terça-feira, 4 de agosto de 2026

Chico Graziano

Fundada em 1927 por imigrantes japoneses, a Cooperativa Agrícola de Cotia foi uma das entidades pioneiras na comercialização de batatas, legumes e frutas no Brasil. Entre seus protagonistas se encontra Américo Utumi.


Com formação em direito pelo Largo do São Francisco (USP), desde os 18 anos o nissei Américo Utumi trabalhava como auxiliar de escritório na Cooperativa de Cotia, onde permaneceu por 40 anos (de 1952 a 1992). Chegou a ser vice-presidente. Empolgante, atencioso, querido, seu carisma o guindou a cargos de representação no movimento cooperativista, brasileiro e mundial. Tornou-se, mais que amigo, um braço direito de Roberto Rodrigues, o grande líder do setor, que presidiu a Aliança Cooperativa Internacional.


Fizeram a unificação do sistema e elaboraram, junto com tantos outros idealistas, a Lei Nacional do Cooperativismo (Lei 5.764 de 1971), marco legal vigente.


Fruto de sua destacada atuação, Américo Utumi foi eleito presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo, cumprindo 3 mandatos, de 1981 a 1993. Nessa época o conheci, precisamente em setembro de 1993, quando trabalhava no Ministério da Fazenda, em São Paulo, auxiliando Fernando Henrique Cardoso na articulação do Plano Real junto à agropecuária.


A estabilização da economia brasileira seria doída para os agentes produtivos que estavam endividados. Era o caso da Cooperativa de Cotia.

Américo Utumi me orientou, aconselhou, demonstrando uma virtude muito própria da cultura japonesa, mas rara por aqui: rigidez moral. Frente aos indícios de desvios e fraudes, ele não titubeou em endossar uma espécie de intervenção. A Cooperativa de Cotia estava falida. É triste, mas essa é a história final de uma cooperativa agrícola exemplar, que chegou a ser a maior da América Latina. Sua atuação estimulou a formação de tantas outras, significando muito para o desenvolvimento da horticultura e da fruticultura nacionais. Foram fundamentais também para o desenvolvimento do agro no cerrado, a partir da colonização em são Gotardo (MG).

Américo Utumi morreu em 1º de agosto, aos 92 anos. Deixou-nos seu exemplo. Seu sonho o torna inesquecível.

Leia o artigo completo.
https://lnkd.in/dk4GiN8x)

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Correção no petróleo, foco em Copom e balanços*


A temporada de balanços acelera com Itaú e Gerdau, após o fechamento, e o primeiro resultado da SpaceX desde o IPO, que coloca à prova o entusiasmo com a inteligência artificial


… Depois de a forte queda do petróleo aliviar, ao menos temporariamente, os temores de uma nova escalada militar no Oriente Médio, a commodity corrige parte do tombo com os sinais contraditórios sobre as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz. Aqui, as atenções se voltam para a reunião do Copom, que começa hoje e deve confirmar amanhã mais um corte da Selic. A dúvida não é a decisão desta semana, mas o que o BC sinalizará para setembro. Antes disso, investidores acompanham a produção industrial de junho no Brasil e o relatório Jolts nos Estados Unidos, enquanto a temporada de balanços acelera com Itaú e Gerdau, após o fechamento, e o primeiro resultado da SpaceX desde o IPO, que colocará à prova o entusiasmo do mercado com a inteligência artificial.


UM DIA DE CADA VEZ – Depois de semanas reagindo a cada ameaça de escalada militar, investidores passaram a interpretar as declarações de Trump menos como verdade e mais como um indicativo das intenções da Casa Branca no curtíssimo prazo.


… Se o presidente dos Estados Unidos fala em negociação, a leitura é de que um novo ataque dificilmente ocorrerá nas próximas horas.


… Isso ontem foi suficiente para provocar uma liquidação de quase 5% no petróleo e devolver parte do apetite por risco aos mercados globais. No fechamento do pregão regular, o Brent era negociado a US$ 83,77 (-4,73%) e o WTI a US$ 80,34 (-5,11%).


… O movimento ocorreu mesmo sem uma mudança concreta no conflito.


… Depois de suspender os ataques planejados para o fim de semana, Trump voltou a falar grosso, como quem está no controle, dizendo que é a “última chance” para um acordo com Teerã. Chegou a prometer que o Estreito de Ormuz poderá ser reaberto já nesta terça-feira.


… Segundo ele, a primeira etapa das negociações prevê justamente a normalização da navegação pela principal rota de exportação de petróleo do mundo, antes do avanço para um entendimento sobre o programa nuclear iraniano.


… O problema é que praticamente ninguém confirmou essa versão.


… O governo iraniano voltou a negar negociações diretas com Washington e afirmou que os contatos com Omã se limitam à discussão de uma rota temporária para garantir a navegação em Ormuz. Até mesmo autoridades americanas minimizaram as declarações de Trump.


… Fontes do governo de Donald Trump admitiram que não existe uma nova rodada de negociações marcada, mas apenas conversas indiretas, por meio dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner (o genro do presidente), com mediação de países da região.


… Os fatos no front da guerra também continuam recomendando cautela.


… O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz e por Bab el-Mandeb segue muito abaixo do normal, segundo dados da MarineTraffic, enquanto seis superpetroleiros sauditas desviaram a rota para o sul da África após novas ameaças dos Houthis contra embarcações do país.


… Ao mesmo tempo, Teerã manteve o tom agressivo e voltou a alertar para o risco de ampliação do conflito.


… Ainda assim, para os mercados, bastou a percepção de que o risco de uma nova escalada militar diminuiu no curtíssimo prazo.


… A guerra continua longe de uma solução, mas os investidores parecem ter deixado de negociar o desfecho do conflito para negociar apenas a probabilidade do próximo ataque. E, por ora, Trump deu ao mercado um motivo para acreditar que esse ataque pode esperar mais um dia.


O CONSENSO DO COPOM – Diretores do Banco Central reúnem-se hoje na primeira sessão do Copom para a Análise de Conjuntura antes da decisão sobre a Selic, que será divulgada amanhã, quarta-feira, minutos após as 18h30. Não deve haver surpresa com o resultado.


… A expectativa amplamente majoritária é de corte de 0,25 ponto porcentual, levando a Selic para 14% ao ano. O suspense é o que virá depois.


… O consenso do mercado mudou nas últimas semanas. Se até pouco tempo a percepção era de que agosto marcaria o último corte do ciclo, a sequência de indicadores mais benignos passou a sustentar a avaliação de que setembro continua em aberto.


… A combinação de inflação mais comportada, sinais de moderação da atividade e queda do petróleo levou diversas instituições a revisarem as projeções, embora nenhuma espere que o Banco Central antecipe seus próximos passos.


… HSBC, XP, Santander e Itaú convergem na avaliação de que o Copom evitará qualquer guidance, mantendo a dependência dos dados.


… A expectativa é de um comunicado neutro, que reconheça a melhora recente da inflação e a desaceleração da atividade econômica, mas mantenha o balanço de riscos ainda assimétrico e preserve a flexibilidade para decidir reunião a reunião.


… O Santander e o Bank of America já projetam mais um corte de 0,25 ponto em setembro, levando a Selic a 13,75%, enquanto o Boletim Focus desta semana também passou a incorporar esse cenário pela primeira vez desde março.


… Para o HSBC, o cenário-base ainda é de uma pausa prolongada após agosto, embora o banco admita extensão do ciclo caso a inflação continue surpreendendo para baixo. A XP também considera que esse corte pode ser o último, mas não descarta reduções adicionais.


… A principal ressalva continuam sendo as expectativas de inflação. Mesmo com a melhora dos índices correntes, economistas seguem alertando que as projeções para os próximos anos permanecem acima da meta.


… A Bradesco Asset, por exemplo, reduziu sua projeção para o IPCA de 2026, mas continua vendo riscos relevantes ligados ao El Niño, aos preços de energia e ao comportamento dos alimentos.


… Já o Citi permanece entre as poucas instituições que ainda acreditam na manutenção da Selic em 14,25%, argumentando que a desancoragem das expectativas, a expansão fiscal às vésperas das eleições e a resiliência da atividade ainda recomendam cautela.


… Em suma, a decisão desta quarta-feira parece praticamente contratada. O que o mercado tentará decifrar será a redação do comunicado: se o Copom apenas deixará a porta aberta para setembro ou se começará a preparar o terreno para uma pausa ou para um novo corte.


BDM LIVE – O economista-chefe do Bmg, Flávio Serrano, fala hoje (10h) sobre a mensagem esperada para o comunicado do Copom, em entrevista a Rosa Riscala e Téo Takar. Confira: https://tinyurl.com/mtur5tbx.


AGENDA – Antes do Copom, o mercado confere o ritmo da desaceleração da economia com a produção industrial de junho no Brasil, enquanto nos Estados Unidos o relatório Jolts abre a sequência de indicadores do emprego, que culmina com o payroll, na sexta-feira.


… Em pesquisa Broadcast, a mediana das estimativas da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de junho, às 9h, aponta queda de 0,6% na produção, após recuo de 0,2% em maio, refletindo principalmente a acomodação da indústria extrativa e do processamento de petróleo.


… Na comparação com junho do ano passado, porém, a expectativa é de aceleração, com alta de 3,0%, ante avanço de 0,2% no mês anterior.


… Mais cedo (5h), a Fipe divulga o IPC de julho, com a mediana das projeções apontando para alta de 0,03%, após avanço de 0,18% em junho, com desaceleração puxada principalmente pela queda dos preços dos alimentos e da gasolina.


… Às 11h, o Tesouro Nacional realiza leilão de NTN-B com vencimentos em 2031, 2037 e 2050, além de LFT para 2032.


… Nos Estados Unidos, o Departamento do Comércio divulga às 9h30 a balança comercial de junho, com expectativa de redução do déficit para US$ 72,4 bilhões, ante US$ 77,6 bilhões em maio. Já o relatório Jolts será conhecido às 11h.


… A mediana aponta para 7,40 milhões de vagas abertas em junho, abaixo dos 7,59 milhões postos registrados em maio.


SPACEX – Após a forte reação aos balanços de Microsoft e Amazon, a temporada de balanços entra em um novo teste para a inteligência artificial. A SpaceX divulga hoje, após o fechamento, seu primeiro balanço após o IPO.


… Desde a badalada oferta, a SpaceX acumula queda de cerca de 20% e de mais de 50% em relação à máxima.


… Os números da companhia poderão influenciar o humor do setor de tecnologia, especialmente diante das dúvidas sobre o retorno dos pesados investimentos em IA. Também após o fechamento, sai o balanço de AMD.


… Representantes das big techs terão reunião hoje com a Casa Branca, segundo o The Information.


… Ainda nesta terça, antes da abertura dos mercados, divulgam resultados HSBC, Lufthansa, BP, Whirlpool, Caterpillar e McDonald’s.


AFTER HOURS – Palantir deu show (+14,97%) depois de o lucro por ação ajustado saltar 156%, para US$ 0,41, superando de longe a projeção de US$ 0,3, e a receita com o governo americano dobrar para US$ 809 milhões.


… A empresa afirmou que a demanda por seu software de IA impulsionou a receita pelo 12º trimestre consecutivo.


ITAÚ – Aqui, a grande expectativa da temporada de balanços é o resultado do Itaú Unibanco, divulgado hoje após o fechamento.


… O mercado espera lucro de R$ 12,5 bilhões no segundo trimestre, alta de cerca de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, mantendo o banco como o mais rentável entre os grandes do setor.


… Além do lucro, os investidores estarão atentos ao crescimento da carteira de crédito, à qualidade dos ativos, como inadimplência e provisões (PDD), ao desempenho das receitas com tarifas e às sinalizações da administração para o segundo semestre.


MAIS BALANÇOS – A temporada do segundo trimestre acelera também na B3, com resultados de Gerdau, Gerdau Metalúrgica, GPA, Iguatemi, Prio, RD Saúde, C&A e Tenda, todos após o fechamento.


… Entre eles, Gerdau deve registrar um dos melhores desempenhos do trimestre, com expectativa de lucro de R$ 1,48 bilhão (+71% no ano), sustentada pela resiliência das operações na América do Norte e pela melhora das margens na América do Sul.


… Confira abaixo no Cias Abertas os balanços de BB Seguridade, BradSaúde e Marcopolo, divulgados ontem à noite.


CURTAS DA POLÍTICA – Depois de recuperar terreno na pesquisa BTG/Nexus, que mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (45%) e Lula (46%), nesta segunda-feira, o senador sofreu novo revés no esforço para ampliar sua base de apoio.


… O Republicanos, que ficou de consultar seus diretórios estaduais sobre a participação de Tereza Cristina como vice na chapa, informou ao PL que a maioria de seus diretórios estaduais prefere manter a neutralidade.


… Hoje, Flávio participa da primeira sabatina da campanha eleitoral, promovida por O Antagonista e G4 Hub, a partir das 11h.


LULA. Já o presidente abre nesta terça-feira a série de entrevistas dos presidenciáveis promovida pela GloboNews e pelo G1, às 14h.


… No campo diplomático, uma nova sequência de ataques de Javier Milei a Lula complicou a tentativa de normalização das relações entre Brasil e Argentina – um tema que é tratado com cuidado pelo Planalto, em meio à exploração eleitoral do bolsonarismo.


MAIS PESQUISAS. Os institutos Genial/Quaest e Meio/Ideia divulgam amanhã novas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial, com perguntas sobre o tarifaço dos Estados Unidos, a relação dos candidatos com Trump e as críticas de Flávio às urnas eletrônicas.


CONGRESSO. Retoma os trabalhos nesta semana, mas as votações só devem ganhar ritmo a partir do dia 10, por causa do calendário eleitoral.


… Entre as prioridades estão projetos ligados ao agronegócio, a PEC da Segurança Pública e propostas econômicas como o PLP dos Combustíveis e a política de minerais críticos. O governo também pretende avançar com a PEC do fim da jornada 6×1.


VÁLVULA DE ESCAPE – Sustentável ou não, o afastamento do petróleo da marca dos US$ 90 provocou queima dos prêmios de risco nos juros futuros, aqui e lá fora, na medida em que desarma a pressão sobre o canal inflacionário.


… Na véspera da decisão do Copom, ainda a novidade do boletim Focus de queda na projeção da Selic do ano, de 13,75% para 14%, animou as apostas de que o corte de juro esperado para amanhã possa não ser o último do ciclo.


… Vai depender de muita coisa: 1) de uma solução diplomática na guerra que garanta queda para valer do petróleo e esvazie as expectativas de inflação; 2) de uma postura dovish do Fed (que Warsh já deu a impressão que pode ter)…


… E mais importante que tudo, de um cenário fiscalmente responsável, no contexto eleitoral ainda indefinido.


… Entre os traders, a aposta de que o Copom cortará o juro também em setembro ainda continua majoritária (60%), mas segue bem próxima da precificação de uma pausa (40%), porque todo mundo quer ler antes o comunicado.


… Não que o mercado esteja confiando que o documento passará algum recado. Mesmo assim, espera por ele.


… Além do ajuste na Selic, o Focus trouxe ontem a perspectiva de alívio na inflação deste ano, de 5,12% para 5,03%, enquanto as estimativas para o IPCA de 2027 e de 2028 permaneceram em 4,22% e 3,80%, respectivamente.


… Encorajada pelas surpresas baixistas das últimas leituras da inflação, a Bradesco Asset reduziu a projeção do IPCA de 2026 de 5,4% para 5,1%, mas observou que os núcleos rodam em nível incompatível com a convergência à meta.



… Apesar dos riscos à volta, o alívio do petróleo nesta segunda-feira viabilizou queda consistente na curva do DI.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,805% (de 13,795% no ajuste anterior); Jan/28, 13,810% (contra 13,860% na véspera); Jan/29, 13,980% (14,096%); Jan/31, 14,190% (14,382%); e Jan/33, 14,355% (14,573%).


… Lá fora, depois do salto recente, a taxa da Note de dez anos voltou a operar abaixo de 4,70%, em 4,252%, contra 4,707% na última sexta-feira, enquanto a de dois anos caiu para 4,252% (de 4,267%), na cola do tombo do petróleo.


… Ninguém vai comprar tão fácil a perspectiva de uma solução rápida da guerra, marcada por tantas reviravoltas.


… Mas os Treasuries aproveitaram ontem para realizar lucro, depois de a credibilidade do Fed ter sido colocada à prova na semana passada pela percepção de que Kevin Wash pode ser mais tolerante com as pressões inflacionárias.


… Destoando dos três dissidentes da última reunião de política monetária, John Williams (presidente do Fed de Nova York) disse que a sua previsão é que a inflação caia na segunda metade deste ano e “ainda mais no próximo ano”.


… Ele garante que, se este prognóstico não se concretizar, o Fed não hesitará em responder com alta dos juros.


… O que preocupa o mercado é o medo de o BC americano se atrasar e não reagir tão rápido a eventuais choques.


ARIGATÔ – Quanto mais tempo o Fed demorar para apertar a política monetária, tanto melhor para o Japão, que tem apelado às intervenções cambiais para conter a fragilidade do iene, desencadeada pelo diferencial dos juros.


… Depois da recente atuação dupla do governo de Tóquio e de Trump, a moeda japonesa continuou subindo ontem (+0,28%), para 156,92 por dólar, mas o mercado mantém o debate sobre a eficácia das investidas no câmbio.


… Para a consultoria britânica Oxford Economics, o efeito das intervenções durará mais que em ofensivas anteriores, mas ainda será insuficiente para reverter a tendência fraca do iene, que deve voltar a 160 por dólar no fim do ano.


… Análise do Valor também pontua que, historicamente, as atuações no câmbio raramente conseguiram mudar uma tendência determinada por fundamentos. No máximo, reduziram a volatilidade e movimentos especulativos.


… Na visão da Capital Economics, a capacidade do Tesouro americano de influenciar o iene é mais simbólica do que efetivamente prática, já que as reservas dos Estados Unidos são limitadas para bancar uma intervenção prolongada.


… Cálculos na BBG indicam que, na sexta, o Japão teria gasto 5,33 trilhões de ienes (US$ 34 bilhões) para intervir.


… Ontem, o euro recuou 0,16%, a US$ 1,1510, a libra caiu 0,36%, a US$ 1,3432, e o DXY ficou estável (-0,02%), a 99,897 pontos. Por aqui, o dólar subiu 0,33%, a R$ 5,0870, com o real enfraquecido pela liquidação do petróleo.


… Mas considerando que o barril derreteu e que o Copom vai cortar a Selic amanhã e, eventualmente, pode até deixar contratado um novo corte em setembro, dá para dizer que a moeda brasileira se segurou muito bem ontem.


SAIU BARATO – Por ter forte peso individual dos papéis diretamente ligados às commodities, o Ibovespa já antecipava um dia desafiador, com o petróleo e minério de ferro (-2,85%) no alvo de um forte movimento vendedor.


… Vale (-2,15%; R$ 74,64) e Petrobras não resistiram (ON, -0,86%, a R$ 48,62; e PN, -0,85%, a R$ 43,05), e o índice à vista passou boa parte do pregão no vermelho, mas reagiu na reta final e fechou estável, aos 178.000,24 pontos.


… Chamou atenção o volume financeiro de apenas R$ 15,9 bilhões, ainda mais baixo do que as médias recentes.


… O contraponto para a bolsa zerar as perdas veio dos bancos e das ações mais dependentes ao ciclo econômico. O recuo dos juros futuros animou Hapvida (+5,59%), C&A (+3,60%), Vivara (+2,98%) e Magazine Luiza (+2,58%).


… No setor financeiro, em véspera de balanço, Itaú PN avançou 0,70% (R$ 43,17). Bradesco PN ganhou 0,65% (R$ 18,55) e Santander unit ampliou a alta (+1,08%, a R$ 28,93), mesmo depois do rali recente provocado pela OPA.


… CSN liderou as perdas do índice à vista e despencou 6,82%, para R$ 4,51, após o corte de rating pela Fitch.


… A B3 divulgou ontem a primeira prévia do Ibovespa, que irá vigorar entre setembro e dezembro, com a entrada das ações da Tenda e saída de Petrorecôncavo. A bolsa vai divulgar mais duas prévias este mês, nos dias 17 e 31.


… Em Nova York, rolou ontem uma dose de euforia com o tombo do petróleo e com as big techs. Meta (+6,02%), Microsoft (+4,93%), Alphabet (+4,88%) e Amazon (+4,58%) puxaram os ganhos, em meio à temporada de balanços.


… O Dow Jones renovou seu recorde histórico acima dos 53 mil pontos e subiu 1,32%, para 53.178,41 pontos. O S&P 500 registrou valorização de 1,48%, para 7.600,50 pontos, enquanto o Nasdaq avançou 2,13%, a 25.913,90 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – BB SEGURIDADE teve lucro líquido de R$ 2,151 bilhões no segundo trimestre, em linha com as projeções do Broadcast…


… Conselho aprovou R$ 3,850 bilhões em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 1,983285 por ação, com pagamento em 03/09. As ações ficam ex-direito em 07/08.


BRADSAÚDE teve lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, alta de 24,8% ante um ano antes. A receita cresceu 10,8%, para R$ 13,8 bilhões, e o ROAE ficou em 25,8%.


SANTANDER. Brookfield negocia a compra da torre do banco no Complexo JK por cerca de R$ 2,3 bilhões, segundo o Metro Quadrado.


CSN CIMENTOS. Huaxin, consórcio formado por Votorantim e Cementir e Polimix seguem na disputa pela companhia, segundo o Valor Econômico. A proposta da Huaxin seria de R$ 12 bilhões.


ISA ENERGIA teve lucro líquido regulatório de R$ 174 milhões no segundo trimestre, queda de 32% ante um ano antes. A receita regulatória cresceu 20,9%, a R$ 1,2 bilhão, e o Ebitda regulatório avançou 22,5%, a R$ 967 milhões.


ENEL. Área técnica da Aneel rejeitou as alegações finais da companhia e manteve a recomendação de caducidade da concessão em São Paulo.


COGNA. Vasta aprovou a incorporação pela Somos e o resgate compulsório das ações dos minoritários, como parte da reorganização societária.


MOVIDA aprovou a 28ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,140 bilhão, para gestão de passivos e pré-pagamento de dívida.


PAGUE MENOS teve lucro líquido de R$ 71,1 milhões no segundo trimestre, alta de 41,6% ante um ano antes. A receita cresceu 8%, para R$ 3,99 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 11,7%, para R$ 409,3 milhões.


ODONTOPREV teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões no segundo trimestre, queda de 20,8% ante um ano antes. A receita líquida cresceu 5,6%, para R$ 635,3 milhões.


VALID concluiu a aquisição do grupo HST Card Technology por R$ 73 milhões, a serem pagos ao longo de três anos.


MARCOPOLO teve lucro líquido de R$ 272,4 milhões no segundo trimestre, queda de 14,7% ante um ano antes. A receita cresceu 3%, para R$ 2,37 bilhões, enquanto o Ebitda recuou 15%, para R$ 338,6 milhões.


TEGMA aprovou a distribuição de R$ 75,2 milhões em dividendos e JCP, equivalentes a R$ 1,14 por ação, com pagamento em 18/08.


RUMO. Debenturistas aprovaram fiança bancária complementar de R$ 87,5 milhões do Banco ABC para a segunda série da 18ª emissão de debêntures.


MOTIVA. Grupo Soares Penido, Votorantim e Itaúsa manifestaram intenção de renovar o acordo de acionistas.


PARANAPANEMA homologou aumento de capital de R$ 5,9 milhões, com a emissão de 9,6 milhões de ações, e reduziu a dívida em R$ 5,8 milhões.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,4% US tech +1,7% US semis +1,1% UEM +1,1% España +1,0% VIX 15,9% Bund 3,15% T-Note 4,68% Spread 2A-10A USA=+44pb B10A: ESP 3,59% PT 3,49% FRA 3,94% ITA 3,94% Euribor 12m 2,94% (fut.3,09%) USD 1,151 JPY 180,9 Ouro 4.054$ Brent 83,8$ WTI 80,3$ Bitcoin +1,3% (63.742$) Ether +0,4% (1.867$).


SESSÃO: O tom é bastante positivo. Principalmente graças a uns resultados empresariais que continuam a oferecer grande apoio ao mercado (ON Semiconductor, Palantir…). No plano macro, as referências que serão publicadas dificilmente serão capazes de direcionar o mercado, enquanto tudo continua a girar à volta da geoestratégia e a evolução do preço do petróleo que, de momento, se mantém <90 $/barril…


Aspetos importantes:

Continuam os vaivéns nas negociações entre Irão/EUA. Nas últimas horas, Irão nega as negociações com os EUA e o petróleo aumenta ca. +1,5% até 85 $/barril. Contudo, as bolsas quase não reagem à notícia e os futuros americanos e europeus vêm a subir +0,3%/+0,5%... E a realidade é que os resultados empresariais são o que dirige o mercado…


A temporada de resultados mostra um saldo francamente positivo com ca. 50% das empresas publicadas: EPS +61% vs. +24% esp. com especial atenção ao setor tecnológico (ontem tecnologia EUA +1,7%). De facto, ontem, no fecho de N. Iorque, publicaram resultados ON Semiconductors (semis) e Palantir (IA aplicada a defesa). Ambas bateram tanto em resultados como em guias. Sobem +6% e +15% em aftermarket, respetivamente. Continuando com a frente empresarial, ontem Trump afirmou que as petrolíferas Chevron e Exxon estão a beneficiar em excesso do contexto atual e considera que os lucros de ambas devem ser “devolvidos” aos consumidores. Não especificou se isso se fará através de uma redução dos preços ou de impostos extraordinários… Em qualquer caso, o mais provável é que fiquem prejudicadas na sessão. Hoje também estaremos pendentes dos resultados de SpaceX no fecho de N. Iorque que, embora se esperem um pouco erráticos (EPS -0,236 $), daqui a dois dias aumentará o seu free float (~6,9%) que elevará o seu peso em índices. Veremos…


No plano macro, as referências concentram-se nos EUA: Balança Comercial (13:30 h), Pedidos à Fábrica e Vagas de Emprego/Jolts (15 h). Provavelmente nenhuma terá força suficiente para direcionar o mercado. Principalmente porque depois da última reunião da Fed, ficou bastante claro que o foco da mesma está mais na inflação do que na economia. 


Com esta mistura, estimamos uma sessão com um tom bastante positivo e apoiado na solidez dos resultados empresariais. Desde que não cheguem notícias da frente geoestratégica que provoquem uma subida do petróleo.

Chico Graziano

Fundada em 1927 por imigrantes japoneses, a Cooperativa Agrícola de Cotia foi uma das entidades pioneiras na comercialização de batatas, leg...