terça-feira, 14 de julho de 2026

Riscos, riscos, riscos...

 




A gestão de riscos evoluiu de uma visão focada em eventos isolados para uma abordagem integrada, capaz de compreender como diferentes riscos se conectam e podem comprometer simultaneamente a estratégia, os resultados financeiros, a continuidade das operações e a reputação de uma empresa.


Para lhe ajudar nisto este infográfico foi desenvolvido justamente para oferecer essa visão sistêmica, reunindo os 12 principais tipos de riscos corporativos, que atualmente fazem parte da agenda dos conselhos de administração, comitês de riscos, auditoria interna, compliance e alta administração.

Cada linha da tabela apresenta quatro dimensões fundamentais para uma gestão de riscos eficaz, em que a primeira identifica o tipo de risco, permitindo estruturar um inventário abrangente de exposições.

Em seguida são apresentados os principais fatores geradores, ou seja as causas que normalmente aumentam a probabilidade de materialização daquele risco.

A terceira coluna reúne os sinais precoces, que funcionam como indicadores de alerta antecipado, permitindo que a empresa atue antes que o problema se transforme em perdas financeiras, interrupções operacionais, sanções regulatórias ou danos reputacionais.

Depois demonstra quais objetivos devem orientar as ações de mitigação, fortalecendo a capacidade de prevenção, adaptação e resiliência.

Mais do que uma simples classificação, este material pode servir como um guia para inúmeras aplicações práticas, que poderá ser útil na elaboração e revisão do Mapa de Riscos Corporativos, na construção do Risk Appetite Statement (RAS), na definição de Indicadores-Chave de Risco (KRIs), em workshops de identificação de riscos, avaliações de materialidade, planejamento estratégico, programas de compliance, auditorias baseadas em riscos, testes de continuidade de negócios, avaliações de fornecedores, governança de inteligência artificial, cibersegurança, riscos climáticos, riscos geopolíticos e processos de due diligence.

Também representa uma excelente ferramenta para treinamentos, nivelamento de conhecimento entre executivos, apoio às discussões em conselhos e comitês e desenvolvimento da cultura de riscos em todos níveis da empresa.

Pois ao visualizar em uma única estrutura, os fatores de risco, seus sinais antecipados e as respostas esperadas, torna-se mais fácil transformar riscos em informações gerenciais capazes de apoiar decisões mais rápidas, melhor alocação de recursos, maior resiliência operacional e geração sustentável de valor.

Em um ambiente caracterizado por elevada incerteza, transformação digital acelerada, mudanças regulatórias, riscos cibernéticos, inteligência artificial, mudanças climáticas e crescente interdependência entre mercados, compreender a natureza desses riscos deixou de ser uma atividade exclusivamente técnica.

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BDM Matinal Riscala

 Terça-feira, 14 de julho de 2026


SUPERTERÇA VEM COM CPI, WARSH, BALANÇOS E GUERRA

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


... Enquanto a guerra se limitava às ameaças, o mercado apostava que a diplomacia acabaria prevalecendo. A sucessão de ações militares concretas desta segunda-feira, porém, mudou essa percepção, recolocou um prêmio relevante de risco sobre o petróleo e devolveu a inflação ao centro das atenções. Com o Brent novamente acima de

US$ 80, investidores chegam hoje ao CPI americano e ao primeiro depoimento de Kevin Warsh ao Congresso tentando medir até que ponto o novo choque de energia pode alterar as expectativas para os juros do Fed.

Antes da abertura de Wall Street, JPMorgan, BofA, Goldman Sachs, Citigroup e Wells Fargo dão início à temporada de balanços.

A DISPUTA POR ORMUZ - Mais do que uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã, o mercado passou a enxergar uma disputa aberta pelo controle da principal rota marítima de exportação de petróleo do mundo, responsável por cerca de um quinto da oferta global da commodity.

... A mudança começou logo pela manhã, quando Donald Trump afirmou que os Estados Unidos assumiriam o controle da segurança de Ormuz e seriam remunerados por isso, com a cobrança de uma taxa de 20% sobre as cargas transportadas pela hidrovia.

... A resposta iraniana foi imediata. Teerã rejeitou qualquer interferência americana, afirmou que sempre foi o "guardião" do estreito e avisou que responderá militarmente a qualquer tentativa de impedir sua atuação na região.

... Ao longo do dia, o embate deixou de se limitar às declarações.

... Washington oficializou um bloqueio naval aos portos iranianos, com início previsto para esta terça-feira, enquanto ataques envolvendo Iêmen, Arábia Saudita e novas explosões em Bandar Abbas reforçaram a percepção de que o conflito entrou em uma fase mais delicada.

... Até então, investidores trabalhavam com a avaliação de que, apesar do tom agressivo das declarações, a diplomacia acabaria prevalecendo e impediria uma interrupção

relevante da oferta de petróleo.

... A oficialização do bloqueio

americano e a ampliação das operações militares

mudaram essa percepção.

... Sem saber como Teerã responderá à nova ofensiva e até onde a disputa poderá avançar, o mercado voltou a incorporar um prêmio relevante de risco geopolítico aos preços da energia. O resultado foi uma forte reprecificação

dos ativos globais.

... O Brent disparou quase 10%, voltou a superar

os US$ 80 por barril e registrou a maior alta diária desde maio de 2020. Juros dos Treasuries e contratos futuros acompanharam o movimento, enquanto bolsas recuaram e o dólar voltou a ganhar força

(leia mais abaixo).

... Mais do que a alta da commodity em si, o

que passou a preocupar os investidores foi a possibilidade de um novo

choque de petróleo interromper o processo de desinflação

e alterar novamente as expectativas para a política monetária dos principais bancos centrais.

... No eletrônico, em meio à nova troca de ataques entre Estados Unidos e o Irã, o petróleo ampliava os ganhos, com o Brent acima de US$ 85, depois de ter fechado o pregão regular a US$ 83,30 na Ice, em alta de 9,59%, enquanto o WTI subiu 9,42%, a US$ 78,14 na Nymex.

DISCURSO À NAÇÃO

- Em meio à retomada dos ataques contra o Irã, à

oficialização do bloqueio naval americano e à disparada

do petróleo, o presidente Donald Trump anunciou que fará um pronunciamento amanhã, quinta-feira, às 22h (de Brasília).

... Embora a Casa Branca não tenha informado

o tema, a expectativa é por qualquer sinal sobre os próximos passos no Oriente Médio.

CPI NO RETROVISOR? - A

divulgação do CPI de junho dos Estados Unidos, hoje, às

9h30 (de Brasília), ganhou um contexto completamente diferente depois da disparada do petróleo provocada pela piora das tensões no Oriente Médio.

... A expectativa é de queda de 0,1% no índice cheio, refletindo principalmente o recuo dos combustíveis

ao longo do mês passado, quando Teerã e Washington chegaram ao acordo provisório. Para o núcleo, a projeção é de que repetirá a alta de 0,2%.

... Em circunstâncias normais, o resultado

reforçaria a percepção de que a inflação

americana continua desacelerando, mas as coisas mudaram.

... O mercado tentará medir até

que ponto um dado construído em um ambiente de energia mais barata

ainda é suficiente para orientar as expectativas sobre a política

monetária, diante de um Brent novamente acima dos US$ 80 por

barril.

... Mais do que o número que será

conhecido hoje, investidores tentarão avaliar se a nova escalada

do petróleo poderá interromper o processo de desinflação

nos próximos meses e obrigar o Federal Reserve a manter uma postura

mais cautelosa.

... O movimento começou a aparecer ainda

ontem. Segundo o CME Group, aumentaram as apostas de alta dos juros

tanto para julho quanto para setembro, refletindo a preocupação

de que um choque mais persistente nos preços da energia complique

o trabalho do Fed.

E AINDA TEM WARSH - É

nesse contexto que o presidente do Fed, Kevin Warsh, faz seu primeiro

depoimento sobre política monetária à Comissão

de Serviços Financeiros da Câmara, hoje, a partir das 11h

(de Brasília), e amanhã, no Senado.

... A agenda ganha importância adicional

com a nova tensão na guerra, embora ninguém esteja esperando

uma sinalização explícita sobre o que o Fed pretende

fazer, conforme reforçou Christopher Waller, em comentário

nesta segunda-feira.

... O diretor afirmou que "não é

o momento de recorrer ao forward guidance", como Warsh insistiu

na coletiva do último Fomc, defendendo uma nova modalidade de

comunicação do Federal Reserve. As decisões devem

continuar sendo guiadas pelos dados.

... Mas Waller acabou ajudando a pressionar os

rendimentos dos Treasuries, ao alertar que um núcleo de inflação

acima do esperado hoje poderá exigir uma nova alta dos juros.

Por outro lado, um resultado positivo do CPI tenderá a ser relativizado

pelo ambiente geopolítico.

NO BRASIL - A nova disparada

do petróleo ainda não foi suficiente para mudar a estratégia

do governo para os combustíveis.

... Apesar da escalada das tensões no

Oriente Médio e do Brent novamente acima dos US$ 80 por barril,

a equipe econômica avalia que os efeitos permanecem administráveis

e, por enquanto, não vê necessidade de retomar a subvenção

de R$ 0,35 por litro ao diesel.

... Segundo fontes ouvidas pela Broadcast,

a avaliação é que a subvenção de

R$ 1,12 por litro ainda em vigor oferece proteção suficiente

para absorver parte da pressão sobre os preços.

... A possível retirada dos subsídios

da gasolina, porém, deve continuar adiada enquanto persistir

a elevada volatilidade provocada pela guerra.

... O governo também descartou, por ora,

ressuscitar o projeto que previa compensar uma eventual redução

de impostos sobre combustíveis com a arrecadação

extra proporcionada pela alta do petróleo.

... Nos cálculos da equipe econômica,

um novo sinal de alerta só seria acionado se o Brent pular para

a casa dos US$ 90. Até lá, a avaliação é

de que os instrumentos atualmente disponíveis são suficientes

para administrar os impactos da guerra sobre os preços domésticos.

TARIFAÇO - A dois

dias da conclusão da investigação comercial do

USTR, o governo continua tentando uma última rodada de negociações

com a Casa Branca, mas já admite, nos bastidores, que a reversão

completa da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros é

improvável.

... A estratégia passou a ser ampliar

a lista de exceções, preservando setores considerados

estratégicos para os próprios Estados Unidos.

... Empresários que participaram da audiência

do USTR também classificam a aplicação da tarifa

como praticamente inevitável, mas ainda veem espaço para

ampliar a relação de produtos isentos, como ocorreu na

recomendação preliminar divulgada em junho.

... Na visão dos interlocutores do setor

privado, a decisão final será essencialmente política

e dependerá do presidente Donald Trump.

... Apesar desse cenário, Lula afirmou

ontem que "não vai ter tarifaço", em declaração

que contrasta com a avaliação reservada de integrantes

do próprio governo, que trabalham com a expectativa de uma sobretaxa,

concentrando esforços em reduzir seus impactos com exceções.

... O presidente também criticou a decisão

de Trump de cobrar uma taxa de 20% sobre a passagem pelo Estreito de

Ormuz, classificando a medida como "pirataria" e alertou

que a alta do petróleo já começa a pressionar os

preços dos alimentos no Brasil.

... O relatório final do USTR será

divulgado amanhã, quarta-feira (15).

CURTAS DA POLÍTICA -

O governo trabalha para evitar uma paralisação de caminhoneiros

às vésperas do vencimento da MP do Frete, prevista para

quinta-feira, enquanto a AGU busca alternativas para impedir uma greve

nacional.

... O líder do governo no Congresso, Randolfe

Rodrigues, afirmou que há um acordo avançado com a oposição

para votar a proposta já hoje no Senado, o que, segundo ele,

retiraria a justificativa para uma mobilização da categoria.

DÍVIDAS RURAIS. O líder do governo

na Câmara, Paulo Pimenta, afirmou que a MP para renegociação

das dívidas de produtores rurais deve ser publicada até

amanhã. A Frente Parlamentar da Agropecuária ainda pressiona

por juros menores e ampliação dos limites dos prazos.

CONCORRÊNCIA DIGITAL. O governo pretende

intensificar as articulações para tentar aprovar ainda

nesta semana, antes do recesso parlamentar, o projeto que cria um marco

regulatório para a concorrência nos mercados digitais.


... A equipe econômica considera o texto

"maduro" para votação na Câmara, mas

ainda enfrenta resistência das big techs.

CONFIANÇA DA INDÚSTRIA. A confiança

dos empresários da indústria caiu em julho para o menor

nível em cinco anos, segundo a CNI. O índice recuou para

44,4 pontos, completando 19 meses abaixo da linha dos 50 pontos, que

separa confiança de pessimismo.

... A entidade atribui a piora das expectativas

à guerra no Oriente Médio e à possibilidade de

novas tarifas dos Estados Unidos.

PESQUISA. A Futura/Apex divulga hoje, às

8h, nova pesquisa sobre a disputa presidencial de 2026. O levantamento

será acompanhado pelo mercado, em meio ao aumento da sensibilidade

dos ativos às perspectivas para a sucessão de Lula e à

aproximação das eleições.

MAIS AGENDA - Depois de

uma manhã dominada pelo CPI americano e pelo primeiro depoimento

de Kevin Warsh ao Congresso, o restante da agenda perde força,

mas ainda reserva alguns eventos importantes para os mercados.

... Aqui, o IBGE divulga o Levantamento Sistemático

da Produção Agrícola (LSPA) de junho (9h), o Tesouro

realiza leilão de NTN-B e LFT (11h) e o Banco Central faz leilão

de US$ 2,5 bilhões em swap cambial (11h30) para rolagem.

... Nos Estados Unidos, quatro dirigentes do

Fed têm falas previstas: Michael Barr (13h40), Austan Goolsbee

(14h), Lisa Cook (14h30) e Michelle Bowman (15h55), com atenção

para eventuais comentários sobre inflação e política

monetária após o CPI.

CHINA HOJE - As exportações

tiveram alta anualizada de 27% em junho. O resultado superou com folga

a expectativa de 17,5%. As importações avançaram

36% e também vieram melhores que o consenso de 24,7%.

... A balança acumulou superávit

comercial de US$ 125,6 bilhões, acima da projeção

de US$ 120,1 bilhões.

... No final da noite (23h), a China divulga

o PIB do segundo trimestre, além da produção industrial

e vendas no varejo de junho, indicadores que podem influenciar os mercados

na abertura de quarta-feira, especialmente minério de ferro e

commodities.

BALANÇOS - A temporada

de resultados do segundo trimestre ganha força hoje em Wall Street,

com a divulgação dos resultados de JPMorgan, Bank of America,

Goldman Sachs, Citigroup e Wells Fargo, antes da abertura dos mercados.


... Além dos números, investidores

acompanharão as projeções das instituições

para a economia americana, o crédito e a atividade, em um ambiente

marcado pela volta das preocupações com inflação

e juros.

FÔLEGO CURTO - Durou

pouco a festa despertada pelo IPCA fraco. É verdade que a nova

explosão do petróleo não elimina desde já

as chances de a Selic cair em agosto. Mas o mercado volta a reprecificar

os riscos da inflação.

... Também o tom agressivo assumido por

Christopher Waller, considerado um dos diretores mais influentes do

Fed, trouxe uma onda de pressão global ao dólar, que já

chegou aqui, onde a moeda americana voltou à faixa de R$ 5,13.


... O dólar à vista quebrou a sequência

de três quedas e encerrou o dia em alta moderada de 0,47%, a R$

5,1323.

... Em boa medida, o câmbio ainda continua

comportado. Só que a piora externa não pode ser desprezada

e será observada com atenção redobrada, em meio

à agenda forte nos Estados Unidos, com o CPI no centro das atenções.


... Como disse Waller, o Fed está com

medo de andar atrás da curva e repetir o erro cometido em 2021,

quando o BC americano demorou excessivamente para agir contra a escalada

da inflação, qualificada à época como transitória.


... A interpretação equivocada

manteve o juro por um período prolongado e gerou o pico de inflação

em décadas.

... O efeito combinado ontem do petróleo

+ Waller promoveu ajustes nas apostas da política monetária.

A chance de um aperto em setembro subiu para 72,8%, contra 57,0% há

uma semana e 28,5% um mês atrás, segundo o CME.

... Para este mês de julho, a expectativa

de juro estável ainda é a aposta principal, mas diminuiu

de 65,8% para 56,7%, enquanto a probabilidade de uma alta de 25 pontos

base avançou para 43,3%, contra 34,2% um dia antes.

... Nesta terça-feira, o CPI e o discurso

de Kevin Warsh têm potencial para continuar calibrando as expectativas.


... A percepção de juros mais altos

nos Estados Unidos puxou as taxas dos Treasuries e o dólar. O

rendimento da Note de dois anos bateu no maior patamar em quase um ano

e meio e fechou a 4,269%, de 4,205% no pregão anterior.

... No câmbio, o índice DXY avançou

0,32% com o cenário hawkish, aos 101,280 pontos. O euro caiu

0,26%, a US$ 1,1385, a libra perdeu 0,35%, a US$ 1,3354, e o iene recuou

para 162,45 por dólar, prolongando a sua fraqueza.

... O ING aponta que, para uma valorização

sustentada da moeda japonesa, os preços da energia precisam cair

e o Fed precisa não aumentar os juros. "Ambos os cenários

parecem improváveis no curto prazo", observa o banco.

COPOM AINDA TEM ESPAÇO

- Não se sabe até onde o novo choque do petróleo

pode ir, mas o sentimento predominante ainda é de que a pressão

externa não inviabiliza pelo menos mais um corte da Selic até

o final do ano.

... Foi esta a avaliação transmitida

por economistas do mercado financeiro ao diretor de Política

Econômica e de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti,

com quem estiveram reunidos na manhã de ontem, em São

Paulo.

... Segundo relatos ao Broadcast

de participantes do encontro, a redução dos riscos inflacionários

de curto prazo chancela mais uma queda de 0,25 ponto do juro em agosto.

A maioria ainda trabalha com Selic a 14% no fim do ciclo.

... Uma parcela minoritária (e otimista)

não descarta duas reduções em 2026, levando a taxa

para 13,75%, apesar do "Super El Niño", tema que

esteve presente em praticamente todas as falas do participantes da reunião

com Picchetti.

... No boletim Focus, a mediana para o IPCA deste

ano caiu pela segunda semana seguida, de 5,30% para 5,16%.

... Já o risco de desancoragem das expectativas

de inflação nos horizontes mais longos continua no radar:

a estimativa para o IPCA de 2027 subiu de 4,18% para 4,20% no relatório

Focus e, para 2028, seguiu em 3,70%.

... Embora a convicção de corte

da Selic em agosto não tenha sido abalada, os juros futuros acumularam

prêmios em toda a curva ontem, diante do recado duro de Waller

e com o petróleo escalando com a tensão no Oriente Médio.


... No fechamento, o DI para Janeiro de 2027

marcava 13,955% (de 13,904% no ajuste anterior); Jan/28, 14,040% (contra

13,856%); Jan/29, 14,230% (de 14,009%); Jan/31, 14,380% (de 14,209%);

e Jan/33, 14,410% (de 14,267%).

AMBIENTE TÓXICO -

Nem mesmo a puxada do petróleo nas ações da Petrobras

impediu que o Ibovespa sentisse a troca de agressões entre o

Irã e os Estados Unidos e devolvesse parte do rali de quase 3%

da sexta-feira do IPCA.

... O estresse externo desencadeou perda de 1,20%

para o índice à vista, aos 175.739,08 pontos, com giro

fraco, de R$ 19,5 bilhões, refletindo a escassez do capital estrangeiro,

mais interessado na promessa de juro alto pelo Fed.

... Petrobras subiu forte: ON, +3,44%, a R$ 45,71;

e PN, +2,55%, a R$ 40,66. Mas Vale caiu 1,79% (R$ 42,85) e foi bem pior

do que o minério de ferro (-0,47%). A falta de apetite pela bolsa

também atingiu os papéis do setor financeiro.

... Itaú PN perdeu 1,76% (R$ 43,52), Bradesco

PN caiu 0,48% (R$ 18,77), BB ON recuou 1,65% (R$ 20,24) e Santander

unit, -0,91% (R$ 27,37). Auren afundou 5,45% e liderou as quedas do

Ibov, após a Fitch cortar a perspectiva do rating.

... O conservadorismo de Waller e o salto do

petróleo também motivaram vendas nas bolsas de Nova York:

Nasdaq, -1,55%, a 25.873,18 pontos; S&P 500, -0,79%, a 7.515,44

pontos; e Dow Jones, -0,26%, a 52.498,64 pontos.

CIAS ABERTAS NO AFTER -

PETROBRAS informou que GQG Partners passou a deter participação

equivalente a 4,99% das ações ordinárias da companhia,

por meio de ADRs, após alienação no mercado secundário.

USIMINAS. A Fitch reafirmou os ratings BB e AA+(bra),

com perspectiva estável, citando liderança em aços

planos, liquidez robusta e expectativa de melhora da rentabilidade.

ENGIE já tem demanda superior à

oferta para o follow-on, segundo fontes do Broadcast;

operação pode movimentar até R$ 10,4 bilhões.

RENOVA ENERGIA obteve da B3 a prorrogação,

até 30 de novembro, do prazo para reenquadramento da cotação

mínima de R$ 1 por ação.

REDE D'OR e Atlântica concluíram

operação para construção de um hospital

em São Conrado, no Rio de Janeiro, mantendo participação

de 50,01% para a Rede D'Or e 49,99% para a Atlântica.

COGNA elegeu Walfrido Silvino dos Mares Guia

Neto como vice-presidente do conselho de administração,

em substituição a Nicolau Ferreira Chacur.

CYRELA registrou lançamentos de R$ 3,8

bilhões em VGV no segundo trimestre, alta de 34% na comparação

anual, enquanto as vendas líquidas cresceram 14%, para R$ 2,56

bilhões.

EZTEC lançou três empreendimentos

no segundo trimestre, com VGV potencial de R$ 773 milhões, alta

de 57,8% na comparação anual; as vendas líquidas

cresceram 18,2%, para R$ 577,6 milhões...

PDG REALTY destituiu Mauricio Tiso dos cargos

de diretor-presidente e diretor de RI e elegeu Roberto Giarelli para

ambas as funções.

FRAS-LE distribuirá R$ 69,8 milhões

em JCP, equivalentes a R$ 0,2515 por ação, com pagamento

em 24/08 aos acionistas com posição em 16/07.

T4F. O conselho de administração

aprovou parecer favorável à aceitação da

OPA a R$ 5,59 por ação. O leilão está marcado

para 20/07.

AÉREAS. A Coluna do Broadcast

informou que o IPO na bolsa de Nova York do Grupo Abra, controlador

de Gol e Avianca, deve ficar para 2027, diante do cenário de

elevada volatilidade no setor aéreo.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque -0,8% EUA tech -1,9% EUA semis -4,8% UE 0,0% Espanha -0,3% VIX 17,2% Bund 3,10% T-Note 4,61% Spread 2A-10A USA=+34pb B10A: ESP 3,56% PT 3,45% FRA 3,88% ITA 3,87% Euribor 12m 2,80% (fut.3,04%) USD 1,139 JPY 184,9 Ouro 4.032$ Brent 84,4$ WTI 79,3$ Bitcoin +0,7% (62.669$) Ether +0,8% (1.785$)


:: SESSÃO: Arrancamos com mau tom. Trump quer reinstaurar o bloqueio aos navios iranianos no Estreito de Ormuz e pretende arrecadar 20% sobre a carga transportada por esta via. O petróleo reage imediatamente (+1,9% hoje, depois de +9,6% ontem) e o Brent roça já nos 85 $. Como se não bastasse, Waller (Fed) adverte que, se a inflação subjacente não ceder, terão de subir taxas de juros. Mas pode ser que seja precisamente esta frente que hoje ajude a melhorar o sentimento. Basicamente porque hoje é publicada a inflação americana (13:30 h). A taxa geral poderá retroceder até +3,8% em junho, confirmando que, tal como temos vindo a defender, os +4,2% de maio marcaram o pico nos preços. A subjacente provavelmente seguirá o mesmo padrão e cairá até +2,8% (desde +2,9%). As nossas estimativas apontam para uma moderação gradual que irá levar o IPC a fechar o ano em +3,2% para recuperar níveis pré-Irão no fecho de 2027 (+2,4%). Por isso, continuamos a pensar que o próximo movimento da Fed será em baixa, mas já em 2027. O que nos leva ao segundo evento do dia, a comparência de Kevin Warsh perante a Câmara de Representantes (15 h). Embora o mais lógico é que não ofereça demasiados detalhes. Primeiro, pela sua recente chegada à Fed. Irá tentar desvincular-se, na medida do possível, de decisões anteriores. E, segundo, porque seria uma mudança sem lógica depois de ter reduzido ao mínimo as comunicações do banco central. 


Em micro, a campanha de resultados ganha tração. Publicam os grandes bancos americanos con resultados sólidos. Destacam: Goldman Sachs (antes da abertura; 14,45 $; +32,4%); Bank of America (11:45 h; 1,13 $; +26,7%); Wells Fargo (12:00 h; 1,71 $; +6,9%); JP Morgan (12:00 h; 5,72 $; +15,3%) e Citi (13:00 h; 2,74 $; +28,9%). Voltará a ser evidente que os lucros empresariais continuarão a ser o principal apoio para as bolsas nos próximos meses. Como referência, o EPS esperado para a bolsa americana no 2T 2026 é de +24% e quase +40% no caso da tecnologia.


:: CONCLUSÃO: Arrancaremos com quedas que irão moderar-se ao longo da sessão. Se a inflação não dececionar, Warsh seguir o padrão previsível e os bancos cumprirem expetativas, Nova Iorque poderá acabar com saldo positivo. Desde que a geoestratégia o permita. Embora continuemos a insistir que uma correção no verão seria um cenário prudente. Daria oportunidade de assumir posições a melhores preços.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Call Matinal 1307

 Call Matinal

13/07/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (1007)

MERCADOS

Na sexta-feira (10), o Ibovespa fechou na máxima de 177.866,37 pontos, com ganho de 2,97%. Volume negociado chegou a R$ 25,2 bilhões. Na semana, índice acumulou ganho de 2,18%. Isso se explicou pelo “baixo posicionamento técnico de investidores em ações cíclicas domésticas”. Já o dólar comercial fechou em baixa de 0,31%, a R$ 5,1078. Na semana, baixa foi de 1,17%.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os mercados terão uma semana decisiva, marcada pela combinação entre dados de inflação nos EUA, indicadores de atividade na China e no Brasil (PMC e PMS do IBGE), início da temporada de balanços dos bancos americanos, vencimentos de derivativos na B3 e acompanhamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,01%

S&P 500 Futuro: -0,34%

Nasdaq Futuro: -1,13%

Os índices futuros de NY operam em queda nesta segunda-feira (13), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, a pressionar os preços do petróleo. Mercado aguarda o CPI de junho nos EUA e o depoimento do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, ao Congresso. Na semana passada: Dow Jones: -0,50%; S&P 500: +1,23%; e Nasdaq: +1,75%

Ásia-Pacífico

 

 

 

S&P/ASX    +0,03%   8.808,50

Nikkei     -1,76%  67.350,00

KOSPI      -8,95%   6.806,93

Shanghai   -2,06%   3.913,79

Hang Seng  +0,10%  24.199,50

Mercado asiático em queda forte. PIB, produção industrial, vendas no varejo e balança comercial serão divulgados nesta semana e indicarão se a economia chinesa continua desacelerando.

Europa

 

 

 

DAX        -0,20%  25.036,50

FTSE 100   +0,23%  10.521,50

CAC 40     -0,13%   8.328,08

IBEX 35    -0,36%  19.314,78

EuroStoxx50-0,24%   6.254,90

A economia europeia continua enfrentando crescimento fraco, enquanto permanece vulnerável aos efeitos da guerra e do aumento dos custos de energia.

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, +2,91%, a US$ 73,49 o barril

Petróleo Brent, +3,04%, a US$ 78,35 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,47%, a 744,50 iuanes (US$ 109,86)

Bitcoin, -1,89%, a US$ 62.943,40

Mercado segue acompanhando de perto os desdobramentos das tensões no Oriente Médio, principal fator de risco para os preços da commodity. O Brent voltou a negociar próximo de US$ 80 por barril. Mercado monitora possíveis interrupções no comércio de petróleo.

 

Dia 1307

Os mercados terão uma semana decisiva, marcada pela combinação entre dados de inflação nos EUA, indicadores de atividade na China e no Brasil (PMS e PMC do IBGE), início da temporada de balanços dos bancos americanos, vencimentos de derivativos na B3 e acompanhamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

 

Agenda

Segunda-feira, 13/07

Brasil: Boletim Focus (Banco Central).

EUA: Dados de Orçamento Federal, previsto para segunda-feira às 15h

Agenda da semana

 *AGENDA DA SEMANA | INFLAÇÃO NOS EUA, PIB DA CHINA, BALANÇOS NOS EUA E IBC-BR NO RADAR*


*Elaboração: Francisco Henrique Alves*


🌎 Mercados iniciam a semana atentos aos principais indicadores econômicos globais, com destaque para a inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) nos Estados Unidos, a divulgação do PIB da China, o início da temporada de balanços do segundo trimestre nos EUA e importantes dados de atividade econômica no Brasil. O petróleo segue no centro das atenções em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, enquanto a B3 terá uma semana marcada pelo vencimento de derivativos.


*🇧🇷 Brasil*


• Segunda-feira (13): Boletim Focus (Banco Central).

• Quarta-feira (15): Pesquisa Mensal de Serviços (IBGE).

• Quinta-feira (16): Vendas no Varejo (IBGE).

• Sexta-feira (17): IGP-10 (FGV) e IBC-Br (Banco Central), considerado uma prévia do PIB brasileiro.

• Na B3, destaque para o vencimento de opções sobre o Ibovespa (15) e opções sobre ações (17).


*🌏 Ásia*


• Índia: Inflação ao consumidor (CPI) de junho, na segunda-feira.

• China (terça-feira): PIB do 2º trimestre, produção industrial, vendas no varejo, taxa de desemprego, investimentos em ativos fixos e balança comercial.

• Japão: Produção industrial na terça-feira.


*🇪🇺 Europa*


• Quarta-feira: Produção industrial da Zona do Euro e inflação (CPI) da Espanha.

• Quinta-feira: Reino Unido divulga PIB, balança comercial, produção industrial e atividade do setor de serviços.

• Sexta-feira: Inflação ao consumidor (CPI) da Zona do Euro.


*🇺🇸 Estados Unidos*


A inflação será o principal foco dos investidores.


• Terça-feira: CPI (Índice de Preços ao Consumidor).

• Quarta-feira: PPI (Índice de Preços ao Produtor) e divulgação do Livro Bege do Federal Reserve.

• Quinta-feira: Vendas no varejo e pedidos semanais de auxílio-desemprego.

• Sexta-feira: Produção industrial, expectativas de inflação (1 e 5 anos) e índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan.


Também começa a temporada de balanços do segundo trimestre, tradicionalmente aberta pelos grandes bancos americanos.


*🛢️ Petróleo*


O mercado segue acompanhando de perto os desdobramentos das tensões no Oriente Médio, principal fator de risco para os preços da commodity.


*Na semana:*


• WTI: +3,82%

• Brent: +5,54%


📈 Mercados


*Brasil*


• Ibovespa: +2,18% na semana.

• Dólar comercial: -1,17%.


*Estados Unidos*


• Dow Jones: -0,50%

• S&P 500: +1,23%

• Nasdaq: +1,75%


Ouro (Comex)


• Contrato de agosto: -0,30% na semana.


*💻 Tecnologia & IA*


Apesar da agenda econômica mais esvaziada para o setor, o mercado continua acompanhando os reflexos das recentes estreias e ofertas de ações.


• A entrada da SpaceX no Nasdaq ficou abaixo das expectativas, com queda acumulada de 9,43% desde sua inclusão no índice.

• A SK Hynix protagonizou a maior abertura de capital de uma companhia estrangeira na história da bolsa americana, levantando US$ 26,5 bilhões, com valorização de 12,76% no primeiro pregão.


*💰 Fluxo Investidor – B3*


Investidores estrangeiros


• Retirada de R$ 607,6 milhões em 08/07.

• Julho: -R$ 421,0 milhões.

• Acumulado de 2026: +R$ 33,3 bilhões.


*Investidores institucionais*


• Entrada de R$ 172,5 milhões em 08/07.

• Julho: -R$ 1,43 bilhão.

• Acumulado do ano: -R$ 33,2 bilhões.


*🎯 Resumo da semana*


Os mercados terão uma semana decisiva, marcada pela combinação entre dados de inflação nos Estados Unidos, indicadores de atividade na China e no Brasil, início da temporada de balanços dos bancos americanos, vencimentos de derivativos na B3 e acompanhamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esses eventos devem ditar o comportamento dos ativos e da volatilidade ao longo dos próximos dias.


▶️ Acompanhem o Pré-Market, às 8h00, na BM&C News.


Boa semana e bons negócios!

Intervenções do BCB no mercado cambial

 *Leitura de Sábado: Intervenções do BC em câmbio durante maio e junho surpreendem mercado*


Por Antonio Perez


São Paulo, 06/07/2026 - A estratégia do Banco Central de aproveitar o fluxo cambial positivo no primeiro trimestre para reduzir o estoque de contratos de swap cambial tradicional e deixar de rolar linhas (venda de dólares com compromisso de recompra) foi executada por meio de intervenções que surpreenderam analistas e provocaram ruídos no mercado de câmbio.


O episódio que causou mais desconforto foi a oferta de 10 mil contratos de swap cambial reverso (US$ 500 milhões) realizada em 6 de maio. Na prática, o BC executou uma compra de dólar futuro, o que tende a jogar a taxa de câmbio para cima. A operação representou a primeira venda de swap cambial reverso de forma isolada - ou "seca", no jargão do mercado - desde novembro de 2016.


Nos dias anteriores ao anúncio da intervenção, o dólar emendava o terceiro pregão abaixo de R$ 5,00 e se aproximava de R$ 4,90 - o que levou parte dos analistas a cogitar a possibilidade de que a autarquia estivesse tentando moderar o ritmo de apreciação do real, àquela altura a moeda de melhor desempenho no mercado global de câmbio. Como foi aceita apenas uma proposta, outra hipótese foi de que a operação havia sido direcionada a um "player" específico.


Para a head de câmbio da Tesouraria do Santander, Roberta Guimarães, o BC apenas aproveitou o momento favorável para o real, em meio à alta do petróleo com o conflito no Oriente Médio, para dar sequência à estratégia de reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais.


"Aproveitaram que o dólar estava rodando abaixo de R$ 5,00 para fazer essa operação 'seca' de swap reverso. Foi uma atuação que fez certo barulho e gerou um pouco de desconforto, mas não teve nenhuma pressão no câmbio", afirma Guimarães. "O real começou a perder força em seguida porque houve uma virada do dólar para cima no exterior, com a reprecificação dos juros americanos. Não houve relação com a atuação do BC."


Depois de uma queda de 4,36% em abril e de ter fechado abaixo do nível de R$ 4,90 nos dias 8, 11 e 12 de maio - após, portanto, a operação surpreendente do BC -, o dólar à vista começou a ganhar força. A moeda americana encerrou maio com alta de 1,82% frente ao real e subiu mais 2,38% em junho, quando atingiu os maiores níveis desde fins de março. Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY superou a marca dos 101,000 pontos no fim de junho, atingindo o maior nível em mais de um ano.


Além da valorização da moeda americana no exterior, com o aumento das apostas de alta dos juros nos Estados Unidos até o fim do ano, e da queda de mais de 20% do petróleo, na esteira das negociações de paz no Oriente Médio, analistas apontam questões domésticas que podem ter levado o real a perder tração - o aumento das preocupações fiscais diante de medidas de estímulo ao crédito pelo governo federal e a desidratação da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.


Apesar de elogiar a estratégia do Banco Central de aproveitar o fluxo cambial positivo para reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais, o economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, viu com estranheza a oferta "seca" de swaps reversos. Naquele momento, em que o choque de oferta de petróleo alimentava os riscos inflacionários, qualquer ação para conter a apreciação do real parecia contraproducente, por obstruir um dos canais mais importantes de transmissão da política monetária, observa.


"Foi difícil entender a motivação da oferta 'seca' de swap reverso. Mas a redução do estoque de swaps cambiais tradicionais, que estava acima de US$ 100 bilhões, alivia a pressão sobre a curva de swap cambial, o que encarece o hedge e favorece o carry trade. De forma indireta, isso beneficia o real", afirma Goldenstein, ex-chefe do Departamento de Mercado Aberto (Demab) do BC.


Casadão em dose dupla


Houve certa surpresa e ruído também com as intervenções realizadas no fim de junho. O BC vendeu ao todo US$ 2 bilhões à vista e comprou valor equivalente em dólar futuro via contratos de swap cambial reverso, em operações conhecidas como "casadões", realizadas nos dias 22 e 26. Sem sinais de escassez de divisas e com o cupom cambial (juro em dólar) de curto prazo comportado, não parecia haver motivo para injeção de dólares no mercado spot.


Para a head de câmbio da Tesouraria do Santander, a opção pelos "casadões" levou em conta a demanda fraca em leilões de contratos de swap cambial tradicional e o vencimento de US$ 2 bilhões em linhas no início de julho. Em vez de rolar as linhas, o BC realizou "casadões", combinando a redução de estoques de swaps cambiais e irrigando o mercado à vista. "Ele apenas trocou um instrumento por outro. E os 'casadões' foram absorvidos de forma bem tranquila", afirma Guimarães.


Embora operadores não identificassem demanda adicional por divisas nos dias das intervenções, dados do Banco Central divulgados na última quarta-feira mostraram que o fluxo cambial total entre os dias 22 e 26 de junho foi negativo em US$ 1,028 bilhão, com saídas líquidas de US$ 2,571 bilhões pelo canal financeiro e entrada líquida de US$ 1,543 bilhão via comércio exterior.


"O BC provavelmente atuou de forma preventiva para evitar qualquer estresse com o fluxo cambial negativo na reta final do mês, ao mesmo tempo em que reduziu o estoque de swaps tradicionais", afirma o diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, ressaltando que a autoridade monetária tem um mapeamento constante das necessidades do mercado e atua quando identifica demanda pontual.


Contato: antonio.perez@estadao.com


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Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque +0,4% EUA tech +0,3% EUA Semis +0,1% UE -0,2% Espanha +0,3% VIX 15,0% Bund 3,03%. T-Note 4,59%. Spread 2A-10A EUA=+37pb B10A: ESP 3,51% PT 3,40% ITA 3,80% FRA 3,83% Euribor 12m 2,831% (futuro 12m 3,013%) USD 1,140 JPY 185,0/€ 162,3/$. Ouro 4.054$. Brent 79,6$. WTI 74,9$. Bitcoin -2% (62.779$). Ether +0,2% (1.782$).



:: SESSÃO. Inflação americana a suavizar-se, campanha de resultados 2T e Fed incerta. Ganhará impulso durante a semana, apesar de Ormuz.


O aspeto volta a ser pró-bolsas e pró-riscos, embora o mercado perca ritmo, felizmente, devido à reativação frequente dos ataques entre os EUA e o Irão. Insistimos que será um conflito de longo prazo e de desgaste. As últimas semanas foram bastante neutras, alternando entre muito boas com outras de realizações de lucros de alguma profundidade (Nova Iorque, por exemplo, -2% na última semana de junho, mas +1,8% na primeira de julho e +1,2% na semana passada). O mercado tornou-se um pouco mais sensível, mas esta semana poderá ganhar solidez, se amanhã a inflação americana retroceder, como se espera (+3,9% esperado desde +4,2%), visto que isso indicaria que teria marcado o seu “pico” em maio, suavizando-se a partir de junho. Recordemos que a inflação europeia retrocedeu em junho até +2,8% desde +3,2%, claramente melhor do que o esperado (+3,0%/+3,1%). 


Mas não será o único aspeto importante, nem a influenciar positivamente. Entre terça e quarta-feira, os primeiros bancos americanos (Goldman, BoA, JP Morgan, M.Stanley…), publicarão os resultados do 2T, que francamente se esperam bons. E também algumas tecnológicas de primeira linha (ASML, TSMC, Intuitive Surgical…), que tampouco deverão dececionar.


Complementarmente, também em positivo, 2 indicadores adiantado: na quinta-feira, Philly (Índice de Atividade da Fed de Filadélfia), a melhor para 15 pontos desde 10,3; e na sexta-feira, Confiança da Univ. de Michigan até 51,3 desde 49,5.


Deixando o petróleo e Ormuz de lado por um momento, o que poderá acrescentar confusão seriam as comparências semestrais do governador da Fed (Kevin Warsh, no cargo recentemente) no Congresso (terça e quarta-feira), que é algo imprevisível.


:: CONCLUSÃO. Em suma, é provável que uma inflação americana em retrocesso e os bons resultados dos bancos americanos permitam outra subida semanal em Nova Iorque. Inclusive apesar de um arranque semanal com a reativação dos ataques entre os EUA e o Irão, que encarece o petróleo até à fronteira de 80 $.


FIM

Riscos, riscos, riscos...

  A gestão de riscos evoluiu de uma visão focada em eventos isolados para uma abordagem integrada, capaz de compreender como diferentes risc...