segunda-feira, 16 de março de 2026

O Agente Secreto

 O cinema deve ser uma manifestação livre da arte. 


Ao diretor cabe dominar todo o processo, do produtivo, ao criativo, no acabamento e nos seus últimos e mínimos detalhes. 


Qdo se age de forma arrogante, sem a preocupação de explicar ao expectador, acaba-se perdendo sentido. 


O bom cinema é uma história bem contada. Em O Agente Secreto, há momentos em q achamos q o cinema vai engrenar. Outros, nem tanto.


Qdo o personagem, Marcelo, está indo para o Recife, passa por um posto e se "confronta" com um "presunto", estirado há três dias.


 Nada de polícia, de IML...está lá. Como o filme transcorre em 1977, logo se associa com os "matadores" ou o esquadrão da morte (Escuderie le Cocq). Naquela época, estava no seu ápice, mas isso existe até hje. 


Acaba q o ator chega a uma comunidade de refugiados, meio q fugindo de um empresário inescropuloso e corrupto. 


Não há tanto link com a ditadura, mas para bom entendedor....


Tudo isso me incomoda, pq diretor de esquerda gosta de falar das mazelas históricas da ditadura, mas e nos anos recentes com o ciclo petista? 


Sobre isso, predomina o silêncio. 


O PT também mandava e manda matar...era e é extremamente corrupto. 


Sobre isso, paira o silêncio. Chato isso.


Seria uma banalidade do mal...a história do tubarão e a perna 🦵 é outro devaneio do diretor. 


O q tem a ver com o fio condutor da história? Talvez por toleramos viver numa sociedade violenta e desigual.


Ao fim, parece q boa parte dos críticos de LA não gostou ou não entendeu o filme. 


Fica a dica. Façam cinema para todos, não para as suas panelas ou o próprio umbigo.

Editorial OESP

 🇧🇷 *Editorial: Um país cansado de Lula- Estadão*


Uma série de pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias abalou a autoestima sempre elevada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus sabujos no Palácio do Planalto e no PT. Depois de alguns meses de euforia – sobretudo após o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil e a aproximação cautelosa entre o presidente americano e o brasileiro –, ficou claro que os tropeços lulopetistas estancaram a aprovação de Lula e de seu governo. Em paralelo, Lula e o PT assistem à perigosa consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial.


Embora oscilações nas pesquisas sejam comuns quando a eleição ainda está distante das preocupações cotidianas do eleitor, o problema de Lula parece ser de outra ordem. E mais grave. O flagelo presidencial, a esta altura, tem relação com um dado mais profundo: o Brasil se mostra cansado de Lula.


Levantamentos diferentes convergem para o mesmo quadro, segundo o qual a desaprovação supera a aprovação. Na Genial/Quaest, 51% desaprovam o governo e 44% o aprovam. Na Ipsos-Ipec, a relação é semelhante: 51% a 43%. No levantamento Meio/Ideia, 50,5% a 47,2%. O Datafolha também registra deterioração, com a avaliação negativa subindo de 37% para 40%, contra 32% de positiva. Parece mais do que tropeço. Trata-se de um ambiente político aparentemente consolidado, mais profundo do que crises passageiras.


O avanço de Flávio Bolsonaro ajuda a ilustrar esse quadro. O filho “zero um” de Jair Bolsonaro exibe números consistentes nas simulações de primeiro turno e também em cenários de segundo turno contra Lula. Parte disso se explica pela delegação simbólica do sobrenome junto ao eleitorado conservador. Mas isso não explica tudo. Seu crescimento decorre muito mais da fadiga com Lula do que de entusiasmo com o projeto que Flávio Bolsonaro representa.


O núcleo duro do bolsonarismo permanece relativamente estável e minoritário, girando em torno de 20% do eleitorado. Há estimativas que apontam 25%; outras sugerem algo perto de 15%. Trata-se, em qualquer caso, de um grupo mobilizado, mas distante de constituir maioria social. Quando pesquisas registram intenções de voto acima desse patamar, convém perguntar de onde vêm os pontos adicionais. A explicação mais plausível é simples: voto de rejeição ao lulopetismo.


Parte relevante desse apoio pertence ao desgaste acumulado de Lula. O presidente chega ao terceiro mandato depois de décadas de protagonismo lulopetista no poder. O eleitor conhece bem esse projeto, suas promessas e limites. O governo atual reforça essa percepção ao reproduzir vícios conhecidos: populismo, baixa ambição reformista e prioridade constante à preservação do poder.


Crises pontuais podem surgir e desaparecer. Polêmicas econômicas mal conduzidas ou gestos simbólicos mal calibrados produzem irritação momentânea. O que pesa agora é algo mais profundo: a sensação de saturação que surge quando um projeto político parece ter esgotado sua capacidade de oferecer algo novo.


Cansaço político não se resolve com anúncios ou discursos. Ele nasce da percepção de que o governante já mostrou tudo o que tinha a mostrar. No caso de Lula, isso pesa mais. Depois de três mandatos e décadas de protagonismo, o espaço para reinvenção é limitado.


Ao mesmo tempo, isso não significa que o Brasil esteja pronto para abraçar novamente o bolsonarismo diante da fadiga com Lula. O sobrenome Bolsonaro ainda desperta resistências em parte da sociedade. O País pode estar cansado de Lula, mas isso não implica adesão automática a essa alternativa. Forma-se, assim, um impasse: uma parcela relevante do eleitorado parece não desejar nem a continuidade de um ciclo político esgotado nem o retorno a experiências recentes marcadas por instabilidade, inépcia e golpismo.


Para Lula, o desafio é mais complexo. Crises específicas podem ser superadas. Cansaço estrutural, não. Mesmo que o presidente preserve capacidade eleitoral – e jamais se deve subestimar sua habilidade de convencer incautos no momento do voto –, cresce a sensação de que seu ciclo político se esgotou. E quando uma sociedade chega a esse ponto, a reversão raramente é simples. Senão impossível.

Fernando Cavalcante

 MORREU LO PRETE (ou COISA DE VELHO)


Refleti sobre se escreveria ou não esta crônica.


Pois, como sempre apreciei e tenho amigos mais velhos, a tendência é haver cada vez mais semelhantes. (E, deveras, têm se sucedido ultimamente.) E não desejo que esta página se torne um obituário.


Mas Lo Prete merece. Era uma figuraça! Vou lhes contar.


Era siciliano. Veio a Recife nos anos 40 ou 50 do século passado, com muita cultura e pouco dinheiro.


Botou uma banca de revistas na Rua da Concórdia, e prosperou. Mas, contrariamente ao nome, teve que se mudar devido a conflitos políticos. Eram os anos anos 1970, de polarização semelhante à atual. (Lo Prete era comunista convicto, desses que REALMENTE leram "O Capital".)


Aí foi para a 7 de Setembro, juntinho da lendária livraria Livro 7. Ambiente perfeito para boêmios intelectuais comunistinhas feito ele.


E manteve, durante 2 décadas, seu reduto de prelo e doutrinação.


Lo Prete não era comunista de teoria. Deixava todos os "lascados" lerem os livros que quisessem em sua banca. (Só os obrigava a fazê-lo desconfortavelmente em pé.)


Também dava comida a todos os cachorros, gatos e mendigos que aportassem lá. (Fazia isso de maneira rude, esculhambando. Mas fazia.)


Era também um mentiroso terrível. Dizia-nos os maiores absurdos, e, se a gente não fingisse acreditar, ficava indignado.


Aos 60 anos, garantiu ter 85. Também jurou ter sido amigo íntimo de Caruso e de Gramsci.


Enviuvou aos 50 e poucos de Dona Carmella, e quase imediatamente casou com Zefinha, pernambucana da gema, cabocla e sestrosa.


Ela parecia vender saúde, mas morreu no parto do segundo filho que Lo Prete ia ter.


A tragédia o abateu ao ponto de só expor os livros e revistas, não mais sua pessoa. Deixou um rapaz de sua confiança "mostrando a cara" na administração dos negócios. Só íntimos, feito eu, tinham acesso pessoal a ele.


Na época, eu era de Esquerda. E ele me apreciava muito.


Previa que eu teria muita ascendência social, e achava que seria um ótimo incubador da Revolução (comunista).


(E teria sido mesmo, se não tivesse descoberto a DESGRACA que é o comunismo.)


Ficou perplexo, indignado e revoltado quando soube que eu pretendia votar no Bolsonaro.


Mandou me chamarem. Fui lá, mesmo achando que seria infrutífero e constrangedor.


Deveras, num italiano "raiz" (retirado de sua juventude, com certeza), que eu mal conseguia entender, ele me pediu que não "traísse" a causa proletária.


Tive pena daquele anarquista moribundo, e menti. Ele morreu feliz. Iludido de que eu ainda ia lutar pela Revolução.


Depois da cremação, perguntei a seu único filho se manteria a banca. Ele me olhou como se tivesse dito um absurdo, e respondeu-me: "Claro que não! Banca de revista é coisa de velho!"


Coisa de velho...


Talvez eu, na minha quinta década de vida, já esteja velho, sem perceber.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Copom vai ser com emoção*


Semana ainda tem reuniões do Fed, BCE, BoE, BoJ e PBoC


… O conflito no Oriente Médio entra na terceira semana, sem negociações diplomáticas e sob a ameaça de Trump de atacar o Irã “com muita força” nos próximos dias, esvaziando a previsão de que a guerra acabaria “em breve”. O Pentágono estima mais a quatro a seis semanas para completar a missão. A perspectiva de uma ofensiva mais prolongada, que consolida o petróleo acima dos US$ 100 e pressiona a inflação, desperta especulações de última hora de que o Copom limite o corte da Selic na quarta-feira para 25pb ou até mesmo opte por pausa. Não tem aposta de graça. O Fed, que também se reúne na Superquarta, pode adiar para o 4Tri o início do ciclo de desaperto, antes esperado para junho. Ainda o BCE, BoE, BoJ e PBoC podem assumir guidances mais hawkish com a guerra.


ONDA DE REVISÕES – Às vésperas do Copom, na sexta-feira, pelo menos dois grandes bancos (Itaú e BNP Paribas) reduziram a estimativa de queda da Selic, enquanto traders acionaram stop loss com o risco de o juro ficar em 15%.


… A disparada na curva a termo agravou a aversão ao risco na bolsa (abaixo), diante do medo do fim de semana com os potenciais desdobramentos dos ataques contra o Irã, que continua resistindo às investidas dos EUA e de Israel.


… Até então convencido de que o BC abriria o ciclo de relaxamento monetário com meio ponto, o Itaú mudou sua projeção para um ajuste inicial menor, de 0,25pp, diante da incerteza associada à alta relevante do petróleo.


… Paralelamente, “e mais importante”, o banco acredita que o Copom deve deixar claro que está pronto para interromper qualquer ajuste da Selic caso os choques se provem mais persistentes ou maiores do que o antecipado.


… Em apenas duas semanas, a commodity explodiu quase US$ 30, para US$ 103, complicando o balanço de riscos.


… As dúvidas relacionadas à duração do conflito no Irã também apressaram o BNP Paribas a ajustar seu call da Selic de 0,50 ponto para 0,25pp. O banco cita ainda a inflação persistente em serviços e o mercado de trabalho resiliente.


… A surpresa com a recente escalada do petróleo e com o IPCA mais forte do que o esperado em fevereiro (+0,70%) levou o UBS BB a elevar a sua estimativa para o indicador oficial de inflação deste ano de 3,5% para 3,7%.


… O banco calcula que o diesel, isoladamente, tem baixo peso dentro do IPCA e que, neste sentido, o impacto do pacote de medidas anunciado semana passada pelo governo para frear o preço do combustível é desprezível.


… Também o reajuste no diesel anunciado na sexta-feira pela Petrobras tem reflexo marginal no IPCA. Seja como for, se o preço da gasolina subir em torno de 10%, teria potencial de gerar uma pressão de até 0,30 ponto na inflação.


… Depois de 312 dias sem aumento, a Petrobras elevou o preço do diesel em 11,6%, um dia após o governo ter zerado as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o combustível. O litro nas refinarias passa a custar R$ 0,38.


… Nas bombas dos postos de abastecimento, porém, o reajuste será de só R$ 0,06, graças à MP do governo que subvencionará o diesel para produtores e importadores e que deve desonerar o litro do combustível em R$ 0,32.


… A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, aproveitou na sexta-feira para cobrar corte de ICMS pelos Estados para conter alta dos combustíveis. O ICMS representa, em média, 19% do valor final do diesel cobrado nos postos.


… “O governo federal fez sua parte: zerou o PIS/Cofins do diesel e mitigou o aumento necessário (da Petrobras). Os governadores deveriam seguir o exemplo, já que o grande tributo sobre o combustível é o ICMS”, conclamou.


… À Band FM, o ministro Rui Costa afirmou que um acordo sobre a alíquota do ICMS não deve ser feito de forma isolada pelos Estados, mas em conjunto após reunião do Conselho Nacional de Secretários da Fazenda (Comsefaz).


… “Nós não queremos repetir aquela ilegalidade e inconstitucionalidade que foi feita em 2022, onde o governo (Bolsonaro) editou uma norma federal sequestrando dos Estados o valor do ICMS e gerou ação no STF.”


… Naquela ocasião, o Planalto atribuiu a medida ao impacto da guerra na Ucrânia sobre o preço dos combustíveis.


MENOS E MENOR – Os efeitos colaterais do salto do petróleo sobre a inflação e as sinalizações de Trump de que vai intensificar os ataques ao Irã abalam não só as apostas para a Selic agora em março, como para o ajuste total.


… Além de o corte de 0,50 ponto telegrafado lá atrás pelo Copom estar em xeque, o mercado começa a projetar uma redução mais lenta dos juros ao longo do ano. Vale conferir hoje no Focus (8h25) a projeção para o final de 2026.


… Na edição da semana passada, o boletim já incorporou um ajuste em alta da Selic, de 12,00% para 12,13%.


… Faltando só dois dias para a decisão do Copom, ainda a atividade econômica em ritmo aquecido pode entrar como mais uma variável a ser considerada no meio do turbulência desencadeada pelo rali do petróleo sobre a inflação.


… Sai hoje, às 9h, o IBC-Br de janeiro (“PIB do BC”), que deve indicar alta de 0,80%, revertendo a queda de 0,18% observada em dezembro. As estimativas no Projeções Broadcast variam de estabilidade até expansão de 1,3%.


… Diante da recuperação dos principais setores da economia, na comparação anual, o indicador deve continuar crescendo (1,60%), ainda que com fôlego menor do que em dezembro (3,05%). As projeções vão de -0,30% a +3,50%.


… Na grade de parâmetros divulgada na última sexta-feira, a secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda manteve a projeção de alta do PIB deste ano em 2,3% e elevou de 3,6% para 3,7% a estimativa para o IPCA.


… Na elaboração dos cálculos, a SPE considerou um cenário no qual o recente choque nos preços do petróleo é apenas temporário, pressupondo um arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio “nos próximos dias”.


… Hoje, além do IBC-Br e do Focus, saem a prévia do IPC-S e os dados semanais da balança comercial. Amanhã, o IGP-10 de março deve cair 0,28%, após recuo de 0,42% em fevereiro. Na quinta-feira, sai a segunda parcial do IGP-M.


FED & CIA – O consenso é de manutenção das taxas de juros americanas entre 3,50% e 3,75% na próxima quarta-feira, ainda que alguns votos dos “pombos de Trump” a favor de novos cortes nos juros devam aparecer.


… Com a guerra pegando fogo, o Barclays passou a prever só um desaperto monetário este ano, ao invés de dois, e não mais em junho, jogando para setembro. A expectativa de redução em dezembro passou para março de 2027.


… “Nossa mudança reflete uma revisão para cima na perspectiva de inflação do PCE, bem como nos riscos aumentados de alta para a inflação resultantes do conflito com o Irã”, disseram os estrategistas do banco.


… Apesar das incertezas sobre a ofensiva no Oriente Médio, os sinais de desaceleração da economia americana (leia abaixo sobre a leitura do PIB do quatro trimestre) reforçam pelo menos um corte de juros pelo Fed no ano.


… A bateria de decisões de política monetária desta semana inclui, além do Fed, o BCE e o BC inglês (BoE), ambos na quinta-feira, o BoJ japonês, na virada de quarta-feira para quinta-feira, e o PBoC chinês, na noite de quinta-feira.


… No campo dos indicadores econômicos, nada abalará a aposta de juro estável pelo Fed. Na quarta, horas antes da decisão de política monetária e da coletiva de Powell, sai a inflação ao produtor (PPI) americano em fevereiro.


… Hoje, a agenda prevê o índice Empire State de atividade industrial em março (9h30), a produção industrial de fevereiro, com previsão de alta de 0,4%, e o índice NAHB de confiança das construtoras em março.


… Na sexta-feira, o feriado do Dia do Equinócio mantém os mercados financeiros fechados no Japão.


CHINA HOJE – A produção industrial teve expansão anualizada de 6,3% no primeiro bimestre. O resultado ficou acima da previsão de analistas, de alta de 5,5%, e acelerou o ritmo contra dezembro, quando registrou avanço de 5%.


… Já as vendas no varejo chinês cresceram 2,8% em janeiro e fevereiro, na comparação anual. O dado também mostrou aceleração contra dezembro (+0,9%) e ficou acima do consenso no mercado, que era de alta de 1,5%.


BALANÇOS – A Micron divulga seu resultado trimestral na quarta, depois do fechamento dos mercados em NY.


… Aqui, hoje é dia de Natura, Sabesp, Itaúsa e Terra Santa. Amanhã, é a vez da EcoRodovias. A quarta-feira tem CVC, MBRF, Minerva, Petroreconcavo, Positivo e Vivara. Cemig e Cyrela vêm quinta e Fertilizantes Heringer, sexta.


NOTÍCIAS DO FRONT – Apesar da crescente pressão política e eleitoral, Trump afirmou neste domingo que as condições ainda não são boas o suficiente para um acordo com Teerã que coloque um ponto final à guerra.


… Disse ele que os iranianos querem chegar a uma negociação, mas que ele não quer e continuará com sua ofensiva.


… O republicano renovou os apelos para que os aliados internacionais ajudem a garantir a segurança do Estreito de Ormuz e disse que está conversando com sete países para proteger a rota marítima de escoamento de petróleo.


… Entre ele, estão China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. Trump admitiu que algumas nações procuradas preferem “não se envolver” e ameaçou a Otan de um “futuro muito ruim”, se não ajudar a abrir o Estreito de Ormuz.


… De acordo com Trump, os EUA já firmaram parceria com Israel para garantir a segurança do fluxo e navegação.


… O Irã disse que o Estreito está aberto, menos para navios americanos e israelenses.


… Nas negociações eletrônicas deste domingo, o petróleo operava volátil, revezando-se entre altas e quedas moderadas, depois de o barril ter disparado 3% mais cedo com a escalada da violência no Oriente Médio.  


… O Irã alertou para possíveis ataques a alvos em aéreas específicas em Dubai e Doha nas próximas horas.


… Nas últimas 24h, as forças de defesa de Israel disseram ter atingido mais de 200 alvos no Irã, com “milhares” ainda para atingir, e informaram que estão ampliando o escopo, visando agora atingir a infraestrutura do país.


EUA & CHINA – Representantes de Washington e Pequim iniciaram negociações comerciais neste domingo, em Paris, abrindo caminho para a reunião de cúpula entre Trump e Xi Jinping, possivelmente dentro de duas semanas.


… A Casa Branca disse que Trump viajará à China de 31/3 a 2/4, embora Pequim não tenha confirmado oficialmente.


… Na noite deste domingo, porém, o presidente norte-americano ameaçou cancelar a reunião se o governo chinês não ajudar a desbloquear as interrupções no Estreito de Ormuz causadas pelo conflito com o Irã.


… Já o encontro entre Lula e Trump pode ficar para abril ou maio, disseram interlocutores do governo (O Globo).


… Nos bastidores, auxiliares relatam dificuldade de conciliar agendas, além do impacto da crise do Irã no ritmo da diplomacia. Mas não descartam que o encontro ainda possa acontecer agora em março, mês inicialmente previsto.


A DESPEDIDA DE HADDAD – O ministro da Fazenda deve anunciar a sua saída do cargo na quinta-feira para ser substituído pelo secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. O anúncio deve ser formalizado em evento com Lula.


… Durante a 17ª Caravana Federativa, prevista para ocorrer na capital paulista, Haddad deve lançar sua candidatura ao governo de SP, apesar de as pesquisas eleitorais mostrarem o ministro ainda pouco competitivo contra Tarcísio.


… Além de Lula e Haddad, também deve participar da agenda desta semana em São Paulo a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que já confirmou a intenção de disputar uma vaga ao Senado pelo Estado.


VORCARO – Após a Segunda Turma do STF formar maioria, na sexta-feira, para manter a prisão preventiva do banqueiro, ele trocou de advogado e contratou José Luís Oliveira Lima, em estratégia que sugere delação premiada.  


… Oliveira Lima foi advogado de Léo Pinheiro, empreiteiro da OAS, quando ele firmou acordo de delação na Lava Jato. Ele defendeu também o ex-ministro José Dirceu na época do escândalo do mensalão, em 2012.


… Representou ainda o general Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro, no processo da tentativa de golpe de Estado.


BOLSONARO – Hospitalizado desde sexta-feira na UTI do DF Star, o ex-presidente ainda não tem previsão de alta. Ele está sendo submetido a tratamento de pneumonia bacteriana decorrente de um episódio de broncoaspiração.


DURO NA QUEDA – Não adiantou os EUA derrubarem sanções ao petróleo russo, nem anunciarem liberação de suas reservas estratégicas. O petróleo não baixou dos US$ 100 o barril, embora tenha aliviado o ritmo de alta.


… A percepção do mercado é de que a commodity deve continuar nesse patamar, ou acima, enquanto a guerra contra o Irã durar e o Estreito de Ormuz permanecer fechado para os petroleiros.


… Operadores disseram à Bloomberg que já se preparam para uma interrupção longa, visto que Mojtaba Khamenei usou seu primeiro discurso como novo líder do Irã para afirmar que seu país deveria manter o Estreito bloqueado.


… O Brent para maio subiu 2,67% na 6ªF, a US$ 103,14 por barril na ICE, enquanto o WTI para abril avançou 3,11%, a US$ 98,71 por barril na Nymex. No acumulado da semana, os contratos subiram 11,27% e 8,59%, respectivamente.


SEM TRÉGUA – Wall Street continuou com as atenções voltadas para o noticiário da guerra e não tirou os olhos das cotações de petróleo, que, como se viu, não deram nenhum sinal de alívio, alimentando os temores sobre a inflação.


… Com cerca de 20% do fluxo global da commodity comprometido, o resultado é um forte temor de inflação e suas consequências para a economia mundial.


… A segunda leitura do PIB do 4TRI também não ajudou, ao mostrar uma desaceleração da economia americana (+0,7%) mais acentuada do que a observada na primeira leitura (+1,4%).


… O PCE de janeiro (+0,3%) veio em linha com o esperado, mas não fez preço, porque o dado chegou “velho”. É anterior ao início do conflito no Irã. Com tanta incerteza no ar, o mercado já vê o Fed com o pé no freio.


… O Dow Jones caiu 0,26%, aos 46.558,47 pontos; o S&P 500 perdeu 0,61% (6.632,19); e o Nasdaq recuou 0,93% (22.105,36). Na semana, os índices acumularam baixas de 1,99%, 1,60% e 1,26%, respectivamente.


… Entre os destaques do dia, as ações da Adobe recuaram 7,58% após o CEO da empresa, Shantanu Narayen, renunciar ao cargo, ofuscando o balanço do 1TRI fiscal melhor que o esperado.


… Meta perdeu 3,8% com o adiamento do lançamento e seu novo modelo de inteligência artificial Avocado, após o desempenho da ferramenta ficar aquém dos concorrentes.


ENCRUZILHADA – O medo de um agravamento da guerra durante o fim de semana e a expectativa de um Copom mais cauteloso provocaram uma onda de “stop loss” nos juros futuros durante a tarde da sexta-feira, 13.


… Os prêmios dos vencimentos mais curtos chegaram a subir mais de 45 pb no pior momento da sessão, em meio ao um desmonte de posições dos investidores que acreditavam em uma queda mais acentuada da Selic.


… O reajuste do diesel pela Petrobras, a manutenção do petróleo acima dos US$ 100 e as sinalizações de Donald Trump de que vai intensificar os ataques ao Irã nesta semana fizeram o mercado rever suas apostas.


… Investidores passaram a cogitar a hipótese de manutenção da Selic na 4ªF, além de um ciclo mais lento de redução dos juros, em meio ao risco de alta da inflação. Mas a chance de um corte de 0,25 pp ainda está no páreo.


… Na agenda do dia, Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou alta de 0,3% no volume em janeiro sobre dezembro, acima da expectativa (+0,1%). Junto com o IPCA mais forte, é mais um motivo para o BC ter cautela.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,315% (de 13,927% no ajuste anterior); Jan/29, 13,930% (contra 13,444%); Jan/31, 14,165% (de 13,738%); e Jan/33, 14,230% (de 13,851%).


DIVÓRCIO – Não adiantou o BC fazer um leilão de “casadão” (oferta simultânea de dólar à vista e de swap cambial reverso) de US$ 1 bilhão pela manhã para tentar aliviar a pressão sobre o cupom cambial.


… À tarde, o spot disparou, seguindo o dólar no exterior. Operadores viram realização de lucros, já que o real teve um dos melhores desempenhos neste ano entre emergentes, com busca por proteção antes do fim de semana.


… Lá fora, o índice DXY operou acima dos 100 pontos, o que não acontecia desde novembro de 2025, refletindo também as apostas de que o Fed pode derrubar o juro só uma vez este ano, devido ao risco inflacionário.


… O dólar à vista fechou em alta de 1,41%, a R$ 5,3163. Na semana, a moeda subiu 1,38%. O DXY avançou 0,72%, para 100,457 pontos. O euro caiu 0,83%, a US$ 1,1417, e a libra recuou 0,93%, a US$ 1,3220.


SOFREU JUNTO – Dessa vez, nem Petrobras segurou a onda da bolsa brasileira, que sentiu a queda das bolsas em NY e o clima de aversão ao risco que tomou conta do dólar e dos juros futuros.


… O Ibovespa fechou em baixa de 0,91%, aos 177.653,31 pontos, com giro de R$ 29,2 bilhões. Na semana, o índice recuou 0,95% e já acumula baixa de 5,90% desde o início do conflito no Oriente Médio, há duas semanas.


… Mesmo diante de nova alta do petróleo, Petrobras passou por correção, após anunciar o reajuste de 11,6% no preço do diesel nas refinarias. A ON recuou 0,54%, para R$ 49,38 e a PN devolveu 0,73%, a R$ 44,67.


… Vale ignorou o minério (+2,33%) e caiu 1,19% (R$ 78,30). Os bancos tiveram novas perdas: Bradesco PN (-2,06%; R$ 18,99), BTG (-1,76%; R$ 55,11), BB (-1,73%; R$ 23,81), Santander (-1,18%; R$ 30,22) e Itaú PN (-0,68%; R$ 42,40).


… Braskem PNA (-6,97%; R$ 11,35) liderou as perdas, com CSN (-6,23%; R$ 5,72) e Hapvida (-6,17%; R$ 8,67). Do lado positivo, SLC Agrícola subiu 2,51% (R$ 18,00), junto com BB Seguridade (+1,98%; R$ 35,05) e TIM (+1,49%; R$ 26,60).


CIAS ABERTAS NO AFTER – TELEFÔNICA BRASIL pagará R$ 200 milhões em JCP até 30/04/2027, ou R$ 0,05163 por ação (líquido), com base na posição de 25/03/2026.


GERDAU afirmou em Formulário 20F que conflitos geopolíticos podem impactar negativamente a demanda por aço, preços de commodities e custos de energia.


EMAE. Sabesp passou a deter 79,31% do capital social e 98,07% do capital votante após aquisição de ações.


MULTIPLAN pagará R$ 110 milhões em JCP, ou R$ 0,2251 por ação, em 20/03, com base na posição de 31/03/2025.


IGUATEMI concluiu venda de participações minoritárias em quatro shoppings para o XP Malls por R$ 372 milhões.


ONCOCLÍNICAS confirmou acordo não vinculante com a Porto para criação de nova empresa com clínicas do grupo e aporte de R$ 500 milhões pela seguradora.


AZUL reportou resultado operacional de R$ 582 milhões em janeiro e receita líquida de R$ 2,1 bilhões, em relatório apresentado no processo de Chapter 11 nos EUA.


BMG aprovou oferta pública de letras financeiras de até R$ 300 milhões para alongamento do perfil da dívida e reforço de caixa.


C6 BANK. A Moody’s atribuiu rating pela primeira vez ao banco, classificando seus depósitos de longo prazo em Ba3, com perspectiva estável.


DEXCO realizará em 18/03 leilão para alienação de 5.945 ações ordinárias resultantes do agrupamento de frações.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,6% US tech -0,6% US Semis +0,1% UEM -0,6% España -0,5% VIX 27,2% Bund 2,98%. T-Note 4,89%. Spread 2A-10A USA=+55pb B10A: ESP 3,48% PT ITA 3,44% FRA 3,66% ITA 3,79% Euribor 12m 2,522% (fut.12m 2,846%). USD 1,143. JPY 182,1. Ouro 5.015 $. Brent 104,4$. WTI 98,9$. Bitcoin +3,7% (78.875$). Ether +8,4% (2.267$). 


SESSÃO: Hoje não tem mau ar, porque a madrugada asiática foi mista, quase positiva, e os futuros sobre Wall St. e Europa vêm a subir ca. +0,5%. Esta semana reúnem-se nada menos do que 10 bancos centrais, mas, principalmente, será decisiva, pois não se pode adiar por mais tempo a apresentação da evolução da campanha militar e dos objetivos alcançados, para que se possam fazer novas previsões sobre a sua duração e o desfecho mais provável. 


Os objetivos geoestratégicos prioritários são 2: (i) neutralizar militarmente o Irão e (ii) garantir que o seu governo não se reconstruirá como uma ameaça. Esta semana deveremos saber se o primeiro objetivo foi alcançado, conscientes de que o segundo é o mais complicado. 


É provável que, no final da semana, o Irão já não tenha meios militares para continuar uma guerra convencional. Se isto se confirmar, o tom do mercado melhoraria rapidamente. Não implicaria uma mudança para melhor definitiva, mas um alívio de curto prazo nada depreciável. O receio agora, relativamente estendido, é que a guerra se complique e prolongue.


O segundo objetivo – que o novo governo não implique uma ameaça futura é difícil de alcançar, porque a Guarda Revolucionária é uma espécie de exército paralelo que controla o país e se financia com o petróleo. Impede uma hipotética revolta social. Por isso, o mais eficaz para controlar as ações de qualquer que seja o governo será controlar o petróleo com o qual se financia a Guarda Revolucionária. E para isso poderá estar a ser considerar seriamente controlar militarmente a denominada Ilha de Kharg ou Jark, a uns 25 km da costa iraniana e a partir da qual o Irão embarca ca. 90% das suas exportações de petróleo. Isto é, controlar o petróleo iraniano se não for possível controlar o seu governo. Mas a ação militar seria muito arriscada por se tratar de uma ilha próxima à costa iraniana e exigir a tomada de posições de forças terrestres, provavelmente mediante uma operação anfíbia desde o interior do Golfo Pérsico… que, hipoteticamente, poderá converter-se numa ratoeira. Por isso, considerando a magnitude deste risco, o desfecho mais provável consistirá na absoluta neutralização das capacidades militares iranianas e do seu programa nuclear, exercendo um controlo férreo naval das suas exportações de petróleo, renunciando conseguir um governo “voluntariamente colaborativo”. Isto é realizável, mas caro, porque exigirá a permanência a longo prazo de uma força naval relevante na zona. Mas o mercado agradeceria um desfecho deste tipo.


Na frente convencional, o único relevante dos 10 bancos centrais que se reúnem esta semana (Austrália amanhã, Canadá, Brasil e Fed na quarta-feira; BCE, BoE, BoJ, Suíça e Suécia na quinta-feira; China na sexta-feira) será comprovar até que ponto se atrevem a alertar sobre uma inflação superior e um crescimento mais débil. Porque quase todos repetirão taxas de juros (Austrália irá subir, e talvez o Brasil faça uma descida). Além disso, nesta madrugada saíram vários dados macros na China entre mistos e decentes (Prod. Industrial +6,3% desde +5,2%; Preços Casas -3,2% desde -3,1%...), o Japão está a ponto de intervir no yen – caso já não o esteja a fazer – para travar a sua depreciação, e hoje começa a conferência anual de desenvolvedores de Nvidia, que não costuma ter impacto forte (focado no novo chip Vera-Rubin, futuro substituto de Blackwell).


CONCLUSÃO: Semana provavelmente tão fraca como a passada, mas de forma alguma de crise. Retrocessos absolutamente assumíveis, não graves. Talvez hoje suba um pouco. E, se no final de semana se proporcionar informação fiável sobre o resultado prático da campanha militar e esta for razoavelmente boa, o mercado subiria um pouco. 


FIM

O Agente Secreto

 O cinema deve ser uma manifestação livre da arte.  Ao diretor cabe dominar todo o processo, do produtivo, ao criativo, no acabamento e nos ...