*A maior crise institucional desde 1964*
*Não creio que o Sr. Daniel Vorcaro tenha competência para coordenar isso, ser o cabeça central*
Ricardo Gallo* - 22/1/2026
(*Partner at Ethica Services with expertise in finance and asset management)
January 22, 2026
Pessoal, estou no mercado financeiro há 40 anos e nunca vi uma rede tão complexa de negócios ilícitos montada com tanta perfeição. Para aqueles que não estão no mercado ou que não conhecem as dificuldades em se montar um esquema desses, do ponto de vista logístico, legal e financeiro, posso afirmar que todos estes tentáculos estão necessariamente ligados a uma cabeça central, um órgão central de coordenação disso tudo. Não achem que estas coisas se montam no mercado mediante uma engenharia financeira simples ou na base do oportunismo. Ela demanda enorme coordenação e planejamento. E profissionalismo. Não creio que o Sr. Daniel Vorcaro tenha competência para coordenar isso. Ele pode ser somente uma peça de uma máquina muito mais complexa.
*Vimos nos últimos anos uma rede de ações criminosas no INSS, postos de gasolina, "lavanderias financeiras", bettings irregulares, influencers corruptos, operações de bitcoin com intuito de lavagem, e agora isso. Tudo parece conectado. Tudo passando pelo Master, cujo nome não deve ser coincidência. Facções criminosas perderam o pudor e se comportam como grupos guerrilheiros. Violência urbana em níveis incompatíveis com a dinâmica exuberante do mercado de trabalho. Há algo horroroso em curso e não podemos ficar como sapos na água fervendo. Parados, esperando nosso final.*
Tentáculos agora atingem funções críticas do estado, como Congresso, Judiciário e Executivo. *Não tenho a menor dúvida de que há um corpo central coordenando estas ações. Sem um chefe golpista, mas com um grupo que coordena todas estas ações com o objetivo de controlar as atividades do Estado. Não podemos, desta forma, nos perder nos detalhes, não ficar observando apenas as árvores, mas sim a floresta. Podemos estar assistindo a uma tentativa de "golpe de estado silencioso", em que grupos criminosos pretendem se apossar do Estado.*
*A venezuelização do Brasil não virá de crises fiscais ou de um "golpe comunista". Mas pode vir sim através do aparelhamento do estado por milícias ou narcotráfico. Acredito que estamos sob ataque, e que desta vez o crime está indo atrás dos agentes públicos de forma muito coordenada e sofisticada, na tentativa de cooptá-los ou silenciá-los através da força ou corrupção "pequena".*
A dimensão espacial deste caso transcende o ocorrido no Petrolão, que foi coordenado por um grupo de políticos para levantar dinheiro para se financiar. Era algo bem focado. Envolvia poucas grandes empresas e simples propina. Uma ação entre "amigos" com baixo risco institucional. Algo imoral, mas relativamente simples e, até mesmo, corriqueiro. *Hoje é completamente diferente e muito mais complexo de se combater.*
O risco institucional neste momento é o maior desde o Golpe de 64. Muito maior do que vivemos no final de 2022 com o golpe dos três patetas, que foi grave, mas com zero competência em sua organização. Desta vez é um trabalho coordenado, feito com extrema abrangência e enorme complexidade. Tenho muita experiência no setor, mas, honestamente, *a engenharia financeira envolvida supera tudo que já vi ou pude imaginar. Não podemos acreditar que tais ações sejam apenas oportunistas, coincidências ou frutos do acaso. Às vezes, as teorias de conspiração são reais, pois conspirações existem. Acredito que alguns setores do estado, patriotas, estão percebendo isso e sendo atacados. Outros viraram reféns. Nesta história só falta sangue. Assassinatos de testemunhas ou de informantes.*
Nossos reais inimigos não são a direita ou a esquerda. Mas esses criminosos golpistas sem ideologia ou escrúpulos. *Essa é a maior ameaça à democracia dos últimos 60 anos.* Os agentes públicos, a meu ver, são meros peões. E a imprensa e a sociedade precisam olhar isso desta forma. Não podemos ficar apenas na atitude " são todos uns ladrões" ou no " tudo é culpa do Bolsonaro ou do Lula". Tampouco "ministro fulano é bandido". A passividade da sociedade neste momento pode ser fatal. A nossa máfia finalmente apareceu. E ela quer controlar os governantes e o Estado. Como nos filmes de Al Capone. Mas em escala nacional, não somente municipal. Aí a democracia liberal acaba e viramos um failed state. O Sr. Trump está errado nos métodos, mas pode estar certo no diagnóstico.
*Acorda, Brasil. A guerra civil começou.* Sem guerrilhas abertas, mas com tecnologia, inteligência, estratégia e coordenação. Ou os candidatos à presidência nas eleições deste ano encaram nas campanhas essa guerra e mobilizam a sociedade civil, ou seremos engolidos pelo polvo criminoso que está nos esmagando. Seja quem for o novo presidente. É preciso muita coragem para comprar esta briga. E a imprensa é nossa maior arma neste momento. Mas as ruas ainda estão livres. E nós devemos ajudar. Manifestar democraticamente e de forma ordeira e pacífica nossa indignação.
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