sexta-feira, 26 de junho de 2026

Call Matinal 2606

 CALL MATINAL 

26/06/2026 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO (2506)

MERCADOS 

Na quinta-feira (25), o Ibovespa fechou em alta de 0,87%, aos 171.990,20 pontos, após oscilar entre 170.507,92 e 173.277,09.  Já o volume negociado somou R$ 22,0 bilhões. O dólar/BRL recuou 0,32% (a 5,1788), moedas de peso semelhante como o Rublo Russo (+1,29%), Peso Chileno (+0,27%), Won Coreano (+0,18%) e Dólar de Taiwan (+0,18%) registram valorização do dólar frente a elas. Esse descolamento sugeriu uma força compradora pontual no Real, podendo abrir espaço para correção técnica no dólar futuro para reajustar a arbitragem.


PRINCIPAIS MERCADOS

No exterior, a queda dos preços das commodities nos últimos dias tem ajudado a ancorar as taxas de juros no mundo. Assim, as taxas das treasuries mostram mais um dia em tendencia de baixa, pressionando também o DXY para queda. No mercado de ações, futuros americanos recuam, em um movimento de realização. 

MERCADOS 5H30

Índices Comentários

EUA Dow Jones Futuro: -0,15%

S&P 500 Futuro: -0,55%

Nasdaq Futuro: -1,25% nos EUA, S&P 500 recua 0,6% e Nasdaq cai 1,4%.

ÁSIA-PACÍFICO

S&P/ASX    +0,18%   8.764,20

Nikkei     -4,09%  69.408,00

KOSPI      -5,81%   8.411,21

Shanghai   -2,26%   4.027,26

Hang Seng  -1,73%  22.678,50 Na Ásia, Nikkei encerrou a sessão em baixa de 4,1%; e Shanghai caiu 2,3%.

EUROPA

STOXX 600: -0,62%

DAX (Alemanha): -0,80%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,47%

CAC 40 (França): -0,40%

FTSE MIB (Itália): -1,18% Na Europa, EuroStoxx tem queda de 0,6%

COMMODITIES

Petróleo WTI, -3,48%, a US$ 69,42 o barril

Petróleo Brent, -3,56%, a US$ 72,58 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,81%, a 748,00 iuanes (US$ 109,94)

Bitcoin, +1,54%, a US$ 60.119,83 Commodities seguem derretendo, derrubando os futuros dos treasuries. 


NO DIA, 2606

O fim da Guerra do Oriente Médio derruba a cotação do barril de petróleo e abre espaço para uma leitura mais dovish por parte dos bancos centrais, na condução das suas políticas monetárias. Foi  isso a acontecer no Brasil, onde o BCB recuperou a flexibilidade da política monetária. Sinalizou que mais queda do juro é possível, assim como uma pausa, mas sem assumir compromisso. Depois do ruído com o comunicado do Copom, e que não foi resolvido pela ata, o RPM e a entrevista de Galípolo reorganizaram a leitura do mercado, que voltou a inclinar suas apostas para novo corte da Selic em agosto. O IPCA-15 reforçou esse ambiente, ao mostrar uma composição mais benigna da inflação. A melhora só não foi maior, porque o primeiro incidente em Ormuz desde o acordo entre EUA-Irã interrompeu a queda do petróleo. Na agenda de hoje, Pnad, contas externas e sentimento do consumidor americano.

Agenda 22 a 26 de junho


Sexta-feira (26):

 08h30– Brasil: BC – Nota do setor externo (mai)

09h00 – Brasil: IBGE – Pnad Contínua (mai)

09h30 – Brasil: BC – Pesquisa Firmus

11h00 – EUA: Univ. Michigan – Índice de sentimento do consumidor (final de jun)

14h00 – EUA: Baker Hughes – Poços e plataformas em operação

14h30 – Brasil: Tesouro – Relatório Mensal da Dívida Pública (mai)

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Sexta Feira,26 de Junho de 2.026.


*RPM recoloca corte no radar*


… O BC recuperou nesta quinta-feira a flexibilidade da política monetária. Sinalizou que mais queda do juro é possível, assim como uma pausa, mas sem assumir compromisso. Depois do ruído com o comunicado do Copom, e que não foi resolvido pela ata, o RPM e a entrevista de Galípolo reorganizaram a leitura do mercado, que voltou a inclinar suas apostas para novo corte da Selic em agosto. O IPCA-15 reforçou esse ambiente, ao mostrar uma composição mais benigna da inflação. A melhora só não foi maior, porque o primeiro incidente em Ormuz desde o acordo entre EUA-Irã interrompeu a queda do petróleo. Na agenda de hoje, Pnad, contas externas e sentimento do consumidor americano.


BC PRESERVA LIBERDADE DE AÇÃO – O Relatório de Política Monetária e a entrevista de Gabriel Galípolo reorganizaram a leitura do mercado sobre os próximos passos do Copom e deixaram as apostas ligeiramente mais inclinadas para um novo corte da Selic.


… Pesquisa do Projeções Broadcast realizada após a divulgação do RPM mostrou que 17 das 29 instituições consultadas passaram a projetar redução de 0,25 ponto percentual em agosto, enquanto 12 esperam manutenção da taxa em 14,25%.


… Na pesquisa realizada após a ata, na terça-feira, o mercado estava rigorosamente dividido entre pausa e novo corte. A mudança não representa a formação de um consenso, mas indica uma alteração importante na interpretação da estratégia do Banco Central.


… Se nos últimos dias predominava a discussão sobre um eventual encerramento do ciclo de calibragem, após o RPM passou a ganhar força a percepção de que uma pausa, caso ocorra, não significaria necessariamente o fim dos cortes.


… A possibilidade de um movimento de “stop and go”, com interrupção temporária seguida de retomada do processo de flexibilização, passou a ser vista como um cenário plenamente compatível com a estratégia do Copom.


… O presidente do BC, Gabriel Galípolo, praticamente validou essa leitura, ao explicar que o Comitê simulou diferentes trajetórias de juros, incluindo alternativas em que a pausa seria seguida por novos cortes.


… Segundo ele, os cenários analisados buscavam identificar o momento adequado para interromper temporariamente o ciclo e quando seria possível retomá-lo para garantir a convergência da inflação à meta.


… Ao mesmo tempo, ele fez questão de enfatizar que essas simulações não representam qualquer indicação sobre a decisão de agosto, que dependerá exclusivamente da evolução dos dados até a próxima reunião.


… Galípolo também procurou separar de forma clara comunicação e guidance.


… Ao admitir que o comunicado da última reunião gerou ruídos, assumiu pessoalmente a responsabilidade pela redação do texto, mas sustentou que o problema foi de excesso de informação, e não de falta dela.


… Defendeu que existe uma confusão entre a demanda por uma comunicação mais clara e a expectativa de que o Banco Central antecipe suas decisões. “Você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que vai fazer”, afirmou.


… Para ele, em um ambiente de elevada incerteza, nem a literatura nem os principais bancos centrais recomendam o uso de guidance.


… Outro ponto importante da coletiva foi a tentativa de afastar a interpretação de que o Copom teria alongado o horizonte relevante apenas para justificar o corte promovido na semana passada. Aí quem explicou foi o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti.


… Segundo ele, não houve mudança metodológica nem intenção de estender permanentemente esse horizonte, classificando a referência ao primeiro trimestre de 2028 como uma situação excepcional diante das trajetórias alternativas analisadas pelo Comitê.


… A divulgação do RPM coincidiu com um IPCA-15 mais benigno em junho do que o esperado, especialmente pela composição mais favorável dos núcleos e da inflação de serviços, reforçando a avaliação de que o pico da inflação pode ter ficado para trás.


… A combinação entre um índice de inflação melhor e um Banco Central disposto a preservar flexibilidade ajudou a reduzir os prêmios nos juros futuros durante boa parte do dia, sustentou a recuperação da Bolsa e favoreceu o real (leia abaixo).


… A volta das tensões no Estreito de Ormuz foi o que limitou o fechamento da curva longa, ao impulsionar os preços do petróleo.


TRÉGUA SOB TESTE – O primeiro ataque a uma embarcação no Estreito de Ormuz desde a assinatura do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã interrompeu nesta quinta-feira a forte sequência de queda do petróleo.


… Embora os embarques pela principal rota marítima da região tenham aumentado e o Brent continue negociado bem abaixo dos níveis observados durante a guerra, o incidente mostrou que o prêmio de risco geopolítico ainda está longe de desaparecer.


… Segundo o Wall Street Journal, a Guarda Revolucionária Islâmica atacou um cargueiro com bandeira de Singapura poucas horas depois de emitir um alerta para que embarcações evitassem determinadas rotas no estreito.


… A Bloomberg informou que pelo menos três navios deram meia-volta após os avisos da marinha iraniana, enquanto a Organização Marítima Internacional suspendeu temporariamente seu plano de evacuação de embarcações até reavaliar as condições de segurança na região.


… O episódio interrompeu uma sequência de quase 10% de queda do petróleo ao longo da semana, mas não alterou a percepção predominante de que a oferta do Oriente Médio tende a se normalizar gradualmente.


… O Brent voltou a fechar acima de US$ 75 por barril, ainda distante dos níveis de estresse registrados durante o conflito. Para o FMI, contudo, a normalização completa do tráfego em Ormuz ainda dependerá da consolidação da paz na região.


… Paralelamente, persistem outros focos de tensão. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou que Israel manterá sua presença militar na zona de segurança no sul do Líbano, enquanto o Irã voltou a acusar a Otan de cumplicidade na guerra.


… Em resposta, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, endureceu o discurso contra Teerã e defendeu maior alinhamento da aliança atlântica aos interesses dos Estados Unidos.


… Ao mesmo tempo, Washington e o Conselho do Golfo reafirmaram o compromisso com a reabertura plena de Ormuz, defenderam a livre navegação e condicionaram o aprofundamento das relações com o Irã ao cumprimento do memorando da semana passada.


UCRÂNIA X RÚSSIA – Em outra frente, a guerra no Leste Europeu voltou a ganhar intensidade. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou uma nova operação contra a Rússia e afirmou que o país “arderá no fogo” dos ataques ucranianos pelos próximos 40 dias.


… A Otan reiterou o apoio a Kiev e confirmou a participação do líder ucraniano na cúpula da aliança, nos dias 7 e 8 de julho, em Ancara.


S&P MANTÉM NOTA – Agência reafirmou os ratings soberanos do Brasil em BB/B, com perspectiva estável, mas voltou a alertar para a fragilidade das contas públicas. “A sólida posição externa do País continua compensando os riscos fiscais e preservando a classificação de crédito.”


… A S&P projeta déficits fiscais próximos de 7% do PIB entre 2026 e 2029, na ausência de medidas que reduzam as rigidezes orçamentárias, e estima que a dívida líquida do governo geral suba de 60,4% do PIB em 2025 para cerca de 74% em 2029.


… Também prevê que a despesa com juros permaneça elevada, consumindo aproximadamente 20% das receitas do governo no período.


… Para a agência, a estabilidade institucional brasileira continua sendo um fator de sustentação do rating, mas o avanço de reformas capazes de flexibilizar o Orçamento seguirá sendo decisivo para colocar a trajetória fiscal em bases mais sólidas.


EM PÉ DE GUERRA – A cúpula do PL passou a atuar para evitar que a crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro provoque danos permanentes à principal pré-candidatura presidencial da oposição.


… No Estadão, dirigentes do partido e aliados de ambos trabalham para transformar a trégua costurada nas últimas horas em uma reconciliação “para valer”, diante da avaliação de que novos conflitos podem comprometer ainda mais a campanha do senador.


… A preocupação aumentou porque o episódio atinge Flávio justamente quando ele tenta reduzir os efeitos do Master e das críticas relacionadas ao tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, além de buscar melhorar seu desempenho entre o eleitorado feminino.


… Nos bastidores, integrantes do PL e analistas avaliam que o vídeo divulgado por Michelle vai além de um desabafo pessoal e representa uma demonstração de força política.


… A leitura é que a ex-primeira-dama procura consolidar sua liderança junto ao eleitorado feminino e evangélico e se posicionar como alternativa dentro do campo bolsonarista caso a situação de Flávio continue se deteriorando.


… Em resposta, Flávio divulgou um novo vídeo reforçando o pedido de desculpas à madrasta, exaltou o trabalho de Michelle no PL Mulher, afirmou que ambos compartilham o mesmo projeto político e disse estar convencido de que “a gente vai superar e seguir em frente juntos”.


… O senador também reiterou a realização de uma reunião com lideranças femininas conservadoras na próxima semana.


CURTAS DA POLÍTICA – Presidente da Câmara, Hugo Motta, incluiu na pauta da próxima terça-feira (30) o PLP que autoriza o governo a usar a arrecadação extra para reduzir impostos sobre os combustíveis.


PLANO SAFRA. O governo deve lançar o Plano Safra 2026/27 na próxima terça-feira (30), antecipando em um dia o cronograma previsto. Nos bastidores, a expectativa é de recursos superiores a R$ 600 bilhões e redução dos juros das linhas oficiais de crédito.


… Segundo fontes do Broadcast Agro, o governo também deve manter os atuais porcentuais de exigibilidade dos recursos direcionados ao crédito rural, contrariando o pleito dos bancos por uma redução, ajudando a sustentar o volume de recursos do novo Plano Safra.


MEI. O governo prepara um programa de renegociação de dívidas para microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, com descontos de até 70% e parcelamento em até 145 meses. A expectativa é negociar R$ 12,4 bilhões de 3,5 milhões de contribuintes.


MASTER. A PGR rejeitou a proposta de delação premiada do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso nas investigações sobre o Banco, alegando que ele não apresentou informações inéditas nem potencial de ressarcimento que justificassem o acordo.


… Mais cedo, o ministro André Mendonça, do STF, determinou a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.


PENDURICALHOS. O presidente do STF, Edson Fachin, marcou para esta sexta-feira o início do julgamento virtual dos recursos contra a decisão que limitou o pagamento de verbas indenizatórias a integrantes do Judiciário e do Ministério Público. A análise vai até 30 de junho.


AGENDA – Depois de uma semana dominada pela ata do Copom, IPCA-15, Relatório de Política Monetária e coletiva de Galípolo, a sexta-feira traz um indicador importante para a condução da política monetária: a Pnad Contínua, às 9h.


… A expectativa é de queda da taxa de desemprego no trimestre encerrado em maio, de 5,8% para 5,6% (mediana da pesquisa Broadcast).


… Um pouco mais cedo, às 8h30, o Banco Central divulga os dados do setor externo de maio, que devem mostrar déficit de US$ 4,2 bilhões nas transações correntes e Investimentos Diretos no País (IDP) de US$ 6 bilhões.


… À tarde (14h30), o Tesouro divulga o Relatório Mensal da Dívida Pública referente a maio.


… Ainda no BC, investidores acompanham a Pesquisa Firmus (9h30) e uma operação simultânea de venda de dólares à vista e leilão de swap cambial reverso (9h20), com a venda de até US$ 1 bilhão no mercado à vista e oferta de até 20 mil contratos.


… Já Gabriel Galípolo embarca para Basileia, na Suíça, onde participará das reuniões anuais do BIS no fim de semana.


… Nos Estados Unidos, o foco será a leitura final do índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, especialmente as expectativas de inflação (11h), acompanhada por novas manifestações dos dirigentes do Fed John Williams (11h30) e Neel Kashkari (12h30).


CAIXA SOB PRESSÃO – O ADR da Braskem caiu 0,75% no after hours, ampliando as perdas após o tombo de quase 9% registrado nesta quinta-feira. O Citi rebaixou a recomendação da ação de neutra para venda, mantendo a classificação de Alto Risco.


… Analistas do banco citaram a piora das perspectivas para os spreads petroquímicos com a distensão das tensões no Oriente Médio e o aumento dos riscos relacionados à estrutura de capital da companhia, e o pedido de tutela cautelar apresentado pela Braskem contra credores.


… Segundo a companhia, caso os vencimentos das dívidas não sejam suspensos, o caixa poderá ficar negativo em US$ 821 milhões até dezembro. Com a suspensão dos pagamentos, a projeção passa para uma posição de caixa de US$ 1,518 bilhão.


AQUISIÇÃO BILIONÁRIA – Também no after hours em Nova York, as ações da ON Semiconductor caíam 7,6% após a companhia anunciar a compra da Synaptics em uma operação totalmente em ações, avaliada em cerca de US$ 7 bilhões.


… A empresa afirmou que a aquisição reforçará sua atuação em IA e espera gerar sinergias anuais de aproximadamente US$ 200 milhões.


APOSTA CEGA – A julgar pela comunicação do BC, o petróleo pode assumir o protagonismo dos próximos passos do Copom, com o alívio de curto prazo da commodity justificando interpretações mais dovish para a política monetária.


… O único problema é que a guerra ainda é o imponderável. Ou seja, pode autorizar corte da Selic ou pausa, ou um ciclo de revezamento entre pausa e corte, até que o cenário potencial sobre a inflação esteja mais claro e definido.


… Vindo de uma queda acumulada de quase dois dígitos desde que a semana começou, o barril parou de cair ontem.


… A notícia zerou a queda dos juros longos por aqui, mas não alterou significativamente o quadro de apostas para a Selic na reunião de agosto, que continua bem dividido, embora mais inclinado para um novo corte da taxa básica.


… Foi um alívio o IPCA-15 de junho (0,41%) ter vindo abaixo da mediana (0,44%), especialmente agora que parte do mercado suspeita que o BC possa estar desapegando de uma ancoragem mais rápida da inflação para a meta.


… Em 12 meses, o resultado do IPCA-15 (4,80%) também veio inferior ao esperado (4,83%). Outra boa notícia foi a inflação de serviços ter perdido fôlego contra maio, de 0,48% para 0,40%, empolgando dois grandes bancos.


… Bradesco e Itaú comemoraram a leitura qualitativa da prévia de inflação. A média dos núcleos também veio melhor do que o esperado, em 0,34%, mostrando desaceleração importante em relação ao 0,49% de maio.


… Embalados pela surpresa do IPCA-15, que facilita o caminho para o Copom seguir cortando a Selic, as pontas curta e intermediária da curva dos juros recuaram. Já a longa subiu, porque não deu para ficar desprotegido do petróleo.  


… No fechamento, o contrato de DI para Janeiro de 2027 caiu a 14,090% (de 14,128% na véspera); Jan/28, a 14,250% (14,320%); e Jan/29, a 14,330% (14,378%). Já o Jan/31 subiu a 14,390% (14,362%) e Jan/33, a 14,375% (14,303%).


… É verdade que, como o petróleo caiu muito nos três dias anteriores (quase 10%), a alta de 2,06% do Brent ontem, para US$ 75,26, pode não passar de uma simples correção técnica. Se for isso, o ajuste pode ser bem absorvido.


… O problema é que a percepção de paz foi colocada em xeque pelo ataque a um navio cargueiro que transitava pelo Estreito de Ormuz, revelando a fragilidade do acordo diplomático provisório firmado entre os Estados Unidos e o Irã.


… Outro ponto de estresse no radar é a intenção dos iranianos de cobrar pedágio para a navegação segura. “Essa jamais será uma condição aceitável para qualquer acordo”, reagiu o secretário de Estado americano, Marco Rubio.


… Apesar da virada de alta do petróleo, os juros dos Treasuries e o dólar caíram lá fora, depois de a inflação comportada do PCE de maio ter deixado a sensação de um ciclo moderado de aumentos nas taxas de juros pelo Fed.


TAKE IT EASY – Mesmo sem sustos e sob controle, o PCE não foi capaz de abalar o amplo consenso (62%) de aperto monetário pelo BC americano na reunião de setembro. O juro vai subir. Mas eventualmente pode subir menos vezes.


… Medida de inflação preferida pelo Fed, o índice de preços de gastos de consumo subiu 0,4% em maio, abaixo da previsão (+0,5%). Na base anual, a alta de 4,1% veio em linha, mas segue rodando bem acima da meta de 2%.


… O núcleo do PCE subiu 0,3% na margem, menos do que o esperado (+0,4%). Na comparação anualizada, avançou 3,4%, também levemente inferior à projeção, de 3,3%, revelando que há pressão, mas não descontrole dos preços.


… Ainda na agenda, o PIB revisado do primeiro trimestre mostrou taxa anualizada de 2,1% e superou a expectativa de 1,6%, respaldando o cenário de que o Fed agirá contra a atividade econômica aquecida e a inflação fora do alvo.


… O colega John Williams adotou a mesma linha de raciocínio, afirmou que a guerra segue elevando “riscos e incertezas” para a economia e reiterou que é “imperativo” que o BC americano devolva a inflação à meta de 2%.


… Durante evento ontem, o Fed boy Austan Goolsbee disse que a recente queda do petróleo é prematura para assegurar alívio duradouro dos preços e que ele não está pronto para declarar o quadro de inflação como resolvido.


… Como se vê, o discurso dos dirigentes americanos destoa do script aparentemente mais relaxado do Copom.


… Apesar da inclinação hawkish do Fed, o PCE pouco agressivo induziu a um alívio dos juros dos Treasuries e do dólar. A taxa da Note de dois anos caiu para 4,126% (de 4,145%) e a de dez anos recuou para 4,395%, de 4,405%.


… No câmbio, o índice DXY caiu 0,18%, a 101,431 pontos, com o euro em alta de 0,13%, a US$ 1,1376, e a libra esterlina ganhando 0,25%, a US$ 1,3198. O iene operou estável, a 161,81 por dólar, depois da liquidação recente.


… Aqui, o dólar acompanhou o alívio da moeda americana no exterior e fechou em baixa de 0,46%, a R$ 5,1782. Nestes últimos dias, o que se vê é o real descolado do petróleo e muito mais preso e fiel ao câmbio em escala global.


… No pano de fundo, também a repercussão positiva do IPCA-15 ajudou a apreciar a divisa doméstica ontem.


DE CARONA – Ainda o Ibovespa não deixou de capitalizar a leitura mais favorável da prévia de inflação e ficou a um triz de reconquistar os 172 mil pontos, em alta de 0,87%, aos 171.990,20 pontos, com giro de R$ 22,2 bilhões.


… O impulso da Vale, de 1,20%, para R$ 78,66, na contramão do minério de ferro (-1,08%), serviu como um dos motores à bolsa, e parte das blue chips financeiras também foram decisivas para dar um gás às negociações.


… Itaú PN avançou 1,78% (R$ 41,70); BB ON, +1,62% (R$ 20,05); e BTG unit, +1,19% (R$ 54,30). Já as units do Santander inverteram o sinal e recuaram 0,68% (mínima de R$ 26,20). Bradesco PN perdeu 0,17% (R$ 17,62).


… Apesar da correção em alta do petróleo, só Petrobras PN subiu: 0,42%, a R$ 38,45. Já o papel ON fechou em leve queda de 0,12%, a R$ 42,75. Ajustes de carteira de fim de mês e de trimestre podem estar influenciando as cotações.


… O investidor estrangeiro continua batendo em retirada da B3: na última terça-feira, saiu mais R$ 1 bi em k externo. Junho vai chegando ao fim com saldo negativo de R$ 7,5 bilhões. O ano ainda acumula entrada de R$ 34,1 bilhões.


… Em Wall Street, o tombo de 6,12% da Apple, depois de a empresa anunciar aumentos de preços para o MacBook e o iPad, ofuscou o brilho da Micron, que saltou 15,74% após seu balanço. Microsoft também foi mal: -3,46%.


… Enfraquecido, o Nasdaq recuou 0,46%, aos 25.358,60 pontos. Já o Dow Jones fechou em leve alta de 0,14%, aos 51.920,62 pontos, e o S&P 500 ficou estável (-0,01%), aos 7.357,49 pontos, de olho nos custos de tecnologia.


CIAS ABERTAS NO AFTER – AZZAS negou que a marca Hering esteja à venda ou que existam tratativas ou negociações em andamento…


… O esclarecimento foi divulgado em comunicado ao mercado após questionamentos da CVM sobre rumores de que a família Hering estaria articulando a recompra da marca.


RIACHUELO. O conselho aprovou a distribuição de R$ 50 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,09958908766 por ação; data de pagamento ainda será definida e papéis ficam ex a partir de 01/07/2026.


MULTIPLAN. Conselho aprovou JCP de R$ 140 milhões, equivalentes a R$ 0,285105 por ação; pagamento será feito até 30/06/2027, com posição em 30/06…


… Adicionalmente, o colegiado deliberou sobre a criação de um novo programa de recompra de ações. A companhia poderá adquirir até 5 milhões de papéis ordinários.


AXIA ENERGIA contratou R$ 3 bilhões em linhas de crédito com BB, Bradesco e Itaú para reforço de caixa. A empresa aprovou a 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,6 bilhão, podendo chegar a R$ 2 bilhões.


ENERGISA. Consumo de energia somou 3.697 GWh em maio, alta de 2,7% ante igual mês de 2025.


ENEVA. Conselho aprovou programa de recompra de até 23,1 milhões de ações ON, equivalente a 1,21% do free float, com prazo até 24/12/2027.


CELESC. Conselho aprovou JCP de R$ 157,8 milhões, equivalentes a R$ 3,86005 por ON e R$ 4,24606 por PN; pagamento em duas parcelas até 30/12/2027. Ações ficam ex em 01/07.


SABESP. Wellington Management passou a deter 5,02% das ações ordinárias.


SMARTFIT. Norges Bank elevou participação acionária para 5,11%, ante 4,94% anteriormente.


BRADSAÚDE. Conselho aprovou a distribuição de R$ 230 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,078673 por ação; pagamento será em 30/11/2026, com base na posição acionária de 30/06/2026.


BLAU FARMACÊUTICA aprovou a 2ª emissão de notas comerciais, no valor de R$ 250 milhões, para reforço de caixa e projetos estratégicos.


PROFARMA. Acionistas prorrogaram até 17/08/2026 a exclusividade para negociação de potencial aquisição da participação da BPL.


MOURA DUBEUX arrematou antiga sede dos Correios em Salvador por R$ 97 milhões para desenvolver empreendimento predominantemente residencial.


AÉREAS. Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que a Fazenda tem demonstrado sensibilidade à proposta de reduzir gradualmente o IR sobre leasing de aeronaves até zerar a alíquota em 2030.


REFIT, em recuperação judicial, perdeu benefício fiscal de ICMS sobre importação de combustíveis e informou que adotará medidas para tentar restabelecer o enquadramento…


… O grupo é considerado o maior devedor de ICMS de São Paulo, segundo maior do Rio e um dos maiores da União.

AJAX ASSET 2606

 26/06/2026 – AJAX ASSET


Resumo: Na Europa, EuroStoxx tem queda de 0,8%; enquanto, nos EUA, S&P 500 recua 0,6% e Nasdaq cai 1,4%. Na Ásia, Nikkei encerrou a sessão em baixa de 4,1%; e Shanghai caiu 2,3%. Nas moedas, DXY recua 0,3%, aos 101,2 pontos, e MXN deprecia 0,2%. Já nas commodities, brent cai 3,7%, aos USD 72,7/barril; e as taxas das treasuries fecham até 03 bps ao longo da curva._


CENÁRIO EXTERNO


• EUA – PCE (mai/26): +0,40% m/m e +4,1% a/a (vs consenso de +0,5% m/m e +4,1% a/a), sendo que o núcleo subiu 0,3% m/m e +3,4% a/a (vs consenso de +0,4% m/m e +3,4% a/a). De fato, PCE de maio mostrou um quadro misto para a inflação. A composição foi menos favorável, com a inflação cheia ainda pressionada pela energia e o núcleo acelerando em função dos serviços. Enquanto os bens voltaram a mostrar descompressão (-0,09% m/m), os serviços ganharam força (+0,48% a/a), especialmente em serviços financeiros, saúde e transporte, reforçando que as pressões inflacionárias permanecem concentradas nos segmentos mais inerciais. Enquanto isso, renda e consumo reais (+0,25% m/m) seguiram resilientes, embora a redução dos gastos em categorias mais sensíveis aos preços sugira um ajuste gradual das famílias. A trajetória da energia e a persistência da inflação de serviços ainda devem manter o Fed em postura cautelosa e dependente dos dados.


• EUA – 2ª leitura do PIB (1T26): +2,1% a/a (vs consenso de 1,6% a/a). Essa leitura confirma uma economia ainda resiliente no 1º trimestre, mas mantendo sinais de moderação da demanda privada (de 1,4% para 0,5%). O consumo continuou perdendo força, sobretudo em serviços (de 1,83% para 0,50%), enquanto os investimentos seguiram sustentados pelo setor residencial (de 10,1% para 10,6%) e pela recomposição de estoques, apesar da queda dos investimentos não residenciais (de -6,24% para -7,80%). Ao mesmo tempo, observou-se forte contribuição do setor público e o menor impacto do comércio exterior. Em suma, os dados reforçam um cenário de crescimento ainda sólido, ainda que menos disseminado, com perda gradual de tração do setor privado.


• Macro: (i) sem destaques. 


• Agenda – EUA: (i) 09h30 tem dados de estoques no atacado, além da balança comercial de bens; e (ii) 11h tem dados finais da confiança do consumidor de abril.


BRASIL


Mercados: Lá fora, queda dos preços das commodities nos últimos dias tem ajudado a ancorar as taxas de juros no mundo. Assim, as taxas das treasuries mostram mais um dia em tendencia de baixa, pressionando também o DXY para queda. No mercado de ações, futuros americanos recuam, em um movimento de realização. Por aqui, não se descarta um movimento em linha com exterior. O fluxo para a bolsa local continua bastante pressionado pelos estrangeiros, o que pode afetar performance nesta sessão. Já o real deve seguir em linha com depreciação dos pares emergentes, enquanto mercado de juros seguirá em descompressão de prêmios. 


• Política: Após o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA), Lula anunciou Teresa Leitão (PT-PE) como a nova líder do governo no Senado. Ela terá a missão de articular o debate e a aprovação de projetos importantes em um ambiente que hoje é hostil às demandas do Palácio do Planalto. Teresa Leitão não era a escolha mais natural para o cargo, mas o PT ficou sem muitas opções entre parlamentares com maior rodagem. Camilo Santana (CE) foi um dos sondados, mas deixou claro que o seu objetivo este ano é fazer campanha para reeleger o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). Teresa Leitão também terá que atuar para conter o avanço das pautas-bomba, que preocupa a equipe econômica. 


• Sobre as eleições: Ontem, PoderData divulgou nova pesquisa, com cenários eleitorais, aprovação e avaliação de governo. Destaques: (i) 43% dos eleitores dizem aprovar o governo (vs 44% em maio), enquanto (ii) desaprovação continua em 50%. No (iii) cenário de 1º turno, Lula tem 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 36%. Renan Santos e Ronaldo Caiado pontuam 4%. No (iv) cenário de 2º turno contra Flávio Bolsonaro, Lula marca 46% (estável vs maio) e Flávio tem 43% (42% em maio) - a diferença de 3 p.p. está na margem de erro.


• IPCA-15 (jun/26): +0,41% m/m e +4,80% a/a (vs consenso de +0,44% m/m e +4,84% a/a), mostrando uma surpresa baixista relativamente disseminada, com destaque para alimentação, saúde e cuidados pessoais e, principalmente, serviços. Ou seja, a composição do índice foi qualitativamente melhor, com a surpresa de baixa concentrada em alimentação no domicílio, forte queda do seguro voluntário de veículo e nos preços mais fracos de higiene pessoal. Por outro lado, passagens aéreas seguiram com destaque na altista, compensando parcialmente a melhora observada nos demais componentes. Vale notar: a média dos núcleos também ficou abaixo do consenso, reforçando a leitura de melhora qualitativa. Para a política monetária, o resultado dá munição para mais um corte de 25bps na reunião de agosto. As projeções de inflação de curto prazo seguem sem viés relevante de surpresa, apesar da revisão altista para o hiato do produto. Ainda assim, o Comitê deva preservar uma comunicação cautelosa diante da inflação corrente ainda elevada e das expectativas desancoradas.


• Relatório de Política Monetária (Jun/26): (i) inflação observada ficou 1,07 p.p. acima do Cenário do Copom, sendo maior parte da surpresa relacionada a alimentação no domicílio e administrados, enquanto as medidas de inflação subjacente do segmento, que excluem esse subitem, apresentaram evolução mais alinhada ao esperado; e (ii) projeções de inflação mensais de curto prazo indicam manutenção da inflação acumulada em 12m acima do limite superior do intervalo de tolerância ao redor da meta de inflação. Os comentários hawkish foram ofuscados pelas projeções mais dovish, principalmente pela manutenção da projeção para IPCA 1T28, justificada pela normalização de preços após os impactos do El Nino. Não houve menção sobre as simulações com trajetórias alternativas de juros. Por ora, mercado ainda precifica um novo corte de 25bps na reunião de agosto, e espera para avaliar o ritmo e a extensão do ciclo.


• Leilão do TN: O Tesouro captou R$ 37,0 bilhões na semana. A demanda foi integral nos prefixados (LTN e NTN-F) e na 1ª volta da LFT. Na 2ª volta da LFT não teve colocação adicional, que reduziu o agregado do papel a 80%. O ritmo total de emissão segue dentro da banda do PAF, mas a composição está pior, com taxa flutuante acima do alvo e prefixados e indexados à inflação abaixo. Na comparação com 2025 o volume acumulado recuou R$ 88,1 bilhões, puxado por NTN-B e LTN e atenuado pelo avanço da LFT.


• Agenda: (i) 8h30 tem BoP de abril (conta corrente: déficit de USD 4,5 bilhões; e IDP: USD 6,2 bilhões); e (ii) Pnad contínua (taxa de desemprego em 5,6%).


EQUITIES


• Setor de Oil & Gas: Nesta semana, Petrobras assinou um MoU com a Pemex para avaliar uma parceria estratégica no setor de hidrocarbonetos. No acordo, há oportunidades em E&P, como a revitalização de campos maduros e ativos em águas profundas no Golfo do México, além de iniciativas industriais em refino, petroquímica, fertilizantes, processamento de gás, redução de emissões e combustíveis de baixo carbono. A Petrobras também busca parceiros para aplicar novas tecnologias no pré-sal do Golfo do México, enquanto possíveis sinergias com a Braskem Idesa poderiam ser avaliadas se atrativas. Em suma, para PETR4, MoU segue mais neutro, ainda que positivo no longo prazo, em linha com a diversificação de seu portfólio de E&P. O Golfo do México poderia oferecer uma opção de reposição de reservas a longo prazo, ainda que qualquer projeto seja necessário estudos técnicos, viabilidade econômica e negociações. Para a Braskem, parcerias envolvendo a Braskem Idesa é positivo, apoiando discussões com a Pemex sobre o fornecimento de etano. Vamos acompanhar.


Ajax Asset Management

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Doutores e mestres: para que serve?

 

O BRASIL FORMA MESTRES E DOUTORES.

MAS O MERCADO ESTÁ DISPOSTO A PAGAR POR ELES?

📊 O Brasil já formou mais de 1 milhão de mestres.

📊 Já formou mais de 319 mil doutores.

📊 E continua expandindo sua pós-graduação ano após ano.

Mas existe uma pergunta que raramente aparece nos relatórios oficiais:

---- Quanto vale um Mestre ou Doutor no mercado de trabalho? ----

Porque a realidade nem sempre acompanha o discurso. Muitos profissionais altamente qualificados descobrem que:

✅ O cargo exige graduação.
✅ O salário é definido pela função.
✅ O mestrado não gera aumento salarial.
✅ O doutorado não garante melhores oportunidades.
✅ Em alguns casos, a titulação elevada até dificulta a contratação.

Enquanto isso, nas universidades, muitos docentes enfrentam outra realidade:

❎ Salários pressionados.
❎ Valorização reduzida.
❎ Pagamentos por hora-aula cada vez menores.
❎ E uma concorrência crescente entre profissionais cada vez mais qualificados.

- O Brasil afirma que precisa de inovação.
- Afirma que precisa aumentar sua produtividade.
- Afirma que precisa fortalecer ciência e tecnologia.

Mas uma dúvida permanece:

Estamos formando conhecimento ou apenas acumulando títulos que o mercado não sabe aproveitar?

Talvez o problema não seja a quantidade de mestres e doutores. Talvez o problema seja o valor que a sociedade atribui a eles.

E você?

O mercado brasileiro valoriza a qualificação ou apenas exige mais por menos?

SEMANA INTENSA: BANCOS CENTRAIS SOB OS HOLOFOTES


Julio Hegedus Netto, 24/06/2027

O Cenário Global

Foi uma semana excepcionalmente intensa no calendário de política monetária mundial. Destaque maior ficou com a chamada "super quarta" - dia em que o Copom (Comitê de Política Monetária do Brasil) e o Fed (Federal Reserve dos Estados Unidos) se reuniram no mesmo dia, em horários distintos, concentrando as atenções dos mercados financeiros globais.

Além destes dois protagonistas, realizaram reuniões de política monetária o Banco Central do Japão (BoJ), o Banco do Canadá (BoC), o México (Banxico), a China (PBoC) e o Reino Unido (BoE). (ver tabela ao fim)

Em todas as decisões, o que predominou foi a cautela. Como pano de fundo, a ocorrência de choques de oferta, decorrentes das oscilações do barril de petróleo - agravadas pela guerra no Oriente Médio. Estes acabaram pressionando os índices de inflação em diferentes graus ao redor do mundo, limitando o espaço para um afrouxamento monetário mais agressivo.



Fed: Independência que Surpreendeu

Antes do Copom, o Fed anunciou a manutenção da taxa Fed Funds na faixa de 3,50% a 3,75% - decisão que surpreendeu parte considerável do mercado, que esperava uma postura mais flexível sob a nova liderança de Kevin Warsh.

O contexto político se torna fundamental para compreender esta “surpresa”. Lembremos que o presidente Donald Trump optou por não renovar o mandato de Jerome Powell, ao fim de seu ciclo, insatisfeito com a resistência do ex-chairman em promover cortes de juros, mesmo diante de pressões explícitas da Casa Branca. A expectativa predominante era de que Warsh, visto como mais próximo do governo, adotasse uma linha mais dovish. A manutenção da taxa - numa conjuntura em que Trump vinha sinalizando abertamente o desejo de juros mais baixos - foi lida pelo mercado como um sinal importante de independência institucional do Fed, ao menos neste primeiro momento.

Esta decisão refletiu também a complexidade do ambiente macroeconômico americano: o mercado de trabalho ainda resiliente e a inflação mostrando resistência em alguns componentes, cortar juros prematuramente representaria um risco considerável à credibilidade do banco central.

Copom: Um Corte que Gerou Mais Dúvidas do que Certezas

O Banco Central do Brasil optou pela redução da Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%, deixando em aberto a possibilidade de novos cortes ao longo do ciclo - mesmo num momento delicado, marcado pela alta do petróleo, desancoragem de expectativas, ambiente externo volátil e um quadro inflacionário doméstico ainda longe do centro da meta.

A decisão em si não foi a principal fonte de questionamentos. O problema residiu na comunicação - tanto no comunicado imediato quanto na ata divulgada posteriorment

O "Horizonte Relevante" de 18 Meses

O ponto que mais gerou ruído foi a referência do BCB a um "horizonte relevante de convergência inflacionária" de 18 meses - equivalente a este restante de 2026 e quatro trimestres de 2027. Na prática, o Banco Central resolveu adotar, formalmente, uma leitura mais leniente do processo de convergência em direção ao centro da meta de inflação, fixada em 3,0%, dentro do intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.

Objetivo aqui foi evitar volatilidade excessiva nos mercados de ativos e criar espaço suficiente para uma eventual correção de rota, caso o cenário inflacionário piorasse.

No entanto, o alongamento do horizonte mais longo acabou interpretado pelo mercado como uma sinalização de maior tolerância à inflação elevada no curto prazo - leitura que, naturalmente, gerou incerteza e desconforto entre os agentes financeiros.

Em outras palavras: ao estender o prazo de convergência, o BCB comprou tempo - mas pagou em clareza e previsibilidade.

Os dados da Inflação

Os dados que amparam a decisão do Copom mostram o IPCA acumulado em 12 meses em 4,72%, com recuo esperado para 4,15% ao final de 2027 - ainda acima do centro da meta, mas dentro do intervalo de tolerância. Vale lembrar que o descumprimento formal da meta só se configura, caso a inflação permaneça fora do intervalo de tolerância (abaixo de 1,5% ou acima de 4,5%) por um período superior a seis meses consecutivos.

Lembremos também que o quadro inflacionário doméstico vem sendo pressionado por fatores que fogem ao controle direto da política monetária: câmbio depreciado, alta do petróleo e dos alimentos, e os reflexos dos conflitos geopolíticos sobre os preços do petróleo.

Em MAIO, o IPCA registrou 0,58%, abaixo de abril (0,67%), mas acima das projeções.

A Ata e o Freio de Arrumação

Na ata da reunião, o BCB promoveu o que muitos analistas chamaram de "freio de arrumação": sinalizou explicitamente que não há garantia de novos cortes nas próximas reuniões do Copom.

A mensagem foi uma tentativa clara de moderar as expectativas de afrouxamento contínuo da política monetária - evitando que o mercado precificasse uma trajetória de queda de juros mais agressiva do que o BCB estaria disposto a entregar.

Uma questão central, no entanto, permanece em aberto: o Copom manterá a Selic em 14,25% na próxima reunião, consolidando uma pausa no ciclo de cortes, ou realizará mais um corte de 0,25 ponto percentual, dando continuidade ao afrouxamento gradual?

Síntese

Para grande parte do mercado, o BCB confundiu mais do que esclareceu entre o comunicado e a ata do Copom. Ao combinar um corte de juros com um horizonte de convergência inflacionária muito longo, uma comunicação ambígua sobre os próximos passos e uma ata que, na prática, contradiz parcialmente o sinal dovish do corte, o Copom entregou ao mercado mais perguntas do que respostas.

O cenário exige monitoramento atento em múltiplas frentes: a trajetória do IPCA nos próximos meses, o comportamento do câmbio, a evolução dos preços do petróleo, o ritmo das decisões do Fed e, naturalmente, o próprio tom do BCB nas comunicações que precedem a próxima reunião do Copom.

Em política monetária, clareza é um ativo tão valioso quanto a própria decisão de juros. E nesta "super quarta", esse ativo ficou em falta. Seguimos monitorando.


Decisões de Política Monetária

Taxa de juros

Comentários

Fed (Banco Central americano)

3,50% a 3,75%

manteve a Fed Funds na quarta-feira (17), pela quarta reunião consecutiva em decisão unânime, primeira decisão sob o comando do novo chairman, Kevin Warsh, indicado por Donald Trump. Não se descarta a possibilidade de um aumento nas taxas, antes do fim do ano.


BoE (Banco da Inglaterra)

3,75%

seguindo o Fed, manteve as taxas de juros inalteradas na quinta-feira (18), com o presidente Andrew Bailey argumentando que as autoridades terão tempo para avaliar a ameaça, representada pelo aumento nos custos de energia, causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.


BoJ (Banco do Japão)

0,75% para 1,00%

elevou a taxa de juros para o ​maior patamar em 31 anos na terça-feira (16), marcando mais ​um passo decisivo na “normalização da política monetária”, com foco em conter as pressões inflacionárias, decorrentes do choque causado pela guerra no Oriente Médio. Juros se elevaram, impactando os custos dos empréstimos a níveis vistos pela última vez em 1995.


BCE (Banco Central Europeu)

2,00% para 2,25%

Em maio, elevou sua principal taxa de juros pela primeira vez desde 2023, em uma decisão motivada pelo avanço da inflação na zona do euro em meio aos efeitos econômicos da guerra entre EUA, Israel e Irã. A taxa de depósito, referência para a política monetária do bloco, subiu de 2,00% para 2,25%. Medida já era amplamente esperada pelo mercado e marcou a primeira reação de um grande banco central ao aumento dos preços de energia, provocado pelo conflito no Oriente Médio.


PboC (Banco Popular da China)

3,00%

Em maio e junho, o banco central da China deixou inalteradas ​as taxas ​referenciais de empréstimos pelo 12º mês consecutivo, em 3,00%, em linha com as expectativas do mercado. A última vez que o PBoC alterou suas taxas básicas para empréstimos foi em maio do ano passado, quando teve início a guerra tarifária com os EUA. Agora, outra crise rondava a economia chinesa – a guerra no Irã e a instabilidade no Oriente Médio– , mas o governo decidiu manter uma postura ainda mais conservadora.


Calendário de reuniões para 2026 e 2027

2026

- 04 e 05 de agosto

- 15 e 16 de setembro

- 03 e 04 de novembro

2027

- 26 e 27 de janeiro

- 16 e 17 de março

- 27 e 28 de abril

- 15 e 16 junho

- 03 e 04 de agosto

- 21 e 22 de setembro

- 26 e 27 de outubro

- 07 e 08 de dezembro





Call Matinal 2606

 CALL MATINAL  26/06/2026  Julio Hegedus Netto, economista MERCADOS EM GERAL FECHAMENTO (2506) MERCADOS  Na quinta-feira (25), o Ibovespa fe...