segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Federalização do BRB

 *Federalização do BRB começa a ser discutida entre banqueiros*


Opção não está no topo das alternativas para crise, mas saída não está descartada


14.fev.2026 às 9h00


Embora distante do cenário desejado pelo governo do Distrito Federal, a possibilidade de federalização do BRB (Banco de Brasília) passou a ser aventada nas conversas de banqueiros e executivos do setor como um possível desfecho para a instituição estatal.


A opção não está no topo da lista das alternativas para a crise do BRB, mas uma saída em que o BRB seja absorvido por um banco público federal, como o Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal, não está descartada. O movimento já aconteceu no passado, em casos como o do banco Votorantim.


A medida, no entanto, não tem apoio da classe política, que prefere a permanência do banco nas mãos do governo do Distrito Federal.


Uma pessoa que participa das negociações admite que a alternativa mais simpática ao mercado bancário é a privatização do BRB. A instituição distrital precisa de uma injeção de capital que, a depender do que ficar decidido, pode chegar a R$ 6 bilhões.


A primeira opção na mesa é um empréstimo a ser concedido em partes e condições financeiras iguais pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e um consórcio dos maiores bancos do Brasil, como mostrou a Folha.


O empréstimo seria feito pelo governo do Distrito Federal para capitalizar o BRB com garantias dadas pela gestão Ibaneis Rocha (MDB). A operação e as garantias precisam ser aprovadas pela Câmara Legislativa do DF. A legislação permite esse tipo de ação.


A compra de letras financeiras subordinadas (títulos de renda fixa emitidos por bancos para compor capital) do BRB pelos grandes bancos também é uma possibilidade, de acordo com pessoas que participam das negociações ouvidas pela Folha. Essa alternativa, no entanto, é considerada mais difícil de ser aceita pelos grandes bancos.


Uma oferta de aumento de capital, operação em que a instituição emite novas ações para captar recursos, que chegou a ser cogitada, também é vista com ressalvas. Isso porque o BRB está com a credibilidade em baixa pelo envolvimento com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central. Não é conhecido o tamanho do estrago das operações feitas com o banco de Daniel Vorcaro, além da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro.


Uma das dificuldades é que os dois maiores bancos públicos, BB e Caixa, não estão autorizados pelo controlador, a União, a olhar os ativos e as possibilidades de ajuda ao BRB. Os dois gigantes estatais do governo federal não compraram até agora nenhuma carteira de crédito, como outros bancos privados, para ajudar a injetar recursos no banco nessa fase de dificuldade de baixa liquidez do BRB.


Procurado pela reportagem, Ibaneis Rocha disse que a imprensa "especula muito". "Sobre o banco quem fala é o Nelson", escreveu ele em referência ao presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza.


Parte dos envolvidos com conhecimento interno do BRB vê a federalização como uma hipótese remota no cenário atual, que seria diferente do observado semanas atrás. Apesar disso, essas pessoas reconhecem que a federalização pode vir a acontecer caso o BRB entre em algum tipo de regime especial imposto pelo Banco Central, o que não ocorreu.


A Folha procurou a assessoria do BRB, que afirmou que "qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados" pelo Master.


"Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados com apoio técnico da Kroll. Após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas", diz o banco.


O BRB afirma que, entre as alternativas em estudo, estão a venda das carteiras oriundas do Master; a criação de fundo com imóveis do controlador; a contratação de empréstimo junto ao FGC ou um consórcio de bancos e aporte dos controladores. "O BRB reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança de seus clientes, a manutenção da solidez e a continuidade de suas operações", acrescentou o banco.



https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/federalizacao-do-brb-comeca-a-ser-discutida-entre-banqueiros.shtml 

BRB e suas falcatruas

 *BRB: Conselheiros fiscais renunciam por desconhecer indicação atribuída ao "Fundo Borneo"*


Por Amélia Alves


São Paulo, 13/02/2026 - O Banco de Brasília (BRB) recebeu os pedidos de renúncia de Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa aos cargos de membro titular e membro suplente, respectivamente, do conselho fiscal da companhia. As renúncias produziram efeitos imediatos.


Lima de Sousa formalizou sua saída após tomar ciência, no dia 11, de que sua indicação ao cargo teria sido atribuída ao denominado "Fundo Borneo". Em sua manifestação, ele declarou desconhecer integralmente tal indicação pelo referido fundo e afirmou não possuir qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca da entidade, tampouco de seus representantes ou administradores.


Vasconcelos também apresentou renúncia após ter ciência, na mesma data, de que sua indicação teria sido atribuída ao "Fundo Borneo". Ele igualmente declarou desconhecer a indicação e afirmou não manter qualquer vínculo, relação ou conhecimento sobre o fundo, seus representantes ou administradores.


Contato: amelia.alves@estadao.com


Broadcast+

Agronegócio e o quarto mandato

 *Leitura de Sábado:agronegócio não precisa ter receio de quarto mandato de Lula, diz Favaro*


Por Isadora Duarte


Brasília, 13/02/2026 - De saída do Ministério da Agricultura, o qual deve deixar até o início de abril e retornar ao Senado pelo PSD de Mato Grosso, o ministro Carlos Fávaro avalia que o distanciamento entre agronegócio e o governo Lula diminuiu ao longo dos últimos três anos da gestão. "Tenho convicção que muitas pontes foram reconstruídas e teremos menos radicalismo na eleição deste ano. Todos aqueles que racionalmente avaliam o governo, percebem que houve uma ponte reconstruída", disse Fávaro, em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro. "A resistência (do setor) diminuiu. Nada resiste ao trabalho", afirmou o ministro em relação às políticas públicas adotadas no governo atual.


Para Fávaro, a mesma tônica deve ser repetida em eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O setor não precisa ter receio de um quarto mandato do presidente Lula, porque ele vai estar ao lado do setor", afirmou.


O ministro considera que essa reaproximação entre setor e governo Lula era uma de suas missões à frente da pasta. "Fazia parte da missão desmistificar que o presidente Lula faria mal ao agronegócio brasileiro ou que seria um governo de incertezas e perseguição, o que não se concretizou", apontou. "As políticas públicas dos governos Lula foram fundamentais para a grande virada da agropecuária brasileira, como financiamento para armazéns e biocombustíveis. Mostrou-se, mais uma vez, um governo ao lado do produtor, que investiu em biocombustíveis, que fez Planos Safras sucessivamente maiores, que abriu mercados", acrescentou o ministro.


Como legado da gestão, ele citou ainda modernizações feitas na estrutura do Ministério da Agricultura, o que inclui a digitalização de estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a adoção de certificados sanitários eletrônicos, e desburocratização de processos.


Agora, o ministro espera que seu sucessor dê continuidade ao trabalho feito à frente da pasta. "O posicionamento do presidente Lula é de que não haja interrupção das políticas públicas, do direcionamento das ações que estão sendo feitas. A única mudança será o nome que executará as políticas públicas que já estão estabelecidas", analisou. "A palavra de ordem é continuidade e que a pessoa escolhida tenha compromisso de seguir com as políticas públicas que estão sendo implementadas", acrescentou.


Fávaro discutiu a sucessão da pasta ontem em reunião com o presidente Lula. O ministro tem dito a interlocutores que o sucessor será escolhido pelo presidente.


Contato: isadora.duarte@estadao.com


Broadcast+

Teresa Cristina e o PP

 *Tereza Cristina diz que nota da Federação União Progressista não representa senadores do PP*


Por Karla Spotorno e Cícero Cotrim


São Paulo e Brasília, 14/02/2026 - A senadora Tereza Cristina (PP-MS) publicou em uma rede social no fim da noite de ontem que a "bancada do Progressistas no Senado Federal informa que a posição expressa em nota divulgada pela Federação União Progressista não foi previamente debatida nem contou com a anuência desta bancada".


"Portanto, a nota não pode ser interpretada como representativa dos senadores do PP", diz o post de Tereza Cristina. No post, ela menciona como signatários do esclarecimento os parlamentares Dr. Hiran (RR), Esperidião Amin (SC), Luis Carlos Heinze (RS) e Margareth Buzetti (MT).


No texto, Tereza Cristina não cita o tema da nota da Federação União Progressista. Mas, horas antes do post da senadora, a federação, que reúne os partidos União Brasil e PP, publicou uma nota em que manifesta "confiança" no ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a troca da relatoria no caso Banco Master.


No texto, a Federação União Progressista demonstra preocupação com as "narrativas que querem colocar a opinião pública contra o ministro Dias Toffoli".


"É preciso ponderar que as injustiças acontecem quando se tem apenas um lado de uma versão repetida inúmeras vezes sem base sólida", continua a nota. A federação acrescenta: "Uma versão caluniosa, que passa a ser verdadeira justamente pela repetição".


Contato: karla.spotorno@estadao.com



Broadcast+

ASA: enquanto isso no Fed

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/02/asa-descarta-novos-cortes-de-juros-nos-eua-em-2026-e-aposta-em-dolar-mais-forte.ghtml


*ASA descarta novos cortes de juros nos EUA em 2026 e aposta em dólar mais forte*


_Para a economista Andressa Durão, Kevin Warsh não deve encontrar apoio suficiente no colegiado do Fed para alterar a política monetária de forma significativa no curto prazo_


Por Cristiana Euclydes e Luana Reis, Valor — São Paulo


Na contramão do consenso do mercado, o ASA avalia que não há mais espaço para cortes de juros nos Estados Unidos neste ano e aposta em um dólar mais forte. A visão é defendida pela economista Andressa Durão, que, em conversa com o Valor, diz esperar forte crescimento na economia americana neste ano e acredita que Kevin Warsh, indicado para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed), não deve encontrar apoio suficiente no comitê para alterar a política monetária ou o balanço de ativos de maneira significativa.


O banco central americano realizou uma pausa no ciclo de afrouxamento em janeiro, após realizar três cortes consecutivos no final do ano passado, levando as taxas de referência para o intervalo entre 3,50% e 3,75%. Com uma expectativa de que o Fed deve manter os juros inalterados ao longo de 2026, Durão acredita que as movimentações políticas de Donald Trump e as eleições de meio de mandato nos EUA devem gerar mais volatilidade nos mercados do que a política monetária.


“O Fed deve ficar parado o ano inteiro”, diz a economista. “E, talvez, o próximo movimento seja de alta, algo que ninguém ainda está falando, mas a gente acha que a economia tá muito forte. Então, não tem porque continuar cortando”, enfatiza a economista, ao esperar, ainda, um crescimento de 3% nos EUA neste ano.


Durão espera que 2026 também seja um ano de volatilidade nos mercados americanos, com os investidores reagindo às mudanças nas políticas americanas, especialmente com as eleições de meio de mandato, que devem começar a chamar a atenção dos investidores a partir da metade do ano. A economista acredita que Trump pode apostar em novas medidas de estímulo econômico para tentar aumentar a popularidade de seu partido nas eleições. “Acho que, ao longo do ano, vai ter mais um foco para isso do que para o que o Fed vai fazer", avalia.


Embora Durão reconheça que ainda existem riscos de alta para a inflação, ela ressalta que eles diminuíram. A economista vê a inflação americana medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) mais perto de 2,5% do que de 3% ao ano. Na avaliação dela, a maior parte dos riscos não se materializou, com impacto das tarifas bem menor que o esperado, e os preços de bens e imóveis desacelerando. “O que fica de risco é a inflação de serviços por conta de uma atividade econômica forte.”


O Fed, assim, deve mudar um pouco o peso para a questão do mercado de trabalho, embora o presidente do banco central, Jerome Powell, tenha dito após a decisão de janeiro que o emprego tem se estabilizado. Em janeiro, dados do “payroll” mostraram criação de 130 mil postos de trabalho, acima das expectativas dos agentes.


Ao ser questionada sobre a fraqueza de dados de trabalhos recentes, divulgados na semana passada, Durão afirma que, embora o relatório Job Openings and Labor Turnover Survey (Jolts) tenha mostrado um esfriamento no número de abertura de vagas, não indicou um aumento nas demissões. Na visão dela, a taxa de desemprego deve se manter baixa ao longo deste ano, em linha com a forte atividade econômica sugerida pelos dados do Produto Interno Bruto (PIB).


A perspectiva do ASA é bem mais “hawkish” (propensa ao aperto monetário) do que o consenso dos investidores, que ainda vê dois cortes nos juros ao longo do ano, em linha com o que foi sinalizado pelo Fed em seu último Sumário de Projeções Econômicas (SEP), em dezembro. Para Durão, a visão do mercado também reflete a expectativa de que Warsh deve ceder às pressões políticas de Trump e apoiar cortes nas taxas de juros. A próxima revisão no “gráfico de pontos” será na decisão de política monetária de março e, na visão dela, deve refletir uma visão mais “hawkish” por parte dos dirigentes.


Durão acredita que Warsh deve apoiar um corte em sua primeira reunião do Fomc, em junho, caso o cenário se mantenha igual, para “chegar mostrando serviço” a Trump, mas ele não deve construir maioria para isso, nem para alterar o balanço de ativos do

Fed, ainda que discussões sobre alterações em sua composição possam ser intensificadas. Na visão da economista, embora a pressão política por juros mais baixos exista, a maioria do comitê ainda é “hawkish” e deve formar maioria nas votações.


“Eu não acho que todo mundo se deixaria levar pelo novo presidente ou por questão política”, comenta a economista, ressaltando que boa parte do comitê tem defendido a manutenção dos níveis atuais dos juros, sem realizar novos ajustes tão cedo. “Claro que Warsh deve influenciar, mas não deve ser um grande problema. Pensando em uma votação, ainda vencem os mais ‘hawk’.”


As ameaças ao Fed, no entanto, não estão precificadas no mercado, porque se tratam de riscos de cauda, na visão da profissional. Para ela, caso realmente houvesse a percepção de que a independência e a credibilidade do banco central americano estão sob ameaça, a reação vista até o momento teria sido bem pior nos mercados de Treasuries, de câmbio, e de inflação “implícita”, avalia. Durão aponta que, caso a diretora do Fed Lisa Cook seja destituída de seu cargo — o que não é o cenário-base —, o mercado reagiria muito mal.


Warsh foi visto como um nome menos propenso a apoiar cortes rápidos de juros do que os outros candidatos cotados para assumir a liderança do Fed, o que levou a uma firme recuperação do dólar no exterior. No entanto, Durão acredita que o movimento se tratou mais de uma correção, já que a moeda vinha se enfraquecendo de maneira expressiva no começo do ano.


A indicação de Warsh também levou a uma alta na ponta longa dos juros dos Treasuries e a uma derrocada histórica nos preços de metais preciosos.


Para este ano, o ASA aposta em um dólar mais forte no exterior, apoiado pelo crescimento econômico robusto dos EUA. “Temos um cenário de economia muito mais forte do que em outros países”, ela afirma. “Não consigo imaginar um cenário de dólar fraco.”


Ela também destaca que o mercado de ações dos Estados Unidos continua a ser o mais forte globalmente e pode continuar batendo recordes, ainda que não seja possível afirmar se já chegou às máximas. “Não tem muito como apostar contra.”

Corte da Selic e os DI curtos

 *Leitura de Sábado: Proximidade de corte da Selic incentiva posições aplicadas em DI curto*


Por Arícia Martins


São Paulo, 10/02/2026 - Após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e janeiro ter referendado as perspectivas do mercado de que o primeiro corte na Selic será de 0,5 ponto porcentual, em seguida ao comunicado que abriu a porta para uma redução em março, instituições estrangeiras e grandes gestoras de recursos passaram a ampliar apostas na queda dos juros futuros.


Em um primeiro momento, profissionais ouvidos pela Broadcast apontaram que os trechos curto e intermediário foram os escolhidos para abrir e/ou aumentar posições aplicadas, sendo o vértice mais longo neste trade o de janeiro de 2029, como é de se esperar às vésperas de um afrouxamento do juro. Já os trechos mais distantes, apesar de acumularem prêmios de risco relevantes, ainda não estão sendo considerados interessantes para posição vendidas, devido às incertezas que ainda pairam sobre o cenário eleitoral e ao quadro fiscal pressionado.


Na expectativa de que o aguardado ciclo de cortes do juro básico leve a uma nova rodada de alívio de prêmios na curva futura, o banco americano Citi e o francês BNP Paribas informaram em relatório, no fim de janeiro, que voltaram a ficar aplicados em juros no Brasil. Ambas as instituições iniciaram posições em contratos com vencimento em janeiro de 2029 - horizonte que, por aqui, dada a estrutura mais curta da curva de DIs em relação a outros países, é considerado intermediário.


Em relatório assinado pela economista-chefe do banco, Fernanda Guardado, e pelo estrategista de renda fixa e câmbio para América Latina, Mario Castro, o BNP Paribas afirma que o ajuste da linguagem do Banco Central, sugerindo que o ciclo de flexibilização do juro básico está próximo, "aponta para um novo rali nas curvas locais".


A instituição manteve, por ora, a expectativa de redução de 25 pontos-base da Selic em março, com taxa terminal em 12% ao final de 2026, mas pondera que a decisão do colegiado entre um ajuste de 25 ou 50 pontos-base na próxima reunião pode ser apertada.


"Embora o mercado já estivesse descontando março como o ponto de partida do ciclo, o BC validando as expectativas atua como um catalisador para que os participantes retomem posições de recebedores. A mudança de tom do BC coincide com uma tendência contínua de fraqueza do dólar, que continuará a exercer pressão descendente nas curvas locais", observa o BNP, explicando a combinação que levou a instituição a abrir posição aplicada no DI de janeiro de 2029.


Essa é a mesma estratégia adotada pelo Citi, que observa que as taxas de curto prazo costumam aumentar após o primeiro afrouxamento no juro básico, conforme o ocorrido nos ciclos de cortes de 2016 e 2023, por exemplo. O banco pontua que dois riscos para a operação são uma inflação mais alta do que o esperado no Brasil e uma postura mais 'hawkish' da autoridade monetária.


Na sua carta mensal de fevereiro, a Kinea Investimentos informa que a estratégia segue a mesma do mês anterior, com posição ainda aplicada em juros. Mas o cenário eleitoral, que pode trazer volatilidade, reduz a visibilidade e comprime o espaço para apostas direcionais grandes.


Gestor de renda fixa da Kinea, Guilherme Rodrigues diz que a gestora que faz parte do grupo Itaú "encurtou" as posições de um mês para outro, com prazos que, agora, vão até um ano, no máximo. "Hoje estou bem aplicado, mas agora está tudo no 'curtinho'. Já chegamos a ter posição aplicada nos [vencimentos] de dois a três anos; agora estou sendo mais tático", afirmou Rodrigues à Broadcast.


A estratégia está alinhada à tendência de que a curva de juros fica mais inclinada em momentos que antecedem ciclos de corte, disse o gestor, para quem há espaço para, no mínimo, 300 pontos-base de ajuste para baixo do juro básico no ciclo atual. "Em um primeiro momento há uma inclinação da curva nominal, e isso está acontecendo. O pessoal tende a 'se esconder' nos curtos e médios".


A Bradesco Asset, por sua vez, afirma que identificou melhor relação risco retorno na parte intermediária da curva nominal, onde os prêmios ainda incorporam assimetria favorável em um ambiente de transição de política monetária. "Além disso, preservamos uma estratégia de inclinação, com posições aplicadas no segmento intermediário e tomadas na parte longa, visando capturar a tendência de normalização da estrutura a termo em um ciclo de relaxamento monetário", explica a instituição na carta mensal deste mês.


Em sua carta mensal de fevereiro, a Santander Asset aponta que, no primeiro mês do ano, manteve a visão otimista para a renda fixa local, aumentando o posicionamento aplicado em juros prefixados e vendido em inflação implícita, e reduzindo a alocação em ativos atrelados à inflação, com resultado positivo. "Apesar da evolução menos favorável dos ativos atrelados à inflação no período, a forte queda da curva de juros nominal contribuiu de forma positiva para o nosso resultado", diz a gestora de recursos do Santander.


E para fevereiro, a asset do banco espanhol segue aplicada em juros nominais, destacando, além do iminente ciclo de redução da Selic, que a atividade e a inflação estão em rota de moderação. "Diante da precificação atual, enxergamos prêmios atrativos nas curvas de juros", diz a instituição.


Contato: aricia.martins@estadao.com


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Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Leilão para venda da fatia bilionária da Oi na V.tal pode 'dar branco'*


Por Circe Bonatelli


São Paulo, 12/02/2026 - O BTG Pactual, através de seus veículos de investimentos, se apresentou para ficar com a participação detida pela Oi na V.tal, grupo que atua com redes de fibra ótica, banda larga e data centers, no qual esses veículos já são os controladores. O ativo será levado a leilão no próximo mês. O futuro dessa transação, entretanto, ainda é incerto. A Coluna apurou que, embora o banco tenha pedido habilitação para participar do certame, ainda não decidiu se fará uma proposta de compra de fato. Por ora, a instituição financeira está se preparando para entrar na disputa só caso surja um concorrente, dizem fontes a par do processo. Enquanto isso, mais ninguém se manifestou para participar do leilão até o começo da noite desta quinta-feira, 12, quando vence o prazo para os interessados se credenciarem. Ou seja: no fim das contas, pode "dar branco" no leilão.


PAGAMENTO. A fatia da Oi corresponde a 27,5% da V.tal e foi colocada à venda por meio de leilão a ser realizado no dia 5 de março, com lance mínimo de R$ 12,3 bilhões, pagamento em dinheiro, à vista. A venda do ativo é uma peça-chave dentro do plano de recuperação judicial da Oi, de modo que os recursos da venda serão usados para abater sua dívida.


FUNDOS. O BTG Pactual encaminhou a documentação para se habilitar por meio de um conjunto de quatro veículos de investimento: os fundos BTG Pactual Economia Real Master, BTG Pactual Infraco Master e BTG Pactual Infraco Co-Investors Fund LP, e uma sociedade anônima chamada Stans 13, que foi aberta em setembro de 2025. Por trás desses veículos estão os mesmos acionistas que já controlam a V.tal, que incluem o próprio banco, o fundo de pensão canadense CPPIB, o fundo soberano de Cingapura GIC e clientes do segmento de grandes fortunas, entre outros cotistas.


TROCA. A participação na V.tal também é almejada pelos credores da Oi, mas eles não estão dispostos a colocar dinheiro na jogada. O interesse aí é ficar com esse ativo em troca do abatimento de dívidas, o chamado credit bid. A petição foi protocolada pelo UMB Bank, que atua como um administrador (trustee) dos valores a serem recebidos pelos credores. Neste grupo, estão gestoras de recursos estrangeiras, como Pimco, Vontobel, Arkaim e Bracebridge, cujo saldo a receber é de cerca de R$ 10 bilhões.


MENOS. Fontes que acompanham o processo ponderaram que essas dívidas no mercado secundário estão avaliadas em pouco mais de R$ 2 bilhões - tamanha a descrença de que a Oi irá conseguir saldar essa dívida algum dia. Nesse sentido, uma crítica é que os credores estariam manobrando para trocar algo que vale pouco por algo que vale muito, enquanto a Oi tem necessidade urgente de uma injeção de dinheiro no caixa. Já o argumento contrário é que uma redução das dívidas da Oi na ordem de R$ 10 bilhões daria um grande alívio para as despesas com juros da empresa, além de liberar garantias que permitiriam a empresa buscar novos financiamentos.


CONTRA. O desfecho é incerto. A Oi e o gestor judicial que comanda a empresa desde o afastamento da sua diretoria se posicionaram contra uma troca de ações pelo abatimento de dívidas. Eles reiteraram que o plano de recuperação judicial estabelece que a alienação da sua participação na V.tal deve ocorrer por pagamento em dinheiro. Só em caso de isso não ocorrer é que outras formas de pagamento poderiam vir a ser analisadas e submetidas à deliberação dos credores para aprovação ou rejeição.


Contato: circe.bonatelli@estadao.com


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Fictor: investidores como sócios

 *À Justiça, Fictor diz que investidores eram sócios: “Relação clara”*


Fictor sustentou nos autos que relação do grupo com investidores não é de credor e devedor


Em petição apresentada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a Fictor afirmou que a relação dos investidores com o grupo era de sociedade e não de credor e devedor. A interpretação é importante porque, se considerados como sócios da Fictor no processo de recuperação judicial, os investidores vão, na melhor das hipóteses, para o fim da lista de possíveis pagamentos.


“Ora, era formada uma relação contratual por meio de Sociedades em Conta de Participação, onde os sócios participantes contribuíam com aportes de capital social para o desenvolvimento da atividade de comercialização de grãos em que o sócio ostensivo – Fictor Invest – contribuía com os seus serviços gerenciais e o resultado, por sua vez, era partilhado entre as partes na forma de dividendos”, argumentam os advogados advogados da Fictor.


No documento, a Fictor afirma, ainda, que “a relação societária é clara”. “Não há que se falar em ignorância ou desconhecimento da relação contratual vivenciada pelas partes, não se trata de termo de adesão, mas de um contrato de sociedade e que, por sua vez, comportava aportes expressivos.”


Por fim, os advogados pedem que “seja reconhecida a completa inexistência de relação de consumo entre as partes, ante a clara existência de pretérita relação societária e, com a rescisão, a latente relação creditória”.


Como mostrou o Metrópoles, as Sociedades em Conta de Participação, conhecidas pela sigla SCPs, eram o carro-chefe da Fictor, que ganhou os holofotes ao anunciar que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões na véspera da operação que prendeu os principais dirigentes da instituição financeira.


O modelo permite que investidores aportem capital em um projeto sem se expor, enquanto um sócio ostensivo – a Fictor, no caso – conduz o negócio, dividindo lucros sem chamar a atenção da Receita Federal e da Comissão de Valores Imobiliários (CVM).


Na prática, os investidores assinavam contratos nos quais passavam a ser sócios ocultos da Fictor em troca de retornos fixos variando de acordo com o dinheiro investido.


A coluna mostrou que, logo após apresentar à Justiça pedido de recuperação judicial, a Fictor enviou aos investidores um comunicado no qual avisa sobre o distrato do contrato firmado entre a empresa e quem aportou dinheiro no grupo na expectativa de receber rendimentos.


“Por meio do presente, Fictor Invest, na qualidade de sócia ostensiva, vem, formalmente, comunicar a decisão de promover o distrato da Sociedade em Conta de Participação”, diz o texto enviado aos investidores dia 1ª de fevereiro.


No comunicado, a Fictor recorre a uma linguagem empolada e formal ao anunciar a medida aos investidores sem dar qualquer pista sobre a devolução dos valores aplicados. Após anunciar o distrato, o texto lista os motivos que teriam levado a Fictor à recuperação judicial.


“A deliberação decorre do atual cenário enfrentado pelo Grupo Fictor, impactado pelos acontecimentos amplamente divulgados na mídia relacionados à tentativa de aquisição do controle acionário do Banco Master S.A. liderado pelo sócio fundador do grupo. O evento produziu efeitos colaterais relevantes sobre a confiança do mercado e sobre o ambiente reputacional da Fictor, os quais, de maneira reflexiva e inevitável, acabaram por alcançar as Sociedades em Conta de Participação poe ea estruturadas, ainda que tais SCPs não estejam diretamente envolvidas nos fatos que deram origem às referidas notícias”, diz o comunicado.


Em seguida, a Fictor trata os investidores como sócios. “Diante desse contexto, visando preservar o direito e manter equanimidade no tratamento entre os sócios,a sócia ostensiva [Fictor] por entender que a formalização do distrato das SCPs representa a medida mais adequada para preservar a segurança jurídica, os interesses dos sócios participantes e a escorreita prestação de contas, informa desde já a rescisão unilateral por parte da Fictor Invest.”


O texto termina sem dar indicações concretas sobre o destino do dinheiro aportado por investidores da Fictor. “O distrato é válido desde a presente data (1/2), e o seu instrumento será devidamente encaminhado com detalhamento das condições aplicáveis, incluindo, quando pertinente, a forma de encerramento das atividades, eventuais ajustes patrimoniais , quitações, renúncias e demais disposições necessárias.”


https://www.metropoles.com/colunas/dinheiro-e-negocios/a-justica-fictor-diz-que-investidores-eram-socios-relacao-clara

BCE e a liquidez do euro

 *Banco Central Europeu torna global seu sistema de apoio à liquidez do Euro*


Por Mariana Ribas


São Paulo, 14/02/2026 - O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) anunciou neste sábado, 14, a intenção de ampliar o acesso ao Eurosistema para bancos centrais (EUREP), mecanismo de apoio à liquidez do euro criado para bancos centrais fora da área do euro.


De acordo com a nota divulgada pela assessoria de imprensa da instituição, a atualização introduz acesso permanente, em princípio, para todos os bancos centrais, a menos que sejam excluídos por motivos de lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo ou sanções internacionais.


“O quadro permitirá que bancos centrais em jurisdições fora da área do euro enfrentem rapidamente os riscos de escassez de liquidez em euros. Essas mudanças visam tornar a facilidade mais flexível, mais ampla em termos de alcance geográfico e mais relevante para detentores globais de títulos em euros”, diz a nota.


Essa linha foi introduzida pelo BCE pela primeira vez em 2020 e tem tido o seu acesso limitado a alguns países, em especial àqueles localizados na Europa Oriental. É utilizado como uma fonte de financiamento para mitigar efeitos negativos no mercado. O EUREP complementa as linhas de swap do banco - que permanecem inalteradas.


Contato: mariana.ribas@estadao.com


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Novo ataque ao sistema financeiro

 *Novo ataque ao sistema financeiro*


Caio CrisóstomoPublicada em 14/02/2026 às 18:13


Sete meses após o pior roubo cibernético da história e ainda sob supervisão precária do Banco Central, o sistema bancário brasileiro sofreu uma nova e severa invasão. Um ataque hacker contra a JD Consultores, a principal empresa de fornecimento de serviços de tecnologia para bancos, expôs certificados digitais que dão acesso a contas de reserva de instituições financeiras clientes da companhia. A JD é pioneira e líder no segmento de Provedora de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI). Detém cerca de 58% do mercado de fornecimento de tecnologia para bancos, segundo o próprio site da empresa. De acordo com fontes a par das investigações, o prejuízo aos clientes da JD pode chegar à casa das centenas de milhões de reais. O incidente é tratado com sigilo extremo no BC e entre autoridades.


Na noite de sexta-feira (13), em decorrência da nova onda de ataques bem-sucedidos, o BC determinou a suspensão do serviço Pix prestado pela JD Consultores, afetando uma série de bancos vinculados a empresa. Segundo o ofício obtido pelo Bastidor, a decisão foi tomada para “prevenir a ampliação dos impactos do incidente até que o PSTI conclua a apuração da ocorrência”. O documento é assinado por Caio Moreira Fernandes, diretor de Tecnologia da Informação do BC.


A medida foi adotada após um ataque hacker ao Banco do Nordeste, cliente da JD, em 26 de janeiro. As instituições atendidas pela empresa tiveram o serviço Pix suspenso, sem previsão de retorno. Em junho do ano passado, a C&M Software sofreu um ataque que resultou em um rombo de 841 milhões de reais para oito bancos.


É o terceiro ataque exitoso recente contra uma PSTI, o tipo de empresa que fornece serviço de tecnologia bancária a fintechs e bancos pequenos e e médios. O método de invasão é semelhante ao utilizado em invasões anteriores, como na C&M e na Sinqia, concorrentes da JD. Nesse tipo de ação, os hackers conseguem acessar recursos mantidos em contas de reserva dos bancos e realizar transferências sem acionar os sistemas de antifraude. Ainda não há informações oficiais sobre os valores desviados nem confirmação sobre eventual prejuízo a outras instituições.


A exposição dos certificados da JD Consultores pode permitir o acesso indevido à base de clientes da PSTI. Diante da dimensão do incidente, a única solução para o Banco Central é suspender temporariamente o serviço Pix da empresa até que sejam corrigidas as falhas de segurança.


O Bastidor tenta contato com a JD Consultores.


https://obastidor.com.br/investigacao/novo-ataque-ao-sistema-financeiro/

Coluna do Estadão

 *Coluna do Estadão: Flávio Bolsonaro entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo*


Por Roseann Kennedy. Com Eduardo Barretto, Leticia Fernandes, Vera Rosa e Geovani Bucci


O mercado financeiro começou a recalibrar suas apostas depois que o desejo de ver o governador Tarcísio de Freitas disputar o Palácio do Planalto foi sufocado pela pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até a semana passada, persistia entre agentes econômicos uma expectativa residual de reversão desse cenário, mas, após pesquisas eleitorais não considerarem mais o nome de Tarcísio, o setor financeiro percebeu que terá de realinhar rotas. A primeira mudança de comportamento apareceu: a Faria Lima deixou de virar as costas para o primogênito de Jair Bolsonaro. Flávio foi, inclusive, um dos destaques do evento do BTG Pactual para investidores. Por enquanto, seu nome entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo.


IMPACTO. O apoio da elite financeira é apenas uma das variáveis na construção das candidaturas. Afinal, investidores não engajam votos. Mas a posição desses atores sinaliza expectativas que podem abalar a economia e, consequentemente, as campanhas.


FATORES. O mercado aguarda 4 sinais de Flávio: âncora econômica crível, com regras fiscais claras; nome técnico e autônomo para a Fazenda; afastamento do ruído institucional associado a Bolsonaro; compromisso com reformas estruturais. O chamado “risco Lula”, de mais 4 anos com o PT, também entra no cálculo.


ALTERNATIVA. É crescente no setor a leitura de que o governador do Paraná, Ratinho Junior, pode ocupar o espaço antes projetado para Tarcísio. Mas a pergunta é: sem a base do petismo e do bolsonarismo, ele conseguirá viabilidade? Além disso, a presença de três candidatos do PSD dificulta a consolidação de apoio.


É CARNAVAL. O presidente Lula tentou apaziguar diferenças políticas ao acompanhar o desfile do Galo da Madrugada, ontem, no Recife. No camarote, Lula tirou fotos ao lado do prefeito João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD).


ACORDO. Dias antes, Lula havia desistido de assistir ao Galo para não acirrar ânimos, já que Campos e Raquel disputam seu apoio na eleição ao governo de Pernambuco. Depois de conversar com os dois, porém, chegou a um acordo. O combinado é que Lula não faça campanha explícita para nenhum deles no 1.° turno. E ambos ajudariam a reeleger Humberto Costa (PT) ao Senado.


DE OLHO. No tour carnavalesco, Lula também passou por Salvador. Mas a preocupação do Planalto é com o desfile de hoje da Acadêmicos de Niterói, no Rio. O temor é que a primeira-dama Janja, destaque da escola, acabe fazendo campanha antecipada.


PENSANDO... A maioria absoluta dos brasileiros (63%) é a favor do fim da escala 6x1 de trabalho. Quando confrontadas com o risco de redução salarial, no entanto, as pessoas mudam de ideia. É o que indica levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgada nesta semana.


... BEM. Apenas 28% dos brasileiros são “totalmente favoráveis” ao fim da 6×1, sem levar em conta se a mudança causará ou não impacto no pagamento salarial. Na prática, 40% disseram que só são mesmo a favor da medida se ela não provocar diminuição proporcional nos seus contracheques.


PRONTO, FALEI!


Jonas Donizette

Líder do PSB na Câmara


“Geraldo Alckmin tem uma relação de confiança com Lula. Um dos critérios para o cargo de vice-presidente é a lealdade, e nisso Alckmin é uma realidade.”


Broadcast+

Vida noturna em SP

 *Inimiga do fim: como a vida noturna fomenta a retomada econômica no centro de São Paulo*


Com antigos bancos transformados em bares e rooftops, maior cidade do Brasil vai na contramão de tendência global de retração do lazer notívago e reinventa região antes abandonada


Bloomberg — Em todo o mundo, as luzes da vida noturna se apagaram, de Nova York e Montreal a Londres, Berlim e Sydney. Até mesmo Las Vegas perdeu um pouco de seu calor após o expediente.


Mas São Paulo está criando um argumento global para ficar acordado até tarde.


Enquanto bares e clubes em todo o mundo lutam contra o aumento dos custos e um maior foco no bem-estar, a maior cidade do Brasil se inclina para a noite, especialmente em seu centro histórico. A região tem prosperado depois de um longo período em que os empresários e festeiros evitavam seus prédios abandonados e os onipresentes usuários de drogas.


De acordo com um estudo realizado em 2025 pela Universidade de São Paulo, 11,4 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, 6,6% da população do país, já usaram cocaína ou crack.


São Paulo foi considerada o principal destino de vida noturna no ranking World’s Best Cities 2026 no final de novembro, e por um bom motivo. É uma cidade onde as pessoas ficam na rua até tarde sete noites por semana.


Os bares normalmente ficam abertos apenas até as 2h da manhã, e os baladeiros obstinados são conhecidos por manter as coisas animadas até o nascer do sol. E não apenas nos fins de semana.


A chave para o sucesso de São Paulo: os locais de eventos se adaptam ao amplo mix cultural da cidade, expandindo constantemente a definição de onde e o que podem ser as festividades.


Bares, festas e salões de jantar projetados para atrair os entusiastas da noite estão surgindo por toda a cidade - e em lugares inesperados, desde uma passagem subterrânea abandonada até uma antiga sede de banco.


Assumir um local abandonado tornou-se uma jogada cada vez mais popular em uma cidade em que os imóveis estão entre os mais caros da América do Sul.


De acordo com dados do QuintoAndar, o preço médio do aluguel em São Paulo era de R$ 69,50 por metro quadrado em 2025, sendo que os imóveis no bairro mais caro da cidade chegavam a R$ 143,50.


Mesmo em locais onde não cabem mais de 15 pessoas, se houver espaço para um banco de bar ou um alto-falante, é provável que o ambiente se transforme em um ponto de encontro.


“São Paulo é, há muito tempo, uma das cidades com vida noturna mais ativa do mundo. O que se destaca agora é a crescente força criativa e adaptativa do setor”, diz Vinicius Bento, gerente de operações de negócios de alimentos e bebidas do Condessa Bar, que tem um ano de existência.


Esse local ganhou rapidamente uma reputação por seus drinques refinados e um cardápio que inclui dadinhos de tapioca, quadradinhos de queijo e carne assada.


O epicentro dessa transformação está no centro da cidade, no antigo distrito financeiro. O centro financeiro da cidade começou a migrar nos anos 90 para bairros mais elegantes e sofisticados, principalmente o Itaim Bibi.


Há alguns anos, outras empresas, incluindo operadoras de vida noturna, começaram a ocupar os espaços deixados, atraídas por aluguéis relativamente baixos e por uma onda de reformas governamentais destinadas a tornar a área mais segura e atraente.


“À medida que novos empreendimentos trazem mais moradores, combinados com os esforços da cidade para melhorar a segurança, restaurar fachadas e limpar espaços públicos, o centro da cidade tem potencial real para se tornar um centro comercial próspero em um futuro próximo”, diz a corretora de imóveis Ruth da Silva.


Não há melhor exemplo de como o centro da cidade mudou do que a antiga sede do Banco do Estado de São Paulo, a poucos passos da bolsa de valores brasileira.


Atrás de duas portas redondas de 16 toneladas, o Bar do Cofre agora abriga litros de vodca, uísque e Aperol em vez de dinheiro. O cardápio de bebidas do Bar do Cofre equilibra clássicos e originais da casa.


Os clássicos, como o fitzgerald, no estilo gin-sour, ficam ao lado de drinques de inspiração regional, como o amazonia, uma mistura perfumada de gim e néctar de goiaba. Os preços variam de R$ 30 a R$ 65. Há também um cardápio conciso de alimentos, incluindo o steak tartare servido com batatas fritas. Para a sobremesa, o biscoito quente com sorvete de baunilha é um dos favoritos do público.


Perto dali, sob os arcos ornamentados do Theatro Municipal de São Paulo, em estilo barroco e art nouveau, outro dos bares que se tornaram referência na cidade está escondido no porão.


Os visitantes são atraídos pela atmosfera sexy e descolada do Bar dos Arcos, com uma trilha sonora que varia de violinistas que retrabalham os sucessos de Amy Winehouse a DJs que tocam R&B e faixas clássicas brasileiras.


Os coquetéis não convencionais também são um atrativo. O poroso - uma mistura de Johnnie Walker Black Label coroada com mel e espuma de queijo azul - é um sucesso improvável, por R$ 49. Apesar de ter espaço para até 150 convidados, quase sempre há fila para entrar.


Em frente ao teatro, uma galeria subterrânea, abandonada por quase 50 anos, também voltou à vida. Agora é o Formosa Hi-Fi, um bar que atrai mais de mil fãs de música todos os fins de semana, enquanto os DJs tocam mixagens de vinil que vão desde Michael Jackson vintage até a banda de rock brasileira Legião Urbana.


A entrada do Formosa poderia ser facilmente confundida com uma estação de metrô, a não ser pelos seguranças que escoltam os convidados a carros de aplicativos.


A iluminação suave sobre as escadas de granito transforma a descida em parte da experiência. A espera parece quase intencional quando o espaço está lotado - como bônus, o cliente pode pedir bebidas nas escadas.


O bar oferece uma lista de coquetéis originais e ecléticos, e entre os pratos estão os pastéis e outros clássicos da comida caseira brasileira, como a galinhada, o ensopado de frango e arroz. A mousse de chocolate com cachaça é um item também bastante presente nas mesas.


As refeições custam em média R$ 70; as bebidas, cerca de R$ 40.


Os rooftops também fazem parte do cenário da vida noturna em expansão. O centenário Edifício Martinelli, que já foi a segunda torre mais alta do Brasil e abrigou a sede do governo e escritórios de partidos políticos, era o local favorito da alta sociedade de São Paulo.


Agora, seu 26º andar é um dos melhores lugares da cidade para apreciar uma vista de 360 graus do pôr do sol da cidade. O cardápio de drinques do bar Martinelli é clássico, com gim-tônica e caipirinhas como as principais pedidas. No 25º andar, uma popular pizza bar napolitana oferece lanches.


O bar é palco de uma programação rotativa de festas do circuito, e foi concebido não como um clube único, mas como um recipiente flexível para diferentes marcas de festas a cada fim de semana. Cada noite traz uma novidade diferente, de sets eletrônicos a ritmos brasileiros como o pagode.


À medida que a festa se estende até as 4h da manhã, a energia muitas vezes se espalha pelo terraço em estilo de vila toscana.


“A ideia é manter as ruas ativas dia e noite, impulsionando a vida noturna e recuperando áreas que estavam desertas há muito tempo, onde a insegurança havia florescido”, diz Fabio Floriano, sócio do grupo Tokyo, que gerencia eventos no Martinelli. Ele começou a investir na área em 2016.


Os dias do centro da cidade como uma opção econômica podem estar contados. Embora nenhum de seus distritos esteja atualmente entre as áreas mais caras da cidade, a revitalização em andamento está elevando os preços, mas isso provavelmente não impedirá as noitadas que continuam a animar o bairro, ou São Paulo em geral.


Há um investimento contínuo na maior cidade do Brasil, inclusive no edifício Martinelli, que está passando por uma reforma de 100 milhões de reais para ampliar os seus espaços de entretenimento.


“São Paulo nunca se cansará de bares e festas diferentes”, diz Floriano, “portanto, não há motivo para parar de investir em novas e divertidas festas”.



https://www.bloomberglinea.com.br/estilo-de-vida/inimiga-do-fim-como-a-vida-noturna-fomenta-a-retomada-economica-no-centro-de-sao-paulo/

Colômbia e a suprema corte

 *Como a Colômbia puniu exemplarmente juízes da Suprema Corte envolvidos em escândalos*


A partir de uma delação premiada nos Estados Unidos, descobriu-se um amplo esquema de tráfico de influência na Suprema Corte colombiana


Lourival Sant'Anna


Escândalos de corrupção em cortes supremas são relativamente raros. Um caso emblemático foi o chamado Cartel da Toga, na Colômbia, por ter envolvido três presidentes e outro juiz da Corte Suprema, procuradores, parlamentares e advogados; por ter levado a condenações à prisão; e pelas reformas implementadas no sistema de justiça colombiano em resposta.


A partir de uma delação premiada de um investigado nos Estados Unidos, descobriu-se um amplo esquema de tráfico de influência na Suprema Corte colombiana, envolvendo a venda de sentenças e cobranças de propinas para retardar ou arquivar processos. As investigações estiveram a cargo da Procuradoria-Geral da República colombiana, em colaboração com o FBI e o Departamento de Justiça americano.


A primeira denúncia surgiu em junho de 2017, quando o ex-governador do Departamento de Córdoba Alejandro Lyons Muskus entregou ao FBI gravações de reuniões com Luis Gustavo Moreno, diretor anticorrupção da Procuradoria, e o advogado Leonardo Pinilla, nas quais eram negociados pagamentos para interferir em investigações na Colômbia.


As investigações demonstraram o envolvimento no esquema dos ex-presidentes da Corte Suprema Francisco Ricaurte, José Leonidas Bustos e Camilo Tarquino, além do ex-juíz Gustavo Malo.


Na Colômbia, Ricaurte foi condenado a 16 anos e 5 meses de prisão por associação criminosa e corrupção; Tarquino, a 6 anos de prisão por exigir dinheiro para interferir em decisões judiciais; Malo, a 9 anos por associação criminosa. Em 2024, a Corte lhe negou liberdade condicional. Nos Estados Unidos, Pinilla e Moreno foram sentenciados a 4 anos de prisão cada.


A Comissão Nacional de Disciplina Judiciária, criada pela reforma constitucional de 2015, não havia sido efetivamente formada. Depois do escândalo, ela foi posta em funcionamento. A comissão tem função de disciplinar juízes, incluindo os das cortes superiores, e advogados, podendo punir com suspensão, multa e destituição.


Ela é composta por sete juízes de tribunais superiores eleitos pelo Congresso (Senado e Câmara em sessão conjunta), a partir de quatro listas tríplices de candidatos enviadas pelo Conselho Superior da Judicatura e três pelo presidente. Cada magistrado exerce mandato de oito anos, sem reeleição.


Em 2025, o Congresso aprovou uma reforma do sistema de justiça, conjunto de medidas destinadas a descongestionar o fluxo dos julgamentos, agilizar sentenças e fortalecer direitos de vítimas.


É melhor nomear juízes honestos. Mas, na ausência disso, é preciso coragem e firmeza para limpar o sistema e restaurar sua confiabilidade.



https://www.estadao.com.br/amp/internacional/lourival-santanna/como-a-colombia-puniu-exemplarmente-juizes-da-suprema-corte-envolvidos-em-escandalos/

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Setor de saneamento deve captar até R$ 24 bi no 1º semestre via mercado*


Por Elisa Calmon e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 13/02/2026 - Empresas do setor de saneamento caminham para levantar até R$ 24 bilhões no mercado de capitais ainda no primeiro semestre de 2026, estimam fontes. Em meio à corrida para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033 e a uma janela ainda considerada favorável para ofertas públicas, apesar do estresse recente com as techs nos Estados Unidos, o mercado espera pelo follow-on para desestatização da Copasa e vê chances de IPOs de Aegea e BRK.


A Aegea é o nome mais aguardado na B3 e o mais comentado na Faria Lima como provável candidata a abrir capital neste ano. A empresa teria fechado com BTG Pactual, Itaú BBA e Morgan Stanley para coordenar uma operação estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. No mês passado, realizou reuniões informais com investidores nos Estados Unidos.


A BRK Ambiental protocolou pedido de registro para IPO na Comissão de Valores Mobiliários em dezembro e trabalha com uma oferta entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, com chance de sair em abril ou maio, a depender das condições de mercado. A operação tem como coordenadores BTG Pactual, Itaú BBA, Santander Brasil e Caixa Econômica Federal.


Já a desestatização da Copasa deve ocorrer entre março e abril, com expectativa de levantar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. No fim de janeiro, a companhia divulgou o modelo da operação, que repete a estrutura de follow-on adotada pela Sabesp em 2024 e prevê a entrada de um investidor estratégico.


Demanda por investimentos


O País precisará de cerca de R$ 900 bilhões para atingir o acesso pleno aos serviços de água e esgoto até 2033, estima a Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). "O setor de saneamento é hoje o que o elétrico era há 20 anos. Há uma avenida grande de crescimento, justamente porque ainda existe forte necessidade de investimento", afirma Giuliano Ajeje, do UBS BB.


Com o prazo para universalização cada vez mais curto, Estados e municípios têm intensificado parcerias com a iniciativa privada para ampliar a capacidade de investimento e cumprir as metas regulatórias. Apenas em 2026, seis grandes projetos devem ir a leilão, somando R$ 27,5 bilhões, segundo levantamento da associação com base em dados do Radar PPP e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Para fazer frente a esse volume de investimentos, o setor depende de múltiplas fontes de financiamento. "O saneamento vive um ciclo de expansão que exige previsibilidade e recursos. O mercado de capitais, como as debêntures incentivadas e de infraestrutura, complementa o crédito bancário e viabiliza investimentos no ritmo exigido pela universalização", afirma a diretora-presidente da Abcon, Christianne Dias.


Janela favorável


O momento de mercado ainda é visto como oportuno para as empresas se capitalizarem, apesar do estresse observado nos últimos dias com os papéis de empresas de tecnologia nos Estados Unidos. O presidente do Citi Brasil, Marcelo Marangon, avalia que há espaço para uma retomada de IPOs no primeiro semestre e o movimento tende a ser puxado por empresas de infraestrutura e saneamento.


Para Marangon, as eleições devem trazer maior volatilidade na segunda metade do ano, incentivando empresas a acessar o mercado antes desse período. "Então, naturalmente, devemos ter uma concentração de operações no mercado de capitais neste primeiro semestre", projetou.


Como essas janelas não costumam ser longas no Brasil, é importante aproveitar o momento, afirma Mariana Saragoça, sócia responsável pela área de direito administrativo, regulatório e setores regulados do Stocche Forbes.


Segundo ela, follow-ons e IPOs ajudam a pulverizar o capital e ampliar a base acionária dessas companhias. "Em setores de utilities, como energia, gás e saneamento, há contratos de longo prazo, modelo regulatório pré-estabelecido e regras tarifárias relativamente estáveis, com dificuldade de alteração abrupta. Esses são atributos que atraem investidores no mercado de capitais", avaliou.


Contatos: elisa.ferreira@estadao.com; altamiro.silva@estadao.com


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Toffoli e Master

 *Extratos comprovam repasses milionários de Daniel Vorcaro para empresa de ministro Dias Toffoli*


Documentos obtidos pelo Estadão mostram que aportes em fundo que comprou fatia do Tayayá batem com mensagens de dono do Master obtidas pela PF; procuradas, defesas de banqueiro e ministro não responderam


Impeachment de Dias Toffoli: Senado está diante de tempestade perfeita


Além de aparecer enrolado nas teias do Banco Master, ministro enfrenta problemas com os três Poderes. Crédito: TV Estadão


SÃO PAULO E BRASÍLIA - O fundo de investimentos usado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para comprar parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá movimentou R$ 35 milhões, segundo extratos obtidos pelo Estadão.


As datas dos aportes, feitos pelo cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, são simultâneas à costura da sociedade entre o fundo e a empresa do ministro. Também batem com mensagens obtidas pela Polícia Federal em que Vorcaro pediu a Zettel que fizesse aplicações milionárias no empreendimento e ainda disse que estava sendo cobrado pelos repasses, como revelou o Estadão.



Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou ter relação de amizade com o banqueiro (leia ao final). Procurado neste sábado, 14, ele não se manifestou. A defesa de Vorcaro também não respondeu aos questionamentos. Os advogados de Fabiano Zettel disseram que não irão se manifestar. O espaço segue aberto.


O cruzamento entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e os extratos ajudam a reconstruir a linha do tempo das transações financeiras entre o fundo ligado ao banqueiro e o resort de luxo que teve o ministro como sócio.


Como revelou o Estadão, o pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos - também investigada pela PF no caso Master. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.


No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, que são a gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá em Ribeirão Claro, no Paraná.


Nessa data, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A. - empresa de Toffoli - nessas duas companhias, ou seja, no resort.


Porém, os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo fundo não representam, nem de longe, o tamanho real do negócio com os irmãos Dias Toffoli. Esse é o dinheiro que o fundo usou para adquirir sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. São apenas recursos que sócios colocam à disposição da empresa para eventuais necessidades e também para simbolizar o tamanho de sua fatia na companhia.


Ao comprar essa participação, o Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento, que é avaliado em mais de R$ 200 milhões. No total, documentos mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no resort - no qual a Maridt, empresa de Toffoli, possuía participação societária.


Segundo os extratos obtidos pela reportagem, nos dias 28 de outubro de 2021 e 3 de novembro do mesmo ano, Fabiano Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.


Em janeiro, quando o Estadão revelou que Zettel era o cotista do fundo Leal, o pastor afirmou ter deixado o fundo em 2022. Os papéis do próprio Leal e as mensagens com Vorcaro mostram que, na verdade, ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo.


Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.


Casa de irmão de ministro do STF, relator do caso Master, aparece como sede de empresa que vendeu a fundo de cunhado de Vorcaro parte de resort no Paraná. Crédito: Pedro Augusto Figueiredo e Taba Benedicto/Estadão


Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya - 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.


Em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças pelos pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido o recurso para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.


Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, perguntou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.


Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças feitas a ele pelos repasses.


Os extratos obtidos pelo Estadão mostram que Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal. No entanto, de fato, o Arleen não recebeu o mesmo aporte do Leal na mesma época. Somente no dia 10 de fevereiro de 2025 o fundo Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no Arleen.


No dia 21 do mesmo mês, a Maridt S.A., do ministro Dias Toffoli, vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.


Na quinta-feira, 12, um dia após vir à tona a existência de um relatório da PF com conversas e menções a Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso Master no Supremo. O inquérito foi redistribuído e agora está nas mãos do ministro André Mendonça.


*Toffoli nega recebimento de Vorcaro*



Em nota divulgada após a PF ter apresentado o relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. Leia a íntegra da manifestação:


“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.


O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.



https://www.estadao.com.br/economia/extratos-comprovam-repasses-milionarios-vorcaro-empresa-ministro-toffoli/

Lula e Toffoli

 *Lula se irrita com Toffoli e com PF no caso Master*


Na semana passada, Toffoli abriu mão da relatoria do processo após no STF


(Atualizado em 15/02/2026 - 11h01)


O presidente Lula (PT) ficou irritado com a atuação da PF (Polícia Federal) e do ministro do STF Dias Toffoli no caso envolvendo o Banco Master, liquidado em 2025 pelo Banco Central.


Conforme apurou o R7 Planalto, o petista não gostou de a PF ter iniciado uma investigação sobre o ministro sem autorização da PGR ou do STF.


Na semana passada, a instituição entregou um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, que detalha um suposto envolvimento do ministro com investigados no caso Master.


*Já com relação a Toffoli, o presidente não gostou da atuação do ministro no processo. O petista considera que o magistrado poderia ter se afastado do caso, evitando todo mau estar e “suspeição” sobre si.*


Na semana passada, Toffoli abriu mão da relatoria do processo após reunião com os ministros da Corte. O caso foi redistribuído para o ministro André Mendonça


https://noticias.r7.com/prisma/r7-planalto/lula-se-irrita-com-toffoli-e-com-pf-no-caso-master-15022026/#

Agenda de carnaval

 *CALENDÁRIO DE FUNCIONAMENTO: FERIADOS E MERCADOS GLOBAIS*



​• *Brasil (B3)*: Devido ao feriado de Carnaval, a bolsa brasileira permanecerá fechada na segunda (16) e na terça-feira (17). As atividades serão retomadas na quarta-feira de cinzas (18), com abertura do pregão a partir das 13h00.


​• *EUA – Mercado à Vista (Ações)*: Na segunda-feira (16), a NYSE e a Nasdaq estarão fechadas o dia todo em celebração ao Presidents' Day. O funcionamento normal das bolsas de Nova York retorna na terça-feira (17), das 11h30 às 18h00.


​• *EUA – Mercados Futuros (CME/Globex)*: Na segunda-feira (16), os futuros de índices e juros operam em regime de plantão. As negociações param exatamente às 15h00 e permanecem suspensas durante a tarde, com a reabertura agendada para as 20h00 (horário de Brasília).


​• *Europa (Londres, Frankfurt, Paris)*: As principais praças europeias operam em horário normal durante toda a semana, sem feriados previstos. O pregão ocorre das 05h00 às 13h30 (horário de Brasília), sendo a única referência de liquidez ocidental na manhã de segunda-feira.


​• *China (Xangai e Shenzhen)*: Os mercados chineses estarão fechados durante toda a semana (de 16 a 23 de fevereiro) devido às celebrações do Ano Novo Lunar. O feriado impacta diretamente o volume de negociação de commodities metálicas, como o minério de ferro.



​📚 NEWS + SUMMARY: *DINÂMICA DE LIQUIDEZ E FERIADOS*



*Diferenciação de Ativos*: É fundamental que o investidor separe o mercado de ações do mercado futuro nos EUA. Enquanto as ações não negociam na segunda-feira, os futuros permitem o posicionamento até as 15h00, servindo como o único termômetro de sentimento global antes da reabertura noturna às 20h00.


*​Vácuo Operacional e Ásia*: A paralisação total na China durante a semana do Festival da Primavera remove um importante motor de liquidez do mercado global. Com a China e o Brasil parados simultaneamente na segunda e terça-feira, o volume de negócios em ativos ligados a emergentes deve sofrer uma retração severa, exigindo cautela extra.


*​Retomada de Fluxo*: A normalização completa do fluxo global só é esperada para a quarta-feira, quando a B3 retoma as operações à tarde e os futuros americanos já operam em ritmo de pré-abertura total. O foco do investidor deve se voltar para como os mercados europeus absorveram as notícias do final de semana enquanto o restante do mundo estava em pausa


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Investigações do Master

 *Receita rastreia nomes de 100 familiares e ministros do STF para verificar se houve vazamento*


A pedido de Alexandre de Moraes, órgão checa pais, filhos, irmãos e cônjuges dos 11 ministros da Corte OUTRO LADO: Receita diz que processo está sob sigilo de justiça e que só STF pode autorizar divulgação


15.fev.2026 às 18h16


A Receita Federal faz um rastreamento nos seus sistemas para verificar se houve quebra de sigilo de dados de cerca de 100 pessoas, entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus familiares.


A lista inclui pais, filhos, irmãos e cônjuges dos 10 ministros da corte. O pedido de análise das informações foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes.


Para finalizar o processo, os auditores da Receita terão que fazer cerca de 8.000 procedimentos de checagem de quebra de sigilo, o que leva tempo, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela Folha na condição de anonimato.


O trabalho do Fisco federal envolve dados de 80 sistemas. Os relatórios que ficam prontos já estão sendo remetidos diretamente a Moraes.


O procedimento da Receita se encaixa no contexto da crise institucional entre os Poderes e órgãos públicos provocada pela quebra e liquidação do Master.


O escândalo financeiro do banco de Daniel Vorcaro gerou uma avalanche de desconfianças de todos os lados e suspeitas de vazamentos de informações protegidas por sigilo bancário e fiscal.


Uma guerra foi travada entre o STF e a Polícia Federal, acusada pelos integrantes do Supremo de ter investigado ministros da corte sem amparo da lei. Por outro lado, investigadores do caso consideram que decisões tomadas por Toffoli na relatoria do caso atrapalharam as investigações.


A Polícia Federal não participa dessa busca de possível vazamento, ao menos no momento.


A solicitação de Moraes foi feita, segundo pessoas que acompanham as investigações, no âmbito do inquérito das fake news, aberto em 2019 e que investigou ataques de bolsonaristas aos integrantes do Supremo.


Como mostrou a Folha, ministros do tribunal avaliam uma investigação sobre as condutas da PF e da Receita em uma apuração na corte, segundo três pessoas com conhecimento das discussões.


Como a PF e a Receita estão sob o comando de nomes de confiança do governo, os magistrados estenderam a responsabilidade ao Planalto.


Moraes pediu as informações em janeiro, após a divulgação de informações mostrando ligações entre familiares dele e do colega Dias Toffoli com o Master.


O banco é supeito de estar envolvido numa série de fraudes investigadas pela PF em Brasília, São Paulo e outros estados.


A crise aumentou, na semana passada, depois que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou um relatório de cerca de 200 páginas ao presidente do STF, Edson Fachin, com trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios.


O ministro Dias Toffoli confirmou, em nota, que "faz parte do quadro societário" da empresa Maridt, que foi uma das donas do resort Tayayá, no Paraná, mas negou que tenha recebido dinheiro de Vorcaro.


Toffoli era o relator do processo no STF, mas deixou a posição, na semana passada, sob pressão, numa reunião fechada com todos os membros da corte. As conversas dos ministros na reunião também estão sob suspeita de terem sido gravadas por Toffoli e repassadas para o site Poder 360, agravando o alcance do escândalo.


Toffoli sofreu uma pressão crescente para se afastar do caso Master, principalmente depois que a Folha revelou conexões entre o ministro, o resort Tayayá e o banco de Daniel Vorcaro.


A abertura de uma apuração foi vista na época como um medida de autoproteção dos magistrados, após a divulgação de informações sobre a ligação de Toffoli com o Tayayá e a reportagem do jornal O Globo que revelou a contratação do escritório da esposa de Moraes pelo Banco Master, por R$ 3,6 milhões mensais.


Na solicitação feita ao Fisco, Moraes não deu nomes, mas incluiu na lista todos os magistrados do STF e as pessoas com os graus de parentesco a serem pesquisadas pela Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O pedido foi encaminhado há cerca de três semanas.


Procurada, a Receita enviou a seguinte nota: "Esse processo está sob sigilo de justiça, só cabe ao STF qualquer autorização de divulgação. A Receita recebe diversas demandas judiciais de informação, não se manifestando sobre elas por conta de sigilo tributário e, muitas vezes, também judicial, como é o caso".


O gabinete de Moraes também foi procurado, por meio da assessoria do Supremo, mas não se manifestou.



https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/receita-rastreia-nomes-de-100-familiares-e-ministros-do-stf-para-verificar-se-houve-vazamento.shtml

Negociação no mercado

 *Blue3 compra Squad Capital e avança para R$ 12 bi sob assessoria em São Paulo*


Por Bruna Camargo


São Paulo, 13/02/2026 - A Blue3 Investimentos, escritório com sede em Ribeirão Preto (SP) e cerca de R$ 45 bilhões sob assessoria, adquiriu a paulistana Squad Capital. O negócio trouxe 35 profissionais, quatro mil clientes e R$ 2,5 bilhões para a carteira da Blue3, e levou a empresa a alcançar R$ 12 bilhões em São Paulo, a maior unidade do grupo.


"São Paulo é a unidade mais relevante e vai continuar sendo, pois sabemos que é o coração do mercado financeiro na América Latina. Não tem como não dar uma atenção mais que especial para a cidade", afirmou Wagner Vieira, sócio-fundador e presidente executivo (CEO) da Blue3, em entrevista à Broadcast.


Segundo Vieira, a Blue3 começou a investida em São Paulo em 2022, quando o executivo abriu a primeira unidade na capital paulista, e vem galgando espaço desde então. Mas foi após a aquisição da CMS Invest que a empresa acelerou no encontro a outras oportunidades. "O Charles [M. Susskind, sócio-fundador da CMS] abriu os olhos de outras operações. E quando eles conhecem nosso ecossistema e tudo que entregamos para facilitar a vida do assessor e para melhorar a experiência do cliente, é difícil não fechar negócio", diz Vieira.


Em movimento de expansão nos últimos anos, as aquisições mais recentes da Blue3 incluem a Únimo Investimentos e a M Capital. Vieira conta que, por enquanto, não há outras aquisições no pipeline, com o foco voltado para contratações, especialmente em São Paulo.


A meta da Blue3 é alcançar R$ 100 bilhões sob assessoria nos próximos três anos.


Contato: bruna.camargo@estadao.com



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Uma reforma urgente

 *Artigo/Henrique Meirelles: reajustes, penduricalhos e uma reforma administrativa urgente* 


Quando terminar o carnaval, uma das inúmeras questões a serem resolvidas pelo presidente Lula será sancionar, não sancionar ou vetar o projeto que concede reajuste salarial aos servidores do Congresso e cria verbas indenizatórias que podem levar a pagamentos acima do teto constitucional, resultando nos chamados supersalários. Independente do mérito dos servidores, a medida vai contra o que o País precisa: uma reforma administrativa para reduzir - não aumentar - o custo da máquina pública.


Estimativas conservadoras dizem que o reajuste custará R$ 790 milhões a mais por ano. No ano passado, o governo gastou R$ 398 bilhões com funcionários públicos, 3% a mais que no ano anterior. Se incluirmos nessa conta sentenças judiciais e precatórios de pessoal mais encargos foram R$ 408 bilhões, 4,3% maior que em 2024.


Quando instituímos o teto de gastos em 2016, as despesas do governo passaram a ser corrigidas apenas pela inflação. As despesas com pessoal tiveram um freio - inclusive as do Legislativo, Judiciário e órgãos que têm autonomia orçamentária.


Uma das mudanças com a troca do teto de gastos pelo arcabouço fiscal, em 2023, é que esses Poderes e órgãos podem ter aumento real de 2,5% ao ano em suas despesas - que são, em sua maioria, com funcionários.


Uma das coisas que aprendi em mais de 20 anos de vida pública é que, se há espaço para gastar, surgirão demandas justificadas e o dinheiro público será gasto. O gasto é inercial, a economia requer um esforço tremendo. Por isso, são necessárias muita energia e regras simples e claras para evitar o aumento das despesas.


Na semana passada, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, expediu uma liminar que suspende os pagamentos dos chamados penduricalhos - pagamentos feitos além dos salários, que superam o teto - nos Três Poderes. Exigiu também que o Congresso trate do assunto. É um avanço, mas é preciso mais.


A melhor forma de tratar disso é por meio da reforma administrativa. O quadro atual da máquina pública é confuso, com um número excessivo de carreiras, diferentes regras e possibilidades de verbas extras com os mais diversos nomes e justificativas. É urgente uma uniformização e regras claras para todos.


O projeto de reforma administrativa do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) que está na Câmara tem 70 propostas. Uma delas elimina as verbas extras para pagamentos que superam o teto salarial que está na Constituição. Outra proposta limita o número de cargos comissionados. A reforma administrativa é urgente.


*Henrique Meirelles é ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda. Artigo publicado na sessão de Opinião do Estadão.


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Federalização do BRB

 *Federalização do BRB começa a ser discutida entre banqueiros* Opção não está no topo das alternativas para crise, mas saída não está desca...