quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Falência fiscal do País

 E VAMOS NÓS COM A POLÍTICA POPULISTA ATÉ ONDE AGUENTAR

O descrédito da atual política fiscal é generalizado, percepção alimentada pelo próprio governo de Lula, que não perde nenhuma oportunidade de corroborar seu pouco-caso em relação ao saneamento das contas públicas. Isso fica patente a cada exceção criada para retirar despesas da base de cálculo, a cada programa que desconsidera o impacto financeiro ao longo do tempo, a cada pronunciamento em defesa do aumento de gastos. Quando esses sinais são reunidos e quantificados, não deixam dúvidas de que o País caminha abertamente em direção à falência fiscal.
Em estudo recente publicado pela Ibre/FGV, o economista Alexandre Manoel agregou dados que, a partir de 2003, representaram ganhos de receita que farão a arrecadação federal chegar a cerca de 19% do PIB este ano. Do outro lado, medidas recentes de expansão de gastos pesaram sobremaneira na balança, com alta de 0,8 ponto porcentual no orçamento no curto período entre dezembro de 2022 e dezembro de 2024, chegando à proporção de 19% do PIB.
Alexandre Manoel mencionou sete sinais que reforçam o descontrole e contribuem para o País conviver com um dos maiores níveis de juros do mundo, com taxa básica (Selic) de 15% ao ano. São eles: 1) elevação das despesas do governo (União, Banco Central e Previdência Social); 2) falta de austeridade na concessão de subsídios; 3) piora significativa no resultado das estatais; 4) frustração da meta do arcabouço fiscal de entregar superávits orçamentários; 5) aumento da necessidade de financiamento do governo central, Estados e municípios; 6) projeções do governo e do mercado apontam tendência de alta da dívida pública; e 7) a dívida brasileira se mantém em patamar superior ao de outras economias emergentes.
Cada um desses pontos explica o processo de destruição da confiança no arcabouço, na política fiscal e no próprio futuro da economia. E mostra quão afastado da realidade está o discurso do governo – em particular do presidente Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – sobre o compromisso fiscal. Haddad, em entrevista ao Estadão, chegou a declarar que espera ver reconhecido pelo Banco Central o seu “esforço fiscal relevante”. Não é o que dizem os números.
Na questão de subvenções, por exemplo, o estudo resgata dados do Orçamento de Subsídios da União, divulgado em agosto, para mostrar que os gastos tributários federais atingiram 4,8% do PIB em 2024. Em 2003, quando ainda havia superávit nas contas públicas, o indicador girava em torno de 2%. Isso significa que hoje o governo abre mão de arrecadar quase 5% da renda nacional em benefícios e isenções. A carga tributária federal próxima de 23% do PIB deixa evidente a distorção.
O avanço inicial ensaiado com a instituição do arcabouço fiscal é continuamente minado tanto pela falta de reformas pelo lado das despesas – algo que, para Lula, soa como heresia. Na campanha presidencial que se aproxima, é essencial haver propostas concretas para estabilização da dívida.

Dizer o que?

 “Daniel Vorcaro é acusado de crimes contra o sistema financeiro. Teria praticado as mais desvairadas aventuras com dinheiro público e privado, fundos de previdência estatais, recursos de aposentados, falsificado títulos de crédito, negociado CDBs de contos de fadas."


Sob a condescendência do Banco Central, Cade, Fundo Garantidor de Créditos, além de governos municipais e estaduais que bancaram suas promessas, o Banco Masterexplodiu e acaba de ser liquidado pelo Banco Central. Vorcaro segue em prisão preventiva enquanto advogados trabalham juridicamente e "sócio-politicamente" para tirá-lo de lá.


O banqueiro costumava ressaltar que um de seus lemas nos negócios era escolher bem as pessoas "com quem se conectar nessa jornada". Levou tão a sério sua jornada que passou a patrocinar elites políticas, jurídicas e empresariais, a financiar o respeito e a admiração da Faria Lima e da praça dos Três Poderes.


Em 2022, no Lide Brazil Conference, de Nova York, Vorcaro financiou jantar de gala para ministros Gilmar Mendes, Luis Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e mais dezenas de pessoas. O Banco Master não estava anunciado como patrocinador oficial, mas havia dinheiro de Vorcaro.


Em 2023, no 1º Fórum Esfera Internacional, realizado em Paris, na presença de Barroso e Gilmar, Vorcaro elogiou o STF como "guardião da democracia". Em 2024, no 2º Fórum Esfera Internacional, ali perto em Roma, com Toffoli, Lewandowski, Barroso e Gonet no recinto, Vorcaro palestrou e alertou que o governo precisava resolver o "buraco das contas públicas".


Em 2024, em Londres, por ocasião do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado pelo Grupo Voto com patrocínio do Banco Master, Gilmar, Moraes, Toffoli e Lewandowski ofereceram suas próprias ideias a esse fórum de ideias do encontro lobístico.


As rodas de conversa organizadas por empresas como Lide, Voto, Esfera e IDP contam com a presença de um Brasil muito particular, muito pequeno, muito homogêneo, muito rico. Encontros promíscuos temperados por cotas de diversidade nas mesas públicas, sem cotas nos coquetéis privados. Um Brasil que estabelece uma relação abusiva com a lei.


A configuração de conflitos de interesse nesse novo capítulo da batalha jurídica que enreda o Banco Master e seus sócios, se não traz nada de original, pelo menos ajuda a explicar o óbvio com mais riqueza romanesca.


Ministros do STF tornaram impossível a instituição do STF tomar decisão digna de respeito sobre o Banco Master e seus sócios. Se conceder habeas corpus para tirá-los da prisão, desconfiaremos de favor aos amigos ricos. Se negar habeas corpus, desconfiaremos que foi justamente para prevenir a imagem de favor aos amigos.


Teremos toda razão para duvidar de qualquer despacho que beneficie ou não qualquer desses sujeitos e suas empresas. Porque as condições para aplicação imparcial da lei foram suprimidas pelos ministros que frequentam esse interminável happy hour.


A banqueirofilia não é exclusiva à magistocracia. Mas quando entra no sistema de justiça, corrompe as condições pressupostas no respeito que magistrados nos pedem e na autoridade que exercem.”

William Wack

 É UMA FARRA SÓ EM BRASÍLIA


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Vorcaro e o funk ostentação

William Waack


O Estado de S. Paulo.

20 de nov. de 2025


Daniel Vorcaro criou um “hedge” político que consistia em levar todo mundo para a festa. Nada de novo ou original. Periodicamente alguma figura de ascensão meteórica na arte de juntar dinheiro – em geral, às custas de trouxas – garante seus negócios chamando quem está próximo do cofre e/ou da máquina pública.


O que fez o ex-banqueiro sentir-se tão à vontade foram dois fatores, um de longo prazo e o outro o resultado das novas tecnologias (leia-se redes sociais). O primeiro é o velho patrimonialismo brasileiro, na forma de agrupamentos privados apelidados de partidos que entendem como ninguém de dinheiro de trouxas (contribuintes). Tem sempre dinheiro público envolvido em manobras como as de Vorcaro e de seus antecessores.


O segundo é uma mudança antropológica, digamos, de hábitos e valores sociais em várias instâncias. É um clima de permissividade que se traduz na ausência de qualquer “barreira moral” quando se constata com que normalidade se aceita hoje a mescla entre público e privado.


Não há qualquer receio de exposição da participação de agentes públicos, inclusive do Judiciário, em farras milionárias bancadas pela figura em ascensão meteórica.


Em certa medida o fenômeno é comparável ao do funk ostentação, que sai do nicho original e vira mainstream –e conquista a Faria Lima. Esbanjar milhões em festas e eventos e garantir enorme exposição nas plataformas digitais não é feio nem causa vergonha alguma, sequer alheia. É o sentido da coisa.


Para o governo Lula, que está tentando nas próximas eleições fazer da Faria Lima a “cabeça” do crime organizado, mesmo assim o escândalo do Master e seus sócios é terreno perigoso e desconfortável.


O PT está na mesma panela dos partidos do Centrão e de direita no tráfico de influência cruzado, nas ligações pessoais perigosas. Uma parte da matriz da operação de Vorcaro vem de reduto tradicional do partido na Bahia.


O problema não é o grau de envolvimento individual deste ou daquele personagem de qual partido, mas a ideia de que vigora uma grande corrupção institucionalizada. Num ambiente de impunidade geral. É o tipo de percepção emotiva e generalizada na qual Lula e seu partido sempre são mencionados de forma negativa. Dificilmente será contraposta pelo “governo da Polícia Federal que combate o crime emanado da Faria Lima”.


Apoiado em operações da PF contra o “Grosskapital”, como se dizia antigamente, o marketing político do governo já vinha apontando nessa direção antes mesmo da liquidação do Master.


O risco para Lula é o fato de que grande parte do eleitorado só se lembra de uma frase quando ocorre escândalo desse tipo. É tudo farinha do mesmo saco. •

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...