terça-feira, 8 de abril de 2025

Bastidores do poder

 O Banco que Fez o Mercado Parar: Os Bastidores do Caso Master


7 de Abril, 2025


SÃO PAULO — O caso do Banco Master escancarou um desconforto antigo do sistema financeiro: mesmo uma instituição média, longe dos holofotes e praticamente desconhecida do público, pode se transformar num vetor de risco sistêmico e mobilizar o alto comando do mercado.


Entre 2019 e 2024, o banco multiplicou por quase trinta vezes sua carteira de crédito, passando de R$1,4 bilhão para mais de R$40 bilhões. Sustentado por uma estratégia agressiva de captação via CDBs de alto rendimento e forte exposição a precatórios, que tem baixa liquidez e alto risco fiscal, o Master até opera com lucros, mas sobre uma fundação de ativos ilíquidos e custo de funding elevado.


A combinação despertou a atenção do Banco Central, do FGC e dos principais players do setor. A partir de 2023, cresceu a pressão de reguladores e do mercado por uma solução: ou o banco se capitalizava, ou seria vendido.


A primeira proposta de aquisição supostamente veio do BTG Pactual, uma oferta de R$1, um valor simbólico, mas com disposição de arcar com o risco e explorar os ativos judiciais do banco, especialmente a carteira de precatórios. Mas foi o BRB (Banco Regional de Brasília) quem formalizou a proposta vencedora onde se propôs pagar até R$2 bilhões por 58,6% do Banco Master, em uma operação condicionada à auditoria e ainda sujeita à aprovação do Banco Central.


O Master, até então discreto, virou protagonista de um enredo que envolve reuniões emergenciais com o BC, divergência entre os grandes bancos privados e articulações políticas em torno de uma operação que pode consumir até 40% do caixa do FGC.


Quem é o Banco Master?


O Banco Master não é exatamente novo, mas sua relevância no sistema financeiro é recente. Fundado há mais de cinco décadas como Banco Máxima, a instituição passou por uma reestruturação completa em 2021, quando adotou o novo nome e uma nova estratégia, sob a liderança de Daniel Vorcaro.


A partir daí, o Master passou a operar com foco na captação de varejo, oferecendo CDBs com taxas acima da média de mercado, em alguns casos, bem acima. Em 2024, os ativos totais saltaram de R$36,1 bilhões para mais de R$63 bilhões, um avanço de 74% em doze meses. O lucro líquido acompanhou o ritmo e dobrou no período, de R$532 milhões para R$1,068 bilhão.


Um modelo que parecia funcionar — até parar de funcionar


Todo esse crescimento foi sustentado por uma lógica simples: captar caro e emprestar ainda mais caro. O banco oferecia CDBs com rentabilidades de até 140% do CDI — em um mercado em que bancos grandes remuneravam a 100%, no máximo 110%. Essa diferença de prêmio trouxe uma multidão de investidores pessoa física, principalmente via plataformas digitais, muitos deles atraídos pela chancela do FGC.


Do outro lado do balanço, o banco alocava esses recursos em duas frentes: crédito consignado para servidores públicos, um mercado com margens apertadas, e, principalmente, precatórios. Segundo executivos que acompanharam a operação por dentro, até 2023 quase metade da carteira de crédito do banco estava vinculada a precatórios federais e estaduais, boa parte ainda sem trânsito em julgado ou com pagamento incerto.


Com essa estratégia, o Master conseguiu crescer sem depender de grandes linhas de crédito interbancárias ou funding institucional. Mas criou, em paralelo, uma fragilidade estrutural, os passivos eram curtos, caros e voláteis; os ativos, longos, incertos e ilíquidos.


O lucro anual bilionário de 2024 impressiona, mas o número tem nuances. Parte expressiva do resultado vem da marcação de ativos a valor de face — prática comum, mas que, em casos como os precatórios, pode inflar artificialmente o balanço. O mesmo vale para operações com fundos de direitos creditórios (FIDCs), em que o risco permanece com o originador, mas os ativos são registrados fora do balanço principal.


Quando o risco deixou de ser apenas contábil



Nos bastidores, o Banco Central vinha acompanhando a escalada do risco com crescente preocupação. Ainda em 2023, técnicos da supervisão do BC passaram a monitorar com mais cuidado a liquidez do banco. O FGC, por sua vez, já havia mapeado que uma liquidação forçada do Master exigiria algo entre R$35 bilhões e R$45 bilhões em cobertura — o que drenaria mais de um terço do caixa disponível do fundo, estimado hoje em R$107,8 bilhões.


A gravidade do cenário não era apenas técnica. O perfil dos investidores — em sua maioria clientes de varejo, com tíquetes de até R$250 mil — transformava o caso em uma bomba política. Um calote, ainda que temporário, poderia levar a uma corrida por saques em bancos médios e fintechs, derrubando a confiança no segmento mais frágil do sistema bancário brasileiro.


Diante disso, começou uma corrida contra o tempo para encontrar uma solução de mercado. 


O BTG ofereceu R$ 1?


Segundo diversos jornais, o BTG Pactual teria feito uma oferta simbólica de R$1 pelo controle do banco, assumindo o risco judicial da carteira de precatórios e, com ajuda do FGC, ele estruturaria uma operação de salvamento, evitando a liquidação. Em troca, o BTG passaria a deter um portfólio que, mesmo com risco elevado, poderia render retornos relevantes — estimativas indicam que só a carteira de precatórios do Master, em valor de face, pode ultrapassar os R$20 bilhões.


Alguns relatos de bastidores, mostraram que a proposta pode ter esbarrado em dois fatores: imagem e controle. Vorcaro relutava em aceitar a venda por um valor simbólico, que poderia ser lido como confissão de insolvência. Além disso, o acordo previa ingerência direta do BTG sobre os ativos do banco, o que esvaziaria por completo a gestão atual.


A operação do BRB: política, risco e oportunidade



Paulo Henrique Costa, presidente do BRB

Enquanto o BTG esperava o avanço de negociações com apoio de bancos grandes — já que a proposta previa injeção emergencial de liquidez via FGC — o BRB apareceu com uma proposta alternativa. Oficializada em 28 de março de 2025, a proposta do banco estatal previa o pagamento de até R$2 bilhões por 58,6% do capital do Master, sendo 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais. A operação foi estruturada com prazo de seis anos para pagamento, condicionada a auditoria e excluindo da transação os ativos ilíquidos mais arriscados, como os precatórios e parte dos FIDCs.


No papel, a proposta do BRB era mais robusta. Mas levantou questionamentos imediatos sobre motivação, governança e riscos potenciais. O banco é controlado pelo governo do Distrito Federal e presidido por Paulo Henrique Costa, ex-Banco do Brasil, homem de confiança do governador Ibaneis Rocha (MDB). Segundo fontes de mercado, parte da diretoria técnica do BRB demonstrou resistência à aquisição, mas a decisão avançou com respaldo político direto do Palácio do Buriti.


A proposta prevê o pagamento escalonado de até R$2 bilhões, diluído ao longo de seis anos, e está condicionada a uma auditoria detalhada nos ativos adquiridos. Ficaram de fora da operação os principais elementos de risco do balanço: precatórios em tramitação e fundos de direitos creditórios com baixa liquidez. O BRB também exigiu a separação jurídica das entidades adquiridas — Master, Will Bank e corretora, por exemplo — em estruturas distintas, blindando riscos cruzados.


Ao fim, o BRB assumiu a parte “bancável” da operação: estrutura tecnológica, canais de distribuição, a carteira de crédito consignado e o relacionamento com o Will Bank — banco digital do grupo com mais de 6 milhões de clientes. Internamente, a aposta é que o braço digital tenha potencial de expansão nacional, com tecnologia madura e presença crescente nas plataformas digitais.


Enquanto isso, R$23 bilhões em ativos de risco seguem sob o guarda-chuva do Master original. Com a separação, a instituição deverá funcionar como uma espécie de “bad bank” informal: sem operação corrente, dedicada exclusivamente à monetização judicial desses ativos ao longo do tempo. 


Nos bastidores, a leitura é de que o governo do Distrito Federal busca posicionar o BRB como protagonista nacional em tecnologia bancária, mesmo que isso signifique correr riscos considerados elevados por instituições privadas.


O Banco Central pode barrar?



Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Sim. A autoridade monetária tem poder de veto sobre operações societárias no sistema financeiro nacional. Mais do que isso, pode condicionar a autorização à apresentação de garantias adicionais, reforço de capital ou ajustes na governança.


Fontes próximas à autarquia indicam que há grande desconforto com a exposição pública da operação e com a forma como ela foi conduzida. O temor é de que uma eventual deterioração da carteira do Master — caso ocorra após a venda — recaia sobre o BRB, comprometendo recursos públicos.


Risco sistêmico? Ainda não. Mas o precedente preocupa.


O modelo e o problema


O caso do Banco Master não é isolado. Ele simboliza uma tendência que se espalhou no pós-pandemia: a multiplicação de bancos médios e plataformas de crédito operando no limite da alavancagem, captando recursos com promessas agressivas de retorno, alavancando via FIDCs e ignorando os fundamentos prudenciais tradicionais.


Em tempos de juros altos, esses modelos crescem rápido. Mas, se o funding encolhe ou a inadimplência sobe, o castelo de cartas desaba. Foi assim com outros bancos médios nos anos 90, no pós-Real. A diferença, agora, é que a exposição ocorre via produtos pulverizados — CDBs vendidos a investidores de varejo com a promessa de segurança.


O que está em jogo agora não é só o futuro do Master ou o preço pago pelo BRB. É a reputação do sistema, a confiança nas emissões bancárias e o papel do Banco Central como guardião do risco sistêmico.


A história ainda não acabou. Mas o roteiro, para quem acompanha o mercado de perto, é inquietantemente familiar.



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Bankinter Portugal Matinal 0804

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, a tecnologia conseguiu fechar em positivo e a questão agora é saber se se trata de um descanso no reajuste para um novo contexto mais duro ou, pelo contrário, um pouco melhor. Provavelmente a mudança de Elon Musk, a comentar a “conveniência” de que os EUA cheguem a acordo de impostos alfandegários zero com a UE seja a esperança em que esta subida se apoia, que provavelmente será bastante uma pequena e breve recuperação do preço em queda, porque nada indica que Trump irá retificar de imediato. Musk muda a sua abordagem simplesmente porque o seu papel informal, mas muito influente, de “assessor” de Trump (nem autorizado pelos eleitores nem justificável de uma visão democrática) está a fazer com que ele perca mais dinheiro mais rapidamente do que nunca: Tesla avaliava a 400 $ no fecho de 2024 vs. 233 $ ontem. Quando há um mercado livre de preços, as coisas tornam-se imediatamente claras, porque os debates ideológicos perdem relevância a favor do mais justo e objetivo que existe: a realidade cruel do valor que cria ou destrói. Não há prémios nem castigos, mas causas e consequências. Como a vida. Isso é o que salvará a economia global dos ignorantes, embora não seja de imediato, porque Trump não mudará enquanto não encontrar uma saída digna para o seu orgulho e ego. E isso é difícil de encontrar brevemente. Precisa de alguém para culpar, para que não fique como responsável. Desse ponto de vista, estamos nas melhores mãos: nas de um mercado frio que apenas julga os resultados dos factos.


HOJE não sai nenhuma referência relevante. Em todo o caso, um indicador de frequência semanal que convém prestar atenção porque pode ser considerado adiantado: 12:55 h, Vendas Grandes Retailers EUA, que desacelera desde níveis um pouco superiores a +6% até +4,8% na semana passada, e que poderá começar a desacelerar seriamente de seguida, mas é impossível estimar quanto. Se “falasse” nesse sentido, seria tido em conta para o Consumo Privado americano. Na quinta-feira, sairá a inflação americana de março provavelmente a retroceder até +2,6% desde +2,8%, porque a inflação não receberá nada dos impostos alfandegários até ao seu registo de abril, publicado na segunda semana de maio. É muito provável que volte a aumentar a partir de junho/julho, mas ainda é cedo para que se reflita nos dados. E na sexta-feira, sairá a Confiança da Univ. de Michigan, que é muito importante, porque foi o primeiro indicador adiantado americano que, a 14 de março, mostrou um forte debilitamento (57,9 desde 64,7, mas depois foi revisto em baixa até 57,0) e com aumentos sérios dos seus componentes de expetativas de inflação a 1 ano (+3,9%, revisto depois até +4,1%) e a 5/10 anos (+4,9%, também revisto depois até +5,0%). Na sexta-feira, sairá o seu registo de abril e espera-se 54,5, mas acreditamos que será pior do que isso e com expetativas de inflação ainda piores. 


CONCLUSÃO: Hoje irá subir, mas será uma pequena e breve recuperação do preço em queda. Pelo menos enquanto Trump não se retificar abertamente, algo que consideramos improvável a curto prazo, principalmente depois de ontem ter dado 24 horas à China para retirar os seus impostos alfandegários de represália (34%) ou ser-lhes-ia aplicado outro de 50% (o que lhe vem à cabeça enquanto fala). O mercado colocará as coisas no sítio até ao ponto de fazer Trump corrigir-se, mas isso só acontecerá quando o contexto começar a abandoná-lo por sentir nos seus próprios patrimónios/vidas que acompanhá-lo significa arruinar-se e ser ridículo na área pessoal/social/reputacional, como absolutos ignorantes na área económica. O mau de cometer erros deste tipo no económico é que repará-los não é imediato. O bom é que quando se reverterem, irão surgir excelentes oportunidades para reposicionar-se a preços francamente atrativos. Mas esse momento ainda não chegou. Haverá mais dor antes da situação se reverter. Embora hoje suba um pouco.


S&P500 -0,2% Nq-100 +0,2% SOX +2,7% ES-50 -4,6% IBEX -5,1% VIX 47% Bund 2,63% T-Note 4,17% Spread 2A-10A USA=+44pb B10A: ESP 3,34% PT 3,24% FRA 3,40% ITA 3,86% Euribor 12m 2,210% (fut.1,928%) USD 1,097 JPY 161,9 Ouro 3.039$ Brent 64,8$ WTI 61,34$ Bitcoin +3,5% (79.595$) Ether +2,4% (1.582$). 


FIM

BDM Matinal Riscala 0804

 *Rosa Riscala: Trump dobra a aposta contra a China*


… Trump deu prazo até hoje, ao meio-dia (13h de Brasília), para a China remover a tarifa de 34% anunciada em retaliação aos 34% que os Estados Unidos decidiram cobrar da importação de todos os produtos chineses. Ou, aplicará uma tarifa adicional de 50%, cumulativa, elevando a taxa para 104%, considerando os 20% do início de março, quando os chineses foram penalizados pelo fluxo de opioides para os americanos. A China antecipou que não fará o Trump quer e o Ministério do Comércio avisou nesta 3ªF que, se o governo americano ampliar a taxação, tomará novas “contramedidas resolutas”. A guerra comercial entre as superpotências só piora. Amanhã (9), entram em vigor as tarifas mais altas para a China, países asiáticos e a UE, que também se prepara para aprovar retaliações conjuntas.


… A Comissão Europeia, braço executivo da UE, propôs nesta 2ªF taxar uma série de produtos dos EUA, em resposta às medidas adotadas ao aço e alumínio. A comissão elaborou uma lista robusta de contramedidas, buscando equilibrar o fardo entre os países-membros.


… A relação final e os níveis de tarifas serão submetidos a votação e colocados em prática em duas datas: 15 de abril e 15 de maio.


… O comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, disse que cerca de 380 bilhões de euros em exportações da UE estão sujeitas a tarifas americanas de 20% ou 25%, e algumas chegam a 27,5%, como no caso dos automóveis de passageiros.


… “Isso representa um aumento significativo na arrecadação de tarifas dos EUA sobre produtos europeus, que deve saltar de 7 bilhões de euros para mais de 80 bilhões de euros/ano. A situação comercial com nosso parceiro mais importante está em ponto crítico.”


… Segundo Sefcovic, desde o início a UE buscou negociações com o governo americano, “mas não podemos esperar indefinidamente”.


… Ao lado de Netanyahu, no Salão Oval, Trump disse que a União Europeia sempre tentou prejudicar os Estados Unidos e que a resposta deles agora às tarifas não é suficiente. “A UE terá que comprar energia dos EUA”, disse o presidente.


… Ainda a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se manifestou sobre a resposta de Bruxelas às tarifas dos EUA. “Nós preferíamos negociar, mas retaliações serão usadas, se necessário”, disse, confirmando que a Europa vai buscar novos mercados.


… No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney também defendeu a importância de diversificar as relações comerciais com outros países. “Não podemos controlar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas podemos fazer algo no Canadá.”


… Para a Fitch, as tarifas anunciadas pelos EUA sobre as importações de países europeus, incluindo 20% para a União Europeia e 10% para o Reino Unido, enfraquecerão o crescimento da receita e da lucratividade de muitos setores corporativos no continente.


… Segundo a agência, é provável que os setores químico, automotivo e de tecnologia (hardware) sejam os mais afetados na Europa, com os fabricantes de automóveis europeus enfrentando um risco maior na cadeia de suprimentos.


… Já a China reagiu rapidamente às novas exigências de Trump. “Pressionar ou ameaçar a China não é a maneira correta de se envolver conosco. A China protegerá firmemente seus direitos e interesses legítimos”, disse o porta-voz da embaixada chinesa, Liu Pengyu.


… Em entrevista, ele acusou os EUA de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica, e pediu às empresas americanas para que “tomem medidas concretas” para resolver a crise das tarifas. Citou nominalmente a Tesla, de Elon Musk.


… Lin disse que colocar a “América em primeiro lugar”, acima das regras internacionais, prejudica a estabilidade da produção global e da cadeia de suprimentos, e impacta seriamente a recuperação econômica mundial.


… Fez mais, em meio à guerra comercial deflagrada por Trump, a embaixada chinesa publicou no X um discurso do ex-presidente Ronald Reagan, de 1987, no qual ele critica ele afirma que as tarifas parecem patrióticas, mas só funcionam por um curto período.


… À época, Reagan, idolatrado pelos republicanos, afirmou que as altas tarifas levam a retaliações e a uma feroz guerra tarifária, que “as pessoas param de comprar, mercados diminuem e colapsam, negócios e indústrias fecham e milhões perdem o emprego”.


… Chegou-se, portanto, à improvável situação em que a China comunista defende o liberalismo e os EUA, o protecionismo.


ALERTAS EM SÉRIE – Vários alertas são continuamente emitidos sobre o poder inflacionário das tarifas. Nesta 2ªF, a diretora do Federal Reserve Adriana Kugler disse que a inflação voltou a ser a prioridade para o Banco Central americano.


…. O CEO da Blackrock, Larry Fink, disse que as tarifas são mais inflacionárias do que o mercado espera e que os EUA, provavelmente, já estão em recessão. Ele não descarta uma nova queda de 20% no S&P 500, que chegou a entrar em bear market durante o pregão.


… O CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, disse que tarifas podem ter consequências negativas duradouras e que vão afetar o crescimento.


… Para o UBS, a inflação induzida por tarifas vai corroer o poder de compra real dos americanos e o impacto na inflação será muito maior do que o registrado em 2018 e 2019. “A inflação vai voltar a subir e atingir seu pico no primeiro semestre de 2026”, prevê.


… Já para o resto do mundo, destaca, essa crise está se tornando mais um choque de crescimento.


… O Goldman Sachs voltou a elevar a probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses, de 35% para 45%, com o “aumento agressivo das tarifas”. O JPMorgan já havia colocado essa chance em 60%.


… O Goldman reduziu a previsão de crescimento do PIB americano em 2025 de 1,5% para 1,3% e prevê que o Fed corte os juros três vezes a partir de junho, chegando a 3,5%-3,75% no cenário-base. “Em caso de recessão, os cortes podem atingir 200 pbs no ano.”


… O banco ressalta que o risco desse cenário é “claramente ascendente” e depende das decisões tarifárias desta semana. “Se a maioria das tarifas for implementada, avisam os analistas, mudaremos nossa previsão para recessão.


… Os chefes de alguns dos maiores bancos do mundo, incluindo o Bank of America, Barclays, Citi, HSBC Holdings e JP Morgan, discutiram no domingo sobre o caos nos mercados financeiros e na economia global gerado pelas tarifas impostas pelo presidente Trump.


… Segundo fontes da Sky News, a reunião, por teleconferência, foi convocada pelo Bank Policy Institute, um grupo de políticas públicas.


AGENDA – Duas prévias de inflação de abril serão divulgadas às 8h: o IPC-S (encerrou março em 0,44%) e o IGP-M (0,29% em março).


… Às 8h30 sai o resultado do setor público consolidado de fevereiro, que deve trazer déficit de R$ 26,250 bilhões na mediana de pesquisa Broadcast, após o superávit de R$ 104,0 bilhões em janeiro. Estimativas vão de -R$ 48,3 bilhões a -R$ 9,3 bilhões.


… Às 9h, o IBGE informa os dados regionais da pesquisa industrial de fevereiro e, às 11h, a Anfavea divulga a produção e vendas de veículos em março. Em fevereiro, a produção foi de 217,4 mil veículos (+23,8%) e as vendas, de 185 mil (+8%).


LULA – Participa do Encontro da Indústria de Construção, em SP (9h30) e da abertura da 100ª edição da Enic e da Feira da Construção Civil e Arquitetura (10h). Às 15h, embarca para Honduras, onde participa da cúpula de chefes de Estado latino-americanos e caribenhos.


GALÍPOLO – Participa de reunião da CPI das Bets no Senado, em Brasília, a partir das 11h.


HADDAD – Participa de painel do 11º Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo (17h).


LÁ FORA – A agenda de indicadores é esvaziada; nenhum dado está previsto nos Estados Unidos e na Europa.


… Logo cedo (6h), o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, faz discurso de encerramento em reunião anual da Associação Bancária da Espanha, e o dirigente do BCE Piero Cipollone participa de audiência sobre euro digital no Parlamento Europeu (11h).


… Às 15h, a presidente do Fed/São Francisco, Mary Day, participa de evento institucional.


TRUMP VS IRÃ – Questionado sobre o Irã na entrevista desta 2ªF, Trump disse que “estamos em conversas diretas [com eles]” e que terá um grande encontro no próximo sábado, sem dar detalhes.


… Após o anúncio de Trump, porém, o Irã rejeitou qualquer negociação direta com os Estados Unidos e afirmou que o diálogo no sábado será realizado com a mediação de Omã, em negociação indireta, como postou no X o chanceler iraniano, Abbas Araqchi.


ÁSIA HOJE – Após o tombo de 8% na véspera, a Bolsa de Tóquio abriu em alta forte nesta 3ªF, repercutindo os sinais da negociação que foi iniciada com os EUA. O primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, conversou com Trump e enviará um representante a Washington.


… Na China, o Xangai subia com a notícia de que as estatais chinesas decidiram aumentar a recompra de ações para estimular o mercado.


É GUERRA – O dólar voltou para perto dos R$ 6 em um dia de estresse generalizado nos mercados, que se intensificou depois que Trump ameaçou subir a tarifa contra produtos da China em 50% adicionais, caso Pequim não retire retaliação de 34%.


… O Ibovespa (-1,31%; 125.588,09) caiu mais que seus pares em NY, com um giro impressionante de R$ 43,7 bilhões, indicando que a debandada da bolsa brasileira foi forte. Resta saber se a saída foi de dinheiro gringo.


… O dado mais recente da B3 mostra que os investidores estrangeiros retiraram R$ 590,338 milhões da bolsa no dia 3/4, 5ªF. Depois da festa em março, em abril o fluxo está negativo em R$ 1,642 bilhão. No ano, o saldo de k externo ainda está positivo em R$ 9 bilhões.


… Em mais um dia de aversão global ao risco, o dólar, que é visto como ativo de segurança, subiu 1,30%, a R$ 5,9106, depois de ter batido em R$ 5,93 na máxima do dia. Apenas em abril, o dólar já sobe 3,6%, o dá uma ideia do estresse local com a guerra tarifária.


… Contra seis moedas fortes, o índice DXY que mede a força do dólar, avançou 0,23%, a 103,256 pontos. O euro caiu 0,21%, a US$ 1,0939, e a libra esterlina cedeu 1,19%, a US$ 1,2737. O iene japonês recuou 0,49%, a 147,728/US$.


… Além de derrubar os mercados, a possibilidade cada vez menor de acordo com os EUA aumentou especulações entre os investidores de que a China pode recorrer à desvalorização agressiva do yuan para tornar suas exportações mais competitivas.


… Num breve momento de alívio, os mercados globais chegaram a interromper as quedas depois de a CNBC informar que Trump estaria considerando adiar as tarifas em 90 dias. Minutos depois, a Casa Branca negou a notícia, o que fez os ativos voltarem a cair.


… Fake news ou não, o fato é que ao menos em NY o recuo passou a ser bem menos agressivo depois do rumor. O índice Nasdaq fechou com alta leve de 0,10%, a 15.603,26 pontos. O S&P 500 perdeu 0,23% (5.062,25) e o Dow Jones cedeu 0,91% (37.965,60).


… Apesar de certa trégua ontem em NY, a grande incerteza ainda deve pesar sobre os mercados.


… Depois da forte queda nas sessões anteriores, os rendimentos dos Treasuries subiram, em especial depois que Adriana Kugler, do Fed, afirmou que, dos impactos das tarifas, a alta da inflação é uma questão mais urgente que o crescimento econômico.


… O retorno da note de 2 anos avançou a 3,788% (de 3,653%) e o da note de 10 anos, a 4,217% (de 4,006%), enquanto o retorno do título de 30 anos foi a 4,642% (de 4,420%). Esse ajuste influenciou marginalmente a curva de juros na B3.


… Por aqui, as taxas subiram, mas de forma moderada, diante da possibilidade de queda nos preços dos combustíveis após o tombo dos preços do petróleo, o que a ação da Petrobras não gostou, mas poderia dar um alívio na inflação (abaixo).


… No Boletim Focus, ontem, a expectativa do IPCA 12 meses à frente, que ganhou importância com a meta contínua de inflação, caiu pela oitava semana seguida, agora de 5,15% para 5,07%. Também não foram alteradas as medianas para 2025 (5,65%) e 2026 (4,50%).


… A mediana das estimativas de Selic no fim de 2025 permaneceu em 15% e, para 2026, em 12,5%.


… No evento do BC que premiou os Top 5 do Focus ontem, economistas disseram ver a política monetária restritiva por um longo período, embora as opiniões estejam divididas quanto ao grau de aumento da taxa Selic no ciclo atual.


… As expectativas de inflação muito acima da meta de 3% e o gasto fiscal devem impedir uma queda de juro tão cedo, disseram.


… No mesmo evento, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, disse que o cenário atual é muito incerto, mas que algo essencial não mudou: o Copom segue desconfortável com a desancoragem das expectativas, que são muito relevantes para o sistema de metas.


… Hoje, Guillen, junto com os diretores Nilton Davi e Paulo Pichetti, fazem reuniões trimestrais com economistas do mercado.


… No fechamento, o juro do DI Jan/26 marcou 14,700% (de 14,665% na sessão anterior); o Jan/27 subiu a 14,215% (de 14,190%); o Jan/29, a 14,165% (de 14,030%); o Jan/31, a 14,480% (de 14,350%); e o Jan/33, a 14,590% (de 14,450%).


… No Ibovespa, Petrobras ON (-5,57%; R$ 35,63) e PN (-3,97%; R$ 33,18) ficaram entre as maiores quedas, com a notícia de que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, estaria pressionando a estatal para reduzir o preço dos combustíveis, segundo a CNN.


… Essa discussão sobre a redução dos preços é alimentada pela contínua queda da cotação do Brent, que ontem ampliou suas perdas de quase 10% da semana passada, recuando mais 2,08%, a US$ 64,21 o barril, na Ice londrina.


… Na volta do feriado na China, o minério de ferro despencou 3,29% em Dalian, para abaixo de US$ 100 a tonelada (US$ 98,86), puxando um recuo de 1,2%, na cotação da Vale, para R$ 52,09 – o que também ajudou a queda do Ibovespa. 


… Entre os bancos, só Itaú subiu (+0,19%), Bradesco PN (-1,67%) e ON (-1,25%); BB (-1,07%) e Santander (-0,45%) caíram.


… Natura (+2,84%), IRB (+2,66%) e BTG (+1,91%) lideraram as altas. Na outra ponta, Magazine Luiza (-6,37%) e Lojas Renner (-4,19%).


EM TEMPO… Após extensas negociações com a Boeing, a GOL concluiu acordo que destrava US$ 235 milhões a credores quirografários.


MERCADO LIVRE anunciou investimentos de R$ 34 bilhões (US$ 6,3 bilhões) no Brasil em 2025; cifra é 48% superior ao recorde do ano anterior, de R$ 23 bilhões, e em dólar, a soma avançou 32%, numa expansão que já tem ocorrido todos os anos.


PETRORECÔNCAVO teve produção de 27,7 mil boed em março, alta de 1,56% em relação a fevereiro, segundo dados operacionais.


ITAÚSA. BlackRock passou a deter 361.197.627 de ações PN de emissão da companhia, representando 5,075% do total.


BANCO DO BRASIL convocou assembleias gerais ordinária e extraordinária para 30/4; serão eleitos os membros do Conselho de Administração, com a troca de cinco dos oito membros, inclusive o presidente do colegiado.


MINERVA. Conselho de Administração aprovou proposta de aumento de capital no valor de até R$ 2 bilhões, com subscrição particular de até 386.847.196 de novas ações ON, pelo preço de emissão de R$ 5,17 por ação…


… Proposta será deliberada em AGE a ser realizada, em primeira convocação, no dia 29/4.


METALÚRGICA GERDAU encerrou programa com aquisição de 6 milhões de ações PN, ao preço médio de R$ 9,36 por ação.


NIPPON & US STEEL. Trump ordenou uma nova análise de segurança nacional do plano da Nippon Steel de adquirir a US Steel, oferecendo uma nova vida para o negócio de US$ 14 bilhões que foi bloqueado pelo ex-presidente Joe Biden…


… A revisão dá ao governo flexibilidade para elaborar um acordo que poderia permitir que as empresas concluíssem o negócio.

Jonas Federighi

  O texto mostra que a ofensiva do ministro Jhonatan de Jesus (TCU) no caso Master começou a acender um alerta vermelho: analistas, técnicos...