quarta-feira, 25 de março de 2026

Pesquisa e IA

 Cientistas propõem IA que desenvolve plano de pesquisa, checa literatura e redige artigo


SAMUEL FERNANDES


Francisco Villaescusa-Navarro, pesquisador científico do Instituto Flatiron, em Nova York (EUA), diz que poderia passar o resto da vida analisando dados para suas pesquisas científicas voltadas principalmente ao campo da astrofísica teórica. Ele poderia até ter a ajuda de estudantes e outros pesquisadores, mas provavelmente seria insuficiente –a quantidade de dados pode ser tão grande em determinados temas que ainda assim seria difícil examinar todas as informações contidas em banco de dados.


"Com os avanços recentes em IAs e grandes modelos de linguagem, pensei se poderíamos obter ajuda de máquinas para gerar ideias ou fazer análises de dados", afirma Villaescusa-Navarro. Essa inquietação foi um importante ponto de partida para o desenvolvimento do Denario, um modelo de IA elaborado para funcionar como um assistente de pesquisa científica.


O projeto começou em abril de 2025 e uma primeira versão do Denario foi divulgada em novembro de 2025 em um artigo preprint, quando não há revisão por outros cientistas antes da publicação. Para usar o Denario, a primeira etapa é fornecer dados e um texto que explique a tarefa para o sistema.


A IA processa as informações a partir de vários módulos, cada um deles especializados em tarefas comuns em pesquisas científicas. Dentro desses módulos, existem o que os desenvolvedores do Denario chamam de agentes. Eles são os responsáveis por desenvolver as tarefas a partir dos dados e da demanda fornecidos na etapa anterior. Por último, o Denario gera os resultados, podendo ser fornecidas múltiplas soluções.


Essa estrutura faz com que o Denario consiga auxiliar cientistas em diferentes etapas de uma única pesquisa. Gerar ideias, verificar a literatura sobre um tema, desenvolver planos de pesquisa, ou até mesmo redigir artigos científicos são mencionados pelos pesquisadores responsáveis pelo projeto.


Além disso, o modelo baseado em agentes diferencia o Denario de outras IAs, como o ChatGPT.


Pablo Villanueva-Domingo, cientista da área de aprendizado de máquinas na Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha) e um dos responsáveis pelo Denario, diz que o projeto partiu de modelos de aprendizado genérico utilizados em outras IAs. No entanto, o foco dado aos agentes adaptados e especializados em determinadas tarefas representa uma vantagem do Denario em comparação a outros modelos já conhecidos.


"Para a geração de ideias, criamos uma instrução muito detalhada e diferentes conjuntos de agentes que conversam entre si. Um deles, por exemplo, tenta refinar as ideias. Chamamos isso de 'criador de ideias' ou 'refinador'. A interação entre esses agentes, como em uma conversa, é o que aprimora as ideias e filtra as que não são tão boas, até que se chegue a um consenso. Por isso, temos uma máquina altamente personalizada que visa resolver uma tarefa específica. Esse é o ponto principal do Denario", afirma Villanueva-Domingo.


Os desenvolvedores da ferramenta defendem que ela pode colaborar significativamente para o avanço científico. Boris Bolliet, professor assistente no mestrado em ciência intensiva em dados na Universidade de Cambridge (Reino Unido) e um dos envolvidos no projeto, afirma que a adoção de IAs em pesquisas pode ser vista como o início de uma revolução científica. O pesquisador mostra-se reticente a algumas críticas comuns a IAs.


"Não estamos tentando substituir ou acabar com o emprego de ninguém. Trata-se de ampliar as capacidades da pesquisa humana com uma nova tecnologia", afirma Bolliet.


APLICAÇÕES


O Denario pode ser adotado em diferentes áreas científicas –no preprint, os autores mencionam campos como biologia, física, matemática, medicina, ciências materiais, dentre outras. Pesquisadores das humanidades e ciências sociais também podem utilizar o Denario, embora não seja o enfoque no momento atual, afirma Villaescusa-Navarro.


Um caso específico de utilização do Denario foi a partir de uma colaboração entre os desenvolvedores do sistema com Urbano França, instrutor na Faculdade de Medicina da Universidade Harvard e pesquisador associado do Hospital Infantil de Boston. Em julho de 2025, França começou uma conversa com a equipe do Denario para avaliar as clínicas que realizam fertilização in vitro dos Estados Unidos.


Embora exista um banco de dados consolidado com informações do setor, não havia muitas conclusões sobre o desempenho dessas clínicas ao longo do tempo –por exemplo, se elas pioraram ou melhoram nos últimos anos. Nessa questão em específico, Denario observou que havia uma variação constante no desempenho das clínicas de fertilização.


França diz acreditar que essa conclusão da IA é interessante por jogar à luz a uma questão ainda não observada a fundo. "Às vezes, esse tipo de resultado pode esclarecer uma pergunta que você nem tinha pensado [...] para chegar a novas direções de pesquisa."


O caso também ilustra a ideia de que o uso de IA ainda demanda uma supervisão humana constante. França explica que a conclusão do Denario com base nos dados fornecidos ainda precisa ser averiguada para observar se estão realmente corretas e pertinentes.


Villaescusa-Navarro concorda que o fator humano ainda é crucial na equação. "Minha preocupação é que, se deixássemos a IA fazer tudo sozinha, ela pode gerar resultados não muito bons. Então, ainda acho que os humanos desempenharão um papel muito importante. Essas tecnologias apenas facilitarão nossas vidas, mas as pessoas estarão no controle."


FSP 23.03.2026

terça-feira, 24 de março de 2026

Nelson Tanure

 *Império de Tanure se desfaz em meio a investigação sobre laços com o Banco Master*


Autoridades congelaram ativos do empresário, ações de suas empresas recuam e um aperto de crédito força vendas relevantes; representante diz que Tanure nunca foi sócio do Master e apenas se relacionou com a instituição como cliente


Bloomberg — Por anos, Nelson Tanure foi um titã do empresariado brasileiro. Ele investiu em mais de 200 empresas em dificuldade e usou esses ativos para construir grandes grupos corporativos, em setores que vão de petróleo a telecomunicações.


Agora, enquanto investigadores apuram se ele foi um sócio oculto do Banco Master, que entrou em colapso, o império de Tanure começa a se desfazer: autoridades congelaram parte de seus ativos; um aperto de crédito o forçou a liquidar participação em seu principal negócio; e ações de várias de suas empresas caíram.


Tanure, de 74 anos, já esteve envolvido em controvérsias. Ele enfrentou acionistas minoritários na Justiça e foi multado por violações às regras do mercado de capitais.


Mas o escândalo do Banco Master o colocou no centro do que rapidamente se transforma em um dos maiores casos de corrupção da história do Brasil.


Estão sob análise uma série de transações financeiras que parecem ligá-lo ao banco e ao seu ex-CEO, Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília.


“Há anos existem questionamentos sobre a escala e a origem de seu financiamento”, disse Cesar Fernandez, sócio da Alpha Credit Advisors, referindo-se a Tanure. “O que está emergindo da investigação sugere um ecossistema complexo e circular de recursos ligados ao Banco Master que parece ter sustentado muitas de suas posições empresariais.”


Segundo documentos analisados pela Bloomberg News, Tanure investiu ao menos R$ 1,6 bilhão no Banco Master desde 2020, por meio de veículos como a Estocolmo e um fundo offshore chamado Aventti Strategic Partners LLP.


Esses veículos foram usados para comprar títulos da Banvox, uma holding cujo único investimento era o Banco Master. As aquisições foram seguidas rapidamente por aumentos de capital de valores semelhantes no Banco Master.


Embora os títulos não fossem conversíveis em ações, desde dezembro de 2022 alguns passaram a poder pagar cupons com ações da Banvox. Ainda não está claro se esses pagamentos em ações chegaram a ocorrer, mas, caso tenham sido feitos, significariam que Tanure se tornou acionista do banco.


Um representante de Tanure disse que o empresário nunca foi sócio, controlador ou beneficiário direto ou indireto do Banco Master e apenas se relacionou com a instituição como cliente. O representante acrescentou que as debêntures emitidas pela Banvox não permitiam conversão em ações em caso de inadimplência, e que Tanure confia que os fatos serão esclarecidos pelas investigações em curso.


‘*Introvertido’ discreto-*


Por volta de 2020, Tanure conheceu Vorcaro, então principal acionista do Banco Master, por meio de Maurício Quadrado, ex-sócio do banco, segundo pessoas com conhecimento do assunto que falaram com a Bloomberg News.


Os dois criaram laços apesar de estilos de vida muito distintos. Tanure se descreveu como “introvertido” e “solitário” e raramente concede entrevistas, preferindo tragédias de Shakespeare e música clássica a eventos sociais, segundo uma conversa em podcast com um gestor em 2024.


Ele é conhecido por vestir roupas discretas, sem marca, e afirmou, no mesmo podcast, ter orgulho de que seus quatro filhos sempre viajaram em classe econômica.


Já Vorcaro, de 42 anos, possui jato particular e costuma exibir sua riqueza em público — promovendo festas em iates durante o Grande Prêmio de Mônaco e uma festa de 15 anos para a filha que teria custado quase US$ 3 milhões.


Ele se relacionou com a influenciadora Martha Graeff e aparecia com frequência em publicações dela em destinos de luxo. Os dois chegaram a realizar uma festa de noivado em Roma, mas se separaram recentemente.


O gosto por luxo também se refletia em presentes a amigos. Segundo mensagens de WhatsApp divulgadas pela Polícia Federal, Vorcaro deu a Tanure um relógio da marca suíça Jaeger-LeCoultre, de acordo com a imprensa. As mensagens também revelaram o apelido que Vorcaro usava para o empresário: “grande comandante”.


Tanure confirmou, por meio de seu representante, que recebeu o relógio como presente de aniversário de 70 anos, em 2021.


Vorcaro foi preso pela segunda vez no início de março, sob acusações de ter ameaçado atacar um dos jornalistas mais conhecidos do Brasil, de supervisionar funcionários que acessaram sistemas do FBI e da Interpol sem autorização e de interferir nas investigações do caso Banco Master.


Por meio de seus advogados, ele se recusou a comentar. Na semana passada, firmou um acordo de colaboração com autoridades federais, informou a Bloomberg News.


*Operações com títulos*


Muitas das transações sob análise dos reguladores ocorreram nos últimos anos, à medida que os negócios de Tanure e o Banco Master parecem ter se tornado cada vez mais interligados.


Um exemplo é a rede de supermercados Dia, que Tanure adquiriu em recuperação judicial em 2024 com recursos geridos pelo Banco Master.


Em dezembro de 2025, a empresa informou ter usado cerca de 70% de seu caixa — aproximadamente R$ 163,3 milhões à época — para comprar títulos do Letsbank, instituição do grupo Master, segundo documentos da companhia.


A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), da qual Tanure era acionista, também adquiriu R$ 140 milhões em títulos do Banco Master, o equivalente a 5,88% dos ativos totais da companhia em novembro de 2025.


Um representante de Tanure afirmou que, durante o período em que o empresário foi cliente do Banco Master, não havia indícios de irregularidades nas atividades da instituição.


As aquisições ocorreram quando os títulos apresentavam bom retorno e seguiram padrão adotado por outras empresas, disse.


A área técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou atuação “interdependente e coordenada” entre Tanure, o Banco Master e o CEO da Ambipar para adquirir ações da empresa de gestão de resíduos e elevar seu preço em 2024, segundo relatório do regulador. Todos negaram irregularidades.


A operação contribuiu para elevar o valor da participação do Banco Master na empresa, segundo a CVM, enquanto Tanure utilizou ações da Ambipar como garantia em uma estrutura de dívida para financiar a aquisição da Emae.


O representante de Tanure afirmou que ele comprou ações da Ambipar após os eventos analisados pela CVM, razão pela qual foi excluído do processo sobre eventual oferta pública obrigatória. O regulador acabou não tomando medidas contra ele.


Tanure e Tercio Borlenghi Junior, CEO da Ambipar, perderam o controle da Emae após o não pagamento da dívida. A Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial em outubro, e credores, incluindo o Bradesco, moveram ação para responsabilizar a administração por uma possível “fraude ostensiva”.


Banco Master e Tanure também utilizaram serviços e fundos da gestora Trustee DTVM, controlada por Quadrado. Fundos administrados pela Trustee são investigados pela Polícia Federal em operação para desarticular esquemas de lavagem de dinheiro ligados à distribuição de combustíveis.


Os advogados de Tanure afirmaram que o empresário não é responsável pelas operações de bancos, corretoras ou gestoras das quais foi cliente.


*Assumindo riscos*


Ao longo de dois anos, a partir de 2021, Tanure utilizou fundos geridos pela Trustee para assumir o controle da Alliança Saúde, com a corretora do Banco Master atuando como sua representante em leilão na B3.


Em 2023, ele pagou R$ 891 milhões para adquirir o restante da companhia. Em dezembro, a CVM reabriu investigação sobre a operação, segundo a imprensa local, para apurar por que a oferta pública não foi iniciada dentro do prazo de 30 dias.


Na semana passada, a Alliança Saúde obteve proteção judicial emergencial contra credores ao enfrentar dificuldades para honrar pagamentos de dívida.


O representante de Tanure afirmou que a oferta pública sempre fez parte do plano de aquisição e foi executada com recursos disponíveis.


“Assumi riscos. Acho que a capacidade de assumir riscos é importante e deve ser mais desenvolvida”, disse Tanure no podcast de 2024, ao comentar sua trajetória. “É o risco que gera riqueza.”


Na mesma conversa, ele afirmou que passou a investir em ativos em dificuldade por falta de capital. Se tivesse recursos, disse, teria comprado ações de empresas como Alphabet e Microsoft.


“Eu não tinha um centavo”, afirmou. “Tive que buscar negócios em que minha capacidade de trabalhar, produzir — seja esforço físico ou intelectual — fizesse diferença.”


Tanure nasceu na Bahia e se formou em administração em meados da década de 1970 em uma universidade pública do estado. Estudou por um período em Paris e depois passou a trabalhar na empresa imobiliária de seu pai.


Insatisfeito com as poucas oportunidades na Bahia, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1977 e começou a investir em empresas em dificuldade. Um de seus primeiros investimentos foi uma participação minoritária na Sequip, empresa de serviços de petróleo e gás.


Ao longo dos anos 1990, investiu em companhias de engenharia e do setor naval, incluindo Verolme e Ishibras. Em 2001, comprou a Companhia Docas do Rio de Janeiro, que transformou em uma de suas holdings mais conhecidas, a Docas Investimentos SA.


Após incursões menores em telecomunicações, ganhou notoriedade ao tentar adquirir a Oi, que em 2016 enfrentava um dos maiores processos de recuperação judicial da história do Brasil.


Comprou os jornais Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil, mas afirmou não ter conseguido torná-los lucrativos e os fechou pouco depois.


Também investiu em imóveis, integrou o conselho da Gafisa em 2019 e ajudou a transformar a Prio em uma das maiores empresas de petróleo do país.


Tanure também adquiriu participação na Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro, usando fundos geridos pela Trustee.


O Banco Master também comprou ações da Light, que foram vendidas ao BTG Pactual quando o banco buscava levantar recursos em 2025.


Nem todas as investidas de Tanure em ativos em dificuldade resultaram em negócios. Em 2023, perdeu para outro empresário brasileiro na tentativa de adquirir as operações da UnitedHealth Group no país. No ano seguinte, desistiu de planos de ser investidor âncora na privatização da Sabesp.


No ano passado, Tanure planejava adquirir o controle da Braskem, uma das maiores petroquímicas do mundo.


Sua participação gerou preocupação entre investidores, que temiam uma reestruturação da dívida. Ele abandonou o plano diante do possível impacto de um desastre em Alagoas sobre o balanço da empresa, segundo seu representante.


Ao tentar comprar o Grupo Pão de Açúcar (GPA) em 2024, Tanure utilizou recursos da Reag Trust Administração de Recursos, segundo a Bloomberg News e a imprensa local.


A gestão desses fundos foi transferida para a Trustee em janeiro de 2025. A Reag também é investigada pelas autoridades brasileiras no âmbito da operação de lavagem de dinheiro.


O advogado de Tanure afirmou que ele nunca foi cliente da Reag.


*Pressões financeiras*


No ano passado, os juros mais altos do Brasil em duas décadas começaram a pressionar o portfólio de empresas altamente alavancadas de Tanure, bem como a série de empréstimos contraídos com ações dadas em garantia para financiar novas aquisições.


Mais recentemente, com o agravamento dos problemas no Banco Master, Tanure passou a enfrentar um aperto de crédito.


Em fevereiro, credores iniciaram a execução de parte de suas participações na Alliança Saúde e na Light. Tanure já havia vendido quase toda sua fatia na Prio — considerada a joia de sua carteira — e também sua empresa de telecomunicações Ligga Telecomunicações para pagar dívidas.


Tanure continua em busca de boas oportunidades e segue comprometido com o crescimento das empresas em que investiu, disse seu representante.


“A capacidade de recuar e mudar de direção é uma grande virtude. Já recuei muitas vezes na vida”, afirmou no podcast. “Quando você percebe que vai perder, não há problema. Recuar, se fortalecer — e voltar.”


https://www.bloomberglinea.com.br/negocios/imperio-de-tanure-se-desfaz-em-meio-a-investigacao-sobre-lacos-com-o-banco-master/?utm_content=CTA&utm_medium=organic&utm_source=instagram&fbclid=PAVERFWAQvs8ZleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA8xMjQwMjQ1NzQyODc0MTQAAafPZotRhMtu_dCMp8yuSC0wrg3MDqwGy0TsxO6v-CFvvCyfcYTvWXyDB1lOMw_aem_AkMTKlUQ5Jy29Br0svXvtQ

Terra investimentos

 *Justiça atende megaempresário cobrado por dívida de R$ 76 milhões*


Tribunal havia bloqueado ações do empresário na Terra Investimentos, mas desembargador derrubou decisão em liminar


O desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) Alberto Junior Veloso determinou, nessa sexta-feira (20/3), o levantamento da penhora das cotas que o empresário Wajdi Ibrahim El-Haouli (foto em destaque) possui na Terra Investimentos Ltda. Na mesma decisão, o magistrado manteve, contudo, o bloqueio de imóveis avaliados em R$ 81,3 milhões.


Conforme revelou a coluna, Wajdi Ibrahim é cobrado na Justiça por uma dívida que alcança R$ 76,8 milhões em valores atualizados. No último dia 12, a Justiça havia negado o pedido para substituir o bloqueio das ações de Wajdi Ibrahim na Terra Investimentos pela penhora dos imóveis. Agora, o desembargador Alberto Junior Veloso atendeu o agravo apresentado pelo empresário, em caráter liminar.


“Tratando-se de Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, cuja atividade depende essencialmente da confiança do mercado, o abalo reputacional decorrente da manutenção de penhora sobre quotas de controle pode precipitar a fuga de recursos sob custódia, a rescisão de contratos e, em casos extremos, a intervenção preventiva do Banco Central”, escreveu o magistrado.


Na petição, a defesa de Wajdi Ibrahim alegou que a reportagem publicada pelo Metrópoles “teria disseminado insegurança junto a clientes, parceiros comerciais e órgãos reguladores, com potencial de comprometer a credibilidade da instituição perante o mercado de capitais”.


Wajdi Ibrahim El-Haouli é sócio majoritário e presidente do Conselho da Terra Investimentos. Ele tem participação de 65% na companhia, o equivalente a R$ 60,1 milhões. Todo esse valor havia sido penhorado pela Justiça.


Em nota, a Terra Investimentos informou que o processo nunca envolveu a atuação da companhia e não produziu impacto sobre seu patrimônio, liquidez, operação ou a gestão. “*A empresa segue operando normalmente”, esclareceu. Por sua vez, Wajdi Ibrahim afirmou que recebe a decisão com confiança no Poder Judiciário.*



https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/justica-atende-megaempresario-cobrado-por-divida-de-r-76-milhoes

Fundos em crise

 *Apollo limita resgates de seu principal fundo de crédito privado*

*Apollo limita resgates de seu principal fundo de crédito privado*


_Decisão evidencia risco para investidores individuais que investiram centenas de bilhões de dólares em fundos ditos semilíquidos_


Por Eric Platt, Valor — Financial Times, de Nova York


A Apollo Global Management limitou os resgates de um de seus principais veículos de crédito privado, tornando-se a mais recente gestora d investimentos a buscar conter as saídas de capital, à medida que investidores ricos se retiram do setor.


O grupo com sede em Nova York afirmou que os investidores buscaram sacar cerca de US$ 1,6 bilhão de seu Apollo Debt Solutions BDC, o equivalente a 11,2% de seus ativos líquidos de US$ 15 bilhões — bem acima do limite de 5% que permite à Apollo limitar as saídas do fundo.

 

A Apollo atendeu a pouco menos da metade dos pedidos de saque, de acordo com uma carta enviada aos investidores na segunda-feira. Diversas outras gestoras de recursos, incluindo Morgan Stanley e BlackRock, tomaram medidas semelhantes.


A decisão da Apollo de limitar os resgates destaca um risco para investidores individuais que investiram centenas de bilhões de dólares em fundos ditos semilíquidos. Esses fundos abriram os mercados privados para indivíduos ricos, oferecendo acesso a retornos mais altos, historicamente limitados a investidores institucionais, mas com a contrapartida de que a liquidez poderia ser limitada.


As possibilidades de resgate têm sido cada vez mais restringidas, uma vez que os gestores de fundos se apegam aos limites estabelecidos nos fundos. Os investidores apresentaram pedidos de resgate no valor de US$ 11,7 bilhões em mais de meia dúzia de fundos acompanhad pelo Financial Times. Até o momento, apenas 66% dos resgates foram atendidos, totalizando US$ 7,8 bilhões.


O escrutínio dos investidores sobre essa classe de ativos se intensificou neste ano, à medida que os gestores de recursos reavaliam o impa que a inteligência artificial (IA) terá nos modelos de negócios do setor de software empresarial, fortemente financiado por fundos de crédito privado, já que as empresas foram adquiridas em operações de compra alavancada.


A Apollo informou aos investidores de seu fundo, que tem um portfólio de investimentos avaliado em US$ 25 bilhões, que recebeu US$ 724 milhões em novos compromissos no trimestre. Os fluxos líquidos permaneceram praticamente estáveis, visto que a empresa atendeu a US 730 milhões em resgates.


“A decisão de hoje reflete nosso compromisso contínuo com a criação de valor a longo prazo para os acionistas do fundo”, afirmou a Apollo carta aos investidores. “A Apollo sempre acreditou que períodos de complexidade e incerteza podem criar algumas das oportunidades de investimento mais atraentes, mas apenas para aqueles com a flexibilidade para agir com decisão.”


O fundo também registrou sua primeira perda mensal em fevereiro em mais de três anos, com um retorno de -0,07%. A perda refletiu, em parte, uma venda de empréstimos mais líquidos, que a Apollo usa para marcar o valor de empréstimos privados que detém e que não são negociados.


“Quando os spreads aumentam nos mercados públicos ou em um setor específico, trabalhamos em estreita colaboração com provedores independentes de avaliação terceirizados para garantir que essas condições sejam refletidas adequadamente em nossas avaliações”, disse empresa aos investidores.


O retorno do fundo no último ano caiu para 7%, abaixo de sua média de longo prazo.


A Apollo, que administrava US$ 938 bilhões no fim de 2025, adotou uma postura defensiva no ano passado, enquanto os principais executiv se preparavam para a turbulência do mercado. A empresa reduziu drasticamente suas participações em empréstimos de software mais arriscados e apostou que o valor de vários grandes empréstimos para fabricantes de software diminuiria. “Acreditamos também que estamo entrando no atual período de disrupção tecnológica a partir de uma posição de força”, afirmou a gestora em carta. “A Apollo optou conscientemente por criar portfólios com exposição a software inferior à média do mercado de crédito privado em geral.”



https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/03/23/apollo-limita-resgates-de-seu-principal-fundo-de-credito-privado.ghtml

_Decisão evidencia risco para investidores individuais que investiram centenas de bilhões de dólares em fundos ditos semilíquidos_


Por Eric Platt, Valor — Financial Times, de Nova York


A Apollo Global Management limitou os resgates de um de seus principais veículos de crédito privado, tornando-se a mais recente gestora d investimentos a buscar conter as saídas de capital, à medida que investidores ricos se retiram do setor.


O grupo com sede em Nova York afirmou que os investidores buscaram sacar cerca de US$ 1,6 bilhão de seu Apollo Debt Solutions BDC, o equivalente a 11,2% de seus ativos líquidos de US$ 15 bilhões — bem acima do limite de 5% que permite à Apollo limitar as saídas do fundo.

 

A Apollo atendeu a pouco menos da metade dos pedidos de saque, de acordo com uma carta enviada aos investidores na segunda-feira. Diversas outras gestoras de recursos, incluindo Morgan Stanley e BlackRock, tomaram medidas semelhantes.


A decisão da Apollo de limitar os resgates destaca um risco para investidores individuais que investiram centenas de bilhões de dólares em fundos ditos semilíquidos. Esses fundos abriram os mercados privados para indivíduos ricos, oferecendo acesso a retornos mais altos, historicamente limitados a investidores institucionais, mas com a contrapartida de que a liquidez poderia ser limitada.


As possibilidades de resgate têm sido cada vez mais restringidas, uma vez que os gestores de fundos se apegam aos limites estabelecidos nos fundos. Os investidores apresentaram pedidos de resgate no valor de US$ 11,7 bilhões em mais de meia dúzia de fundos acompanhad pelo Financial Times. Até o momento, apenas 66% dos resgates foram atendidos, totalizando US$ 7,8 bilhões.


O escrutínio dos investidores sobre essa classe de ativos se intensificou neste ano, à medida que os gestores de recursos reavaliam o impa que a inteligência artificial (IA) terá nos modelos de negócios do setor de software empresarial, fortemente financiado por fundos de crédito privado, já que as empresas foram adquiridas em operações de compra alavancada.


A Apollo informou aos investidores de seu fundo, que tem um portfólio de investimentos avaliado em US$ 25 bilhões, que recebeu US$ 724 milhões em novos compromissos no trimestre. Os fluxos líquidos permaneceram praticamente estáveis, visto que a empresa atendeu a US 730 milhões em resgates.


“A decisão de hoje reflete nosso compromisso contínuo com a criação de valor a longo prazo para os acionistas do fundo”, afirmou a Apollo carta aos investidores. “A Apollo sempre acreditou que períodos de complexidade e incerteza podem criar algumas das oportunidades de investimento mais atraentes, mas apenas para aqueles com a flexibilidade para agir com decisão.”


O fundo também registrou sua primeira perda mensal em fevereiro em mais de três anos, com um retorno de -0,07%. A perda refletiu, em parte, uma venda de empréstimos mais líquidos, que a Apollo usa para marcar o valor de empréstimos privados que detém e que não são negociados.


“Quando os spreads aumentam nos mercados públicos ou em um setor específico, trabalhamos em estreita colaboração com provedores independentes de avaliação terceirizados para garantir que essas condições sejam refletidas adequadamente em nossas avaliações”, disse empresa aos investidores.


O retorno do fundo no último ano caiu para 7%, abaixo de sua média de longo prazo.


A Apollo, que administrava US$ 938 bilhões no fim de 2025, adotou uma postura defensiva no ano passado, enquanto os principais executiv se preparavam para a turbulência do mercado. A empresa reduziu drasticamente suas participações em empréstimos de software mais arriscados e apostou que o valor de vários grandes empréstimos para fabricantes de software diminuiria. “Acreditamos também que estamo entrando no atual período de disrupção tecnológica a partir de uma posição de força”, afirmou a gestora em carta. “A Apollo optou conscientemente por criar portfólios com exposição a software inferior à média do mercado de crédito privado em geral.”



https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/03/23/apollo-limita-resgates-de-seu-principal-fundo-de-credito-privado.ghtml

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,1% US tech +1,2% US Semis +1,3% UEM +1,3% España +1,1% VIX 26,2% Bund 3,00%. T-Note 4,35%. Spread 2A-10A USA=+50pb B10A: ESP 3,51% PT 3,45% ITA 3,88% FRA 3,71% Euribor 12m 2,740% (fut.12m 2,958%). USD 1,161. JPY 184,0. Ouro 4.408 $. Brent 99,9$. WTI 88,1$. Bitcoin +1,2% (70.900$). Ether +1,3% (2.161$).


SESSÃO: Esta manhã, algumas fontes jornalísticas citam a possível vontade do novo Líder Supremo iraniano, Khamenei, negociar com os EUA, o que poderá animar um pouco a sessão. Contudo, isto une-se à ronda de ditos e não-ditos vistos desde que ontem Trump afirmou que estava em “boas e produtivas” conversações nos últimos dias com o Irão, enquanto adiava durante 5 dias os ataques contra infraestruturas e fábricas energéticas iranianas. Posteriormente, os próprios iranianos desmentiram qualquer aproximação ou início de negociações sobre um possível fim do conflito várias vezes, enquanto existia o risco de escalada com a possível entrada dos Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita no conflito.


À espera de confirmar a veracidade da notícia de Khamenei, parece aumentar ligeiramente o otimismo, como vimos ontem no mercado (bolsas a subirem, enquanto as obrigações (yield), dólar e petróleo com moderações, especialmente fortes no último caso (-9%/-10%)). Contudo, a realidade é que continuam os ataques na região, portanto, não há ainda clarificação sobre as conversações de paz.


De todos os modos, nós continuamos a defender a duração limitada do conflito (semanas, não meses). Isto tem sentido, já que Trump precisa de chegar às eleições de meio mandato (novembro) com a guerra terminada, inflação moderada e preço do petróleo menor (85 $?). Por isso, independentemente da volatilidade e dos vaivéns no mercado, continuamos a insistir que a guerra gerou oportunidades de compra em ativos a preços atrativos. Quando isto for resolvido, provavelmente teremos níveis de crescimento positivos, uma inflação que se irá corrigindo após o impacto inicial e uns bancos centrais que evitarão atuar até teres clarificações e com a lição aprendida de que não se pode controlar a inflação subindo taxas de juros quando o choque é de oferta.


Na frente macro, a ronda de PMIs na Europa e EUA de março servirá para testar o impacto do conflito iraniano, embora poderá passar para segundo plano como a Confiança do Consumidor europeia de ontem. 


CONCLUSÃO: Os futuros vêm planos, embora algumas fontes apontem que o Irão poderá estar disposto a negociar com os EUA. A confirmar-se, a sessão seria novamente positiva. Agora tudo depende das novidades do Médio Oriente.


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Ofensiva no Irã desafia ata do Copom*


… Os negócios globais vibraram ontem com a trégua temporária ordenada por Trump, que prometeu adiar os ataques contra usinas e a infraestrutura energética do Irã por cinco dias. Depois Teerã desmentiu negociações diplomáticas para o fim da guerra e o barril voltou a saltar na madrugada para perto de US$ 105, após furar US$ 100 mais cedo. Sem a garantia de que o conflito vai terminar, é cedo para contar com um alívio confiável da commodity. No meio das reviravoltas geopolíticas, o investidor tem hoje para ler a ata do Copom (8h). A agenda do dia reserva ainda a arrecadação de fevereiro (11h) e a pesquisa eleitoral Atlas Intel para presidente (sem horário confirmado).


À PROCURA DE RESPOSTAS – O mercado estranhou que, no comunicado da semana passada, o BC apontou a guerra como potencial fator para abrir o ciclo de corte da Selic só com 0,25pp, mas quase não ajustou a inflação projetada.


… Chamou a atenção que a estimativa para o IPCA no horizonte relevante da política monetária (terceiro trimestre de 2027) tenha subido de forma marginal, de 3,2% para 3,3%, levantando o debate se o BC não estaria superotimista.


… Que fatores o Copom estaria incorporando para manter tanto sangue-frio com as expectativas inflacionárias?


… Seria o câmbio favorável que estaria compensando a pressão da escalada rápida do petróleo? Ou estaria na conta o risco baixista da desaceleração econômica? Neste caso, existe uma outra ponta solta para a ata responder.


… Alguns economistas se questionam se o BC está desqualificando os dados fortes de atividade deste início de ano.


… Se a ideia era passar credibilidade de que o momento de ajustar a política monetária chegou, não deveria ter dado logo de largada um corte de meio ponto? Ou quis ser mais conservador para manter o rigor técnico em ano eleitoral?


… Até que ponto as pressões políticas podem aumentar e qual deve ser o orçamento total do alívio monetário?


… No cenário incerto do momento, de alta volatilidade externa com a ofensiva militar, o mercado espera uma abordagem mais detalhada da ata do Copom para projetar os próximos passos da política monetária, em abril.


… Por enquanto, o consenso do mercado aponta para nova dose de relaxamento de 0,25 ponto da Selic.


… Também a coletiva de Galípolo sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta-feira, poderá esclarecer pontos importantes, como a questão do juro neutro e a possibilidade de aumento nos preços da gasolina.


… Hoje, às 10h, exatamente duas horas após a divulgação da ata da reunião do Copom, o Bom Dia Mercado reúne especialistas para a segunda edição do BDM Live.


… Os editores Rosa Riscala e Téo Takar estarão acompanhados da jornalista Denise Abarca, editora-adjunta da AE-News/Broadcast, para um debate com os economistas Jason Vieira (Lev DTVM) e Sérgio Machado (MAG).


… Inscreva-se no link e assista com transmissão ao vivo pelo Youtube: https://tinyurl.com/a74kwe39


PACOTE DE BONDADES – Reportagem do Valor informa que o governo federal estuda uma linha de crédito de R$ 15 bilhões para socorrer setores mais afetados por novas tarifas dos Estados Unidos e pela guerra envolvendo o Irã.


… Do total, R$ 10 bi viriam da Lei Orçamentária Anual (LOA) e R$ 5 bi do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).


… Uma das alternativas em análise é elevar a subvenção a produtores e importadores de óleo diesel, por meio de uma nova medida provisória, depois da MP que fixou uma subvenção de R$ 0,32 por litro do combustível.


… O governo também aposta na construção de um acordo com governadores para zerar o ICMS sobre o diesel importado. Os Estados ainda demonstram ressalvas à proposta e discutem subvenção direta ao importador.


… Nesse caso, a subvenção seria concedida por cada Estado ao importador, com posterior ressarcimento parcial pela União, em um modelo de divisão de custos – metade arcada pelos Estados e metade pelo governo federal.


… Fontes da Petrobras disseram à Reuters que a companhia descarta, no curtíssimo prazo, um novo aumento no preço do diesel, dentro da estratégia de não repassar automaticamente a volatilidade ao consumidor.


… O Broadcast teve acesso a documento em que o Ministério de Portos e Aeroportos propõe decretos para reduzir a alíquota do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação (QAV) e zerar a alíquota do IOF incidente sobre as aéreas.


DÁ PRA CONFIAR? – Trump entrou na quarta semana de guerra contra o Irã disposto a acalmar os mercados, abalados por suas ameaças de escalar os conflitos no Oriente Médio. E conseguiu, derrubando o petróleo abaixo de US$ 100, uma queda de 10% para o Brent.


… Na Bloomberg, também pesaram na decisão do presidente de recuar na intenção de destruir a infraestrutura energética do Irã os alertas de aliados dos Estados Unidos e países do Golfo, em conversas privadas, sobre os perigos de levar adiante o seu intento.


… Esses parceiros disseram que danos permanentes à infraestrutura iraniana resultariam inevitavelmente em um Estado falido após o conflito.


… As negociações para encerrar a guerra foram recebidas com algum ceticismo, mesmo porque autoridades de Teerã negaram conversas com Washington. Mas o prazo de cinco dias dado por Trump ao suspender os ataques foi o que contou nesta segunda-feira.


… Diversos países do Oriente Médio, incluindo Turquia, Arábia Saudita e Omã têm participado de negociações informais com o Irã para tentar conter a guerra e levar a República Islâmica e a coalizão Estados Unidos-Israel a concordarem com um cessar-fogo.


… Trump passou o dia insistindo em comentários otimistas, afirmando que representantes do Irã entraram em contato para iniciar as negociações porque estão ansiosos para chegar a um acordo e que o Estreito de Ormuz poderá ser aberto “muito em breve”.


… Segundo o presidente, as negociações envolvendo seu genro Jared Kushner e o conselheiro Steve Witkoff começaram no sábado, e Teerã teria concordado em entregar o material nuclear do país e não retomar seu programa nuclear.


… O Ministério das Relações Exteriores do Irã, porém, negou qualquer conversa com os Estados Unidos, enquanto o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que as notícias são falsas e “usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo”.


… Apesar de Trump ter dito que “Israel ficará muito feliz com o que temos”, o governo de Netanyahu não vê um fim iminente para a guerra e planeja continuar as operações, evitando apenas atingir ativos energéticos.


… Além disso, segundo o NYT, o Pentágono considera o envio de três mil soldados ao Oriente Médio para dar apoio às operações militares dos Estados Unidos – uma força que poderá ser usada para tomar a Ilha Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã.


… Reportagem do WSJ revelou que as tropas estão programadas para chegar ao Oriente Médio na sexta-feira, prazo de Trump para um acordo.


NÃO EXISTEM COINCIDÊNCIAS – O FT trouxe matéria levantando a lebre de insider trading no mercado de petróleo.


… Quinze minutos antes de Trump publicar na Truth Social supostas conversas “produtivas” com o Irã, investidores fizeram apostas de meio bilhão de dólares no mercado da commodity, desencadeando o tombo no barril.


… A Casa Branca reagiu à reportagem, disse que não tolera que ninguém lucre ilegalmente com informação privilegiada e que qualquer insinuação de envolvimento sem provas é jornalismo “infundado e irresponsável”.


… Profissionais de mercado admitem que é difícil provar a casualidade, mas que é preciso se perguntar quem teria sido agressivo na venda dos contratos futuros. Como disse um gestor, “alguém acabou de ficar muito mais rico”.


PULOU FORA – Ratinho Junior desistiu de disputar a candidatura à Presidência da República e seguirá no governo do Paraná. O recuo foi calculado para evitar que a administração do Estado saia do comando de seu grupo político.


… A leitura nos bastidores de Brasília é de que o movimento tem relação direta com a entrada do senador Sergio Moro no PL (o evento de filiação marcado está para hoje) e com a reorganização do campo da direita no Paraná.


… Com a saída de Ratinho, o PSD ainda deve decidir se lança ao Planalto o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ou o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Os dois já estavam no páreo e a decisão deve sair até o final do mês.


… Lauro Jardim/O Globo informa que Caiado deve ser o escolhido. De seu lado, Eduardo Leite diz estar “pronto”.


… Depois da desistência de Ratinho, o pré-candidato à Presidência Romeu Zema, que deixou o cargo de governador de Minas, descartou rumores de que trocaria o partido Novo para se colocar como uma alternativa ao PSD de Kassab.


… Após ter assumido a Fazenda com a saída de Haddad para disputar a cadeira de governador de São Paulo, Dario Durigan anunciou ontem que Rogério Ceron deixará o comando do Tesouro e será o número dois da pasta.


… No redesenho, Daniel Leal assume o Tesouro e Úrsula Peres vira secretária-executiva adjunta da Fazenda.


CPI DO INSS – O ministro André Mendonça, do STF, atendeu a um pedido do presidente da comissão, o senador Carlos Viana, e determinou que Davi Alcolumbre prorrogue os trabalhos da CPI, que terminariam esta semana.


… Mendonça mandou o presidente do Senado fazer a leitura do pedido de prorrogação em até 48 horas. Mesmo que Alcolumbre desobedeça ao prazo, o ministro ordenou que a CPI ficará autorizada a continuar as atividades.


… Investigados têm conseguido decisões judiciais para não comparecerem à Comissão, prejudicando os trabalhos.


… O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, devem ser os próximos convocados. A CPI também tenta viabilizar o depoimento de Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro.


… A expectativa era de que ela tivesse sido ouvida ontem, mas não foi localizada para prestar depoimento.


MAIS AGENDA – A arrecadação da Receita em fevereiro deve alcançar R$ 219 bilhões, segundo a mediana no Projeções Broadcast, após R$ 325,751 bilhões em janeiro. As estimativas vão de R$ 210 bilhões a R$ 226,6 bilhões.


… Único destaque entre os balanços trimestrais é Boa Safra Sementes, após o fechamento do mercado. A Oi, que divulgaria resultado amanhã, informou na noite de ontem que adiou o seu cronograma, sem data definida.


… Segundo a companhia, o adiamento ocorre devido aos impactos dos eventos relacionados à recuperação judicial.


LÁ FORA – A leitura preliminar de março do PMI composto sai hoje nos Estados Unidos (9h30), zona do euro (6h), Alemanha (5h30) e Reino Unido (6h30). Michael Barr (Fed) discursa à noite (19h30). O Chile decide juro às 18h.


JAPÃO HOJE – Economistas apontam que a eclosão da guerra já impactou na leitura preliminar do PMI composto, que caiu de 53,9 em fevereiro para 52,5 em março, mas ainda permanece acima do patamar neutro de 50.


… O PMI industrial cedeu de 53 para 51,4 no mesmo período, também em território de expansão e acima da previsão dos analistas de 49 pontos. O PMI de serviços teve queda de 53,8 para 52,8, contra estimativa de 53 pontos.  


ATRÁS DO PREJUÍZO – As bolsas de Nova York reduziram ganhos para as mínimas intraday e os preços do petróleo reduziram as perdas com a negativa do Irã de que iniciou negociações com o governo Trump, mas o saldo do dia foi muito positivo.


… O petróleo tombou 10%, a US$ 95/barril, abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde 11/3, com a maior queda diária desde 2022, desarmando as posições defensivas montadas para o fim de semana, diante do risco de uma escalada da guerra, que não se confirmou.


… Negociado na Nymex, o WTI para maio fechou em queda de 10,28%, a US$ 88,13, e, na ICE, o Brent para junho caiu 9,86%, a US$ 95,92.


… Já os ganhos em Wall Street superaram 2% nas máximas do dia, com o índice Dow Jones em alta de 1,38% (46.208,47 pontos) no fechamento; Nasdaq, +1,38% (21.946,76 pontos); enquanto o S&P 500 avançou 1,15% (aos 6.581,00 pontos).


… O dólar e os juros dos Treasuries reverteram a alta da abertura após os primeiros comentários de Trump sobre possível acordo. O juro da T-Note de 10 anos, que atingiu máximas desde julho/2025, fechou a 4,342% (de 4,387% de sexta-feira).


… Já o rendimento da T-Note de 2 anos recuou a 3,854% (3,913% na sessão anterior) e o T-Bond de 30 anos, 4,915% (de 4,944%).


… O ouro, ativo de refúgio diante de instabilidades geopolíticas, aprofundou a queda recente e caiu 3,66%, a US$ 4.407,3/onça-troy.


… Para o Société Générale, a volatilidade e a aversão a risco devem predominar, considerando que, a menos que o Estreito de Ormuz seja reaberto rapidamente, os juros e os custos para importadores de petróleo devem continuar elevados nas próximas semanas.


IBOV E CÂMBIO – Na B3, o Ibovespa subiu firme (+3,24%), aos 181.931,93 pontos, tendo superado os 182.973,41 pontos no pico do dia. Em relação ao nível de abertura (176.220,82, na mínima da sessão), o Ibovespa recuperou quase 6 mil pontos. O giro somou R$ 32,3 bilhões.


… Com o Brent abaixo dos US$ 100, as ações de Petrobras não acompanharam o ritmo das demais blue chips, que subiram em bloco, mas ganharam ímpeto no fim da tarde, com a ON em alta de 0,68% (R$ 50,68) e a PN, de 0,79% (R$ 46,03) no fechamento.


… Os bancos foram destaque: BTG, +4,72% (R$ 55,23); Bradesco ON, +3,98% (R$ 16,44) e PN, +3,66% (R$ 19,00); Santander, +3,11% (R$ 30,16); Banco do Brasil, +2,97% (R$ 23,96); e Itaú PN +2,96% (R$ 42,78). A Vale também apresentou ganho firme (+2,57%; R$ 77,49).


… O câmbio acompanhou a desvalorização global do dólar e voltou a fechar abaixo de R$ 5,25. Caiu 1,29%, a R$ 5,2407. Na mínima, bateu R$ 5,2157. Apesar da queda, a moeda americana ainda acumula ganhos de 2% frente ao real em março.


… Contribuiu a venda pelo BC de US$ 1,8 bilhão em leilão de linha da oferta total, de US$ 2 bilhões para rolagem do vencimento de 2 de abril.


… No exterior, o índice DXY voltou a operar abaixo dos 100 pontos e no final da tarde caía 0,50%, aos 99,140 pontos.


ANTES DA ATA – O bom humor dos mercados levou os juros futuros a recuarem com mais força nas horas finais do pregão. As taxas curtas atingiram novas mínimas no meio da tarde, em sintonia com a curva dos Treasuries e a fraqueza global do dólar.


… A taxa do contrato para janeiro de 2027 cedeu de 14,377% no ajuste anterior para 14,16%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 13,77%, vindo de 14,075% no ajuste de sexta-feira. E o DI para janeiro de 2031 caiu de 14,11% para 13,875%.


… Na véspera de o BC divulgar a ata do Copom, o boletim Focus começou a mostrar impactos mais relevantes do conflito nas projeções.


… O consenso de mercado para a alta do IPCA em 2026 subiu de 4,10% para 4,17%. Também houve nova rodada de revisão para a taxa Selic no final do ano, agora estimada em 12,50%, de 12,25% na semana anterior.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS pagou R$ 219,2 milhões à PPSA após a aprovação da redeterminação da jazida compartilhada de Sapinhoá pela ANP, conforme previsto em acordo entre os sócios do campo.


VIBRA ENERGIA. Conselho aprovou distribuição de R$ 393,5 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,3299 por ação. Os papéis serão negociados “ex” a partir de 27 de março e o pagamento ocorrerá em 19 de setembro.


REDE D’OR. Conselho aprovou distribuição de R$ 350 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,1591 por ação. O pagamento será realizado em 07 de abril, com base na posição acionária de 26 de março.


FLEURY. Grupo encerrou programa de recompra após adquirir 2,3 milhões de ações; o plano havia sido iniciado em fevereiro.


GERDAU. T. Rowe Price Associates passou a deter 5,01% das ações preferenciais da companhia, segundo participação relevante.


RUMO. Moody’s colocou os ratings da companhia em revisão para rebaixamento, citando risco de contágio da controladora Cosan, após o rebaixamento e revisão do rating da holding em meio às incertezas envolvendo a reestruturação da Raízen.


EMBRAER. XP elevou a recomendação das ações de neutra para compra e fixou preço-alvo de R$ 92 por papel (US$ 70 por ADR), citando valuation mais atrativo e carteira de pedidos robusta.


TIM informou que discussões sobre a oferta da Poste Italiane pela Telecom Italia ocorrem no âmbito da controladora e que não possui informações adicionais além das já divulgadas publicamente.


ISA ENERGIA iniciou a operação comercial do Bloco 2 do projeto de transmissão Piraquê (MG), com antecipação de 17 meses frente ao prazo da Aneel; com a energização, passa a receber 91,5% da RAP do empreendimento.


MULTIPLAN concluiu a venda de 10% do BH Shopping por R$ 285 milhões; o comprador não foi divulgado. A empresa permanece com 90% de participação no empreendimento.


LOCALIZA. Gestora Dynamo passou a deter 20,20% do total de ações preferenciais da companhia, conforme comunicado ao mercado.


MOVIDA. Locadora teve lucro líquido de R$ 102,3 milhões no 4TRI25, alta de 64,5% na comparação anual; no ano, o lucro somou R$ 318,4 milhões (+37,5%). A receita líquida do trimestre foi de R$ 3,6 bilhões, crescimento de 12,6%…


… Companhia projeta lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões no 1TRI26, alta de cerca de 54% na comparação anual e acima do consenso de mercado de R$ 70 milhões, segundo a empresa.


EVEN reverteu prejuízo do 4TRI24 e registrou lucro líquido de R$ 44,9 milhões no 4TRI25, com receita líquida de R$ 484,4 milhões (+7,6% na comparação anual).


SANEPAR. Regulador do Paraná propôs destinar integralmente aos consumidores um precatório de R$ 3,94 bilhões recebido pela companhia, por meio de redução tarifária ou investimentos sem custo adicional. A proposta ainda será submetida a consulta pública.


BTG PACTUAL já recuperou R$ 73 milhões após ataque hacker envolvendo recursos no Pix, segundo O Globo. Os valores não eram de clientes, mas de recursos mantidos pela instituição junto ao Banco Central.


AGIBANK registrou lucro líquido de R$ 214,9 milhões no 4TRI25, alta de 9,2% na comparação anual. A receita somou R$ 2,958 bilhões (+38,4%), com carteira de crédito crescendo 43,9% em 12 meses.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Antonio Afonso

 O erro fundamental da mobilidade social


Sempre me disseram que a vida é injusta, que é preciso lutar pela vida, por ter um lugar ao sol. Mas hoje penso que isso é uma grande mentira. Os termos desta luta são uma grande mentira. Desde novo que convivo com os burgueses da minha cidade, pessoas muito pouco preocupadas com essa luta. Sempre vi uns a safar-se sem haver razões objectivas para isso. 


Vejo agora que a ideia de elevador social é uma piada. Há uns que têm lugares marcados no último andar desde que nasceram. Outros que chegaram lá pelas ligações, uns tiveram que pisar muita gente para entrar no elevador. A classe média é uma mentira pegada. A primeira vez que cheguei ao topo percebi logo a farsa. Esta ideia de mobilidade social é uma treta. Mesmo que entres no elevador e metas o dedo no último andar, a subida é sempre provisória. E o convite para desceres à base já está firmado. 


A verdadeira mobilidade social reside em dois aspectos individuais e noutro que tem a ver com a engrenagem do mundo. O primeiro aspecto é ter capital. O segundo é ter cultura. É que se és um escravo do dinheiro estás tramado. Tens de ter ativos, casa, património, um negócio, acções e talvez ouro. Tens de ter ativos que valorizem com a inflação. Sem isso és refém de um mestre que está sempre a depreciar. O dinheiro que entra no salário é sempre adiar a precariadade. Andas sempre com a corda ao pescoço. 


O segundo ponto é a cultura. E quando digo cultura não é só saber apreciar a beleza estética de um quadro ou de uma estátua grega. É saberes as forças que movem o intelecto humano, a realidade fundamental que é transversal a todas as culturas. O essencial do génio humano. É saber Dante e Dostoievski não como emblemas de estatuto mas como forças de pensamento. Seres rico e não teres cultura é miserável. 


Dito isto, é preciso notar se és refém de sinais exteriores de riqueza tens sempre um problema. O dinheiro que ganhas não serve para criar património mas para ter estatuto. E isso deixa-te sempre num pequeno passo à beira do abismo. És um Sísifo num jogo absurdo de aparências. Conheço muitos indivíduos que fazem da sua vida a exploração das vaidades humanas, da eterna tendência para seguir atalhos e a inclinação humana para a crendice. Essas figuras são de fugir. A sua única oferta é um rodízio de distracções. Esquece essa gente. Só fazem perder tempo. 


Por fim, se levas a sério tudo isto. A tua missão é simples. Guardar riqueza, guardar conhecimento e guardar sabedoria. Mas para esse processo faça sentido tens de passar este legado à próxima geração. Caso contrário o teu esforço acaba em pó. É isto a mobilidade social: manter a chama viva e passar o legado para a geração seguinte. É por isso que há famílias poderosas. Estas linhagens estão a repetir este processo há centenas de gerações.

Pesquisa e IA

 Cientistas propõem IA que desenvolve plano de pesquisa, checa literatura e redige artigo SAMUEL FERNANDES Francisco Villaescusa-Navarro, pe...