domingo, 31 de maio de 2026

Destino da Toky

 https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/05/29/com-pedido-de-recuperao-judicial-grupo-toky-v-prejuzo-saltar-no-1-trimestre.ghtml


🔹 *GRUPO TOKY AMPLIA PREJUÍZO NO 1º TRIMESTRE E AUDITORIA APONTA INCERTEZA SOBRE CONTINUIDADE OPERACIONAL*


O *Grupo Toky*, controlador das marcas *Tok&Stok* e *Mobly*, registrou prejuízo líquido consolidado de *R$ 75,5 milhões* no primeiro trimestre de 2026, uma piora de *71,9%* em relação ao mesmo período do ano passado.


O prejuízo atribuível aos acionistas da controladora somou *R$ 56,8 milhões*, representando um aumento de *75%* nas perdas na comparação anual.


Há duas semanas, a companhia entrou com pedido de *recuperação judicial*, envolvendo dívidas de aproximadamente *R$ 1,1 bilhão*.


A receita líquida totalizou *R$ 309,4 milhões* entre janeiro e março, queda de *18,9%* na comparação com o primeiro trimestre de 2025. O *GMV (volume bruto de mercadorias)* recuou *15,7%*, para *R$ 418,6 milhões*.


Segundo a empresa, problemas de abastecimento e restrições temporárias de estoque reduziram a disponibilidade de produtos para venda, afetando diretamente a geração de caixa e a liquidez no curto prazo.


A administração também citou a *retração do consumo*, influenciada pelos *juros elevados* e pelo *alto endividamento das famílias*, como fatores que pressionaram os resultados.


O *Ebitda* caiu *73,2%* no período, para *R$ 14,2 milhões*, enquanto as despesas financeiras aumentaram para *R$ 50,2 milhões*, impactadas principalmente pelo endividamento assumido na aquisição da Tok&Stok e por operações de antecipação de recebíveis.


Outro ponto que chamou atenção foi o relatório da auditoria *Grant Thornton*, que apontou *incerteza relevante sobre a continuidade operacional da companhia*.


Segundo os auditores, o elevado nível de prejuízos, combinado com a situação financeira da empresa e o estágio inicial da recuperação judicial, impede uma avaliação conclusiva sobre os impactos do processo e sobre a capacidade futura de continuidade das operações.


📌 O resultado reforça os desafios enfrentados pelo Grupo Toky em meio ao processo de recuperação judicial. Além da queda nas vendas e do aumento das despesas financeiras, o alerta da auditoria sobre a continuidade operacional tende a permanecer como um dos principais pontos de atenção para investidores e credores.

Fundos imobiliários

 *Os bastidores do tombo de quase 60% de um dos principais fundos imobiliários da bolsa*

 Resumir

Guilherme Guilherme28/05/26 07:56


A crise do FII Cartesia, conhecido pelo dividend yield elevado, expõe calote no CRI Helvetia, obras paradas e negociações frustradas com investidor institucional, derrubando o fundo e deixando milhares de cotistas sem dividendo


Uma crise sem precedentes em um dos principais fundos de papel da bolsa de valores vem chacoalhado o mercado imobiliário.


Presente no IFIX e conhecido pelo dividend yield elevado — que chegou a cerca de 40% nos últimos 12 meses —, o Cartesia Recebíveis Imobiliários FII (CACR11) acumula desvalorização próxima de 60% desde o fim de abril, quando anunciou a suspensão dos dividendos.


A perda em valor de mercado foi de R$ 230 milhões, absorvida pelos mais de 26,5 mil investidores que tinham cotas do fundo no início de maio. A justificativa da gestora Cartesia Capital para interromper a distribuição aos cotistas foi a “frustração prolongada das entradas de caixa” em projetos da carteira.


A inadimplência mais relevante apontada pela gestora envolve o CRI Helvetia, operação com saldo devedor de R$ 58,9 milhões. O CRI, que tem a Helvetia 5 Administradora de Imóveis como devedora, é ligado ao Helvetia Le Jardin, empreendimento horizontal de alto padrão em Indaiatuba, no interior de São Paulo.


O CRI entrou em default oficialmente nesta semana, após a Helvetia 5 não realizar o pagamento das notas comerciais previsto para 22 de maio de 2026. Mas os problemas envolvendo a operação são antigos, com uma sequência de waivers para evitar a declaração de vencimento antecipado da dívida desde julho de 2023.


Documentos obtidos pelo NeoFeed confirmam esse histórico. Os primeiros descumprimentos envolviam a falta de demonstrações financeiras auditadas da Helvetia 5.


Depois, o problema se ampliou para o descumprimento da curva de vendas e para o fluxo de caixa da operação: em outubro de 2023, R$ 1 milhão foi transferido do fundo de obras para o fundo de reserva para pagar juros dos CRIs, “haja vista a inexistência de fluxo de recebimentos”, diz o documento.


Nos anos seguintes, as pendências documentais da operação se acumularam. No relatório anual de 2025, a Oliveira Trust, agente fiduciário dos CRIs Helvetia, informou que desde 2023 não havia recebido os comprovantes de destinação dos recursos previstos na operação.


Pelos documentos do CRI, a Helvetia 5 deveria comprovar semestralmente a aplicação dos recursos, com relatório de destinação, relatório de medição, relatório de obras e cronograma físico-financeiro.


Ainda de acordo com o agente fiduciário, também não haviam sido entregues as demonstrações financeiras auditadas da Helvetia 5 referentes aos períodos de 2022 a 2025 nem o balanço patrimonial das fiduciantes T.A.R.E.F. e Vila Nova Conceição.


De acordo com fontes próximas à operação ouvidas pelo NeoFeed, as obras do empreendimento Helvetia Le Jardin foram interrompidas em setembro do ano passado devido à falta de pagamentos à SteelCorp, construtora contratada para a execução do projeto. Segundo a fonte, a falta de pagamentos teria começado entre junho e agosto do ano passado.


O projeto completo envolvia a construção de 48 casas, mas apenas 12 foram construídas, e uma das frentes do projeto, o Bougainville, ainda estava em fase de aprovação de projetos na Prefeitura de Indaiatuba, segundo documentos de acompanhamento mensal dos CRIs.


Os documentos da operação mostram que o CRI tinha pagamentos mensais de juros e amortização indicativa de 0,5% ao mês do saldo devedor, além de mecanismo de cash sweep mínimo de R$ 500 mil caso o fundo de obras superasse 105% do saldo de obras a incorrer.


Em março de 2026, o relatório de acompanhamento do CRI registrava recebimento de R$ 886,9 mil da devedora e pagamento do mesmo valor aos titulares do papel, sendo R$ 581,5 mil em juros e R$ 305,4 mil em amortização de principal. O saldo devedor atualizado, porém, ainda somava R$ 61,6 milhões, e o fundo de reserva aparecia zerado, abaixo do mínimo exigido de R$ 1,744 milhão.


Embora a operação já apresentasse sinais de estresse havia anos, a gravidade do problema só ficou explícita para os cotistas do CACR11 no fim de abril, quando a Cartesia suspendeu a distribuição de dividendos.


Até então, a gestora vinha tratando o Helvetia nos relatórios gerenciais como uma operação em acompanhamento, ancorada na expectativa de venda massificada das unidades do Helvetia Le Jardin a um investidor institucional.


Nos relatórios de 2025 e do início de 2026, a venda ao investidor institucional ainda aparecia como uma solução em negociação — primeiro com expectativa de conclusão no quarto trimestre de 2025, depois no primeiro trimestre de 2026 e, por fim, no segundo trimestre.


Foi apenas no relatório de abril que a gestora afirmou que a estratégia de venda dos imóveis “não se concretizou” e vinculou a suspensão dos proventos à “frustração prolongada das entradas de caixa” em projetos da carteira.


*As negociações*


A Cartesia nunca nomeou o investidor institucional por trás da potencial compra dos imóveis. Mas fontes consultadas pelo NeoFeed e documentos obtidos pela reportagem apontam o Nest Eagle FII, gerido pela Nest Asset, como o investidor institucional por trás das negociações.


O Nest Eagle é destinado à compra de imóveis de luxo para renda e entrou na mira de tribunais de contas e do Ministério Público no ano passado após receber investimentos de regimes próprios de previdência social (RPPS). Seus maiores aportes vieram do RioPrevidência, do estado do Rio de Janeiro, e dos RPPS de São Roque e Cajamar.


A mesma apuração revelou que, em fevereiro de 2025, cotistas do Nest Eagle aprovaram em assembleia a aquisição de imóveis com potenciais conflitos de interesse.


Entre esses imóveis estava a autorização para comprar até 20 casas no empreendimento Jardin D’L’Helvetia, o mesmo ligado ao CRI Helvetia e que tinha a SteelCorp, ligada a um ex-sócio da Nest Asset, como construtora contratada.


A compra dos imóveis, porém, estava condicionada a fatores que não se concretizaram — entre eles, um nível de captação considerado satisfatório.


O início das negociações para a venda massificada dos imóveis foi informado pelo CACR11, que já detinha dívida atrelada ao projeto, no relatório gerencial de julho de 2025.


O Nest Eagle já havia levantado R$ 157,8 milhões em sua primeira oferta — quase toda destinada a RPPS — e estava com uma segunda oferta em andamento quando a Cartesia passou a citar a negociação do Helvetia Le Jardin com um investidor institucional. O plano, desta vez, era captar até R$ 360,2 milhões para o Nest Eagle.


Naquele mesmo mês de julho, porém, os investimentos feitos por RPPS ainda na primeira oferta do fundo passaram a ser questionados pelo Ministério Público de Contas de São Paulo, com o primeiro caso envolvendo o RPPS de São Roque. Em setembro, o RPPS de Cajamar, que já havia investido R$ 25 milhões na segunda oferta do Nest Eagle, também passou a ser questionado pelo MPC-SP.


A segunda oferta do Nest Eagle foi encerrada em 8 de outubro, com captação de apenas R$ 28,9 milhões, ante os R$ 360,2 milhões inicialmente previstos.


Mesmo após a baixa captação da segunda oferta ser confirmada pelo Nest Eagle, a Cartesia reafirmou, no relatório gerencial de outubro, que o incorporador estava “em negociação direta com um investidor institucional para venda massificada das unidades em estoque do empreendimento” e que esperava concluir as tratativas ainda no quarto trimestre.


“Por tal razão, a velocidade das obras foi reduzida com foco na área de lazer e infraestrutura, uma vez que tal venda exigiria algumas customizações a cargo do adquirente”, afirmou a gestora. Mas, segundo uma fonte próxima à operação, a SteelCorp já teria deixado a obra.


O relatório também apontava que “as vendas do empreendimento foram interrompidas ao atingir 23%, em decisão estratégica que considerou aguardar a conclusão da Fase 1 para venda de unidades prontas, com maior valor de mercado”.


Já sob questionamentos de órgãos de controle, em novembro, o Nest Eagle submeteu à ratificação dos cotistas a compra com potenciais conflitos de interesse de até 20 imóveis no Helvetia Le Jardin — aprovada em fevereiro. Desta vez, porém, 64,18% das cotas votaram contra a operação.


Mesmo assim, nos relatórios seguintes, a Cartesia continuou tratando a venda ao investidor institucional como uma negociação em andamento. Em novembro e dezembro, a expectativa de conclusão das tratativas foi adiada para o primeiro trimestre de 2026. Em fevereiro, o prazo passou para o segundo trimestre.


A virada veio no relatório de abril, quando, ao explicar a suspensão dos dividendos, a gestora citou a “inércia das partes societárias envolvidas no CRI Helvetia” para resolver o rumo do empreendimento, “originalmente concebido para aquisição dos imóveis por fundo de investimento focado em locação de imóveis de alto padrão”.


O relatório que confirmou o fim das negociações foi divulgado somente após a rescisão do contrato de consultoria imobiliária entre o Nest Eagle e a Viracondo Holding e Investimentos, em 14 de abril de 2026.


Documentos do próprio CRI Helvetia também aproximam a Viracondo e a Nest da estrutura da operação.


Nos contratos, as notificações destinadas à Helvetia 5 Administradora de Imóveis, devedora do CRI, deveriam ser enviadas para arthur@viracondo.com.br, com cópia para imobiliario@nestam.com.br, e-mails de domínio da Viracondo e da Nest Asset, respectivamente. O responsável pelo recebimento das notificações, segundo os documentos, era Arthur Gaz, COO da Viracondo.


O mesmo endereço e o mesmo contato da Viracondo aparecem nas notificações destinadas à T.A.R.E.F. e à Vila Nova Conceição, sócias da Helvetia 5 e fiduciantes das quotas dadas em garantia no CRI.


*A oferta da SteelCorp*


Embora a Cartesia tenha informado o fim das negociações para a venda massificada ao investidor institucional apenas no relatório de abril, fontes próximas à operação afirmam que as tratativas já haviam sido encerradas no fim do ano passado.


Sem a saída institucional esperada, a própria SteelCorp passou a negociar uma potencial compra do empreendimento para tentar reduzir o prejuízo com a operação. Uma das condicionantes, porém, envolvia a compra com desconto dos CRIs detidos pela Cartesia.


As negociações, segundo fontes disseram ao NeoFeed, duraram cerca de dois meses e foram encerradas há aproximadamente 40 dias, após falta de acordo entre a SteelCorp e a Cartesia sobre o desconto da dívida. Em nenhum momento, a Cartesia informou a existência das negociações aos seus cotistas.


Procurados, SteelCorp e Cartesia. Após a publicação da reportagem, a gestora Nest encaminhou o seguinte posicionamento:


A análise preliminar de uma potencial aquisição de imóveis pelo fundo Nest Eagle, incluindo troca de informações, diligências e comunicações, não configura compromisso de compra, obrigação formal ou vínculo econômico definitivo com a incorporadora, o CRI ou a estrutura financeira do projeto. Não existe contrato assinado, deliberação válida ou documento que comprove qualquer compromisso de aquisição dos imóveis mencionados.


A autorregulação da ANBIMA trata a avaliação de ativos, a análise de aderência à política de investimento, as avaliações econômico-financeiras e as análises jurídicas, técnicas e ambientais como etapas próprias do processo de seleção e alocação. Portanto, a existência de análise, troca de informações ou due diligence é compatível com o dever ordinário de gestão, e não com uma obrigação automática de aquisição.


Também não procede a afirmação de que a operação de compra dos imóveis não ocorreu em razão da captação inferior da segunda oferta do fundo. A captação refletiu condições gerais de mercado, como juros elevados e cenário adverso para investimentos, sem qualquer comprovação de relação direta com a aquisição analisada. Da mesma forma, a menção a e-mails da gestora em documentos operacionais apenas demonstra participação em avaliações preliminares, e não obrigação de compra.


A interpretação da assembleia de novembro de 2025 também é equivocada. A deliberação tratava exclusivamente da substituição do administrador do fundo, e não da aprovação ou rejeição da aquisição dos imóveis. Portanto, não é juridicamente válido afirmar que os cotistas votaram contra a operação imobiliária.


Por fim, não há relação entre a rescisão contratual envolvendo o Nest Eagle e a Viracondo com a suspensão de dividendos do CRI. A tentativa de conectar eventos distintos apenas por proximidade temporal cria uma narrativa sem suporte documental. Sem contrato, aprovação formal ou documento vinculante, não há base para afirmar que o fundo tenha assumido compromisso de aquisição ou causado os efeitos econômicos sugeridos.


O NeoFeed reitera que mantém as informações publicadas e reforça que no “Termo De Apuração De Consulta Formal Iniciado Em 10 De Novembro De 2025 E Finalizado Em 25 De Novembro De 2025”, todas as pautas do dia foram rejeitadas pelos cotistas.


São elas: Transferência da administração do fundo e de todos os atos a ela correlatos; Alteração dos dispositivos do regulamento do fundo a fim de adaptá-lo às regras e padrão adotados pela nova administradora; Ratificação da aprovação dos ativos em potencial conflito de interesses, conforme deliberado em assembleia realizada em 25 de fevereiro de 2025; Aquisição de ativos imobiliários, ativos de liquidez ou outros ativos em situação de conflito de interesses (os dois últimos referem-se justamente à compra dos imóveis do Helvétia).


https://neofeed.com.br/negocios/os-bastidores-do-tombo-de-quase-60-de-um-dos-principais-fundos-imobiliarios-da-bolsa/

Destino da Toky

 https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/05/29/com-pedido-de-recuperao-judicial-grupo-toky-v-prejuzo-saltar-no-1-trimestre.ghtml 🔹 *G...