*Bom Dia Mercado*
Terça Feira,28 de Abril de 2.026.
*IPCA-15 testa o Copom sob pressão da guerra*
O dia será, ainda, movimentado pela expectativa com o balanço de Vale, após o fechamento
… Na primeira de uma série de decisões de política monetária da semana, o BoJ manteve o juro no Japão em 0,75% nesta terça-feira, conforme o esperado. Mas a decisão foi dividida (6 x 3), com os dissidentes defendendo um aperto monetário, em meio ao impasse na guerra entre Estados Unidos e Irã, que pressiona o petróleo e eleva os riscos inflacionários. Amanhã, também o Fed deve estender a pausa, enquanto aqui o mercado está com a aposta fechada em um corte mais moderado no Copom, de 0,25pp. Na agenda, o IPCA-15, às 9h, pode ampliar a cautela se surpreender negativamente. O dia será, ainda, movimentado pelos dados da arrecadação, expectativa com o balanço de Vale, após o fechamento, e repercussão dos resultados de Gerdau, que subiu no after hours em Nova York.
O DRIVER ANTES DO COPOM – O IPCA-15 de abril deve marcar uma inflexão relevante na dinâmica inflacionária, com alta mediana de 0,98%, após 0,44% em março, segundo o Projeções Broadcast. O avanço reflete, em grande medida, a pressão dos combustíveis.
… Em meio ao choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio, a expectativa é de que a gasolina tenha papel central na aceleração do índice, mesmo sem reajustes formais da Petrobras, em um ambiente de petróleo acima de US$ 100/barril.
… Ao mesmo tempo, a inflação deve ganhar tração em itens de alimentação, combinando fatores sazonais com o encarecimento do transporte, o que reforça a percepção de que o conflito, que está prestes a completar dois meses, começa a se espalhar pela economia.
… O dado deve vir acompanhado de uma piora qualitativa, com aceleração dos núcleos de inflação, cuja mediana deve subir de 0,35% a 0,44%.
… Esse movimento indica maior persistência inflacionária e reduz a leitura de que a alta recente se trata apenas de um choque pontual, elevando o risco de efeitos de segunda ordem. O pano de fundo ganha ainda mais relevância às vésperas da decisão do Copom.
… Apesar da aposta amplamente majoritária de que o Copom voltará a cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,50%, a expectativa dos economistas é de manutenção de um tom cauteloso, com o BC evitando qualquer compromisso com os próximos passos.
… Nesse contexto, um IPCA-15 mais pressionado tende a reforçar posições mais conservadoras para a condução da política monetária.
… Um resultado acima do esperado pode fortalecer a leitura de um comunicado mais duro, com piora no balanço de riscos para a inflação e ênfase na necessidade de cautela, reduzindo o espaço para sinalizações de aceleração no ritmo de cortes nas próximas reuniões.
… Nesta segunda-feira, os juros futuros negociados na B3 seguiram avançando, acompanhando de perto a alta do petróleo e a abertura da curva dos Treasuries americanos. A guerra no Oriente Médio segue como principal fator do movimento.
… Causou preocupação nova rodada de deterioração das expectativas inflacionárias no boletim Focus. A projeção mediana para 2026 subiu pela sétima semana consecutiva, de 4,80% a 4,87%, afastando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo BC, de 4,5%.
… A previsão para 2027 avançou a 4%, de 3,99%, e a de 2028 passou de 3,60% para 3,61%.
… A guerra no Oriente Médio também deve aparecer nas justificativas do Fed e dos demais bancos centrais – BoE e BCE na quinta-feira – para sustentar a cautela, com os formuladores avaliando o impacto da crise de energia nos preços e no crescimento.
MAIS AGENDA – O dia traz também a divulgação da arrecadação federal de março, às 11h, que deve somar R$ 229,75 bilhões, segundo a mediana do Projeções Broadcast, após registrar R$ 222,1 bilhões em fevereiro.
… O resultado deve refletir uma atividade ainda resiliente, mesmo com sinais de moderação na margem, e o reforço de receitas como o IOF.
… Economistas destacam que o desempenho da arrecadação segue sustentado pela dinâmica da economia doméstica e por mudanças recentes na base fiscal, enquanto o choque de energia já começa a aparecer nas receitas não administradas, especialmente via royalties do petróleo.
… No exterior, com agenda mais esvaziada, o destaque fica para a confiança do consumidor nos Estados Unidos, medida pela Conference Board, que deve recuar na margem, em linha com a deterioração recente do sentimento, diante da inflação ainda elevada e da incerteza geopolítica.
… Na China, o mercado acompanha reunião do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, em meio a sinais ainda mistos da atividade.
SEM NOVIDADES –O noticiário da guerra no Oriente Médio entrou em compasso de espera, mas o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã segue como principal vetor para os mercados financeiros em todo o mundo.
… A proposta de Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz foi descartada por Washington, que mantém como linha vermelha a questão nuclear, travando qualquer avanço mais concreto nas tratativas.
… Apesar da falta de evolução, mediadores ainda trabalham nos bastidores com uma janela considerada crucial nos próximos dias, em um processo que passaria primeiro pela reabertura do estreito e só depois avançaria para temas mais complexos.
… O risco de ruptura, no entanto, permanece no radar, incluindo a possibilidade de um novo escalonamento do conflito.
… No campo militar, a tensão se mantém elevada, mesmo com a trégua formal em vigor, reforçando a leitura de um conflito sem desfecho claro no curto prazo. A marca de quase dois meses de conflito pressiona o governo Trump dentro dos limites da Lei de Poderes de Guerra.
BALANÇOS –A temporada de resultados ganha tração nesta terça-feira, com Vale, Hypera e Neoenergia na B3, após o fechamento.
… No caso da mineradora, a expectativa é de um primeiro trimestre mais forte, apoiado por desempenho operacional acima do esperado, com avanço relevante de lucro e Ebitda na comparação anual, ainda que sob pressão de custos mais elevados, incluindo câmbio e combustíveis.
… O lucro líquido (atribuível) deve ficar em US$ 2,51 bilhões, ante US$ 1,39 bilhão de igual período de 2025, com variação positiva de 80,5%, de acordo com a média de estimativas de analistas de casas consultadas pelo Broadcast.
… O Ebitda proforma deverá ser de US$ 4,03 bilhões, 25,5% maior que os US$ 3,21 bilhões em 2025. As receitas líquidas devem alcançar US$ 9,47 bilhões, 16,6% superiores aos US$ 8,12 bilhões apresentados um ano antes.
… O resultado da Vale também será acompanhado de perto como termômetro para commodities e atividade global, em um momento em que o mercado tenta equilibrar o impacto da alta do petróleo com sinais ainda mistos da economia internacional.
… Ontem à noite, a Gerdau reportou lucro acima de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre, com crescimento anual expressivo, embora abaixo das estimativas. O Ebitda superou a previsão e a reação positiva dos ADRs no after hours sugere leitura construtiva da ação na bolsa.
… No exterior, a temporada avança com resultados de Barclays, BP, GM, Airbus e Visa, em uma semana particularmente relevante para as bolsas globais, que entram nesse período tentando sustentar níveis elevados em meio à pressão dos juros e ao aumento da incerteza.
… A expectativa é para as big techs amanhã – Apple, Microsoft, Alphabet e Amazon – e Meta na quinta-feira.
DESENROLA 2.0 –A proposta do governo para uma nova rodada do programa de renegociação de dívidas gerou reação no mercado, com piora das ações de bancos, à medida que investidores passaram a incorporar possíveis impactos sobre margens e rentabilidade do setor.
… Para alguns analistas, a leitura é de que, embora o programa possa melhorar a qualidade do crédito no médio prazo, ele tende a impor custos no curto prazo às instituições. Itaú PN caiu 0,86%; Bradesco PN, -0,95%; BTG -0,61%; e BB -0,84%.
… O Desenrola 2.0 deve ser anunciado ainda nesta semana pelo presidente Lula e prevê descontos de até 90% nas dívidas, além da possibilidade de uso do FGTS para quitação, conforme iniciativa alinhada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, com os principais bancos.
… O foco estará em dívidas de cartão de crédito, crédito pessoal e cheque especial, com redução relevante das taxas de juros nas renegociações.
… Em um ambiente de juros ainda elevados, o programa entra no radar como medida de estímulo ao consumo, mas adiciona ruído ao setor financeiro no curto prazo, ao mesmo tempo em que reforça a tentativa de equilibrar atividade e custo do crédito.
CURTAS DA POLÍTICA – Lula recebe hoje, às 9h30, o ministro Dario Durigan para fechar o programa Desenrola 2.0. À tarde (16h), o presidente assina o decreto de promulgação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, em evento no Palácio do Planalto.
… No Senado, o governo atua para consolidar margem de segurança na indicação de Jorge Messias ao STF, em meio a preocupações com eventuais dissidências no Senado. A votação está marcada para amanhã, quarta-feira (29), na CCJ.
… A estratégia passa pela negociação de emendas e mudanças na composição de Comissão, onde governistas estimam cerca de 16 votos, apenas dois acima do necessário. No plenário, a margem também é estreita, com cerca de 44 votos favoráveis contra 41 necessários.
… AtlasIntel divulga hoje nova pesquisa de intenção de voto para a disputa presidencial.
O RUIM PODE SER PÉSSIMO – Profissional disse ao Broadcast que, se o IPCA-15 vier pior que o imaginado, o impacto no sentimento do mercado deve ser muito negativo. Já um resultado bom, calcula, teria efeito relativamente neutro.
… Diante do choque energético, o mercado duvida muito que a prévia da inflação possa trazer uma surpresa de alívio, e o investidor já tratou ontem de sofrer de véspera e se preparar antecipadamente para a pressão do dado.
… O petróleo novamente acima de US$ 100 e a alta das taxas do Treasuries ajudaram a sustentar prêmios de risco expressivos nos juros futuros, enquanto a piora das expectativas no boletim Focus confirmou a tensão inflacionária.
… Já estava precificado o novo ajuste para cima (o sétimo seguido) na mediana das apostas para o IPCA deste ano. Mas o desconforto com a inflação se estendeu, porque também o horizonte mais longo voltou a apontar alta.
… Mais duas casas soltaram relatórios ontem elevando as estimativas para a inflação deste ano. O PicPay, que esperava 3,7%, puxou bastante a sua aposta, para 4,7%, resultado que agora estoura o alvo central fixado pelo CMN.
… A mudança de cenário responde à escalada do petróleo, que tem se mostrado mais persistente. Diante da incorporação deste quadro pior, o PicPay também revisou a projeção para a Selic no fim do ano, de 12% para 13%.
… Ainda o Banco Inter passou a projetar inflação acima do limite do intervalo de tolerância, em 4,9%, contra 4,3% anteriormente, e também elevou a previsão para a taxa básica de juros no final deste ano, de 12,50% para 12,75%.
… No ambiente mais desafiador, o DI para Janeiro de 2027 marcou 14,135% (de 14,104% no ajuste anterior); Jan/28, 13,760% (contra 13,643%); Jan/29, 13,615% (de 13,480%); Jan/31, 13,635% (13,517%); e Jan/33, 13,690% (13,590%).
… O investidor prepara o espírito para um comunicado mais conservador do Copom amanhã, com a guerra que não acaba. O Citi reforçou sua visão altista para o petróleo Brent nos próximos três meses, com preço-alvo de US$ 120.
… O barril para julho começou a semana subindo 2,58% e voltou a romper os US$ 100, valendo US$ 101,69. A diplomacia não funcionou até agora, no fracasso que tem levado o conflito a durar tempo demais para o mercado.
… Neste contexto, apesar da convicção de que o Fed não vai subir o juro amanhã, as taxas dos Treasuries subiram, porque a bomba da inflação continua armada, diante do impacto nos preços do impasse nas negociações com o Irã.
… O rendimento da Note de dois anos avançou para 3,798% (de 3,778%) e o de dez anos, a 4,337% (de 4,304%).
O TRUNFO DO CÂMBIO – Dois fatores garantiram ontem que o dólar não estressasse junto com os juros futuros.
… A alta do petróleo, que favorece as moedas de países produtores, teria colaborado para o fortalecimento do real. Mais importante do que isso, o diferencial de juros entre o Copom e o Fed ainda continuou fazendo a diferença.
… A Selic vai cair amanhã, mas tão pouco (por causa do petróleo), que o investidor tende a continuar faturando alto com o carry trade, até porque, em paralelo, o Fed não tem perspectiva de iniciar o ciclo de corte dos juros tão cedo.
… Não foi muito o que o dólar caiu ontem, mas foi o suficiente para continuar abaixo da marca simbólica dos R$ 5 pelo segundo pregão seguido. Fechou em baixa de 0,32%, cotado a R$ 4,9821, em semana de briga da ptax.
… Lá fora, a moeda americana ficou praticamente estável, travada pelo impasse do diálogo com o Irã. O índice DXY teve queda inexpressiva de 0,03%, a 98,496 pontos. O euro subiu para US$ 1,1724 e a libra não saiu de US$ 1,3536.
… O iene caiu para 159,42 por dólar, horas antes de o BC japonês optar por não mexer na política monetária.
… As incertezas sobre a guerra no Irã e os receios de que a inflação continue rodando cada vez mais alta por aqui por causa do petróleo induziram o Ibovespa a completar uma sequência de quatro perdas e entregar os 190 mil pontos.
… O índice à vista da bolsa doméstica fechou em baixa de 0,61%, na mínima intraday, de 189.578,79 pontos. O giro ficou bem abaixo do usual, em R$ 20,6 bilhões. Na véspera do balanço, Vale recuou 0,43%, negociada a R$ 85,50.
… Petrobras (PN, +0,45%, R$ 47,37; ON, +0,34%, R$ 52,42) teve alta tímida comparada à alta de 2,5% do Brent.
… Em Nova York, como as bolsas já estão no high, qualquer dose de otimismo, por menor que seja, leva o S&P 500 e o Nasdaq a renovarem os seus recordes históricos de fechamento, como voltou a acontecer neste início de semana.
… Além de manter o radar da guerra ligado, Wall Street tem para enfrentar o teste dos balanços: cinco da sete magníficas divulgam os seus resultados esta semana. A agenda importante será ainda movimentada pelo PCE.
… Com alta de só 0,12%, o S&P 500 estabeleceu a máxima inédita dos 7.173,91 pontos. O Nasdaq fechou no pico de 24.887,10 pontos, com avanço modesto de 0,20%. Já o Dow Jones fechou em queda de 0,13%, a 49.168,04 pontos.
CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS fechou acordo para aquisição de 100% de parte do Campo de Argonauta, na Bacia de Campos, por R$ 700 milhões, mais US$ 150 milhões, em três parcelas.
GERDAU teve lucro líquido de R$ 1,013 bilhão no 1TRI26, alta de 33,6% na comparação anual, mas 16% abaixo do esperado no Broadcast. Ebitda somou R$ 2,958 bilhões (+23,2%) e receita foi de R$ 16,716 bilhões (-3,8%)…
… A empresa informou que pagará R$ 354,1 milhões em dividendos (R$ 0,18 por ação). Ex em 14/05. A companhia ainda aprovou cancelamento de 7,380 milhões de ações PN e 225 mil ON, sem redução do capital.
METALÚRGICA GERDAU teve lucro líquido ajustado de R$ 1,012 bilhão no 1TRI26 (+33,8%), com receita de R$ 16,7 bilhões (-3,8%) e Ebitda de R$ 2,9 bilhões (+23,3%)…
… A companhia aprovou programa de recompra de até 10 milhões de ações PN, equivalente a cerca de 1,2% dos papéis em circulação, com prazo de até 18 meses a partir de hoje.
EMBRAER. A carteira de pedidos alcançou US$ 32,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 22% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a companhia, foi o sexto recorde histórico.
SABESP votará hoje desdobramento de ações na proporção 1:5 em AGE; ex amanhã.
ASSAÍ reportou lucro líquido de R$ 86 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 46,7% na comparação anual. O resultado ficou 36,2% abaixo da média das estimativas de seis bancos consultados pelo Broadcast…
… Por outro lado, o Ebitda ajustado de R$ 1,02 bilhão e a receita líquida de R$ 18,6 bilhões vieram em linha…
… Assaí aprovou programa de aquisição facultativa de debêntures de até R$ 200 milhões, para manutenção em tesouraria e posterior cancelamento.
COGNA pagará R$ 28,560 milhões em dividendos (R$ 0,0142 por ação). Ex hoje.
GOL deve pedir ingresso como terceira interessada em processo do Cade que analisará o aporte da American Airlines na Azul, segundo fontes do Broadcast.
SÃO MARTINHO aprovou emissão de debêntures de R$ 1,1 bilhão.
ENGIE pagará R$ 657,7 milhões em proventos (R$ 0,0875 em JCP e R$ 0,4882 em dividendos). Ex em 05/05…
… A empresa ratificou a aquisição do controle da Companhia Energética do Jari e estuda operação envolvendo fatia da EBP na Jirau Energia.
CEMIG foi incluída no índice Dow Jones Best in Class Index pela 26ª vez. A companhia também aderiu à repactuação de UBP das usinas Irapé e Queimado, com pagamento de R$ 14,162 milhões.
BRAVA antecipou pagamento de R$ 57,4 milhões em dividendos para 30/4, de 1/05 originalmente. O valor total corresponde a R$ 0,1236 por ação e será pago com base na data de corte de 20 de abril.
LIGHT. Tempo Capital reduziu participação para 4,48% do capital, de 5,51% anteriormente.
FERBASA. O diretor-presidente, Silvano de Souza Andrade, passará a acumular funções, depois de ter sido eleito para assumiu também como diretor financeiro e de relações com investidores da companhia.
INTERCEMENT. CVM aprovou cancelamento de registro de emissor de valores mobiliários categoria A.
AGIBANK captou R$ 2,5 bilhões em FIDC com prazo de 10 anos.
BIOMM. BRB passou a deter 25,86% do capital social da companhia após liquidação de fundo.