Enquanto o Brasil debate EAD versus presencial...
A China acaba de revisar mais de 30% de todos os seus cursos universitários.Entre 2021 e 2025, universidades chinesas encerraram ou suspenderam 12.200 programas de graduação e criaram outros 10.200 novos, alinhados às prioridades tecnológicas e econômicas do país.
Não estou dizendo que devemos copiar a China.
Estou observando algo mais importante. Eles estão discutindo quais capacidades precisarão desenvolver na próxima década.
Nós ainda estamos discutindo o formato pelo qual vamos ensinar.
Enquanto isso, a IA avança.
O mercado muda.
Profissões desaparecem.
Novas funções surgem.
E milhões de estudantes continuam sendo preparados para um mundo que já não existe.
O debate brasileiro sobre a formação de professores é um bom exemplo.
Cursos de Pedagogia EAD estão sendo restringidos.
Mas a pergunta central permanece sem resposta: Como vamos formar mais professores qualificados para regiões que já enfrentam escassez crônica de profissionais?
Não basta remover ou restringir uma modalidade.
É preciso desenhar uma alternativa.
Porque educação não se transforma por decreto.
Ela se transforma quando existe uma visão clara do futuro que queremos construir.
Talvez essa seja a diferença mais importante. Alguns países organizam sua educação em torno de uma estratégia nacional de longo prazo.
Nós ainda alternamos prioridades a cada ciclo eleitoral.
E isso nos leva a uma pergunta desconfortável: Estamos discutindo os meios... ou estamos discutindo os resultados que desejamos produzir?
Porque a verdadeira disputa não é entre presencial e EAD.
É entre formar pessoas para o passado ou para o futuro.
E essa escolha já está sendo feita todos os dias.
Mesmo quando fingimos que não.