quarta-feira, 1 de abril de 2026

FSP 0104

República do Supremo que pode tudo

por Folha de São Paulo “Para um ministro do Supremo Tribunal Federal, tudo. Para os demais cidadãos, a lei —tal como amplamente interpretada por um ministro do Supremo. Cristaliza-se no Brasil um regime anômalo de prevalência de dez indivíduos sobre o restante da sociedade. Como se vê pelas decisões de Alexandre de Moraes, a latitude de um juiz da corte quando os seus próprios interesses estão em jogo é máxima. Fulmina-se a regra que exige do magistrado afastamento de casos em que ele conste como vítima potencial. Sob sigilo decretam-se prisões, censuras e intimações sem a devida provocação da Procuradoria. Quem critica o arbítrio corre o risco de cair nas garras do Grande Inquisidor. Advogados não têm acesso aos autos. Burocracias do Estado são obrigadas a ajoelhar-se diante da toga agigantada. A atividade policial sujeita-se a intervenções esdrúxulas, como a que por um período escudou de investigação material apreendido sobre a máfia que atuava no Banco Master. A intimidação da Receita Federal levará servidores a adotarem a regra tácita de não abrirem procedimentos administrativos quando detectarem inconsistências fiscais relacionadas aos supremos magistrados. Afinal, o resultado mais brando poderá ser o afastamento sumário da função, com um rastreador no tornozelo. Ameaça parecida paira sobre o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o instrumento mais eficaz do país para detectar transações atípicas, de que as atividades ilícitas amiúde se valem. Num golpe solitário de caneta, Moraes esvaziou o órgão. Não há o que controle um ministro do Supremo que se ponha a subverter a institucionalidade para se proteger e atingir supostos adversários. Ele não depende da petição de partes para agir sobre virtualmente tudo o que deseje. A submissão das decisões individuais aos pares, imperativo dos tribunais, passou a ser na prática facultativa. Um ministro pode atuar como o demiurgo que desfaz e reescreve as leis e manda soltar, prender, calar, pagar e não pagar. A revisão do plenário, quando ocorre, não raro se depara com fatos consumados e danos irreparáveis. Mesmo o contrapeso do colegiado esbarrou no corporativismo quando dois de seus membros passaram a ter as condutas questionadas no escândalo do Master. O encastelamento funciona como estímulo para que ministros reforcem as decisões singulares visando à autoproteção. Esvai-se a esperança de que comecem dentro do Supremo os ajustes para desbastá-lo dos superpoderes estranhos à República. Os ministros mostram-se incapazes de adotar um mero código de comportamentos óbvios, que já deveriam ser moeda corrente. É inevitável que caminhe no Congresso uma reforma para recolocar o STF em seu lugar constitucional.”

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


*Quarta-feira,1 de abril de 2026*


*Trump fala hoje à noite sobre Irã*


Presidente quer fornecer “importante atualização” sobre ofensiva militar


… Mais um dado do emprego nos Estados Unidos será divulgado hoje, o relatório ADP, com a criação de vagas no setor privado, enquanto o mais importante indicador, o payroll, sairá em pleno feriado de Sexta-Feira Santa. São destaques ainda as vendas no varejo americano e os índices de atividade global, incluindo PMI e ISM. Aqui, sai daqui a pouco o IPC-S de março e, no início da tarde, o fluxo cambial semanal. Mas são as notícias da guerra, ou as chances do fim da guerra, que tendem a esticar o otimismo dos mercados, com Trump prometendo sair do Irã em “duas ou três semanas”, sem impor exigências sobre o Estreito de Ormuz. A Casa Branca informou que o presidente fará um pronunciamento hoje à noite (22h) para fornecer uma “importante atualização” sobre a ofensiva militar.


O FIM DA GUERRA – Em novas declarações no final do dia, o presidente Donald Trump disse em entrevista à NBC que a guerra com o Irã está “chegando ao fim”, reforçando os sinais que garantiram o otimismo dos mercados globais, nesta terça-feira.


… Em conversa com os jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, Trump previu que pode encerrar sua campanha militar contra o Irã “em duas a três semanas”. “Vamos sair muito em breve e o Irã não precisa fazer um acordo comigo para que o conflito termine.”


… O que ele quer é que o Irã seja “levado de volta à Idade da Pedra”, sem capacidade de adquirir uma arma nuclear no curto prazo. O presidente descartou o propósito de abrir o Estreito de Ormuz, afirmando que o preço da gasolina cairá tão logo os Estados Unidos saiam do Irã.


… Mais cedo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que seu país não busca a guerra e está preparado para encerrá-la com garantias contra novas agressões. A declaração se seguiu à fala de Trump de que estaria disposto a encerrar os conflitos.


… Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou à Al Jazeera que houve troca de mensagens com os Estados Unidos, seja diretamente ou por meio de aliados, mas enfatizou que isso não significa que seu país esteja em negociações.


… De parte a parte, os ataques prosseguem no Oriente Médio.


… O exército do Irã alvejou a Siemens, a AT&T e centros de telecomunicações em Israel, fazendo novas ameaças contra empresas tech e financeiras dos Estados Unidos na região do Golfo, por suposto envolvimento em espionagem contra o país persa.


… Já os Estados Unidos enviaram um terceiro porta-aviões de guerra para a região, segundo o Wall Street Journal.


… Teerã é pressionada a se engajar em negociações diplomáticas mediadas por Turquia e Paquistão, que disse estar pronto para sediar uma primeira rodada de conversas, enquanto o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, conversou com representantes turcos e chineses.


… Junto com o Paquistão, a China apresentou um plano de cinco pontos para cessar o uso da força e abrir o Estreito de Ormuz, incluindo o cessar-fogo, negociações de paz, proteção da infraestrutura energética e uma estrutura de paz mais ampla sob a Carta da ONU.


… A proposta foi divulgada após reunião do ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, com seu homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim. Trump não quis comentar a iniciativa, dizendo apenas que “as negociações com o Irã estão indo bem”.


… O presidente disse ainda acreditar em uma “reabertura imediata” do Estreito de Ormuz, logo após a saída americana do conflito, mas não quis confirmar se considera despachar sua equipe de negociação – o enviado especial Steve Witkoff e o vice JD Vance – para o Paquistão.


… A principal demanda de Washington, neste momento, é pela liberação total do tráfego no Estreito de Ormuz, a fim de normalizar as cadeias de suprimento energético e conter a disparada dos preços do petróleo – que ameaça a economia americana de estagflação.


… Também pesa a falta de apoio dos aliados europeus, que resistem às pressões de Trump para ampliar o envolvimento direto no conflito contra o Irã, enquanto priorizam contenção, diplomacia e proteção indireta de interesses estratégicos.


… Em publicação na Truth Social, o presidente sugeriu que países afetados pela crise energética no Estreito de Ormuz “juntem coragem, vão ao Estreito e simplesmente peguem” o petróleo, acrescentando que “os Estados não estarão mais lá para ajudar”.


… As chances de um acordo permitiram a queda de mais de 3% do petróleo Brent, que, no entanto, ainda fechou acima dos US$ 100, com uma valorização de 42% em março. As bolsas se animaram e dólar e juros recuaram em escala global (leia abaixo).


ENERGIA SOB PRESSÃO –O governo acelera uma resposta coordenada para conter os impactos do choque global de petróleo, com mais de 80% dos Estados já sinalizando adesão à proposta de subvenção ao diesel.


… A medida, desenhada em conjunto entre Fazenda e Comsefaz, prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro por dois meses, com custo total estimado em R$ 3 bilhões, dividido entre União e Estados.


… Apesar do avanço, ainda há resistências pontuais.


… O Rio de Janeiro, por exemplo, condiciona a adesão à publicação da medida provisória, citando impacto fiscal relevante — estimado em R$ 30 milhões por mês — em meio a um déficit projetado de R$ 19 bilhões em 2026.


… A equipe econômica busca unanimidade, mas já admite tocar a proposta mesmo sem adesão total.


… Na prática, o objetivo é evitar desabastecimento, já que os preços domésticos seguem defasados em relação ao mercado internacional, num cenário agravado pela escalada da guerra no Oriente Médio.


… A leitura dentro do governo é de que a medida é emergencial e tenta dar previsibilidade ao abastecimento em meio à volatilidade externa.


… Do lado dos preços, a pressão segue intensa. A Vibra informou que vai repassar integralmente um aumento de 54,6% no querosene de aviação (QAV) a partir de abril, refletindo reajuste da Petrobras, ainda não confirmado oficialmente.


… O movimento reforça o repasse da alta do petróleo para a cadeia doméstica.


… Na mesma direção, a Refinaria de Mataripe confirmou alta de 15,3% no GLP, enquanto o diesel e a gasolina acumulam disparadas expressivas no mês, acompanhando a volatilidade internacional.


… A defasagem de preços também escancara a diferença de política entre agentes do setor, com a refinaria privada mais alinhada à paridade de importação do que a Petrobras.


… A pressão chega ao consumidor: o gás de cozinha importado já ficou cerca de 60% mais caro, levando o governo a estudar novos subsídios para conter o impacto. O Brasil importa cerca de 20% do GLP consumido, o que amplia a exposição ao choque externo.


… Em paralelo, Lula reforça que o governo tenta evitar repasses ao diesel, atribuindo parte das altas à cadeia de distribuição.


ENDIVIDAMENTO EM FOCO – O governo voltou a avaliar o uso de recursos esquecidos em bancos para reforçar um novo programa de renegociação de dívidas, em meio ao diagnóstico de endividamento recorde das famílias.


… Segundo dados do Banco Central, o volume parado nessas contas soma R$ 10,5 bilhões, o que reacende uma discussão já travada entre equipe econômica, autoridade monetária e oposição. A proposta não é nova.


… Em 2024, o governo tentou utilizar os recursos para reforçar o resultado fiscal, mas enfrentou resistência do BC, que não aceitava a contabilização como receita primária, além de críticas políticas que classificaram a iniciativa como “confisco”.


… Apesar da aprovação da Lei 14.973/2024, os valores acabaram não sendo incorporados ao caixa federal e permaneceram parados. Agora, a ideia ressurge com outro foco: ampliar programas de renegociação de dívidas, em linha com iniciativas anteriores como o Desenrola.


… As conversas entre bancos e governo, no entanto, ainda são iniciais, embora o setor financeiro já tenha apresentado um diagnóstico detalhado do quadro de inadimplência no país.


… Nos bastidores, ganha força a proposta de consolidar dívidas — especialmente de cartão de crédito — com descontos escalonados de acordo com a renda do devedor e o nível de garantia pública oferecido. Quanto maior a cobertura do governo, maior o desconto ao consumidor.


… O desenho em discussão envolve o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO), replicando a lógica adotada em programas anteriores. Ainda assim, permanece a dúvida sobre o espaço fiscal e o apetite do governo para novos aportes, o que deve definir o avanço da iniciativa.


PESQUISA ATLAS/ESTADÃO – Na manchete do jornal, SP tem empate técnico entre Flávio (43,4% das intenções de voto) e Lula (42,5%) no primeiro turno, mas o senador lidera no segundo turno por cinco pontos (49% contra 44%).


… Ainda segundo a sondagem, Lula é a figura de maior rejeição eleitoral, de uma lista de 17 nomes apresentados, e não receberia de jeito nenhum o voto de 53,5% dos eleitores paulistas. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 47,1%.


MAIS POLÍTICA – Lula enviou ao Congresso mensagem de recomendação de Jorge Messias para a vaga no STF.


… Na CPI do Crime Organizado, foi aprovada a quebra do sigilo bancário e fiscal de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, e da empresa Prime Aviation Participações, que já teve o próprio Vorcaro como sócio.


… Documentos obtidos pela Folha apontam que Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci, voaram em jatos executivos de empresas do dono do Master ou ligadas a ele pelo menos oitos vezes entre maio e outubro.


MAIS AGENDA – A agenda desta quarta-feira ganha peso com a inflação e sinais do mercado de trabalho global, em meio à escalada dos combustíveis no cenário doméstico.


… O IPC-S de março, que sai às 8h, deve acelerar para 0,65%, após deflação de 0,14% em fevereiro, segundo o Projeções Broadcast, refletindo principalmente a alta de alimentos e transportes.


… As estimativas para o índice, todas positivas, variam de 0,49% a 0,66%, enquanto a inflação em 12 meses deve avançar para cerca de 3,45%, reforçando a leitura de pressão recente nos preços, especialmente com o impacto dos combustíveis em meio ao choque externo.


… Ao longo do dia, o fluxo cambial semanal do BC (14h30) completa o quadro doméstico.


… No exterior, o destaque fica para o relatório ADP de criação de empregos no setor privado dos Estados Unidos (9h30), visto como prévia do payroll. Após a criação de 63 mil vagas em fevereiro, o dado é acompanhado de perto para calibrar expectativas sobre a trajetória de juros.


… Ainda nos EUA, saem os PMIs industriais (10h45 e 11h) e os estoques do DoE (11h30), em um ambiente já marcado pela volatilidade do petróleo, enquanto dirigentes do Fed participam de eventos ao longo do dia, incluindo Michael Barr e Alberto Musalem (ambos às 10h).


… Na Europa, a manhã é marcada pelos PMIs industriais finais de março na Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido.


CHINA HOJE – O PMI/S&P Global industrial caiu de 52,1 em fevereiro para 50,8 em março, abaixo da projeção de 51. O dado sinalizou expansão mais lenta da atividade, mas foi o segundo melhor desempenho dos últimos seis meses.


JAPÃO HOJE –A leitura final doPMI/S&P Global industrial desacelerou de 53 em fevereiro para 51,6 em março, coincidindo com o início da guerra. Mas o dado seguiu acima do patamar de 50, indicando expansão da atividade.


DESATOLOU – O primeiro aceno de paz do Irã desarmou o estresse global, mas o petróleo ainda acima da marca dos US$ 100 reforça suspeitas de que a commodity tem menor espaço para voltar aos níveis observados no pré-guerra.


… A se confirmar esta percepção de que o barril vai se acomodar em um ponto de equilíbrio mais alto que o exibido antes de o conflito começar, a inflação deve seguir pressionada e pode reduzir a margem de manobra do Copom.


… A Selic pode continuar caindo, mas dificilmente meio ponto, foi a visão de consenso que economistas transmitiram ontem ao diretor do BC Paulo Picchetti, durante as reuniões promovidas na sede da autoridade monetária em SP.


… O cenário-base é de corte de 0,25pp do juro na reunião deste mês. Segundo relatos ao Valor, ninguém mencionou chance de Selic estável. As projeções dos participantes do encontro para a Selic no ano ficaram entre 12,50% e 13%.


… Parte dos economistas presentes destacou os riscos relevantes de que o IPCA estoure o teto da meta, de 4,5%, este ano. Ontem, o Bradesco revisou a projeção de inflação em 2026 de 3,8% para 4,3%, citando o efeito do petróleo.


… Automaticamente, também ajustou para cima a expectativa para a Selic no ano, de 12% para 12,5%. O banco espera um preço médio da commodity entre US$ 70 e US$ 80, considerando a normalização lenta ao longo de 2026.


… Além do choque energético sobre os preços, alguns profissionais presentes à reunião com Picchetti ontem também continuaram alertando sobre a pressão adicional dos serviços e do mercado de trabalho sobre a inflação.


… A economista Ariane Benedito (PicPay) interpretou o Caged de fevereiro, divulgado ontem, como sólido, mas em acomodação gradual. O saldo de 255.321 vagas superou janeiro (115.018 mil), mas veio abaixo da mediana (269 mil).


… O economista-sênior do Inter, André Valério, concorda que o mercado de trabalho segue robusto, mas o Caged dá sinais de que pode estar próximo do seu topo, não havendo muito espaço para melhoras nos próximos meses.


VELOCIDADE DE CRUZEIRO – Os juros futuros queimaram prêmios ontem com a expectativa de fim da ofensiva no Irã, especialmente no miolo da curva e nos vencimentos longos. Já os curtos operaram mais engessados pelo Copom.


… Como disse Galípolo esta semana, o BC está mais para “transatlântico do que jet-ski”, sinalizando que a Selic não tem como cair tanto, até porque o mercado espera que o petróleo se acomode no high mesmo se a guerra acabar.


… Assim, só o contrato de juro para jan/27 continuou na faixa de 14%, a 14,105% (de 14,297% no ajuste anterior). Já o Jan/29 caiu a 13,725% (de 14,055% na véspera); Jan/31, a 13,830% (de 14,117%); e Jan/33, a 13,885% (14,160%).


… O petróleo descomprimiu a pressão global e o Brent devolveu 3,18%, a US$ 103,97. Mas ainda acumulou um salto de quase 44% no mês, pertinho do recorde de alta histórico mensal, de 46%, na Guerra do Golfo (setembro de 1990).


… Com a esperança renovada de fim da guerra, o Ibov recuperou a faixa dos 187 mil e o dólar caiu abaixo de R$ 5,20.


… O índice à vista da bolsa doméstica fechou o último pregão de março com alta firme, de 2,71%, aos 187.461,84 pontos, e giro expressivo, de R$ 37,9 bilhões, sinalizando que os estrangeiros podem ter entrado comprando forte.


… Entre as blue chips, Vale contrariou a queda 0,80% do minério de ferro e disparou 3,75%, para R$ 82,48.


… Os papéis dos bancos também brilharam no pregão de otimismo generalizado: BTG, +5,41% (R$ 56,29); Itaú PN, +4,52% (R$ 43,48); Bradesco PN, +3,79% (R$ 19,17); Santander, +3,79% (R$ 30,64); e BB ON, +2,68% (R$ 23,00).


… As ações da Petrobras recuaram (PN -2,01%, a R$ 48,67, e ON -1,35%, a R$ 53,91) em linha com o alívio do petróleo, ocupando a terceira e quarta maiores baixas do Ibovespa – que teve apenas quatro papéis no vermelho.


… A liderança negativa ficou com Prio (-8,17%; R$ 66,21), seguida de MBRF (-3,09%; R$ 21,64).


… Do lado positivo, Natura ficou no topo, com +12,99% (R$ 10,44), após divulgar reformulação no conselho de administração e o ingresso da Advent como acionista. Magazine Luiza veio a seguir, com +9,62% (R$ 8,77).


… Reportagem do Broadcast indica que a guerra do Irã atrasou para maio e junho a janela de ofertas de ações em bolsa prevista para março e abril. Riachuelo, Vitru, Banco Pine e Pague Menos podem testar o apetite do mercado.


BAIXOU AS ARMAS – A disposição do Irã em encerrar a guerra tirou do território de correção (bear market) o Dow Jones, que avançou 2,49%, a 46.341,21 pontos, e o Nasdaq, com injeção de ânimo de 3,83%, a 21.590,63 pontos.


… O S&P 500 avançou 2,91%, aos 6.528,45 pontos. Porém, com o estouro do conflito militar no início de março, as bolsas americanas terminaram o mês com perdas acumuladas de 5,38%, 4,75% e 5,09%, respectivamente.


… O otimismo com a chance de a economia ainda conseguir evitar uma estagflação, caso a ofensiva no Irã termine logo, derrubou os juros dos Treasuries de 2 anos (a 3,792%, de 3,832%) e de 10 anos (a 4,317%, de 4,347%).


… Sentindo-se à vontade para relaxar, no câmbio, o índice DXY do dólar caiu abaixo dos 100 pontos: -0,55%, a 99,961 pontos. Mas acumulou alta de quase 2,5% em março, com o Irã e os EUA passando o mês sem dar o braço a torcer.  


… O euro subiu 0,86% ontem, a US$ 1,1563, a libra ganhou 0,44%, a US$ 1,3240, e o iene avançou para 158,76/US$.


… Aqui, o dólar à vista fechou em baixa acentuada de 1,32%, na mínima do dia, a R$ 5,1786. Mas acumulou alta de 0,87% em março. O avanço só não foi maior no mês, porque o fluxo positivo e o petróleo nas alturas protegem o real.


CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE e Ministério dos Transportes devem firmar acordo sobre ferrovias, envolvendo pagamento adicional de cerca de R$ 7 bilhões e conclusão das obras da Fico, segundo fontes do Valor…


… Acerto inclui as Estradas de Ferro Carajás e Vitória-Minas, com pagamento ao longo de 12 meses e compromisso de concluir o trecho entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT).


PETROBRAS informou a renúncia de Bruno Moretti à presidência do conselho de administração, tendo em vista a sua nomeação a ministro do Planejamento e Orçamento, no lugar da Simone Tebet, que disputará vaga no Senado.


JBS inaugurou centro de biotecnologia em Florianópolis, com investimento de US$ 37 milhões, focado no desenvolvimento de “superproteínas”.


GRUPO EQUATORIAL investirá R$ 21 milhões em projeto de gestão da experiência do cliente com uso de IA.


ASSAÍ aprovou programa de recompra de até 11,3 milhões de ações ON (0,8%), com duração de 12 meses.


GPA aprovou mudanças de governança, com redução do mandato do conselho para um ano e eleição de novos membros, incluindo André Diniz, Leandro Campos, Gustavo Gonçalves, Carlos Fernandes e Eleazar Filho.


GUARARAPES pagará R$ 50 milhões em JCP, a R$ 0,0997 por ação ON, com base na posição de 06/04.


MARISA reverteu lucro e registrou prejuízo líquido de R$ 70,2 milhões no 4TRI25. O Ebitda recuou 44%, para R$ 67 milhões, e a receita líquida somou R$ 458 milhões (-2,2%).


ODONTOPREV. O Bradesco passou a deter participação direta de 53,7% na companhia após reorganização societária.


HYPERA homologou aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, com emissão de 70,6 milhões de ações.


RD SAÚDE pagará R$ 150,4 milhões em JCP, a R$ 0,086 por ação ON; “ex” em 06/04.


COGNA. Robeco passou a deter 5,04% das ações ON.


BRB adiou a divulgação dos balanços de 2025 e convocou AGE para 22/4 para deliberar sobre aumento de capital.


IRB nomeou Frederico Knapp como diretor-presidente da seguradora de grandes riscos, com Thays Vargas Ferreira como diretora financeira.


T4F. Controlador protocolou OPA para fechamento de capital, com preço de R$ 5,59 por ação (R$ 5,78 ajustado), prêmio de cerca de 30%.


BROOKFIELD acertou a compra da Tabas, startup de locação residencial, que passará a integrar a operação imobiliária do grupo no Brasil.e

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +2,9% US tech +3,4% US Semis +6,2% UEM +0,5% España +0,5% VIX 25,3% Bund 2,93%. T-Note 4,27%. Spread 2A-10A USA=+52pb B10A: ESP 3,40% PT 3,36% ITA 3,76% FRA 3,62% Euribor 12m 2,870% (fut.12m 3,044%). USD 1,158 JPY 183,5/€ 158,4/$. Ouro 4.702 $. Brent 101,3$. WTI 99,3$. Bitcoin +2% (68.919$). Ether +4,2% (2.144$). 


SESSÃO. Sensação do final dos problemas. Desde ontem, quando as subidas já foram evidentes. E mesmo antes de um fim de semana prolongado para o mercado, porque na sexta-feira os EUA e a Europa estão fechados; bolsas e obrigações. Se o fecho de posições para um fim de semana prolongado for feito com posições longas, é porque ninguém quer ficar de fora de uma recuperação previsivelmente rápida a partir de segunda-feira (6), portanto, posiciona-se agora mesmo, desde quarta (1)/quinta-feira (2), para não perder o momento. É um sintoma muito bom. Os futuros vêm a subir +1%/+2% na Europa e um pouco mais cansados nos EUA após as fortes subidas de ontem, ca.+0,4%.


As razões para isto são: 

(i)  A determinação de Trump, ontem, insistindo que já terminaram a fase mais complicada do “trabalho” no Irão (neutralizar a ameaça militar). Falará às 2 h (quinta-feira). Interpretação: o Irão já não tem meios militares, portanto, a ameaça está neutralizada, inclusive a nuclear. Este era o principal objetivo dos EUA/Israel. Pode-se intuir que Trump anuncie alguma espécie de vitória e/ou final da guerra.

(ii)  Os estados da região do Golfo Pérsico/Golfo de Omã (Arábia Saudita, Estados Árabes Unidos, etc.) afirmam que se unirão aos EUA para permitir a livre navegação, inclusive pela força (WSJ). Interpretação: Irão fica sem aliados regionais definitivamente, que sabem que precisam de vender petróleo para sobreviver. E a Guarda Revolucionária iraniana fica neutralizada sem petróleo. O Irão passa a ser o “pestilento” e, a partir de agora, a responsabilidade recairá sobre um regime, não ao país, de modo que surgirá outro regime menos agressivo, que fará parte do anterior, mas reformulado e menos perigoso.

(iii)  O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano (Araqchi) confessou ontem as negociações com os EUA (Witkoff) para uma saída negociada, ficando a Guarda Revolucionária sozinha a partir de agora a promover a guerra. Interpretação: o regine iraniano quebrou-se. Divide et vinces…


A frente convencional e racional apoia esta sensação de problemas menos graves do que o temido. Ontem saíram alguns dados americanos inesperadamente bons, embora hoje seja preciso reconhecer que eram registos de fevereiro e a guerra começou em março: Confiança do Consumidor 91,8 vs. 87,2 esperado vs. 91,2 anterior e JOLTS ou Empregos Disponíveis 6,88M vs. 6,89M esperados vs. 6,95 anterior. Mas, embora sejam de fevereiro, dão confiança ao mercado, porque significa que a economia norte-americana, emprego incluído, estava em melhor forma do que se pensava antes do início da guerra, portanto, supõe um ponto de partido melhor para enfrentar as próximas semanas. E na Europa saiu uma inflação já de março não tão má como esperado: +2,5% vs. +2,6% esperado vs. +1,9% fevereiro. E com a Subjacente a retroceder até +2,3% desde +2,4%, o que também tranquiliza um pouco.


HOJE sairá macro relevante, mas terá influência baixa, porque o mercado deixar-se-á empurrar pelas 3 razões mencionadas de interpretação positiva sobre a guerra no Irão. Às 9 h, Desemprego UE (fevereiro; repetir em 6,1%). 13:15 h EUA Inquérito ADP Emprego Privado (março; 40k vs. 63k). 13:30 h EUA Vendas a Retalho (fevereiro; +0,5% vs. -0,2%). 15 h EUA ISM Industrial (março; 52,5 vs. 52,4).


CONCLUSÃO. Desfrutamos do rally do fim da guerra no Irão. Poderão ser sinais falsos, mas parece improvável. Ontem, Wall St +2,9% e semis +6,2%. Esta madrugada, Japão +5,2% e Coreia +8,5%. Europa vem a subir ca. +2%. Obrigações bastante compradas, com redução geral de yield (-5/-20 p.b.). Parece que a nossa estratégia de não só reduzir exposição, mas principalmente comprar acompanhando as quedas foi acertada, principalmente semis. Insistimos que “para ganhar é preciso estar presente”. Ninguém pode certificar que

este seja o final garantido do mau, porque haverá idas e voltas, bastante volatilidade, mas parece que estamos no ponto de inflexão para melhor. Daí as nossas Carteiras Modelo de abril (ainda serão publicadas) manterem os níveis de exposição intactos e elevados, aplicando apenas um ajuste fino nas obrigações… portanto, receberão esta recuperação do mercado. 


FIM

Papo de Economista

 Papo de Economista  1) Assistindo ao documentário do Primo Rico, no 24 hs...sobre Eike Baptista. Vale a pena dar uma espiada, lá no YouTube...