quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Diário de um economista (2)

Por estes dias, estava me recordando sobre a minha experiência no mestrado acadêmico da UFF.

Me lembro que fiquei alguns meses estudando no IMPA e frequentando um excelente curso no Enscyc da FGV no noturno. Passei bem, em quarto lugar, no exame da Anpec, mas fui me decepcionando ao longo da caminhada.

Não por alguns excelentes professores de Macro póskeynesiana (Cardim, principalmente), métodos quantitativos, micro, a moldarem minha formação, mas pelo erro crasso num curso ministrado, de Economia Política.

Este acabou sendo, ao meu ver, o grande equívoco do Mestrado Acadêmico da UFF nos anos 90. 

Passados tantos anos, tenho a leitura que um curso como este deva abordar a Evolução do Pensamento Econômico, nas suas várias nuances e tempos, desde Adam Smith, passando pelos clássicos como Malthus e David Ricardo, até chegar nos novos keynesianos da atualidade. 

Podemos abordar a contribuição de Karl Marx, dada a eclosão da Revolução Industrial, nas suas contradições e conturbadas relações "capital trabalho", a partir do surgimento dos socialistas utópicos, a emergência de Proudhon e outros.

Marx seria, então, o ator principal deste "refletir" sobre as contradições do nascente capitalismo industrial de então, mas é preciso "contextualizar", o que não aconteceu neste curso de Economia Política.

Aliás. Depois dos neoclássicos, tínhamos que ter estudado Marshall, Walras, dentre outros, até chegar a John Maynard Keynes, não esquecendo a contribuição de Allors Schumpeter.

Foram, portanto, dois períodos sub-aproveitados no mestrado da UFF (Economia Política 1 e 2).

No todo, no entanto, posso afirmar que este mestrado da UFF foi enriquecedor.

Coreia do Sul

 Tbem existe corrupção na Coreia. E como!

*SOB IMPEACHMENT*. _A Coreia do Sul viu-se envolvida em uma crise política complexa após o presidente do país, Yoon Suk Yeol, decretar a lei marcial temporária contra ações da oposição, o que gerou protestos entre parlamentares e a sociedade civil. No campo político, deverá ser apresentado amanhã o pedido de impeachment do presidente, para votação na sexta ou sábado. E no campo econômico, o presidente do BC sul-coreano disse que a crise política não irá alterar em nada a condução da política monetária. Para o banqueiro, as próximas decisões serão tomadas diante do quadro e fundamentos macroeconômicos._

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 NEWS - Valor - 04.12


Entrevista: 'Mercado quer antecipar 2026, mas Lula não pode trair programa de governo', diz José Dirceu / Ex-ministro defende medidas de Haddad, vê mercado como parte da disputa política e diz que Lula tem conselheiros experientes, mas talvez falte disposição para ouvi-los- O Globo 4/12


Renata Agostini


José Dirceu ajeita-se na cadeira e logo coloca sobre a mesa anotações feitas de próprio punho sobre conquistas do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Quase 20 anos após ser forçado a deixar o Palácio do Planalto e a política por causa do escândalo do mensalão, ele mantém o sentimento de pertencer ao próprio governo. É assim quando defende medidas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou quando critica o “mercado”, que vê em posição de duelo com Lula.


— Eles querem que o governo adote um programa que não apresentou ao país. Quer que façamos haraquiri. É isso que estão pedindo - disse em entrevista ao GLOBO.


Aos 78 anos, o ex-chefe da Casa Civil diz querer ajudar o governo e também o PT, partido que fundou com Lula e que, em sua visão, precisa ser reconstruído. Para isso, não descarta a volta à arena política, mas sem cargo no Executivo. Segundo ele, o presidente está bem servido de conselheiros políticos - Dirceu, no entanto, não tem certeza se Lula está disposto a ouvi-los.


O ex-ministro vê o jogo para 2026 em aberto diante da instabilidade que Donald Trump pode trazer ao mundo, da divisão na direita e de um Jair Bolsonaro que, mesmo inelegível, não pretende abrir mão de ser candidato.


O governo anunciou um pacote de corte de gastos. A agenda do ministro Fernando Haddad (Fazenda) precisa de correções?


Não. Ele propôs aumento insignificante de Imposto de Renda (para quem ganha mais de R$ 50 mil mensais) para contrabalancear a isenção para quem recebe até R$ 5 mil. Não tem novos gastos e, ainda assim, pressionam o presidente da Câmara e o Senado para votar isso só no próximo ano. O mercado devia estar defendendo diminuição de despesas tributárias, teto dos servidores e a medida do Imposto de Renda. Porque isso estabiliza. Mas querem diminuir o crescimento do salário mínimo, Bolsa Família, Previdência e Benefício de Prestação Continuada.


Mas o governo concordou. Essa foi a proposta.


E a proposta está certa nas circunstâncias atuais, na correlação de forças atual. Mas eles querem mais, querem sangue. O governo já fez a parte dele, agora a palavra está com o Congresso. Se tivéssemos maioria, faríamos Reforma Tributária na renda, riqueza e propriedade. A dívida pública está crescendo por causa de precatórios, herança de Bolsonaro e juros.


Temos um dólar que não para de subir e isso entra na conta de movimentos do governo.


(Entra na conta da) Especulação, da qual o governo não é responsável e que o Banco Central deveria ter impedido, pois tem instrumentos para isso. Qual razão para dólar a R$ 6? Por que o ajuste não era o que a Faria Lima queria? Economia e emprego crescendo, não há crise política, o Brasil tem paz, superávit na balança comercial, tem balança de conta corrente equilibrada, porque temos investimento direto externo e reservas de quase US$ 360 bilhões.


A decisão de anunciar o pacote junto com a reforma do IR não minou o objetivo do governo?


Por que pode diminuir salário mínimo, Previdência e Bolsa Família, que envolvem quase metade da população, e não pode aumentar o imposto para 100 mil brasileiros? É evidente que isso é inaceitável. Se querem fazer isso, eles têm que eleger um presidente que o faça ou convencer o Congresso de fazê-lo. Até as Forças Armadas aceitaram. A contragosto, mas aceitaram. A não ser que você queira desmontar o estado de bem-estar social previsto na Constituição. Então você disputa eleição e diga que quer desmontar.


Fala-se numa reforma ministerial que aumente o espaço do centrão. É o caminho correto?


O governo já tem base de centro-direita. Não adianta tapar o sol com a peneira. Tanto é que aprovou tudo o que era importante. É preciso dar uma parada agora, pensar nos próximos dois anos, que tem eleições em 2026. O governo está sofrendo com falta de recursos nos ministérios. E ainda querem mais cortes. O mercado está querendo antecipar 2026. Não é só a questão da dívida pública.


O senhor vê então como necessidade política o governo duelar com o mercado?


Quem duelou com o governo foi o mercado. Foi apresentada uma proposta dentro das possibilidades que o Executivo tem. Se faz a proposta do mercado, ele deixa de ser governo que foi eleito, ele praticamente trai seu programa. Estão pedindo que nós façamos haraquiri. É isso que eles estão pedindo.


Então tem que entregar um pouco, mas não tudo.


Tem que fazer aquilo que garanta o crescimento do país. Imagina se vem uma crise por causa do trumpismo, o país está em recessão. Nem interessa para nós. Nós temos que defender nossos pontos de vista, não podemos abrir mão daquilo que é a nossa natureza e nem o mercado. Quem dirime essa disputa é o Congresso.


Há análise recorrente de que Lula está cercado por auxiliares que não têm a mesma força política do que o grupo de seu primeiro mandato. É preciso mexer no Planalto?


Rui Costa foi governador, deputado federal. Experiência política tem. O problema é se o presidente quer (ouvi-lo). Se tem alguém que conhece a articulação, relação com os Estados e municípios, prefeitos e governadores, Câmara e Senado é Alexandre Padilha. Além disso, foi ministro da Saúde. É muito experiente. Márcio Macedo é mais jovem, mas já foi deputado federal, tem experiência política também. E o Paulo Pimenta tem uma longa experiência parlamentar. Não sei se é porque não tem gente para ele ouvir ou se o presidente não tem ouvido. É mais o estilo e como se organiza o governo. Porque não dá pra voltar atrás. Nós não estamos e não vamos mais pro governo. Já passou. Eu vou fazer 79 anos no ano que vem.


Há influência excessiva da primeira-dama no governo?


Não vejo. Lula pode ter qualquer homem conselheiro. Não precisa ter cargo nenhum. Ela não pode ser conselheira? Claro que pode. A única pessoa que é senhor deste assunto chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Nós só devemos dizer: que bom que o nosso presidente tá apaixonado, feliz vivendo bem, porque ele é o senhor desse destino, não somos nós.


O indiciamento de Bolsonaro no inquérito do golpe sepulta o plano dele de voltar ao poder?


Ele está e ficará inelegível porque há base para que seja condenado e há outros processos. Mas ele já dá sinais de que será candidato até a impugnação pelo TSE (da candidatura). Ele não tem sucessor e há outros candidatos, como Pablo Marçal, Ronaldo Caiado e os governadores do Paraná (Ratinho Junior) e de Minas Gerais (Romeu Zema). Portanto, Bolsonaro já está em campanha. Mas precisa ver se tem força. Parte do PL não o quer. E acredito que a elite agrária e financeira do país vai impor a Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo) que seja candidato.


O senhor acredita que Bolsonaro irá mimetizar a estratégia do Lula com Haddad em 2018?


Precisa ver se ele tem força pra isso. Se ele for o caminho certo da derrota, vai todo mundo para a derrota? Ele tem tanta influência assim no PP, no Republicanos, no União Brasil, no MDB? Não tem. Ele tem no PL. E parte do PL não o quer. Ele já abandonou os militares. Cuidou dos filhos e só. Todo mundo já conhece o Bolsonaro.


Tarcísio de Freitas seria um candidato mais difícil de Lula bater?


Sim, mas aí também há sucessão de São Paulo com possibilidade maior de disputarmos para ganhar. Vejo o jogo aberto para 2026. Ainda é cedo para dizer o que acontecerá porque existe um fator: as medidas que Donald Trump tomará quando assumir os Estados Unidos. Dependendo da intensidade, toda a conjuntura política mundial e brasileira mudará. É quase jardim de infância o que estamos assistindo agora pelo ajuste fiscal. Fico estarrecido que a elite brasileira não se dê conta da gravidade do que acontecerá no mundo. Outros países já estão tomando medidas. O Brasil devia estar se preparando. É evidente que a crise na bolsa é um chuvisco perto da tempestade que vai ter no mundo. Se ele fizer o que ele está declarando, vai ser uma hecatombe mundial.


Edinho Silva é favorito para assumir o partido e conduzir a “reconstrução” do PT?


No PT, não tem favorito. Edinho é um dos nomes, José Guimarães é outro. Agora, apareceu o nome do Paulo Okamotto, pode aparecer Rui Falcão. A maioria dos filiados vai decidir. Lula entende que, para o perfil que o PT precisa adotar, o nome mais adequado é o do Edinho. Agora, não tem essa coisa de que ele está eleito. Tem um longo caminho de negociação.


O que a nova direção tem de fazer de diferente?


O primeiro desafio é a renovação da direção. O segundo, renovação geracional. O terceiro, se empoderar das redes. A tarefa política principal é eleger 100 deputados, 10 senadores no mínimo, reeleger os governadores e ganhar novos estados para que o presidente Lula reeleito tenha base. E isso significa diálogo com PDT, PSB, PSOL e Rede, além de entre nós, PV, PCdoB e PT. O ideal é que todos esses partidos tenham uma política comum para 2026.


O senhor considera então que Lula será candidato à reeleição?


Não vejo situação em que ele não seja. Haddad é um dos prováveis candidatos em 2030. Em 2026, Lula é candidato de maneira inexorável.


Acredita ser conveniente mudar a vice?


O Lula todo dia tem que levantar as mãos e dar graças a Deus, porque ele teve o José Alencar e agora tem o Geraldo Alckmin. Um vice como ele é uma dádiva. Além de tudo, ministro da Indústria, ou seja, está ajudando.


O senhor foi preso cinco vezes. No mensalão e Lava-Jato, diz que foram prisões injustas. Ao mesmo tempo, já disse: “Nós erramos”. O que há de se reconhecer quando olhamos esses processos?


O problema é que eles viraram instrumento político para mudar a realidade institucional do país. Os procuradores e o (Sergio) Moro pretendiam o poder. A lei foi sendo corrompida e as delações viraram uma farsa. O mensalão não se ateve a investigar empréstimos tomados por empresas do Marcos Valério e repassados ao PT, se transformou na maior corrupção do século, no ataque à república e à democracia. E a história da Visanet, em que está tudo provado que não existiu. (Houve) Pressão da opinião pública e julgamento ao vivo. Virou julgamento político.


Mas o senhor está delineando erros dos outros. Onde o senhor errou?


Não, eu não errei em lugar nenhum. Nenhum dos dois casos. Porque eu não tinha nenhuma relação com essa história dos dois empréstimos, do caixa dois. Roberto Jefferson foi cassado porque não provou que existia mensalão. Eu fui cassado porque era o chefe do mensalão. O Supremo me absolveu de formação de quadrilha. Eu fiu condenado por corrupção, mas não tem prova nenhuma. Agora, veja quem é o Roberto Jefferson hoje e quem sou eu hoje.


O PT foi bastante crítico ao STF no mensalão e na Lava-Jato. Não vem daí a origem dessa visão difundida pelo bolsonarismo de que a Corte não está jogando dentro das regras?


Mas o STF atuou dentro das regras do jogo. Você não pode levantar armas contra a República. Inclusive, no caso dos militares, é crime gravíssimo.


O PT argumentava que eram julgamentos sem provas, uma perseguição.


No caso da Lava-Jato, o tempo nos deu razão. No caso do mensalão, não está ainda encerrado. Fui condenado com base na teoria do domínio do fato. E o criador dessa tese disse que não tinha pé nem cabeça aplicar no meu caso. Mas não vejo o STF não seguindo (agora) o devido processo legal. As fotos e os filmes são provas. Como discutir anistiar cidadãos que foram instigados a destruir os poderes? É uma aberração.


O senhor está próximo de resolver as pendências na Justiça. Já decidiu seu futuro político?


Não tem necessidade nenhuma de resolver agora. Quero cuidar dos meus processos que estão acabando, trabalhar como advogado, porque tenho que pagar as dívidas que todo mundo agora vem me cobrar. E quero ajudar o PT nessa renovação, ajudar o presidente Lula. No final de 2025, vou decidir se serei candidato ou não.

Call Matinal 0412

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

04/12/2024
Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO DE TERÇA-FEIRA (03)
MERCADO BRASILEIRO

O Ibovespa encerrou o pregão na terça-feira (03), em alta de 0,72%, a 126.139 pontos. Volume negociado ficou em R$ 21,7 bi. Já o dólar à vista fechou em queda de 0,21%, a R$ 6,056.

EUA🇺🇸:
Dow Jones Futuro, +0,29%
S&P 500 Futuro, +0,15%
Nasdaq Futuro, +0,36%

Ásia-Pacífico:
Shanghai SE (China🇨🇳), -0,42%
Nikkei (Japão🇯🇵), +0,07%
Hang Seng Index (Hong Kong), -0,02%
Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), -1,44%
ASX 200 (Austrália🇦🇺), -0,38%

Europa:
FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,26%
DAX (Alemanha🇩🇪), +0,51%
CAC 40 (França🇫🇷), +0,32%
FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,82%
STOXX 600🇪🇺, +0,18%
Commodities:
Petróleo WTI, +0,20%, a US$ 70,07 o barril
Petróleo Brent, +0,24%, a US$ 73,80 o barril
Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,43%, a 812,00 iuanes (US$ 111,70).

NO DIA 04/12

Uma quarta-feira em que predominam os eventos nos EUA. Depois de 7,34 milhões de empregos pelo Jolts, agora temos os empregos do setor privado, ADP, na geração de 165 mil vagas em outubro, depois de 223 mil em setembro. Isso deve antecipar as expectativas para o payroll, a definir um novo corte do juro pelo Fed na próxima semana (0,25 pp).

Por squi, temos Haddad debatendo o Equilíbrio na Política Econômica, no site Jota. Na agenda, a produção industrial deve desacelerar a 0,1%, depois da forte expansão de 1,1% em setembro.

Ontem, o PIB/3Tri levou a curva de juros a projetar Selic de 15,0%, ampliando os receios de inflação com o dólar a R$ 6. Já se fala em ajuste de 0,75 pp no Copom de dezembro, nao mais em 0,5 pp. É o conhecido "risco de cauda".

Para fechar. Também existe corrupção na Coreia do Sul. E como! O presidente Yoon Sun Yool tentou uma Lei Marcial ontem mas foi rechaçado pelo Parlamento em 190 a 0. Argumento era a ameaça comunista. Não convenceu. Deve cair sob suspeita de "esquemas variados".

AGENDA 04/12

Indicadores:
05h55. Alemanha/S&P Global: PMI Composto - nov (final)
06h00. Zona do euro/S&P Global: PMI Composto - nov (final)
06h30. Reino Unido/S&P Global: PMI Composto - nov (final) 
07h00. Zona do Euro/Eurostat: PPI de outubro
08h00. Brasil/FGV: Indicador antecedente de emprego - nov
09h00. Brasil/IBGE: Produção industrial de outubro  
10h15. EUA/ADP: Empregos no setor privado em novembro
11h45. EUA/S&P Global: PMI Composto novembro (final) 
12h00. EUA/ISM: PMI de serviços em novembro
12h00. EUA/Deptº Comércio: Encomendas à indústria - out
12h30. EUA/DoE: Estoques de petróleo
14h30. Brasil/BC: Fluxo cambial semanal
22h00. Coreia do Sul/BoK: PIB do 3º trimestre

Eventos:
06h00. OCDE: Relatório de perspectiva econômica global
06h00. Presidente do BoE, Andrew Bailey, fala em evento do FT
08h30. BCB divulga "O brasileiro e sua relação com o dinheiro"
10h00. Diretor do BC Rodrigo Teixeira comenta a pesquisa
10h30. Presidente do BCE, Christine Lagarde, discursa
10h45. Alberto Musalem (Fed/St. Louis) discursa
11h00. Fernando Haddad participa de evento do site Jota
15h45. Jerome Powell (Fed) participa de evento do NYT
16h00. Fed divulga o Livro Bege.

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec

Boa quarta-feira e bons negócios!

JP Morgan

 JP Morgan alerta para ciclo vicioso no mercado e aposta em inversão da curva de juros


A deterioração adicional dos mercados de juros e câmbio do Brasil após a apresentação do pacote fiscal do governo, casado com um quadro externo desfavorável a países emergentes após a eleição dos EUA, põe os ativos domésticos em risco de entrarem em um ciclo vicioso, alertam estrategistas do JP Morgan em relatório. Segundo eles, a aceleração da depreciação do real ante o dólar alimenta as expectativas de inflação, o que por sua vez eleva o prêmio de risco e exacerba as preocupações do mercado com a sustentabilidade fiscal. Nesse contexto, é necessária uma resposta das autoridades para atuar como um freio à deterioração constante, diz o relatório assinado pelos estrategistas Saad Siddiqui, Tania Escobedo Jacob, Gisela Brant e Santiago Olalquiaga Calcano. Diante do risco de que os mercados brasileiros entrem em um “ciclo vicioso”, o JP Morgan abriu posição tomada (que aposta na alta das taxas) em DIs com vencimento de janeiro de 2026, contra uma posição aplicada (que aposta na queda das taxas) no DI de janeiro de 2028, apostando em uma inversão da curva a termo. A meta da operação é uma diferença de 100 pb a favor da taxa do título de menor prazo. No início da operação, a taxa do DI de janeiro de 2026 operava em 13,91%, enquanto a do DI de janeiro de 2028 estava em 13,99%, uma diferença positiva de 8 pb. Ele ressaltam que, para frear a deterioração do câmbio e dos juros futuros, um aperto monetário agressivo pelo BC pode não ser suficiente sem uma “consolidação fiscal”, já que a elevação dos juros fragiliza ainda mais a trajetória da dívida pública, uma vez que aumenta o seu custo de rolagem.

Bets e lavagem de dinheiro

 ESPECIAL: DONOS DE BETS MONTARAM OFFSHORES NO PANAMÁ E NA FLÓRIDA COM BICHEIROS E DOLEIROS


18:00 03/12/2024 


Por André Shalders, do Estadão

Brasília, 03/12/2024 - Empresários brasileiros do ramo das bets abriram empresas no Panamá e no Estado americano da Flórida com doleiros e pessoas ligadas ao jogo do bicho. As bets em questão estão entre as principais do País e somam centenas de milhares de seguidores no Instagram. Ambas operam com permissão do Ministério da Fazenda, e uma delas tem o apresentador Ratinho e o cantor Wesley Safadão como divulgadores. À reportagem, um dos empresário diz que a empresa no Panamá nunca atuou, e que ele não tem relação com contraventores. O outro não respondeu. Ratinho e Wesley Safadão também foram procurados. O apresentador não respondeu, e Wesley Safadão disse, por meio da assessoria, não conhecer detalhes da vida do dono da bet divulgada por ele. Já o Ministério da Fazenda diz não comentar casos de empresas individuais.As bets Marjosports e Multibet receberam os números 93 e 62, respectivamente, na lista de empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda. A Marjo pertence ao empresário pernambucano Jorge Barbosa Dias, enquanto a Multibet foi criada pelo mineiro Ricardo Rezende Soares Oliveira.

Jorge Barbosa Dias teve duas offshores, uma no Panamá e outra na Flórida, com Waldenio Carneiro de Farias, um consultor acusado pela Polícia Federal de atuar como doleiro. Já Ricardo Rezende, dono da Multibet, teve duas offshores no Panamá com José Ângelo Beghini de Carvalho, ex-sócio e homem forte do contraventor Carlinhos Cachoeira. Esse ex-sócio hoje mantém uma offshore com os herdeiros de um dos principais bicheiros do Rio de Janei-ro. Além da Multibet, Ricardo Rezende tem autorização para operar uma empresa de jogos de azar no Estado do Maranhão.

As offshores de Ricardo Rezende foram abertas em outubro de 2015 no Panamá. Chamam-se BRTech Enterprises Corporation e Global Enterprises and Events S.A, ambas em sociedade com Ângelo Beghini de Carvalho, ex-sócio de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Preso em 2012 por explorar máquinas de caça-níquel em Goiás, Cachoeira foi também o pivô da CPI dos Correios, em 2005 - José Ângelo foi chamado a depor, na época.Segundo Ricardo Rezende, a BRTech foi aberta para explorar a atividade de jogos no Panamá, mas nunca teve atividade. A firma aparece como ativa nos registros públicos, enquanto a Global Events consta como suspensa. O empresário diz que a firma está suspensa e nunca chegou a operar. "Eu contratei ele (Beghini) porque ele era especialista nesse tema (empresas de jogos)", disse Rezende ao Estadão. O empresário diz ainda que não sabia do envolvimento de Beghini com Cachoeira, apesar das investigações envolvendo a CPI dos Correios.

Em 2019, Beghini foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal por improbidade administrativa, sob a suspeita de ter se associado a auditores da Receita Federal para importar máquinas de caça-níquel como se fossem computado-res. Segundo o MPF, Beghini foi "um dos principais beneficiários e mentor da fraude" que possibilitou a importação das máquinas.

Segundo o Ministério Público, a intenção de Beghini era importar

3,6 mil máquinas caça-níqueis.


À reportagem, Beghini disse que não faria comentários. O processo sobre máquinas caça-níqueis foi encerrado anos atrás, disse ele, e a offshore no Panamá jamais operou. "Também não tenho nenhuma ligação com bets ou empresas do gênero no Brasil", disse ele.Além das bets, Ricardo Rezende tem negócios em outros setores e bom trânsito no mundo político. O casamento dele, em 2011, contou com a presença do senador Ciro Nogueira (PP-PI) - autor de um dos projetos para legalizar os jogos de azar no Brasil - e dos deputados federais Fred Costa (PRD-MG) e Antônio Roberto (1942-2022). Como mostrou o Estadão, Ciro Nogueira é um dos principais nomes da "bancada das bets". Os parlamentares não se manifestaram. Depois de Ricardo, Beghini parece ter se associado a outro grupo no mundo das apostas: o das famílias do jogo do bicho. Em maio deste ano, ele constituiu uma empresa no Estado americano da Flórida com Luiz Antônio Lourenço Drummond, filho e herdeiro de Luiz Pacheco Drummond, mais conhecido como Luizinho Drummond (1940-2020).

Beghini e Drummond são sócios na empresa Lab Monitoring and

Services LLC, sediada na cidade de Kissimmee, nos arredores de Orlando, onde Beghini vive hoje. Em 2013, Luiz Antônio foi preso num condomínio de luxo em Belém (PA), sob a acusação de comandar o jogo do bicho no Estado.


Luizinho Drummond, o pai de Luiz Antônio, foi um dos principais bicheiros do Rio de Janeiro e ex-presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, bem como da Liga Independente das Escolas de Samba, a Liesa. Em 1993, ele foi condenado pela juíza Denise Frossard com outros banqueiros do jogo do bicho por 53 assassinatos, motivados por disputas em torno da jogatina. A reportagem do Estadão/Broadcast Político não conseguiu contato com Luiz Antônio. Investigado por lavagem e investidor da vaquejadaOutro empresário de bets com empresas internacionais é Jorge Barbosa Dias, dono da Marjo Sports. A bet é famosa nas redes - soma 423 mil seguidores no Instagram. Baseado em Recife (PE), Dias é investigado desde 2018 pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por, supostamente, lavar dinheiro de jogos de azar - em 2021, ele foi alvo de uma operação do MPPE, a Game Over, e denunciado em 2022. A reportagem do Estadão/Broadcast Político procurou Jorge

Barbosa Dias, mas não houve resposta.

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BofA recomenda Brasil

 🇧🇷 *Bank of America recomenda 'compra' em Brasil, na contramão de outros bancos*


Por: Luca Boni e Gabriel Ponte 


TC Mover- O Bank Of America manteve recomendação de "compra" para o mercado acionário brasileiro, apesar da frustração dos investidores com a apresentação do pacote de contenção de gastos do governo na semana anterior, em postura contrária às recomendações negativas recentes de outros grandes bancos americanos para o país.  


*O BofA antevê Ibovespa encerrando o ano de 2025 aos 145 mil pontos* – representando um potencial altista de 15% ante os níveis atuais, sem considerar reclassificações de múltiplos, dado o ambiente de juros consistentemente elevados e crescentes riscos para os lucros nos próximos anos.  


*No relatório, com data de ontem*, o BofA acrescenta que, apesar da recomendação, opta por postura defensiva, favorecendo *setores menos expostos a um ambiente de juros elevados, como bancos selecionados, habitação de baixa renda, seguradoras, processadores de proteínas e indústrias globais*.  


Os analistas do BofA, liderados por David Beker, alertam, entretanto, que o ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central encarece o custo de crédito, e que riscos adicionais podem vir oriundos de um enfraquecimento do câmbio, dada a deterioração fiscal.  


*O BofA antevê Selic terminal de 13,0% em maio de 2025, embora com riscos altistas*. Também na visão do banco, o ritmo de crescimento da atividade econômica deve desacelerar a 2,0% em 2025, diante de um menor impulso fiscal, efeitos de base e taxas de juros acima do nível neutro, e avançando.  


A leitura do BofA interrompe uma sequência de rebaixamentos dos mercados acionários locais por estrangeiros, dadas preocupações com a dinâmica dos gastos públicos, e disposição do governo local em conter as despesas, após o pacote de gastos mostrar-se insuficiente para conter temores entre operadores com o compromisso real do governo em torno do arcabouço fiscal.


*Na ponta oposta*


Na semana anterior, estrategistas para América Latina do JPMorgan reduziram recomendação de ações no Brasil para "neutra", favorecendo "compra" ao México, e classificando o Brasil como "Dia da Marmota" em relação às preocupações fiscais, que estão sempre voltando ao radar.  


Também na semana anterior, o banco suíço Julius Baer rebaixou o Brasil a "neutro", ante "compra", diante de uma "corrosão da credibilidade fiscal". 


O Morgan Stanley também recomendou "venda" às ações locais, diante da dificuldade de ver "expansão dos múltiplos" com juros elevados e seguindo em movimento de alta, enquanto o crescimento encontra-se sob risco.

Bankinter Portugal Matinal 0412

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Continua a suave inércia de subida. Ontem, e hoje será semelhante. Mesmo apesar de um autogolpe estranho na Coreia do Sul, cujo origem foi a corrupção do Primeiro-Ministro e esposa. Não é um país onde a democracia liberal pode dar-se ao luxo de haver confusões, neste contexto de geoestratégia tão delicada. Parece estar resolvido internamente em modo relâmpago. 

 

A referência-chave de ontem saiu bem, no sentido de que o emprego americano continua a sair muito bom: JOLTS ou Vagas de Emprego 7.774k outubro vs. 7.519k esperado vs. 7.372k anterior, o que significa que recuperou desde ca. 5 de outubro com vigor após os furacões Helen e Milton e a greve de Boeing entre finais de setembro e princípios de outubro. Foi um bom dado e deverá arrefecer as expetativas sobre as descidas de taxas de juros por parte da Fed, mas parece que esse arrefecimento se considera já 100% descontado após a vitória de Trump. Isso permitiu que as bolsas subissem novamente, embora apenas milimetricamente, demonstrando, assim, novamente, que sobem quando não surge ruído de fundo. As obrigações, pelo contrário, em geral ganharam um pouco de yield (mas muito pouco: +1/+3 p.b.), o que é normal, porque parecem sobrevalorizadas. 

 

HOJE arrancamos com 2 resultados corporativos bons, assim como os seus respetivos guidances: Salesforce e OKTA, que subiram +10% e +16% em aftermarket, respetivamente. A referência do dia volta a ser de emprego americano: 13:15h Inquérito Emprego Privado ADP (150k vs. 233k, mas certamente será melhor do que isso, a julgar pelos JOLTS de ontem). Depois, com a Europa fechada e Nova Iorque aberta (18:45h), Powell (Fed) intervirá num debate informal no NYT. Embora seja imprevisível o que poderá dizer neste ambiente, exprimir-se-á, de qualquer modo, de uma forma um pouco hawkish/dura, se tiver oportunidade ou se lhe perguntarem. Mas esta nova abordagem pós-vitória de Trump está descontada, portanto influenciará pouco, a menos que diga algo surpreendente, o que não é provável. 

 

Depois falta a reunião da OPEP+ de amanhã, na qual certamente se prolongarão os cortes atuais de 5,86Mb/d, e incumprirão no acordo anterior de aumentar a produção em 0,18Mb/d porque precisam de reter o petróleo para manter receitas fiscais. E os dados formais completos de emprego nos EUA: Taxa de Desemprego a repetir em 4,1% e Payrolls ou Criação de Emprego Não Agrícola ca. +200k vs. +12k, que poderá bater estimativas sem que isso quase não arrefeça Wall St.  

 

Em suma, embora a Europa HOJE venha fraca (futuros -0,2%) devido à crise política francesa, é provável que se reconduza para valores positivos insignificantes durante a tarde, porque o tom de Wall St. é melhor (futuros +0,4%), onde a tecnologia se animará um pouco com os resultados e guidances de Salesforce e OKTA, empresas que temos nas nossas Carteiras Top Seleção EUA e Temática de Cibersegurança (em espanhol), respetivamente. E é provável que essa inércia modestamente em alta se mantenha até sexta-feira, com as obrigações fixadas em yields que parecem um pouco sobrevalorizadas, o petróleo a subir um pouco amanhã depois da reunião da OPEP+ para depois corrigir, e o USD a apreciar-se e entre 1,05/€. 

 

S&P500 +0,1% Nq-100 +0,3% SOX -0,4% ES-50 +0,7% IBEX +1,2% VIX 13,3% Bund 2,08% T-Note 4,24% Spread 2A-10A USA=+6pb B10A: ESP 2,79% PT 2,53% FRA 2,93% ITA 3,26% Euribor 12m 2,356% (fut.1,960%) USD 1,051 JPY 157,7 Ouro 2.644$ Brent 73,9$ WTI 70,2$ Bitcoin +0,6% (96.575$) Ether +1,1% (3.705$). 

 

FIM

Alexandre Schwartsman

 Governo escolheu o populismo econômico e deve colher derrota eleitoral’, diz Alexandre Schwartsman


Na avaliação do ex-diretor do BC, governo não tem a intenção de promover um ajuste fiscal, o que deve levar a uma piora da economia brasileira nos próximos meses



Entrevista comAlexandre SchwartsmanEx-diretor do Banco Central e consultor da A.C. Pastore


Ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman avalia que o ritmo de crescimento da economia brasileira — o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,9% no terceiro trimestre — não é sustentável, dado que os bons números da economia têm sido impulsionados pelo consumo.


“E de onde vem o crescimento do consumo? Vem, principalmente, do aumento das transferências do governo federal para as famílias”, afirma Schwartsman, consultor da Pinotti & Schwartsman Associados e colunista do Estadão. “A política fiscal tem estimulado o consumo. Consome-se mais, e a economia reage, mas reage de uma maneira desigual.”


Em entrevista concedida ao Estadão, Schwartsman avalia que o governo Lula não tem a intenção de promover um ajuste fiscal, uma vez que isso evitaria medidas “politicamente custosas”. No entanto, essa postura abre um cenário mais difícil para a economia brasileira, com uma combinação de endividamento crescente, aumento dos juros e alta da inflação.


“O meu comentário sobre o pacote é que não fizeram mais porque têm receio de derrota eleitoral. Entre a derrota eleitoral e o populismo, eles escolheram o populismo. E vão colher uma derrota eleitoral”, afirma. “Tem muito o que piorar. Esse é o problema”


A seguir os principais trechos da entrevista.


Como o sr. avalia o quadro da economia?



O ritmo de crescimento está forte. Você pode dizer que é um resultado positivo. Seria positivo se fosse sustentável, mas ele tem dado todas as indicações de que não é um crescimento que vamos conseguir manter indefinidamente. Primeiro, é um crescimento, do ponto de vista de demanda, liderado pela expansão do consumo. Se analisarmos o que aconteceu ao longo do ano ou no último trimestre, o consumo responde por mais ou menos uns dois terços do aumento da demanda doméstica. É o que está empurrando o PIB. É muito uma história sobre crescimento do consumo. E de onde vem o crescimento do consumo? Vem principalmente do aumento das transferências do governo federal para as famílias, como as da Previdência, do Bolsa Família, do BPC (Benefício de Prestação Continuada), do abono, do seguro-desemprego. A política fiscal tem estimulado o consumo. Consome-se mais, e a economia reage, mas reage de uma maneira desigual.


O que seria essa maneira desigual?



O lado dos serviços está crescendo bem mais do que o lado da indústria. Se a gente for analisar nos últimos 12 meses ou ao longo do ano, quem está crescendo de maneira mais vigorosa é o segmento de serviços. As diferenças de ritmo nem são tão grandes, mas, como o setor de serviços é muito maior do que a indústria, ele representa 80% do crescimento do valor adicionado no País nos três primeiros trimestres do ano sobre o final de 2023. Então, basicamente, esse crescimento se traduz em expansão do setor de serviços. Por uma razão muito simples: serviços não podem ser importados. Se você está consumindo mais serviço, tem de produzir mais serviços. Tudo bem, se há mão de obra disponível, uma taxa de desemprego super alta, você pode aumentar tanto a produção de serviço quanto a industrial.


Mas não é o caso…



Estamos com uma taxa de desemprego apertada. Obviamente, então, há um crescimento maior de serviços e um crescimento menor na indústria. Como a gente faz a diferença? Essa diferença vira um aumento da importação, que também aparece nas contas nacionais. Basicamente, esse crescimento da demanda tem pressionado as importações, por um lado, e tem pressionado o hiato do produto (diferença entre PIB potencial e efetivo que, quando é positiva, gera inflação). A taxa de desemprego vem caindo, e a inflação acelera. O que falei no começo do ano continua valendo. Crescer mais do que 3% vai dar problema, e estamos vendo os problemas agora. Não é por outro motivo que o Banco Central está subindo os juros.


E até qual patamar o BC pode subir os juros num cenário que se agravou nas últimas semanas, com desvalorização adicional do câmbio e a incerteza fiscal?



A nossa cabeça é que vai até 13 e pouco, 13,25%, o que provavelmente não vai ser suficiente para fazer a inflação convergir para a meta. Nesse momento, o objetivo do Banco Central é não deixar a inflação escapar muito dos 4,5%. Ela vai estourar o limite agora em dezembro. Provavelmente, ao longo da primeira metade do ano que vem, ela permanecerá acima disso. A briga do Banco Central é, essencialmente, não deixar esse negócio escorregar ainda mais.



E qual a avaliação do pacote fiscal apresentado pelo governo? Um avanço apenas das medidas de contenção de gastos não pode ajudar a melhorar o humor?



São várias coisas. O pacote é nitidamente aquém do que a gente precisa. A gente precisaria melhorar o resultado primário em cerca de R$ 300 bilhões. Mas o pacote não corta R$ 70 bilhões? Não, ele não corta. Em 2025, você gastaria R$ 30 bilhões a menos do que está previsto na lei orçamentária; em 2026, seriam R$ 40 bilhões a menos do que está previsto. Dado que há um aumento de gastos no meio do caminho, não estamos cortando gasto nenhum. Estamos só limitando o ritmo de aumento. Concretamente, não temos maiores progressos no que diz respeito a produzir uma trajetória de resultados primários que evitassem que a dívida continuasse a crescer. A dívida vai continuar a crescer. Nesse aspecto, o pacote é ruim. E isso dando de barato que as medidas que foram divulgadas passarão todas, o que dificilmente vai ser verdade, porque, dentre elas, têm, por exemplo, as emendas parlamentares. Estão propondo cortar em torno de R$ 6 bilhões, R$ 7 bilhões por ano. Não sou diplomado em ciência política, mas algo me diz que isso não vai voar. Provavelmente, o pacote vai sair ainda menor do que foi proposto.


O País, então, caminha para um endividamento crescente. Vamos ver mais uma rodada de desvalorização dos ativos?



Essa pressão acaba se materializando principalmente em câmbio e inflação. Acho que aí é que a coisa vai acabar pegando. Vamos ter de conviver com um dólar caro e isso repercute sobre inflação. Tem um pedaço da desvalorização que ainda não teve tempo de impactar preços. E não era muito clara para os formadores de preços, de maneira geral, quanto da desvalorização era permanente e quanto era temporária. Acho que a maior parte disso é, de fato, permanente. E aí o repasse é bem maior.


Vamos ver números piores de inflação?



Acho que vamos. Vão ter ali alguns acidentes no meio do caminho. Janeiro vai ter um número bom porque entra o bônus de Itaipu (R$ 1,3 bilhão do bônus deverá ser utilizado com objetivo de reduzir a tarifa de energia). Mas, se for olhar os núcleos de inflação, eles já vão estar carregados ainda um pouco mais. Então, é mais inflação, mais juro. Vamos ter que conviver com isso.


E como o governo entrega a economia em 2026, ano eleitoral?



Já vai entrar numa situação bem delicada. É isso que eles não se deram conta. O meu comentário sobre o pacote é que não fizeram mais porque têm receio de derrota eleitoral. Entre a derrota eleitoral e o populismo, eles escolheram o populismo. E vão colher uma derrota eleitoral - para parafrasear o Churchill. Está longe ainda. Tem muito o que piorar. Esse é o problema.


Reverter essa dinâmica de piora é possível ou o governo perdeu uma janela de oportunidade?



A janela está aí. Se quiserem fazer, sim, há como. A minha dúvida maior é: eles querem fazer? A minha impressão é que não. Qual é a minha leitura daquela maluquice do Imposto de Renda? De uma forma ou de outra, não teria um impacto no curto prazo ou, pelo menos, no ano que vem, mas por que ficamos preocupados com isso? Porque, basicamente, sinaliza o desconforto que esse governo tem para fazer qualquer espécie de ajuste fiscal. Claramente, eles não querem fazer isso. Não querem porque têm medo que as medidas que teriam de fazer, como mexer no reajuste do mínimo, nos pisos de saúde e educação, são politicamente custosas. Eles não querem fazer isso. Está mais do que claro.


https://www.estadao.com.br/economia/entrevista-alexandre-schwartsman-populismo-economico-derrota-eleitoral/

BDM Matinal Riscala 0412

 *Rosa Riscala: PIB leva mercado a projetar Selic de 15%*


… Enquanto incertezas geopolíticas na Coreia do Sul e Oriente Médio mantêm a pressão no cenário externo, o Parlamento francês deverá aprovar hoje voto de desconfiança ao primeiro-ministro, Michel Barnier. Nos EUA, mais um dado de emprego, a pesquisa ADP sobre o setor privado, antecipa as expectativas para o payroll (6ªF), que poderá fechar consenso sobre um novo corte do juro pelo Fed na próxima semana. Os investidores também esperam que Powell, que fala às 15h45, possa ajudar nessa aposta. Aqui, tem Haddad debatendo o Equilíbrio na Política Econômica, no site Jota (11h). Na agenda, a produção industrial deve desacelerar, após a forte expansão de 1,1% em setembro. Nesta 3ªF, o PIB/3Tri levou a curva de juros a projetar Selic de 15%, ampliando os receios de inflação com o dólar a R$ 6.


… A economia cresceu 0,9% ante o 2Tri, para nível recorde da série do IBGE, e pouco acima da mediana das estimativas (0,8%).


… Pelo lado da demanda, o principal impulso veio do consumo das famílias (+1,5%), que também atingiu máxima inédita no período, com a melhora do mercado de trabalho. Sob a ótica da oferta, o PIB de serviços (0,9%), do mesmo modo, registrou pico histórico.


… O IBGE ainda revisou para cima o crescimento do PIB de 2023 (de 2,9% para 3,2%) e do primeiro trimestre deste ano (1% para 1,1%).


… Mas, no mercado, o PIB foi recebido como mais um fator de pressão sobre a inflação e os juros, já bastante pressionados.


… Como apurou a jornalista Denise Abarca (Broadcast), a avaliação geral é de que o BC deverá revisar para cima as suas estimativas para o hiato do produto e, com isso, será inevitável acelerar o ritmo de aperto da taxa Selic.


… Para Helena Veronese (B.Side Investimentos), o cenário fiscal “muito ruim” somado ao PIB forte transformou a alta de 50 pbs da Selic num “risco de cauda”. Ela espera pelo menos duas elevações de 75 pontos-base nas próximas reuniões e Selic terminal de 13,25%.


… A economista não vê ainda a economia em dominância fiscal, que já é debatida no mercado, porque acredita que o aperto do juro será eficiente para esfriar a atividade e o emprego, e diz que “o grande risco é o dólar a R$ 6, que deve entrar nos preços daqui a pouco”.


… Na sequência da divulgação do PIB, bancos e instituições revisaram para cima as estimativas para o crescimento do PIB de 2024, como o BTG Pactual (3,2% para 3,3%), o Goldman Sachs (3,1% para 3,4%) e o Ibre/FGV (3,4% para 3,5%).


… Outras casas, como BofA, Itaú e XP incorporaram viés de alta às projeções, por ora, mantidas em 3%, 3,2% e 3,4%, respectivamente.


… Pesquisa da Agência Estado indicou alta na mediana para o PIB de 2024, que passou de 3,2% para 3,3%, mas desaceleração para o 4Tri na margem, com as projeções variando de uma queda de 0,1% a crescimento de 1%. A mediana ficou em 0,3%.


… Já para 2025, a mediana do PIB passou de 1,9% para 2,0%, com estimativas entre 1,5% e 3,0%.


… Em evento de fim de ano do Bradesco, o presidente do conselho, Luiz Carlos Trabuco, disse que a expansão do PIB pode perder força à frente, por conta da tendência de juros subindo mais, o que afeta a atividade.


… Mas ele acredita que os investimentos já contratados e planejados pelas empresas podem ajudar a manter um PIB “razoável” em 2025.


… Trabuco disse que a forte piora do mercado, após a divulgação do pacote fiscal, é um “sinal de alerta” para Brasília sobre a necessidade de o ajuste prosseguir. Ao mesmo tempo, declarou que o juro futuro mais alto já tem repercussões e afeta negócios.


… Para o executivo, o pacote fiscal apresentado pelo governo não foi “tímido”, mas poderia ter impacto maior se o governo não tivesse anunciado junto com a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.


… Já a Febraban divulgou nota após o PIB, alertando que é preciso criar as condições para que o BC não precise aumentar os juros para nível ainda mais elevado, o que poderia inibir o processo de crescimento econômico e a retomada dos investimentos.


… “Não podemos desperdiçar outra chance”, afirma a entidade, ao se referir à necessidade de um plano fiscal “crível e consistente”.


URGÊNCIA – O líder do governo na Câmara, José Guimarães, protocolou ontem à noite dois requerimentos de urgência para o pacote fiscal proposto pelo governo. As urgências já tinham sido pautadas para a sessão dessa 3ªF pelo presidente Arthur Lira.


… Mas há resistência dos líderes para assinar os requerimentos, já que estão insatisfeitos com as exigências do STF sobre a execução das emendas parlamentares. Consideram que Flávio Dino extrapolou em relação ao acordo fechado entre o Executivo e o Legislativo.


… Nesta 3ªF, o Planalto autorizou a liberação de quase R$ 8 bilhões de emendas. Ainda faltam mais R$ 8 bilhões que estavam travados. As liberações devem acontecer ainda em dezembro, desde que cumpridas as exigências de transparência nas emendas Pix e de comissão.


… As urgências dizem respeito a um projeto de lei ordinária e um projeto de lei complementar, que definem mudanças do salário mínimo e do BPC. O governo também precisa aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), cuja tramitação ainda está incerta.


… Em uma das medidas da PEC, a nova Desvinculação de Receitas da União (DRU), com duração até 2032, tem potencial de quadruplicar a fatia orçamentária de receitas que é desengessada com a medida, segundo apurou o Broadcast.


… O texto deve ampliar os efeitos da DRU vigente, de R$ 10,6 bilhões, para R$ 44,3 bilhões no próximo ano.


… O Congresso tem apenas três semanas para aprovar as medidas ainda neste ano.


MAIS PIB, MENOS SALÁRIO – A revisão do PIB/2023, de 2,9% para 3,2%, aumentará de R$ 11,9 bilhões para R$ 15 bilhões a projeção de economia de gastos gerada pela nova regra de reajuste do salário mínimo entre 2025 e 2026, apurou a Folha.


DOU EXTRA – O presidente Lula encaminhou ao Senado as indicações dos nomes dos novos diretores do Banco Central que assumirão em janeiro de 2025, em mensagens publicadas em edição extra do Diário Oficial da União desta 3ªF.


… Estão confirmadas as indicações de Nilton David à diretoria de Política Monetária, Izabela Correa para a diretoria de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, e de Gilneu Vivan para a diretoria de Regulação do Sistema Financeiro.


RELATÓRIO DA TRIBUTÁRIA – Senador Eduardo Braga (MDB), relator do projeto de regulamentação da reforma tributária, prometeu após reunião com Haddad todo esforço para apresentar o seu texto hoje na sessão da CCJ do Senado, prevista para as 10h.


MAIS AGENDA – O IBGE divulga às 9h a produção industrial de outubro, que deve ficar praticamente estável (+0,1%) na comparação mensal, depois da forte alta de 1,1% em setembro, segundo a mediana de pesquisa Broadcast.


… Mas o intervalo das estimativas para o dado do IBGE é grande: vai de -0,7% a +1,5%. Na comparação com out/23, a produção deve crescer 6% (as projeções variam de 3,2% a 7,8%). Às 14h30, o BC informa o fluxo cambial semanal.


… Lula e Haddad se reúnem às 9h. A pauta do encontro não foi informada. Rui Costa e Lupi também participam.


LÁ FORA – Nos EUA, o relatório ADP, às 10h15, deve apontar a criação de 165 mil vagas de emprego em outubro no setor privado, marcando uma desaceleração contra novembro, quando 223 mil postos de trabalho foram abertos. 


… A agenda americana conta ainda com o Livro Bege (16h), o PMI/S&P Global composto de novembro (11h45), o PMI/ISM de serviços (12h) e os estoques de petróleo do DoE (12h30), com previsão de -1,2 milhão de barris.


… Às 10h45, o presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, participa de simpósio.


… Na Europa, Lagarde (BCE) discursa às 10h30 e Andrew Bailey (BoE) fala às 6h. Entre os indicadores, a leitura final de novembro do PMI/S&P Global composto sai na Alemanha (5h55), zona do euro (6h) e Reino Unido (6h30).


AFTER HOURS – Salesforce chegou a disparar 6% no pregão estendido com a receita do 3Tri fiscal (US$ 9,44 bilhões) acima do esperado (US$ 9,35 bilhões), mas praticamente zerou a euforia (+0,13%) até o fechamento dos negócios.


… O lucro líquido de US$ 1,53 bilhão no período, com ganho diluído por ação de US$ 2,41, veio acima dos US$ 2,11 por ação reportados há um ano, mas abaixo da expectativa dos analistas do mercado financeiro, de US$ 2,44.


CHINA HOJE – A atividade do setor de serviços continuou expandindo em novembro, embora a um ritmo menor. Segundo o PMI/S&P Global, o indicador caiu a 51,5, de 52,0 em outubro, mas superou o esperado (51,2).


… Já o PMI composto cresceu de 51,9 em outubro para 52,3 em novembro, graças ao impulso da atividade industrial, no maior nível (51,5) desde junho.


JAPÃO HOJE – A atividade econômica do país passou de contração a expansão de outubro para novembro. O PMI composto medido pela S&P Global e pelo Jinbun Bank subiu de 49,6 para 50,1 no período.


…  O PMI de serviços avançou de 49,7 para 50,5, agora também em território de expansão.


SELIC É PALIATIVA? – Relatório assinado por estrategistas do JPMorgan ressalta que, para frear a deterioração do câmbio e do DI, um aperto monetário agressivo pelo BC pode não ser suficiente sem uma “consolidação fiscal”.


… Diante do risco de que os mercados brasileiros entrem em um “ciclo vicioso”, com o real depreciado alimentando as expectativas de inflação, o banco passou a apostar em alta dos contratos futuros de juro para janeiro de 2026.


… Ontem, a curva voltou a disparar e consolidou a aposta de que o Copom terá de responder com alta de 0,75pp da Selic ao efeito em cascata do contexto atual, na incerteza fiscal que puxa o dólar, que puxa a inflação e por aí vai.


… O PIB rodando alto, como se viu, só fez ampliar a pressão por um ciclo de aperto mais agressivo do juro. A LCA elevou a projeção de Selic terminal de 12,75% para 13,00% (+0,75pp em dezembro e janeiro e 0,25pp em março).


… Na tentativa de aplacar a tensão nos negócios, o Tesouro reduziu a oferta de NTN-B no leilão de ontem. O lote de 600 mil foi absorvido integralmente, mas a taxas muitos elevadas, com o governo pagando caro para se financiar.


… “O resultado de um leilão horroroso desse deveria fazer o governo pensar como está comandando a política econômica”, escreveu o especialista em renda fixa e professor Alexandre Cabral em seu perfil na rede social X.


… Os leilões de títulos públicos realizados em novembro renderam ao Tesouro R$ 73,3 bilhões, o segundo menor volume do ano, segundo a Warren Investimentos, ficando atrás somente do mês de junho (R$ 69 bilhões).


… “A oferta de títulos prefixados, que já vinha sendo comedida nos meses anteriores, caiu ainda mais, representando o menor volume no ano. Isso decorreu da dinâmica bastante negativa do mercado de juros”, analisou o estrategista-chefe Sérgio Goldenstein.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 13,995% (de 13,880% no pregão anterior); Jan/27 subia para 14,260% (de 14,085%); Jan/29, a 14,105% (de 13,865%); Jan/31, a 13,920% (13,680%); e Jan/33, 13,770% (13,540%).


… Apesar de a curva do DI estar projetando a taxa de juro básico em 15%, “no mundo real, talvez a Selic não tenha de chegar a tanto”, acredita o presidente do conselho do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que vê exagero no mercado.


… “Podemos estar em um momento de overshooting do câmbio e juros”, avalia o executivo.


… Seja como for, o dólar não dá maior sinal de cansaço. Tudo o que caiu ontem foi 0,16%, mesmo depois de ter disparado 4,5% no acumulado dos cinco pregões anteriores. Continua invicto acima de R$ 6, cotado a R$ 6,0584.


… O BTG elevou a projeção para a taxa de câmbio no fim deste ano de R$ 5,50 para R$ 5,90 e passou a estimar dólar em R$ 5,80 no fim de 2025. Segundo o banco, o pacote fiscal provocou desancoragem do comportamento do real.


… Pelos modelos do BTG Pactual, não fosse o ruído nas contas públicas, a moeda americana estaria em R$ 5,43.


SELEÇÃO NATURAL – Sob o peso dobrado do fiscal e das incertezas sobre os impactos do governo Trump, novembro foi mais um mês de fuga do capital estrangeiro da B3, completando três meses consecutivos de “bye bye Brasil”.


… As retiradas de k externo vêm escalando: em setembro, houve saída de R$ 1,671 bilhão; em outubro, o Brasil perdeu mais R$ 2,5 bilhões; e novembro fechou negativo em R$ 3,051 bilhões. No ano, já são -R$ 33,813 bilhões.


… O apetite gringo vem caindo, como se percebe pelo rebaixamento recente das recomendações do País pelo Morgan Stanley (underweight) e pelo JPMorgan e Julius Baer, de overweight, equivalente a compra, para neutra.


… O Goldman Sachs também se mantém seletivo e tem preferido o Chile (overweight) e o Peru (marketweight) ao Brasil, Colômbia e México (underweight), comprovando que a economia doméstica desperta desconfiança. 


… Mas, pelo menos ontem, o Ibovespa testou uma reação e conseguiu retomar os 126 mil pontos, resistindo à pressão do câmbio e do DI. Fechou com alta de 0,72% (126.139,20 pontos) e volume financeiro de R$ 21,7 bilhões.


… Depois de caírem em bloco e com força na véspera, os bancos tiveram uma sessão mais favorável. Santander subiu 2,39% e fechou na máxima do dia, em R$ 25,29. BB avançou 1,22% (R$ 24,87) e Itaú ganhou 1,12% (R$ 32,48).


… Já Bradesco ON fechou estável (+0,09%, em R$ 10,98) e Bradesco PN cedeu 0,32%, a R$ 12,30.


… No pano de fundo defensivo com o fiscal e a Selic, Petrobras teve ganho bem menos expressivo que o petróleo Brent (+2,49%, a US$ 73,62). Petrobras ON subiu 0,12% (R$ 42,78) e PN avançou 0,89%, a R$ 39,50, máxima do dia.


… Desvalorização do dólar e expectativa de que a Opep+ adie por mais alguns meses seu plano de retomar a produção do petróleo elevaram o preço da commodity.


… Já Vale fechou na mínima intraday, em R$ 58,47 (-0,76%), a despeito da alta de 1,5% no preço do minério de ferro em Dalian. O Investor Day da companhia em NY não empolgou.


… No evento, a mineradora atualizou suas projeções e, agora, estima uma produção de 328 milhões de t de finos de minério de ferro em 2024. No Vale Day de 2023, a estimativa era de 320 milhões de t.


… O CEO Gustavo Pimenta não antecipou possíveis dividendos para o futuro, por causa da reparação dos danos em Mariana e Brumadinho. Mas sinalizou que o pagamento mínimo está garantido.


… Ainda no Ibov, Brava Energia saltou 9,05% (R$ 21,08), na expectativa da retomada do campo Papa Terra e o início da operação do FPSO Atlanta.


… Caixa Seguridade subiu 4,55% (R$ 14,95), após melhora da recomendação de neutra para compra pelo Citi. Outros destaques positivos foram BB Seguridade (+4,19%; R$ 35,04), Ambev (+4,53%; R$ 13,85) e BRF (+4,48%; R$ 26,33). 


… As maiores perdas foram de Petz (-4,09%; R$ 4,22), Embraer (-2,66%; R$ 56,08) e Eztec (-2,53%; R$ 11,93).


EM MODO ESPERA – Bolsas, dólar e juros tiveram oscilações discretas em NY, de olho nas tensões geopolíticas globais e com o mercado na expectativa dos dois eventos mais importantes da semana: Powell e o payroll.


… Ambos devem dar uma ideia mais clara do que virá na próxima reunião do Fomc, semana que vem.


… No FedWatch, do CME, as projeções para um corte de 25pb em dezembro subiram de 61% para 71% ontem, mesmo depois do Jolts forte.


… O relatório mostrou que havia 7,744 milhões de vagas de trabalho abertas nos EUA em outubro, acima dos 7,372 milhões em setembro e da expectativa do mercado, de 7,44 milhões.


… Em discurso ontem, Mary Daly (Fed San Francisco) disse que o mercado de trabalho e a economia vão bem, mas que um novo corte de juros em dezembro “definitivamente não está fora de cogitação”.


… A diretora do Fed Adriana Kugler defendeu que a última leitura do PCE é consistente com uma inflação caminhando para a meta de 2%, mas quer ver mais dados antes de decidir cortar os juros.


… Em NY, o S&P 500 fechou praticamente estável (+0,05%), mas o suficiente para anotar o 55º recorde de fechamento do ano, em 6.049,88 pontos. O Nasdaq ganhou 0,40%, aos 19.480,91 pontos, também recorde.


… O Dow Jones caiu 0,17% (44.705,53 pontos).


… Wall Street se absteve de apostas mais arriscadas em meio à intensa volatilidade dos ativos sul-coreanos, após o presidente Yoon Suk Yeol decretar lei marcial. Horas depois, voltou atrás após o Parlamento rejeitar a decisão.


… Ainda no campo geopolítico, Israel e Hezbollah fazem acusações mútuas de ataques, ameaçando romper o acordo de cessar-fogo. O ministro da Defesa, Israel Katz, alertou que o país pode retomar os ataques ao Líbano.


… O iene subiu 0,16%, a 149,62/US$, se beneficiando da busca por segurança após a lei marcial na Coreia.


… Na França, o imbróglio político em torno do orçamento não impediu a estabilidade do euro (+0,03%), em US$ 1,0511. A libra também ficou quase no zero a zero (+0,09%), em US$ 1,2673.


… Em meio às oscilações estreitas de seus principais pares, o índice DXY fechou estável em 106,365 pontos (-0,08%).


… Nos Treasuries, em movimento defensivo, os retornos chegaram a cair em bloco com o evento sul-coreano, mas ao fim do dia, os vencimentos mais longos voltaram a subir.


… O rendimento da note de 2 anos caiu a 4,173%, de 4,184% na sessão anterior, e o da note de 10 anos subiu a 4,226% (de 4,194%). O do T-bond de 30 anos avançou a 4,408% (de 4,357%).


EM TEMPO… PRIO informou que a produção de petróleo atingiu 76.896 boepd em novembro, recuo de 2,9% em relação a outubro, segundo dados preliminares.


IGUATEMI negocia empréstimo-ponte para compra de shoppings Paulista e Higienópolis, da Brookfield, segundo fontes do Broadcast…


… A companhia tem um acordo de exclusividade para negociar a aquisição dos ativos, cujo prazo está perto do fim.


TENDA aprovou a distribuição de R$ 21 milhões em dividendos intercalares. A soma é equivalente a R$ 0,1706 por ação ordinária da empresa. O pagamento será feito em 6 de dezembro. Ex em 9 de dezembro.


OI concluiu venda de itens do Acervo Torres Selecionadas à American Tower do Brasil (ATC) por R$ 1 milhão; negócio tinha sido anunciado em 18/10.


INTERCEMENT entrou com pedido de recuperação judicial na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo.


COELBA, subsidiária da Neoenergia, aprovou a 19ª emissão de debêntures simples no valor total de R$ 790 milhões. O prazo de vencimento será de seis anos.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...