sábado, 10 de maio de 2025

Lula em Moscou

 https://www.estadao.com.br/opiniao/lula-em-moscou-o-dia-da-infamia/


*A imagem de Lula na Praça Vermelha, ladeado por facínoras para ver o desfile de mísseis que vão massacrar inocentes na Ucrânia, marcará o dia da infâmia da política externa brasileira*

Ao tomar parte nas celebrações do “Dia da Vitória” em Moscou – data em que a Rússia festeja a vitória na 2.ª Guerra contra o nazismo alemão e que o autocrata Vladimir Putin usa para fazer propaganda de seu regime tirano –, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva selou não um triunfo diplomático ou um gesto de realismo pragmático, mas um vexame moral e um fiasco geopolítico para o Brasil. Ao lado de autocratas de todos os cantos, Lula foi aquilo que os antigos agentes secretos soviéticos chamariam de “idiota útil”: um ocidental deslumbrado e voluntarioso – e descartável após servir às ambições do império russo.


Em teoria, a participação de um presidente brasileiro nas comemorações do fim da 2.ª Guerra poderia significar a celebração da liberdade contra a tirania, da coragem do povo russo, do papel civilizatório da Rússia nas artes, nas letras, nas ciências, ou mesmo uma oportunidade para um estadista astuto tecer alianças diplomáticas num mundo multipolar – e até explorar canais para promover uma paz justa entre Rússia e Ucrânia. Na prática, Lula foi o exato oposto.


O cortejo foi a peça de propaganda fabricada por um regime que encarna o que há de mais próximo ao fascismo hoje: uma autocracia que envilece sua nação e oprime seu povo, silenciando a oposição, perseguindo minorias, fraudando eleições para sustentar um líder vitalício adornado por uma iconografia imperial. É também um Estado predador, que desestabiliza governos, invade vizinhos e massacra civis sob a bandeira fraudulenta da “desnazificação”. A semelhança com as ambições irredentistas de Hitler, que invocava a germanidade para saquear territórios da Checoslováquia e da Polônia, é óbvia demais para ser ignorada.


Ironicamente, o gesto de Lula também o aproxima do presidente dos EUA, Donald Trump. Ambos têm apreço por autocratas, disputam um lugar no coração de Putin e culpam a Ucrânia por uma guerra de agressão que a Rússia começou.


Como em todos os governos petistas, Lula conduz uma política externa pautada não por interesses de Estado, mas por taras ideológicas e por sua ambição de ser festejado como vedete terceiro-mundista. Foi assim na aloprada mediação nuclear com o Irã, em 2010. É assim na contemporização sistemática de ditaduras como Cuba, Venezuela e Nicarágua. E é assim também, à custa da credibilidade internacional do Brasil, na relação amistosa com Vladimir Putin, um déspota que reintroduziu a guerra na Europa e exumou a guerra fria, flertando com um conflito mundial nuclear.


Ao celebrar o imperialismo de Putin, Lula, numa só tacada, surrou os princípios constitucionais que regem a política externa brasileira – autodeterminação dos povos, prevalência dos direitos humanos e solução pacífica dos conflitos. Também conspurcou a memória dos combatentes da Força Expedicionária Brasileira que tombaram ombro a ombro com os aliados europeus em nome da liberdade na 2.ª Guerra. E jogou mais uma pá de cal na tal “frente ampla democrática” que o elegeu em 2022, sequestrando aquele pacto cívico para usá-lo como instrumento de autopromoção ideológica.


O resultado é que o Brasil se afasta dos polos democráticos e reformistas do mundo e se aproxima da constelação sombria de regimes autoritários do novo eixo de caos. Em vez de se mover com pragmatismo e independência num mundo multipolar, Lula opta por um multilateralismo de fachada, que relativiza regras, desrespeita tratados e consagra a lei do mais forte – justamente a lógica que mais prejudica um país como o Brasil, que não dispõe do poder das armas ou do dinheiro, só da diplomacia, da persuasão e da adesão às normas internacionais para proteger seus interesses.


A imagem de Lula na Praça Vermelha, ladeado por facínoras, assistindo ao desfile de tanques e mísseis que vão massacrar inocentes na Ucrânia e outros povos, marcará na História o dia da infâmia da política externa brasileira, um dia em que o Brasil, sem ganhar rigorosamente nada em troca, arruinou seus princípios republicanos e democráticos, bajulando criminosos de guerra e adulando ditadores por puro capricho do demiurgo petista.


O chanceler paralelo Celso Amorim disse que Lula iria a Moscou como um “mensageiro da paz”. Foi apenas um mensageiro da torpeza.

Luis Stuhlberger

 https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/05/09/processo-estrutural-de-realocao-de-capital-est-s-comeando-diz-verde.ghtml


*Processo estrutural de realocação de capital está só começando, diz Verde*


_Para o fundo liderado por Luis Stuhlberger, o choque de tarifas imposto pelos EUA foi mais um passo que marca o início da redução da hegemonia do dólar sobre os mercados globais_


O multimercados Verde, liderado por Luis Stuhlberger, encerrou abril com valorização de 1,90% e no ano acumula 4,75%, acima dos 4,07% do CDI. Conforme explica em carta mensal aos investidores, o fundo capturou ganhos com moedas, ações locais, enquanto as perdas marginais vieram de prefixados, petróleo e crédito.


O “Dia da Libertação”, com o choque de tarifas imposto pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, foi mais um passo que marca o início da redução da hegemonia do dólar sobre os mercados globais, segundo escreve a equipe de gestão da Verde.


“Os investidores de fora dos EUA passaram os últimos dez anos aumentando sistematicamente sua exposição aos ativos americanos (não sem razão, dada excelente performance) e agora vivemos os estágios iniciais de um processo estrutural de realocação de capital. Essa tendência de rearranjo de fluxos tende a se refletir de maneira importante sobre moedas e mercados acionários, e em menor medida sobre taxas de juro”, afirma a Verde.


Isso levou o fundo a aumentar posições em criptoativos, iniciar posição no ouro, e zerar posição no dólar contra o renminbi.


A equipe da Verde ainda descreve que os ativos de risco tiveram uma recuperação surpreendentemente rápida nas últimas semanas, conforme os recuos na questão das tarifas iam sendo vazados e confirmados. “Ainda assim, nos parece um otimismo exagerado, visto que os efeitos micro e macro do choque (mesmo que este choque seja de magnitude menor) ainda estão por afetar a vida da maioria das empresas e consumidores na economia americana”, afirma.


“Os próximos meses devem trazer à tona mais detalhes, mas continuamos a esperar um aumento importante da inflação americana e uma desaceleração do crescimento. A grande incógnita é qual a magnitude desta desaceleração, se suficiente para colocar a economia em recessão ou não.”


O mercado brasileiro, por sua vez, se mantém “passageiro em meio às turbulências globais”, com o noticiário local representando baixo impacto na precificação dos ativos, “especialmente a deterioração importante no fiscal, com receitas do governo vindo abaixo do esperado e pouco apetite do governo por qualquer austeridade, ainda mais à mercê do novo escândalo relacionado ao INSS”.


A maioria das ações seguiu comprimindo prêmio de risco, e na visão da Verde, a melhor alocação hoje é nas Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) de vencimento intermediário.

Lourival Santana

 LULA AO LADO DE PUTIN E LIDERES AUTORITÁRIOS 


Ida ao Dia da Vitória em Moscou coloca Lula ao lado de líderes autoritários


Único governante eleito democraticamente é o primeiro-ministro da Eslováquia, ultraconservador aliado de Putin


Lourival Santana - CNN Brasil - 

06/05/2025 


A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Moscou nessa sexta-feira (9), para a celebração dos 80 anos da vitória dos Aliados sobre a Alemanha nazista, coloca o Brasil ao lado de ditaduras e de governos ultraconservadores alinhados com o autocrata russo Vladimir Putin.


As democracias da Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Coreia do Sul, entre outras, ignoraram o convite, como têm feito desde a primeira invasão da Ucrânia ordenada por Putin, em 2014.


Da América Latina, além de Lula, confirmaram presença até agora apenas os ditadores de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e da Venezuela, Nicolás Maduro. Da Europa, só o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, ultranacionalista e conservador, aliado de Putin, contrário à imigração e às minorias.


Aleksander Vucic, presidente da Sérvia, havia anunciado sua ida também, mas está doente. Os sérvios são tradicionais parceiros da Rússia na disputa por influência dos cristãos ortodoxos contra católicos croatas e muçulmanos bósnios e kosovares.


Em contrapartida, Lula estará ao lado do ditador chinês, Xi Jinping, que aliás visitará na sequência, em Pequim; de Belarus, Aleksander Lukashenko, aliado de Putin na agressão contra a Ucrânia; das cinco ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, Armênia e Azerbaijão, além da Mongólia, todos satélites da Rússia.


A lista de confirmados até agora inclui também o capitão Ibrahim Traoré, homem-forte de Burkina Faso, que depende do grupo mercenário russo Afrika Corps, ligado a Putin, para permanecer no poder contra a ameaça de células jihadistas. E o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.


Antes da invasão da Ucrânia em 2014, Moscou recebia os mais importantes líderes ocidentais nas comemorações do Dia da Vitória, celebrado na Rússia um dia depois dos países europeus, por causa do fuso horário.


Em 2006, por exemplo, no 60º aniversário da derrota nazista, quanto Putin já estava no poder, estiveram presentes em Moscou o presidente americano George W. Bush, o francês Jacques Chirac, o chanceler alemão Gerhard Schröder e o primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi.


Depois da invasão, no entanto, deixou de ter sentido, para americanos, europeus e japoneses, celebrar a data junto com Putin. Afinal, a celebração é sobre a paz e o respeito à soberania, que o ditador russo atropelou. 


Hoje ele representa a ameaça, além de ser réu em um processo do Tribunal Penal Internacional, do qual o Brasil é integrante, por ter ordenado a sequestro de milhares de crianças ucranianas.


O governo brasileiro pretende justificar a ida como um esforço para mediar a paz entre Rússia e Ucrânia. As inúmeras declarações a favor de Putin e contra o presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, privam Lula de credenciais perante a Ucrânia e a Europa, além da própria irrelevância do Brasil no contexto do Leste Europeu. A ida a Moscou nessa data simbólica não ajudará a reforçar essas credenciais.


Curiosamente, em seu apreço por Putin, Lula se aproxima do ex-presidente Jair Bolsonaro, que visitou o ditador russo uma semana antes da segunda invasão, em fevereiro de 2022, e disse: “Somos solidários à Rússia”.


Bolsonaro explicou que o ponto de convergência eram a religiosidade e a crença de que a família devia ser formada por um homem e uma mulher. Putin patrocinou a aprovação de leis na Rússia que impedem os homossexuais de se casar e adotar filhos.


Os motivos da afinidade de Lula por Putin são de outra natureza: ele tenta restaurar o antigo império soviético e representa, na visão da esquerda, um contraponto ao poder dos Estados Unidos. 


Sob o governo de Donald Trump, no entanto, esses alinhamentos se embaralharam: o presidente americano também é um admirador da forma como Putin concentra o poder político e econômico em suas mãos e se perpetua no Kremlin.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...