quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Suspeitas

O PSB deve definir (ou não) o candidato no prazo de 10 dias. Marina Silva seria a candidata "natural". Preocupa, no entanto, a postura deste senhor, Roberto Amaral, presidente do PSB, não gostando da Marina e ameaçando melar o processo ao se aproximar da candidatura Dilma. A partir daí, sem candidato pelo PSB, Dilma estaria com grandes chances de vitória em primeiro turno. Voltando ao trágico acidente de Eduardo Campos, muitos especialistas não entendem como o avião entrou em processo de "estolagem". Dizem que nos Cessnas Citations isto dificilmente acontece. Começo a achar q "existe algo de podre no reino da Dinamarca".

TENTANDO JUNTAR AS PEÇAS

Depois da tragédia de ontem (dia 13), e passado o impacto inicial, é importante uma análise, mesmo que breve, sobre o cenário eleitoral deste ano. Tentemos juntar as peças deste quebra-cabeça. Marina Silva como candidata. É a escolha natural do PSB. Existe um grupo que não gosta dela, nem do seu partido (Rede Sustentabilidade), por achá-los fundamentalistas. Neste, desponta Roberto Amaral, vice-presidente do partido e ex-ministro do governo Lula. Ele acha que o ideal seria o partido não lançar ninguém e se aproximar, “mais à esquerda”, do governo Dilma. Não acreditamos nesta hipótese. Não se pode desperdiçar um capital político de 19,6 milhões de votos (19,3% do eleitorado em primeiro turno de 2010). Quem perde, quem ganha. Marina tem peso de votos no plano nacional, mais do que tinha Campos. Numa primeira pesquisa, é possível que chegue a algo próximo a 15% nas intenções de voto. Dúvida maior é saber quem perde mais, se Dilma ou Aécio. Muitos acham que Aécio seria o maior prejudicado, pela semelhança de propostas entre ambos e por Marina ser mais outsider, uma alternativa ao predomínio de 20 anos do PSDB-PT. Não tenho tanta certeza sobre isto. Dilma se desgastou muito nos últimos anos e talvez o eleitorado da Marina não esteja muito disposto em votar nela. Aguardemos as próximas pesquisas. Muda algo com Marina? Giannetti da Fonseca, principal formulador do programa econômico da candidatura PSB-Rede, não acredita em grandes mudanças no programa de governo (a princípio, a ser detalhando na semana que vem). Este será mais focado no forte ajuste da economia em 2015, no reforço do tripé macroeconômico e na reforma tributária, semelhante ao do PSDB. Giannetti, inclusive, acha que existe “uma forte convergência entre ambos os partidos”. Seu programa “prevê corrigir as tarifas administradas, a taxa de câmbio, possivelmente recalibrar, no início, a taxa de juros e colocar a reforma tributária na agenda”. A partir destes ajustes mais duros, seria possível restabelecer a confiança dos mercados e apressar a retomada do crescimento econômico, talvez já em 2016. Lembremos dos ajustes no segundo mandato do presidente FHC e do primeiro mandato de Lula. Nestes períodos, a retomada foi rápida. No primeiro, entre 1999 e 2000, a economia saiu de um crescimento de 0,3% para 4,3%, no segundo, entre 2003 e 2004, de 1,1% para 5,7%. Caso não vá para segundo turno, Marina apoiaria quem? Giannetti acha que ela deve se manter independente (ou neutra) liberando a bancada. Foi isto que ocorreu em 2010. Existe a possibilidade, no entanto, dela ir para o segundo turno, já que seu eleitorado é considerável, mais à esquerda, sendo destaque os jovens dos protestos do ano passado, fortes demandantes por mudanças (ponto em realce das pesquisas eleitorais recentes).

Fernando Cavalcante

 MORREU LO PRETE (ou COISA DE VELHO) Refleti sobre se escreveria ou não esta crônica. Pois, como sempre apreciei e tenho amigos mais velhos,...