quinta-feira, 5 de junho de 2025

Errando como sempre

 Operadores do mercado financeiro erram todas as previsões porque desconhecem a evidência empírica e conceitos elementares de Séries Temporais


A montagem desta postagem mostra duas realidades contrastantes: o mundo de quem é remunerado para prever o movimento dos mercados financeiros de um lado, e a realização desse mercado de outro, que foi na contramão das previsões dos “especialistas”

Uma ideia da magnitude do erro: analistas previam queda e desastre, mas em 6 meses tudo mudou: o índice de renda variável brasileiro valorizou 9.04% (1.50% por mês)

Se descontarmos a inflação acumulada nesse período (IBGE, inflação média mensal de 0,50%), o retorno fica em 1% ao mês (essa é uma média ao longo dos 6 meses). Para efeitos de comparação, no mesmo período, o S&P 500 teve retorno acumulado de -1.31%

Por que isso acontece?

Primeiramente, por causa da evidência com pesquisas com humanos em ambiente de finanças. Evidências mostram um viés implícito dos operadores do mercado financeiro. Veja a seguir:

- Indivíduos se baseiam em informações financeiras irrelevantes para fazerem suas previsões no mercado financeiro, que determinam suas escolhas e alocações nos ativos, direcionadas por reações afetivas e narrativas (notícias), em vez de fundamentos racionais (Johnson & Tuckett, 2022)

- Essa “confiança na narrativa” resulta em uma superestimação nos preços de ativos (Morag & Loewenstein, 2024)

Em segundo lugar, o mais importante: falta conhecimento das propriedades elementares de Séries Temporais. Exemplos:

- Se você “plota” duas variáveis ao longo do tempo, você possui um terceiro elemento neste gráfico (o tempo), que pode estar conectando o movimento dessas duas variáveis.

Em linguagem econométrica, essas variáveis podem estar cointegradas, gerando uma correlação espúria

(Muitos operadores do mercado financeiro desconsideram essa questão e elaboram conclusões de correlações a partir de gráficos de Séries Temporais)

- “Prever” o futuro implica em considerar efeitos exógenos/externos que de certa forma são imprevisíveis e podem influenciar o movimento de uma variável ao longo do tempo

(Exemplos: uma pandemia mundial ou um presidente recém-eleito que promete impor tarifas em todos os países do mundo)

- Não se realiza inferências em processos de Séries Temporais a partir do ‘framework’ tradicional da Estatística. Nassim Taleb está finalizando um livro que vai discutir as propriedades matemáticas e estatísticas de distribuições de probabilidade que são assimétricas em sua variabilidade (ex: mercado acionário)

- Por fim, todos esses pontos consideram agentes imbuídos de espírito “honesto” em suas avaliações. Entretanto, como as análises deste print em geral são capazes de produzirem volatilidade no mercado, essa volatilidade pode remunerar atores estrategicamente “posicionados” neste mercado (mais detalhes em Housel, 2020)

Referências nos comentários

Vai rolar 0506

 Vai rolar: Balança comercial de maio e falas de Lagarde e Fed boys são destaques do dia


[05/06/25] Com a inflação abaixo da meta de 2% na Zona do Euro, o BCE deve cortar o juro hoje (9h15) em mais 25pbs, de 2,25% para 2%, segundo avaliação unânime do mercado. Lagarde concede entrevista às 9h45. Nos EUA, o susto com a forte queda na geração de empregos no setor privado, associado à retração no setor de serviços, aumentou as apostas em corte do juro nesse mês, elevando as expectativas para o payroll amanhã. Os dados fracos da economia americana, explicados pelas incertezas com as tarifas de Trump, e os riscos com a elevada dívida do país mantêm os investidores na defensiva em NY. Aqui, sai o resultado da balança comercial de maio (15h), mas os negócios são conduzidos pelas dúvidas sobre as medidas fiscais que a equipe econômica prepara como alternativa ao aumento do IOF. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores


▪️ 06h00 – Zona do euro/Eurostat: PPI de abril

▪️ 09h15 – Zona do euro: BCE anuncia decisão de política monetária

▪️ 09h30 – EUA/Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego da semana até 31/05

▪️ 09h30 – EUA/Deptº do Comércio: balança comercial de abril

▪️ 11h00 – Anfavea: Produção de veículos de maio

▪️ 15h00 – Secex: Balança comercial de maio, seguida de coletiva


Eventos


▪️ 09h45 – Zona do euro/BCE: Christine Lagarde participa de coletiva

▪️ 13h00 – EUA/Fed: Adriana Kugler discursa em evento

▪️ 14h30 – EUA: Patrick Harker (Fed/Filadélfia) discursa em evento

▪️ 14h30 – EUA: Jeff Schmid (Fed/Kansas) discursa em evento

Fraudes corporativas

 OPINIÃO. Fraudes corporativas: qual é o papel do auditor?


Marina Copola4 de junho de 2025

Esta semana, reguladores e representantes das principais firmas globais de auditoria se reuniram na Basileia para discutir os limites da responsabilidade dos auditores na identificação de fraudes corporativas.


A falta de clareza sobre tais limites é um problema enfrentado em quase todas as jurisdições, e tem se mostrado crítico sobretudo no setor bancário. Dada uma série de escândalos recentes, o clima não era dos melhores, e nenhum dos reguladores sentados do meu lado da mesa parecia muito feliz.


Pudera.


Como reguladores, é comum ouvirmos o argumento de que “auditores não são detetives”. Isso vale para os trabalhos de auditoria efetuados em condições normais, e é correto até a página dois.


Dali por diante, nunca é demais lembrar que auditores são profissionais altamente sofisticados, regulados e, em boa parte, bem remunerados. Sua atuação é exigida pelas autoridades locais porque se entende que o valor dos serviços prestados advém da sua capacidade de gerar um benefício social, que se traduz em informações financeiras de melhor qualidade e na redução do risco de fraudes.


É por isso que a relativização (cada vez mais aguerrida) dessa premissa básica por parte das firmas de auditoria causa profunda perplexidade do nosso lado da mesa.


Por um lado, todos concordam que os auditores não são obrigados a investigar as entidades auditadas no curso regular dos trabalhos. Por outro, auditores devem sempre considerar a fraude como hipótese, e criar políticas e procedimentos razoáveis voltados à identificação de potenciais ilícitos.


É neste ponto que as implicações práticas destas duas visões divergem e abre-se uma avenida para interpretações e evasivas que vêm soando bastante incômodas.


Desde a publicação da Sarbanes-Oxley, e por muito tempo, reguladores confiaram que os riscos reputacionais decorrentes de eventuais escândalos seriam suficientes para disciplinar a atuação das firmas de auditoria. Ao invés disso, 25 anos depois, no mundo todo, as mesmas firmas vêm cerrando fileiras ao redor de justificativas para explicar o inexplicável.


A pergunta que fica, então, é uma só: quando a preocupação com a reputação sai da sala, o que sobra?


Foi com vistas a melhorar a qualidade dos serviços prestados e lançar luz sobre os contornos da responsabilidade dos auditores que o International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB, um órgão independente formado por profissionais de auditoria), concluiu, recentemente, a revisão da ISA 240, um standard que trata da “Responsabilidade do Auditor em Relação à Fraude na Auditoria de Demonstrações Financeiras.”


A reforma buscou modernizar aqueles padrões, reforçar sua efetividade e reposicionar o papel do auditor diante de uma nova realidade de riscos. Mais do que isso, ela procurou esclarecer que, sem prejuízo das limitações a que os trabalhos de auditoria estão sujeitos, o auditor permanece responsável por planejar e realizar a auditoria a fim de obter asseguração razoável de que as demonstrações financeiras como um todo estão livres de distorções relevantes por conta de fraude.


Se parece óbvio, é porque de fato é.


A norma aproveitou para reafirmar o ceticismo profissional como eixo condutor dos trabalhos (incluindo uma análise mais criteriosa de possíveis indícios de intencionalidade fraudulenta), e demandar maior engajamento dos auditores com os órgãos de governança da entidade, a exemplo do comitê de auditoria. Como de costume, a norma destaca a necessidade de documentação de todos os aspectos relacionados à identificação ou suspeita de fraude, além dos passos subsequentes.


Com a aprovação da nova ISA 240, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) deve proceder com a atualização da norma brasileira, a NBC TA 240 (R1). A Comissão de Valores Mobiliários, por sua vez, seguirá supervisionando a observância desses padrões pelos auditores atuantes no mercado de capitais.


As firmas de auditoria são rápidas em explicar que a ISA 240 é uma norma de execução. Ela não lida diretamente com o ecossistema mais amplo que precisa ser mobilizado no combate à fraude corporativa, que inclui administradores, órgãos de governança e reguladores. Todos esses agentes têm um papel a desempenhar, e os auditores estão certos quanto a este ponto. Sem um debate mais amplo sobre as expectativas que recaem sobre cada um desses agentes, os avanços serão muito limitados.


Esta verdade não pode, contudo, ser convertida em um esforço de esvaziamento das responsabilidades dos auditores. A noção (que vem sendo muito repetida) de que as fraudes mais intrincadas são virtualmente indetectáveis porque são concebidas para não serem descobertas revela uma dificuldade procedimental legítima. Mas são justamente estes procedimentos que estão dentro do quadrado das firmas de auditoria, e a única resposta possível para quaisquer questionamentos neste sentido é que tais padrões precisam melhorar. No campo dos quadrados das responsabilidades, já é meio caminho andado saber onde começa e onde acaba o seu.


Marina Copola é diretora da Comissão de Valores Mobiliários.



https://braziljournal.com/opiniao-fraudes-corporativas-qual-e-o-papel-do-auditor/

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: Ontem, macro americana muito má. Tudo o que parecia que iria ser bom, foi justamente o contrário. O Inquérito de Emprego ADP situou-se em +37K vs +114k esperado, +60k anterior e +120K de média no ano. É o resultado mais baixo em quase dois anos. Para rematar, o ISM Serviços entrou por surpresa na zona de contração (<50) pela primeira vez num ano: 49,9 vs 52,0 esperado e 51,6 anterior, com o indicador de Preços Pagos a continuar a sua escalada até 68,7 vs. 65,1 anterior e os Novos Pedidos a caírem com força até 46,4 vs. 52,3 anterior. Em suma, mix de indicadores fracos que parecem mostrar algum arrefecimento, tanto do setor serviços como do mercado laboral, embora tenha de ser comprovado na sexta-feira, com o dado oficial de emprego. Este tom mais cauteloso também está no Livro Bege da Fed. Bolsa americana plana, mas SOX +1,4% e -10p.b. de corte na yield do T-Note, até 4,36%. 


Situação oposta à da Europa, animada após se conhecer a aprovação do governo alemão de um pacote de isenções fiscais no valor de 46.000 M€ (11% do PIB). Precisa da retificação no Parlamento, mas somar-se-ia ao plano de investimento em infraestruturas e defesa anunciado há uns meses. DAX a alcançar máximos históricos e o Bund +2 p.b. até 2,52%. 


O foco da sessão estará na reunião do BCE, que irá cortar taxas de juros em -25 p.b. até 2,00%/2,15% (Depósito/Crédito) e será sétima descida consecutiva. O contexto favorece esta ação: força do euro (+10% YTD vs USD), menores preços da energia (-13% Brent YTD), moderação em salários, expetativas de inflação bem fixas e uma economia com claros sinais de debilitamento. Agora, o importante será conhecer a revisão do quadro macro e a mensagem sobre futuros movimentos. O contexto tão incerto atual devido às tensões alfandegárias e aos estímulos fiscais anunciados dificultam que Lagarde se comprometa agora sobre futuros movimentos. Após a reunião de hoje, não esperamos ver novas descidas de taxas de juros até o ciclo terminar com uma última descida no final do ano, até 1,75%/1,90% (Depósito/Crédito). 


Também será importante a frente comercial, já que ontem terminou o prazo que Trump deu para que os seus sócios apresentassem as suas “melhores ofertas”, para que pudessem avançar para acordos bilaterais. Qualquer divulgação de informação poderá mover o mercado. No fecho, resultados Broadcom (EPS 1,567 $; +43% a/a), com resultados e guias que provavelmente estarão à altura do esperado, como vimos na semana passada com Nvidia. Seria positivo para semis, IA e tecnologia, mas o impacto seria na sexta-feira.


CONCLUSÃO: A lógica faz pensar numa sessão de ligeiros retrocessos nas bolsas após o bom início da semana. O corte do BCE já está descontado e Lagarde mostrar-se-á prudente face a novos movimentos. 


Após a subida do último mês – favorecida por um certo relaxamento do tom na guerra comercial – as bolsas enfrentam agora um período de mais cautela com revisões em baixa de EPSs, debilitamento da economia, risco inflacionário e maiores desequilíbrios fiscais que elevarão o prémio temporário das obrigações e afetarão negativamente as avaliações. 


S&P500 +0,01% NQ-100 +0,3% SOX +1,4% ES-50 +0,6% IBEX -0,2% VIX 17,6 BUND 2,52% T-NOTE 4,36% SPREAD 2A-10A USA=+49PB B10A: ESP 3,12% PT 3,00% FRA 3,20% ITA 3,49% EURIBOR 12M 2,05% USD 1,142 JPY 163,0 OURO 3.377$ BRENT 64,9$ WTI 62,7$ BITCOIN -1,1% (104.645$) ETHER -0,4% (2.606$).


FIM

BDM Matinal Riscala

*BDM Morning Call: BCE volta a cortar juro hoje*


[05/06/25] Com a inflação abaixo da meta de 2% na Zona do Euro, o BCE deve cortar o juro hoje (9h15) em mais 25pbs, de 2,25% para 2%, segundo avaliação unânime do mercado. Lagarde concede entrevista às 9h45. Nos EUA, o susto com a forte queda na geração de empregos no setor privado, associado à retração no setor de serviços, aumentou as apostas em corte do juro nesse mês, elevando as expectativas para o payroll amanhã. Os dados fracos da economia americana, explicados pelas incertezas com as tarifas de Trump, e os riscos com a elevada dívida do país mantêm os investidores na defensiva em NY. Aqui, sai o resultado da balança comercial de maio (15h), mas os negócios são conduzidos pelas dúvidas sobre as medidas fiscais que a equipe econômica prepara como alternativa ao aumento do IOF. *(Rosa Riscala)*


_Leia o BDM Morning Call na íntegra acessando o link_

www.bomdiamercado.com.br

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...