terça-feira, 15 de setembro de 2026

OESP e Alexandre Shwartzman



Minha opinião




O artigo de opinião do Estadão de hoje, domingo, 13/09/2026, a dois dias da sessão que definirá não o destino de Xandão mas sim o do próprio tribunal que eventualmente o julgará (se chegarmos a este ponto, já estaremos no lucro: o mais provável mesmo é caminhar para a pizza suprema de sempre, mas espero estar enganado)... o que eu falava mesmo? Ah, sim, o artigo de opinião do Estadão é contra Lula e tudo o que ele significa. Não vou compartilhar aqui seu texto que de qualquer modo estará em breve em diversos murais; quero usá-lo apenas para expressar a minha opinião sobre o clima geral em relação às eleições daqui a exatas três semanas.




Negócio seguinte: após o fim da ditadura militar, o choque da morte de Tancredo Neves (lembro como choramos ao som de 'Coração de Estudante' na voz de Milton Nascimento) e o consequente susto de Sarney (lembro da imagem dele, quase congelado, na posse, o pavor estampado no rosto), tivemos bastante turbulência, parimos uma Constituição Federal coalhada de micro-gerenciamento e portanto fadada a se tornar a colcha de retalhos que é hoje, emendada em média 3,5 vezes por ano, vimos um caçador de marajás se revelar um caçador de propinas mas finalmente, após Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, a nação parecia ter recobrado o controle da aeronave, escapado das turbulências e começado a voar em céu tranquilo, ainda com muitas desigualdades sociais mas com boas chances de reduzi-las progressivamente ao longo dos anos.




Aí aconteceu o PT na história do Brasil, e os vinte e três anos que se sucederam desde sua tomada de poder levaram ao Brasil de hoje. Interessante que essas duas letras sejam muito usadas popularmente para designar 'perda total', o que definitivamente não foi o caso. Sob o PT, em especial durante o primeiro governo Lula, muita coisa boa aconteceu, mesmo tendo ele abraçado ditadores ao longo de toda a sua carreira, mostrando uma afinidade quase doentia por qualquer um que enfrentasse de frente os ianques, não importa com que armas. Acontece que o escorpião não consegue mudar sua sina, e sempre vai picar o sapo. Tudo bem que o PT aceitou o resultado das eleições quando perdeu em 2018, e diz agora que aceitará novamente se o Lula IV não se concretizar. Isso é uma das poucas coisas que se pode dizer de positivo para recomendar o voto nele num segundo turno entre Lula e Flávio. Nada, absolutamente nada se compara ao desastre que foi o governo Bolsonaro, se é que se pode usar o termo 'governo' para o que aconteceu de 2019 a 2022. Nem vou entrar em detalhes, iria dobrar o tamanho desse texto que já está longo demais.




Por que estou escrevendo tudo isso? É que li um artigo, de novo no Estadão (é o primeiro jornal que leio toda manhã, mas não é o único), de Alexandre Schwartsmann, cujo texto vou reproduzir a seguir. Ele analisa, do ponto de vista de um economista, as causas da atual situação do Brasil. Concordo com cada palavra dele, e só faltou ele usar o termo que rima com peixaria (tem uma letra a menos, e também começa com 'p', mas se eu escrevê-la aqui o Facebook me censura). Segue seu texto.




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Rima com peixaria: a crise institucional é expressão do fracasso econômico

Por Alexandre Schwartsman

12/09/2026




Escrevo em meio ao conflito aberto no Supremo Tribunal Federal sobre um tema acerca do qual não costumo me pronunciar, embora tenha implicações econômicas para lá de sérias. E, muito embora não seja obviamente o mais indicado para responder se um ministro do STF tem poderes para revogar a decisão de uma das turmas da corte (quem, na verdade, sabe?), não é necessário muito para entender as consequências da bagunça que se tornou o tribunal mais importante do Brasil.




Vieram agora a público indícios de ligações suspeitas entre integrantes da corte o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Hesito em tratá-las como “não republicanas”; são plenamente republicanas, desde que adicionemos as bananas.




Ministros se acusam. Um solitário ministro, no papel de Penélope, desfaz o que três outros fizeram. O presidente da corte assiste, assim como a população, a degradação institucional do que um dia foi chamado de Excelso Pretório.




Não ocorreu por acaso. O País enfrenta há décadas um esforço de demolição das suas instituições. Sempre nos inclinamos para o casuísmo, ignorando as regras que constrangem interesses momentâneos.




Temos uma Lei de Responsabilidade Fiscal, mas encontramos maneiras de contorná-la. A Regra de Ouro deveria impedir que o endividamento financiasse despesas correntes acima dos limites constitucionais, mas exceções terminaram por esvaziá-la. Driblamos o teto de gastos, o arcabouço fiscal e a lei de governança das estatais, sempre ao sabor dos poderes de plantão — e isso para ficar apenas nas matérias econômicas.




Houve, é bom que se diga, tentativas para mudar este estado das coisas. Reformas, aprovadas em diferentes governos, até que tentaram reverter o processo. No final, porém, prevalece a entropia.




Ao contrário, portanto, de países em que o enriquecimento se dá principalmente pela inovação, portanto elevação da produtividade, fundamento do crescimento sustentado, aqui compensa mais cultivar relações com o poder público.




Quando a proximidade com Brasília oferece retorno superior ao investimento, à concorrência e à inovação, não é difícil prever para onde migrarão dinheiro e talento. As festas de Vorcaro e sua presença ubíqua nos altos escalões da república são apenas uma manifestação particularmente vistosa de fenômeno muito mais amplo.




Não é por azar que o crescimento da produtividade é pífio, mal atingindo 0,2% ao ano de 2012 para cá. Quando todos buscam laços pessoais para ganhar dinheiro, faltam os que fazem o País crescer de verdade.




Não é peixaria, mas rima com ela.

Reflexões

Amanhã, acontece a superquarta. Mercado já precifica corte de 0,25 pp na Selic, a 13,75%, e elevação do Fed Funds, diante do stress do barril de petróleo, a US$ 108. Hoje, no entanto, as atenções se voltam, por aqui, ao STF, na sua decisão para o início das investigações de Alexandre de Moraes, depois que a PF lacrou uma investigação sobre o Banco MASTER, sendo ele um dos principais envolvidos. Várias gravações, para lá de comprometedoras, acabaram vazando, tornando a situação dele INSUSTENTÁVEL. Teria que ser um AFASTAMENTO rápido, mas tudo pode melar, se um dos ministros pedirem vistas do processo. Aí são mais 90 dias de enrolação. Se Lula for reeleito, acabou.

Call Matinal

15/09/2026

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO (1409)

O Ibovespa foi mal nesta segunda-feira (14) e recuou 0,91%, aos 185.500,88 pontos, com giro de apenas R$ 17,1 bilhões. Influenciaram os desdobramentos da crise no STF em reflexos para a corrida ao Planalto. No câmbio, o dólar superou R$ 5,18 na máxima intraday, mas devolveu a cautela parcialmente e fechou abaixo de R$ 5,15. Desacelerou a alta para 0,44%, a R$ 5,1479, aproveitando que o petróleo reduziu a intensidade do rali.

MERCADOS

PRINCIPAIS MERCADOS

Os mercados operam em baixa nesta terça-feira (15), pressionados pela alta dos preços do petróleo e os imbróglios no estreito de Ormuz.







MERCADOS 5h30




EUA

Índices

Comentários




Dow Jones Futuro: -0,62%

S&P 500 Futuro: -0,47%

Nasdaq Futuro: -0,50%

Os mercados de NY em baixa nesta terça-feira (15), pressionados pela alta dos preços do petróleo, que aumentou a pressão sobre os títulos do Tesouro americano, levando o rendimento dos títulos de 10 anos a níveis vistos pela última vez há 19 anos.


Ásia-Pacífico








Shanghai SE (China), -0,54%

Nikkei (Japão): -0,01%

Hang Seng Index (Hong Kong): -1,00%

Nifty 50 (Índia): -0,56%

ASX 200 (Austrália): -0,88%




Europa








STOXX 600: -0,77%

DAX (Alemanha): -0,78%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,80%

CAC 40 (França): -0,78%

FTSE MIB (Itália): -0,83%




Commodities








Petróleo WTI, +1,96%, a US$ 103,38 o barril

Petróleo Brent, +1,84%, a US$ 107,58 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,56%, a 707,50 iuanes (US$ 105,43)

Bitcoin, -2,84%, a US$ 76.838,26






Dia 1509

Superterça, superquarta, semana agitada!

Hoje, o STF se reune para deliberar sobre a investigação ao ministro Alexandre de Moraes, no embate contra o ministro André Mendonça, o que deve paralisar o país. Muito se comenta que o ministro deve arrastar outros personagens, nesta “lavagem de roupa suja” do banco Master e seu CEO, que tentou comprar a República inteira. Infelizmente, grande parte do mundo político de Brasília deve ter se beneficiado de alguma forma das suas cinecuras, rega bofes, etc. Em verdade, muita gente sujou as mãos.

No rally eleitoral, a campanha de Lula da Silva sofre um desgaste por todos saberem do envolvimento de muita tente do PT neste mar de lama. Pesquisa recente da Quaest mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula e revela forte aumento da desconfiança no Supremo.

E ainda temos a “Superquarta” de juros, quando o Fed deve elevar (ou não) sua taxa e o Copom, na direção contrária, cortar a Selic, a 13,75%, estreitando o diferencial entre Brasil e EUA. No exterior, o petróleo segue acima de US$ 100 e a discussão sobre os riscos da inteligência artificial adiciona pressão às bolsas.

Sobre a crise do STF, os fatos, favoráveis ou não, ao ministro Moraes, que sejam associados ao presidente Lula, tendem a repercutir em tempo real nos mercados de ativos diversos.

Minha percepção, infelizmente, pois esta crise tinha que ser rápida e cirúrgica, é de que um dos ministros da segunda turma, talvez Gilmar Mendes, deve pedir vistas do processo, e atrasar em 90 dias uma decisão. A partir daí, já terá passado as eleições e, muito provavelmente, se Lula for eleito, tudo terminando numa grade pizza.

Mercado deve sentir o tranco, e a bolsa de valores ingressar num rally de perdas. Lamentável.



Agenda, 15/09

Brasil

08h00 – FGV divulga o ICOMEX (Indicador de Comércio Exterior) de agosto

08h00 – FGV divulga a Sondagem do Mercado de Trabalho de agosto

09h00 – IBGE divulga as vendas no varejo restrito e ampliado de julho

09h00 – IBGE divulga o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de agosto

09h00 – CNT/MDA divulga pesquisa eleitoral

09h00 – Instituto Indexa divulga pesquisa eleitoral

10h00 – STF analisa relatório da PF sobre Vorcaro e Alexandre de Moraes

11h00 – Tesouro realiza oferta de NTN-B e LFT

11h30 – BC oferta até 50 mil contratos de swap cambial (US$ 2,5 bi) para rolagem de outubro

11h45 – Tarcísio de Freitas participa de sabatina na TV Globo

12h00 – BC oferta até R$ 5 bi em operações compromissadas de 3 meses



Indicadores Globais

05h15 – Alemanha: Claudia Buch (BCE) participa de evento na Universidade Goethe

06h00 – Alemanha: ZEW divulga o índice de expectativas econômicas de setembro

09h30 – EUA: Fed de Nova York divulga o Índice Empire State de atividade industrial de setembro

11h00 – Alemanha: Piero Cipollone (BCE) participa de evento na Universidade Goethe

14h00 – Alemanha: Isabel Schnabel (BCE) participa de jantar do SPD Economic Forum

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,5% US tech -0,8% US Semis -5,9% UE -1,0% Espanha -1,3% VIX 17,1% Bund 3,52%. T-Note 4,99%. Spread 2A-10A USA=+34pb B10A: ESP 3,98% PT 3,88% ITA 4,38% FRA 4,48% Euribor 12m 3,31% USD 1,155 JPY 178,3/€ 154,7/$. Ouro 4.300$. Brent 105,7$. WTI 101,4$. Bitcoin +2,3% (79.085$). Ether +1,6% (2.570$).

 

:: SESSÃO. Sem grandes catalisadores capazes de mudar o sentimento do mercado. A tensão no M. Oriente, o aumento das rentabilidades das obrigações e as dúvidas sobre a IA mantêm a pressão sobre as bolsas, que poderão continuar a enfraquecer à espera da reunião da Fed, amanhã.


Ontem vivemos uma sessão em baixa para as bolsas, com subidas gerais das rentabilidades das obrigações (T-Note 5%, pela primeira vez nos últimos 20 anos) e um novo aumento do petróleo. O tom em baixa esteve marcado por: (i) um aumento de tensão na frente geoestratégica, após os ataques huthies a infraestruturas sauditas, o que obrigou a encerrar o oleoduto Yanbu. (ii) As declarações dos CEO de OpenAI e Anthropic, que pediram o abrandamento do desenvolvimento dos seus modelos de IA por motivos de segurança, mostrando preocupação pelo risco de sair do controlo humano e implicar um atraso nas saídas à bolsa destas empresas, previstas inicialmente para este ano. Isto prejudicou os semis perante a possível travagem de procura, enquanto beneficiou o software e a cibersegurança, dois setores que se viram ameaçados pela disrupção da IA. Na frente corporativa, Puig anunciou a aquisição de 50% de Isdin, ficando com a totalidade da propriedade da marca.


A combinação de tensão das rentabilidades das obrigações com um petróleo em alta, e o consequente impacto na inflação e taxas de juros, e a recente preocupação sobre a IA não é favorável para as bolsas. Isto poderá provocar uma desaceleração no investimento, principalmente em semicondutores, semeando a dúvida sobre as expetativas de EPSs para os próximos anos. Na frente convencional, teremos escassas referências na sessão. À primeira hora, ficamos a conhecer as Vendas a Retalho na China, que desaceleraram abaixo do esperado (+0,4% a/a vs. +0,8% esperado e +0,6% anterior) e os Preços Grossistas na Alemanha, que aumentaram significativamente (+6,3% a/a vs. +5,3% ant.), impulsionados pelo aumento dos preços energéticos. Durante a sessão, conheceremos o inquérito ZEW de Sentimento Económico da Alemanha, que poderá melhorar ligeiramente em setembro (40,0 esperado e 34,2 anterior).

 

:: CONCLUSÃO. Amanhecemos novamente com preços do petróleo a aumentar (+2% até 107,6 $/barril de Brent), aumento da yield nas obrigações e bolsas asiáticas com ligeiras quedas. Com tudo isto, o mais provável é que as bolsas continuem a enfraquecer hoje, embora de forma moderada, à espera da reunião da Fed (amanhã).

 

 

FIM

BDM Matinal Riscala

*Rosa Riscala: STF rouba a cena na véspera do Fed e Copom*


Investidores preparados para acompanhar em tempo real a sessão que pode autorizar uma investigação contra Alexandre de Moraes e produzir novos impactos sobre uma eleição cada vez mais apertada


… A Superterça no STF toma a frente dos mercados, com investidores preparados para acompanhar em tempo real a sessão que pode autorizar uma investigação contra Alexandre de Moraes e produzir novos impactos sobre uma eleição cada vez mais apertada, depois de a Quaest mostrar Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula e revelar forte aumento da desconfiança no Supremo. Tudo isso na véspera da Superquarta de juros, quando o Fed deve elevar sua taxa e o Copom, na direção contrária, cortar a Selic, estreitando o diferencial entre Brasil e Estados Unidos. No exterior, o petróleo segue acima de US$ 100 e a discussão sobre os riscos da inteligência artificial adiciona pressão às bolsas.


SUPERTERÇA NO STF – O mercado vai acompanhar nos detalhes a sessão do STF, que será transmitida ao vivo a partir das 10h, e tem lado na guerra aberta entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que deixou o País em estado de perplexidade.

… A duas semanas da disputa presidencial, com Lula e Flávio Bolsonaro empatados nas pesquisas, a mais grave crise já registrada na história do Judiciário está completamente politizada. E o mercado parece convencido de que isso é o que decidirá a eleição.




… Qualquer highlight desfavorável a Moraes, associado ao presidente, tende a repercutir em tempo real e impulsionar os preços dos ativos.




… A expectativa pela sessão, que pode decidir pela abertura de uma investigação contra “o inimigo nº 1 do bolsonarismo”, prevalece sobre todos os demais fatores. Fed, Copom, riscos da IA, petróleo a três dígitos, tudo fica momentaneamente em segundo plano.




… Hoje é dia de banco Master, Daniel Vorcaro, contratos milionários, Dark Horse e Alexandre de Moraes.




… A sessão começa com a leitura do relatório por Edson Fachin, que também fará a delimitação do objeto do julgamento. Depois de eventual manifestação da PGR e sustentações orais, Fachin apresenta seu voto e Flávio Dino será o primeiro dos demais ministros a votar.




… Ainda há dúvidas sobre a participação de todos os ministros, especialmente Dias Toffoli, que já se declarou suspeito em outros procedimentos relacionados ao Master. E não está descartado um pedido de vista, que pode interromper o julgamento.




… A possibilidade de adiamento é um dos pontos de maior tensão em torno da sessão.




… Uma solução rápida para a crise virou um consenso e quase um clamor em diferentes setores da sociedade, com pressão para que o STF dê respostas antes da eleição e evite qualquer movimento que possa arrastar a crise.




… Em entrevista ao Estadão, Horácio Lafer Piva, acionista e conselheiro da Klabin, afirmou que eventuais manobras protelatórias privariam o eleitorado de esclarecimentos cruciais para o voto e que entrar no próximo governo com uma “mácula” como essa seria “destrutivo”.




… Em outra frente, 39 juristas, professores da USP e representantes da sociedade civil pediram a quebra integral dos sigilos do caso Master e respostas colegiadas aos questionamentos sobre a atuação de integrantes do Supremo.




… A pressão continuou nas últimas horas.




… A PGR pediu a Fachin que verifique se Mendonça liberou todos os documentos das investigações do Master, depois de constatar que não havia nos autos disponibilizados registro de um pedido da PF relacionado a movimentações não declaradas de Daniel Vorcaro.




… A publicidade desses documentos havia sido determinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, a pedido de Alexandre de Moraes, que considera os relatórios de inteligência financeira fundamentais para a sessão de hoje.




… A dimensão da sessão de hoje aparece também no convite a ex-ministros do STF, que estarão na primeira fileira.




… O caso já ganhou repercussão internacional. O Financial Times afirmou que a crise colocou o Judiciário no centro da disputa presidencial brasileira e destacou que os desdobramentos do Master ampliaram a pressão sobre o Supremo.




MAIS PESQUISAS – A Quaest trouxe nesta segunda-feira mais evidências de que a crise no STF já transbordou para a eleição.




… Flávio Bolsonaro apareceu numericamente à frente de Lula pela primeira vez na campanha em uma simulação de segundo turno, com 42% a 40%, ainda em empate técnico. No primeiro turno, Lula manteve 36%, enquanto Flávio avançou de 29% para 31%.




… Outro resultado ajuda a explicar por que o mercado está tão atento à sessão do Supremo: a parcela dos eleitores que não confia no STF saltou de 46% para 56% em apenas um mês. Entre os independentes, avançou de 50% para 65%.




… No confronto entre os ministros, 37% consideram que André Mendonça age corretamente, contra 16% que dizem o mesmo de Moraes.




… A disputa eleitoral terá novo teste hoje, com a divulgação da pesquisa Indexa/Broadcast (9h), que também mediu a confiança nas instituições e a avaliação de Moraes e Mendonça, além de perguntar quem é o principal responsável pela crise no Supremo.




… Também às 9h, sai nova pesquisa eleitoral, da CNT/MDA.




… O Datafolha começa hoje uma nova rodada, que será divulgada na quinta-feira e perguntará diretamente aos eleitores qual será a influência da crise do STF e do caso Master na definição do voto para presidente. No último Datafolha, Lula tinha 46% e Flávio, 44% no segundo turno.




PETRÓLEO ESCALA – O Brent fechou em alta de 1,02%, a US$ 105,68, depois de chegar a US$ 109,80, com o mercado avaliando o impacto da paralisação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, atingido por ataques na semana passada.




… A instalação, que pode transportar até 7 milhões de barris por dia e permite aos sauditas escoar petróleo pelo Mar Vermelho sem passar por Ormuz, deverá ficar em grande parte fora de operação por três a cinco semanas, embora possa funcionar parcialmente durante os reparos.




… O risco aumentou com a expansão do conflito para o Iêmen. Os Houthis ameaçaram diretamente a Arábia Saudita, afirmando que o país “não estará a salvo” enquanto continuar atacando o território iemenita.




… Durante a tarde, relatos de que os Estados Unidos avaliam negociar um acordo “em etapas” com o Irã ajudaram o petróleo a se afastar das máximas, mas Teerã voltou a negar à noite que esteja negociando com Washington.




… O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que seu país não pode negociar com os americanos, mas revelou que chanceleres árabes deverão se reunir em Omã para discutir uma proposta de reabertura do Estreito de Ormuz.




… Também após o fechamento, Irã e Estados Unidos apresentaram versões diferentes sobre um petroleiro em Ormuz.




… A Guarda Revolucionária afirmou que a embarcação explodiu após atingir minas, enquanto o Centcom disse que o navio havia sido atingido por um míssil e, mais recentemente, por um drone iraniano.




… Apesar da tensão, o governo americano afirma que o fluxo por Ormuz está aumentando.




… Segundo o secretário de Energia, Chris Wright, mais de 12 milhões de barris de petróleo e derivados atravessaram o estreito na noite passada, acima da média atual de cerca de 10 milhões de barris por dia.




… Trump disse ainda que Ucrânia e Rússia concordaram em suspender ataques contra instalações de energia, numa tentativa de aliviar a escassez global de diesel. A Ucrânia, porém, afirmou não estar convencida de que Moscou cumprirá um eventual acordo.




… Com a expansão do conflito, o banco Berenberg prevê petróleo em torno ou acima de US$ 100 até o fim de 2026.




IA PÕE TECHS SOB PRESSÃO – Em outra frente no exterior, o debate sobre os riscos da inteligência artificial ganhou força e derrubou ações de tecnologia em Nova York, nesta segunda-feira (leia mais abaixo).




… Investidores temem que uma desaceleração no desenvolvimento da IA possa atingir os investimentos em data centers, chips e equipamentos.




… Trump reagiu duramente aos alertas do CEO da Anthropic, Dario Amodei, apoiados por Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, e afirmou que frear o desenvolvimento da tecnologia beneficiaria a China. “Não matem a galinha dos ovos de ouro”, escreveu em sua rede social.




… Mais tarde, telefonou para o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e garantiu que “os robôs não vão dominar o mundo”.




… A discussão chegou ao Congresso. O presidente da Câmara, Mike Johnson, disse que a Casa Branca poderá reunir executivos das grandes empresas de IA ainda nesta semana ou no início da próxima, enquanto cresce a pressão por novas regras de segurança.




… Analistas do Charles Schwab dizem que o receio é de que a discussão reduza gastos que têm impulsionado o mercado e a economia americana.




… A China também entrou no debate e acusou os CEOs americanos de “espalhar medo” e estimular uma competição desleal, após Trump afirmar que uma desaceleração da inteligência artificial beneficiaria Pequim.




FED TEM APOSTA QUASE UNÂNIME – A disparada do petróleo aumentou ainda mais as apostas em alta dos juros pelo Fed na Superquarta e levou o rendimento dos Treasuries de 10 anos a superar 5% durante a sessão, pela primeira vez desde 2023.




… A probabilidade de uma elevação de 25 pontos-base chegou a 90,3%, ante 85,6% na sexta-feira, enquanto a chance de manutenção dos juros caiu para 9,7%. O cenário de maior aversão ao risco e a perspectiva de juros mais altos também fortaleceram o dólar.




… O movimento reforça a expectativa de uma semana de aperto monetário global. O BCE já elevou os juros na semana passada, o Banco do Japão deverá fazer o mesmo na sexta-feira e o Banco da Inglaterra decide na quinta, embora a expectativa seja de manutenção.




… Na Europa, dirigentes do BCE continuam alertando para os efeitos do choque de energia.




… Peter Kazimír alertou para o risco de contaminar expectativas de inflação, salários e preços, afirmando que o BCE não hesitará em voltar a elevar os juros se os dados exigirem. Isabel Schnabel também manifestou preocupação com a persistência da alta da energia.




COPOM NA CONTRAMÃO – No Brasil, o Copom deve ir na direção oposta à dos principais bancos centrais, com mais um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic nesta Superquarta, para 13,75% ao ano, expectativa amplamente majoritária.




… Com o Fed aumentando os juros e o Copom reduzindo a Selic, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos se estreita pelas duas pontas, tornando o carry trade menos atrativo e podendo aumentar a pressão sobre o real.




… Nesta segunda-feira, o dólar já bateu R$ 5,18.




… Ao Broadcast, Guilherme Casagrande, da Manchester Investimentos, comentou que o diferencial de juros ainda é alto e ajuda a sustentar o real, que também vem sendo beneficiado pelo “otimismo eleitoral”.




… Ele avaliou, no entanto, que, quando a poeira política baixar, o diferencial voltará a ser um dos principais fatores na formação do câmbio.




… Apesar disso, Bank of America e HSBC revisaram as suas projeções para a Selic no fim do ano, apostando na continuidade do ciclo de “calibração” nos próximos meses (leia mais abaixo).




AGENDA – As vendas no varejo de julho são o principal indicador do dia no Brasil. O IBGE divulga os números às 9h, com a mediana de queda de 0,3% no varejo restrito, em intervalo de -0,8% a +0,3%, e alta de 0,9% no ampliado, com estimativas de -0,1% a +2,4% (Broadcast).




… Lá fora, a Alemanha divulga o índice ZEW de setembro (6h) e os Estados Unidos, o Empire State de atividade industrial de setembro (9h30).




CHINA HOJE – A produção industrial subiu 5,2% em agosto, na comparação com igual período do ano passado. O resultado representou aceleração em relação a julho, quando a expansão foi de 4,5%, e superou a aposta de 4,9%.




… As vendas no varejo chinês tiveram alta de 0,4%, abaixo de julho (0,6%) e do consenso de 0,7%.




BDM LIVE – A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, conversa hoje, ao meio-dia, com os jornalistas Rosa Riscala e Téo Takar sobre as expectativas para a decisão da Selic amanhã. Assista em https://tinyurl.com/2pjkuf2r.




QUEM DÁ MENOS? – Na contagem regressiva para o Copom, dois grandes bancos (BofA e HSBC) cortaram ontem a projeção da Selic no fim do ano, de 13,75% para 13,25%. Ou seja, não esperam que o ajuste de amanhã seja o último.




… Tanto uma como a outra instituição financeira citou a percepção de que a economia está esfriando mais rápido do que o esperado, agora que a eficácia da política monetária finalmente se percebe de forma mais explícita.




… Para o HSBC, as dinâmicas de demanda doméstica mais fracas, particularmente via mercados de crédito, devem pesar cada vez mais sobre o crescimento e dar espaço para o BC relaxar também em novembro e dezembro.




… Na visão do BofA, inflação em queda e crédito mais fraco apontam para uma desaceleração mais acentuada à frente e abrem caminho para a extensão do afrouxamento monetário, mesmo com riscos fiscais e externos.




… Por outro lado, segundo relatório do banco, os principais riscos para as estimativas são a combinação das políticas do próximo governo e um real mais fraco, caso os BCs de mercados desenvolvidos fiquem mais restritivos.




… O BofA reduziu a estimativa para o PIB deste ano de 2,3% para 1,8%, e de 2027, de 1,3% para 0,9%.




… A economista-chefe da 4Intelligence, Thaís Zara, avalia que a conjuntura econômica mantém o espaço para o Copom progredir na calibração da taxa de juros e repetir a comunicação de deixar os próximos passos em aberto.




… Apesar da liberdade de ação, ela não tem segurança sobre novos cortes, diante do ambiente “bastante incerto e volátil”, mencionando especificamente o petróleo, o movimentos dos grandes BCs e o cenário eleitoral doméstico.




… Disputada voto a voto, a eleição será de 51% a 49%, “só não sabemos para quem”, afirmou ontem o chairman e sócio-fundador do BTG Pactual, André Esteves, durante participação em evento, dando a medida da alta incerteza.




… Entre os traders, a curva a termo mostra que é praticamente certo um corte da Selic amanhã, mas novembro ainda revela uma divisão, com 60% das apostas para manutenção e 40% para um relaxamento monetário adicional.




… Os juros futuros, como o dólar, começaram mal o dia nesta segunda-feira, com o petróleo explodindo e a taxa da Note de dez anos rompendo 5%, mas dissiparam parte da pressão à tarde, coincidindo com a melhora externa.




… O mercado está cansado de embarcar na ilusão do fim da guerra, mas os relatos de progresso na diplomacia para acabar com o conflito entre os Estados Unidos e o Irã foram usados como pretexto para reduzir o nível de estresse.




… As taxas da curva do DI fecharam longe das máximas e o dólar desacelerou o fôlego de alta, seguindo à risca a perda de parte do impulso pelo petróleo, apesar de o Irã ter desmentido que esteja com pressa de fechar um acordo.




SESSÃO PIPOCA – Apesar de os negócios domésticos terem parado de piorar à tarde, qualquer recuperação maior foi sabotada pelo suspense com a incerteza política e institucional, antes da sessão do STF, que será exibida ao vivo.




… Com o Supremo no radar, o trade eleitoral ficou em segundo plano ontem. O contrato de juro para Jan/28 subiu a 13,665% (de 13,624%); Jan/29, a 13,915% (de 13,843%); Jan/31, 14,140% (14,051%); e Jan/33, 14,275% (14,166%).




… Só a ponta curta fechou estável, com a deflação mostrada pelo IPCA de agosto na última sexta-feira e a expectativa de corte de 0,25 pp da Selic amanhã. O DI para Jan/27 marcou 13,585% (de 13,583% no ajuste anterior).




… No câmbio, o dólar superou R$ 5,18 na máxima intraday, mas devolveu a cautela parcialmente e fechou abaixo de R$ 5,15. Desacelerou a alta para 0,44%, a R$ 5,1479, aproveitando que o petróleo reduziu a intensidade do rali.




… Quanto ao carry trade, que ainda segue vantajoso, os ventos devem começar a mudar mais expressivamente a partir de amanhã, com o aperto do Fed e o corte do Copom. É um driver extra que entra para a conta do real.




… O desfecho provável de alta do juro americano elevou o DXY (+0,27%), a 99,391 pontos, com o dólar derrubando o euro (-0,46%; US$ 1,1545), a libra (-0,16%; US$ 1,3497) e até o iene (-0,57%; 154,40/US$), apesar do BoJ que vem aí.




… Em relação ao BC inglês, é amplamente esperado que o BoE mantenha os juros na quinta-feira, mas o choque energético já leva o mercado financeiro a elevar as apostas em uma postura mais agressiva nos meses seguintes.




… Em relação ao BCE, que subiu o juro semana passada, não se descartam até duas altas adicionais.




… Segundo a Reuters, a dirigente do BC Europeu Isabel Schnabel manifestou preocupação com os recentes movimentos dos preços de energia provocados pelo conflito no Oriente Médio, mais persistentes que o esperado.




… O presidente do BC eslovaco, Peter Kazimír, afirmou que o BCE não hesitará em subir o juro de novo se preciso.




… Assustada com o salto do petróleo ontem para quase US$ 110, a taxa da Note de dez anos cruzou, pela primeira vez em três anos, a barreira dos 5% no pico de nervosismo. Chegou até 5,012%, mas fechou a 4,987% (de 4,974%).




… O juro do título do Tesouro de dois anos subiu para 4,655% (contra 4,627%), porque o Fed está com o dedo no gatilho para assumir uma abordagem conservadora amanhã, com este petróleo que dá arsenal à política hawkish.




… No contexto fiscal, Trump reafirmou nesta segunda-feira a sua promessa de pagar US$ 5 mil para quem votar nos republicanos nas eleições de meio de mandato e fez uma postagem com críticas ao controle da Inteligência Artificial.




… “Onde já se viu clamar por regulamentação que, se implementada com rigor, levará o setor à falência?”, indagou.




ROBÔ SELVAGEM – Trump também desqualificou os alertas da cúpula da IA (Anthropic, OpenAI, Microsoft e Tesla) sobre a urgência de colocar um freio no desenvolvimento da tecnologia para aperfeiçoar mecanismos de segurança.




… Na semana passada, a Anthropic informou que um de seus modelos de inteligência artificial foi utilizado indevidamente pelo Irã para selecionar navios de guerra norte-americanos como alvos de ataques.




… Ontem, as empresas de chips afundaram (Marvell, -7,32%; Micron, -5,25%; Intel, -5,59%; e Nvidia, -3,36%) e ajudaram o Nasdaq a cair 0,56%, a 26.186,41 pontos. O dia não foi pior, porque o petróleo se afastou das máximas.




… O Dow Jones limitou a queda a 0,29%, aos 52.421,17 pontos, e o S&P 500 perdeu 0,48%, aos 7.619,92 pontos.




… O Ibovespa foi mal e recuou 0,91%, aos 185.500,88 pontos, com giro de apenas R$ 17,1 bilhões, porque os desdobramentos da crise no STF podem ter reflexos na corrida ao Planalto e arriscam melar o trade eleitoral.




… Nem a Petrobras conseguiu faturar a alta do petróleo. ON caiu 0,48%, a R$ 54,26, e PN, -0,16%, a R$ 48,92. Mas o risk off ficou concentrado na Vale, que levou um tombo de 3,48%, a R$ 75,48, mais que o dobro do minério (-1,60%).




… Os bancos também caíram feio: BB ON puxou as baixas, com -1,65% (R$ 22,12). Bradesco PN recuou 1,40% (R$ 18,33); Itaú PN registrou perda de 0,89% (R$ 42,35); Santander unit, -0,82% (R$ 30,37); e BTG unit, -0,56% (R$ 60,48).




CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS assinou contrato com a Sempra para comprar 0,8 milhão de toneladas anuais de GNL por 20 anos, com fornecimento a partir de terminal no Texas…




… Petrobras pagará nesta terça-feira R$ 81,3 milhões em juros da 1ª e 2ª séries da 7ª emissão de debêntures.




VALE. MPF acionou a mineradora por extravasamento na mina de Viga (MG) e pediu bloqueio de R$ 200 milhões, auditoria independente e suspensão da transferência de direitos minerários.




TELEFÔNICA BRASIL pagará R$ 412,5 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,129083 por ação. Papéis ficam “ex” após 25/9 e pagamento será feito até abril de 2027.




MULTIPLAN pagará R$ 120 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,235598 por ação, em 21/9. Provento considera posição acionária de 26/9/2025.




DIRECIONAL fará emissão de R$ 500 milhões em debêntures, em até três séries. Recursos serão destinados à aquisição de terrenos e construção de empreendimentos.




AVIBRAS. Superintendência-Geral do Cade recomendou aprovação sem restrições da compra da maior indústria de defesa do Brasil pela Globe, veículo de investimentos dos irmãos Joesley e Wesley Batista.




KEPLER WEBER. Citi manteve venda e preço-alvo de R$ 5,60 e cortou em 12% a estimativa de lucro para 2027, para R$ 85 milhões, diante de perspectiva ainda frágil para receitas e margens.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Mario Mesquita

 O governo quer trocar o teto cumulativo de emissões externas (US$100 bi, já quase esgotado) por um limite anual automático de US$35 bilhões — quase 8x a média histórica de emissões desde 2002 (US$4,3 bi/ano) e quase 3x o recorde anual (US$12,5 bi, em 2005) – esse limite foi estabelecido pelo Senado, ao qual cabe disciplinar a matéria. Considero a alteração do limite uma ideia perigosa, pois arrisca reverter uma das maiores conquistas da política econômica brasileira das últimas décadas: a posição líquida credora em dólares do Estado, que tem permitido a implementação de medidas anticíclicas por ocasião das crises globais, como em 2009 e 2020. Avalio que, em vez de aceitar a proposta, o Senado deveria endurecer os critérios de aprovação (por exemplo, requerendo quórum qualificado), e que a verdadeira solução para o desafio do financiamento do governo estaria na adoção de uma combinação mais racional de políticas fiscal e monetária.

Roberto Teixeira da Costa

 


CVM: 50 ANOS E UM RETRATO DA FALÊNCIA INSTITUCIONAL


Roberto Teixeira da Costa, primeiro presidente da CVM, resumiu com precisão o caso Banco Master: Daniel Vorcaro fez um “strip-tease da realidade brasileira”. Expôs como o dinheiro pode comprar influência, contornar controles e explorar a lentidão das instituições.

Um processo sobre fraude em fundo imobiliário, iniciado em 2020, levou aproximadamente seis anos para ser julgado pela CVM. Quando a punição chega depois de o dinheiro desaparecer e os investidores acumularem prejuízos, o regulador deixa de prevenir e passa apenas a emitir o atestado de óbito.

O Brasil já havia assistido ao ensaio-geral com Eike Batista, símbolo do capitalismo de compadrio da ClePTocracia 2.0. A CVM o condenou por uso de informação privilegiada e manipulação de preços, com multas superiores a R$ 500 milhões e inabilitação temporária. Mas multa administrativa não significa ressarcimento dos minoritários. O infrator discute recursos; o investidor permanece com o prejuízo.

Com o Banco Master, chegamos à ClePTocracia 3.0: ativos sobreavaliados, liquidez artificial, créditos sem lastro, investidores induzidos ao erro, recursos de banco estatal colocados em risco e impacto superior a R$ 50 bilhões sobre o Fundo Garantidor de Créditos. Quando as instituições reagiram, o prejuízo já estava socializado.

Existe ainda uma dimensão política que não pode ficar fora da história. Em 2023, Ricardo Lewandowski suspendeu monocraticamente restrições da Lei das Estatais às indicações políticas. O plenário posteriormente restabeleceu as regras, mas preservou as nomeações feitas durante a liminar. Após deixar o STF, o escritório ligado a Lewandowski prestou consultoria jurídica ao Banco Master e recebeu aproximadamente R$ 5 milhões. Sua assessoria afirma que os serviços foram regulares e que ele se afastou dos casos ao assumir o Ministério da Justiça. Isso não prova ilegalidade, mas exige transparência e apuração independente.

Enquanto isso, parte da imprensa apresenta cada revelação como episódio isolado. Não conecta decisões judiciais, indicações políticas, contratos privados, falhas regulatórias e prejuízos públicos. Funciona como mídia-papagaio: repete a versão oficial mais conveniente ao governo Lula, mas raramente reconstrói a história completa.

Minha conclusão é direta: a CVM tornou-se um caso de falência institucional. Um regulador que demora anos para decidir, não impede a repetição dos golpes e não assegura reparação às vítimas não protege o mercado — apenas documenta seus fracassos.

A festa somente acabará quando houver fiscalização preventiva, punição rápida, recuperação dos ativos e responsabilização de todos os integrantes das redes de influência — independentemente do sobrenome, do cargo ou da proximidade com o poder.

Sem isso, o próximo Vorcaro já está montando sua mesa.

OESP e Alexandre Shwartzman

Minha opinião O artigo de opinião do Estadão de hoje, domingo, 13/09/2026, a dois dias da sessão que definirá não o destino de Xandão mas s...