quarta-feira, 22 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,6% US tech -0,4% US semis +0,5% UEM -0,9% Espanha -0,6% VIX 19,5% Bund 3,01% T-Note 4,28% Spread 2A-10A USA=+51pb B10A: ESP 3,46% PT 3,45% FRA 3,67% ITA 3,44% Euribor 12m 2,70% (fut. 2,72%) USD 1,175 JPY 187,1 Ouro 4.766$ Brent 97,3$ WTI 88,3$ Bitcoin +3,0% (78.045$) Ether +3,1% (2.390$).


SESSÃO: Os futuros de WS avaliam em positivo (+0,6% Nova Iorque; +0,8% tecnologia) após Trump anunciar que prolonga o cessar-fogo no Irão de forma indefinida, embora sem confirmação por parte de Teerão. O problema é que o Estreito de Ormuz, que é o principal foco de risco, continua fechado, por isso, o preço do petróleo ainda está perto do nível psicológico de 100 $/barril e as obrigações não terminam de relaxar-se (yield do Bund alemão perto de 3,0%). As bolsas asiáticas consolidam posições após o rally de abril e o tom na Europa é mais cauteloso do que em WS. 

Ontem, a mensagem de Kevin Warsh perante o Senado bancário dos EUA foi bastante hawkisk/dura, defendendo a independência da Fed em relação à Casa Branca. Na frente empresarial, a maioria das empresas supera as expetativas (Halliburton, RTX, Unitated Health…). ASMI publicou, ontem após o fecho, resultado sólidos e o ADR avança +3,5%. Hoje será a vez de, entre outras, L’Oreal, mas a chave está nos EUA. No fecho, publicação de LAM Research e Tesla. Os seus resultados, principalmente os de LAM, servirão para testar a tecnologia antes de se conhecer os resultados das grandes do setor, na próxima semana.

Em suma, a tendência do mercado é positiva, com a tecnologia a atuar como principal apoio do mercado apesar do risco geopolítico.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Quarta Feira,22 de Abril

De 2.026.


*Extensão do cessar-fogo alivia, mas não resolve*


EUA não retiram bloqueio naval e Teerã recusa nova rodada no Paquistão


… O mercado inicia esta quarta-feira após uma sessão negativa em Nova York no feriado, com os ativos reagindo bem à trégua estendida por Donald Trump. Mas sem uma retirada do bloqueio naval e diante da decisão de Teerã de não comparecer à rodada no Paquistão, a percepção é de que o conflito segue sem solução. Mais cedo ou mais tarde, a falta de um acordo à vista pode recobrar a cautela nos negócios globais, em um cenário de menor visibilidade e maior sensibilidade dos investidores a novos desdobramentos, na agonia estendida da guerra que não acaba.


TRÉGUA SEM ACORDO – As negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã chegaram a um impasse nesta terça-feira, com a decisão do Irã de se recusar a comparecer ao Paquistão para uma nova rodada de negociações, prevista para hoje.


… Donald Trump esperou até o último minuto, mas acabou adiando a viagem planejada do vice-presidente JD Vance a Islamabad, ao mesmo tempo que anunciou a prorrogação do cessar-fogo “até que as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra”.


… “Considerando que o governo do Irã está fragmentado, e a pedido do Marechal de Campo Asim Munir e do Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes apresentem uma proposta unificada.”


… Mas o presidente manteve o bloqueio naval, ordenando às Forças Armadas que permaneçam “prontas e aptas em todos os demais aspectos”.


… O gesto reforça o tom ambíguo de Washington: estende a trégua, mas preserva os instrumentos de pressão — o que dificulta qualquer avanço concreto nas negociações.


… Também o Irã dá sinais de que não pretende ceder.


… A jornalistas na ONU, o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, disse que os Estados Unidos iniciaram a guerra. “Se quiserem voltar à mesa de negociações para uma solução política, vão encontrar o Irã pronto. Se quiserem guerra, também estaremos prontos.”


… Trump havia estabelecido um prazo final na noite de hoje para o cessar-fogo de duas semanas com o Irã e, apesar das ameaças de novos ataques, o adiamento representa mais um obstáculo para seus esforços de chegar a um acordo com Teerã — e prolonga o ambiente de incerteza.


… O conflito, que já dura oito semanas, matou milhares de pessoas e desencadeou uma crise energética global, com impactos diretos sobre inflação e crescimento nas principais economias.


… Trump enfrenta pressão interna para encerrar a guerra, com pesquisas mostrando que a maioria dos americanos desaprova a campanha, uma oposição ampliada pelos efeitos do conflito sobre os preços dos combustíveis e o custo de vida.


… O presidente procura acalmar essas preocupações, insistindo que os preços cairão rapidamente assim que a guerra terminar. Analistas, no entanto, apontam que a situação tende a se deteriorar quanto mais tempo um acordo permanecer indefinido.


… Na Bloomberg, Frederic Lasserre, chefe de análise da trading Gunvor Group, afirmou que, se a guerra persistir por mais um mês, os mercados de petróleo podem entrar em um cenário de forte escassez de oferta, com estoques pressionados.


… Mais cedo, o Irã afirmou que não “aceitará negociações sob a sombra de ameaças” e que quaisquer conversas exigiriam uma mudança na posição dos Estados Unidos, que ameaçaram retomar os combates e impor novas sanções caso não se chegue a um acordo.


… Para retomar as discussões, Teerã exige que Washington suspenda o bloqueio naval aos portos iranianos, que considera um “ato de guerra” e uma “violação do cessar-fogo”. Apesar de ter estendido a trégua, Trump manteve as forças americanas no Estreito.


… Além do Estreito de Ormuz, outra questão sem consenso é o programa nuclear iraniano.


… Os Estados Unidos exigem que o Irã abandone suas ambições de desenvolver armas nucleares e entregue seus estoques de urânio enriquecido. Teerã resiste e afirma que seu programa tem fins pacíficos.


ISRAEL X LÍBANO – A escalada no Oriente Médio também ganhou novos contornos nesta terça-feira, com Israel acusando o Hezbollah de uma “violação flagrante do cessar-fogo” no sul do Líbano, em mais um foco de tensão paralelo ao impasse entre Estados Unidos e Irã.


… Segundo as Forças Armadas de Israel, o grupo militante libanês lançou diversos mísseis contra militares israelenses posicionados na chamada linha de defesa avançada, implementada no sul do território libanês.


… Em resposta, Israel afirmou ter atacado o lançador de onde partiram os foguetes, reforçando o risco de reativação de um segundo front.


… Apesar do aumento das tensões, há uma tentativa de preservar o canal diplomático.


… A próxima rodada de negociações entre Israel e Líbano foi marcada para amanhã, quinta-feira (23), em Washington, com mediação do governo americano, segundo fontes ouvidas pela Reuters.


… O encontro deve reunir embaixadores dos dois países no Departamento de Estado, em mais um esforço para evitar uma escalada mais ampla.


… Em comunicado, o Líbano afirmou que o país optou pela negociação, em vez da continuidade da guerra, manifestando esperança de preservar a estabilidade interna. O ex-embaixador nos Estados Unidos Simon Karam foi nomeado para liderar as negociações bilaterais com Israel.


O SUBSTITUTO DE POWELL – Indicado à presidência do Fed, Kevin Warsh evitou cravar qualquer trajetória para os juros e adotou um tom cauteloso ao ser sabatinado no Senado americano, nesta terça-feira, reforçando a incerteza sobre os próximos passos do Fomc.


… “A política monetária opera com defasagens. O Fed terá que se empenhar bastante nas próximas reuniões”, afirmou, ao destacar ceticismo em relação ao forward guidance — indicando que a condução dos juros deve seguir dependente dos dados.


… Warsh também minimizou a pressão de Donald Trump por cortes de juros, afirmando que presidentes costumam defender políticas mais frouxas — ainda que o republicano seja mais vocal nesse sentido.


… No campo macro, o indicado demonstrou visão mais benigna para a inflação, dizendo não acreditar que as tarifas sejam responsáveis por pressões persistentes e avaliando que a tendência inflacionária é “favorável”.


… Para ele, o foco deve estar na inflação subjacente, ainda que reconheça limitações nos dados atuais e uma janela cada vez mais estreita para trazer os preços de volta à meta de 2%.


… Warsh também defendeu uma revisão estrutural no Fed, com melhorias nos sistemas de dados e adaptação dos modelos econômicos aos impactos da inteligência artificial sobre produtividade e mercado de trabalho.


… Questionado sobre independência, afirmou que nunca foi pressionado por Trump a se comprometer com decisões de juros e garantiu que manterá a política fora do banco central. Ainda assim, a confirmação do nome enfrenta ruídos políticos.


… O senador republicano Thom Tillis reiterou que não deve apoiar Warsh enquanto durar a investigação contra Jerome Powell [sobre os gastos na reforma da sede do Fed], o que pode atrasar a sucessão de Jerome Powell com maioria apertada no Comitê Bancário.


AGENDA –O foco se desloca para a agenda internacional nesta quarta-feira, com o petróleo no centro das atenções, após a piora geopolítica, além de dados de inflação no Reino Unido e falas de dirigentes do Banco Central Europeu.


… No Reino Unido, o CPI de março sai de madrugada, enquanto, na Turquia, a decisão de política monetária será divulgada às 8h.


… Na Europa, às 11h, a Comissão Europeia publica a prévia da confiança do consumidor de abril, e, nos Estados Unidos, os estoques semanais de petróleo serão divulgados às 11h30, em um dado que ganha ainda mais relevância diante da volatilidade recente da commodity.


… No período da tarde, às 14h30, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de evento em Londres, e à noite, às 21h30, o Japão divulga a prévia do PMI composto de abril, encerrando o dia com um termômetro da atividade global.


… No Brasil, a agenda segue mais leve, com o fluxo cambial semanal do Banco Central às 14h30 e a balança comercial do MDIC às 15h.


ESCALA 6×1 – A Câmara deve avançar na discussão sobre o fim da escala 6×1, com a votação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) prevista para esta quarta-feira, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta.


… O deputado afirmou que, por ora, não indicará relator para o projeto de lei enviado pelo governo sobre o tema, reforçando a opção por conduzir o debate via proposta de emenda constitucional – embora tenha tentado afastar ruídos com o Executivo.


… A definição sobre relatoria e presidência da comissão especial que analisará o tema deve ocorrer apenas após a aprovação na CCJ.


… Segundo ele, o cronograma prevê votação final entre o fim de maio e o início de junho, em um processo que deve ser conduzido “sem atropelos”, apesar da expectativa favorável à redução da jornada de trabalho entre parlamentares.


MINERAIS CRÍTICOS – Também nesta quarta-feira, o marco regulatório dos minerais críticos entra na pauta da Câmara, com o projeto que institui a Política Nacional do setor previsto para votação.


… Relator da proposta, o deputado Arnaldo Jardim afirmou que apresentará seu parecer mesmo sem o retorno formal do governo, que não encaminhou um texto próprio, optando por contribuir com ajustes durante a tramitação.


… O tema ganhou força após a recente movimentação no setor, com a compra da mineradora brasileira Serra Verde pela americana USA Rare Earth — única produtora em larga escala fora da Ásia.


… As chamadas terras raras, grupo de 17 elementos essenciais para tecnologias como carros elétricos, smartphones e sistemas militares, estão no centro da disputa estratégica global por cadeias de suprimento.


… Entre os pontos de tensão no debate está a proposta de criação da Terrabras, estatal voltada ao desenvolvimento da cadeia de minerais críticos, defendida por parte do governo, mas ainda com resistência relevante no Congresso.


REAÇÃO COM DELAY – O anúncio de prorrogação do cessar-fogo saiu minutos depois do fechamento em Nova York, que passou o dia repercutindo o impasse nas negociações, com efeito sobre os ativos brasileiros no feriado por aqui.


… Principal ETF das ações domésticas negociadas em Nova York, o EWZ fechou em baixa de 1,22%, a US$ 40,80.


… Em meio às dúvidas sobre avanço nas negociações entre o Irã e os Estados Unidos, o ADR da Vale caiu 2,10%, para US$ 17,45; o do Bradesco perdeu 2,86%, negociado a US$ 4,07, e o do Santander Brasil, -2,76%, a US$ 12,33.


… Na direção contrária, Petrobras colou na alta firme do petróleo, que seguiu perto dos US$ 100. O ADR da estatal petrolífera equivalente à ação PN subiu 2,01% (US$ 19,26) e o correspondente à ON ganhou 1,99% (US$ 21,16).


… Durante todo o dia, prevaleceu o clima de cautela com o prazo do fim da trégua prestes a expirar. Preocuparam os relatos na imprensa de que JD Vance havia adiado a sai viagem a Islamabad para discutir o fim da guerra.


… Além disso, o Paquistão informou que ainda não havia recebido confirmação de que o Irã participaria de  negociações de paz de última hora, após forças americanas abordarem um navio-tanque iraniano em alto-mar.


… Sob a pressão das incertezas, o barril do Brent para junho avançou 3,14% e fechou valendo US$ 98,48.


… A permanência das cotações do petróleo no high, com potencial efeito inflacionário, provocou tensão nos juros dos Treasuries e limitou o apetite por ativos de riscos, despertando vendas nas bolsas norte-americanas.


… Pelo segundo dia seguido, após os picos históricos recentes, houve espaço de correção para o S&P 500, em queda de 0,63%, a 7.064,01 pontos, e o Nasdaq (-0,59%, a 24.259,96 pontos). O Dow Jones caiu 0,59%, a 49.149,38 pontos.


… A taxa da Note de 2 anos subiu a 3,801%, contra 3,724% na véspera, e a de 10 anos avançou a 4,311% (de 4,256%).


… O índice DXY pegou carona no movimento e fechou em alta de 0,30%, a 98,394 pontos. A moeda norte-americana se deu melhor do que seus três principais rivais: euro (US$ 1,1733), libra (US$ 1,3488) e iene (159,54 por dólar).


NÃO SE EXPÔS – O mercado doméstico fica devendo o ajuste às novidades desta terça-feira, após ter evitado exposição antes do feriado de Tiradentes. O Ibovespa limitou a alta na segunda-feira a 0,20%, a 196.132,06 pontos.


… No pregão esvaziado, o volume de negócios foi mais fraco do que o usual, terminando em R$ 22,5 bilhões.


… O último pregão terminou com alta consistente dos papéis da Petrobras (ON +1,83%, a R$ 51,74; e PN +1,73%, a R$ 47,02), refletindo o petróleo, que já operava as incertezas sobre possíveis novas negociações diplomáticas.


… Vale recuou 1,14% (R$ 88,73), na contramão do minério (+1,16%), ao passo que os principais bancos fecharam majoritariamente em queda: Bradesco PN -1,08% (R$ 21,03), Itaú PN -0,92% (R$ 46,37), BB -0,49% (R$ 24,28).


… A forte alta do petróleo na segunda-feira ajudou a fortalecer as divisas de países produtores da commodity, como o real brasileiro, e levou o dólar a fechar em leve baixa de 0,18% e se manter abaixo de R$ 5, cotado a R$ 4,9742.


… Reportagem veiculada ontem pelo Valor informa que nem mesmo a incerteza elevada do conflito no Oriente Médio freou o processo de diversificação de portfólios que tem beneficiado o real como alternativa aos EUA.


… Os fundos locais elevaram a exposição à moeda brasileira ao maior nível desde o início de 2024.


… Segundo informações de operadores de câmbio baseados em dados da B3, a posição de investidores institucionais comprada em real ultrapassou a barreira de US$ 12 bilhões nos últimos dias, contra US$ 4,6 bilhões no início do ano.


… Apesar do câmbio comportado, os juros futuros curtos subiram, pressionados pelo petróleo e pela nova piora nas projeções de inflação do boletim Focus para este ano (de 4,71% para 4,80%) e o próximo (de 3,91% para 3,99%).


… A deterioração veio acompanhada de alta na previsão de Selic este ano (de 12,5% para 13%) e em 2027 (de 10,5% para 11%). Cálculos feitos pelo Broadcast com base no Focus indicam IPCA fora da meta por nove meses.


… De acordo com os números analisados, a inflação acumulada em 12 meses (meta contínua) deve permanecer acima do limite de 4,50% entre junho de 2026 e fevereiro de 2027. Com isso, o BC voltaria a descumprir o alvo.


… Antes de sair para o feriado, o DI para janeiro de 2027 subiu 13,910% (de 13,882% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,285% (13,244%); e Jan/29, a 13,150% (13,141%). Jan/31 caiu a 13,240% (13,294%); e Jan/33, 13,360% (13,414%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – BRASKEM disse no 20-F que há dúvida sobre continuidade operacional, citando ciclo petroquímico fraco e endividamento. No Valor, empresa não deve escapar de pedido de recuperação extrajudicial.


BRB fechou acordo para vender R$ 15 bilhões em ativos do Master para a Quadra Capital, gestora de recursos independente, fundada em 2016, em São Paulo, por Nilto Calixto, ex-Credit Suisse…


… A carteira do BRB que faz parte da transação fechada com a Quadra inclui créditos a pessoas físicas e jurídicas herdados da Credcesta e participações societárias em empresas como Oncoclínicas e Ambipar, apurou o Valor…


… Mesmo após o acordo, o BRB ainda precisará de um aporte do governo do DF para reequilibrar as contas. O banco realiza assembleia de acionistas hoje para votar um plano de socorro que prevê aporte adicional de R$ 8,86 bilhões.


C6. Moody’s atribuiu rating Ba3 à emissão de notas seniores.


COPASA disse à CVM que decisão do TCE-MG não proíbe oferta de ações, que possibilitará privatização.


AEGEA. S&P rebaixou rating de B+ para B, com perspectiva negativa.


BRAVA ENERGIA pagará R$ 57,4 milhões em dividendos (R$ 0,1236 por ação) em 1º de maio.


TOTVS informou que a eleição do conselho de administração, em AGO de 24/04, poderá ocorrer por voto múltiplo, após pedido de acionistas com mais de 5% do capital…


… Companhia informou ainda que a BlackRock passou a deter 10,010% do total do seu capital social.


MILLS alterou valor por ação de dividendo de R$ 150 milhões anunciado em dezembro para R$ 0,65959/ação, contra de R$ 06173 anteriormente; pagamento será dia 30.


APPLE nomeou John Ternus como CEO, substituindo Tim Cook, que se tornará presidente do conselho a partir de 1º de setembro.


terça-feira, 21 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,2% US tech -0,2% US semis +0,5% UEM -1,2% Espanha -1,2% VIX 18,9% Bund 2,98% T-Note 4,25% Spread 2A-10A USA=+52pb B10A: ESP 3,42% PT 3,36% FRA 3,61% ITA 3,72% Euribor 12m 2,68% USD 1,179 JPY 187,2 Ouro 4.821$ Brent 95,5$ WTI 89,6$ Bitcoin -1,4% (76.316$) Ether -3,7% (2.338$).


SESSÃO: Mantém-se o otimismo em relação a um ponto final do conflito no Irão, apesar do novo encerramento do Estreito de Ormuz durante o fim de semana e a incerteza se o Irão irá comparecer hoje à nova ronda de negociações no Paquistão. Por isso, as bolsas ontem nem corrigiram a subida de sexta-feira (EUA -0,2% ontem vs. +1,2% sexta-feira; e Europa -1,2% vs. +2,3%) e os futuros aponta hoje para subidas moderadas (+0,5%). Damos praticamente por garantido que as negociações entre os EUA e o Irão continuarão, já que ambas as partes estão interessadas em chegar a um acordo, e apesar de Trump o considerar “improvável”, poderão decidir, pelo menos, prolongar o cessar-fogo. Não seria a primeira vez que Trump recua…


Isto permitirá manter o prémio de risco “sob controlo” e estar atento aos fundamentos que continuam a ser positivos. O mais importante hoje no plano convencional será a comparência de K. Warsh, candidato a presidir a Fed, que defenderá a sua candidatura perante a Comissão Bancária do Senado num tom provavelmente um pouco dovish (suave). Por outro lado, na frente empresarial, a temporada de resultados vai ganhando tração. À primeira hora, conhecemos as vendas de Thales, que batem estimativas, e resultados de Enagas, em linha com o esperado no 1T e em guias.


Em suma, sessão de ligeiras subidas perante a expetativa de um possível acordo hoje entre os EUA e o Irão, pelo menos para prolongar o “cessar-fogo”, com Warsh a descartar, provavelmente, o cenário de subidas de taxas de juros nos EUA e perante uma temporada de resultados “prometedora”, com subidas esperadas de EPS de +14% nos EUA.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Um tapa na cara

 Era uma vez mais do mesmo, para sempre.


Os identitários estão a cancelar a identidade da literatura, até ontem o mais complexo e fascinante registro da natureza humana.


Paulo Nogueira (cujo último livro é O cancelamento do Ocidente) para o Observador:


Ana Maria Gonçalves tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL), celebrada como a primeira negra eleita para a instituição. Na solenidade, ela explicou que “fala pretuguês” e escreve “a partir de noções de oralitura e escrevivência”. O segundo candidato mais votado foi a ativista indígena Eliane Potiguara – não perde pela demora, até porque a vencedora prometeu fazer a ABL avançar “naquilo que sempre critiquei: a falta de diversidade”. É a chamada “discriminação positiva” (no mundo do identitarismo, os oxímoros são fofinhos).


Mas há homogeneidade no nível literário da ABL, que é escasso. Inspirada na Academia Francesa de Letras (incluindo a suntuosa “farda” dos acadêmicos, que custa 10 mil euros), a versão brasuca foi fundada em 1897, no Rio de Janeiro, e presidida por Machado de Assis, até hoje o melhor ficcionista nacional. Gago, epiléptico e mulato, ele viveu 49 dos seus 69 anos num Brasil escravocrata, e escolheu para secretário da ABL o seu amigo do peito e abolicionista Joaquim Nabuco, que dirá de Machado: “Mulato? Só vi nele o grego”. Hoje Nabuco é que ver-se-ia grego por causa dessa opinião. (A Guerra e Paz publicou uma antologia de Machado sobre a escravidão – “Pai Contra Mãe” -, com prefácio meu.)


A ABL tem 40 membros – quando um bate a bota, é eleito um sucessor. Os académicos reúnem-se em saraus regados por um agradável chazinho. São admitidos convidados seletos, que talvez pousem nos anfitriões mais antediluvianos um olhar necrófilo. Ou talvez não, porque os académicos autointitulam-se “imortais”, e não com ironia machadiana. Quando perguntado se aquilo não era presunçoso, Machado negou: “O senhor não percebeu. Como escritores brasileiros, somos imortais porque não temos onde cair mortos”.


Hoje, com as ajudas de custo, os membros da ABL auferem 1500 euros mensais. OK, a questão da imortalidade artística é idiossincrática. Woody Allen, por exemplo, confessou: “Não quero ser imortal através da minha obra. Prefiro ser imortal não morrendo”.


Gonçalves é boa de votos: na votação de um jornal sobre as melhores ficções brasileiras deste século, um romance dela ficou em primeiro: “Um Defeito de Cor”, sobre africanos escravizados. Geovani Martins, também naquela rarefeita lista, concorda que “a linguagem oral está à frente da escrita, numa perspectiva afrocentrada”. Talvez tenham razão, embora, que eu saiba, desde a deriva dos continentes o Brasil não faz parte de África.


País independente há 204 anos, no Brasil trata-se ainda hoje de “descolonizar o cânone”, para incluir a inclusão. Certo: a matriz da literatura ocidental (as epopeias homéricas) brotou como narrativa oral, declamada por bardos itinerantes. E a própria poesia era cantada, ao som de uma harpinha – a lira, daí “lírica”. Porém, desde a invenção da escrita, há 5 mil anos, a literatura é sinónimo de texto, de prosa (ainda que Bob Dylan, autor de canções, abotoou-se com o Nobel de 2016). A própria ABL já elegeu Gilberto Gil, cantor e compositor – conquanto nunca tenha escrito uma narrativa de ficção, Gil é melhor ficcionista do que outro imortal, o arcano Paulo Coelho, o qual, em compensação, revelou que é capaz de levitar (mas só na vida real).


A criação literária não prospera numa estufa: é orgânica e histórica, e os autores refletem os respectivos vernáculos. Shakespeare inventou centenas de palavras que não existiam no Inglês da sua época, ainda hoje correntes, como lonely (solitário). E não por ativismo retórico, mas porque a complexidade da obra o exigia – quanto mais amplo o léxico, mais precisa e vívida será a representação verbal. E ninguém fala como escreve, com a eventual exceção dos analfabetos.


Agora, na terra natal do Bardo, universidades permitem aos alunos erros ortográficos, gramaticais e de pontuação. A Universidade de Hull (alma mater do grande Philip Larkin) alega: o que se julga “escrita correta” é só um produto eurocêntrico e elitista. O que conta é a forma espontânea como o aluno se expressa. No fundo, toda a forma de avaliação pedagógica é opressiva e autoritária.


Vivemos numa era em que a ideologia é a alma do negócio, pois tudo é política (sem deixar de ser negócio). O pânico moral contagia autores, editores, agentes, críticos e prémios literários – e quem paga a fava é o degraçado do leitor. As maiores editoras planetárias exigem que o escritor assine “cláusulas de moralidade”, com rescisão por sacrilégio narrativo. Uma cláusula do colosso Harper Collins autoriza-a a romper contratos se o autor “desrespeitar a moral pública”. O que Artaud ou Luiz Pacheco diriam disto? Nicles, pois não seriam publicados, mas arrolhados.


E floresce uma nova casta: a dos “leitores sensíveis”, que “compartilham uma identidade” com um personagem de ficção. Pagos a peso de ouro pelas editoras, esquadrinham à lupa se um manuscrito ofenderá o leitor incauto. É o dogma essencialista de que todas as pessoas da mesma identidade (digamos, amarelos ou lingrinhas) pensam, agem e sentem em uníssono, e que há maneiras “autênticas” e “espúrias” de ser-se amarelo ou lingrinhas. Esses agrimensores ideológicos passam a pente fino nichos tão específicos quanto obesidade ou cultura aborígene. Sem falar no alfabeto LGBTQUIA2+, que nesta altura do campeonato já deu duas voltas ao abecedário.


Como cá se faz, cá se paga, canceladores são cancelados por pares ainda mais sectários. Em 2020, a Penguin publicaria o romance da sino-americana Amélie Zhao, Blood Heir. Antes do lançamento, as redes sociais passaram-se: a trama desenrolava-se num reino imaginário onde a opressão não se baseava na cor da pele. Zhao capitulou, e expiou online a “dor” que a sua prosa inédita infligira a “leitores” que nunca tinham visto a obra mais gorda – lembrando, involuntariamente, Oscar Wilde: “Jamais leio os livros que vou criticar, para não sofrer a sua influência”.


Depois, Kosoko Jackson (negro e gay) autocancelou o seu romance de estreia, “A Place for Wolfes”, pelo ultraje de incluir um vilão muçulmano. Jackson era “leitor sensível” das Big Five, as cinco maiores editoras em língua inglesa – e um dos inquisidores que vetaram o livro de Zhao. Adam Szetela (“That Book Is Dangerous!: How Moral Panic, Social Media, and the Culture Wars Are Remaking Publishing”) chama tal reciprocidade “pelotão de fuzilamento circular”. Já a estreia literária de Keira Drake, “The Continent”, e apesar da beatice identitária da autora, levou com o anátema pela blasfêmia de incluir um “salvador branco”. Branco, hoje, é uma palavra válida apenas em sentido pejorativo.


Os novos autores são arrumados em cubículos ideológicos cada vez mais claustrofóbicos. Um editor explicou a um promissor escritor gay que este precisava de “gayzar” o manuscrito, porém a resposta mortificou-o: “Mas eu já nasci fora do armário, e só quero escrever sobre zombies!” Bem, a ausência de zombies homoafetivos evidentemente é homofóbica.


Como a narrativa ficcional implica conflitos (ficção é fricção, e não rotina repetitiva), felizmente não faltam malfeitores: ocidentais cis, brancos, cristãos (se não for pedir muito, mortos no happy ending). Já o/a protagonista é sempre um fantoche do/a autor/a, de retidão marmórea e unidimensional, em vez das contradições humanas de luzes e sombras que, precisamente pela sua irredutível singularidade, alcançam ressonância universal. Resultado? Uma maçada: cartas marcadas, maniqueísmo simplório, imprevisibilidade nula. O assassino continua a ser mordomo, só que agora com a libré de um cis lívido.


Matilhas vociferantes exigiram que a Amazon removesse A Birthday Cake for George Washington, de Ramin Ganeshram, ilustrado por Vanessa Newton e editado por Andrea Pinkney. É que a obra “branqueia” a escravidão. E depois se Ganeshram é negra e recebeu sete prêmios da Sociedade de Jornalistas Profissionais? Newton, também negra, foi finalista do NAACP Image Award de Melhor Obra Literária para Crianças. Pinkney, outra negra, venceu o Coretta King Award, e lançou o primeiro selo de livros infantis afro-americanos da Disney. Suponho que no melhor pano caia a nódoa. Talvez fosse melhor reabilitar o critério do julgamento de Salem, EUA, em 1692, quando 200 pessoas (não só mulheres) foram acusadas de bruxaria: atirar o manuscrito à água, para ver se ele flutua. Se boiar, o autor não vendeu a sua alma. Se afundar…


O obscurantismo é retrospectivo. Em 2025, “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf, fez um século. Na edição comemorativa, a Penguin espetou o dedo nos nossos narizes: “Este romance reflete as mentalidades de sua época!” – como se uma das mais icónicas protagonistas do modernismo fosse uma espécie de Pocahontas. Implícita pulsa a ideia arrogante e obtusa de que, se escrevesse hoje, Woolf expressaria mantras iguais aos dos linchadores online. O próprio conceito de “clássico” (segundo Calvino, uma obra que a cada geração entrega uma mensagem novinha em folha) torna-se repulsivo.


Ficcionistas contemporâneos e os seus personagens contorcem-se de angústia sobre ser uma boa pessoa. Por “boa pessoa” não referem a alguém racional, como Platão; ou compassivo, como Agostinho; ou que considera os outros como fins em si mesmos e não como meios, como Kant; ou que saúda a peculiaridade alheia, como Montaigne.


Não: uma pessoa boa aflige-se 24/7 com o aquecimento global. Ela #acreditaemmulheres, incluindo aquelas que sofrem de problemas na próstata. Queria que Jerusalém tivesse o mesmo presidente de Câmara que Nova York. Reconhece os seus privilégios, pede desculpas de joelhos numa selfie, e promete “fazer a sua parte”. Sabe que é imperioso cancelar os reaças, embora não conheça nenhum (boas pessoas não convivem com a escória).


O autor porreiro não tem opiniões imprevisíveis, não tem amigos de quem discorde sobre nada relevante, não tem pontos de vista que não possam ser reciclados em slogans e estampados em T-shirts da Farfetch. Com tais credenciais, as maiores editoras capitalistas recebem os manuscritos deles de mãos em concha e lambem o chão que pisam.


Se nunca foi fácil escrever ficção que preste, para certos principiantes publicarem-na é hoje quimérico. A censura prescritiva – não só há coisas que não devem ser ditas, como há coisas têm que ser ditas — torna obrigatório tudo o que não é proibido. Há pouco, a Compact publicou o artigo The Vanishing White Male Writer, de Jacob Savage. Em 2012, a tradicional lista anual do “NY Times” de “ficção notável” ainda incluiu sete autores brancos com menos de 43 anos (idade limite para um millennial); em 2013, eram seis. Em 2021, já não havia nenhum escritor millennial branco do sexo masculino. Em 2023 e 2024 houve apenas um último moicano, respectivamente. No ano passado, nem sinal de jovens brancos nas listas das revistas The Atlantic, Vanity Fair e Vulture. A Esquire, destinada a millennials masculinos, selecionou 53 ficcionistas nas suas listas desde 2020 – apenas unzinho tinha aquilo que, no tempo da outra senhora, designava-se por tez de alabastro (mas se calhar era apenas albino).


Entre 2001 e 2011, seis rapazes brancos embolsaram o prêmio Young Lions da Biblioteca Pública de NY para ficção de estreia. Desde 2020, nenhum branco foi sequer indicado (de um total de 25 indicações). No mesmo período, dos 14 finalistas millennials do National Book Award, zero são brancos. A prestigiosa Wallace Stegner Fellowship, uma plataforma para jovens autores, atualmente não tem nenhum bolsista masculino branco (de 25 bolsistas de ficção desde 2020, só um pertencia àquela famigerada categoria). No final do ano passado, o New York Times publicou um texto sobre “o desaparecimento do homem literário” – o tom implícito era de desdém glacial, tipo “já vai tarde”. No século XXI, nenhum homem branco americano nascido depois de 1984 publicou um conto na New Yorker, celeiro da melhor prosa ficcional americana do século 20.


Não é só a nova patologia, que troca a misoginia pela misandria: é que os jovens ficcionistas brancos cis ficaram sem assunto. Afinal, que gajo terá a lata de abordar a sua masculinidade obviamente tóxica? Como notou o Nobel Kazuo Ishiguro, os novos autores são forçados à autocensura. A degenerarem em lemingues literários, precipitando-se em manada para o abismo do silêncio.


Como reza o título do romance de Ana Maria Gonçalves: sim, esses jovens malandros têm um defeito de cor. Se queriam ser ficcionistas no século 21, nasceram no corpo errado. Se calhar por justiça poética, na literatura atual a cor defeituosa mudou, assim como o género e a orientação sexual “problemáticos”. Nada como um dia depois do outro.


Há 24 anos, o afroamericano Percival Everett publicou o romance Erasure. O protagonista da sátira é um talentoso romancista negro que, para finalmente vender uns livritos, finge ser o estereótipo que o progressista branco faz de um minoria oprimida: um preto que só diz asneiras impublicáveis, oriundo de um lar desfeito por drogas e violência. Claro que nenhum autor branco teria descaramento para uma história assim. Os jovens autores brancos heteronormativos estão encarcerados no lado errado da história – até porque, vivos ou mortos, não existem Homens Brancos Bons. E a tal da liberdade de expressão é um luxo que as sociedades genuinamente democráticas não podem conceder-se.


Acontece que boa literatura não é sociologia: lida com indivíduos ímpares, caleidoscópicos e falíveis (é o erro que nos humaniza), e não conceitos genéricos e abstratos. O protagonista do grande romance sempre aprende uma lição, e ao terminar a história não é a mesma pessoa que nela entrou. Daí que a literatura ativista, preferindo a propaganda, simplifique paisagens morais complexas e se dirija aos leitores como se fossem pré-adolescentes. A indignação moral reduz-se a um onanismo emocional que nos assegura do nosso próprio heroísmo, juntamente com o do autor e o do protagonista.


Onde estão hoje os romances conservadores? Ou simplesmente aqueles que não tomam partido, em vez de recitar o decálogo formulaico? Que questionam premissas através do ambíguo e do matiz? Ainda há exceções, cada vez mais excepcionais. Eu consigo gostar de ficcionistas cujas convicções ideológicas não subscrevo, e não gostar de ficcionistas cujas políticas perfilho – porque a boa literatura jamais é mera propaganda, ou bula de medicamentos.


Nesta era de polarização centrífuga, as pessoas sentem-se cada vez mais desconfortáveis naquele deserto necessário chamado “o meio”, que Lionel Trilling descreveu como “o único lugar honesto para estar-se”. A última esperança é de que, mais tarde ou mais cedo, panfletos esquemáticos sempre ficam datados, rançosos. Hoje, nenhum leitor pega num romance do realismo socialista nem com alicates e uma mola no nariz.


Só esperemos que, quando a maré mudar, o Nobel de literatura já não seja atribuído exclusivamente à Inteligência Artificial.

Elio Gaspari

 Elio Gaspari


A terceira via existe?

Campo tem dois candidatos: Romeu Zema, o ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás


19/04/2026 03h30  Atualizado há 9 horas

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Tentar ler numa pesquisa de abril o comportamento do eleitorado em outubro é pouco mais que um exercício de quiromancia, sobretudo quando a Genial/Quaest registrou que há 62% de indecisos.


Há meses, todas as pesquisas trazem notícias ruins para Lula. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassou-o, (42% x 40%) dentro da margem de erro e em um cenário estimulado. O sabor amargo dessa pesquisa está na rejeição. Lula tem 55% e Flávio tem 52%, novamente dentro da margem de erro.

A terceira via tem dois candidatos: Romeu Zema, o ex-governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás. No cenário de uma disputa do segundo turno, Lula patina na faixa dos 40%, enquanto os dois têm leve viés de alta. Zema tem 36% e Caiado, 35%.

Não se pode cravar, mas a terceira via parece existir. Zema e Caiado vieram de governos bem avaliados. O mineiro com 47% e o goiano com 85%. Eles precisam pescar seus votos entre os indecisos e os 42% que estão com Flávio Bolsonaro. Como sua experiência administrativa, ele limitou-se à gestão de um sobrenome e de uma loja de chocolates. A campanha pode favorecê-los.


A ventania das campanhas eleitorais desarruma previsões baseadas só em pesquisas. A sabedoria convencional trabalha com a hipótese de um segundo turno entre Lula e Flávio, mas em 1989 aguardava-se um segundo turno entre Fernando Collor e Leonel Brizola. Em agosto, Lula tinha apenas 5% das preferências, com viés de queda. Em setembro, ele chegou a 16%, ultrapassando Brizola. Dois meses depois, Lula foi para o segundo turno, quando viria a ser batido por Fernando Collor.

(Naquela eleição, Ronaldo Caiado disputou pela primeira vez a Presidência e acabou em 10º lugar, com 0,72% dos votos).


Sidônio na frigideira

Assim como aconteceu com seu antecessor, os ventos da opinião pública sopram contra o Planalto e a responsabilidade é do ministro da Comunicação Social, o marqueteiro Sidônio Palmeira.

Pensando bem, é para isso que serve o ministro da Secom.


BC e o BRB

O Banco Central pode ter demorado para agir sobre o Master, ou não. Uma coisa é certa, o BC não agiu a tempo sobre o Banco Regional de Brasília, que funcionava como vaca leiteira de Daniel Vorcaro.

O presidente do BRB ao tempo de Vorcaro devia ter sido preso há mais de um ano.


Um canalha americano

Sai em setembro nos Estados Unidos “Canalha americano — A Jornada Sombria de Roy Cohn, de Joe McCarthy a Donald Trump”. Pelo autor, Kai Bird, e pelo personagem, tem tudo para ser um grande livro.


Bird escreveu a saga de Robert Oppenheimer que serviu de base para o filme sobre o pai da bomba atômica americana. Antes, ele havia escrito “The Chairman”, uma biografia de John McCloy (1895-1989), o filho de uma cabeleireira, que se tornou a encarnação do andar de cima dos EUA. Advogado e banqueiro, foi conselheiro de todos os presidentes de Franklin Roosevelt a Ronald Reagan. McCloy passou por Pindorama no final de fevereiro de 1964, defendendo os interesses da mineradora Hanna e esteve com o presidente João Goulart.

A jornada sombria de Roy Cohn começou em 1952. Como promotor, ele mandou para a cadeira elétrica um casal acusado de espionar para a União Soviética. Daí, tornou-se a alma danada das investigações do senador Joseph McCarthy (Na sua equipe estava o jovem Robert Kennedy).

Depois da ruína de McCarthy, Cohn submergiu, advogando em Nova York. Jogando pesado, com uma estampa amedrontadora, dada por um par de olhos azuis e uma enorme cicatriz no nariz, meteu-se em extorsões e acabou perdendo a licença para advogar. Entre seus clientes estavam mafiosos, padres e magnatas do mercado imobiliário. Entre eles, Donald Trump, que fez de Cohn uma espécie de tutor, com telefonemas diários. Trump agradou-o presenteando-o com uma abotoadura de brilhante da Bulgari (falsa).


Cohn morreu aos 59 anos, de câncer (segundo ele) e de complicações da Aids (segundo os prontuários médicos). A última pessoa com quem ele falou, ao telefone, foi Donald Trump.


Trump e os delinquentes

Donald Trump repete que muitos imigrantes sem papéis são delinquentes e devem ser deportados.

Tudo bem, mas o governo americano prendeu e soltou o doutor Alexandre Ramagem.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por ter se metido na armação do golpe de 2022/2023.


A encrenca do Judiciário

Noves fora as farofas, impropriedades e onipotências de alguns ministros do STF, talvez esta seja a hora de dar um freio de arrumação na magistratura.

Com a Constituição de 1988, perdeu-se a oportunidade de transformar o Supremo em Corte Constitucional. Isso se deveu inclusive ao interesse de alguns ministros que, com a mudança, perderiam poder. Resultado: o Supremo virou uma quarta instância, recebendo litígios triviais e acumulando superpoderes que deram no que deu.

Uma série de circunstâncias e ambições levaram o STF para o centro do palco, um problema inédito e desnecessário.

O Supremo é o topo de uma pirâmide mal ajambrada. Nenhuma magistratura funciona direito com 80 milhões de processos tramitando e com 35 milhões de novos casos a cada ano. Daí advém uma sobrecarga que é metabolizada em penduricalhos y otras cositas más.

O palhaço Tiririca estava errado: o que vai mal, piorará.


Mariz, 55 anos de advocacia

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira lança na quinta-feira, em seu escritório de São Paulo, o livro “Casos e causos — A trajetória de um defensor”. São 55 anos de advocacia em 272 páginas e 50 casos.

Tem de tudo. A mulher pobre que mata o companheiro que molestava a filha (absolvida). Como assistente de acusação, Mariz condenou filhos que mataram a mãe, viu ministro do Supremo maltratando advogado e promotores mais interessados em acusar do que em buscar a justiça. Tudo isso e mais uma referência da defesa da princesa Caroline de Mônaco, ofendida por um grã-fino paulista.

Em sete páginas, Mariz conta o seu caso de maior repercussão, a defesa do presidente Michel Temer, em 2017. Os dois partilham “uma amizade que ultrapassa meio século”. Sai mal no episódio o procurador-geral Rodrigo Janot, com sua famosa frase, “enquanto houver bambu, lá vai flecha”.

Mariz critica o tratamento dado ao grampo da conversa de Temer com o empresário Joesley Batista: “Foi apontada a existência de uma série de interrupções e hiatos na gravação”. Com a defesa de Mariz, a Câmara dos Deputados rejeitou a denúncia de Janot. Esse caso/causo chama-se “Em defesa de um amigo”.


“Casos e Causos” repassam 55 anos de trabalho de um advogado que está de bem com a vida. Seus personagens são de carne e osso, mas Mariz pincela passagens com críticas e louvores ao funcionamento do Judiciário. É um curso-relâmpago de Direito.

China, de Walmir Buzzato

 CHINA - Uma viagem (ou duas?) 


Vou começar com um pouco de retrospectiva, mas quem não tiver paciência pode pular para o parágrafo seguinte, não vai perder muito. É que eu gosto de dar o contexto, e muita gente não tem tempo para isso. Bem, vamos lá: eu, como engenheiro eletrônico, especialidade computação (de uma época em que um computador enchia uma sala refrigerada e tinha menos poder de computação que o relógio de pulso que uso hoje), sempre fui ligado no assunto das redes de comunicação, bem antes da internet. Na década de 80 tive minhas primeiras experiências com computação pessoal; na década de 90 a primeira vivência de redes (ainda antes da internet, mas já conversando em BBS - os bulletin board systems, onde você se ligava com um modem e linha discada a um servidor e compartilhava arquivos a papeava com pessoas online); depois a internet, ICQ, Orkut, etc, até chegar, já na primeira década do século XXI ao Facebook, onde acabei criando raízes e meio que ‘parei no tempo’. Não entrei a fundo no Instagram e no Twitter (mas fechei minha conta assim que Elon Musk o comprou e mudou o nome); achei um ‘modus vivendi’ que me satisfaz no Facebook, encontrei antiga amizades perdidas, fiz novas amizades e é disso que vou falar a seguir.


Pronto, se você chegou aqui lendo o parágrafo anterior, parabéns; se veio direto pelo atalho, não tem problema. O importante vem agora.


Fiz muitos amigos no Facebook, a maioria nem conheço pessoalmente, mas sinto grande afinidade com a maioria deles. Verdade que mantenho minha página fechada, uma quase bolha só para amigos, e estes escolho com cuidado. OK, e entre esses amigos tenho Carmen Lícia Palazzo, historiadora, casada com o diplomata Paulo Roberto de Almeida, também meu amigo. Um dia ainda vou pegar um avião e ir a Brasília conhecê-los pessoalmente. Aprendo muito com os dois e respeito o conhecimento deles, com uma educação superior que me faz, às vezes, arrepender de não ter seguido uma carreira de humanas. Carmen Lícia é expert na cultura chinesa e acaba de lançar um livro sobre suas viagens naquele país, que fez no período em que moraram lá por ocasião de uma feira internacional em Shanghai, onde Paulo organizou o pavilhão brasileiro. Acabei de ler o livro em edição Kindle e preciso recomendá-lo fortemente a quem se interessa pela China.


Como falei, conheço - virtualmente - o casal há alguns anos (o tempo passa rápido!) e, quando minha afilhada, médica formada no ano passado, me desafiou a acompanhá-la a Shanghai para uma apresentação que ela ia fazer num congresso médico, caso seu ‘paper’ fosse aceito, minha resposta imediata foi ‘Claro!’. Conheço o trabalho dela, uma pesquisa inédita relacionando a ocorrência de epilepsia em pacientes submetidos a cirurgia crânio-facial (me perdoem a falta de termos mais técnicos), e também sei do empenho dela quando se dedica a uma tarefa. Eu já tinha estado na China brevemente, em 2007, numa visita muito rápida a Beijing para visitar uma feira de máquinas operatrizes, e o que eu vi naquela época não me surpreendeu muito, tirando o trem-bala entre o aeroporto e o centro da cidade. Após me comprometer com a resposta positiva, eu imediatamente entrei em contato com a Carmen Lícia pedindo dicas, pois eu sabia que ela tinha morado justamente em Shanghai, mas isso foi antes da publicação do livro. Ela me deu algumas dicas que obviamente incluí no roteiro. Volto a isso já, antes um comentário sobre a duração da visita.

 

Quando a Daniela (é o nome da sobrinha/afilhada/médica com futuro brilhante) me contou sobre a possibilidade da apresentação de seu trabalho, eu perguntei qual a duração do congresso. ‘Uma semana’, foi a resposta. De posse das datas, reservei as passagens, o hotel, e comecei a pensar no que fazer enquanto ela ia no congresso. A verdade é que ela só ia apresentar o trabalho, um único dia, onde ela teria 3 minutos de espaço na agenda! O resto foi passeio mesmo. Acho que ela, meio sem querer (ou não?) me armou uma armadilha. E foi ótimo assim; se tivesse sabido de antemão que ela teria apenas 3 minutos no congresso, eu teria me questionado se valeria a pena uma viagem daquelas! 


Valeu a pena por dois ou três motivos: em primeiro lugar, a apresentação dela foi um sucesso, e de quebra, fez bons contatos no meio em que ela está se inserindo (cirurgia plástica, tanto corretiva como estética); em segundo ou terceiro lugar, fizemos turismo seguindo as dicas de Carmen Lícia, e foi fantástico. 


Como estaríamos em Shanghai por uma semana, visitar outros locais turísticos na China ficava meio inviável, exigiria longos deslocamentos de avião, mais despesas, etc. A região de Shanghai sozinha já justifica semanas de permanência para conhecer parte da cultura chinesa, seus museus, sua história e seu povo. Visitamos duas cidades recomendas por ela e uma terceira um pouco mais distante em direção Sul para conhecer uma muralha feita pelo mesmo construtor que posteriormente foi contratado pelo governo central para projetar e coordenar a construção da muralha mais famosa no Norte. Todas as viagens foram de um dia: pegávamos o trem cedinho, andando entre uma e duas horas num trem bala (200 a 270 km/h) e chegando lá éramos recepcionados por um guia local que nos levava para conhecer o lugar e suas atrações. A volta a Shanghai era no fim da tarde/início da noite. Falei sobre essa viagem e postei fotos em novembro de 2025, depois vou colocar um link para aquela postagem nos comentários.


Por que estou fazendo esta postagem agora? Porque o livro de Carmen Lícia me fez querer voltar pra lá e gastar muito mais tempo na região, e depois viajar para outros lugares relatados por ela no livro e ficar conhecendo melhor aquele país. O livro é curto, eu li em três dias, e terminei agora há pouco. Já estou tentando convencer minha mulher a ir comigo conhecer a China! Para aproveitar melhor uma viagem dessas, é preciso desvincular governo atual, uma ditadura de um partido só, da cultura milenar chinesa, da mesma forma que é preciso desvincular o governo dos aiatolahs do Irã da cultura milenar persa. O povo nas ruas, no seu dia-a-dia, é aquele mesmo que viveu sob diversos tipos de governo; a cultura amadurecida ao longo de milênios é a mesma, seja sob um governo liberal ou sob uma ditadura. O livro de Carmen Lícia passa longe de qualquer avaliação política ou ideológica, focando nos aspectos culturais e religiosos de seu povo. De novo, comprem o livro, seja na versão Kindle ou em papel. Eu já encomendei uma cópia impressa para presentear à minha afilhada Daniela. O risco é ela arrumar outro congresso por lá…

Livrarias

 Saiu no El País texto sobre as (não) vendas de livros em livrarias (não pesquisaram Amazon que, creio eu, por ter preços mais baixos deve ter números de vendas melhores). 

Aqui no Rio, nós "órfãos da Leonardo Da Vinci" (disse um usuário antigo e me inclui na lista), não temos muitas opções, nem bons livreiros que nos auxilie. 


El País: "El dato que alarma a las librerías de España: la mitad de los títulos que tienen disponibles no vende nada

La multiplicación de novedades, la concentración en grandes grupos y los riesgos para la bibliodiversidad preocupan a Cegal, la confederación del sector, cuyo estudio más reciente concluye que solo el 4,5% de las obras supera los 100 ejemplares


Tommaso Koch

Madrid - 12 ABR 2026 


Se supone que un libro quiere ser leído. Igual que una película necesita espectadores. Y un disco, oyentes. Incluso El libro que no quería ser leído, texto infantil del sueco David Sundin, busca lo mismo que cualquier creación cultural: público. Aunque sea una persona. Sin embargo, a cada vez más obras literarias les cuesta hasta eso: el 49,4% de los títulos impresos disponibles en las librerías de España vende cero ejemplares a lo largo de un año. La cifra abarca novelas, ensayos o cómics, incluye novedades y fondo, también de autoedición, en establecimientos independientes, así como en grandes cadenas. No se contabilizan, eso sí, manuales de texto ni Amazon. El dato se reveló hace pocas semanas en el último Congreso de Librerías. Y lleva años subiendo, según Cegal, la confederación de los libreros que organiza el evento. Tanto que la entidad ya ha puesto su foco en analizarlo, desglosarlo y, a ser posible, solucionarlo. Las respuestas llegarán en futuras ediciones de la cita. Pero, mientras tanto, da para unas cuantas preguntas.


Más información

Cada hora se publican en España diez libros nuevos: ¿se editan demasiados títulos?

“En España se venden muchos libros: unos 76 millones de obras impresas en 2025, un 4% más respecto al año anterior, según la consultora GfK. Pero estamos ante un mercado sobresaturado. Salen más novedades de las que se venden y de las que un librero es capaz de seleccionar. Se dejó de velar por la calidad y se decidió apostar por la cantidad”, reflexiona Pilar Asuero, escritora de Las cabras (Altamarea) y editora en Siglo XXI. La facturación de la industria editorial vive tiempos de subida consecutiva, igual que los lanzamientos: más de 90.000 libros al año, en cálculos del sector. Si se criban solo obras literarias con enfoque comercial, la cifra baja: hasta 30.000 o 10.000, en la estimación más conservadora. Significa mínimo 27 novedades al día. Y eso a falta de los miles de títulos del fondo. ¿Hay lector para tanto libro?


“Una clave está en el espacio. Hay títulos que no salen para vender, sino para ocupar sitio en las estanterías, sobre todo por parte de los grandes grupos. A menudo tienen alta rotación, a la semana siguiente les sustituye otro”, tercia Enrique Redel, editor del sello independiente Impedimenta. “No se trata de que quien quiera escribir no pueda. Pero nadie es capaz de asimilar este volumen. Y no tiene sentido meter en el canal un libro que genera cero ventas”, agrega Javier Cámara, encargado del establecimiento en Bilbao que lleva su apellido, y de la exposición donde se abordó el asunto en el congreso. El librero descubrió hace poco el caso de una editorial que bajó el ritmo para centrarse en la calidad, pero reculó a los dos años, porque estaba perdiendo superficie de exposición. Aunque Redel asegura que esa es su apuesta: “Intentamos reducir la producción. Sacamos 25 libros al año, clavados. Queremos arroparlos con la promoción, que las librerías los mantengan y cuidar nuestro nicho fiel de lectores”.


Tanto librero como editor recurren al mismo símil: la aplicación de citas Tinder. Porque cada semana Cámara hojea 300 o más títulos y debe escoger unos 120 para sus estanterías. Dice que algunos los tiene claros, pero la mayoría de la selección se va pareciendo al célebre match sentimental: sí o no, en pocos segundos, y a lo siguiente. El amor literario también va deprisa: flechazo o hasta nunca. Y por más que Impedimenta avise de que no acepta manuscritos, igual que muchas editoriales, recibe unos 10 al día. Por la mesa de Redel pasan entre 600 y 1.000 al año, de los cuales lee 100 y publica una cuarta parte. Así, por ejemplo, se le escapó La temporada de las frutas envenenadas, de Vera Bogdanova: cuando pudo verlo y quiso pujar, tras adorarlo, estaba adjudicado. Las plantillas habitualmente pequeñas de editoriales y librerías independientes tampoco dan para más. Y desde Cegal añaden otra tendencia: aumenta la desaparición de títulos. Demasiado libro hay ya, como para cuidar las viejas perlas. Así puede darse la paradoja de no hallar lo que se busca en un catálogo desmesurado.


“Si como editores disponemos de más tiempo para leer y trabajar los textos, salen mejores obras. Si los y las libreras lo tienen para leer y seleccionar, se construyen escaparates con sentido. Si los lectores reciben una propuesta abarcable, cuentan con más herramientas a la hora de escoger. Aunque parezca contraintuitivo, una oferta exacerbada atenta contra la bibliodiversidad. Se vuelve puro ruido: comienzas a ver siempre los mismos libros en la mesa de novedades y en los suplementos culturales. Y todos leemos lo mismo”, señala Asuero. Otros datos de Cegal lo refuerzan: en librerías, únicamente el 4,5% de los títulos despacha más de 100 ejemplares al año. Y más del 40% de las copias vendidas corresponde a dos grupos, Penguin Random House y Planeta. Los establecimientos independientes duplican a las cadenas en variedad: más de 525.000 títulos, frente a 229.633. Sin embargo, los grandes espacios acaban de adelantarse por primera vez en ejemplares vendidos: el 52% del total. Así, solo unas pocas obras logran un lugar al sol. El resto navega sepultado en el fondo del iceberg. A priori, las oportunidades se han multiplicado. La práctica dice algo distinto. O contrario.


Entonces, ¿cómo conseguirlas? Contratar a un agente aumenta las opciones del escritor y garantiza al editor un filtro de confianza. El anuario estadístico del Ministerio de Cultura ofrece más pistas: el tema es la principal razón para escoger un libro, por delante del autor, las opiniones de amigos y familiares o las redes sociales. Ni el 5% de los encuestados dijo tener en cuenta críticas, publicidad y, menos aún, los premios. Aunque Redel propone lo opuesto: “Cuando estalló el fenómeno de Cincuenta sombras de Grey una revista me preguntó: ‘¿Cuántas novedades eróticas sacas este año?’. Pero nosotros, cuando el tema está de moda, huimos”. Las cifras de Cultura dicen también que triunfa sobre todo la novela contemporánea, en particular histórica y de ficción criminal.


Siempre y cuando se lea, eso sí: lo hace al menos una vez al año el 64,9% de la población, frente al 65,8% en 2018/2019. Un tercio de la ciudadanía lo incluye entre sus costumbres semanales. Pero uno de cada 10, por el contrario, asegura que no le gusta leer, porcentaje idéntico al de los hogares con menos de 10 libros. La mitad de la población (48,8%) tiene menos de 50 en casa. A saber cómo lo encajaría el fallecido Umberto Eco, defensor de la acumulación de libros sin leer. Su “antibiblioteca”, como la bautizó, tenía 50.000 títulos.


“Influyen muchos factores en la venta: desde la editorial en que se publica (si pertenece o no a un gran grupo, su prestigio, los recursos para la promoción, el interés en medios, la fidelidad del público), si a las librerías les gusta, el boca a boca. Pero muchas veces juega el azar. Antes de que Altamarea apostara por Las cabras, otras editoriales lo rechazaron alegando que no tenía trama y no creían que podría funcionar de la mano de una autora novel”, relata Asuero. Pero su ópera prima celebra un impacto de ventas positivo. Y se lo agradece también a muchas bookstagramers (prescritoras de libros en redes sociales): “Influyen porque su contenido se dirige a un público muy lector, las mujeres entre 25 y 35 años”.


El libro, además, puede buscar indicios a su alrededor. El volumen de novedades literarias también abruma y preocupa en otros grandes países de la UE. Y, por comparar, el 60% del cine español exhibido en salas en 2025 vendió menos de 500 entradas, en datos de Cultura. Aun así, la cantidad de novedades fílmicas no para de subir, con semanas donde coinciden hasta 14 o 16. Y eso que, desde hace tiempo, apenas una veintena de películas suele concentrar en torno a la mitad de la taquilla anual. En los videojuegos también se habla de saturación: Steam, la principal plataforma para ordenadores, incorporó 21.551 títulos solo en 2025. Aunque un largometraje que nadie haya disfrutado en la gran pantalla siempre tiene la esperanza de resucitar online: en streaming ya se ve tanto cine como en salas, o más. La mayoría de libros, en cambio, se juega (casi) todo en semanas, con suerte pocos meses, en las estanterías. De ahí, vuelta a las editoriales. Y a las sombras. O incluso la eliminación física. No precisamente el epílogo soñado tras meses o años de esfuerzo de un creador.


“Si en una editorial un libro no vende, puede que otro logre un gran alcance y levante los números (aunque no siempre es así, sobre todo en los sellos realmente independientes). Y si en una distribuidora hay una editorial que no vende mucho, otra lo compensa. Cuando eres autor/a, sobre todo novel, eres tú y tu libro. Puedes dar las gracias si aguanta una semana en la mesa de novedades, es fácil que al mes lo devuelvan, al año destruyan la tirada y quede en el olvido”, subraya Asuero. Para definir al sector editorial se han usado muchas metáforas: bicicleta, rueda del hámster, todo o nada. Se refieren a más y más obras para que el sistema siga adelante y un potencial éxito de mañana cubra los eventuales agujeros de ayer. Aunque el modelo reparte al autor cartas con las que cuesta ganar: adelantos cada vez menores, o hasta inexistentes; una tirada media inferior a los 4.000 ejemplares; y apenas un 10% de ingresos sobre el precio de las ventas. “Quien se mete en esta industria sabe que muchas veces lo que va a moverle es el entusiasmo antes que el dinero. Pero no debería sacrificarse una cosa por la otra. Me entusiasma escribir, pero también poder pagar el alquiler”, agrega Asuero.


“Cualquiera puede editar un libro, pero no significa que sea un autor. Igual que tener una cámara no se traduce en ser fotoperiodista”, matiza Cámara. Hay quien publica por su cuenta, o a través de una editorial que solo ejerce de imprenta; despuntan jóvenes narradores que arrasan primero en plataformas online y luego en papel; y están los autores tradicionales, vinculados a sellos reconocidos. Desde Cegal sospechan que justamente el boom de la autoedición explique en parte por qué tantos libros no venden nada. Pero Redel aplaude también a compañeros de otros sellos: Libros del Asteroide, Acantilado, Sexto Piso, Galaxia Gutenberg, Errata Naturae o Nórdica. Javier Cámara afirma: “Si solo me dejo llevar por la corriente, me convierto en un librero de grandes sellos. Hay que hacer una tarea de independencia”. Y Pilar Asuero agrega: “Como lectores debemos creernos el peso que tenemos en la cadena del libro: sin nosotros, se desmorona. Así que elijamos bien a quién le damos nuestro dinero”. Entre tantísimas opciones, debe de haber una perfecta para cada lector. Se trata de encontrarla."

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal  NY -0,6% US tech -0,4% US semis +0,5% UEM -0,9% Espanha -0,6% VIX 19,5% Bund 3,01% T-Note 4,28% Spread 2A-10A U...