sábado, 18 de abril de 2026

Fernando Schüller

 Fernando Schüler: sempre preciso. 👏👇


Nos tornamos uma sociedade do medo 

Por Fernando Schüler (Estadão, 18/4/26)


“”Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições”, diz o ministro Toffoli em seu discurso, no STF, contra o relatório do senador Alessandro Vieira. A frase funciona como uma síntese do transe político brasileiro, dos últimos anos. 


O roteiro é conhecido: denunciar condutas dos ministros equivale a um ataque ao Tribunal, como “instituição”. E logo, uma agressão à própria democracia. O ministro também afirma que “sabe” por que o senador fez aquele relatório: uma “aventura para obter votos”. E daí a ponte para o crime eleitoral. O desfecho semanal do caso todos conhecem. O senador passou ele mesmo à condição de investigado. E a partir daí seu futuro político é incerto.


Observem que há um padrão, nisso tudo. O ministro Toffoli foi o mesmo que abriu o inquérito sobre fake news, no início de 2019. Alguém lembra do motivo? Não havia nada em especial. Eram os mesmíssimos “ataques” aos integrantes do Tribunal, cuja conduta – seja ela qual for – passa sem muitas sutilezas a se confundir com a “instituição”, e logo com a “democracia”. 


O primeiro ato é a censura da Revista Crusoé. Se há realmente um risco às instituições, o que deveria impedir a censura a uma revista? Por vezes me pergunto se teríamos chegado ao ponto em que chegamos se, ao invés de censurar aquela investigação jornalística, tivéssemos feito o contrário. Levado a sério. Ido adiante. Investigado, de fato, o que havia para investigar. Em uma democracia, é assim que funciona. 


O jornalismo produz pistas, mas não dispõe de poder. Se a máquina do Estado não se move, é provável que muita coisa vai se acumulando debaixo de um enorme tapete. E por vezes é a imagem que me surge, quando penso no Brasil de hoje. 


Depois daquele episódio, o padrão se fixou. Foram anos de censura e coisas piores a quem praticasse qualquer modalidade de “ataque” ao Tribunal ou a seus integrantes Na maior parte das vezes, coisas bizarras. O ativista que aponta o dedo médio para o prédio do Supremo (não é piada), o PCO, pequeno partido comunista, com seu tuíte que (quase) ninguém leu, dizendo alguma coisa sobre o STF que ninguém se lembra; a família de turistas que diz algum impropério em um tom mais elevado, em um aeroporto europeu. 


O padrão se seguiu com o caso Tagliaferro. Sua crítica não era feita de xingamentos ou palavrões. Era uma denúncia sobre um sistema de abuso de poder. Alvos pré-definidos (como aquela “revista conservadora”), produção de provas, perseguição de pessoas por suas opiniões políticas, quebra do devido processo legal. 


Tagliaferro era um funcionário público e trabalhou no núcleo do poder. Suas denúncias têm fundamento? Não há como saber. Ao invés de investigar, é o denunciante que é convertido em réu. Novamente, o “padrão”. O sistema de poder se fecha, rechaça – com uma nota – qualquer responsabilidade. Se volta contra o elemento “crítico”. E de novo me pergunto se não estaríamos melhor caso tivéssemos levado à sério, investigado com isenção aquelas denúncias, ao invés de empurrar para debaixo do tapete. E mais uma vez, não encontro uma boa resposta. 


O padrão, por estes tempos, segue intacto. Um jornalista ou blogueiro, no Maranhão, arrisca investigar um carro usado pelo ministro e termina na Polícia Federal. Mesmo destino do presidente da Unafisco. Sua crítica de que há mais medo de se investigar certas autoridades do que o crime organizado deveria preocupar o País. Mas ela era um “ataque”, não é mesmo? E era crucial, para nossa democracia, que ele também terminasse de bico fechado. 


Tudo isso para dizer que não há grande novidade neste processo que agora se abre contra o senador Alessandro Vieira. Ele se converte, na prática, em nosso novo Tagliaferro. Ao sugerir uma investigação dos “de cima”, torna-se ele mesmo o “investigado”. E por aí seguimos. 


Uma sociedade democrática vive da controvérsia e do risco. A imunidade parlamentar, em especial, é um tipo de licença que a Constituição garante inclusive para o “erro”. Pela razão simples de que sem a possibilidade do erro, não há tomada de risco. O senador pode estar errado em seu relatório. Em uma democracia, haverá sempre uma divergência sobre temas como este. Mas é seu direito, sua função e sua prerrogativa dizer o que pensa, em um relatório. Sem isso, não há parlamento que possa funcionar. 


Se um senador é punido por uma opinião, em um relatório, a pergunta correta a fazer: qual o efeito inibidor que isto tem sobre os demais parlamentares? É o mesmo padrão que se viu na censura a Cleber Cabral: qual o efeito sobre os demais líderes associativos? E sobre o “blogueiro” do Maranhão: que impacto sobre os demais jornalistas independentes, que pensam em arriscar alguma investigação? 


O resultado disso é a criação de uma sociedade do medo. No fundo, é este o problema com o “padrão”. Ele irradia um efeito inibidor, na sociedade. E vai consolidando a ideia de que temos por aqui um tipo de poder imensamente personalista e imune a qualquer suspeita. A qualquer hipótese de investigação. De um modo mais amplo, imune ao sistema de freios e contrapesos, que define a alma da vida republicana.”

Corrupção pura e simplee

 Corrupção pura e simples


Prisão do ex-presidente do BRB sugere que o banco do Distrito Federal foi parte ativa do esquema criminoso do Master, e não apenas vítima de negligência administrativa ou má governança


18 abr. 2026

Estadão Editorial 


Até ontem, o governo federal não havia respondido ao pedido do Distrito Federal para ajudar no plano de socorro ao Banco de Brasília (BRB), que é estatal. A governadora do DF, Celina Leão (PP), queixou-se de que falta “boa vontade” ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ora, o problema do BRB é do DF, e não da União, razão pela qual faz bem o presidente Lula de nem sequer responder ao desarrazoado pedido. Ainda mais na semana em que o País teve a confirmação de que o BRB entrou em colapso não somente como consequência de barbeiragens administrativas, mas sobretudo porque se deixou envolver em relações corruptas com o Banco Master.


Investigações da Polícia Federal encontraram indícios robustos de que, em troca de um punhado de apartamentos de luxo, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teria aceitado transformar o banco público no rim que manteria vivo o organismo do Master, que respirava à base de papelório fraudulento e fundos picaretas.


Quando anunciou a operação de compra de parte do Master, em março do ano passado, Costa declarou que o negócio casava com a estratégia de crescimento do BRB, banco regional que buscava converter-se em nacional.


Na decisão em que autorizou a prisão do ex-presidente do BRB, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que Costa “teria colocado a presidência do BRB a serviço da manutenção da liquidez do Master” e, ao mesmo tempo, sido “beneficiário direto de vantagem indevida”. Ademais, a atuação de Costa, segundo Mendonça, “não se limita a uma negligência administrativa ou deficiência de governança, mas alcança, em tese, a adesão consciente ao arranjo criminoso”.

Barrada pelo Banco Central, que posteriormente decretou a liquidação extrajudicial do Master, a compra desse banco pelo BRB foi desde o início vista com suspeição pelo mercado financeiro. Temia-se, não sem razão, que recursos públicos estivessem sendo empregados para salvar um empreendimento privado gerido de forma temerária, para dizer o mínimo.


Mas as investigações da PF que resultaram na prisão de Costa, contudo, sugerem que algo ainda pior teria ocorrido: o BRB, até então um banco sólido, foi conscientemente utilizado em uma trama que buscava, apenas e tão somente, encobrir as falcatruas do Master.


Em vez de ganhar musculatura nacional, o BRB agora precisa desesperadamente encontrar uma salvação para si mesmo, missão que já era difícil e que, com a prisão de seu ex-presidente, torna-se ainda mais complicada.


Embora o Banco Central tenha reiterado que não pretende tomar decisões extremas em relação ao BRB, a possibilidade de que a instituição do Distrito Federal acabe, ironicamente, tendo o mesmo destino do Master e sendo liquidado extrajudicialmente não é desprezível.


A esta altura dos eventos, muito dificilmente um grupo privado se comprometeria com um banco tão encalacrado quanto o BRB, cujo balanço, que nem sequer foi divulgado, está contaminado pelos ativos podres do Master e cujo rombo é provavelmente superior a R$ 5 bilhões.


O futuro pouco alvissareiro do BRB está entrelaçado à decisão passada de se envolver com o Master. Está cada vez mais evidente que não se tratava de um negócio, mas de negociata. Consta que o agora preso ex-presidente do BRB andou espalhando que seu celular reúne provas contra outras pessoas supostamente envolvidas. Pode ser estratégia para buscar proteção e algum acordo, como está fazendo o próprio dono do Master, Daniel Vorcaro, e pode ser apenas bravata. Mais uma razão para alimentar o clima de tensão em Brasília.


De concreto, independentemente de eventuais revelações comprometedoras de Costa, sabe-se que durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) no Distrito Federal houve grande empenho para que o negócio entre BRB e Master saísse do papel.


Inicialmente, a gestão de Ibaneis encaminhou a compra do Master sem a anuência prévia da Câmara Legislativa local. Esta, por sua vez, quando finalmente teve a oportunidade de tratar do assunto, aprovou o negócio a toque de caixa.


Ibaneis jura de pés juntos que não tem nada a ver com o escândalo do Master. •

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Leblon Equities

 📈 *Para a Leblon Equities, alta até agora é ‘recuperaçãozinha’ perto do que está por vir-Valor*


_Para Pedro Rudge, sócio-fundador da casa, o fluxo estrangeiro não deixou as ‘large caps’ caras; apenas diminuiu a gordura que havia nas ações_


Por Bruna Furlani e Maria Fernanda Salinet


Depois de o Ibovespa bater recordes em abril e acumular alta de mais de 22% no ano, a avaliação da equipe de gestão da Leblon Equities que a disparada do índice não foi um “exagero” e que o movimento foi reflexo de uma “recuperaçãozinha” no tamanho da alocação em açõ brasileiras dentro dos portfólios globais, segundo o sócio-fundador da casa, Pedro Rudge.


Em entrevista ao Valor, o executivo diz que o Brasil “saiu de moda” das carteiras dos investidores internacionais nos últimos anos, mas que necessidade de diversificação e a guerra fizeram o país voltou a chamar atenção, sendo reconhecido como um “polo” capaz de atrair recursos. Embora a maior parte dos fluxos de alocadores estrangeiros tenha ido para “large caps”, as empresas de maior valor de mercado, Rudge avalia que esse tipo de papel segue atrativo.


*Valor*: _A alta recente da bolsa tem um pouco de exagero ou há fundamento?_


*Pedro Rudge*: Acho que não tem exagero. O movimento do Ibovespa foi muito concentrado nos nomes mais líquidos, como Vale, Petrobrás e bancos, e achamos que o índice não representa bem a economia. Quando olhamos, ainda tem várias oportunidades na bolsa; tem muita co que continua barata. Por exemplo, empresas menores mais sensíveis a juros ainda não tiveram esse impacto do fluxo inicial do estrangeiro podem se favorecer em uma segunda onda [de alocação de capital]. Temos Priner, Mills, Brisanet, Lojas Renner e BeMobi como exemplos empresas que vemos grande potencial.


*Valor*: _Mesmo em meio à guerra, o que fez a bolsa local continuar a subir?_


*Rudge*: Boa parte do fluxo dos investidores nesses últimos anos foi muito canalizado para as empresas de tecnologia, para a economia americana. De alguma maneira, todos esses movimentos mais recentes, seja de imposição de tarifas comerciais, seja dessa postura um po mais belicosa do governo americano com os parceiros, fez com que os investidores tivessem uma sensação de um risco e de uma incertez um pouco maior, fazendo com que economias emergentes que estavam um pouco esquecidas ganhassem atenção, principalmente entre o de 2025 e início deste ano.


*Valor*: _O que favoreceu essa procura por investidores estrangeiros?_


*Rudge*: Nesses primeiros quatro meses do ano, o Brasil foi bem beneficiado por esse fluxo estrangeiro. O ‘valuation’, ou seja, o preço dos ativos brasileiros, estava bastante descontado em relação aos últimos três ou quatro anos, o que ajudou. O país também é um produtor de commodities e aqui, principalmente com a guerra, entendeu-se que nós poderíamos ser beneficiados. Nós exportamos petróleo e o agronegócio é muito forte. Tem ainda o fato de estarmos com um patamar de juros muito elevado. O movimento de queda da Selic, que começou recentemente, também pode continuar, e ainda tem a possibilidade de mudança de governo. Juntando tudo isso, o Brasil acaba sendo um polo que atrai fluxo.


*Valor*: _O Brasil virou um “porto seguro” enquanto a América Latina virou um “óasis” de segurança com a guerra?_


*Rudge*: Não dá para usar esses adjetivos tão fortes. O investidor estrangeiro sabe que somos um país e uma região voláteis. Porém, dada conjuntura, alguns países da América Latina acabaram sendo reconhecidos como um polo atrator de recursos. Talvez o Brasil esteja sendo beneficiado um pouco mais entre os emergentes por causa dos últimos anos de queda do mercado, além de uma visão positiva sobre a eleição, que pode mudar a percepção de risco. Quando o investidor coloca isso nas contas, o Brasil se torna um mercado interessante para aumentar exposição. É bom lembrarmos que o Brasil ‘saiu de moda’ desde 2021. O país já foi muito mais relevante no portfólio do investido global do que está agora, mesmo com essa ‘recuperaçãozinha’. A exposição dos investidores estrangeiros estava e ainda está muito peque em ações brasileiras e esse aumento da posição ainda é muito inicial.


*Valor*: _Esse fluxo estrangeiro para o país é mais tático ou estrutural?_


*Rudge*: Para ser estrutural, é preciso mais tempo. É um movimento oportunístico. Se o fluxo estrangeiro vai continuar ou não, um pouco da resposta está no contexto global; a outra parte está aqui se fizermos o dever de casa, se os juros caírem, se o governo ‘endereçar’ a questã fiscal. Tem fatores externos que não controlamos que podem ajudar ou dificultar um pouco, mas tem também o nosso dever de casa para tornar esse movimento mais estrutural.


*Valor*: _As ‘large cap’s estão caras agora?_


*Rudge*: ‘Large caps’ não estão caras. Acho que diminuiu a gordura que tinha nelas, mas ainda encontramos empresas interessantes. Falo considerando a média, porque você pode ver uma ou outra ação que já esteja bem precificada. O Ibovespa sobe perto de 22% no ano, poré tem empresa que está crescendo, então o preço delas devia realmente estar subindo. Não acho que dá para falar que o mercado está caro. Acho que são cenários. Se os juros continuarem em um patamar alto por muito tempo e as empresas ficarem mais endividadas, algumas d ficarão caras, assumindo uma manutenção do cenário atual. Porém, se imaginarmos que os juros vão cair e que as empresas continuarão performar bem operacionalmente, ganhando ‘market share’ [participação de mercado] e margem, penso que as ações têm espaço para continuar apreciando. Acho que a Vale e algumas companhias elétricas podem ter ficado mais caras. Em algumas empresa é preciso assum premissas mais positivas para que elas continuem atrativas.


*Valor*: _A gestão ainda vê oportunidade nas ações de estatais?_


*Rudge*: Continuamos a ter posição em Banco do Brasil e Petrobras, mas acho que não dá para entender as duas de forma igual. A Petrobras, apesar de ser estatal, andou muito porque o petróleo está acima de US$ 100 e o governo precisa dos seus dividendos, então, de uma certa maneira, o risco de ser uma estatal diminui um pouquinho. Acho difícil essa afirmativa de que as estatais estão mais bem precificadas do que já foram no passado. A Petrobras está muito valorizada por que o petróleo saiu de US$ 60 e foi para US$ 100. Já o papel de Banco do Brasil continua com bastante desconto. Uma parte dele justificável pelo desempenho sofrível da carteira de crédito do agro. Tem também o componente político. Se houver alguma mudança, esse risco poderia diminuir, mas não é por isso que temos a ação. Gostamos porque está barata e o mercado precifica que vai demorar muito tempo para o banco se recuperar, o que não achamos.


*Valor*: _Como está o portfólio?_


*Rudge*: Um terço do fundo está em empresas, como Netflix, Uber, TSMC, Micron, Google, que carregamos no longo prazo, porque envolvem movimentos transformacionais. Outro terço está em ‘large caps’: Petrobras, B3, BTG Pactual, Rede D'Or e um pouco de Vibra. Já a última parte está em empresas menores, como Priner.


*Valor*: _O investidor local pode voltar para a bolsa se houver mais clareza com as eleições?_


*Rudge*: Mesmo que haja uma melhor clareza em relação à eleição, os juros seguem altos. É claro que atrairia algum fluxo, mas a eleição é incerta. Está muito polarizado e, se continuar assim a definição será próxima de outubro.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Sexta Feira,17 de Abril de 2.026.


*Trégua não resolve e mercado volta ao ceticismo*

Sinalização dos EUA de novo encontro com Irã no fim de semana não foi confirmada pelo Paquistão


… O cenário de guerra segue sem desfecho claro, embora Trump tenha tentado animar o mercado com o acordo entre Israel e Líbano e a sinalização de um novo encontro com o Irã já no fim de semana — hipótese que não foi confirmada pelo Paquistão. Com a agenda fraca de indicadores, o noticiário corporativo ganha protagonismo. Em Nova York, a Netflix caiu 8% após decepcionar no guidance, apesar de resultados acima do esperado. Aqui, os investidores repercutem o relatório de produção e vendas da Vale, divulgado ontem à noite, além da eleição de Guilherme Mello para a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, em AGO realizada nesta quinta-feira.


TÁTICA DE GUERRA – O anúncio de um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano – que já está em vigor desde o final desta quinta-feira – trouxe algum alívio pontual no cenário geopolítico, no entanto, está longe de representar uma virada no conflito.


… A trégua, mediada pelos Estados Unidos e inserida no acordo mais amplo com o Irã via Paquistão, abre espaço para negociação, mas analistas observam que tem validade curta e está cheia de condicionantes. Na prática, o movimento é mais tático do que estrutural.


… O próprio acordo prevê possibilidade de extensão, enquanto Washington já admite que as negociações podem se arrastar por meses.


… Ao mesmo tempo, Israel mantém o direito de reagir a ameaças, e o Hezbollah deixou claro que não aceita liberdade de ação israelense no território libanês — o que mantém o risco de ruptura elevado. Do lado do Irã, o tom segue ambíguo.


… Embora tenha celebrado o cessar-fogo como parte do entendimento com os Estados Unidos, Teerã voltou a cobrar concessões prévias de Washington e sinalizou desconfiança sobre a condução das negociações.


… A ausência de data para uma nova rodada de conversas mostra que o processo diplomático está em estágio inicial e longe de um desfecho.


… As falas de Donald Trump, aliás, passaram a ter impacto cada vez mais limitado sobre os preços.


… Apesar de reiterar que há “muito progresso” e até sugerir um acordo próximo, o mercado reagiu com ceticismo — em parte porque o próprio presidente mantém o discurso contraditório, admitindo que os combates podem ser retomados a qualquer momento.


… Com isso, o investidor já não opera mais no headline das notícias, mas na falta de confirmação concreta: sem avanço verificável, o tom otimista perde força e dá lugar a uma leitura mais cautelosa sobre uma solução do conflito.


… Nesse contexto, cresce a percepção de que o conflito saiu da fase de choque e entrou em um impasse prolongado.


… A possibilidade de uma trégua estendida mantém a incerteza elevada sobre a oferta global de energia e a reabertura do Estreito de Ormuz. O resultado é um mercado mais cético: mesmo com avanços pontuais no campo diplomático, o petróleo segue pressionado.


APOIO ÀS EXPORTAÇÕES –Aqui, ogoverno avançou com uma resposta direta aos efeitos da guerra sobre o comércio global.


… O Conselho Monetário Nacional regulamentou, em reunião extraordinária, nesta quinta-feira, novas linhas de crédito no âmbito do Plano Brasil Soberano, com foco em sustentar exportações em meio à instabilidade externa.


… O pacote envolve R$ 15 bilhões e será operado pelo BNDES, mirando empresas afetadas por tarifas dos Estados Unidos, setores industriais considerados estratégicos e exportadores com exposição ao Oriente Médio.


… A iniciativa busca ampliar o acesso ao crédito e sustentar investimentos e produção, em um momento em que o choque geopolítico ameaça cadeias de comércio e competitividade. Na prática, o governo tenta evitar que a volatilidade externa contamine a atividade doméstica.


… As condições financeiras são relativamente favorecidas, com taxas entre 2% e 8% ao ano, prazos de até cinco anos para capital de giro e até vinte anos para investimentos, incluindo períodos de carência mais longos.


… O desenho reforça o uso de instrumentos de crédito público como amortecedor de choques externos — especialmente em um ambiente de juros ainda elevados e maior seletividade do crédito privado. As linhas devem começar a operar em até 30 dias.


CRÍTICAS AO PLDO – O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso na véspera pelo governo Lula, já nasceu sob desconfiança no mercado, com avaliações de economistas ouvidos por Valor e Estadão.


… Para Marcos Mendes (Insper), a meta de superávit primário de 0,5% do PIB — equivalente a R$ 73,2 bilhões — só poderá ser atingida com a ajuda de exclusões permitidas pelo arcabouço, como precatórios e parte dos gastos sociais.


… Na prática, isso reduz o esforço fiscal real e limita o impacto sobre a trajetória da dívida. Há estimativas de que seria necessário um superávit bem mais robusto — na casa de 1,5% a 4% do PIB — para iniciar um ajuste consistente, o que está longe do cenário projetado.


… Já Renan Martins (4intelligence) até reconhece que a meta é factível dentro das regras atuais — justamente porque há espaço para acomodação via exceções. Mas alerta que o risco, nesse caso, não está no ponto de partida, mas no caminho.


… Sendo 2026 um ano eleitoral, cresce a preocupação com a inclusão de novas despesas e “pacotes de bondade” no Orçamento.


… Há sinais positivos, como a previsão de acionamento de gatilhos fiscais e maior inclusão de precatórios no cálculo da meta, mas o conjunto ainda depende de premissas exigentes — especialmente em relação ao comportamento dos gastos e à manutenção do arcabouço.


… No horizonte mais longo, as projeções para a dívida também são vistas como otimistas.


… A estimativa de pico em 2030 e queda a partir daí pressupõe disciplina fiscal contínua e ausência de novos estímulos — um cenário que, historicamente, tem baixa probabilidade de se concretizar. O resultado é um diagnóstico conhecido.


… A meta pode até fechar no papel, mas com pouco efeito prático sobre o ajuste fiscal e a dinâmica da dívida.


CALIBRANDO O CONSUMO E O DESGASTE –Em meio à crescente preocupação com o endividamento das famílias e o impacto político sobre o consumo, o governo foca em duas frentes sensíveis: o aperto sobre as apostas esportivas e a revisão da chamada “taxa das blusinhas”.


… Enquanto o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, antecipou que a sobretaxa de importações até US$ 50 poderá cair, o vice Geraldo Alckmin defendeu a medida como necessária para proteger a indústria nacional e preservar empregos.


… A divergência expõe o conflito entre duas agendas e a tentativa de aliviar o bolso das famílias num ambiente de maior sensibilidade eleitoral.


… Já o endurecimento do discurso contra as bets, também sinalizado por Guimarães, reforça esse movimento do governo de atuar contra pressões no orçamento das famílias. Os temas tendem a ganhar tração nas próximas semanas.


ESCALA 6X1 – Guimarães se reúne com Hugo Motta, nesta sexta-feira (9h), em um movimento de articulação para alinhar a tramitação das propostas do Executivo e do Legislativo, na disputa pelo protagonismo do tema.


… O presidente da Câmara indicou que não pretende designar relator para o projeto de lei enviado pelo governo, concentrando os esforços na PEC, que segue o rito legislativo próprio no Congresso e já está em análise na Comissão de Constituição e Justiça.


… A expectativa é de que a CCJ avance na análise da PEC na próxima semana.


AUTONOMIA DO BC – O relator da PEC que amplia a autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério, apresentou uma nova versão do parecer, com ajustes pontuais e poucas mudanças de mérito em relação ao texto anterior.


… Apesar do avanço formal, a proposta segue sem previsão de votação na CCJ, o que mantém o tema no campo das negociações políticas.


NETFLIX –Entregou um resultado forte no primeiro trimestre, com lucro e receita acima das expectativas, mas o guidance mais fraco para o segundo trimestre acabou dominando a leitura do mercado e levou as ações a caírem mais de 8% no after hours.


… O lucro por ação ficou em US$ 1,23, bem acima das projeções, enquanto a receita atingiu US$ 12,25 bilhões, também superando as estimativas.


… Parte relevante do resultado, no entanto, foi impulsionada por um efeito não recorrente — a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões ligada à negociação com a Warner. Sem esse impacto, o desempenho seria mais modesto, o que também ajuda a explicar a reação negativa.


… O ponto central, porém, está no guidance. Para o segundo trimestre, a empresa projeta lucro e receita abaixo do esperado por Wall Street, citando uma concentração maior de amortização de conteúdo neste período.


… A Netflix afirma que as margens devem se recuperar na segunda metade do ano, mas a sinalização de menor rentabilidade pesou mais. O movimento reforça a lógica do mercado: mais do que o resultado corrente, é a trajetória à frente que define o preço dos ativos.


VALE –Divulgou uma prévia operacional sólida para o primeiro trimestre, com avanço na produção e vendas e recordes em metais básicos, mas já com os primeiros — ainda que limitados — impactos do cenário de guerra.


… A produção de minério de ferro cresceu 3% na comparação anual, sustentada pelo ramp-up de novos ativos, como Capanema e VGR1, enquanto as vendas avançaram 3,9%, atingindo o maior nível para um primeiro trimestre desde 2018.


… Em metais básicos, o desempenho foi ainda mais forte.


… O cobre e o níquel registraram crescimento de dois dígitos, com recordes históricos para um primeiro trimestre. No caso do níquel, parte da produção foi direcionada à formação de estoques para atender vendas durante paradas programadas, enquanto o preço avançou.


… No segmento de pelotas, houve recuperação da produção e melhora de preços, refletindo prêmios mais elevados e maior flexibilidade no mix de produtos. O ponto de atenção veio da guerra no Oriente Médio.


… A Vale reportou restrições logísticas em suas unidades de Omã, o que deve manter as operações paradas até o terceiro trimestre. Ainda assim, a companhia afirma que o impacto será mitigado pelo redirecionamento da produção, sem alteração no guidance.


… No after hours em Nova York, a reação foi contida, com leve alta dos ADRs.


PETROBRAS –Em Assembleia Geral Ordinária, a companhia renovou parte do Conselho de Administração e elegeu Guilherme Mello como presidente do colegiado, em movimento que ocorre em meio à volta da estatal ao centro do debate político.


… A União manteve seis das 11 cadeiras, preservando o controle sobre o órgão, enquanto os minoritários ficaram com quatro assentos.


… A mudança acontece após episódios recentes de maior intervenção, incluindo críticas do presidente Lula à empresa, troca de diretoria e revisão de decisões comerciais, como no caso do leilão de GLP.


… O pano de fundo é desafiador. A alta do petróleo beneficia a geração de caixa da empresa, mas aumenta a pressão para controle de preços dos combustíveis no mercado doméstico, mantendo no radar o risco de interferência na política comercial.


… Na assembleia, também foram aprovados o orçamento de capital para 2026, com investimentos de R$ 114 bilhões concentrados em exploração e produção, e a distribuição de dividendos referentes a 2025, no total de R$ 41,2 bilhões, correspondendo a R$ 3,20/PN e ON.


… No after hours em Nova York, os ADRs operavam em baixas de 0,14% (ON) e de 0,21% (PN).


DIA ESVAZIADO –A agenda desta sexta-feira é mais leve, com poucos indicadores relevantes no radar, tanto no Brasil quanto no exterior.


… Na Zona do Euro, sai a balança comercial, enquanto, nos Estados Unidos, membros do Fed participam de eventos ao longo do dia, incluindo falas de Mary Daly, Tom Barkin e Christopher Waller.


… No Brasil, o destaque é a segunda prévia do IGP-M de abril (8h).


ALFREDO MENEZES – Em live do Bom Dia Mercado, nesta quinta-feira, que você ainda pode assistir no canal do BDM no Youtube, o sócio fundador da Armor Capital traçou suas projeções para juros e câmbio, considerando os impactos da guerra para o Brasil.


… O gestor não acredita que o petróleo voltará aos níveis pré-conflito (US$ 65/barril) neste ano, mas espera uma acomodação dos preços em torno de US$ 80/US$ 85 em dois meses, tempo em que a demanda estará mais aquecida para a reposição dos estoques dos países.


… Alfredo Menezes disse estar preocupado com os efeitos da crise sobre a inflação, não só pela pressão dos combustíveis, mas, em especial, dos fertilizantes e alimentos. A Armor ajustou sua previsão para o IPCA deste ano para 4,60%, com viés para cima, e, em 2027, para 4%.


… Com isso, ele aposta em um corte conservador no Copom do fim de abril, de 25pbs, e Selic terminal mais elevada, de 13%.


… Sobre o dólar, não acredita que tenha força para vir abaixo de R$ 4,90, comentando que o movimento de rotação de ativos que trouxe grande fluxo para o Brasil neste início de ano pode estar terminando. Prevê a volta do dólar para R$ 5,20.


… O economista reconhece que o carry trade continuará sendo muito atrativo, mas alerta para a volatilidade do cenário eleitoral, a partir de junho e julho, que poderá pressionar o câmbio nos próximos meses – coincidindo com as remessas sazonais do final de ano.


… Também nesta quinta, em Washington, o diretor de Assuntos Internacionais e diretor de Política Econômica do BC, Paullo Picchetti, assumiu discurso cauteloso para os juros, afirmando que as coisas “definitivamente não melhoraram desde o Copom de março” (leia abaixo).


EQUILÍBRIO INSTÁVEL – Nem o Ibovespa testou ainda os 200 mil pontos e tampouco o dólar se consolidou até agora abaixo dos R$ 5. O câmbio e a bolsa continuam orbitando estas regiões, mas vão vivendo em uma espécie de limbo.


… O mercado abandonou o choque inicial da guerra, mas ainda não embarcou na resolução, preso nos últimos dois pregões à falta de novidades. O deadline do cessar-fogo se aproxima e os próximos dias podem ser decisivos.


… Assim, ainda não dá para saber se o Ibovespa vai morrer na praia, sem alcançar no curtíssimo prazo a marca tão sonhada dos 200 mil. Ontem, engatou o segundo dia seguido de realização de lucro e entregou os 197 mil pontos.


… Vindo de uma sequência de recordes, o índice à vista foi incapaz de driblar nesta quinta-feira uma nova correção, mesmo com a alta do petróleo favorecendo Petrobras. Caiu 0,46%, a 196.818,59 pontos, com giro de R$ 30,3 bilhões.


… Mas o investidor estrangeiro segue entrando com força na B3. Pelo último informe, na terça (dia 14), chegou mais R$ 1,2 bilhão em capital externo. O fluxo acumulado chega a R$ 15,7 bilhões em abril e a R$ 69 bilhões no ano.


… Em véspera de exercício de opções sobre ações, Vale teve queda firme de 1,13%, a R$ 87,44, ignorando o rali de 3,10% do minério. Mas a ação ainda acumula alta superior a 20% no ano, indicando um ajuste natural e saudável.


… Petrobras (ON +4,19%, a R$ 53,66; e PN +3,60%, R$ 48,58) colou no petróleo, que ficou muito perto de voltar aos US$ 100, porque o barril já anda cansado de promessas e cobra um acordo concreto de paz entre Trump e o Irã.  


… O contrato do Brent para junho saltou 4,69%, para US$ 99,39, e o WTI para maio avançou 3,72%, a US$ 94,69.


… Entre os papéis dos bancos, com exceção de Bradesco PN, que subiu 0,24%, a R$ 20,85, faltou fôlego para o setor. Itaú PN caiu 0,13% (R$ 46,98), Santander unit recuou 0,73% (R$ 31,45) e BB ON perdeu 0,49%, a R$ 24,28.


… A B3 divulgou a segunda prévia da carteira teórica do Ibovespa para o período de maio a agosto deste ano. Assim como na primeira versão, a lista mostrou a exclusão de IRB, Cyrela, Localiza e Axia. Nenhuma nova ação foi incluída.


NEM VAI NEM VOLTA – A tese de que o real chegou ao limite com a perda de força da rotação de ativos e que, daqui para frente, o espaço para continuar melhorando é cada vez menor, ainda terá de ser submetida ao rumo da guerra.


… Mas é verdade que, apesar de o dólar ter furado recentemente o suporte psicológico dos R$ 5, ainda não conseguiu ir a fundo na queda, a ponto de se posicionar com convicção em um novo patamar abaixo desta marca.


… Faz três pregões seguidos que a moeda americana não sai de perto da estabilidade, sem avanços no Irã para servir de gatilho. Com alta marginal de 0,01% ontem, quebrou uma sequência de seis quedas e fechou cotada a R$ 4,9929.


… O diferencial de juros elevado entre o Brasil e Estados Unidos continua vantajoso, mas o câmbio parece ter piso.


… O real não se empolgou ontem nem com a retomada da alta do petróleo e nem com os comentários de Picchetti, na mesma direção de Nilton David na véspera, sinalizando que o Copom não vai acelerar o ritmo de corte da Selic.


… Durante o evento Itaú Latam Day, em Washington, o que pegou, como se viu, foi a declaração de Picchetti de que a situação “certamente não melhorou” desde a última reunião de política monetária no mês passado.


… Ele tomou o cuidado de esclarecer que a avaliação é de caráter pessoal, não discutida previamente com o Copom.


… Mas alertou sobre a desancoragem das expectativas de inflação, que já estouravam a meta de 3% antes da guerra, e disse que, se ficar evidente que os riscos se concentram no lado negativo, o tamanho do ciclo de juro será afetado.


… No mercado, diante do choque energético e da surpresa com o IPCA elevado de março, já faz algum tempo que as apostas em Selic abaixo de 12% este ano viraram passado. A curva a termo aponta atualmente taxa de 13,5%.


… Sob o “efeito Picchetti”, traders voltaram a correr ontem para a precificação amplamente majoritária (92% segundo o Broadcast) de um corte menor da Selic este mês, de só 0,25 ponto. A chance de 0,50 ponto é isolada (8%).


… Sensível às expectativas de política monetária e ao leilão de prefixados do Tesouro, os vértices curtos dos juros futuros voltaram a operar acima de 14%, com o DI para Janeiro de 2027 a 14,045% (de 13,953% no ajuste anterior).


… O contrato para Jan/28 subiu a 13,490% (contra 13,340% na véspera); o Jan/29 avançou para 13,335% (de 13,212%); e também operaram sob pressão o Jan/31, a 13,415% (de 13,344%); e o Jan/33, a 13,515% (de 13,476%).


TUDO CERTO, NADA RESOLVIDO – Enquanto Trump diz que as negociações com o Irã estão progredindo e que “tudo indica” que um acordo será firmado em breve, os Treasuries e o câmbio em NY desconfiam do clima de já ganhou.


… Na última terça-feira, o presidente americano havia dito que as tratativas em Islamabad recomeçariam em “um ou dois dias”, ou seja, até ontem. O atraso no cronograma sugere que o sentimento positivo pode estar exagerado.


… Sem uma data marcada para outra rodada de conversas, apesar da proximidade do fim do acordo de cessar-fogo, as taxas da Note de dois anos avançaram para 3,777% (de 3,761% um dia antes) e de 10 anos, a 4,310% (de 4,279%).


… Também o dólar preferiu não encampar o otimismo fabricado por Trump e o índice DXY avançou 0,16%, a 98,215 pontos. O euro caiu 0,16%, a US$ 1,1786, a libra perdeu 0,24%, a US$ 1,3532, e o iene recuou para 159,15 por dólar.


… O diretor do Fed Stephen Miran voltou a imprimir a sua digital dovish, assegurando que tem espaço para três ou quatro cortes de juros ainda neste ano, embora o mercado só projete uma queda para a segunda metade de 2027.


… Apesar da guerra, Miran disse que ainda não vê um motivo convincente para o Fed adiar um relaxamento monetário e projetou que, daqui a um ano, a inflação do PCE de 12 meses poderá estar em torno da meta de 2%.


… O colega John Williams não compartilhou da mesma convicção, disse que a inflação ficará “bem acima” de 3% nos próximos meses, diante do cenário “altamente incerto”, e que o momento não é bom para o Fed fornecer guidance.


… No BC inglês (BoE), o presidente Andrew Bailey afirmou à BBC News que o banco “não vai se precipitar em decisões” sobre aumento nas taxas de juros, apesar dos reflexos sobre a inflação dos preços do petróleo e do gás.


… Entre os mercados em Wall Street, só mesmo as bolsas compraram a hipótese de contenção rápida do choque.


… O S&P 500 (+0,26%, a 7.041,28 pontos) e o Nasdaq (+0,36%, a 24.102,70 pontos) tiveram altas tímidas, mas renovaram as máximas históricas pelo segundo dia consecutivo. O Dow Jones avançou 0,24%, a 48.578,72 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Refinaria de Mataripe, da ACELEN (controlada pelo fundo Mubadala, dos Emirados Árabes), reduziu preços do diesel S-10 (-3,5%) e da gasolina (-4,3%), acompanhando a queda do preço do petróleo.


VALE aprovou continuidade das negociações para otimizar concessões ferroviárias das linhas EFC e EFVM.


CSN confirmou avanço no processo de venda de ativos, incluindo a CSN Cimentos, com recebimento de propostas não vinculantes, mas mantém confidencialidade sobre as partes interessadas.


CSN MINERAÇÃO pagará R$ 768,6 milhões em dividendos (R$ 0,14 por ação). Ex hoje.


GERDAU fez oferta de R$ 150 milhões por participação de 23% da Celesc na usina Dona Francisca.


BB captou US$ 500 milhões em “nature bonds” com prazo de 5 anos; demanda chegou a US$ 2,5 bilhões.


BTG. Questionado pelo CVM sobre informação de que teria comprado R$ 1,1 bilhão em carteiras do Master, o banco afirmou que a compra de carteiras de crédito é atividade corriqueira, sem necessidade de comunicação ao mercado.


VIBRA receberá cerca de R$ 258 milhões pela venda de participação na Evolua à Copersucar.


ENGIE BRASIL aderiu à repactuação de UBP de hidrelétricas, com saldo de R$ 2,37 bilhões e efeitos contábeis no 2TRI.


ENEVA registrou geração de 3.942 GWh no 1TRI26, mais que triplicando na comparação anual.


CEMIG prevê concluir investimento de R$ 100 milhões em sistema de gerenciamento de distribuição neste ano.


TIM antecipou de 30/4 para 22/4 o pagamento de R$ 880 milhões em JCP (R$ 0,1632 e R$ 0,2024 por ação).


TELEFONIA. Oito operadoras apresentaram propostas para o leilão de 700 MHz da Anatel, que acontecerá no dia 30 de abril: Telefônica, Tim, Claro, Brisanet, Unifique, MHNet, IEZ! e Amazônia Serviços Digitais.


COPASA teve autorização do TCE-MG para continuidade de potencial oferta pública de ações.


CEDAE elegeu Rafael Rolim de Minto como novo diretor-presidente.


HYPERA teve preço-alvo elevado para R$ 26 pelo Citi, com recomendação neutra/alto risco.


MBRF teve participação do Citi reduzida para 14,79% do capital.


ONCOCLÍNICAS obteve medida cautelar na Justiça para suspender execuções por 60 dias; dívida soma cerca de R$ 3,2 bilhões. (Valor/O Globo)


GPA anunciou três novos membros na diretoria executiva: José Rafael Vasquez comandará a área comercial, digital e marketing; Jonas Laurindvicius ficará à frente do segmento de “supply chain” (cadeia de suprimentos)…


… E Jorge Jubilato assumirá funções em recursos humanos e sustentabilidade.


TRISUL lançou R$ 436 milhões (-4,4%) e teve vendas de R$ 392,6 milhões (+34,4%) no 1TRI26.


AZEVEDO & TRAVASSOS vendeu participação de 10% na Sanessol por cerca de R$ 9,9 milhões.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Compasso de espera sem desfecho da guerra*


Ganha força a tentativa de estender o cessar-fogo, que termina na próxima terça-feira


… O mercado começa esta quinta-feira repercutindo indicadores de atividade na China e ainda sem convicção sobre os desdobramentos da guerra, tentando equilibrar a expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã com a ausência de sinais concretos de desfecho para o conflito. Nesse ambiente mais cauteloso, a agenda ganha peso, com destaque para o IBC-Br de fevereiro, que deve mostrar desaceleração da atividade, além da produção industrial nos Estados Unidos e falas de dirigentes de bancos centrais, em meio às reuniões do FMI, em um dia que pode ajudar a calibrar as apostas para juros e crescimento. No mercado corporativo, atenção à AGO da Petrobras e à prévia operacional da Vale no primeiro trimestre. Em Nova York, sai o balanço da Netflix.


FALTA CONVICÇÃO – O cenário no Oriente Médio segue marcado por um impasse delicado: há negociação em curso, mas ainda sem qualquer avanço concreto que permita ao mercado comprar de forma mais firme a ideia de um desfecho próximo.


… O governo Trump voltou a classificar as conversas com o Irã como “produtivas”, enquanto interlocutores indicam que uma nova rodada pode ocorrer nos próximos dias, com mediação do Paquistão — mas o progresso é lento e cercado de ruídos.


… No campo diplomático, ganha força a tentativa de estender o cessar-fogo, que termina na próxima terça-feira, 21, embora não haja confirmação oficial de prorrogação. A própria Casa Branca negou que tenha solicitado formalmente a extensão da trégua.


… Mediadores pressionam por mais tempo para avançar em pontos sensíveis, como o programa nuclear iraniano e o futuro do Estreito de Ormuz.


… Teerã teria sinalizado disposição para permitir a navegação por águas omanitas como parte de um eventual acordo, mas sem clareza sobre a retirada de minas ou sobre a liberação plena de embarcações, inclusive as ligadas a Israel.


… Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantêm o bloqueio marítimo e afirmam ter controle da região, embora o fluxo recente de navios indique alguma normalização parcial. Esse quadro é agravado por mensagens divergentes entre os principais atores.


… Enquanto Trump voltou a dizer que a guerra está “muito próxima do fim”, Benjamin Netanyahu adotou tom mais cauteloso e afirmou que ainda é cedo para prever o desfecho do conflito, destacando que Israel está preparado para retomar os combates.


… No pano de fundo, os Estados Unidos intensificam a pressão econômica sobre o Irã, com ameaças de sanções adicionais e investigações sobre movimentações atípicas no mercado de petróleo, o que reforça o ambiente de incerteza.


… O resultado é um mercado global sem direção clara, que oscila entre o alívio gerado pela possibilidade de diálogo e o risco de uma nova escalada da guerra, especialmente com o prazo do cessar-fogo se aproximando.


LÍBANO X ISRAEL – No outro front, o cenário também segue ambíguo, com sinais de trégua convivendo com a continuidade das operações militares. O Irã fala em um cessar-fogo de uma semana, que seria anunciado nas próximas horas, mas Israel não respalda a informação.


… Trump disse no final da noite de ontem que os líderes de Israel e do Líbano irão se encontrar nesta quinta-feira para discutir um acordo de cessar-fogo.


… O premiê Benjamin Netanyahu reforçou que os ataques contra o Hezbollah continuarão, destacando que os objetivos estratégicos seguem inalterados: o desmantelamento do grupo e a construção de uma “paz duradoura por meio da força”.


… Nesse contexto, Israel mantém a intenção de preservar uma zona de segurança no sul do Líbano, o que indica uma postura ainda defensiva e de longo prazo. Na prática, a ofensiva segue em curso.


… Israel afirma já ter eliminado cerca de 1.800 combatentes do Hezbollah desde o mês passado, enquanto avança com operações terrestres.


… Ao mesmo tempo, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, aprovou novos planos de batalha contra o Irã, reforçando a leitura de que o conflito permanece com alto potencial de escalada, mesmo diante de tentativas pontuais de cessar-fogo.


GUERRA E JUROS – O aumento das incertezas globais provocado pela guerra no Oriente Médio já começa a aparecer de forma mais explícita no discurso do Banco Central, como na fala do diretor de Política Monetária, Nilton David, em Washington.


… No seminário promovido pelo JPMorgan, à margem das reuniões de Primavera com FMI, ele afirmou que o ambiente externo mais volátil reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária, especialmente no atual ciclo de cortes da Selic.


… “Tivemos muito ruído com a guerra, ter cautela com cortes da Selic parece a postura adequada.”


… Segundo David, o movimento iniciado em março, com redução de 0,25 ponto, deve ser entendido como um processo de “calibração” — e não como um afrouxamento das condições monetárias.


… A sinalização é de que, mesmo com cortes, a política seguirá em território restritivo, refletindo o esforço de convergência da inflação.


… Ele também destacou incômodo com a deterioração das expectativas inflacionárias mais longas, especialmente para 2028, reforçando que o objetivo do Banco Central permanece sendo o centro da meta de 3%.


… Ao mesmo tempo, ponderou que parte das expectativas de curto prazo, como as de 2026, já foge ao alcance direto da política monetária.


… No câmbio, o diretor chamou atenção para o desempenho do real, que não apenas resistiu ao choque externo como apresentou volatilidade inferior à de outras moedas emergentes. Ainda assim, avaliou que tal movimento tem caráter mais conjuntural do que estrutural.


META AMBICIOSA –O governo apresentou o PLDO de 2027 com a manutenção da meta de superávit primário de 0,5% do PIB, que é equivalente a R$ 73,2 bilhões, dentro de uma trajetória que prevê resultados crescentes até atingir 1,5% do PIB a partir de 2030.


… A sinalização é de consolidação fiscal gradual, com o objetivo de estabilizar a dívida e abrir caminho para a recuperação do grau de investimento.


… O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o cumprimento das metas é suficiente para levar o País ao investment grade, destacando que os preços de ativos brasileiros já refletem essa percepção, com spreads próximos aos de economias comparáveis.


… Para sustentar a trajetória, o PLDO incorpora mecanismos de contenção de gastos.


… Com o déficit registrado em 2025, serão acionados gatilhos do arcabouço fiscal em 2027, incluindo restrições à concessão de benefícios tributários e limite ao crescimento real das despesas com pessoal.


… Além disso, o governo projeta economia de R$ 80 bilhões com revisão de gastos e prevê exceções de até R$ 10 bilhões para estatais em reequilíbrio, como os Correios.


… O desenho também traz mudanças na contabilização de precatórios, com inclusão de 39,4% dessas despesas na meta fiscal e previsão de redução gradual dos valores fora do resultado ao longo dos próximos anos, em linha com o esforço de contenção da dívida.


… Nas premissas macroeconômicas, o governo projeta crescimento do PIB ao redor de 2,5% no período, inflação próxima ao centro da meta e trajetória de queda da Selic até 7,27% em 2030.


… O câmbio é estimado na casa de R$ 5,50 no horizonte, enquanto o preço do petróleo foi fixado em patamar conservador, ao redor de US$ 67 o barril, sem incorporar os efeitos da guerra no Oriente Médio, o que, na prática, pode gerar receitas adicionais caso o cenário atual persista.


… Apesar disso, análises de mercado já começam a questionar a qualidade do resultado fiscal projetado. Estimativa da Warren aponta que, descontados precatórios e outras despesas fora da meta, o superávit efetivo de 2027 seria de apenas 0,05% do PIB.


… Na prática, o cumprimento da meta dependeria de exclusões relevantes de gastos, o que mantém o risco de repetição de um padrão recente: metas formalmente cumpridas, mas com déficits recorrentes e pressão sobre a dívida e os juros.


CAPTAÇÃO – O Tesouro Nacional voltou ao mercado europeu após mais de uma década e levantou 5 bilhões de euros em emissão de bonds, superando a expectativa inicial de captação de 3 bilhões. A operação foi dividida em três séries, com vencimentos de 4, 7 e 10 anos.


… A demanda chegou a cerca de 15 bilhões de euros, evidenciando forte apetite de investidores estrangeiros por ativos brasileiros.


… As taxas foram definidas em 1,45%, 2,10% e 2,55%, respectivamente, acima dos rendimentos de títulos europeus equivalentes, refletindo o prêmio de risco do país.


… A operação reforça a percepção de melhora na qualidade de crédito do Brasil e dialoga com a leitura do governo de que o país já negocia próximo ao grau de investimento, em meio à busca por consolidação fiscal.


CURTAS NA POLÍTICA – A PEC que trata do fim da escala 6×1 deve ser votada na CCJ da Câmara na próxima quarta-feira, segundo Hugo Motta.


… A tramitação segue o cronograma original, apesar do pedido de vista que suspendeu a análise do parecer favorável apresentado pelo relator. A expectativa, segundo Motta, é de aprovação da proposta, mas com debate amplo antes da votação final.


MCMV. O governo pretende direcionar R$ 20 bilhões do Fundo Social do pré-sal para reforçar o financiamento do Minha Casa Minha Vida, com foco na faixa 3, voltada a famílias com renda de até R$ 9,6 mil.


… Durante o anúncio, Lula voltou a pressionar o BC por cortes de juros, defendendo que leve em conta o esforço fiscal do governo.


STF. Nos bastidores, o ministro da AGU, Jorge Messias, avançou na articulação para sua indicação ao STF e já teria apoio suficiente no Senado para aprovação, ainda que por margem estreita. A sabatina está marcada para o dia 28.


… A melhora no cenário pode abrir caminho para diálogo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, considerado até aqui o principal entrave.


ELEIÇÕES. Pesquisa Genial/Quaest mostra Lula na liderança isolada no primeiro turno, com 37% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%. No segundo turno, há empate técnico, com vantagem numérica do senador: 42% contra 40%.


MAIS AGENDA – No Brasil, o destaque fica para o IBC-Br de fevereiro, às 9h, com expectativa de alta de 0,6%, após avanço de 0,78% em janeiro, segundo a mediana das projeções em pesquisa do Broadcast.


… Na comparação anual, o indicador deve mostrar estabilidade, sugerindo perda de fôlego na margem.


… Saem ainda o IPC-S da segunda quadrissemana de abril, às 8h, e, à tarde (15h), o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti, participa de evento em Washington, em meio às reuniões de Primavera do FMI.


… No noticiário corporativo, a Vale divulga após o fechamento sua prévia operacional do primeiro trimestre, enquanto a Petrobras realiza AGO.


… No exterior, o foco recai sobre a produção industrial dos EUA, às 10h15, além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 9h30.


… Também entram no radar a ata do BCE e falas de dirigentes de bancos centrais, incluindo John Williams, do Fed de Nova York, em um dia marcado pelas reuniões do FMI, Banco Mundial e G20.


… Entre os balanços, destaque para PepsiCo antes da abertura em Nova York, enquanto Netflix e Alcoa divulgam seus resultados após o fechamento.


CHINA HOJE – O PIB cresceu 5% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com igual período de 2025. O resultado ficou levemente acima da previsão de 4,9% e representa aceleração contra os 4,5% do trimestre anterior.


… A produção industrial da China teve alta anualizada de 5,7% em março e superou a expectativa de 5,5%. Mas o desempenho desacelerou contra o bimestre janeiro/fevereiro, quando houve alta de 6,3%, na comparação anual.


… As vendas no varejo chinês desapontaram com alta de 1,7%, bem inferior à aposta dos analistas de mercado de 2,3% e ao resultado do primeiro bimestre, quando foi registrada uma alta anual de 2,8%.


BDM LIVE – O Bom Dia Mercado realizará hoje (quinta-feira), 16, uma entrevista ao vivo com Alfredo Menezes, sócio fundador da Armor Capital e ex-tesoureiro do Bradesco, com transmissão pelo canal do BDM no YouTube, a partir das 10h.


… Alfredo Menezes irá analisar O Impacto da Guerra nos Mercados e todo o vaivém decorrente das ameaças de Trump no Estreito de Ormuz.


… Hoje, às 10h, Alfredo Menezes no BDM! Inscreva-se para acompanhar: https://novidade.bomdiamercado.com.br/bdm-live-16-04


… A live será conduzida por Téo Takar, editor-chefe do BDM Online, com a participação dos jornalistas Márcio Anaya e Rosa Riscala.


O DESCANSO DO CAMPEÃO – A falta de novidades sobre um acordo com o Irã veio a calhar para o Ibovespa testar uma acomodação, depois da sequência de recordes, na estratégia de pausa para pegar fôlego e seguir em frente.


… Os 200 mil pontos viraram objeto de desejo da bolsa, que agora que está tão perto, não vai querer deixar escapar.


… Depois de onze altas non stop, com cinco fechamentos nos melhores níveis de todos os tempos, a realização de lucro do índice à vista veio modesta, em baixa de 0,46%, a 197.737,61 pontos, reforçando que sonha com os topos.


… Matéria no Broadcast com análises gráficas aponta os próximos alvos do Ibovespa no curtíssimo prazo, se os 200 mil pontos forem superados. A Valor Investimentos indica os 204 mil e depois os 208 mil como níveis de resistência.


… Analista do BTG Pactual afirma que os modelos de curto, médio e longo prazos indicam tendência de alta. Na escadinha de pontuação, vem 200 mil pontos, depois 204 mil/205 mil, partindo para 210/212 mil, até bater 225 mil.


… Em um cenário mais de médio prazo, o Itaú BBA acredita que, rompendo os 200 mil, o próximo objetivo é 250 mil.


… Tem muito terreno a ser conquistado, com o apoio decisivo do fluxo estrangeiro, que não para de entrar no Brasil.


… Turbinado ontem pelo vencimento de opções, o giro no Ibovespa marcou R$ 38,3 bilhões. Na B3 como um todo, o volume de negociação bateu a marca extraordinária de R$ 120 bi, a maior em cinco anos, em novo pico histórico.


… A leve correção negativa do Ibovespa nesta quarta-feira respondeu, em boa medida, à queda da Petrobras e de parte dos bancos, enquanto a Vale teve comportamento morno (+0,16%; R$ 88,44), em dia de alta de 1% do minério.


… Também o tombo de 10,38% da MBRF pesou, após o fundo saudita Salic realizar uma venda em bloco da gigante global de alimentos, de 70 milhões de ações (R$ 1,5 bilhão), o que representa 5% do capital social da empresa.


… BB recuou 3,86% (R$ 24,40) e Santander caiu 1,22% (R$ 31,68). Bradesco PN subiu só 0,10% (R$ 20,80) e Itaú ganhou 1,10% (R$ 47,04). Petrobras PN perdeu 2,07%, a R$ 46,89, e o papel ON devolveu 1,94%, cotado a R$ 51,50.


… Com a ofensiva militar que não se resolve, o petróleo seguiu a recomendação de que, na dúvida, o melhor é não fazer nada. Em pregão apático, o Brent subiu só 0,14%, para US$ 94,93, um dia depois de ter caído quase 5%.


SPRINT – Em Nova York, mesmo sem segurança de que a guerra vai acabar, o Nasdaq cravou onze sessões seguidas em alta e recorde de fechamento, junto com o S&P 500, destoando do pregão silencioso nos outros mercados.


… O Nasdaq avançou 1,59% e alcançou a marca inédita de 24 mil pontos, aos 24.016,017 pontos. O S&P 500 subiu 0,80% e superou os 7 mil pontos pela primeira, aos 7.022,89 pontos. O Dow Jones caiu 0,15%, a 48.463,72 pontos.


CANSAÇO NO CÂMBIO – Em meio às primeiras dúvidas no mercado se ainda haveria espaço para o real seguir se fortalecendo diante da moeda americana, o dólar patinou ontem e fechou estável, pouco abaixo dos R$ 5.


… Diante da sessão comportada dos ativos globais ontem, fica difícil de saber se a dificuldade exibida pelo real em buscar novos pisos já foi sinal de exaustão ou se o câmbio só preferiu aguardar os próximos capítulos da guerra.


… O dólar fechou em queda marginal de 0,03%, aos R$ 4,9922, renovando a menor cotação em dois anos e estabelecendo a sexta sessão seguida de baixa. Terminou a primeira metade do mês com recuo acumulado de 3,60%.


… Como se viu na participação de Nilton David no seminário em Washington, ele se mostrou surpreendido pela resiliência do real, apesar da eclosão da guerra. Mas não acredita em qualquer mudança estrutural no câmbio.


… Revelou que o BC não conta com a depreciação do dólar na missão de levar o IPCA para o centro da meta de 3%, porque “em algum momento, a moeda vai subir e isso não vai ser uma situação confortável para a inflação.”


… Assim como a bolsa e o câmbio, também os juros futuros viveram ontem um pregão de oscilações contidas. A ponta curta exibiu viés de baixa com novas evidências, pelo segundo dia seguido, de desaquecimento da atividade.


… Depois de o dado de serviços do IBGE ter vindo mais fraco do que o esperado em fevereiro, as vendas no varejo endossaram a percepção de que a economia doméstica pode estar entrando em uma desaceleração gradual.


… As vendas no varejo restrito, que não incluem automóveis e material de construção, subiram 0,6%, feitos os ajustes sazonais, abaixo da mediana de 0,9%. O varejo ampliado avançou 1%, frustrando a aposta de alta de 1,8%.


… Se também o IBC-Br desacelerar o ritmo hoje, será o terceiro indicador a indicar perda de fôlego da atividade.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,960% (de 13,988% no ajuste anterior); Jan/28, 13,355% (contra 13,379%); Jan/29, 13,220% (de 13,200%); Jan/31, 13,350% (de 13,298%); e Jan/33, 13,470% (de 13,423%).


CHÁ DE CADEIRA – No clima de esperar para ver se o canal diplomático do Oriente Médio vai funcionar, o índice DXY fechou no zero a zero (-0,07%, a 98,055 pontos), depois de ter devolvido grande parte do estresse nos últimos dias.


… Analistas do mercado financeiro observam que, no curto intervalo de uma semana, o dólar praticamente zerou os ganhos acumulados em março, sugerindo que o prêmio de risco do conflito está desaparecendo rapidamente.


… Fecharam estáveis ontem o euro (-0,04%), a US$ 1,1803, e a libra, a US$ 1,3572, enquanto o iene caiu 0,10%, a  158,97 por dólar, após relatos de conversas entre autoridades japonesas e americanas sobre medidas cambiais.


… Fontes da Reuters disseram que o BCE está reticente em aumentar os juros agora em abril, poque ainda não há evidências de que o salto nos preços de energia com a guerra já esteja provocando efeitos secundários.  


… O dirigente do BCE François Villeroy de Galhau confirmou que “não há pressa” e que é “prematuro” focar em abril.


… A colega Isabel Schnabel avaliou que a zona do euro está em uma posição relativamente favorável, porque a inflação já havia retornado a 2% antes do início do conflito, dando mais espaço para avaliar o choque com calma.


… De seu lado, o também dirigente do BCE Martins Kazaks afirmou em entrevista à TV que não tem “nada contra” as apostas do mercado para dois cortes na taxa de juros da zona do euro este ano, começando no mês de junho.


… Já no Fed, Alberto Musalem defendeu a manutenção dos juros “por algum tempo”, mas disse estar aberto a apertos monetários se a escalada do petróleo ameaçar as expectativas da inflação americana no longo prazo.


… A taxa da Note de dois anos avançou a 3,761% (de 3,747%) e a de dez anos subiu para 4,279% (contra 4,250%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – CVM questionou ITAÚ e BRADESCO sobre notícias de que teriam comprado R$ 1 bilhão em carteiras do Banco de Brasília (BRB), de empréstimos concedidos a Estados e municípios com aval da União…


… Em resposta, o Itaú confirmou a operação, mas disse que os valores envolvidos são “imateriais” para a companhia, de acordo com os seus critérios, razão pela qual tal transação não se qualifica como fato relevante…


… Também o Bradesco confirmou que vem adquirindo carteiras de empréstimos concedidos pelo BRB a Estados e municípios, mas em valor menor do que o montante mencionado nas notícias…


… De seu lado, o BTG PACTUAL admitiu que avalia ativos do BRB, mas negou qualquer relação com a Quadra Capital nas discussões. O posicionamento vem após informações de que a gestora negocia carteira de ativos há 60 dias.


TELEFÔNICA pagará R$ 365 milhões em JCP (R$ 0,114 por ação). Ex em 28/04.


MOTIVA pagará R$ 124 milhões em JCP (R$ 0,0617 por ação), com pagamento em 28/04.


MARCOPOLO pagará R$ 0,085 por ação em JCP, a partir de 08/05, com base na posição de 24/04.


AZUL confirmou emissão de bônus trilionários no Chapter 11 e mudança na proporção entre ADS e ações após grupamento.


MINERVA confirmou captação de US$ 600 milhões em bonds (cupom de 7,5%).


BRAVA ENERGIA. Certificação de reservas, com data-base em 31/12/25, totalizou 459 milhões de barris de óleo equivalente (boe) em reservas provadas (1P) e 611 milhões de boe em reservas provadas mais prováveis (2P).


HELBOR lançou R$ 153,5 milhões (+4,9%) e teve vendas de R$ 226,3 milhões (-17,2%).


MELNICK. Vendas cresceram 130% no 1TRI26, para R$ 300 milhões.


LAVVI. Vendas líquidas caíram 3%, para R$ 249,8 milhões; distratos subiram 69,5%.


VITRU captou R$ 230 milhões em follow-on, com ações a R$ 14,69. (fontes do Broadcast)


COPASA. Volume de água caiu 0,4% no 1TRI26; volume de esgoto subiu 0,3%.


AZZAS 2154. FMR LLC passou a deter 5,035% das ações.


ALLIANÇA. Fitch rebaixou rating de C(bra) para RD(bra) após inadimplência em debêntures.

Vai rolar

 *Vai rolar: IBC-Br, Vale e Netflix no foco*


[16/04/26] O mercado começa esta quinta-feira repercutindo indicadores de atividade na China e ainda sem convicção sobre os desdobramentos da guerra, tentando equilibrar a expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã com a ausência de sinais concretos de desfecho para o conflito. Nesse ambiente mais cauteloso, a agenda ganha peso, com destaque para o IBC-Br de fevereiro, que deve mostrar desaceleração da atividade, além da produção industrial nos Estados Unidos e falas de dirigentes de bancos centrais, em meio às reuniões do FMI, em um dia que pode ajudar a calibrar as apostas para juros e crescimento. No mercado corporativo, atenção à AGO da Petrobras e à prévia operacional da Vale no primeiro trimestre. Em Nova York, sai o balanço da Netflix. (Rosa Riscala)


*👉 Confira abaixo a agenda de hoje*


*Indicadores*


▪️ 06h00 – Zona do euro: CPI (final, mar)

▪️ 08h00 – Brasil: FGV – IPC-S (2ª quadrissemana de abr)

▪️ 09h00 – Brasil: BC – IBC-Br (fev)

▪️ 09h30 – EUA: Pedidos de auxílio-desemprego

▪️ 10h15 – EUA: Produção industrial (mar)


*Eventos*


▪️ 08h30 – Zona do euro: BCE divulga ata da última decisão

▪️ 09h35 – EUA: John Williams (Fed NY) participa de evento

▪️ 11h35 – EUA: Stephen Miran (Fed) participa de evento

▪️ 15h00 – EUA: Paulo Picchetti (BC) participa de evento do Itaú Latam Day

▪️ EUA: Líderes de Israel e do Líbano se encontram para discutir cessar-fogo

▪️ Brasil: Petrobras realiza AGO

▪️ EUA: Reuniões de Primavera do FMI e Banco Mundial

▪️ EUA: Reunião do G20 com ministros das Finanças e presidentes de BCs


*Balanços*


▪️ EUA/antes da abertura – PepsiCo

▪️ Brasil/após o fechamento – Prévia operacional da Vale

▪️ EUA/após o fechamento – Netflix e Alcoa

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,1% US tech +1,7% US Semis +2,0% UEM +1,3% España +1,4% VIX 18,4% Bund 3,02%. T-Note 4,25%. Spread 2A-10A USA=+50pb B10A: ESP 3,47% PT 3,41% ITA 3,78% FRA 3,65% Euribor 12m 2,77% (fut.12m 2,79%). USD 1,180 JPY 187,3/€. Ouro 4.842 $. Brent 94,8$. WTI 91,3$. Bitcoin +1,3% (74.136$). Ether +2,8% (2.316$).


A sessão arranca com o petróleo estável e perto dos 95 $/barril, e as bolsas antecipam uma sessão sem grandes sobressaltos. Provavelmente, consolidação de níveis após o bom comportamento de ontem. Futuros Nova Iorque -0,01%, Futuros Europa -0,2%... As notícias que chegam da frente geoestratégia marcam a direção do mercado. Os EUA e o Irão retomarão as negociações “nos próximos dias” e o mercado interpreta-o positivamente. De facto, os principais índices americanos já se situam acima dos níveis prévios ao conflito. Como referência, Nova Iorque +1,3%, Tecnologia EUA +3,5% e semis +13,0%. As obrigações também avaliaram as notícias positivamente: Bund -7 p.b. até 3,02%, O10 ESP -8 p.b. até 3,47%, O10 ITA -11 p.b. até 3,78%. 


Na frente empresarial, ontem no fecho europeu, Kering publicou Vendas 1T piores do que o esperado, embora o seu ADR quase não tenha reagido – na nossa opinião, vendas e margens alcançaram o fundo em 2025 e 2026 será uma no de melhoria gradual. À primeira hora, ASML (YTD +40%) publicou resultados francamente bons (EPS 7,15 € vs. 6,62 € esp.). Contudo, as guias 2T não acabam de convencer e é possível que hoje avalie os resultados em baixa, o que seria uma oportunidade para entrar a níveis mais atrativos. Principalmente porque (i) os semis são o setor mais imune ao contexto geopolítico, (ii) são o elo mais forte da cadeia de valor de IA e (iii) é onde estão concentrados os lucros empresariais (EPS estimado semis 2026 >+60%). Ver a nossa carteira temática (+174% desde o lançamento). 


Para a sessão apenas teremos referências no plano macro: Produção Industrial UE (10 h) (-1,0% a/a vs. -1,2% ant.) e Livro Bege da Fed (19 h) – que será o primeiro a receber o impacto da guerra no Irão e poderá dar-nos alguma pista para a reunião de 28-29 de abril. O impacto de ambos deverá ser limitado.


Em suma, enquanto o tom continua a melhor hoje, deveremos ter uma sessão, a priori, “tranquila”, quiçá de alguma realização de lucros/consolidação de níveis após as fortes subidas de ontem.

Fernando Schüller

 Fernando Schüler: sempre preciso. 👏👇 Nos tornamos uma sociedade do medo  Por Fernando Schüler (Estadão, 18/4/26) “”Não podemos deixar de ...