quinta-feira, 10 de julho de 2025

Embraer como a mais impactada

 *CENÁRIO/EMPRESAS 1: EMBRAER É TIDA COMO A MAIS REJUDICADA POR TARIFA DE TRUMP E AÇÃO CAI 7%*


Por Vinícius Novais


São Paulo - 10/07/2025 - A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que passará a valer em 1º de agosto, pesou no Ibovespa ao longo de toda a manhã. A Embraer foi a principal afetada, liderando a ponta negativa do índice, assim como os frigoríficos, que também serão prejudicados pela medida. Por outro lado, a forte alta do minério sustentou as empresas metálicas no campo positivo.


As ações da Embraer recuam 7,15%, a maior baixa da carteira teórica. Para a XP, a companhia deve registrar retração entre 14% e 15% no Ebit sobre o lucro consolidado a cada 10 pontos porcentuais (p.p.) de aumento das taxas. Na mesma linha, o UBS calcula que o impacto nos custos da fabricante seja de aproximadamente US$ 70 milhões e de 13% no lucro líquido projetado para 2026 a cada alta de 10% nas tarifas. O BTG Pactual pondera que, a depender da interpretação do governo de Donald Trump, a fabricante de aviões pode não ser afetada pela tarifa de 50% por estar enquadrada em uma investigação da Seção 232.


Nos frigoríficos, as ações da Minerva caem 4,20%. A empresa, forte em exportação, informou que o impacto potencial das tarifas representa 5% da receita líquida. O restante do setor também recua, com Marfrig perdendo 2,13% e BRF caindo 0,62%.


Já os papéis da WEG recuam 0,92% diante da tarifa. O UBS destaca que a companhia obtém cerca de 25% de suas vendas no mercado americano. O banco ressalta que uma eventual retaliação do Brasil pode reduzir em 3% o lucro líquido da empresa.


*Metálicas*


Por outro lado, as ações de mineradoras e siderúrgicas operam no positivo, com todas figurando entre as altas do Ibovespa. Vale sobe 5,09%, levando junto a Bradespar, que avança 4,52%. CSN Mineração ganha 3,59%.


Gerdau PN avança 3,69%, assim como Gerdau Metalúrgica PN (+2,44%), CSN (+5,55%) e Usiminas PNA (+3,30%). Há o entendimento de que o setor pode não ser afetado pela taxa de 50% para produtos brasileiros vendidos aos EUA, uma vez que já pagam uma alíquota de 50% enquadrada na tarifa do aço.


O segmento acompanha o movimento do minério de ferro, que subiu 3,67% no mercado futuro de Dalian e 2,84% em Cingapura. A commodity avança na esteira do cobre, que segue em alta, além da sazonalidade positiva na China.


*Suzano e Klabin*


As ações da Suzano sobem 0,28% e as units da Klabin ganham 1,24%, mesmo diante da tarifa de 50% imposta pelos EUA. Para o analista da Levante Corp, João Abdouni, a alta é sustentada pela percepção de que Donald Trump usará a medida para barganhar e, depois, voltará atrás. Além disso, há expectativa de uma parcela dos investidores de que as empresas conseguirão redirecionar a produção a outros mercados.


*Tupy*


As ações da Tupy avançam 3,02%, figurando entre as maiores altas do pregão. O sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, explica que, embora 23% da receita venha dos EUA, apenas 60% desse montante é exportado a partir do Brasil; os demais 40% têm origem em outras unidades.


*SLC Agrícola*


Os papéis da SLC Agrícola sobem 1%. A XP classifica a ação como defensiva frente à tarifa de 50% imposta pelos EUA.


*Azul*


As ações da Azul ganham 1,16% após a Justiça americana aprovar todas as 20 petições apresentadas pela companhia na "Audiência de Segundo Dia", realizada ontem em Nova York, sem objeções.


*Petroleiras*


As ações da Petrobras testam o terreno positivo, com o papel ON subindo 0,77% e o PN reduzindo a queda para 0,09%, após chegar a avançar. Segundo o BTG Pactual, as operações da petroleira devem sofrer impacto mínimo com o tarifaço, já que a empresa pode desviar a produção para outros mercados.


As demais petroleiras recuam, contaminadas pelo mau humor com ativos domésticos decorrente da tarifa e pela baixa do petróleo, com baixa de 1,67% no Brent e de 1,99% no WTI. PetroReconcavo cede 0,43%, Prio perde 0,75% e Brava recua 2,27%.


*Varejo*


O setor varejista recua em bloco nesta quinta-feira na B3. Magazine Luiza lidera, caindo 3,51%, seguida por Vivara (-3,20%), Natura (-2,85%), Azzas (-2,81%), Assaí (-2,80%), Lojas Renner (-2,78%), Smart Fit (-1,09%), GPA (-1,90%), Petz (-1,62%) e Ambev (-0,83%).


O segmento é pressionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou junho em 0,24%, acima da falcao noticias mediana de 0,20% apurada pelo Projeções Broadcast. Com isso, os juros futuros de prazo mais curto sobem, o que prejudica o setor. Também pesa a valorização dos DIs diante da tarifa dos EUA, que traz mau humor ao mercado. Neste contexto, destaque para Arezzo e Alpargatas (-0,46%), que, segundo o Citi, são as marcas de vestuário que mais exportam para os EUA.


Há pouco, o Ibovespa exibia baixa de 0,78%, aos 136.405 pontos, com giro financeiro de R$ 11,2 bilhões e previsão de chegar a R$ 34,4 bilhões até o fim do pregão.

Resumo BTG

 *BTG acabou de fazer call sobre os cenários políticos pós tarifaço*


Segue resumo abaixo 👇🏻 


Governo não tinha plano e não esperava


*Centro-Direita* – Todo mundo agora é Bolsonaro (Trump colocou Bolsonaro de volta no jogo) e não existe condição para uma terceira via. Bolsonaro foi transformado no líder da resistência ao Governo.


*O que aconteceu no Canadá pode ocorrer aqui?* – Discorda totalmente, por conta da distância até a eleição. Nenhum evento de 2025 terá impacto em 2026.


*Até onde o Trump vai e o que foi o gatilho?* – Não se sabe. Pode ter sido motivado pela relação do Brasil com a Rússia ou até mesmo por informações da inteligência dos EUA (alguma implicação de política externa que levou Trump a agir). Canadá não é aplicável ao Brasil.


*Perdedor* – Centro-Direita que achava que a equação Tarcísio estava bem encaminhada (foi colocado no banco de reservas) e ninguém sabe até onde o Trump vai. Quem perdeu foi a solução moderada para o processo eleitoral. Bolsonaro é quem mais ganha força em toda essa discussão (Lindbergh vai para cima dos filhos). A decisão foi pró-Bolsonaro (ele pode “salvar o Brasil” e consegue intervir na moderação do Trump, buscando alguma solução que não prejudique a economia).


*Tarcísio* – Foi colocado em xeque.


*Reação do Governo* – Teria que apanhar como qualquer país que não tem condições de enfrentar os EUA. Devem migrar para uma postura mais passiva e reduzir o tom (vão recuar). Os EUA têm um plano prévio de escalada para intervir na política brasileira, e isso vai depender de como o Governo reage.


*PT* – Não é fácil dizer que vão ganhar de alguma forma.


*STF* – Existe algum grau de impacto e eles vivem sob pressão. Quem tem problemas nos bastidores anda com mais cautela. O STF deve começar a se comportar de forma mais contida, adiando ações contra Bolsonaro, descumprindo prazos, alegando recesso judicial, etc. Existem mecanismos para continuar mantendo Bolsonaro inelegível (estamos em processo de escalada e há a possibilidade de Trump acomodar a situação via anistia para Bolsonaro — algo que ele já fez no Reino Unido e na Alemanha).


*Congresso* – Prefere esperar a situação piorar para só então agir. Se o Governo cometer algum erro grave, o Congresso deve começar a bater mais forte.


*Retaliação* – Seria a maior idiotice possível. Os EUA esmagariam o Brasil.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Lula manda devolver carta de Trump*


Na agenda, o IPCA de junho tem estimativa de desaceleração, mas perde força para orientar as apostas sobre o futuro dos juros, que escalaram junto com o dólar, em meio ao embate inesperado com os Estados Unidos.


… A decisão de Trump de taxar a importação de todos os produtos brasileiros em 50% causou grande preocupação nos exportadores e também acirrou a polarização política, com seguidores de Bolsonaro festejando a punição ao governo Lula e ao STF, que, segundo o presidente americano, comete “vergonhosa perseguição contra o grande ex-presidente”. Nos mercados, que já fecharam negativos com a expectativa de uma tarifa para o Brasil, a reação deve se estender na abertura, sobretudo nos setores mais atingidos. O ADR de Embraer chegou a cair quase 8% no after hours de NY. Na agenda, o IPCA de junho tem estimativa de desaceleração, mas perde força para orientar as apostas sobre o futuro dos juros, que escalaram junto com o dólar, em meio ao embate inesperado com os Estados Unidos.


… No final da noite, veio a resposta do governo brasileiro: o Itamaraty chamou o embaixador dos Estados Unidos e “devolveu” a carta de Trump, dizendo que era “ofensiva”, que tem “afirmações inverídicas” e “erros factuais” sobre a relação comercial dos dois países.


… Um pouco mais cedo, o presidente Lula fez uma postagem no X rebatendo a afirmação de que os Estados Unidos eram deficitários na balança comercial com o Brasil. Escreveu, ainda, que o “Brasil é um país soberano e não aceitará ser tutelado por ninguém”.


… A nota de Lula acusa a “ameaça e a ingerência” no processo judicial contra a tentativa de golpe [no qual Bolsonaro é réu no STF] e informa que, “qualquer elevação de tarifas pelos Estados Unidos será respondida pela Lei de Reciprocidade”.


… A reação de Brasília veio na contramão de inúmeros pedidos da indústria para reabrir o diálogo com os Estados Unidos.


… Vários protestos de associações apressaram-se em pedir ao governo para negociar diplomaticamente, em uma tentativa de reverter a tarifa de 50% aos produtos brasileiros imposta pelo presidente Trump para vigorar a partir de 1º de agosto.


… A Frente Parlamentar da Agropecuária defendeu “cautela e diplomacia firme”, avaliando que a nova alíquota produzirá reflexos diretos ao agronegócio, com impactos no câmbio, no custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras.


… CNI expressou “preocupação e surpresa”, afirmando que os impactos das tarifas podem ser graves para a nossa indústria. “Uma quebra nessa relação traria muitos prejuízos à nossa economia.” Defendeu negociações e diálogo para reverter a decisão.


… Para a CNI, as exportações brasileiras aos Estados Unidos têm grande importância para a nossa economia. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado para lá foram criados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.


… A Câmara do Comércio também citou “profunda preocupação”, conclamando à retomada urgente do diálogo, com o alerta de que a medida tem potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas.


… Todas as manifestações contestam afirmação na carta de Trump de que os Estados Unidos são deficitários na balança com o Brasil.


… Há mais de 15 anos, os Estados Unidos mantêm superávit na conta comercial com o Brasil. Só na última década, o saldo positivo para os americanos foi de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens. Incluindo serviços, o superávit americano atinge US$ 256,9 bilhões.


O SEGUNDO PARCEIRO – Estados Unidos são o segundo maior mercado para as exportações do Brasil, com vendas de US$ 40,368 bilhões em 2024, menos que a metade dos US$ 94,372 bilhões em exportações feitas à China, segundo dados do MDIC.


… O principal produto da pauta de exportação brasileira aos Estados Unidos é o petróleo, com vendas de US$ 7,6 bilhões em 2024. Mas o governo já antevê impactos imediatos para exportações de café, carne bovina e suco de laranja, entre os principais itens.


… Economistas avaliam que a alíquota de 50% terá efeitos inflacionários na economia americana, que importa carne para a produção de hambúrgueres e depende do café externo. O confronto eclodiu por razões políticas e de interesses comerciais de Trump.


MOTIVAÇÃO POLÍTICA – A diplomacia brasileira já vinha negociando para que as tarifas ao País continuassem em níveis mais baixos, com alegação de que os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil. Mas, no final das contas, não era essa a questão.


… A carta de Trump é explícita em relacionar a tarifa punitiva ao papel de Alexandre de Moraes no STF contra Bolsonaro e redes sociais, e isso torna mais difícil uma negociação. Ninguém aposta que o ministro Alexandre de Moraes possa ceder às ameaças.


… Integrantes do governo já esperavam uma retaliação, desde que Trump dirigiu ataques aos países do Brics, mas não nessa proporção. Trata-se da mais alta alíquota divulgada a partir de cartas enviadas pelo presidente dos Estados Unidos nesta semana.


… O gesto levou o Nobel de Economia Paul Krugman a comentar que Trump merecia o impeachment pelo que fez ao Brasil.


… Na Cúpula do Brics, no fim de semana, no Rio, Lula defendeu uma moeda alternativa para as operações internacionais com outros países, sem passar pelo dólar, o que deixou Trump furioso: “quem desafiar o dólar, vai pagar o preço”.


… Segundo apurou o Valor, a avaliação do Planalto é que a ofensiva de Trump contra as instituições brasileiras pode ser um “tiro pela culatra”, porque evidencia uma tentativa de intervir na soberania brasileira e desestabilizar os Poderes.


TEM MAIS POR TRÁS – No Estadão, a decisão de Trump de impor uma tarifa de 50% ao Brasil reflete mais uma preocupação comercial do que política, envolvendo uma sequência de embates com o ministro Alexandre de Moraes sobre as plataformas sociais.


… “O que está em jogo aí é muito mais o embate entre o grupo Trump com Moraes por causa de decisões em relação a redes sociais”, na opinião de Rodolfo Teixeira, doutor em sociologia política pela Universidade de Brasília.


… As empresas Trump Media & Technology Group, ligadas ao presidente dos Estados Unidos, processam Moraes na Justiça da Florida por supostamente censurar conteúdos publicados nessas plataformas no Brasil. Na terça-feira, Moraes foi citado novamente no processo.


… Na carta, Trump reclamou de decisões do STF contra empresas norte-americanas de tecnologia.


… “O Supremo Tribunal Federal do Brasil emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos Estados Unidos, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro.”


… Segundo avaliações semelhantes, Bolsonaro só teria entrado como coadjuvante para esfumaçar o verdadeiro motivo. A prova é que o tarifaço impacta setores da direita fortemente ligados ao bolsonarismo, a exemplo do agronegócio.


50% PARA O COBRE – Antes que o dia acabasse, o presidente Trump confirmou a tarifa de 50% sobre o cobre, a partir de 1º de agosto.


… “O cobre é necessário para semicondutores, aeronaves, navios, munição, data centers, baterias de íon-lítio, sistemas de radar, sistemas de defesa antimísseis e até mesmo armas hipersônicas, das quais estamos construindo muitas”, escreveu em sua Truth Social.


… Segundo ele, a nova alíquota tarifária reverterá a “estupidez” do governo Biden e “os Estados Unidos voltarão a construir um setor de cobre DOMINANTE. AFINAL DE CONTAS, ESTA É A NOSSA ERA DE OURO!”.


SEM CONSENSO – No Estadão, Haddad e Gleisi Hoffmann indicaram a Motta e Alcolumbre, na noite de terça-feira, que o governo não abrirá mão do decreto que aumentou as alíquotas do IOF e pretende insistir na legitimidade junto ao STF.


… Fontes do Valor também apuraram que, apesar da reaproximação em jantar, o governo disse que insistirá no decreto do IOF.


… Já Motta baixou o tom, dizendo que a conversa com o governo foi “colaborativa”, afirmando que o Congresso vai buscar uma solução para os recursos do IOF sem aumento de alíquota. “Tenho conversado com os líderes para a solução das contas.”


… O presidente da Câmara disse que não há interesse do Legislativo em usurpar o poder do Executivo, e cobrou propostas alternativas do ministro da Fazenda, informando que “isso deve ser conversado ao longo da semana com a equipe econômica”.


… Na Folha, Haddad pediu para que o Congresso não misture o tema do IOF com as compensações para a isenção do Imposto de Renda.


… A possibilidade foi aventada pelo relator do projeto, deputado Arthur Lira, mas o governo teme que, na prática, esse movimento possa desidratar a medida provisória enviada com alternativas à derrubada do IOF.


IPCA – Às 9h, o IBGE divulga a inflação oficial de junho, que deve desacelerar para 0,20%, de 0,26% em maio (mediana do Broadcast), com a deflação dos preços dos alimentos, mas a mediana para o final de 2025 deve superar o teto da meta de 4,50%.


… Se isso se confirmar, o BC deve publicar uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões do descumprimento da meta até 18h de quinta-feira. A meta é de 3% e o intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.


… A metodologia da meta contínua, que passou a vigorar neste ano, prevê que a meta será considerada descumprida se o IPCA acumulado em 12 meses ficar fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, o que está acontecendo desde janeiro.


… Fontes da área econômica, no entanto, transferiram a preocupação para o impacto da tarifa de 50% dos Estados Unidos para produtos do Brasil, afirmando que a medida “joga um balde de água fria” no processo de desinflação, apurou o Broadcast.


HADDAD – Vai conceder entrevista ao Canal do Barão, no YouTube, nesta quinta-feira, entre 10h e 11h, com a participação dos seguintes veículos: Brasil 247, CartaCapital, Diário do Centro do Mundo, Fórum e TVT News.


INSS – Dias Toffoli (STF) confirmou, nesta terça-feira, que os pagamentos para ressarcir aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos podem ser feitos tanto fora do limite de despesas do arcabouço quanto da meta fiscal.


LÁ FORA – Nos Estados Unidos, auxílio-desemprego (9h30) na semana até 5/7 tem previsão de +238 mil pedidos iniciais.


… Três dirigentes do Fed falam hoje: Alberto Musalem/St. Louis (11h), Christopher Waller (14h15) e Mary Daly/São Francisco (15h30).


… Na Europa, sai a inflação ao consumidor da Alemanha, em junho (na madrugada brasileira).


… No Peru, o Banco Central anuncia decisão de política monetária às 20h.


HOMEM-BOMBA – Prenunciando o ataque dos EUA, os mercados domésticos registraram piora significativa já no meio da tarde de ontem, deterioram ainda mais no pregão estendido e hoje vai ser bem difícil exibir sangue-frio.


… O anúncio da pancada das tarifas de 50% que Trump promete aplicar sobre nós pegou o câmbio e o Ibovespa fechados, mas a reação veio no mercado futuro, enquanto os juros estressaram na reta final dos negócios.


… A promessa da vingança do presidente americano já tinha puxado o dólar à vista no pregão regular de volta à marca de R$ 5,50, em alta firme de 1,04%, a R$ 5,5024, e a pressão foi ampliada com força na sessão estendida.


… O contrato futuro do dólar para agosto saltou 2,30%, a R$ 5,6115, conforme investidores e economistas avaliavam o impacto sobre as exportações brasileiras e potenciais efeitos inflacionários, se a escalada sobre o real persistir.


… A investida de Trump para inflamar os ânimos e a decisão do Itamaraty de peitar a carta representam neste momento um revés para a onda de otimismo que projetava alívio do dólar com o carry trade favorável ao Brasil.


… Segundo o Valor, foi também posto à prova o argumento de que o País era menos exposto ao risco de tarifas americanas, que vinha sendo utilizado para justificar o bom desempenho dos ativos locais no primeiro semestre.


… Por essa, ninguém esperava ou, pelo menos, não se imaginava que Trump fosse incendiar a crise a este ponto (50%), extrapolando a guerra protecionista para o contexto que tem por trás seus interesses particulares.


… No DI, a curva acelerou os prêmios de risco na última hora de operação, especialmente no miolo e na ponta longa, enquanto os contratos curtos continuaram engessados pela perspectiva de Selic a 15% por bastante tempo.


… Mas caso Trump se prove inflexível e a tarifa de 50% vingue, o que não parece razoável, o conservadorismo assumido pelo Copom ainda será pouco para responder às pressões inflacionárias, que fugiriam ao controle.


… O susto estraga a percepção positiva com os ajustes em baixa que o mercado vinha fazendo nas expectativas de inflação e ofusca qualquer reação mais entusiasmada a uma eventual surpresa baixista com o IPCA de junho hoje.  


… No fechamento, o DI para Jan/26 marcou 14,930% (contra 14,923% no pregão anterior); Jan/27 subiu a 14,270% (de 14,175%); Jan/29, a 13,485% (de 13,304%); Jan/31 disparou a 13,640% (13,423%); e Jan/33, 13,710% (13,485%).


TOCANDO O TERROR – Em choque com a fúria de Trump, o Ibovespa futuro afundou 2,44%, aos 137.800 pontos. Em paralelo, os ADRs das empresas domésticas também precificaram a forte tensão no after hours em Nova York.


… O pior tombo foi da Embraer (-5,63%). A exposição da fabricante ao mercado americano preocupa investidores.


… No mais recente formulário 20-F, a companhia mencionou que uma tarifa ampla sobre as importações brasileiras para os EUA provavelmente causaria “disrupções em nossa cadeia de suprimentos e nas operações no País”.


… Pelos cálculos do UBS BB, a taxação teria impacto aproximado de US$ 70 milhões nos custos da fabricante de aeronaves e geraria redução de até 13% no lucro líquido projetado para 2026 a cada 10pp de alta nas tarifas.


… Com o petróleo como principal produto da pauta de exportação brasileira para os EUA, o ADR da Petrobras equivalente à ação ON caiu 1,16%, enquanto o PN perdeu 1,02%. Vale caiu 0,61%; Bradesco, -1,15%; e Itaú, -2,26%.


… Durante o pregão regular, o Ibovespa perdeu os 138 mil pontos, após o aviso em dois de Trump sobre as tarifas.


… O índice à vista da bolsa doméstica fechou em baixa de 1,31%, a 137.480,79 pontos, com bom volume de negócios, de R$ 22,5 bi, o que é mau sinal, indicando que muita gente entrou vendendo, apesar do feriado em SP.


… Dos 84 papéis da carteira teórica do Ibovespa, apenas oito encerraram o dia no campo positivo. Vale ON (-0,99%, a R$ 54,04) e Petrobras ON (-1,45%, a R$ 35,27) e PN (-0,64%, a R$ 32,32) foram atingidas pela fuga do risco.


… O mau humor com o Brasil na mira de Trump também não poupou os papéis dos grandes bancos: Itaú PN (-2,07%, a R$ 36,37); Bradesco PN (-1,15%, a R$ 16,36); BB ON (-2,50%, a R$ 21,45) e Santander Unit (-1,55%, a R$ 28,60).


… Entre os poucos destaques de alta, Braskem PNA disparou 6,02%, com a decisão da Câmara de aprovar a urgência para um projeto de lei que institui, a partir de 2027, o Programa de Incentivos à Indústria Química Brasileira (Presiq).


… Se aprovada, a iniciativa deve acrescentar cerca de US$ 450 milhões por ano ao Ebitda da companhia (Broadcast).


TUDO NUMA NICE – Enquanto isso, em Nova York, as bolsas ignoraram a guerra tarifária e operaram com foco na ata do Fed, que não comprometeu as apostas dos investidores em cortes de juros pelo Fed nos próximos meses.


… O documento revelou que a maioria dos dirigentes do BC americano considera apropriado afrouxar a política monetária neste ano e dois deles, de perfil mais dovish, recomendaram o início do ciclo de flexibilização já este mês.


… Para a maioria dos integrantes do Fed, a pressão ascendente sobre a inflação por meio das tarifas pode ser “temporária ou modesta”, o que aumentou de leve a chance de o juro cair em setembro (68,3%), segundo o CME.


… Foi mantida a aposta principal de uma redução acumulada de 50pb até o fim do ano, apesar da pressão de Trump por mais. No WSJ, Kevin Hassett lidera as chances de sucessão de Jerome Powell no comando do Fed.


… O atual diretor do conselho econômico nacional dos EUA se reuniu com Trump ao menos duas vezes em junho.


… Até o momento, as cartas enviadas nesta semana aumentam a tarifa média efetiva dos EUA para 20%, ainda abaixo da faixa de risco para uma recessão americana, de 25% a 28%, segundo cálculos da Oxford Economics.


… O Dow Jones subiu 0,49%, aos 44.458,30 pontos; o S&P 500 ganhou 0,61%, aos 6.263,27 pontos; e o Nasdaq avançou 0,94%, estabelecendo seu mais novo recorde, aos 20.611,34 pontos, turbinado pela Nvidia (+1,80%).


… A empresa se tornou a primeira na história a superar o valor de mercado de US$ 4 trilhões, diante do boom na demanda pelos chips de inteligência artificial, com a tecnologia se tornando prioridade para as gigantes high techs.


… A perspectiva reforçada pela ata de que um desaperto monetário pelo Fed não vai demorar tanto ajudou a interromper quatro altas seguidas dos juros dos Treasuries, que também reagiram a um fator técnico.


… Foi identificada forte demanda por investidores domésticos no leilão de Notes de 10 anos e a taxa desse título recuou a 4,338%, de 4,411% na véspera. Já o bônus de 2 anos pagou 3,856%, menos que no dia anterior (3,902%).


… Dia morno no câmbio, com estabilidade no índice DXY (-0,04%, a 97,555 pontos), no euro (-0,05%, a US$ 1,1717) e na libra esterlina (+0,04%, a US$ 1,3592), enquanto o iene foi negociado em alta contra o dólar, a 146,30/US$.


… Também o petróleo operou de lado ontem, dividido entre uma alta inesperada dos estoques americanos da commodity na semana passada (7,070 milhões de barris) e o aumento dos ataques a navios no Mar Vermelho.


… O contrato do Brent com vencimento em setembro teve alta marginal de 0,06%, a US$ 70,19 por barril.


EM TEMPO… AZUL decidiu reconsiderar seu plano de devolução de aeronaves anteriormente divulgado à corte de NY, na medida em que avança com negociações junto aos arrendadores (fontes do Valor)…


… Antes, o pedido era para devolver 20 aeronaves, número reduzido para 12; planos foram divulgados ontem, durante a chamada audiência de “Segundo Dia” do Chapter 11 (recuperação judicial nos EUA) da empresa.


BANCO DO BRASIL. Conselho reelegeu 29 membros da diretoria executiva para o mandato 2025/2027…


… Eduardo Cesar Pasa e Lucinéia Possar não tiveram os seus mandatos renovados, em virtude do limite de reconduções consecutivas…


… Nos seus lugares, foram indicados Alexandre Bocchetti Nunes para o cargo de diretor jurídico e Pedro Henrique Duarte Oliveira para o cargo de diretor de contadoria.


POSITIVO anunciou Raymundo Peixoto para ocupar o cargo de presidente do conselho de administração. Junto dele, Rogério Rizzi chega para assumir a função de coordenador do comitê de estratégia e novos negócios…


… A presidência estava, até então, com Alexandre Dias, que passa a ser conselheiro independente.


KELLOGG. A italiana Ferrero, fabricante do bombom Ferrero Rocher e do creme de avelã Nutella, está perto de um acordo de aproximadamente US$ 3 bilhões para comprar a dona do Sucrilhos, Corn Flakes e Müsli, informa o WSJ.

Tarifa a 50%

 *FONTES: TARIFA DE 50% DOS EUA SOBRE PRODUTOS BRASILEIROS ASSUSTA GOVERNO; INVIABILIZA COMÉRCIO*


Por Isadora Duarte


 Brasília, 09/07/2025 - O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de imposição de tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil assustou o governo brasileiro quanto ao porcentual da sobretaxa. Como a Broadcast mostrou mais cedo, a ofensiva de Trump com a nova ameaça de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros não surpreendeu o governo brasileiro, mas a alíquota foi recebida com "susto" por integrantes que acompanham as tratativas com o governo americano. "Era esperada movimentação por parte do governo americano em 9 de julho, mas não se antevia a sobretaxa dessa magnitude", observou uma fonte à Broadcast.


 Em análise preliminar, autoridades do governo brasileiro afirmam que a sobretaxa de 50% vai "inviabilizar o comércio de alguns produtos" aos Estados Unidos. Trump anunciou que a sobretaxa sobre os produtos brasileiros valerá a partir de 1º de agosto. Trata-se da mais alta alíquota divulgada a partir de cartas enviadas pelo republicano aos países desde o início desta semana.


 Um dos interlocutores aposta em uma negociação com os Estados Unidos nos próximos vinte dias a fim de tentar reverter ou diminuir a alíquota adicional aplicada sobre os produtos brasileiros. "O governo vai avaliar o impacto e como agir. A argumentação é difícil porque o ataque de Trump não está baseado em déficit comercial, mas em achismo dele sobre o julgamento de Bolsonaro", observou a fonte em referência à carta do presidente americano.


 Entre os produtos que devem ter o comércio afetado, o governo antevê impactos imediatos para exportação de café, carne bovina e suco de laranja - entre os principais itens exportados aos Estados Unidos. "A alíquota de 50% vai dificultar a exportação destes produtos, mas terá um impacto inflacionário enorme na economia americana que importa carne para produção de hambúrguer e depende de café externo. É inflação na veia", argumentou a fonte.


 O Brasil vinha sendo deixado de lado por Trump na sua empreitada de diminuir déficits comerciais com parceiros, justamente porque a relação entre Brasil e Estados Unidos é superavitária aos Estados Unidos. A relação entre os países, contudo, ganhou novo contorno político com Trump e a embaixada americana saindo em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alegando que há perseguição ao ex-presidente. O encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, foi convocado pelo Itamaraty para prestar esclarecimentos, como mostrou a Broadcast mais cedo.


 As animosidades entre os países também cresceram com a ordem da justiça americana de intimar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em caso de empresas de Trump, com acusações de censura.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...