segunda-feira, 13 de abril de 2026

Vladimir Timerman

 *Mais ruidoso gestor do país antecipou esquema do Master, diz estar quebrado e só anda de guarda-costas*

Ex-jogador de rúgbi, Vladimir Timerman é alvo de incontáveis processos, condenado em 2 e vitorioso em 14 Esh Capital, que chegou a ter quase R$ 1 bi sob gestão, tem atualmente R$ 12,5 milhões em recursos


11.abr.2026 às 23h00


Na noite do último dia 19, ao encerrar o expediente depois de uma entrevista à Folha, o investidor Vladimir Timerman, 46 anos, tinha à sua espera, na portaria do seu escritório em São Paulo, um guarda-costa de quase dois metros.


Gestor de fundos na Esh Capital, Timerman voltou a andar com segurança particular por um pedido de amigos, que se juntaram para pagar as despesas. Se dependesse só dele, continuaria sem a proteção —em parte porque diz não ter o que temer, mas também porque alega não poder pagar.


"Estou quebrado", contou, atribuindo a situação financeira ao bloqueio judicial de fundos da Esh Capital. Na véspera, o investidor estava em Brasília, depondo, na condição de testemunha, à CPI do Crime Organizado, onde repetiu as denúncias sobre malfeitos de investidores e a incúria de órgãos de controle.


Timerman estava ali por causa do caso do Banco Master. Relatou que o verdadeiro dono da liquidada instituição não é Daniel Vorcaro, mas o empresário Nelson Tanure, um dos alvos da Operação Compliance Zero.


Tanure disse que Timerman apresentou "ilações" aos senadores da CPI e que "nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto" do Master.


Timerman e Tanure travam disputas desde 2021, em torno das ações da Alliança Saúde (então Alliar). O primeiro integrava o grupo dos minoritários, e o segundo comprou uma fatia que lhe permitiria controlar a empresa. Timerman denunciou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que Tanure praticava insider trading (uso de informação privilegiada), mas a denúncia foi arquivada.


Na Alliança, Timerman praticou o que já fizera com sucesso em empresas como Smiles/Gol, Dimed/Panvel, buscando interferir na gestão a partir de participações minoritárias, modalidade chamada no mercado de "ativismo". Nos últimos anos, o dono da Esh tornou-se o mais ruidoso gestor ativista do país.


Timerman ilustra assim sua linha de atuação: "Você pode ser passageiro e ficar à mercê de quem dirige o carro ou sentar no banco do motorista. O gestor ativista é aquele que quer participar das decisões, tomar os rumos e implementar melhorias dentro de uma empresa".


*C-Level*


Depois da Alliança, a Esh entraria em novo embate com outra empresa controlada por Tanure, a Gafisa. Houve danos para os dois lados: numa ação da construtora —alegando greenmail, espécie de chantagem sobre os administradores—, a Justiça deferiu uma medida cautelar (preventiva e provisória, mas em vigor há dois anos) bloqueando o fundo Esh Theta, o principal da gestora de Timerman.


O valor sob gestão da Esh estava em R$ 12,5 milhões em fevereiro, segundo dados da Anbima. Reportagem de 2021 do Valor informou que, somando o fundo principal e outros exclusivos, a Esh se aproximava de R$ 1 bilhão sob gestão —apenas o Esh Theta chegou perto de R$ 200 milhões. A queda, diz Timerman, se deve à desvalorização das ações da Gafisa, ao dano reputacional que levou a resgates e perdas com outros investimentos e custos


Além disso, a medida judicial bloqueou o patrimônio dos cotistas do Esh Theta e proibiu novos aportes.


Por sua vez, o gestor voltou a denunciar Tanure por "insider trading". Em janeiro passado, após a Justiça acatar denúncia do Ministério Público Federal, Tanure virou réu por suposto uso de informação privilegiada na operação de compra da incorporadora Upcon pela Gafisa. A defesa de Tanure chamou de "açodada" a denúncia do MPF.


No meio da guerra, Tanure processou Timerman por stalking (perseguição), por mensagens publicadas no então Twitter (hoje X). Sem mencionar o nome de Tanure, Timerman usou termos como "vagabundo", "bandido" e "corno". Disse que não se referia ao desafeto.


Nessa ação, Timerman foi condenado em primeira instância, em março de 2025, a pena de um ano, 10 meses e 15 dias de prisão, substituída por prestação de serviços comunitários. O gestor está recorrendo.


"Ele [Timerman] nunca ligou pro Tanure, nunca mandou um email, nunca mandou uma DM no X. Que stalking é esse? Ficou chateado de ser xingado? Entra com uma queixa-crime por injúria", disse o advogado Davi Tangerino, que defende Timerman. Ele cobra "um marco normativo mais claro de proteção aos denunciantes minoritários nas companhias de capital aberto".


Outra medida cautelar impede o gestor de falar sobre Tanure e a Gafisa.


Durante o embate com a construtora, Timerman conectou a empresa ao Master, dizendo que parte do dinheiro da Gafisa fora desviado para o banco. Desde 2023, alertou Banco Central e Polícia Federal sobre os problemas. Por isso foi convocado a depor na CPI.


Na justificativa, o relator da comissão, o senador e ex-delegado Alessandro Vieira (MDB-SE), escreveu que o depoimento de Timerman "revela-se peça indispensável para a instrução dos trabalhos", dado o "conhecimento técnico e histórico profundo" do gestor sobre o esquema do Master.


Afirmou ainda que por anos Timerman denunciou fraudes e manipulação do banco, "quando tais alertas eram tratados como meras excentricidades". "Contudo", disse o senador, "a deflagração da Operação Compliance Zero (...) e a liquidação do Master (...) validaram o foco das denúncias de Timerman (...)".


Vieira ecoou o que poucos no mercado se arriscaram a falar. Num artigo publicado em fevereiro em sua newsletter, o analista e consultor Ricardo Schweitzer classificou o gestor como "anti-herói" e "o homem que disse isso antes de todo mundo".


"Não me peça para dizer que Timerman é um santo. Ele não é. Não me peça para dizer que seus métodos são irrepreensíveis. Não são. Não me peça para dizer que eu teria feito o que ele fez. Eu não fiz. O que eu posso dizer é que, quando o mercado inteiro preferiu o silêncio, ele preferiu o barulho. E o barulho, desta vez, ressoou", escreveu Schweitzer.


Em outras palavras, o dono da Esh já era conhecido na Faria Lima muito antes do escândalo do Master, mas, por óbvio, o caso aumentou exponencialmente sua notoriedade. Numa fase aguda do embate com Tanure/Gafisa, em 2024, Timerman afirma ter recebido ameaças anônimas de morte. Valeu-se de segurança particular pela primeira vez, também pago por um amigo, segundo conta. A proteção cessou, diz, porque o apoiador passou por dificuldades financeiras.


Dessa vez, descreve, a exposição do caso Master e da CPI ressuscitou o receio do grupo que fez a vaquinha para pagar o guarda-costas. Timerman comenta que sua família, seus amigos e seus sócios "estão apavorados". "[Falam]: ‘Vão te matar’, e eu digo, do que adianta me matar? Todas as informações que eu tenho meus advogados e meus sócios têm, não adianta me matar."


É um momento tenso, mas não tanto quanto o do final de 2024, quando, após uma denúncia anônima de que teria desviado dinheiro do seu próprio fundo e enviado a uma offshore em Malta, Timerman foi alvo de um mandado de busca e apreensão —a polícia esteve em sua casa e em seu escritório.


"Nunca tive conta offshore. Tomaram meu passaporte, foi o pior momento da minha vida. É uma violência a polícia entrar na tua casa. Minha família foi muito afetada, eu fiquei muito mal", recorda. O inquérito não encontrou indícios de crime, e o processo foi arquivado.


Timerman calcula ter respondido a "dezenas" de ações judiciais nos últimos anos, a maioria arquivadas. Além da por perseguição a Tanure, foi condenado noutra por calúnia contra o gestor Daniel Alberini, da CTM Investimentos, da qual também está recorrendo.


Segundo levantamento do UOL, ele responde a nove processos —entre civis e criminais, incluindo as duas condenações que tenta reverter em segunda instância— e soma 14 vitórias, incluindo numa queixa-crime por calúnia movida por Daniel Vorcaro. Neste processo, o banqueiro do Master foi defendido por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF —no mesmo período, Moraes negou um recurso de Timerman na corte.


Sobre tantas querelas, Timerman interpreta: "O objetivo foi me quebrar financeiramente na [pessoa] física, inviabilizar meu negócio e acabar com minha reputação". São investidas inúteis, ele afirma. "Tenho um dever com meus clientes de ir até o final, eles confiaram a mim seu dinheiro. Vou falar, ‘desculpa, bateram muito forte em mim, estou com medo’? Não sou essa pessoa, [sou] jogador de rúgbi", diz, em referência ao esporte praticado na juventude. Arremata com uma de suas muitas boutades: "O bom de já ter ido para o inferno é que você conhece o caminho de volta".


Ele conta que tirou do rúgbi lições para a carreira de gestor. "Não desistir nunca, ser duro, mas leal. E confiar nas pessoas. Mas confiança só se perde uma vez."


Mesmo com os fundos bloqueados judicialmente, afirma que montou uma consultoria de contencioso estratégico e investigação e cobrança , o que lhe teria permitido começar "a tirar a cabeça da lama nos últimos meses".


Não é só o ativismo fervoroso que diferencia Timerman de um "farialimer" convencional. Ao depôr na CPI, envergou o único terno que tem no armário —o mesmo com que se casou. Costuma vestir jeans e camisas surradas e ficar descalço no escritório. Sua barba é desgrenhada. Fuma desbragadamente.


Filho do infectologista Artur Timerman, um progressista humanista (e um dos fundadores da torcida corintiana Gaviões da Fiel), recebeu seu nome como homenagem a Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura, e foi criado sem ortodoxia —o que ajuda a entender como optou por um ofício liberal. Já se definiu como "o mais comunista entre os capitalistas".


"Tive uma educação socialista, mas aprendi a pensar com a minha cabeça. Um psicanalista amigo nosso diz que só fui para o mercado financeiro para contrariar meu pai", brinca.


Mais velho de três filhos, formado em engenharia elétrica pela USP, Vladimir é irmão da psiquiatra, psicoterapeuta e escritora Natalia Timerman, autora dos romances "Copo Vazio" e "As pequenas Chances", e da engenheira naval Gabriela Timerman. Em "As Pequenas Chances", Natalia trata da morte do pai —os dias finais, a elaboração do luto.


Vladimir diz que o romance é a versão da irmã sobre aquele momento, mas não a sua, e foi contrário à publicação. Por isso, no livro, o nome do primogênito foi trocado (ele vira Simon) —os dos outros parentes foram mantidos como na vida real.


A autora-narradora de "As Pequenas Chances" conta que, no leito de morte, o pai disse a Simon que "parasse de fumar, que se cuidasse, que ficasse tranquilo".


O primogênito atendeu aos pedidos? "Cara, eu parei um bom tempo de fumar. Voltei quando estourou esse negócio. Da parte de ser mais tranquilo... eu sou tranquilo, sou resolvido. Depois da CPI, me disseram: o teu pai deve estar orgulhoso de você. Somos humanos, demasiadamente humanos. Eu não sou perfeito."


https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/mais-ruidoso-gestor-do-pais-antecipou-esquema-do-master-diz-estar-quebrado-e-so-anda-de-guarda-costa.shtml

BDM Matinal Riscala

 Sem acordo, EUA bloqueiam portos do Irã

Risco de disrupção no fluxo global de energia estressa negócios


13/04/2026


… O mercado abre a semana sob um novo patamar de tensão no Oriente Médio, após os Estados Unidos confirmarem o início do bloqueio total aos portos do Irã a partir das 11h desta segunda-feira (horário de Brasília), em resposta ao fracasso das negociações em Islamabad. Os preços do petróleo dispararam na abertura dos pregões asiáticos, refletindo o risco de disrupção no fluxo global de energia. A medida mira diretamente a principal fonte de receita de Teerã e mantém sob pressão o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo global — ao mesmo tempo em que eleva o risco de confronto direto, após a reação dura do Irã e o reforço militar na região.


SEM ACORDO – O Oriente Médio entra em um novo estágio de tensão com o início efetivo do bloqueio americano aos portos do Irã.


… As operações marcam a primeira ação concreta após o fracasso das negociações entre Washington e Teerã.


… O bloqueio será aplicado de forma ampla a embarcações de todas as nacionalidades que entrem ou saiam de portos iranianos, incluindo instalações no Golfo Arábico e no Golfo de Omã, num bloqueio total ao comércio marítimo do Irã.


… Somente será poupada a navegação no Estreito de Ormuz para destinos não iranianos. A medida eleva o risco de disrupção no mercado de energia, mantendo sob pressão uma das rotas mais estratégicas do comércio global.


… A decisão ocorre após 21 horas de negociações sem acordo em Islamabad, com o Irã se recusando a ceder em pontos-chave, como o programa nuclear e o controle sobre o Estreito de Ormuz, enquanto acusa os Estados Unidos de exigências “excessivas”.


… Ao longo do fim de semana, Trump chegou a ameaçar bloqueio mais amplo do Estreito, com interceptação de navios e destruição de minas.


… As últimas informações, porém, indicam uma estratégia mais calibrada, focada nos portos iranianos, sem fechamento total da rota marítima.


… Ainda assim, frustrando o otimismo dos mercados com um acordo, o risco de uma escalada da guerra permanece elevado. Os Estados Unidos já enviaram reforços à região, incluindo fuzileiros navais e tropas aerotransportadas, ampliando a presença militar no Golfo.


… Do lado iraniano, a reação foi dura. O chefe do Parlamento afirmou que o país não se curvará a ameaças, enquanto a Guarda Revolucionária alertou que qualquer movimento hostil levará os Estados Unidos a “redemoinhos mortais”, sinalizando risco de confronto direto.


… Teerã também mobilizou forças especiais, reforçou defesas costeiras, instalou minas e prepara suas posições para uma possível incursão militar, ao mesmo tempo em que indicou que a aproximação de embarcações militares será tratada como violação do cessar-fogo.


… Analistas alertam que um bloqueio naval pode ser interpretado como um ato de guerra, elevando o grau de incerteza sobre a segurança das rotas marítimas e sobre a evolução do conflito. No plano diplomático, o cenário segue fragmentado.


… O Paquistão tenta manter o canal de diálogo aberto, enquanto a Rússia se coloca à disposição para mediar uma solução política e o Reino Unido indicou que não participará de um eventual bloqueio, defendendo uma coalizão alternativa para garantir a liberdade de navegação.


… Em paralelo, Israel manteve ataques contra o Hezbollah no Líbano no fim de semana, apesar de o Irã exigir um cessar-fogo mais amplo.


… O pano de fundo é um choque já em curso no mercado de energia. O fluxo pelo Estreito de Ormuz vinha limitado desde o cessar-fogo, com poucos navios transitando, enquanto os preços globais do petróleo acumulam alta de cerca de 50% desde o início do conflito.


… Na leitura de mercado, o cenário evolui de risco para evento, com impacto direto sobre petróleo, inflação e expectativas de juros.


… A abertura da semana tende a refletir esse novo patamar, com pressão sobre ativos de risco e busca por proteção, em um ambiente que volta a ter geopolítica e energia como principais vetores de preço. No pregão asiático, o petróleo WTI atingia US$ 104,30 e o Brent, US$ 101,80.


ISRAEL VS LÍBANO – Enquanto a escalada entre Estados Unidos e Irã eleva as tensões no Oriente Médio, Israel e Líbano se reúnem amanhã, em Washington, para discutir a possibilidade de uma trégua, em um movimento que mantém aberta a frente diplomática no conflito regional.


HUNGRIA – O premiê Viktor Orbán reconheceu a derrota nas eleições deste domingo, após 16 anos no poder, parabenizando o candidato da oposição, Peter Magyar, em sua conta do Facebook. O pleito registrou participação recorde, com mais de 77% dos eleitores votando.


CURTAS DA POLÍTICA –O presidente Lula embarca na quinta-feira para a Europa, com agenda na Espanha e na Alemanha, incluindo a Cúpula Brasil-Espanha e a feira Hannover Messe, em meio ao esforço de reforçar a agenda internacional.


… Pesquisa Datafolha divulgada no sábado mostra deterioração de Lula no cenário eleitoral, com Flávio Bolsonaro numericamente à sua frente pela primeira vez em simulação de segundo turno (46% a 45%), além de empate técnico com outros nomes.


… A avaliação do governo segue pressionada: 40% consideram a gestão ruim ou péssima, enquanto a aprovação recuou para 29%.


… O deputado José Guimarães toma posse amanhã como novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, substituindo Gleisi Hoffmann.


… CCJ da Câmara deve votar na quarta-feira a PEC que prevê o fim da escala 6×1, uma das pautas mais sensíveis na agenda trabalhista.


… Na agenda econômica, o governo envia nesta quarta-feira ao Congresso o PLDO de 2027, com meta de superávit primário de 0,5% do PIB, enquanto mantém foco em medidas para reduzir o endividamento das famílias.


… Em entrevista à Folha, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou novas medidas para combustíveis no curto prazo e afirmou que o governo avalia liberar saque no limite de até 20% do FGTS para pagamento de dívidas.


… Hoje, Durigan participa com Alckmin da assinatura da operação de crédito que vai viabilizar a contrapartida do Estado de São Paulo na Parceria Público-Privada (PPP) do Túnel Imerso Santos-Guarujá. Às 14h, em São Paulo.


… O governo recuou, por ora, da proposta de crédito de até R$ 7 bilhões para distribuidoras de energia, em meio à priorização de medidas voltadas ao custo dos combustíveis – segundo apurou o Estadão com fontes.


AGENDA CHEIA – A semana começa com uma agenda carregada de indicadores de atividade, em um momento em que o mercado tenta entender a resiliência do ciclo global em meio às incertezas geopolíticas e ao impacto recente das commodities.


… O foco se divide entre Brasil, com dados de fevereiro que ajudam a calibrar o ritmo doméstico, China, cujo PIB do primeiro trimestre pode redefinir expectativas para crescimento e demanda global, e Estados Unidos, com uma bateria relevante de indicadores.


… No pano de fundo, as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial reforçam o debate sobre riscos da economia global, no contexto dos conflitos no Oriente Médio. Galípolo, Picchetti e Nilton David participam nos Estados Unidos.


… Eventuais declarações do presidente do BC e dos diretores que o acompanham devem ser monitoradas com atenção, no momento em que as incertezas sobre a crise de energia tende a influenciar as expectativas para a condução da política monetária do Copom.


… Também o ministro da Fazenda, Dario Durigan, viajará hoje a Washington para uma série de eventos do FMI e do Banco Mundial.


AQUI – A semana abre com o Boletim Focus (hoje, às 8h25) e segue com o volume de serviços de fevereiro (amanhã) e as vendas no varejo (quarta-feira), dois dados-chave para aferir o fôlego do consumo e do setor terciário.


… O IBC-Br de fevereiro (quinta-feira) fecha o pacote, funcionando como proxy do PIB e consolidando a leitura do crescimento no início do ano.


… Ainda no cenário doméstico, o IGP-10 de abril (quarta-feira) entra como termômetro de inflação no atacado, especialmente relevante diante das oscilações recentes de commodities.


… O conjunto desses indicadores pode influenciar a precificação de juros, em um ambiente ainda sensível ao balanço entre atividade e inflação.


NO EXTERIOR – Os Estados Unidos trazem uma bateria relevante de dados ao longo da semana, incluindo vendas de casas usadas (hoje, às 11h), o índice de preços ao produtor (PPI, amanhã) e a produção industrial (quinta-feira), além dos pedidos semanais de seguro-desemprego.


… O Livro Bege do Federal Reserve (quarta-feira) também ganha peso ao oferecer uma leitura qualitativa da economia em diferentes distritos.


… A agenda americana ainda será marcada por falas de diversos dirigentes do Fed ao longo da semana, o que tende a calibrar as apostas de política monetária em um momento de maior sensibilidade aos dados.


… Discursos de membros como Austan Goolsbee, Michael Barr, Susan Collins e John Williams aparecem distribuídos entre terça e sexta-feira.


CHINA – O grande destaque é o pacote de dados divulgado na noite de quarta-feira, com o PIB do primeiro trimestre, produção industrial e vendas no varejo. O resultado será determinante para avaliar o ritmo da economia e seus desdobramentos para commodities e mercados emergentes.


… Já hoje à noite, ao primeiro minuto de terça-feira, sai a balança comercial chinesa, com as exportações e importações em março.


ZONA DO EURO – Na Europa, além de indicadores de atividade, como a produção industrial (quarta-feira), o mercado acompanha a leitura final do CPI de março (quinta-feira) e, principalmente, a ata do Banco Central Europeu.


… Discursos de Christine Lagarde ao longo da semana também entram no radar.


… Entre os indicadores globais, também ganham espaço os dados de comércio e atividade no Reino Unido e Japão, com destaque para o CPI japonês (sexta-feira), além da balança comercial e das transações correntes na zona do euro.


PETRÓLEO – No mercado de commodities, os relatórios mensais da OPEP (hoje) e da Agência Internacional de Energia (amanhã) ajudam a balizar as expectativas para oferta e demanda de petróleo, em meio às tensões geopolíticas e à volatilidade recente dos preços.


BALANÇOS – Por fim, a semana também marca o início da temporada de balanços nos Estados Unidos, com grandes bancos abrindo a agenda.


… Destaque para Goldman Sachs (hoje, antes da abertura), JPMorgan Chase, Wells Fargo e Citigroup (amanhã), seguidos por Bank of America e Morgan Stanley (quarta-feira), em leituras importantes sobre crédito, atividade e saúde do sistema financeiro.


… Além dos bancos, outros destaques entre os balanços são: BlackRock (amanhã, terça), maior gestora de ativos do mundo, e Netflix (quinta).


VALE – Aqui, a mineradora divulga nesta quinta-feira, 16, os dados de produção e vendas, e no dia 28 de abril, o balanço do primeiro trimestre. Os dois resultados saem após o fechamento do mercado. A teleconferência será realizada em 29 de abril, às 11h.


INFLAÇÃO NA VEIA – O fracasso das negociações em Islamabad contrata um choque mais duradouro no petróleo e complica a espiral inflacionária, que já levou o mercado a eliminar a esperança de corte de 0,50 pp da Selic este mês.


… A surpresa com o IPCA de março acima do esperado, como consequência direta da alta dos combustíveis, disparou na sexta-feira apostas de que o Copom irá mais devagar (0,25 pp) na reunião daqui a pouco mais de duas semanas.


… O pior cenário, de uma pausa na política monetária, não foi cogitado, porque a taxa básica de juros continua tão elevada, que o BC ainda tem “gordura” para cortar, mesmo com a guerra assustando as expectativas inflacionárias.


… O IPCA subiu 0,88% em março, superando o teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro, de 0,82%. O aumento de 4,59% na gasolina no mês exerceu a maior pressão sobre a inflação oficial, com contribuição de 0,23 pp.


… O dado em 12 meses avançou para 4,14% e também estourou a mediana das projeções, de 4,03%.


… Além da pressão dos combustíveis sobre o grupo Transportes, que saiu de uma alta de 0,74% em fevereiro para 1,64% em março, o avanço dos preços de alimentação e bebidas (de 0,26% para 1,56%) também puxou a inflação.  


… Uma boa notícia é que a inflação de serviços, olhada de perto pelo BC, desacelerou de 1,51% para 0,53%. No acumulado em 12 meses, passou de 6,01% em fevereiro para 5,92% em março, mas segue rodando perto de 6%.


… Especialistas consultados pelo Estadão/Broadcast projetam que o salto do petróleo e dos combustíveis deve continuar encarecendo as passagens aéreas ao longo do ano, exercendo vetor relevante de pressão no IPCA.


… As medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus, passaram a indicar que o IPCA acumulado em 12 meses vai romper o teto da meta por cinco meses seguidos: de outubro/26 até fevereiro/27.


… O resultado mais forte da inflação de março despertou na sexta-feira uma onda de revisões em alta para o IPCA.


… A Warren, que já esperava inflação no limite da banda de tolerância (4,5%) este ano, piorou a sua projeção para 4,8%. Também a Austin Rating passou a prever o estouro da meta, puxando sua estimativa de 4,43% para 4,74%.


… A Quantitas, que já tinha incorporado ao cenário um IPCA forte (5,2% no ano), elevou a aposta para 5,3%.


DESANCORAGEM – O Itaú ainda projeta 4,5%, mas já não duvida que a inflação rompa este nível máximo fixado pelo CMN. Segundo o banco, a leitura do IPCA, com pressão mais disseminada de forma geral, reforça o viés de alta.


… Ainda o Santander, que já prevê IPCA acima do teto (4,6%), reconhece que pode subir sua estimativa.


… Em relatório a clientes, o Bradesco disse que o susto com o dado de março, combinado ao momento de escalada da cotação do petróleo, indica tendência altista para a inflação acumulada em doze meses até o final do ano.


… Diante da percepção de espaço mais reduzido para cortes de juros pelo BC com o choque de energia, o BofA subiu a projeção da Selic para este ano de 11,75% para 13,25% e, de 2027, para 12,50%, contra 10,50% antes.


… A proposta em estudo pelo governo de permitir o saque de até 20% do FGTS para pagar dívidas deve ajudar a reduzir o endividamento das famílias, mas com impacto limitado na inflação, segundo economistas no Broadcast.


… Com o período turbulento para o petróleo esvaziando as chances de o Copom emplacar um ciclo mais firme de queda da Selic, o IPCA pior do que o esperado teve impacto direto sobre os juros futuros curtos na sexta-feira.


… No fechamento dos negócios, o contrato do DI para Janeiro de 2027 voltou à faixa dos 14%, a 14,060% (de 13,923% no ajuste anterior). Jan/28 subiu a 13,540% (de 13,388%); e Jan/29 avançou para 13,380% (de 13,301%).


… Já o trecho longo da curva compensou a pressão. Jan/31 caiu a 13,420% (13,473%); e Jan/33, 13,490% (13,599%).


O LADO BOM – A perspectiva de que o diferencial de juros seguirá elevado após o forte IPCA de março deve bombar ainda mais o fluxo estrangeiro e animou o dólar a criar coragem para testar piso nos R$ 5,00 na sexta-feira.


… Na mínima intraday, marcou R$ 5,0055, para fechar em queda firme de 1,03%, cotado a R$ 5,0115.


… Pelo último informe da B3, na quarta-feira passada (dia 8), entrou mais uma fortuna em k externo na bolsa: R$ 2,6 bilhões. O fluxo acumulado neste mês de abril chega a R$ 3,1 bilhões e, no ano, já está em R$ 56,5 bilhões.


… Com o Brasil nadando em dinheiro, o dólar flerta com R$ 5 e o Ibov quer cumprir a profecia dos 200 mil pontos.


… Faz nove pregões seguidos que o índice à vista da bolsa doméstica não cai e, pelo terceiro dia consecutivo, bateu recorde duplo na sexta-feira. Somente nestas três últimas sessões, escalou 9 mil pontos, andando rápido com o fluxo.


… Driblando a ansiedade e a cautela antes do encontro do fim de semana entre os Estados Unidos e o Irã, o Ibovespa avançou 1,12%, para a nova máxima histórica de 197.323,87 pontos, com pico intraday aos 197.553,64 pontos.


… O giro forte de R$ 33,5 bilhões comprovou a presença gringa, que lançou uma onda compradora nas blue chips.


… Petrobras ignorou a queda do petróleo e terminou nas máximas do dia (ON +2,49%, R$ 54,00; e PN +2,36%, R$ 49,03). Lá fora, o Brent para junho caiu 0,75%, a US$ 95,20, confiando que poderia sair um acordo de paz no sábado.


… Vale subiu (+1,06%; R$ 85,59) e contrariou o minério (-0,33%). Ainda os bancos fecharam no azul: Itaú PN, +0,70% (R$ 46,07); Bradesco PN, +0,74% (R$ 20,44); e Santander +0,44% (R$ 32,12). BB ficou estável (+0,04%; R$ 24,73).


… Hapvida (+13,05%, a R$ 13,25) liderou com folga as altas do Ibovespa, após o anúncio de mudanças na diretoria.


EFEITO EM CASCATA – O salto dos preços de energia contamina a inflação no mundo todo. O aumento na gasolina em março dentro do índice de preços ao consumidor (CPI) americano foi o maior já registrado desde 1967.


… O indicador disparou para o maior nível em dois anos em março (3,3%), bem acima de fevereiro (2,4%). Na variação mensal, subiu 0,9%, o maior avanço em três anos, mas em linha com o cenário de Wall Street.


… O núcleo da inflação registrou alta de 2,6%, pouco abaixo da estimativa dos analistas, de 2,7%.


… Os dados não mudaram as apostas de que o Fed só deve cortar o juro por volta de setembro do ano que vem.


… A percepção de que vai demorar muito ainda para o ciclo de relaxamento monetário começar puxou as taxas dos Treasuries: a da Note de 2 anos subiu para 3,803% (de 3,781% um dia antes) e a de 10 anos, a 4,320% (de 4,286%).


… Mas o índice DXY conseguiu cair, porque, apesar de tudo, o CPI não surpreendeu. Além disso, o câmbio focou em um desfecho positivo do encontro diplomático no Paquistão, mal sabendo que daria tudo muito errado.


… O DXY recuou 0,17%, a 98,650 pontos. O euro subiu 0,23%, a US$ 1,1732, a libra ganhou 0,25%, a US$ 1,3470.


… Já as bolsas americanas operaram em clima de suspense antes da reunião em Islamabad. Só o Nasdaq subiu (+0,35%), a 22.902,89 pontos. O Dow Jones caiu 0,56% (47.916,57 pontos) e o S&P 500, -0,11%, a 6.816,89 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Moody’s reafirmou o rating corporativo da VALE em AAA.br, com perspectiva estável, citando forte geração de caixa, baixa alavancagem e posição competitiva global.


PETROBRAS. Previ vendeu R$ 1 bilhão em ações da estatal, aproveitando a alta dos papéis (Lauro Jardim/O Globo).


MBRF. Conselho de administração aprovou emissão de até R$ 1,2 bilhão em debêntures.


HAPVIDA esclareceu que é “falaciosa” a informação sobre suposta dívida de R$ 1 bilhão com a Affiance e afirmou não haver decisão formal para venda de ativos no Sul.


ONCOCLÍNICAS contratou TWK e BR Partners para assessoria em reestruturação de dívida de R$ 3,1 bilhões.


SANTANDER aprovou pagamento de R$ 2 bilhões em JCP em 7 de maio. Ex no próximo dia 22. O banco informou ainda a exoneração de Gustavo Alejo Viviani e condução de Carlos Gonzalez-Blanch como novo diretor de RI.


BRB negocia venda de ativos do Banco Master por R$ 15 bilhões e busca financiamento de R$ 6,6 bilhões via Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e bancos (Estadão).


ENGIE BRASIL. Fitch reafirmou rating nacional AAA(bra), com perspectiva estável, destacando forte geração de caixa e perfil financeiro sólido.


NEOENERGIA apresentou à CVM pedido de conversão de registro de emissora da categoria A para B.


CVC. Grupo de acionistas com mais de 35% do capital firmou novo acordo de governança.


MOTIVA. Tráfego em rodovias subiu 4,3% em março na comparação anual.


AZZAS. Ruy Kameyama deixará a companhia ao fim de abril, sem anúncio de substituto.


GRUPO CASAS BAHIA registrou volume recorde de R$ 10,2 bilhões em vendas via crediário no 4TRI25. (Folha)


EZTEC. VGV de lançamentos somou R$ 924,7 milhões no 1TRI26 (+50,1% a/a); vendas líquidas cresceram 84,8%, para R$ 696,8 milhões.


AEGEA. Lucro líquido proforma caiu 31% em 2025, para R$ 856 milhões, apesar de avanço operacional e crescimento de receita.


COMPASS, companhia de gás e energia do Grupo Cosan, deu andamento ao processo de oferta inicial de ações em bolsa (IPO) e pode lançá-la no próximo dia 17 de abril, apurou a Coluna do Broadcast.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Momento de crédito

 💰 *_“Momento do crédito privado lembra crise de Americanas e Light, mas o ajuste é menor”, diz Ibiúna*_*


Para Eduardo Alhadeff, CIO de crédito da Ibiúna, o cenário atual do mercado de crédito privado brasileiro não configura uma crise, mas uma correção saudável após um período de euforia e prêmios de risco (spreads) excessivamente baixos.


*Natureza da Correção*


Movimento de Limpeza: Assim como ocorreu após os casos de Americanas e Light em 2023, o mercado passa por um ajuste. A volatilidade recente, impulsionada por eventos de crédito em empresas como Raízen e GPA, gera saques em fundos de liquidez diária, mas a tendência é que o movimento se estabilize em poucos meses.


Diferença de 2023: A correção atual tende a ser menor. Muitos gestores não tinham exposição a Raízen ou GPA, ao contrário do que ocorreu com Americanas, onde o impacto foi sistêmico. Além disso, o CDI elevado oferece uma "gordura" de rendimento que amortece as perdas pontuais nas cotas.


*Lições Aprendidas*


Acionistas: Ter grandes acionistas não garante socorro financeiro; é preciso avaliar a disposição real de aporte.


Complexidade Contábil: Balanços difíceis de entender (como os de Americanas e Ambipar) são sinais de alerta. Se o fluxo de caixa não é replicável, o risco de surpresa é alto.


Risco de Commodities: Empresas como Braskem e CSN possuem riscos externos (preço de venda) que fogem ao controle da gestão, exigindo cautela extra.


*Perspectivas de Mercado*


Oferta vs. Demanda: Há poucas emissões de dívida nova (a maioria é refinanciamento), enquanto a demanda por crédito privado segue alta. Isso sustenta os preços dos títulos.


Atratividade do Crédito: Enquanto a Selic permanecer elevada, o crédito privado continuará sendo o "queridinho" dos investidores, pois oferece retornos competitivos (16% ao ano em média) sem a volatilidade da bolsa ou a complexidade dos multimercados.


Prazo: O executivo projeta que esse cenário de dominância do crédito deve durar, pelo menos, de 12 a 18 meses, ou até que haja uma mudança estrutural na postura fiscal do país.


*Texto com IA*


Materia completa: https://einvestidor.estadao.com.br/direto-da-faria-lima/momento-credito-privado-lembra-americanas-light-mas-menor-ibiuna/

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,11% US tech +0,35% US Semis +2,3% UEM +0,51% España +0,55% VIX 19,23% Bund 3,05%. T-Note 4,34%. Spread 2A-10A USA=+50pb B10A: ESP 3,51% PT 3,45% ITA 3,85% FRA 3,70% Euribor 12m 2,715% (fut.12m 2,984%). USD 1,168 JPY 186,6/€. Ouro 4.743 $. Brent 101,2$. WTI 104,5$. Bitcoin -1,8% (70.732$). Ether -0,22% (2.189$). 


SESSÃO: A semana passada saldou-se com um tom bastante positivo após o anúncio de um cessar-fogo entre os EUA e o Irão e o início de negociações no Paquistão para alcançar um acordo definitivo. Neste contexto, as bolsas acumularam na semana +3,5% em Nova Iorque e +4,5% na Europa, com o petróleo a baixar abaixo dos 100 dólares por barril (-12%), diminuindo as expetativas de inflação.


No plano macro, os primeiros dados de inflação nos EUA após o início do conflito mostraram um aumento menor do que o esperado (+3,3% vs. +3,4% est. e +2,4% ant.), enquanto a Confiança da Universidade de Michigan mostrou uma deterioração maior do que o esperado (47,6 vs. 51,5 est. e 52,3 nt.)


Esta semana parece que o tom negativo regressa, com o petróleo novamente acima dos 100 dólares (+7%), após as negociações entre os EUA e o Irão no Paquistão “falharem”. As diferenças insuperáveis parecem decorrer da recusa iraniana em ceder o controlo do Estreito de Ormuz e a renunciar o urânio enriquecido. Ainda assim, o cessar-fogo continua em vigor até 22 de abril.


Horas depois de finalizar as negociações, Trump anunciou que os EUA irão impor um novo bloqueio naval no Estreito de Ormuz sobre todos os navios que entrem ou saiam de portos iranianos, iniciando-se hoje às 15 h, o que impedirá as exportações de petróleo iraniano, até agora o único a sair do Golfo Pérsico e, portanto, acabará com a principal fonte de financiamento do regime Aiatolá. 


Vemos esta ação como positiva, já que não deverá afetar o fornecimento atual de energia pelo Estreito, já totalmente paralisado, e poderá acelerar a sua reabertura, ao forçar o Irão a chegar a um acordo, ao asfixiá-lo economicamente. Contudo, esta operação não está isenta de riscos e teremos de ver de que forma será realizada. 


No plano convencional, esta semana começa a temporada de resultados do T1 2026, com o mercado a antecipar um sólido crescimento do EPS, perto de +14% a/a em Nova Iorque e perto de +4,4% a/a na Europa. Pelo lado macro, teremos dois eventos destacados: (i) FMI (13-18 de abril; projeções WEO na terça-feira); (ii) Livro Bege da Fed (quarta-feira; 19 h) que prepara a reunião da Fed (28-29 abril). 


Em suma, como temos vindo a dizer, o processo de paz não estará isento de tensões, como as que veremos hoje, mas continuamos a pensar que o conflito é um “golpe”, não uma involução do ciclo económico. Mantemos exposições para um ciclo que se irá manter expansivo a médio prazo, com o retrocesso progressivo da inflação no segundo semestre de 2026 e 2027.

domingo, 12 de abril de 2026

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Agro reclama de margens 'corroídas' e pressão de insumos para próxima safra*


Por Gabriel Azevedo


São Paulo, 07/04/2026 - O Brasil colhe a maior safra de grãos da história, mas o produtor rural enfrenta o pico do escoamento com o diesel disparado, frete em alta e sem mecanismo para repassar esses custos ao preço da commodity. É o que reclama o setor agrícola. E o problema já começa a migrar para a cadeia de insumos, ampliando a incerteza para o planejamento da próxima temporada. "O produtor não consegue repassar esse custo. A soja é uma commodity com preço definido no mercado internacional, diferente do diesel, que sofre variações e tem seus custos rapidamente repassados pelos distribuidores, assim como acontece com o frete", diz o diretor administrativo da Aprosoja Mato Grosso, Diego Bertuol, sobre o grão que representa cerca de 50% do volume retirado do campo.


Em algumas regiões do Estado, a soja vem sendo negociada abaixo de R$ 100,00 a saca ao mesmo tempo em que o litro do diesel chegou a R$ 9,00, com alta próxima de 30% nas últimas semanas. "O produtor absorve esse prejuízo, com aumento de custos e redução de receita, comprimindo ainda mais a rentabilidade", afirmou.


O aumento do combustível eleva o custo de produção em cerca de 1,87% por hectare na soja e 1,24% no milho, segundo estimativa da Aprosoja-MT. O maior impacto, porém, está no transporte. Mato Grosso concentrou 49,8% das exportações brasileiras de soja em janeiro e fevereiro, com US$ 1,87 bilhão embarcado, segundo a Logcomex, plataforma de inteligência de dados para o comércio exterior. É também o Estado com as maiores distâncias logísticas do País e déficit de armazenagem estimado em 49%, o que obriga o produtor a escoar rapidamente, sem poder aguardar melhora de preço ou custo.


O vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Marcelo Schunn Diniz Junqueira, chama atenção para um componente da crise que vai além da alta de preços. "A crise do diesel não foi somente uma questão de preço do petróleo, mas também de escassez, haja visto que algumas distribuidoras que importavam diesel da Rússia tiveram que encerrar a importação e, portanto, houve um gap de suprimento no mercado", disse. Para quem travou venda antecipada antes do início do conflito entre Estados Unidos e Irã, a situação é ainda mais difícil. "Em muitos casos não é possível repassar no preço das commodities, principalmente, para aqueles produtores que haviam fechado contratos de entrega de safra futura, anteriormente ao início dos conflitos no Irã", afirmou.


O choque já alcança também a cadeia de insumos agrícolas. Importadores de fertilizantes e defensivos não estão conseguindo absorver os custos adicionais de frete internacional e já repassam os valores ao produtor, segundo o gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group, Luciano Carlos Fracola. Para ele, além do preço mais alto, há risco real de desabastecimento. "Temos que levar em consideração o aumento dos insumos, uma vez que existe a demanda e estamos em risco de falta destes insumos por problemas logísticos", disse. O canal de transmissão é o frete marítimo, que responde por 70% das importações brasileiras em valor, segundo a Logcomex, e que opera sob pressão desde o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem por onde transita cerca de 20% do petróleo negociado no mundo.


O governo anunciou nesta segunda-feira uma bateria de medidas para conter a alta dos combustíveis. Para o diesel importado, lançou subvenção de R$ 1,20 por litro, com custo de R$ 4 bilhões por dois meses, sendo R$ 2 bilhões da União e R$ 2 bilhões dos Estados, com 25 unidades da federação já confirmando adesão. Para o diesel produzido no Brasil, anunciou subvenção adicional de R$ 0,80 por litro, com custo de R$ 3 bilhões por mês arcado integralmente pelo governo federal. As duas subvenções se somam aos R$ 0,32 por litro já em vigor desde março. Mato Grosso aderiu ao programa. Mas Bertuol afirma que o benefício deve demorar para chegar à ponta. Nos distribuidores regionais de diesel, conhecidos como TRRs, e nas bombas dos postos do interior, o combustível continua sendo comercializado fora do preço de referência, conforme relatam associados da entidade. O impacto tende a ser menor para a soja, cuja safra já estava em escoamento quando o diesel disparou, e mais relevante para o milho, ainda na lavoura.


As exportações de soja somaram US$ 3,76 bilhões em janeiro e fevereiro, com preço médio de US$ 418 por tonelada, ainda 3,8% abaixo do registrado em 2024, segundo a Logcomex. O volume saiu, mas a receita não acompanhou o ritmo dos custos. Para agentes do setor, a subvenção trata o sintoma sem atacar a doença. Fracola defende a modernização do regime de drawback para insumos agrícolas, mecanismo que permite importar com isenção tributária condicionada à exportação futura. "Permitiria a importação de insumos agrícolas com alíquota zero condicionada a que ocorra exportações da propriedade", disse.


Junqueira cita juros altos e burocracia de licenciamento como entraves ao investimento em ferrovias, hidrovias e armazenagem. Com insumos mais caros chegando ao campo, a pressão sobre a rentabilidade do produtor tende a se estender para além do escoamento da safra atual.


Contato: gabriel.azevedo@estadao.com


Broadcast+

sexta-feira, 10 de abril de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Sexta Feira,10 de Abril de 2.026.


*Inflação testa mercado sob acordo frágil na guerra*

CPI americano (9h30) e IPCA de março (9h) devem incorporar choque de energia da guerra


… Na véspera do fim de semana, os mercados tendem a assumir alguma cautela, na expectativa pelo início das negociações entre representantes de Teerã e Washington, em encontro neste sábado, em Islamabad, no Paquistão. Apesar da distensão do cenário geopolítico, sobretudo pelos sinais de Trump de que quer encerrar essa guerra, ainda há muitas incertezas sobre a normalização da oferta do petróleo. O dia será marcado também pela divulgação do CPI americano, na primeira leitura a incorporar o encarecimento da gasolina sobre a inflação nos Estados Unidos, às 9h30, e, no Brasil, pelo IPCA de março, às 9h, que deve acelerar com a alta dos alimentos e dos combustíveis.


TRUMP QUER O ACORDO –A tentativa de construção de um cessar-fogo no Oriente Médio ainda está longe de uma estabilização do conflito, mas há avanços evidentes na diplomacia, que permitem algum otimismo.


… O ponto mais relevante para sustentar a perspectiva de um acordo segue sendo a mudança de postura de Donald Trump, que abandonou a retórica mais agressiva das últimas semanas e passou a adotar um tom mais conciliador em relação ao Irã.


… O presidente americano já não faz ameaças diretas ao regime iraniano, deixou de exigir publicamente a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e, nos bastidores, tem atuado para destravar as negociações.


… Segundo relatos, Trump pediu diretamente a Benjamin Netanyahu que reduzisse os ataques de Israel ao Líbano, uma das principais condições impostas por Teerã para avançar com o cessar-fogo.


… O movimento foi seguido por um anúncio do premiê israelense de que iniciará negociações diretas com o Líbano “o mais rápido possível”, com reuniões previstas já para a próxima semana, nos Estados Unidos.


… Apesar do gesto diplomático, Netanyahu deixou claro que não pretende interromper os bombardeios, mantendo um dos principais pontos de tensão do acordo.


… Do lado iraniano, a exigência de um cessar-fogo completo no Líbano continua sendo reafirmada, junto à manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz, que permanece fechado mesmo após o anúncio da trégua.


… O Irã também indicou que pode limitar a circulação de navios e chegou a discutir a cobrança de pedágios para a travessia, em meio a relatos de restrições operacionais no fluxo de petróleo.


… Na prática, o cenário ainda é de grande instabilidade, com episódios contínuos de violência na região e divergências abertas sobre os termos do acordo. Mas a delegação iraniana já chegou à capital do Paquistão, Islamabad, no fim da noite desta quinta-feira para as negociações.


… O Irã mantém pressões no campo operacional e reforça suas exigências, porém, está disposto a conversar.


… Também os sinais recentes de Washington — especialmente a atuação direta de Trump para conter a escalada militar — ajudam a sustentar algum grau de confiança do mercado de que uma negociação mais ampla pode avançar.


… Nesta quinta-feira, essa leitura foi suficiente para reduzir parcialmente o prêmio de risco nos ativos globais, com impacto direto sobre o petróleo, que, após forte queda na véspera, voltou a subir, mas ainda abaixo dos níveis mais críticos.


… Instituições como o Goldman Sachs já revisaram para baixo suas projeções de curto prazo para o petróleo, citando a redução do risco imediato, embora ressaltem que a tendência segue assimétrica, com riscos relevantes de novas altas.


… No pano de fundo, permanece a avaliação de que, mesmo com um eventual avanço nas negociações, os efeitos sobre energia e inflação devem persistir por algum tempo, mantendo o cenário global sensível aos próximos desdobramentos.


RÚSSIA X UCRÂNIA -Concordaram com uma trégua de dois dias durante o feriado da Páscoa ortodoxa, a partir deste sábado, com cessar-fogo anunciado por Putin e adesão por Zelensky, embora ambos mantenham tropas em alerta e o acordo ainda seja visto com cautela.


A CONTA DA GUERRA – O governo segue acelerando medidas para mitigar os impactos da alta do petróleo sobre a economia, combinando crédito, desoneração e ajustes operacionais, enquanto tenta evitar repasses imediatos aos preços domésticos.


… Já foram formalizadas a isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e abertura de linhas de crédito para o setor aéreo, incluindo capital de giro de R$ 1 bilhão e um programa mais amplo, que pode chegar a R$ 7,5 bilhões via FNAC, operacionalizado pelo BNDES.


… A medida busca garantir liquidez às companhias em meio à disparada dos custos de combustível, embora a demora na regulamentação ainda gere incertezas no setor.


… No segmento de combustíveis, a Vibra sinalizou adesão ao programa de subvenção ao diesel, após ajustes técnicos e diálogo com o governo e a ANP, reforçando a tentativa de dar previsibilidade ao mercado e conter impactos sobre o consumidor final.


… Ainda no campo emergencial, a Petrobras voltou atrás no leilão de GLP, após pressão direta de Lula, mas segue sem clareza sobre a devolução do ágio, estimado em cerca de R$ 140 milhões, levantando dúvidas sobre a efetividade da medida para reduzir o preço ao consumidor.


… No front fiscal, o governo recorreu da decisão que suspendeu a cobrança do imposto de exportação sobre o petróleo, peça-chave do pacote de compensação, em um movimento que adiciona incerteza à calibragem das contas públicas, diante das medidas de alívio.


… Mas a Justiça negou ontem à noite o pedido da União e manteve a decisão liminar que suspendeu a cobrança do Imposto de Exportação de petróleo para cinco petroleiras que operam no Brasil.


… Já no plano operacional, a equipe técnica avalia antecipar a contratação de gás natural para usinas térmicas, ampliando o prazo de 60 para 90 dias, em estratégia preventiva para garantir oferta de energia em um cenário de maior risco geopolítico.


… No conjunto, o governo combina ações emergenciais e medidas estruturais para amortecer o choque externo, mas a efetividade do pacote segue condicionada à evolução do conflito e ao equilíbrio entre preços, atividade e arrecadação.


ENDIVIDAMENTO – O pacote do governo para reduzir o endividamento das famílias pode incluir a liberação de cerca de R$ 7 bilhões do FGTS para trabalhadores com valores residuais de saques anteriores.


… A medida deve vir acompanhada de ações de renegociação de dívidas, com foco em famílias de menor renda.


… O plano ainda está em elaboração e dependerá de aval do Congresso.


CURTAS NA POLÍTICA – Aliados de Davi Alcolumbre veem espaço para votar a PEC da autonomia financeira do Banco Central antes das eleições, embora o avanço ainda dependa de acordo político e de aval da equipe econômica.


… A sabatina de Jorge Messias ao STF foi marcada para 29 de abril, com ambiente considerado favorável no Senado e expectativa de aprovação no mesmo dia, depois de meses de impasse na nomeação do novo ministro que ocupará a vaga de Barroso.


… Alcolumbre também convocou sessão do Congresso para 30 de abril para analisar o veto ao projeto da dosimetria (8 de janeiro).


… Datafolha divulga amanhã, sábado, a primeira pesquisa sobre a eleição presidencial após a entrada de Ronaldo Caiado e com simulação de segundo turno também entre Fernando Haddad e Flávio Bolsonaro.


… Na Folha, a colunista Mônica Bergamo afirmou que a possibilidade de Haddad substituir Lula como candidato à Presidência anima integrantes do mercado financeiro; banqueiros e executivos já abordaram lideranças do PT e o próprio ex-ministro para tratar do tema.


MAIS AGENDA –A sexta-feira concentra os principais dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, em um ambiente ainda pressionado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre energia e logística.


… A manhã começa com o IGP-M do 1º decêndio de abril (8h), que pode já refletir parte da recente alta do petróleo.


… Às 9h, o IBGE divulga o IPCA de março, com expectativa de aceleração a 0,77%, após 0,70% em fevereiro, segundo a mediana do mercado apurada pelo Broadcast, com projeções entre 0,47% e 0,82%.


… Em 12 meses, a inflação pode subir a 4,03%, de 3,81%, pressionada principalmente por alimentos e combustíveis, já incorporando efeitos indiretos da guerra via custos logísticos e energia.


… Apesar disso, a média dos núcleos deve desacelerar para 0,38%, de 0,62%, indicando algum alívio na margem em serviços e bens industriais.


… No mesmo horário, Galípolo participa de encontro na FEA-USP (10h), em fala sobre política monetária e conjuntura econômica. Fechado para a imprensa.


… No exterior, o foco se volta para os Estados Unidos, com a divulgação do CPI de março (9h30), que deve subir 0,9% no mês, após 0,3% em fevereiro, com a taxa anual avançando a 3,4%.


… O dado deve ser a primeira leitura a incorporar de forma mais clara o choque de energia, com forte impacto da gasolina, enquanto o núcleo tende a subir 0,3% no mês e 2,7% em 12 meses.


… Às 11h, saem o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, com expectativa de leve recuo a 52,5, e as encomendas à indústria de fevereiro. Às 14h, o relatório da Baker Hughes divulga poços e plataformas de petróleo em operação nos Estados Unidos.


CHINA HOJE – A inflação ao consumidor (CPI) de março registrou alta anualizada de 1,0%, abaixo da previsão dos analistas, de 1,2%. Já os preços ao produtor (PPI) avançaram 0,5% no período, contra expectativa de 0,6%.


GUERRA E PAZ – Apesar de Netanyahu continuar irredutível, dizendo que não vai interromper os bombardeios sobre o Líbano, a pressão de Trump para que Israel sente para negociar com Beirute aliviou a pressão nos negócios.


… O petróleo desacelerou a alta, as bolsas em Nova York ampliaram os ganhos e o S&P 500 fechou a 150 pontos de seu recorde, enquanto por aqui o Ibovespa conquistou a façanha de romper a marca inédita dos 195 mil pontos.


… Também o câmbio refletiu as novidades do front, com o dólar na cotação mais barata em dois anos (R$ 5,06).


… O investidor sabe muito bem que o jogo só acaba quando termina e que a trégua negociada está longe de ser confiável. Mesmo assim, o noticiário serviu como válvula de escape para o mercado continuar aliviando o estresse.


… O Ibovespa subiu 1,52% e emplacou mais um recorde duplo, com giro expressivo de novo, de R$ 37,2 bilhões, para dar consistência à máxima de todos os tempos no fechamento (195.129,25 pontos) e ao pico intraday (195.513,91).


… O índice à vista da bolsa doméstica completou, assim, oito pregões consecutivos no azul. A queda de 1,05% da Vale, para R$ 84,69, seguindo a tendência do minério de ferro (-2,53%), não impediu os topos históricos da bolsa.


… Apesar de o petróleo ter perdido fôlego à tarde, Petrobras ON subiu 2,93%, a R$ 52,69, e PN, +2,77%, a R$ 47,90.


… Os papéis dos principais bancos também foram determinantes para o Ibovespa cruzar a barreira recorde: Itaú, +1,71% (R$ 45,75); Bradesco PN, +0,59% (R$ 20,29); Santander unit, +1,81% (R$ 31,98); e BB ON, +0,94% (R$ 24,72).


… Operadores relataram ao Broadcast que tem muito recurso estrangeiro no meio do volume financeiro que vem bombando nos últimos dois dias no Ibovespa. A forte presença gringa leva o mercado a sonhar com dólar a R$ 5,00.


… Não está longe: ontem, marcou R$ 5,0588 na mínima do dia, para fechar a R$ 5,0634, em queda de 0,77%.


… Apesar de o real e a bolsa terem voltado a exibir força, os juros futuros tiveram queda moderada, preferindo não comprar excessivamente o otimismo em um desfecho positivo do cessar-fogo, porque vai que dá tudo errado.


… Um dia depois de ter derretido com os gestos de aproximação entre Trump e o Irã, a curva achou melhor ir mais devagar. O contrato de DI para Janeiro/27 caiu para 13,920% (de 13,952%); e Jan/28, a 13,400% (13,456%).


… Jan/29 recuou para 13,305% (de 13,357% na véspera); Jan/31, 13,465% (13,503%); e Jan/33, 13,575% (13,610%).


ROLOU UMA BOA VONTADE – As bolsas em NY amanheceram reconhecendo a fragilidade do cessar-fogo, mas zeraram as perdas à tarde, querendo acreditar que Israel não vai prejudicar o sucesso das negociações com o Irã.


… No otimismo de virada, o índice Dow Jones registrou valorização de 0,58%, aos 48.185,80 pontos, o S&P 500 avançou 0,62%, aos 6.824,65 pontos, e o Nasdaq terminou o dia em alta de 0,83%, aos 22.822,417 pontos.


… Um dia depois do maior tombo em seis anos, o petróleo Brent também começou o dia se ajustando e chegou a flertar novamente com os US$ 100 na máxima, mas segurou o ímpeto e desacelerou para US$ 95,92 (+1,23%).


… No câmbio, o índice DXY do dólar conseguiu relaxar (-0,31%), para fechar abaixo da linha dos 99 pontos (98,819), mesmo que o terreno das negociações diplomáticas continue bastante instável e marcado por reviravoltas.


… O euro subiu 0,28%, para US$ 1,1711, e a libra ganhou 0,25%, a US$ 1,3444. Só o iene caiu, para 159,04 por dólar.


… A esperança de alívio do petróleo com as conversas entre EUA, Irã, Israel e o Líbano impediu as taxas dos juros dos Treasuries de subirem: a da Note-2 anos recuou a 3,781% (de 3,787%) e de 10 anos, a 4,286% (de 4,287%).


… Na agenda do dia, a inflação do PCE não assustou, mas continua estourando a meta de 2% perseguida pelo Fed.


… O núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE) subiu 0,4% em fevereiro na comparação mensal e 3% na anual, ambos em linha com o previsto, enquanto a renda pessoal teve queda inesperada de 0,1% no mês.


… Já o PIB americano do 4TRI cresceu a uma taxa anualizada de 0,5%, ante da expectativa de alta de 0,7%, enquanto os pedidos de auxílio-desemprego aumentaram 16 mil na última semana, para 219 mil, acima da previsão de 210 mil.


… Para a Capital Economics, a tendência é de que o crescimento nos Estados Unidos siga contido neste trimestre, já que os preços elevados dos combustíveis pressionam o poder de compra das famílias.


… Na plataforma CME Group, as chances de cortes de juro pelo Fed voltaram a ser postergadas para o segundo semestre de 2027.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS acertou a compra das participações remanescentes em Tartaruga Verde e no Módulo II de Espadarte por US$ 450 milhões, passando a deter 100% dos ativos.


JBS captou US$ 500 milhões com reabertura de título de dívida que havia emitido no final de março, apurou o Valor. A S&P Global afirmou que a reabertura da captação alonga o cronograma de vencimentos da dívida da companhia.


BRB convocou assembleias para 30/4 para deliberar sobre balanço de 2025, dividendos e remuneração. O banco negou aporte de R$ 30 bilhões no Master e afirmou que informações divulgadas foram “distorcidas”.


HAPVIDA. Lucas Garrido foi indicado para vice-presidente de Finanças da companhia, substituindo Luccas Adib, que assumirá como CEO.


ONCOCLÍNICAS. Prejuízo quase dobrou no quarto trimestre/25, em base anual, para R$ 1,51 bilhão. Receita líquida somou R$ 1,36 bilhão, queda de 12,6% contra um ano antes, e Ebitda ficou negativo em R$ 574 milhões (estável)…


… A companhia informou nesta quinta-feira à CVM que a sua continuidade operacional depende da renegociação de dívidas e destacou incerteza relevante sobre sua capacidade financeira.


IRB. Goldman Sachs passou a deter 6,07% das ações ordinárias.


SMARTFIT. Norges Bank passou a deter 5,01% das ações ordinárias.


NEOENERGIA. Iberdrola atingiu cerca de 98% do capital após OPA e dará seguimento ao fechamento de capital.


CURY registrou VGV de lançamentos de R$ 2,646 bilhões no 1TRI26, queda de 4,9% na base anualizada, e vendas líquidas de R$ 2,33 bilhões (+9,5%)


DIRECIONAL registrou lançamentos de R$ 1,0 bilhão (+12%) e vendas líquidas de R$ 1,6 bilhão (+19%) no 1TRI26.


FERROGRÃO. STF adiou novamente julgamento sobre o projeto, com placar parcial de 2 a 0 favorável à obra.


LOCALIZA. Citi reiterou recomendação de compra e elevou preço-alvo de R$ 52 para R$ 55, citando expectativa de resultados fortes no 1TRI, com operações resilientes e disciplina de preços.


VITRU fixou preço de R$ 14,69 por ação em follow-on, podendo levantar até R$ 276,3 milhões.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,6% US tech +0,7% US semis +2,1% UEM -0,3% España -0,2% VIX 19,5% Bund 3,01% T-Note 4,30% Spread 2A-10A USA=+51pb B10A: ESP 3,43% PT 3,41% FRA 3,63% ITA 3,75% Euribor 12m 2,86% (fut. 2,85%) USD 1,169 JPY 186,1 Ouro 4.758$ Brent 96,6$ WTI 98,3$ Bitcoin -0,5% (72.048$) Ether -0,9% (2.194$).


SESSÃO: O tom do mercado virá marcado pelas novidades do Médio Oriente – para calibrar a viabilidade da trégua e do processo negociador – e pelos dados do IPC americano de março – que permitirão avaliar os primeiros impactos do choque energético.


A fragilidade do cessar-fogo revelou-se ontem, a poucas horas do acordo: ataques de Israel no Líbano, restrições do Irão ao tráfego pelo Estreito de Ormuz e declarações de Trump alertando para uma escalada se o Irão não cumprir o acordo. À última hora da tarde, o sentimento melhorou ao Israel anunciar o início de negociações com o Líbano, eliminando um ponto-chave de fricção no conflito.


A primeira ronda de conversações entre os EUA e o Irão começa este fim de semana no Paquistão. As posturas iniciais estão distanciadas. O plano iraniano é maximalista e o acordo irá requerer concessões difíceis para os EUA (controlo de Ormuz, armamento nuclear..). A parte positiva é que existe um interesse mútuo em alcançar um acordo e estão a ser dados os passos (cessar-fogo + processo negociador) em boa direção.


Na frente convencional, o foco estará na inflação americana e na Confiança da Univ. de Michigan. O IPC irá aumentar (+3,4% desde +2,4% por energia) e  Taxa Subjacente também irá ver-se afetada (+2,7% vs +2,5% ant), afastando-se do objetivo da Fed. Veremos deterioração na Confiança do Consumidor (51,3 vs 53,3) com as Expetativas de Inflação claramente em alta (1 ano:+ 4,3% est. vs +3,8% ant. e 5 anos +3,5% est. vs +3,2% ant). 


Neste contexto, os cortes de taxas de juros da Fed terão de esperar. Sem recuperação do choque alfandegário, começa um choque energético. Além disso, o mercado laboral está em equilíbrio e não requer estímulos. O nosso cenário central contempla um corte apenas em 2026, e para o final do ano.


CONCLUSÃO: Sessão de otimismo cauteloso perante o início de conversações, este fim de semana, entre os EUA e o Irão e o anúncio de um acordo para dialogar entre Israel e o Líbano. Em qualquer caso, os potenciais avanços nas bolsas serão moderados. Ainda faltam muitas incógnitas por resolver antes de uma normalização completa. Além disso, a macro não irá ajudar na sessão (aumento na inflação e deterioração na confiança), evidenciando que o impacto na economia começa a ser tangível e afastando possíveis cortes de taxas de juros. Defendemos que a guerra irá terminar em breve e que terá valido a pena ser paciente e assumido posições em momentos de correções.

Vladimir Timerman

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