quarta-feira, 11 de março de 2026

Escarnio, OESP

 *Escárnio*


Explicação da mulher de Moraes sobre o contrato multimilionário com o Master ofende a inteligência alheia. A PGR tem o dever de investigar as suspeitas, mas, por ora, omite-se inexplicavelmente


Há explicações que podem convencer um juiz. Outras talvez satisfaçam um cliente. E há as que não parecem destinadas a convencer ninguém – apenas a testar até que ponto o público tolera ser tratado como idiota. Após três meses de silêncio, a nota divulgada pelo escritório da mulher e dos filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para explicar o contrato com o Banco Master pertence a essa categoria.


O Estadão consultou 13 advogados de bancas de elite e demonstrou que o contrato de R$ 129 milhões do Barci de Moraes Advogados, que teria vigorado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 a uma remuneração mensal entre R$ 3,6 milhões e R$ 5,8 milhões, é absolutamente incompatível com o mercado. Mesmo adotando os preços do topo, o conjunto de atividades descritas na nota – reuniões, pareceres, revisão de políticas internas – dificilmente ultrapassaria R$ 7,8 milhões, no total.


Honorários superiores a R$ 100 milhões são raros e normalmente estão associados a disputas fiscais ou operações societárias bilionárias envolvendo batalhões de advogados e múltiplos escritórios. Os especialistas questionaram ainda o gabarito técnico da banca dos Moraes nas áreas contratadas. Segundo apuração de O Globo, nunca desmentida, apenas entre 2023 e 2024 o patrimônio da mulher do ministro aumentou 232%, de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões. Um fenômeno.


Ou Viviane de Moraes se transformou repentinamente na mais disputada advogada do Brasil, quiçá do mundo, ou todos os brasileiros estão autorizados a suspeitar que o contrato comprou serviços inconfessáveis.


O negócio compõe um mosaico de indícios: encontros pessoais entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e Alexandre de Moraes; mensagens interceptadas pela Polícia Federal tratando de interesses do banco (incluindo no dia da prisão do banqueiro); e contatos institucionais sensíveis, como com o Banco Central. Nada disso, tomado isoladamente, é crime. Mas, no conjunto, esses indícios compõem uma base objetiva que demanda investigação imediata. O mesmo vale para os vínculos do ministro Dias Toffoli com estruturas financeiras ligadas a Vorcaro, e suas decisões judiciais enquanto relator do caso Master.


Se fossem aplicados nesse caso os mesmos critérios que Moraes usou em processos recentes, o ministro estaria agora em sérios apuros. Moraes, por exemplo, já tratou o apagamento de mensagens em celular como ocultação de provas. Agora, há indícios de que o ministro tenha feito o mesmo com as mensagens trocadas com Vorcaro.


Uma vez que os próprios ministros Moraes e Toffoli se recusam a expor tudo às claras, a responsabilidade de dissipar – ou confirmar – as suspeitas caberia, antes de tudo, ao Ministério Público. Mas também aqui os princípios são elásticos. Em outros episódios, o procurador-geral, Paulo Gonet, amigo e apadrinhado de Moraes, já demonstrou um zelo incomum – como no caso do empresário ostensivamente investigado após supostamente hostilizar Moraes em um aeroporto, ou do ex-assessor de Moraes que, após expor evidências de manipulações processuais pelo ministro, ao invés de ser ouvido como testemunha, foi convertido em réu. Compare essa urgência fulminante com a paciência quase geológica no caso Master.


A percepção é de que a aplicação da lei pode variar, entre sonolenta e draconiana, conforme a posição institucional de quem está sob suspeita. Pela lógica constitucional, o poder emana do povo, aqueles que o exercem estão a seu serviço e, como bons funcionários, devem prestar contas de seus atos. Mas as autoridades togadas invertem essa lógica e tratam o poder como se fosse coisa sua, e os cidadãos como seus serviçais.


Pior do que uma explicação implausível é a sensação de que ela foi formulada na expectativa de que ninguém ousará questioná-la. Quando autoridades acreditam poder oferecer versões que desafiam a aritmética e o senso comum sem sequer enfrentar uma investigação, algo está profundamente pervertido na ordem republicana. O ministro Alexandre de Moraes já demonstrou inúmeras vezes que seu respeito pela lei é seletivo. Poderia ao menos respeitar a inteligência alheia.


https://www.estadao.com.br/opiniao/escarnio/?utm_source=estadao:app&utm_medium=noticia:compartilhamento

Crusoé

 https://crusoe.com.br/diario/por-que-toffoli-e-moraes-ainda-sao-ministros-escarnio/


*Por que Toffoli e Moraes ainda são ministros? Escárnio*


_A lei precisa permanecer distinguível da vontade particular de quem a interpreta. Sem essa distinção, a própria ideia de direito adquire contornos incertos_


Num país não disfuncional como o Brasil, esta pobre nação imersa numa apedeutocracia cleptomaníaca, fertilizada por séculos de corrupção e desvios morais de toda espécie, Toffoli e Moraes já estariam (quando não presos) sumariamente afastados da mais alta corte judicial do país, com vidas devassadas, computadores e celulares sequestrados, sigilos bancários quebrados e investigados linha a linha. Mas somos o Brasil... Até quando esse Brasil?


Há tipo de inquietação moral que emerge em certas épocas da vida política e que não se deixa reduzir facilmente a um desacordo partidário ou a uma indignação passageira com decisões específicas.


Ela surge como uma sensação difusa de que algo no equilíbrio entre poder e responsabilidade deixou de soar convincente (mesmo que jamais tenha sido de fato convincente).


Ora, as pessoas podem não dominar os detalhes jurídicos das instituições, podem não acompanhar de perto os procedimentos formais, mas percebem que existe uma expectativa implícita em qualquer ordem política estável: aqueles que ocupam as posições mais altas de autoridade devem ser também aqueles cuja conduta suporta o escrutínio mais severo e as mais altas exigências.


Essa expectativa tem uma simplicidade quase instintiva. Ela não floresce em teorias constitucionais sofisticadas, mas numa intuição bastante elementar de justiça.


O poder, sobretudo o poder investido de legitimidade institucional, carrega consigo a ideia de prestação de contas (os antigos gregos, vejam vocês, pelo 7 século a. C. já tinham um nome para tal prestação... eram as “euthynai”).


Em muitas circunstâncias da vida comum, isso parece evidente demais para precisar ser formulado.


Um juiz julga, um governante governa, um legislador legisla, e a confiança pública sustenta esse arranjo enquanto permanece a impressão de que os limites do cargo continuam sendo reconhecidos por quem o exerce.


A dificuldade toma forma no momento mesmo em que esse arranjo social começa a produzir uma impressão diferente. Devemos naturalizar a presença de suspeitos de conduta criminosa na condução dos processos institucionais?


Há de vir certo amargo na boca... sem grandes reflexões filosóficas, não? Ou perdemos completamente o que em bom português chamaria logo de “vergonha na cara”?


Os gregos, sempre eles, tinham uma sensibilidade muito refinada para o fenômeno que chamavam de “hybris”, uma forma de excesso que surgia quando a autoridade deixava de reconhecer os limites que originalmente justificavam sua existência.


A palavra aparece com frequência nas tragédias ... mas sua função ultrapassava o campo literário. A tragédia era também um exercício coletivo de reflexão sobre os perigos inerentes ao poder.


Na Atenas democrática, onde os cidadãos participavam diretamente das decisões públicas, essa preocupação adquiria uma intensidade especial.


O julgamento de Sócrates permanece como um episódio revelador dessa ambiguidade. O tribunal que o condenou não era uma instituição clandestina ou ilegítima.


Tratava-se de um órgão reconhecido da cidade, composto por cidadãos investidos da autoridade de julgar.


Ainda assim, o episódio atravessou os séculos como símbolo de um erro que parecia incompatível com a própria ideia de justiça.


Platão registrou esse momento com uma sobriedade desconcertante, mostrando um homem que continuava fiel à razão enquanto a autoridade institucional se movia em outra direção.


A cena é frequentemente lembrada como exemplo da fragilidade das decisões humanas, mas talvez diga algo mais específico sobre a relação entre instituições e confiança pública.


Tribunais não vivem apenas de regras escritas ou de procedimentos formais.


Existe uma dimensão menos tangível que envolve prestígio moral, credibilidade e uma certa disposição coletiva para aceitar decisões difíceis.


Uma comunidade política tolera derrotas jurídicas e até (infelizmente) injustiças pontuais enquanto preserva a sensação de que o sistema, no conjunto, continua comprometido com alguma forma reconhecível de justiça.


Pensadores liberais modernos refletiram longamente sobre essa questão porque sabiam que o poder institucional tende a desenvolver uma dinâmica própria.


Friedrich Hayek insistia que o Estado de Direito depende menos da presença de tribunais e mais de uma cultura política que preserve a primazia de regras gerais e impessoais.


A lei precisa permanecer distinguível da vontade particular de quem a interpreta. Sem essa distinção, a própria ideia de direito começa a adquirir contornos incertos.


A advertência não nasce de pessimismo exagerado. Ela parte de uma observação bastante sóbria da experiência histórica. Instituições são compostas por pessoas e as pessoas respondem aos incentivos do ambiente em que vivem.


Autoridade prolongada, ausência de mecanismos claros de responsabilização e a sensação de que certas posições estão protegidas contra questionamentos diretos tendem a alterar gradualmente o comportamento humano.


Nem sempre esse processo assume a forma de abuso explícito, como temos visto atualmente na Zumbilândia brasileira.


Em muitos casos, ele aparece como uma mudança sutil de atitude, um aumento da autoconfiança institucional, uma disposição crescente para expandir interpretações e competências.


Esse fenômeno se torna especialmente delicado no caso dos tribunais superiores.


Uma corte constitucional ocupa uma posição singular dentro da estrutura política. Sua função consiste em interpretar a lei em última instância e proteger certos princípios fundamentais contra oscilações da política cotidiana.


Essa posição, por óbvio, exige certa independência e um grau significativo de proteção institucional. Sem isso, o tribunal se tornaria apenas mais um ator submetido às pressões do momento.


Ao mesmo tempo, essa proteção cria uma situação curiosa. Quanto mais elevada se torna a posição institucional de um tribunal, mais difíceis se tornam os mecanismos de controle efetivo sobre ele.


O sistema político costuma confiar que a própria formação intelectual e ética dos magistrados funcionará como limite interno. Ledo engano. Somos sempre humanos.


No específico caso da mais alta corte brasileira, ministros não “acham” que não devem se submeter a qualquer código de conduta. Eles têm certeza.


Essa coisa de lei, regra, controle de abusos subjetivos é algo para gente “menor”; homens e mulheres divinos, aparentados do Olimpo, não devem ser cerceados em suas superiores determinações.


A perplexidade talvez seja a emoção mais reveladora nesse cenário. É um escárnio.


Não trato aqui de hostilidade permanente contra as instituições. Pelo contrário, instituições fortes costumam depender de um certo grau de confiança pública. O ponto delicado está em manter viva a possibilidade de questionamento.


Sociedades que perdem completamente essa capacidade tendem a transformar a autoridade institucional em algo rígido e autorreferente. Neste ponto, passamos todos a um estágio de condenação que inviabiliza processo civilizatório.


Na prática, a vida política raramente oferece soluções perfeitamente claras para esse tipo de tensão.


Muitas vezes, o sistema segue adiante com pequenos ajustes, sem que ocorra qualquer ruptura dramática.


Em outras ocasiões, as tensões acumuladas acabam produzindo reformas ou mudanças institucionais mais amplas. Imaginem vocês em que ponto estamos.


Enquanto isso, perguntas incômodas continuam circulando no debate público.


Elas reaparecem em conversas informais, em artigos de opinião, em discussões jurídicas mais técnicas.


Não desaparecem facilmente porque tocam em algo fundamental para a imaginação política de uma comunidade. O exercício do poder permanece sempre acompanhado pela expectativa de que esse poder reconheça algum tipo de limite.


Estamos em ponto de inflexão de nossa história. Ou o Brasil se reencontra num pacto mínimo de moralidade factível (mesmo nessa apedeutocracia cleptomaníaca) ou agonizará por mais tantas décadas em meio ao lixo, ao chorume estatal que nos lidera.

Simples assim.

Dennys Xavier é escritor, tradutor e PhD em Filosofia

Instagram: prof.dennysxavier

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Petróleo no foco da inflação em dia de CPI*


Irã ameaça plantar minas no Estreito de Ormuz, mas AIE pode liberar volume recorde de reservas estratégicas


… Apesar da aposta no radar de que a guerra pode não durar muito, o mercado promete continuar volátil e sensível aos desdobramentos da ofensiva, com a ameaça agora do Irã de plantar minas no Estreito de Ormuz para explodir qualquer navio que tente passar. Mas pode animar a notícia de que a AIE deve liberar 182 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas de alguns países, a maior quantidade já registrada na história. Ontem, a queda livre do petróleo aliviou as pressões inflacionárias e resgatou a chance de corte de meio ponto da Selic semana que vem. Uma resolução de curto prazo do conflito militar poderia antecipar um Fed flexível. O mercado está dividido entre julho e setembro e, depois do payroll fraco, confere hoje a inflação do CPI de fevereiro (9h30), que ainda não pegou o impacto da guerra. Aqui, é dia de vendas no varejo (9h) e pesquisa eleitoral Genial/Quaest (14h).


BATALHA NAVAL – No fim da tarde desta terça-feira, Trump publicou na rede Truth Social que as forças militares americanas destruíram 16 embarcações que seriam usadas para implantar minas marítimas, sem informar o local.


… O comentário veio depois de o presidente ter ameaçado o Irã com consequências militares “de um nível nunca visto antes”, caso o país caso tenha colocado minas no Estreito de Ormuz e se recuse a removê-las imediatamente.


… “Eles serão tratados de forma rápida e violenta”, afirmou, depois de relatórios da inteligência americana apontarem que o Irã estaria instalando minas, na estratégia para manter a passagem de navegação inacessível.


… O Estreito de Ormuz também foi pivô ontem de notícias desencontradas, que provocaram oscilação nos mercados.


… No momento mais intenso do dia, o petróleo chegou a desabar 18% com publicação do secretário de Energia americano, Chris Wright, de que a Marinha dos EUA havia escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz.


… Poucos minutos depois, a postagem foi apagada das redes sociais e a Casa Branca desmentiu a escolta (“embora esta seja uma possibilidade”), reduzindo o fôlego de queda do barril para 11% no fechamento dos negócios.


… Representante do governo iraniano acusou os Estados Unidos de divulgar fake news para manipular o mercado.


… O Irã voltou a lançar ataques contra Israel e países árabes do Golfo Pérsico durante a madrugada desta quarta-feira, no 12º dia da guerra no Oriente Médio. Sirenes e explosões foram ouvidas em Tel-Aviv.


… Os Emirados Árabes Unidos acionaram a defesa aérea contra a ofensiva iraniana.


… A Casa Branca continua cobrando “rendição incondicional” do Irã e diz que a guerra vai terminar quando Trump considerar que o inimigo não representa mais uma ameaça crível e direta aos Estados Unidos e aos seus aliados.


TÁ ON – Com os preços do petróleo corrigindo ontem a explosão recente, voltou a valer como aposta principal na curva a termo a queda de 0,50 ponto porcentual da Selic, faltando uma semana para a reunião do Copom.


… Na estreia do programa BDM Live, o sócio fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein, disse nesta terça-feira que o BC deve se referir à volatilidade externa, sem que a guerra seja impeditivo para o início do ciclo de corte.


… Segundo ele, a política monetária não deve se guiar por movimentos de curto prazo, mesmo que o choque do petróleo se mostre mais persistente. “É para isso que existe uma banda de inflação no regime de metas”, defendeu.


… Goldenstein acredita que o BC não vai perseguir o centro da meta de 3% e sim acomodar a inflação dentro do intervalo de tolerância, abrindo espaço para flexibilização da Selic agora em março, com redução de 50pb, a 14,50%.


… Segundo ele, a opção por uma dose menor de queda do juro, de 25pb, transmitiria falta de convicção.


… Caso os efeitos secundários sobre a inflação da ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã se mostrem relevantes mais para a frente, diz, o BC pode optar futuramente por encerrar o ciclo com uma taxa maior.


… “Mas o normal seria fazer pelo menos 300pb [de queda da Selic]”, com ajuste total para 12%.


… Ele projeta que o BC dê duas doses de queda de 50pb no juro (março e abril) e tenha em junho uma percepção mais clara sobre o petróleo. “Se (o barril) voltar a US$ 70, vejo chance até de -75pb; o ritmo mínimo é 50pb.”


… Goldenstein reconhece que a inflação continua rodando mais alta do que o esperado, porém está concentrada em itens voláteis. “A de serviços segue resiliente em função do mercado de trabalho apertado, mas vai enfraquecer.”


… O câmbio apreciado também tem contado a favor da retomada do ciclo de flexibilização da política monetária pelo BC. “O real tem tido uma trajetória muito benigna, melhor moeda emergente no ano”, observou na live.


… Além disso, a atividade econômica dá sinais de moderação. Em ano eleitoral, os riscos de medidas populistas não podem ser desprezados, mas isso parece insuficiente para levar o PIB a crescer acima do potencial, disse.


… Ele parabeniza Galípolo pela condução técnica e livre de pressão política, mas alerta que a Selic a 15% está muito acima da taxa neutra e que, se for mantida neste patamar, pode representar riscos ao mercado de crédito.


… Segundo Goldenstein, o BC deve continuar usando os termos cautela e serenidade e há dúvida se vai querer antecipar o ritmo de corte da Selic. “É um BC mais avesso a dar forward guidance, mas deu uma seta em janeiro.”


MAIS AGENDA – Já com os diretores do BC em período de silêncio para a reunião da semana que vem, as apostas para a Selic ainda podem ser calibradas hoje pelas vendas no varejo e, amanhã, pelo resultado do IPCA de janeiro.


… O nível restritivo da Selic deve moderar as vendas do varejo restrito, que excluem veículos e materiais de construção. A mediana no Projeções Broadcast indica recuo de 0,1% em janeiro, após queda de 0,4% em dezembro.


… O intervalo das estimativas para esta leitura vai de retração de 0,7% a crescimento de 0,8%.


… Já o varejo ampliado deve reverter o recuo de 1,2% em dezembro e crescer 0,4% (apostas vão de -0,6% a +0,7%).


… À tarde, sai o fluxo cambial semanal (14h30) e a pesquisa eleitoral da Genial/Quaest (14h).


… Divulgada ontem à noite, a sondagem Ipsos-Ipec apontou que 40% avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo (igual a dezembro), 33% consideram a gestão ótima ou boa (de 30% antes) e 24% qualificam como regular (de 29%).


… Lula desistiu de comparecer hoje à posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, após Flávio e Eduardo Bolsonaro também terem sido convidados para a cerimônia, já que o chileno tem grande proximidade com a família.


BALANÇOS – Smartfit sai antes da abertura do mercado. CSN, CSN Mineração, Vibra Energia, Casas Bahia, Yduqs, Azzas, Brava Energia, Cogna e SLC Agrícola soltam os seus resultados trimestrais após o fechamento do mercado.


RAÍZEN – Joint venture da Cosan com a Shell protocolou o maior pedido de recuperação extrajudicial do País, para negociar dívidas de R$ 65 bi com os principais bancos do país e detentores de títulos internacionais (bondholders).


… A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim (O Globo). A negociação já conta com apoio de mais de 40% dos credores, segundo fontes. Para a homologação, é necessário o apoio de 50% mais um dos credores.


… A companhia vai conseguir estancar por 90 dias as negociações com os credores até ganhar tempo para tentar reerguer o negócio. O plano abrange obrigações financeiras e não afeta as dívidas com fornecedores…


… Horas antes do pedido de recuperação extrajudicial, a empresa teve o rating de crédito rebaixado pela Moody’s de Caa1 para Caa3, com perspectiva negativa, diante da elevada alavancagem e geração de caixa pressionada…


… A agência citou risco maior de reestruturação da dívida após anúncio de aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto.


PRECISANDO DE UMA DR – Lula e Alcolumbre devem se reunir nos próximos dias. Os dois se falaram por telefone na semana passada, segundo apurou o Valor, e o presidente do Senado reclamou da falta de articulação do governo.


… Duas semanas atrás, Alcolumbre impôs um revés ao Executivo ao não pautar o Redata, que caducou. No dia seguinte, em nova derrota, a CPMI do INSS aprovou o requerimento de quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha.


… Em meio aos desgastes, Alcolumbre avisou que vai colocar para tramitar a PEC dos agentes de saúde, com impacto fiscal de R$ 25 bilhões em 10 anos. Ele decidiu despachar a proposta primeiro para a CCJ e, se aprovada, ao plenário.


… A PEC prevê que a regra para os agentes de saúde e de combate a endemias se aposentarem por idade será de 57 anos para as mulheres e 60 anos para os homens, com 25 anos de contribuição e de atividade.


… O texto encontra resistência no Ministério da Fazenda, mas tem forte apelo eleitoral.


… Haddad confirmou ontem que deixará o governo na próxima semana e indicou Dario Durigan como substituto.


PREVISÃO PARA O CPI – Como a guerra começou no último dia de fevereiro, o índice de preços ao consumidor dos EUA ainda não vai capturar o efeito sobre o petróleo, mas chega em um momento de inflação no centro do debate.


… O dado deve apontar alta de 0,3%, contra avanço de 0,2% em janeiro. Na taxa anual, a aposta é de 2,4%, mesmo patamar da medição anterior. Já o núcleo deve subir 0,2% (de 0,3%) e 2,5% na base anualizada (igual a janeiro).


… Com o petróleo em destaque, a Opep divulga seu relatório mensal e o DoE solta os estoques semanais (11h30), com previsão de alta de 1,1 milhão de barris. Ainda na agenda, Trump discursa sobre a economia em Kentucky.


AFTER HOURS – Oracle saltou 8,70%, depois de o lucro por ação de US$ 1,79 no 3Tri fiscal de 2026 ter superado a previsão de US$ 1,70 e de a receita de US$ 17,19 bi também ter vindo melhor que o esperado (US$ 16,19 bi).


NO GOGÓ – Depois de três sessões em disparada, o petróleo despencou com a declaração de Trump de que a guerra contra o Irã terminará “em breve”. Israel alinhou o discurso e também disse que não vai prolongar o conflito.


… O WTI para abril fechou em baixa de 11,94% na Nymex, a US$ 83,45 o barril. E o Brent para maio caiu 11,27% na ICE, para US$ 87,80, confirmando o movimento visto na sessão eletrônica na noite de 2ªF, após a fala de Trump.


… Ao longo da sessão, a commodity chegou a recuar mais de 15% com a informação de que os EUA teriam escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz, que depois foi negada pela Casa Branca.


… Porém, na sessão eletrônica noturna, os preços já davam sinais de que podem voltar a subir hoje por causa de relatos de que o Irã estaria espalhando minas aquáticas para impedir a passagem dos navios.


CORDA-BAMBA – As bolsas americanas chegaram a subir quase 1% no melhor momento do dia, embaladas pela queda do petróleo e pela notícia, depois desmentida, de que o Estreito de Ormuz teria sido reaberto.


… As versões desencontradas sobre a evolução da guerra deixaram os ativos voláteis. O clima de otimismo do início do pregão, com a fala de Trump de uma guerra “breve” ainda reverberando, aos poucos deu lugar à incerteza.


… Já no fim da sessão, a informação de que o Irã estaria colocando minas aquáticas no Estreito, e a promessa de Trump de reagir à medida, trouxeram a insegurança de volta aos mercados.


… O Dow Jones fechou em leve baixa de 0,07%, aos 47.706,51 pontos; o S&P500 recuou 0,21% (6.781,50); e o Nasdaq terminou de lado (+0,01%, a 22.697,10).


As ações de tecnologia foram destaque entre as altas: Intel (+2,63%), Cisco (+1,96%) e Nvidia (+1,16%). Já as petroleiras sentiram o recuo da commodity: Chevron (-1,66%) e ExxonMobil (-1,54%).


NO PIQUE – A bolsa brasileira emendou o segundo dia de ganhos, com sinais de que o capital estrangeiro voltou a entrar no mercado, apoiado na melhora da percepção de risco global.


… O Ibovespa não se deixou abater pela desaceleração das bolsas americanas no fim do pregão e manteve alta firme, encerrando com valorização de 1,40%, aos 183.447,00 pontos, e giro financeiro de R$ 31,3 bilhões.


… Petrobras caiu pouco perto do tombo do petróleo: a ação PN recuou 0,53%, a R$ 42,93; e a ON perdeu 0,19%, a R$ 46,66. Vale tirou parte do atraso e avançou 1,64% (R$ 80,56), superando o minério de ferro (+0,25%).


… Os papéis dos bancos finalmente brilharam: Bradesco PN, +2,46% (R$ 20,03); Santander unit, +2,02% (R$ 32,25); BB ON, +1,78% (R$ 25,14); e Itaú PN, +1,48% (R$ 43,80).


… Rumo (+6,96%, a R$ 17,05) liderou os ganhos com notícia da Bloomberg de que Ultrapar e a Perfin negociam a compra de 30% da empresa, seguido por Magazine Luiza (+6,51%, a R$ 10,14) e Cosan (+6,45%; R$ 6,11).


… A crise financeira da Raízen (-5,45%, a R$ 0,52) pesou novamente sobre o papel, que liderou as baixas, acompanhada de Braskem PNA (-4,47%; R$ 11,76) e Direcional (-3,84%; R$ 14,52), que repercutiu o balanço.


O FIM ESTÁ PRÓXIMO – A tese vendida por Trump, de que a guerra vai acabar logo, trouxe alívio aos DIs, que queimaram boa parte dos prêmios acumulados nos últimos dias, com o mercado voltando a focar no Copom.


… A queda expressiva do petróleo afastou o fantasma da inflação e renovou o otimismo dos agentes em um início de ciclo de afrouxamento monetário mais agressivo na próxima semana, com o corte de 0,5 pp de volta ao radar.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,560% (de 13,652% no ajuste anterior); Jan/29, 13,085% (de 13,265%); Jan/31, 13,415% (de 13,648%); e Jan/33, a 13,575% (de 13,819%).


… No câmbio, o real se fortaleceu diante do dólar pela terceira sessão seguida, em linha com a fraqueza da divisa americana frente aos pares, conforme o mercado desmonta posições defensivas assumidas no começo da guerra.


… O dólar à vista fechou em baixa de 0,13%, a R$ 5,1575. Lá fora, o índice DXY perdeu 0,26%, aos 98,921 pontos. O euro recuou 0,23%, para US$ 1,1609. E a libra caiu 0,19%, para US$ 1,3414.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Acionistas do BRADESCO elegeram Paulo Caffarelli, Regina Nunes e Ivan Gontijo para o conselho de administração; deixam o colegiado Walter Albertoni, Samuel dos Santos e Octavio de Lazari Jr.


BRB confirmou sanção de lei do DF que permite operações de até R$ 6,6 bilhões para reforço financeiro do banco.


BANRISUL anunciou pagamento de R$ 90 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,22 por ação; papéis ficam ex-direitos em 16 de março.


COMPASS, do grupo Cosan, pretende realizar IPO entre o fim de março e início de abril, com oferta que pode movimentar entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, segundo a Coluna do Broadcast.


SUZANO aprovou a 12ª emissão de debêntures simples, no valor de R$ 179 milhões, com prazo de 15 anos e vencimento em março de 2041.


SABESP informou que fará resgate antecipado de debêntures da 30ª emissão, no valor de cerca de R$ 543,3 milhões, no dia 20 de março.


PRIO registrou prejuízo líquido de US$ 185,4 milhões no 4TRI25, ante lucro de US$ 1,07 bilhão um ano antes. Receita líquida foi de US$ 586,1 milhões (+20%) e Ebitda ajustado somou US$ 341,4 milhões (+6%).


VIBRA aprovou a 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,5 bilhão, com prazo de 12 anos, podendo chegar a R$ 1,65 bilhão após bookbuilding.


ULTRAPAR afirmou estar atenta a oportunidades de negócios, após notícia na imprensa de negociação com a Chevron para venda de cerca de 30% da Ipiranga.


ALLOS registrou receita de R$ 850,4 milhões no 4TRI25 e Ebitda de R$ 671,9 mi, em linha com estimativas do Prévias Broadcast. A empresa aprovou a 9ª emissão de debêntures simples de R$ 1 bi, podendo ser ampliada em até 25%.


PAGUE MENOS levantou R$ 458,5 milhões em oferta subsequente de ações, com papéis precificados a R$ 6,55, segundo fontes da Broadcast.


SBF informou que o JPMorgan reduziu participação para 4,91% das ações ordinárias da companhia.


DIRECIONAL registrou lucro líquido de R$ 211,4 milhões no 4TRI25, alta de 16,5% em base anual. Receita líquida somou R$ 1,23 bilhão (+32,6%) e Ebitda ajustado foi de R$ 346,3 milhões (+38,9%).


CURY registrou lucro líquido de R$ 270,1 milhões no 4TRI25, alta de 62,9% em base anual. Receita líquida somou R$ 1,4 bilhão (+37,2%) e Ebitda foi de R$ 355 milhões (+50,3%).


ARTERIS informou que a concessão da Litoral Sul seguirá com o contrato atual até 2033 após fracasso nas negociações de repactuação com o governo.


MOTIVA registrou tráfego de 100,8 milhões de veículos em fevereiro, alta de 26,7% em base anual; no critério comparável, o avanço foi de 1,4%.


LUPATECH firmou contrato de R$ 68,4 milhões com a Petrobras para serviços de manutenção de válvulas e atuadores, *Rosa Riscala: Petróleo no foco da inflação em dia de CPI*


Irã ameaça plantar minas no Estreito de Ormuz, mas AIE pode liberar volume recorde de reservas estratégicas


… Apesar da aposta no radar de que a guerra pode não durar muito, o mercado promete continuar volátil e sensível aos desdobramentos da ofensiva, com a ameaça agora do Irã de plantar minas no Estreito de Ormuz para explodir qualquer navio que tente passar. Mas pode animar a notícia de que a AIE deve liberar 182 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas de alguns países, a maior quantidade já registrada na história. Ontem, a queda livre do petróleo aliviou as pressões inflacionárias e resgatou a chance de corte de meio ponto da Selic semana que vem. Uma resolução de curto prazo do conflito militar poderia antecipar um Fed flexível. O mercado está dividido entre julho e setembro e, depois do payroll fraco, confere hoje a inflação do CPI de fevereiro (9h30), que ainda não pegou o impacto da guerra. Aqui, é dia de vendas no varejo (9h) e pesquisa eleitoral Genial/Quaest (14h).


BATALHA NAVAL – No fim da tarde desta terça-feira, Trump publicou na rede Truth Social que as forças militares americanas destruíram 16 embarcações que seriam usadas para implantar minas marítimas, sem informar o local.


… O comentário veio depois de o presidente ter ameaçado o Irã com consequências militares “de um nível nunca visto antes”, caso o país caso tenha colocado minas no Estreito de Ormuz e se recuse a removê-las imediatamente.


… “Eles serão tratados de forma rápida e violenta”, afirmou, depois de relatórios da inteligência americana apontarem que o Irã estaria instalando minas, na estratégia para manter a passagem de navegação inacessível.


… O Estreito de Ormuz também foi pivô ontem de notícias desencontradas, que provocaram oscilação nos mercados.


… No momento mais intenso do dia, o petróleo chegou a desabar 18% com publicação do secretário de Energia americano, Chris Wright, de que a Marinha dos EUA havia escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz.


… Poucos minutos depois, a postagem foi apagada das redes sociais e a Casa Branca desmentiu a escolta (“embora esta seja uma possibilidade”), reduzindo o fôlego de queda do barril para 11% no fechamento dos negócios.


… Representante do governo iraniano acusou os Estados Unidos de divulgar fake news para manipular o mercado.


… O Irã voltou a lançar ataques contra Israel e países árabes do Golfo Pérsico durante a madrugada desta quarta-feira, no 12º dia da guerra no Oriente Médio. Sirenes e explosões foram ouvidas em Tel-Aviv.


… Os Emirados Árabes Unidos acionaram a defesa aérea contra a ofensiva iraniana.


… A Casa Branca continua cobrando “rendição incondicional” do Irã e diz que a guerra vai terminar quando Trump considerar que o inimigo não representa mais uma ameaça crível e direta aos Estados Unidos e aos seus aliados.


TÁ ON – Com os preços do petróleo corrigindo ontem a explosão recente, voltou a valer como aposta principal na curva a termo a queda de 0,50 ponto porcentual da Selic, faltando uma semana para a reunião do Copom.


… Na estreia do programa BDM Live, o sócio fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein, disse nesta terça-feira que o BC deve se referir à volatilidade externa, sem que a guerra seja impeditivo para o início do ciclo de corte.


… Segundo ele, a política monetária não deve se guiar por movimentos de curto prazo, mesmo que o choque do petróleo se mostre mais persistente. “É para isso que existe uma banda de inflação no regime de metas”, defendeu.


… Goldenstein acredita que o BC não vai perseguir o centro da meta de 3% e sim acomodar a inflação dentro do intervalo de tolerância, abrindo espaço para flexibilização da Selic agora em março, com redução de 50pb, a 14,50%.


… Segundo ele, a opção por uma dose menor de queda do juro, de 25pb, transmitiria falta de convicção.


… Caso os efeitos secundários sobre a inflação da ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã se mostrem relevantes mais para a frente, diz, o BC pode optar futuramente por encerrar o ciclo com uma taxa maior.


… “Mas o normal seria fazer pelo menos 300pb [de queda da Selic]”, com ajuste total para 12%.


… Ele projeta que o BC dê duas doses de queda de 50pb no juro (março e abril) e tenha em junho uma percepção mais clara sobre o petróleo. “Se (o barril) voltar a US$ 70, vejo chance até de -75pb; o ritmo mínimo é 50pb.”


… Goldenstein reconhece que a inflação continua rodando mais alta do que o esperado, porém está concentrada em itens voláteis. “A de serviços segue resiliente em função do mercado de trabalho apertado, mas vai enfraquecer.”


… O câmbio apreciado também tem contado a favor da retomada do ciclo de flexibilização da política monetária pelo BC. “O real tem tido uma trajetória muito benigna, melhor moeda emergente no ano”, observou na live.


… Além disso, a atividade econômica dá sinais de moderação. Em ano eleitoral, os riscos de medidas populistas não podem ser desprezados, mas isso parece insuficiente para levar o PIB a crescer acima do potencial, disse.


… Ele parabeniza Galípolo pela condução técnica e livre de pressão política, mas alerta que a Selic a 15% está muito acima da taxa neutra e que, se for mantida neste patamar, pode representar riscos ao mercado de crédito.


… Segundo Goldenstein, o BC deve continuar usando os termos cautela e serenidade e há dúvida se vai querer antecipar o ritmo de corte da Selic. “É um BC mais avesso a dar forward guidance, mas deu uma seta em janeiro.”


MAIS AGENDA – Já com os diretores do BC em período de silêncio para a reunião da semana que vem, as apostas para a Selic ainda podem ser calibradas hoje pelas vendas no varejo e, amanhã, pelo resultado do IPCA de janeiro.


… O nível restritivo da Selic deve moderar as vendas do varejo restrito, que excluem veículos e materiais de construção. A mediana no Projeções Broadcast indica recuo de 0,1% em janeiro, após queda de 0,4% em dezembro.


… O intervalo das estimativas para esta leitura vai de retração de 0,7% a crescimento de 0,8%.


… Já o varejo ampliado deve reverter o recuo de 1,2% em dezembro e crescer 0,4% (apostas vão de -0,6% a +0,7%).


… À tarde, sai o fluxo cambial semanal (14h30) e a pesquisa eleitoral da Genial/Quaest (14h).


… Divulgada ontem à noite, a sondagem Ipsos-Ipec apontou que 40% avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo (igual a dezembro), 33% consideram a gestão ótima ou boa (de 30% antes) e 24% qualificam como regular (de 29%).


… Lula desistiu de comparecer hoje à posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, após Flávio e Eduardo Bolsonaro também terem sido convidados para a cerimônia, já que o chileno tem grande proximidade com a família.


BALANÇOS – Smartfit sai antes da abertura do mercado. CSN, CSN Mineração, Vibra Energia, Casas Bahia, Yduqs, Azzas, Brava Energia, Cogna e SLC Agrícola soltam os seus resultados trimestrais após o fechamento do mercado.


RAÍZEN – Joint venture da Cosan com a Shell protocolou o maior pedido de recuperação extrajudicial do País, para negociar dívidas de R$ 65 bi com os principais bancos do país e detentores de títulos internacionais (bondholders).


… A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim (O Globo). A negociação já conta com apoio de mais de 40% dos credores, segundo fontes. Para a homologação, é necessário o apoio de 50% mais um dos credores.


… A companhia vai conseguir estancar por 90 dias as negociações com os credores até ganhar tempo para tentar reerguer o negócio. O plano abrange obrigações financeiras e não afeta as dívidas com fornecedores…


… Horas antes do pedido de recuperação extrajudicial, a empresa teve o rating de crédito rebaixado pela Moody’s de Caa1 para Caa3, com perspectiva negativa, diante da elevada alavancagem e geração de caixa pressionada…


… A agência citou risco maior de reestruturação da dívida após anúncio de aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto.


PRECISANDO DE UMA DR – Lula e Alcolumbre devem se reunir nos próximos dias. Os dois se falaram por telefone na semana passada, segundo apurou o Valor, e o presidente do Senado reclamou da falta de articulação do governo.


… Duas semanas atrás, Alcolumbre impôs um revés ao Executivo ao não pautar o Redata, que caducou. No dia seguinte, em nova derrota, a CPMI do INSS aprovou o requerimento de quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha.


… Em meio aos desgastes, Alcolumbre avisou que vai colocar para tramitar a PEC dos agentes de saúde, com impacto fiscal de R$ 25 bilhões em 10 anos. Ele decidiu despachar a proposta primeiro para a CCJ e, se aprovada, ao plenário.


… A PEC prevê que a regra para os agentes de saúde e de combate a endemias se aposentarem por idade será de 57 anos para as mulheres e 60 anos para os homens, com 25 anos de contribuição e de atividade.


… O texto encontra resistência no Ministério da Fazenda, mas tem forte apelo eleitoral.


… Haddad confirmou ontem que deixará o governo na próxima semana e indicou Dario Durigan como substituto.


PREVISÃO PARA O CPI – Como a guerra começou no último dia de fevereiro, o índice de preços ao consumidor dos EUA ainda não vai capturar o efeito sobre o petróleo, mas chega em um momento de inflação no centro do debate.


… O dado deve apontar alta de 0,3%, contra avanço de 0,2% em janeiro. Na taxa anual, a aposta é de 2,4%, mesmo patamar da medição anterior. Já o núcleo deve subir 0,2% (de 0,3%) e 2,5% na base anualizada (igual a janeiro).


… Com o petróleo em destaque, a Opep divulga seu relatório mensal e o DoE solta os estoques semanais (11h30), com previsão de alta de 1,1 milhão de barris. Ainda na agenda, Trump discursa sobre a economia em Kentucky.


AFTER HOURS – Oracle saltou 8,70%, depois de o lucro por ação de US$ 1,79 no 3Tri fiscal de 2026 ter superado a previsão de US$ 1,70 e de a receita de US$ 17,19 bi também ter vindo melhor que o esperado (US$ 16,19 bi).


NO GOGÓ – Depois de três sessões em disparada, o petróleo despencou com a declaração de Trump de que a guerra contra o Irã terminará “em breve”. Israel alinhou o discurso e também disse que não vai prolongar o conflito.


… O WTI para abril fechou em baixa de 11,94% na Nymex, a US$ 83,45 o barril. E o Brent para maio caiu 11,27% na ICE, para US$ 87,80, confirmando o movimento visto na sessão eletrônica na noite de 2ªF, após a fala de Trump.


… Ao longo da sessão, a commodity chegou a recuar mais de 15% com a informação de que os EUA teriam escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz, que depois foi negada pela Casa Branca.


… Porém, na sessão eletrônica noturna, os preços já davam sinais de que podem voltar a subir hoje por causa de relatos de que o Irã estaria espalhando minas aquáticas para impedir a passagem dos navios.


CORDA-BAMBA – As bolsas americanas chegaram a subir quase 1% no melhor momento do dia, embaladas pela queda do petróleo e pela notícia, depois desmentida, de que o Estreito de Ormuz teria sido reaberto.


… As versões desencontradas sobre a evolução da guerra deixaram os ativos voláteis. O clima de otimismo do início do pregão, com a fala de Trump de uma guerra “breve” ainda reverberando, aos poucos deu lugar à incerteza.


… Já no fim da sessão, a informação de que o Irã estaria colocando minas aquáticas no Estreito, e a promessa de Trump de reagir à medida, trouxeram a insegurança de volta aos mercados.


… O Dow Jones fechou em leve baixa de 0,07%, aos 47.706,51 pontos; o S&P500 recuou 0,21% (6.781,50); e o Nasdaq terminou de lado (+0,01%, a 22.697,10).


As ações de tecnologia foram destaque entre as altas: Intel (+2,63%), Cisco (+1,96%) e Nvidia (+1,16%). Já as petroleiras sentiram o recuo da commodity: Chevron (-1,66%) e ExxonMobil (-1,54%).


NO PIQUE – A bolsa brasileira emendou o segundo dia de ganhos, com sinais de que o capital estrangeiro voltou a entrar no mercado, apoiado na melhora da percepção de risco global.


… O Ibovespa não se deixou abater pela desaceleração das bolsas americanas no fim do pregão e manteve alta firme, encerrando com valorização de 1,40%, aos 183.447,00 pontos, e giro financeiro de R$ 31,3 bilhões.


… Petrobras caiu pouco perto do tombo do petróleo: a ação PN recuou 0,53%, a R$ 42,93; e a ON perdeu 0,19%, a R$ 46,66. Vale tirou parte do atraso e avançou 1,64% (R$ 80,56), superando o minério de ferro (+0,25%).


… Os papéis dos bancos finalmente brilharam: Bradesco PN, +2,46% (R$ 20,03); Santander unit, +2,02% (R$ 32,25); BB ON, +1,78% (R$ 25,14); e Itaú PN, +1,48% (R$ 43,80).


… Rumo (+6,96%, a R$ 17,05) liderou os ganhos com notícia da Bloomberg de que Ultrapar e a Perfin negociam a compra de 30% da empresa, seguido por Magazine Luiza (+6,51%, a R$ 10,14) e Cosan (+6,45%; R$ 6,11).


… A crise financeira da Raízen (-5,45%, a R$ 0,52) pesou novamente sobre o papel, que liderou as baixas, acompanhada de Braskem PNA (-4,47%; R$ 11,76) e Direcional (-3,84%; R$ 14,52), que repercutiu o balanço.


O FIM ESTÁ PRÓXIMO – A tese vendida por Trump, de que a guerra vai acabar logo, trouxe alívio aos DIs, que queimaram boa parte dos prêmios acumulados nos últimos dias, com o mercado voltando a focar no Copom.


… A queda expressiva do petróleo afastou o fantasma da inflação e renovou o otimismo dos agentes em um início de ciclo de afrouxamento monetário mais agressivo na próxima semana, com o corte de 0,5 pp de volta ao radar.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,560% (de 13,652% no ajuste anterior); Jan/29, 13,085% (de 13,265%); Jan/31, 13,415% (de 13,648%); e Jan/33, a 13,575% (de 13,819%).


… No câmbio, o real se fortaleceu diante do dólar pela terceira sessão seguida, em linha com a fraqueza da divisa americana frente aos pares, conforme o mercado desmonta posições defensivas assumidas no começo da guerra.


… O dólar à vista fechou em baixa de 0,13%, a R$ 5,1575. Lá fora, o índice DXY perdeu 0,26%, aos 98,921 pontos. O euro recuou 0,23%, para US$ 1,1609. E a libra caiu 0,19%, para US$ 1,3414.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Acionistas do BRADESCO elegeram Paulo Caffarelli, Regina Nunes e Ivan Gontijo para o conselho de administração; deixam o colegiado Walter Albertoni, Samuel dos Santos e Octavio de Lazari Jr.


BRB confirmou sanção de lei do DF que permite operações de até R$ 6,6 bilhões para reforço financeiro do banco.


BANRISUL anunciou pagamento de R$ 90 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,22 por ação; papéis ficam ex-direitos em 16 de março.


COMPASS, do grupo Cosan, pretende realizar IPO entre o fim de março e início de abril, com oferta que pode movimentar entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, segundo a Coluna do Broadcast.


SUZANO aprovou a 12ª emissão de debêntures simples, no valor de R$ 179 milhões, com prazo de 15 anos e vencimento em março de 2041.


SABESP informou que fará resgate antecipado de debêntures da 30ª emissão, no valor de cerca de R$ 543,3 milhões, no dia 20 de março.


PRIO registrou prejuízo líquido de US$ 185,4 milhões no 4TRI25, ante lucro de US$ 1,07 bilhão um ano antes. Receita líquida foi de US$ 586,1 milhões (+20%) e Ebitda ajustado somou US$ 341,4 milhões (+6%).


VIBRA aprovou a 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,5 bilhão, com prazo de 12 anos, podendo chegar a R$ 1,65 bilhão após bookbuilding.


ULTRAPAR afirmou estar atenta a oportunidades de negócios, após notícia na imprensa de negociação com a Chevron para venda de cerca de 30% da Ipiranga.


ALLOS registrou receita de R$ 850,4 milhões no 4TRI25 e Ebitda de R$ 671,9 mi, em linha com estimativas do Prévias Broadcast. A empresa aprovou a 9ª emissão de debêntures simples de R$ 1 bi, podendo ser ampliada em até 25%.


PAGUE MENOS levantou R$ 458,5 milhões em oferta subsequente de ações, com papéis precificados a R$ 6,55, segundo fontes da Broadcast.


SBF informou que o JPMorgan reduziu participação para 4,91% das ações ordinárias da companhia.


DIRECIONAL registrou lucro líquido de R$ 211,4 milhões no 4TRI25, alta de 16,5% em base anual. Receita líquida somou R$ 1,23 bilhão (+32,6%) e Ebitda ajustado foi de R$ 346,3 milhões (+38,9%).


CURY registrou lucro líquido de R$ 270,1 milhões no 4TRI25, alta de 62,9% em base anual. Receita líquida somou R$ 1,4 bilhão (+37,2%) e Ebitda foi de R$ 355 milhões (+50,3%).


ARTERIS informou que a concessão da Litoral Sul seguirá com o contrato atual até 2033 após fracasso nas negociações de repactuação com o governo.


MOTIVA registrou tráfego de 100,8 milhões de veículos em fevereiro, alta de 26,7% em base anual; no critério comparável, o avanço foi de 1,4%.


LUPATECH firmou contrato de R$ 68,4 milhões com a Petrobras para serviços de manutenção de válvulas e atuadores, com vigência de 760 dias. 

Legado

 Obras? Nenhuma!  Além de viagens caras e desnecessárias, das 1001 Noites, Lula passou os dias a pensar em uma única coisa: elevar ou criar ...