terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

JR Guzzo

 Nunca se viu tanta incompetência, velhacaria e cretinice em um governo

Por J.R. Guzzo

Gazeta do Povo, 17/02/2025


"Uma das partes que o público mais esperava, nas comédias do Gordo e o Magro, era a hora em que os dois armavam algum plano absolutamente estúpido, iam em frente e, depois, ficavam chocados com o fato de que não tinha dado certo. É um retrato do Brasil de hoje neste terceiro ano de governo Lula. O presidente, seus ministros, seus aspones e até a sua mulher fizeram, desde o primeiro dia, coisas que nem o Gordo e o Magro aprovariam.


Nunca se viu, na história da República, um concentrado igual de incompetência, velhacaria e cretinice em estado bruto, 24 horas por dia, fora a roubalheira – estão roubando até marmita. Está na cara que só pode dar mesmo num desastre com perda total. Mas quando vem o desastre, todo mundo se espanta: Santo Deus de Misericórdia, o que está acontecendo com o Brasil?


Está acontecendo o que tinha de acontecer, só isso – aliás, da forma que muita gente vem dizendo desde o primeiro dia, como a Gazeta do Povo e uns poucos outros. Se você esquenta uma chaleira no fogo, a água vai ferver quando chegar aos 100 graus; não há nenhuma outra possibilidade. O governo Lula está assando a batata dele antes mesmo de assumir, quando montou a sua patética “equipe de transição”, com mais de 1000 pessoas, para “preparar” a administração. (Na área do “combate à fome”, para se ter uma ideia, colocaram uma chefe de cozinha.) Desde então, só tiveram ideias péssimas, ou não tiveram ideia nenhuma, e só tomaram decisões erradas. A água ferveu.


O presidente, mal tinha posto o pé no palácio, saiu viajando freneticamente para mostrar o mundo à mulher nova – uma coisa ridícula, ofensiva e estupidamente cara. Não consegue manter de pé uma ponte sobre o Rio Tocantins, mas se mete a falar no “genocídio dos palestinos”, dá palpites que ninguém ouve e quer o fim do dólar como moeda mundial de troca. Com o Rio Grande do Sul devastado pelas enchentes, a única coisa que lhe passou pela cabeça foi fazer marketing. Tentou organizar um leilão inútil e demagógico para importar arroz e distribuir “ao povo” a preço “justo”. Não conseguiram, sequer, fazer o primeiro pregão – descobriu-se que já tinha gente querendo roubar.


Num país chocado pelo disparo dos assassinatos para roubo de celular, Lula continua sustentando que acha “inadmissível” a punição de “jovens” que matam porque querem tomar uma “cervejinha” com o fruto dos homicídios que cometeram. Seu governo persegue fanaticamente as polícias estaduais (salvo as dos estados governador pelo PT), a quem acusam de “massacrar” criminosos que no seu entender não são criminosos, e sim “vítimas da sociedade”.


Inventa um falso “pleno emprego”, ao contar como “empregados” os 54 milhões que recebem o Bolsa Família. Os juros caminham para 15% ao ano. A inflação está roncando nas prateleiras dos supermercados. Sua mulher se exibe com dancinhas, palhaçadas e shows que torram dezenas de milhões em dinheiro público; acha que assim está ajudando a “imagem do governo”.


O governo Lula tem uma causa só – combater a anistia. O presidente da República, impaciente, diz que não haveria inflação se o brasileiro não fosse irresponsável e insistisse em comprar coisas caras. O governo socou impostos em cima das compras de até 50 dólares na internet, voltou a cobrar Imposto Sindical, que estava morto, e fez do real uma das moedas que mais se desvalorizou no mundo em 2024. Meteu-se numa horrenda tentativa de “fiscalizar” o Pix. O ministro da Fazenda diz que “desacreditar” medidas do governo “é crime”. Lula diz que está comendo ovos de pata, de jabuti e de ema – e acha que o povo deve fazer como ele. Não há vestígio de uma coisa útil, uma só, que o seu governo tenha feito.


Daí vem as pesquisas de opinião e dizem – até elas – que a popularidade de Lula está indo cada vez mais rápido para o diabo, e o que acontece? Os analistas políticos, que em mais de dois anos inteiros vem se recusando terminantemente a admitir que o governo Lula é um filme catástrofe, pelo descrito acima e muito mais, entram em transe para dar explicações e falar sobre “cenários”. Vão falar tudo, menos que os direitos autorais do desastre são de Lula, de ponta a ponta. Lula não erra. Só comete “deslizes”, ou “equívocos”, ou “leituras incorretas” e o resto dessa idiotice toda. O resultado está aí."


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/governo-lula-incompetencia-velhacaria-cretinice/

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Fundação FHC

Sem dúvida de que foi no governo FHC q os programas sociais começaram a tomar tração. Digamos que sim, Ruth Cardoso foi a mão do Bolsa Família. Todo seu desenho, formulação, ideia central, condicionalidades, tudo saiu da cabeça dela. 

No início de 1995, Fernando Henrique Cardoso assinou o Decreto nº 1.366, que instituiu o Programa Comunidade Solidária, considerado uma das melhores iniciativas de âmbito social de seu governo.


Criado por Ruth Cardoso, o programa inovador tinha como objetivo fomentar o desenvolvimento local sustentável, para além das políticas públicas. Seu conselho, presidido por Ruth, propunha uma parceria entre sociedade civil, organizações não-governamentais, empresas, universidades e governo. A Comunidade Solidária tinha três linhas de atuação: fortalecimento da sociedade civil, abertura de novos canais de diálogo com o governo e formação de parcerias para realizar programas inovadores de desenvolvimento social.

O Programa atuou pelo Brasil e se ramificou em outros projetos. Alguns exemplos: Universidade Solidária (UniSol); Capacitação Solidária (CapaSol); Artesanato Solidário (Artesol) e Alfabetização Solidária (AlfaSol), destinado a combater o analfabetismo juvenil. De 2002 a 2008, Ruth presidiu a Comunitas — organização criada com o objetivo de prosseguir com as ações da Comunidade Solidária.

Acesse o arquivo de Ruth Cardoso pelo Portal do Acervo: http://acervo.ifhc.org.br/

Vale a pena visitar também duas exposições virtuais do Acervo:

- Ruth Cardoso, formadora: https://lnkd.in/dUbx-tgv
- Uma viagem a Ruth Cardoso por meio do seu arquivo pessoal: https://lnkd.in/ddEs8Kyr

📷 Posse de Ruth Cardoso no cargo de presidente do Programa Comunidade Solidária; 21 de fevereiro de 1995

📷 Capa do livro “Comunidade Solidária: fortalecendo a sociedade e promovendo o desenvolvimento” (Comunitas - 2002)

Recuperação judicial avança

 





"Recuperação judicial avança com aumentos dos juros

Valor Econômico, Editorial, 18/02/25
Com o aumento das taxas de juros, a valorização do dólar e mais restrições ao crédito, a previsão é que o número de empresas em recuperações judiciais vai aumentar
Apesar de 2024 exibir economia aquecida e a maior taxa de crescimento econômico em mais de uma década, o número de empresas que entrou em recuperação judicial bateu recorde - 2.273, com um aumento de 61,8% em relação a 2023. Foi superado o recorde anterior, de 1.863 pedidos em 2016, informou a Serasa Experian. As micro e pequenas empresas foram as mais afetadas, representando quase três quartos dos pedidos de recuperação, um aumento de 78,4% em relação a 2023.
Com um passivo consolidado ao redor de R$ 50 bilhões, a Polishop, a rede de supermercados Dia, a Casa do Pão de Queijo, a Patense, a OEC, braço de construção da Odebrecht, a Coteminas e a Subway são exemplos de empresas de primeira linha em dificuldade financeiras que recorreram à recuperação judicial. A mais recente delas é a Bombril, com passivo tributário de R$ 2,3 bilhões.
As micro e pequenas empresas foram as mais afetadas em quantidade por terem menos capital de giro, menor acesso a empréstimos e falta de estrutura gerencial. Representaram 73,7% dos pedidos de recuperação. As companhias de médio porte foram o segundo grupo que mais pediu recuperação judicial em 2024 (18,3%), seguido das de grande porte (8%). Entre os setores, o de serviços liderou, com 41% do total registrado pela Serasa, pela representatividade na economia. As falências, porém, na contramão, diminuíram 3,5% na comparação anual.
Mas dois setores se destacaram em pedidos de recuperação em 2023, de acordo com dados do Monitor RGF da consultoria RGF & Associados. Um deles é o do agronegócio, afetado pela redução da produção causada por fatores climáticos negativos, pela queda dos preços das commodities e pelo aperto na concessão de crédito.
As recuperações judiciais também cresceram no setor imobiliário. Das 4.568 companhias que negociavam dívidas na Justiça no fim do ano passado, segundo o Monitor RGF, a maioria (28,8%) é do setor imobiliário. A incorporação de empreendimentos imobiliários lidera o número de reestruturações, com 314 companhias nessa situação, e a construção de edifícios segue em terceiro no ranking nacional, com 212 empresas. O segundo lugar é ocupado pelas holdings de instituições não financeiras.
O ano de 2026 não deverá ser muito diferente e pode apresentar números ainda maiores de recuperação judicial, especialmente se o governo seguir leniente com os gastos públicos. Uma melhora depende da redução da Selic, o que não está no horizonte de curto prazo, diante da fragilidade das contas públicas. As estimativas do mercado são de que a taxa básica pode subir até acima de 15%. Uma melhora mais significativa só deve ocorrer ao menos três trimestres após uma eventual redução da Selic."

Lula, o "pato manco"

 


Estabelece-se o bom senso.

 


Call Matinal JHN Consulting 1802

 CALL MATINAL 

18/02/2025 

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO (17/02)

MERCADOS

O Ibovespa, na segunda-feira (16) avançou 0,26%, a 128.552 pontos. Já o dólar subiu 0,29%, a R$ 5,712. No acumulado do ano, acumula baixa de 7,57%. Um dos motivos para essa forte desvalorização foi a reação “exagerada” dos investidores no mercado de câmbio na reta final de 2024. A expectativa de um novo governo Trump, nos EUA, e a incerteza sobre o cumprimento do arcabouço fiscal no cenário doméstico impulsionaram o dólar ao nível acima de R$ 6. 

 

PRINCIPAIS MERCADOS, 7h00


EUA

Dow Jones Futuro, +0,12%

S&P 500 Futuro, +0,28%

Nasdaq Futuro, +0,42%


Ásia-Pacífico

Shanghai SE (China), -0,93%

Nikkei (Japão), +0,25%

Hang Seng Index (Hong Kong), +1,59%

Kospi (Coreia do Sul), +0,63%

ASX 200 (Austrália), -0,66%


Europa

FTSE 100 (Reino Unido), -0,01%

DAX (Alemanha), -0,05%

CAC 40 (França), -0,06%

FTSE MIB (Itália), +0,47%

STOXX 600, +0,05%


Commodities

Petróleo WTI, +0,98%, a US$ 71,43 o barril

Petróleo Brent, +0,23%, a US$ 75,39 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +2,51%, a 818 iuanes (US$ 112,77)


NO DIA, 1802


Uma agenda fraca, nos EUA e no Brasil. Hoje acontece a reunião entre Rússia e EUA na Arábia Saudita para discutir o fim da guerra na Ucrânia. Zelensky está fora, não foi convidado, e já disse que não aceitará o resultado dessas negociações, enquanto os países da UE ameaçam sanções a Moscou, com pressão sobre o petróleo. 


Depois do feriado do Dia do Presidente, NY volta hoje devolvendo liquidez aos mercados domésticos, que ampliaram as quedas dos juros curtos com o recuo do IBC-Br maior que o esperado em dezembro (+3,8% no ano), o que reduziu as apostas em uma Selic mais elevada. Ainda a ponta longa dos juros caiu repercutindo o call eleitoral que enfraquece Lula para a disputa de 2026. Apesar da desaceleração da atividade, a nova deterioração das expectativas na Focus e o surpreendente salto do IGP-10 de fevereiro mantêm as preocupações inflacionárias.


Julio Hegedus Netto, economista JHN Consulting 

 

Boa terça-feira a todos!

Fernando Schuller

 Fernando Schuller

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“Nossa crise é moral”, me dizia um velho intelectual, um tanto abatido, por estes dias. Ele se referia às recentes anulações de condenações de réus confessos, bem conhecidos, mas parecia irritado mesmo com aquele vídeo do Sérgio Cabral em uma piscina de cobertura, Pão de Açúcar ao fundo, no Rio, dando dicas de cinema. A Transparência Internacional definiu as imagens como o “símbolo da impunidade” brasileira, visto se tratar de um sujeito condenado a “400 anos de prisão” por corrupção serial, confessada e comprovada. Posso estar errado, mas desconfio que essas coisas caíram na rotina brasileira. Em parte, porque a polarização política ajusta a bússola ética. Tendemos a ver o problema sempre do “outro lado”. O que já é algo oposto ao sentido da ética. Além disso, as pessoas vão se acostumando.
Não somos o país da moral da “casa e da rua”, do “você sabe com quem está falando?”, como tanto escreveu o mestre Roberto DaMatta? Ainda nesta semana, a Transparência Internacional mostrou que caímos mais três posições no ranking global de percepção da corrupção. Já havíamos caído dez, no ano anterior, e agora mais um recuo. Ficamos com 34 pontos, ante 66 na média da OCDE. Nosso pequeno vizinho, o Uruguai, cravou 76 pontos. Qual é mesmo o nosso problema?
De minha parte, a pergunta fascinante é menos sobre o país e mais sobre como cada um de nós lida com tudo isso. E não me refiro apenas aos grandes dilemas, do tipo “devo pedir propina quando estou no governo?”. As perguntas interessantes são mais simples. Coisas como “devo contar toda a verdade quando um pequeno esquecimento pode me ajudar em um bom negócio?”. Ou: “vale agir com civilidade, em vez de ofender, em um debate nas redes sociais?”. Não vai aqui nenhum moralismo. São apenas questões reais, que definem a vida que temos para viver. É aí que entram as lições de um filme que o ex-governador não indicou: Jurado Nº 2, de Clint Eastwood. Ele toca no nervo da ética: como deveríamos agir se soubéssemos o que é certo fazer, mas que se fizéssemos o contrário levaríamos uma boa vantagem? É o drama de um sujeito boa-praça, Justin Kemp, jurado em um caso de assassinato. Sua mulher está grávida e ele está tentando ser um cara decente. O julgamento começa e, por um desses acasos da vida, Kemp se dá conta que o acusado provavelmente seja inocente. E que ele mesmo pode ser o autor do crime. O que fará com aquela informação? Se ele contar, é provável que termine na cadeia. Se não contar, terminará condenando um sujeito inocente à prisão perpétua, e sairá dali com um enorme problema de consciência.
O filme sugere uma pergunta: como cada um de nós agiria? Platão fez essa pergunta quando contou sua famosa história do anel de Giges, em A República. Giges era um camponês, achou um anel que lhe permitia ficar invisível e logo percebeu que aquilo lhe dava um enorme poder. Se ele podia entrar no palácio e matar o rei, sem ser percebido, por que exatamente ele não faria isso? O.k., ninguém aqui mataria rei nenhum. Mas essa é uma saída fácil. As perguntas reais são mais prosaicas. Você devolveria aquele dinheiro que caiu por engano na sua conta e ninguém aparentemente tem como rastrear? Você gasta o tempo da empresa tagarelando na internet na hora do batente? A história de Giges vai no coração do problema: a ética diz respeito a como decidimos agir quando ninguém está nos observando. Como escutei de um antigo professor, “se temos bons argumentos para não usar o anel a nosso favor, então, sim, a ética tem vez”. E aí vem a pergunta: há bons argumentos para além de um moralismo pouco convincente? Sócrates sugere que sim. Pode ser vantajoso, para cada um, cometer algum delito, mas é péssimo para nossa vida coletiva, da qual todos fazemos parte. Vai aí um certo heroísmo. Sócrates agiu assim quando decidiu beber aquele cálice de cicuta, ao invés de fugir. Na pior de todas as horas, escolheu respeitar as leis de Atenas, sob as quais ele havia vivido. Exemplo extremo, convenhamos. Mas fixa um padrão. A justiça é um tipo de bem que torna nossa vida coletiva possível. E quando internalizada na nossa maneira de viver, mesmo nos momentos mais complicados, podemos chamar de virtude.
O herói socrático quem sabe esteja mais para um anti-herói. Ele se recusa a inventar uma ética própria, se submete à regra comum. Age conforme as leis, mesmo que possa fazer o contrário. Não é bem assim que age o personagem de Eastwood, mas vou evitar o spoiler aqui. O ponto é mostrar que a opção pela ética, no fundo, tem sido uma escolha precária. Há boas razões a favor, mas elas nunca serão realmente suficientes. De modo que, por vezes, vence a escolha socrática; por vezes, não. Raskólnikov, no clássico de Dostoiévski, fez a escolha socrática, depois de muito cambalear. Decidiu confessar aquele crime idiota que ninguém havia visto. Ele tinha seu anel e em algum momento tenta imaginar a si mesmo como um “homem napoleônico”, capaz de produzir sua própria régua moral. Mas não consegue. A consciência o machuca, e isso mostra apenas que ele é um homem comum.
O filme de Eastwood termina com um encontro. A campainha toca, na casa de Kemp, e quem está à sua porta é a promotora. Ela havia se dado conta de toda a verdade e agora estava ali . Os olhares se cruzam, e nada precisar ser dito. É exatamente assim com a ética. É possível ganhar alguma coisa cometendo um delito qualquer. Mas não é crível que se possa viver uma vida dessa maneira. Talvez vai aí a grande lição socrática: a ética importa porque a vida é longa. Isso vale para cada um de nós e vale para um país inteiro. Se um país permite que a escolha antiética seja premiada ao longo do tempo, quem sabe à beira de alguma piscina, alguma coisa tremendamente errada está se passando. E quem sabe, neste exato sentido, meu amigo melancólico tenha razão. Talvez por isso somos o país das Américas com o menor índice de confiança interpessoal, com apenas 4,6% de respostas positivas, ante 41% na média dos países da OCDE.
Confesso não fazer ideia sobre como reverter esse processo. A ética é uma ótima escolha ao longo do tempo (os países escandinavos estão aí para nos mostrar), mas exige um sentido de renúncia. Em momentos cruciais, é preciso beber daquele veneno, como fez Sócrates. Ou ter a humildade de confessar e ir para a Sibéria, como fez Raskólnikov. Ou ainda encarar aquela promotora e finalmente dizer a verdade, como talvez tenha feito Justin Kemp, em um desfecho que Eastwood deixou em aberto. De novo, há certo heroísmo aí. O heroísmo das pessoas que se veem como iguais em direitos. Que não se veem como capazes de fixar a própria régua moral, mas aceitam viver sob as regras e razões compartilhadas entre todos. Não sou moralista a ponto de dizer que é nossa única escolha. Nem a mais trivial. Mas que faria bem ao Brasil que um dia vamos deixar como herança, disso não tenho dúvidas.

BDM MATINAL RISCALA 1802

 *Rosa Riscala: Rússia e EUA discutem fim da guerra na Ucrânia*


… A reunião entre a Rússia e os EUA na Arábia Saudita para discutir o fim da guerra na Ucrânia é o destaque internacional do dia. Zelensky está fora, não foi convidado, e já disse que não aceitará o resultado dessas negociações, enquanto os países da UE ameaçam sanções a Moscou, com pressão sobre o petróleo. NY volta hoje do feriado devolvendo liquidez aos mercados domésticos, que ampliaram as quedas dos juros curtos com o recuo do IBC-Br maior que o esperado em dezembro, o que reduziu as apostas em uma Selic mais elevada. Ainda a ponta longa dos juros caiu repercutindo o call eleitoral que enfraquece Lula para a disputa de 2026. Apesar da desaceleração da atividade, a nova deterioração das expectativas na Focus e o surpreendente salto do IGP-10 de fevereiro mantêm as preocupações inflacionárias.


… A FGV registrou uma escalada dos preços entre 11/1 e 10/2, com um avanço de 0,53% em janeiro para 0,87%, muito acima do teto das estimativas (0,50%). Só nos primeiros dois meses do ano, o IGP-10 acumula alta de 1,40%. Nos últimos 12 meses, de 8,35%.


… Para o economista-chefe da Remessa Online, André Galhardo, esses dados devem repercutir ao longo do primeiro semestre de 2025.


… “O IGP-10 de fevereiro reforça que, a despeito da desaceleração, da valorização cambial, safra recorde e redução dos riscos climáticos, o aumento de preços ao consumidor será um assunto constante nas próximas semanas”, disse ele à Agência Estado.


… Mas, nesta 2ªF, a curva de juros desprezou não só o IGP-10, como também a alta das projeções do IPCA na Focus, com 2025 subindo de 5,58% para 5,60%, e 2026, de 4,30% para 4,35%, priorizando o enfraquecimento da economia como fator deflacionário.


… Pesquisa Broadcast após o IBC-Br mostra que a mediana das estimativas para o PIB/4Tri de 2024 teve redução de 0,5% para 0,4%. Esse nível de moderação, no entanto, é considerado insuficiente para conter a inflação, segundo Carlos Kawall (Oriz Partners).


… “Não estamos em uma situação em que uma desaceleração do crescimento por si só resolva. Seria preciso uma economia se contraindo, o que é diferente. Precisaríamos de uma sucessão de PIBs negativos. Aí sim teremos o fechamento do hiato.”


… Já Nicolas Borsoi (Nova Futura) acredita que a desaceleração vai ser maior do que pensam e que, em algum momento, o mercado deve precificar uma virada de chave do BC, que deve reagir mais à desaceleração da economia do que à desancoragem das expectativas.


… Nos últimos dias, vem crescendo a percepção de que o esfriamento da atividade pode dispensar o Copom de subir a Selic até os 16%, ou mais, como a curva chegou a precificar. A recuperação do câmbio também ajuda nessa equação (leia abaixo).


EFEITO DATAFOLHA – No pano de fundo, investidores ainda festejaram o desgaste de Lula e a chance de ele ficar fora da próxima eleição.


… Causou alívio no mercado financeiro a notícia de que Lula teria dito a pessoas próximas que, a depender de sua condição de saúde, pode não disputar a reeleição (Globo), enquanto Tarcísio já teria admitido que pode disputar 2026, se tiver o apoio de Bolsonaro (CNN).


… Para estrategistas do JP Morgan para a América Latina e Brasil, as pesquisas que mostraram queda de popularidade de Lula levaram os investidores que não têm posições em Brasil a experimentar o chamado “medo de ficar de fora” (Fomo, na sigla em inglês).


… Para o banco, o Brasil é um dos mercados de melhor desempenho, tanto no lado das ações quanto no câmbio.


… “Quando os preços estavam mais baixos do que agora, não havia compradores, mas, à medida que os preços subiam, mais pessoas se interessavam. E isso vem junto com notícias no cenário político, um dos pouquíssimos gatilhos locais.”


… Mas essa reação ainda poderá ter um segundo tempo, se o Planalto for para a ofensiva, com medidas populistas que possam agravar a situação fiscal. O fato de Lula não ter reagido no primeiro dia não quer dizer que tenha desistido.


AGENDA FRACA – A prévia do IPC-Fipe sai às 5h. O BC faz leilão de linha (10h30) de até US$ 3 bi para rolar recompra do mesmo montante que está prevista para 6/3. GPA, Carrefour, Iguatemi e XP soltam balanço após o fechamento.


LÁ FORA – Mais dois integrantes do Fed falam hoje (Mary Daly, às 12h20, e Michael Barr, às 15h), um dia depois de outros colegas deixarem mensagens de cautela, reverberando Powell, que não está com pressa de cortar o juro.


… Michelle Bowman alertou que há riscos de alta para a inflação e defendeu a atual pausa dos Fed funds, assim como Patrick Harker, que projetou que os preços só chegarão à meta de 2% num prazo de dois anos.


… À noite, Christopher Waller também destacou o caráter desigual, acidentado e mais lento do que o esperado do progresso da inflação em direção ao target e disse que, por enquanto, o juro estável é a decisão apropriada.


… Dois dados saem hoje nos EUA: atividade industrial Empire State de fevereiro (10h30) e índice NAHB de confiança das construtoras (12h). Na Alemanha, tem o índice ZEW de expectativas econômicas. Bailey (BoE) fala às 6h30.


PIBINHO – Como se viu, em mais uma prova de que o esfriamento da economia doméstica não dá sinais isolados, mas já é percebido em série, a queda de 0,73% do IBC-Br em dezembro veio pior do que a esperada (-0,4%).


… Foi também a contração mais acentuada no chamado “PIB do BC” desde maio/2023. Alguns economistas apostam na safra recorde de grãos este ano como limitador de qualquer perda mais expressiva do fôlego de crescimento.


… Mas o próprio governo já reconhece que a atividade anda perdendo pique. “Estamos percebendo uma desaceleração, Caged no fim do ano tem apontado para isso”, afirmou o número dois da Fazenda, Dario Durigan.


… Durante participação ontem em evento organizado pela Amcham Brasil, ele confirmou a estimativa da pasta, anunciada semana passada, de expansão de 2,3% do PIB este ano, bem longe do desejo declarado de Lula (3,7%).


… A aposta da Fazenda continua mais otimista do que a do mercado, embora próxima do boletim Focus (2,1%).


… Com a economia pisando no freio, o mercado especula que o Copom pode encurtar o ciclo de aperto monetário, embora Galípolo evite se precipitar e prefira esperar mais para ver se a desaceleração representa tendência.


… O Itaú ainda mantém a perspectiva de Selic terminal em 15,75%, mas admite que o ajuste pode ser interrompido antes por causa da desaceleração maior da atividade ou acomodação do câmbio em um nível mais apreciado.


… Também Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, afirmou durante o evento promovido pela Amcham nesta 2ªF que “talvez o BC pare um pouco antes” do pico previsto pelo banco, de 15,25%.


… A esperança renovada de que o Copom não vá tão longe na dose de conservadorismo ampliou a queda dos juros futuros, que ainda continuaram queimando prêmios de risco com o call eleitoral da Datafolha da semana passada.


… A perda de capital político de Lula 3 para a reeleição em 2026 fortalece os rumores de que ele possa desistir da candidatura e o vácuo de um sucessor forte da esquerda também redobra a chance de um contra-ataque da direita.


QUEM DÁ MENOS? – Os juros dos DIs curtos fecharam em baixa firme com o IBC-Br enfraquecido e as taxas dos contratos longos refletiram o desgaste de Lula, deixando o Focus e o salto no IGP-10 em segundo plano.


… Na 6ªF, a pesquisa Datafolha saiu na hora do período de formação de preços de ajuste nos DIs (16h10 às 16h20) e ontem os contratos continuaram a reagir ao levantamento, com as taxas fechando perto das mínimas.


… Esse recuo dos rendimentos nas últimas sessões fez com que a curva passasse a precificar uma Selic terminal mais perto de 15% que de 16%.


… No fechamento, o DI Jan/26 baixou a 14,665% (de 14,765% no fechamento anterior); Jan/27, a 14,575% (14,720%); Jan/29, a 14,315% (14,450%); Jan/31, a 14,310% (14,440%); e Jan/33, a 14,250% (14,400%).


… Apesar dos temores com a inflação, a chance de Selic menor ajudou a sustentar o terceiro ganho diário do Ibov, que, na máxima do dia, superou os 129 mil pontos, para depois fechar com alta modesta de 0,26% (128.552,13).


… O volume financeiro somou R$ 18,66 bilhões, em pregão marcado pela ausência dos negócios em NY por causa do feriado do Dia do Presidente nos EUA.


… Cíclicas puxaram a alta, embaladas pelo alívio dos juros futuros com o IBC-Br perdendo velocidade em dezembro. Magazine Luiza subiu 7,86% (R$ 7,96), seguida por Vamos (+5,80%, a R$ 5,29) e CVC (+4,55%, a R$ 2,07).


… Beneficiada pela alta do petróleo (Brent: +0,64%; US$ 75,22) e declarações do presidente Lula no sentido de fortalecer a estatal, Petrobras ON valorizou 1,13% (R$ 41,31) e PN ganhou 0,61% (R$ 37,67).


… “Não tem empresa no mundo mais eficiente que a Petrobras”, disse Lula, no ufanismo que ajudou os comprados.


… Bancos foram bem. BB registrou +1,43% (R$ 29,16); Bradesco ON, +0,27% (R$ 11,14; Bradesco PN, +0,16% (R$ 12,21); Itaú, +0,20% (R$ 34,84); e Santander, +0,19% (R$ 26,69).


… Eletrobras subiu 3,06% (ON) e 2,51% (PNB) com a perspectiva de conciliação com o governo, com relação à representação da União no conselho, aguardada para até a 6ªF.


… Com a negociação, o governo espera aumentar o número de representantes no conselho da ex-estatal.


… Após o fechamento dos mercados, uma fonte do governo informou ao Broadcast que a Eletrobras deve continuar normalmente com a participação em ações da Eletronuclear.


… A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que representa a União, detém 64,095% das ações ordinárias da Eletronuclear, enquanto a Eletrobras tem 35,901%.


… Vale caiu 0,54% (R$ 55,37), acompanhando o minério de ferro (-0,92%) em Dalian. JBS (-2,77%; R$ 32,61), Weg (-2,51%; R$ 52,45) e BRF (-2,50%; R$ 19,52) foram os destaques negativos.


… Na contramão dos outros ativos domésticos, o real desvalorizou. Após cair 1,7% na semana passada e fechar abaixo dos R$ 5,70, o dólar à vista terminou em leve alta de 0,29%, a R$ 5,7125.


… Lá fora, o índice DXY ficou estável em 106,732 pontos, num dia de negócios reduzidos. O euro caiu 0,10%, a US$ 1,0485, e a libra avançou 0,31%, a US$ 1,2630. O iene subiu 0,50%, a 151,521/US$, apostando em novas alta do BoJ.


EM TEMPO… RAÍZEN acessará mercado externo com intenção de levantar até US$ 750 milhões, informou o Broadcast. A emissão deve ocorrer nos próximos dias e valor final ainda será definido…


… Recursos devem ser direcionados para gestão do passivo da companhia.


BB SEGURIDADE teve lucro líquido ajustado de R$ 2,173 bilhões no 4Tri24, alta 5,8% na comparação anual. O resultado financeiro caiu 13,3%, para R$ 393 milhões…


… Empresa vai pagar R$ 4,411 bilhões em dividendos, a R$ 2,27 por ação, ex em 21/02.


NEOENERGIA teve lucro líquido de R$ 852 milhões no 4Tri24, queda anual de 12%. Com ajustes, lucro somou R$ 1,387 bilhão, queda anual de 5%. Ebtida somou R$ 3,077 bilhões (+8%) e receita líquida foi de R$ 12,844 bi (+15%).


ENEVA. Segundo trem de GNL entrou em operação comercial na Unidade de Tratamento de Gás Natural do Complexo Parnaíba, em Santo Antônio dos Lopes (MA)…


… Esse segundo trem possui capacidade de liquefação de 300.000 m³/dia de gás natural e, com sua entrada em operação, eleva a capacidade agregada de liquefação da companhia para 600.000m³/dia.


CCR PR VIAS fará 1ª emissão de debêntures simples, de até R$ 1,2 bi. Prazo e remuneração não foram informados.

Bankinter Portugal Matinal 1802

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Europa subiu ONTEM ca.+0,5% perante a perspetiva de negociações sobre Ucrânia (hoje, reunião EUA/Rússia na Arábia Saudita) e apesar da ausência de Nova Iorque, que HOJE reabre com tom semelhante ao europeu de ontem (futuros ca. +0,3%). Austrália baixou taxas de juros esta madrugada (-25 p.b., até 4,10%), como esperado, e amanhã será a vez da Nova Zelândia, mais agressiva (-50 p.b. até 3,75%)… mas isso deve-se ao facto de estarem acima de 4%, apesar de ter a inflação apenas um pouco acima de +2% (+2,4% e +2,2%, respetivamente). E no Reino Unido (7 h), o Desemprego repetiu em 4,4%, melhor do que o aumento esperado até 4,5%, com Ganhos Pessoais +6% face a uma Inflação de +2,8% (+3,6% Subjacente), melhorando assim o poder de compra real, e isso deverá apoiar um Consumo Privado recentemente fraco (0% no 4T’23 vs. +0,6% no 3T). Finalmente, Harker (Fed Filadélfia) expressou-se hawkish/dovish (duro/suave) para não se comprometer com nada: afirma que não vê nenhum movimento para mudar agora a política monetária, mas que se sente otimista em relação à inflação e que as taxas de juros poderão continuar a baixar a longo prazo. Atitude curiosa que não conta para nada porque ele se vai reformar este ano.

 

HOJE (10h), teremos o ZEW Sentimento Económico na Alemanha, para o qual se espera uma notável melhoria (20,0 vs. 10,3), que parece um pouco ambiciosa, apesar da macro alemã mais recente ter surpreendido positivamente (PMI Industrial 45,0 vs. 44,1; Exportações +2,9% vs. -0,5%...). Alemanha celebra eleições (domingo, 23) e há uma expetativa um pouco ingénua em relação a um desenvolvimento que mude a direção da economia, mas a governabilidade pode ser endiabrada (CDU 29%, AfD21%, SPD 16%, Verdes 13%...). Cuidado com este assunto.

 

O importante é a reunião EUA/Rússia, da qual poderá sair qualquer coisa. Contudo, o desenvolvimento racional é que a Rússia pressione bastante, porque os EUA cometeram o erro de começar, oferecendo concessões em troca de nada (consolidar a posse de território invadido pela Rússia, que a Ucrânia não entre na OTAN…) e que a ação bélica russa se intensifique e avance com tudo o que tem (armas e homens), sabendo que é ela quem decide quando, e quase também, como se alcança um cessar-fogo que permita que os egos de Trump e Putin se satisfaçam, embora seja indecentemente. Esperemos que os EUA tenham um plano inesperado que ninguém seja capaz de prever, para que o desenvolvimento não seja como parece. O prático: reduz-se a perceção do prémio de risco por geoestratégia, o que melhora as avaliações das bolsas (mas cuidado, porque não há nada tangível, e muito menos fiável) e dá apoio às empresas de Defesa, ideia que temos vindo a defender.

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Mercado complacente perante a redução do prémio de risco por geoestratégia devido às conversações com o objetivo de conseguir um cessar-fogo (ou algo que se lhe pareça) na Ucrânia, portanto subidas suaves e desconfiadas (+0,3%?). A vigiar os prováveis aumentos da inflação no Reino Unido (amanhã) e no Japão (sexta-feira),

que poderão frustrar um pouco o otimismo sobre descidas de taxas de juros.

 

Nova Iorque fechada ontem. ES-50 +0,5% IBEX +0,5% VIX 15,4 Bund 2,48% T-Note 4,51% Spread 2A-10A USA=+24pb B10A: ESP 3,15% PT 2,95% FRA 3,17% ITA 3,55% Euribor 12m2,424% (fut.2,276%) USD 1,047 JPY 158,8 Ouro 2.912$ Brent 75,4$ WTI 71,5$ Bitcoin -0,9% (95.502$) Ether -0,7% (2.667$).

 

FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...