quinta-feira, 20 de março de 2025

Bankinter Portugal Matinal 2003

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem à noite, Wall St. encaixou demasiado bem as conclusões da reunião da Fed (repetiu em 4,25/4,50%, como mais do que esperado), tendo em conta que reviu o PIB em baixa (significativamente para 2025: desde +2,1% até +1,7%) e inflação (PCE) em alta (também apreciavelmente em 2025: +2,7% desde +2,5%, com Subjacente até +2,8% desde +2,5%). Por isso, a subida de Nova Iorque de ontem à noite parece um pouco ingénua e explica-se, talvez, pela confirmação de que aplicará mais 2 descidas de taxas de juros este ano (até 3,75/40%), e outras 2 em 2026, e mais uma em 2027, para terminar em 3,00/3,25%. Parece que Nova Iorque está contente enquanto as taxas de juros baixam como esperado, ignorando os restantes fatores: menos crescimento e mais inflação, advertindo a Fed no seu comunicado não só da incerteza sobre a economia a aumentar, mas também fazendo desaparecer a afirmação que incluíam até agora sobre os riscos de inflação e emprego estarem (isto é, estavam) equilibrados. O fundo que transmitiram ontem à noite parece, objetivamente analisado, claramente menos bom do que a subida de Nova Iorque expressa. É como afirmaram: “Bem, sabemos cada vez menos sobre o que acontece, provavelmente cresceremos menos e suportaremos mais inflação, mas o impacto dos impostos alfandegários será transitório e a nossa visão a longo prazo não muda, portanto continuaremos a baixar taxas de juros”. Não parece que isso justifique uma subida alegre de Wall St., mas foi o que aconteceu. 


HOJE é o dia dos indicadores de sentimento mais importantes da semana, que são os que temos de vigiar agora. Temos de os ouvir, porque entramos numa fase delicada devido à aplicação de impostos alfandegários e mudança americana face à Ucrânia. Parece que se deteriorarão, como o fez significativamente a Confiança da Universidade Michigan, na sexta-feira (57,9 desde 64,7 vs. 63,0 esperado, com sérios aumentos nas expetativas de inflação), e o Empire Manufactturing, na segunda-feira (nada menos que -20,0 desde +5,7, esperando-se -1,5). Às 12:30 h, teremos o Philly (8,5 esperado desde 18,1) e às 14 h o Leading Indicator (-0,2% desde -0,3%). Se saírem como parecem, encadearíamos 4 indicadores de sentimento em sério retrocesso desde sexta-feira, e isso seria mau. Porque estes tipos de indicadores são chamados de adiantados precisamente porque adiantam o que veremos depois nos intermédios e atrasados. E é estranho que Powell (Fed) lhes retirasse importância ontem.


HOJE também temos taxas de juros: às 08:30 h, Suíça baixará -25 p.b., até 0,25%, e às 12 h, o BoE repetirá em 4,50% depois de ter baixado -25 p.b. a 6 de fevereiro, já que a sua inflação aumentou em janeiro até +3% desde +2,5% (Subjacente em +3,7%) e a de fevereiro sairá a 26 de março, sem que haja estimativa fiável por agora. Veremos se diz algo sobre a inflação. E com isto teremos acabado o realmente importante desta semana, porque amanhã teremos referências de 2.ª linha que provavelmente não moverão o mercado.  


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: A subida de Nova Iorque é difícil de justificar objetivamente. Os futuros europeus vêm a retroceder um pouco (-0,2%/-0,3%), mas os americanos a subir (+0,4%). As yields das obrigações reduziram-se um pouco ultimamente e isso também é pró-bolsas. Esta divergência entre o que começam a expressar os indicadores de sentimento/adiantados, tornando-se piores, e as subidas das bolsas não nos deixam nada tranquilos. Mas parece que as bolsas aguentarão durante o resto da semana, portanto, provavelmente, esta será a primeira vez que Nova Iorque subirá depois de 4 semanas consecutivas a retroceder e bastante: -2,3%; -3,1%; -1%; -1,7% (Europa um pouco melhor, mas não demasiado: -1,2%; +0,1%; -0,2%; -0,3%). Em qualquer caso, quando não se compreende algo, é melhor se afastar um pouco.


S&P500 +1,1% Nq-100 +1,3% SOX +1% ES-50 +0,4% IBEX +0,4% VIX 19,9 Bund 2,77% T-Note 4,24% Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,39% PT 3,26% FRA 3,46% ITA 3,84% Euribor 12m 2,406% (fut.2,375%) USD 1,090 JPY 161,6 Ouro 3.049$ Brent 71,2$ WTI 67,6$ Bitcoin +0,5% (85.777$) Ether -1,2% (2.012$).


FIM

BDM Matinal Riscala 2003

 *Rosa Riscala: BC ajusta guidance e desacelera alta da Selic*


… O PBoC da China manteve as taxas das LPRs de 1 ano em 3,1% e de 5 anos em 3,6%, no final da noite, horas após o Fed afirmar que as tarifas de Trump devem atrasar o processo de desinflação nos EUA e causar crescimento menor. As incertezas justificaram a decisão de deixar o juro americano estável, entre 4,25% e 4,50%. Mas a mensagem do Fomc foi menos hawk do que os investidores temiam e Powell ajudou a sustentar uma boa reação dos mercados, dizendo que a alta dos preços deve ser “transitória”. Hoje, é a vez do BoE decidir a taxa do juro inglês (9h), que deve ser mantida em 4,5%. Aqui, o Copom confirmou o aumento de 100pbs da Selic, para 14,25%, e ajustou o forward guidance para uma alta de menor magnitude na reunião de maio, sinalizando que o fim do ciclo de aperto do juro está próximo.


… Nas primeiras interpretações do mercado, a Selic deverá subir 50pbs no Copom do mês que vem, para 14,75%, e alguns economistas já preveem que pode ser o último aumento. Outros acreditam em mais 50 pbs ou 25pbs em junho, que ficou em aberto.


… O comunicado manteve o tradicional “firme compromisso de convergência da inflação à meta” como condicionante para o tamanho do orçamento total, mas, desde já, uma Selic de 15% deve convergir para o consenso, em consonância com a mediana das estimativas.


… O texto justificou bem o aumento de 100pbs da Selic, mas limitou os motivos da desaceleração no ritmo das altas a uma “incipiente” moderação da atividade e aos efeitos defasados da política monetária, com o juro no maior patamar desde o governo Dilma.


… O esfriamento da atividade, comprovado pelos indicadores do 4Tri, não mereceu ainda estar no balanço de riscos como fator baixista, mas a aposta é de que já está sendo considerado pelo Copom, assim como é pelo mercado financeiro.


… Foi estranho o BC não comentar sobre a recente apreciação do real, com o fechamento do dólar a R$ 5,64 nesta 4ªF, mas o câmbio já pode ter influenciado sua projeção menor da inflação para o horizonte relevante (3Tri/2026), de 4,0% para 3,9%.


… Só o ambiente externo desafiador, em função da política comercial nos Estados Unidos e de seus efeitos, como não poderia deixar de ser, consta como fator baixista, à medida que pode gerar uma onda de recessão global e atingir os emergentes.


… Em suma, o Copom avalia que o cenário atual é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções elevadas de inflação, resiliência na atividade e pressões no mercado de trabalho, exigindo uma política monetária mais contracionista.


… Não é exatamente um cenário benigno, mas o fato de estar desenhado na primeira reunião independente de Gabriel Galípolo – após o forward guidance de RCN – deve reforçar a confiança que o mercado está depositando na sua gestão frente ao Banco Central.


… Em NY, o Fed menos hawkish que o esperado, ampliou os ganhos das bolsas e do dólar, enquanto os juros dos Treasuries acentuaram as quedas com a redução do ritmo de resgate de títulos do Tesouro, de US$ 25 bilhões para US$ 5 bilhões em abril.


… Segundo Powell, foi um bom momento para desacelerar a redução do balanço patrimonial, em meio às elevadas incertezas que surgem com as tarifas comerciais do governo Trump. “É difícil saber onde isso vai levar”, disse o presidente do Fed na entrevista.


… Ele admitiu que, com as tarifas, o progresso na queda da inflação será mais demorado, mas considerou difícil, ou mesmo um “desafio”, provar que a inflação vem das tarifas, ou quanto da inflação vem das tarifas. “Saberemos isso [só] daqui a alguns meses.”


… Powell reconheceu que as leituras fortes da inflação de bens surpreendeu, causando elevação nas expectativas de curto prazo. No entanto, disse que as expectativas no longo prazo estão mais ancoradas, o que sugere que a inflação pode ser “transitória”.


… Repetiu que o Fed não precisa ter pressa para reduzir os juros, que está em boa situação para esperar e ter mais clareza do cenário.


… O ajuste no balanço patrimonial do Fed e o gráfico de pontos com as projeções dos dirigentes reduziram de três para dois o número de cortes de juro este ano. No CME, um ajuste de 50pbs é levemente majoritário, com 32%, contra 28% que ainda esperam 75pbs.


… As projeções trimestrais do Fed mostraram aumento da mediana para o núcleo do PCE de 2,5% para 2,8% no 4Tri deste ano, enquanto a mediana das estimativas dos dirigentes apontou para queda da projeção para o PIB de 2,1% para 1,7% no final de 2025.


… Questionado sobre a possibilidade de uma recessão nos EUA, Powell disse que “sempre existe”, e que “aumentaram um pouco, mas em níveis relativamente moderados”. O presidente do Fed disse que é importante “separar os sinais dos barulhos [ruídos]”.


ENFIM, O ORÇAMENTO – O senador Angelo Coronel (PSD), relator do Orçamento de 2025, confirmou a leitura de seu parecer, hoje cedo, na Comissão Mista de Orçamento. O texto será votado em seguida na CMO e pode ir ao plenário à tarde.


… Uma sessão conjunta do Congresso Nacional foi convocada às 15 horas.


… Coronel disse que a demora na votação da LOA, que deveria ter sido apreciada no ano passado, acabou sendo positiva para o governo. “Deu tempo para modificar várias rubricas, até ontem (3ªF) estavam chegando ofícios pedindo modificações.”


… O fato é que o Orçamento destravou após a aprovação da nova resolução sobre a distribuição das emendas parlamentares e do projeto de lei que revalida recursos orçamentários desde 2019, resgatando verbas do orçamento secreto.


MAIS AGENDA – Segunda prévia do IGP-M de março (8h) é o único indicador doméstico previsto para hoje.


… Como destaque, o ministro Fernando Haddad concede duas entrevistas nesta 5ªF: 1) ao programa Bom Dia Ministro, da EBC (8h), e ao vivo para a GloboNews, direto de Brasília (16h30). Ontem à noite, Haddad disse que só comentará o Copom após a Ata.


… Na zona do euro, Christine Lagarde (BCE) discursa no Parlamento Europeu à primeira hora do dia.


… No Reino Unido, a decisão de política monetária do BoE será divulgada às 9h (de Brasília).


… Assim como outros BCs, inclusive o Fed, o presidente do BoE, Andrew Bailey, já defendeu uma abordagem mais “gradual e cautelosa” da política monetária, mencionando as tarifas de Trump, que prejudicam o crescimento e afetam os cortes dos juros.


… Além do BoE, também o BC da África do Sul anuncia decisão para o juro hoje (10h).


… Nos Estados Unidos, saem pedidos de auxílio-desemprego e o índice de atividade industrial do Fed/Filadélfia de março (ambos às 9h30) e vendas de moradias usadas em fevereiro (11h).


… No Japão, o feriado do Equinócio da Primavera fechou os mercados hoje.


BALANÇOS – Automob, Brava Energia, Cemig, Cyrela, Eneva, Hapvida, Hypera, Light, Movida e Petz divulgam resultados nesta 5ªF, 20.


DON´T WORRY, BE HAPPY – Os abalados mercados de ações em NY deram um suspiro de alívio com um Fed menos hawkish do que o esperado e voltaram para o lado comprador.


… A falta de pressa do BC americano em ajustar a política monetária para qualquer lado e os dois cortes de juros ainda na mesa – mesmo com as tarifas de Trump – levaram as bolsas à melhor sessão pós-Fed desde julho passado.


… O Nasdaq avançou 1,41%, aos 17.750,79 pontos, o Dow Jones subiu 0,93% (41.965,74), o S&P 500 avançou 1,08% (5.675,34).


… Estimulado pelo bom humor lá fora e antes do Copom, o Ibovespa anotou a sexta alta consecutiva, acima dos 132 mil pontos (132.508,45) pela primeira vez desde outubro, com ganho de 0,79%. O giro foi de R$ 25,6 bilhões.


… Graças ao desempenho em março (+7,9%), a bolsa acumula alta de 10,16% no ano e está perto de zerar as perdas de 2024 (10,36%).


… Em mais um dia de queda, o dólar descolou do exterior e furou os R$ 5,65, fechando em R$ 5,6480, em baixa de 0,42%, a sétima seguida.


… Powell ajudou o câmbio doméstico e o desmonte de posições defensivas gringas prosseguiu antes de a Selic subir mais 100pb e tornar o carry trade mais atrativo. Destaque ainda para os dois leilões de linha do BC, num total de US$ 2 bilhões, com venda total dos lotes.


… Lá fora, o dólar subiu ante o euro (-0,43%; US$ 1,0899), ficou estável (-0,03%) ante a libra (US$ 1,2994) e caiu ante o iene (+0,33%, 148,796). Na média, o DXY subiu 0,18%, a 103,428 pontos.


… Na mesma toada dos últimos dias, as taxas dos DIs médios e longos caíram, desta vez com ajuda dos Treasuries, enquanto o Jan26 ficou praticamente parado (14,720%, de 14,725% na sessão anterior) à espera do Copom.


… No fechamento, o Jan/27 caiu a 14,400% (de 14,420%), o Jan/29 cedeu a 14,110% (de 14,195%), o Jan/31, a 14,280% (de 14,380%) e o Jan/33, a 14,320% (de 14,410%). O ajuste de hoje ao Copom não deve ser relevante.


… Os juros dos Treasuries inverteram o sinal e passaram a cair depois do Fed e de Powell. O menor ritmo na redução do balanço do BC dos EUA também foi lido como um sinal dovish, levando o retorno da note de 2 anos para abaixo de 4%, em 3,977% (de 4,038%).


… O rendimento da note de 10 anos recuou a 4,246% (de 4,2860%) e o do T-bond de 30 anos caiu a 4,555% (de 4,584%).


… A baixa nos juros domésticos beneficiou ações cíclicas no Ibovespa, como LWSA, +6,15% (R$ 2,76); Vamos, +5,39% (R$ 4,30), Magazine Luiza, +3,98% (R$ 10,43%).


… Petrobras ON subiu 0,48% (R$ 39,52) e PN ficou estável (-0,08%; R$ 36,16), em dia de alta moderada do Brent/maio: 0,31%, a US$ 70,78 por barril, com o impasse na guerra da Ucrânia e tensões no Oriente Médio (Iêmen).


… Vale recuou 0,17% (R$ 57,42), seguindo o minério de ferro em Dalian (-2,12%). Entre os bancos, BB cedeu 0,39%, na mínima a R$ 28,39. Os demais subiram: Bradesco ON (+1,16%; R$ 11,35) e PN (+0,89%; R$ 12,41), Santander (+1,01%; R$ 26,97) e Itaú (+0,25%; R$ 32,38).


… Destaque do dia, Vivara saltou 7,57% (R$ 19,18), após o balanço positivo do 4Tri24.


EM TEMPO… PETROBRAS venceu leilão da PPSA para 2 cargas de 500 mil barris de Itapu; cargas arrematadas pela estatal têm previsão de carregamento até julho de 2025.


MINERVA registrou prejuízo líquido de R$1,567 bilhões no 4TRI24 e reverte lucro do 4TRI23; Ebitda somou R4 944 milhões, alta de 55,8% na comparação anual…


… Companhia concluiu recompra e cancelamento de uma parcela das notas sênior (bonds); valor médio ficou em US$ 87, com desconto de 13% sobre o valor de face, e um valor total que supera os US$ 69 mil.


HAPVIDA registrou lucro líquido ajustado de R$ 514,7 milhões no 4TRI, avanço de 98,8% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 1,062 bilhão, alta de 19,4% em relação ao mesmo período de 2023.


GUARARAPES registrou lucro líquido de R$ 249,9 milhões no 4TRI, alta de 8,8% na comparação anual; Ebitda somou R$ 565,6 milhões, crescimento de 45% ante mesmo período de 2023.


WILSON SONS registrou lucro líquido de R$ 121,6 milhões no 4TRI, alta anual de 7,2%; Ebitda somou R$ 373,8 milhões, avanço de 41% em relação ao mesmo período de 2023.


POSITIVO registrou lucro líquido de R$ 14 milhões no 4TRI, queda de 92,7% na comparação anual; Ebitda somou R$ 100 milhões, recuo de 61,8% em relação ao mesmo período de 2023.


PETRORECONCAVO teve lucro líquido de R$ 32,4 milhões no 4TRI, queda de 83% ante igual período de 2023. O Ebitda foi de R$ 402,9 milhões, alta anual de 63%, e a receita líquida foi de R$ 843,3 milhões, aumento de 22% em relação ao mesmo intervalo de 2023.


CAIXA SEGURIDADE captou R$ 1,2 bilhão em oferta de ações a R$ 14,75 cada. (fontes do Broadcast)


GRUPO PÃO DE AÇÚCAR contratou empréstimo de 75 milhões de euros (R$ 479 milhões) junto ao banco holandês Rabobank para refinanciamento das dívidas com vencimento no curto prazo.

Jonas Federighi

  O texto mostra que a ofensiva do ministro Jhonatan de Jesus (TCU) no caso Master começou a acender um alerta vermelho: analistas, técnicos...