sábado, 21 de fevereiro de 2026

Leitura de sábado

 *LEITURA DE SÁBADO: LIQUIDAÇÃO DO PLENO PÕE FIM A INSTITUIÇÕES QUE PASSARAM PELO MASTER*


15:00 21/02/2026 

Por Cicero Cotrim


Brasília, 18/02/2026 - A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira, colocou fim a praticamente todas as instituições que passaram pelo conglomerado do Master. Sete integrantes e ex-integrantes do grupo tiveram suas atividades encerradas desde 18 de novembro, data em que o regulador liquidou o próprio Master.


A derrocada do conglomerado Master deve custar quase R$ 60 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) - o maior impacto de casos do tipo. O fundo deve gastar cerca de R$ 51,9 bilhões com o ressarcimento de investidores das instituições liquida-das, já incorporando a conta do Pleno. A esse montante somam-se cerca de R$ 8 biIhões que foram usados nas operações de assistência ao Master realizadas ao longo de 2025 e não serão recebidos de volta.


De todas as instituições do conglomerado, a única que ainda não foi liquidada é o Banco Master Múltiplo. Ele está em Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde novembro. O destino mais provável para a instituição parece ser a liquidação - até hoje, nenhum caso de decretação de RAET evitou que um banco acabasse sendo liquidado.


O Banco Master e outras três empresas do grupo - Banco Master de Investimento, Banco Letsbank e Master CTVM - foram liquidados em 18 de novembro de 2025, após o BC ter identificado graves problemas na gestão das instituições. O banco passava por graves problemas de liquidez: na semana em que foi liquidado, tinha R$ 4 milhões em caixa e R$ 127 milhões em compromissos a pagar.


A liquidação ocorreu após um longo processo, que envolveu a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O BC identificou que o Master teria vendido R$ 12,2 bilhões em créditos falsos para a instituição financeira pública do Distrito Federal.


A comunicação desse fato à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF) deu origem à operação Compliance Zero.


A PF chegou a prender preventivamente o dono do Master, Daniel Vorcaro, e outros sócios e ex-sócios da instituição, incluindo o proprietário do Banco Pleno, Augusto Ferreira Lima. Eles acabaram soltos, com o uso de tornozeleiras eletrônicas.


Em janeiro deste ano, o BC liquidou a antiga Reag DTVM, que já havia sido alvo da segunda fase da Compliance Zero. A empresa é suspeita de ter feito parte de um esquema bilionário de desvio de recursos e compra de ativos fraudulentos por meio do Banco Master. No mesmo mês, o BC liquidou o will bank, então controlado pelo Banco Master Múltiplo, após um acordo para a venda da instituição ser frustrado.


Nesta quarta-feira, foi a vez do Banco Pleno (ex-Banco Voiter) e da Pleno DTVM. Essas instituições já não faziam mais parte do conglomerado Master, tendo sido vendidas pelo banco a Augusto Ferreira Lima - um ex-sócio do próprio Master - em agosto de 2025. Segundo apurou a Broadcast, essa liquidação foi um caso "simples" de falta de liquidez, sem relação com fraudes.


*Próximos passos*


Com o fim de praticamente todas as empresas que nasceram da costela do Master, as autoridades começam a se debruçar sobre outros desenvolvimentos da liquidação.Uma das principais questões, agora, é acompanhar o comportamento de carteiras de ativos vendidas pelo banco de Daniel Vorcaro a outras instituições - ou "ver como os esporos vão se desenvolver nos hospedeiros", segundo uma pessoa a par do tema.


Uma parte dos fundos do Master, por exemplo, foi transferida para o BRB em um processo de substituição dos créditos inexistentes que haviam sido comprados pelo banco público. Esse grupo inclui os fundos Cartago, Jeitto, Kyra, Tessalia e Texas 1, que em  janeiro passaram a ser listados como parte do conglomerado prudencial do BRB.

Pesquisas eleitorais

 *Flávio Bolsonaro tem alta em pesquisas no Carnaval e assusta aliados de Lula*


A rejeição do presidente também subiu, chegando a ficar cerca de mais de quatro pontos acima da aprovação Na avaliação de uma liderança petista, indíce não se estabeleceu em novos e mais altos patamares


20.fev.2026 às 23h00


Um salto em pesquisas diárias feitas para o mercado financeiro e que chegaram às mãos de lideranças do PT e de integrantes do governo assustaram os aliados de Lula: por dois dias, durante o Carnaval, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a ficar à frente do presidente nas simulações de segundo turno.


*BALANÇA 2*


A rejeição de Lula, por sua vez, também subiu, e chegou a ficar cerca de mais de quatro pontos acima da aprovação.


*BALANÇA 3*


Passada a folia, a desaprovação cedeu, e caiu —o mesmo ocorrendo com o principal adversário hoje do petista na corrida pré-eleitoral.


*BALANÇA 4*


Na avaliação de uma das lideranças que viu a pesquisa, e que tem diálogo permanente com Lula, a rejeição ao presidente não se estabeleceu em novos e mais altos patamares.


*META*


O governo segue com o desafio, no entanto, de fazer com que a aprovação volte a superar a reprovação ao governo.


*META 2*


As pesquisas divulgadas em dezembro e janeiro mostraram que a rejeição superou a aprovação em todas as sondagens.


*META 3*


No começo de dezembro, o Datafolha mostrou que a situação era de empate: 49% desaprovavam, e 48% aprovavam o trabalho pessoal de Lula.


*META 4*


As sondagens divulgadas desde então, e até meados deste mês, mostraram a opinião negativa sempre superando a positiva.


com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO



https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/02/flavio-bolsonaro-tem-alta-em-pesquisas-no-carnaval-e-assusta-aliados-de-lula.shtml

Embalos de Vorcaro

 https://oglobo.globo.com/opiniao/thais-oyama/coluna/2026/02/embalos-de-vorcaro-em-trancoso-mostram-arte-de-agradar-ao-poder.ghtml?giftId=0252fa3e9d9c8c2


Um cínico diria que, no território da concupiscência, os operadores da Corte brasiliense refinaram bastante seus métodos. No primeiro governo Lula, lobistas recorreram à autointitulada “promotora de eventos” Jeany Mary Corner para que suas “recepcionistas” azeitassem as relações entre empresários e integrantes da “República de Ribeirão Preto”, como era chamado o núcleo da Fazenda comandado por Antonio Palocci. Os encontros — que, segundo testemunhas, ocorriam numa mansão do Lago Sul, com churrasco, uísque 15 anos e latas de energéticos — hoje parecem festa de quermesse perto do padrão de suntuosidade com que o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, tratava os seus amigos, entre eles vultos da República. 


As gentilezas do agora ex-banqueiro — segundo reportagem da Folha de S.Paulo — incluíam festas em Trancoso, São Paulo, Nova York e Lisboa. Com caviar à farta e celulares deixados à porta, eram regadas a Macallans e Petrus, repletas de beldades croatas, russas e ucranianas trazidas da Europa em jatinhos para alegrar os convivas. As festas em Trancoso, em especial, despertaram o interesse do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU). 


— Esses eventos, denominados Cine Trancoso, teriam contado com a presença de altas autoridades dos três Poderes da República, incluindo integrantes do Poder Executivo do governo anterior, pessoal do mercado financeiro, da política e do meio jurídico — diz o MPTCU em representação ao Tribunal de Contas da União. 


Nela, o subprocurador-geral, Lucas Rocha Furtado, pede ao tribunal que descubra que autoridades federais frequentaram a casa de Trancoso, já que o envolvimento delas com Vorcaro poderia representar “risco para a confiança nas instituições públicas”. Furtado destaca que um dos convidados ao Cine Trancoso afirmou à Revista Liberta ter assistido a um vídeo da festa “estrelado por figura de alta relevância do Poder Judiciário” — um “pica das galáxias”, na descrição citada pela revista e reproduzida no documento pelo subprocurador. 


Entende-se a curiosidade do MPTCU — e ela certamente não é exclusiva da instituição. Querer, porém, que o TCU investigue que adultos estavam numa festa em que eventualmente se praticou sexo consensual parece descabido. O argumento maroto de que é preciso saber se alguma repartição federal ajudou a financiar o encontro tampouco se sustenta, já que em eventos do gênero paga quem quer agradar, não quem está ali para ser agradado — evidentemente, o caso das altas autoridades. 

— Tenho amigos em todos os Poderes — disse Vorcaro em depoimento à PF. 

Da rotina do ex-banqueiro, faziam parte reuniões fora da agenda com o presidente da República, jantares com ministros do STF e passeios com líderes do governo e da oposição. Uma rede social impressionante para alguém que até 2016 atuava como CEO na empresa do pai em Minas e era um perfeito desconhecido nas rodas do poder em Brasília. 

Vorcaro foi pródigo em firmar gordas consultorias “institucionais” — com o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, entre outros —, sem falar no milionário contrato de R$ 130 milhões com a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Mas sabia que não é só com um punhado de dólares que se cria intimidade. Os relatos dos embalos de Trancoso sugerem que ele tinha consciência de que bens de prazer e prestígio — aqueles que dão deleite e status, a sensação de ser único e VIP — podem, em certas almas, calar tão ou mais fundo que uma mala de dinheiro. Desde que o mundo é mundo, sexo e poder andam de mãos dadas com a corrupção. 


Há muitos caminhos para convencer alguém a trocar o dever público por vantagens particulares. Vorcaro, como se vê, não desconhecia nenhum.

Demétrio Magnoli

 *Dez juízes e um segredo*


Da gravação clandestina emergiu a imagem sem retoques de um STF agonizante Magistrados consagram-se à missão de preservar a natureza exata das relações de dois deles com os negócios do Banco Master


20.fev.2026 às 15h08

A prioridade do STF era, até há pouco, sentenciar os conspiradores bolsonaristas da tentativa de golpe de Estado. Agora, mudou. Os dez juízes consagram-se à missão de preservar um segredo: a natureza exata das relações de dois deles, Toffoli e Alexandre de Moraes, com os negócios do Banco Master. O espetáculo que encenam já tem dois atos e ainda não se encerrou.


Não é o mar, mas o pânico, que te afoga. Dois atos, dois erros cometidos na correnteza do desespero. Primeiro ato: uma reunião sigilosa iluminada por uma gravação clandestina. Segundo ato: uma investigação truculenta agregada ao inquérito arbitrário das fake news. O espectro do conflito de interesses não poupa ninguém: desce sobre o conjunto do tribunal.


No ato inicial, Fachin promoveu uma reunião secreta para enterrar o segredo em cova profunda. O plano estava crivado de ilegalidades. Os indícios de conflito de interesses de Toffoli oferecidos pela PF solicitavam deliberação pública, não um conluio à sombra da noite. A solução do afastamento do relator acompanhado por nota oficial de rejeição da suspeita configurou um acordo de fidalgos destinado a proteger o juiz da imperiosa investigação.


Da gravação clandestina, uma casual mas justa punição dos dez atores da farsa, emergiu a imagem sem retoques de um STF agonizante. "Meu time é o STF futebol clube" –a frase de Dino, síntese do espírito do conchavo, merece moldura. Os ministros de capa preta protagonizaram uma orgia corporativista. Disseram aos cidadãos que o time deles não é a justiça, a lei ou as instituições, mas os interesses pessoais de cada um deles. Fachin e Cármen Lúcia, a dupla que insistiu no exílio do relator, converteram-se em sócios da trama de acobertamento.


Nunca nade contra uma corrente forte. Moraes desafia a regra no segundo ato, transformando seu inquérito de exceção original em passaporte para uma viagem sem volta pelo labirinto da ilegalidade. Os suspeitos de acessos imotivados a dados fiscais não têm prerrogativa de foro, mas são investigados no STF. O caso novo foi apropriado pelo relator de um inquérito infindável sem objeto definido, circundando o cânone do sorteio. Um segredo judicial seletivo abre caminho à divulgação das identidades dos acusados. A crua intimidação substitui o devido processo legal.


O segredo precisa persistir. A doutrina do STF reza que os juízes de capa preta estão acima da "lei das gentes" –e o camarada Paulo Gonet, PGR, concorda. A trama dos dez contamina a praça da política. Lula, padrinho da indicação de Toffoli, tenta livrar-se da associação histórica que respinga sobre sua candidatura. A PF não enfrentaria a ira do tribunal sem o amparo do Planalto. Os pilares da aliança entre o Executivo e o STF sofrem rachaduras: o presidente é um "ingrato", na palavra utilizada longe dos microfones por alguns juízes.


O contorcionismo público dos supremos aristocratas resgatou de um gueto murado a candidatura do 01, conferindo verossimilhança às narrativas extremistas. Flávio Bolsonaro era uma quase garantia do triunfo de Lula. Toffoli e Moraes, com o auxílio dos oito colegas, produziram o cenário de uma disputa competitiva. Depois de ajudar a barrar golpismo, o "STF futebol clube" converte-se, involuntariamente, em cabo eleitoral da extrema direita. Carnaval, fantasias, alegorias.


https://www1.folha.uol.com.br/colunas/demetriomagnoli/2026/02/dez-juizes-e-um-segredo.shtml

Leitura de sábado

 *LEITURA DE SÁBADO: LIQUIDAÇÃO DO PLENO PÕE FIM A INSTITUIÇÕES QUE PASSARAM PELO MASTER* 15:00 21/02/2026  Por Cicero Cotrim Brasília, 18/0...