domingo, 11 de janeiro de 2026

Leitura de Domingo

 *Leitura de Domingo: momento para discutir nova reforma da previdência é 2027, dizem especialistas*


Por Anna Scabello, Gabriela Jucá e Fernanda Bompan


São Paulo, 08/01/2026 - Com o rápido avanço das despesas previdenciárias, especialistas consultados pela Broadcast consideram que 2027 será um bom momento para a sociedade brasileira discutir mais uma Reforma da Previdência, no início de um novo governo. A última reforma, aprovada durante a gestão federal de Jair Bolsonaro, em 2019, completou seis anos recentemente e, no entanto, não apresentou a melhoria esperada no médio prazo.


O ex-secretário de Previdência e consultor legislativo Leonardo Rolim considera que há espaço para retomar a discussão de uma nova Reforma da Previdência após as eleições, em 2027, principalmente para voltar a discutir os pontos que foram retirados pelo Congresso na última reforma. “O texto aprovado em 2019 teve um efeito muito bom. Mas, nesse cenário de transição demográfica, com envelhecimento da população, precisamos voltar aos pontos excluídos pelo Congresso”, afirma.


Um dos pontos retirados da versão original previa a adoção de um regime de capitalização, em que cada trabalhador financia a própria aposentadoria em uma conta individual. Segundo Rolim, esse seria o modelo ideal para uma previdência sustentável no longo prazo no País, que hoje tem o regime de repartição. “O primeiro antídoto é criar essa camada de capitalização. Os países com previdências sustentáveis, como Dinamarca, Suécia, e Finlândia, contam com essa camada”, observa.


O diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir da Silva, afirma que o Brasil precisa iniciar antes o debate sobre uma nova Reforma da Previdência, já em 2026, ano eleitoral, para que mudanças estruturais possam ser implementadas em 2027. “O momento para tratar desse assunto será este ano, uma vez que os candidatos precisam se mostrar comprometidos com uma solução para o Estado brasileiro, com uma reforma previdenciária em 2027”, diz.


Silva sugere que a Abrapp, a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) podem retomar e atualizar a proposta conjunta apresentada em 2019 de um modelo híbrido, público e privado. Nele, a previdência pública seria baseada em repartição e capitalização, enquanto a previdência complementar privada teria uma parte coletiva e uma individual.


Segundo ele, adiar a discussão trará um risco real de colapso do sistema previdenciário nos próximos anos, visto que a reforma de 2019 foi insuficiente diante do rápido envelhecimento da população e pouco eficaz nos parâmetros da idade de aposentadoria. Silva lembra que o País já gasta cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) com Previdência, nível de países envelhecidos, mesmo com resquícios do bônus demográfico.


“Desde 2010, nós estamos com um índice de natalidade em 1,5 filho por mulher. Nós precisaríamos ter 2,1. A base da pirâmide diminui e o topo aumenta. Essa conta não fecha em um processo de transferência de encargos entre gerações”, explica.


O economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Fabio Giambiagi também considera que uma nova reforma deveria endereçar pontos que não foram aprovados por falta de quórum político em 2019, como elevar a idade de aposentadoria da Previdência rural; reduzir a diferença da idade de contribuição entre homens e mulheres de 5 para 3 anos de forma gradual; e elevar a idade de aposentadoria do contribuinte urbano.


Giambiagi ressalta que o propósito da reforma de 2019 era apenas desacelerar o avanço dos gastos previdenciários, e não reduzi-los. Fatores como a aprovação da nova lei do salário mínimo em 2023, no entanto, contribuíram para que as despesas voltassem a acelerar, com a junção de uma pressão fiscal adicional a uma pressão demográfica.


“Dois terços dos beneficiários recebem o valor de um salário mínimo, o que, com um aumento real de 1% do salário, resulta em aproximadamente 45% da folha total de pagamentos”, detalha. O pesquisador menciona ainda que, nos últimos anos, o avanço das concessões do auxílio-doença e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) também ajudaram a pressionar as despesas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).


Outro ponto classificado como uma bomba-relógio por Giambiagi é o valor de contribuição dos Microempreendedores Individuais (MEIs) considerando a expectativa de vida dos brasileiros. “O MEI contribui só com 7% do valor presente do que ele vai receber. Isso representa um subsídio de 93%”, estima. “Quando nos debruçamos em cima disso, a impressão que dá é de que ninguém faz contas ao criar uma lei”.


Contato: anna.araia@estadao.com; gabriela.silva@estadao.com; fernanda.bompan@estadao.com


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Ouro se valorizando

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/01/ouro-pode-valer-40-vezes-mais-se-dolar-perder-status-de-moeda-de-reserva-global.ghtml


*Ouro pode valer 40 vezes mais se dólar perder status de moeda de reserva global*


_Escalada recente levou o metal precioso a ultrapassar o nível de US$ 4,5 mil por onça-troy nesta semana_


Por Gabriel Roca, Valor — São Paulo


As dúvidas sobre se o dólar irá se manter como moeda de reserva global surgem de tempos em tempos, e têm se avolumado nos últimos anos. Com esse cenário em mente, a gestora americana VanEck, que administra cerca de US$ 160 bilhões, tentou responder a uma pergunta específica: qual seria o preço do ouro em um mundo em que o dólar perde seu status de moeda global e o metal precioso passa a funcionar como âncora do sistema monetário?


A resposta varia conforme as premissas, mas, no cenário em que o ouro precisaria equilibrar os passivos monetários amplos (M2) dos bancos centrais, a onça-troy poderia chegar a US$ 184 mil — aproximadamente 40 vezes o preço atual, de US$ 4,5 mil.


O estudo adota um cenário hipotético em que o dólar perde seu status de reserva e todo o ajuste do sistema monetário recai sobre o ouro, sem considerar outras moedas, títulos ou a implementação de controles de capital. Para chegar aos números, os autores Eric Fine, Natalia Gurushina e David Austerweil comparam os passivos monetários dos bancos centrais (M0 ou M2) com suas reservas oficiais de ouro, usando câmbios correntes, e ponderam os resultados globais pela participação no mercado de câmbio.


No primeiro exercício, os profissionais da VanEck dividem, individualmente, o M0 — dinheiro emitido diretamente pelo banco central, como cédulas em circulação e reservas bancárias que aparecem em seus balanços — pelas reservas detidas em ouro por cada autoridade monetária.


Para o conjunto de países observado, o preço do metal que igualaria os dois lados do balanço dos bancos centrais seria, em média, US$ 31,6 mil por onça-troy, contra uma mediana de US$ 18,2 mil. No entanto, ao ponderar os resultados pelo peso de cada moeda no mercado global de câmbio — o dólar responde por cerca de 50% do volume — o valor de referência salta para US$ 39,2 mil por onça.


Para o Brasil, o preço de equilíbrio do ouro seria de US$ 14.376 por onça, abaixo da média e da mediana do estudo. Vale apontar que, quanto maior a distância entre o preço implícito do ouro e o preço de mercado, maior a pressão sobre aquele banco central no caso do cenário de uma “desdolarização” ocorrer.


Reino Unido e Japão aparecem como os países mais frágeis nessa métrica, com preços de equilíbrio de US$ 102.154 a onça e US$ 144.741 a onça-troy, respectivamente.


Cazaquistão e Rússia aparecem na outra ponta do levantamento. “De acordo com os resultados, os países poderiam ter um sistema crível de câmbio fixo contra o ouro, tendo literalmente ouro suficiente para respaldar os passivos em M0, abaixo dos preços atuais de mercado do ouro e de suas respectivas moedas. Os ativos (ouro) são, na verdade, bastante elevados, mas, novamente, é o baixo passivo monetário que é indiscutivelmente mais importante na equação”, afirmam os autores.


Ao se levar em consideração uma métrica mais ampla de dinheiro, o M2, que engloba depósitos à vista, poupança e aplicações líquidas, o preço do ouro que equilibra o balanço dos bancos centrais é de aproximadamente US$ 100 mil por onça. “Quando ponderamos o preço do ouro que iguala o M2 pelas principais moedas de câmbio, essa média ponderada é de US$ 184.211”, afirmam os autores do estudo.


Os profissionais da VanEck, por fim, notam que os preços mais elevados do ouro não seriam a única implicação do cenário em que o dólar perde seu status de reserva global de valor.


“Esse cenário também levaria a um ajuste relativo maciço das taxas de câmbio individuais em relação ao dólar. Usar os preços do ouro em dólares para cada país pode nos dar pelo menos uma ideia sobre uma nova taxa de câmbio para esses países em relação ao dólar. Nossas estimativas sugerem que algumas moedas podem sofrer valorizações significativas (supondo que não haja intervenção dos bancos centrais), enquanto outras seguirão na direção oposta. Haverá grandes mudanças tanto nos ajustes cambiais quanto nos aumentos do preço do ouro até que se alcance um novo equilíbrio”, afirmam os profissionais.


Falcão Notícias

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