quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Pai de uma criança de 7 anos



Carta aberta à Direção do Colégio Santa Cruz




Sobre um livro e uma criança de sete anos

São Paulo, 23 de setembro de 2026.




À Direção do Colégio Santa Cruz,




Escrevo como pai de uma aluna da Educação Infantil do Santa Cruz, e em nome próprio. No dia 22 de setembro, um aluno de sete anos do 1º ano voltou para casa com uma leitura indicada pela professora: Che Guevara para meninas e meninos, da Coleção Anti-heróis, com texto de Nadia Fink e ilustrações de Pitu Saá, edição brasileira da Sur Livro.




O livro apresenta Che como um libertador que conquistou um mundo mais justo e ensina à criança que "Che Guevara era um homem muito corajoso, sonhador e de alma livre". A Cuba que ele ajudou a construir aparece como um lugar onde ninguém passa fome, porque tudo é dividido. A autora disse ao jornal La Capital, de Rosário, que o livro fala claro com as crianças e não distorce a história. Sobre o restante, o livro não diz nada.




O restante está documentado, e boa parte foi escrita por ele. Na Sierra Maestra, em fevereiro de 1957, Che matou com um tiro na cabeça Eutimio Guerra, um guia camponês acusado de traição, e descreveu a execução no próprio diário. De janeiro a junho de 1959, comandou a fortaleza de La Cabaña e decidiu os recursos dos condenados pelos tribunais revolucionários, que julgavam sem devido processo. Foram fuziladas sob a sua jurisdição 55 pessoas, segundo Jon Lee Anderson, autor da biografia de referência, e 105, segundo o Cuba Archive. Na Assembleia Geral da ONU, em dezembro de 1964, disse: "Fusilamientos, sí, hemos fusilado, fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario." Na mensagem à Tricontinental, de 1967, defendeu o ódio intransigente ao inimigo como fator de luta, capaz de transformar o combatente em uma "máquina de matar".




Nas notas de viagem de 1952, que deram origem a Diários de motocicleta, escreveu que os negros de Caracas haviam conservado a pureza racial graças ao pouco apego ao banho, e opôs "el negro indolente y soñador" ao europeu, com sua tradição de trabalho e poupança. O filme deixou a passagem de fora. Em 1963, na embaixada cubana em Argel, encontrou sobre uma mesa o Teatro completo de Virgilio Piñera, dramaturgo cubano e homossexual, atirou o livro longe e quis saber quem lia aquele maricón. Juan Goytisolo estava presente e contou o episódio em suas memórias. Régis Debray, que conviveu com ele, escreveu que Che, como Fidel, nunca tolerou homossexuais por perto.




Confrontei esse registro com o que o Santa Cruz escreve sobre si. O Plano Diretor de 2019 diz que a escola quer formar cidadãos capazes de reconhecer e fazer valer os direitos humanos, de se abrir à diversidade racial e de gênero e de repudiar qualquer tipo de discriminação [pp. 4–5]. Diz também que, ao tratar de temas complexos, a escola não se exime de transmitir valores humanos e cristãos, entre eles o respeito ao próximo e a tolerância. Desde 2021, o programa Santa Plural reserva vagas e bolsas para crianças negras e indígenas a partir do G4 e declara como objetivo a educação antirracista. Em 2025, a escola suspendeu 34 alunos do ensino médio por mensagens racistas e homofóbicas em um grupo de WhatsApp — e fez bem. Neste ano, indicou a um aluno de sete anos a biografia elogiosa de um facínora que escreveu que os negros eram indolentes e que desprezava homossexuais. Penso nas famílias que o Santa Plural trouxe para a escola. Se uma delas perguntar o que o homem do livro do 1º ano escreveu sobre os negros de Caracas, o que a escola responderá?




Não peço que Che desapareça do Santa Cruz. No ensino médio, com o registro completo diante dos alunos, estudá-lo é coerente com o livre-pensar e com a diversidade de ideias que a escola defende. Quase ninguém chega às próprias crenças pela lógica, e quase ninguém sai delas por ela. Aos sete anos, a admiração chega antes de qualquer argumento; quando os fatos vierem, no ensino médio, encontrarão a crença já defendida. O Plano Diretor, quando fala em formar pensamento autônomo, pressupõe um leitor capaz de discordar do que lê.




Em casa, minhas filhas aprendem a medir as pessoas pelo que fizeram. O livro mede Che pelo que ele sonhou. E ignora o que fez, falou, escreveu e quem foi. Sei também o que é escolher o que uma criança dessa idade pode ler. Adaptei para as duas um livro de histórias de filósofos: na versão da mais nova, de seis anos, a morte de Sócrates fica de fora; na da mais velha, de treze, ele bebe a cicuta. Nessa idade, pode-se omitir. O que um livro para crianças não pode é afirmar o que as fontes negam — e este afirma que em Cuba ninguém passa fome, em um país que distribui comida por caderneta de racionamento desde 1962.




Proponho um teste. A escola indicaria a uma criança de sete anos uma biografia ilustrada e elogiosa de Augusto Pinochet, ou de um general da ditadura brasileira, que o apresentasse como herói de alma livre? Imagino que não, e com razão. Qual é, então, o critério que admite Che Guevara? O padre Paul-Eugène Charbonneau, que a própria escola trata como formador da sua identidade pedagógica, aplicava a mesma régua à esquerda e à direita. Em Cristianismo, sociedade e revolução, dizia estar à esquerda no que ela tem de justiça social e recusava a esquerda que troca a democracia por uma ditadura de tipo soviético, com um aparato policial que destrói as liberdades.




Em junho de 1961, o regime que Che ajudou a construir nacionalizou o ensino em Cuba e tomou cerca de 350 escolas católicas. Três meses depois, deportou 131 padres no navio Covadonga, entre eles canadenses, como os fundadores do Santa Cruz. Em Cuba, escolas como esta não passaram de 1961.




Sei qual será a resposta: ele lutou contra uma ditadura, e era uma guerra. O argumento prova demais. Se a guerra justifica os fuzilamentos de La Cabaña, justifica também os crimes pelos quais os policiais e militares de Batista foram fuzilados. E o projeto do Santa Cruz, lido nos seus próprios documentos, recusa que os fins autorizem os meios.




Peço à Direção quatro providências:




i. que explique por qual critério pedagógico o livro foi indicado a um aluno do 1º ano e se a indicação passou pela coordenação;

ii. que retire o título das leituras dessa faixa etária;

iii. que torne público o critério para biografias de figuras políticas na Educação Infantil e no Ensino Fundamental 1; e,

iv. que responda às famílias por escrito.




Minha filha continua no Santa Cruz porque confio na escola que o Plano Diretor descreve, e é a essa escola que escrevo. Um aluno de sete anos levou para casa um livro que diz que Che Guevara era corajoso, sonhador e de alma livre. Quem o indicou tinha a obrigação de conhecer o resto.




Atenciosamente,




Daniel Caldeira

Pai de uma aluna da Educação Infantil do Colégio Santa Cruz

Augusto de Franco

Democracia não é só haver eleições.

Augusto de Franco estuda há anos e escreveu Como Nascem as Democracias, postou:
"Há um razoável consenso (entre os democratas liberais) sobre quais são os critérios que se aplicam à democracia como regime político ou modo político de administração do Estado, no caso atual, do Estado-nação moderno.

Pode-se listar dez critérios para caracterizar um regime democrático em sua plenitude (liberal):

1 - Liberdade de associação, liberdade de expressão e liberdade de imprensa (existência de fontes alternativas de informação).
2 - Proteção dos direitos individuais e das minorias contra a tirania do Estado e a tirania da maioria (recusa ao majoritarismo e ao hegemonismo).
3 - Eleições limpas e periódicas, sufrágio universal, governos e parlamentos eleitos.
4 - Rotatividade ou alternância no governo (não apenas de pessoas, mas também de partidos ou forças políticas).
5 - Cultura política pluralista, oposições políticas democráticas reconhecidas e valorizadas como players legítimos e fundamentais para o bom funcionamento do regime.
6 - Publicidade ou transparência nos atos do governo (capaz de ensejar uma efetiva accountability).
7 - Instituições estáveis, equilíbrio entre os poderes e sistemas atuantes e efetivos de freios e contrapesos.
8 - Império da lei e judiciário independente (e autocontido em suas atribuições).
9 - Forças armadas subordinadas ao poder civil.
10 – A sociedade controla o governo e não o contrário (a qualidade da democracia é medida pelos limites e condicionamentos impostos pela sociedade às instituições do Estado - o que pressupõe recusa ao estatismo)."

José Pastore


José Pastore resume a tese do livro de Joaquim Falcão: a crise da democracia brasileira nasce também dentro do Estado, quando autoridades dos três Poderes passam a servir a interesses próprios e de seus aliados. Para o autor, essa captura forma uma oligarquia capaz de se proteger mutuamente.

Pastore descreve um equilíbrio de ameaças: parlamentares têm pedidos de impeachment contra magistrados, enquanto magistrados têm ações contra parlamentares. Na sua leitura, essa dependência favorece a autoproteção e dificulta a responsabilização. Ele atribui a esse ambiente um custo econômico: a imprevisibilidade afasta investimentos, reduz o crescimento e limita a criação de bons empregos.

A distinção central do artigo é entre legalidade e legitimidade. Uma autoridade pode ocupar legalmente o cargo, mas, segundo Pastore, só conquista legitimidade quando sua atuação produz benefícios para a população. Daí sua crítica à frase “as instituições funcionam”: ele argumenta que, hoje, elas funcionam sobretudo para quem integra a rede de poder que chama de “lobbycracia”.

O título, “O Estado sou eu”, sintetiza a denúncia do autor: agentes públicos agiriam como donos das instituições que deveriam servir ao país. Sua conclusão é pessimista — enquanto prevalecer essa lógica de autoproteção, o Brasil terá dificuldade de progredir.

Grande Zu

 


Crédito oculto



*🚨🚨🚨Ação contra crime organizado atinge Banco Genial e grupo envolvido com dinheiro do filme Dark Horse*




Operação Crédito Oculto ataca esquema de lavagem de dinheiro para a compra de usinas e ocultação de imóveis da máfia dos combustíveis; defesa não foi encontrada




Promotores, policiais e auditores fiscais estão vasculhando na manhã desta quinta-feira, 24, um total de 32 locais em onze cidades de seis estados e no Distrito Federal para desbaratar o esquema de lavagem de dinheiro da máfia dos combustíveis acusada de manter ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os 40 alvos da Operação Crédito Oculto estão o sócio proprietário do Banco Genial Humberto Tupinambá, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, delator do Banco Master, e o Grupo Entre, usado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões para financiar o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.




A reportagem procurou a defesa dos investigados, mas não conseguiu localizá-los. O espaço segue aberto.




As buscas foram pedidas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2.ª Vara Criminal de Catanduva, e ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.




A ação está fundamentada em provas obtidas na primeira fase da Operação Carbono Oculto, como contratos, documentos, mensagens e áudios apreendidos em celulares e computadores dos investigados. Eles demonstrariam o esquema que teria permitido dissimular a fortuna dos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, para a compra da distribuidora de combustíveis Terrana.




A empresa é do Rio de Janeiro e chegou a figurar entre as dez maiores distribuidoras do País. A aquisição pode ter custado até R$ 153 milhões, de acordo com as investigações. Beto Louco e Mohamad tentaram esconder das autoridades que eles estavam por trás da operação. Os dois estão foragidos desde a deflagração da primeira fase da Operação Carbono Oculto, em 28 de agosto de 2025, quando tiveram a prisão decretada no Paraná.




O Gaeco aprofundou as investigações sobre como a dupla de empresários usou fundos de investimentos para também esconder que são os verdadeiros proprietários de imóveis de valores multimilionários. Eles teriam continuado o esquema que já tinham com a Reag Investimentos, que geria e administrava fundos suspeitos.




A empresa do mercado financeiro foi liquidada pelo Banco Central após ser alvo da Polícia Federal na Carbono Oculto. Seu dono, João Carlos Mansur, fechou no começo do mês um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A reportagem procurou a defesa de Mansur, mas não conseguiu localizá-lo. O espaço segue aberto.




De acordo com os investigadores, ”o projeto criminoso” demonstra “um intrincado esquema de lavagem de capitais com a articulação dolosa entre múltiplos agentes” – nove fundos de investimentos e 27 empresas, 16 das quais tiveram seus bens tornados indisponíveis pela decisão da 2.ª Vara de Catanduva. A Terrana teve suas atividades suspensas pela Justiça do Rio em 9 de julho. Ela é o nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, uma das maiores empresas do setor, que opera nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.




Na época em que foi adquirida, em 2024, ela tinha um faturamento mensal de R$ 445 milhões e um capital social de R$ 245 milhões. Beto Louco e Primo já enfrentavam, então, as consequências da Operação Cassiopéia, que investigou as fraudes em combustíveis praticadas pela Copape, que teve sua autorização de funcionamento revogada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).




Apontados como líderes da organização criminosa, Beto Louco e Primo teriam adquirido a Terrana por meio de uma sofisticada “arquitetura de lavagem de capitais”, de acordo com os investigadores, construída pelo banqueiro Humberto Tupinambá e sócio e fundador da administradora de fundos Altinvest, o advogado Rogério Garcia Peres, apontado como “operador criminoso de lavagem de capitais” da máfia dos combustíveis. Os dois teriam procurado um executivo do mercado Paulo Narcélio Simões do Amaral, que teria concordado em emprestar seu nome para duas empresas que seriam usadas na compra da distribuidora e na ocultação dos imóveis.




Procurados, Garcia Peres e Narcélio não responderam à reportagem. O espaço segue aberto.




De acordo com os promotores, o Banco Genial “se ofereceu como estrutura financeira fraudulenta para mascarar a ocultação dos valores que financiaram a compra, bem como ocultar os seus reais proprietários e em contraprestação seria remunerado pelos instrumentos contratuais dissimulados constituídos formalmente para financiar o negócio jurídico”. E o empresário Paulo Narcélio “emprestaria a sua imagem à negociação para garantir perante os vendedores e terceiros a legitimidade do negócio jurídico”.




*Mensagens no celular*




Mensagens encontradas no telefone celular de Narcélio revelam que o objetivo da fraude era impedir que grupo americano Tramp Oil, proprietário da Terrana, e a ANP soubessem que Beto Louco e Primo estavam comprando a distribuidora para manter em funcionamento as centenas de postos de gasolina abastecidos pela organização, inclusive aqueles onde integrantes do PCC lavavam o dinheiro do tráfico de drogas. Em troca, o executivo receberia 0,75% do total da operação e R$ 100 mil mensais durante os três meses que devia permanecer à frente das holdings Branson e Berna, que teriam sido idealizadas por Garcia Peres.




De acordo com as investigações, os acusados montaram três estruturas de empresas para esconder os verdadeiros donos do dinheiro. A primeira delas tinha o Fundo Celebration, administrado pela Reag. Ele possuía um único cotista, a empresa Insight participações, que estava em nome de um primo de Mohamad, Himad Mourad. A segunda era formada pelo Radford Fundo de Investimentos Multimercado, que teria sido montado e administrado pela Altinvest e, posteriormente, transferido para administração e custódia do Banco Genial, permanecendo a Altinvest como cogestora.




A Altinvest teria reestruturado os fundos de investimento da dupla Beto Louco e Primo depois que eles deixaram a Reag, em 2024. O fundo Radford tinha como cotista a usina sucroalcooleira Itajobi, no interior paulista, uma das cinco controladas pelos empresários. A usina teria sido financiada pelo Grupo Aster, de postos de gasolina, que pertencia aos dois empresários. Por meio do grupo, eles enviaram R$ 100 milhões à usina, passando antes pelas contas de duas outras empresas. A Usina recebeu ainda R$ 20 milhões da Entre Investimentos, empresa de Freixo, o delator do Banco Master.




O passo seguinte foi o “empréstimo” do dinheiro da Usina Itajobi, por meio do fundo Radford, ao banco por meio de Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV). O Genial, por sua vez, emprestou o mesmo dinheiro à Berna e à Branson por meio de um Cédula de Crédito Bancário (CCB), ocultando assim a origem do dinheiro usado para a compra da Terrana. Em tese, o banco seria pago por meio de depósitos semestrais de R$ 18,7 milhões, totalizando R$ 150 milhões. As duas empresas usaram ainda o dinheiro para comprar 100% das cotas do Fundo Derby 44 – atual Fundo Wels – e apresentaram como garantia da dívida os imóveis de outro Fundo, o Los Angeles 01, atual Lucerna.




Os promotores ainda notaram que o dinheiro recebido pela holding Branson e usado para a compra da Terrana equivalia apenas a metade do capital social da distribuidora. As provas de toda operação foram obtidas durante buscas feitas na Usina Itajobi, em Marapoama (SP), e em empresas ligadas a Mohamad e Primo em Senador Canedo (GO), Duque de Caxias (RJ) e em Iguatemi (MS), que demonstraram ainda ligação delas com empresas do Grupo Refit, do empresário Ricardo Magro.




Ao ser questionado pelo Gaeco a respeito da administração do Fundo Radford, o Banco Genial respondeu que ele foi constituído em sua origem sob a forma de “condomínio fechado, por tempo indeterminado de duração, com uma classe única de cotas e políticas de investimentos voltadas majoritariamente ao investimentos em créditos privados, destinados a receber aplicações de um único investidor“.




O banco informou ainda que as cotas do fundo somavam cerca de R$ 169,7 milhões no momento da deflagração da Operação Carbono Oculto. E informou que sua área de crédito deu o aval ao empréstimo às empresas Berna e Branson em razão da boa fama de Narcélio no mercado, mas não teria prestado atenção que as empresas foram constituídas um mês antes da operação com capital social de apenas R$ 1 mil e tinham como sede o mesmo endereço usado pelo grupo de Mohamad Mourad, o Primo, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.




Com a Carbono Oculto, o banco informou aos promotores que havia renunciado à administração do Radford e liquidado o CDBV, cedendo sua posição no CCB ao fundo. Mas os promotores acreditam que toda a operação era uma forma de encobrir a participação dos acusados na fraude. O Gaeco obteve mensagens do advogado Garcia Peres e de João Eduardo Gomes Santiago, ligado à corretora Banvoxx e sócio da Altinvest, para Paulo Narcélio. Elas demonstrariam o vínculo entre os acusados.




Em uma delas, Santiago questiona se o patrimônio declarado de Narcélio seria suficiente para demonstrar sua capacidade econômica para ser sócio da empresa. Em outra mensagem, Narcélio diz a uma advogada que é Garcia Peres quem detém o token para movimentar as contas da holding Branson.




As mensagens demonstrariam ainda participação de Humberto Tupinambá e de seus irmãos André e Bruno, que também foram alvos de buscas nesta quinta-feira, na montagem da estrutura de ocultação de patrimônio. Em uma delas, Narcélio diz a Paulo Tupinambá que a proposta inicial pela Terrana seria de R$ 93 milhões, mas que poderia chegar até a R$ 153 milhões. Mais tarde diz que seria preciso conversar com Primo para saber como ele “gostaria de conduzir a aquisição”. Paulo sugere reuniões com Primo e com Beto Louco.




É com André ainda que Paulo Narcélio acerta sua comissão e pagamento no negócio em 2024. No começo de 2025, ele procura André e faz um pedido: queria deixar as holdings, pois já teria cumprido sua missão. Mas é convencido a ficar enquanto os irmãos Tupinambá cuidavam da reestruturação da Terrana. “Torna-se nítido que o papel do Banco Genial não se restringiu à operação financeira”, escreveram os promotores. André e Bruno foram, além disso, segundo o Gaeco, remunerados pela Aster, empresa da máfia do combustíveis.




Em outra mensagem, Narcélio deixa claro que quem tomava as decisões na Terrana era Primo, cujo telefone em sua agenda era identificado como “João Chefão”. Por meio do PIX foi possível ver que o número de telefone de Mohamad Mourad era a chave associada a uma conta bancária em nome de um ladrão condenado a oito anos de prisão por roubo.




Nas conversas, Narcélio se mostra preocupado com uma reportagem sobre Primo e Beto Louco serem os novos donos da Terrana. O texto levantava a suspeita de ligações dos dois com o PCC. “O Primo está mais nervoso do que eu”, escreveu.




Em 30 de abril de 2025, Humberto lhe diz que havia conversado com Primo sobre o plano de negócios da empresa, que Paulo Narcélio queria que fosse transferida para a Rede Sol Fuel, ligado aos empresários. Os dois também discutem como burlar a fiscalização da Secretaria da Fazenda de São Paulo, caso ela solicitasse a quitação dos “empréstimos”.




Narcélio então orienta que o dinheiro deve vir diretamente para sua conta ou fazer algum outro movimento. E diz que vai se queixar diretamente com o “Beto”. Humberto responde e apaga as mensagens do diálogo. Só não esperava que tudo ficasse registrado no celular de seu interlocutor. Por fim, no dia da Operação carbono oculto, Paulo Narcélio manda a Humberto uma mensagem afirmando que estava “aumentando os preços”. Tudo devidamente documento em laudo da perícia.




https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-macedo/acao-contra-crime-organizado-atinge-banco-genial-e-grupo-envolvido-com-dinheiro-do-filme-dark-horse/

Call Matinal

1) Ibovespa fechou, no dia 23, em baixa de 0,86%, aos 185.814,09 pontos, após oscilar entre 185.676,38 e 188.772,33. Volume financeiro somou R$ 20,8 bi. Já o dólar à vista fechou em alta de 1,28%, a R$ 5,1682, após oscilar entre R$ 5,1215 e R$ 5,1760.


2) Os mercados, em NY, na Europa e em grande parte da Ásia, operam em baixa nesta quinta-feira (24), pressionados pela alta dos rendimentos dos Treasuries, próximos dos maiores níveis em duas décadas, acima de 5%. A recuperação dos preços do petróleo também reduz o apetite dos investidores por ativos de risco.


3) Amanhecemos nesta quinta-feira bem mais cautelosos, diante do “banzo geral” com os impasses nas negociações entre EUA e Irã. Diante disso, o Barril de petróleo volta a escalar nesta virada de quarta para quinta-feira. Nos mercados, os futuros de NY operam em queda, a Europa recua e boa parte da Ásia fechou no vermelho. Nesta manhã, o Brent avançava quase 3% e negociado acima de US$ 106, em meio às tensões do Oriente Médio.


 4) Ao mesmo tempo, o mercado acompanha o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Washington, com comércio, Irã, Taiwan e inteligência artificial entre os principais temas. A extensão da trégua comercial entre EUA e China também está no radar. Por outro lado, este encontro acontece sob pressão: como já dito, o petróleo voltou a subir, reacendendo temores inflacionários e apostas em novas altas do juro pelo Fed (treasuries bem acima de 5%).


5) No Brasil, atenção redobrada para o Relatório de Política Monetária (RPM) do BCB, a coletiva de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti, com projeções atualizadas de inflação e atividade, e o Relatório Bimestral, com piora esperada do resultado fiscal.   No radar político, a expectativa é por mais uma pesquisa Datafolha, após o fechamento.

Mercado de capitais



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📈 O MERCADO DE CAPITAIS PRECISA DE PREVISIBILIDADE




Os números da B3 mostram uma mudança importante no ritmo de abertura de capital das empresas brasileiras.




Depois de anos com poucos IPOs, o mercado ganhou força a partir de 2017 e atingiu 46 IPOs em 2021. A própria B3 registra 28 IPOs em 2020 e 46 em 2021.




É claro que não se pode atribuir esse movimento a um único governo. Decisões empresariais, juros, liquidez internacional, condições de mercado, reformas, regulação e apetite dos investidores influenciam simultaneamente esse processo.




Mas existe uma lição que permanece:




capital gosta de previsibilidade.




Empresários precisam saber quais serão as regras do jogo.

Investidores precisam confiar nos contratos.

Empresas precisam conseguir planejar investimentos de longo prazo.

E o mercado precisa de segurança jurídica e estabilidade regulatória.




Quando o ambiente permite que uma empresa faça planos para os próximos 5, 10 ou 20 anos, o mercado de capitais ganha espaço como fonte de financiamento da economia real.




E quando as regras mudam constantemente, aumentam a incerteza, o prêmio de risco e o custo de capital.




Para nós, do AIs Livres, essa discussão é especialmente importante.




Acreditamos em um mercado de capitais mais livre, competitivo, transparente e previsível, no qual empresas tenham alternativas de financiamento e investidores tenham acesso a mais opções.




Foi justamente essa lógica que orientou nossa atuação na modernização da regulamentação dos Assessores de Investimentos: a Resolução CVM 178 trouxe mudanças que ampliaram a liberdade de atuação e a concorrência no setor, algo que o AIs Livres reconheceu positivamente à época. AIs Livres ABR25.pdf




Mais concorrência.

Mais liberdade.

Mais segurança jurídica.

Mais capital para financiar empresas.




No fim, não existe mercado de capitais forte sem confiança nas regras do jogo.




AIs Livres — liberdade, independência e mercado de capitais.

Pai de uma criança de 7 anos

Carta aberta à Direção do Colégio Santa Cruz Sobre um livro e uma criança de sete anos São Paulo, 23 de setembro de 2026. À Direção do Colé...