*Rosa Riscala: Fed alerta, Copom calibra e política implode*
Agenda tem balanço da Apple, PIB e PCE nos EUA, reuniões do BCE e BoE, dados fiscais, desemprego aqui e relatório de produção e vendas da Petrobras
… Mais um dia muito movimentado nos mercados, nessa véspera do feriado de 1º de Maio. O petróleo volta a registrar um rali e Nova York ainda repercute os alertas do Fed sobre os impactos da guerra no Oriente Médio, o impasse nas negociações, novas ameaças de Trump de atacar o Irã e a reação das big techs no after, enquanto espera o balanço da Apple, o PIB/1TRI e o PCE, e monitora as reuniões do BCE e BoE. Aqui, o Copom reconheceu a piora do cenário, mas evitou uma mudança brusca na mensagem, deixando em aberto novos cortes da Selic. Na agenda, dados fiscais, desemprego e o relatório de produção e vendas da Petrobras. Na política, a derrota histórica do governo Lula com a rejeição de Messias ao STF.
CORTE SOB INCERTEZA – O Banco Central entregou o esperado ao reduzir a Selic em 0,25 ponto, para 14,50% ao ano, mas com uma comunicação mais cautelosa e, em alguns pontos, mais dura, refletindo o aumento da incerteza global.
… O pano de fundo segue sendo o choque externo, a escalada da guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o petróleo, que passaram a ocupar espaço central na reação do Copom, elevando a volatilidade e exigindo cautela adicional de economias emergentes.
… No cenário doméstico, o desconforto permanece: a atividade mostra sinais de moderação ao longo de 2026, mas o mercado de trabalho segue resiliente, enquanto a inflação corrente e as medidas subjacentes voltaram a acelerar, afastando-se da meta.
… As expectativas seguem desancoradas, com o Focus apontando IPCA de 4,9% em 2026 e 4,0% em 2027, enquanto a projeção do Copom para o horizonte relevante — agora o 4º trimestre de 2027 — subiu para 3,5%, acima do centro da meta.
… Esse ponto, inclusive, foi o principal vetor hawkish do comunicado – a revisão da projeção, de 3,3% para 3,5%, veio acima do esperado por parte do mercado e reflete, sobretudo, o impacto do petróleo e a piora das expectativas inflacionárias.
… Ainda assim, o Copom evitou endurecer de forma mais explícita.
… Ao contrário do que parte dos analistas esperava, o Comitê não classificou o balanço de riscos como assimétrico, mantendo a leitura de riscos elevados, mas distribuídos entre vetores de alta e de baixa — o que pode ser interpretado como um elemento mais dovish na margem.
… Na prática, o BC reconhece que o cenário piorou, mas evita sinalizar uma inflexão abrupta na política monetária.
… O ponto mais relevante da comunicação foi a mudança sutil, mas importante, na sinalização futura, à medida que passou a destacar não só o ritmo, mas também a extensão do ciclo de cortes. Essa alteração desloca o foco da próxima decisão para o tamanho total do ciclo.
… Em outras palavras, o debate deixa de ser apenas “quanto cortar na próxima reunião” e passa a ser “até onde será possível cortar”.
… A leitura predominante é de que novos cortes seguem no radar (provavelmente ainda no ritmo de 0,25 ponto), mas sem compromisso firme e totalmente condicionados à evolução do cenário, especialmente da inflação e da geopolítica.
… A possibilidade de aceleração para 0,50 ponto, que ainda era discutida por parte do mercado, perde força diante da piora das projeções e da maior incerteza, e uma escalada adicional da guerra pode levar até mesmo a um encerramento antecipado do ciclo de cortes.
… Em linha com o Fed, o BC brasileiro também passa a operar sob a lógica de um choque inflacionário importado, com o petróleo no centro.
GUERRA VIRA CHOQUE INFLACIONÁRIO –Como amplamente esperado, o Fomc manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela terceira reunião consecutiva, mas o comunicado e, principalmente, a coletiva de Jerome Powell deram o tom mais duro do dia.
… O presidente do Fed reforçou que os preços de energia ainda não atingiram o pico e alertou que o choque provocado pela guerra no Oriente Médio tende a pressionar inflação e cadeias de suprimento, elevando também a incerteza sobre o crescimento.
… Além do voto já esperado de Stephen Miran por um corte de 0,25 ponto, chamou atenção a dissidência de dirigentes que se opuseram à manutenção do viés de relaxamento no comunicado — um sinal de que o espaço para flexibilização está sendo reavaliado.
… Na prática, o Fed consolidou a mensagem de cautela.
… O ciclo de cortes segue distante e condicionado à dissipação de um choque que, neste momento, se intensifica com a escalada geopolítica.
… Segundo a CME Group, o mercado já empurra o primeiro corte de juros nos Estados Unidos apenas para dezembro de 2027 — uma sinalização clara de que o choque inflacionário recolocou o Fed em modo de espera prolongada.
… No pano de fundo, a avaliação é que, mesmo com a saída de Powell da presidência no próximo mês, sua permanência no conselho tende a reduzir a influência política sobre a autoridade monetária, em um momento de crescente pressão externa.
… Nesta quarta-feira, o nome de Kevin Warsh foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado americano para assumir o comando do Fed. Não há ainda data definida para a votação no plenário, que tem maioria republicana.
NOVAS AMEAÇAS – O petróleo Brent atingiu os US$ 120 com Trump sugerindo a possibilidade de retomar uma ação militar contra o Irã.
… Em postagem nas redes sociais, o presidente indicou que “não seria mais bonzinho”, e aos jornalistas da Casa Branca afirmou que “nunca haverá um acordo a menos que eles [os iranianos] admitam a derrota e concordem que não terão armas nucleares”.
… Segundo a Axios, o Comando Central dos Estados Unidos preparou um plano para uma onda de ataques “curta e poderosa” na esperança de quebrar o impasse nas negociações, enquanto o Irã segue afirmando que Washington precisa reduzir suas exigências.
… Mais cedo, Trump comentou que a guerra entre Rússia e Ucrânia pode acabar antes do conflito no Irã, referindo-se à proposta de cessar-fogo de Putin para o Dia da Vitória, em 9 de maio, quando a Rússia celebra a vitória soviética sobre a Alemanha nazista, em 1945.
NÃO CHAMA O BESSIAS – Depois de cinco meses de impasse envolvendo a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF, o Senado impôs uma derrota histórica ao governo Lula. Pela primeira vez em 132 anos, rejeitou um nome ao Supremo.
… Em votação no plenário, ontem à noite, Messias obteve apenas 34 votos, sete a menos que o necessário, diante de 42 votos contrários. O revés inédito escancara a fragilidade da articulação política do Planalto e aprofunda a tensão na relação com o Congresso.
… Nos bastidores, a derrota é atribuída a uma articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga e, segundo relatos no Globo, atuou ao longo do dia para ampliar a resistência ao indicado.
… Alcolumbre teria mobilizado senadores de centro, oposição e indecisos, pedindo votos contrários e estimulando a formação de um bloco de rejeição. A expectativa inicial do governo era de um placar mais apertado, entre 26 e 31 votos contrários, mas o resultado surpreendeu.
… Publicamente, Alcolumbre negou ter atuado contra o indicado e afirmou ter cumprido apenas seu papel institucional.
… Ainda assim, interlocutores do Planalto interpretaram sua postura como um gesto claro de distanciamento político, em meio a uma relação já deteriorada desde a indicação. A derrota ganhou contornos ainda mais sensíveis pela falta de reação do governo.
… Tentativas de interlocução de última hora não avançaram, e aliados de Messias afirmam que não foram avisados previamente da articulação contrária. O episódio abre uma crise sem precedentes entre Executivo e Senado, com impacto direto sobre a agenda do governo.
… O resultado sinaliza perda de controle político em votações sensíveis e levanta dúvidas sobre a capacidade de articulação do Planalto daqui para frente. O recado do Senado é claro: a base está desorganizada, o custo de governar subiu e a pauta do Executivo corre risco.
… Para a oposição, representa também o fim prematuro do governo Lula e um grande baque na sua candidatura a um quarto mandato.
… No mercado, a derrota de Lula deve se somar às pesquisas eleitorais que confirmam uma situação difícil para o presidente e, no limite, tende a ser vista como uma boa notícia, na medida em que a Faria Lima não esconde sua preferência por uma alternância de poder.
CURTAS DA POLÍTICA – Davi Alcolumbre convocou sessão do Congresso para hoje para votar vetos ao projeto que trata da dosimetria das penas do 8 de janeiro. O texto pode encurtar o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em regime fechado.
… Luiz Inácio Lula da Silva edita medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 5 bilhões para o Plano Brasil Soberano, voltado a micro, pequenas e médias empresas afetadas pela instabilidade global e pelas sobretaxas dos Estados Unidos.
… Relator da PEC que propõe o fim da escala 6×1 pretende apresentar o parecer entre 20 e 22 de maio, com votação na semana seguinte.
… Câmara aprovou urgência de PLP que cria exceção à Lei de Responsabilidade Fiscal para permitir a redução de tributos sobre combustíveis em 2026. A compensação viria do aumento de arrecadação gerado pelo choque do petróleo, incluindo royalties e receitas do setor.
… Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, diz que o governo prevê uso de até R$ 4,5 bilhões do FGTS no novo Desenrola. Trabalhadores poderão usar até 20% do saldo para quitar dívidas, com restrição para gastos com apostas.
… O Tribunal de Contas da União determinou a suspensão de novas concessões de crédito consignado pelo INSS até a implementação de travas de segurança. A decisão surpreendeu o governo, que deve recorrer.
AGENDA CHEIA – A quinta-feira concentra uma agenda carregada, que combina dados relevantes no Brasil com decisões de política monetária no exterior e indicadores-chave de atividade e inflação nos Estados Unidos, em um ambiente ainda pressionado pelo choque do petróleo.
… No Brasil, o dia começa com o resultado primário do setor público consolidado, às 8h30, com mediana de déficit de R$ 67,8 bilhões em março (pesquisa Broadcast), pressionado pela antecipação de pagamentos de precatórios.
… Na sequência, após o Caged forte divulgado na véspera, o IBGE divulga a taxa de desemprego, às 9h, com expectativa de leve alta para 6,0% no trimestre até março, refletindo a sazonalidade do período, mas ainda em patamar historicamente baixo.
… A leitura combinada de fiscal pressionado e mercado de trabalho resiliente reforça o pano de fundo doméstico desafiador para a política monetária, especialmente após o Copom destacar a persistência das pressões inflacionárias.
… No exterior, o foco recai sobre decisões de política monetária e dados relevantes nos Estados Unidos. O Banco da Inglaterra anuncia sua decisão às 8h, seguido pelo Banco Central Europeu às 9h15, com coletiva de Christine Lagarde na sequência, às 9h45.
… Nos dois casos, a expectativa é de manutenção dos juros em 3,75% (BoE) e 2% (BCE).
… Nos Estados Unidos, o destaque é duplo: o PIB do primeiro trimestre e o índice de preços de gastos com consumo (PCE), ambos às 9h30.
… A mediana das projeções aponta crescimento anualizado de 2,3%, acima do ritmo fraco do fim de 2025, mas ainda sob impacto do choque de energia, que reduz a renda disponível das famílias e limita o ritmo de expansão da economia.
… Além disso, saem pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 9h30, e o índice de atividade nacional do Fed de Chicago, às 10h45.
CHINA HOJE – O PMI oficial industrial caiu de 50,4 em março para 50,3 em abril, mas ainda superou a previsão de 50,1. O mesmo indicador, medido pelo setor privado, apontou alta para 52,2, acima da aposta de 51,0.
BALANÇOS –A temporada de resultados segue intensa no exterior, com destaque para a APPLE após o fechamento em Nova York, em mais um teste para o fôlego das big techs em meio ao ambiente mais pressionado por juros e petróleo.
… Antes da abertura, a agenda é carregada na Europa e nos Estados Unidos, com Volkswagen, Air France, Société Générale, ING, Bombardier, BNP Paribas e Stellantis, além dos americanos Caterpillar (US$ 4,65), Mastercard (US$ 4,41) e International Paper (US$ 0,14).
… Após o fechamento, além da Apple (previsão de LPA/US$ 1,95), também divulga resultados a ConocoPhillips (US$ 1,68).
AFTER HOURS –Números fortes das big techs reforçam o bom momento de resultados em Nova York, mas a reação foi mista, com investidores mais sensíveis a guidance, capex e sinais de desaceleração em métricas operacionais.
… No pós-mercado, ALPHABET foi a única entre as magníficas que brilhou no pós-mercado (+7,21%), após lucro líquido de US$ 62,57 bilhões no 1TRI, avanço de 81% na comparação anual, com LPA de US$ 5,11. Receita cresceu 22%, para US$ 109,2 bilhões, superando o consenso.
… Já a META PLATFORMS caiu feio (-7,0%), apesar do lucro de US$ 26,77 bilhões no 1TRI apontar alta anual de 62%, com LPA de US$ 10,44 bem acima do consenso e do ano passado (US$ 6,43). Receita somou US$ 56,31 bilhões (+33%), também acima das estimativas.
… Para o 2TRI, o guidance projeta de US$ 58 bilhões a US$ 61 bilhões, com capex entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões.
… AMAZON subiu 2,76% e MICROSOFT teve alta leve (+0,33%), as duas registrando aumento nos lucros e nas receitas do 1TRI26.
… AMAZON lucrou US$ 30,25 bilhões, aumento de 76,6%, com LPA ajustado de US$ 2,78, acima do consenso de US$ 1,63. A receita, que totalizou US$ 181,5 bilhões, subiu 17%, e do mesmo modo veio acima das projeções.
… O lucro da MICROSOFT foi de US$ 31,8 bilhões no 3TRI fiscal de 2026, alta de 23%, com LPA de US$ 4,27, acima do consenso de US$ 4,05. A receita somou US$ 82,9 bilhões (+18%), também acima das estimativas.
TOPETE – A ameaça de Trump de não ser mais “bonzinho”, sinalizando um plano de ataques “curtos e poderosos” contra o Irã para forçar uma nova rodada de negociação, coincidiu com a leitura hawkish do comunicado do Fed.
… Washington mantém como ponto de honra a exigência de que o governo de Teerã aceite um acordo sobre o programa nuclear. Ou não suspenderá o bloqueio aos portos do Irã, prolongando o impasse na diplomacia.
… O salto do petróleo a quase US$ 120 justificou o conservadorismo assumido pelo statement e os comentários de Powell de que o Fed deve adotar uma postura mais “neutra” nos próximos meses, esvaziando cortes no curto prazo.
… A perspectiva de que a flexibilização monetária só seja retomada em dezembro do ano que vem, segundo a ferramenta de apostas do CME, dá a medida da tensão que domina o horizonte e que estressa os negócios globais.
… A deterioração do cenário externo acionou ontem posições defensivas e se refletiu em uma puxada dos rendimentos dos Treasuries, reproduzida por aqui pela alta expressiva dos juros futuros e pela volta do dólar a R$ 5.
… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,205% (de 14,123% no dia anterior); Jan/28 subia a 13,950% (13,741%); Jan/29 disparava a 13,845% (13,594%); Jan/31, a 13,835% (13,597%); e Jan/33, a 13,875% (13,643%).
… No pano de fundo, a curva contou ainda com gatilhos domésticos para incorporar bastante prêmio de risco.
… Os números do Caged de março surpreenderam. A criação de 228,2 mil vagas de trabalho superou a previsão de abertura de 156 mil postos, mostrando um mercado de trabalho resiliente à eficácia da política monetária restritiva.
… O mercado também reagiu ao resultado do Tesouro, que mostrou déficit do Governo Central de R$ 73,783 bilhões em março, o maior da série histórica para o mês e pouco acima do esperado pelos economistas (déficit de R$ 72 bi).
… A sinalização de ações militares dos americanos no Irã intensificou o risco de pressões inflacionárias e desencadeou uma disparada de 6% do petróleo Brent, para US$ 118,03, indicando que pode mirar os US$ 120.
… Também o susto com a queda expressiva dos estoques semanais da commodity nos Estados Unidos entrou na conta. Houve recuo de 6,233 milhões de barris, contrariando a estimativa de redução de apenas 100 mil barris.
… Fontes da Reuters informaram que a Opep+ deve concordar com novo aumento de produção na reunião do próximo domingo, mas menor que o planejado, para levar em conta a saída dos Emirados Árabes do grupo.
… Efetivamente, porém, poucos produtores do cartel poderão aumentar a oferta, com o Estreito de Ormuz fechado.
DIGA AO POVO QUE FICO – Com o fator guerra escalando o petróleo, o Fed ganhou munição para defender a mensagem mais hawkish. Também entrou no jogo de apostas a decisão de Powell de permanecer como diretor.
… Para o Capital Economics, a sua permanência no conselho por período ainda indeterminado protege o Fed de influência política. Especialistas apontam que Powell pode tirar a vaga de Stephen Miran, protegido de Trump.
… Powell exaltou a capacidade de seu sucessor no comando do Fed, Kevin Warsh, construir consenso, mas admitiu que a independência do BC americano continua em risco e que os ataques da Casa Branca ampliam os desgastes.
… “Até agora fomos bem-sucedidos em fazer valer nossa autoridade legal. Adoraria pensar que já passamos pela era de pressões sobre o Fed, mas isso ainda não acabou”, advertiu, defendendo a continuidade do rigor técnico.
… Powell prometeu manter perfil “discreto” enquanto continuar como membro do conselho do Fed e disse que não vai interferir na liderança de Warsh, rejeitando veementemente a possibilidade de virar um “presidente paralelo”.
… Mas só de Powell estar lá, o mercado já deduz que pode haver constrangimento a uma inclinação mais dovish.
… Também o fato de Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan não terem apoiado a inclusão de um viés de flexibilização monetária no comunicado do Fed pode ser um recado a Warsh de que não se submeterão a pressões.
… A convicção de que ainda pode demorar mais de um ano e meio para o juro cair sustentou os yields dos Treasuries e o dólar. A taxa da Note de dois anos subiu a 3,934%, de 3,835% na véspera, e a de dez anos, a 4,414% (de 4,345%).
… No câmbio, o índice DXY avançou 0,33%, a 98,961 pontos. Na véspera das decisões de política monetária na Europa, o euro caiu 0,32%, a US$ 1,1673, e a libra esterlina perdeu 0,32%, a US$ 1,3477. O iene recuou a 160,40/US$.
… Na Dow Jones, apesar da pausa hoje, o mercado projeta que o BC inglês elevará o juro duas vezes até setembro.
… A mensagem de Powell de que o petróleo pode subir mais alcançou também o câmbio doméstico e o dólar fechou em alta de 0,39%, a R$ 5,0018. Mas a moeda chega ao último pregão do mês com queda acumulada de 3,41%.
ROLO COMPRESSOR – Primeira vilã do dia no Ibovespa, Vale abriu com gap de queda, frustrada pelo balanço, e depois foi só acelerando as vendas. No fechamento, derreteu 5,87% e perdeu o suporte dos R$ 80, a R$ 79,44.
… Ao longo do pregão, a turbulência do petróleo, a dose extra de cautela na comunicação do Fed e a percepção de que o Copom não vai ter espaço para relaxar demais entraram como fatores adicionais para derrubar o Ibovespa.
… O movimento negativo se intensificou na reta final e o índice à vista da bolsa doméstica caiu abaixo dos 185 mil pontos. Na sexta queda seguida, fechou em baixa de 2,05%, aos 184.750,42 pontos, com giro de R$ 28,5 bilhões.
… Os principais bancos caíram forte: Santander perdeu 2,65%, a R$ 28,64, decepcionado pelo resultado trimestral. BB recuou 3,68% (R$ 21,71); Itaú PN, -2,79% (R$ 42,87); BTG, -2,68% (R$ 58,57); e Bradesco PN, -2,35% (R$ 19,11).
… Petrobras figurou entre as poucas altas do dia, mas não salvou a bolsa de terminar no vermelho. Impulsionadas pelo rali do petróleo, as ações ON registraram valorização de 3,16%, a R$ 54,47, e as PN subiram 3,03%, a R$ 48,96.
… O dia aqui foi bem mais negativo do que nas bolsas em Nova York. À espera dos balanços das magníficas, o S&P 500 e o Nasdaq fecharam estáveis (ambos em -0,04%), aos 7.135,95 pontos e 24.673,24 pontos, respectivamente.
… Só o Dow Jones caiu um pouco mais (-0,57%, aos 48.861,81 pontos), de olho no petróleo e na abordagem do Fed.
CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE realiza às 10h assembleia geral ordinária (AGO) e extraordinária.
PETROBRAS divulgará relatório de produção e vendas do 1TRI26 após o fechamento.
AÉREAS. Impactado pela guerra no Oriente Médio, o preço do querosene de avião (QAV) deve ser reajustado em cerca de 18% nesta sexta, 1º de maio, sem que as medidas anunciadas pelo governo para mitigar os efeitos da crise sobre o setor estejam totalmente implementadas.
BANCO DO BRASIL aprovou elevação do capital social autorizado para até R$ 150 bilhões. O banco não pretende levantar capital no momento.
BRB. Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou projeto diminuindo em R$ 2,9 bilhões o escopo de imóveis oferecidos para cobrir o rombo do Banco Master no Banco de Brasília.
BV fechou R$ 13 bilhões em negócios sustentáveis em 2025, acumulando R$ 47,7 bilhões desde 2012, o equivalente a 59,6% da meta de R$ 80 bilhões até 2030.
EMBRAER pagará R$ 7,646 milhões em dividendos, equivalente a R$ 0,010 por ação. Ex em 12/05.
SUZANO teve Ebitda de R$ 4,580 bilhões no 1TRI26 e receita de R$ 10,968 bilhões, ambos em linha com o esperado. Lucro líquido foi de R$ 4,312 bilhões, quase 80% acima das projeções.
SABESP afirmou no formulário 20-F arquivado na SEC que desaceleração econômica, inflação, câmbio e mudanças regulatórias podem afetar resultados.
SANEPAR pagará R$ 585,2 milhões em JCP no dia 26 de junho.
CBA pagará R$ 28,7 milhões em dividendos, equivalente a R$ 0,044 por ação. Ex hoje.
EQUATORIAL. O volume de energia distribuída aumentou 4,8% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 15.608 gigawatts-hora (GWh).
CPFL ENERGIA pagará R$ 4,2 bilhões em dividendos, a R$ 3,73 por ação on. Ex hoje.
TAESA pagará dividendos de R$ 310,1 milhões, a R$ 0,30 por ON e PN e R$ 0,90 por unit. Ex hoje.
MULTIPLAN teve lucro líquido de R$ 316,145 milhões no 1TRI26 (+35,1%), Ebitda de R$ 516,482 milhões (+28,9%) e receita de R$ 826,975 milhões (+57,3%).
IGUATEMI projeta capex entre R$ 450 milhões e R$ 600 milhões para 2026 e 2027 e estima pagar R$ 200 milhões em dividendos este ano.
MOTIVA teve lucro líquido ajustado de R$ 627 milhões no 1TRI26, 12,1% acima das estimativas. Já o Ebitda ajustado de R$ 2,2 bilhões veio 18,2% abaixo do esperado e receita líquida de R$ 3,3 bilhões veio 23,8% pior que o esperado…
… A companhia aprovou programa de recompra de até 3,6 milhões de ações ordinárias, equivalente a cerca de 0,4% do free float.
LOCALIZA. Norges Bank reduziu participação para 4,97% das ações PN.
SÃO MARTINHO anunciou oferta pública de R$ 1,1 bilhão em debêntures incentivadas, com início em 4 de maio.
IOCHPE-MAXION teve lucro líquido de R$ 3,92 milhões no 1TRI26 (-64%), receita de R$ 3,81 bilhões (-3,3%) e Ebitda de R$ 357 milhões (+0,8%).
MAHLE METAL LEVE pagará R$ 275,9 milhões em dividendos, equivalente a R$ 2,03626 por ação, em 27 de maio.
VULCABRAS aprovou novo plano de opção de compra de ações para funcionários e administradores.
VITRU pagará R$ 3,7 milhões em dividendos, equivalente a R$ 0,025117 por ação, em 18 de junho.
BIOMM. Alaska e LAPB elevaram participação para 26,15% do capital, enquanto BRB reduziu fatia para 3,25%.
UNIGEL. Família Slezynger reassumiu a gestão da companhia, com Gabriel Slezynger como “chefe de reestruturação”, em substituição à CEO, Helena Paraíso Ramos, indicada pelos credores.