quarta-feira, 24 de junho de 2026

CÂNDIDO MENDES: PRÉDIO A VENDA

 


Estudei aí, no prédio de Ipanema. Foi na época um dos bons cursos de Economia no Rio. Acabou pela total incompetência da família em administrar patrimônio. Gente deslumbrada da porra.  E não pagava os direitos a nenhum professor. Estamos na justiça pelos nossos direitos. Claro q neste país em q mandam os "adevogados", nada se resolve. 

Teori Zavascki

 A morte de Teori Zavascki em 19 de janeiro de 2017 ocorreu no momento mais sensível da Operação Lava Jato dentro do STF. Ele era o relator de praticamente todos os processos envolvendo autoridades com foro privilegiado e estava prestes a concluir a homologação das delações da Odebrecht, que continham centenas de depoimentos envolvendo dezenas de políticos de vários partidos.

Em quais casos Teori estava diretamente envolvido quando faleceu?
Os principais eram:
* Homologação das delações de 77 executivos da Odebrecht (“delação do fim do mundo”).
* Inquéritos da Lava Jato contra parlamentares e ministros com foro privilegiado.
* Investigações envolvendo Renan Calheiros, Aécio Neves, Eduardo Cunha, Romero Jucá e diversos outros políticos citados na Lava Jato.
* Inquérito envolvendo Dilma Rousseff, que ele decidiu manter no STF pouco antes de morrer.
Como ele votava no último ano de vida?
Teori ocupava uma posição peculiar. Ele não era visto nem como “lavajatista militante” nem como integrante da ala garantista do STF.
Em linhas gerais:
* Validou grande parte da arquitetura jurídica da Lava Jato.
* Manteve diversas prisões preventivas.
* Homologou acordos de colaboração premiada.
* Confirmou a competência da força-tarefa para investigar desvios na Petrobras.
* Ao mesmo tempo, impôs limites a excessos processuais quando entendia haver violações de garantias constitucionais.
Por isso, muitos observadores o viam como um ministro tecnicamente rigoroso e relativamente previsível.
Quais votos ele efetivamente proferiu em 2016 que marcaram a Lava Jato?
Entre os mais relevantes:
1. Autorização e supervisão das investigações contra autoridades com foro.
2. Homologação de diversas delações premiadas.
3. Manutenção de investigações contra políticos de alto escalão.
4. Decisões relacionadas ao afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara.
5. Decisões sobre competência entre STF e primeira instância da Lava Jato.
Quais votos “não aconteceram” por causa da morte?
Aqui entramos em terreno especulativo.
O que sabemos é que Teori morreu antes de:
* Concluir formalmente a homologação final das delações da Odebrecht. A homologação acabou sendo conduzida por Cármen Lúcia durante o recesso.
* Analisar os pedidos de abertura de dezenas de novos inquéritos decorrentes dessas delações.
* Julgar futuras denúncias que seriam apresentadas pela Procuradoria-Geral da República contra políticos citados pela Odebrecht.
A grande questão histórica
O maior debate não é um voto específico que deixou de ser proferido, mas a mudança institucional que ocorreu depois.
Após sua morte, a relatoria foi redistribuída para Edson Fachin. Muitos analistas entendem que Fachin manteve o impulso investigativo da Lava Jato. Outros observam que, nos anos seguintes, o centro de gravidade do STF mudou gradualmente para posições mais críticas à operação, lideradas por ministros como Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski.
O que não pode ser afirmado com segurança é que Teori teria condenado ou absolvido determinados políticos. Há muitas narrativas sobre “o que ele faria”, mas isso pertence ao campo das hipóteses. O registro histórico mostra apenas que ele era o principal árbitro da Lava Jato no STF, estava conduzindo a homologação das delações da Odebrecht e sua morte alterou profundamente a dinâmica institucional das investigações.

Call Matinal 2406

 Call Matinal

24/06/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL 

FECHAMENTO (2306)

MERCADOS

Na terça-feira (23), o Ibovespa subiu 0,52%, aos 171.258,87 pontos, com giro fraco de novo, de apenas R$ 21,4 bilhões, que espelha o desinteresse dos estrangeiros. No pregão da última sexta-feira, a B3 perdeu R$ 1,7 bi em capital externo. A moeda americana fechou em alta de 0,89%, a R$ 5,1874, enquanto lá fora o índice DXY avançou 0,4%, a 101,408 pontos. O euro caiu 0,42%, para US$ 1,1384, enfraquecido pela queda do PMI composto alemão.

 PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Wall Street operam em alta nesta quarta-feira (24), com os contratos do Nasdaq e do S&P 500 recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior, quando um movimento forte de vendas em ações de tecnologia foi desencadeado por preocupações com avaliações consideradas elevadas.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,17%

S&P 500 Futuro: +0,12%

Nasdaq Futuro: +0,53%

Os futuros de NY operam mistos pela correção do setor de tech. Setor segue sangrando: Micron -13%, Kospi -10%, Nikkei -3,5% ontem. Futuros hoje tentam se recuperar.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), +0,11%

Nikkei (Japão): -0,88%

Hang Seng Index (Hong Kong): +0,33%

Nifty 50 (Índia): +1,02%

ASX 200 (Austrália): +0,24%

Ações asiáticas fecharam mistas, refletindo o mal humor nos EUA. Venda de ações das principais empresas de tech continua.

Europa

 

 

 

STOXX 600: -0,04%

DAX (Alemanha): -0,75%

FTSE 100 (Reino Unido): 0,00%

CAC 40 (França): +0,08%

FTSE MIB (Itália): -0,35%

Bolsas europeias mistas.  

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -1,72%, a US$ 71,95 o barril

Petróleo Brent, -1,84%, a US$ 75,66 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,74%, a 744,00 iuanes (US$ 109,56)

Bitcoin, +0,57%, a US$ 62.633,48

o petróleo é o destaque do dia. O Brent caiu abaixo de US$ 76 pela primeira vez desde 27 de fevereiro, véspera dos ataques de EUA e Israel ao Irã que deram início à guerra. Com o medo de desabastecimento saindo do radar, o mercado respira.

 

NO DIA, 2406

A ata da última reunião do Copom reforçou que o quadro inflacionário piorou desde abril e sinalizou a possibilidade de interromper o ciclo de cortes de juros. O BCB quis desfazer a confusão gerada pelo comunicado da semana passada, que deu a entender que havia mais espaço para cortes do que de fato existe. A Ata endurece o recado: o ciclo de queda da Selic está próximo do fim e pode acabar antes do esperado. No contecioso do Oriente Médio, apesar das divergências públicas, as negociações entre EUA e o Irã avançam e a queda do Brent reduz uma importante fonte de pressão para o BCB. Mas a guerra era apenas um dos fatores de preocupação para a condução dos juros. A dispersão das análises transfere para Galípolo as expectativas de um consenso sobre a política monetária, já que boa parte das dúvidas permanece em aberto. Investidores globais estão mais cautelosos em relação às instituições financeiras brasileiras. Entre os motivos apontados para o posicionamento mais defensivo, citaram a perspectiva de que a Selic permaneça alta por mais tempo, as eleições presidenciais em outubro e os sinais de piora na qualidade de crédito.  

  

Agenda 22 a 26 de junho

Quarta-feira (24):  

EUA: dados de bens duráveis e vendas de casas pendentes de maio

Brasil: reunião no Planejamento para calcular impacto fiscal da ampliação do Simples e do MEI

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Ata não constrói consenso e divide mercado ao meio*


… A ata do Copom não trouxe o que se esperava dela e acabou dividindo os economistas entre pausa e novo corte da Selic, enquanto o mercado aproveitou os sinais de normalização do fluxo de petróleo em Ormuz para apostar no lado dovish do documento. Apesar das divergências públicas, as negociações entre Estados Unidos e o Irã avançam e a queda do Brent reduz uma importante fonte de pressão para o Banco Central. Mas a guerra era apenas um dos fatores de preocupação para a condução dos juros. A dispersão das análises transfere para o RPM e a entrevista de Galípolo amanhã a expectativa de um consenso sobre a política monetária, já que boa parte das dúvidas permanece em aberto.


NÃO RESOLVEU – A ata do Copom não produziu o efeito que se esperava, após a forte reação ao comunicado da semana passada. Em vez de construir um consenso sobre os próximos passos da política monetária, dividiu o mercado ao meio.


… O melhor retrato desse resultado apareceu na pesquisa Projeções Broadcast, com 33 instituições consultadas após a sua divulgação: 16 casas passaram a projetar manutenção da Selic em agosto e 16 continuaram apostando em novo corte de 0,25 ponto. Uma prevê alta do juro.


… Muitos reforçaram a percepção de que a discussão sobre a Selic continua em aberto e deve migrar agora para o Relatório de Política Monetária (RPM) e para a entrevista do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, amanhã, quinta-feira.


… Na B3, a tendência do dia foi reforçar a leitura mais favorável aos cortes, com 63% das opções digitais apontando para a probabilidade implícita de redução de 0,25 ponto porcentual em agosto, contra 35% para manutenção.


… Parte relevante do mercado entende que a interpretação mais dovish da ata só ganhou força porque o principal choque de oferta que preocupava investidores na semana passada começou a perder intensidade.


… Com o Brent abaixo de US$ 80 e sinais de normalização em Ormuz, o mercado encontrou argumentos para voltar a discutir cortes adicionais.


… A ata trouxe diversos elementos considerados mais duros que o comunicado, incluindo a caracterização de uma assimetria altista no balanço de riscos, o reconhecimento de nova deterioração das expectativas de inflação e a avaliação de que a atividade segue resiliente.


… Ainda assim, argumentou que trajetórias alternativas para a Selic capazes de levar a inflação para a meta no horizonte relevante exigiriam movimentos abruptos e de grande magnitude nos juros, produzindo volatilidade excessiva nos preços dos ativos e na economia.


… Deixou clara, dessa forma, sua preferência por trajetórias mais graduais, que permitiriam uma convergência mais lenta da inflação ao centro da meta. E foi justamente esse trecho que gerou as interpretações mais divergentes.


… Para algumas instituições, a mensagem central da ata foi a de que o Banco Central está preparando uma interrupção do ciclo.


… O Citi afirmou que o documento aumentou a probabilidade de não haver novos cortes. O Itaú avaliou que o espaço para flexibilização está se esgotando rapidamente. E o BofA entendeu que a autoridade monetária reforçou uma estratégia de juros elevados por mais tempo.


… A XP afirmou que o plano de voo sugerido pela ata parece incluir uma pausa já na reunião de agosto e também o Daycoval interpretou que o principal recado do documento foi justamente o aumento da probabilidade de interrupção do ciclo.


… Mas houve outra leitura do mesmo texto.


… Instituições como Banco Pine, Warren, Ativa e parte relevante dos analistas entenderam que a ata preservou espaço para novas reduções dos juros ao introduzir a ideia de que o processo de calibração pode incluir momentos alternados de pausa e cortes.


… Nessa interpretação, o Banco Central não abandonou o ciclo de flexibilização, mas apenas passou a defender uma estratégia mais flexível.


… Goldman Sachs e BofA descreveram um possível modelo de afrouxamento “stop and go”, no qual o Copom buscaria reduzir a volatilidade da economia sem abandonar completamente o processo de convergência da inflação.


… Diversas instituições questionaram a própria lógica apresentada pelo Banco Central para justificar a decisão de junho.


… Porto Asset, Daycoval, Terra Investimentos e PicPay argumentaram que a ata dedicou vários parágrafos a explicar a chamada “rolagem” do horizonte relevante da política monetária, mas não conseguiu responder de forma satisfatória à principal dúvida do mercado.


… Por que reduzir os juros justamente quando o diagnóstico para inflação, atividade econômica e expectativas se tornou mais adverso?


… O economista Felipe Sichel, da Porto Asset, resumiu essa percepção ao afirmar que a ata tentou explicar a decisão, mas acabou transferindo boa parte das respostas para o Relatório de Política Monetária. O Daycoval classificou a argumentação do BC como frágil.


… Para a Terra, o Copom estaria mais preocupado em suavizar a trajetória da Selic do que em perseguir a convergência da inflação. Já a BGC Liquidez avaliou que o BC demonstrou maior desconforto com a volatilidade dos juros do que com o próprio descumprimento da meta.


… O debate sobre credibilidade também apareceu de forma recorrente nas análises. Diversas casas destacaram que o BC passou a defender uma trajetória que privilegia menor volatilidade da Selic, ainda que isso implique uma convergência mais lenta da inflação.


… Para alguns analistas, trata-se de uma estratégia legítima e utilizada por outros bancos centrais. Para outros, no entanto, abre espaço para questionamentos sobre o grau de comprometimento da autoridade monetária com a meta de inflação.


… Em vez de promover movimentos bruscos para trazer a inflação à meta ainda em 2027, o BC optaria por uma trajetória mais suave, com menor volatilidade para a atividade e os mercados, ainda que isso empurre a convergência para o primeiro trimestre de 2028.


… Nada disso, porém, significa que a discussão esteja encerrada. Pelo contrário. O grande consenso produzido pela ata do Copom, talvez a mais esperada da gestão Galípolo até aqui, tenha sido justamente a ausência de consenso.


… A dispersão das projeções e a expectativa concentrada no RPM e na coletiva de amanhã mostram que o mercado continua tentando entender qual é exatamente a função de reação do BC e até onde o Copom está disposto a ir nesse atual ciclo de calibração dos juros.


DIVERGÊNCIAS NÃO IMPEDEM ACORDO – A distensão no Oriente Médio derrubou o assunto das manchetes, com o mercado apostando que o acordo entre Estados Unidos e Irã continuará avançando, mesmo diante das divergências públicas entre os dois países.


… A percepção de que o entendimento firmado na Suíça permanece vivo ajudou a derrubar novamente o petróleo, com o Brent fechando abaixo de US$ 77 por barril e se aproximando dos níveis observados antes da guerra.


… Donald Trump reiterou diversas vezes ao longo do dia que as negociações estão evoluindo bem, afirmou que o Irã concordou em não desenvolver armas nucleares e voltou a defender que o tráfego no Estreito de Ormuz está operando normalmente.


… Disse também que Teerã aceitou inspeções nucleares de alto nível e que os recursos iranianos desbloqueados pelos Estados Unidos ficarão restritos à compra de alimentos e medicamentos. Teerã, porém, apresentou versão diferente para praticamente todos esses pontos.


… Negou ter autorizado novas inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), rejeitou qualquer limitação ao uso dos recursos liberados e afirmou que declarações fora do texto negociado não contribuem para o avanço das tratativas.


… Apesar das diferenças, os sinais concretos continuam apontando para uma redução dos riscos de oferta de petróleo.


… Os Estados Unidos flexibilizaram restrições relacionadas ao petróleo iraniano, grupos técnicos seguem trabalhando nos detalhes do entendimento alcançado na Suíça e Omã e Irã iniciaram discussões sobre a futura administração do Estreito de Ormuz.


… O fluxo marítimo também continua melhorando. Dados da Kpler mostram que navios seguem atravessando Ormuz. Segundo a consultoria, 131 embarcações cruzaram a região entre sexta-feira e segunda-feira. Antes da guerra, o fluxo variava entre 100 e 130 navios por dia.


… A principal rota de navegação continua parcialmente comprometida e trabalhos de desminagem ainda precisam ser concluídos, mas a continuidade da travessia reforça a percepção de que o cenário mais extremo para o mercado de energia foi afastado.


… Se houve uma novidade relevante no noticiário do Oriente Médio, ela veio de Israel.


… Netanyahu afirmou que o país precisa reduzir sua dependência militar dos Estados Unidos e ampliar sua autonomia em armamentos. Já o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, voltou a rejeitar qualquer cessar-fogo com o Líbano e afirmou que Israel pode desafiar Trump.


… As declarações chamaram atenção porque o futuro do Líbano continua sendo apontado como uma das principais pendências das negociações.


… Também nos Estados Unidos surgiram sinais de desgaste político. Em uma votação simbólica, o Senado aprovou uma resolução relacionada aos poderes de guerra, em rara reprimenda à condução do conflito pelo presidente Donald Trump.


… Embora a medida tenha efeito prático limitado, mostra que a guerra e seus custos já geram questionamentos no sistema político americano.


… No fim do dia, porém, prevaleceu a percepção de que os obstáculos atuais estão mais ligados à implementação do acordo do que ao risco de rompimento das negociações. Foi essa leitura que permitiu nova queda do petróleo e reforçou a aposta em normalização gradual da oferta.


FGC FAZ AS CONTAS – O Fundo Garantidor de Créditos iniciou estudos para avaliar se um eventual resgate do Digimais teria custo menor do que uma liquidação da instituição. Consultores independentes analisam a viabilidade econômica de um empréstimo que viabilize a venda.


… O modelo seria semelhante ao utilizado no resgate do Panamericano, em 2010.


… A discussão ganhou força após a operação da PF que determinou a busca e apreensão de até R$ 670 milhões do bispo Edir Macedo, controlador do banco. Na véspera, a Fitch havia rebaixado as notas do Digimais e retirado as classificações, mencionando a possibilidade de default.


… O processo também ocorre em meio às dúvidas sobre a aquisição do Digimais pelo BTG Pactual, que pode desistir da operação caso as condições precedentes previstas no contrato não sejam cumpridas – embora tenha assinado um acordo de intenção de compra em abril.


… A análise do FGC segue as novas regras aprovadas pelo CMN em janeiro, que ampliaram os instrumentos disponíveis para lidar com instituições em dificuldades e permitem que o fundo participe de operações de mudança de controle para evitar a quebra de bancos viáveis.


… No centro da discussão está uma conta simples: o custo de um eventual suporte financeiro pode ser inferior ao desembolso necessário para honrar as garantias dos depositantes em caso de liquidação.


… Ao fim de 2025, o Digimais possuía R$ 9,2 bilhões em depósitos a prazo, dos quais R$ 8,6 bilhões estavam concentrados em CDBs distribuídos por plataformas como XP, BTG, Nubank, Inter, Ágora e Itaú Corretora. Os números ajudam a explicar a preocupação.


… Apesar de ter encerrado 2025 com lucro de R$ 31 milhões, o Digimais apresentava retorno sobre patrimônio de apenas 4,2% e inadimplência acima de 12%. Um aporte de R$ 250 milhões realizado por Edir Macedo só recebeu aprovação do BC em março deste ano.


… Paralelamente, a instituição mantém uma carteira de aproximadamente R$ 570 milhões em fundos voltados ao financiamento de projetos imobiliários em SP e no Rio, com participação em empreendimentos residenciais por meio de sociedades de propósito específico (SPEs).


… Por enquanto, o FGC ainda não tomou nenhuma decisão. Mas a abertura dos estudos mostra que o mercado já começou a discutir qual alternativa gera menos perdas: financiar uma solução de mercado para o Digimais ou lidar com os custos de uma eventual liquidação.


CURTAS DA POLÍTICA – Cresce entre governistas a avaliação de que Jaques Wagner deveria se afastar da liderança após ter sido alvo de busca e apreensão da PF na investigação envolvendo o Banco Master. Há expectativa de uma conversa entre Wagner e Lula nesta quarta-feira.


PESQUISAS. Nova rodada de levantamentos eleitorais, com o Instituto Gerp esta quarta-feira, o Jota amanhã, quinta-feira, e PoderData na sexta. Ontem, Indexa mostrou Lula com 42% no primeiro turno e 47% em simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (40%).


TRUMP DE OLHO NO BRASIL. Presidente americano repostou em sua rede social um artigo que classifica as eleições brasileiras como o próximo “grande teste de sua influência política na América Latina”.


… O texto cita a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula, afirmando que uma vitória da direita alteraria significativamente o mapa político da região.


INDÚSTRIA CAUTELOSA. A possibilidade de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros já começa a afetar as expectativas da indústria.


… Segundo a CNI, o indicador de exportações caiu abaixo da linha de 50 pontos, passando a sinalizar expectativa de redução das vendas externas nos próximos seis meses, diante da relevância dos Estados Unidos como principal destino das exportações industriais brasileiras.


AGENDA FRACA – Sem indicadores domésticos relevantes, o mercado deve atravessar a quarta-feira ainda absorvendo a ata do Copom e acompanhando os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã, que continuam influenciando os preços do petróleo.


… No Brasil, saem a confiança do consumidor da FGV (8h), os dados da Rais apresentados pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho (11h), e o fluxo cambial semanal do Banco Central (14h30).


… Nos Estados Unidos, os destaques ficam com os dados de vendas de moradias novas de maio (11h) e os estoques semanais de petróleo divulgados pelo Departamento de Energia (11h30), acompanhados de perto após a forte queda recente das cotações da commodity.


… À tarde (17h), o Fed divulga os resultados dos testes de estresse dos grandes bancos americanos.


… Na Europa, o principal indicador do dia será o índice IFO de confiança das empresas da Alemanha (5h), além de participações de dirigentes do Banco da Inglaterra (BoE) e do Banco Central Europeu (BCE) em eventos ao longo do dia.


AFTER HOURS – As ações da Alphabet, dona do Google, subiram 0,54% com anúncio de que substituirá a Verizon no Dow Jones a partir de segunda, juntando-se a outras gigantes de tecnologia (Nvidia, Amazon, Apple e Microsoft).


… Fedex afundou 6,48% no after market, após reportar queda no lucro, a US$ 1,6 bilhão no quarto trimestre fiscal de 2026, ou US$ 6,60 por ação diluída, contra o resultado de US$ 1,65 bilhão, ou US$ 6,88 por ação, um ano antes.


… Os resultados vêm após a Fedex separar sua divisão de frete em uma empresa independente, de capital aberto.


… A SpaceX captou US$ 25 bilhões em sua oferta inaugural previamente anunciada de títulos. A proposta inicial era de US$ 20 bilhões, mas foi elevada após a demanda ter atingido quase US$ 90 bilhões, segundo fontes da BBG.


ATA NÃO DESATA – Como se viu, longe de desfazer a confusão armada pelo comunicado do Copom, a ata manteve os ruídos, rachou o mercado financeiro (entre pausa e corte da Selic) e manteve fértil o terreno das especulações.


… O fato de o BC ter deixado no ar que pode dar mais uma dose de queda, se o ambiente permitir, animou a curva a apostar que vem mais queda, ainda mais com tudo indicando que o desfecho da guerra contra o Irã se aproxima.


… De ponta a ponta, os juros futuros devolveram prêmio. Os vencimentos de mais longo prazo seguiram o alívio do petróleo e das taxas dos Treasuries, que caíram apesar da aposta em aumento dos juros pelo Fed em setembro.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 caiu a 14,185% (de 14,217% no ajuste anterior); Jan/28 recuou a 14,530% (contra 14,699%); Jan/29, a 14,630% (14,773%); Jan/31, a 14,580% (14,714%); e Jan/33, 14,510% (14,629%).


… Mais um dia de petróleo abaixo de US$ 80 ajudou a desarmar a pressão na curva dos juros futuros, enquanto o tráfego no Estreito de Ormuz alcança o maior volume desde o início do conflito militar, no final de fevereiro.


… Diante da normalização do fluxo, o contrato do Brent para agosto caiu 1,05%, cotado a US$ 77,08 por barril.


… O efeito desinflacionário da commodity prevaleceu sobre as taxas dos Treasuries, que caíram, mas circulam avaliações de que o espaço de queda dos yields é limitado pelo recado hawkish transmitido recentemente pelo Fed.


… Diante de uma política monetária mais agressiva no curto prazo, os rendimentos dos títulos de 10 anos devem se manter na faixa de 4,25% a 4,66%, calcula o TD Securities. Ontem, caíram para 4,495%, contra 4,507% na véspera.


… À espera do PCE de maio, amanhã, o mercado monitorou a alta inesperada do PMI composto dos Estados Unidos de 51,5 em maio para 52,2 em junho, o maior nível em cinco meses, contrariando o consenso de queda para 51,4.


… O indicador mais forte que o esperado ajuda a compor o ambiente de apostas de alta do juro em setembro. O mercado precifica chance de 70% de aperto monetário daqui a menos de três meses, segundo a ferramenta do CME.


O FALCÃO IMPROVÁVEL – Quem diria que justamente nos meses de estreia de mandato, Kevin Warsh prepararia o espírito do mercado para uma política mais restritiva? A surpresa muda a cena para o dólar e, por tabela, para o real.


… Em entrevista ao Broadcast, o diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, afirmou que o melhor momento da moeda brasileira este ano já ficou para trás, mas que a divisa ainda continua bem posicionada.


… O economista projeta taxa de câmbio praticamente estável no restante do ano e diz que, se o próximo governo endereçar minimamente a questão fiscal, é possível que o Brasil seja premiado com elevação de rating em 2027.


… Interrompendo dois dias de alívio, o dólar voltou a subir ontem, à faixa de R$ 5,18, em sincronia com a alta externa, que está diretamente associada à perspectiva de que o Fed não vai ficar atrás da curva da inflação.


… Aqui, a moeda americana fechou em alta de 0,89%, a R$ 5,1874, enquanto lá fora o índice DXY avançou 0,4%, a 101,408 pontos. O euro caiu 0,42%, para US$ 1,1384, enfraquecido pela queda do PMI composto alemão.


… O indicador caiu ao pior nível em 18 meses. A libra recuou 0,40%, a US$ 1,3200, e o iene subiu a 161,55 por dólar.


… Em Wall Street, a onda de liquidação das ações de tecnologia persistiu e cobrou o seu preço do Nasdaq (-2,21%, a 25.587,04 pontos) e S&P 500 (-1,44%, a 7.365,46 pontos). O Dow Jones fechou estável (-0,09%, a 51.666,84 pontos).


… Pelo menos três justificativas diferentes tentam explicar as fortes vendas das techs: preocupação de gastos com inteligência artificial, reposicionamento de final de trimestre e impacto da expectativa de alta nos juros pelo Fed.


… Imune à aversão a risco vista lá fora, o Ibovespa foi puxado pela Petrobras e os bancos, apesar da queda expressiva de 1,89% da Vale, para R$ 79,38, em meio à disputa com a Previ pela presidência do conselho de administração.


… O índice à vista subiu 0,52%, aos 171.258,87 pontos, com giro fraco de novo, de apenas R$ 21,4 bilhões, que espelha o desinteresse dos estrangeiros. No pregão da última sexta-feira, a B3 perdeu R$ 1,7 bi em capital externo.


… Contrariando o petróleo, as ações da Petrobras avançaram ontem: ON, +0,78%, a R$ 43,98; e PN, +0,41%, a R$ 39,33). Os principais bancos também subiram, exceção feita à unit do Santander (-0,74%; R$ 26,75).


… BB avançou 1,43% (R$ 19,86); Bradesco PN, +0,90% (R$ 17,84); e Itaú PN, +0,27% (R$ 41,05).


… Relatório do BofA apontou, porém, que a percepção após reuniões em Nova York e Boston é de que os investidores globais estão mais cautelosos em relação às instituições financeiras brasileiras.


… Entre os motivos apontados para o posicionamento mais defensivo, citaram a perspectiva de que a Selic permaneça alta por mais tempo, as eleições presidenciais em outubro e os sinais de piora na qualidade de crédito.  


CIAS ABERTAS NO AFTER – A presidente da PETROBRAS, Magda Chambriard, afirmou que a produção de petróleo da companhia cresceu 10% entre janeiro e maio.


BRADESCO. Conselho aprovou distribuição de R$ 3,5 bilhões em JCP, equivalentes a R$ 0,315359035 por ação ON e R$ 0,346894939 por PN; pagamento será em 29/07 e ações ficam ex em 06/07.


TIM BRASIL. Conselho aprovou distribuição de R$ 65 milhões em JCP. Separadamente, elegeu Luciene Rodrigues Abrão Pandolfo para o cargo de diretora.


HYPERA. Conselho aprovou distribuição de R$ 185,1 milhões em JCP, ou R$ 0,263 por ação; pagamento será feito até o final de 2027, com base na posição de 26/06.


PANVEL. Conselho aprovou distribuição de R$ 18 milhões em JCP, equivalentes ao valor líquido total de R$ 0,09946413946 por ação; pagamento será em 4 parcelas, com a primeira em 31/03/2027.


ALLOS esclareceu que a expectativa de receita de R$ 700 milhões citada em reportagens corresponde ao valor bruto consolidado dos projetos imobiliários e não representa nova projeção da companhia…


… A manifestação foi enviada à CVM, que questionou informações publicadas sobre projetos imobiliários multiuso desenvolvidos pela empresa no entorno de seus shoppings…


… Segundo a companhia, o montante divulgado corresponde à receita bruta consolidada dos projetos, considerando 100% dos ativos envolvidos, incluindo as participações de outros sócios…


… A parcela efetivamente atribuível à Allos é de R$ 539 milhões, montante já divulgado ao mercado em março…


… Ainda no noticiário, a empresa aprovou aditamentos em protocolos de reorganização envolvendo brMalls e Tissiano, sem impacto econômico-financeiro.


CYRELA. Fundos sob gestão da SPX atingiram participação de 5% das ações preferenciais da companhia.


COPEL. A Aneel aprovou revisão tarifária da Copel Distribuição, com alta média de 20,51% para os consumidores.


AZEVEDO & TRAVASSOS acertou a aquisição da Engie Soluções de Iluminação Pública (Esip), que detém concessões de iluminação pública em Uberlândia, Petrolina e Curitiba. A operação está sujeita às aprovações necessárias.


SANEPAR. A Agepar determinou que o valor líquido de precatório recebido pela companhia seja integralmente revertido aos consumidores por meio de descontos tarifários e investimentos…


… A empresa informou que poderá contestar a decisão.


COPASA. A Moody’s reafirmou o rating AAA.br da companhia, com perspectiva estável.


IRB RE. Justiça do Reino Unido aprovou a transferência do portfólio em run-off da sucursal de Londres para a Community Re.


TRACK&FIELD. Conselho aprovou distribuição de R$ 12,9 milhões em JCP, equivalentes a cerca de R$ 0,0085 por ação; ações ficam ex em 29/06.


RANDONCORP. O Goldman Sachs passou a deter posição em derivativos equivalente a 5,13% do total de ações.


FICTOR. O plano de recuperação judicial prevê desconto de até 95% para credores quirografários caso a companhia não obtenha financiamento DIP de até R$ 150 milhões em até 18 meses.

Bankinter Matinal Portugal

Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque -1,4% EUA tech -3,3% EUA Semis -7,9% UE -1,3% Espanha -0,3% VIX 19,5% Bund 2,92%. T-Note 4,50%. Spread 2A-10A USA=+29pb B10A: ESP 3,39% PT 3,29% ITA 3,63% FRA 3,64% Euribor 12m 2,81% USD 1,1366 JPY 183,6/€. Ouro 4.073$. Brent 76,4$. WTI 72,6$. Bitcoin +0,7% (62.800$). Ether +0,6% (1.671$).

 

:: SESSÃO. Hoje a sessão vem com subidas nos principais mercados, após a forte realização de lucros de ontem. Os mercados asiáticos estão a fechar em positivo (com a exceção do Nikkei) e destaque para a bolsa da Coreia (+3,7%), onde os seus dois principais valores, Samsung e SK Hynix, sobem +8,5% e +2,0%, respetivamente.

 

As correções ontem foram especialmente relevantes pelo lado da tecnologia (-3,2%), com a emissão de obrigações de SpaceX como principal fator desencadeante do sell-off, embora também fruto das fortes subidas acumuladas nos últimos meses. Tampouco ajudou o mercado a atitude que vimos da Fed na semana passada, onde as mensagens de Warsh abrem a possibilidade de um endurecimento das taxas de juros no futuro, apesar da recente evolução do preço do petróleo (76,3 $, aproximando-se já aos níveis pré-guerra); deverá enfraquecer a pressão sobre os preços.


Na frente macro, a única referência relevante será o IFO alemão (junho). Espera-se que a Confiança Empresarial melhore, e que a componente Expetativa o faça particularmente, tal como aconteceu com o ZEW. É razoável que os consumidores sejam mais positivos com o futuro após a assinatura do MoU entre o Irão e os EUA e a moderação do preço do petróleo bruto. O mais relevante da semana será conhecido amanhã, com a publicação da segunda revisão do PIB americano (espera-se que confirme +1,6%), o Deflator do Consumo (PCE), onde se espera um aumento até +4,1% a/a desde +3,8%, mas que não deverá surpreender o mercado após o IPC de maio (+4,2%) e os Pedidos de Bens Duráveis (-5,0% m/m, embora excluindo Transporte +0,6% m/m).

 

O mais destacado será hoje, na frente corporativa, com resultados de Micron (semicondutores) e onde se esperam muito sólidos (EPS: 20,49 $; +973%). Os números serão conhecidos após o fecho de Nova Iorque e, portanto, serão avaliados já na sessão de amanhã. O mercado, tal como acontece em outras empresas do setor, será muito exigente com os resultados e guias, principalmente tendo em conta que o valor acumula subidas de +268% no ano.

 

:: CONCLUSÃO. Hoje a sessão será lateral, sem grandes referências macro capazes de influenciar o mercado e com a atenção nos indicadores de amanhã; e, principalmente, nos resultados de Micron após o fecho. Acreditamos que a correção de ontem é saudável e permite algum alívio às avaliações. De facto, preferimos ver um pouco de realização de lucros antes do verão que colocariam o mercado em níveis mais atrativos. Interpretamos quedas bruscas como a de ontem como oportunidades e não como um sinal de que algo mais profundo ou grave possa estar a acontecer.


FIM. 

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