quarta-feira, 3 de junho de 2026

Projetos...

 


A VERDADE É SIMPLES. Todo projeto bem-sucedido começa com uma decisão poderosa: planejar antes que apareçam problemas. Pesquisas mostram que projetos com um plano estruturado têm até 2,5 vezes mais chances de sucesso. Um plano de projeto forte não é papelada — é seu roteiro para a vitória, confiança e controle. 💡 Grandes gerentes de projeto não esperam o caos para lhes dar lições. Eles criam direção antes que a confusão chegue. Quando sua equipe entende metas, prazos, orçamentos e responsabilidades desde o primeiro dia, a produtividade aumenta drasticamente. Estudos mostram que o planejamento ruim é uma das principais razões pelas quais quase 39% dos projetos fracassam no mundo todo. 🏆 Imagine liderar um projeto onde os prazos são claros, os riscos são identificados cedo, os recursos são equilibrados e as partes interessadas confiam na sua liderança. Esse é o poder de um plano de projeto profissional. Transforma o estresse em foco e transforma a incerteza em progresso mensurável. 📌 O QUE É UM PLANO DE PROJETO? Um Plano de Projeto é um documento detalhado que explica: ✅ Objetivos do projeto ✅ Escopo do trabalho ✅ Orçamento e custos ✅ Linha do tempo e marcos ✅ Alocação de recursos ✅ Gestão de riscos ✅ Estratégia de comunicação ✅ Responsabilidades da tarefa 📊 ESTATÍSTICAS IMPORTANTES DE PLANEJAMENTO DE PROJETOS 📈 Organizações que utilizam planejamento formal de projetos economizam até 28 vezes mais dinheiro do que aquelas com processos de planejamento fracos. 📈 Projetos com marcos definidos melhoram as taxas de entrega pontual em mais de 50%. 📈 Um planejamento eficaz pode reduzir os riscos do projeto em quase 60%. ⚡ POR QUE O PLANEJAMENTO DE PROJETOS É IMPORTANTE ✔️ Melhora a coordenação da equipe ✔️ Reduz atrasos e confusões ✔️ Ajuda a gerenciar o orçamento de forma eficaz ✔️ Rastreia claramente o desempenho do projeto ✔️ Constrói a confiança das partes interessadas ✔️ Aumenta a taxa de sucesso do projeto

MANUAL DE MACROECONOMIA

 


Hoje partilho algo especial: adquiri o livro publicado em 2002 em honra de Edmund Phelps, um dos economistas mais influentes do último século, e cuja partida recente deixa um vazio profundo na ciência económica.☺️

Comprei esta obra como forma de homenagem. Não apenas ao Prémio Nobel, mas ao pensador que redefiniu a forma como entendemos crescimento, inovação, expectativas e prosperidade. A sua visão continuará a iluminar gerações.✌️ Esta obra tem um significado singular: reúne contribuições de alguns dos maiores nomes da economia dos séculos XX e XXI — mentes que moldaram políticas, teorias e instituições em todo o mundo: • Paul Samuelson: fundador da síntese neoclássica • Robert Solow: pai do modelo de crescimento moderno • Robert Hall: referência em ciclos económicos • Thomas Sargent: pioneiro das expectativas racionais • Joseph Stiglitz: gigante da economia da informação • Gregory Mankiw: autor que formou gerações • Olivier Blanchard:referência global em macro moderna • Michael Woodford: arquiteto da macroeconomia monetária contemporânea • Philippe Aghion: líder da economia do crescimento e inovação É raro encontrar, numa única obra, um diálogo tão rico entre escolas, gerações e visões económicas. É, acima de tudo, um testemunho do impacto extraordinário de Phelps — um economista que não apenas escreveu sobre inovação, mas inspirou inovação intelectual. Uma leitura que guardarei com carinho e respeito. Uma homenagem justa a um autor que continuará vivo através das suas ideias.👌

IA

 


Sthulberger

 🔹 *STUHLBERGER CRITICA MODELO FISCAL, VÊ ALTA DE IMPOSTOS E DESTACA ATRATIVIDADE DO BRASIL*


O gestor *Luiz Stuhlberger*, da *Verde Asset*, afirmou que o modelo atual de condução fiscal tem contribuído para a manutenção de *juros estruturalmente elevados* no Brasil.


Segundo ele, o governo precisará aumentar a arrecadação em aproximadamente *R$ 40 bilhões por ano* para lidar com os desafios fiscais dos próximos anos. O gestor afirmou que esse movimento deverá ocorrer especialmente em um cenário de continuidade do atual projeto político.


Stuhlberger também criticou a expansão dos incentivos tributários, destacando que nos últimos anos foi criada uma indústria de aproximadamente *R$ 3 trilhões em ativos isentos* no país.


Apesar das preocupações fiscais, o gestor destacou que investidores estrangeiros continuam demonstrando interesse pelo mercado brasileiro.


Na sua avaliação, o Brasil é visto por investidores globais como um *"poço de gerar dólares"*, em referência à capacidade de geração de receitas por empresas exportadoras e ligadas a commodities.


Ao comentar a estratégia da *Verde Asset*, Stuhlberger ressaltou que o fundo não utiliza operações excessivamente alavancadas em juros e câmbio, destacando uma postura mais conservadora de gestão de risco.


Ele também afirmou que a maior parte dos recursos do Fundo Verde permanece alocada em ativos indexados ao *CDI*, refletindo a atratividade dos juros domésticos no atual ambiente econômico.


📌 As declarações reforçam a visão de parte do mercado de que os desafios fiscais continuam sendo o principal fator de pressão sobre os juros de longo prazo, mesmo em um país que segue atraindo interesse de investidores internacionais.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,1% US tech +0,5% US Semis +5,9% UE +1,2% Espanha +0,5% VIX 15,8% Bund 2,97%. T-Note 4,46%. Spread 2A-10A USA=+51pb O10A: ESP 3,40% PT 3,34% ITA 3,69% FRA 3,59% Euribor 12m 2,79% (fut.12m 2,80%). USD 1,162 JPY 185,9/€. Ouro 4.475 $. Brent 96,0$. WTI 94,6$. Bitcoin -6,6% (66.174$). Ether -7,3% (1.841$).


SESSÃO: Após as subidas recentes, tudo indica que hoje os mercados acionistas deverão optar por uma realização de mais-valias. O principal fator desencadeador é, uma vez mais, o aumento da tensão no Médio Oriente, após novos ataques mútuos que estão a impulsionar os preços do petróleo (Brent +1,5%, para 97,5 $). A isto junta-se o regresso da incerteza na frente comercial: os Estados Unidos propuseram esta madrugada novas tarifas aduaneiras de, pelo menos, 10% sobre importações provenientes de 60 países.


Num plano mais convencional, os resultados empresariais deverão funcionar como algum suporte para o mercado. Hoje serão refletidos em bolsa os resultados da Palo Alto, que foram excelentes (EPS de 0,85$ vs 0,79$ estimados) e incluíram uma revisão em alta das perspetivas. Em Espanha, a Inditex superou ligeiramente as expectativas, evidenciando um crescimento sustentado das vendas e uma melhoria das margens. Após o fecho da sessão em Nova Iorque, serão divulgados os resultados da Broadcom e da CrowdStrike, embora o impacto nas respetivas cotações só deva ser visível amanhã.


Os indicadores macroeconómicos deverão assumir um papel secundário. Às 13h15 será divulgada a Pesquisa de Emprego Privado ADP, que permitirá aferir a robustez do ciclo económico norte-americano e servirá como antevisão do relatório oficial de emprego (payrolls) de sexta-feira. Caso os dados de emprego desta semana se revelem sólidos, as expectativas de cortes das taxas de juro por parte da Reserva Federal poderão ser revistas em baixa (atualmente situadas entre 3,50% e 3,75%).


CONCLUSÃO: Como a variável-chave para a evolução dos mercados continua a ser a direção dos preços do petróleo, o cenário mais provável para hoje é uma realização de mais-valias. Reiteramos que tal movimento seria saudável após as subidas registadas recentemente.


FIM

Jairo Nicolau

 ACONSELHO VIVAMENTE AOS AMIGOS QUERIDOS, A LEITURA DESSA ENTREVISTA !


Entrevista: divisão no país não é ideológica, mas explica 'paralisia' na avaliação de Lula, diz Jairo Nicolau

Após analisar triunfo de Bolsonaro em livro, professor da FGV destrincha mudanças vivenciadas pelo país entre a primeira e a última vitória do petista

Por Caio Sartori — Rio de Janeiro

01/06/2026 03h30  

O cientista político Jairo Nicolau: professor vê “enigma” no “desajuste entre avaliação de governo e a economia” — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

 


Depois de “O Brasil dobrou à direita”, no qual analisa o triunfo eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, o cientista político Jairo Nicolau, professor do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV), publica agora “O país dividido”, também pela editora Zahar. Trata-se de um diagnóstico das mudanças sociais, demográficas e políticas vivenciadas nacionalmente entre a primeira vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2002, e a última, em 2022. E elas são muitas.


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Em entrevista ao GLOBO, Nicolau afirma que a economia é insuficiente, hoje, para medir se um presidente será ou não bem-sucedido. A divisão do país, diz, não é ideológica, mas produz repulsas intransigentes e dificulta a melhora na avaliação do petista.


Temas morais e a segurança ganharam protagonismo nos últimos anos. Eles podem suplantar o debate econômico ou ainda “é a economia, estúpido”, como diz a máxima política?


Essa frase é de 1992, quando o impacto da economia era muito evidente. Os estudos recentes são bem mais críticos. Obviamente a economia não pode ser desconsiderada, mas os dados mostram que ela passou a conviver com outros fatores relevantes. Em 2018, o país estava saindo de uma crise econômica, a economia ainda em baixa, e o tema não foi esse. Também não sei se foi tão central em 2022, foi mais a questão da gestão da pandemia. Agora, de novo, a economia está melhorando, mas isso não se traduz em apoio a Lula.


Então essa insuficiência da economia é a grande explicação para a avaliação ruim de Lula, mesmo com bons indicadores macroeconômicos?


Para mim, ainda é um enigma esse desajuste entre avaliação de governo e a economia, até considerando o apoio que Lula tem nas intenções de voto. Não faz muito sentido um presidente com avaliação baixa estar vencendo uma simulação de eleição no segundo turno. Tem algo que não fecha.


Não é o tal duelo de rejeições?


Não gosto da tese do duelo de rejeições, mas se criou uma divisão em duas grandes tribos que trouxeram temas para além da discussão da economia. O que as pesquisas mostram é que nenhum presidente, Bolsonaro ou Lula, consegue subir muito sua taxa de avaliação porque a rejeição do lado rival parece ter menos a ver com políticas públicas e mais com atributos pessoais. A diferença quando comparamos com eleições anteriores é esse filtro das questões culturais que dividem as pessoas em tribos. Não estou dizendo que a divisão é ideológica, mas ela existe. Para mim, é o que explica a paralisia da avaliação. Mesmo com mais dinheiro no contracheque, com a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil, isso não moveu a avaliação de Lula. Outras questões passaram a rivalizar e até se sobrepor à economia, dependendo do caso.


Com base em tudo isso, sua tese no livro de que apenas parte da sociedade está polarizada não fica insustentável?


É importante separar. O que mostro, com dados, é que de fato houve em 2018 e 2022 duas viradas: uma polarização à direita, depois à esquerda. Desde 2022, a rejeição é recíproca: lulista abomina Bolsonaro, bolsonarista abomina Lula. Isso é uma dimensão da relação que as pessoas têm com seus políticos favoritos, mas não posso transformar isso numa disputa ideológica. Quando cruzo com outra variável, que é a de interesse por política, vejo que pouca gente é radicalizada e ativa na relação com a política, apenas 18%. Quando falamos em polarização, parece que todo mundo que não gosta de um ou de outro é alguém que acompanha política, que está perdendo amigos por isso. Mas isso é parte pequena do Brasil.


Por que, então, há uma resiliência tão grande da divisão entre Lula e família Bolsonaro nas pesquisas?


Porque as outras opções não aparecem de fato. Flávio virou abrigo para os eleitores que não gostam de Lula e do PT. Não tem um candidato natural, jovem, relevante. Se o Tarcísio de Freitas estivesse livre para ser candidato, talvez isso voltasse a existir. Outros governadores mais jovens e modernos, como Eduardo Leite e Ratinho, ficaram pelo caminho. Como a direita se organizou com muita força em torno de Bolsonaro e ninguém ocupou esse espaço, a rejeição a Flávio foi diminuindo diante da possibilidade de ser o único nome competitivo. Beneficiou-se da inércia. É a primeira eleição em que não há candidatos de centro. É Lula contra a direita.


Com base no diagnóstico das mudanças do país, quais clivagens são mais decisivas para entender o voto?


Em 2018, houve uma inflexão em relação às quatro eleições anteriores, nas quais o PT tinha sido vitorioso em praticamente todos os segmentos de idade, gênero, escolaridade, renda. Não existia um voto diferente entre homens e mulheres. Já Bolsonaro teve uma taxa muito menor entre as mulheres. Em 2022, essa divisão de gênero se aprofundou, com Bolsonaro conquistando forte apoio dos homens, e Lula, das mulheres. Chego a dizer no livro que a eleição do Lula se deve ao voto delas.


O senhor também dá bastante ênfase à mudança nos recortes por nível educacional.


Também começa a aparecer isso em 2018: a virada dos eleitores de ensino médio completo em direção a Bolsonaro, e os de ensino fundamental continuam o grande esteio de Lula e do PT. Tem ainda a dimensão racial, com divisão entre pretos e brancos, e de religião, sobretudo com a virada de evangélicos à direita. Começo a me perguntar se isso veio para ficar como algo mais fundo da política brasileira ou se é algo mais pessoal, pela presença de Bolsonaro e suas idiossincrasias. Com Flávio candidato, não imagino que mude.


Como as mudanças em 20 anos dificultaram a vida de Lula?


Há uma dificuldade clássica, já muito comentada, que é a virada dos evangélicos, porque se tornaram um grupo relevante da sociedade. Destaco de novo o segmento de ensino médio, os eleitores que não foram para a universidade, que em 2018 e 2022 deram uma rejeição muito forte ao PT. A hipótese mais plausível é de que são eleitores mais jovens, do sexo masculino e moradores de regiões metropolitanas. Daí podemos imaginar que talvez estejamos diante de fenômenos como empreendedorismo, desvalorização da CLT e do diploma aniversário. Lula ainda fala muito para o segmento de baixa renda, que está encolhendo demograficamente.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Chico Lopes, a anatomia de uma queda, De Candido Bracher

 

Chico Lopes, a anatomia de uma queda

Folha

Recebi no dia 8 de maio, em um grupo de WhatsApp, a notícia do falecimento de Chico Lopes. As matérias dos jornais falaram do economista brilhante, estudioso do fenômeno da hiperinflação, que teve participação destacada em todos os planos econômicos ditos heterodoxos, desde o Plano Cruzado até o Real, e que foi mais tarde o responsável pela implantação do Copom (Comitê de Política Monetária), instância fundamental da governança de nossa política monetária.

Fiquei muito triste.

Lembrei-me do homem tímido, de sorriso fácil, que conheci em 1985 em Brasília, em um jantar na casa de meu pai, Fernão Bracher, então presidente do Banco Central. Estavam ali outros jovens economistas brilhantes —Persio Arida, André Lara Resende, Edmar Bacha— envolvidos na condução do Plano Cruzado, a quem eu ouvia com fascínio e grande admiração, que só fez fortalecer-se desde então.

Alguns anos mais tarde, em 1988, eu apoiaria meu pai na fundação de um banco corporativo, o BBA Creditanstalt, que iniciaria suas atividades com apenas 20 funcionários. Eram tempos de enorme volatilidade; para atrair clientes corporativos e ajudá-los a navegar as incertezas, promovíamos semanalmente palestras abertas, nas quais um economista de renome procurava avaliar os cenários possíveis. Após a palestra, quase sempre havia um pequeno jantar com economistas na casa de meus pais, onde a discussão era expandida e aprofundada.

Chico Lopes, que tinha uma importante consultoria chamada Macrométrica, participou várias vezes como palestrante e como convidado para o jantar.

Sua timidez não escondia seu bom humor e o prazer que sentia naqueles jantares, onde se comia muito bem e as discussões tinham sempre o caráter construtivo, frequente entre pessoas de autêntico espírito público.

Com o advento e êxito do Plano Real em 1994, o interesse nas palestras foi-se reduzindo aos poucos e elas se foram espaçando. Também os palestrantes mudaram, uma vez que muitos dos economistas ocupavam agora posições no governo. A volatilidade dos mercados mostrou-se, porém, renitente. Após dois anos de relativa calma, os mercados foram abalados pela crise asiática de 1997, seguida da crise russa de 1998.

Àquela época, o Brasil ainda carregava grande dívida externa, de modo que crises internacionais de liquidez pressionavam imediatamente o câmbio e exigiam elevação das taxas de juros. Para proteger-se dessas flutuações de mercado, as empresas e o sistema financeiro contavam com os mercados futuros da BM&F (hoje B3), onde é possível a alguém, que tenha uma dívida em dólares, por exemplo, assegurar antecipadamente a taxa de câmbio à qual liquidará a operação.

Naturalmente, não são apenas empresas que se servem desse mercado futuro; agentes financeiros dispostos a especular na elevação, ou queda das taxas de juros, ou de câmbio, conferem liquidez ao mercado em todos os momentos.

A BM&F cumpria então a função de “contraparte central”, fundamental para o equilíbrio dos mercados. Para o Banco Central, responsável último pela manutenção desse equilíbrio, era conveniente que houvesse uma única contraparte central, pois isso facilitava sua supervisão: bastava garantir que os mecanismos de controle de risco da BM&F fossem robustos, de forma a que todos os participantes tivessem garantias depositadas em valor suficiente para garantir eventuais perdas em caso de movimentos adversos de mercado.

Em início de 1999, a taxa de câmbio no Brasil estava virtualmente congelada há quatro anos e havia forte pressão pela desvalorização do real; por outro lado, opositores da medida preocupavam-se com seus impactos inflacionários, citando inclusive o exemplo argentino, cuja taxa de câmbio estava fixa há ainda mais tempo.

Foi nesse contexto que deu-se a desvalorização em meados de janeiro de 1999 e o ingresso de Chico Lopes na função de presidente do Banco Central. Ele assume, portanto, com o encargo de administrar a transição para o regime de câmbio flutuante.

Ao assumir, revela-se que dois pequenos bancos, Marka e FonteCindam, oriundos de corretoras de valores, haviam montado posições de tamanho desproporcional na BM&F, apostando contra a desvalorização do real. Diante da elevação ocorrida com a flutuação do câmbio, a incapacidade desses bancos de fazerem frente às suas perdas ameaçaria a liquidez da própria BM&F, comprometendo todo o sistema de liquidação e provocando uma crise sistêmica de proporções colossais, em um cenário já muito fragilizado pela flutuação do câmbio.

Para debelar esse risco, o Banco Central tomou a decisão extrema de liquidar compulsoriamente as posições dos dois bancos abaixo do preço de mercado (o que atenuou em muito o prejuízo dos dois bancos e acarretou perdas para o Banco Central).

Lembro-me de ter pensado à época que a decisão se justificava e foi essencial para preservar o equilíbrio do mercado; ainda penso assim. Como diz o próprio Chico Lopes, em depoimento de 2019: “não houve crise bancária, não houve recessão e a inflação ficou baixíssima”. Vale lembrar que a Argentina, quando implementou o câmbio flutuante três anos mais tarde, provocou uma crise tão aguda que teve cinco presidentes da República em um espaço de duas semanas.

Ocorre que o controlador do Banco Marka buscou chantagear o Banco Central, alegando ter recebido —e pago— por informações privilegiadas de pessoas ligadas a Chico Lopes.

A situação é realmente kafkiana: como quebrar, dispondo-se de informação privilegiada? Há uma única resposta possível: dispor-se da informação privilegiada errada (uma demonstração didática e divertida dessa situação está no filme “Trocando as Bolas” com Eddie Murphy). Nesse caso, o Banco Marka teria comprado a informação de quem não a tinha, provando assim a inocência de Chico Lopes.

Apesar de terminar sendo absolvido, o escândalo que se seguiu abalou profundamente Chico Lopes. Lembro-me de cerca de um ano depois um amigo dizer-me ter ouvido que ele, Chico, “achava que estava até bem, considerando que havia sido atropelado por um ônibus”. Ele, que já era naturalmente tímido, tornou-se recluso, reduziu sua consultoria a ponto de ter apenas uma secretária e impôs-se um certo ostracismo em relação ao mundo financeiro.

Ainda o encontrei algumas vezes, mas as oportunidades foram escasseando à medida em que fiquei mais intensamente envolvido profissionalmente.

Claramente minha tristeza não foi apenas pela sua morte; foi por dar-me conta de ter perdido o contato como consequência da enorme injustiça de que ele foi vítima.

Link da publicação: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/candido-bracher/2026/05/chico-lopes-a-anatomia-de-uma-queda.shtml

As opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as do CDPP, tampouco as dos demais associados.

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