sexta-feira, 3 de abril de 2026

Vinicius Torres Freire

 *Na aflição com pesquisas, juros e combustíveis, Lula começa a pensar em tiros no pé*


Até ultraliberal alucinado Milei manda tabelar preço da petroleira estatal na Argentina Tentativa exagerada de conter preços ou até tabelar é contraproducente ou cria crise em breve


2.abr.2026 às 20h44


O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis.


O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma. A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.


Há subsídios para o diesel. Até agora, não se falou em subsidiar gasolina, pelo menos. Haverá subsídio para o gás de cozinha, do governo ou da Petrobras, Lula deixou escapar. Companhias aéreas querem subsídio para combustível e crédito. O agro tem pedidos. Se essa fila andar, haverá mais candidatos a algum Bolsa Guerra, como na pandemia, favores do coronavírus que duraram até este governo.


Pode ser razoável a tentativa de atenuar um choque de preço, sob certas condições, de modo a evitar que um problema provisório tenha consequências duradouras. Pode ser um paliativo para um par de meses, aliás adotado até pelo ultraliberal alucinado Javier Milei e pela Europa.


Mas é possível também que a tentativa de transferir problemas para o futuro contamine o presente. No exemplo mais simples, é possível que se esteja apenas transferindo a alta de preços de agora para logo depois da eleição, estocando inflação para 2027, com impacto desde já nas expectativas.


O governo vai gastar o que puder para conter preços por toda a parte, por meses? A ideia do subsídio é compensar alta de preços da Petrobras ou é tabelamento (que pode ameaçar o abastecimento)?


Está ainda mais difícil estimar a chance de cada cenário, pois também não se sabe do efeito da guerra: maior na inflação ou no PIB? Depende de duração da crise e do ritmo da economia aqui, ainda firme.


De resto, o governo não tem como mexer em reações fundamentais a todos esses problemas, a do Banco Central e a do mercado de títulos da dívida pública. E o PIB do mundo vai esfriar. Difícil mexer com sucesso nessa máquina complicada.


Enfim, tabelar preço é, claro, política, não raro com consequências funestas.


Em caso muito maior e de extremo descaramento, houve o congelamento de preços do Plano Cruzado, em 1986, desfeito logo depois de fechadas as urnas, o pai dos estelionatos eleitorais do Brasil, que pariu oligarquias até hoje no poder.


Em escala muito menor, mas mais dramática, foi assim com Dilma 1. No início do seu segundo mandato, em 2015, começou a desfazer o que eram, na prática, tabelamentos de preços de energia elétrica e combustíveis. A então presidente tivera 42% de "ótimo/bom" no Datafolha de dezembro de 2014; em março de 2015, 13%. A vitória torta contribuiu para o seu fim.


Abril será ruim no mercado mundial. Em março circulavam navios com petróleo e combustíveis produzidos e embarcados antes do início da guerra. Agora, o buraco deixado pelo fechamento de Hormuz vai aparecer na prática.


A conversa a respeito de algum tipo contenção de consumo, mesmo de racionamento, ou de redução preventiva de atividade econômica, que já é prática no Sul e no Leste pobres da Ásia, pode se espalhar pela Europa.


Na hipótese mais otimista, o problema de base (escassez de combustível e outros insumos) vai até setembro. Alguém do governo tem isso em mente?


https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/04/na-aflicao-com-pesquisas-juros-e-combustiveis-lula-comeca-a-pensar-em-tiros-no-pe.shtml

OESP

 *Estadão: Fazenda afasta delegado tributário por elo com 'fura-fila' do ICMS*


Por Fausto Macedo e Felipe de Paula


São Paulo, 02/04/2026 - A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo afastou o delegado Rodrigo Rodrigues Cuoco do comando da Delegacia Regional Tributária do ABCD paulista (DRT-12). Na carreira desde 2006, Cuoco havia sido alvo, em 26 de março, da Operação Fisco Paralelo, que investiga pelo menos 20 auditores fiscais por suposta ligação com um esquema “fura-fila” do ICMS.


Segundo a investigação, o grupo favoreceria grandes redes de varejo e atacado com a restituição antecipada de créditos tributários em troca de propina. A Secretaria da Fazenda informou que, “no contexto das providências adotadas, houve cessação de designação do cargo de delegado do servidor referido, o qual já se encontra afastado e com procedimento instaurado pela Corregedoria da Fiscalização Tributária, órgão correcional competente”. O Estadão pediu manifestação do auditor por meio da secretaria, mas não obteve retorno.


O cargo de delegado é o topo da carreira dos fiscais. Baseado em São Bernardo do Campo, Cuoco supervisionava a fiscalização também nas cidades de Mauá, Ribeirão Pires, Diadema, Rio Grande da Serra, Santo André e São Caetano.


Com o afastamento, ele deixa de receber vantagens do cargo que ocupava desde 2025, como a gratificação de representação. Cuoco continuará ganhando duas parcelas do salário maiores do que as de seus colegas - o prêmio de produtividade e o pró-labore -, mas em valores menores no bruto. O afastamento foi decretado pela Diretoria Geral Executiva da Administração Tributária (Deat).


MENTOR. Mensagens localizadas em um celular do auditor Artur Gomes da Silva Neto indicam o envolvimento de Cuoco nas fraudes, segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público Estadual.


Silva Neto é apontado como o mentor do “fura-fila”, esquema que teria rendido, desde 2022, pelo menos R$ 1 bilhão em propinas de empresas credoras de ICMS-ST (Substituição Tributária). Ele foi preso em agosto do na Operação Ícaro, origem da Fisco Paralelo.


Um contato por mensagem de aplicativo de Rodrigo Cuoco com Silva Neto, recuperado pelos investigadores, ocorreu por meio do irmão do delegado do ABCD afastado, Diogo Cuoco. “Diogo é quem inicia os contatos por meio do WhatsApp com Artur Gomes da Silva Neto. E, muito embora logo a dupla migre para o aplicativo Wickr, as conversas sugerem que Artur (Silva Neto) precisa fazer repasses a Rodrigo Rodrigues Cuoco”, dizem os promotores.


A quebra telemática identificou a venda de créditos de ICMS-ST de uma gigante de materiais de construção, “obtidos de maneira fraudulenta”, para uma coligação de cervejarias. O agente que deu visto nas notas, no total de R$ 8 milhões, foi Rodrigo Cuoco. “Existem evidências que apontam o envolvimento de Rodrigo Rodrigues Cuoco na corrupção relacionada ao ressarcimento de ICMS-ST”, afirmam os promotores.


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BRB e terreno

 *Coluna do Estadão: BRB faz auditoria de terrenos para aporte, mas dois imóveis ficam sem valor*


Aauditoria independente encomendada pelo Banco de Brasília (BRB) trouxe enfim uma boa notícia ao banco estatal, que tenta cobrir um rombo bilionário deixado pelo caso Master. O relatório identificou um valor de mercado R$ 400 milhões maior do que o previsto pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) para sete dos nove imóveis públicos ofertados no socorro financeiro ao BRB, totalizando R$ 4,2 bilhões. O valor extra, contudo, não é suficiente para cobrir a redução de quase R$ 3 bilhões pela ausência dos outros dois terrenos do pacote, considerados “micos imobiliários” pela falta de atratividade. Esses ativos não foram precificados pela auditoria, que pediu mais prazo para terminar as “avaliações atípicas”, segundo o documento obtido pela Coluna.


CANCELA. Após a conclusão da auditoria independente, a governadora Celina Leão (PP) recuou e retirou da lista um dos dois imóveis problemáticos: a área ambiental Serrinha do Paranoá, a mais cara do pacote, avaliada pela Terracap em R$ 2,2 bilhões.


ESQUELETO. O outro terreno público visto com receio no mercado imobiliário é o Centro Administrativo do DF, avaliado em R$ 491 milhões pela Terracap. A inauguração ocorreu em 2014, mas o local previsto para ser a sede do Executivo distrital nunca foi usado. Os prédios apresentam problemas estruturais graves e há construções inacabadas.


NEGOCIAÇÃO. Na última terça-feira, 31, dia em que deveria ter apresentado o balanço financeiro de 2025, a cúpula do BRB montou um grupo com empresários dos setores imobiliário e de construção civil da capital federal para viabilizar o fundo previsto no aporte do governo ao banco.


CHAPA. O prefeito de Patos de Minas (MG), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), deixou o cargo ontem na expectativa de ser vice na chapa do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo de Minas Gerais. A equipe do senador afirmou que Falcão é o mais cotado, mas que ainda é cedo para formalizar a indicação.


DOMINÓ. O movimento do prefeito, correligionário de Cleitinho no Republicanos, ocorreu um dia após a filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSB. A expectativa é que Pacheco dispute o governo mineiro a pedido de Lula. Para isso, teve de deixar o PSD, que apoia a candidatura do governador Mateus Simões.


ESTRADA. Falcão foi reeleito prefeito em 2024 com 85% dos votos. Era filiado ao Novo, partido do ex-governador Romeu Zema. O mais cotado para vice de Cleitinho tem capilaridade no Estado, já que era presidente da Associação Mineira de Municípios.


DECISÃO. O ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça, reduziu para 10 meses e 25 dias a pena do ex-prefeito de Sousa (PB) Fábio Tyrone, condenado por agredir a então namorada, Myriam Gadelha, em 2018. O político confessou a agressão e teve a pena fixada anteriormente em 1 ano e 4 meses de prisão.


ARGUMENTO. Na decisão que atendeu o pré-candidato a deputado federal pelo PSB, o ministro do STJ alegou “constrangimento ilegal” ao réu por “elevação desproporcional da pena”. Procurados, o tribunal e o ex-prefeito não responderam.


PRONTO, FALEI!


Maria Elizabeth Rocha

1ª mulher presidente do STM


“É difícil, eu sofro sim discriminações, eu sofro sim segregações, como todas as mulheres que alcançam postos de poder. Não se iluda. Mas não vou me vitimizar.”


CLICK


Julio Ramos

Diretor da Abiec


Participou de reunião da FAO, da ONU, na Indonésia. A Associação de Indústrias Exportadoras de Carne é a primeira organização brasileira a integrar a FAO.


(Roseann Kennedy, com Eduardo Barretto e Leticia Fernandes)


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Fraude na Malásia e Brasil

 *Fraude bilionária do governo da Malásia vira disputa na Justiça brasileira*


01/04/2026 14h59


Uma fraude bilionária na Malásia, que provocou o maior escândalo político recente do país, virou alvo de disputa na Justiça brasileira, com trocas de acusações entre o banco BTG Pactual e uma empresa de consultoria.


O caso tem origem no escândalo do 1MDB, fundo do governo malaio lesado em US$ 4,5 bilhões entre 2009 e 2015 por investimentos fraudulentos. A investigação levou à prisão de Najib Razak, ex-primeiro-ministro malaio.


Razak foi condenado por corrupção, acusado de ter recebido 647 milhões de euros em suas contas, recursos desviados do fundo do governo.


Em janeiro, a Justiça mandou o BTG abrir os documentos que tem sobre o caso para os executivos da Kroll, consultoria que representa as empresas que estão tentando recuperar os ativos desviados no esquema.


Procurado, o BTG Pactual não se pronunciou sobre o assunto.


Parte dos desvios foram operacionalizados pelo banco suíço BSI (Banca della Svizzera Italiana), que tinha a custódia de contas de uma subsidiária do 1MDB nas Ilhas Virgens Britânicas, chamada Brazen Sky.


A Brazen Sky é uma das ramificações em offshores e paraísos fiscais que possibilitaram os desvios do 1MDB, segundo indica a investigação na Malásia.


*Banco comprado pelo BTG*


O desdobramento no Brasil acontece agora porque, em 2014, o BTG Pactual comprou o banco suíço BSI por cerca de 1,5 bilhão de francos suíços.


Dois anos depois, em meio ao escândalo, a instituição financeira foi vendida do para o EFG International por 1,33 bilhão de francos suíços. Nessa operação, o BTG também se tornou acionista minoritário do EFG.


No contrato de venda do BSI, havia uma previsão de que o BTG indenizaria o comprador por passivos ligados ao escândalo 1MDB.


Por conta da investigação malaia, o BTG pagou ao EFG uma reversão de lucros de R$ 340 milhões e uma multa de R$ 33 milhões, segundo a revista Exame.


*Pedido de documentos*


Os executivos da Kroll que tentam reaver os recursos dos cofres públicos malaios pediram no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) que o BTG enviasse todos os documentos e informações que tem sobre a atuação do BSI no período em que foi dono do banco.


O BTG, porém, diz que a legislação brasileira não embasa esse tipo de pedido, já que a Brazen Sky nunca teve ativos, passivos, estabelecimento ou credores no Brasil, e que o reconhecimento da liquidação é descabido sem esse vínculo.


Segundo o banco, os precedentes citados pela representante da empresa das Ilhas Virgens são de casos em que o devedor tinha bens no país.


O BTG acusa as requerentes de quererem uma devassa indiscriminada nos seus documentos sem demonstrar relação jurídica direta, o que configuraria "pescaria probatória" (fishing expedition), e não pedido legítimo de cooperação.


Em janeiro, porém, um juiz do TJ-SP aceitou o pedido da Brazen e determinou que BTG entregasse os documentos em 10 dias, incluindo informações sobre cláusulas de indenização relativas ao 1MDB.


Em 23 de março, o BTG questionou essa obrigação e pediu que a decisão seja reconsiderada. Ainda não há uma manifestação definitiva do Judiciário sobre o caso.


Em suas últimas manifestações, os executivos da Kroll argumentaram que a lei brasileira não exige ativos no Brasil para o reconhecimento de processo estrangeiro e acusaram o BTG de descumprir decisão judicial.


A lei brasileira diz que, após o reconhecimento de um processo estrangeiro principal, somente se iniciará no Brasil um processo de recuperação judicial, de recuperação extrajudicial ou de falência se o devedor possuir bens ou estabelecimento no país.


A controvérsia está na interpretação desse texto. A Kroll pediu apenas o reconhecimento do processo, e, para isso, diz que não é necessário haver bens ou estabelecimento.


Para a liquidante da Brazen Sky, a existência da cláusula para compensar as perdas do BTG Pactual é uma demonstração de que o banco sabia das contingências relacionadas às fraudes em 2016.


Em outubro, o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) se manifestou a favor da posição da Brazen Sky e defendeu que os documentos sejam fornecidos.


Reportagem



Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.


https://noticias.uol.com.br/colunas/natalia-portinari/2026/04/01/fraude-bilionaria-do-governo-da-malasia-vira-disputa-na-justica-brasileira.htm

Mercado de energia

 *Autoridades do setor elétrico questionam ocorrência de crise de liquidez no mercado*


Por Luciana Collet


São Paulo, 02/04/2026 - Profissionais que atuam no mercado livre de energia, especialmente no segmento de comercialização, têm alertado sobre a redução da liquidez das operações de compra e venda de energia. A situação, multifatorial, envolve preços futuros de energia cada vez mais altos, a estratégia de grandes geradoras com energia descontratada, necessidade de ajustes do balanço energético de produtoras eólicas e solares em função dos cortes demandados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e maior aversão a risco - inclusive risco de crédito de contraparte.


A situação tem levado algumas empresas, principalmente entre aquelas chamadas independentes (que não estão ligadas a grandes grupos de energia), a enfrentar dificuldades para cumprir contratos, o que acarretou em pedidos de renegociações.


Autoridades setoriais admitem a possibilidade de fiscalizar potenciais excessos de alguns agentes, como um abuso de poder econômico de grandes geradoras com volume expressivo de energia descontratada e que estariam "segurando lastro", como denunciam alguns profissionais. No entanto, a visão inicial é de que não está claro que efetivamente exista uma crise de liquidez.


"Se há essa percepção, é muito justo que a gente olhe para o cenário e tente investigar, achar soluções", disse o diretor de Segurança de Mercado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Eduardo Rossi, admitindo, porém, não ter certeza sobre a efetiva existência de tal crise.


Durante evento realizado nesta sexta-feira, em São Paulo, ele defendeu a necessidade de trilhar um caminho de avaliação que passaria, antes de tudo, por definir os indicadores e parâmetros que caracterizam uma crise de liquidez no mercado de energia e entender os impactos para o sistema elétrico e para o consumidor, em especial caso ela leve a uma quebra de diversas empresas.


"É esse caminho que a gente tem que endereçar para conseguir fazer essa discussão evoluir", disse, acrescentando, ainda, a necessidade de propor soluções que permitam a criação de um ecossistema com maior liquidez.


Presente no mesmo evento, o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Gentil Nogueira, também disse não ter visto, até o momento, elementos técnicos suficientes que demonstrem que haja uma crise de liquidez no mercado. Ele questionou o argumento de alguns agentes de que empresas estaria segurando lastro de energia com objetivo de impulsionar os preços artificialmente, o que estaria gerando a crise.


"O fato de alguém segurar o seu lastro está aumentando o preço? O preço é calculado por modelo [computacional]", argumentou.


Ele se referiu ao preço de liquidação das diferença (PLD), utilizado para liquidar sobras e déficits de energia dos agentes e usado como referência nos contratos de curto prazo. Os preços nas negociações bilaterais no mercado livre costumam incluir um spread sobre o PLD, mas a avaliação é que os atuais patamares desse indicador podem estar inibindo o fechamento de operações, tendo em vista interesses conflitantes entre compradores, que consideram muito elevados para os padrões históricos, e geradores, que podem optar por liquidar mensalmente ao PLD.


"Me falta ainda algum grau de caracterização de forma mais objetiva e não só a narrativa construída sobre essa crise de liquidez", disse. "Eu não estou dizendo se isso existe ou não existe, só estou falando que eu não consigo ainda identificar", acrescentou.


O diretor de Plataforma de Energia, Regulação e Institucional da Serena, Bernardo Bezerra, argumentou, porém, que, quando um gerador segura sua oferta de energia, isso afeta as expectativas de preços para daqui seis meses a um ano. "Toda a questão é que, como a gente está no mercado de contratos, e os agentes tem obrigação de contratar e se antecipam para fechar esses contratos antes do momento de liquidação, isso pode gerar uma crise de falta de lastro", disse.


Para a diretora de Regulatório e Planejamento Estratégico da Auren Energia, Priscila Lino, o lastro disponível pode não ser tão grande quanto o mercado estimava. Ela citou questões que passaram a ser consideradas pelas geradoras, ao calcular sua energia disponível, como a necessidade de gerenciar risco hidrológico (GSF, no jargão setorial) para ativos focados no mercado livre; a criação de um hedge para os cortes de geração renovável (curtailment), além das incertezas relacionadas ao crescimento da geração distribuída e comportamento do mercado com a liberalização do ambiente de comercialização livre para a baixa tensão.


"Tem um balanço de lastro com variáveis que, de fato, tiram papel do mercado, e talvez esse excedente de energia que a gente imagine que tenha, ele na prática, no mundo contratual, talvez não seja tanto assim, e veio mais uma percepção de prêmio por uma liquidez que é faltante no mercado", disse.


Sem uma visão muito clara sobre o que pode ser apenas uma "narrativa" e o que efetivamente pode ser abuso de poder econômico, a Aneel já solicitou aos agentes do setor que encaminhem à Aneel eventuais informações que posam servir como indicação de comportamento desleal.


Segundo o diretor-geral do órgão regulador, Sandoval Feitosa, a agência vai verificar eventual ocorrência de "movimento de concentração, de abuso de poder econômico ou algo do gênero" e citou convênios existentes com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como alguns dos instrumentos existentes para verificar essas situações.


Contato: Luciana.collet@Estadão.com


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Mercado livre e IA

 *Mercado Livre se torna cotista de fundo de venture capital focado em Inteligência Artificial*


Por Aramis Merki II


São Paulo, 02/04/2026 - O Mercado Livre anunciou a entrada como cotista em um fundo de venture capital focado em inteligência artificial (IA) da Gradient, gestora sediada no Vale do Sílicio, nos Estados Unidos. A tese de investimentos é focada em empresas em estágio inicial e com ferramentas de IA aplicada a negócios (B2B).


O fundo levantou no total US$ 220 milhões, com demanda superior à oferta. Em nota, o Mercado Livre aponta que passa a ter acesso antecipado ao ecossistema global de startups em estágio pré-seed e seed. "Esse posicionamento estratégico permite à empresa identificar tecnologias emergentes desde o início e integrá-las ao seu ecossistema em escala", indica a empresa.


Darian Shirazi, sócio-gerente da Gradient, considera que a América Latina é uma as principais regiões para a adoção de novas ferramentas e produtos de IA. "Assim como os pagamentos, mensagens e aplicativos de transporte conquistaram a região há uma década, está claro agora que a IA segue uma trajetória semelhante."


Contato: merki@broadcast.com.br


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Master e as negociatas

 *Investigadores rastreiam transações no exterior de fundos ligados a Vorcaro durante negociações entre Master e BRB*


Apuração está concentrada em inquérito sobre possível gestão fraudulenta na instituição controlada pelo governo do DF


Investigadores à frente do caso do Banco Master estão rastreando transações no exterior da teia de fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro durante a tentativa de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB). A apuração mira o fluxo de recursos em paraísos fiscais e outras regiões com regras menos rígidas para operações financeiras.


Um dos destinos mapeados é Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Essa frente de investigação foi concentrada no inquérito aberto em fevereiro, que apura suspeitas de gestão fraudulenta no BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal que apresentou proposta para aquisição do Master em março de 2025. O negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro do ano passado. Dois meses depois, a instituição foi liquidada, e Vorcaro foi preso pela primeira vez.


O banqueiro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) e já assinou um acordo de confidencialidade com as autoridades. Como mostrou O GLOBO, a expectativa dos investigadores é que ele apresente os anexos da delação em até duas semanas. Caso as tratativas avancem, pessoas que acompanham o caso de perto afirmam que o banqueiro precisará dar detalhes das operações fora do país.


Antes de iniciar o processo de colaboração, Vorcaro vinha negando irregularidades e afirmando que estava à disposição da Justiça. Procurado para comentar, ele não se manifestou.


https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/02/investigadores-rastreiam-transacoes-no-exterior-de-fundos-ligados-a-vorcaro-durante-negociacoes-entre-master-e-brb.ghtml?utm_source=aplicativoOGlobo&utm_medium=aplicativo&utm_campaign=compartilhar

Vinicius Torres Freire

 *Na aflição com pesquisas, juros e combustíveis, Lula começa a pensar em tiros no pé* Até ultraliberal alucinado Milei manda tabelar preço ...