terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Anderson Correia

 Sobre as Defesas de Tese

Tenho visto muita ineficiência nas defesas de tese. Queria relatar algumas delas aqui e gostaria de saber se vocês já passaram por isso. Acho que isso afeta a qualidade da pós-graduação Brasileira.

Em primeiro lugar, a escolha dos membros da banca, baseada muito no relacionamento e não na competência. Nós temos hoje tantas ferramentas disponíveis para inserir palavras-chave sobre os temas da defesa e encontrar os melhores especialistas, mas tantos orientadores insistem em trazer os amigos e colegas do próprio network, às vezes pessoas que não tem expertise, nem independência para fazer as avaliações do trabalho. E porque não pensar em gente da indústria também?

Sobre o momento da defesa em si, percebo que muitos não entendem seus papéis. Há membros que esquecem que estão ali para avaliar os candidatos e ficam tentando provar que sabem do assunto. Ao invés de fazer perguntas aos candidatos, querem dar uma palestra sobre o tema. Ora, se alguém foi convidado para uma banca, é porque teoricamente é reconhecido. Vejo gente que gasta mais de uma hora na arguição, irritando todo mundo. E o pior é que não faz uma pergunta sequer, nem vai direto ao ponto nos assuntos mais importantes. Faça um favor a todos, se você for convidado para uma banca, fale pouco, pergunte mais e busque avaliar aquilo que está escrito na tese e que foi apresentado: você está em um exame de tese, portanto, seja um examinador. O show não é teu, mas sim do candidato.

Outro ponto, tem gente que não sabe medir a dimensão do trabalho. Querem ineditismo de um trabalho de mestrado. O nome já diz: "dissertação de mestrado", então é para dissertar... As grandes descobertas estarão no doutorado. Não se pode cobrar algo profundo demais de quem fez um trabalho em nível de mestrado, com muito menos tempo e recursos de pesquisa.

Finalmente, sobre as sugestões para a tese. Não é papel da banca reescrever o trabalho, mas avaliá-lo. Se está ruim, que seja reprovado, mas de resto, respeite o trabalho escrito. Tem banca que quer mudar o título da tese, que horror. É uma propriedade intelectual do formando, não deveria ser alterado por pessoal que vem avaliar. E tem gente que fica sugerindo inserir capítulos a mais, ou fundir outros. Membro de banca não é orientador do trabalho. Ficar fazendo estas sugestões é até ofensivo. Um doutorando gasta 4 anos escrevendo um trabalho e vem alguém que nem se envolveu com o estudo sugerindo mutilar o documento. Discordo totalmente.

E o pior de tudo: o orientador traíra. Vê o aluno sofrendo inúmeros ataques da banca e na hora da sua fala, ao invés de defender o orientado e ajudar na explicação, continua os ataques, pulando do outro lado da cerca, como se o trabalho não tivesse nada a ver com ele. Isso é vergonhoso.

Eu já participei de pelo menos umas 100 bancas e vi estas gafes na maioria delas.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: Hoje serão publicados os PMIs nas principais economias, mas não oferecerão mudanças significativas (provavelmente irão melhorar um pouco) e, por isso, o determinante será o Emprego americano (13:30 h). Sairá o registo de novembro, assim como apenas alguns dados incompletos de outubro, visto que o encerramento do governo americano impediu a recolha desses dados na altura. Isto decidirá o tom final de uma sessão que vem, novamente, fraca (futuros -0,5%/-0,8%), de forma preventiva precisamente perante a incerteza sobre o emprego americano de hoje e as 5 reuniões de bancos centrais entre quinta e sexta-feira. Noruega e Suécia repetirão em 4,00% e 1,75%, respetivamente, passando despercebidos. Mas o Banco de Inglaterra irá fazer um corte de -25 p.b. até 3,75%, o BCE repetirá em 2,00/2,15% (Depósito/Crédito), mas publicará estimativas macro revistas para melhor e pode ser que insinue que o seu próximo movimento será de subida e não de descida, enquanto o Banco do Japão poderá subir +25 p.b. até 0,75% (atribuímos uma probabilidade de 50%, embora o mercado desconte a subida). 


Quando o emprego americano e os bancos centrais tiverem passado, teremos uma sexta-feira com Freaky Fridays (vencimento de futuros e opções sobre índices e ações), portanto, a atividade concentrar-se-á a partir das 11 h, provavelmente com tom em alta para o posicionamento em 2026… mas mercado débil até então.


Em relação ao emprego americano de hoje, espera-se debilitamento nos Payrolls (Criação de Emprego Não Agrícola) até apenas 40/50k. Este registo começa a ser decente a partir de 150k. E que a Taxa de Desemprego repita em 4,4%. Mas o melhor que poderia acontecer para que o mercado reagisse em positivo a curto prazo (isto é, hoje ou esta semana) seria que a Taxa de Desemprego aumentasse para 4,5% e que os Payrolls saíssem francamente baixos porque isso reforçaria a expetativa de que a Fed continuará a baixar taxas de juros em 2026 (a sua primeira reunião será a 28 de janeiro), independentemente da influência política ou de quem substitua Powell a partir de maio. 


Mas convém ter cuidado com uma possível interpretação errada por parte dos bancos centrais – particularmente da Fed – sobre os dados de emprego a partir de agora, porque o primeiro impacto da extensão da IA será destruição de emprego, como aconteceu ao longo da história com todas as ruturas tecnológicas... recuperando-se depois esse emprego em escalões superiores de qualificação profissional. É assim desde os “luditas” (por Ned Ludd) do século XIX, no mínimo. E esta será a rutura tecnológica mais rápida de todas (2 anos?), simplesmente porque a última é sempre mais rápida do que a anterior. Numa primeira etapa, as empresas não irão contratar até saberem o alcance dos ganhos de eficácia proporcionados pela IA, para depois voltarem a contratar, mas em perfis adaptados ao uso da IA. E, enquanto isso, os bancos centrais poderão ter uma interpretação errada do emprego e baixar taxas de juros mais do que o tecnicamente correto. Veremos.


CONCLUSÃO: Felizmente, as bolsas continuarão fracas, corrigindo um pouco, até superar o emprego americano e os bancos centrais. Felizmente, porque um hipotético rally de fim de ano depois deste excelente 2025 colocaria os níveis de entrada para 2026 num pequeno compromisso que poderá traduzir-se num arranque de ano complicado. Vamos confiar que as coisas saem bem no final do ano, corrigindo bolsas e obrigações durante toda esta semana, de forma a que a próxima semana mude o tom moderadamente para melhor, ao assumir posições para 2026 desde níveis mais acessíveis.


FIM

Call Matinal 1612

 Call Matinal

16/12/2025

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (1512)

MERCADOS E AGENDA

No mercado brasileiro de segunda-feira (15), o Ibovespa fechou em forte alta, de 1,07%, a  162.481 pts. Já no mercado cambial, o dólar encerrou em leve alta de 0,23%, a R$ 5,42.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Nova York em queda terça-feira (16): S&P 500 -0,36% | Dow Jones -0,25% | Nasdaq 100 -0,55% | Stoxx 600 -0.12%.

 

 

MERCADOS 5h30

EUA

 

 

Dow Jones Futuro: -0,27%

S&P 500 Futuro: -0,48%

Nasdaq Futuro: -0,72%

Ásia-Pacífico

 

 

Shanghai SE (China), -1,11%

Nikkei (Japão): -1,56%

Hang Seng Index (Hong Kong): -1,54%

Nifty 50 (Índia): -0,42%

ASX 200 (Austrália): -0,42%

Europa

 

 

STOXX 600: -0,16%

DAX (Alemanha): -0,57%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,16%

CAC 40 (França): -0,05%

FTSE MIB (Itália): +0,10%

Commodities

 

 

Petróleo WTI, -1,06%, a US$ 56,22 o barril

Petróleo Brent, -1,01%, a US$ 59,95 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +1,06%, a 761 iuanes (US$ 107,99)

 

NO DIA, 1612

Dia de payroll nos EUA, com expectativa de 50 mil vagas geradas (bem abaixo dos +119 mil anteriores). A taxa de desemprego deve ficar em 4,5% da PEA (era 4,4%). Devemos observar que este indicador é usualmente divulgado às sextas-feiras, o mas depois de um longo shutdown será conhecido hoje (10h30), com dados de outubro e de novembro. Se vier fraco, confirmando a deterioração do mercado de trabalho, deve mexer fortemente com as expectativas do juro, projetadas em 75% em uma pausa do ciclo de quedas desde a última reunião do Fed. Já aqui, a ata do Copom (8h) pode trazer detalhes mais “dovish”, o que sinalizaria chance maior de o BCB cortar a Selic já em janeiro. No Congresso, a pauta econômica avança na última semana do ano legislativo, com a votação dos benefícios fiscais prevista para hoje na Câmara.

 

Indicadores PMI na Europa:

 

▪️ França: PMI Composto cai para 50,1 pontos, de 50,4 anteriormente, abaixo do consenso; Indústria ficou com 50,6 e Serviços com 50,2 pontos

 

▪️*Alemanha*: PMI composto cai para 51,5 pontos, de 52,4, abaixo do consenso; Serviços ficou com 52,6 e Indústria com 47,7 pontos

 

▪️ Zona do Euro: PMI Composto marca 51,9 pontos, após 52,8, abaixo do consenso; Indústria marcou 49,2 e Serviços, 52,6 pontos

 

▪️ Reino Unido: PMI Composto marca 52,1 pontos, após 51,2 no mês anterior, levemente superior ao consenso; Indústria vai para 541,2 e Serviços, 52,1 pontos

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

Segunda-feira, 15 de dezembro 

Brasil 15: Boletim Focus

Brasil 15: IGP10 de novembro

Brasil 15: 9h: o BCB divulga seu Índice de atividade econômica, o IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).

 

 

Terça-feira, 16 de dezembro 

Brasil 16 8h: ata da última reunião do Copom.

EUA 16 10H30: Payroll.

EUA 16 9hs: Vendas de varejo

 

 

Quarta-feira, 17 de dezembro 

Zona do Euro 17: Reunião do BCE

Quinta-feira, 18 de dezembro   

Brasil 18 8h: BCB divulga Relatório de Política Monetária.

EUA 18 9h: Inflação ao consumidor (CPI) de novembro

Reino Unido 18: reunião do Bank of England

 

Sexta-feira, 19 de dezembro 

Brasil 9h: Setor externo de novembro BCB

Japão: Decisão de Política Monetária BoJ

 

 

 

 

 

 

Boa terça-feira a todos!

Jonas Federighi

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