segunda-feira, 30 de março de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -1,6% US tech -1,9% US Semis -1,7% UEM -1,1% España -1% VIX 31,1% Bund 3,11%. T-Note 4,39%. Spread 2A-10A USA=+51pb B10A: ESP 3,64% PT 3,60% ITA 4,07% FRA 3,85% Euribor 12m 2,860% (fut.12m 3,148%). USD 1,151. JPY 183,9. Ouro 4.512 $. Brent 115,4$. WTI 101,2$. Bitcoin -2% (67.411$). Ether -0,9% (2.047$). 


SESSÃO. Esta semana será de tensa espera porque a “prorrogação da prorrogação” sobre o Irão expirará na segunda-feira, 6 de abril. E Trump afirma que os novos líderes iranianos são “muito razoáveis”, mas prepara tropas para uma operação terrestre que seria muito arriscada. Esta semana deverá ser de manobras e retirada até a ver informação clara. Hoje, Ásia muito fraca (Japão -3%...), mas os futuros americanos vêm mais ou menos tranquilos. Isso deve-se à falta de atenção, à pouca fiabilidade das informações sobre o Irão e à diminuição da atividade, por se tratar de uma semana semi-festiva. A IA e o Private Equity juntam-se à situação e não ajudam nada.


Entramos numa fase de convivência tensa com a incerteza sobre a guerra no Irão, até que aconteça ou se possa prever o seu desfecho. E, em paralelo, a confusão sobre o impacto da IA (reativa desde sexta-feira sobre a cibersegurança, em particular) e algum nervosismo em relação ao Private Equity de crédito. 


O mercado não gosta de tempos lentos nem de períodos de incerteza longos. E menos ainda se três incertezas de certo peso coincidem. Essa coincidência deverá ter como resultado uma situação de semi-bloqueio de bolsas e obrigações durante uma semana que também terá menos um dia de funcionamento de mercados, visto que na sexta-feira tanto os EUA como a Europa (em em alguns países/regiões também a quinta ou segunda-feira).


Isso leva a pensar que será uma semana de pouca atividade e com uma sensação de desorientação, em que nos preocuparemos mais em não cometer erros do que em acertar. Porque não se pode aspirar a acertar realizando algum movimento concreto quando a informação é confusa e insuficiente… tanto sobre a evolução da guerra no Irão como sobre o impacto efetivo da IA e sobre o alcance real das tensões no Private Equity.


Na frente convencional, aquela sobre a qual se podem realizar estimativas com alguma probabilidade de acerto, temos a inflação na Europa (Alemanha, França, UE) hoje e amanhã, enquanto o emprego/desemprego nos EUA será a partir de amanhã e até sexta-feira. Nesse dia sairão os dados mais influentes (Taxa de Desemprego e Criação de Emprego), mas não influenciarão simplesmente porque nesse dia o mercado estará fechado. A inflação europeia importa agora especialmente para avaliar o primeiro impacto do encarecimento do petróleo, permanecendo como referência objetiva na que mais nos fixaremos esta semana. Contudo, embora saia menos má do que o esperado, é inevitável que aumente e isso não ajudará nada um mercado de tensa espera, preocupado e mais predisposto a controlar o risco do que a aumentá-lo. Por isso, tememos uma semana de enfraquecimento de bolsas em “modo espera”.


CONCLUSÃO. Hoje teremos uma tarde melhor do que a manhã. Pouca informação fiável sobre o Irão e semana semi-festiva podem dar lugar a uma sessão e semana errática. O enfraquecimento é o mais provável. O melhor será não fazer nada importante para não se precipitar, nem reagir em exagero. O pior é que não se pode fazer nada relevante com esta informação; apenas esperar em tensão. Gostaríamos que caísse um pouco mais para comprar melhor para dezembro de 2026 e 2027/2028.


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Guerra prevalece sobre agenda cheia em semana da Páscoa*


… A semana é mais curta com o feriado da Sexta-Feira Santa, que fecha os mercados na Europa, Estados Unidos e no Brasil, mas a agenda é intensa, com dados do mercado de trabalho americano, incluindo o payroll, e índices da atividade global. Aqui, também são destaques o Caged e a produção industrial de fevereiro, que podem ajudar a medir as chances de novo corte da Selic em abril. É verdade que essas chances dependem da evolução da guerra no Oriente Médio, que completou um mês sem sinal de trégua. Segundo a mídia israelense, autoridades americanas afirmam que forças suficientes estarão posicionadas no início desta semana para possível operação terrestre contra o Irã. Na abertura dos pregões asiáticos, o Brent rompia US$ 115 e os futuros de Nova York ampliavam as perdas.


SEM TRÉGUA – A guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês com sinais de intensificação militar e elevada incerteza sobre seus desdobramentos, tornando-se a principal preocupação dos mercados financeiros globais.


… Ao mesmo tempo em que reforça que ainda busca uma solução negociada, Washington segue enviando milhares de soldados ao Oriente Médio, mantendo uma retórica de ambiguidade sobre uma possível ofensiva terrestre.


… O WSJ informou que o presidente americano considera uma operação militar para extrair quase 450 quilos de urânio do Irã e que os Estados Unidos já têm mais de 50 mil soldados no Oriente, 10 mil a mais do que o normal.


… Os ataques se ampliaram para infraestrutura iraniana, incluindo instalações de energia e siderúrgicas, enquanto aliados regionais, como os houthis no Iêmen, entram no conflito, e Israel sinaliza expansão da ofensiva no sul do Líbano contra o Hezbollah.


… Teerã respondeu com ameaças diretas a uma eventual invasão por terra, elevando o risco de escalada regional.


… Apesar da intensificação, seguem tentativas diplomáticas. Os Estados Unidos dizem que aguardam resposta do Irã a uma proposta de cessar-fogo, enquanto potências regionais articulam negociações no Paquistão.


… Na noite deste domingo, em conversa com repórteres a bordo do Air Force One, Trump disse que os EUA estão negociando “direta e indiretamente” com o Irã e que Washington tem tido desempenho “excelente” nas conversas.


… Ainda assim, não há sinal claro de avanço, e autoridades americanas admitem que o conflito pode se estender por mais algumas semanas.


… O principal vetor de risco segue sendo o Estreito de Ormuz, com impacto direto sobre o fluxo global de energia e o Brent acima de US$ 100, com cenários que apontam para níveis ainda mais elevados caso o conflito se prolongue ou haja interrupção mais duradoura da oferta.


… A guerra adiciona pressão inflacionária e risco de desaceleração global como preocupações.


… Estimativas indicam que o choque de energia pode elevar a inflação global em até 0,8 ponto percentual no cenário-base e até 2 pontos em cenário adverso, ao mesmo tempo em que reduz o crescimento e limita o espaço para cortes de juros.


… O ambiente de incerteza se reflete em grande volatilidade: bolsas americanas acumulam perdas, juros longos avançam e o dólar se fortalece, enquanto investidores reagem a sinais contraditórios sobre a evolução do conflito, que, por ora, permanece sem horizonte de trégua.


O SOCORRO DO GOVERNO – No Brasil, o governo Lula admite prorrogar o subsídio ao diesel, caso persista o impacto da escalada do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. Geraldo Alckmin disse que a medida, inicialmente prevista por 60 dias, poderá ser estendida.


… A proposta em discussão prevê uma subvenção total de R$ 1,20 por litro na importação de diesel, dividida entre União e Estados.


… Do lado federal, o subsídio pode chegar a R$ 0,92 por litro, somando-se aos R$ 0,32 já anunciados. Segundo o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, um número “significativo” de Estados já sinalizou adesão, enquanto outros devem se posicionar até hoje.


… A adesão não é obrigatória e o governo reconhece que pode haver diferenças regionais nos preços caso parte dos Estados fique de fora.


… A equipe econômica avalia alternativas caso não haja participação ampla, em meio à preocupação com risco de desabastecimento e pressão sobre a cadeia logística. O governo estuda liberar até R$ 7 bilhões em crédito via BNDES para distribuidoras de energia elétrica.


… A medida busca suavizar o impacto nas contas de luz, após aumentos recentes que chegaram a quase 20% para consumidores de alta tensão, com foco nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde os reajustes tarifários foram mais elevados.


… Já para o Norte e Nordeste, a estratégia passa pela redistribuição de recursos provenientes da repactuação de contratos hidrelétricos, com potencial de direcionar cerca de R$ 7,9 bilhões para modicidade tarifária nessas regiões, conforme previsão já aprovada pela Aneel.


BANDEIRA VERDE – A Aneel anunciou que não haverá cobrança de tarifa extra nas faturas de energia elétrica em abril. Mas especialistas projetam taxa extra na segunda metade do ano, em virtude da ocorrência do período seco.


MAIS AGENDA – A produção industrial de fevereiro, na quinta-feira, é um dos principais destaques da agenda doméstica nesta semana, junto com os dados do Caged amanhã (terça-feira), que deve registrar a criação líquida de 269 mil vagas em fevereiro (Broadcast).


… Hoje, o IGP-M de março (8h) deve subir 0,46% com a alta dos preços agropecuários ao produtor, após a deflação de 0,73% em fevereiro, e o resultado primário do Governo Central (9h30) tem estimativa de déficit de R$ 30,462 bilhões em fevereiro.


… Às 10h, entrevista do novo secretário, Daniel Leal, substituto de Rogério Ceron, que foi para a secretaria-executiva da Fazenda.


… Os dados fiscais do setor público consolidado de fevereiro saem amanhã, incluindo resultado primário e dívida bruta.


… Ainda hoje, o Banco Central divulgará o boletim Focus (8h25), as estatísticas de crédito de fevereiro (8h30) e uma nova edição da Pesquisa Firmus, com as expectativas das empresas para as variáveis econômicas (10h).


… Sem horário definido, o Ministério do Planejamento libera também nesta segunda-feira o decreto que vai detalhar o bloqueio de R$ 1,6 bilhão anunciado na última semana para cumprir o limite de gastos no ano. A divulgação costuma ser feita à noite.


GALÍPOLO –O presidente do Banco Central faz palestra hoje, às 9h, no evento J. Safra Macro Day 2026, com transmissão online pelo Youtube.


BALANÇOS – Gol e Lojas Marisa divulgam balanços hoje após o fechamento. Amanhã tem JHSF antes da abertura do mercado.


… Também é esperado para amanhã, 31, o balanço do BRB, com uma solução para o rombo deixado pelo caso Master, após o governo do DF pedir ao FGC R$ 4 bilhões em empréstimo para socorrer a instituição.


POLÍTICA NO RADAR – Novas pesquisas eleitorais para a Presidência da República são esperadas, com AtlasIntel amanhã (31).


… O recorte estadual da sondagem para a corrida ao Palácio dos Bandeirantes já saiu e apontou Tarcísio com 49,1% das intenções de voto no primeiro turno em São Paulo, 6,5 pontos porcentuais à frente de Haddad, com 42,6%.


… Em Brasília, a semana será marcada pela crise política no Rio de Janeiro, pela reta final da janela partidária e pela última reunião ministerial antes da saída de auxiliares do presidente Lula para disputar as eleições, que será realizada amanhã cedo.


… No caso do Rio, o foco está na definição do mandato-tampão após a renúncia de Cláudio Castro. O Supremo Tribunal Federal conclui nesta segunda-feira o julgamento sobre as regras da eleição indireta, enquanto há pressão por votação direta.


… No calendário institucional, a semana tende a ser esvaziada: não haverá sessões plenárias no STF nem no TSE por causa da Semana Santa.


… No plano partidário, a expectativa é pela definição do PSD sobre candidatura própria à Presidência, com decisão prevista até terça-feira entre Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.


… No Congresso, a CPMI do INSS terminou sem relatório final após rejeição do parecer do relator, em um desfecho que expôs a mobilização da base governista para barrar o avanço das investigações.


LÁ FORA – A semana começa com a leitura preliminar do CPI de março na Zona do Euro, que pode calibrar as apostas em torno de uma elevação das taxas de juros no próximo mês. No final da manhã (11h30), expectativa para um discurso de Powell, em Harvard.


… Ainda nos EUA, os dados do mercado de trabalho estão em destaque, com o relatório Jolts de fevereiro amanhã (terça-feira), a criação de vagas no setor privado na pesquisa ADP (quarta) e o payroll de março na sexta, com expectativa de criação de 48 mil postos.


… Índices de gerentes de compras (PMIs) e leituras de atividade do ISM/março também serão conhecidos ao longo dos próximos dias.


… Na Ásia, sai à noite a inflação ao consumidor de março no Japão e os PMIs industriais na China.


… A Europa entrou em horário de verão; as bolsas de Londres, Frankfurt, Paris, Milão e Madri fecham às 12h30 (de Brasília) a partir de hoje.


O CALL DA GUERRA – Sem perspectiva de um desfecho rápido para a ofensiva militar no Irã, que já ameaça durar o dobro de tempo do que Trump prometia inicialmente, um ciclo mais curto da “calibração” da Selic está no radar.


… O contágio inflacionário do petróleo, que resiste acima dos US$ 100, entra cada vez mais no radar do mercado, desperta ajustes no orçamento total da política monetária e esvazia a esperança de Selic abaixo de 12% no ano. 


… Na sexta, o Santander elevou a projeção do IPCA de 2026 de 3,9% para 4,5%, no teto da meta de inflação, e puxou a previsão para a taxa Selic de 12% para 12,5% (mesmo valor do Focus), tendo como justificativa a escalada do barril.


… Na ata da semana passada, o Copom já aproveitou para fazer o hedge e não se comprometeu com os próximos passos para os juros, diante do contexto imprevisível da guerra, que pode acabar em semanas ou durar meses.


… Pouco menos de um mês separam o BC da próxima reunião de política monetária e o retrato do momento é de que as circunstâncias exigem cautela e gradualismo. A barra está alta para um corte de meio ponto da Selic.


… Se vem 0,25pp ou nada, é a pergunta que vale dinheiro e que vai movimentar as apostas nas próximas semanas.


… Com menos margem para incorporar um ciclo de relaxamento maior, a curva inteira do DI projeta taxas acima de 14% e as apostas para o Copom de abril apontam que as chances de manutenção da Selic não são desprezíveis (30%).


… A alta do petróleo pressionou os vencimentos de curto prazo na sexta-feira. Já a queda do dólar diante do real e o apetite dos estrangeiros pela renda fixa doméstica ajudaram a amenizar os efeitos da guerra na ponta longa.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcou 14,395% (contra 14,327% no ajuste anterior); e Jan/29 subiu a 14,115% (de 14,070% na véspera). Já o Jan/31 fechou a 14,150% (14,155%) e Jan/33, a 14,190% (de 14,194%).


… Sem impacto na curva, a taxa de desemprego medida pelo IBGE voltou a subir, passou para 5,8% no trimestre até janeiro, segundo dados da Pnad Contínua, a mais elevada desde o trimestre terminado em junho do ano passado.


… Apesar disso, o desemprego ainda está no patamar mais baixo para trimestres encerrados em fevereiro em toda a série histórica. Segundo o Bradesco, o mercado de trabalho ainda apresenta sinais discretos de enfraquecimento.


… O emprego aquecido deve continuar como foco de atenção do BC para as potenciais pressões inflacionárias.


É COISA NOSSA – Sorte o Brasil ser exportador de petróleo, porque este tem sido um motivo decisivo para o real se manter em níveis relativamente comportados, abaixo de R$ 5,25, apesar do quadro das turbulência externas.


… Também o fluxo de k externo, que continua entrando com força total, vai ajudando a blindar o câmbio.


… Apesar de algumas saídas pontuais assim que a guerra estourou, os estrangeiros seguem interessados no Brasil e a B3 deve fechar o melhor primeiro trimestre em entrada de capital gringo em quatro anos. O saldo está em R$ 7 bi.


… O dólar fechou em baixa de 0,28%, a R$ 5,2417, e acumulou queda de 1,27% semana passada, apesar de lá fora o índice DXY ter operado acima dos 100 pontos, com os sinais de que os EUA e Israel estão desrespeitando a trégua.


… As incertezas sobre um cessar-fogo levaram o DXY a fechar em alta de 0,25%, a 100,151 pontos, com o dólar subindo contra o euro (-0,15%, a US$ 1,1517), a libra esterlina (-0,46%, a US$ 1,3269) e o iene (160,23/US$).


… Dirigentes do Fed têm assumido tom mais conservador, diante do petróleo que não consegue se acomodar.


… “É útil considerar vários cenários diferentes com a elevada incerteza sobre os desdobramentos da guerra”, disse Anna Paulson. Tom Barkin observou que, mesmo antes do choque do petróleo, a inflação já emitia preocupação.


… Semanas atrás, Powell assustou, ao comentar que nem mesmo uma alta do juro estaria fora de cogitação para o Fed. A gravidade da tensão externa não pode ser ignorada e servirá de régua para o futuro da política monetária. 


… O mês vai chegando ao fim com alta acumulada de 50% do petróleo em março e 80% no ano. Na sexta, o barril disparou de novo após ataques de Israel ao Irã descumprirem o prazo estendido por Trump para a diplomacia.


… O contrato do Brent para maio saltou 4,22%, e fechou cotado a US$ 112,57 por barril na ICE londrina, enquanto o WTI para o mesmo prazo avançou 5,46%, a US$ 99,64 na Nymex – valor mais alto desde julho de 2022.


DORMIRAM COM MEDO – As bolsas americanas voltaram a cair sexta-feira, com o Dow Jones e o Nasdaq entrando em território de correção (bear market), após acumularem perdas de mais de 10% contra os seus picos recentes.


… O índice Dow Jones caiu 1,73%, aos 45.166,64 pontos; o S&P 500 perdeu 1,67%, aos 6.368,85 pontos; e o Nasdaq recuou 2,15%, aos 20.948,36 pontos. O investidor não quis ficar exposto a ativos de risco antes do fim de semana.


… Na reta final do pregão, os índices acentuaram as perdas com a informação de que os rebeldes Houthis do Iêmen anunciaram sua entrada na guerra para apoiar o Irã, elevando o receio de fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb.


… A rota liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, bloqueando a principal ligação marítima entre a Ásia e a Europa.


… O Ibovespa caiu pelo segundo dia consecutivo, ainda que de forma menos acentuada que NY, com os investidores também preferindo não passar o fim de semana a descoberto e evitar o risco diante das incertezas sobre a conflito.


… O índice à vista fechou em baixa de 0,64%, aos 181.556,76 pontos, com giro mais fraco, de R$ 26,3 bilhões.


… Petrobras (ON +2,89%, a R$ 49,41; e ON +1,74%, a R$ 54,30) reagiu à disparada do petróleo. Vale fechou em leve alta de 0,11% (R$ 79,00), contrariando o minério de ferro (-0,49%).


… Os bancos recuaram: BB ON, -1,73% (R$ 22,66); Bradesco PN, -1,59% (R$ 18,52); e Itaú PN, -1,17% (R$ 41,45).


CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE informou que ampliou a vida útil do complexo de Itabira em 12 anos, para 2053, com aumento de 52% nas reservas minerais, para cerca de 1,15 bilhão de toneladas.


ITAÚ UNIBANCO aprovou a incorporação do Itaucard pela holding, em reorganização que não implicará aumento de capital nem emissão de novas ações.


BANCO DO BRASIL promoveu mudanças na diretoria executiva, com indicação de Bárbara Freitas (Meios de Pagamento), Bárbara Bosi (Finanças) e Bruno Nascimento (Operações), além de rodízio de nove diretores.


BB SEGURIDADE aprovou o cancelamento de 58,6 milhões de ações ON em tesouraria (2,93%), sem redução do capital social.


ASSAÍ aprovou programa de recompra de até 11,3 milhões de ações ON (0,8% do total), com duração de 12 meses.


GPA aprovou mudanças de governança, com redução do mandato do conselho para um ano e eleição de novos membros, incluindo André Diniz, Leandro Campos, Gustavo Gonçalves, Carlos Fernandes e Eleazar Filho.


SABESP propôs desdobramento de ações na proporção de 1 para 5, sem alteração do capital social.


CSN MINERAÇÃO aprovou cancelamento de 53,3 milhões de ações ON em tesouraria, sem redução do capital social.


NEOENERGIA informou que deixará o Latibex e passará a ser negociada exclusivamente na B3 a partir de amanhã.


RUMO. Moody’s colocou o rating em revisão para rebaixamento, citando risco de contágio da controladora Cosan.


KLABIN aprovou emissão de R$ 1,75 bilhão em CPR-Fs, em três séries com vencimentos de 7, 10 e 12 anos.


TUPY informou a renúncia do CEO Rafael Lucchesi, com Gueitiro Genso assumindo interinamente o cargo até a definição do sucessor.


FERTILIZANTES HERINGER registrou prejuízo de R$ 189,9 milhões no 4TRI25, queda de 71,2% na comparação anual…


… A receita líquida foi de R$ 965,4 milhões (-30,4%) e o Ebitda ficou negativo em R$ 101,1 milhões, ante -R$ 83 milhões um ano antes.


OI. Sem acordo entre as partes, a venda da participação na V.tal será decidida pela Justiça hoje. (Broadcast)

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Governo deve pagar mais de R$ 1 tri em juros apesar de cortes na Selic*


Por Eduardo Laguna e Arícia Martins


São Paulo, 24/03/2026 - A dívida pública deve continuar cobrando uma conta trilionária em juros, apesar do início, na semana passada, do ciclo de cortes da Selic. Enquanto o alívio na parcela que acompanha as variações da Selic deve vir aos poucos, dada a tendência de redução lenta dos juros de referência, o restante da dívida, mais sensível ao risco fiscal do que às decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), continuará sendo refinanciado a um custo elevado.


As projeções de mercado coletadas pelo Banco Central (BC) indicam que, após atingir 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, a despesa com juros da dívida pública deve subir mais um pouco, para 8% em 2026. A partir daí, a tendência é de retração gradual, mas sem retorno à média histórica de 6% ao longo de todo o horizonte de projeções, que se estende até 2035.


Levando em conta as previsões para o PIB, isso significa que, por mais dois anos (2026 e 2027), o setor público seguirá com uma fatura de R$ 1 trilhão em juros a pagar. O ano passado foi o primeiro em que a marca foi superada, ainda que os ganhos excepcionais do BC com swaps cambiais tenham impedido as despesas financeiras de serem ainda maiores. Como essa contribuição não deve se repetir, a cifra deve ter um acréscimo de R$ 30 bilhões em 2026 (veja abaixo a evolução).


Embora inclua os governos estaduais, as prefeituras e as empresas estatais, excluindo a Petrobras, o grosso dessa conta - 88% do total - é do governo central, formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC).


  

Juros da dívida pública

Ano

R$ milhões

% PIB


2021

448.391,19

4,98


2022

586.426,69

5,82


2023

718.293,72

6,56


2024

950.422,85

8,07


2025

1.007.553,10

7,91


2026

 1.037.864,95 

8,00


2027

 1.003.389,02 

7,60


2028

 981.642,92 

7,29


2029

 985.158,30 

7,17


2030

 967.048,47 

6,90


Fonte: BC. Dados a partir de 2026 calculados pela Broadcast a partir de projeções de mercado



O custo da dívida pública é hoje mais sensível às decisões de política monetária, dado que mais da metade do endividamento (54%) está indexado à Selic. Porém, os conflitos no Oriente Médio, levando a uma escalada nos preços do petróleo, fizeram o BC iniciar os cortes de juros de forma mais gradual do que o mercado esperava até poucos dias antes da última reunião do Copom.


O restante da dívida, avaliam economistas, continuará sendo trocado, por mais algum tempo, a juros superiores às taxas dos títulos em vencimento. Ainda que favoreça as emissões a taxas prefixadas, o ciclo de afrouxamento foi aberto pelo BC com os juros de referência no maior nível em quase duas décadas. Somado ao prêmio cobrado pelo investidor para financiar a dívida brasileira, o resultado é uma taxa de rolagem ainda salgada.


Economista do Santander e especialista em contas públicas, Ítalo Franca observa que o estoque da dívida pública, que tem um custo médio de 12% em doze meses, está sendo substituído por captações que pagam 13,7%. "Mesmo considerando nossa projeção de Selic em 11,5% no próximo ano, a redução do custo médio da dívida deve ocorrer de forma gradual", comenta.


O diretor de investimentos em renda fixa da Inter Asset, Ian Lima, acrescenta que, mesmo em queda, a taxa de juros incide sobre uma dívida que dobrou de tamanho nos últimos oito anos, ultrapassando já a marca de R$ 10 trilhões, o equivalente a 78,7% do PIB. "A despeito de a taxa média cair, o volume total [da dívida] não vai dar muito alívio."


Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Investimentos, o custo da dívida segue alto porque, além da Selic em nível elevado, a curva de juros também está pressionada. "Fazendo um déficit primário com custo alto e com crescimento econômico mediano, é difícil reverter essa trajetória", avalia Vital.


Contatos: eduardo.laguna@estadao.com; aricia.martins@estadao.com


Broadcast+

Mais Banco Master

 *Caso Master: como funcionava a engrenagem que criou a maior fraude financeira já praticada no País*


Segundo investigações, que tendem a continuar por longo tempo e identificar idealizadores da estrutura, modelo foi criado para ludibriar órgãos de controle e fiscalização; Vorcaro e Reag não se pronunciaram


Cristiane Barbieri


Master se beneficiou de fraude ao comprar precatório e dinheiro foi parar no exterior


Crédito do Grupo João Santos foi transferido para banco de Vorcaro de maneira irregular, e dinheiro arrecadado movimentou operações suspeitas.


O avanço das investigações sobre o caso Master começa a tornar mais clara a intrincada teia criada para dar suporte à maior fraude financeira já praticada no País, segundo as autoridades. Ao mesmo tempo, indica que as apurações continuarão por bastante tempo: a cadeia de envolvidos tende a aumentar, inclusive com a revelação dos artífices dessas estruturas, que devem ir além de Daniel Vorcaro, controlador do banco.


Procurada, a defesa de Vorcaro não se manifestou sobre o que foi revelado nas investigações.


As descobertas revelam também como foi possível driblar regras e estruturas criadas justamente para evitar casos como esse. Entre elas estão a supervisão das instituições financeiras pelo Banco Central (BC), a regulação do mercado de capitais pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o monitoramento de operações atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além das auditorias independentes e de pilares básicos da gestão de fundos, como o tripé formado por administrador, gestor e custodiante.



Numa metáfora bastante simplificada para efeito de entendimento, o Master poderia ser comparado a um parque de diversões. Para entrar, o investidor troca seus reais por ingressos de papel (como os CDBs e cotas de fundos). Na propaganda do parque, aparecem muitas atrações e com garantia da diversão, pagas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


Por dentro, porém, as montanhas-russas são de papelão — mas o aval de “peritos” continua a atrair muitos investidores. Para dar a impressão de que o parque está cheio, o Master monta uma espécie de jogo de espelhos: compra empresas de fachada ou ativos de baixo valor, que passam por uma cadeia de fundos e acabam superavaliados. Parte desses recursos volta ao próprio banco. No fim, o dinheiro não sai do lugar — apenas circula internamente, criando um movimento artificial que aparece nos balanços como sinal de sucesso.


Embaixo do parque, porém, há um ralo que escoa o “dinheiro bom”, que chegou na entrada, para fundos no exterior. São muitas justificativas usadas para esse envio, como pagamento de advogados e consultorias, remessa de lucros sobre operações financeiras bem-sucedidas e outras.


Até que o esquema ficou insustentável. De um lado, aumentava a pressão e o escrutínio do BC sobre o banco. De outro, a Operação Carbono Oculto arrombou as portas do “parque de diversões”, em agosto de 2025. A investigação em torno da presença do crime organizado na Faria Lima congelou fundos da gestora Reag, uma das que ajudava a dar suporte a esse mecanismo, segundo as autoridades. Procurada, a Reag também não se manifestou.


A dúvida, entre profissionais da Faria Lima, é se a PF mirou o Master ou se acertou o que não viu, ao investigar o Primeiro Comando da Capital (PCC).


Veja abaixo como foi montada a engrenagem de funcionamento do Master, revelada até agora pelas autoridades.


*Atrações de fachada*



Após captar recursos de investidores, o Banco Master não os direcionava para empréstimos, como fazem outras instituições. Segundo as investigações, sua principal atividade era comprar ativos baratos — ou sem valor — e fazê-los circular entre fundos e transações, criando uma valorização artificial.


Entre esses ativos, estavam precatórios e pré-precatórios, empresas de fachada e terrenos. Para ficar num exemplo, o Master era dono de cotas do fundo Graveyard Death and Care (negociada na B3 com o código CARE11).


Esse fundo abrigava ativos reais, como o Cemitério Parque da Colina, em Sabará (MG), que pertencia à família de Vorcaro. Também de jazigos no Cemitério do Morumby (SP), uma fatia do Grupo Cortel, o Cemitério Parque São Vicente (RS), entre outros.


De acordo com investigações da Polícia Federal enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), o Parque da Colina foi superavaliado em R$ 181 milhões. O valor foi atestado por laudos. A CVM, porém, contestou esse valor e o revisou para baixo. O fundo também foi alvo de uma investigação da autoridade do mercado de capitais sobre manipulação de mercado.


Ao inflar ativos como esse, os fundos também pareciam mais valiosos — assim como o próprio banco —, o que ajudava a sustentar novas captações de recursos, com a venda de CDBs e letras financeiras.


Com valor de mercado de R$ 34,2 milhões, o CARE11 declarou ter patrimônio líquido de R$ 249 milhões. Este é o valor que o fundo diz ter em ativos (cemitérios e jazigos) após subtrair dívidas. O indicador de preço do ativo sobre o valor patrimonial é de 0,14, o que mostra que o fundo é negociado com um “desconto” de 86%. Na prática, o mercado acredita que os ativos do fundo valem apenas 14% do que está registrado no papel.


Além disso, o CARE11 tem retorno sobre o investimento (conhecido como dividend yield) de 0% há anos, o que significa que, apesar de declarar um patrimônio milionário, não gera lucro real em dinheiro para distribuir aos seus mais de 6,9 mil cotistas.


*O carrossel infinito*



Há muitos casos assim, em várias frentes descobertas pelas autoridades. Outra peça na engrenagem revelada pelo jornal Valor Econômico, a partir de investigações da PF, mostrou a existência de 36 empresas usadas no esquema de valorização artificial de ativos, que desviou R$ 11,5 bilhões. O caso mais emblemático desse grupo foi o fundo Brain Cash, gerido pela Reag Investimentos, que multiplicou seu patrimônio em nada menos do que 3.000.000% em 20 dias.


Nesse caso, o esquema começa com a construtora Brain Realty, que tinha capital social de R$ 2 milhões (anteriormente de apenas R$ 100) e tomou um empréstimo de R$ 495 milhões do Master. Poucos dias depois, fez um aporte de R$ 450 milhões no fundo Brain Cash, que tinha patrimônio de R$ 15 mil.


Após passar por outros fundos (em questões de minutos) e comprar ativos sem valor, como cártulas (títulos) do extinto Besc, posteriormente valorizadas artificialmente, o dinheiro voltava ao Master. Não como pagamento do empréstimo feito à Brain Realty, mas como aplicações em CDBs do banco.


Ao receber seu próprio recurso como um novo investimento, o Master conseguia dois efeitos: o empréstimo original continuava entre seus ativos e o dinheiro que voltava (como uma aplicação em CDBs) fazia crescer seu balanço. No papel, o banco parecia ter dobrado de tamanho, aumentando seu índice de Basileia, que o permite continuar captando. Na vida real, havia apenas ativos fraudados, segundo as investigações.


Por outro lado, o “passeio pelos fundos” do Brain Cash resultava na reavaliação de ativos − no caso, em 30 mil vezes. Esse “lucro” entrava no balanço como resultado de equivalência patrimonial, o que permitia ao banco mostrar aos acionistas e ao BC um lucro bilionário que, na verdade, era o mesmo dinheiro girando na roda gigante.


O maior fundo usado para dar base a essa estrutura era o Hans 95, também administrado pela Reag, que chegou a investir R$ 2,5 bilhões no Master. Usado em muitas operações desse tipo, ele recebeu, por exemplo, dívidas e precatórios do Grupo João Santos, comprada pelo Master por valores baixíssimos (com descontos que chegavam a 90%).


Dentro da estrutura na qual o Hans 95 operava, o ativo sofreu uma reavaliação técnica e passou a valer centenas de milhões de reais, sob o argumento de que a recuperação judicial da usina teria sucesso garantido. Entre muitos exemplos, as autoridades descobriram que o Hans 95 estava sendo usado para dar aparência de “fundo de investimento multimercado sério” a um amontoado de dívidas incobráveis. Era no Hans 95 que o dinheiro dos RPPS (as previdências de funcionários públicos de prefeituras) era aplicado.


*O ralo sob as engrenagens*



No ralo de escoamento para o exterior, a PF identificou que a valorização do Brain Cash foi usada especificamente para “lastrear” a saída de R$ 700 milhões para o exterior sob a rubrica de dividendos. Como o fundo “lucrou” muito, os sócios alegavam que tinham o direito de retirar esse lucro e enviá-lo para suas contas fora do País.


O Hans 95 foi identificado como uma das principais ferramentas para evasão de divisas e o envio de recursos ao exterior. Por ser classificado como um fundo que pode investir em ativos estrangeiros, o Hans 95 tinha permissão legal para enviar dinheiro para fora do Brasil. O esquema utilizava essa prerrogativa para transferir recursos para offshores em Cayman e Delaware sob a aparência de “alocação de capital”.


Parte do dinheiro que saía via Hans 95 retornava ao Brasil como Investimento Estrangeiro Direto (IED), segundo relatórios da Operação Compliance Zero. Isso servia para comprar novas empresas e dar ao Grupo Master uma imagem de sucesso internacional, quando, na verdade, era o mesmo dinheiro desviado dos investidores brasileiros e de prefeituras (RPPS).


Quando o Hans 95 e outros fundos foram bloqueados na Carbono Oculto, uma série de empresas ligadas ao grupo começaram a enfrentar dificuldades. Antes mesmo de o Master ser liquidado, outros investidores com conexão próxima ao grupo passaram a ter problemas de liquidez.


Ainda não há uma estimativa oficial de quanto foi desviado ao exterior, mas as investigações apontaram o envio de dinheiro a paraísos fiscais como Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, Panamá e Delaware (EUA), além de vários países da Europa.


*Fragilidades na fiscalização*



O esquema do Grupo Master foi desenhado para explorar as “zonas cinzentas” e as limitações de comunicação entre os diferentes órgãos de fiscalização, segundo especialistas. Cada autoridade era enganada com uma estratégia específica, seja com a valorização artificial do patrimônio, laudos falsos ou a multiplicação de operações, para passar incólume nas movimentações financeiras de alto valor.


“O Caso Master expôs uma série de fragilidades dos órgãos reguladores, sobretudo na comunicação entre eles”, diz Cleveland Prates, professor de Economia da FGV Law. “Se houver um aprendizado possível, deve ser o maior investimento no fortalecimento desses órgãos, o que tem um custo baixo, em relação às perdas que eles podem evitar.”


O primeiro alerta criminal do BC em relação ao Master só foi dado após a identificação de uma carteira de crédito falsa de R$ 12 bilhões feita pela instituição ao Banco de Brasília (BRB), quando foi anunciada sua venda ao banco público.


A CVM mapeou 200 processos administrativos contra o Master e a Reag desde 2017, quando começou a identificar os primeiros indícios de ficção contábil. Muitos deles ficaram restritos ao ambiente interno do órgão e alguns resultaram em multas irrisórias em relação ao tamanho do problema.


“A Lava Jato impactou o setor de infraestrutura como um todo e ainda é cedo para se falar do alcance da Compliance Zero no setor financeiro”, afirma Marcelo Alcides Gomes, especialista em investigação de fraudes e perícia contábil e sócio da consultoria DFEXA. “Mas se a investigação não for feita a sério, corremos o risco de, em determinado momento, casos como esse afetarem a economia como um todo.”


https://www.estadao.com.br/economia/negocios/caso-master-como-funcionava-a-engrenagem-que-criou-a-maior-fraude-financeira-ja-praticada-no-pais/

Orcrim

 *Ações de busca da PF no caso Master têm sequência de indícios de vazamento*


Quando agentes da Polícia Federal chegaram à mansão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, às 6h do dia 14 de janeiro, encontraram algo que não esperavam: um advogado já estava postado no portão externo.


Os seguranças do imóvel, armados e contratados por empresa privada, se recusaram a deixá-los entrar, segundo os policiais. A PF diz que teve de forçar a entrada —o que a defesa nega.


A cena se repetiria, com variações, em ao menos cinco outros endereços naquela manhã —em São Paulo, Minas Gerais, no Rio de Janeiro e na Bahia.


Documentos obtidos pelo UOL mostram sinais de que, em cada um deles, os investigados souberam com antecedência da operação: camas abandonadas às pressas, apartamentos sendo esvaziados para mudança, suspeitos que teriam "ido à academia" antes do amanhecer e não voltaram enquanto a polícia estava no local.


A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada naquela manhã, investigava crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.


Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cinco estados, com bloqueio de bens que ultrapassaram R$ 5,7 bilhões. O UOL procurou a PF para comentar sobre os indícios de vazamento, que disse que não comentaria o caso.


*Primo, academia e quarto vazio*


A cerca de 1.500 quilômetros de São Paulo, em Trancoso, na Bahia, os agentes chegaram à casa de Felipe Vorcaro —primo do banqueiro e administrador de empresas ligadas ao grupo— e encontraram o quarto do casal com a porta aberta, o ar-condicionado ligado e os lençóis revirados, "com aparência de que as pessoas que ocupavam o imóvel teriam saído repentinamente", segundo o relatório policial.


Uma babá com um bebê de seis meses e outros familiares estavam no local. Disseram que Felipe e a mulher haviam ido à academia.


Os sogros chegaram cerca de 20 minutos depois da polícia, num carrinho de golfe. O casal, porém, não retornou ao condomínio enquanto os agentes ainda estavam lá.


A consequência foi direta: sem os suspeitos, não havia celulares, tablets, notebooks ou qualquer mídia digital a apreender —exatamente os itens que o mandado autorizava buscar.


"Somente havia pertences relacionados aos demais ocupantes do imóvel", registrou a PF. A única apreensão foi uma câmera de vigilância.


*Apartamento em mudança e arsenal escondido*


No Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, o apartamento do investidor Nelson Tanure —suspeito de fraudes com fundos de investimento e de manter sociedade oculta com Vorcaro— foi encontrado sendo esvaziado.


Não havia pertences pessoais, nem funcionários, nem familiares. Nenhum celular, veículo, joia ou valor em espécie foi localizado.


Em Belo Horizonte, na casa de André Beraldo de Morais, suspeito de operar empresas laranjas para desvio de recursos do Master, o cenário era de fuga às pressas: roupas jogadas pelo chão nos quartos do casal e das crianças, camas desarrumadas.


Um cachorro de pequeno porte —"talvez da raça maltês", anotou a PF com precisão incerta— estava bem cuidado dentro da casa. Os donos, não.


No quarto do casal, havia uma arma carregada de fácil acesso. Numa sala-cofre que precisou ser arrombada por um chaveiro, os agentes encontraram o que descreveram como "um grande arsenal de armas e munições". Todas foram apreendidas.


Em Nova Lima, também em Minas Gerais, a PF foi recebida na residência de Fernando Vieira —outro suspeito de operar empresas fantasmas— por policiais militares à paisana que se identificaram como seguranças privados da família.


"Não foi possível saber qual unidade da PM-MG os policiais militares estão lotados", registrou a PF, sinalizando que o caso exige apuração à parte. Diversas armas e munições de calibres variados foram apreendidas no local.


*Buscas frustradas*


Por trás dos problemas operacionais havia também um conflito institucional. O pedido de busca e apreensão tinha sido feito meses antes da operação.


A PF solicitou prazo adicional para confirmar os endereços atualizados dos alvos —pedido que o então relator do caso, ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, não aprovou.


A decisão teve consequências práticas. Endereços desatualizados, somados aos indícios de vazamento, resultaram em buscas amplamente frustradas em termos de apreensão de evidências digitais —exatamente o tipo de material que os investigadores buscavam.


*O único que não sabia*


Nem todos os alvos foram avisados, ou ao menos não demonstraram ter sido.


Na busca ao apartamento de Silvio Barreto da Silva, diretor da Lormont Participações —empresa pela qual Nelson Tanure possuía R$ 52 milhões em títulos num fundo de investimento—, os agentes tocaram a campainha repetidamente sem obter resposta.


A portaria informou que o investigado tem problemas de audição. Um chaveiro abriu a porta. Os policiais encontraram Barreto da Silva dormindo em sua cama.


*A defesa responde*


Os advogados de Daniel Vorcaro contestam a versão da Polícia Federal sobre o que ocorreu na mansão do banqueiro no Jardim América. Negam que os seguranças tenham resistido à entrada dos agentes e afirmam que a PF atirou nas fechaduras sem aguardar que o cliente abrisse a porta.


Sobre a presença de um advogado no portão externo antes mesmo da chegada dos agentes --episódio que a PF interpretou como indício de que Vorcaro foi avisado da operação--, a defesa ofereceu uma explicação.


Na véspera, o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, havia sido preso ao tentar embarcar para Dubai no Aeroporto de Guarulhos.


Diante disso, os advogados anteciparam que uma operação poderia ocorrer na manhã seguinte e foram ao local preventivamente.


Zettel também figurava entre os alvos da fase.


A defesa do empresário Nelson Tanure disse que ele "havia se mudado fazia pouco tempo daquele endereço, de modo que bastaria ter checado isso na portaria do condomínio, para que tivessem em seguida encontrado o local de residência atualizado dele; no mais, o empresário esclarece que jamais estabeleceu qualquer relação societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que foi atendido por outras instituições financeiras no mercado".


"O empresário enfatiza mais uma vez que lamenta a especulação disseminada sem qualquer fundamento fático no sentido de que teria uma suposta relação de controle do banco."


… - Veja mais em https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2026/03/29/acoes-de-busca-da-pf-no-caso-master-tem-sequencia-de-indicios-de-vazamento.htm?cmpid=copiaecola

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