sexta-feira, 17 de julho de 2026

Elena Landau



Terra sem lei


Elena Landau elena.landau@eusoulivres.org ADVOGADA E ECONOMISTA

A falta de respeito ao próximo, às autoridades e às leis está em todas as classes sociais

Esta semana, vi um vídeo em que um adolescente agredia um professor em sala de aula. Arremessou uma camisa molhada, rasgou a própria prova e a dos colegas e saiu dando gargalhadas. O professor pediu demissão. Sozinho, não consegue lidar com as agressões frequentes. Não há punição para esses delinquentes. Se os mestres desistem, não restará mais esperança. Mas nossos problemas vão além destes frequentes episódios chocantes em sala de aula. A falta de respeito ao próximo, às autoridades e às leis está por todos os lugares e em todas as classes sociais.

Reclamamos de entregadores e suas bicicletas nas calçadas, mas, ao menos, estão trabalhando. O que dizer de pais e mães carregando seus filhos nas e-bikes, na contramão ou a caminho do trabalho, trafegando pelas calçadas com seus fones de ouvido, indiferentes aos pedestres? Avançar o sinal e fechar cruzamentos é o novo normal nos bairros de renda alta. Motoristas não ligam: “Se todo mundo faz, eu também faço” e seguem sem culpa pelo acostamento de uma estrada engarrafada ou parados tranquilamente em fila dupla.

Viajei para torcer pela seleção sem muitas ilusões. Só não esperava um Brasil apático. No intervalo do trágico jogo contra a Noruega, uma brasileira, fingindo-se de distraída, furou a fila do banheiro e entrou pela saída: “Vou apenas lavar as mãos”. Mentira, claro. Quando reclamei, veio a resposta: “Cala a boca ou faço xixi em você”. A norueguesa à minha frente comentou: “Ela está usando o símbolo do seu país!”. Sim, estava enrolada na bandeira onde se lia “Ordem e Progresso”. Envergonhada, pedi desculpas.

Dizem que o exemplo vem de cima. Deve ser por isso que estamos lascados. Os Três Poderes estão focados em melar a investigação sobre Vorcaro. Não se fala mais de contrato nem de resort. Segundo um senador, mandado de busca virou patacoada. Normal ter tanto dinheiro vivo em casa, afinal, os juros reais são só 10% ao ano. A máfia do orçamento vai dominando o noticiário e penduricalhos são legalizados, enquanto a população segue endividada.

Gilmar Mendes “assumiu” a presidência da CBF, acumulando sua função no STF. Em breve, o veremos em uma mesa-redonda comentando jogos. Não por acaso, a seleção virou piada.

A escalação que me importa é a que vai comandar o Brasil nos próximos anos. Sobrevivendo, podemos pensar no hexa em 2030. As eleições não trazem esperança. Flávio lê cartinha do papai, envolto em escândalos, e segue em frente, impávido colosso. Lula mostra o dedo do meio e chama de palhaçada a lei eleitoral que limita suas inaugurações e ainda ameaça não obedecer.

Imoral? Ilegal? E daí?

Cora Ronai

 Pessoas, desculpem. Eu sei que ando sumida, mas estou atravessando um daqueles momentos de ranço absoluto das redes sociais. Começo a escrever alguma coisa ou a pensar num post para o Instagram e lá vem a revolta: Mas qual é o sentido de trabalhar de graça para uma das empresas mais ricas do universo?!

Se a minha profissão fosse diferente, as redes seriam apenas um hobby como outro qualquer e provavelmente eu não me sentiria lesada.
Escrever, porém — esse negócio de sentar no computador e ficar batucando nas pretinhas — é a minha profissão. Por incrível que pareça, e continua parecendo incrível para mim, é como eu ganho dinheiro para pagar as despesas dos gatos, e as minhas também.
Às vezes consigo ignorar esse sistema de exploração. Às vezes, não.
Estou num momento "não".
A vida offline, por sua vez, não deu trégua.
Temos um bebê novo na família, o filhotinho da Ma e do Rafa, que eu ainda não consigo chamar de Carlos porque isso é nome de homem sério e circunspecto, e ele é tão pequenininho... Por enquanto, então, é Pessoa Pequena para mim.
O Paulinho e a Kelyndra estiveram no Rio. Passamos ótimos momentos juntos, eles voltaram para casa e, dois ou três dias depois, a Kelyndra teve que ser operada às pressas por causa de uma apendicite supurada. Quase morreu — foi para a UTI e tudo — mas está se recuperando muito bem.
Ela teve uma enfermeira particular espetacular: a Alícia, que por acaso tinha acabado de tirar uns dias de folga para descansar da pressão do hospital em Seattle. Resultado: passou as férias num hospital em San Diego, cuidando da mãe.
Assim que a Kelyndra teve alta, Fábio e Nina viajaram para lá para passar as férias com os tios. Ontem mandaram um vídeo de um bando de leões-marinhos que apareceu na praia.
A Famiglia Gatto, infelizmente, não vai tão bem.
Toró está bem, embora muito mais fraco do que costumava ser. Continua tomando insulina duas vezes por dia; anda vomitando de madrugada, mas não é grave.
Florzinha foi operada: teve uma hérnia; a bexiga saiu da cavidade abdominal. Foi um caso complicado e assustador. Doutor Thomas resolveu com o carinho e a habilidade de sempre.
A Rata está definhando. É renal, tem uma massa esquisita no fígado e toma soro dia sim, dia não. Anda cada vez mais inapetente, apesar do remédio para abrir o apetite.
Pessoa está bem dentro das suas limitações.
Frida Gatto apareceu hoje com uma diarreia suspeita — giárdia, provavelmente.
E Mirthes continua tocando o terror entre gatos e humanos com igual eficiência.
Quanto aos peixinhos, seguem levando uma vida exemplar, sem dar trabalho nem manchete.

Call Matinal 1706

 Call Matinal

17/07/2026

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO (1607)

MERCADOS

Na quinta-feira (16), o Ibovespa queimou quase 2.200 pontos de uma vez só. Fechou em queda de 1,24%, aos 173.825,27 pontos, e giro de apenas R$ 19,1 bilhões. Já o o dólar teve alta moderada, colou em R$ 5,10, mas ainda deu um jeito de fechar abaixo disso. Acompanhou a força global, mas continuou comportado, em R$ 5,0990, alta de 0,40%, mesmo com o tarifaço devendo render capital político para Lula.


PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta sexta-feira (17), pressionados pela nova onda de vendas de ações de fabricantes de chips, em meio ao aumento das preocupações sobre as elevadas avaliações do setor impulsionadas pela inteligência artificial (IA).

MERCADOS 5h30

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,61%

S&P 500 Futuro: -1,04%

Nasdaq Futuro: -2,13%

Bolsas de NY em baixa. Além das dúvidas sobre o boom da IA, o apetite por risco também é limitado pelo aumento das tensões geopolíticas. O sentimento do mercado é impactado por mais um dia de ataques e contra-ataques no Oriente Médio.


Ásia-Pacífico

Shanghai SE (China), -3,05%

Nikkei (Japão): -4,03%

Hang Seng Index (Hong Kong): -1,78%

Nifty 50 (Índia): +0,63%

ASX 200 (Austrália): -0,50%


Europa

STOXX 600: -0,46%

DAX (Alemanha): -0,54%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,31%

CAC 40 (França): -0,61%

FTSE MIB (Itália): -0,81%

Commodities

Petróleo WTI, +0,82%, a US$ 79,60 o barril

Petróleo Brent, +0,43%, a US$ 84,59 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,53%, a 762,00 iuanes (US$ 112,50)

Bitcoin, -2,38%, a US$ 62.657,46

  


Dia 1707

Fechamos a semana ainda preocupados com a escalada dos conflitos no Oriente Médio. Um novo prêmio de risco geopolítico se consolida com a ameaça de abertura de novas frentes. No Brasil, o tarifaço dos EUA transformou a disputa comercial em mais um capítulo da polarização eleitoral, enquanto causa apreensão a possibilidade do governo aplicar a Lei de Reciprocidade. Na agenda desta sexta-feira, produção industrial e o índice de sentimento do consumidor nos EUA e o IBC-Br no Brasil, depois de o varejo vir negativo e reforçar os sinais de desaceleração da economia. Em Nova York, as bolsas prometem abrir em queda por causa do balanço da Netflix.

 

Agenda

Sexta-feira, 17/07

Brasil: 9h00 - IBC-Br de maio, prévia do PIB, depois de as vendas do varejo crescerem apenas 0,1% no mês, bem abaixo de 0,7% esperada pelo mercado, reforçando os sinais de desaceleração gradual da atividade

Brasil: 8h00 - FGV divulga o IGP-10 de julho, com mediana de queda de 0,99%, após recuo de 0,30% em junho.

EUA: 10h15 - Produção industrial em expectativa de alta de 0,4% no mês, após avanço de 0,1% em maio

EUA: 11h - Universidade de Michigan publica a leitura preliminar de julho do índice de sentimento do consumidor

EUA: 14h - Baker Hughes divulga o número de poços e plataformas de petróleo em operação nos Estados Unidos

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Mercado entre a guerra e o tarifaço*


… A escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o petróleo, ontem à noite, reforçando a percepção de que um novo prêmio de risco geopolítico pode estar se consolidando com a ameaça de abertura de novas frentes no Oriente Médio. No Brasil, o tarifaço dos Estados Unidos transformou a disputa comercial em mais um capítulo da polarização eleitoral, enquanto causa apreensão a possibilidade de o governo aplicar a Lei de Reciprocidade. Na agenda desta sexta-feira, produção industrial e o índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos e o IBC-Br no Brasil, depois de o varejo surpreender negativamente e reforçar os sinais de desaceleração da economia. Em Nova York, as bolsas prometem abrir com gap de queda por causa do balanço da Netflix.


TARIFAÇO – O governo do presidente Lula entrou em campo nesta quinta-feira para responder, ponto a ponto, às justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para impor a nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.


… Em uma coletiva que reuniu seis ministros e o presidente do Banco Central, a estratégia foi desmontar os argumentos da investigação da Seção 301 e reforçar que o Brasil continuará negociando, mas sem abrir mão da soberania nacional.


… Enquanto Mauro Vieira e Márcio Elias defenderam a condução das negociações e rebateram as exigências americanas, Geraldo Alckmin e Dario Durigan sinalizaram apoio aos setores afetados e deixaram aberta a possibilidade de aplicação da Lei da Reciprocidade.


… Gabriel Galípolo contestou as críticas ao Pix e João Paulo Capobianco fez o mesmo em relação ao desmatamento.


… Mais do que responder ao tarifaço, o governo procurou deslegitimar os argumentos que embasaram a decisão americana. A estratégia também deixou evidente a dimensão político-eleitoral que o governo pretende atribuir ao episódio.


… Além de rebater tecnicamente as justificativas apresentadas por Washington, ministros sustentaram que o tarifaço teve motivação política e criticaram a atuação de brasileiros que, na avaliação do governo, estimularam ou apoiaram a medida.


… A referência indireta à família Bolsonaro é, no entanto, muito clara e não deixará de ser explorada eleitoralmente por Lula na disputa eleitoral.


… Enquanto o País tomava conhecimento dos detalhes da decisão do USTR, a Quaest divulgou pesquisa mostrando que a maioria dos brasileiros atribui ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro a responsabilidade pelo novo tarifaço imposto ao Brasil.


… Segundo o levantamento, 51% concordam com a versão apresentada pelo presidente Lula de que Flávio teria pedido a adoção das tarifas, enquanto 42% dos entrevistados afirmam que o tarifaço aumenta a vontade de votar no petista.


… Em transmissão nas redes sociais, Flávio Bolsonaro quis apagar essa impressão, culpando Lula e afirmando que tentou de tudo para impedir a adoção das tarifas. No mercado, porém, esse foi justamente o impacto que mais pesou para o mau humor dos negócios (leia abaixo).


NEGOCIAÇÃO CONTINUA – O governo reafirmou que continuará buscando uma solução negociada para o impasse comercial com os Estados Unidos, apesar da confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.


… Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, o Brasil seguirá defendendo um acordo “mutuamente benéfico”, mas não aceitará exigências incompatíveis com os interesses nacionais, do setor produtivo ou da soberania do País.


… O chanceler Mauro Vieira afirmou que, desde julho de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões com representantes do governo americano, mas as negociações fracassaram porque Washington passou a exigir concessões consideradas inaceitáveis pelo Brasil.


… “Eles queriam abertura total. Esperavam um acordo absoluto. Em outras palavras, exigiam que o Brasil se curvasse à capitulação.”


LINHAS VERMELHAS – Entre as exigências americanas, Márcio Elias revelou que os Estados Unidos pediram ao Brasil restrições a investimentos estrangeiros em projetos ligados a minerais críticos. A proposta foi rejeitada.


… Segundo o ministro, o governo brasileiro apresentou alternativas de cooperação, inclusive nas áreas de minerais críticos, combate à lavagem de dinheiro e organizações criminosas, mas preservando a autonomia nacional sobre investimentos estratégicos.


… O vice-presidente Geraldo Alckmin também reforçou que o governo continuará negociando, classificou a tarifa como “injusta e descabida” e confirmou que a Lei da Reciprocidade será utilizada “no momento adequado”, sem interromper o diálogo com Washington.


SETORES AFETADOS – Segundo Márcio Elias, cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão atingidas pela nova tarifa, percentual que cairia para aproximadamente 15% considerando a pauta exportadora de 2025.


… A medida passa a valer em 22 de julho, preservando mercadorias já embarcadas até 29 de julho.


… Os segmentos mais afetados incluem madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.


… A CNI estima que, mesmo após a ampliação das exceções, cerca de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras continuarão sujeitos às novas tarifas, atingindo especialmente alimentos. O governo anunciou prioridade no atendimento aos setores prejudicados.


… Segundo Alckmin e Dario Durigan, ApexBrasil, BNDES, BID e o programa Brasil Soberano deverão apoiar a abertura de novos mercados, ampliar linhas de financiamento e reduzir os impactos sobre exportadores.


PIX E MEIO AMBIENTE – O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que as críticas americanas ao Pix não encontram respaldo técnico, que foram feitas para justificar as tarifas, lembrando que o sistema ampliou a concorrência, reduziu custos e se tornou referência internacional.


… Segundo ele, mais de 47 bancos centrais de vários países estão interessados em modelos semelhantes.


… Na mesma linha, o ministro João Paulo Capobianco afirmou que as acusações ambientais ignoram a queda de cerca de 50% do desmatamento na Amazônia nos últimos três anos e o menor índice para um primeiro semestre em uma década.


… Também contestou as críticas ao setor madeireiro, destacando que o Brasil responde por apenas 0,65% do comércio mundial de madeira e possui um dos sistemas de rastreabilidade mais rigorosos do mundo.


IMPACTO LIMITADO – As estimativas do mercado apontam para efeitos macroeconômicos relativamente modestos.


… O Goldman Sachs calcula que, após as exceções, a tarifa efetiva caia para 16,8%, enquanto o Daycoval estima uma perda de aproximadamente US$ 700 milhões em exportações e impacto de apenas 0,03 ponto percentual sobre o PIB.


… Para o economista Sérgio Vale, da MB Associados, a decisão americana dificilmente seria evitada por meio de concessões do Brasil, já que a política tarifária é uma estratégia de Donald Trump, não só com o Brasil, mas inclusive com os parceiros.


… Para ele, a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade precisa ser cuidadosamente calibrada para evitar custos adicionais à indústria brasileira.


DEFESA DA SEÇÃO 301 – No fim do dia, o governo divulgou sua defesa formal na investigação da Seção 301, rebatendo uma a uma as acusações americanas que embasaram a imposição das tarifas, afirmando que “não encontram respaldo nos fatos nem nas normas multilaterais”.


… Nota do MDIC lembra que os Estados Unidos acumulam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio bilateral nos últimos 15 anos e registra que propostas brasileiras para negociação dos mercados de etanol e açúcar jamais receberam resposta de Washington.


LÁ FORA, A GUERRA – O petróleo voltou a subir no eletrônico, recuperando as perdas do fechamento regular desta quinta-feira, à medida que a escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã aumentou as preocupações com interrupções mais amplas no fornecimento global.


… O Brent beirava os US$ 85 por barril e caminhava para uma valorização de cerca de 12% na semana, a maior desde abril, enquanto investidores passaram a olhar não apenas para Ormuz, mas também às ameaças ao transporte marítimo no Mar Vermelho.


… Os Estados Unidos realizaram uma nova onda de ataques contra o Irã pelo sexto dia consecutivo, atingindo áreas próximas a Bandar Abbas, enquanto Teerã intensificou as ameaças de retaliação.


… Segundo a agência Reuters, o governo iraniano orientou os houthis do Iêmen a se prepararem para fechar o estreito de Bab el-Mandeb caso a infraestrutura energética do país seja atacada, ampliando os riscos para outra rota estratégica do comércio internacional de petróleo.


… O grupo também ameaçou atingir instalações petrolíferas da Arábia Saudita caso Riad volte a participar de uma ofensiva militar no Iêmen.


… A recuperação no eletrônico reforça a volatilidade e a percepção de que o mercado pode incorporar um novo prêmio de risco geopolítico.


… Para a Rystad Energy, na Bloomberg, a principal questão deixou de ser a possibilidade de um acordo diplomático e passou a ser a capacidade de o transporte marítimo continuar operando normalmente sob uma ameaça prolongada.


… Já a BCA Research avalia que a recente recuperação dos preços mostra que os investidores subestimaram a fragilidade do cessar-fogo, enquanto a Capital Economics alerta que um fechamento prolongado de Ormuz ainda poderia levar o Brent para a região de US$ 120 por barril.


PRONUNCIAMENTO À NAÇÃO – A fala do presidente Donald Trump ontem à noite foi essencialmente eleitoral. A única referência à guerra no Oriente Médio foi a declaração de que “estamos vencendo muito bem no Irã, mas ainda temos desafios à frente”.


… O presidente concentrou a maior parte do pronunciamento em acusações de fraude nas eleições de 2020 e voltou a afirmar, sem apresentar novas evidências, que a China e outros países tiveram acesso a dados de eleitores americanos.


AFTER HOURS – Netflix desabou 9%, após a frustração com a receita no segundo trimestre e a projeção fraca para o atual trimestre, que ofuscaram o lucro de US$ 0,80 por ação, ligeiramente acima das estimativas de US$ 0,79.


… A gigante registrou receita de US$ 12,56 bilhões entre abril e junho, abaixo do consenso de US$ 12,58 bilhões.


… Para o trimestre atual, a Netflix projetou lucro de US$ 0,82 por ação sobre receita de US$ 12,86 bilhões. As duas previsões decepcionaram Wall Street, que apostava em lucro de US$ 0,84 por ação sobre receita de US$ 13 bilhões.


AGENDA – Depois de uma sequência de indicadores reforçar os sinais de força da economia americana, investidores em Nova York acompanham nesta sexta-feira novos dados capazes de influenciar as expectativas para a política monetária do Fed.


… Às 10h15, a produção industrial tem expectativa de alta de 0,4% no mês, após avanço de 0,1% em maio. O principal destaque, porém, fica para as 11h, quando a Universidade de Michigan publica a leitura preliminar de julho do índice de sentimento do consumidor.


… Neste caso, a projeção é de alta de 49,5 para 51. Junto, saem as expectativas de inflação para um e cinco anos, acompanhadas de perto pelo Fed. Às 14h, a Baker Hughes divulga o número de poços e plataformas de petróleo em operação nos Estados Unidos.


… No Brasil, a atenção se volta para o IBC-Br de maio, considerado uma prévia do PIB, depois de as vendas do varejo crescerem apenas 0,1% no mês, bem abaixo da mediana de 0,7% esperada pelo mercado, reforçando os sinais de desaceleração gradual da atividade.


… O IBC-Br será publicado pelo Banco Central às 9h e a mediana das estimativas do Projeções Broadcast aponta queda de 0,20% na margem, após alta de 0,51% em abril, com projeções entre recuo de 1,06% e avanço de 0,40%.


… Economistas avaliam que a perda de fôlego do setor de serviços deve liderar o resultado mais fraco, reforçando a expectativa de desaceleração da atividade no segundo trimestre. Na comparação anual, a expectativa é de crescimento de 0,70%, abaixo do 0,92% do mês anterior.


… Antes, às 8h, a Fundação Getúlio Vargas divulga o IGP-10 de julho, com mediana de queda de 0,99%, após recuo de 0,30% em junho.


O AMIGO INDESEJÁVEL – De todos os prejuízos do tarifaço, o mercado sentiu que o pior deles não foi a taxa de 25%, que já estava no script, nem a lista divulgada (com várias itens poupados) e nem o troco que o Brasil promete dar.


… Foi o potencial efeito colateral sobre a candidatura de Flávio, porque não existe a menor dúvida de que o Lula vai capitalizar a estratégia mal sucedida da família Bolsonaro de posar como parte do círculo próximo de Trump.


… A pesquisa indicando que a maioria da população acredita que a culpa pelas tarifas é de Flávio dá munição para Lula explorar politicamente a seu favor a crise protecionista, inclusive comprando briga com os Estados Unidos.


… O grande risco é que o tiro no pé de Flávio na questão do tarifaço abra ainda mais a vantagem do presidente Lula nas sondagens eleitorais, esvaziando as chances da alternância de poder e eventual melhora da percepção fiscal.


… Não bastasse o mercado doméstico estar operando negativamente o trade eleitoral, tem tido ainda que lidar com a volatilidade do petróleo e o risco de persistência da inflação americana, que mantêm o Fed de guarda elevada.  


… Foi ótimo o CPI e o PPI terem aliviado as pressões e despertado especulações de que o juro pode demorar mais para subir nos Estados Unidos. Mas o Fed não tem perdido uma só oportunidade de puxar o mercado à realidade.


… Todo dia tem um Fed boy para lembrar que dados positivos isolados não representam um contexto mais amplo do quadro inflacionário, ainda mais com o novo choque de energia, que tanto pode acomodar como surpreender.


… O outro driver de incerteza para a inflação vem dos investimentos na IA, não se sabe se sustentáveis ou não.


… Juntando tudo, a cautela externa com o impacto político do tarifaço, o Ibovespa queimou quase 2.200 pontos de uma vez só, enquanto o dólar teve alta moderada, colou em R$ 5,10, mas ainda deu um jeito de fechar abaixo disso.


… Sem apetite por risco, o índice à vista da bolsa doméstica fechou em queda de 1,24%, aos 173.825,27 pontos, e giro de apenas R$ 19,1 bilhões. O discurso hawkish do Fed pode estar ajudando na migração do fluxo estrangeiro.


… No day after da nova rodada de tarifas impostas por Trump para o Brasil, as ações da Vale destoaram do minério de ferro estável e caíram 2,05%, para R$ 72,98, cautelosas com o efeito protecionista sobre a pauta de exportação.


… Petrobras PN terminou na mínima de R$ 39,89 (-1,72%) e ON perdeu 1,95% (R$ 44,64), em dia de queda do petróleo, atribuída a correção de excessos, já que a guerra continua sem sinais concretos de entendimento.


… No fechamento, o contrato do Brent para setembro caiu 0,85%, para US$ 84,23 por barril na ICE londrina.


… Os principais bancos também recuaram no Ibovespa: Itaú PN, -1,37% (R$ 42,55); Bradesco PN, -1,02% (R$ 18,41); BTG unit, -0,79% (R$ 56,59); e Santander unit, -0,63% (R$ 26,83). BB foi exceção e subiu 1,02% (R$ 20,76).


… Braskem PNA liderou as perdas e afundou 4,84% (R$ 6,10), com temor de mudança de controle da empresa.


CANTO DA SEREIA? – Por dois pregões seguidos, o mercado embarcou no alívio da inflação em junho. Mas ontem já não deu mais para ignorar os alertas dos Fed boys de que ninguém deve se iludir de que o perigo esteja superado.


… “Infelizmente, não parece que a inflação esteja voltando de forma sustentável para a meta de 2%”, comentou a dirigente do Fed Lorie Logan em evento, onde defendeu juros “ligeiramente mais altos” para equilibrar riscos.


… Ela observou que um mês de inflação mais baixa não é suficiente, que os preços não estão caminhando por conta própria ao objetivo e que as perspectivas de curto prazo para o mercado de energia são incertas.


… Em outra fonte de pressão, apontou que a onda de investimentos em IA pode gerar inflação de curto prazo.


… O colega Jeff Schmid assumiu a mesma linha de raciocínio e defendeu que é cedo demais para atribuir maior peso ao CPI e PPI, já que a inflação segue muito elevada e se mostra persistente em uma ampla gama de bens e serviços.


… À noite, quem falou foi o número 2 do Fed, Philip Jefferson, que até defendeu a manutenção das taxas dos juros, mas reconheceu que pode reconsiderar a sua postura mais acomodatícia se a inflação não arrefecer em breve.


… A abordagem cautelosa sustentou o dólar e as taxas dos Treasuries. O índice DXY subiu 0,27%, a 100,763 pontos, enquanto o euro caiu 0,20%, a US$ 1,1441, a libra perdeu 0,45%, a US$ 1,3472, e o iene recuou a 162,40/US$.


… O juro da Note-2 anos avançou para 4,153% (contra 4,145% na véspera) e o de 10 anos foi a 4,560% (de 4,554%).


… Diante do apelo dos Fed boys por cuidado com a inflação, o dólar aqui acompanhou a força global, mas continuou comportado, em R$ 5,0990, alta de 0,40%, mesmo com o tarifaço devendo render capital político para Lula.


… Entre os juros futuros, a ponta curta caiu com o dado mais fraco do IBGE de vendas no varejo, enquanto os contratos intermediários e longos subiram, mas sem exageros, de olho no Fed e no ruído político do tarifaço.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,875% (de 13,889% no ajuste anterior); Jan/28, 13,910% (contra 13,850% na véspera); Jan/29, 14,095% (14,029%); Jan/31, 14,295% (14,246%); e Jan/33, 14,395% (14,330%).


A LINHA TÊNUE DA BOLHA – Poderia ter sido uma boa notícia a fabricante taiwanesa de semicondutores TSMC ter surpreendido nesta quinta-feira em seu balanço, com receita firme de US$ 40,2 bilhões no segundo trimestre.


… Mas o ponto de preocupação foi que a companhia aumentou a sua projeção de investimentos de US$ 60 bilhões para US$ 64 bilhões no ano. Em tese, seria uma sinalização de otimismo. Na prática, o anúncio foi lido com cautela.


… O mercado voltou a se perguntar se a IA vale o risco e se os gastos volumosos darão retorno financeiro à altura.


… As declarações duras dos Fed boys também fizeram preço nas bolsas em Nova York. O Nasdaq perdeu 1,47%, a 25.881,95 pontos; o S&P 500 recuou 0,51%, a 7.533,77 pontos; e o Dow Jones caiu 0,20%, para 52.552,97 pontos.  


CIAS ABERTAS NO AFTER – JBS aprovou 12ª emissão de debêntures, no valor de R$ 400 milhões, para reembolso de investimentos em projetos.


COSAN. Moody’s rebaixou a nota de crédito da companhia de Ba3 para B1, com perspectiva negativa, após revisar os impactos da reestruturação da Raízen.


KLABIN. Citi reduziu o preço-alvo das ações de R$ 24 para R$ 23, mantendo recomendação de compra, antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre.


TELEFÔNICA BRASIL aprovou JCP de R$ 500 milhões, equivalente a R$ 0,15646482856 por ação. Os papéis ficam ex-JCP em 28/07, e o pagamento será até 30/04/2027.


BRB negou existência de cronograma para recebimento de aporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e afirmou que o tema é conduzido pelo Governo do Distrito Federal.


INTER. Squadra Investimentos elevou participação para 9,80% das ações ordinárias Classe A.


ISA ENERGIA aprovou a 24ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1 bilhão, para investimentos em reforços e melhorias na rede de transmissão.


ENEVA elevou em 35% a geração bruta de energia no segundo trimestre, para 2.537 GWh.


PLANO&PLANO lançou empreendimentos com VGV de R$ 781,4 milhões no segundo trimestre, queda de 34,2% na comparação anual, enquanto as vendas líquidas cresceram 7,1%, para R$ 828,3 milhões.


LAVVI lançou dois projetos com VGV de R$ 847,9 milhões no segundo trimestre, queda de 28% na base anualizada, enquanto as vendas líquidas recuaram 11%, para R$ 544,7 milhões.


MARISA aprovou 30ª emissão de notas comerciais, no valor de R$ 20 milhões, com vencimento em janeiro de 2027.


VOTORANTIM CIMENTOS investirá R$ 260 milhões na ampliação da fábrica de Xambioá (TO), elevando a capacidade anual para 1,5 milhão de toneladas de cimento a partir de julho de 2028.


VAMOS registrou alta anual de 10,1% na receita líquida da prévia operacional do segundo trimestre, para R$ 1,5 bilhão, com taxa de ocupação da frota de 88,6%.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque -0,5% EUA tech -1,5% EUA Semis -4,3% UE +0,2% Espanha +0,2% VIX 16,7% Bund 3,13%. T-Note 4,55%. Spread 2A-10A USA=+42pb B10A: ESP 3,59% PT 3,49% ITA 3,94% FRA 3,93% Euribor 12m 2,88% USD 1,144 JPY 185,8/€ 162,4/$. Ouro 3.977$. Brent 84,2$. WTI 79,0$. Bitcoin -1,3% (64.081$). Ether -2,7% (1.870$).


HOJE provavelmente teremos uma nova sessão de quedas perante a maior incerteza geopolítica e resultados que não conseguem convencer. Com o mercado americano já fechado, publicaram: Netflix (resultados melhores, mas guias um pouco abaixo do esperado e cai -9% no mercado fora de hora) e Intuitive Surgical (resultados melhores, mas não melhoraram as suas guias de crescimento de procedimentos e cai -10% fora de hora). Tudo isso num contexto de rotação de setores, com os Semicondutores a caírem mais -4,3%, apesar dos bons resultados de algumas empresas do setor, como TSMC e ASML.


Na frente macro, teremos algumas referências nos EUA, como a Produção Industrial e o Índice de Confiança da Universidade de Michigan, onde se esperam melhorias de ambos os números.


Para a próxima semana, a atenção estará na temporada de resultados que vai ganhando tração e 87 empresas que publicam na Europa, e 86 nos EUA. Além disso, na frente macro, o foco estará na reunião do BCE (quinta-feira), onde não se espera movimento de taxas de juros.


Em suma, a sessão de hoje poderá apresentar novos cortes, num contexto onde o aumento da tensão geopolítica e as realizações de lucros em tecnologia continuam a prejudicar as bolsas. Em todo o caso, continuamos a reiterar a nossa visão positiva para o médio prazo, apoiada em resultados empresariais que se espera que continuem muito sólidos (EPS 2T´26e: +24,4% nos EUA e +15,3% na Europa) e, portanto, apoiem as avaliações.

Elena Landau

Terra sem lei Elena Landau elena.landau@eusoulivres.org ADVOGADA E ECONOMISTA A falta de respeito ao próximo, às autoridades e às leis está ...