quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Mickey no espelho, Gustavo Poly

 


Mickey no espelho

Globo, Disney e a convergência divergente. O que a jornada da ESPN sugere sobre o futuro do sportv, da getv e da distribuição esportiva no Brasil

 
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Nossa história começa em julho de 1995, quando a Walt Disney Company anunciou a compra da Capital Cities/ABC por US$ 19 bilhões. Mickey comprava ali duas marcas esportivas: a ABC Sports – e seu Wide World of Sports. E a Entertainment and Sports Programming Network criada em 1979, que dezesseis anos depois já chegava a 70 milhões de domicílios americanos.

As duas marcas conviveram por quase onze anos até que, em 2006, a Disney resolveu apostar na ESPN como marca única de esporte. A ABC Sports foi abandonada – e as transmissões de TV aberta passaram a carregar a marca ESPN on ABC. Não era uma decisão difícil – a imagem da ESPN era ótima. O canal tinha uma presença nacional e uma identidade digital marcante (que começara nos anos 90 com seu site, o ESPN Sports Zone).

A Disney não abriu mão do alcance da ABC. Apenas decidiu que seu esporte teria um único nome, independentemente da tela pela qual chegasse ao público. A clareza de marca veio cedo. A ESPN era (e continua sendo) a principal engrenagem esportiva do bundle das operadoras americanas. Um canal caro financiado por dezenas de milhões de assinantes. Enquanto a base crescia, a combinação entre direitos exclusivos, publicidade e remuneração por domicílio produzia margens extraordinárias. Mas… todo carnaval tem seu fim. Um dia chegou o tal do cord-cutting.

Enquanto isso no Brasil…

A Globo que conhecemos construiu uma série de negócios de sucesso, a começar pelo jornal fundado em 1925. Depois vieram a rádio e a TV, em 1965, que transformou a empresa numa entidade nacional mitológica. Nos anos 90 foi criada a Globosat de olhos no nascente negócio de TV paga. A seguir, veio a Globo.com.

Quase todos esses negócios cresceram separadamente. Isso construiu um ethos interno que teve dificuldade para lidar com a convergência digital – que começou a chegar quando o grupo enfrentava uma dívida brutal em dólar no início dos anos 2000. A crise começou a ser equacionada pouco depois da explosão da bolha inicial da internet. Em 2006, a Globo já voava novamente.

A TV aberta faturava alto, o negócio de TV paga decolava de vez. No esporte, a empresa tinha quase todos os direitos. O plano de futebol da TV Globo era tão cobiçado que os anunciantes tinham cinco minutos para renovar. O Sportv começava a brilhar nas asas dos contratos com as operadoras. O Premiere também.

A crise da dívida, porém, deixou um legado: era necessário ter disciplina financeira e proteger os negócios rentáveis. Ainda em 2006 a Globo.com comprou direitos de duas ligas americanas para o nascente Globoesporte.com: a NBA (transmissões ao vivo pagas) e NFL (melhores momentos). Isso criou tensões internas. As transmissões da NBA foram até o fim dos contratos – mas a Globo.com deixou de agir como unidade de conteúdo para virar um misto de prestadora de tecnologia e fomentadora de estratégia digital.

Na época, Globo e Globosat tinham visões distintas sobre o futuro esportivo. A Globosat enxergava Sportv como marca de esporte da casa - emulando a estratégia da Disney. A TV Globo acreditava na marca Globo Esporte - que era também o nome do portal. O esporte era (e segue sendo) apenas uma faceta da convergência divergente do grupo. Responda o leitor: O Globo, G1, Globonews, CBN... qual é a profunda diferença dessas marcas - além do veículo de distribuição?

Naquela época, cada telejornal acreditava que devia ter um site para conversar com “seu público”. Essa difração foi contida pelos portais criados pela Globo.com - mas depois voltou com força nas redes sociais. Hoje quantas marcas da Globo têm contas em redes sociais? O RJTV1 (370 mil seguidores) tem uma conta no Instagram e o RJTV2 tem outra (90 mil seguidores). O Bom Dia Rio tem outra (460 mil seguidores). O ge e o getv têm contas diferentes nessas redes e a mesma página no YouTube.

A Globo.com tentou organizar cromaticamente a multiplicidade digital do grupo a partir de um conceito: o serviço importa mais do que a marca. O público quer consumir esporte, jornalismo e entretenimento. Então, três eixos: notícias em vermelho, esporte em verde, entretenimento em laranja e três grandes portais (G1, ge e GShow). Deu certo (eles sobrevivem até hoje)... mas debaixo da superfície... a multidão de marcas continuou.

De volta para o futuro… do pretérito

Voltemos um pouco no tempo. O YouTube nasceu em 2005 e foi comprado pelo Google em 2006. A Amazon lançou seu Unbox em setembro do mesmo ano (ele viraria Prime Video bem depois). Em 2007, surgiram também o iPhone e o streaming do Netflix. O Instagram foi criado em 2010 – e comprado pelo Facebook em 2012. Imagine-se como líder da Globo ou da Globosat por volta de 2007. Como você lidaria com quem dizia que a internet avançaria sobre os dois negócios? Mal se falava em TV conectada.

No início da década passada, os streamings começaram a ganhar tração. As ofertas desempacotadas começaram a atrair novos e velhos consumidores. De repente, a biblioteca da locadora estava em casa e não se dependia da programação de ninguém. Os pacotes lineares (ou bundles) tinham concorrência pela atenção premium. A Netflix desembarcou aqui em 2011. Nessa época, a Globosat lançou seu serviço de TVeverywhere – o Muu (que depois viraria Globosat Play). A Globo lançaria o Globoplay em 2015.

No início, lá e cá, o esporte ao vivo continuou imune. A tecnologia para transmitir ao vivo para milhões de pessoas ainda era um desafio que demandava banda e escalabilidade. Mas já era evidente que uma hora essa limitação cairia. No bundle, esporte sempre foi apenas um pedaço… que para muita gente se mostrou dispensável.

Em poucos anos, a queda de assinantes nos EUA se tornou assustadora. A Disney se perguntou... como lidar? Colocar a ESPN diretamente na internet aceleraria a implosão do bundle e provocaria uma óbvia reação das operadoras. Trocar uma receita imensa e previsível pelo risco de conquistar e reter cada assinante individualmente num meio incipiente não fazia sentido. Era matar a vaca que ainda dava muito leite.

Mas ficar parado também era arriscado. Era necessário experimentar esse novo mundo. A Disney fechou acordos de distribuição de vídeos com plataformas, lançou aplicativo de TVeverywhere e, quando o Google lançou sua “operadora” – o YouTube TV – , em 2017, a ESPN já disse presente.

Em 2018, testou um canal D2C – o ESPN+, uma espécie de ESPN que servia apenas acém e cupim, que custava US$ 4,99 mensais. O serviço trazia milhares de eventos, documentários, programação esportiva – mas não oferecia o filé-mignon dos esportes americanos. Era um laboratório para cobrança direta, entender churn, desenvolver tecnologia e conhecer o cliente.

O conflito com o modelo antigo era previsível. Em 2023, a Disney tirou seus canais da Charter, segunda maior operadora americana, e cerca de 15 milhões de assinantes ficaram dez dias sem ESPN. A conta explica a briga. Era o canal mais caro da televisão americana (US$ 9,42 por mês em 2023) e o motor de trinta anos de sucesso.

A Charter aceitaria pagar à Disney quase US$ 2,3 bilhões naquele ano, cerca de 30% mais do que em 2019, sendo que a audiência dos canais caíra mais da metade em relação ao pico de 2013. O bundle nunca tinha sido financiado apenas por quem assistia esporte. Para topar o acordo, a Charter recebeu o Disney+ com anúncios, o ESPN+ na camada esportiva e a garantia de receber o futuro serviço direto da ESPN. Alguns canais, como Freeform e Disney Junior, saíram da grade. Ou seja: a operadora topou pagar mais por um pacote menor, desde que o streaming fosse incluído.

Em agosto de 2025, o serviço direto enfim chegou – o ESPN Unlimited - que custava US$ 29,99. O consumidor americano pôde finalmente comprar diretamente o canal e todas suas submarcas. O lançamento criou nova refrega — desta vez com o Google, que tirou os canais da Disney do YouTube TV. Foram 15 dias de apagão, US$ 110 milhões a menos no resultado operacional da ESPN no trimestre, e um desfecho familiar. A Disney preservou o preço, mas autorizou o YouTube TV a montar pacotes temáticos vendendo a ESPN separada do resto do portfólio. E os assinantes da plataforma passaram a receber o ESPN Unlimited sem custo adicional. Em suma: duas crises em dois anos por conta da mesma questão: a reconfiguração do pacote.

A Disney se adaptou tática e estrategicamente a cada mercado. Nos Estados Unidos, onde a TV paga permanece relevante (hoje são 40,9 milhões de assinantes do modelo antigo e 21,3 milhões dos novos serviços), o Disney+ funciona principalmente como amostra e topo do funil: oferece uma seleção de eventos e tenta conduzir o espectador mais interessado para a ESPN completa.

No Brasil, onde esse negócio nunca teve o tamanho americano e vem se desmaterializando mais rapidamente, a empresa ampliou a oferta esportiva no Disney+ Premium. Aqui, o aplicativo não serve apenas como vitrine da ESPN: tornou-se sua nova casa e procura reconstruir dentro de uma única assinatura parte do bundle perdido. Na Europa, a companhia faz outros testes. Oferece apenas uma partida semanal da LaLiga no Reino Unido; o campeonato completo, mas sem exclusividade, na França; e pacotes mais profundos, com liga e copas, nos países nórdicos.

O produto direto está longe de sobrepujar o bundle. Quatro em cada cinco assinantes do plano completo recebem ESPN dentro de um pacote com Disney+ e Hulu. No mundo dos novos bundles, quem só vende conteúdo fica menor. Empacotar é preciso. Charter e YouTube TV exigiram exatamente isso — o streaming da Disney dentro dos seus próprios pacotes. De um lado e de outro do balcão, todo mundo quer manter o bundle.

A Disney sabe que o esporte pode gerar alcance, justificar uma assinatura mais cara, atrair novos clientes, manter antigos e sobretudo fortalecer seu bundle proprietário. Algum malabarismo é necessário para equilibrar receita direta, decidir quanto entregar de filé no Disney+ e modular a relação com intermediários. Mas, apesar dos tropeços, é possível reconhecer a clareza de marca e uma arquitetura comum.

Globo e a convergência divergente

A água digital demorou um pouco mais a subir no Brasil. Mas subiu. Em 2015, ano em que a TV paga começou a cair no Brasil, o YouTube lançou o Brandcast, reunindo mais de 500 executivos de anunciantes e agências para apresentar audiência, formatos e oportunidades comerciais. A Globo talvez tenha demorado a reagir porque a disrupção demorou a chegar em seus dois encouraçados – a TV aberta e a TV paga. Mas chegou.

É o dilema clássico do inovador — proteger o que dá dinheiro é sempre a decisão racional até deixar de ser. A ironia é que, por oitenta anos, cada marca nova da Globo abriu uma frente nova de receita. Jornal, rádio, TV, revista, canais pagos, portais: mais produtos significavam mais pedaços do mercado publicitário, porque os mercados eram de fato distintos. Cada um tinha seu público, seu preço e seu comprador. Hoje é o mesmo anunciante escolhendo entre inventários que competem entre si, e em boa parte o mesmo público do outro lado. Multiplicar marcas deixou de abrir mercado e passou a dividir força, investimento e mensagem. O que construiu o grupo começou a trabalhar contra ele.

No esporte há uma história peculiar. Em 2017, a Globo reuniu produção de esportes da TV Globo e a área de produtos esportivos da Globosat e ensaiou uma integração vertical a partir de conteúdo. Essa nova unidade pretendia escolher o que comprar/produzir e como distribuir. Parecia um caminho convergente, mas a visão não prosperou porque a unidade não definia as estratégias maiores. E já havia uma outra mudança em gestação.

Em 2019, Globo e Globosat (e Globo.com) se fundiram numa reestruturação batizada de Uma Só Globo (embora o Infoglobo continuasse fora). Foi um processo longo que pariu um modelo integrado a partir de duas grandes áreas de produto. A primeira era a televisão aberta: a TV Globo. A segunda, Produtos e Serviços Digitais, abarcava canais de TV paga, Globoplay e publishing — os sites ge, G1, GShow e Receitas. Comercial, Tecnologia e Financeiro foram unificados. A Globo.com foi integrada à Tecnologia como uma área de serviço. O Esporte se tornou uma das três áreas de produção de conteúdo, ao lado de Jornalismo e Entretenimento.

No modelo operacional que, em linhas gerais, permanece… cada produto define sua estratégia e responde pelo próprio P&L. Recebe orçamento, encomenda conteúdo e decide como empacotá-lo. A televisão aberta pode escolher entre investir em direitos esportivos ou produzir uma novela. Produtos e Serviços Digitais precisa distribuir recursos entre Globoplay, Sportv, Premiere e publishing (e mais recentemente o Globo Pop). Cada produto tem incentivo para proteger seu resultado. Não chega a surpreender que esse modelo tenha criado novos silos.

O arranjo faria sentido se os mercados continuassem separados. Se a TV aberta disputasse apenas com a TV aberta, o Sportv com outros canais pagos e o Globoplay com outros streamings. Agora, um jogo gratuito na getv pode gerar alcance e, ao mesmo tempo, retirar valor do Sportv ou do Premiere. Estar no YouTube pode ampliar a audiência, mas entregar à plataforma coisas como descoberta, dados e relacionamento. Distribuir pela Amazon pode acrescentar assinantes e, ao mesmo tempo, enfraquecer o Globoplay. E, como a Copa sublinhou, o YouTube se tornou o principal concorrente da TV aberta - e da Globo como um todo. Decisões que parecem pertencer a um produto passaram a produzir consequências para todo o sistema. Talvez por isso a empresa esteja discutindo uma reorganização que está perto de ser anunciada.

O problema não é simplesmente ter muitas marcas. Marcas diferentes podem prestar serviços diferentes. A questão é quem decide o papel de cada produto quando distribuição, alcance, assinatura e relacionamento com o público se misturam.

É preciso convergir. A produção audiovisual – antes escassa e cara – passou a ter alternativas abundantes e baratas. Qualquer um com um celular na mão é capaz de conquistar um fiapo de atenção. A distribuição, que era uma incrível barreira de entrada, migrou para plataformas híbridas e, sem trocadilho, globais. O bundle pago – que prometia ser um caminho – se diluiu e começou a ser reconfigurado debaixo dessas mesmas plataformas.

A cadeia se desagregou e ganhou novos elos. Criadores disputam linguagem e atenção. Plataformas controlam descoberta, distribuição e dados e disputam assinatura e tempo de consumo. Os fabricantes de TV querem controlar a tela inicial. Clubes e ligas detêm direitos e querem monetizar diretamente seus fãs. A TV 3.0 é uma esperança no horizonte - mas não chega amanhã.

O espelho imperfeito

A Globo ainda reúne um conjunto de capacidades que poucos concorrentes conseguem combinar: promoção cruzada, venda publicitária, operação confiável, presença regional, talentos, relacionamento com anunciantes e força cultural para transformar um evento em acontecimento nacional. Mas nada disso assegura controle da jornada. É possível produzir o evento, promovê-lo e reunir milhões de pessoas — enquanto outra empresa controla a interface, monetiza a repercussão e a relação cotidiana com o consumidor.

A Disney passou três décadas tateando como competir nesse mundo. Durante esse período, protegeu o modelo pago, testou produtos digitais, ocupou plataformas de terceiros e administrou dentro do possível a canibalização. Fez isso a partir de uma definição anterior: ESPN era sua marca esportiva. Cada janela seria explorada para preservar e estender o negócio pago.

Talvez Mickey seja um bom espelho - com ressalvas. A ESPN perdeu metade da audiência desde 2013, brigou com gigantes e 80% dos assinantes de seu plano completo ainda chegam por meio de pacotes. Não há garantias nesse mundo novo. E o mercado brasileiro é peculiar. O Premiere, por exemplo, é uma jabuticaba: uma terceira camada de venda que os clubes ameaçam destruir a cada renegociação - sem perceber quão difícil é criar esse valor.

Pode não ser necessário escolher uma marca única para cada vertical. Mas precisa haver uma estratégia capaz de atribuir a cada porta uma função: alcance, descoberta, assinatura, monetização ou relacionamento — e de julgar cada decisão pelo efeito sobre o conjunto, não apenas sobre o P&L de um produto.

A própria Globo formulou o princípio quando organizou os portais em três eixos partindo de uma clareza singela: o serviço importa mais do que a marca. A marca é consequência do serviço que ela presta. Se não há um serviço realmente diferente para o usuário, criar outra marca pode ser apenas a organização interna se projetando para fora.

O princípio funcionou nos portais, mas nunca foi aplicado à própria estrutura. Assim, cada produto protegeu seu território, o que tornou difícil uma resposta sistêmica quando outros atores avançavam sobre a relação com o consumidor.

A Disney entendeu que não poderia impedir a multiplicação das portas, mas precisava definir aonde elas deveriam levar. Claro que, num ambiente fragmentado, simplificar a mensagem costuma ser recomendável. De que adianta ter 15 marcas brigando por espaço no algoritmo alheio?

A ESPN nasceu em 1979 quando a transmissão via satélite reduziu uma barreira de entrada e tornou possível uma programação inteiramente esportiva. Hoje, as plataformas globais ergueram novas barreiras: infraestrutura, tecnologia, dados, recomendação e cobrança demandam investimentos amplos e constantes.

Na semana passada, mais de dez canais diferentes transmitiram jogos de futebol no YouTube brasileiro. Teve Champions League, Bundesliga, La Liga, Copa Peruana, campeonatos tcheco, egípcio, escocês... uma longa cauda de competições. O empresário Carlos Salvador criou um script para atualizar a agenda de transmissões e colocou em sua conta no X: no último sábado foram 42 partidas ao vivo; no domingo foram 26. Tudo de graça. Além de Cazé TV, getv, Goat, Uol e NSports, agora temos outros entrantes: Sportynet, Jovem Pan, Gol BR, Live Alviverde, Canal do Benja e até a Romário TV.

A quantidade não significa que todos esses direitos tenham muito valor, nem prova que o modelo seja sustentável. Mas revela a velocidade com que a antiga escassez de oferta foi substituída por uma abundância fragmentada. Quanto desse impulso se deve ao investimento das empresas de apostas? No modelo antigo, o canal recebia um valor fixo por assinante, tivesse audiência ou não. No YouTube, cada canal compra direitos, disputa a tela inicial e monetiza a atenção que capturar (junto com a plataforma). Nenhum deles é dono da vitrine. O agregador manda.

Amazon, Google e Netflix pretendem controlar a interface, a cobrança, os dados e a circulação do consumidor. Prime Video e YouTube já atuam como operadoras digitais e pretendem abraçar toda a jornada do consumidor. A Netflix percebeu que, para continuar nesse jogo, precisava se mexer. Começou a investir em conteúdo breve (e vertical), a contratar criadores e fechou um acordo com a TF1, principal rede francesa, para transmitir seu conteúdo ao vivo.

Custa caro ser shopping - muita gente prefere ser loja… mas a torta da distribuição será sempre maior. Nos EUA, o YouTube TV funciona como uma operadora tradicional reconstruída pela internet. O YouTube aberto, lá como cá, agrega transmissões financiadas por publicidade. De um lado o bundle pago, do outro a agregação gratuita da atenção - os dois modelos da TV tradicional reconfigurados. Seja pela assinatura, seja pela publicidade, a interface, a descoberta e grande parte dos dados ficam com o Google.

O que impede Amazon e Netflix de tentarem algo semelhante? As duas plataformas não têm camada gratuita. Talvez o Brasil seja uma oportunidade para esse teste. O Globoplay terá fôlego para ser shopping nacional nesse mundo de investimento intensivo? Isso porque nem mencionamos o pessoal de IA - que já começou a vender publicidade.

Em menos de dois anos, a Globo vai transmitir as Olimpíadas de 2028. É um megaevento no qual vai dividir direitos com a Cazé TV. Em Olimpíadas, descoberta e usabilidade são mais importantes do que numa Copa do Mundo. São muitos eventos simultâneos - tanto que a página de agenda dos sites é sempre a mais acessada. Ter plataforma própria pode ser um ativo… mas casar usabilidade, experiência e conveniência não é simples na era das múltiplas telas. Precisa planejar e investir com antecedência - e ter clareza de que megaeventos são multiplicadores.

É provável que a Cazé TV abra o maior número possível de canais gratuitos no YouTube. A Globo poderá fazer o mesmo no getv. Qual será o papel do Sportv e da TV Globo nesse cenário? E o do Globoplay? Onde o brasileiro vai encontrar, entender e viver as Olimpíadas? O evento dura 15 dias. Mas ecoa. A disputa está longe de ser apenas com a Cazé.

Call Matinal

02/09/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0109)

Esta onda de interesse já tem sido percebida desde a semana passada e ajudou a impulsionar ontem o Ibovespa ao melhor nível desde maio, a 179.722 pontos, em alta de 1,30%, após ter tocado 181.061 pontos na máxima do dia. Volume somou R$ 21,6 bilhões. Na sessão de maior apetite por risco, o dólar à vista fechou em baixa de 0,47%, cotado a R$ 5,1557.

 

MERCADOS

PRINCIPAIS MERCADOS       

Terceiro dia seguido de queda nas bolsas — guerra, petróleo e yields em alta ao mesmo tempo. O WTI passou de US$ 90 e os juros de 10 anos dos EUA bateram 4,81%, o maior nível desde novembro de 2023.

 

 

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

 

S&P Futuro, -0,23%,

Nasdaq Futuro, -0,51%,

Dow Jones, -0,12%

Bolsas de NY corrigindo em queda pelos temores inflacionários, decorrentes do conflito no canal de Ormuz.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Kospi (Coréia), -3,99%,

Nikkei (Japão), -2,85%,

Xangai (China), -1,13%,

Hang Seng (Hong Kong), -1,00%

As bolsas asiáticas fecharam em forte queda, pressionadas pela alta do petróleo.

Europa

 

 

 

FTSE (Bolsa de Londres), -0,61%;

Dax (Frankfurt), -0,80%

Bolsa de Paris, 0,67%.

STOXX 50 (-0,60%)

STOXX 600 (-0,75%)

As bolsas europeias operam no campo negativo nesta 4ªF, com as preocupações quanto às pressões inflacionárias decorrentes da alta do petróleo reforçadas, após a intensificação da escalada militar no Oriente Médio.

Commodities

 

 

 

🛢️Brent US$ 94,92 (+0,29%), WTI US$ 90,30 (+0,09%) — WTI acima de US$ 90 pela primeira vez desde julho

 

O WTI cruzou US$ 90 nesta madrugada — o maior nível desde o final de julho — impulsionado por novos ataques americanos ao Irã

 

Dia 0209

Dia de ADP nos EUA, a se preparar o para o payroll de sexta-feira e, no Brasil, a produção industrial a reforçar uma economia perdendo tração pelo lado do consumo das famílias. Ontem, no PIB crescente em 0,5% no segundo trimestre, o Consumo das Famílias acabou vindo no negativo. No cenário político, inferno astral para a turma do STF, nos seus variados esquemas “por fora” tantas vezes condenados e criticados pela sociedade. O grau de cinismo destes caras já extrapolou o bom senso. Hoje, a Quaest coloca em prova o trade eleitoral que levou o Ibovespa a ensaiar os 180 mil pontos, embalado pela melhora de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e agora também pelas revelações sobre as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Lá fora, o petróleo estendia os ganhos no eletrônico, após a resposta do Irã aos novos ataques americanos, reforçando a pressão sobre a inflação e os juros.

As novas revelações sobre as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro transformaram o caso Master em munição eleitoral e deram combustível à oposição, justamente quando as pesquisas começam a indicar uma disputa mais apertada. Uma saída política seria a renúncia deste minitro do STF, já tão envolvido em traficância pesada. Sucesso subiu a cabeça.  

  Agenda 0209

05h00 – Brasil: Fipe – IPC (ago)

09h00 – Brasil: IBGE – Produção industrial (jul)

09h15 – EUA: ADP – Relatório de vagas criadas no setor privado (ago)

11h00 – EUA: Encomendas à indústria (jul)

11h30 – EUA: DoE – Estoques de petróleo

14h30 – Brasil: BC – Fluxo cambial semanal

15h00 – EUA: Fed – Livro Bege

21h30 – Japão: PMI/S&P Global de serviços (final de ago)

22h45 – China: PMI/S&P Global de serviços (final de ago)

Brasil: Fenabrave – Emplacamentos de veículos (ago)

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,2% US tech -0,7% US Semis -2,1% UEM -1,1% España -0,3% VIX 16,3% Bund 3,36%. T-Note 4,80%. Spread 2A-10A USA=+40pb B10A: ESP 3,79% PT 3,72% ITA 4,20% FRA 4,23% Euribor 12m 3,00%. USD 1,158 JPY 185,1/€. Ouro 4.320$. Brent 95,4$. WTI 90,6$. Bitcoin +0,2% (77.4888$). Ether +0,1% (2.421$).

 

:: SESSÃO.

Hoje teremos uma sessão de possíveis novos enfraquecimentos, após as subidas do petróleo ontem (Brent +4,6% até 94,7 $) e com os investidores pendentes do aumento da tensão geopolítica e o seu impacto nas obrigações. O mercado continua marcado pelo aumento das yields que penalizam as bolsas (T-Note: +4,8 p.b. até 4,80% e Bund +2 p.b. até 3,34%).

 

No plano macro, hoje não há demasiadas referências. Conheceremos o inquérito de emprego ADP nos EUA, que não deverá fazer muito ruído num mercado laboral que não é fonte de preocupação (com uma Taxa de Desemprego que, na sexta-feira, se espera que repita em 4,1%). Ontem foi publicado o IPC da UE, que aumenta 4 décimas em agosto até +3,3%, como esperado, pressionado pelos preços da Energia (a taxa Subjacente baixou uma décima até +2,4%) e reafirmando a convicção de que o BCE aplicará uma nova subida de taxas de juros de +25 p.b. até 2,50%/2,65%, a 10 de setembro.


Na frente empresarial, Palo Alto cai -1,1% após o fecho (-5,2% na sessão) apesar de bater em resultados e guias, penalizado, como todo o setor tecnológico, por umas yields elevadas. Hoje, após o fecho, é a vez de Broadcom, que se espera que praticamente duplique os seus resultados e, quiçá, ajude a recordar a prosperidade dos semis… embora agora os fundamentos pesem menos do que o aumento das taxas de juros a longo prazo. Mas isso já afetará na sessão de amanhã.


:: CONCLUSÃO.

Historicamente, setembro é um mau mês para as bolsas. De média, o índice americano baixou -0,8% no mês nas últimas três décadas, e Europa -1,2% desde o ano 2000. Este ano parece difícil que vejamos um desenvolvimento diferente, cm yields de obrigações tensionadas, reuniões de bancos centrais que se mostrarão hawkish e tendo em conta as atrativas reavaliações acumuladas desde o início do ano.


De momento, hoje enfrentamos uma sessão sem incentivos, à espera dos dados de emprego americano de sexta-feira, muito atentos aos acontecimentos no M. Oriente e o seu impacto nas obrigações. Novos enfraquecimentos seria o normal.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Quaest põe trade eleitoral à prova*


A ADP prepara o espírito para o payroll de sexta-feira e, no Brasil, a produção industrial testa os sinais de desaceleração


… A Quaest coloca hoje à prova o trade eleitoral que levou o Ibovespa a ensaiar os 180 mil pontos, embalado pela melhora de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e agora também pelas revelações sobre as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Lá fora, o petróleo estendia os ganhos no eletrônico, após a resposta do Irã aos novos ataques americanos, reforçando a pressão sobre a inflação e os juros. A ADP abre a bateria de emprego nos Estados Unidos, que culmina com o payroll de sexta-feira e pode mexer nas apostas para o Fed. No Brasil, a produção industrial testa os sinais de desaceleração deixados pelo PIB. Na temporada de balanços, a Dell disparou no after hours em Nova York.


MORAES ENTRA NA ELEIÇÃO – As novas revelações sobre as relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro transformaram o caso Master em munição eleitoral e deram combustível à oposição, justamente quando as pesquisas começam a indicar uma disputa mais apertada.


… Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado cobraram ontem o afastamento, a renúncia ou o impeachment do ministro do STF. Lula foi o único entre os presidenciáveis a não se manifestar diretamente sobre Moraes.


… A campanha do presidente, porém, tenta se descolar da crise, segundo apuração dos jornalistas que cobrem Brasília. O ministro Guilherme Boulos afirmou que, se houve crime, deve haver investigação e punição. Gleisi Hoffmann e Haddad vieram com o mesmo discurso.


… A preocupação no entorno de Lula é com o impacto eleitoral do episódio, que fortalece o discurso de Flávio contra o STF.


… No Senado, contudo, os novos pedidos de impeachment devem encontrar resistência. Davi Alcolumbre, próximo a Moraes e a quem cabe decidir sobre o andamento dos processos, sinalizou a aliados que vai esperar a posição do STF antes de tomar qualquer decisão.


… O relator do processo no Supremo, ministro André Mendonça, que suspendeu o sigilo das mensagens de Vorcaro, quer levar o caso ao plenário.


PGR PEDE ARQUIVAMENTO – No fim do dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF a nulidade e o arquivamento do relatório da PF que detalha as relações entre Moraes e Vorcaro, sem entrar no mérito das mensagens.


… Segundo Gonet, André Mendonça não tinha competência para determinar diligências que acabaram por investigar outro ministro do Supremo.


… Na opinião do PGR, ele próprio envolvido no relatório da PF em mensagens sobre sua relação com Vorcaro, diante de indícios envolvendo Moraes, Mendonça deveria ter submetido o caso ao presidente da Corte para que o plenário decidisse se autorizaria uma investigação.


… Mendonça havia afirmado horas antes que, independentemente da manifestação da PGR, o “caminho inevitável” do caso seria o plenário do STF, que terá de decidir se autoriza uma investigação contra Moraes. A data da sessão caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin.


REDE DE INFLUÊNCIA – O relatório tornado público ontem, por decisão do relator André Mendonça, reúne mensagens encontradas no celular de Vorcaro que indicam uma relação próxima com Moraes e tentativas do banqueiro de obter sua ajuda contra o cerco da PF e do BC.


… Dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o País e se seria possível “fazer algo”.


… Em outras mensagens, o ex-dono do Master pediu que o ministro atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e a Gonet para tentar evitar ou adiar medidas contra ele e o banco. As respostas de Moraes não foram recuperadas pela PF.


… O material também revelou que Moraes analisou a minuta do contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Master com o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci. Metadados apontam uma edição atribuída a “Ministro Alexandre de Moraes”.


… Viviane confirmou que o marido foi consultado sobre eventuais impedimentos legais e afirmou que os serviços foram efetivamente prestados.


… A relação entre as famílias antecedia o contrato. Em dezembro de 2023, Vorcaro organizou uma experiência “ultra VIP” para uma comitiva de Moraes em Campos do Jordão. Dias depois, começou a negociação do contrato com o escritório de Viviane.


… Em outubro de 2025, o Master autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil aos filhos do ministro, a pedido do escritório de Viviane.


QUAEST TESTA TRADE ELEITORAL – A pesquisa Quaest, que será divulgada às 10h45, ganha peso depois que resultados mais favoráveis para Flávio Bolsonaro e a nova crise envolvendo Alexandre de Moraes reforçaram as apostas em uma virada na corrida eleitoral.


… A Real Time Big Data mostrou ontem Lula e Flávio com 44% cada no segundo turno. Em julho, o presidente tinha 45%, contra 42% do senador. No primeiro turno, Lula aparece com 38%, Flávio, com 30%, e Augusto Cury, com 11%.


… A leitura de que Flávio recuperou terreno e tornou a disputa mais competitiva animou investidores que apostam em uma mudança na política econômica e em maior compromisso com o ajuste fiscal num eventual governo de oposição.


… As revelações sobre Moraes acrescentaram combustível, diante da avaliação de que o desgaste do ministro pode favorecer o candidato do PL.


… O trade eleitoral prevaleceu até mesmo sobre a piora em Nova York, com o Ibovespa ensaiando superar os 180 mil pontos, queda do dólar, na contramão da moeda no exterior, e recuo dos juros futuros, apesar da leve surpresa com o PIB (leia mais abaixo).


… A confirmação pela Quaest de uma disputa mais apertada hoje, e pelo Datafolha amanhã, tende a reforçar o trade eleitoral.


GUERRA VOLTA A ESQUENTAR – O petróleo estendia a disparada no mercado eletrônico, ontem à noite, após saltar mais de 4% no pregão regular com a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã.


… O Brent subia 0,92%, a US$ 95,52, e o WTI, 0,89%, a US$ 91,02, com novas ofensivas iranianas contra bases americanas no Oriente Médio.


… A alta desta terça-feira deu uma ajuda adicional ao entusiasmo com o trade eleitoral na B3, ao impulsionar as ações da Petrobras, mas no exterior reacendeu os temores com a inflação e pressionou os juros dos Treasuries (abaixo).


… O WTI saltou ontem 5,2%, a US$ 90,22, e o Brent avançou 4,6%, a US$ 94,65, depois que os Estados Unidos retomaram os ataques contra alvos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz, em resposta às ofensivas de Teerã a navios comerciais e posições americanas na região.


… Trump classificou os bombardeios como “grandes e poderosos” e ameaçou uma ofensiva ainda mais dura se o Irã reagisse. A resposta começou horas depois, com o lançamento de mísseis e drones contra bases americanas na Jordânia e no Bahrein.


… A Guarda Revolucionária afirmou ainda que os ataques dos Estados Unidos levarão o Irã a apertar o controle sobre Ormuz, aumentando novamente o risco para o fluxo de petróleo pelo Golfo. A escalada voltou a colocar uma interrupção mais prolongada da oferta no radar.


… Washington também prepara uma nova rodada de sanções contra bancos ligados ao regime iraniano.


… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos pretendem acelerar o estrangulamento econômico de Teerã e disse acreditar que o regime poderá entrar em colapso, abrindo caminho para um acordo.


… À noite, Trump afirmou que não está tentando forçar o Irã a negociar e disse preferir a atual posição americana, com “controle quase total” de Ormuz e a economia iraniana em colapso. “Eu não poderia me importar menos se assinarem um acordo sem valor para eles.” 


… A escalada ganhou ainda uma frente diplomática, com China, Rússia e os demais membros da Organização para Cooperação de Xangai condenando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as sanções ocidentais.


EMPREGO NO RADAR – A ADP divulga às 9h15 o relatório de criação de vagas no setor privado americano em agosto, com expectativa de um desempenho acima de julho (44 mil), com 46,5 mil novos postos de trabalho.


… O dado dá sequência à bateria do mercado de trabalho nos Estados Unidos, depois de a pesquisa Jolts mostrar ontem 7,271 milhões de vagas abertas em julho, ligeiramente abaixo do esperado, e contratações mais fracas.


… O foco culmina com o payroll de sexta-feira, que ajudará a calibrar as apostas para a reunião do Fed deste mês. A possibilidade de uma alta dos juros em setembro segue na mesa, sobretudo depois do tom duro adotado por Kevin Warsh em Jackson Hole.


… Também importante para projetar a política monetária, às 15h, o Fed publica o Livro Bege, com sinais sobre atividade, inflação e mercado de trabalho nas diferentes regiões dos Estados Unidos.


… Às 11h, saem ainda as encomendas à indústria de julho, com previsão de alta de 0,7%, após queda de 0,3% em junho, e com o petróleo novamente acima dos US$ 90, os estoques americanos ganham atenção às 11h30.


… A previsão é de queda de 300 mil barris nos estoques de petróleo bruto, de 1,7 milhão nos de gasolina e de 1,9 milhão nos de destilados.


… No Canadá, o BC divulga às 10h45 sua decisão de política monetária, com expectativa de manutenção dos juros em 2,25%.


… À noite, saem os PMIs de serviços do Japão, às 21h30, e da China, às 22h45.


FESTA DA DELL NO AFTER – A Dell disparou 8% no after hours de Nova York, depois de superar com folga as expectativas do seu balanço no segundo trimestre fiscal e elevar as projeções, embalada pela forte demanda por servidores de inteligência artificial.


… O lucro ajustado foi de US$ 7,04/ação (previsão de US$ 4,91), e a receita saltou 50,6%, para US$ 47 bilhões (previsão de US$ 44,9 bilhões). A projeção de receita com servidores otimizados para IA no ano fiscal foi elevada de US$ 60 bilhões para US$ 74 bilhões.


… Para 2027, a Dell espera que esse negócio triplique. Para o trimestre atual, projetou receita de US$ 49 bilhões e lucro ajustado de US$ 6,50 por ação, também bem acima do consenso de Wall Street.


BROADCOM – Após o fechamento dos mercados, divulga balanço.


MAIS AGENDA – Aqui no Brasil, a produção industrial de julho sai às 9h, depois de o PIB do segundo trimestre confirmar a desaceleração da atividade, apesar de a alta de 0,5% ter superado ligeiramente as expectativas.


… A mediana do Broadcast prevê avanço de 0,5% da indústria, após duas quedas consecutivas e o recuo de 1,8% em junho. As estimativas vão de -0,6% a +1,3%. A expectativa é de uma recomposição apenas parcial, sem sinalizar uma retomada mais firme do setor.


… A indústria de transformação continua pressionada pelos juros elevados e pela competição dos importados, enquanto a atividade extrativa tem mostrado maior sustentação. Na comparação anual, a previsão é de queda de 0,1%, após alta de 1,7% em junho.


… Ainda na agenda desta quarta-feira, às 5h, sai o IPC-Fipe de agosto, com mediana de 0,05%, após queda de 0,03% em julho. Às 8h, a FGV divulga o IPC-S Capitais. E a Fenabrave informa os emplacamentos de veículos de agosto.


… O Banco Central publica às 8h a ata do Comef e, às 14h30, os números do fluxo cambial semanal.


GALÍPOLO – Presidente do BC viaja hoje para Basileia, onde participará das reuniões bimestrais do BIS entre sábado e segunda-feira.


FISCAL DOMINA DEBATE – O ajuste das contas públicas e o nível dos juros dominaram os primeiros embates entre os assessores econômicos das campanhas presidenciais, em debate promovido ontem à noite pela GloboNews.


… Daniella Marques, de Flávio Bolsonaro, prometeu mudar o arcabouço e conter despesas. E Dario Durigan, de Lula, defendeu a trajetória fiscal do governo, afirmando que o Orçamento de 2027 é resultado do ajuste promovido nos últimos anos.


… O ministro da Fazenda destacou a previsão de superávit primário de R$ 18,6 bilhões. Admitiu, porém, que “é evidente” a necessidade de avançar na consolidação fiscal e defendeu uma trajetória gradual, com metas de 0,5% do PIB em 2027, 1% em 2028 e 1,5% em 2029.


… Daniella disse que um eventual governo Flávio quer cortar privilégios e promover uma “autocontenção” das despesas dos três Poderes.


… Defendeu ainda uma nova regra fiscal, com uma trava automática para limitar a trajetória da dívida em relação ao PIB. Segundo ela, um mecanismo crível e estável ajudaria a recuperar a confiança e reduzir o custo do endividamento de empresas e famílias.


… Questionado sobre uma nova reforma da Previdência, Durigan afirmou que o tema terá de ser enfrentado nos próximos anos, e defendeu o aumento da idade de aposentadoria dos militares e o corte de supersalários no Congresso e no Judiciário.


… Daniella evitou se comprometer com uma nova reforma da Previdência e afirmou que a discussão não pode ocorrer antes de cortes em outras áreas. “Enquanto a gente sustentar alguém com 60 dias de férias, não há moral para se discutir um ajuste na Previdência de novo.”


CURTAS DA POLÍTICA – A CCJ do Senado deve votar hoje a PEC que acaba com a escala 6×1. A sessão começa às 9h e o relator, Omar Aziz, afirma que já há votos suficientes para aprovar a proposta. O governo espera levar a matéria ao plenário ainda nesta quarta-feira.


BLUSINHAS. Governo e Congresso chegaram a um acordo para votar hoje a MP que acaba com a taxa de importação sobre compras de até US$ 50. A comissão mista analisa o texto às 10h e a expectativa é de votação ainda nesta quarta-feira nos plenários da Câmara e do Senado.


… Ficou fora do acordo a proposta de condicionar a isenção ao transporte das mercadorias pelos Correios, rejeitada pelo governo.


TCU. A Câmara deve votar às 11h o nome de Rodrigo Pacheco para uma vaga no TCU, aprovado ontem pelo Senado por 63 votos a 4.


REDATA. O Senado aprovou ontem o regime especial que concede incentivos tributários para atrair investimentos em data centers ao País.


… O programa suspende tributos federais por cinco anos sobre a compra e a importação de equipamentos, exige investimentos em pesquisa e desenvolvimento e permite o uso de gás natural como fonte de baixa emissão. O texto vai à sanção.


XANDÃO DAY – A indicação de empate entre Lula e Flávio no segundo turno e as novas revelações do caso Master, com desgaste político a Moraes, que pode atingir a imagem do petista, deram um choque de otimismo no mercado.


… O Ibovespa emplacou a décima alta seguida e encostou nos 180 mil pontos no fechamento, depois de ter rompido esta marca no intraday, o dólar voltou à faixa de R$ 5,15 e os juros futuros caíram, ignorando a escalada do petróleo.


… Fontes do Broadcast e do Valor disseram que têm identificado um aumento das apostas na valorização dos ativos brasileiros após a eleição presidencial, com investidores montando posições em opções de compra do EWZ.


… Além do call no principal fundo de índice de ações brasileiras negociado no exterior, também os ADRs da Petrobras com vencimento em dezembro (após a corrida eleitoral) estariam sendo alvo do movimento comprador.


… Esta onda de interesse já tem sido percebida desde a semana passada e ajudou a impulsionar ontem o Ibovespa ao melhor nível desde maio, a 179.722 pontos, em alta de 1,30%, após ter tocado 181.061 pontos na máxima do dia.


… No target do fluxo de apetite pelo Brasil, Petrobras ligou o turbo ontem, tendo sido embalada ainda pelo rali do petróleo. As ações ON dispararam 4,14%, para R$ 52,37, e as preferenciais saltaram 4,11%, negociadas a R$ 46,87.


… A bolsa brasileira operou descolada da fuga do risco em Nova York com o agravamento da tensão com o Irã.


… Ainda no “kit estatais”, além de Petrobras, também BB se destacou, em alta firme de 2,27%, valendo R$ 21,21. Bradesco PN subiu 1,22% (R$ 17,40) e Itaú PN, +0,96% (R$ 39,88). Já Santander unit caiu 0,74% (R$ 29,34).


… Os papéis da Vale subiram 0,58% (R$ 78,30), superando o minério de ferro (+0,14%) no mercado chinês.


… Motivos o dólar teria tido vários para subir ontem, se dependesse da alta em escala global, da pressão renovada das taxas dos Treasuries e da disparada do petróleo. Mas a moeda só quis saber por aqui de curtir o trade eleitoral.


… A percepção de que Flávio vem reduzindo o favoritismo de Lula e que a proximidade de Alexandre de Moraes com Vorcaro renderá dividendos políticos à chapa da oposição colocou o real ontem como uma das moedas favoritas.  


… Na sessão de maior apetite por risco, o dólar à vista fechou em baixa de 0,47%, cotado a R$ 5,1557.


… O petróleo caro, que poderia ter sido lido negativamente ontem, pelo lado de aversão a risco, foi visto pelo câmbio sob a ótica do copo meio cheio, na medida em que beneficia o Brasil nas exportações da commodity.


SOBE PRA BAIXO – Apesar de o PIB doméstico do segundo trimestre (0,5%) ter superado o consenso de 0,4%, não abalou em absolutamente nada a aposta unânime entre os traders de que vem corte da Selic no Copom deste mês.


… A percepção dominante é que, embora não pareça à primeira vista, a economia exibe sinais de desaquecimento.


… Chamou a atenção ontem o relatório a clientes publicado pelo economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, em que ele não descarta até mesmo a possibilidade de recessão da economia brasileira no ano que vem.


… Diante de um inevitável ajuste das contas públicas em 2027, depois do forte impulso fiscal observado em 2026, “será difícil não ver um crescimento frágil [do PIB]”, que pode culminar em um cenário recessivo, avalia.


… A MB está mais pessimista do que boa parte do mercado e espera expansão de 1,8% da economia brasileira para este ano e de 1% no próximo, abaixo da mediana das projeções no botem Focus, de 1,9% e 1,5%, respectivamente.


… O BofA manteve ontem a aposta de PIB ainda forte este ano, de 2,3%, mas reconheceu sinais de perda de fôlego.


… O banco observou que a qualidade do PIB do segundo trimestre foi pior do que o dado cheio indica, porque o resultado foi puxado por componentes e setores menos associados a um ciclo sustentado de demanda doméstica.


… Diante desta composição mais fraca e, à medida que alguns impulsos fiscais se dissipem, a perspectiva do BofA é de crescimento bem mais fraco da economia no ano que vem, de 1,3%, segundo a estimativa revisada em julho.


… Economistas do UBS destacam que o PIB do segundo trimestre foi puxado, em grande medida, pela agricultura, que avançou 2,8% na comparação trimestral. Mas os principais setores da economia têm crescido bem menos.


… O banco ressaltou ainda a queda de 0,4% do consumo das famílias na margem. “Isso provavelmente reflete um arrefecimento gradual do mercado de trabalho, juntamente com encargos elevados de serviço da dívida.”


… Em levantamento da Agência Estado após o PIB, o mercado mostrou redução de 0,3% para 0,2% da projeção mediana de crescimento no terceiro trimestre, mas manteve em 1,9% a estimativa para 2026. Para 2027, a previsão é de desaceleração para 1,5%.


… Além de o PIB não ter comprometido a expectativa de queda da Selic, também o salto do petróleo foi desprezado ontem pela curva dos juros futuros, que embarcou nas esperanças de uma disputa eleitoral mais apertada.


… No fechamento, o DI com vencimento em Jan/27 marcava 13,585% (de 13,610% no ajuste anterior); Jan/28, 13,760% (contra 13,815%); Jan/29, 14,110% (14,188%); Jan/31, 14,390% (14,499%); Jan/33, 14,495% (14,598%).


PRESSÃO TÁCITA – Com cada vez mais frequência, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, aproveita para defender publicamente a política coordenada dos Estados Unidos com o Japão a favor do iene.


… Participantes do mercado têm interpretado os comentários como uma forma de pressionar o BC japonês a elevar os juros, mas alertam sobre o risco de que a estratégia possa não servir de garantia para estabilizar o iene.


… Para o Rabobank, mesmo com um aumento da taxa de juros pelo BoJ neste mês, é improvável que a moeda japonesa, que ontem caiu a 160,25 por dólar, esteja livre de riscos, já que as condições fiscais preocupam.


… Durante reunião no G20 para discutir cooperação econômica, Bessent disse ao presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, e à ministra das Finanças, Satsuki Katayama, para evitarem volatilidade excessiva no câmbio.


… É uma tentativa de enfraquecer o dólar e os juros dos Treasuries, que recentemente tocaram patamares não vistos em décadas, diante da alta dos preços da energia, preocupações fiscais e os investimentos relacionados à IA.


… Em conversa com jornalistas após a cúpula do G20, Bessent minimizou a recente disparada dos juros dos Treasuries e considerou temporária a pressão dos preços do petróleo, que “devem cair em breve”.


… Apesar disso, o índice DXY do dólar subiu 0,25%, a 99,677 pontos, e as taxas dos Treasuries avançaram: a da Note de 2 anos foi a 4,395% (de 4,339%), de 10 anos, a 4,794% (de 4,744%), e do T-Bond de 30 anos, 5,266% (de 5,236%).


… O diretor do Fed Michael Barr alertou nesta terça-feira que a inflação americana está acima da meta há mais de cinco anos e que, se não moderar logo, será hora de agir “de forma decisiva” para aumentar as taxas de juros.


… Os comentários vêm dias depois de Kevin Warsh ter vestido a camisa de falcão em Jackson Hole e transformado a chance de uma alta dos juros na aposta principal para setembro (68,2%), esvaziando a possibilidade de manutenção.


… A precificação de um aperto foi reforçada ontem pelo petróleo perto de US$ 95, que assustou as bolsas em Nova York: Dow Jones, -0,79% (52.766,88 pontos); S&P 500, -0,71% (7.631,47 pontos); e Nasdaq, -1,03% (26.099,77).


… Na zona do euro, o dirigente do BCE Gediminas Simkus disse que um aperto monetário pelo BC europeu na reunião da semana que vem será insuficiente para trazer a inflação de volta à meta. O euro caiu 0,26%, a US$ 1,1592.


… A libra perdeu 0,30%, a US$ 1,3512, apesar de a dirigente do BC inglês, Catherine Mann, ter defendido que é melhor os juros ficarem elevados demais e corrigi-los depois, se necessário, diante do choque inflacionário.


CIAS ABERTAS NO AFTER – B3 teve dois autos de infração de R$ 2,2 bilhões cancelados definitivamente pelo Carf, sem impacto previsto nas demonstrações financeiras…


… B3 propôs acordo ao Cade para viabilizar a compra de 60% da CRDC, após recomendação técnica pela rejeição.


BRB. B3 determinou que as ações do banco deixem a negociação contínua e sejam submetidas a leilões durante toda a sessão, devido ao atraso na entrega de balanços.


PAGBANK informou que pretende distribuir pelo menos R$ 2 bilhões em dividendos em 2027 e 2028 e aprovou recompra de até US$ 150 milhões…


… Citi reiterou compra do papel, com preço-alvo de US$ 13 e potencial de alta de 42,2%.


RAÍZEN concluiu venda de operações na Argentina à Mercuria por US$ 1,42 bilhão e da Usina Caarapó (MS) para a Adecoagro por R$ 760 milhões. Recursos da operação argentina serão destinados à gestão da estrutura de capital.


MOTIVA concluiu a venda da plataforma de aeroportos para a mexicana Asur por R$ 12,2 bilhões…


… Conselho aprovou R$ 1,45 bilhão em JCP, ou R$ 0,7233 por ação, com pagamento em 17/9.


CPFL PAULISTA fará emissão de R$ 1,7 bilhão em debêntures, com vencimento em um ano e remuneração de DI + 0,18% ao ano. Recursos serão destinados ao reforço do capital de giro.


PAGUE MENOS. Morgan Stanley reduziu participação de 5,01% para 4,9% do capital da companhia.


ÂNIMA. Grupo controlador ampliou participação e passou a deter conjuntamente 50,48% do capital. Compostella Participações, ligada aos controladores, elevou sua fatia para 10,92%.


AMBIPAR. STJ suspendeu assembleia de credores até decidir se a recuperação judicial deve permanecer no Rio ou ser transferida para São Paulo. Companhia pediu reconsideração, alegando risco de insolvência.


EZTEC está em negociações avançadas para locação do Esther Towers, em São Paulo. Companhia não informou valores e disse que a conclusão ainda depende do avanço das tratativas e de condições usuais.


GAFISA planeja grupamento de ações para reenquadrar os papéis nas regras de cotação mínima da B3. Ação fechou a R$ 0,21; fator do grupamento ainda será definido e operação deve ocorrer até fevereiro de 2027.


AZEVEDO & TRAVASSOS vendeu por R$ 43,5 milhões toda sua participação no fundo ligado à Rota Mogiana, recuperando o capital investido. Saída evita compromisso adicional de mais de R$ 150 milhões no projeto.


VINCI concluiu a compra da plataforma imobiliária da Navi, adicionando cerca de R$ 800 milhões em ativos sob gestão, incluindo quatro fundos imobiliários listados na B3 ou no mercado de balcão.


T4F teve o fechamento de capital aprovado pela CVM e deixou de ser negociada na B3. Menos de 5% das ações permanecem em circulação e poderão ser objeto de resgate compulsório.

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