quinta-feira, 31 de julho de 2025

JR Guzzo

 Guzzo é o melhor jornalista brasileiro.


A BRIGA DO BOÇAL-RAIZ

J. R. Guzzo, Oeste, 27.07.2025


O presidente da República, sem jamais ter perguntado aos brasileiros, ou sequer a si próprio, se achavam uma boa ideia provocar uma briga no mano a mano com os Estados Unidos, começou seu terceiro mandato com a ideia fixa de se exibir como o grande inimigo mundial da potência econômica, militar e política número 1 do planeta. Teve outras ideias tão fixas e tão estúpidas como essa, mas possivelmente nenhuma delas foi tão irresponsável quanto seu rugido de rato diante dos americanos — nem está prometendo um final tão humilhante.


Como o motorista bêbado que sobe com o carro na calçada, entra na contramão e queima o sinal vermelho, e depois diz que não sabia direito o que estava fazendo, Lula só parou quando bateu de frente com o muro — neste caso, com as realidades da vida como ela é. Até ser obrigado a parar, conseguiu não acertar uma. Insistiu, em primeiro lugar, em entrar na briga sem saber o que queria dela. Jamais teve sequer um arremedo de plano para enfrentar a pauleira — e muito menos para ganhar. Desafiou o Mike Tyson, e só percebeu que era o Tyson quando levou o primeiro gancho no fígado.


Lula não sabe, até agora, o que dizer aos Estados Unidos — certo, temos de fazer uma proposta qualquer, mas qual é mesmo a nossa proposta? Fala, como vem repetindo nos últimos 40 anos, que “tem de negociar”, mas não tem nada para oferecer. Não tem nem mesmo o negociador. A embaixadora do Brasil em Washington é uma nulidade que nem sequer foi recebida quando tentou falar com alguém importante. Descobriu-se, por sinal, que há dois anos e meio nosso governo simplesmente não tem nenhum contato efetivo com o maior país do planeta.


Quer dizer: dois anos e meio de governo Lula-STF levaram o Brasil a estar com o maior cartaz na Tanzânia ou na “Palestina”, por exemplo, e ser um zé-mané na capital do mundo. Como arrumar, agora, alguém que saiba do que está falando para desenrolar a porcaria que Lula arrumou com os Estados Unidos? Também não sabem. Têm falado, acredite se quiser, em Geraldo Alckmin, que não tem condições para negociar um contrato de aluguel em Pindamonhangaba. Será que num país de 200 milhões de habitantes não existe ninguém melhor para esse serviço?


É um passeio ao acaso — uma coisa amadora, subdesenvolvida e desconexa. E se os negociadores americanos, caso Alckmin consiga passar do sub do sub, descobrirem que ele disse que o seu chefe, em cujo nome está negociando, queria ser presidente para voltar “à cena do crime”? Eis aí o exato grau de seriedade do governo Lula nessa história: criou uma briga na qual não tinha nada a ganhar, que não tem nenhuma possibilidade de levar adiante e da qual agora não sabe sair. Está como o pobre orgulhoso que não tem dinheiro para brigar nem na Justiça gratuita, mas “exige” os seus “direitos”. Acaba pedindo acordo.


Lula começou com a sua palhaçada de sempre — a idade, infelizmente, não tem melhorado sua criatividade. A taxação de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos, anunciada por Donald Trump em reação ao linchamento legal do ex-presidente Bolsonaro, foi recebida com furiosos juramentos em favor da “soberania do Brasil”. O tarifaço era “inaceitável” — como se tivesse cacife para aceitar ou não alguma coisa. Disse que o Brasil iria “retaliar”. Garantiu que “não abria mão da reciprocidade”. Exigiu que Trump falasse “manso” com ele.


Lula proclamou mais uma vez sua total “solidariedade” à perseguição do STF a Bolsonaro. Falou em “traição à pátria”. Denunciou de novo o “fascismo” de Trump. “Vou vender os nossos produtos em outros lugares”, ameaçou, como se ele fosse capaz de vender alguma coisa ou houvesse uma lista de clientes à espera das suas ofertas. Fez reuniões. Veio com umas ameaças moles de anular patentes americanas, como um país pirata, ou aumentar a taxação sobre as remessas de lucros das empresas americanas que operam no Brasil. Daí não passou.


Seria a mais notável realização de Lula em seus três governos — fazer empresas americanas saírem do Brasil, em vez de entrarem. É pura e simples criação de problema onde há solução. Operam hoje no Brasil cerca de 4,5 mil empresas americanas, com investimento aproximado de US$ 350 bilhões e empregos para 500 mil brasileiros — em geral, nas faixas mais altas da escala de remuneração. É esse o inimigo a ser hostilizado? Onde Lula vai arrumar investimentos de US$ 350 bi para substituir os americanos? Na Venezuela da Refinaria Abreu e Lima?


Não há nenhum problema no Brasil, de nenhuma natureza, que seja causado pela presença de empresas americanas em nossa economia. É exatamente o contrário — até no PT há gente que entende que é bom haver empresas dos Estados Unidos investindo, criando empregos e pagando impostos no Brasil. O que se ganha então mexendo com isso? É o que um país arruma com brigas em que não deveria se meter: resultados que ninguém queria e nunca foram um objetivo do governo. Lula e Janja querem o fim do capitalismo, é claro. Mas não hoje, certo?


Naturalmente, nada disso foi feito; na verdade, toda a reação do Brasil a Trump, no mundo dos fatos concretos, foi até agora um zero absoluto. Falaram, falaram e falaram, mas fazer alguma coisa, que é bom, nada. Lula diz, como se ele fosse o procurador-geral do Universo, que não aconteceu nada até agora porque ele, Lula, ainda não fez nada. Na hora em que fizer, segundo garante, as coisas passarão a existir. Só a mídia engole isso. Diz que ele joga uma partida de xadrez altamente complexa — tão complexa que ninguém entendeu.


Não há xadrez nenhum; não há nem o dominó da quebrada. O que há mesmo é o boçal-raiz que foi procurar briga na boate, encontrou e agora foge para trás do leão de chácara gritando “me segura, me segura que eu sou capaz de fazer alguma loucura”. Que coisas vão “começar a acontecer”, como diz Lula? Coisas nenhumas. Não há um único e escasso parafuso que o Brasil tenha e de que os Estados Unidos realmente precisem; em compensação, sem os americanos o Brasil está num mato sem cachorro. Lula e a gatarrada gorda de Brasília, na sua ignorância terminal, não têm ideia de quanto os Estados Unidos podem machucar a todos nós.


O único lugar em que Lula está fazendo sucesso é na Globo e no resto da mídia oficial, embora não se saiba ainda por quanto tempo. A visão, ali, é de que nada poderia ter acontecido de tão bom para o governo e o STF quanto as tarifas de 50% impostas por Trump. O Brasil, que vinha detestando Lula, o seu filme-catástrofe e o desvario totalitário do Supremo, passou a amar — o povo brasileiro, pelo veredito da imprensa, obviamente se uniu contra Trump, a “intervenção estrangeira” e a ameaça à soberania nacional. Lula é o favorito para 2026. Bolsonaro, os golpistas e a direita são traidores.


Nem o PT, possivelmente, acredita nessas miragens, mas até agora a mídia é tudo o que Lula conseguiu em sua Terceira Guerra Mundial. Nenhuma democracia se deu até agora o trabalho de ficar a favor do Brasil — não para valer. Não houve uma única manifestação de rua, tipo “fora ianques”, em nenhum lugar do território nacional. Num país em que não controla nem 20% do Congresso, o governo não tem bala para escolher a maior potência mundial como inimiga. Nem o precioso Brics de Lula, salvo a ladroagem sul-africana, se animou a ajudar. Ao contrário, a Rússia disse que não foi ela quem veio com a ideia do fim do dólar. Nem eu, disse a China. Ambas apontaram para Lula.


Também não é do STF que o governo pode esperar ajuda — justo agora, quando mais precisa. Alexandre de Moraes, a quem se deve toda essa situação intragável, faz o oposto do que se espera para quem gostaria de acalmar as coisas. Acalmar como, se ele não perde nenhuma oportunidade de agredir cada vez mais os americanos? Em seu surto de tolerância zero com qualquer risco de pacificação, Moraes acaba de algemar o ex-presidente com uma tornozeleira de criminoso. Bolsonaro está proibido de se mover. Tem de ficar trancado em casa durante a noite. Não pode chegar perto de nenhuma autoridade estrangeira.


Também está proibido de usar as redes sociais, ou mesmo de aparecer nelas. Está proibido de dar entrevistas. O Maníaco do Parque pode dar; ele, não. Está proibido de falar com o próprio filho. Ficamos assim, então. Os Estados Unidos justificam sua punição tarifária ao Brasil com a perseguição judicial a Bolsonaro; aí vem o ministro Moraes e faz questão de dizer: “Vou perseguir mais ainda. Vai encarar?” Com essas, outras e as que ainda virão, Lula fica mais vendido que pastel de feira na hora em que cai no óleo de fritar.


Foi ele quem começou, com suas ideias de liderar o mundo contra os Estados Unidos e, neste ano, contra Donald Trump? Foi. Ele permitiu que navios do governo terrorista do Irã atracassem no Rio de Janeiro. Quer romper com Israel, a quem acusa de “genocídio”. Insulta os americanos. Propõe acabar com o dólar como moeda líder do comércio. É o amigo número 1 de todas as ditaduras. Mas nunca foi levado a sério a ponto de criar uma crise. Alexandre de Moraes, não. Ele deformou o Estado brasileiro a tal ponto que chamou, enfim, a atenção dos Estados Unidos.


O governo está condenado, ou condenou a si próprio, a dar apoio integral a Moraes e ao STF — façam o que fizerem, tem de ficar a favor. Que “negociação”, como Lula diz, pode sair de uma charada dessas? Moraes prende Bolsonaro na hora que quiser; pode prender o Arcanjo Gabriel, se lhe der na telha. Se quiser romper relações com os Estados Unidos, ele faz o governo romper. Se quiser guerra, vai jogar o Brasil na guerra. É o preço que Lula está pagando por ter vendido a alma ao STF.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: A novela ainda não acabou*


Além da reação do STF, investidor acompanha PCE e balanços de Ambev, Vale, Amazon e Apple


… Teve festa no after market em NY. Depois dos balanços da noite de ontem: o ADR do Bradesco saltou 1,81%, enquanto os papéis da Meta (+11,49%) e Microsoft (+8,28%) precificaram no rali a forte demanda por serviços de IA, contratando gap de otimismo na abertura. Hoje é a vez de Vale, Apple e Amazon, todas depois do fechamento. Ainda na agenda do dia, saem por aqui o resultado primário do setor público consolidado em junho (8h30) e o desemprego da Pnad (9h). Nos EUA, a inflação do PCE de junho, às 9h30, vem no day after de o Fed ter deixado setembro em aberto, enquanto o Copom fez de tudo para o mercado não antecipar um corte da Selic, mencionando de forma explícita o tarifaço. Apesar da lista de exceções ao Brasil, o chumbo trocado entre Trump e o Brasil não termina aqui.


BRUXA À SOLTA – Cumprindo as ameaças, o republicano assinou ordem executiva para implementar tarifa adicional de 40% sobre os produtos importados do Brasil. Somada aos 10% anunciados em abril, a sobretaxa atinge 50%.


… O prazo para o início da aplicação da tarifação extra sobre os produtos brasileiros foi adiado de amanhã para daqui a uma semana, dia 6 de agosto. A melhor notícia foi a lista extensa de produtos que ficarão isentos dessa taxa.


… O governo de Washington resolveu poupar 694 itens, como aeronaves civis e peças (bom para Embraer), minério, petróleo, celulose, suco de laranja, fertilizantes e gases industriais. Café e carne não escaparam (ruim para o agro).


… As exceções livraram quase metade dos principais itens da pauta de exportações do Brasil para os EUA, o que deve reduzir o impacto negativo do tarifaço sobre o crescimento econômico e as previsões do mercado ao PIB doméstico.


… Tudo isso seria um alívio e é mesmo. Mas a confirmação de que Trump continua obcecado em fazer dessa guerra comercial um instrumento de retaliação política assusta e expõe a intenção de esticar a corda sabe-se lá até quando.


… Assim como na carta tarifária, o decreto do presidente americano contra o Brasil vinculou as ações da Casa Branca ao julgamento contra Bolsonaro, citando que o País promove “perseguição” e “censura” contra o ex-presidente.


… Moraes foi citado no texto como responsável por “ameaçar, perseguir e intimidar milhares de seus opositores políticos, proteger aliados corruptos e suprimir dissidências, em coordenação com outros membros do STF”.


… Trump cobrou que o governo brasileiro tome ações contra o ministro do Supremo para rever a taxação.


… Horas antes do decreto do tarifaço, Washinton aplicou sanções financeiras a Alexandre de Moraes por meio da Lei Magnitsky, usada contra ditadores e terroristas. Lula chamou reunião de emergência contra os ataques à soberania.


… À noite, em nota, a Presidência da República condenou a “inaceitável” interferência do governo americano na Justiça brasileira, disse estar disposto a negociar só aspectos comerciais e se solidarizou com Alexandre de Moraes.


… Ainda considerou “injustificável” o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas.


… Em recado às big techs, o texto informou que, “no Brasil, a lei é para todos os cidadãos e empresas. Qualquer atividade que afete a população e a democracia está sujeita a normas. Não é diferente para as plataformas digitais.”


… Foi uma resposta ao trecho do decreto de Trump, em que ele exibiu sua insatisfação com política de moderação pelo Brasil de conteúdo, práticas de fiscalização ou algoritmos que, na sua visão, censuraram cidadãos americanos.


… Também a PGR divulgou nota, informando que recebeu com “assombro” a notícia sobre a imposição de sanções.


… Ainda os presidentes da Câmara e do Senado reagiram. Hugo Motta condenou qualquer tipo de sanção por parte de nações estrangeiras e Alcolumbre defendeu a soberania brasileira e o fortalecimento das instituições.


O TROCO – Fontes do Globo informam que os ministros do STF preparam reação para a sessão de reabertura do Judiciário, amanhã, depois das sanções de Trump. A resposta, avaliam, precisa ter um tom institucional.


… A prioridade é reiterar a defesa da independência do Judiciário brasileiro e da soberania nacional.


… Em nota, o Supremo informou que não se desviará do papel de cumprir a Constituição e as leis do País e esclareceu que as sanções econômicas contra Alexandre de Moraes não vão afetar o julgamento da trama golpista.


… Advogados com trânsito na Corte ouvidos pela Coluna do Estadão disseram que a investida de Trump contra Moraes pode acelerar o julgamento de Bolsonaro no STF, com chance de o processo ser concluído no fim de agosto.


… Antes, a expectativa era de que o destino do ex-presidente fosse definido apenas na metade de setembro.


… Em off, ministros do STF disseram ao Valor que a sanção contra Moraes “atende ao comando” das big techs.


… Em junho, o Supremo definiu uma série de regras mais duras, aumentando a chance de punição das plataformas por publicações de usuários exclusão de conteúdos criminosos sem a necessidade de decisão judicial.


BRASIL FOI O PIOR – Trump anunciou que a Coreia do Sul tomou 15% e disse que ainda está negociando com o governo da Índia, após ter anunciado mais cedo que imporiam uma tarifa de 25% sobre produtos importados do país.


… Afirmou ainda que a intenção do Canadá em reconhecer o Estado da Palestina tornará as negociações mais difíceis.


… O presidente norte-americano informou ainda que concluiu um acordo com o Paquistão para trabalhar em parceria com os Estados Unidos no desenvolvimento de suas “enormes reservas de petróleo”.


VALE – Deve divulgar balanço mais fraco no segundo trimestre. Para analistas no Broadcast, o aumento da produção não conseguiu compensar o recuo das vendas e dos preços no período, comprometendo o resultado trimestral.


… O lucro líquido deve ficar em US$ 1,5 bilhão, o que representa redução de 45,3% contra o período de abril a junho de 2024. Já o Ebitda proforma deve totalizar US$ 3,2 bilhões, com retração de 18,6% na mesma base de comparação.


… A média das projeções prevê receita líquida de US$ 8,8 bilhões, recuo de 11,2% comparado a um ano antes.


… Em NY, antes da abertura dos negócios, a Mastercard divulga o seu resultado do segundo trimestre.


AFTER MARKET – Mark Zuckerberg atribuiu, em teleconferência, o forte desempenho da Meta no segundo trimestre à Inteligência Artificial, “que está desbloqueando maior eficiência e ganhos em nosso sistema de anúncios”.


… A dona do Facebook registrou lucro por ação de US$ 7,14 e superou de longe o consenso dos analistas de US$ 5,88. O lucro líquido foi de 18,34 bilhões. A receita de US$ 47,5 bi também veio acima do esperado (US$ 44,8 bi).


… Também a Microsoft trouxe euforia ao pregão estendido, depois de reportar lucro ajustado de US$ 3,65 por ação, melhor do que a estimativa de US$ 3,37, e receita de US$ 76,4 bilhões, maior do que a aposta de US$ 73,9 bilhões.


COPOM DURO NA QUEDA – Sem qualquer concessão para o mercado especular com o início no curto prazo do ciclo de queda da Selic, a mensagem do BC veio tão cautelosa quanto já se imaginava. Ou até ainda mais conservadora.


… O único ponto dovish foi admitir “certa moderação” no ritmo da atividade econômica. De resto, alertou que o mercado de trabalho continua apresentando dinamismo e ignorou a queda nas expectativas de inflação no Focus.


… Além disso, fez menção direta ao tarifaço e descreveu o cenário exterior como “mais adverso e incerto”, para reforçar a necessidade de “particular cautela” e necessidade de juro a 15% por período bastante prolongado.


… A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, definiu o comunicado do Copom como “neutro com viés hawkish”, na tentativa do BC de alertar que a pausa atual nos juros não deve ser interpretada como sinal de alívio.


MAIS AGENDA – Depois de o Copom ter destacado que a política monetária restritiva ainda não foi suficiente para esfriar o mercado de trabalho, a Pnad deve reforçar hoje (9h) que o ritmo da mão de obra continua aquecido.


… Impulsionada pela atividade doméstica ainda forte, a taxa de desemprego no trimestre até junho deve registrar mais uma queda, a terceira consecutiva, para 6% na mediana do Broadcast, contra 6,2% na leitura móvel até maio.


… O intervalo das projeções entre os analistas do mercado financeiro varia de 5,8% a 6,2%.


… Também o fiscal estará no foco. O setor público consolidado deve registrar déficit primário de R$ 41 bilhões em junho, após saldo negativo de R$ 33,74 bi em maio. As estimativas são todas deficitárias, de R$ 46,6 bi a R$ 32,2 bi.


… Alckmin, que liderou a negociação do tarifaço, participa ao vivo do programa da Ana Maria Braga, às 10h35.


DESCONTINGENCIAMENTO – O governo detalhou ontem os valores do relatório bimestral de receitas e despesas.


… Dentro do montante total de R$ 20,7 bilhões descontingenciados pelo governo federal no Orçamento de 2025, foram descongelados R$ 4,7 bilhões em emendas parlamentares e R$ 15,896 bilhões para despesas discricionárias.


… Por outro lado, ainda restam R$ 10,7 bilhões bloqueados para garantir o cumprimento do limite de gastos.


… O governo manteve as medidas de restrição refletidas no faseamento dos limites de empenho dos órgãos, que limitam o empenho em R$ 52,8 bilhões até setembro para garantir o cumprimento da meta fiscal e o arcabouço.


QUANDO SETEMBRO CHEGAR – Sem se dobrar à pressão e à urgência de Trump por corte nos juros, Powell disse que o Fed ainda não decidiu o que fará na próxima reunião, esvaziando o peso do placar rachado de ontem.


… Seguindo à risca o script, Christopher Waller (cotado para a sucessão do comando do Fed) e a ex-falcoa Michelle Bowman optaram por uma redução imediata de 25 pontos-base da taxa básica, mas foram voto vencido.


… Powell esclareceu que o Fed não decide nada com antecedência, que precisa de mais evidências de fraqueza do mercado de trabalho (tem payroll amanhã) e mais clareza do impacto tarifário na inflação para mudar de estratégia.


PCE NO FOCO – Medida inflacionária predileta do Fed, o dado deve acelerar na margem e na base anualizada. A previsão é de 0,2% em junho, contra 0,1% em maio, e de 2,5% na comparação anual, contra 2,3% na leitura anterior.


… Ainda nos EUA, saem o auxílio-desemprego (9h30), que tem previsão de alta de 8 mil pedidos, para 225 mil, e o PMI industrial de julho medido pelo ISM de Chicago (10h45), com expectativa de melhora para 42,5, de 40,4 (junho).


… Os BCs da África do Sul (10h) e da Colômbia (15h) divulgam as suas decisões de monetária.      


CHINA HOJE – O PMI industrial oficial mostrou contração (abaixo de 50) pelo 4º mês seguido. Caiu de 49,7 (junho) para 49,3 (julho), frustrando a previsão de 49,5. O PMI de serviços recuou para 50,1, de 50,5 (aposta era de 50,2).


… Hoje à noite (22h45), o mesmo indicador, mas agora medido pelo setor privado, será divulgado pela S&P Global.


JAPÃO HOJE – Em decisão unânime, o BoJ manteve a taxa básica de juros em 0,5% ao ano pela quarta vez seguida, mas elevou a projeção para a inflação, o que pode reforçar apostas no mercado de aperto monetário em outubro.


… A estimativa para o núcleo do CPI este ano foi elevada de 2,2% para 2,7% e, em 2026, de 1,7% para 1,8%.


SAIU BARATO – Tudo parecia caminhar para um fim trágico, com o tarifaço dos EUA pegando setores importantes da economia brasileira, quando veio a ordem executiva de Trump, com várias exceções à alíquota de 50%.


… Foi a senha para o Ibovespa sair do vermelho e voltar aos 133 mil pontos, puxado pela alta de dois dígitos de Embraer, que liderou os ganhos do dia.


… Nem tudo foram flores, porém. Dólar e juros subiram após o Fed ignorar Donald Trump e manter os juros, e Jerome Powell ainda cutucar a ferida com uma postura ainda mais conservadora.


… O forte desempenho da economia americana no 2Tri também pesou nesses ativos, mas eles fecharam longe das máximas do dia.


… Em alta de 0,95%, o Ibovespa terminou em 133.989,74 pontos, com giro de R$ 22,7 bilhões e apenas 11 papéis, dos 84 do índice, no negativo.


… Com alta de 10,93% (R$ 76,25), Embraer comemorou a decisão dos EUA, seu maior mercado, de livrar aeronaves civis brasileiras e seus componentes da subida de tarifas de importação.


… No Valor, a empresa disse que vai continuar a brigar pela volta da alíquota zero para seus produtos. A companhia continua afetada pela alíquota de 10% em vigor desde 2 de abril.


… Ainda entre as altas, Petrobras ON subiu 1,12% (R$ 35,99) e PN avançou 1,02% (R$ 32,77), mais uma vez seguindo o avanço do Brent/set, de 1,10%, a US$ 72,47 por barril.


… Ameaças de sanções dos EUA à Rússia e o inesperado aumento dos estoques americanos da commodity na semana passada, de 7,7 milhões de barris, valorizaram a commodity.


… Na ponta negativa, Engie liderou com -2,39% (R$ 40,81), seguida de RD Saúde (-2,17%; R$ 13,55) e Bradespar (-1,85%; R$ 15,90).


… Vale teve a quarta maior queda, com -1,79% (R$ 53,84), reagindo à baixa de 0,44% do minério em Dalian.


… Notícia da coluna de Lauro Jardim, em O Globo, ontem, deu conta que os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) iniciaram articulação para alterar o conselho de administração da mineradora.


… O objetivo é tirar Daniel Stieler, presidente do colegiado, e João Fukunaga, presidente da Previ, do conselho.


… Não é a primeira vez que o atual governo busca mudanças na Vale. No ano passado, tentou indicar Guido Mantega para uma vaga no conselho.


… Ainda no Ibovespa, entre os bancos, Bradesco ON subiu 1,43% (R$ 13,46) e PN avançou 1,62% (R$15,66) antes da divulgação do balanço, após o fechamento.


… Santander, que divulgou números trimestrais pela manhã, subiu 0,87%, a R$ 26,60. Itaú avançou 0,87% (R$ 31,25) e Banco do Brasil foi na contramão com queda de 0,25% (R$ 19,90).


HAJA PACIÊNCIA – Real e juros até tentaram seguir o caminho do Ibov, mas o peso de NY foi mais forte.


… Com rendimentos dos Treasuries e dólar reagindo aos bons dados da economia dos EUA e à postura agressiva de Powell, não teve jeito de os similares domésticos saírem ganhando.


… A primeira leitura do PIB americano do segundo trimestre veio bem acima (3%) do esperado (2,3%) e os dados da ADP de emprego no setor privado também surpreenderam com 104 mil contratações, ante 64 mil esperadas.


… À tarde, mais bomba. Powell baixou a bola de quem esperava algum sinal de corte de juro em setembro.


… Mais uma vez, disse que é preciso paciência diante de um mercado de trabalho ainda forte, uma inflação acima da meta e os impactos ainda incertos da política tarifária de Trump nos preços ao consumidor.


… De certa forma, ele minimizou os dois votos dissidentes no Fomc, de Michelle Bowman e Christopher Waller, ao adotar postura mais conservadora. Foi a primeira vez desde 1993 que uma reunião do Fed teve dois votos contrários.


… Os ativos reagiram especialmente quando Powell disse ser cedo para dizer que há chance de cortar juro em setembro, observando que a política monetária está só “moderadamente restritiva”, sem prejudicar a economia.


… Powell reiterou várias vezes que o Fed depende de dados e que, até setembro, muita água vai rolar, já que ainda serão divulgados dois payroll e dois PCE (um deles hoje), números fundamentais para a decisão sobre os juros.


… Depois da coletiva de imprensa, a ferramenta do CME Group indicava 55,0% de chance de a taxa básica permanecer inalterada em setembro, enquanto a aposta por redução de 25 pontos-base no período era de 45,0%.


… Antes das falas do presidente do Fed, o risco de o juro seguir no nível atual era de 34,9%, enquanto a aposta de redução de 25 pb era de 63,7%.


… “Powell reiterou a postura de esperar para ver do Fed”, disse Priya Misra, do JPMorgan Investment Management, à BBG. Ele “minimizou as dissidências (de Waller e Bowman) e afirmou que o debate na reunião do Fed foi robusto”.


… Já perto de voltar aos 100 pontos, o índice DXY disparou 0,94%, a 99,815 pontos. O euro caiu a US$ 1,1427, a libra recuou a US$ 1,3247 e o dólar subiu a 149,40 ienes.


… Por aqui, depois de bater nos R$ 5,63 – logo após Trump anunciar a sanção contra Alexandre de Moraes – o dólar arrefeceu com a notícia das exceções ao tarifaço, mas ainda fechou com alta de 0,35%, a R$ 5,5892.


… No Broadcast, o economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, disse que o maior fator para a alta do dólar ante o real no fim do pregão foi o “efeito Powell”, enfatizando que como o DXY está “subindo muito”.


… Os DIs foram pelo mesmo caminho. Acompanharam os Treasuries depois dados do PIB, da ADP e da postura hawkish de Powell.


… Os vencimentos curtos seguiram estáveis, na expectativa de que a decisão do Copom não traria novidades, reafirmando a manutenção da Selic em 15% por “longo período”, o que de fato aconteceu.


…  No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 14,915% (de 14,913% no ajuste anterior); Jan/27 subiu a 14,225% (de 14,151%); Jan/29, a 13,415% (de 13,368%); Jan/31, 13,640% (13,611%); e Jan/33, 13,760% (13,734%). 


… Em NY, o juro da T-Note de 2 anos foi a 3,949%, de 3,875% na sessão anterior, e o da T-Note de 10 anos avançou a 4,373%, de 4,326%. O do T-Bond de 30 anos foi a 4,899%, de 4,860%.


… Nas bolsas, o índice Dow Jones caiu 0,38%, aos 44.461,28 pontos. O S&P 500 recuou 0,12%, aos 6.362,92 pontos. O Nasdaq subiu 0,15%, aos 21.129,67 pontos.


… Apple (-1,04%), Amazon (-0,33%) e Mastercard (-0,72%), que divulgam balanços hoje, ficaram no vermelho.


COMPANHIAS ABERTAS NO FOCO… BRADESCO teve lucro líquido recorrente de R$ 6,067 bilhões no segundo trimestre, alta de 28,6% na comparação anual e dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro…


… Receita total atingiu R$ 34 bilhões, aumento de 15,1%, e carteira de crédito expandida cresceu 11,7%, para R$ 1,018 trilhão.


TIM registrou lucro líquido normalizado de R$ 976 milhões no 2º trimestre, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2024; Ebitda normalizado somou R$ 3,35 bilhões, crescimento de 6,3% na comparação anual…


… Conselho de Administração elegeu Vicente de Moraes Ferreira como diretor de relações com investidores, em substituição a Alberto Mario Griselli, que ocupava o cargo interinamente; Ferreira tomará posse amanhã.


ECORODOVIAS registrou lucro líquido de R$ 203,9 milhões no 2º trimestre, queda de 23,9% na comparação anual; Ebitda somou R$ 1,33 bilhão, avanço de 19,9% em relação ao mesmo período de 2024…


… Empresa aprovou a distribuição de R$ 214,7 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,3086 por ação, com pagamento a partir de 29/8; ex em 5/8.


MOTIVA aprovou a distribuição de dividendos intermediários no valor total de R$ 360,5 milhões, o equivalente a R$ 0,1793 por ação, com pagamento em 15/8; ex em 6/8.


HAPVIDA anunciou seu plano de expansão no Rio de Janeiro, que envolve um investimento de R$ 380 milhões na construção de um hospital de alta complexidade, além de unidades de pronto atendimento e clínicas. (Brazil Journal)

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...