sábado, 7 de dezembro de 2024

Caso Itaú 3

 Itaú vê indícios de crimes em conduta de ex-CFO


Giuliana Napolitano7 de dezembro de 2024


O Itaú Unibanco está contratando um escritório de advocacia para entrar com uma ação civil de reparação de danos contra seu ex-CFO, Alexsandro Broedel Lopes, e um sócio dele, Eliseu Martins.


O Itaú disse que uma investigação interna do banco – iniciada em 13 de agosto e encerrada no fim de novembro – mostrou irregularidades na conduta do executivo que violam o código de ética da instituição.


Segundo um executivo que acompanha as investigações dentro do Itaú, há “indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e associação criminosa.”


As informações reunidas pelo Itaú foram repassadas ao Coaf, ao Banco Central e à CVM, que podem decidir investigar o caso.


Na noite de ontem, o Itaú protocolou um protesto interruptivo de prescrição, uma medida judicial que determina que irregularidades praticadas num período anterior a três anos não prescrevam.


Também realizou uma AGE, no último dia 5, em que pede a anulação da aprovação das contas de Broedel de 2021 a 2023. A medida é necessária para que o banco possa recuperar valores que, segundo a instituição, foram pagos de maneira indevida.


O próximo passo é entrar com uma ação civil em janeiro, após o recesso do Judiciário. “Será uma ação longa, que vai precisar de perícia, e na qual pediremos indenização,” disse essa pessoa que acompanha as investigações.


Broedel reagiu ainda na madrugada de hoje, depois que o Itaú publicou ata em jornal com a acusação. O ex-CFO disse que as acusações são “infundadas e sem sentido,” e que tomará as “medidas judiciais cabíveis”.


Broedel ingressou no banco em 2012 e pediu demissão em julho. Estava em quarentena até janeiro, quando assumiria um cargo executivo no Santander em Madri. O nome de Broedel ainda precisa ser aprovado pelo BC espanhol. O Santander ainda não se manifestou.


Segundo o Itaú, de junho de 2019 a junho de 2024, Broedel contratou 40 pareceres da empresa Care, cujos sócios são Eliseu Martins e seu filho Eric Martins. O valor total foi de R$ 13,26 milhões.


Martins e Broedel são sócios desde 1998 em outra empresa, a Broedel Consultores. Mas o ex-CFO não havia informado ao Itaú este fato, nem seu relacionamento com Martins, como determinam os controles do banco para que sejam cumpridas exigências regulatórias.


“Dada a gravidade dos fatos, o aprofundamento das apurações envolveu também a revisão das movimentações financeiras em conta-corrente, para fins de verificação de indícios dos crimes previstos na Lei nº 9.613/98”, diz a medida judicial de ontem.


Essa análise identificou que Broedel e a Broedel Consultores receberam 56 transferências da Care e de outra empresa de Eliseu Martins, a Evam, que ele mantém em sociedade com os filhos Eric e Vinícius Martins.


Segundo o Itaú, 23 transferências – somando R$ 4,86 milhões – foram feitas em datas próximas às dos pagamentos do banco à Care.


O Itaú concluiu que o executivo recebia um rebate de cerca de 40% ao contratar os pareceres da Care.


O banco também diz não ter “localizado” 20 dos 40 pareceres, e que quatro deles foram pagos antecipadamente.


Por isso, no protesto protocolado ontem, pede uma indenização de R$ 6,6 milhões, um valor referente aos pareceres não encontrados e não entregues. Pede ainda uma indenização de R$ 4,86 milhões, valor que teria sido transferido pela Care e pela Evam a Broedel.


Como o protesto não é uma ação judicial, trata-se de uma espécie de notificação. Na ação civil, o banco pedirá a mesma indenização, e a decisão caberá ao Judiciário.


Como as irregularidades praticadas antes do período de três anos já prescreveram, ao mover o processo na Justiça o banco vai se concentrar no que foi identificado entre 2022 e 2024.


Em sua nota à imprensa, Broedel disse que “os serviços mencionados eram do conhecimento do Itaú e requeridos por diferentes áreas do banco.”


Diz ainda que Martins era fornecedor do Itaú há décadas – uma informação confirmada pelo banco. “Não vimos nenhuma irregularidade nesse fornecedor antes de 2019,” diz a pessoa que acompanha as investigações.


A investigação interna do Itaú começou por acaso. Em julho, um diretor do banco soube, de maneira informal, que Broedel fazia pareceres contábeis para outras empresas enquanto era executivo da instituição.


Este diretor informou o fato à área de riscos do Itaú, que iniciou uma investigação para apurar possíveis conflitos de interesses. No processo, descobriu que Broedel era sócio de uma empresa que continuava ativa (a Broedel Consultores) e que seu sócio atuava em outra empresa que prestava serviços para o banco (a Care).


Segundo o banco, um CFO tem alçada para contratar alguns serviços sem passar pela área de compras – pela natureza do serviço e pelo valor envolvido.


Durante a investigação, Broedel informou ao banco, de acordo com a medida judicial de ontem, que os valores transferidos pela Care e pela Evam para ele e para sua empresa eram “transferências entre sócios,” mas não apresentou documentos que comprovassem isso.


“Causa profunda estranheza que o Itaú levante a suspeita sobre supostas condutas impróprias somente depois de Broedel ter apresentado a renúncia aos seus cargos no banco para assumir uma posição global em um dos seus principais concorrentes,” conclui a nota do executivo.


https://braziljournal.com/itau-ve-indicios-de-crimes-em-conduta-de-ex-cfo/?utm_campaign=linkinbio&utm_medium=referral&utm_source=later-linkinbio

Caso Itaú 2

 Broedel refuta acusação do Itaú, estranha o timing e diz que também vai à Justiça


Para executivo, suspeitas acontecem somente quando assumiu cargo global em concorrente


Ex-diretor financeiro do Itaú e contratado como chefe de contabilidade global do Santander, Alexsandro Broedel definiu como “infundadas e sem sentido” as acusações do banco em que trabalhou por 12 anos, a respeito de um suposto esquema de ganhos com pareceres.


Em nota por meio de sua assessoria de imprensa, o executivo afirma que “sempre se conduziu de forma ética e transparente em todas as atividades ao longo dos seus 12 anos no banco – algo nunca contestado pelo Itaú, que tem uma rigorosa e abrangente estrutura de controle e compliance, própria de um grupo financeiro com seu porte e importância na economia brasileira.”


Diz ainda que o parecerista mencionado pelo Itaú - o professor Eliseu Martins - já prestava serviços ao banco “há décadas, muito antes de Broedel ser convidado para a diretoria da instituição. Os serviços mencionados eram do conhecimento do Itaú e requeridos por diferentes áreas do banco”, afirma.


Ele não comenta especificamente sobre as transferências financeiras que o Itaú definiu como rebates de contratos de serviço, que passavam pela empresa de Martins para a de seus filhos, para então chegar à conta de Broedel, segundo a acusação do Itaú (detalhes aqui, em reportagem do Valor).


Mas o executivo ressalta ainda, em sua nota, o timing das suspeitas e sua mudança na carreira. “Causa profunda estranheza que o Itaú levante a suspeita sobre supostas condutas impróprias somente depois de Broedel ter apresentado a renúncia aos seus cargos no banco para assumir uma posição global em um dos seus principais concorrentes, cumprindo o período de quarentena definido pelo banco”, escreve. “Alexsandro Broedel tomará as medidas judiciais cabíveis neste caso.”


https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/broedel-refuta-acusacao-do-itau-estranha-o-timing-e-diz-que-tambem-vai-a-justica.ghtml

Caso Itaú

 Bastidores: analistas veem risco de imagem em caso entre Itaú e Broedel


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 07/12/2024 - O caso revelado pelas acusações feitas pelo Itaú Unibanco a seu ex-diretor financeiro, Alexsandro Broedel, pode gerar percepções de risco de imagem para o banco, avaliam reservadamente analistas de mercado. Embora os valores financeiros envolvidos no caso sejam baixos, o episódio causou comentários na Faria Lima neste sábado, especialmente por vir à tona poucos dias após o banco demitir o diretor de Marketing devido ao uso indevido do cartão de crédito corporativo.


"É mais o risco de imagem do que os valores, até porque é o ex-CFO e foram dois em uma semana", comentou um analista de banco de investimento. De acordo com ele, até agora, não há preocupações de clientes quanto ao balanço do banco, por exemplo.


O analista de outra casa afirmou que o assunto está rodando nas mesas de mercado, mas sem questionamentos de clientes até aqui. Um terceiro profissional disse que a despeito do valor envolvido ser baixo em comparação com o balanço do banco, a história parece "muito séria". "Mais do que o valor é a conduta em si", afirmou.


Alguns analistas consultados pela reportagem disseram ter procurado o banco para repercutir o assunto, mas que até agora, a área de relações com investidores do Itaú não se manifestou a respeito.


O Itaú entrou com processo na Justiça de São Paulo em que afirma que Broedel agiu em conflito de interesse ao autorizar a contratação e o pagamento de 40 pareceres contábeis confeccionados pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Eliseu Martins.


De acordo com investigação interna, Broedel é sócio de Martins em uma empresa para a qual foram enviados valores correspondentes aos dos pagamentos feitos pelo banco a Martins sob a autorização do ex-diretor pelos serviços.


Broedel teria omitido do banco o fato de ter uma sociedade com Martins, como mostrou a reportagem. Fontes afirmam que a investigação mostrou que Broedel agiu utilizando atribuições do cargo, como a possibilidade de contratar diretamente pareceres contábeis de especialistas específicos, para contornar controles internos.


Em nota, o Itaú afirmou que os valores pagos indevidamente entre 2019 e 2024 somaram R$ 13,3 milhões, e que há indícios de que destes, Broedel teria recebido cerca R$ 4,9 milhões. Segundo o banco, o potencial prejuízo do caso está limitado a estes valores.


Neste sábado, Broedel disse via assessoria que as acusações do Itaú causam estranhamento por terem sido reveladas após ele deixar o conglomerado. Ele negou as acusações, e disse que tomará as medidas judiciais cabíveis. O executivo deixou o banco em julho deste ano rumo a um posto na diretoria do Grupo Santander, na Espanha, que assumirá após cumprir período de quarentena. Eliseu Martins não se manifestou até o fechamento desta nota.


O Itaú informou que após os resultados da investigação, comunicou as autoridades competentes, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O banco disse ainda que os balanços do período em que Broedel ocupou a diretoria financeira foram revisados por um comitê interno e por uma auditoria externa, e que foram revalidados.


Contato: matheus.piovesana@broadcast.com.br



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Caso ITAU: contra o CFO

 ELISEU MARTINS NEGA ACUSAÇÕES DO ITAÚ E DIZ QUE TODOS OS SERVIÇOS CONTRATADOS FORAM PRESTADOS


16:56 07/12/2024 


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 07/12/2024 - O professor da Universidade de São Paulo (USP) Eliseu Martins negou neste sábado as acusações do Itaú Unibanco de envolvimento dele em uma suposta atuação em conflito de interesse do ex-diretor financeiro do banco, Alexandro Broedel. De acordo com ele, os serviços pagos pelo banco foram efetivamente prestados e estão dentro da regularidade.Em nota, Martins afirmou que Broedel foi seu aluno na pós-graduação da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP), e que se tornou professor da instituição. “Sempre tivemos ligações acadêmicas e profissionais", disse ele. O Itaú afirma que Broedel e Martins são sócios em uma empresa que teria recebido repasses de recursos após o banco ter pago a outra empresa, de sociedade de Martins e de um de seus filhos, por pareceres contábeis. Estes pagamentos foram autorizados por Broedel quando ele era diretor financeiro do banco, e ele posteriormente teria recebido parte do dinheiro em contas pessoais, de acordo com a investigação interna.


Martins não comentou diretamente sobre o suposto conflito de interesse. "Sempre fizemos pareceres para terceiros, às vezes assinando em conjunto e às vezes com ele sempre ajudando tecnicamente, como com outros colegas, com o faturamento por uma única empresa", disse ele. O professor afirma ainda que alguns pagamentos foram antecipados pelo Itaú, mas que ele declarou formalmente a necessidade de devolver os recursos dos quatro ainda não emitidos, porque não prestará mais serviços ao banco.

Entre 2019 e 2024, Broedel teria autorizado pagamentos por 40 pareceres de Martins. Destes, declarou ter recebido 36, mas o banco só encontrou arquivos referentes a 20 deles. Os demais teriam sido serviços de consultoria, de acordo com Broedel e Mar-tins. Os valores envolvidos são de R$ 13,3 milhões, sendo que Broedel teria recebido R$ 4,9 milhões deste total. “Os trabalhos prestados ao Itaú durante sua gestão foram de pareceres técnicos e consultoria", disse Martins. "Há vários materiais suporte das consultorias que foram feitos sem formalidade, algo de que me arrependo agora, dada a má-fé da interpretação dada pelo banco."

Martins afirmou que trabalha com seis outros colegas, e que eles só fornecem opiniões aos contratantes verbalmente ou por parecer. "Assim, há opiniões que não geram parecer e não aparecem em qualquer documento. Mas são serviços efetivamente presta-dos, como todos os que fiz ao Itaú." O professor da USP disse que leva sua vida profissional e acadêmica com conduta que pode ser verificada com "centenas ou mi-Ihares" de pessoas, e que muitas já lhe declararam apoio e se ofereceram para testemunhar a seu favor. Disse ainda que presta serviços ao Itaú há cinco décadas, passando por gerações de gestores do banco.


"Talvez influenciados pela perda de tão brilhante profissional, es-tão, no Banco, interpretando de forma totalmente incorreta o que de fato ocorreu. E, além de me envolverem para atingilo, cometem ainda o absurdo de envolver meus filhos, que nada têm a ver com os fatos que o Banco relata e mal interpreta", afirmou Martins. "Reafirmo, não entendo e não aceito o que o banco está fazendo: atingir meu nome e, de forma ignóbil, o da minha família."

Broedel também negou as acusações. Ele deixou o Itaú em julho, para assumir um cargo na direção do Grupo Santander, na Espanha.

Desempenho acadêmico

 Os resultados do Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciência (Timss, em inglês), divulgados nesta quarta-feira (4/12) pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), apontam que, no Brasil, 51% das crianças do 4º ano do ensino fundamental não dominam habilidades básicas de matemática, como fazer tabuada, interpretar gráficos simples ou somar e subtrair números de três algarismos (200 – 150 ou 300 + 120, por exemplo). Elas sequer alcançam o nível de conhecimento considerado “baixo”.


Na escala do Timss, a média do Brasil em matemática, entre os alunos de 9 anos, foi de 400 pontos, à frente apenas de três dos 64 países participantes: Marrocos, Kuwait e África do Sul. Em comparação ao resultado geral das demais nações nessa etapa (503 pontos), é como se estivéssemos três anos escolares atrás delas.


As provas são aplicadas a cada quatro anos, desde 1995 — mas esta é a primeira participação brasileira no exame.


O Timss também avaliou o conhecimento de alunos do 8º ano (idade média de 13 anos). A tendência é a mesma já revelada pelo Pisa, prova internacional que foca na faixa etária dos 15 anos: o Brasil está atrasadíssimo em relação ao que é esperado para o ensino fundamental II.


Conforme o estudo, mais de 60% dos jovens daqui não conseguiram chegar nem ao patamar considerado o mais baixo na escala geral. Isso significa que eles não sabem lidar com formas básicas (como círculo e quadrado) e suas representações visuais; não entendem relações lineares de proporção; não conseguem determinar o lado de um polígono; e não são capazes de interpretar informações em gráficos.


A média brasileira foi de 378 pontos, ficando à frente apenas do Marrocos. O Brasil foi ultrapassado por nações como Irã, Uzbequistão, Chile, Malásia, Arábia Saudita, África do Sul e Jordânia.


Entre os 5% de brasileiros com pior nota, o rendimento mais alto foi de 243 pontos. São casos em que os jovens basicamente não souberam responder a nada.


Via Luis André Wenc

Ailton Braga

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