sábado, 1 de maio de 2021

MACRO MERCADOS SEMANAL 30/04/2021- BALANÇO

Chegamos nesta sexta-feira (30) ao fim do primeiro quadrimestre do ano, 14º mês de pandemia, e é importante um balanço, breve que seja, sobre o que aconteceu nesta última semana e no mês de abril como um todo (estaremos fazendo um artigo especial, neste fim de semana, traçando um cenário mais detalhado sobre o que enxergamos para maio e o restante do ano).

Basicamente, o que tivemos em abril foram “batalhas bem intensas” sobre a discussão do Orçamento deste ano, atrasado em quatro meses, a abertura da CPI da Covid, mais um lapso, dentre tantos, deste governo, e a pandemia, com as mortes chegando a 400 mil no acumulado, mais um mês de recorde, superando o anterior.

Sobre o Orçamento, depois de muitos avanços e recuos, acabou sancionado no dia 15, com o presidente vetando R$ 29 bilhões em despesas e emendas, mas, inevitável, gerando um grande desgaste entre os membros da equipe econômica, com vários saindo, destaque para o “número dois”, Waldery Rodrigues. Agora, o governo deve ir “executando” este orçamento, ajustando, ao logo do ano, onde cortar para o pagamento das despesas obrigatórias.

Falando da CPI da Covid, os trabalhos tiveram início nesta semana, sob a relatoria do senador por Alagoas, Renan Calheiros, mas muitos embates foram observados, com alguns querendo dar um caráter mais técnico, e outros, “faturar politicamente”.

De fato, a CPI deve mobilizar as atenções, pois o presidente, e o ministério da Saúde, erraram sim, ao negar encomendas de algumas vacinas, sempre na contramão do que deveria ser feito. Negou também a urgência da necessidade de uma campanha de conscientização, o uso de máscaras, álcool gel, isolamento social, quarentena, quando inevitáveis os picos de mortes.

Claro que o governo se exime de parte da responsabilidade, afirmando que o STF deu aos estados a devida autonomia para gerenciar a crise, no uso de recursos, e a estes entes não faltaram, mas é fato também a postura sempre errada do presidente, nestes 14 meses de pandemia, negando a realidade dos fatos, “batendo boca” com todos. O momento era de união, coordenação, organização. Nada disso foi possível.

Tivemos alguns indicadores econômicos mais promissores, mas inevitável um “freio de arrumação” na atividade entre março e abril, já que a economia perdeu força, dadas as vacinas em atraso, levando a inevitáveis lockdown, e o clima político açodado. A inflação ao consumidor cedeu um pouco agora em abril, com o IPCA-15 a 0,6%, mas o IGP-M foi a 1,51%, acima do esperado.

No governo central, uma boa notícia foi o superávit primário de R$ 2,1 bilhões do governo central, melhor resultado para o mês desde 2014. No mercado de trabalho, o Caged mostrou a geração de 184,1 mil vagas formais em março, bem melhor do que o ocorrido no mesmo mês do ano passado (fechamento de 276,3 mil vagas, decorrentes do início da pandemia).

Foi um mês também em que o governo realizou concessões de diversos aeroportos de segunda linha pelo Brasil, estradas de ferro, portos e rodovias. Nesta sexta a expectativa se volta para o leilão de concessão da CEDAE, empresa de saneamento do Rio de Janeiro, podendo a outorga chegar a R$ 10,6 bilhões, numa intensa disputa entre 12 candidatos. Importante salientar, no entanto, que não se tem tanta certeza da sua realização, dados os movimentos contrários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e de sindicatos, ligados aos servidores da empresa.

Nos EUA, o governo Joe Biden mostrou a que veio. Passados 100 dias da sua posse são impressionantes os seus feitos. Iniciou uma maciça campanha de vacinação pelo país prometendo imunizar a todos os adultos até maio deste ano, anunciou uma série de pacotes fiscais robustos, o último, nesta semana, para a área de educação, no total de R$ 1,8 trilhão. Antes, tivemos um pacote de infraestrutura de US$ 1,9 trilhão e um mais amplo, para as áreas ambiental, social, alternativas energéticas, dentre tantas, no total de US$ 2,25 trilhões.

Mas claro que na economia não existe “free lunch”. Alguém terá que pagar.

No seu discurso no Congresso na quarta-feira à noite, Biden falou “em impostos para quem fatura mais de US$ 1 milhão de ganhos de capital por ano e mais de US$ 400 mil.”

Segundo ele, as empresas terão que pagar, sendo muitas, com impostos reduzidos, não pagaram na gestão Trump. O corte de impostos de 2017 (Trump) elevou o déficit público em US$ 2 trilhões e “colocou bilhões no bolso de CEOs; na pandemia, 650 bilionários elevaram suas rendas em total de US$ 1 trilhão.”

Destacou também, “que o salário mínimo será elevado para US$ 15 por hora e que, com o apoio do Congresso, pode conceder crédito tributário a famílias, em medida que contemplaria até 65 milhões de crianças”.

Na opinião de muitos, o ativismo fiscal do presidente Biden surpreendeu, num discurso e decisões bem “progressista”, para muitos, “algo excessivo”. Como já dissemos, a contraposição a isso será um aumento da carga de impostos. Vejamos como a economia real deve reagir.

Foi uma semana também de reunião de Fomc e do presidente Jerome Powell pregando pela manutenção da “política acomodatícia”, sem expectativa imediata de elevação do juro, atualmente em 0,25% ao ano e o desmonte da política de compra de ativos (QE). Já o PIB do 1º trimestre nos EUA veio em linha com o esperado, crescendo 6,4%. Achamos que o crescimento da economia norte-americana deve se manter neste patamar, em torno de 6%, dados os pacotes de estímulo e a comparação estatística, depois de um ano de retração.

Na agenda desta sexta-feira (30), a divulgação da taxa de desemprego brasileira no trimestre até fevereiro. No exterior, s dados do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre e da prévia da inflação ao consumidor de abril da zona do euro, além do índice inflacionário PCE nos Estados Unidos.

Paulo Baia

 Encontrei, no fim da tarde, em Copacabana, um velho conhecido. Um homem de cerca de cinquenta anos, advogado, professor universitário, inte...