terça-feira, 25 de novembro de 2025

Call Matinal 2511

 

Call Matinal

25/11/2025

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (24/11)

MERCADOS E AGENDA

Nesta segunda-feira (24), o Ibovespa registrou alta tímida de 0,33%, aos 155.277,56 pontos, com volume financeiro de R$ 27,5 bilhões. Já o dólar, depois de 2% na semana passada, registrou “ajuste técnico” e fechou em leve queda de 0,12%, abaixo de R$ 5,40, a R$ 5,3950. Hoje é dia de votação no Congresso do PL da aposentadoria especial dos agentes de saúde. Rombo previsto no Orçamento deve passar de R$ 21 bi.

 

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta terça-feira (25), após tentativa de consistente recuperação, impulsionada pelas techs, em meio ao crescente otimismo de que o Fed possa anunciar um corte nas taxas de juros em dez25 (dia 10).

 

 

MERCADOS 5h30

EUA

 

 

Dow Jones Futuro: -0,06%

S&P 500 Futuro: -0,06%

Nasdaq Futuro: -0,14%

Ásia-Pacífico

 

 

Shanghai SE (China), +0,87%

Nikkei (Japão): +0,07%

Hang Seng Index (Hong Kong): +0,69%

Nifty 50 (Índia): +0,17%

ASX 200 (Austrália): +0,14%

Europa

 

 

STOXX 600: +0,25%

DAX (Alemanha): +0,17%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,23%

CAC 40 (França): +0,32%

FTSE MIB (Itália): +0,21%

Commodities

 

 

Petróleo WTI, -0,56%, a US$ 58,51 o barril

Petróleo Brent, -0,62%, a US$ 62,98 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,51%, a 794 iuanes (US$ 111,78)

 

NO DIA, 2511

No radar dos mercados, é crescente a possibilidade de corte de juro em 0,25 pp pelo Fed em dez (dia 10). Na bolsa de apostas, já são 70% a 80% de probabilidade, o que impulsionou os mercados nesta segunda. Mary Daly e Christopher Waller, ambos do board do Fed, acreditam nisso. Em paralelo, uma tênue esperança de  plano de paz para a Ucrânia na quinta-feira, embala os mercados na Europa. Lembremos que esta foi a data que Trump marcou como limite. Na agenda do dia, nos EUA temos PPI, vendas no varejo, ADP semanal e confiança do consumidor do Conference Board. O PCE de setembro, previsto para amanhã, foi adiado para dia 5/12, a tempo da reunião do Fed (10), e a divulgação do PIB/3Tri, postergada para 23/12. No Brasil, saem os dados do setor externo de outubro, enquanto o mercado monitora Gabriel Galípolo em audiência pública no Senado (10h), em ambiente de alta tensão política, diante da votação de uma pauta de bomba fiscal nesta terça-feira (aposentadorias especiais dos agentes de saúde).

 

 

 

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

Segunda-feira, 24 de novembro 

 Índice de Preços ao Consumidor - IPC-S FGV: Consenso 0,24% 

Índice de Confiança do Consumidor FGV: Consenso 88,50 

Relatório Focus do Banco Central 

Arrecadação Tributária Federal: sem consenso | Anterior R$216,7bi | Exp R$262,1bi 

Eventos/Debates Diretores e Presidente do Banco Central

 

 

Terça-feira, 25 de novembro 

Índice de Preços ao Consumidor - FIPE (Semanal): Consenso 0,20% 

Índice Nacional de Custo da Construção - FGV: Consenso 0,31% | Anterior 0,21% 

Balança de Conta Corrente: Consenso -US$4.600mi | Anterior -US$9.774mi 

Investimento Estrangeiro Direto: Consenso US$6.000mi | Anterior US$10.671mi

 

 

Quarta-feira, 26 de novembro 

Índice de Confiança da Indústria FGV 

Empréstimos Totais em Aberto - variação mensal: Consenso 1,10% 

Total de Empréstimos em Aberto: Consenso R$6.844bi 

Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - 12 meses: Consenso 4,49% | Anterior 4,94% | Exp 4,52% 

Mensal: Consenso 0,18% | Anterior 0,18% | Exp 0,22% 

Dívida Federal Total: Consenso R$8.122bi

 

Quinta-feira, 27 de novembro 

Índice Geral de Preços - Mercado (IGPM) FGV - mensal: Consenso 0,28% | Anterior -0,36% 

IGPM FGV - 12 meses: Consenso -0,09% | Anterior 0,92% 

Índice de Confiança do Comércio e Serviços FGV

Resultado Orçamentário do Governo Central: Consenso R$37,4bi | Anterior -R$14,5bi | Exp R$36,8bi

 

 

Sexta-feira, 28 de novembro 

Saldo Orçamentário Nominal: Consenso -R$57,4bi | BTG -R$102,2bi 

Saldo Primário do Setor Público: Consenso R$33,4bi | Anterior -R$17,5bi | Exp R$34,6bi 

Taxa de Desemprego Nacional: Consenso 5,60% | Anterior 5,60% | BTG 5,70% 

Criação Formal de Empregos: Consenso 107.500 | Anterior 213.002 | Exp 90.200

 

 

 

 

 

Boa terça-feira a todos!

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: Ontem, segundo dia de subidas consecutivas, mas com bastante força. Principalmente tecnologia, porque está diretamente vinculada às expetativas sobre taxas de juros. Daly (Fed São Franscisco) afirmou que irá apoiar outra descida de taxas de juros a 10 de dezembro, porque acredita que o emprego se deteriora. Waller (Conselho da Fed) apoiou a descida sob argumento idêntico. Portanto, atualmente, o consenso oscilante estima ca. 70% de probabilidade da Fed baixar taxas de juros em dezembro e esse foi ontem o principal fator impulsionador do mercado, junto com a ingénua expetativa de um plano de paz para a Ucrânia na quinta-feira, que é a data que Trump marcou como limite unilateralmente. O ceticismo sobre a IA parece desvanecer-se, de momento.


A volatilidade continua a baixar (VIX ca.20%), as criptos recuperam algo (perceção de que os riscos se movem em baixa), as obrigações compradas em geral, com yield em descida (T-Note apenas 4,04%) e o USD estável e bastante fortalecido a curto prazo, perto de 1,15/€.


Hoje saem 3 dados macro americanos: 13:30 h Vendas a Retalho (+0,4% vs. +0,6%), 13:30 h Preços Industriais (repetir +2,6%) e 15 h Confiança do Consumidor (93,3 vs. 94,6). Mas apenas este último é recente (novembro), sendo os 2 primeiros um pouco desfasados (setembro). Por isso, será o importante. Se retroceder, como parece, reforçaria a expetativa de que a Fed corte novamente as taxas de juros a 10 de dezembro e isso apoiaria um pouco umas bolsas cujos futuros vêm hoje a cortar um pouco (-0,1%/-0,2%), como é natural depois de 2 sessões francamente boas. Amanhã sairão outras 2 referências relevantes (Pedidos Duráveis EUA +0,5% vs. +2,9% e apresentação de Orçamentos 2026 no Reino Unido), para permanecer encerrado em Nova Iorque na quinta-feira (Ação de Graças) e aberto a meia sessão na sexta-feira (Black Friday).


CONCLUSÃO: Acreditamos que irá ser cumprido o padrão que estimávamos ontem para esta semana: arranque com subida para arrefecer de seguida. Poderíamos pensar em bolsas ca.-0,2% como aproximação para hoje, com obrigações compradas (yield um pouco mais em baixa; T-Note perto de 4,00% e Bund 2,65%) e perceção mais complacente sobre os riscos. Sobre a IA e a Ucrânia, principalmente. Começará a dar-se 2025 como terminado em termos práticos. Mas as subidas destes 2 últimos dias vêm muito estimulados pela expetativa de outro corte por parte da Fed, portanto convém ter cuidado porque essa expetativa é muito errática. Além disso, se baixar em dezembro, esse movimento pode ser realizado à custa de menos cortes em 2026 (2 em vez de 3, por exemplo), porque a NABE (National Association for Business Economics) estima um desemprego em 4,5% estável em 2026, sem deterioração. A partir de hoje, a semana tenderá a decair e será aborrecida… a não ser que acontecer com a Ucrânia, se acontecer.


FIM

Carlos Alberto Sardemberg

 !Caso Master deixa lições

Empresas e instituições financeiras públicas são geridas conforme múltiplos interesses políticos

24/11/2025 00h06  

Carlos Alberto Sardenberg


Está no documento da Polícia Federal que levou à liquidação do Banco Master: as letras financeiras (LFs) dessa instituição “não eram atrativas a investidores privados”. O Master oferecia aos compradores dessas letras uma rentabilidade de encher os olhos: 130% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). E qualquer pessoa mais ou menos informada sobre o mercado financeiro sabe como é difícil bater o CDI. Por que então esse tipo de papel era rejeitado por investidores privados? Três motivos: o prazo excessivo, dez anos; a falta de credibilidade do emissor; e a falta de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


Fazia anos que, no mercado financeiro, se sabia da insustentabilidade das operações do Master. Havia pelo menos um caso exemplar, tornado público pela colunista Malu Gaspar, em seu blog no GLOBO, em 12/7/24. O blog contava que a Caixa havia desistido de aplicar R$ 500 milhões em letras financeiras do Master. Dizia:


— Em parecer sigiloso de 19 páginas obtido pela equipe da coluna, a área de renda fixa da Caixa Asset, o braço de gestão de ativos do banco estatal, desaconselhou enfaticamente a operação, considerada “atípica” e “arriscada”.


A Caixa, seu dono — o governo federal — e os clientes se livraram de um mau negócio, mas os técnicos que desaconselharam a operação pagaram um preço: perderam seus cargos, segundo informava Malu Gaspar. A direção da Caixa, controlada pelo Centrão, pretendia mesmo comprar as tais letras. É o que se deduz do afastamento dos gerentes que condenaram a operação. De todo modo, fica aí demonstrado que as LFs do Master não deveriam ser “atrativas” nem para o investidor público.


Entretanto, entre 2023 e 2024, o Master conseguiu colocar LFs no valor de R$ 2,3 bilhões. Desse total, três fundos previdenciários estaduais e 15 municipais compraram R$ 1,87 bilhão, ou 81% do total. O Rioprevidência, fundo de 230 mil servidores civis e militares, foi o maior comprador: R$ 970 milhões, ou 42% dessa carteira do Master.


O segundo nessa lista é o Amapá Previdência (Amprev), que alocou R$ 400 milhões. Esse fundo, como quase tudo no Amapá, está sob o guarda-chuva do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Houve protestos de conselheiros do Amprev, ignorados pelo presidente do fundo, Jocildo Lemos, indicado por Alcolumbre.


A direção do BRB, o banco estatal do governo do Distrito Federal, sabia de tudo quando se meteu em negócios com o Master. Operações sobre as quais a Polícia Federal aponta suspeitas de fraudes estimadas em espantosos R$ 12,2 bilhões.


Como investimentos rejeitados pelo investidor privado tornaram-se tão atraentes para o investidor público? É porque, nesse caso, trata-se de outro tipo de negócio, com outro tipo de rendimento, em benefício de políticos. Negócio sem risco — pelo menos até o momento em que aparece a Polícia Federal. Está aí, aliás, o motivo que leva muitos parlamentares a tentar reduzir a capacidade de ação dessa PF, que tem estado muito ocupada.


Parte do setor privado também não sai sem manchas dessa história do Master. Plataformas de investimentos distribuíram durante anos os CDBs do Master, anunciando os fabulosos rendimentos de até 140% do CDI. Não corriam risco algum. Essas plataformas não adquiriam os papéis, apenas faziam a corretagem, pela qual ganhavam gordas comissões.


Esses CDBs até o valor de R$ 250 mil serão resgatados pelo Fundo Garantidor de Créditos, formado basicamente com dinheiro dos maiores bancos. O cliente final desse produto não perderá, mas fica a mancha para parte do mercado — oferecer papéis podres, jogando o risco para o FGC. Esse FGC não foi criado para facilitar lucros com papéis podres, mas para garantir a estabilidade do setor financeiro.


A principal lição do episódio está aqui: empresas e instituições financeiras públicas são geridas conforme múltiplos interesses políticos, muito distantes do interesse público. Não é de hoje, mas parece que agora perderam qualquer pudor. E medo. Pegaram até dinheiro dos aposentados do INSS.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Tensão no Congresso ameaça com pauta-bomba*


Está na pauta de hoje do Senado o projeto que prevê aposentadoria especial de agentes de saúde, com impacto bilionário, que pode chegar aos R$ 21 bilhões


… PPI, vendas no varejo, ADP semanal e confiança do consumidor do Conference Board são destaques hoje para os mercados em Nova York, que subiram a 80% as apostas em corte de 25 pontos-base do juro em dezembro. O PCE de setembro, previsto para amanhã, foi adiado para dia 5/12, a tempo da reunião do Fed (10). Já a divulgação do PIB/3Tri foi postergada para 23/12, no cronograma de recuperação dos dados do shutdown. Aqui, saem os números do setor externo de outubro, enquanto investidores acompanham Galípolo em audiência pública no Senado (10h), em ambiente de alta tensão política, que pode custar ao governo a votação de uma bomba fiscal nesta terça-feira.


TENSÃO NO CONGRESSO – Está na pauta de hoje do Senado o projeto que prevê aposentadoria especial de agentes de saúde, com impacto bilionário, que pode chegar aos R$ 21 bilhões. O movimento foi uma resposta de Alcolumbre à indicação de Jorge Messias ao STF.


… O tema domina o noticiário político e o acirramento da crise entre o Executivo e o Congresso é monitorado com preocupação pelo Planalto, depois que o presidente do Senado rompeu ontem com o líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner.


… Alcolumbre estaria profundamente irritado, não só pela escolha de Messias, em detrimento do seu candidato, Rodrigo Pacheco, mas também porque Lula não o procurou antes de fazer o anúncio oficial, na semana passada. Ele soube pela imprensa.


… Em entrevista à GloboNews, Jaques Wagner admitiu que Davi Alcolumbre estaria “chateado” com ele, dizendo que, “se houve um problema de comunicação”, deve ser resolvido pelo presidente Lula, que entraria em campo para atuar pessoalmente.


… Alcolumbre se sentiu traído por Wagner, após ele ter antecipado que Lula tinha conversado com Pacheco, mas estava decidido por Messias.


… No Planalto, a ordem por enquanto é “esperar os ânimos se acalmarem”, segundo apurou o Valor, mesmo porque o presidente da Câmara, Hugo Motta, botou lenha na fogueira e também anunciou o rompimento com o líder do governo na Casa, Lindbergh Farias.


… O presidente Lula e Haddad estão no Exterior desde a semana passada, participando da cúpula do G20, e chegam hoje a Brasília.


SE PAUTAR, PASSA – No Estadão, a equipe econômica trabalha para evitar que o projeto que regulamenta a aposentadoria especial aos agentes comunitários de saúde e de combate a endemias avance no Senado. Mas já se admite que a aprovação é provável.


… Nesta quarta-feira, durante entrevista coletiva, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, disse que o PLP teria um impacto “muito grande” para as contas públicas. E alertou que, se o Congresso aprovar o texto, o governo será obrigado a vetar.


… “Com esse tamanho de impacto, nós vamos ser obrigados a vetar e, se o veto cair, seremos obrigados a ir ao Supremo, para que a gente restabeleça o precedente de exigir o cumprimento das regras fiscais básicas do País”, disse Durigan.


… A matéria, que deve gerar impacto fiscal relevante, não prevê compensação, como exige a LRF.


… O texto estabelece que a aposentadoria especial poderá ser concedida para homens com 52 anos de idade e mulheres com 50 anos; nos dois casos, com 20 anos de atividade na função ou 15 anos somados a 10 anos de contribuição em outro cargo.


MESSIAS – Também caiu mal ontem uma carta do AGU indicado por Lula ao STF dirigida para Alcolumbre, que foi tornada pública, e na qual ele se coloca à disposição para a sabatina de seu nome. O presidente do Senado interpretou como uma pressão de Jorge Messias.


… À tarde, Alcolumbre divulgou nota afirmando que analisará a indicação de Messias “no momento oportuno”.


CHUTOU O BALDE – Enquanto Alcolumbre manda seus recados por “interlocutores”, o presidente da Câmara, Hugo Motta, abriu o jogo, nesta segunda-feira, dizendo que “não tem mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”.


… Lindbergh respondeu dizendo que Motta foi “imaturo” e que “política não se faz como clube de amigos”, acusando o presidente da Câmara de ter atuado “na surdina” para derrubar o IOF, votar a PEC da Blindagem e escolher Derrite como relator do PL Antifacção.


CORRE DE FIM DO ANO – A três semanas do fim do ano legislativo, uma fila de matérias se acumula à espera de votação, incluindo o Orçamento, a LOA e o projeto do devedor contumaz – prioridade para a equipe econômica, que quer avançar na revisão dos benefícios fiscais.


… Mas, se já não era fácil quando as coisas estavam bem, agora com essa tensão pode complicar mais.


… Já a LDO/2026 ainda não está pronta para ser votada na CMO, como disse o presidente, senador Efraim Filho ao Broadcast. Segundo ele, a expectativa é votar no dia 2, “só que o governo não conseguiu chegar a um equilíbrio entre despesa e receita”.


NO PISO DA META – Na entrevista concedida no final da tarde para comentar o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, disse que foi o resultado “muito ruim” dos Correios que levou o governo a fazer um contingenciamento.


… “Se não fossem os Correios, a gente poderia estar num cenário um pouco melhor. Tenho pedido pessoalmente ao presidente dos Correios um bom plano de reestruturação. Esse plano está em curso e deve ser um plano ousado e ao mesmo tempo muito cuidadoso.”


… A previsão para os Correios é de terminar o ano com déficit primário de R$ 5,8 bilhões. Em setembro, a projeção era de R$ 2,4 bilhões. Essa piora fez com que o déficit do conjunto das estatais federais subisse para R$ 9,2 bilhões, acima da meta de R$ 6 bilhões para o ano.


… Com isso, o governo teve que compensar contabilmente esse déficit com um contingenciamento nas despesas discricionárias do Executivo. O contingenciamento total anunciado foi de R$ 3,3 bilhões, sendo R$ 3 bilhões para compensar o resultado das estatais.


… Com esse contingenciamento, o governo conseguirá atingir o déficit de R$ 31 bilhões permitido pelo arcabouço no piso da meta, já que o último relatório bimestral de despesas e receitas do ano prevê um déficit primário total de R$ 34,3 bilhões.


… Durigan estava satisfeito na entrevista, dizendo que a meta fiscal estabelecida para o ano será cumprida.


… “A gente cumpriu a meta de 2024, mais próximo do centro do que da banda. Em 2025, nós vamos, mais uma vez, cumprir a meta definida na LDO. Isso recoloca o Brasil na linha da recomposição fiscal e nos dá muito orgulho.”


… Ele explicou que o cumprimento da meta se dará devido ao controle de despesas obrigatórias e, principalmente, à arrecadação, que continuou apresentando crescimento real de 4% mesmo frente a uma base alta de comparação – 2024 teve alta de 10%.


… Já o secretário-executivo do Planejamento, Gustavo Guimarães, lembrou que ainda há fatores para serem avaliados em dezembro, como o leilão do pré-sal, previsto para ocorrer no início do mês, que pode arrecadar pouco mais de R$ 10 bilhões.


MAIS AGENDA – Antes de Galípolo começar sua participação no Senado (10h), o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, palestra no Evento da EuroFinance “Brazil Treasury Summit”, em São Paulo (9h). Já Alckmin participa de evento da Amcham (8h45).


… Entre os indicadores, o mercado prevê déficit de US$ 4,55 bilhões nas transações correntes em outubro (mediana do Projeções Broadcast), após saldo negativo de US$ 9,774 bilhões em setembro. O dado será divulgado às 8h30.


… O saldo comercial mais favorável deve contribuir para um déficit menor das transações correntes em outubro.


… Para o Investimento Direto no País (IDP), a mediana indica entrada líquida de US$ 6,1 bilhões em outubro, contra saldo positivo de US$ 10,671 bilhões em setembro. As expectativas vão de US$ 3,6 bilhões a US$ 8,0 bilhões.


… Do lado da inflação, a terceira prévia do IPC-Fipe de novembro sai logo cedinho, às 5h.


NOS EUA – A inflação ao produtor (PPI) e tem previsão de alta de 0,3% em setembro no índice cheio e no núcleo na comparação com agosto. Na base anualizada, a aposta é de 2,6% (leitura cheia) e 2,7% para o core. Sai às 10h30.


… No mesmo horário, as vendas no varejo devem registrar crescimento de 0,3% em setembro e 15 minutos antes (às 10h15) será divulgada a pesquisa ADP semanal, com os empregos no setor privado – importante com a falta do payroll.


… Ao meio-dia, saem a confiança do consumidor medida pelo Conference Board, que deve piorar para 92,9 em novembro, de 94,6 em outubro, e as vendas pendentes de imóveis em outubro, com aposta de ata de 1,9%.


… Faltando apenas duas semanas para a decisão de política monetária, os indicadores pegam o mercado apostando pesado novamente em corte do juro em dezembro, apesar de o Fed estar rachado sobre o próximo passo.


UCRÂNIA – O plano de paz negociado pelos Estados Unidos foi revisado de 28 pontos para 19 pontos, incluindo algumas questões reivindicadas pelo governo de Kiev, diante das críticas dos líderes europeus de que Trump estaria favorecendo a Rússia.


… Segundo a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, as conversas com os representantes ucranianos em Genebra “avançaram muito” e o presidente Trump está otimista sobre a possibilidade de um acordo. Não há ainda uma reunião marcada com Moscou.


CLIMÃO – O barulho em Brasília, com o comando do Congresso rompendo relações com o governo e armando a pauta-bomba, serviu de freio ao Ibovespa, que andou pouco, apesar do embalo de otimismo visto em Nova York.


… O foco de tensão na cena política desponta como uma ameaça importante para a agenda da equipe econômica e teve impacto concentrado ontem na bolsa, enquanto o câmbio e os juros futuros operaram aliviados, de olho no Fed.


… O Ibovespa registrou alta tímida de 0,33%, aos 155.277,56 pontos, com volume financeiro de R$ 27,5 bilhões.


… Em meio ao novo atrito em Brasília, os bancos não esconderam o tom cauteloso. BB recuou 0,73% (R$ 21,84), Itaú perdeu 0,38% (R$ 39,82) e Bradesco PN (+0,05%; R$ 18,80) e Santander (+0,03%; R$ 33,09) fecharam estáveis.


… Os papéis da Petrobras recuaram mesmo com o petróleo em alta. No pano de fundo, os investidores operaram atentos ao anúncio do plano estratégico 2026-2030 da companhia, que está marcado para quinta-feira.


… Petrobras ON caiu 0,49%, para R$ 34,39; e PN ficou no zero a zero (-0,09%, a R$ 32,54), desperdiçando a alta firme de 1,25% do Brent, a US$ 62,72. O barril embarcou na aposta de corte do Fed, que pode recuperar o consumo.


… Ficaram, assim, em segundo plano as negociações para o anúncio de um potencial cessar-fogo na Ucrânia ainda esta semana e os receios sobre a reunião ministerial da Opep+, domingo, em meio ao cenário de excesso de oferta.


… Sem apetite por risco, Vale caiu de leve (-0,11%; R$ 65,09), descolada da alta de 0,44% do minério de ferro.


… Sensível aos ruídos fiscais, o Ibovespa perdeu a chance de surfar na onda positiva das bolsas americanas, que repercutem a consolidação das apostas em novo corte de 25 pontos na taxa dos juros, apesar do Fed dividido.


… Ânimo extra veio do telefonema entre Xi Jinping e Trump, convidado a visitar a China em abril do ano que vem.


… Além disso, a reação das techs ajudou na performance de Wall Street. Tesla disparou 6,82% com o anúncio de desenvolvimento de chips de inteligência artificial. Na mesma vibe positiva com a IA, Alphabet escalou 6,31%.


… Nvidia (+2,05%) também foi bem, apesar de terem vazado declarações do CEO, Jensen Huang, em reunião interna na semana passada, em que ele disse que a empresa se encontra hoje em um beco sem saída quanto à bolha da IA.


… “Se tivéssemos apresentado um trimestre ruim, isso seria prova de que existe uma bolha de IA. Se tivéssemos apresentado um trimestre excelente, estaríamos alimentando a bolha de IA”, declarou ele aos funcionários.


… A Capital Economics não descarta que o mercado entre em correção acentuada, mas duvida de uma bolha.


… O Nasdaq começou a semana deslanchando 2,69%, aos 22.872,01 pontos; o S&P 500 registrou valorização de 1,55%, para 6.705,12 pontos, e o índice Dow Jones exibiu avanço de 0,44%, aos 46.448,27 pontos.


BOTANDO PILHA – Em ritmo galopante, a precificação no mercado de corte do juro pelo Fed em dezembro, que até poucos dias atrás estava reduzida a 30%, já alcança agora 80% na ferramenta de apostas do CME e pode ir além.


… Nesta segunda-feira, Christopher Waller, que é cotado para substituir Powell no comando do Fed em 2026 e que faz tempo que vem defendendo cortes nos juros, reforçou a sua defesa pela flexibilização monetária mês que vem.


… Segundo ele, o impacto das tarifas sobre a inflação é um evento isolado e não vem daí o problema. O seu foco de preocupação está no emprego fraco. “Não há evidências de que as empresas estejam prestes a contratar em massa”.


… Mary Daly foi na mesma linha, disse que o mercado de trabalho está “vulnerável”, que pode sofrer uma recessão mais difícil de administrar do que um surto inflacionário, e avaliou que, apesar do tarifaço, a inflação está moderada.


… Defendeu corte de 25 pontos do juro em dezembro e, embora não tenha direito a voto na política monetária este ano, ela raramente assume publicamente uma posição que diverge da de Powell. Será que ele também está dovish?


… Essa é uma pergunta que vale dinheiro. Por enquanto, o que se sabe é que existe um racha interno no Fed, com a corrente mais hawkish tentando contrapor o otimismo de última hora que vem tomando conta dos negócios.


… Agora, porém, que resgatou a aposta em corte do juro, o mercado não quer mais largar. A taxa da Note de 2 anos caiu para 3,503%, contra 3,506% no pregão anterior, e a de 10 anos quer furar 4%: fechou a 4,035% (de 4,062%).


… Por aqui, foi na curva de juros que o bom humor externo apareceu com mais clareza, com queda de ponta a ponta.


… O contrato de DI para Janeiro de 2027 recuou para 13,550% (contra 13,629% no ajuste anterior); Jan/29 caiu para 12,800% (de 12,883% no pregão de sexta-feira); Jan/31, a 13,130% (de 13,202%); e Jan/33, a 13,330% (de 13,386%).


… Em almoço na Febraban, Galípolo disse que, quem está à frente do BC, não pode se dar o direito de se incomodar com eventuais críticas do governo em relação ao nível da taxa de juro e de se “emocionar” com o clamor popular.


… Apesar da sua indiferença às pressões, a aposta ampla entre os traders é de que a Selic vai cair em janeiro.


… No boletim Focus, as projeções do mercado financeiro para o IPCA deste ano, que já estão abaixo do teto da meta, voltaram a cair, de 4,46% para 4,45%. A estimativa para a inflação em 2026 também recuou, de 4,20% para 4,18%.


… Após subir quase 2% semana passada, o dólar acionou alguma correção técnica e fechou em leve queda de 0,12%, abaixo de R$ 5,40, cotado a R$ 5,3950. Não estressou com Brasília, mas ao mesmo tempo não operou relaxado.  


… O câmbio doméstico também monitora o interesse dos investidores globais pelo iene, que pode roubar parte da atratividade do carry trade. Mas a moeda japonesa interrompeu a alta e caiu 0,20%, negociada a 156,82 por dólar.


… O índice DXY teve variação marginal (-0,03%), aos 100,142 pontos, e o euro (+0,09%, a US$ 1,1525) e a libra esterlina (+0,08%, a US$ 1,3109) também registraram oscilações inexpressivas nesta segunda-feira.


CIAS ABERTAS NO AFTER – SABESP informou que a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) validou a base de ativos regulatórios (BAR) da companhia para os anos de 2023 e 2024…


… O valor consolidado da BAR passou de R$ 78,5 bilhões em dezembro de 2023 para R$ 88 bilhões em dezembro de 2024, segundo os cálculos apresentados.


GPA. O acionista Silvio Tini de Araújo atingiu participação de 27,3 milhões de ações ordinárias, equivalentes a 5,57% do total; segundo dados recentes, ele não detinha participação relevante anterior. 


AMERICANAS, em recuperação judicial, anunciou que aceitou a reapresentação da proposta vinculante da BandUP! para a aquisição da unidade de negócios Uni.Co, que reúne marcas como Imaginarium e Puket.


TELEFÔNICA informou que, em razão das aquisições de suas próprias ações, no âmbito do programa de recompra, foi alterado o valor unitário por ação referente ao JCP declarados em 13 de novembro…


… Anteriormente em R$ 0,0901 líquido por ação, os proventos passarão a ser de R$ 0,0903, com pagamento até 30 de abril de 2026.


EVEN. O conselho de administração aprovou a realização da 17ª emissão de debêntures não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única, no valor de R$ 350 milhões.


ECORODOVIAS. Agência reguladora Artesp reconheceu desequilíbrio econômico-financeiro no contrato de concessão da Ecovias Leste Paulista pelo impacto da pandemia sobre a receita tarifária, entre março/20 e dezembro/22.


ENERGISA. Consumo consolidado de energia elétrica nas áreas de concessão alcançou 3.853 gigawatts-hora (GWh) em outubro, volume estável (-0,1%) em relação ao mesmo período de 2024, segundo prévia operacional.


AUREN ENERGIA. Conselho de Administração aprovou a abertura do segundo programa de recompra de ações da companhia, autorizando a aquisição, pela Auren, de até 450 mil ações ordinárias de sua própria emissão.


AEGEA SANEAMENTO. O conselho de administração aprovou a 25ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em até duas séries, no valor de R$ 1 bilhão.


ALPHABET, controladora do Google, está em negociação com a Meta Platforms e outras empresas para permitir que elas usem os seus chips de IA Tensor, ampliando a concorrência com a Nvidia. (The Information)

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...