Papo de Economista
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
BDM Riscala Matinal
A semana começa com os mercados em clima positivo, embalados pela expectativa com o encontro entre Trump e Xi Jinping, enquanto o petróleo recua pelo quarto pregão seguido, apesar da escalada no Oriente Médio. A melhora do fluxo por Ormuz e novas iniciativas diplomáticas ajudam a aliviar o Brent, enquanto ataques houthis mantêm a tensão sobre a infraestrutura saudita e Bab el-Mandeb. No Brasil, Lula abre amanhã a Assembleia Geral da ONU, enquanto o caso Master continua produzindo novos desdobramentos. Na agenda econômica, ata do Copom, IPCA-15, Relatório de Política Monetária e pesquisas eleitorais dividem as atenções com uma bateria de discursos do Fed e os PMIs nos Estados Unidos e na Europa.
ORMUZ DÁ ALÍVIO – O petróleo abriu em queda pelo quarto pregão seguido, apesar da escalada no Oriente Médio durante o fim de semana.
… No eletrônico, o Brent recuava 2,17%, para US$ 101,60, com o mercado acompanhando a melhora do fluxo pelo Estreito de Ormuz e os novos esforços diplomáticos para encerrar a guerra.
… Segundo o Centcom, o volume de petróleo, cargas e GNL que atravessou Ormuz nas últimas duas semanas atingiu o maior nível em seis meses, apesar dos ataques iranianos a embarcações.
… As forças americanas dizem ter protegido mais de 2 mil navios e auxiliado o transporte de mais de 1 bilhão de barris nos últimos dois meses.
… No fim de semana, os houthis lançaram um míssil balístico contra Riad, interceptado pela defesa saudita, e reivindicaram ataques com mísseis e drones contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu, importante polo de exportação no Mar Vermelho.
… Yanbu é especialmente sensível porque recebe o oleoduto Leste-Oeste, que permite à Arábia Saudita escoar petróleo sem passar por Ormuz. O corredor, com capacidade para transportar cerca de 4 milhões de barris por dia, já havia sido danificado por ataques na semana passada.
… A pressão se estende a Bab el-Mandeb. Os houthis prometeram manter as ofensivas contra a Arábia Saudita até o fim do bloqueio às áreas do Iêmen sob seu controle e ameaçaram reagir contra outros países que se juntem a Riad.
… O grupo avançou neste mês pela costa ocidental do Iêmen até o estreito, passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
… Outro amortecedor vem da China, que acumulou cerca de 1,4 bilhão de barris em reservas estratégicas e reduziu suas importações de petróleo em 32% no segundo trimestre. Os estoques ajudaram a limitar a disparada dos preços durante os seis meses de guerra.
… Embora o mercado continue vulnerável a novas interrupções, especialmente diante dos ataques à infraestrutura saudita e da pressão simultânea sobre Ormuz e Bab el-Mandeb, a escalada militar convive com novas tentativas diplomáticas.
… Trump voltou a ameaçar o Irã neste domingo, mas disse estar aberto a encontrar o presidente Masoud Pezeshkian, que estará em Nova York junto com o chanceler Abbas Araghchi para a Assembleia Geral da ONU nesta semana.
… Amanhã, ele deve se reunir à margem da Assembleia com líderes dos países do Golfo para discutir os próximos passos na guerra e propostas para uma estratégia pós-conflito. Washington já trabalha no plano, que deve ser finalizado após as eleições de meio de mandato.
TRUMP RECEBE XI – O presidente também deve se encontrar nesta semana com Zelensky e com Xi Jinping, que será recebido em Washington, na quinta-feira, para uma agenda que vai da trégua comercial entre Estados Unidos e China a Taiwan, Irã e inteligência artificial.
… No comércio, os mercados estarão atentos à possível prorrogação da trégua tarifária que vence em 10 de novembro e a eventuais anúncios sobre agricultura e barreiras não tarifárias.
… O clima melhorou neste domingo, após Scott Bessent classificar como “muito proveitosa” a reunião com o vice-premiê chinês, He Lifeng, em Nova York. Os dois lados disseram que continuarão trabalhando em um acordo comercial.
… Bessent também propôs a criação de um mecanismo de notificação entre os dois países para incidentes de segurança nacional envolvendo inteligência artificial.
… A tecnologia terá lugar de destaque na visita. Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, da Nvidia, Jensen Huang, da Qualcomm, Cristiano Amon, e o presidente do conselho da Apple, Tim Cook, estão entre os executivos esperados para o jantar de Estado com Trump e Xi.
… Às vésperas do encontro, Trump anunciou que pretende nomear um novo “czar” da inteligência artificial e criar uma “Força de IA”, defendendo que os Estados Unidos acelerem o desenvolvimento da tecnologia para preservar a liderança sobre a China.
LULA NA ONU – Outro encontro poderá ocorrer entre o presidente do Brasil e Trump, nos bastidores da Assembleia Geral, como no ano passado, quando surgiu a famosa “química” entre os dois. Lula abre o debate amanhã e será seguido pelo presidente americano.
… Lula chegou neste domingo a Nova York, para uma estadia curta, mas de peso também para a campanha eleitoral no Brasil. A poucos dias do primeiro turno, um dos principais eixos de seu discurso será a defesa da soberania nacional, que ganhou espaço na estratégia da reeleição.
… A expectativa é de que Lula defenda as instituições e o processo eleitoral e rejeite interferências externas, sem citar nominalmente Trump. O presidente deve adotar linguagem diplomática e evitar referências à crise no STF, considerada pelo governo um assunto interno.
… Lula pretende ainda criticar medidas e sanções comerciais unilaterais e defender a cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional, desde que respeitados o direito internacional e a integridade territorial dos países.
… A defesa do multilateralismo ganhou um novo capítulo neste domingo, quando Lula assinou com os líderes da União Europeia, Quênia e Canadá um manifesto que pede reformas nas instituições internacionais diante do aumento dos conflitos e da fragmentação geopolítica.
… O documento cita os riscos de gargalos marítimos globais, como o Estreito de Ormuz, para as cadeias de suprimentos, além dos desafios da inteligência artificial, choques financeiros e mudanças climáticas.
… A agenda de Lula inclui entrevista hoje à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, e reuniões com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador democrata Bernie Sanders. Mais de 30 autoridades haviam solicitado encontros.
… Amanhã, antes do discurso na ONU, Lula se reúne com o secretário-geral da organização, António Guterres. O retorno ao Brasil está previsto para poucas horas depois do discurso. Ele não participará do jantar oferecido por Trump aos chefes de Estado.
MAIS POLÍTICA – Câmara e Senado não têm sessões deliberativas previstas nesta semana, às vésperas do primeiro turno. Depois de mais uma semana de crise, o STF não tem julgamentos relacionados ao caso Master. Mas o caso ganhou novos capítulos no fim de semana.
… Um vídeo mostrou Moraes e a mulher desembarcando de uma aeronave ligada a Vorcaro, após o ministro ter dito que “jamais” havia viajado em avião do banqueiro. O escritório de Viviane Barci confirmou o uso de serviços da empresa, mas disse que Vorcaro nunca esteve nos voos.
… Também aumentou a pressão sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto ao lado de Vorcaro em Londres. A oposição cobrou seu afastamento. Gonet afirma que a imagem é de 2024, quando não havia investigação contra o banqueiro.
… Outro vídeo, também de 2024, mostrou Vorcaro em uma festa do Master em Londres com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Andrei e Gonet são citados em mensagens nas quais o banqueiro pediu a Moraes que interviesse para tentar frear as investigações sobre o banco.
… Ainda neste domingo, Flávio Dino deu prazo de 90 dias para que a União, sob coordenação do Ministério da Fazenda, apresente uma avaliação do arcabouço da CVM e propostas para aprimorar a autarquia, diante das fragilidades na supervisão apontadas no caso Master.
… Faltando duas semanas para as eleições e depois das turbulência no STF, o calendário das pesquisas eleitorais prevê Quaest e BTG Nexus para hoje, AtlasIntel na quarta-feira e Datafolha e Real Time Big Data na quinta-feira.
MAIS AGENDA – A ata do Copom amanhã, terça-feira, e o IPCA-15 de setembro concentram as atenções na agenda econômica da semana, que traz ainda o Relatório de Política Monetária do BC e uma bateria de divulgações fiscais do governo.
… Na ata da reunião que reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 13,75%, o mercado buscará pistas sobre os próximos passos do Copom, depois que o comunicado reconheceu uma desaceleração mais clara da atividade e melhora da inflação.
… Ainda amanhã, a Fazenda divulga às 10h30 o Boletim Macrofiscal, com novas projeções oficiais para atividade e inflação, além do resultado da arrecadação federal de agosto. A divulgação do boletim estava inicialmente prevista para a última sexta-feira e foi transferida para dia 22.
… Na quinta-feira, sai o Relatório de Política Monetária, acompanhado de entrevista coletiva do presidente do BC, Gabriel Galípolo, enquanto Fazenda e Planejamento apresentam o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do quarto bimestre.
… O documento deverá detalhar o espaço fiscal para o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado na semana passada.
… As contas públicas ganharam mais atenção após o governo revisar suas projeções para a dívida. As estimativas enviadas ao Congresso junto com o PLOA de 2027 apontam a dívida bruta em 83,7% do PIB no fim deste ano, chegando a 89,6% em 2029 e 89,7% em 2030.
… Também na quinta-feira, reúne-se o Conselho Monetário Nacional. O IPCA-15 encerra a semana dos indicadores domésticos na sexta-feira.
… Hoje, como todas as segundas-feiras, o Banco Central divulga a Pesquisa Focus, às 8h25.
LÁ FORA – Nos Estados Unidos, a agenda de indicadores é mais leve, mas o mercado acompanhará uma bateria de discursos de dirigentes do Fed em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros, depois da alta de 0,25 ponto da semana passada.
… Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, já reforçou o tom duro neste domingo (leia abaixo).
… Hoje fala Austan Goolsbee. Amanhã será a vez de John Williams, Philip Jefferson e Thomas Barkin. Michael Barr participa de evento na quarta-feira, e Williams, Barkin, Beth Hammack e Anna Paulson estão entre os dirigentes com compromissos na quinta e na sexta-feira.
… Os PMIs preliminares de setembro serão conhecidos na quarta-feira nos Estados Unidos e na Europa. Para o PMI americano, a previsão é de 54 na indústria, 56 nos serviços e 56,3 no composto. Ainda na quarta, o DoE divulga os estoques semanais de petróleo.
… Na sexta-feira, sai a leitura final de setembro da confiança do consumidor da Universidade de Michigan, incluindo as expectativas de inflação.
ÁSIA HOJE –No Japão, os mercados permaneceram fechados hoje por feriado local; amanhã também não haverá pregões.
… Já na China, o PBoC manteve as principais taxas de juros inalteradas, segundo comunicado divulgado neste domingo, com a referência para empréstimos (LPR) de 1 ano em 3% ao ano e a LPR de 5 anos em 3,5% ao ano. Os juros seguem no mesmo nível desde maio de 2025.
ELEIÇÃO NA ALEMANHA – A apuração neste domingo revelou perdas expressivas para a CDU, do chanceler Friedrich Merz, nas eleições estaduais de Berlim e Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, enquanto a AfD ampliou sua votação.
ENERGIA QUE MOVE – Chamou a atenção na sexta-feira nos negócios a capacidade que os juros futuros domésticos exibiram de resistir à pressão nas taxas dos Treasuries, com o yield da Note de dez anos rompendo de novo os 5%.
… Apesar de o rendimento do título do Tesouro americano ter voltado a superar este nível de estresse, por aqui, a curva do DI operou de lado, porque o trade eleitoral ainda parece estar blindando contra as ondas de piora externa.
… Pela manhã, o investidor mostrou algum desconforto, depois de a Datafolha mostrar estagnação de Flávio Bolsonaro, mesmo após a tensa sessão do STF. Mas já à tarde a esperança de vitória da oposição voltou a dominar.
… Faltando apenas duas semanas para a eleição presidencial, as próximas pesquisas eleitorais servirão de tira-teima sobre a competitividade da candidatura bolsonarista ou o eventual risco de uma estagnação nas intenções de voto.
… A notícia de que o Ministério Público junto ao TCU pediu a suspensão do reajuste de 15% do Bolsa Família, alegando que a medida fere a LRF, foi bem recebida pelo mercado, um dia depois do “pacote de bondades” de Lula.
… Descoladas do exterior, a taxa do DI para Jan/27 ficou estável, em 13,555%; Jan/28 fechou em 13,630% (de 13,617% ano ajuste); Jan/29, 13,840% (de 13,845%); Jan/31, 14,020% (de 14,061%); e Jan/33, 14,130% (14,185%).
… Além da politização do enredo nos negócios, os juros futuros esperam esta semana pelo teor da ata do Copom, neste momento em que o BC avalia o esfriamento gradual da atividade como sinal de eficácia da política monetária.
… O Bradesco divulgou relatório revisando para baixo a previsão para o PIB deste ano, de 1,9% para 1,7%, e de 2027, de 1,3% para 1,0%, já que os dados do terceiro trimestre continuam sinalizando moderação do ritmo.
… No câmbio, como aconteceu com o DI, chegou a haver algum mal-estar pela manhã de sexta-feira com a falta de novidades do Datafolha. Mas o cenário eleitoral indefinido não chegou a evoluir para uma reação mais negativa.
… O dólar à vista fechou em leve alta de 0,10%, a R$ 5,1442, nada demais para um dia em que o real poderia ter sofrido maiores efeitos colaterais do tombo do iene, depois de o BoJ ter deixado em aberto os seus próximos passos.
… Durante seminário realizado pelo FGV/Ibre e Estadão, o sócio-fundador da SPX Capital, Rogério Xavier, alertou que o Brasil se encontra em uma trajetória fiscal perigosa, com endividamento semelhante aos de países desenvolvidos.
… A amarga diferença é que o País não conta com a credibilidade das grandes economias globais.
… Xavier é contrário a propostas de cortar os juros “na marra” e usar reservas para controlar a taxa de câmbio.
… Segundo ele, apelar a estas medidas seria como um “beijo da morte”, causaria pânico entre investidores estrangeiros e detentores de ativos, provocando fuga de capitais e o surgimento de mercados paralelos de dólar.
PROMETEU MUITO E ENTREGOU POUCO – Foi praticamente um aperto dovish a decisão do BoJ de subir os juros em 25 pontos-base, a 1,25%, maior nível desde 1995, porque o placar veio rachado (7 a 2) e Kazuo Ueda frustrou.
… Apesar de o presidente do BC japonês ter reconhecido o risco de a inflação subjacente superar a meta de 2%, ele condicionou novos movimentos da política monetária à evolução da economia, dos preços e condições financeiras.
… Para quem esperava que ele pudesse vir muito mais agressivo, não deixou de ser uma decepção, descontada no iene, que só conseguiu reduzir parcialmente o mau humor com rumores de possível intervenção no câmbio.
… Ainda assim, o iene caiu forte (-0,50%), para 156,75 por dólar. Desde o estouro da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro, a inflação ganhou o atual contexto como o maior driver a ser administrado pelos grandes BCs.
… Em entrevista neste domingo à Fox News, o Fed boy Neel Kashkari advertiu que as pressões inflacionárias vão além dos preços do petróleo e que, mesmo excluindo energia e alimentos, a inflação continua rodando muito alta.
… O colega Jeff Schmid concorda que a pressão é disseminada entre bens e serviços, não apenas energia, e que os indicadores recentes apontam inflação acima de 3%, o que justifica o aperto promovido pelo Fed semana passada.
… Também no BCE, o vice-presidente, Boris Vujcic, disse que a precificação dos juros está sendo impulsionada principalmente pela alta de energia, porém, não seria aconselhável concentrar-se exclusivamente nesse fator.
… Outro integrante do Banco Central Europeu, Martins Kazaks afirmou que a taxa de juros de 2,75% representa um território restritivo, mas reconheceu que a instituição “pode ir além disso” se as perspectivas econômicas exigirem.
… O euro registrou alta de 0,10%, a US$ 1,1488, e a libra esterlina ganhou 0,28%, cotada a US$ 1,3396.
… De pouco adiantou o petróleo ter caído na sexta, porque continuou nos três dígitos e reforçou a convicção de que o Fed pode ter que se manter na direção atual para combater as pressões inflacionárias perigosamente altas.
… Na visão da Stifel Economics, serão necessários mais do que dois aumentos de juros para garantir o retorno à meta. Neste cenário mais restritivo, as taxas da Note de dez anos voltaram a superar 5%, a 5,005% (contra 4,929%).
CREO EN BRUJAS – As bolsas em Nova York monitoraram a retomada da trajetória de alta dos Treasuries e as preocupações com a política monetária japonesa, mas oscilaram em margem estreitas, sem cautela mais intensa.
… O triple witching, vencimento simultâneo de três tipos de contratos, pode ter justificado a postura moderada. O Dow Jones caiu 0,18% (51.682,64 pontos); S&P 500, +0,17% (7.650,50 pontos); e Nasdaq, +0,39% (26.522,55 pontos).
… Também o Ibovespa não operou no susto, apesar de ter assumido alguma dose defensiva antes das próximas pesquisas eleitorais e de olho no comportamento dos juros dos Treasuries e desdobramentos da guerra.
… O alívio do petróleo desvalorizou a Petrobras (ON -1,09%, a R$ 53,41; e PN -0,23%, a R$ 48,50) e contribuiu para que o Ibovespa caísse 0,41%, aos 185.229,17 pontos, com giro de R$ 26,8 bilhões turbinado pelo exercício de opções.
… Vale (-1,53%; R$ 73,37) também colaborou para manter a bolsa no vermelho. Segundo o Broadcast, os custos de frete entre os Brasil-China chegaram a cerca de US$ 42 por tonelada e respingam sobre os papéis da mineradora.
… A própria empresa avalia que cerca de 120 milhões de toneladas de minério podem ficar economicamente inviáveis nas condições atuais, segundo relatos do Citi, após reunião com o CEO da Vale, Gustavo Pimenta.
… Para o Itaú BBA, a Vale está bem protegida no curto prazo, mas a cobertura cai de forma relevante em 2028.
… Entre as blue chips financeiras, Santander unit caiu 3,47% (R$ 29,47), Bradesco PN recuou 0,88% (R$ 17,99) e Itaú PN devolveu 0,59% (R$ 42,33), ao passo que BB ON avançou 1,84% (R$ 23,20) e BTG unit ganhou 0,43% (R$ 61,40).
CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS negou impacto socioambiental direto da exploração na Foz do Amazonas, após MPF pedir suspensão imediata da licença de perfuração até cumprimento de medidas em comunidades…
… Petrobras informou que recebeu R$ 448 milhões em subvenção à gasolina e acumula R$ 9,9 bilhões em repasses para combustíveis. Conselho também aprovou adesão à nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel…
… TCU julga na próxima quarta-feira, em sessão extraordinária e reservada, política de preços da Petrobras.
VIBRA fechou contrato de R$ 1,28 bilhão com a Inpasa Agroindustrial para fornecimento de etanol hidratado.
SABESP fará emissão de R$ 59,5 milhões em debêntures, com prazo de 1.778 dias e remuneração de 6,3% ao ano. Recursos financiarão projetos elegíveis ao Eco Invest Brasil.
ANEEL revisou a projeção de alta das contas de energia deste ano, de 8,6% para 9,4%.
TIM. Poste Italiane tornou-se controladora indireta da companhia após passar a deter cerca de 66,63% da Telecom Italia por meio de OPA.
PORTO pagará R$ 333,4 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,520657 por ação. Papéis ficam ex em 24/9 e pagamento será feito até abril de 2027.
FLEURY antecipou de 2/10 para 28/9 o pagamento de R$ 217,8 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,4007 por ação.
NATURA firmou parceria com a Aviva para abrir um spa da marca Ekos na Costa do Sauípe, na Bahia, com inauguração prevista para outubro. Será o segundo projeto da companhia no segmento de spas.
CYRELA. Invesco elevou participação para 5,01% das ações ON, equivalente a 19,2 milhões de papéis.
IGUATEMI. Fundos geridos pela Azvalor passaram a deter 18 milhões de units, equivalentes a 10,62% do capital.
TOTVS pagará R$ 85 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,15 por ação. Pagamento será em 8/10. Ex em 24/9.
POSITIVO fará emissão de R$ 120 milhões em notas comerciais, com prazo de dois anos e remuneração de DI + 1,35%. Recursos serão usados para refinanciar passivos.
MARCOPOLO. Goldman Sachs reduziu participação de 5,91% para 4,38% das ações PN.
PARANAPANEMA. João Carlos Correa de Vargas elevou participação para 27,84% do capital e tornou-se o maior investidor individual da companhia.
Bankinter Matinal Portugal
Análise Bankinter Portugal
NY +0,2% US tech +0,7% US Semis +2,8% UE -1,4% Espanha -1,6% VIX 14,8% Bund 3,52%. T-Note 4,99%. Spread 2ª-10ª USA=+24pb B10A: ESP 3,99% PT 3,86% ITA 4,43% FRA 4,56% Euribor 12m 3,343% (futuro 12m 3,800%) USD 1,147 JPY 180,2/€ 157,1/$. Ouro 4.353$. Brent 102,1$. WTI 98,5$. Bitcoin +6,7% (81.518$). Ether +8,8% (2.664$).
:: SESSÃO. Parece que o petróleo retrocede um pouco, brincando com a fronteira dos 100 dólares por barril perante uma calma aparente entre os EUA e o Irão, portanto, as bolsas asiáticas sobem esta madrugada, especialmente a tecnologia na Coreia (+1,5%). O tom é de calma e as bolsas poderão subir um pouco (+0,5%), habituadas já às “yields fronteira”: T-Note 5%, Bund 3,50% e O10A Espanha 4%. O USD bastante apreciado (1,147) e o yen volta a depreciar-se (180,2/€ 157,1/$), o que demonstra que o efeito das intervenções é efémero. O tom parece menos
A polémica sobre a velocidade da IA simplesmente parece ter ficado suspensa, sem desenvolvimento, mas sem mais deterioração. Não há nenhuma conclusão, mas menos tensão. Contudo, um mercado um pouco menos tenso não significa necessariamente um mercado em alta, porque as fontes de incerteza (petróleo, obrigações e IA) permanecem ativas e poderão voltar a bloqueá-lo a qualquer momento. E não devemos esperar que a macro desta semana resolva a situação, porque se trata de indicadores de influência intermédia que provavelmente serão laterais: PMIs no mundo, IFO Clima Empresarial na Alemanha e 3 bancos centrais “periféricos” que repetirão taxas de juros (Suíça, Suécia e Noruega). Reunião Trump/Xi na quinta-feira, provavelmente com resultados de perfil baixo ou muito baixo.
Na realidade, além da imprevisibilidade do petróleo, as obrigações e a IA, a próxima referência previsível capaz de dirigir o mercado são os resultados corporativos 3T 2026 que começarão a ser publicados a 13 de outubro, com Goldman (Micron a 30 de setembro, porque termina o exercício em agosto). Espera-se que expandam +30% nos EUA, que é um ritmo mais do que respeitável. Principalmente ao ter em conta que vêm a bater amplamente as expetativas (no 2T, +53,4% vs. +24% esperado, por exemplo), portanto, parece razoável pensar que no 3T acontecerá algo parecido. Contudo, até que comecemos a ver esses números, teremos um mercado instável, inseguro e errático… provavelmente com bolsas laterais e a assentarem-se, à espera de que algo novo aconteça e a acostumarem-se a conviver cordialmente com umas yields das obrigações a longo prazo em torno dos “níveis-fronteira” comentados.
:: VÁRIOS: As eleições no 2 länder na Alemanha resultaram noutra vitória de AfD em Mecklembugo-Pomerania (1,9% população) e de Die Linke (antigos comunistas da RDA) em Berlim (4,5% população). Ucrânia ataca Moscovo com 1600 drones, com algum sucesso nas refinarias, mesmo em plenas eleições na Rússia, o que debilita a imagem de Putin e pode levar a uma intensificação da guerra. Japão fechado de segunda a quarta-feira.
:: CONCLUSÃO. Tom um pouco menos tenso, mas mercado submetido a elevada incerteza. Certamente irá subir um pouco hoje, mas continuaremos numa fase de espera de que algo mude ou que os resultados corporativos 3T animem um pouco a situação. O risco Ucrânia/Rússia é crescente e isso significa prémio de risco
FIM
sábado, 19 de setembro de 2026
Samuel Pessoa e Breno Altman (peguei da rede)
As provocações de Pessôa me instigaram a fazer algumas reflexões e questionamentos sobre seus argumentos, os quais tento sintetizar abaixo:
Num primeiro momento, Breno Altman, bem municiado de argumentos heterodoxos, coloca Pessôa contra a parede, apresentando alguns números dos governos Lula 1 e Lula 2, os quais apresentavam a obtenção sucessiva de superávits primários em meio a uma grande expansão fiscal dos gastos federais, com taxa de juros estável e juros não muito elevados. Para contestar Altman, Pessôa argumenta que a macroeconomia "tem um problema de baixa qualidade em suas séries históricas" e que ele poderia chegar a conclusões totalmente diferentes apenas apresentando uma narrativa distinta.
Apesar de a "verdade absoluta" não ser uma categoria alcançável do ponto de vista epistemológico, sou persuadido por argumentos que defendem que a investigação científica é capaz de produzir conhecimento objetivo, baseado em pressupostos demonstráveis, métodos reproduzíveis e conclusões que podem ser teoricamente mais robustas do que outras. Nesse sentido, as conclusões que os programas de pesquisa heterodoxos vêm obtendo em macroeconomia, principalmente com a retomada da abordagem clássica do excedente (Sraffa) e sua articulação com o arcabouço pós-keynesiano/kaleckiano, superando o poder explicativo da abordagem neoclássica, parecem fazer com que o mainstream econômico "desista da macroeconomia" em prol de uma microeconomia institucionalista baseada em experimentos quase naturais. O pior é que a ortodoxia vem reiteradamente tratando a macroeconomia como um campo do discurso. É certo que o discurso está repleto de aspectos políticos e ideológicos, mas isso não faz com que sua objetividade seja perdida.
Ao tratar a macroeconomia como um campo da economia suscetível ao discurso, Pessôa parte para a microeconomia institucional e alega que os resultados positivos do período "Palocci" (1994-2005) são frutos das reformas liberais. Novamente, vemos aqui os milagrosos efeitos das "defasagens eternas" dos tucanos. Daqui a 50 anos, o que estiver dando certo na economia será fruto das "reformas liberais dos anos 1990", e o que estiver dando errado será consequência de alguma mudança nesse arcabouço. Nisso, Pessôa não nega suas origens e se apresenta como uma das garças de alta plumagem mais aguerridas.
Em outra passagem, Pessôa tenta mostrar que as "mudanças" feitas em Lula 2 e Dilma 1 geraram uma situação de insustentabilidade que resultou na crise de 2015-2016. Ele não ponderou o fato de que houve uma expressiva mudança de agenda econômica entre Lula 2 e Dilma 1. Dilma já iniciou seu governo com um forte ajuste fiscal em 2011 e, depois, buscou implementar uma fracassada agenda de "aliança com o empresariado paulista". Ela apostou em PPPs em vez de investimentos públicos diretos (o setor privado não veio), apostou no Programa de Sustentação de Investimentos (PSI), que concedeu fortes subsídios ao setor privado, em vez de utilizar o poder do gasto público como componente da demanda agregada; adotou a contenção das tarifas de energia em um período de forte seca e, incrivelmente, acreditou que as estatais de energia controladas pelo PSDB iriam cooperar (CESP, COPEL e CEMIG), o que obviamente não ocorreu e criou um grande descasamento contratual no setor elétrico, com preços atingindo picos históricos e empresas eletrointensivas deixando de investir para utilizar suas infraestruturas elétricas na venda de energia. Sem contar a pedalada fiscal e a redução da taxa de juros via bancos públicos, que também encontraram seus limites devido às amarras jurídicas do orçamento federal e à frustração de receitas tributárias em decorrência do "ajuste fiscal rudimentar". A cereja do bolo foi a Operação Lava Jato, que travou toda a cadeia produtiva do setor de óleo e gás no Brasil. Enfim, sem considerar esses "detalhes", fica fácil afirmar que a crise de 2015-2016 foi culpa do Lula 2. Veja no gráfico G1 o comportamento do orçamento estrutural a partir de 2011.[1]
Para Pessôa, o que limita a economia brasileira a crescer mais é sua baixa poupança. Ele destaca que, quando fala em "baixa poupança", não está se referindo à poupança financeira (que resulta do financiamento via crédito, ou seja, que não exige economia prévia). Porém, ele não define claramente o conceito de poupança que utiliza. O que fica implícito é que se trata do conceito moral ou "técnico" de poupança como economia de recursos. Nesse contexto, a baixa poupança causaria taxas de juros elevadas, inviabilizando níveis mais altos de investimento. Assim, qualquer expansão do gasto acima do nível de equilíbrio geraria inflação, pois a economia estaria operando próxima do pleno emprego.
Nesse momento, Altman faz contra-argumentações utilizando os exemplos chinês e japonês. A China realiza elevados investimentos, ampliando sua capacidade produtiva, e o Japão apresenta um grande volume de dívida pública em relação ao PIB sem enfrentar problemas inflacionários ou restrições financeiras para o pagamento dessa dívida, uma vez que ambas as economias possuem dívidas denominadas em suas próprias moedas.
Pessôa então invoca, com uma nova roupagem, o velho mito da "dona de casa suábia", que economiza recursos para poder consumir posteriormente. Ele retoma esse mito a partir de um argumento culturalista, alegando que China e Japão investem muito porque "poupam muito".
Aqui cabe esclarecer algumas questões.
Na China, os investimentos em infraestrutura que impulsionam a economia são realizados por fundos de investimento municipais e provinciais, que captam recursos por meio de depósitos à vista ou da emissão de títulos junto aos cinco grandes bancos comerciais estatais chineses, os quais, por sua vez, estão vinculados ao mercado monetário chinês. Ou seja, quando um banco comercial chinês financia um fundo municipal ou provincial, ele cria moeda via crédito, pois os bancos não precisam recolher compulsório de imediato quando concedem empréstimos. Eles têm prazo para fazê-lo. Por outro lado, esses empréstimos acabam acessando as operações compromissadas (repos) do Banco Popular da China (PBoC).
Já o Japão, além de contar com a atuação do Banco do Japão (BoJ) na compra de títulos emitidos pelo Tesouro tanto no mercado primário quanto no secundário, também busca influenciar as taxas de juros de longo prazo por meio de compras periódicas, mesmo após o recente encerramento formal da política de Controle da Curva de Rendimentos. Ou seja, parte significativa da poupança japonesa deriva do próprio balanço do BoJ, e não exclusivamente da "economia dos lares". Além disso, as baixas taxas de juros japonesas faziam com que agentes tomassem empréstimos em ienes, convertessem-nos em dólares e investissem em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que ofereciam juros mais elevados. Novamente, a poupança japonesa emerge do crédito bancário e não da "economia dos lares".
Pessôa também argumenta que essa disponibilidade de "poupança" no Japão e, particularmente, na China permite fomentar investimentos capazes de elevar a produtividade. Ele reforça que investimentos em "capital humano" seriam a principal explicação para esses ganhos de produtividade.
A produtividade macroeconômica deriva da relação capital-produto, particularmente da composição do estoque de capital fixo em infraestrutura, máquinas e equipamentos. Esse estoque permite ao trabalho humano apropriar-se de fontes de energia e materiais que são aplicados em toda a economia, possibilitando a produção de um produto social suficiente para repor o estoque de capital, sustentar a força de trabalho e gerar excedente econômico. É a capacidade de apropriação de fontes de energia nos setores produtores e sua posterior aplicação nos setores consumidores que possibilita o aumento da força produtiva do trabalho. A educação afeta esse processo, mas de forma marginal. O acesso à energia e às matérias-primas por meio do estoque de capital fixo é o principal responsável por avanços significativos da produtividade. Observe, no gráfico da relação capital/produto, como, entre 1970 e 1983, essa relação aumentou, principalmente em razão dos investimentos em energia e infraestrutura realizados nos anos 1970. [2]
Pessôa também parte do princípio de que as medidas de PIB potencial utilizadas pelo mainstream econômico são razoáveis. Porém, conforme reproduzi em outros posts, essas medidas são, grosso modo, médias móveis que não guardam boa relação com a inflação. No gráfico de PIB potencial que apresento abaixo, é possível observar que o PIB potencial baseado na Lei de Okun, além de ser maior, apresenta comportamento mais realista. Por exemplo, durante a pandemia, nos períodos de lockdown, o PIB potencial calculado pela IFI apresentou uma redução relativamente modesta, enquanto a estimativa baseada na Lei de Okun mostrou uma queda bem mais pronunciada e plausível.
A baixa taxa de desocupação brasileira ainda não constitui uma limitação relevante ao PIB efetivo, pois há considerável subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e força de trabalho potencial ainda disponível para ser incorporada ao mercado. Portanto, a previsão de que o PIB sofrerá severas limitações no próximo mandato, conforme argumenta Pessôa com base na baixa taxa de desocupação, não parece particularmente crível.
Há outros pontos a discutir, mas o vídeo já era muito longo, assim como este post.
0ESP
O caso Master corre o risco de ser destruído não pela inexistência de crimes, mas pela guerra política instalada dentro do Supremo Tribunal Federal. As investigações estão divididas entre André Mendonça e Flávio Dino, hoje representantes de grupos antagônicos na Corte. Essa disputa pode contaminar procedimentos, provocar nulidades e permitir que Daniel Vorcaro e as autoridades supostamente beneficiadas por seus negócios escapem pela porta dos fundos do formalismo jurídico.
Os sinais são preocupantes. Dias Toffoli, primeiro relator do caso, deixou a função após a revelação de possíveis conflitos de interesse, mas decisões tomadas durante sua relatoria poderão ser questionadas. Agora, Edson Fachin suspendeu investigações conduzidas por Mendonça até que o STF resolva sua crise interna. Quanto mais o processo permanece paralisado e fragmentado, maior o risco de que erros processuais sejam posteriormente utilizados para invalidar tudo.
Foi essencialmente esse o roteiro que levou à chamada “descondenação” de Lula. As condenações não foram anuladas porque o STF declarou sua inocência, mas por decisões sobre competência territorial e imparcialidade judicial. Naquela ocasião, o mesmo movimento aconteceu de maneira menos ostensiva, construído nos bastidores dos gabinetes e por meio de uma sucessão de decisões processuais. O resultado político foi transformar condenados em vítimas, enfraquecer a Lava Jato e devolver ao poder personagens que haviam sido alcançados pelas investigações.
A consequência institucional foi ainda mais grave: a explosão da ousadia dos canalhas. Quando poderosos percebem que crimes, provas e confissões podem ser soterrados por nulidades produzidas pelo próprio sistema, o risco deixa de funcionar como freio. O caso Master não pode repetir esse roteiro. As investigações precisam ser imediatamente retomadas, preservadas tecnicamente e conduzidas até o fim. Caso contrário, o Brasil confirmará a pior de suas mensagens: para quem possui dinheiro, influência e acesso aos gabinetes certos, o processo não serve para fazer justiça — serve para fabricar impunidade.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Call Matinal
1) Ontem, dia 17, o Ibovespa subiu 0,24%, aos 185.992 pontos, e o dólar recuou a R$ 5,139, em sessão volátil. Nossa percepção é de que o reajuste de 15% do Bolsa Família derrubou a bolsa pela manhã e a virada veio com a Vale e o noticiário eleitoral.
2) Nesta sexta, dia 18, os mercados operam em alta, impulsionados pelos ganhos das ações de tecnologia e pela queda dos preços do petróleo, que ajuda a melhorar o sentimento dos investidores. Nesta madrugada, o BoJ encerrou a semana elevando os juros a 1,25%, maior nível em 31 anos, depois da alta do Fed e do corte do Copom.
3) No mercado global, o petróleo deu uma aliviada ao cair pelo segundo pregão, mas o Brent segue acima de US$ 100 e a tensão no estreito de Ormuz mantém vivo o principal risco para a inflação global.
4) No Brasil, Lula partiu para uma ofensiva eleitoral em várias frentes, passando do reajuste do Bolsa Família até as canetas emagrecedoras e à crise do STF, antes de levar a campanha à ONU, na próxima terça-feira. O Datafolha, porém, mostra que a disputa com Flávio Bolsonaro segue tecnicamente empatada.
5) Qual impacto destas medidas populistas sobre as contas públicas?
6) No curto prazo, as apostas são mais favoráveis à novos cortes de gastos, mas a discussão para 2027 acaba se tornando o grande desafio. Necessidade de Caixa, de R$ 5,8 bi em 2026 e de R$ 22,7 bi anuais em 2027 e 2028.
Para abrir espaço, o governo terá que cortar R$ 22,7 bi do Orçamento de 2027 — parte deve vir da Previdência. A IFI (Instituição Fiscal Independente, órgão técnico do Congresso) calcula que, com receitas superestimadas, o orçamento de 2027 vai exigir contingenciamento de R$ 35,7 bi para cumprir a meta.
Vamos monitorando.
BDM Matinal Riscala
… A semana dos bancos centrais termina com o BoJ elevando os juros ao maior nível em 31 anos, enquanto os mercados ainda digerem as decisões do Fed e do Copom e recalibram as apostas para a Selic. O petróleo deu algum alívio ao cair pelo segundo pregão, mas o Brent segue acima de US$ 100 e a tensão em Ormuz mantém vivo o principal risco para a inflação global. No Brasil, Lula partiu para uma ofensiva eleitoral em várias frentes, do reajuste do Bolsa Família às canetas emagrecedoras e à crise do STF, antes de levar a campanha à ONU, na próxima terça-feira. O Datafolha, porém, mostra que a disputa com Flávio Bolsonaro continua tecnicamente empatada.
BOJ ACELERA APERTO – Último dos bancos centrais a decidir sobre juros nesta semana, depois do BCE, Fed, BoE e Copom, o Banco do Japão elevou nesta madrugada sua taxa em 25pbs, de 1% para 1,25%, no segundo aumento em apenas três meses.
… A decisão ocorre depois da rara intervenção conjunta de Japão e Estados Unidos para sustentar o iene no fim de julho e de uma pressão incomum de Washington para que o BoJ acelerasse o aperto monetário.
… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, vinha cobrando publicamente juros mais altos e chegou a defender medidas “decisivas” para conter a fraqueza do iene. Após a alta do Fed, a diferença entre as taxas dos dois países continua pressionando a moeda japonesa.
… A alta para 1,25% era amplamente esperada e agora a dúvida é se o movimento representa uma aceleração do ciclo ou apenas uma antecipação pontual diante do aumento das pressões inflacionárias. Por isso, são importantes os comentários de Kazuo Ueda.
… Estrategistas do Citi, Wells Fargo e ING veem risco de enfraquecimento do iene se o presidente do BoJ não sinalizar novos aumentos em ritmo mais rápido. Mais de 90% dos analistas consultados pela Bloomberg esperam outra alta do juro japonês até janeiro.
… Antes da decisão, a moeda japonesa rondava 156 por dólar. Citi e ING veem espaço para 157/159 se a comunicação não convencer.
PETRÓLEO RESPIRA – O petróleo caiu pelo segundo pregão seguido, com sinais de avanço diplomático no Oriente Médio reduzindo parte da pressão sobre a oferta. O Brent para novembro recuou 0,95%, a US$ 104,82, e o WTI perdeu 0,51%, a US$ 101,91.
… A China pediu reservadamente ao Irã que use sua influência para conter os houthis, após um apelo da Arábia Saudita a Pequim.
… Riad busca apoio depois que a milícia avançou pela costa do Mar Vermelho e nas proximidades do Estreito de Bab al-Mandab, elevando os riscos para as exportações sauditas. Também ajudou o aumento do fluxo de petróleo da Arábia Saudita via Omã.
… Ainda assim, o mercado físico permanece apertado e o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz continua caindo.
… Depois do fechamento, a UKMTO relatou um novo incidente de segurança em Ormuz, perto de Omã. A tripulação está bem e as autoridades investigam o caso, ainda sem informações sobre as circunstâncias. A tensão também permanece elevada.
… Trump disse estar perto de decidir se retoma ataques em grande escala contra o Irã, enquanto Benjamin Netanyahu afirmou no lançamento de sua campanha eleitoral que Israel deve “concluir a missão” e derrubar o regime iraniano.
… Mesmo após as últimas quedas, o Brent continua acima de US$ 100 e acumula alta de quase 14% no mês e de mais de 70% no ano, mas o recuo dos últimos dois pregões ajudou a aliviar a pressão sobre os mercados e as expectativas para os juros (leia mais abaixo).
MERCADO AJUSTA SELIC – Passada a Superquarta, o mercado refez as contas para a Selic e a maioria agora espera mais um corte de 25pbs em novembro, para 13,50%. No Broadcast, 20 de 36 instituições apostam em nova redução, enquanto 15 esperam manutenção em 13,75%.
… A mediana para novembro e dezembro caiu de 13,75% para 13,50%, refletindo principalmente a percepção de que o Copom ganhou confiança na desaceleração da atividade e deixou a porta aberta para continuar o ciclo.
… Mas a divisão permanece grande. O PicPay vê apenas mais um corte, para 13,50%, enquanto a Porto Asset projeta duas reduções e Selic de 13,25% em dezembro. O Itaú, na outra ponta, espera pausa em 13,75% até o fim do ano.
… Petróleo, câmbio, expectativas de inflação e eleições estão entre os principais riscos.
… Na terça-feira, a ata do Copom será importante para esclarecer até que ponto aumentou a confiança do Banco Central na desaceleração da economia e no comportamento da inflação.
… Se no curto prazo as apostas ficaram mais favoráveis a novos cortes, a discussão para 2027 é mais difícil.
… A mediana para a Selic no fim do próximo ano subiu de 12% para 12,38%. O Barclays estima 12% e avalia que o espaço para uma queda sustentável dos juros dependerá menos de quem vencer as eleições e mais da qualidade do plano fiscal apresentado pelo próximo governo.
… Pelas contas do banco, estabilizar a dívida exigiria superávits primários de pelo menos 2% do PIB nos próximos anos. Partindo de um déficit estimado em 0,5% neste ano, o ajuste necessário superaria 2,5 pontos do PIB, ou cerca de R$ 350 bilhões.
… Para o Barclays, os primeiros passos do próximo governo serão decisivos para construir credibilidade, mesmo que o ajuste completo não possa ser feito de imediato. Sem uma sinalização convincente, o risco é de juros altos por mais tempo.
TIROU DA CARTOLA – O reajuste de 15% do Bolsa Família virou, em poucas horas, uma das principais armas da campanha eleitoral e abriu uma nova frente de discussão fiscal. A 17 dias do primeiro turno, o piso do benefício passa de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio, para R$ 777.
… O impacto estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027 e 2028. A equipe econômica afirma que a despesa será acomodada sem ampliar o limite global de gastos e sem comprometer as metas fiscais.
… O remanejamento virá no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, que será divulgado na próxima quinta-feira, dia 24.
… O Planejamento pretende usar, entre outras fontes, uma revisão para baixo das despesas da Previdência. A IFI contesta a conta e afirma que esses gastos já estão subestimados no Orçamento de 2027, projetando impacto de R$ 24 bilhões com o reajuste.
… A Warren faz uma leitura menos negativa. Avalia que os R$ 5,8 bilhões podem ser acomodados neste ano e que a correção respeita a LRF, mas calcula impacto de R$ 23,2 bilhões em 2027 e diz que o PLOA terá de ser corrigido, tornando mais difícil o cumprimento da meta fiscal.
… A controvérsia rapidamente chegou à Justiça Eleitoral. André Mendonça rejeitou ontem ação do deputado Zé Trovão contra o reajuste por falta de legitimidade para questionar a eleição presidencial e não analisou o mérito da medida. Outros partidos e candidatos avaliam recorrer.
… O episódio ganhou ainda um ingrediente incômodo para o governo: em 2022, a campanha de Lula pediu ao TSE a inelegibilidade de Jair Bolsonaro por medidas adotadas no Auxílio Brasil, argumentando que o programa havia sido usado como “instrumento político-eleitoral”.
… Em corner, Flávio Bolsonaro mostrou a delicadeza do tema para a oposição. Chamou os 15% de “merreca” e “migalha”, acusou Lula de tentar comprar votos e, ao mesmo tempo, prometeu manter o reajuste caso seja eleito – e “fazer muito mais”.
… Nos mercados, o anúncio provocou forte reação pela manhã, antes de o movimento perder força ao longo do pregão (leia mais abaixo).
E AINDA TEM CANETA DE GRAÇA – Depois do Bolsa Família, Lula ainda prometeu ontem distribuir canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade que estão na fila do SUS. O presidente não disse quando a medida começará nem se será implantada ainda neste mandato.
… Mas foi na crise do STF que Lula mudou claramente o tom. Depois de evitar se envolver na disputa que envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça, o presidente acusou Mendonça de usar o cargo para “fazer política” e fazer divulgações seletivas no caso Master.
… Pela primeira vez, também defendeu publicamente que as ações envolvendo Moraes e Mendonça sejam analisadas conjuntamente.
… Disse que, se Moraes tiver cometido irregularidades, “terá que pagar”, mas voltou a associar os ataques do bolsonarismo ao ministro à sua atuação nas eleições de 2022. Lula ainda deixou claro que pretende levar o caso Master para a campanha.
… Disse que vai explorar as ligações de Flávio com Vorcaro e que o candidato está “atolado até o pescoço” nas “falcatruas” envolvendo o banco.
… Lula sugeriu ainda, sem apresentar provas, que recursos buscados junto a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, possam ter sido usados para sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
… No STF, Edson Fachin cancelou a sessão agendada para a próxima quarta-feira que analisaria a atuação de André Mendonça nas relatorias dos casos envolvendo o Banco Master e as fraudes do INSS. A nova data não foi informada.
LULA NA ONU – A campanha do presidente terá na próxima semana mais uma vitrine importante. A 12 dias do primeiro turno, Lula abrirá na terça-feira, 22, a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e deve aproveitar o discurso para mandar recados ao eleitor brasileiro.
… Soberania e defesa da democracia, duas bandeiras exploradas por ele na campanha, estarão entre os principais temas. O presidente deve ainda fazer contrapontos indiretos a Donald Trump, sem citá-lo nominalmente, e defender as instituições e o processo eleitoral brasileiro.
… O combate ao crime organizado também ganhará mais espaço do que no discurso do ano passado, numa resposta às críticas feitas pelo governo americano nesta semana. Guerras, clima, comércio e tarifas completam a pauta.
… Lula embarca no domingo e ficará pouco tempo nos Estados Unidos, retornando ao Brasil já na terça-feira. Não há encontro formal marcado com Trump, mas assessores veem espaço para uma conversa e consideram certo ao menos um cumprimento nos bastidores da ONU.
… Na segunda-feira, Lula deve se reunir com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a convite do democrata.
SEGUE O EMPATE – Divulgada após o fechamento do mercado, o novo Datafolha manteve Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados. No segundo turno nada mudou. Lula continua com 46% e Flávio, 44%, os mesmos porcentuais da semana passada.
… A rejeição dos dois também é idêntica e bastante elevada, em 47%.
… Na estimulada, Lula permaneceu com 39%, enquanto Flávio oscilou de 35% para 36%. Já na espontânea, Lula avançou de 33% para 35% e Flávio oscilou de 25% para 26%, enquanto o número de indecisos caiu de 23% para 21%.
… A avaliação negativa do governo permaneceu em 42%, enquanto a positiva oscilou de 32% para 34%.
… O levantamento foi o primeiro realizado após a sessão do STF desta semana, que para muitos analistas políticos teria prejudicado Lula por sua proximidade com Alexandre de Moraes, e antes do anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família.
… Entre beneficiários do programa, Lula tem 53% no primeiro turno, contra 28% de Flávio. Num eventual segundo turno, são 60% para Lula e 33% para Flávio – o que abre a possibilidade de o presidente aumentar os votos entre as famílias que recebem o Bolsa Família.
MASTER CHEGA A GILMAR – A crise do Banco Master ganhou mais um capítulo envolvendo o STF.
… Reportagem do Estadão de hoje revela que o ex-senador Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes, foi contratado por R$ 500 mil mensais por uma empresa de Daniel Vorcaro e tratou com o banqueiro de processos que estavam na Corte.
… Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram Chiquinho tratando de dois casos que tiveram participação de Gilmar. Em ambos, porém, o ministro votou contra os interesses do Master.
… Num dos episódios, Chiquinho atuou para viabilizar uma reunião de advogados ligados a interesses do banco com Gilmar. O jornal apurou que o encontro ocorreu. Depois, o ex-senador relatou a Vorcaro que a conversa de um dos advogados com o ministro havia sido “perfeita”.
… O outro processo era de relatoria de Gilmar e discutia regras para abertura de cursos de medicina, tema de interesse do Master, que financiava uma universidade. O ministro votou pela manutenção da legislação em vigor, posição contrária ao interesse de Vorcaro.
… Chiquinho inicialmente negou ter trabalhado para empresa de Vorcaro, mas, confrontado pela reportagem, reconheceu um contrato de consultoria com a Super Empreendimentos por “um curto período”. Negou, porém, ter intermediado encontros com Gilmar.
AGENDA – Depois da decisão do BoJ na madrugada, a sexta-feira tem agenda esvaziada.
… No Brasil, a FGV divulga às 8h a segunda prévia do IGP-M de setembro. Às 18h, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa do Fórum CEO Brasil, na Bahia. O Boletim Macrofiscal de setembro, inicialmente previsto para hoje, foi adiado pela Fazenda para terça-feira, dia 22.
… No câmbio, BC anunciou para hoje, às 10h30, dois leilões simultâneos de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de no máximo US$ 1,0 bilhão a ser distribuído, a critério do BC, entre as duas operações.
… Nos Estados Unidos, a produção industrial de agosto sai às 10h15, com previsão de alta de 0,3%, após avanço de 0,2% em julho.
… A agenda americana tem ainda falas de dois dirigentes do Fed: Michelle Bowman (10h30) e Jeff Schmid (12h45).
… De madrugada, Alemanha divulgou o PPI de agosto e Reino Unido, as vendas no varejo em agosto.
BAIXOU A ADRENALINA – Foi visível o susto inicial dos mercados com o anúncio do reajuste do Bolsa Família, faltando agora só 16 dias para o primeiro turno. Mas o estresse durou pouco e já à tarde os negócios melhoraram.
… Apesar de a iniciativa do governo Lula explicitar o uso eleitoreiro do programa, o investidor filtrou os riscos.
… O pacote de bondades acabou ofuscado pela aposta em maior chance de vitória da oposição nas eleições de outubro, com as pesquisas agora sob os efeitos da crise do STF, que podem trazer prejuízos à campanha petista.
… Outro fator importante que ajudou o mercado doméstico a se proteger da surpresa do Bolsa Família foi o quadro externo favorável ao risco, com alívio do petróleo, dos juros dos Treasuries, impulso das techs e confiança em Warsh.
… Os ativos aqui operaram em dois tempos. Num primeiro momento, o Ibovespa caiu mais de 1%, o dólar encostou em R$ 5,18 e os juros futuros abriram, embora nem todo o movimento no DI estivesse associado ao Bolsa Família.
… O que se viu foi a curva tentando forçar alguma pressão antes do leilão de pré-fixados do Tesouro. Acomodado este nervosismo inicial, o humor logo virou na segunda metade do pregão no DI, no dólar e na bolsa.
… No fechamento, o DI para Jan/27 caía a 13,555% (de 13,588% no ajuste anterior); Jan/28 recuava a 13,605% (de 13,681%); Jan/29, a 13,820% (de 13,903%); Jan/31, a 14,040% (de 14,116%); e Jan/33, a 14,165% (de 14,232%).
… Em relatório, o Barclays aponta que a renda fixa e câmbio podem entrar em um “ciclo virtuoso” caso Flávio vença.
… Ao analisar o comportamento em eleições anteriores no Brasil e outros emergentes, a estrategista para AL do banco, Andrea Kiguel, estima que o mercado pode precificar Selic de 10,50% no ano que vem (contra 13,75% hoje).
… Além da questão fiscal e inflacionária, o enfraquecimento da atividade doméstica pode jogar a favor de uma continuidade do ciclo de queda dos juros. Para a Capital Economics, o boom de crescimento do Brasil atingiu o pico.
… A consultoria estima que o PIB vai desacelerar forte, de cerca de 2% este ano para a metade disso em 2027, abaixo do consenso de 1,45% do boletim Focus, diante do esgotamento do período de superaquecimento.
… Diferente do que seria naturalmente esperado para um ano eleitoral, o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, disse em evento nesta quinta-feira que não têm sido observados movimentos mais bruscos do real.
… “Aqui [o câmbio] é aquela rocha: dá uma pioradinha, vai para R$ 5,20; dá uma melhoradinha, vai um pouco abaixo de R$ 5,10. Bem firme”, constata, mesmo com o Fed elevando os juros e não descartando levar o ciclo mais longe.
THE ROCK – Imune às pressões, o dólar fechou ontem abaixo de R$ 5,15, em leve baixa de 0,23%, a R$ 5,1393, após ter subido mais cedo até R$ 5,1768, na máxima intraday que coincidiu com o anúncio de reajuste do Bolsa Família.
… Nada parece abalar mais seriamente o câmbio, nem mesmo a perspectiva de que o diferencial de juros se torne mais estreito, diante da chance de um Fed mais conservador e de um Copom eventualmente mais flexível.
… O real poderia ter caído junto com o petróleo ontem, mas manteve o sangue-frio e o foco no trade eleitoral.
… Termômetro da liquidez do câmbio, foi observada ontem uma piora no dólar casado, que é medido pela diferença em pontos entre o dólar futuro e o dólar à vista, o que levou o BC a anunciar leilão de linha para esta sexta-feira.
… Setembro é marcado por uma saída de capital do país por conta de fim de trimestre. No Valor, operadores dizem que, devido à cautela pré-eleições, esse montante pode ter aumentado, o que estaria exigindo intervenções do BC.
… Só neste mês, a autoridade monetária já realizou duas vezes o chamado “casadão”, a venda de dólares no mercado à vista conjugada com a compra no mercado futuro via swap reverso, no total de US$ 1 bilhão cada.
… Como o câmbio, também o Ibovespa relativizou ontem ao longo do pregão o desconforto com a chance de o reajuste do Bolsa Família puxar votos para a reeleição de Lula. À tarde, a bolsa já virava para o terreno positivo.
… O índice à vista fechou em alta de 0,24%, aos 185.992,03 pontos, com giro de R$ 18,6 bilhões.
… Os papéis dos bancos chegaram a acusar a cautela com o Bolsa Família, mas reduziram o mal-estar. Bradesco PN caiu pouco (-0,33%), a R$ 18,15, e Itaú fechou estável (-0,09%), a R$ 42,58. BB registrou alta de 0,31% (R$ 22,78).
… Santander unit escalou 2,52% (R$ 30,53), segunda maior alta do Ibovespa, e BTG unit avançou 0,51%, a R$ 61,14.
… Após duas sessões de fortes baixas, Vale recobrou o ânimo e subiu 2,07% (R$ 74,51), bem melhor que o minério (+0,28%). Petrobras oscilou pouco, apesar da queda do petróleo: ON, +0,32%, a R$ 54,00; e PN, -0,08%, a R$ 48,61.
REPUTAÇÃO EM DIA – Gostar, as bolsas não gostam quando as taxas dos juros sobem. Mas, no day after do Fed, Nova York julgou ser melhor que Kevin Warsh pregue intolerância contra a inflação do que fique atrás da curva.
… Sentindo firmeza na credibilidade da política monetária, o rendimento da Note de dez anos devolveu a marca dos 5% e voltou para 4,929% (contra 5,015% na véspera), aproveitando também que o petróleo deu uma trégua.
… Análise no Valor aponta que o Fed hawkish não necessariamente significa o fim da alta das ações americanas.
… O histórico dos ciclos anteriores mostra que o S&P 500 costuma enfrentar turbulência no início do aperto monetário, mas pode recuperar terreno nos meses seguintes. O risco maior hoje se concentra nos Treasuries.
… As bolsas americanas atualmente estão olhando menos para o Fed em si e mais especificamente para o risco de o rendimento dos Treasuries de dez anos continuar orbitando perigosamente em torno do patamar dos 5%.
… Como as taxas da curva mostraram alívio ontem, Wall Street se sentiu à vontade para parar de cair depois de três pregões, aproveitando ainda o recuo do petróleo, a retomada de confiança em Warsh e o suporte das techs.
… Colocando em segundo planos os recentes alertas de que os robôs podem dominar o mundo, AMD saltou 6,36% e Intel, +7,67%. Nvidia ganhou 2,54% após o CEO, Jensen Huang, projetar o dobro das vendas de chips em 2027.
… O Nasdaq disparou 1,69%, aos 26.418,30 pontos, refletindo a valorização do setor de tecnologia (+2,20%). O Dow Jones encerrou em alta de 0,61%, aos 51.778,18 pontos; e o S&P 500 ganhou 1,14%, aos 7.637,73 pontos.
… No câmbio, horas antes de o BC japonês dar seu passo conservador, o iene subiu 0,17%, para 155,97 por dólar. Já a libra caiu 0,19%, a US$ 1,3359, após o BC inglês ter mantido o juro em 3,75% e desacelerado o aperto quantitativo.
… O euro subiu 0,11%, para US$ 1,1482, e o índice DXY fechou no zero a zero (-0,01%), a 100,248 pontos.
CIAS ABERTAS NO AFTER – B3 pagará R$ 1,13 bilhão em JCP, incluindo R$ 750 milhões extraordinários. Pagamento será em 7/10, com ações “ex” em 23/9.
ITAÚ recomprará R$ 11 bilhões em letras financeiras subordinadas emitidas em 2021. Operação terá impacto estimado de 0,7 ponto porcentual no índice de capital nível 2.
BANCO DIGIMAIS, de Edir Macedo, teve prejuízo líquido de R$ 581,406 milhões no primeiro semestre, segundo dados do BC; índice de Basileia ficou negativo em 4,62%.
LOJAS RENNER pagará R$ 227,5 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,24066 por ação. Pagamento será em 14/10, com papéis “ex” em 23/9.
ASSAÍ comprará por até R$ 80 milhões 18 postos de combustíveis já instalados em lojas da rede em São Paulo. Companhia vê potencial para superar 100 postos no longo prazo.
CASAS BAHIA. Debenturistas aprovaram vencimento antecipado de títulos após pedido de recuperação judicial, mas companhia contesta o direito com base em decisão judicial vigente.
IMC negocia fusão de seus negócios de restaurantes com a Vinci Compass, dona de Outback, Abbraccio e Aussie no Brasil, segundo fontes do Valor.
EZTEC fechou contrato para locação integral do Esther Towers ao Itaú, por dez anos. Empreendimento tem 91,4 mil metros quadrados e deve gerar receita de R$ 1,17 bilhão no período.
AXIA desenvolveu com o Cepel ferramenta para estimar emissões de carbono de ativos de geração e transmissão e apoiar a meta de redução de até 97% das emissões até 2030.
CEMIG pagará R$ 200 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,06991 por ação. Papéis ficam “ex” em 23/9 e pagamento será feito até dezembro de 2027.
COPEL pediu cancelamento da listagem das ações no Latibex, da Bolsa de Madri, citando baixo volume de negociação e custos de manutenção.
BRAVA ENERGIA confirmou fim da venda de 11 concessões na Bacia Potiguar à Azevedo & Travassos e Petro-Victory, após condições para fechamento não serem cumpridas no prazo.
OCEANPACT. Após incorporação da CBO, Pátria e Vinci passaram a deter 21,85% do capital cada, enquanto BNDESPar ficou com 10,92% e Flávio Nogueira de Andrade, com 13,03%.
TIM cancelará 13,2 milhões de ações mantidas em tesouraria após programa de recompra, sem alteração do capital.
IRANI aprovou plano de incentivo de longo prazo para executivos, com uso de ações em tesouraria e sem diluição dos acionistas. Programa ainda depende de aprovação em assembleia.
Bankinter Matinal Portugal
Análise Bankinter Portugal
NY +1,1% US tech +1,7% US Semis +3,1% UE +0,9% Espanha +1,0% VIX 15,4% Bund 3,48%. T-Note 4,95%. Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,95% PT 3,84% ITA 4,34% FRA 4,44% Euribor 12m 3,35%. USD 1,148 JPY 179,2/€. Ouro 4.346$. Brent 104,8$. WTI 101,1$. Bitcoin +0,3% (76.440$). Ether +1,2% (2.447$).
:: SESSÃO ligeiramente em alta, mantendo o bom tom de ontem graças a um pouco menos de tensão geopolítica e superadas as reuniões dos bancos centrais sem surpresas. Hoje não há grandes referências na frente convencional, o petróleo modera-se -1,3% e as obrigações amanhecem estáveis.
Esta madrugada, o BoJ (Japão) subiu taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%, como se esperava, para tratar de conter o avanço da inflação e controlar os níveis da divisa. Contudo, a decisão não foi unânime (2 membros votaram contra) e isso faz com que o yen tenha reagido com quedas (157,1 $/Y).
Se a geopolítica o permitir, o resto das referências do dia não deverão ter peso suficiente para mudar a direção do mercado: (i) intervenção de Lagarde às 11:30 h, após a reunião do ECOFIN, que não deverá acrescentar grandes novidades, e (ii) Produção Industrial nos EUA, às 14:15 h, em princípio, continuísta.
:: CONCLUSÃO: Sem grandes incentivos e superados sem surpresas os eventos importantes da semana, a sessão deverá manter o bom tom que vimos ontem. Assim o refletem as bolsas asiáticas (China: +1,0%; Japão: +1,4%: Coreia: +2,5%) e os futuros nos EUA (+0,3%) embora a Europa corrija ligeiramente (-0,2%).
BDM Riscala Matinal
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