ativos globais de risco. Com a ausência de notícias sobre progressos nas negociações entre Estados Unidos e Irã e nenhuma evidência de melhora nos fluxos globais de petróleo, as curvas de juros ao redor do mundo entraram em uma espiral negativa.


Na quarta-feira, o Tesouro dos Estados Unidos, vendeu um título com vencimento de 30 anos a uma taxa de 5% pela primeira vez desde 2007 e, na sexta-feira, o rendimento da T-bond de 30 anos já havia escalado a 5,12%. No Reino Unido, os juros dos gilts de 10 anos fecharam a sessão aos 5,187%. O juro de 30 anos do Japão é negociado acima de 4%.


De acordo com a diretora de macroeconomia para Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, enquanto o preço do petróleo não cair, há um tero para o apetite global por risco.


“O sell-off não é apenas conjuntural. Governos que por anos se financiaram a taxas próximas de zero agora enfrentam custo de captação crescente, precisando emitir cada vez mais dívida para honrar compromissos de gasto que não param de crescer. A dívida bruta global está em trajetória para atingir 100% do PIB até 2029, segundo o FMI, nível só alcançado antes no pós-Segunda Guerra Mundial”, aponta a economista.


Neste cenário, segundo ela, o dilema para os bancos centrais é agir cedo demais e comprimir economias já pressionadas pelo choque de energia, ou esperar e arriscar uma desancoragem de expectativas, repetindo o erro de 2022. “Os diferenciais existem: mercados de trabalho com mais folga, demanda já comprimida, taxas longe do território acomodatício. Mas têm prazo de validade. O mercado de swaps já precifica alta de juros nos EUA antes do final de 2026", aponta.


Para o Brasil, nota Srour, os juros longos elevados globalmente estreitam o espaço para a política monetária doméstica, ao tornar a ancoragem das expectativas de inflação ainda mais dependente da credibilidade fiscal, que já enfrenta pressões conhecidas. “O conflito no Oriente Médio não tem prazo de resolução à vista. Os mercados estão começando a cobrar um prêmio de risco que estava ausente", afirma a diretora do UBS Global Wealth.


Neste contexto global mais adverso, que se juntou ao noticiário político nos últimos dias, o real se desvalorizou 3,54% na semana frente ao dólar, a pior desde 2022. A moeda fechou a sexta-feira negociada aos R$ 5,0673.


Segundo a equipe de estratégia global do BBVA, liderada por Alejandro Cuadrado, é improvável que novos desdobramentos relevantes envolvendo o caso Master impeçam o real de se afastar do nível psicológico dos R$ 5.


“O caminho até a eleição de outubro ainda é longo e provavelmente haverá muitos altos e baixos ao longo do percurso. O mais recente escândalo coloca o foco na próxima rodada de pesquisas e nos potenciais candidatos alternativos para desafiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O carrego do real, as alternativas disponíveis e o longo horizonte até a eleição ainda favorecem danos limitados ao real, que segue forte, embora o posicionamento técnico ainda pareça bastante carregado", afirmam os profissionais do banco espanhol.


Já a estrategista do Goldman Sachs, Teresa Alves, avalia que, à medida que os eventos políticos se aproximarem da data da eleição, o impacto deles poderá se tornar mais relevante, especialmente diante do posicionamento ‘congestionado’ do mercado. Para ela, contudo, o que, de fato, deve importar para o comportamento dos ativos domésticos é o conjunto de pesquisas eleitorais, além das probabilidades dos diferentes desfechos da eleição.


“Embora o real provavelmente reaja a mudanças nas probabilidades eleitorais, também vale notar que a maior parte da valorização da moeda neste ano foi impulsionada por fatores globais, e não por mudanças no prêmio de risco doméstico”, nota a estrategista. Para ela, o aumento do ruído político e a piora do sentimento global de risco podem pesar sobre o câmbio no curto prazo, mas um ambiente de preços de energia mais elevados por mais tempo continua a ser um fator estruturalmente positivo para o real.


A economista-chefe para América Latina do J.P. Morgan, Cassiana Fernandez, nota que, nesta semana, a narrativa da campanha eleitoral tomou um novo rumo após a divulgação de áudios e mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o que levantou questionamentos sobre a trajetória da oposição e aumentou o ruído político no curto prazo.


“Esse episódio reforça como a incerteza política trazida pela eleição — e suas potenciais consequências para ativos financeiros, como o real, e para as expectativas dos agentes econômicos, como as expectativas de inflação — torna ainda mais complexa a projeção dos dados econômicos. Em um ambiente em que a incerteza geopolítica já está elevada, esses eventos reforçam que está excepcionalmente difícil projetar a política econômica para além das próximas reuniões", afirma.


No mercado de juros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2029 encerraram a semana nos maiores patamares desde 14 de abril de 2025, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2031 terminou a sexta-feira aos 14,25%, também nos maiores níveis em mais de um ano.


Em podcast semanal, o sócio e gestor da Novus Capital, Luiz Eduardo Portella afirma que as taxas locais foram os principais destaques negativos da semana.


“O mercado de juros foi o destaque negativo, com 69 pontos-base de alta na semana, tornando o cenário para o BC mais desafiador. Começou a volatilidade da eleição. Nós já vínhamos discutindo quando viria alguma coisa em relação ao Flávio Bolsonaro. Todo mundo debatia que iriam esperar virar abril para passar o prazo para o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] não conseguir mais se candidatar. Veio em maio”, nota.



https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/05/ruido-politico-coincide-com-piora-global-e-liga-alerta-nos-mercados.ghtml

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Não há espaço para Imposto Seletivo este ano, mas 6x1 passa, diz Eduardo Braga*


Por Naomi Matsui e Luci Ribeiro


Brasília, 15/05/2026 - O senador Eduardo Braga (MDB-AM), pré-candidato nas eleições deste ano a um novo mandato no Senado, afirmou ao Papo com Editor, do Broadcast Político, não acreditar que o Congresso votará em 2026 o projeto que definirá a alíquota do Imposto Seletivo (IS), conhecido como "imposto do pecado". No caso do fim da escala de trabalho de 6 dias por 1 de descanso, porém, ele disse "não ter dúvida" de que será aprovado.


O texto do "imposto do pecado" ainda não foi enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional e precisa ser aprovado pelas duas Casas até setembro para que haja tempo de o tributo começar a valer em 2027, conforme estabelecido na reforma tributária.


"Não vejo espaço para tramitar um projeto dessa envergadura no segundo semestre, em plena campanha eleitoral. [...] Ficou pactuado de que esse imposto seria extrafiscal. É um equívoco o governo achar, se é que está achando, que encontrará espaço para transformar o Imposto Seletivo em imposto arrecadatório", declarou Braga, que foi relator da reforma tributária no Senado. O Imposto Seletivo recairá sobre cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos poluentes e apostas, e tem como objetivo desestimular o consumo desses produtos.


Braga também afirmou que o projeto que define uma política e destina incentivos à exploração de minerais críticos, aprovado na Câmara, terá "aprimoramentos" no Senado. O senador disse estar disposto a relatar a matéria e defendeu a fixação da participação de capital nacional e estrangeiro no texto, proposta que, segundo ele, conta com a concordância do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).


"No pré-sal, tínhamos a tecnologia para explorar petróleo em altas profundidades marítimas, faltava capital, então, estabelecemos uma relação em que a Petrobras ficava com 70% do capital e o capital estrangeiro com 30%. No caso da exploração de terras raras, nos falta tecnologia e equipamentos. Seria justo pegar o mesmo parâmetro e que o capital nacional também possa ter participação, mas numa razão 70%-30% inversa", afirmou. O texto chegou ao Senado na semana passada, mas ainda aguarda despacho de Alcolumbre para as comissões.


Braga indicou que, neste ano eleitoral, o Senado deve priorizar, além das terras raras, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a redução da jornada de trabalho, que ainda está na Câmara. Para ele, tanto a PEC do fim da escala 6x1 quanto as medidas provisórias de subvenção ao combustível e do fim da "taxa das blusinhas" devem sofrer modificações durante a tramitação, mas devem ser aprovadas.


O 'Papo com Editor', programa com personalidades da política do País, é conduzido por jornalistas do serviço de informação em tempo real do Grupo Estado. O vídeo está disponível para assinantes do terminal broadcast+ na Broadcast TV, em Comentário Político e no Broadcast Político.


Leia aqui trechos da entrevista de Eduardo Braga ao Papo com Editor:


Broadcast Político: O Congresso aprovou a criação do Imposto Seletivo, mas falta definir a alíquota até setembro para dar tempo de entrar em vigor em 2027. Estamos em maio e o governo sequer mandou o projeto ao Congresso. O senhor tem tratado com o governo sobre o tema? Dá para votá-lo tão perto das eleições?

Braga: Primeiro, não vejo espaço para tramitar um projeto dessa envergadura no segundo semestre, em plena campanha eleitoral. Segundo, não estou conversando com o governo sobre o tema, porque não fui procurado. Terceiro, quando da criação da Emenda Constitucional 132, ficou pactuado o conceito de que esse imposto seria extrafiscal, não teria efeito arrecadatório para o governo, teria efeito educativo para a população. É um equívoco o governo achar, se é que está achando, que encontrará espaço para transformar o Imposto Seletivo em imposto arrecadatório.


Broadcast Político: A Câmara aprovou o projeto dos minerais críticos, envolvendo, entre outros pontos, incentivos federais da ordem de R$ 5 bilhões ao longo de cinco anos. O Amazonas tem interesse no assunto. Acha que o projeto está maduro o suficiente ou precisa de aprimoramentos?

Braga: A menos de 100 quilômetros de Manaus tem muita terra rara e, mais, em resíduo mineral, mais fácil de explorar. Não temos tecnologia para explorar terras raras. Um comparativo: no pré-sal, tínhamos a tecnologia para explorar petróleo em altas profundidades marítimas. Faltava capital, então estabelecemos uma relação em que a Petrobras ficava com 70% do capital e o capital estrangeiro com 30%. No caso da exploração de terras raras, nos falta tecnologia e equipamentos. Seria justo pegar o mesmo parâmetro e que o capital nacional também possa ter participação, mas numa razão 70%-30% inversa. Não temos a tecnologia, precisamos ter acesso à tecnologia e ao know-how. A partir daí, poder efetivamente entrar no mercado. Ainda não temos essa capacidade, nem do ponto de vista do hardware nem do software, para fazê-lo de forma lucrativa, rentável e eficiente.


Broadcast Político: O que o senhor acha do texto que saiu da Câmara?

Braga: Está na direção certa, mas com certeza sofrerá aprimoramentos no Senado.


Broadcast Político: O senhor pretende pleitear a relatoria desse projeto?

Braga: Não é meu costume pleitear relatorias. Coloco-me à disposição, porque é um tema sensível e eu, que fui ministro de Minas e Energia, tenho algum conhecimento. Não sou nenhum especialista na matéria, mas tenho algum conhecimento de mercado até em função do mapa geológico do Amazonas.


Broadcast Político: O que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, comentou sobre o projeto?

Braga: Davi falou que precisa de alguns aprimoramentos. Ele, por exemplo, concorda com a necessidade da participação do capital nacional.


Broadcast Político: Este é um ano legislativo mais curto por causa das eleições e tem uma série de projetos que vão se acumular no Senado. O que dá para votar e o que fica para o ano que vem?

Braga: Conversei com Alcolumbre e achamos haver entendimento para votar a questão das terras raras, a compensação de impostos em relação aos derivados de petróleo diante da crise da guerra entre Estados Unidos e Irã, que tem impactado enormemente alguns setores da nossa economia, entre eles, o agronegócio. Outra matéria que precisa ser votada é a da [redução da jornada] 6x1. Teremos que ter regra de transição para alguns setores da economia e regras mais compensatórias em determinados setores do que em outros. Mas é uma matéria que não tenho dúvida de que será aprovada. PEC da Segurança é um tema que está no topo da lista da agenda do Legislativo. Se essa PEC tramitar, vai andar muito rápido.


Broadcast Político: O governo Lula tem apostado em anúncios populares. Só esta semana, editou a MP para revogar a "taxa das blusinhas" e uma MP de subsídio à gasolina. O Congresso vai apoiá-las?

Braga: A medida provisória do combustível vai ser aprovada e avaliada, claro que com modificações e contribuições do Congresso. A "taxa das blusinhas" vai ser debatida, mas, no final das contas, acabará votada, porque, se não me engano, essa MP vence quatro dias antes da eleição. Imagine o efeito que isso causa. O setor privado vai debater muito sobre isso. Ouvi: 'Será que a gente pode aprovar uma emenda desonerando o produto nacional até US$ 50?' Eu disse: 'Vai compensar isso de onde?' Temos regras fiscais que nós vamos ter que obedecer. São temas que vão acontecer e vão ficar numa casa de irreversibilidade.


Contato: naomi.matsui@estadao.com; luci.ribeiro@estadao.com


Broadcast+

sexta-feira, 15 de maio de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Mercado respira, mas eleição entra no radar*


Pesquisa Datafolha ganha especial importância por ser a primeira após o caso Vorcaro, a rejeição de Messias ao STF e o pacote de bondades de Lula


… O mercado inicia a sexta-feira tentando sustentar o alívio vindo da visita de Donald Trump à China, marcada por acenos entre Washington e Pequim sobre comércio, inteligência artificial, energia e Estreito de Ormuz, mas ainda sob a sombra das tensões envolvendo Taiwan. A leitura mais construtiva do encontro ajudou a conter a pressão sobre o petróleo, enquanto as big techs voltaram a puxar o rali em Nova York. No Brasil, o “Flávio Day 2.0” perdeu força, mas o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mantém o risco eleitoral no radar. A agenda traz serviços no Brasil, produção industrial nos Estados Unidos e repercussão dos balanços de Nubank e Stone no after em Nova York.


TRUMP & XI – A visita de Donald Trump à China, que se encerra hoje, foi cercada de gestos cuidadosamente coreografados de aproximação entre Washington e Pequim, ajudando a aliviar parte da tensão geopolítica e sustentando o apetite por risco em Nova York.


… Trump classificou o encontro com Xi Jinping como “fantástico”, enquanto o líder chinês chamou a reunião de “histórica”. Houve acenos em áreas como comércio, inteligência artificial, energia e até cooperação indireta nas negociações envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz.


… Xi afirmou a executivos da Nvidia, Tesla e Apple que a China seguirá se “abrindo ainda mais”, enquanto Trump anunciou que Pequim concordou em encomendar 200 aviões da Boeing. Washington ainda autorizou a venda de chips H200 da Nvidia para grandes empresas chinesas.


… O encontro ajudou a consolidar a leitura de redução do risco imediato de interrupção no fluxo global de petróleo, mantendo o Brent acomodado na faixa dos US$ 100, apesar da volatilidade.


… Segundo a Casa Branca, Trump e Xi concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o fluxo global de energia.


… A Casa Branca ainda afirmou que Xi mostrou interesse em ampliar compras de petróleo americano para reduzir a dependência de Ormuz e que o líder chinês ofereceu ajuda nas negociações envolvendo o Irã, além de garantir que Pequim não fornecerá armamentos a Teerã.


… Apesar do tom cordial, Taiwan apareceu como o principal ponto de tensão da relação bilateral.


… Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi alertou Trump de que Estados Unidos e China poderão enfrentar “confrontos e até conflitos” caso a questão da independência da ilha não seja tratada “adequadamente”.


… A Bloomberg destacou que o aviso foi a declaração mais dura do líder chinês até agora sobre o tema e funcionou como um recado direto contra o pacote de US$ 14 bilhões em venda de armas americanas para Taipei.


… Ainda assim, Trump evitou elevar o tom sobre Taiwan e preferiu reforçar a imagem de estabilidade da relação bilateral, afirmando nas redes sociais esperar que os laços entre os dois países fiquem “mais fortes e melhores do que nunca”.


… A divergência entre os comunicados de Washington e Pequim também chamou atenção.


… Enquanto a Casa Branca destacou as convergências sobre o petróleo, o Estreito de Ormuz e o apoio chinês para conter o Irã, a mídia estatal chinesa evitou enfatizar esses pontos, reforçando a disputa de narrativa entre as duas potências.


… Na noite de ontem, Trump endureceu o tom contra o Irã e afirmou que não será “muito mais tolerante”.


VIDA QUE SEGUE – Depois do estresse provocado pelo “Flávio Day 2.0” na véspera, o mercado devolveu parte dos prêmios de risco nesta quinta-feira, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro trabalharam para conter danos e afastar a tese de substituição da sua candidatura.


… Em meio à repercussão das mensagens reveladas pelo Intercept Brasil envolvendo pedidos de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, Flávio passou o dia telefonando para aliados.


… Negou irregularidades e tentou reforçar a narrativa de que o caso se resume a um investimento privado na produção audiovisual.


… Segundo relatos de bastidores, o senador demonstrou tensão em reunião emergencial com a equipe de campanha realizada na noite de quarta-feira. Depois do encontro, Flávio esteve com Jair Bolsonaro e ouviu do ex-presidente o conselho para “seguir firme”.


… Apesar da tentativa de estabilização, aliados admitem reservadamente preocupação com possíveis novos desdobramentos do caso e com o potencial desgaste eleitoral. Uma ala do PL passou a defender Michelle Bolsonaro como alternativa, caso a crise avance.


… Flávio reagiu rapidamente e afirmou que a ex-primeira-dama “não será candidata”.


… Em entrevista à GloboNews, o senador admitiu que Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, era gestor do fundo sediado no Texas que recebeu recursos para o filme, mas negou que os valores tenham sido usados para bancar despesas do irmão nos Estados Unidos.


… A Polícia Federal, porém, trabalha com a suspeita de que parte dos recursos enviados ao fundo Havengate Development Fund LP possa ter sido usada para custear Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado.


… O caso também avançou no campo político e jurídico.


… Líderes do PT, PCdoB e PV protocolaram representação criminal na PGR e na PF contra Flávio, Eduardo e Jair Bolsonaro, citando suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e financiamento político irregular.


… Paralelamente, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, acionou o Coaf para rastrear os repasses ao filme “Dark Horse”.


… Apesar da forte repercussão política, a avaliação predominante no mercado foi de acomodação parcial após a reação considerada exagerada da véspera. Ainda assim, investidores reconhecem que a eleição presidencial entrou no radar.


… Nesse ambiente, a nova pesquisa Datafolha, que começa será divulgada na sexta-feira, ganhou especial importância por ser a primeira após o caso Vorcaro, a rejeição de Jorge Messias ao STF e as últimas medidas eleitorais anunciadas pelo governo Lula.


AGENDA – A sexta-feira traz uma combinação de atividade doméstica, produção industrial nos Estados Unidos e repercussão política, em um mercado que segue dividido entre a guerra no Oriente Médio, a visita de Trump à China e os desdobramentos do caso Flávio Bolsonaro.


… No Brasil, o destaque da manhã é a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de março, divulgada pelo IBGE às 9h. A mediana do Projeções Broadcast aponta queda de 0,1% no volume de serviços, após alta de 0,1% em fevereiro, em leitura acompanhada de perto pelo mercado.


… Apesar da expectativa de leve retração, parte dos economistas vê uma economia resiliente, sustentada pela renda e pelo mercado de trabalho, enquanto os juros elevados, endividamento e aumento dos combustíveis pesam sobre segmentos ligados a transporte e serviços.


… Também às 9h, o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, participa da IV Conferência Anual do BC.


… Nos Estados Unidos, o principal indicador é a produção industrial, às 10h15, com expectativa de alta de 0,3% em abril, após queda de 0,5% em março. O dado ganha peso em um ambiente de atividade ainda resiliente e percepção de Fed mais hawkish.


… Antes disso, às 9h30, sai o índice Empire State de atividade industrial de maio, calculado pelo Fed de Nova York.


LOJAS MARISA – Na agenda corporativa, a varejista divulga resultados do primeiro trimestre após o fechamento.


NUBANK – Em Nova York, a ação, que chegou a cair mais de 9%, fechou com queda de 3,56% no after hours após frustrar expectativas na linha de receitas e levantar dúvidas sobre o avanço das provisões, apesar do crescimento do lucro líquido de US$ 871 milhões – alta anual de 41%.


… Já a receita total ficou abaixo do consenso do mercado, em US$ 4,968 bilhões.


… Investidores também reagiram negativamente ao salto de 72% nas provisões em relação ao mesmo período do ano passado e de 33% na comparação trimestral, mesmo sem uma deterioração mais clara da carteira de crédito.


… Na leitura do mercado, o balanço reforçou preocupações sobre a capacidade do Nubank de sustentar crescimento acelerado de receitas e rentabilidade em um ambiente ainda marcado por juros elevados e maior seletividade no crédito.


STONE – Também no pós-mercado, a ação subiu 5,26%, beneficiada por um resultado “menos ruim” do que o forte pessimismo do mercado, que apontou lucro líquido ajustado de R$ 549,1 milhões no primeiro trimestre, alta anual de 3,5%.


AINDA ESTOU AQUI – O risco do Lula IV gerado pelo Flávio Day 2.0 assusta e permanece no radar, mas os mercados recobraram ontem parte da consciência, na medida em que ainda faltam quatro meses para a eleição presidencial.


… Até que tudo esteja melhor digerido e se verifique o grau de desgaste do episódio sobre a candidatura do filho de Bolsonaro, o investidor deve ter dificuldade para relaxar. Mas nesta quinta-feira deu para acomodar o estresse.


… Corrigindo exageros, o dólar voltou a ser cotado abaixo de R$ 5. Fechou em baixa moderada de 0,45%, a R$ 4,9863, devolvendo parte da escalada de 2,31% da véspera, desencadeado pelo vazamento do áudio com Vorcaro.


… Operadores também mencionaram que exportadores aproveitaram o câmbio favorável para trazer dólares.


… Um alívio parcial também foi registrado nos juros futuros, mas a melhora foi considerada tímida, comparada ao salto de 30 pontos-base nos prêmios de risco do pregão anterior, diante das dúvidas sobre a viabilidade de Flávio.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 caía para 14,190% (contra 14,210% na véspera); Jan/28 recuava a 14,000% (de 14,059%); Jan/29, a 13,990% (de 14,054%); Jan/31, a 14,075% (14,115%); e Jan/33, 14,135% (14,166%).


… O petróleo estável também contribuiu para esvaziar as pressões sobre a curva, embora o barril continue rodando nos três dígitos, acima dos US$ 100. O Brent para julho fechou ontem em alta marginal de 0,08%, a US$ 105,72.


… Se por um lado a commodity não se abalou pela falta de novidades sobre um acordo de paz com o Irã, por outro, tampouco se entusiasmou com a sinalização de Trump de que a China estaria defendendo a reabertura de Ormuz.


… Também os relatos do presidente americano de que Xi Jinping teria demonstrado interesse em comprar petróleo dos Estados Unidos não fizeram preço nos negócios, até porque não foram confirmados pela mídia estatal chinesa.


… Apesar da apatia ontem do petróleo, as ações da Petrobras recuperaram algum terreno (PN +0,96%, a R$ 45,00; e ON +0,82%, a R$ 49,38), diante da percepção de que um reajuste dos combustíveis é só uma questão de tempo.


… Também os bancos corrigiram: Itaú PN subiu 1,94% (R$ 40,40), Bradesco PN ganhou 1,08% (R$ 17,84), Santander unit avançou 0,44% (R$ 27,14) e BTG unit, +0,84% (R$ 55,39). Só os papéis do BB ficaram estáveis, em R$ 20,76.


… O balanço do banco, que fecha a temporada dos maiores do setor, não empolgou, com lucro trimestral 11% abaixo da média do Broadcast. O Citi avalia que o resultado reforça a “persistente” pressão sobre a qualidade dos ativos.


… O Ibovespa ensaiou uma recuperação mais consistente, após o tombo de 1,80% do pregão anterior, mas perdeu fôlego na reta final e limitou os ganhos no fechamento a 0,72%, ainda abaixo dos 180 mil pontos (178.365,86).


… O giro ficou em R$ 29,8 bilhões. Hoje tem exercício de opções na bolsa. Na véspera do game, Vale devolveu tudo o que havia subido um dia antes (+1,26%), em queda de 1,70%, mesmo com o minério de ferro estável na China.


BAIXOU A GUARDA – O líder chinês, Xi Jinping, deu fôlego ontem às ações das gigantes de tecnologia americanas, depois de ter afirmado, frente a frente aos CEOs da Nvidia, Tesla e Apple, que a China irá “se abrir ainda mais”.


… O S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximas históricas e o Dow Jones superou os 50 mil pontos. Ainda a safra dos balanços ajudou, com Cisco disparando 13,41%, após anunciar quase 4 mil demissões e elevar a previsão de receita.


… Nvidia saltou 4,39%, após Washington autorizar cerca de 10 empresas chinesas a comprarem os chips da empresa.


… Apesar do impasse da guerra no Irã, o índice Dow Jones encerrou em alta de 0,75%, aos 50.063,46 pontos. O S&P 500 ganhou 0,77%, aos 7.501,25 pontos, e o Nasdaq registrou valorização de 0,88%, aos 26.635,22 pontos.


… Já os juros dos Treasuries e o dólar continuaram monitorando o cenário inflacionário. O Fed boy Jeffrey Schmid disse que a inflação contínua é o risco mais urgente para a economia e que está claro que ela ainda está muito alta.


… Já Stephen Miran, que ontem renunciou ao mandato-tampão no conselho do Fed, já que sua vaga será ocupada por Kevin Warsh, criticou em sua despedida a maneira como os dirigentes avaliam a inflação. Mas ele é dovish.


… Nos últimos dias, o mercado passou a especular com uma alta do juro pelo Fed no início de 2027.


… Outros grandes BCs devem apertar a política monetária muito antes disso. Ontem, o dirigente do BoJ Kazuyuki Masu indicou a chance de um aumento em breve, ao expressar preocupação com o choque persistente do petróleo.


… “Se os dados estatísticos não indicarem sinais claros de recessão econômica, acredito que seja desejável elevar a taxa básica de juros o mais cedo possível. É vital garantir que, a inflação subjacente não ultrapasse 2%”, disse.


… Na Inglaterra, o economista-chefe do BC inglês, Huw Pill, foi na mesma linha. Defendeu um aperto “modesto, mas imediato”, argumentando que a incerteza em torno do conflito militar no Irã não é motivo para inação do BoE.


… Apesar do comentário hawkish, a libra esterlina afundou 0,92%, para a mínima em um mês, e fechou valendo US$ 1,3401, diante da crise política no Reino Unido, com as pressões pela saída do primeiro-ministro, Keir Starmer.


… O euro caiu 0,39%, para US$ 1,1668, e o iene recuou a 158,35 por dólar, com o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de seis outras divisas fortes, subindo 0,3%, a 98,819 pontos.


… Entre os Treasuries, a taxa do T-bond de 30 anos deu uma corrigida, mas continuou acima dos 5%, em 5,029% (de 5,041% na véspera). Já o juro da Note de 2 anos subiu a 4,013% (de 3,979%) e o de 10 anos, a 4,481% (de 4,471%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS. Lula voltou a defender exploração de petróleo na Margem Equatorial e disse que pretende prospectar parceria com a Pemex no Golfo do México.


GPA ampliou prejuízo líquido das operações continuadas para R$ 1,347 bilhão no 1TRI26. A receita líquida caiu 8,2%, para R$ 4,3 bilhões, e o Ebitda ajustado consolidado subiu 12%, para R$ 458 milhões…


… A empresa apontou em notas explicativas revisadas pela Ernst & Young Auditores, que há “incertezas relevantes” que podem levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia…


… GPA convocou AGE para votar mudanças no capital autorizado e exclusão de regra de OPA estatutária.


ASSAÍ. A gestora Ninety One UK passou a deter 71,5 milhões de ações, equivalentes a 5,32% do capital social.


GRUPO MATEUS teve lucro líquido de R$ 212,9 milhões no 1TRI26, queda de 21,8% contra um ano antes. A receita operacional líquida cresceu 12,9%, para R$ 9,4 bilhões, e o Ebitda recuou 7,3%, para R$ 543 milhões.


MBRF teve lucro líquido de R$ 111 milhões no 1TRI26, alta de 26,8% contra um ano antes. A receita líquida caiu 0,1%, para R$ 39,453 bilhões, e o Ebitda ajustado recuou 3,2%, para R$ 3,096 bilhões.


USIMINAS. O conselho aprovou a reeleição da diretoria até 2028, com Marcelo Chara mantido como CEO.


CAIXA ECONÔMICA FEDERAL teve lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no 1TRI26, queda de 34,4% contra um ano antes.


COSAN teve prejuízo líquido de R$ 1,58 bilhão no 1TRI26, queda de 11% contra um ano antes. A receita líquida recuou 7%, para R$ 9 bilhões, e o Ebitda avançou 59,8%, para R$ 3,1 bilhões.


CPFL ENERGIA teve lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no 1TRI26, alta de 18,2% contra um ano antes. O Ebitda avançou 0,2%, para R$ 3,86 bilhões, e a receita operacional líquida cresceu 6,4%, para R$ 11,34 bilhões.


LIGHT teve lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no 1TRI26, salto de 573% contra um ano antes. A receita líquida cresceu 8,1%, para R$ 4,406 bilhões, mas o Ebitda ajustado caiu 27%, para R$ 423 milhões…


… A companhia aprovou aumento de capital entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, com emissão privada de até 238,4 milhões de ações.


CEMIG identificou vazamento de dados de cerca de 135 mil clientes.


SANEPAR teve lucro líquido de R$ 352,7 milhões no 1TRI26, queda de 70,8% contra um ano antes. A receita operacional líquida cresceu 7,8%, para R$ 1,95 bilhão, e o Ebitda recuou 24,4%, para R$ 843,5 milhões.


VIVEO reduziu prejuízo líquido para R$ 57 milhões no 1TRI26, ante perda de R$ 59 milhões um ano antes. A receita líquida cresceu 1,7%, para R$ 2,8 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 30,4%, para R$ 208,1 milhões.


ONCOCLÍNICAS. Prejuízo mais do que triplicou no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, ficando em R$ 438,7 milhões…


… A receita líquida caiu 22,3%, para R$ 1,16 bilhão, e o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, revertendo resultado positivo de R$ 153,9 milhões um ano antes.


TUPY teve prejuízo líquido de R$ 96,5 milhões no 1TRI26, ante perda de R$ 12,4 milhões um ano antes. A receita caiu 7,1%, para R$ 2,3 bilhões, e o Ebitda recuou 73,6%, para R$ 55,2 milhões.


UNIPAR teve lucro líquido de R$ 37 milhões no 1TRI26, queda de 75% contra um ano antes. A receita líquida caiu 10%, para R$ 1,24 bilhão, e o Ebitda ajustado recuou 51%, para R$ 174 milhões.


CYRELA. O lucro líquido somou R$ 328 milhões no 1TRI26, 22% abaixo da estimativa dos analistas no Broadcast, de R$ 421 milhões. A receita líquida totalizou R$ 1,95 bilhão, 8% inferior à projeção de R$ 2,12 bilhões.


EVEN teve lucro líquido consolidado de R$ 32,5 milhões no 1TRI26, queda de 39,7% contra um ano antes. A receita líquida recuou 2,1%, para R$ 330,2 milhões…


… A empresa aprovou dividendos intercalares de R$ 30 milhões, equivalentes a R$ 0,15169 por ação. O pagamento será em 12 de junho, com base na posição acionária de 1º de junho.


HELBOR teve lucro líquido de R$ 1,9 milhão no 1TRI26, queda de 74,5% contra um ano antes. A receita operacional líquida cresceu 15,8%, para R$ 346,6 milhões.


TRISUL teve lucro líquido de R$ 28,3 milhões no 1TRI26, queda de 31,3% contra um ano antes. A receita cresceu 26,2%, para R$ 343,2 milhões, e o Ebitda recuou 15,1%, para R$ 38,8 milhões.


TECNISA ampliou prejuízo líquido em 164,5% no 1TRI26, a R$ 20,6 milhões. A receita caiu 42,1%, a R$ 27,1 milhões.


TOKY negou acordo fechado com credores e afirmou que o plano de recuperação judicial ainda está em estruturação.


PETZ teve cancelamento de registro de companhia aberta aprovado pela CVM após fusão com a Cobasi.


VITTIA. O prejuízo líquido no 1TRI26 saltou 201,4% na comparação anual. A receita líquida caiu 11,5%, para R$ 121,9 milhões, e o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 587 mil.


AÉREAS. Governo busca fonte de receita para prorrogar desoneração do querosene de aviação, segundo fontes do Valor…


… Alíquota zero de PIS/Cofins sobre o QAV vale até dia 31; o custo da desoneração é estimado em R$ 45 milhões por mês.

BDM Matinal Riscala 2

 📊 Serviços aqui, Datafolha e produção industrial nos EUA


[15/05/26] O mercado inicia a sexta-feira tentando sustentar o alívio vindo da visita de Donald Trump à China, marcada por acenos entre Washington e Pequim sobre comércio, inteligência artificial, energia e Estreito de Ormuz, mas ainda sob a sombra das tensões envolvendo Taiwan. A leitura mais construtiva do encontro ajudou a conter a pressão sobre o petróleo, enquanto as big techs voltaram a puxar o rali em Nova York. No Brasil, o “Flávio Day 2.0” perdeu força, mas o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mantém o risco eleitoral no radar. A agenda traz serviços no Brasil, produção industrial nos Estados Unidos e repercussão dos balanços de Nubank e Stone no after em Nova York. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores


▪️ 09h00 – Brasil: IBGE – Pesquisa Mensal de Serviços (mar)

▪️ 09h30 – EUA: Fed de NY – Índice Empire State (maio)

▪️ 10h15 – EUA: Fed – Produção industrial (abr)

▪️ 14h00 – EUA: Baker Hughes – Poços e plataformas em operação


Eventos


▪️ 09h00 – Brasil: Paulo Picchetti (BC) participa da IV Conferência Anual do Banco Central

▪️ Brasil: Datafolha divulga pesquisa eleitoral para a Presidência da República

▪️ China: Trump encerra visita oficial à China


Balanços


▪️ Brasil/após o fechamento – Marisa Lojas


📰 Jornal do Investidor

📚 MZ Investimentos


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Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,7% US tech +0,7% US Semis +0,5% UEM +1,2% España +0,8% VIX 18,7% Bund 3,05%. T-Note 4,48%. Spread 2A-10A USA=+47pb B10A: ESP 3,46% PT 3,40% ITA 3,78% FRA 3,66% Euribor 12m 2,82% USD 1,167 JPY 184,8/€ Ouro 4.652$. Brent 106,6$. WTI 102,0$. Bitcoin +2,1% (81.380$). Ether +1,5% (2.297$).


SESSÃO. Hoje resta descansar e seria o mais prudente depois dos avanços recentes. E a realidade é que, com a temporada de resultados praticamente terminada (EPS 1T +26% EUA vs. +14% esp. e +12% Europa vs +4%), o mercado necessita de mais catalisadores para continuar com a tendência em alta a curto prazo.


Trump/Xi retomam hoje as conversações, enquanto as negociações sobre o Irão continuam sem avanços. No plano convencional, os indicadores de preço cobram cada vez mais importância. Hoje de madrugada, os Preços Industriais de abril no Japão aumentaram até +4,9% a/a vs. +2,9% ant. e +3,0% esp., situando-se no nível mais alto desde maio de 2023, e fazem aumentar as expetativas de uma nova subida de taxas de juros do BoJ (estimamos +0,25 p.b. até 1,00% no 3T 2026). Prejudicando, assim, a yield a 10A +8 p.b. até 2,71% e a bolsa -2%. Nos EUA, às 13:30 h, conheceremos o Empire Manufacturing de maio (7,2 esp. vs. 11,0 ant.) e às 14:15 h a Produção Industrial nos EUA (+0,3% vs. -0,5%), embora fiquem para segundo plano.


As conversações entre os EUA e a China continuam. Ontem conhecíamos acordos para que a China compre aviões Boeing, petróleo americano e chips H200 de Nvidia (+4,4%) e ambos os países estariam de acordo na abertura do Estreito de Ormuz e que o Irão não deverá ter armas nucleares. 


Em suma, o natural hoje seria uma prudente realização de lucros com a atenção nas conversações China-EUA e qualquer notícia do conflito no Irão.

Paulo Roberto de Almeida

 Oskar Schindler caiu desfalecido no meio da rua em 9 de outubro de 1974, na cidade alemã de Hildesheim. Morreu ali mesmo, vítima de insufic...