terça-feira, 28 de outubro de 2025

Diário de um Economista de Mercado 2810

Diário de um economista de mercado

Mais um dia de risk on nos mercados, 2810


1. Amanhecemos nesta terça-feira 28 repercutindo os avanços nas negociações tarifárias entre Donald Trump e Lula da Silva, abrindo-se uma boa perspectiva para o encontro entre Trump e Xi Jingping na Coréia do Sul na quinta-feira 30. Se estabelece a estratégia, para muitos, meio caótica, de Trump, de endurecer e ir cedendo, no velho "morda e assopra". Dizem que é isso que fazemo os brokers do mercado imobiliário de Manhattan. Trump, nascido daí, não nega suas origens.


2. O mercado se anima também, principalmente, pela acachapante vitória nas eleições legislativas de domingo, do histriônico presidente da Argentina, Javier Milei, cheio de trejeitos, mas muito acertivo nas suas ações. Neste mundo aparente das esquerdas festivas pelo mundo, cheio de retóricas e "atitudes", é a pior das impressões. Mas o que vale são ações efetivas, não perfomances pirotécnicas. Vence a Argentina, que vem passando por uma faxina geral contra o populismo. E a inflação, neste outubro, devendo ficar abaixo de 2%. Milei obteve 107 cadeiras na Câmara, sendo 93 do seu partido e passou de 6 a 20 no Senado. Ganha mais tranquilidade para tocar suas reformas. E é um aviso ao populismo rastaquera destas plagas.


3. Populismo este que vem atrasando o Brasil há algumas décadas. Não tem jeito. O passado condena. Sabendo do histórico petista - Lava Jato, mensalão, esquemas com empreiteiras - como achar que agora vai ser diferente? Estão gastando muito com várias medidas parafiscais, como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, aumento nos gastos dos estados, maturação dos programas, "Gás para o povo", "Luz para todos", maior oferta de crédito, em especial, para a classe média, etc. Sem dúvida que estas medidas, imediatistas, de alcance limitado, possuem só um objetivo, a reeleição em outubro de 2026.


4. Enquanto isso, as despesas devem crescer bem mais neste segundo semestre, mesmo depois da austeridade inicial. Estimativas de mercado já indicam quem, despesas obrigatórias, depois de recuar 2,4% no primeiro semestre, devem crescer 11% no segundo, contra o mesmo período do ano passado. Já as discricionárias devem crescer 34,6% neste segundo, depois de recuar 20,6% no primeiro.


5. Isso nos ajuda a explicar uma dívida bruta, que se aproxima de 77,5% do PIB, depois de fechar 2022 a 71,7%, rumando a 80% nos próximos meses. E o pior é que já se fala em R$ 399 bilhões de despesas fora da meta fiscal em 2026, desmoralizando ainda mais o "arcabouço fiscal".


6. Como deve responder o BCB? Ingressar na farra populista ou assumir uma leitura mais responsável do momento economico? Embora Gabriel Galípolo se mostre cauteloso a cada declaração, meio desconfortável até, muito já se fala em início do ciclo de cortes da Selic na primeira Copom de janeiro de 2026.


7. Numa leitura atual, o câmbio se aprecia fortemente, já a R$ 4,35,13,5% neste ano. Ainda temos o preço da gasolina mais baixo. Para reforçar, na Focus, o IPCA passou de 4,70% para 4,56% neste ano, e 4,27% para 4,20% no ano que vem. Ainda, o IPCA-15 veio em 0,18% em outubro, mais baixo, depois de 0,24% em setembro. 


8. No futuro de DI, o de janeiro de 2029 passou de 13,46% há tres semanas, para 13,04% ontem, dia 27. 


Vamos monitorando.


 

Anderson Nunes

 *GASTOS FORA DO TETO CHEGAM A R$ 399 BI - MC 28/10/25*

*Por Anderson Nunes - Analista Político.*


O governo Lula 3 gastará ao menos R$ 399 bilhões fora das regras fiscais até 2026, minando a credibilidade econômica do país o que poderá forçar o Banco Central a manter os juros altos.


*A CONTA CHEGOU*


A expansão fiscal demonstra um forte viés de aumento da despesa pública, sem um esforço consistente para melhorar o quadro fiscal. O resultado é uma política frouxa que obriga o Banco Central a manter a Selic em 15% ao ano.


*DÍVIDA PÚBLICA EM ALTA*


O endividamento segue a mesma rota e já atinge 77,5% do PIB, acima dos 71,7% registrados no final de 2022. A trajetória ascendente não dá sinais de reversão e contrasta com a disciplina fiscal do primeiro mandato de Lula.


*LULA VOLTA AO BRASIL*


O presidente Lula desembarca hoje à noite em Brasília após seu tour pela Ásia. A reunião com Trump na Malásia foi vista como positiva, mas por enquanto é apenas retórica, e as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros continuam em vigor.


*"TAXA DA BLUSINHA" FREIA CONSUMO*


A desistência de compras em sites internacionais disparou de 13% para 38% após a criação do imposto de importação. A Câmara analisa hoje um projeto para restabelecer a isenção de US$ 50. Sendo sarcástico, quem poderia imaginar que taxar as "blusinhas" faria o desinteresse do consumidor. 


*GOVERNO FATIA PACOTE FISCAL NO CONGRESSO*


A Fazenda enviará projetos para substituir a MP 1.303, visando R$ 31,6 bilhões em 2026. As medidas incluem limites a compensações tributárias, novas regras do seguro-defeso e aumentos de impostos para fintechs e apostas.


*GOVERNO PODE "ENGAVETAR" PLP DO TARIFAÇO*


Diante da pressão da oposição, o governo avalia desistir do projeto que retirava gastos do tarifaço da meta fiscal. A manobra pragmática economizaria R$ 9,5 bilhões no apertado orçamento.


*ETANOL ENTRA NA MESA DE NEGOCIAÇÃO COM EUA*


O Brasil avalia reduzir a tarifa de importação do etanol americano, hoje em 18%. A medida busca destravar um acordo para que os EUA retirem sobretaxas atualmente aplicadas ao café e à carne brasileiros.


*TRUMP E XI SINALIZAM ACORDO*


Diplomatas dos EUA e China confirmam progresso significativo. O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, indicou que tarifas de 100% e restrições estão "fora da mesa", enquanto Pequim pede "respeito mútuo" para destravar o diálogo.


*SUCESSÃO DE POWELL TEM CINCO FINALISTAS*


O Tesouro americano confirmou a lista final para o comando do Fed. Os nomes incluem os diretores do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman, o ex-diretor Kevin Warsh, o economista Kevin Hassett e Rick Rieder, da BlackRock.


*RADAR CORPORATIVO*


1. BTG: O banco de investimentos lançou o BTG Pay, seu novo ecossistema de pagamentos, entrando na disputa das maquininhas de cartão.

2. Amazon: A gigante de tecnologia planeja demitir até 30.000 funcionários corporativos a partir de hoje para reduzir despesas.

3. Balanços: O mercado aguarda os resultados do terceiro trimestre de grandes nomes do setor financeiro, incluindo HSBC, Visa e PayPal.

4. NEOENERGIA: Lucro líquido sobe 10% no 3TRI, atingindo R$ 924 milhões, com Ebitda de R$ 3,39 bilhões (alta de 14%).

5. EQUATORIAL: Energia injetada cresce 3,1% no terceiro trimestre na comparação anual.

6. JSL & VAMOS: JSL firma contrato de R$ 74,67 milhões para locação de empilhadeiras da Vamos por 84 meses.

7. GAFISA: Fundos geridos pela Concórdia (Jaburá e Spinelli Alfa) anunciam a venda total de suas participações acionárias na companhia.


O Canal Auxiliando usa as seguintes fontes de notícias: 'Monitor do Mercado, BDM, Broadcast, Valor Econômico, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, BM&C, B3, Revista Oeste, Poder 360, Money Times, Agência CMA, Agência Brasil, Bloomberg, Infomoney, CNN, The Washington Post, The Wall Street Journal, Fox Business, Reuters, Oil Price, Investing e Yahoo Finance'.

Bankinter Portugal Matinal

 SESSÃO: As bolsas do mundo sincronizadas em máximos históricos. O ouro perde o nível psicológico de 4.000 $/onça e a bolsa espanhola finalmente recupera os níveis anteriores à Crise Financeira: 16.000 vs. 15.945. Foi a bolsa que mais demorou a recuperar e, por isso, tem tanta recuperação. É curioso que ser o último se apresente como um sucesso. Segundo os nossos cálculos, já não oferece potencial (avaliação 15.700). Isso, para começar a manhã com sinceridade. Mas as bolsas europeias, americanas e asiáticas marcaram novos máximos históricos. Todas as relevantes. Este é outro motivo pelo qual reafirmamos o que dissemos na Estratégia de Investimento Semanal de ontem: “o desenvolvimento semanal deverá ser mais benigno… embora nos sentíssemos mais tranquilos se simplesmente lateralizasse. Mas tememos que não é isso que irá acontecer, portanto, continuará a prolongar-se a cautela perante os níveis alcançados… sem que chega a acontecer nada por isso”. Oxalá consolidasse níveis, oxalá descansasse… mas receamos que isso não vai acontecer. Pode ser bom a curto prazo, mas talvez não tanto se considerarmos 2026. Veremos.


Ontem, saiu um IFO Clima Empresarial na Alemanha melhor do que o esperado (88,4 vs. 88,0 esperado vs. 87,7 anterior) e a bolsa argentina +22% de uma vez, com a vitória de Milei nas eleições de meio mandato. Hoje não sai macro relevante, mas continuarão a publicar muitas empresas. Esta manhã, BNP e Air Liquide dececionam com os seus resultados, mas Danone bate em Vendas (+4,8% vs. +4,4% esperado) e confirma guidance. Iberdrola bate e melhora guidance. Isto encaixa nas nossas recomendações: Vender BNP e Comprar Danone (+5,5% em outubro) e Iberdrola. Publicarão PayPal, UPS, UnitedHealth, HSBC, Ferrovial, ASMI e Visa. 


O novo Ministro da Economia japonês afirmou que um yen débil tem benefícios para a sua economia, portanto continua a retroceder até 152,3/$ e 177,5/€. As bolsas asiáticas realizaram alguns lucros esta madrugada, como reação natural à sincronização de novos máximos históricos das bolsas do mundo. Temos a sorte de o contemplar. Hoje deverão realizar alguns lucros antes de recuperar outro impulso amanhã, também pelo desenvolvimento provavelmente não destrutivo (pode ser esteticamente construtivo) da reunião entre Trump/Xi, na quinta-feira. 


NY +1,2% US tech +1,8% US semis +2,7% UEM +0,6% España +0,9% VIX 15,8% Bund 2,61% T-Note 3,98% Spread 2A-10A USA=+49pb B10A: ESP 3,14% PT 2,99% FRA 3,41% ITA 3,40% Euribor 12m 2,175% (fut.2,221%) USD 1,166 JPY 177,2 Ouro 3.945$ Brent 65,6$ WTI 61,3$ Bitcoin -1,1% (113.980$) Ether -1,2% (4.097$)


CONCLUSÃO: Só se pode dizer que não devemos nos deixar levar por um contexto favorável para a inflação nos preços dos ativos (bolsas, obrigações, imobiliário…) que se traduz num mercado disposto a interpretar em positivo o positivo, e a ignorar tanto o negativo como os riscos subjacentes (geoestratégia, fiscalidade ultra-laxa…). E assim continuará, porque os cálculos não alertam em relação a sobreavaliações claras, e é difícil encontrar alguma argumento sólido e objetivo que piore a situação. A realização de lucros de hoje provavelmente será efémera… dito isso, se lateralizar e consolidar até 31 de dezembro, seria melhor para 2026.


FIM

Disputa do Fed

 *Bessent anuncia os finalistas na disputa para presidência do Fed; saiba quem são*


O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou os cinco finalistas para suceder Jerome Powell na presidência do Federal Reserve, com nomeação esperada até o final do ano pelo presidente Donald Trump. Os candidatos incluem membros atuais do Fed, ex-membro, funcionários do governo e um executivo da BlackRock. Bessent pretende realizar mais uma rodada de entrevistas antes de apresentar sua indicação ao presidente. Trump criticou Powell, citando que acredita que ele prejudica a economia por não reduzir as taxas de juros, enquanto a expectativa é que o Fed corte as taxas em 25 pontos-base na reunião de política monetária que termina em 29 de novembro. O próximo presidente do Fed assumirá por um mandato de 14 anos, começando em fevereiro, e precisa ser confirmado pelo Senado, enfrentando debates sobre sua visão econômica, política monetária e independência do banco central. Powell, que termina seu mandato em maio, pode continuar como governador até 2028, e sua permanência poderá criar conflitos com o novo presidente do Fed. Atualmente, o Fomc enfrenta pressões devido à desaceleração do mercado de trabalho e preocupações com a inflação acima da meta, enquanto busca equilibrar cortes nas taxas de juros com sinais de forte crescimento econômico dos EUA no terceiro trimestre.


Fonte: https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/10/27/bessent-anuncia-os-finalistas-na-disputa-para-a-presidencia-do-fed-saiba-quem-sao.ghtml

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Mercados globais em modo risk on*


A expectativa positiva para um acordo entre Washington e Pequim sustenta um forte otimismo


… Com o sentimento de missão cumprida, Lula embarca de volta para o Brasil, enquanto Trump viaja a Tóquio para encontros com empresários japoneses e a primeira-ministra, Sanae Takaichi, antes da reunião com Xi Jinping, quinta-feira, na Coreia do Sul. A expectativa positiva para um acordo entre Washington e Pequim sustenta um forte movimento de risk on nos mercados globais, que se reproduz aqui, onde os investidores repercutem também as negociações retomadas com os Estados Unidos para a revisão do tarifaço. O otimismo é reforçado ainda pelo corte dos juros americanos esperado para amanhã, que impulsiona o câmbio e o Ibovespa.


EUA & CHINA – As notícias do fim de semana já eram boas, com as indicações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de que as preliminares com representantes chineses tinham “tirado da mesa” tanto as tarifas de 100% como as restrições à venda das terras raras.


… Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, confirmou o avanço nas negociações em Kuala Lumpur, na Malásia, divulgando um comunicado para afirmar que “as duas partes esclareceram suas posições e aprimoraram o entendimento mútuo”.


… Mencionando o “respeito mútuo”, ele disse que as relações bilaterais podem progredir desde que ambos os lados estejam “comprometidos em resolver conflitos por meio do diálogo e abandonem a prática de exercer pressão de forma arbitrária”.


… Já o presidente Trump disse que vê uma “boa chance” de fechar um acordo com Pequim, citando o desejo de visitar o país no início do próximo ano. “Tenho muito respeito pelo presidente Xi. Gosto dele, e acho que ele gosta de mim também. Ele respeita o nosso país.”


… A China também conversará esta semana com a União Europeia para tentar apaziguar a disputa comercial sobre terras raras. As restrições impostas por Pequim às exportações de minerais e chips essenciais prejudicariam a indústria automobilística europeia.


… Na Bloomberg, conversas preliminares ontem prepararam a chegada de uma delegação técnica chinesa de alto escalão na quinta (30).


BRASIL & EUA – Uma reunião entre negociadores dos dois países já começou a formatar os próximos passos das tratativas comerciais. O governo brasileiro deve enviar na semana que vem uma comissão de alto nível a Washington, incluindo Alckmin e Haddad.


… Trump elogiou Lula nesta segunda-feira, desejou a ele um Feliz Aniversário pelos 80 anos e comentou que está impressionado com seu “vigor”. O presidente Trump também completará 80 anos daqui a um mês e, segundo observadores, identifica-se com Lula, neste aspecto.


… Perguntado sobre um acordo com o Brasil, o presidente disse: “Tivemos uma ótima reunião, não sei se algo vai acontecer, vamos ver”.


… Em um dossiê entregue a Trump, Lula pediu uma trégua de 90 dias para as tarifas, que atingem 50%. Mas o pedido ainda não foi atendido.


… Lula também pediu o fim das sanções impostas pelos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, entre elas a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes (STF) e a cassação de vistos da família do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.


… Embora nada de concreto tenha sido ainda anunciado, as entidades que representam setores afetados pelo tarifaço de Trump avaliam que a reabertura de diálogo, com viés estritamente técnico, é positiva e permitirá uma reavaliação das alíquotas impostas.


ETANOL – Na Folha, o governo brasileiro considera a possibilidade de reduzir a tarifa de importação de etanol dos Estados Unidos, atualmente em 18%, em troca da retirada da sobretaxa imposta pelos americanos ao café e carne brasileiros.


… A informação foi revelada por assessores do presidente Lula que acompanharam as conversas com o presidente Donald Trump.


AGENDA FISCAL – O governo deve enviar ao Congresso os projetos para garantir as receitas antes previstas na Medida Provisória (MP) 1.303, que trazia alternativas à alta do IOF, logo após a chegada do presidente Lula ao Brasil.


… Na semana passada, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, adiantou que o governo deveria fatiar a MP em dois projetos. A ideia, segundo ele, é manter o volume de corte de despesas e arrecadação extra previstos com o texto, de R$ 31,6 bilhões em 2026.


… O deputado Kiko Celeguim (PT), relator do PL do Metanol, já havia incluído alguns pontos que constavam da MP em seu relatório, mas, nesta segunda-feira, o governo decidiu transferir as propostas para o projeto do deputado Juscelino Filho (União).


… O texto de Juscelino institui o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial e o objetivo dessa troca, segundo apurou o Broadcast Político, é “não misturar os temas de contenção de gastos e do metanol”, relacionado à falsificação de bebidas alcoólicas.


… Entre as medidas está o limite às compensações tributárias, com arrecadação prevista de R$ 10 bilhões este ano e R$ 10 bilhões em 2026.


… Ainda serão incorporados ao texto o endurecimento das regras do seguro-defeso e mudanças no Atestmed (licenças médicas sem perícia), além de um trecho que classifica as despesas com o programa Pé-de-Meia como parte do piso da Educação.


… No caso do Pé-de-Meia, o governo quer derrubar o limite de R$ 20 bilhões imposto à execução anual do programa, de forma a evitar que esse teto leve a cortes nos repasses para estudantes de baixa renda já em 2026, em pleno ano eleitoral.


… A equipe econômica ainda deve enviar ao Congresso pelo menos mais um Projeto de Lei, com medidas para turbinar as receitas, incluindo os aumentos da alíquota da CSLL para fintechs, da tributação das bets e da taxação dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP).


MP DO TARIFAÇO – Com a pressão da oposição para aprovar destaques ao projeto de lei complementar que retira os gastos do tarifaço da meta de resultado primário, o governo já considera deixar a proposta de lado, sem insistir na aprovação, apurou o Valor.


… A avaliação é de que “engavetar” o PLP seria o caminho mais pragmático, em um contexto de Orçamento apertado, e permitiria economia de R$ 9,5 bilhões. O governo também deixaria caducar a MP que cria as linhas de crédito aos exportadores afetados pelo tarifaço americano.


AGENDA FRACA – Único destaque aqui é a balança comercial semanal (15h). Nos Estados Unidos, a Conference Board divulga a confiança do consumidor em outubro, às 11h. No final da tarde, às 18h, o BC do Chile decide juro.


… Entre os balanços, Hypera (aqui) e Visa (Nova York) vêm após o fechamento. Antes da abertura, saem Iberdrola, HSBC, UnitedHealth e BNP.


ARGENTINA – Os mercados financeiros reagiram com forte entusiasmo ao bom desempenho do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de meio de mandato, realizadas neste domingo, impulsionando uma onda de valorização nos ativos do país.


… Os títulos do governo subiram em todos os prazos, com os títulos denominados em dólares e vencimento em 2035 disparando mais de 20%. O peso argentino chegou a valorizar mais de 10%, com o dólar fechando a 1432,26 pesos, queda de 3,99%.


… A Bolsa de Valores de Buenos Aires registrou uma alta histórica, com o índice Merval saltando 21,8%, aos 2.529.084,12 pontos e, na Bolsa de Nova York, as ações argentinas que operam em Wall Street subiram quase 50%: BBVA, 42%, e Banco Supervielle, 49%.


… O partido de Milei obteve 40,74% dos votos para a Câmara. O mercado previa que a coalizão governista conquistaria 30% das cadeiras.


… Com 102 deputados e 20 senadores (contra apenas seis antes), Milei agora detém o capital político necessário para acelerar as reformas estruturais. Os resultados também devem ajudar a dissipar dúvidas sobre a continuidade do apoio crucial dos Estados Unidos.


… Pouco antes da eleição, Trump havia sinalizado que poderia retirar seu apoio se a agenda de Milei fosse derrotada.


… Os Estados Unidos ofereceram um socorro de US$ 20 bilhões para o BC argentino estabilizar o peso. Negociações com um grupo de bancos para um pacote adicional de financiamento de US$ 20 bilhões continuam sendo realizadas.


SÓ LOVE – Com Trump quebrando o gelo com o Brasil e a China, as bolsas aqui e em Nova York conquistaram as maiores pontuações da história e foi por pouco que o Ibovespa não cravou os 148 mil pontos no pico intraday.


… Além da esperança de alívio do tarifaço, o investidor opera animado pela chance de corte da Selic já em janeiro, o que projetou o índice à vista da bolsa doméstica aos 147.976,99 pontos no melhor momento do pregão de ontem.


… Teve marca inédita também no fechamento, aos 146.969,10 pontos, com ganho de 0,55% do Ibovespa, embora o volume financeiro fraco, de apenas R$ 16,5 bilhões, revele que o fluxo comprador não está com aquela energia toda.


… Reportagem do Broadcast aponta que as tensões comerciais de Washington com Pequim, além dos ruídos fiscais domésticos, desencadearam o pior outubro em seis anos para a B3 em termos de fuga dos investidores estrangeiros.


… Até a última quinta-feira, a retirada de capital externo no acumulado do mês estava em R$ 3,721 bilhões.


… Mas este quadro não chega a assustar, porque o contexto que se anuncia mais positivo, com os avanços diplomáticos entre os americanos e os chineses, além do Fed dovish, deve recuperar o apetite pelo Brasil.


… Diante deste horizonte promissor, especialistas consultados pelo Broadcast acreditam que, apesar das pressões sazonais de fim de ano das remessas ao exterior, o câmbio deve ter volatilidade mais moderada nesta reta final.


… Andrea Damico, economista-chefe da BuysideBrazil, lembra que 2024 foi atípico, quando as saídas totais atingiram mais de US$ 26 bilhões em dezembro, mais que o dobro do usual, levando o dólar a saltar para R$ 6,26 naquele mês.


… Àquela época, o movimento se deu em meio à tendência de alta externa da moeda americana e à leitura do analistas de que o pacote de contenção de gastos do governo era insuficiente para equilibrar as contas públicas.


… O fiscal doméstico persiste como desafio. Quanto à tendência externa do dólar, este tem sido um ano de enfraquecimento da moeda americana, diante da perspectiva de um ciclo de cortes em série do juro pelo Fed.


… Aliviando ontem as pressões, o dólar à vista fechou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,3703. Mas a semana ainda promete volatilidade no mercado cambial, diante da briga técnica em torno da Ptax, que será decidida na sexta-feira.


… Lá fora, o índice DXY registrou leve baixa de 0,13%, para 98,783 pontos. O iene ficou estável em 152,92/US$, o euro subiu 0,17%, negociado a US$ 1,1649, e a libra esterlina avançou 0,18% e fechou cotada a US$ 1,3335.


O PAI TÁ ON – No dia seguinte ao domingo “muito feliz”, nas palavras de Lula, após o encontro com Trump na Malásia, as ações das blue chips financeiras foram decisivas para impulsionar o Ibovespa aos topos históricos.  


… Além da perspectiva de corte da Selic em janeiro, de reavaliação do tarifaço contra o Brasil e de um acordo entre os americanos e chineses, a bolsa doméstica ainda é movida aos recordes pela temporada dos balanços corporativos.


… Amanhã, Bradesco e Santander soltam seus números. Às vésperas dos resultados, Bradesco PN registrou avanço de 0,83%, a R$ 18,23; Bradesco ON subiu 0,39%, para R$ 15,54; e Santander unit engatou alta de 1,00%, a R$ 29,40.


… Ainda no setor, destaque para a força dos papéis do Itaú (+0,84%; R$ 38,35) e do BB (ON, +1,61%; R$ 20,85).


… Também no campo positivo, Petrobras ON ganhou 0,69% (R$ 31,97) e PN, +0,54% (R$ 30,00), apesar da queda de 0,49% do Brent, a US$ 65,62. Após o rali de 7% semana passada, o barril realiza lucro com a menor tensão comercial.


… Segundo as agências internacionais, a Opep+ está inclinada a promover outro aumento modesto na produção global, de 137 mil barris, mesmo nível do último ajuste. O cartel deve se reunir no próximo domingo para decidir.


… Sem fôlego para seguir o salto de quase 2% do minério de ferro com a reaproximação entre Trump e a China, Vale ON caiu 0,11%, a R$ 61,66. Mas ainda tem gordura de sobra: sobe 7% no acumulado do mês e 20% no ano.


… Usiminas disparou 10,53%, para R$ 5,46, e liderou os ganhos do Ibovespa. Segundo analistas, a siderúrgica tende a ser uma das companhias mais beneficiadas com uma possível trégua tarifária dos americanos contra o Brasil.


… MBRF ocupou a segunda melhor colocação do dia (+6,45%, a R$ 16,00), com a notícia de que a empresa ampliou uma joint venture como o fundo soberano saudita (PIF), com previsão de IPO em Riad até o início de 2027.


… Em Nova York, a aposta de que Xi Jinping e Trump vão se entender levou as bolsas a renovarem as máximas históricas de fechamento pela segunda sessão consecutiva, com o S&P 500 superando a barreira dos 6.800 pontos.


… O índice subiu 1,23%, a 6.875,16 pontos. O Dow Jones ganhou 0,71%, aos 47.544,59 pontos; e o Nasdaq avançou 1,86%, para 23.637,46 pontos, já antecipando uma rodada positiva dos balanços das magníficas esta semana.


… Subiram Amazon (+1,23%), Microsoft (+1,51%), Meta (+1,69%), Apple (+2,28%) e Alphabet (+3,60%).


… Já os retornos dos Treasuries ficaram sem direção única. O juro da Note de 2 anos subiu a 3,512%, de 3,501% na sessão anterior, apesar das amplas apostas de dois cortes do juro pelo Fed no radar (amanhã e em dezembro).


… A taxa da Note de 10 anos caiu a 3,994%, contra 4,023%; e a do T-Bond de 30 anos recuou a 4,564%, de 4,604%.


TOP 5 – O secretário Scott Bessent (Tesouro) confirmou os cinco finalistas para suceder Powell no comando do Fed.


… São eles: os membros do conselho do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman , o ex-governador do Fed Kevin Warsh, o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, e o executivo da BlackRock, Rick Rieder


… Bessent deve fazer nova peneira em uma rodada de entrevistas para apresentar uma lista mais enxuta a Trump após o feriado de Ação de Graças (27/11). O desejo é escolher o novo presidente do Fed antes de o ano acabar.


SÓ ASSISTIU – Apesar da tensão comercial mais pacificada e de mais uma onda de melhora nas expectativas de inflação no boletim Focus, a curva do DI deu sinais de esgotamento, depois de ter caído na semana passada inteira.


… A curva acompanhou à distância o otimismo generalizado e fechou com viés de alta nos contratos mais curtos.


… Jan/27 fechou a 13,835% (de 13,817%); e Jan/29, a 13,045% (de 13,036%). Já o Jan/31 caiu a 13,300% (de 13,314%); e Jan/33, a 13,470% (de 13,495%). A acomodação veio após o ânimo da semana passada com a inflação.


… A percepção positiva com a surpresa do IPCA-15 de outubro e o corte da gasolina apareceu no Focus: a mediana das apostas para a inflação deste ano caiu de 4,70% para 4,56%, já quase respeitando o teto da meta (4,5%).


… Para 2026, a estimativa caiu de 4,27% para 4,20%; para 2027, de 3,83% para 3,82%; e para 2028, de 3,60% para 3,54%. A mediana do relatório para a inflação suavizada nos próximos 12 meses diminuiu de 4,12% para 4,06%.


… Não será por isso que o BC antecipará o corte de juro para dezembro. Mas pode adiantar de março para janeiro.


COMPANHIAS ABERTAS – NEOENERGIA registrou lucro líquido de R$ 924 milhões no 3TRI, alta anual de 10%. O Ebitda somou R$ 3,388 bilhões, crescimento de 14% na comparação com o mesmo período de 2024.


EQUATORIAL encerrou o terceiro trimestre com 18.328 gigawatts-hora (GWh) de energia injetada, aumento de 3,1% na comparação anual.


JSL e VAMOS firmaram contrato de locação de frota de empilhadeiras pelo prazo de 84 meses, no valor total de R$ 74,67 milhões. Valor mensal devido pela JSL à Vamos será reajustado anualmente.


GAFISA comunicou que os fundos Jaburá e Spinelli Alfa, sob gestão da Concórdia, venderam integralmente as posições em ações da companhia.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...