segunda-feira, 24 de novembro de 2025

BDM Matinal Riscala

 Bom dia Mercado


*Bom Dia Mercado*


Segunda Feira, 24 de Novembro de 2.025.


*Semana mais curta tem agenda cheia*


… A semana será mais curta nos Estados Unidos com o Dia de Ação de Graças, que fecha os mercados na quinta-feira (27) e reduz a liquidez na sexta. Mas antes do feriado tem dados importantes, com PIB/3Tri, PCE de outubro e Livro Bege. O investidor também acompanha as negociações para um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, que já afeta o petróleo. No Brasil, a agenda do BC é cheia, com a divulgação dos números fiscais, do setor externo e de crédito. Além disso, Galípolo tem participações ao vivo na Febraban, na CAE do Senado e em evento do Itaú Asset. Entre os indicadores, a pauta é dos juros, com IPCA-15, IGP-M de novembro, Caged de outubro e Pnad Contínua.


JUROS NO FOCO – Os dados econômicos previstos para esta semana ganham importância para ajustar as expectativas para a Selic, com destaque para a inflação e o mercado de trabalho, quando Wall Street volta a aumentar as apostas em corte do juro no Fomc de dezembro.


… Na sexta-feira, chamou atenção o comentário do presidente do Fed/Nova York, John Williams, que é próximo de Powell e disse ver “espaço para um ajuste adicional no curto prazo”, o que levou as chances de uma flexibilização a saltar de 30% para quase 70% no CME Group.


… A se confirmar essa previsão, o Copom poderá ter a ajuda de um cenário externo menos adverso para antecipar sua ação para janeiro, sobretudo com a ajuda do câmbio, apesar da sazonalidade do período, com as remessas do fim de ano.


… Em relação aos fatores domésticos, são importantes os resultados do IPCA-15 (quarta-feira) e do IGP-M (quinta), além dos dados do mercado de trabalho, grande preocupação do BC, com a taxa de desemprego do IBGE e as vagas do Caged de outubro, ambas na sexta-feira.


… Mais importantes ainda podem ser as falas do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que terá várias oportunidades esta semana para começar a fazer os ajustes necessários em sua mensagem e preparar o caminho para uma queda dos juros.


… Já nesta segunda-feira, Galípolo participa do almoço de fim de ano da Febraban (12h); amanhã (terça), estará em audiência pública na CAE do Senado (10h); e na quinta, discursará à tarde (15h) em evento do Itaú Asset, após participar de reunião do CMN (9h).


… Também hoje, a edição semanal do Boletim Focus (8h25) atualiza as projeções do IPCA e a Receita divulga a arrecadação de outubro (10h30).


AGENDA DO BC – As transações correntes e o investimento estrangeiro direto saem amanhã (terça-feira). Na quarta-feira, é a vez da nota de crédito bancário. E na quinta, resultados fiscais e dívida pública – todos referentes a outubro, com divulgação às 8h30.


… Ainda nesta semana, serão divulgadas a ata do Comef, na quarta-feira, e a Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF), na quinta.


RELATÓRIO BIMESTRAL – Divulgado na noite de sexta-feira pelos ministérios do Planejamento e da Fazenda, o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas reduziu a contenção total das despesas discricionárias no Orçamento/2025 de R$ 12,1 bilhões para R$ 7,7 bilhões.


… Segundo o Planejamento, a execução de obrigatórias “andou” de lá para cá e foi necessário cancelar R$ 3,8 bilhões do bloqueio reservado para atender o aumento projetado para essas despesas. Após os cancelamentos, estavam de fato bloqueadas R$ 8,3 bilhões.


… Em relação a esses R$ 8,3 bilhões, o Relatório reduz o bloqueio em R$ 3,9 bilhões, restando bloqueados, portanto, R$ 4,4 bilhões. O volume contingenciado para cumprir a meta fiscal deste ano passou de zero para R$ 3,3 bilhões.


… O contingenciamento é explicado pela redução na arrecadação da receita líquida projetada (R$ 2,344 trilhões para R$ 2,343 trilhões), puxada por uma baixa de R$ 6,3 bilhões nas Receitas Administradas, parcialmente compensada por R$ 4 bilhões nas Receitas não Administradas.


… Nota do Planejamento cita, ainda, o déficit de estatais, que exigiu uma compensação na meta fiscal do Programa de Dispêndios Globais (PDG) pelo orçamento fiscal e seguridade, de R$ 3,0 bilhões. Considerando a compensação do PDG, o déficit seria de R$ 34,259 bilhões.


… Sem considerar o PDG, a projeção de déficit primário deste ano foi revisada de R$ 30,2 bilhões para R$ 31,265 bilhões. A meta de 2025 é de déficit zero, com tolerância de 0,25pp para cima ou para baixo. No piso, o arcabouço aceita um déficit de até R$ 30,970 bilhões.


NA POLÍTICA – O Senado pode votar amanhã (terça-feira) o projeto que prevê aposentadoria especial de agentes de saúde, com impacto de até R$ 21 bilhões aos cofres públicos. A pauta-bomba foi uma resposta de Alcolumbre à indicação de Jorge Messias ao STF.


… A tensão do Senado com o Executivo preocupa porque o governo já tem uma situação bastante difícil na Câmara.


… Alcolumbre defendia Rodrigo Pacheco para ocupar a vaga do ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou a aposentadoria no Supremo, mas o presidente Lula não abriu mão de escolher o seu candidato preferido, cavando um novo flanco com o Legislativo.


… Segundo a jornalista Mônica Bergamo (Folha), Alcolumbre estaria “irado” com a indicação de Messias para o STF, disposto até mesmo a romper totalmente com o governo, caso Lula pressione a favor de Messias, que tem de ser sabatinado pelos senadores.


… O Senado insistia com o nome de Pacheco por acreditar que ele defenderia o Parlamento, após Flávio Dino ter decepcionado os congressistas com a pressão exercida às emendas do Orçamento Secreto, que eram coordenadas por Alcolumbre.


… Neste domingo, em mais uma investida contra parlamentares, Dino determinou que a Polícia Federal investigue a participação dos deputados Pedro Lucas Fernandes (União) e Zezinho Barbary (PP) em supostos desvios de emendas.


… A decisão foi motivada por denúncias apresentadas pelas organizações Transparência Internacional, Transparência Brasil e Contas Abertas, no âmbito da ação que discute a constitucionalidade e a transparência do modelo de execução de emendas.


LULA – O governo marcou para quarta-feira (26) a cerimônia de sanção do projeto de isenção do Imposto de Renda, uma das principais bandeiras da campanha de reeleição do presidente, em 2026, que foi aprovado por unanimidade pelas duas Casas do Congresso.


… Neste domingo, Lula anunciou durante o G20, na África do Sul, que pretende assinar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia no dia 20 de dezembro, durante a reunião da Cúpula dos Líderes do Mercosul, que acontecerá em Foz do Iguaçu, no Paraná.


BOLSONARO – A Primeira Turma do STF julga hoje a decisão sobre revogação da prisão domiciliar do ex-presidente, após ele ter sido transferido para uma sala na sede da Política Federal em Brasília, por descumprimento de medida cautelar.


… A decisão foi tomada na madrugada de sábado pelo ministro Alexandre de Moraes, com a prisão preventiva realizada às 6h da manhã.


… Bolsonaro admitiu em vídeo, tornado público, que tentou tirar a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda. Na audiência de custódia, nesse domingo, o ex-presidente alegou que teve um “surto” causado por medicamentos.


… A prisão preventiva de Bolsonaro ocorre no âmbito do processo em que seu filho Eduardo Bolsonaro é réu e ele segue sendo investigado.


… Há expectativa para que a condenação pela trama golpista, a 27 anos e 3 meses, tenha o trânsito em julgado decretado ainda esta semana.


TRUMP –Questionado por jornalistas, o presidente dos Estados Unidos disse que não tinha conhecimento da prisão de Bolsonaro e que achava “uma pena”. Ao mesmo tempo, disse que conversou com Lula na sexta à noite e que os dois se encontrarão em breve.


… A fala acentua a mudança de tom de Trump em relação ao governo brasileiro e seu afastamento de Bolsonaro e de aliados, após a nova lista de exceções à tarifa adicional de 40% para mais de 200 produtos brasileiros, inclusive carne e café.


UCRÂNIA X RÚSSIA – Investidores acompanharão também o noticiário da guerra na Ucrânia, que pode influenciar os preços do petróleo, além de representar um alívio no cenário geopolítico. Já na sexta-feira, o WTI e o Brent caíram com essa expectativa (abaixo).


… Nesse domingo, em coletiva de imprensa, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o plano da Casa Branca para chegar a um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia poderá ser finalizado até esta quinta-feira (27).


… “Queremos finalizar o acordo o mais rápido possível, e adoraríamos terminá-lo até quinta-feira”, disse Rubio em declarações após uma reunião entre diversos líderes ocidentais aliados da Ucrânia em Genebra, na Suíça. Segundo ele, o domingo foi “um dia muito produtivo”.


… Rubio admitiu que diversas questões continuam pendentes, em especial relacionadas aos papéis da União Europeia e da OTAN, afirmando, porém, que “nenhuma das questões pendentes é insuperável” e que está confiante de que o plano de paz será aceito pela Rússia.


… O acordo obrigaria Kiev a ceder grandes porções de território já ocupadas pelos russos, limitar o tamanho de suas forças armadas e suspender gradualmente as sanções contra Moscou, além do bloqueio ao ingresso da Ucrânia na OTAN.


… A proposta americana vem sendo criticada por líderes europeus por ser muito mais favorável à Rússia, com a Ucrânia abrindo mão de território. Putin disse que a Rússia está pronta para uma solução pacífica, mas que os detalhes do plano precisam ser discutidos.


AGENDA LÁ FORA – Nos Estados Unidos, a quarta-feira concentra os principais indicadores, com a segunda leitura do PIB/3Tri e o PCE de outubro. No mesmo dia, serão divulgados ainda os pedidos de auxílio-desemprego, vendas de moradias usadas e o Livro Bege.


… A inflação do PCE, o índice preferido do Fed como medida de inflação, ganha importância especial já que a divulgação do CPI de outubro foi cancelada pelas dificuldades de coleta do shutdown e o CPI de novembro só será conhecido no dia 18 de dezembro, após o Fomc.


… Hoje (10h30), sai a atividade do Fed/Chicago e, amanhã, o PPI de setembro e a confiança do consumidor do Conference Board de novembro.


… Na Zona do Euro, a semana começa com o índice Ifo de sentimento das empresas na Alemanha em novembro (6h) e um discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde (11h45). Na quinta, o Banco Central Europeu divulga a ata da última decisão de política monetária.


… Ainda na Alemanha, sai o PIB/3Tri amanhã, o índice de confiança do consumidor GfK na quinta-feira e o CPI de novembro na sexta.


… Na Ásia, o Japão divulgará dados de inflação, emprego e atividade industrial na noite de quinta-feira, no momento em que o mercado especula fortemente sobre uma elevação dos juros pelo Banco do Japão na reunião de dezembro.


… Um feriado manteve os mercados fechados hoje no Japão.


AÇÃO DE GRAÇAS – Os mercados em Nova York emendam o feriado de quinta-feira com pregões reduzidos na sexta: as bolsas em Wall Street fecham mais cedo, às 15h de Brasília, e o mercado de Treasuries, às 16h de Brasília.


METAMORFOSE AMBULANTE – Na reviravolta a pouco mais de duas semanas da última reunião do ano do Fed, a aposta principal no mercado voltou a ser de corte de 25 pontos do juro em dezembro, com 69,5% de chance e 30,5% de manutenção.


… O gatilho para a virada na precificação, você viu acima, partiu de comentários do Fed boy John Williams.


… Em tom dovish, ele defendeu um corte para preservar o mercado da mão de obra. “É imprescindível que o Fed atinja a meta de inflação, mas sem correr riscos indevidos para o pleno emprego.”


… Williams reconheceu que o progresso da inflação estagnou, mas deve estar a caminho de atingir 2% em 2027, e defendeu que, apesar do impacto do tarifaço nos preços, isso não deve levar a um cenário de inflação persistente.


… O fortalecimento nas apostas de corte é o retrato do momento mas, daqui até a próxima reunião, o jogo pode virar de novo, porque o Fed ainda parece muito dividido sobre sua abordagem. A consultoria Capital Economics cogita até mesmo empate na decisão.


… Neste cenário, caberia a Powell o voto de Minerva. A falta de consenso dentro do Fed foi reforçada também na sexta-feira pelas declarações de Lori Logan, contrárias a Williams, de que os juros devem ser mantidos estáveis por um tempo.


… “A inflação está muito alta e o mercado de trabalho está praticamente equilibrado”, defendeu a dirigente. 


… Também Susan Collins endossou a ala mais hawkish e expressou na sexta-feira hesitação em avançar com novos cortes. No sábado, ela repetiu este tom e disse não ver a “necessidade urgente” de os juros caírem em dezembro.


MELOU – Teoricamente, o real poderia ter faturado com o ajuste de última hora nas apostas para o encontro do Fed, na medida em que um potencial relaxamento monetário nos juros americanos eleva a atratividade do carry trade.


… Mas, no meio dessa história, investidores optaram por realizar lucros nas moedas emergentes e partiram para compras de oportunidade nas bolsas de Nova York. Além disso, o câmbio doméstico foi influenciado pelo petróleo.


… A proposta de paz apresentada pelo governo Trump à Ucrânia e Rússia abriu o horizonte para um possível acordo para encerrar a guerra e, combinado ao temor de excesso de oferta, derrubou o Brent em 1,29%, a US$ 62,56.


… A queda firme da commodity piorou as coisas para o lado do real, já que o Brasil é exportador de matéria-prima.


… A expectativa pela reunião ministerial da Opep no próximo domingo (30) também movimenta o mercado de petróleo.


… Em paralelo, a apreciação do iene também pode ter estimulado o desmonte de operações de carry trade aqui, o que botou pressão na moeda doméstica, de volta à faixa de R$ 5,40, cotada a R$ 5,4015, em alta de 1,18%.


… O exterior ofuscou o alívio com a decisão de Trump de zerar as tarifas extras de 40% sobre o café, carne e frutas.


… Hoje, às 10h30, o BC realiza dois leilões de linha de até US$ 2 bilhões no total para rolagem de janeiro.


… Na sexta-feira, o iene subiu para 156,41 por dólar, após o governo japonês aprovar um pacote de estímulo equivalente a US$ 135 bilhões para oferecer um impulso adicional para a atividade econômica no curto prazo.


… O socorro resgata as apostas de normalização da política monetária pelo BoJ, ainda que de forma mais gradual. O dirigente Kazuyuki Masu disse que o BC japonês está “perto” de tomar uma decisão sobre aumento dos juros.


… A libra esterlina ganhou 0,23%, a US$ 1,3102, apesar de analistas terem cogitado que o BC inglês (BoE) considere aliviar a política monetária. O euro caiu 0,12%, a US$ 1,1514, e o DXY teve alta marginal de 0,02%, a 100,180 pontos.


NÃO SUPEROU – Na volta do feriado doméstico, o Ibovespa começou o dia seguindo o script de ajuste negativo aos ADRs brasileiros, mas não conseguiu absorver as perdas ao longo do pregão para colar no rali das bolsas americanas.


… Pouco se empolgou também com a retirada do tarifaço sobre diversos produtos brasileiros. Como no câmbio, o vilão do dia na bolsa foi o petróleo, que impôs recuo à Petrobras: ON -0,86%, a R$ 34,56; e PN -0,76%, a R$ 32,57.


… Em dia de game de opções sobre ações, os interesses dos vendidos chegaram a derrubar o Ibovespa em mais de 1% no pior momento. Mas o índice moderou a queda a 0,39%, aos 154.770,10 pontos, com giro de R$ 23,9 bilhões.


… A percepção no mercado é de que a bolsa está só descansando, depois do recordes históricos em série.


… Na reta final do pregão, as ações da Petrobras, que já operavam sensíveis ao petróleo, pioraram com críticas da presidente da companhia, Magda Chambriard, à mudança pretendida pelo Senado para o cálculo de royalties.


… O relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), propõe a alteração, defendida pelas refinarias privadas, de aumento do Preço de Referência da commodity para calcular os royalties e as Participações Especiais.


… Vale ON apresentou ganho tímido de 0,32%, a R$ 65,16, enquanto o minério fechou em leve queda de 0,32%.


… Os bancos ficaram mistos. Itaú teve alta de 0,30%, para R$ 39,97, enquanto BB ON saltou 1,95%, à máxima de R$ 22,00, recuperando-se da crise do Master. Já Bradesco PN caiu 0,58% (R$ 18,79) e Santander, -0,30% (R$ 33,08).


… Durou pouco o ânimo dos frigoríficos com a decisão de Trump de poupar a carne brasileira do tarifaço. MBRF (-3,77%) e Minerva (-2,61%) viraram para o terreno negativo à tarde. Só JBS bancou o fôlego e subiu 0,73% na Nyse.


… A esperança de que o Fed corte o juro novamente em dezembro contagiou Wall Street. O Dow Jones subiu 1,08%, aos 46.245,41 pontos; o S&P 500 ganhou 0,98%, aos 6.602,99 pontos; e o Nasdaq, +0,88%, aos 22.273,08 pontos.


… Nvidia teve uma primeira reação positiva à informação da Bloomberg de que a Casa Branca estuda liberar a venda do chip H200 para a China. Mas logo o medo da bolha da IA voltou a dominar o sentimento e a ação caiu 0,97%.


… Resgatada a perspectiva de um relaxamento monetário pelo Fed, as taxas dos Treasuries aliviaram. O rendimento da Note de 2 anos caiu para 3,506%, contra 3,551% na véspera, e o retorno de 10 anos recuou a 4,062%, de 4,098%.


… A queda permitiu que os juros futuros domésticos ignorassem o repique do dólar contra o real e oscilassem de forma modesta, em sessão de liquidez esvaziada pela ponte entre o feriado da Consciência Negra e o fim de semana.


… No fechamento, o vencimento do DI para Janeiro de 2027 marcou 13,615% (contra 13,631% no ajuste anterior); Jan/29 caiu para a 12,865% (de 12,882%); Jan/31, a 13,185% (de 13,229%); e Jan/33, a 13,385% (de 13,423%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – O conselho de administração da MBRF aprovou a 8ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, no valor de R$ 1,9 bilhão, vinculadas aos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).


QUALICORP. Conselho de administração aprovou um programa de recompra para a aquisição de até 10 milhões de ações ordinárias de sua própria emissão que equivalem a aproximadamente 3,5% dos papéis em circulação.


ASSAÍ. BlackRock reduziu participação na companhia de 5,03% para 4,959% do total das ações ordinárias…


… Gestora passou a deter, de forma agregada, 64.876.868 de ações ordinárias e 449.499 ADRs, que representam 2.247.495 de ações ordinárias, totalizando 67.124.363 de ações ordinárias.


BRB afirmou que recuperou R$ 10 bilhões de um total de R$ 12,76 bilhões das carteiras adquiridas do Master…


… O banco do DF comprou R$ 12,2 bilhões em operações supostamente forjadas de crédito, ou cerca de 20% da sua carteira de crédito. O BC determinou que o BRB limpasse o balanço e revertesse as operações suspeitas de fraude.


NEOENERGIA fechou acordo com a EDF Brasil para a venda de 75% de sua participação da hidrelétrica Dardanelos, em Mato Grosso, em uma operação que coloca o valor total da usina, incluindo dívidas, em R$ 2,5 bilhões.


FERTILIZANTES HERINGER informou que recebeu o valor de R$ 178,359 milhões decorrentes de atualização tributária relativa à oferta pública de aquisição (OPA) realizada pela Eurochem.


SIMPAR divulgou projeções para duas de suas controladas para os próximos anos…


… Na concessão em fase pré-operacional CS Portos, holding espera faturar R$ 330 milhões a R$ 390 milhões em 2026 e R$ 590 milhões a R$ 620 milhões em 2028…


… De Ebitda, espera valores entre R$ 180 milhões e R$ 250 milhões em 2026 e na faixa de R$ 325 milhões a R$ 400 milhões em 2028…


… CS Portos deve responder por R$ 550 milhões a R$ 570 milhões de dívida líquida da Simpar em 2026 e por endividamento de R$ 425 milhões a R$ 475 milhões em 2028…


… Companhia espera que a CS esteja totalmente operacional no quarto trimestre de 2025…


… Para o banco BBC, pertencente ao grupo, projeta aumento de capital de R$ 165 milhões até o fim do ano…


… Em 2026, companhia estima registrar R$ 1,2 bilhão em originação, R$ 2,8 bilhões em carteira de crédito e R$ 3,8 bilhões em recebíveis.

Álvaro Gribel

 BC segurou liquidação no Master para evitar ‘risco de Banco Ipiranga’ e quebra do BRB

 Resumir

Estratégia do Banco Central era permitir investigações pela Polícia Federal enquanto o Master devolvia recursos ao Banco de Brasília


Alvaro Gribel

Banco Master: De banco mineiro que oferecia CDB de 140% a alvo da PF e do BC


Conheça a trajetória da instituição de Vorcaro, preso quando tentava fugir do Brasil, segundo a PF. Crédito: Alvaro Gribel


O Banco Central tinha duas preocupações imediatas no caso do Banco Master: evitar a quebra do Banco do Brasília (BRB), após descobrir, no início do ano, que ele vinha comprando bilhões em carteiras podres do Master, e evitar que uma provável liquidação do banco privado levasse a questionamentos jurídicos que virassem indenização bilionária a ser paga pela União.


A estratégia foi obrigar os controladores do Master a fazer aportes no banco, que seriam redirecionados para cobrir o rombo do BRB, e aguardar as investigações da Polícia Federal que poderiam levar a uma eventual prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. Em paralelo, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) abriria uma linha de R$ 4 bilhões para o Master, mas com a condição de que, para cada real emprestado, os donos do Master fizessem aportes na mesma proporção.



Decisão judicial que levou Vorcaro para trás das grades também significou o fim dos aportes e o fim da linha do FGC para o Master Foto: Werther Santana/Estadão

Por isso, a prisão e a liquidação aconteceram no mesmo dia, mas após meses de investigações e transfusões de recursos do Master para o BRB. A decisão judicial que levou Vorcaro para trás das grades também significou o fim dos aportes e o fim da linha do FGC para o Master. Assim, o BC poderia decretar a liquidação do Master, mas agora com forte sustentação e amparo legal.


Um exemplo citado por técnicos do Banco Central é a liquidação do Banco Ipiranga, nos anos 70. Hoje, advogados tentam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) receber uma indenização bilionária da União, porque alegam que o Ipiranga foi liquidado quando ainda poderia ter vendido ativos e se mantido de pé. Uma das preocupações era evitar a repetição de um cenário como esse.


O BRB ainda é motivo de atenção no sistema financeiro. O banco estatal conseguiu recuperar os R$ 12 bilhões das carteiras podres que comprou do Master, mas cerca de R$ 3 bilhões vieram de aportes dos controladores do Master e R$ 9 bilhões de ativos do banco, como carteiras de crédito e imóveis que foram reavaliados.


O risco é que esses ativos “não performem”, como se diz no jargão do mercado financeiro, o que pode exigir aportes do acionista controlador -no caso, o governo do Distrito Federal. Por isso, o BC continuará acompanhando com lupa cada passo do Banco de Brasília, que já foi proibido de comprar carteiras de crédito de outras instituições financeiras.


Renato Gomes, indicado por Bolsonaro, e Ailton de Aquino, indicado por Lula, foram os diretores que destrincharam esse emaranhado técnico e que se desenrolou pelos últimos 11 meses.


Com amparo legal, eles suportaram as pressões políticas de Brasília, que incluíram a tentativa pela Câmara de aprovar um projeto que diminuiria a independência do BC.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1% US tech +0,8% US semis +0,9% UEM -1% España -1% VIX 23,4% Bund 2,69% T-Note 4,07% Spread 2A-10A USA=+56pb B10A: ESP 3,21% PT 3,04% FRA 3,46% ITA 3,46% Euribor 12m 2,220% (fut.2,283%) USD 1,152 JPY 180,5 Ouro 4.055$ Brent 62,8$ WTI 58,2$ Bitcoin +1,7% (87.006$) Ether +1,6% (2.838$).


SESSÃO: Depois de uma quinta-feira má, boa sexta-feira. As fortes quedas de sexta-feira foram uma correção excessivas, embora o mercado continue muito cauteloso devido à IA, Fed (10/12) e pela confusão geoestratégica (Ucrânia). Europa com o oposto, como é habitual, porque quando Nova Iorque se move com força e sem avisar, demora 24 horas e depois tem de ir atrás. Semana curta pela Ação de Graças e Black Friday, de cautela e espera de Oracle (publicará a 9/12), Fed (reunião a 10/12) e Broadcom (11/12). Antes de isso, mercado frio embora hoje provavelmente sua um pouco graças à negociação sobre Ucrânia (Trump quer algo para quinta-feira) e a uma correção excessiva após as quedas excessivas de quinta-feira passada.


Bessent (Tesouro EUA) afirma que o encerramento parcial do governo americano durante 43 dias causou um “prejuízo permanente” de 11.000 M$, o que parece desprezível numa economia de 30 Bn$, que a inflação se deve aos serviços e não aos impostos alfandegários e, para terminar, que o mercado da habitação está em recessão devido a taxas de juros elevadas (lembrete: taxas de juros da Fed em 3,75%/4,00% com inflação ca.+3%), mas não o resto da economia. Parecem apreciações mais políticas do que tecnicamente objetivas. Bastante dirigidas a culpar os democratas e a pressionar a Fed para que baixe taxas de juros. Em paralelo, Collins (Fed de Boston) afirma que se inclina para não baixar taxas de juros a 10 de dezembro, porque vê razões suficientes para duvidar. Nós continuamos a estimar que a Fed irá repetir taxas de juros a 10 de dezembro, embora o consenso agora atribua uma probabilidade de 60% a uma descida, probabilidade que tem oscilando entre 40% e 60% com tanta erraticidade como rapidez. 


O plano de paz de 28 pontos apresentado pelos EUA na semana passada parece estar a ser renegociado para diluir-se, porque era uma capitulação perante a Rússia que incluía, entre outras cessões, a entrega de território, e isso levaria a uma paz breve ao estimular a Rússia a ir além num prazo de 3 ou 5 anos, chegando mais longe do que hoje se acredita. Trump precisa de acordar “alguma paz” antes das eleições de meio mandato de novembro de 2026, e isso é um sério problema para a segurança dos europeus, mas o mercado irá interpretar este processo de negociação em positivo no curto prazo.


CONCLUSÃO: Esta semana de apenas 3 dias em Nova Iorque, na prática, pode arrancar com subidas para arrefecer de seguida. Porque na quinta-feira estará fechada devido a Ação de Graças, e na sexta-feira apenas irá abrir a meia sessão devido à Black Friday. As dúvidas sobre IA e sobre a reunião da Fed (10/12) farão com que o mercado continue frio, favorecendo a esta semana uma espécie de fecho adiantado de 2025 depois dos generosos avanços acumulados, e isso traduzir-se-á numa tendência a reduzir riscos e aumentar a liquidez, vendendo o que mais tenha subido para dar o ano como terminado, protegendo os lucros. É uma reação instintiva que poderá continuar até, estimamos, 11 de dezembro, porque Oracle irá publicar a 9, a reunião da Fed é a 10 e a 11 teremos Broadcom. Até então, faltam duas semanas que podem parecer longas com um mercado em atitude de cautela e espera. 


FIM

Terreno em Santa Cruz de Cabralia

 *Melhor que o CDB do Banco Master*


A instituição que Daniel Vorcaro tenta vender para o Estado aceitou como garantia de um empréstimo milionário um terreno que valorizou 11 mil% em 36 dias


Melhor que o CDB do Banco Master

Quem chega ao bairro Geraldão, na periferia de Santa Cruz Cabrália, na Bahia, percebe logo que a área não é própria para o turismo de luxo, tão frequente nas badaladas praias vizinhas. Ali, a piauí encontrou barracos de pau a pique embrulhados em lona de plástico preta, crianças brincando peladas no barro e uma plantação de mandioca. O principal terreno do local é enorme, com 541 mil m2, mas é o avesso do sonho de um investidor de alto padrão: fica a quase 3 km da praia, é reivindicado por dezenas de famílias do povo Pataxó que estão ali instaladas e está rodeado por um bairro pobre cujos muros estão repletos de pichações do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa dominante na área.


A história do imóvel é um capítulo das transações imobiliárias nebulosas que agora vêm à tona no bojo de outra operação controversa: a compra do Banco Master pelo BRB, o banco estatal de Brasília, anunciada em março passado e ainda sob análise do Banco Central.


No caso do Geraldão, o primeiro ato da transação aconteceu em 14 de junho de 2022, quando a Mar Azul Construção, Comércio e Serviços, uma empresa da Bahia, vendeu o terreno por 500 mil reais para a FXF Empreendimentos Imobiliários, de São Paulo. Menos de um ano depois, em 19 de junho de 2023, a FXF se desfez da área por 900 mil reais. Era um negócio e tanto, com uma valorização de 80% em pouco tempo. Mas a FXF vendeu o terreno em termos, porque o imóvel foi comprado pela Taipe Empreendimentos Imobiliários, firma do mesmo grupo da FXF. Na prática, ficou tudo em casa. Nessa altura, meados de 2023, outra empresa do grupo, a Griffood Brasil Alimentos, começou a negociar um empréstimo com o Banco Master. 


Em meio à negociação, o terreno no Geraldão passou por uma reavaliação do seu valor. A Newmark, um escritório de avaliação de bens localizado na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, encarregou-se da tarefa. A Newmark disse à piauí que mandou um funcionário à Bahia para avaliar a área e cumpriu todas as normas do ramo. O resultado, no entanto, foi um espanto: o imóvel que em 2022 foi arrematado por 500 mil e revendido por 900 mil no dia 19 de junho de 2023, agora, no dia 24 de julho, pouco mais de um mês depois, era avaliado em cerca de 100 milhões de reais. Um colosso. Em 36 dias*, valorizou-se 11 mil%.


Com tamanho salto, a Griffood Brasil Alimentos tinha agora um terreno de 100 milhões para oferecer em garantia ao empréstimo que estava pleiteando com o Master. João Jacques Galvão Lima, representante da Griffood, disse à piauí que o próprio Master sugeriu que a Griffood contratasse a Newmark para avaliar o imóvel (a Newmark, por sua vez, afirma que não tem relações comerciais com o banco). Lima achou que se tratava de um pedido normal e, como precisava do dinheiro, atendeu à sugestão. Em dezembro de 2023, o Master aceitou a garantia do terreno no Geraldão e concedeu o empréstimo de 356 milhões de reais à Griffood, segundo a própria empresa beneficiária. Com isso, o imóvel passou a ser propriedade do Master – até que o empréstimo fosse devidamente saldado. 


Para calcular o valor do imóvel em 100 milhões, a Newmark atribuiu ao metro quadrado a média de outros cinco terrenos localizados em lugares paradisíacos do litoral baiano. São imóveis à beira da praia, sem confusões fundiárias que remontam à chegada dos portugueses ao Brasil e localizados a até 23 km do bairro Geraldão. Diante da falta de coordenadas que apontem a localização exata dos cinco terrenos usados como referência, a piauí conseguiu visitar apenas três – e constatou de modo inequívoco: são incomparáveis.


A Newmark escolheu os imóveis por meio da internet, buscando anúncios de imobiliárias da região. Na avaliação final, à qual a reportagem teve acesso, a empresa usa um texto genérico para contextualizar seu trabalho, citando vagamente pesquisas de mercado, impactos da Covid e a guerra na Ucrânia, e ignorando a reivindicação indígena de posse sobre a área. A Newmark alegou que estudos do tipo partem do pressuposto de que os terrenos estão desimpedidos e dependem de informações passadas pelos proprietários. Na sua avaliação do valor comercial da área, a Newmark concluiu que o imóvel valia 100 milhões de reais, enquanto a liquidação forçada, ou seja, a venda imediata da terra sem tempo para negociações, geraria 71,2 milhões de pronto. 


Na prática, no entanto, o Master tem em mãos um ativo podre, já que é evidente que o terreno do Geraldão não vale 100 milhões de reais, segundo todas as imobiliárias da região ouvidas pela piauí. Tampouco obteria 71 milhões de reais numa venda apressada. (No registro em cartório, atribuiu-se ao terreno um valor ligeiramente mais baixo, 97,8 milhões de reais, mas igualmente fictício.) Por operações assim, que jogam dúvida nos números do Master, o Banco Central ainda não aprovou a compra do banco pelo BRB, banco estatal de médio porte controlado pelo Distrito Federal, considerada a maior operação de salvamento de uma instituição bancária na história do mercado brasileiro (leia aqui reportagem da edição 224, de maio). A lista de pecados a serem expurgados não é curta. O mais conhecido é o histórico de rentabilidade excepcional do CBD do banco, de até 130% do CDI, muito acima da praticada no mercado e notoriamente insustentável (confira aqui outra reportagem sobre o tema, da edição 217).


Para Cristina Helena de Mello, professora de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o caso do terreno merece uma atenção mais detida. “Se o banco aceitou um bem de valor inflado ou de liquidez duvidosa, isso pode configurar um risco sistêmico ou indício de má conduta, o que cabe ao Banco Central investigar.” Segundo a especialista, é grave usar um território ocupado por indígenas como garantia. “Terras ocupadas por povos originários têm proteção constitucional e não podem ser livremente negociadas.” Para ela, em casos que envolvem potencial fraude na valorização do bem, como indícios de superfaturamento ou laudos irregulares, o caso também pode envolver o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. “Principalmente se houver implicações envolvendo terras públicas, indígenas ou uso indevido de recursos do sistema financeiro.”


Santa Cruz Cabrália está na chamada Costa do Descobrimento, no litoral Sul da Bahia. Fica no ponto do litoral brasileiro em que as caravelas portuguesas de Pedro Álvares Cabral atracaram em 1500. Atualmente, é um município de 30 mil habitantes e graves problemas de violência. Em 2022, um ano antes do empréstimo do Master, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública informou que Cabrália era a 24ª cidade com maior número de mortes violentas intencionais no Brasil.


Em sua área central, na linha onde fica o terreno que virou um bem milionário, a praia é urbana, cercada por um calçadão de concreto e pouco atraente, se comparada com outros destinos nos arredores. Foi considerando tais características, a violência e um cenário pouco convidativo para negócios de luxo, que um corretor de imóveis, que pediu para não ser identificado, começou a trabalhar para negociar a área no Geraldão. 


Em julho de 2023, ele foi contratado por representantes da Taipe, então dona do terreno, para iniciar a montagem de um loteamento popular no espaço. “Foi tudo por telefone e correio”, lembra o profissional, que atendeu a piauí em seu escritório, em Porto Seguro.


Ele receberia 6% do valor de revenda do imóvel e mais alguns lotes. Sua entrada na jogada era uma forma de blindar o terreno contra outros eventuais investidores interessados e os próprios indígenas, que já tinham um grande acampamento adjacente consolidado e reivindicam a posse do terreno do Geraldão.


O corretor também recebeu a tarefa de fazer um estudo topográfico da área que pudesse ajudar a formar um preço atualizado do bem. Ele próprio, interessado na comercialização, fez um cálculo já extravagante, de altíssima valorização em relação aos valores oficiais: 10 milhões de reais, considerando o potencial para construção de conjuntos habitacionais e levando em conta a evolução dos indicadores do mercado, em relação aos valores registrados antigamente em cartório.


No começo de 2024, o corretor foi tomado pelo espanto. “De seis em seis meses, eu pego uma certidão no cartório de cada cliente meu. Eu peguei a certidão do terreno, e vi que tinha servido de garantia para uma operação de crédito de 356 milhões de reais. Eu tomei um susto.” Nas contas do corretor, considerando o valor do empréstimo garantido pelo imóvel e a avaliação do próprio terreno, sua comissão deveria agora ficar em 23 milhões de reais. O corretor obteve então uma cópia do documento que atesta que, hoje, a propriedade oficial do imóvel no Geraldão é do Master. 


O corretor conta ter entendido que estava sendo envolvido em um golpe e, pior, levando um calote. Segundo ele, até aquele ponto, não havia sido feito nenhum pagamento pelo seu trabalho. Nesse momento, ele abandonou o cuidado com a área – e os indígenas ocuparam todo o terreno e o lotearam entre suas famílias. Decidiu, então, brigar por seus direitos. Juntou todas as informações de que dispunha: contratos, documentos do cartório, reportagens sobre suspeitas a respeito do Master e boletins de ocorrência, registrando o esforço para conter o avanço dos indígenas. Em agosto de 2024, ingressou na Justiça com uma ação de cobrança, pedindo o bloqueio liminar da matrícula da área e o pagamento da taxa de corretagem de 23 milhões. 


Depois de analisar todo o enredo, a juíza Tarcísia de Oliveira Fonseca Elias, da Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais no município, deu razão inicial ao corretor e viu uma “possível fraude contra o sistema financeiro” no imbróglio. Em março passado, a magistrada tornou indisponível o imóvel do Geraldão, ou seja, nada mais pode acontecer ali sem passar por avaliação prévia da Justiça. Além disso, determinou o bloqueio de 23 milhões das contas da Taipe e remeteu os autos aos Ministérios Públicos Estadual e Federal na Bahia. O caso segue correndo em primeira instância para análise do mérito.



O potiguar João Jacques Galvão Lima, de 59 anos, é o responsável pela Griffood, a tomadora do empréstimo com o Master. Seu nome não é citado em colunas sociais ou anúncios de fusões empresariais – pelo contrário, é um ser quase invisível de tão discreto. Para quem o procura em bancos de dados oficiais, uma das menções mais detalhadas – e recentes – está em um processo judicial no Ceará, no qual ele se apresenta como “pescador artesanal”. No documento, Lima requer gratuidade das custas processuais e se declara “pobre na forma da lei”.


A viagem da reportagem até a residência informada por Lima durou, no total, quase três dias, partindo de São Paulo, onde fica oficialmente a Griffood. Foram quase cinco horas de avião e sete de carro. A vila de pescadores fica na área em que, hoje, funciona uma usina eólica à beira-mar. É uma paisagem formada por dunas de quase 30 metros de altura, que se movem de acordo com a direção do vento. Poucos lugares no Brasil são tão intransponíveis.


Um grande portão interrompe a sinuosa estrada de terra que liga a rodovia asfaltada até o mar. Para evitar que aventureiros se percam nesse labirinto de areia branca, um segurança avisa que não é possível entrar no espaço sem a companhia de algum morador local. Vencido o entrave, a piauí leva mais 20 minutos contornando as dunas e chega até a vila de pescadores Praia do Xavier e Barra dos Remédios, no interior do município de Camocim (CE).


No processo judicial, Lima se declara “residente” da região, que fica quase na divisa com o Piauí. As distâncias demonstram o isolamento do lugarejo: fica a 385 km de Teresina ou 408 km de Fortaleza. É um povoado ermo, pequeno, onde moram cerca de trinta famílias – muitas sem acesso à eletricidade, apesar de conviverem com o barulho constante das hélices que geram energia com o vento. 


Retalhos de plástico protegem buracos na estrutura da casa de pau a pique declarada como a moradia do responsável pela Griffood – mas ele não está lá. “Ele tem uma casa aqui, mas não vive aqui”, disse uma vizinha. Indagada se Lima seria pescador, ela silencia e estranha a informação. Mais tarde, diz lembrar-se que o forasteiro fez um curso recentemente para conseguir o título. “Mas não é pescador, assim como a gente.” Os moradores informam que a última vez que viram Lima na região foi em janeiro deste ano.


A primeira notícia concreta sobre o paradeiro de Lima vem de outro lugar: um sobrado em uma rua de paralelepípedo no bairro Edson Queiroz, na periferia de Fortaleza, o endereço da residência de uma das ex-sócias e administradoras da Taipe. Trata-se da advogada Renata Carneiro Barbosa Galvão, filha de Lima. Ela, aliás, entrou na companhia em uma data cheia de significado: 22 de dezembro de 2023, data em que o terreno foi alienado para o Master.


Renata Galvão disse que desconhece a tal operação. Sequer confirmou saber os nomes das firmas das quais ela própria fez parte ou das entidades do império empresarial ligado ao seu pai. Taipe? “Nunca ouvi falar.” Griffood? “Não tenho conhecimento.” Confrontada com a informação de que seu pai estaria envolvido com um empréstimo de 356 milhões de reais – hoje beirando os 500 milhões de reais –, a mulher de 30 anos foi taxativa: “Amigo, meu pai não tem nem cacife para ter tomado um empréstimo dessa proporção.” 


A Taipe e a Griffood são companhias que, ao longo dos anos, fizeram frequentes trocas de sócios e endereços. A piauí esteve no bairro do Traviú, em Jundiaí, no interior de São Paulo, onde funcionam algumas unidades do grupo. São firmas ligadas por vínculos societários com indícios de uso de laranjas, como no caso da filha de Lima. No total, mais de oitenta empresas estão registradas nesse cipoal de firmas pelo Brasil todo. A maioria é do ramo alimentício. Mas há também entidades de outras áreas, como locação de imóveis e informática – uma galáxia de negócios em que orbita o nome do empresário Edson José Bandeira Braga Filho. 


Responsável por um grupo que responde a 133 processos judiciais de dívidas e burlas tributárias, Braga Filho falou com a piauí por telefone. Não soube ou não quis falar sobre o empréstimo do Master. Afirmou que a Griffood é um nome sólido no ramo de comida congelada. Apontou Lima como dono da firma e colocou-o em contato com a piauí. A revista teve duas conversas com Lima. Na primeira, por telefone, ele estava desconfiado. Negou ter a pesca como profissão. “É meu lazer, meu hobby.” Segundo ele, o processo judicial com tal menção foi uma forma de ajudar, com recursos e advogado, os pescadores da vila contra as pressões para tirá-los de Barra dos Remédios, onde teria comprado um casebre para descansar.


Ele confirmou, no entanto, o empréstimo do Master. E deu a entender que o negócio envolveu mais do que o terreno em Cabrália. “O Banco Master fez uma operação e não foi só com a gente. É um pool de investidores”, disse, sem explicar detalhes do caso, alegando sigilo. De fato, dias antes da entrega do imóvel como garantia, houve a criação de um fundo de investimento, chamado Griffood Brasil, na Reag Investimentos, uma administradora cujo presidente do Conselho de Administração é João Carlos Mansur, velho parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.


Um detalhe em documentos analisados pela piauí chama a atenção: em 2018, muitos anos antes do imbróglio atual, a Griffood informou à Receita Federal que um de seus contatos era um advogado chamado Antonio José Santos Guimarães, que vem a ser o atual “gerente paralegal” da Reag. A piauí ouviu um auditor fiscal da Receita Federal para entender o significado dessa coincidência que fez o mesmo nome aparecer na Griffood e na Reag. A repetição do nome, segundo o especialista, indica alguma relação de ordem fiscal entre as duas empresas. Mas a suspeita mais complexa é de que o empréstimo de 356 milhões seja uma operação para subtrair esse montante do banco, sem o conhecimento de investidores e conselheiros do Master. Em nota, a Reag não explicou a coincidência, mas informou que “não tem e jamais teve qualquer tipo de controle sobre a Griffood”. 


A segunda conversa com Lima, pessoalmente, aconteceu em uma confeitaria no sofisticado Shopping Iguatemi, em São Paulo, na Avenida Faria Lima. Aparentando serenidade, apresentou-se como um empresário que foge dos holofotes. “Meu negócio é produzir alimento congelado”, disse, referindo-se a pizzas artesanais e croissants que, segundo ele, são vendidos para que companhias de renome coloquem suas marcas posteriormente. “Dou sustento através do trabalho honesto para mais de setecentas famílias.” Disse que sua filha só disse que ele não tinha “nem cacife” para tomar o empréstimo porque foi pega de surpresa pela reportagem. Acrescentou que a filha não conhece sua vida muito bem e que colocou o nome dela na sociedade da empresa apenas para ajudá-la. 


Indagado sobre eventuais irregularidades na concessão do empréstimo e na avaliação do terreno usado como garantia, Lima disse que a situação deveria ser “sondada e verificada mais para cima um pouco”. “É lá do banco para cima. Onde é que eles erraram, se é que erraram alguma coisa, se fizeram alguma coisa de errado… Tem que ver o que está acontecendo com eles, né?”


Sustentou que uma parte do empréstimo de 356 milhões foi investida na Griffood e outra parte foi reaplicada no próprio Master. Mesmo assim, documentos indicam que a firma segue com dificuldades financeiras. Hoje, a Griffood possui 23 títulos de dívida registrados no Tabelionato de Protesto de Letras e Títulos de Jundiaí, em um passivo de 1,53 milhão de reais. Uma das firmas credoras ingressou com um pedido de falência contra a Griffood no Tribunal de Justiça de São Paulo.


Não é incomum uma empresa pegar um empréstimo para ter caixa e ir fazendo os investimentos ao longo do tempo, segundo Roberto Luis Troster, doutor em economia e ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Se é uma operação acertada ou não, diz o especialista, depende do que será feito com o dinheiro. “Se o crédito for usado em um empreendimento rentável e lícito que gere recursos para pagar o empréstimo, é uma operação inteligente. Se não for assim, é uma operação estranha, suspeita, e causa prejuízos.”


Para Lima, “valia a pena”. Indagado por qual razão pegou emprestado um dinheiro de que não precisava imediatamente, ele declarou: “Vou usar já, já.”


A piauí enviou nove perguntas sobre o episódio ao Banco Master. A instituição mandou uma nota afirmando que “a referida operação foi realizada em total conformidade com as regras previstas no Manual de Crédito da Instituição”. Disse ainda que “a operação já foi quitada e que o Banco não possui qualquer crédito com a empresa citada”. O Master não quis esclarecer como foi feita a quitação, nem se o crédito foi terceirizado para outra empresa, nem a data em que isso teria ocorrido, nem o responsável pela ação. 


Na confeitaria do Shopping Iguatemi, Lima preferiu não entrar em detalhes sobre as suspeitas que pairam sobre a avaliação do terreno na Bahia. “O Banco Master, detentor do recurso, me emprestou dizendo que acatava aquilo como parte das garantias. Independentemente do valor, ele acatou e me liberou”, disse. Lima reivindicou sigilo comercial e bancário para não dar mais detalhes do caso. Não quis mencionar o pagamento da dívida, mas deu a entender que não houve quitação dos valores – aliás, a primeira parcela está prevista somente para 2026 e, no cartório, o terreno dado como garantia segue alienado. “Eu tenho um compromisso formal com ele [Master]. O risco tá nele [Master].”


Ao final da conversa, combinamos que ele responderia as perguntas por escrito. O e-mail que lhe mandei, no entanto, nunca foi respondido. Nos despedimos assim:


– Isso tudo não é muito estranho? – perguntei.


– Tem muita coisa estranha no Brasil – respondeu o “pescador artesanal” e “pobre na forma da lei”.


*A versão original deste texto trazia a informação de que a valorização de 11 mil% ocorreu em 25 dias. Na verdade, a valorização ocorreu em 36 dias. A informação foi corrigida às 16h16 do dia 30 de julho de 2025. 



https://piaui.folha.uol.com.br/terreno-santa-cruz-cabralia-banco-master/

Agenda Macro

 *Agenda macroeconômica Brasil*


➡️ *Segunda-feira, 24 de novembro*:  

08:00 Índice de Preços ao Consumidor - IPC-S FGV: Consenso 0,24%  

08:00 Índice de Confiança do Consumidor FGV: Consenso 88,50  

08:25 Relatório Focus do Banco Central  

10:30 Arrecadação Tributária Federal: sem consenso | Anterior R$216,7bi | BTG R$262,1bi  

11:30-12:00 Eventos/Debates Diretores e Presidente do Banco Central


➡️ *Terça-feira, 25 de novembro*:  

05:00 Índice de Preços ao Consumidor - FIPE (Semanal): Consenso 0,20%  

08:00 Índice Nacional de Custo da Construção - FGV: Consenso 0,31% | Anterior 0,21%  

08:30 Balança de Conta Corrente: Consenso -US$4.600mi | Anterior -US$9.774mi  

08:30 Investimento Estrangeiro Direto: Consenso US$6.000mi | Anterior US$10.671mi


➡️ *Quarta-feira, 26 de novembro*:  

08:00 Índice de Confiança da Indústria FGV  

08:30 Empréstimos Totais em Aberto - variação mensal: Consenso 1,10%  

08:30 Total de Empréstimos em Aberto: Consenso R$6.844bi  

09:00 Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - 12 meses: Consenso 4,49% | Anterior 4,94% | BTG 4,52%  

09:00 IPCA-15 variação mensal: Consenso 0,18% | Anterior 0,18% | BTG 0,22%  

Dívida Federal Total: Consenso R$8.122bi


➡️ *Quinta-feira, 27 de novembro*:  

08:00 Índice Geral de Preços - Mercado (IGPM) FGV - mensal: Consenso 0,28% | Anterior -0,36%  

08:00 IGPM FGV - 12 meses: Consenso -0,09% | Anterior 0,92%  

08:00 Índice de Confiança do Comércio e Serviços FGV  

Resultado Orçamentário do Governo Central: Consenso R$37,4bi | Anterior -R$14,5bi | BTG R$36,8bi


➡️ *Sexta-feira, 28 de novembro*:  

08:30 Saldo Orçamentário Nominal: Consenso -R$57,4bi | BTG -R$102,2bi  

08:30 Saldo Primário do Setor Público: Consenso R$33,4bi | Anterior -R$17,5bi | BTG R$34,6bi  

09:00 Taxa de Desemprego Nacional: Consenso 5,60% | Anterior 5,60% | BTG 5,70%  

Criação Formal de Empregos: Consenso 107.500 | Anterior 213.002 | BTG 90.200

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Resgate de valores no Master fora do FGC depende de localizar recursos*


Por Lavínia Kaucz


Brasília, 18/11/25 - As perspectivas de recuperação dos valores aplicados no Banco Master que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ainda são incertas e o resgate depende da disponibilidade de recursos, alertam especialistas à Broadcast. O caminho para encontrar o dinheiro passa pelo levantamento do patrimônio do Master e pela responsabilização e bloqueio de bens dos seus dirigentes, como Daniel Vorcaro, dono do banco, preso pela Polícia Federal (PF).


Com a liquidação do Master decretada hoje pelo Banco Central (BC), o FGC é acionado para ressarcir os investidores - cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição, limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos. Quem tinha aplicações acima desse teto não receberá a diferença.


O fundo também se limita a cobrir modalidades de depósito, como Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Há diversos produtos financeiros que não são garantidos, como debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Letra Imobiliária Garantida (LIG) e Letra Financeira (LF).


De acordo com o advogado Oduvaldo Lara Júnior, sócio da área de Direito Societário e M&A do escritório Abe Advogados, “valores não cobertos seguem para o processo de habilitação na massa liquidanda e poderão ser recuperados integralmente, parcialmente ou não recuperados, a depender da disponibilidade de ativos e da ordem legal de pagamentos”


Luciano Ramos Volk, sócio do escritório Volk & Giffoni Ferreira Advogados, também avalia que ainda é difícil afirmar se os valores não cobertos poderão ser efetivamente recuperados. “Essa é uma resposta ainda difícil de dar. O processo de liquidação visa justamente fazer o balanço de ativos e passivos, buscando recuperar os recursos para devolver os investimentos. Diante disso, é possível que haja, infelizmente, a perda de tudo, mas também existe espaço para recuperação de recursos e pagamento dos investidores, ainda que não integralmente, dado o alto valor do prejuízo”, avalia.


Marília Milani, head de contencioso do CBA Advogados, orienta os clientes do banco a aguardarem a liquidação extrajudicial antes de cobrar os valores na Justiça. “Vai ter o processamento da liquidação extrajudicial e, havendo saldo suficiente, entra na lista de pagamentos e acaba pagando esses credores. E aí depende, porque cada credor pode ter uma modalidade de crédito, e essa modalidade vai interferir na ordem de pagamento do crédito”, explica. As prioridades de pagamento são os créditos de natureza trabalhista e fiscal.


O levantamento dos valores necessários para arcar com as obrigações do banco passa ainda por bloquear o patrimônio dos responsáveis por eventuais fraudes, mas é comum a Justiça encontrar obstáculos. A operação que mirou Vorcaro por suspeita de fraude obteve autorização para bloquear R$ 12,2 bilhões em contas bancárias, mas apenas R$ 1,6 milhão foi apreendido até agora.


“A ocultação patrimonial é bem estruturada e sofisticada, nesses casos. Eles podem ocultar (o dinheiro) de diversas formas. Por exemplo, no caso do Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos (liquidado em 2004), ele tinha muito patrimônio ocultado por meio de compras de obras de arte, por meio de laranjas, por meio de empresas terceiras…”, lembra Milani.


A busca por ativos no patrimônio dos responsáveis pela situação financeira do banco ainda pode servir para reparar o rombo causado ao FGC. O fundo tem cerca de R$ 121 bilhões de liquidez. Já o volume de CDBs distribuídos pelo Master no mercado estava em torno de R$ 50 bilhões em março deste ano.


“(O fundo) vai buscar receber esses valores. Eles têm uma equipe jurídica robusta para poder ir atrás desse valor, para fazer investigação patrimonial, o que for necessário para reaver esse dinheiro”, destaca Milani.


Contato: lavinia.kaucz@estadao.com


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