O texto a que me refiro é do Cronista Artificial
"Talvez essa seja a verdadeira sensação de ditadura. Ela começa quando o cinismo deixa de ser objeto do jornalismo e passa a ser admirado como competência política. Foi essa a sensação vendo a GloboNews depois da entrevista de Lula. Lula não precisa convencer que algo é verdadeiro. Precisa apenas dizer com segurança suficiente para que o painel examine se funcionou com o eleitor. Respondeu bem? Neutralizou o problema? Recuperou sua agenda social? Sustentou a narrativa? Percebam a mudança de profissão. A pergunta jornalística deveria ser: isso é verdade? A pergunta do marketing político é: isso colou? Quando uma redação abandona a primeira pergunta para se concentrar na segunda, ela deixa de analisar o poder de fora. Passa a analisar a eficácia do poder como faria uma equipe de campanha. E é aí que aparece algo muito mais inquietante do que uma imprensa simplesmente comprada: uma imprensa instrumentalizada. Instrumentalizada não significa que exista alguém distribuindo ordens ou envelopes. É algo mais sofisticado. Existem códigos, consensos profissionais, manuais de redação, escolhas terminológicas e enquadramentos que determinam como determinados temas devem ser tratados, quais palavras são aceitáveis e até qual percepção da realidade deve ser considerada legítima. Troca-se “favela” por “comunidade”, por exemplo. Parece apenas uma escolha vocabular. Mas ela revela uma profissão que passou a acreditar que também lhe cabe administrar a maneira correta de nomear — e, portanto, de perceber — a realidade. Depois de algum tempo, ninguém precisa mandar. O código já foi internalizado. E quando esse código cultural, moral e linguístico coincide com o código do grupo que ocupa o poder, a imprensa pode continuar se considerando independente enquanto funciona como instrumento de legitimação desse mesmo poder. Por isso a cena é tão reveladora. Não parecia uma bancada examinando criticamente o que Lula acabara de dizer. Parecia uma reunião de pós-campanha: onde foi bem, onde neutralizou danos, onde recuperou terreno, onde sua narrativa ressoou. O cinismo vira técnica. A técnica vira mérito. O mérito vira análise positiva. Numa democracia saudável, a imprensa observa o poder. Quando começamos a viver essa sensação de ditadura, acontece algo diferente: ligamos a televisão procurando jornalismo e encontramos uma sala analisando a performance do governante como se estivesse discutindo o próprio produto. A imprensa não foi necessariamente comprada. Ela foi instrumentalizada.Papo de Economista
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
sábado, 29 de agosto de 2026
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Argentina, de Javier Milei (Antonio Cabrera)
A Argentina não tem maioria no Congresso. E, mesmo assim, está reformando o país.
Javier Milei nunca teve bancada própria suficiente para governar sozinho. Precisa negociar, construir apoio e formar maiorias a cada votação.
Nesta semana, conseguiu mais três avanços importantes:
1. Reforma da Carta Orgânica do Banco Central: a Câmara aprovou a proibição do financiamento direto do Tesouro pelo BCRA por meio de emissão monetária e recolocou a preservação do valor da moeda como missão central da instituição.
2. Inocência Fiscal II: amplia garantias ao contribuinte e limita o poder do Fisco de revisar períodos anteriores sem elementos concretos.
3. Mercosul–Singapura: o Parlamento argentino concluiu a ratificação do acordo de livre comércio, abrindo um mercado asiático com tarifa zero para os bens agrícolas e industriais do Mercosul.
Não foi maioria automática. Foi articulação política para fazer uma agenda avançar.
E os números ajudam a explicar por quê:
Pobreza: 41,7% → 28,2%.
PIB: -1,3% em 2024 → +4,5% em 2025.
Inflação: 211,4% → 31,5%.
Dívida bruta: 154,6% do PIB em 2023 → 80,3% em 2025.
Aluguéis reais em Buenos Aires: queda superior a 30% nos novos contratos.
Enquanto isso, o Brasil continua atolado no problema fiscal.
Pelo mesmo indicador do FMI, a dívida bruta brasileira chegou a 93,3% do PIB em 2025, acima dos 80,3% da Argentina. Para 2026, o Fundo projeta 97,8% para o Brasil e 70,4% para a Argentina.
E recentemente o próprio Tesouro brasileiro chegou a cancelar leilão de NTN-B em meio às dificuldades de formação de preços e à forte tensão no mercado de títulos públicos.
A diferença começa a ficar desconfortável.
A Argentina, mesmo sem maioria parlamentar, tenta atacar as causas de sua crise.
O Brasil continua administrando as consequências da sua.
Reformas exigem votos.
Mas, antes dos votos, exigem direção e coragem.
Por que a taxa de juros é tão alta no Brasil?, por Ana Paula Vescovi
Por que a taxa de juros é tão alta no Brasil?
Essa discussão tem ganhado destaque e está presente em vários fóruns, especialmente nesse período eleitoral.
Ontem, na FGV EESP, participei de um seminário dedicado a essa pergunta. O encontro, promovido pelo professor Márcio Holland, também marcou o lançamento de seu livro “Taxa de Juros no Brasil: caminhos para o Brasil conviver com taxas de juros civilizadas”. Participei do painel ao lado de Felipe Scudeler Salto e Daniela Lima , com mediação de Juliana Rosa comentários de Márcio Holland.
Essa é uma das questões mais antigas da economia brasileira, especialmente no pós-estabilização. Talvez parte da dificuldade esteja na busca por uma única resposta.
Antes de responder, é preciso separar o juro global, o componente cíclico da política monetária, o prêmio de prazo (~0,9 p.p.) e o risco soberano. (~1,4 p.p.).
Depois de descontados esses componentes, o Brasil continua apresentando um juro real estruturalmente elevado, e entre os maiores do mundo.
A literatura aponta múltiplas causas: baixa poupança, risco cambial, fricções financeiras, baixa produtividade, rigidez fiscais, histórico inflacionário e elevada sensibilidade das expectativas. A explicação parece estar na combinação desses fatores e na forma como eles se reforçam.
O fiscal merece atenção especial porque atua por diferentes canais.
A expansão fiscal pressiona a demanda e pode exigir maior restrição monetária. O aumento da dívida eleva o prêmio exigido pelos investidores, afetando a curva longa, o câmbio e as condições financeiras. O FMI estima que um esforço fiscal estrutural adicional de 0,6% do PIB poderia permitir juros entre 0,4 e 0,7 ponto percentual menores.
Há ainda um terceiro canal. Em situações de maior fragilidade fiscal, a deterioração das expectativas eleva os juros e o serviço da dívida, reforçando a própria percepção de fragilidade.
O fiscal é parte central da explicação, mas não a esgota. Mesmo quando descontamos da curva de juros o componente associado ao risco soberano, os juros reais brasileiros permanecem elevados.
A agenda, portanto, vai muito além da política monetária: estabilizar a dívida pública, melhorar a qualidade do gasto, elevar a produtividade e a capacidade de oferta, reduzir fricções financeiras (assimetrias tributárias, crédito direcionado e atuação parafiscal), e preservar as âncoras fiscal e monetária, o regime de câmbio flutuante e a credibilidade da política econômica.
O objetivo deveria ser construir uma economia que precise de juros menores para permanecer estável.
Call Matinal
28/08/2026
Julio
Hegedus Netto, economista
MERCADOS EM GERAL
FECHAMENTO (2708)
O Ibovespa subiu só 0,31% ontem (27), mas retomou os 175 mil pontos
(175.135,41), com giro reduzido de R$ 15,4 bilhões. No mercado cambial, apesar
do leilão simultâneo no câmbio ontem, na operação que combinou venda de dólares
no mercado à vista com compra no mercado futuro via swap reverso, a moeda
americana subiu 0,20%, a R$ 5,1620.
MERCADOS
PRINCIPAIS
MERCADOS
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MERCADOS 5h30 |
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EUA |
Índices |
Comentários |
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S&P +0,45% (7.724 pts); Nasdaq +1,05% (29.598 pts); Dow +0,01% (53.529 pts); |
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Ásia-Pacífico |
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Nikkei -0,20% (66.132 pts); Hang Seng -0,34% (25.566 pts); Xangai +1,13% (3.956 pts); Kospi +1,53% (6.912 pts); |
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Europa |
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Stoxx 50 -0,12%; DAX +0,24%; FTSE 100 -0,62%; |
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Commodities |
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Brent -1,13% (US$ 86,85), ouro +1,14% (US$ 4.650,70); Moedas: dólar em R$ 5,15 (+0,09%), DXY em 99,20 (+0,03%); Juros: Treasury de 10 anos em 4,66%, alta de 0,54% no dia. |
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Dia 2808
Dia de Kevin Warsh, president do Fed, no tradicional
evento de Jackson Hole onde os principais bancos centrais do mundo sentam para
conversar e trocar experiências. Sobre Warsh, interesse maior é coletar pistas mais claras
sobre setembro, depois que a inflação persistente ampliou o coro por juros mais
altos dentro do Comitê. E a tarefa se torna ainda mais delicada, quando se tem
o aumento da pressão do petróleo, diante do novo impasse entre EUA e Irã sobre
Ormuz, enquanto a Rússia prepara uma escalada dos ataques à Ucrânia. Entre os
bastidores das diretorias regionais dos Fed, a palavra de ordem é agir. “A
política monetária não está restritiva e espera-se mais tornará o combate à
inflação mais doloroso.”
E estas,
dentre outras declarações, ganham peso depois do PCE de julho, nesta semana,
que mostrou inflação de 3,7% em 12 meses e núcleo de 3,3%.
Em
Wall Street, porém, a inteligência artificial ignorou as tensões: a Nvidia
disparou quase 9% e levou o Nasdaq junto. No Brasil, IGP-M e Caged dividem a
agenda, após a Pnad mostrar nova queda do desemprego, enquanto o STF conclui o
julgamento sobre a tributação dos lucros da Vale no exterior e a Petrobras
acompanha a decisão do governo de prorrogar o imposto de 12% sobre a exportação
de petróleo.
Na
Europa, a ata da Zona do Euro, divulgada nesta quinta-feira, mostrou que os
dirigentes europeus não estão comprometidos antecipadamente com uma alta em
setembro, mas consideram necessário voltar a apertar a política monetária se as
perspectivas para a inflação não melhorarem.
Agenda 2808
No
mesmo horário em que Kevin Warsh inicia seu discurso em Jackson Hole, às 11h,
sai a leitura final de agosto do sentimento do consumidor de Michiganalém das
expectativas de inflação. De madrugada, serão divulgados o PIB da França no
segundo trimestre, com previsão de alta de 0,2%, e, às 6h, os índices de
sentimento econômico e confiança do consumidor da zona do euro. O Canadá também
divulga o PIB do segundo trimestre às 9h30, com previsão de expansão anualizada
de 2%. Ainda nos EUA, às 10h45, o PMI de Chicago deve recuar de 57,6 para 57 em
agosto. No Brasil, o IGP-M de agosto sai às 8h e deve registrar a terceira
deflação mensal consecutiva. Às 8h30, o BCB divulga as estatísticas monetárias
e de crédito de julho.
Peguei do grande Roberto Freire
O texto a que me refiro é do Cronista Artificial @CronistaIA "Talvez essa seja a verdadeira sensação de ditadura. Ela começa quand...
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