segunda-feira, 12 de julho de 2021

O que esperar para os próximos meses?

Chegamos à metade do ano e creio ser importante um balanço do que aconteceu neste período e o que esperar para os próximos seis meses, quiçá, ano que vem. 

No mercado, é notório que a bolsa de valores teve um desempenho bem razoável neste período. Foram seis meses no azul, quando o Ibovespa beirou os 130 mil, mas nos últimos dias cedeu diante do açodamento do clima político. O câmbio, que chegou a R$ 5,80 em meados de abril para maio, cedeu bastante diante da manutenção do juro pelo Fed, na tese de que a inflação era transitória, e do lado mais hawkish do banco central brasileiro, elevando o juro de forma mais intensa. 

Para os próximos meses achamos que o IPCA deve se manter pressionado até o final de 2022, ainda mais diante do cenário hídrico desfavorável. Achamos que os custos de energia elétrica ainda são um risco de curto prazo, diante da bandeira tarifária Vermelha 2 (mais cara) até novembro, com dezembro retornando para o patamar Vermelha 1 (ainda elevado). 

Prevemos o IPCA para o final de 2021 em torno de 6,0% a 6,5%, com riscos de vir ainda mais elevado devido ao cenário hídrico desafiador a ocasionar um reajuste do valor da bandeira atual. 

Por outro lado, somos mais otimistas diante do avanço do cronograma de vacinação e a intensificação da reabertura no Brasil. Já temos 30% da população adulta vacinada, mesmo com o número de óbitos chegando a 434 mil, já nos jogando em segundo lugar entre os países com mais óbitos, atrás apeans dos EUA.

Mesmo asism, acreditamos que a intensificação do processo de vacinação deve reforçar a retomada da economia no segundo semestre, principalmente do setor de serviços, o que pode refletir na queda do desemprego, 3,1% acima do nível pré-pandemia, e na elevação da demanda por bens e serviços, ou seja, mais pressão sobre o nível de preços. 

No cenário global, enquanto o doméstico segue pressionado, no exterior, a cena não parece colaborar no curto prazo para a redução desta pressão sobre o IPCA, dada a trajetória das commodities em alto nível:. 

A despeito de uma desaleceração da economia chinesa esperada para o segundo semestre, as principais economias desenvolvidas, somado aos problemas com o fornecimento de matérias-primas, devem sustentar os preços das principais commodities em patamares elevados. Nesse sentido, a pressão sobre preços ao produtor nos mercados globais devem permanecer, assim como no cenário observado no Brasil.  


Paulo Baia

 Encontrei, no fim da tarde, em Copacabana, um velho conhecido. Um homem de cerca de cinquenta anos, advogado, professor universitário, inte...