sábado, 28 de março de 2026

Elena Landau

 Se Deus for brasileiro

elena.landau@eusoulivres.org 

ADVOGADA E ECONOMISTA


Com a campanha eleitoral já na rua, começa a temporada de propostas para os futuros candidato


A campanha já está nas ruas, antecipada por Lula e Flávio, um na academia e outro na dancinha. Mas, dizem que Deus é brasileiro. É o ano de testar isso, e não estou falando da Copa do Mundo. O altíssimo nível de rejeição de ambos traz alguma esperança para um nome fora da polarização. Ainda não se sabe o que querem para o País os outros potenciais candidatos. Dos favoritos, não há novidade. Ambos alegam “vocês sabem o que fiz no verão passado”, como se fosse credencial. Sim, nós sabemos. Esse é o problema.


A boa notícia é que começa a temporada de propostas para os futuros candidatos. Em geral, um pacote de sugestão vem de forma genérica, destacando pontos cardeais, como responsabilidade fiscal, saúde e educação, segurança, sem muita profundidade. Este ano, surgiu algo novo. O Centro de Estudos de Política Pública (cdpp.org.br) acaba de lançar “Caminhos do desenvolvimento: estabilizar, crescer, incluir”, estudo coordenado pelos economistas Fernando Veloso, Marcos Mendes e Vinícius Botelho, os mesmos que construíram as bases do PL de responsabilidade social. Tive a honra de participar dos dois projetos e ser testemunha da qualidade do trabalho do trio.


Neste recém-lançado documento, convidaram mais de 50 especialistas em diferentes áreas para compor o texto final, destacando a interconexão dos vários temas. A sempre inevitável demanda por responsabilidade fiscal não aparece de forma isolada, coisa que os eleitores estão cansados de ouvir nas campanhas e os governantes não cansam de ignorar. Muito resumidamente, os capítulos se conectam desta maneira: desequilíbrio fiscal gera inflação e juros altos, corroendo renda dos mais pobres e transferindo renda para os mais ricos, ampliando a demanda por políticas redistributivas, que exigem mais recursos públicos. Em paralelo, políticas sociais mal desenhadas, que entregam benefícios de valor elevado a famílias de média e alta renda, têm custo fiscal mais alto que o necessário. Junte-se a isso crédito subsidiado e benefícios tributários concedidos a setores com maior capacidade de lobby, que limitam a produtividade e travam o crescimento da economia. Está tudo ligado, gerando um círculo vicioso de desigualdade, crescimento limitado e juros reais dos mais altos do planeta. A novidade do documento é que cada ideia vem acompanhada de propostas de mudanças legislativas, prontas para serem aplicadas pelo novo governo.


Ia escrever algo bem diferente, com o título “Se gritar pega ladrão”. Mas nem sempre se acha notícia boa e resolvi aproveitar. Não se sabe quando aparecerá outra.

Lula, um absoluto cínico

 Lula agora exige desculpas da imprensa. Então serei o primeiro, hehe;

Por Ricardo Kertzman


“Oh, grande líder do mensalão e do petrolão, estes dois esquemas fantasiosos de corrupção que assaltaram o Brasil, humildemente eu lhe peço desculpas - no jargão jurídico, escusas. Oh, alma mais honesta deste País, por favor, me perdoe. Nos perdoe! Oh, ‘amigo de meu pai’, que não é dono de sítio e de tríplex, nos conceda a graça de sua santa clemência.


Perdoe Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato. Perdoe os três desembargadores do Rio Grande do Sul e os cinco ministros do STJ. Ah! Perdoe, também, os quatro ou cinco ministros do STF que, injustamente, como os demais magistrados citados acima, cometeram tamanha crueldade ao condenar alguém tão limpo e probo assim.


Perdoe todas as oitenta fases daquela operação ilegal a que assistimos durante seis anos. Perdoe os mais de seis bilhões de reais recuperados e devolvidos aos cofres públicos do País. Perdoe as mais de duzentas condenações, que somaram mais de três mil anos de prisão. Tudo isso foi uma brutal perseguição orquestrada pelo FBI e a CIA.


Perdoe, grande e amado pai dos pobres brasileiros, os arbitrários e ilegais mil e quinhentos mandados de busca e apreensão; as duzentas e tantas conduções coercitivas - inclusive a sua - injustificadas; os trezentos mandados de prisão (temporárias e preventivas) sem o menor cabimento. É que vivemos tempos sombrios de exceção no País, entende? 


Por caridade, perdoe também as dezenas de ações de improbidade administrativa, que resultaram em processos de mais de 40 bilhões de reais. E perdoe as dezenas de executivos da Odebrecht, OAS e outras empreiteiras inocentes e honestas, como o senhor, que o delataram e apresentaram documentos (falsos, é claro) provando as acusações.


Igualmente, não se esqueça de perdoar seus amigos de décadas, parceiros da maior intimidade e confiança, como Emílio e Marcelo Odebrecht, Léo pinheiro, Antônio Palocci, entre outros, que não apenas o acusaram de corrupção, como também apresentaram recibos e planilhas (sim, eu sei, tudo falso!!) comprovando o que disseram.


E perdoe todos os últimos tesoureiros do PT, presos por crimes diversos, como corrupção e lavagem de dinheiro - o senhor já ouviu falar nestes crimes, grande líder? E também José Dirceu, Aloizio Mercadante, Gleisi Hoffmann, Guido Mantega, João Cunha, José Genuíno, Paulo Bernardo, etc., pois alvos da Justiça, que mancharam seu honrado nome.


Sim, tanta gente em volta, gente do mais íntimo círculo de sua confiança que o traiu e se envolveu em negociatas. Mas graças à sua mãe que ‘nasceu analfabeta’, o senhor sempre resistiu às tentações do vil metal, não é mesmo? Malditos sejam aqueles que plantaram vinhos raros, pedalinhos e outras provas em seu desfavor, apenas para incriminá-lo.


Perdoe William Bonner e a Globo. Perdoe o saudoso Ricardo Boechat e a Band. Perdoe a FSP, o Estadão, a Veja, a IstoÉ, o Estado de Minas, enfim, perdoe este desconhecido e insignificante colunista por tantas mentiras e ofensas que os fatos e a história insistiram em nos atirar aos olhos. Perdoe aquele delírio coletivo, sumo Lula da Silva! Nós, pobres mortais pecadores, carecemos de seu divino perdão. Ou melhor: pai, perdoe-nos. Não sabíamos o que fazíamos. Assim está bem, Santo Lula?”

Leblon Equities

 📈 *Para a Leblon Equities, alta até agora é ‘recuperaçãozinha’ perto do que está por vir-Valor* _Para Pedro Rudge, sócio-fundador da casa,...