domingo, 8 de fevereiro de 2026

Patrocínio do BRB e corrupção

 *Coluna do Estadão: Patrocínios do BRB subiram em 14 vezes sob Ibaneis; banco tem rombo do caso Master*


Investigado pela Polícia Federal no caso Master e com rombo estimado superior a R$ 5 bilhões com compras de ativos da empresa liquidada, o Banco de Brasília (BRB) também é alvo de questionamentos sobre sua política de patrocínios. A instituição estatal aumentou em 14 vezes o gasto com eventos e outros apoios comerciais durante a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB). Em 2025, reservou R$ 125,8 milhões de gastos para esta rubrica. O valor contrasta com o de uma década atrás, quando o BRB gastava anualmente apenas R$ 1 milhão com patrocínios. A guinada aconteceu nos últimos anos, na gestão Ibaneis, a partir de 2019. No primeiro ano de seu governo, a despesa foi de R$ 7,2 milhões, depois a escalada acelerou. A Coluna levantou os números nos dados oficiais do BRB.


 EXTENSÃO. De janeiro a setembro de 2025, o banco estatal do DF havia desembolsado R$ 82,3 milhões do total previsto para o ano em diversos eventos. Bancou de congresso de procuradores a show do cantor Roberto Carlos na Paraíba.


 PAIXÃO. Em 2020, segundo ano da gestão Ibaneis, o BRB passou a patrocinar o Flamengo, time de futebol do Rio, por R$ 32 milhões anuais. O caso foi parar no Tribunal de Contas do DF a pedido do Ministério Público, que questionou a regularidade do negócio. No ano seguinte, a família Ibaneis adquiriu franquia de revenda de produtos do Flamengo.


 CAIXA-PRETA. O BRB impôs sigilo aos documentos que embasaram o contrato. Alegou que o objetivo dos patrocínios era nacionalizar e fortalecer a marca, “geração de negócios, divulgação de produtos e ampliação de relacionamentos”. O contrato segue ativo e o banco tenta renová-lo.


ADIA. O ministro Luiz Fux, do STF, cancelou uma audiência de conciliação entre o governo federal e representantes de bets para discutir o bloqueio de apostas para beneficiários do Bolsa Família. O encontro estava marcado para a próxima terça-feira, 10. Ele alegou choque de agenda. Na prática, a medida amplia a validade da decisão de Fux que, em dezembro, suspendeu ordem do Ministério da Fazenda que vetou apostas feitas pelos beneficiários do auxílio. Dados do TCU apontam que, em janeiro de 2025, integrantes de famílias com beneficiário do Bolsa Família transferiram R$ 3,7 bilhões a casas de apostas.


 APURE. A Justiça de Pernambuco ordenou a retomada da investigação de um suposto esquema de desvio de verbas públicas envolvendo contratos da prefeitura do Recife para a manutenção de prédios. Em nota, a prefeitura disse que não faz parte da investigação formalmente, e que “confia na legalidade das contratações da gestão municipal”.


 GAVETA. O presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Marcelo Freixo, já tem pronta a documentação para defender o repasse de R$ 1 milhão à escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageará Lula. A ideia é mostrar que o patrocínio às 12 escolas de samba cariocas foi igual a outros anos.


 CALMA. O ministro Aroldo Cedraz, do TCU, negou um questionamento de técnicos do tribunal que apontava possível desvio de finalidade. Ele deu 15 dias para o governo se manifestar, prazo que acaba após o carnaval.


PRONTO, FALEI!


Fabiano Contarato

Senador (PT-SE)

"O ataque promovido pelo governo de Donald Trump contra Barack e Michelle Obama não é apenas um desrespeito institucional. É um ato grave de racismo.”


CLICK


José Múcio

Ministro da Defesa


Em Plymouth, na Inglaterra, durante visita técnica ao navio Oiapoque, que foi adquirido pela Marinha brasileira para ser sua segunda maior embarcação.


(ROSEANN KENNEDY. COM EDUARDO BARRETTO E LETICIA FERNANDES)


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BRB e Master

 *BRB vira dono de concessionária de cemitérios em SP ao assumir ativos do Master*


Master entregou papéis da concessionária de cemitérios Maya, que administra cinco cemitérios em São Paulo


O BRB assumiu uma batelada de papéis do Master após constatar que as carteiras de crédito vendidas por R$ 12 bilhões pelo banco de Daniel Vorcaro eram podres. A substituição, que ocorreu às pressas, foi interrompida pela liquidação extrajudicial do Master, decretada um dia após Vorcaro e outros executivos do banco terem sido presos no âmbito da Operação Compliance Zero.


Na lista de ativos aceitos pelo BRB na tentativa de compensar as perdas com os títulos fraudulentos há de tudo um pouco. Propriedades, fundos, ações, contas no exterior e a empresa Cemitérios São Paulo SA, cujo nome fantasia é Grupo Maya.


Além de vender diversos tipos de serviços funerários, de coroas de flores a traslado de caixões, o Grupo Maya administra cinco cemitérios paulistanos: Campo Grande (foto em destaque), Lageado, Lapa, Parelheiros e Saudade.


Líder de reclamações nos canais da prefeitura de São Paulo, o Grupo Maya é investigado pelo Executivo local por conta da possível fusão informal com outro grupo responsável pela administração de cemitérios na capital paulista, a Cortel.


Ao apurar as denúncias, a prefeitura descobriu que o Grupo Maya fez uma série de empréstimos junto ao Banco Master. A informação é importante porque o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, aparece no quadro societário da Cortel. Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.


*Vende-se*


O Grupo Maya faz parte dos ativos que o BRB espera vender o quanto antes para recuperar o caixa. Na última quarta-feira (4/2), o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, foi até à Faria Lima em busca de compradores.


Na lista de itens à venda também consta um terreno próximo à região da Cidade Jardim, em São Paulo, localização nobre e de alto valor de mercado, além de restaurantes e outros bens. O pacote é avaliado pelo BRB em R$ 21,9 bilhões.


A venda de ativos comprados do Master é, inclusive, uma das opções para recomposição do capital apresentadas pelo BRB ao Banco Central (BC) na última sexta-feira (6/2).


O BC determinou ao banco o provisionamento de R$ 2,6 bilhões, em janeiro deste ano. O BRB, então, estruturou o plano com as seguintes opções:


empréstimo de consórcio de bancos;

empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC);

estruturação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com ativos imobiliários do Governo do Distrito Federal;

solução de mercado com venda de ativos comprados do Master.


https://www.metropoles.com/colunas/dinheiro-e-negocios/brb-vira-dono-de-concessionaria-de-cemiterios-em-sp-ao-assumir-ativos-do-master

Eleitores endividados

 *Eleitores endividados*


Dados do BC expõem descompasso entre a publicidade lulopetista e a vida real: endividamento elevado corrói a sensação de melhora econômica e pode cobrar seu preço na disputa presidencial de 2026


“Herança maldita”, bradava o comissariado petista em novembro de 2022, durante a transição entre os governos de Jair Bolsonaro e o novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. À época, a caciquia do partido falava em “economia destruída”, alertava que o povo estava “passando fome” e denunciava o avanço do endividamento das famílias. O crédito caro, o rotativo do cartão e o uso crescente do consignado e dos empréstimos pessoais eram apresentados pelo PT como prova de que a economia se tornara hostil aos brasileiros. A promessa implícita era inequívoca: com a volta de Lula ao Palácio do Planalto, a renda cresceria, o aperto diminuiria e a normalidade econômica seria restaurada.


Três anos depois, os dados desmentem essa expectativa. A renda, de fato, cresceu, mas o aperto não deu trégua. Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias alcançou 49,8% do rendimento anual, patamar muito próximo do recorde histórico registrado em julho de 2022. Trata-se de um indicador abrangente, que inclui financiamentos imobiliários e de veículos, crédito consignado, empréstimos pessoais e cartão de crédito. Não é um desvio pontual, mas a consolidação de um quadro persistente de pressão sobre os orçamentos domésticos. E a evidência de que o triunfalismo lulopetista está longe de encontrar amparo na realidade.


O contraste com a narrativa oficial é evidente. O governo insiste em destacar indicadores positivos do mercado de trabalho, sobretudo a queda do desemprego e a recuperação da renda média. Esses avanços são reais, mas insuficientes para neutralizar o desconforto econômico percebido pela população. Dívidas elevadas, juros altos e crédito caro corroem o efeito prático da renda adicional e alimentam a sensação difusa de que a vida não está mais fácil.


As pesquisas de opinião captam esse descompasso. Levantamentos recentes, como os do Ideia e da Quaest, mostram que uma parcela expressiva dos brasileiros acredita que a economia piorou ou permaneceu estagnada, apesar do discurso autoelogioso do governo. A avaliação do desempenho econômico figura de forma recorrente entre os principais fatores de insatisfação. Custo de vida e insegurança financeira ancoram tais temores. Não por acaso, a aprovação do governo oscila em patamar mediano, distante do apoio que costuma sustentar projetos de reeleição.


Esse cenário expõe os limites da estratégia petista de terceirizar permanentemente a responsabilidade pelos problemas econômicos. Não é novidade. Entre 2002 e 2003, ao chegar à Presidência pela primeira vez, Lula também classificou como “herança maldita” a economia recebida de Fernando Henrique Cardoso – como se a gestão tucana, apesar de sucessivas crises internacionais, não tivesse pavimentado o caminho que permitiria o sucesso econômico do primeiro mandato petista.


Essa marotagem tem prazo de validade. Lula governa há tempo suficiente para que os resultados, positivos ou negativos, sejam atribuídos majoritariamente às escolhas de sua própria administração. Persistir na lógica da herança eterna soa cada vez menos convincente e mais como fuga de responsabilidade. Os números divulgados pelo Banco Central reiteram essa constatação.


O endividamento elevado vai além da estatística. Restringe o consumo, amplia a vulnerabilidade das famílias a choques econômicos e limita a eficácia de políticas baseadas quase exclusivamente em transferências de renda. Em ano pré-eleitoral, esse quadro se converte em risco político concreto para um presidente que aposta na memória afetiva de mandatos passados e na ideia de que sua presença no poder, por si só, melhora a vida do cidadão comum.


A economia tende a ser o eixo central da disputa de 2026 não por ideologia, mas por experiência concreta. O eleitor decide menos pelo discurso e mais pelo que sente no bolso. Se quiser evitar que a dívida das famílias se torne símbolo de frustração eleitoral, o Planalto precisará ir além da retórica e enfrentar o problema com seriedade. Até lá, os números do Banco Central seguirão lembrando que a economia real não se deixa moldar por slogans – e que a política da negação pode cobrar seu preço nas urnas.



https://www.estadao.com.br/opiniao/eleitores-endividados/?srsltid=AfmBOorVNAzGbILW2dgUnsQg12OV8cARpi4ytQ6UVlSqy8ZuG_bLXxUF

Leitura de sábado 2

 *Leitura de Sábado: privatização da Copasa combina 'filé com osso' e retorno via investimento*


Por Elisa Calmon


São Paulo, 03/02/2026 - A privatização da Copasa combina ativos que, no jargão do mercado, formam um "filé com osso", ao reunir municípios com alto nível de atendimento e áreas com déficits relevantes, sob gestão da subsidiária Copanor. Embora represente um desafio operacional, esse desenho pode abrir oportunidades de ganhos, segundo especialistas.


Na semana passada, a companhia divulgou as primeiras diretrizes sobre o desenho da privatização. O modelo repete a estrutura de follow-on (oferta subsequente de ações) adotada pela Sabesp em 2024 e também prevê a participação de um investidor estratégico. A expectativa é que a operação ocorra entre março e abril.


O projeto de lei que autoriza a desestatização prevê a incorporação da Copanor pela Copasa. Atualmente, a subsidiária é responsável pela operação no Norte e Nordeste de Minas Gerais, regiões em que os indicadores de saneamento estão abaixo das médias estadual e nacional.


Cerca de 83% da população mineira tem acesso à rede de água e aproximadamente  76% conta com coleta de esgoto. Nos municípios do Vale do Jequitinhonha, do Mucuri e em parte do Norte de Minas, cerca de 60% dos domicílios recebem água tratada e aproximadamente 40% dispõem de coleta de esgoto, segundo dados do governo de Minas Gerais e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).


Por outro lado, Minas Gerais também reúne municípios com indicadores elevados de saneamento. O Estado tem duas cidades entre as 20 melhores colocadas no Ranking do Saneamento 2024 do Instituto Trata Brasil: Montes Claros e Uberlândia. A primeira é atendida pela Copasa. A capital, Belo Horizonte, também sob concessão da companhia, possui 100% da população com acesso à água potável e à coleta de esgoto, também de acordo com o SNIS.


Para Paulo Henrique Dantas, especialista em infraestrutura do Castro Barros Advogados, o principal desafio está em conciliar áreas mais rentáveis com regiões que exigem investimentos elevados e retorno mais lento. "É uma engenharia financeira complexa, porque é preciso universalizar o serviço, atender tarifas sociais e investir pesado antes de começar a capturar retorno", afirma.


Retorno via investimento


Ainda assim, regiões com menor cobertura não inviabilizam a concessão dentro da lógica de remuneração do setor, segundo o analista do UBS BB, Giuliano Ajeje. Ele explica que a tarifa do saneamento é estruturada para cumprir duas funções centrais: assegurar a remuneração do capital investido e cobrir o custo da operação. Como a margem operacional é limitada, os investimentos se tornam um vetor relevante.


"A operação em si tem margem muito pequena. A beleza do saneamento é a necessidade de fazer investimento. Quanto mais a companhia aportar, maior será o retorno", afirma Ajeje.


O analista de infraestrutura do Citi, João Pimentel, acrescenta que esse retorno decorre do modelo regulatório baseado na remuneração da base de ativos. "Todo investimento que você faz vira base de ativos regulatórios, que é remunerada por uma taxa definida pelo regulador", diz. Segundo ele, a tarifa resulta da aplicação do custo médio ponderado de capital (WACC) sobre essa base, o que define a receita máxima da concessionária.


"Se ao longo do tempo você vai investindo, essa base de ativos cresce. Na revisão tarifária seguinte, a taxa regulatória passa a incidir sobre uma base maior", afirma. "Desde que os investimentos sejam reconhecidos pela agência, o resultado econômico cresce ao longo do tempo", acrescenta.


Desafios


Dantas pondera, no entanto, que o retorno dos investimentos tende a ser mais lento justamente porque a infraestrutura precisa estar pronta antes de gerar receita. "Isso alonga o prazo de retorno dos investimentos", diz.


Mas o desenho da privatização, inspirado no modelo adotado na Sabesp, com a entrada de um investidor de referência, ajuda a dar maior previsibilidade à execução dos aportes e à captura do retorno ao longo do contrato, avalia o especialista em infraestrutura.


O Plano Estadual de Saneamento Básico estima que Minas Gerais demandará cerca de R$ 50 bilhões em investimentos em infraestrutura de água e esgoto entre 2022 e 2033. Em um horizonte mais longo, até 2041, a necessidade de recursos sobe para R$ 70 bilhões.


A título de comparação, o contrato de privatização da Sabesp prevê cerca de R$ 70 bilhões em investimentos até 2029 para antecipar a universalização dos serviços. Com uma população quase duas vezes maior que a mineira, o Estado de São Paulo apresenta níveis de cobertura superiores. Cerca de 95% da população paulista tem acesso à rede de água e 90,5% à coleta de esgoto, segundo dados de 2022 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).


Contato: elisa.ferreira@estadao.com


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Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Possibilidade de El Niño em 2026 deixa mercado elétrico sob alerta*


Por Luciana Collet


São Paulo, 03/02/2026 - A possibilidade de transição do fenômeno La Niña, atualmente vigente, para o El Niño ao longo dos próximos meses deixa o setor elétrico brasileiro sob alerta, tendo em vista o impacto que pode gerar no balanço energético nacional e no custo da eletricidade no País. Após chuvas abaixo da média ao longo dos últimos meses e previsão de que as águas de fevereiro e março não serão suficientes para eliminar o déficit de precipitações acumulado de outubro até agora, a perspectiva de um fenômeno que tende a elevar as temperaturas e diminuir chuvas em áreas de reservatório aumenta a preocupação com os níveis de armazenamento nas hidrelétricas no final deste ano.


Atualmente, as instituições de acompanhamento climático já observam uma tendência de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), agência norte-americana conhecida por rastrear os fenômenos climáticos, segue apontando a presença do La Niña, que corresponde a uma anomalia negativa na temperatura oceânica, mas afirma que há 75% de chance de transição para a neutralidade até março. Meteorologistas aguardam o anúncio oficial possivelmente ainda este mês.


E as análises apontam tendência de transição, ainda dentro da neutralidade, para um El Niño fraco ainda no primeiro semestre. Ou seja, haveria uma temperatura acima da média na região central do Oceano Pacífico Equatorial, refletindo em alterações atmosféricas ao longo do segundo semestre.


"No Centro Europeu [de Previsões Meteorológicas], dos 51 cenários que eles rodam, 50 indicam que a gente entra no El Niño, de fraco a moderado, até junho e um cenário aponta julho; o modelo norte-americano indicou, em janeiro, todas as rodadas na neutralidade; e quando olhamos o multimodelo do IRI [International Research Institute for Climate and Society, ligado à Universidade de Columbia], que faz uma combinação de todos os institutos, ele coloca 60% de probabilidade de ter El Niño neste ano, o que é bastante alto", disse o CEO da consultoria Tempo OK, João Hackerott.


O El Niño traria como consequência aumento das chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste. Já a região central do País, onde se concentram os principais reservatórios hidrelétricos, há irregularidade das precipitações e risco de ondas de calor. Hackerott lembra que além do fenômeno, as chuvas no Sudeste sofrem a interferência do comportamento do Oceano Atlântico e outras oscilações. "Estamos preocupados, o sinal de atenção é realista porque pode ter atraso no período úmido se tiver entrada El Niño e Oceano Atlântico mais aquecido, como as projeções estão indicando", disse.


O sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, salienta a necessidade de acompanhar o período de transição para confirmar a tendência de configuração do fenômeno, mas considera haver "grande chance" de El Niño no segundo semestre, trazendo desafios adicionais para o sistema elétrico brasileiro.


Ele lembra que as chuvas dos últimos meses foram irregulares, não permitindo boa recuperação do armazenamento nas hidrelétricas até agora. "A gente entra agora no terço final do período úmido e não tem mágica, não tem chuva em abril ou maio capaz de recuperar 10% de reservatório, então de agora em diante vai continuar recuperando reservatório, mas não tanto quanto se tivesse chovido desde dezembro", disse, sugerindo que o volume armazenado tende a ser uma preocupação no fim do período seco, por volta de outubro.


Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, alerta que o El Niño e o consequente aumento das temperaturas para patamares mais elevados, possivelmente acima da média, pode impulsionar a carga para além do crescimento atualmente projetado para o ano, da ordem de 4,5%. "No global dos últimos 12 meses de temperatura, estamos passando por um período de anomalia negativa, mas quando vem uma onda de calor, a carga responde", disse.


Para ele, teremos um 2026 com diversas pressões de crescimento da demanda. Além do consumidor lidando com picos de calor que elevam o uso de refrigeração, ele cita as elevadas taxas de crescimento observadas no Norte e Nordeste, superiores a 7%. "Temos duas âncoras de carga mais alta que são mais imunes a temperatura, é importante porque só o Nordeste entregou um crescimento 1 gigawatt em janeiro, ou 8%, o que é muito elevado. E pode ter oscilações no Sudeste e Sul, mas comparando com 2025 temos uma carga mais firme", disse.


Já Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, cita que o aumento das temperaturas, associado com a possibilidade de reservatórios baixos gera alerta especialmente para 2027. De acordo com ele, o aumento das chuvas no Sul, com o El Niño, colaboraria no atendimento do aumento da demanda no Sudeste, mantendo os preços da energia sob controle por um tempo, mas não geraria grandes contribuições para a melhora do armazenamento.


Contato: Luciana.collet@estadao.com


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Patrocínio do BRB e corrupção

 *Coluna do Estadão: Patrocínios do BRB subiram em 14 vezes sob Ibaneis; banco tem rombo do caso Master* Investigado pela Polícia Federal no...